SERMÃO 43

O caminho bíblico da salvação

O resumo mais claro de Wesley sobre a salvação: justificação, santificação e fé.

Ef 2.8, NAA ⏱ 17 min de leituraSalvação e graça

“Pois pela graça vocês são salvos, mediante a fé.”

(Ef 2.8, NAA)

Antes de ler

Este é um dos sermões mais importantes de John Wesley para a compreensão da salvação na perspectiva metodista. Nele, Wesley apresenta de forma sistemática a ação da graça de Deus desde os primeiros movimentos da graça preveniente até a plena santificação e a glória eterna.

A salvação não é apenas algo que acontecerá depois da morte. Ela começa agora: Deus perdoa, regenera, transforma e conduz o cristão à maturidade no amor. Justificação e santificação são recebidas pela fé, embora o arrependimento, os meios da graça e as obras de amor sejam indispensáveis ao crescimento e à perseverança cristã.

Wesley rejeita tanto a salvação pelas obras quanto uma fé que não produz obediência. A fé é a condição imediata da salvação; as boas obras são seus frutos necessários. A graça que perdoa é a mesma graça que purifica e aperfeiçoa o crente em amor.

— Bispo Ildo Mello

Texto:

1. A religião, como muitas vezes tem sido explicada, parece algo extremamente complicado, confuso e difícil de compreender.

Isso acontece não apenas com as religiões pagãs, inclusive nas formulações de seus pensadores mais sábios, mas também com certas descrições do cristianismo apresentadas por pessoas importantes e respeitadas no mundo cristão.

No entanto, como é simples, clara e fácil de compreender a verdadeira religião de Jesus Cristo, quando a recebemos em sua forma original, conforme está descrita nas Escrituras!

O sábio Criador e Governador do universo a adaptou à compreensão limitada do ser humano em sua condição presente.

Isso pode ser observado tanto no objetivo proposto como no meio para alcançá-lo.

O objetivo é, em uma palavra, salvação.

O meio para alcançá-la é a .

2. Essas duas pequenas palavras — fé e salvação — contêm a essência de toda a Bíblia, como se fossem o centro vital das Escrituras.

Por isso, precisamos ter o maior cuidado possível para não nos enganarmos a respeito delas e para formarmos uma compreensão correta e precisa de ambas.

3. Examinemos, portanto, três questões:

I. O que é a salvação?

II. O que é a fé pela qual somos salvos?

III. Como somos salvos por meio dessa fé?

I. O que é a salvação?

1. Em primeiro lugar, o que é a salvação?

A salvação mencionada neste texto não é apenas aquilo que muitas pessoas entendem pela palavra: ir para o céu e receber felicidade eterna.

Não é simplesmente a alma entrar no paraíso depois da morte. Não é uma bênção reservada exclusivamente para o outro lado da sepultura ou para aquilo que chamamos de mundo futuro.

As próprias palavras do texto eliminam essa ideia:

“Vocês são salvos.”

Não se trata apenas de algo distante, mas de uma realidade presente; uma bênção que, pela livre misericórdia de Deus, os cristãos já possuem.

A expressão também pode ser traduzida como “vocês têm sido salvos”. Nesse sentido, a salvação inclui toda a obra de Deus, desde o primeiro despertar da graça na alma até sua consumação na glória.

2. Entendida em seu sentido mais amplo, a salvação inclui tudo aquilo que Deus realiza por meio do que normalmente é chamado de “consciência natural”, mas que deveria ser chamado mais corretamente de graça preveniente.

Inclui todos os movimentos do Pai atraindo o ser humano; todos os desejos de buscar a Deus que, quando não são sufocados, tornam-se cada vez mais fortes; e toda a luz com que o Filho de Deus ilumina cada pessoa que vem ao mundo.

Por meio dessa graça, as pessoas recebem algum entendimento de que devem praticar a justiça, amar a misericórdia e andar humildemente com Deus.

Ela inclui também as convicções que o Espírito produz, em diferentes momentos, no coração de cada ser humano.

É verdade que a maioria das pessoas procura sufocar essas convicções o mais rapidamente possível. Depois de algum tempo, esquecem-se delas ou chegam até a negar que um dia as tenham sentido.

3. Entretanto, estamos considerando especialmente a salvação mencionada diretamente pelo apóstolo.

Ela possui duas grandes partes: justificação e santificação.

Justificação é outra palavra para perdão. É o perdão de todos os nossos pecados e, como consequência necessária, nossa aceitação diante de Deus.

O preço pelo qual essa bênção foi adquirida — normalmente chamado de causa meritória da justificação — é o sangue e a justiça de Cristo.

Em termos mais claros, é tudo aquilo que Cristo fez e sofreu por nós, até entregar sua vida pelos pecadores.

Os efeitos imediatos da justificação são a paz de Deus, que excede todo entendimento, e a alegria na esperança da glória divina.

4. No mesmo instante em que somos justificados, começa também a santificação.

Nesse momento, nascemos novamente, nascemos do alto e nascemos do Espírito.

Não acontece apenas uma mudança em nosso relacionamento com Deus, mas também uma transformação real dentro de nós.

Somos interiormente renovados pelo poder de Deus.

O amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo. Esse amor produz amor por toda a humanidade e, de modo especial, pelos filhos de Deus.

Ele começa a expulsar o amor ao mundo: o amor desordenado pelo prazer, pelo conforto, pela honra e pelo dinheiro.

Começa também a expulsar o orgulho, a ira, a vontade própria e todas as demais disposições pecaminosas.

Em resumo, a mente terrena, sensual e diabólica começa a ser transformada na mente que houve em Cristo Jesus.

5. É natural que aqueles que experimentam uma transformação tão grande imaginem inicialmente que todo o pecado foi eliminado.

Como naquele momento não sentem o pecado agindo dentro deles, concluem facilmente:

“Não sinto pecado algum; portanto, ele já não existe. Não se movimenta; portanto, está morto. Não se manifesta; portanto, foi completamente destruído.”

6. Geralmente, porém, não demora muito até perceberem que estavam enganados.

O pecado havia sido enfraquecido e imobilizado, mas ainda não completamente destruído.

As tentações retornam, e o pecado volta a se manifestar, demonstrando que estava ferido, mas não morto.

A pessoa percebe dentro de si dois princípios claramente opostos: a carne lutando contra o Espírito e a natureza corrompida resistindo à graça de Deus.

Ela ainda possui poder para crer em Cristo e amar a Deus. O Espírito continua confirmando ao seu espírito que é filha de Deus.

Apesar disso, percebe às vezes movimentos de orgulho, vontade própria, ira ou incredulidade.

Essas disposições podem atacá-la intensamente e tentar fazê-la cair. Contudo, não precisam vencê-la, pois o Senhor é seu auxílio.

7. Há cerca de mil e quatrocentos anos, Macário descreveu com exatidão essa experiência dos filhos de Deus:

“As pessoas sem experiência, quando começam a sentir a ação da graça, imaginam imediatamente que já não possuem pecado algum. Mas aqueles que possuem discernimento não negam que até mesmo os que receberam a graça de Deus podem ser novamente perturbados pelo pecado.

Conhecemos irmãos que experimentaram uma graça tão profunda que chegaram a afirmar não possuir mais pecado. Depois, quando pensavam estar completamente livres dele, a corrupção escondida voltou a se manifestar e quase os consumiu.”

8. Desde o momento em que nascemos de novo, começa a obra gradual da santificação.

Pelo Espírito, somos capacitados a mortificar as obras da natureza pecaminosa.

À medida que morremos para o pecado, tornamo-nos cada vez mais vivos para Deus.

Avançamos de graça em graça enquanto nos afastamos de toda forma de mal e nos dedicamos com zelo às boas obras.

Sempre que existe oportunidade, fazemos o bem a todas as pessoas.

Caminhamos de maneira fiel nos meios da graça, adorando a Deus em espírito e em verdade.

Tomamos nossa cruz e renunciamos a todo prazer que não nos conduza a Deus.

9. É dessa maneira que esperamos a inteira santificação: a plena salvação de todos os pecados, incluindo orgulho, vontade própria, ira e incredulidade.

É isso que o apóstolo chama de avançar para a perfeição.

Mas o que significa perfeição?

A palavra possui diversos sentidos. Neste contexto, significa amor perfeito.

É o amor que exclui o pecado; o amor que enche o coração e ocupa toda a capacidade da alma.

É o amor que se alegra sempre, ora sem cessar e dá graças em todas as circunstâncias.

II. O que é a fé pela qual somos salvos?

1. Em sentido geral, a fé é definida pelo apóstolo como a certeza ou evidência das coisas que não se veem.

É uma evidência e convicção divinas das realidades invisíveis, que não podem ser percebidas pela visão nem por qualquer outro sentido natural.

A fé inclui uma revelação sobrenatural de Deus e das coisas de Deus: uma luz espiritual apresentada à alma e uma capacidade sobrenatural de percebê-la.

As Escrituras falam tanto de Deus concedendo luz como de abrir os olhos para que a pessoa possa enxergá-la.

Deus, que ordenou que a luz brilhasse nas trevas, ilumina nosso coração para que conheçamos sua glória na face de Jesus Cristo.

2. Por essa dupla ação do Espírito Santo — abrindo e iluminando os olhos da alma — vemos aquilo que os olhos naturais não viram e os ouvidos não ouviram.

Contemplamos as realidades invisíveis de Deus.

Percebemos o mundo espiritual que está ao nosso redor, embora nossas capacidades naturais não consigam discerni-lo.

Também enxergamos, pela fé, o mundo eterno, atravessando o véu que separa o tempo da eternidade.

As nuvens e a escuridão deixam de cobri-lo completamente, e já começamos a contemplar a glória que será revelada.

3. Em sentido mais específico, a fé é a evidência e a convicção divinas não apenas de que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, mas também de que Cristo me amou e entregou-se por mim.

Por essa fé, recebemos Cristo em todas as suas funções: como Profeta, Sacerdote e Rei.

Por meio dela, Cristo se torna para nós sabedoria, justiça, santificação e redenção.

4. Alguns perguntam:

“Essa é a fé da certeza ou a fé da confiança?”

As Escrituras não apresentam essa distinção.

Existe uma só fé cristã e salvadora, assim como existe um só Senhor e um só Deus e Pai de todos.

Essa fé inclui necessariamente a certeza de que Cristo me amou e se entregou por mim.

Aquele que crê verdadeiramente possui o testemunho dentro de si. O Espírito confirma ao seu espírito que é filho de Deus.

Porque é filho, Deus envia ao seu coração o Espírito de seu Filho, que clama: “Aba, Pai!”

Essa certeza produz confiança filial em Deus.

É importante observar que a certeza vem antes da confiança, pois alguém não pode confiar em Deus como Pai antes de saber que é seu filho.

Portanto, confiança, dependência e entrega não constituem o primeiro aspecto da fé, mas são consequências da certeza produzida pelo Espírito.

III. Como somos salvos pela fé?

1. Em primeiro lugar, como somos justificados pela fé?

A fé é a condição, e a única condição, da justificação.

É a condição porque ninguém é justificado sem crer.

É a única condição porque a fé é suficiente para a justificação.

Todo aquele que crê é justificado, independentemente daquilo que possua ou deixe de possuir.

Em outras palavras: ninguém é justificado antes de crer; todo aquele que crê é justificado no momento em que crê.

2. Alguém poderá perguntar:

“Deus não ordena também que nos arrependamos e produzamos frutos dignos de arrependimento? Não devemos deixar de fazer o mal e aprender a fazer o bem? Essas coisas não são tão necessárias que, se as negligenciarmos voluntariamente, não poderemos esperar a justificação? Se é assim, como a fé pode ser a única condição?”

Deus certamente ordena que nos arrependamos e produzamos frutos dignos de arrependimento.

Se os negligenciarmos deliberadamente, não poderemos esperar que Deus nos justifique.

Portanto, o arrependimento e seus frutos são, em certo sentido, necessários à justificação.

3. Entretanto, não são necessários no mesmo sentido nem no mesmo grau que a fé.

Os frutos do arrependimento são necessários condicionalmente, quando existe tempo e oportunidade para praticá-los.

Quando não existe oportunidade, a pessoa pode ser justificada sem ter praticado esses frutos, como aconteceu com o homem crucificado ao lado de Jesus.

Mas ninguém pode ser justificado sem fé.

4. Uma pessoa pode possuir grande arrependimento e praticar muitas obras correspondentes a ele. Ainda assim, não será justificada até crer.

No momento em que crê, com muitos ou poucos frutos, com maior ou menor profundidade de arrependimento, é justificada.

O arrependimento e seus frutos são necessários de maneira indireta, pois preparam o caminho para a fé.

A fé é necessária de maneira imediata para a justificação.

Portanto, ela continua sendo a única condição imediata da justificação.

5. Mas somos também santificados pela fé?

Algumas pessoas afirmaram durante muitos anos que eu ensinava que somos justificados pela fé, mas santificados pelas obras.

Tenho declarado continuamente exatamente o contrário.

Tanto em particular como publicamente, tenho ensinado que somos santificados da mesma maneira que somos justificados: pela fé.

6. Uma dessas verdades esclarece a outra.

Assim como somos justificados pela fé, somos santificados pela fé.

A fé é a condição, e a única condição imediata, da santificação.

Ninguém é santificado sem crer. Todo aquele que crê recebe a santificação prometida por Deus.

7. Alguém poderá dizer:

“Não existe um arrependimento posterior à justificação, assim como existe um anterior? Os que foram justificados não precisam dedicar-se às boas obras?

Essas coisas não são necessárias para que alguém seja plenamente santificado, cresça na graça e conserve aquilo que já recebeu?

A pessoa não pode perder a fé e o favor de Deus se negligenciar voluntariamente essas práticas?

Se você reconhece tudo isso, como pode dizer que a fé é a única condição da santificação?”

8. Reconheço tudo isso e o afirmo como verdade de Deus.

Existe um arrependimento posterior à justificação, diferente daquele que a precede.

Todos os que foram justificados devem dedicar-se às boas obras.

Essas coisas são tão necessárias que, se alguém as negligenciar voluntariamente, não poderá esperar ser plenamente santificado.

Não crescerá na graça nem na imagem de Deus. Poderá até perder a graça recebida, deixar de permanecer na fé e afastar-se do favor de Deus.

Portanto, o arrependimento corretamente compreendido e a prática das obras de piedade e de misericórdia são, em certo sentido, necessários à santificação.

9. Esse arrependimento posterior à justificação não deve ser confundido com o arrependimento que a precede.

Ele não envolve condenação, consciência da ira de Deus ou dúvida a respeito de seu favor.

Também não envolve o medo que produz tormento.

É a convicção, produzida pelo Espírito Santo, do pecado que ainda permanece no coração: a mentalidade da carne que continua presente até mesmo nos regenerados, embora já não reine nem exerça domínio sobre eles.

10. É a convicção de nossa inclinação para o mal, de um coração que ainda tende a se afastar e da carne que continua lutando contra o Espírito.

Quando não vigiamos e oramos continuamente, ela nos inclina ao orgulho, à ira, ao amor ao mundo, ao conforto, à honra e ao prazer mais do que a Deus.

É também a convicção de nossa tendência à vontade própria, ao ateísmo prático, à idolatria e, acima de tudo, à incredulidade.

Por meio dela, de inúmeras maneiras e sob diferentes justificativas, começamos a nos afastar do Deus vivo.

11. Juntamente com a convicção do pecado existente no coração, reconhecemos o pecado que ainda se mistura à nossa vida, às nossas palavras e ações.

Até em nossas melhores obras percebemos alguma mistura de mal, seja na motivação, no conteúdo ou na maneira como foram realizadas.

Encontramos orgulho, vontade própria, incredulidade ou idolatria justamente onde menos esperávamos.

Por isso, algumas vezes sentimos mais vergonha de nossos melhores deveres do que anteriormente sentíamos de nossos piores pecados.

Reconhecemos que nossas obras não possuem mérito algum e não poderiam resistir ao justo julgamento de Deus, se não fosse o sangue da aliança.

12. Esse arrependimento também inclui a convicção de nossa completa incapacidade.

Por nós mesmos, não conseguimos produzir um pensamento verdadeiramente bom, formar um desejo santo, pronunciar uma palavra correta ou realizar uma ação agradável a Deus.

Tudo depende da graça livre e poderosa de Deus, que nos antecede e nos acompanha a cada momento.

13. Quais são as boas obras necessárias ao crescimento e à santificação?

Primeiramente, todas as obras de piedade: oração pública, familiar e particular; participação na Ceia do Senhor; estudo das Escrituras por meio da leitura, da pregação, da escuta e da meditação; e o jejum ou a abstinência na medida permitida pela saúde.

14. Em segundo lugar, todas as obras de misericórdia, relacionadas tanto ao corpo como à alma.

Isso inclui alimentar os famintos, vestir os que não possuem roupas, acolher o estrangeiro e visitar os presos, os enfermos e os que enfrentam diferentes aflições.

Inclui também instruir os que não conhecem a verdade, despertar o pecador adormecido, encorajar os espiritualmente indiferentes, fortalecer os que vacilam, consolar os desanimados, socorrer os tentados e contribuir de todas as maneiras possíveis para salvar pessoas da morte.

Esse é o arrependimento, e esses são os frutos dignos de arrependimento, necessários à plena santificação.

Esse é o caminho no qual Deus determinou que seus filhos esperassem a salvação completa.

15. Podemos perceber, portanto, o grande perigo da opinião aparentemente inocente de que não existe pecado algum no crente e de que todo pecado é destruído, pela raiz, no momento da justificação.

Essa ideia impede completamente o arrependimento dos crentes e, assim, bloqueia o caminho para a plena santificação.

Não existe lugar para arrependimento em quem pensa não possuir pecado nem no coração nem na vida.

Consequentemente, não existe caminho para ser aperfeiçoado no amor, pois esse arrependimento é indispensável para a maturidade cristã.

16. Também não existe perigo algum em esperarmos a salvação completa.

Mesmo que estivéssemos enganados e essa bênção não pudesse ser recebida nesta vida, nada perderíamos.

Pelo contrário, essa expectativa nos estimularia a utilizar e desenvolver todos os talentos que Deus nos concedeu, para que, quando o Senhor vier, receba aquilo que lhe pertence com crescimento.

17. Contudo, embora o arrependimento dos crentes e seus frutos sejam necessários à plena salvação, não são necessários no mesmo sentido nem no mesmo grau que a fé.

Esses frutos são necessários quando existe tempo e oportunidade.

Uma pessoa pode ser santificada sem ter oportunidade de praticá-los, mas não pode ser santificada sem fé.

Por maior que seja seu arrependimento ou por mais numerosas que sejam suas boas obras, não será plenamente santificada até crer.

No momento em que crê, com muitos ou poucos frutos, recebe aquilo que Deus prometeu.

O arrependimento e as obras são necessários indiretamente para conservar e aumentar a fé. A fé é necessária direta e imediatamente para a santificação.

18. Qual é, então, a fé pela qual somos santificados, salvos do pecado e aperfeiçoados no amor?

Primeiro, é a convicção divina de que Deus prometeu essa salvação nas Escrituras.

A promessa de que Deus circuncidará nosso coração para que o amemos com todo o coração e toda a alma expressa claramente a perfeição no amor.

Quando o amor ocupa todo o coração, não existe espaço para o pecado.

Segundo, é a convicção de que Deus possui poder para realizar aquilo que prometeu.

O que é impossível às pessoas é possível para Deus. Somente o poder do Todo-Poderoso pode purificar o coração de todo pecado e enchê-lo de santidade.

Se Deus disser: “Haja luz”, haverá luz.

Terceiro, é a convicção de que Deus pode e deseja fazer isso agora.

Ele não precisa de mais tempo nem espera que a pessoa se torne mais digna.

Agora é o tempo da salvação. Hoje, se ouvirmos sua voz, não devemos endurecer o coração.

Finalmente, a essa convicção de que Deus pode e deseja santificar agora deve ser acrescentada a certeza de que ele está realizando a obra.

Nesse momento, Deus fala ao íntimo da alma: “Seja feito conforme a sua fé.”

A pessoa é purificada das manchas do pecado e experimenta o significado da promessa de que o sangue de Jesus nos purifica de todo pecado.

Deus realiza essa obra gradualmente ou instantaneamente?

Em algumas pessoas, talvez ela aconteça de tal maneira que não percebam o momento exato em que o pecado deixa de existir.

No entanto, é extremamente desejável que o Senhor destrua o pecado instantaneamente, pelo sopro de sua boca, em um momento.

E é assim que geralmente realiza essa obra.

Portanto, espere por ela em todos os momentos. Espere enquanto pratica as boas obras para as quais foi criado em Cristo Jesus.

Espere hoje, nesta hora e neste momento.

Se você a busca pelas obras, pensa que precisa primeiro fazer ou tornar-se alguma coisa antes de ser santificado.

Se a busca pela fé, pode esperá-la exatamente como está: nem melhor nem pior; como um pecador pobre, que nada possui para pagar ou apresentar, além desta verdade: Cristo morreu.

Se espera como está, espere agora.

Cristo está pronto. Ele é tudo aquilo de que você precisa. Está à porta.

Que sua alma clame:

Entra, ó Hóspede celestial, e nunca mais te afastes; vem cear comigo, e seja o amor uma festa eterna.

Tradução em português atual a partir do original em domínio público (ed. Thomas Jackson, 1872), realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello. Citações bíblicas conforme a NAA. Igreja Metodista Livre do Brasil.

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