SERMÃO 95

Sobre a educação dos filhos

Ensinar a criança no caminho em que deve andar — o cuidado cristão na formação dos filhos.

Pv 22.6, NAA ⏱ 17 min de leituraVida cristã prática

“Ensine a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho não se desviará dele.”

(Pv 22.6, NAA)

Antes de ler

Wesley entende a educação como o trabalho de formar o caráter, e não apenas de transmitir informações. Seu objetivo é conduzir a criança à maturidade racional, moral e espiritual, ajudando-a a amar a Deus e ao próximo.

O sermão se baseia numa compreensão do pecado original segundo a qual todos nascem inclinados ao egoísmo, ao orgulho, à ira, à falsidade e ao amor desordenado pelo mundo. Por isso, os pais não devem apenas transmitir conhecimentos, mas ajudar os filhos a desenvolver domínio próprio, verdade, justiça, misericórdia e amor.

Diversos conselhos sobre alimentação infantil, brinquedos, roupas, internatos, avós e métodos de disciplina refletem opiniões pessoais e conhecimentos do século XVIII. Não constituem orientação médica, psicológica ou pedagógica atual. A insistência de Wesley em “quebrar a vontade” da criança deve ser compreendida historicamente e não pode justificar violência, intimidação, humilhação, privação de afeto ou controle abusivo. A disciplina cristã deve proteger a dignidade e a segurança da criança.

— Bispo Ildo Mello

Texto:

1. Não devemos imaginar que estas palavras devam ser compreendidas de maneira absoluta, como se nenhuma criança educada no caminho correto pudesse algum dia afastar-se dele.

Os fatos não concordam com essa interpretação.

Existe até mesmo um conhecido comentário: “Alguns dos melhores pais possuem os piores filhos.”

Isso poderá ocorrer porque pessoas boas nem sempre possuem bom discernimento e, sem discernimento, dificilmente saberão educar corretamente os filhos.

Além disso, pessoas boas em outros aspectos algumas vezes possuem temperamento excessivamente permissivo.

Não vão além do velho Eli ao procurar afastar os filhos do mal, dizendo suavemente:

“Não, meus filhos, não é boa essa notícia que ouço a respeito de vocês” (1 Samuel 2.24).

Nesse caso, não existe contradição com o provérbio, pois os filhos não foram verdadeiramente ensinados no caminho em que deveriam andar.

É necessário admitir, porém, que algumas crianças foram cuidadosamente educadas, com toda diligência possível, e, apesar disso, antes de chegarem à velhice — até mesmo no vigor da juventude —, afastaram-se inteiramente daquele caminho.

2. As palavras, portanto, precisam ser compreendidas com alguma limitação.

Compreendidas assim, contêm uma verdade indiscutível.

Trata-se de uma promessa geral, embora não universal. Muitos pais experimentaram seu feliz cumprimento.

Essa é a maneira mais provável pela qual os pais poderão conduzir os filhos à piedade e, embora nem sempre, geralmente produz o resultado desejado.

O Deus dos pais acompanha os filhos, abençoa seus esforços e concede-lhes o consolo de deixar à sua descendência não apenas os bens materiais, mas também a fé.

3. Qual é, porém, “o caminho em que a criança deve andar”? E como devemos educá-la nesse caminho?

William Law estabeleceu admiravelmente o fundamento disso em seu livro Um chamado sério a uma vida devota. Estas são, em parte, suas palavras:

“Caso tivéssemos permanecido perfeitos, assim como Deus criou o primeiro ser humano, talvez a própria perfeição de nossa natureza fosse suficiente para instruir-nos.

Mas, assim como as enfermidades tornaram necessários medicamentos e médicos, os transtornos de nossa natureza racional tornaram necessária a educação e os educadores.

Assim como o único objetivo do médico é restaurar a natureza à sua condição saudável, o único objetivo da educação é restaurar nossa natureza racional à condição apropriada.

A educação deve, portanto, ser considerada como uma razão recebida de outra pessoa, que procura, na medida do possível, suprir a perda da perfeição original.

Assim como a medicina pode ser chamada de arte de restaurar a saúde, a educação deve ser considerada a arte de recuperar a perfeição racional do ser humano.”

4. “Esse era o objetivo procurado pelos jovens que acompanhavam Pitágoras, Sócrates e Platão.

Suas lições diárias eram ensinamentos sobre a natureza humana, sua verdadeira finalidade e o uso correto de suas capacidades; sobre a imortalidade da alma e sua relação com Deus; sobre a conformidade da virtude com a natureza divina; sobre a necessidade de temperança, justiça, misericórdia e verdade; e sobre a insensatez de nos entregarmos às paixões.

O cristianismo recriou, por assim dizer, o mundo moral e religioso e colocou tudo aquilo que é racional, sábio, santo e desejável sob sua verdadeira luz.

Por isso, seria de esperar que a educação dos filhos fosse tão aperfeiçoada pelo cristianismo quanto foram as doutrinas religiosas.

O cristianismo nos informou plenamente sobre a natureza humana e a finalidade de nossa criação; determinou aquilo que é verdadeiramente bom ou mau; ensinou-nos os meios de purificar a alma, agradar a Deus e ser felizes eternamente.

Seria natural imaginar que todo país cristão possuísse escolas dedicadas não apenas a ensinar algumas perguntas e respostas de catecismo, mas a formar e exercitar as crianças num modo de vida correspondente às mais elevadas doutrinas do cristianismo.

A educação oferecida por Pitágoras ou Sócrates não possuía outra finalidade senão ensinar os jovens a pensar e agir como eles.

Não seria razoável que a educação cristã tivesse como finalidade ensinar as crianças a pensar, julgar e agir segundo as mais rigorosas normas do cristianismo?

Em toda escola cristã, ensinar as crianças a começar a vida no espírito do cristianismo — em domínio próprio, humildade, sobriedade e devoção — deveria ser considerado cem vezes mais importante do que todas as demais coisas.

Aqueles que nos educam deveriam imitar nossos anjos da guarda: apresentar à mente somente aquilo que é sábio e santo; ajudar-nos a descobrir todo julgamento falso e dominar toda paixão desordenada.

É tão razoável esperar esses benefícios da educação cristã quanto esperar que a medicina fortaleça aquilo que é saudável em nossa natureza e remova as enfermidades.”

5. Lembremos cuidadosamente, durante toda a reflexão, que Deus, e não o ser humano, é o Médico das almas.

Somente ele oferece o remédio capaz de curar nossas enfermidades naturais.

Toda ajuda verdadeira realizada na terra procede dele.

Nenhum dos filhos dos seres humanos é capaz de retirar coisa pura daquilo que é impuro.

Em resumo, é Deus quem atua em nós tanto o querer quanto o realizar, segundo sua boa vontade.

Geralmente, porém, agrada-lhe atuar por meio de suas criaturas, ajudando uma pessoa por intermédio de outra.

Ele honra os seres humanos, permitindo que sejam, em determinado sentido, cooperadores com ele.

Desse modo, a recompensa pertence a nós, enquanto toda glória retorna a Deus.

Para compreendermos claramente o caminho em que devemos educar a criança, consideremos quais são as enfermidades de sua natureza; quais são as enfermidades espirituais que todo aquele que nasce de mulher traz consigo ao mundo.

6. Pode-se dizer que toda pessoa é, por natureza, como se fosse seu próprio deus.

Adora a si mesma. Imagina ser a senhora absoluta de sua vida.

O herói de Dryden fala segundo a natureza humana quando declara:

“Sou rei de mim mesmo.”

A pessoa procura a si mesma em todas as coisas e procura agradar a si mesma.

E por que não? Quem seria senhor sobre ela?

A própria vontade é sua única lei. Faz isto ou aquilo simplesmente porque lhe agrada.

Com o mesmo espírito daquele que, antigamente, disse: “Subirei acima das mais altas nuvens”, ela afirma: “Farei isto ou aquilo.”

Não encontramos por toda parte pessoas inteligentes exatamente com esse espírito?

Caso lhes perguntem por que realizaram determinada coisa, respondem imediatamente:

“Porque eu quis.”

7. Outra enfermidade que toda alma humana traz ao mundo é o orgulho: uma inclinação contínua para pensar de si mesma além daquilo que convém.

Toda pessoa consegue perceber mais ou menos essa enfermidade em todos — menos em si mesma.

Na verdade, caso a percebesse claramente em si, ela diminuiria, porque a pessoa começaria a pensar de si com maior sobriedade.

8. A enfermidade seguinte, natural a toda alma humana, é o amor ao mundo.

Por natureza, toda pessoa ama a criatura em lugar do Criador e ama os prazeres mais do que ama a Deus.

Torna-se escrava de desejos insensatos e prejudiciais: o desejo da carne, o desejo dos olhos ou a soberba da vida.

O desejo da carne é a inclinação para buscar felicidade na satisfação de um ou mais sentidos exteriores.

O desejo dos olhos é a inclinação para buscar felicidade naquilo que agrada à imaginação: objetos belos, novos ou impressionantes.

A soberba da vida é a inclinação para buscar felicidade na honra, na admiração e no aplauso das pessoas.

9. Seja ou não uma enfermidade natural, é certo que a ira também é comum à natureza humana.

Um antigo filósofo a definiu como “a percepção de ter recebido uma ofensa, unida ao desejo de vingança”.

Existiu alguma pessoa nascida de mulher que nunca tenha sofrido com isso?

Assim como as demais enfermidades da mente, ela é muito mais violenta em algumas pessoas do que em outras.

Entretanto, onde quer que exista, é, como disse o poeta, furor brevis: uma forma real, ainda que breve, de loucura.

10. O afastamento da verdade também é natural aos filhos dos seres humanos.

Alguém disse apressadamente: “Todo ser humano é mentiroso.”

Podemos afirmar, depois de reflexão serena, que toda pessoa em sua condição natural, quando enfrenta forte tentação, poderá afastar-se da verdade ou disfarçá-la.

Mesmo quando não afirma diretamente algo falso, frequentemente ofende contra a simplicidade.

Utiliza artifícios, apresenta aparências enganosas, pratica simulação ou dissimulação.

Por isso, não podemos dizer verdadeiramente de qualquer pessoa, antes que a graça transforme sua natureza:

“Eis um verdadeiro israelita, em quem não há falsidade!”

11. Todas as pessoas também possuem inclinação natural para falar ou agir de maneira contrária à justiça.

Essa é outra enfermidade trazida conosco ao mundo.

As pessoas são naturalmente parciais em favor de si mesmas e, quando surge oportunidade, consideram os próprios interesses e prazeres mais do que a justiça rigorosa permite.

Nenhuma pessoa também é, por natureza, misericordiosa como o Pai celestial é misericordioso.

Todas, em maior ou menor grau, transgridem a grande regra da misericórdia, assim como a da justiça:

“Tudo o que vocês querem que os outros façam a vocês, façam também vocês a eles” (Mateus 7.12).

12. Caso essas sejam as enfermidades gerais da natureza humana, não é a grande finalidade da educação procurar curá-las?

Não é responsabilidade daqueles aos quais Deus confiou a educação das crianças cuidar, primeiramente, para não aumentar nem alimentar essas enfermidades — como faz a maioria dos pais — e, depois, utilizar todos os meios possíveis para colaborar em sua cura?

13. Consideremos situações específicas.

O que os pais, e especialmente as mães, aos cuidados das quais as crianças são necessariamente confiadas nos primeiros anos, podem fazer a respeito do ateísmo prático natural aos filhos dos seres humanos?

Como a maioria dos pais, até mesmo os que amam ou pelo menos temem a Deus, alimenta essa disposição!

Passam horas, talvez dias, com os filhos e quase não mencionam o nome de Deus.

Enquanto isso, falam sobre milhares de outras coisas existentes no mundo ao redor deles.

As coisas do mundo presente, que cercam as crianças por todos os lados, naturalmente ocuparão os pensamentos e afastarão Deus ainda mais de sua consciência.

Os pais também alimentam esse ateísmo ao atribuírem as obras da criação simplesmente à “natureza”, deixando Deus completamente fora da conversa.

Fazem a mesma coisa quando falam sobre acontecimentos como se fossem produzidos pelo acaso, pela sorte ou pelo azar; quando atribuem os acontecimentos exclusivamente à sabedoria e ao poder humano ou a outras causas secundárias, como se estas governassem o mundo.

Também fazem isso quando falam sobre a própria sabedoria, bondade ou capacidade de realizar alguma coisa sem mencionar que todas elas são dons de Deus.

Tudo isso tende a conservar Deus fora dos pensamentos das crianças.

14. Em oposição direta a isso, os pais sábios aproveitarão todas as ocasiões para colocar Deus diante dos filhos.

Não falarão de maneira artificial ou excessiva, mas ensinarão a perceber a presença e a bondade divina na criação, na providência, na saúde, na alimentação, nos relacionamentos e em todos os dons recebidos.

Ensinarão que Deus está próximo, vê todas as coisas, ama aquilo que é bom e deseja que andemos em seus caminhos.

15. A vontade própria é outra das mais perigosas enfermidades da natureza humana.

Como a maioria dos pais a alimenta, permitindo que os filhos governem a casa por meio de insistência, choro, exigências ou resistência!

Quem possui coragem para agir de outra maneira? Talvez um pai em cem.

Quem deseja parecer tão diferente ou tão severo a ponto de não satisfazer, em maior ou menor grau, cada desejo da criança?

“Que mal existe nisso, visto que todos fazem a mesma coisa?”

O mal é que isso fortalece continuamente a vontade própria, até que não se submeta nem a Deus nem às pessoas.

Satisfazer todos os desejos da criança significa, até onde depende de nós, tornar sua enfermidade mais difícil de ser curada.

Pais sábios, ao contrário, começam a ensinar limites desde o primeiro momento em que a vontade própria se manifesta.

16. Em toda a arte da educação cristã, poucas coisas são mais importantes do que isso.

A vontade dos pais representa para a criança pequena, dentro de limites justos e amorosos, a autoridade pela qual ela começa a aprender obediência.

Portanto, ensinem-na a aceitar orientação enquanto é criança, para que esteja mais preparada a submeter-se à vontade de Deus quando crescer.

Para alcançar esse objetivo, será necessária grande firmeza e constância.

Depois de estabelecerem um limite justo, não o abandonem por cansaço, irritação ou medo da reação da criança.

Permaneçam coerentes.

Um conselho pouco considerado é não recompensar insistência descontrolada.

Caso a criança receba imediatamente tudo aquilo que exige por meio de choro ou gritos, aprende que essa é a maneira de governar os adultos e repetirá o comportamento.

A resposta, porém, não deve ser violência nem abandono. Deve ser presença serena, limite coerente e orientação paciente.

Será necessário impedir que outras pessoas desfaçam continuamente o trabalho dos pais.

Empregados, parentes ou visitantes poderão oferecer aquilo que os pais negaram ou contradizer as regras estabelecidas.

Expliquem claramente o plano da família e peçam que seja respeitado.

Demonstrem todo respeito aos avós, mas não permitam que assumam o governo da educação contra as decisões responsáveis dos pais.

17. É difícil dizer se a vontade própria ou o orgulho é a enfermidade mais prejudicial.

Foi principalmente o orgulho que derrubou tantas estrelas do céu e transformou anjos em demônios.

O que os pais poderão fazer para controlá-lo até que seja radicalmente curado?

Primeiramente, tomem cuidado para não alimentar aquilo que deveriam combater.

Quase todos os pais fazem isso ao elogiarem constantemente os filhos diante deles.

Caso compreendam a insensatez e o perigo dessa prática, afastem-se cuidadosamente dela.

Não apenas deixem de incentivar, mas também não permitam que outras pessoas façam continuamente aquilo que vocês próprios evitam.

Quantos pais, que não aceitariam ouvir tranquilamente elogios dirigidos a si mesmos, permanecem satisfeitos enquanto os filhos são elogiados diante deles!

Isso não coloca uma armadilha diante dos pés da criança?

Não estimula profundamente o orgulho, mesmo quando é elogiada por algo realmente digno?

Não é duplamente prejudicial quando recebe elogios por coisas sem verdadeiro valor moral, como inteligência natural, boas maneiras, beleza ou elegância no vestir?

Isso poderá prejudicar não somente o coração, mas também o entendimento.

18. Caso desejem atingir sem demora a raiz do orgulho, ensinem aos filhos, assim que forem capazes de compreender, que a humanidade não conserva plenamente a gloriosa imagem de Deus na qual foi originalmente criada.

Expliquem-lhes que necessitamos da graça divina para sermos restaurados em sabedoria, bondade e santidade.

Ensinem que o orgulho, a ira e o desejo de vingança não correspondem ao caráter de Cristo e que desejos desordenados nos aproximam de uma vida governada apenas pelos impulsos.

Vigiem cuidadosamente os primeiros movimentos do orgulho e orientem-nos antes que criem raízes profundas.

“Como poderei incentivá-los quando fazem o bem, caso nunca os elogie?”

Não afirmei que nunca devam elogiá-los.

Nosso Senhor elogiou seus discípulos, e Paulo elogiou os coríntios, filipenses e outras pessoas às quais escreveu.

Não condenamos totalmente os elogios. Digamos apenas: utilizem-nos com muita moderação.

Quando elogiarem, orientem os filhos a reconhecer que tudo aquilo que possuem é dom gratuito de Deus e a dizer com humildade:

“Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória” (Salmo 115.1).

19. Depois da vontade própria e do orgulho, a enfermidade mais perigosa com a qual nascemos é o amor ao mundo.

Como a maioria dos pais a alimenta em suas diversas manifestações!

Alimentam o desejo da carne, a inclinação para procurar felicidade nos sentidos, esforçando-se para ampliar ao máximo o prazer das crianças com alimentos e bebidas.

Antes e depois de desmamá-las, oferecem tudo aquilo que desejam experimentar e, muito cedo, acostumam-nas a bebidas e alimentos escolhidos somente pelo prazer.

Alimentam o desejo dos olhos, a inclinação para buscar felicidade na imaginação, oferecendo brinquedos brilhantes, roupas vistosas e adornos desnecessários, chegando a apresentar essas coisas como recompensa pela obediência.

Também alimentam a soberba da vida, a inclinação para buscar felicidade na aprovação humana.

O amor ao dinheiro não é esquecido. As crianças ouvem muitas lições sobre a necessidade de ganhar dinheiro e aprendem a considerar riqueza e honra como recompensa suprema por seus esforços.

20. Em oposição a tudo isso, pais sábios e verdadeiramente bondosos procurarão não alimentar nos filhos o desejo da carne.

Wesley apresenta neste ponto conselhos alimentares detalhados, inclusive sobre desmame e alimentação baseada principalmente em vegetais, refletindo o conhecimento médico de seu tempo. Essas decisões devem atualmente ser tomadas com orientação adequada à saúde e às necessidades de cada criança.

O princípio de sua recomendação é acostumá-las à simplicidade e não transformar o alimento numa fonte contínua de indulgência.

Não estimulem a exigência de alimentos especiais, delicados ou caros. Ensinem gratidão por aquilo que é saudável e suficiente.

Impeçam também que empregados ou parentes ofereçam continuamente guloseimas e recompensas que destruam a disciplina estabelecida.

Melhor enfrentar algum inconveniente do que permitir que toda a formação da criança seja desfeita.

21. Pais sábios e bondosos serão igualmente cuidadosos para não alimentar o desejo dos olhos.

Não farão da beleza exterior, das roupas vistosas, dos objetos brilhantes ou dos adornos a principal fonte de prazer e identidade dos filhos.

Também não permitirão que outras pessoas ofereçam continuamente aquilo que decidiram evitar.

Objetos dessa espécie poderão ser recusados com educação ou guardados para outro uso.

Ensinem as crianças a valorizar simplicidade, limpeza, utilidade e modéstia mais do que exibição.

22. Devem igualmente prevenir a soberba da vida.

Não acostumem os filhos a desejar a admiração das pessoas nem a medir seu valor pelo dinheiro, pela posição, pela aparência ou pelos elogios.

Ensinem-nos a buscar a honra que vem de Deus e a considerar a aprovação divina superior a todos os aplausos humanos.

Combata-se também o espírito de vingança.

Quando uma criança for ofendida, não a ensinem a retribuir.

Lembrem-lhe as palavras de Cristo sobre não devolver o mal com o mal e as palavras do apóstolo:

“Meus amados, não façam justiça com as próprias mãos, mas deem lugar à ira de Deus, pois está escrito: ‘A mim pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor’” (Romanos 12.19).

23. A maioria dos pais alimenta e aumenta a inclinação dos filhos para a falsidade.

Quantas vezes ouvimos esta frase sem sentido:

“Não, não foi você. Meu filho não fez isso. Diga que foi o gato.”

Que insensatez!

Não sentem remorso ao colocar uma mentira na boca da criança antes mesmo que consiga falar claramente?

Não imaginam que fará rápido progresso quando possuir maior compreensão?

Outros ensinam tanto a dissimulação quanto a mentira mediante severidade irracional.

Outros ainda admiram e elogiam as mentiras consideradas inteligentes e os truques astutos dos filhos.

Pais sábios, ao contrário, ensinarão a abandonar toda mentira e a falar a verdade procedente do coração, nas coisas pequenas e grandes, nas brincadeiras e nos assuntos sérios.

Ensinem que o autor de toda falsidade é o diabo, mentiroso e pai da mentira.

Ensinem-nos a rejeitar não somente a mentira direta, mas também a ambiguidade intencional, a astúcia e a dissimulação.

Empreguem todos os meios para produzir amor à verdade, à sinceridade, à simplicidade e à transparência do espírito e do comportamento.

24. A maioria dos pais aumenta a inclinação natural dos filhos para a injustiça ao ignorar os danos que causam uns aos outros.

Alguns até riem e elogiam suas estratégias para enganar irmãos ou colegas.

Evitem todas essas coisas.

Desde a infância, lancem no coração as sementes da justiça e exercitem os filhos na prática rigorosa dela.

Caso seja possível, ensinem-nos a amar a justiça, nas coisas pequenas assim como nas grandes.

Gravem na mente deles o antigo provérbio:

“Aquele que rouba uma pequena moeda também poderá roubar uma grande quantia.”

Acostumem-nos a entregar a cada pessoa exatamente aquilo que lhe pertence.

25. Muitos pais também ignoram a falta de bondade dos filhos e, desse modo, a fortalecem.

Pais verdadeiramente amorosos não permitirão qualquer espécie ou grau de crueldade.

Não deixarão que atormentem irmãos e irmãs, seja por palavras, seja por ações.

Não permitirão que prejudiquem ou provoquem sofrimento desnecessário a qualquer ser vivo.

Não devem destruir ninhos de pássaros nem ferir animais por diversão.

Que aprendam, na medida apropriada, a aplicar a todos os seres vivos a regra de tratar os outros como desejariam ser tratados.

Pais verdadeiramente bondosos, pela manhã, à noite e durante todo o dia, ensinem os filhos a andar em amor, assim como Cristo nos amou e entregou-se por nós.

Conservem diante deles esta grande verdade:

“Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus permanece nele” (1 João 4.16).

Tradução em português atual a partir do original em domínio público (ed. Thomas Jackson, 1872), realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello. Citações bíblicas conforme a NAA. Igreja Metodista Livre do Brasil.

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