SERMÃO 115
O ofício ministerial
“Ninguém toma para si esta honra, senão quando chamado por Deus” — a diferença entre o sacerdócio e o ministério da pregação.
“Ninguém toma esta honra para si mesmo, a não ser quando chamado por Deus, como aconteceu com Arão.”
(Hb 5.4, NAA)Antes de ler
Neste sermão, Wesley distingue o ofício de pregar do ofício pastoral e sacramental. Seu propósito imediato era orientar os pregadores leigos metodistas, que haviam sido chamados para evangelizar e ensinar, mas que, segundo ele, não deveriam por iniciativa própria batizar ou administrar a Ceia.
O texto reflete uma fase de transição do metodismo. Wesley permanecia ministro da Igreja da Inglaterra e desejava que as sociedades metodistas continuassem dentro dela. Ao mesmo tempo, já havia tomado decisões extraordinárias para organizar o metodismo e, poucos anos antes, havia ordenado ministros para os Estados Unidos. O próprio editor da edição de Thomas Jackson incluiu uma nota registrando a objeção de Henry Moore ao argumento de Wesley.
A Igreja Metodista Livre reconhece a unidade entre o ministério da Palavra, dos sacramentos e da supervisão pastoral. Portanto, este sermão deve ser lido como documento histórico da organização metodista inicial, e não como definição final e universal da ordenação metodista.
— Bispo Ildo Mello
Nota do editor
A respeito deste sermão, o senhor Moore apresenta a seguinte informação em sua Vida do Senhor Wesley:
“Eu estava com o senhor Wesley em Londres quando ele publicou esse sermão. Ele havia me incentivado a ser homem de um só Livro e repetidamente me convidara a apresentar livremente qualquer objeção que possuísse contra alguma coisa publicada por ele. Pensei que certas afirmações daquele discurso não se encontravam no LIVRO e resolvi dizer-lhe isso na primeira oportunidade. Ela logo surgiu.
Observei respeitosamente que concordava com ele em que o Senhor sempre enviou quem desejou enviar para transmitir instrução, repreensão e correção em justiça à humanidade; e que existia verdadeira distinção entre o ofício profético e o sacerdotal no Antigo Testamento e entre o ofício profético e o pastoral no Novo, no qual não se menciona sacerdócio algum além daquele de nosso Senhor. Entretanto, não conseguia considerar de acordo com aquilo que lemos nas Escrituras a afirmação de que os pastores ou bispos possuíam o direito de administrar os sacramentos, enquanto os evangelistas não possuíam.
Eu disse: ‘O senhor sabe que os evangelistas Timóteo e Tito foram orientados pelo apóstolo a ordenar bispos em todos os lugares. Certamente, não poderiam transmitir-lhes autoridade que eles próprios não possuíam.’ Ele olhou atentamente para mim durante algum tempo, mas sem desagrado. Não respondeu e logo introduziu outro assunto. Nada mais falei. O homem de um só Livro não desejava discutir contra o Livro.
Creio que percebeu que seu amor pela Igreja, da qual nunca se afastava sem necessidade, havia, naquela situação, conduzido-o um pouco além do adequado.”
1. Existem pouquíssimos textos das Sagradas Escrituras utilizados com maior frequência do que este contra os leigos que, não sendo sacerdotes nem diáconos, assumem a responsabilidade de pregar. Muitos perguntaram: “Como alguém se atreve a tomar essa honra para si mesmo, a menos que tenha sido chamado por Deus, como Arão?” Alguns anos antes, um ministro piedoso e sensato publicou um sermão sobre essas palavras, procurando demonstrar que não é suficiente alguém sentir-se interiormente chamado por Deus para pregar, como muitos imaginam, se não for também exteriormente chamado por pessoas enviadas por Deus para essa finalidade, assim como Arão foi chamado por Deus mediante Moisés.
2. Existe, porém, grave falha nesse argumento, todas as vezes em que é apresentado. “Chamado por Deus como Arão!” Arão, porém, não pregava. Não foi chamado para isso nem por Deus nem pelas pessoas. Arão foi chamado para ministrar nas coisas santas, oferecer orações e sacrifícios e exercer o ofício sacerdotal. Nunca foi chamado para ser pregador.
3. Nos tempos antigos, reconhecia-se que o ofício sacerdotal e o ofício de pregador eram completamente distintos. Todo aquele que investigar imparcialmente a questão desde o princípio ficará convencido disso. De Adão até Noé, todos reconhecem que o primogênito de cada família era naturalmente o sacerdote daquela família em virtude da primogenitura. Isso, porém, não lhe concedia direito algum de ser pregador ou, segundo a linguagem bíblica, profeta. Esse ofício frequentemente pertencia ao filho mais novo da família. Nessa questão, Deus sempre afirmou seu direito de enviar quem desejasse enviar.
4. Desde o tempo de Noé até Moisés, podemos fazer a mesma observação. O filho mais velho da família era o sacerdote, mas qualquer outro poderia ser profeta. Esaú herdou o ofício sacerdotal por direito de nascimento, até vendê-lo profanamente a Jacó por um prato de comida. Foi isso que nunca conseguiu recuperar, embora o procurasse cuidadosamente com lágrimas.
5. No tempo de Moisés, ocorreu transformação muito significativa no sacerdócio. Deus determinou que, em lugar dos primogênitos de cada casa, uma tribo inteira fosse consagrada a ele e que todos aqueles que posteriormente ministrassem como sacerdotes pertencessem a essa tribo. Arão era da tribo de Levi, assim como Moisés. Moisés, porém, não era sacerdote, embora fosse o maior profeta que viveu antes que Deus introduzisse seu Primogênito no mundo. Ao mesmo tempo, poucos levitas eram profetas. Caso algum deles o fosse, isso era circunstancial, e não consequência de pertencer àquela tribo. Muitos dos profetas, talvez a maioria, segundo antigos escritores judeus, pertenciam à tribo de Simeão. Alguns eram de Benjamim ou Judá e provavelmente de outras tribos.
6. Temos razão para acreditar que, em todas as épocas, existiram duas espécies de profetas. Havia os extraordinários, como Natã, Isaías, Jeremias e muitos outros, sobre os quais o Espírito Santo vinha de maneira extraordinária. Assim aconteceu especialmente com Amós, que declarou: “Eu não era profeta, nem discípulo de profeta, mas boiadeiro. O Senhor, porém, me disse: ‘Vá e profetize ao meu povo Israel’”. Os profetas comuns eram educados nas “escolas dos profetas”, uma das quais se encontrava em Ramá, presidida por Samuel. Eram preparados para instruir o povo e eram os pregadores regulares nas sinagogas. No Novo Testamento, são geralmente chamados escribas ou nomikoí, “intérpretes da Lei”. Poucos deles, se algum, eram sacerdotes. Os dois grupos sempre constituíram ordens diferentes.
7. Muitos homens instruídos demonstraram amplamente que nosso Senhor e todos os seus apóstolos organizaram a Igreja cristã, na medida do possível, segundo o modelo judaico. Assim, o grande Sumo Sacerdote de nossa confissão enviou apóstolos e evangelistas para anunciar as boas-novas ao mundo inteiro e depois pastores, pregadores e mestres para edificar na fé as congregações formadas. Não encontro, porém, indicação de que o ofício de evangelista tenha sido o mesmo que o de pastor, frequentemente chamado bispo. O pastor presidia sobre o rebanho e administrava os sacramentos; o evangelista auxiliava-o e pregava a Palavra em uma ou mais congregações. Não consigo provar por qualquer parte do Novo Testamento nem por algum autor dos três primeiros séculos que o ofício de evangelista concedesse a alguém o direito de atuar como pastor ou bispo. Creio que esses ofícios foram considerados inteiramente distintos até o tempo de Constantino.
8. Naquela época lamentável, quando Constantino, o Grande, chamou a si mesmo de cristão e derramou honra e riqueza sobre os cristãos, a situação mudou profundamente. Logo se tornou comum que uma pessoa assumisse todo o cuidado de uma congregação, a fim de receber toda a remuneração. Assim, a mesma pessoa passou a atuar como sacerdote e profeta, pastor e evangelista. Isso se espalhou cada vez mais por toda a Igreja cristã. Apesar disso, mesmo atualmente, embora a mesma pessoa geralmente desempenhe os dois ofícios, o ofício de evangelista ou mestre não implica o ofício de pastor, ao qual pertence especialmente a administração dos sacramentos. Isso acontece entre os presbiterianos, na Igreja da Inglaterra e até entre os católicos romanos. É bem conhecido que todas as Igrejas presbiterianas, especialmente a Igreja da Escócia, autorizam homens a pregar em todo o reino antes de serem ordenados. Nunca se entende que essa autorização para pregar lhes conceda o direito de administrar os sacramentos. Da mesma maneira, em nossa Igreja, pessoas podem ser autorizadas a pregar e até possuir o título de doutor em Teologia, como acontecia com o doutor Alwood em Oxford, quando eu morava ali, sem terem sido ordenadas e, consequentemente, sem possuírem direito de administrar a Ceia do Senhor. Até mesmo na Igreja de Roma, caso um irmão leigo acredite ser chamado para realizar uma missão, é enviado, embora não seja sacerdote nem diácono, para exercer aquele ofício, e não o outro.
9. Alguém poderia pensar que a situação diante de nós é diferente de todas essas? Sem dúvida, em muitos aspectos ela é diferente. Surgiu um fenômeno que não havia aparecido no mundo cristão, pelo menos durante muitas gerações. Dois jovens semearam a Palavra de Deus não apenas nas igrejas, mas literalmente à beira dos caminhos e em todos os lugares onde encontravam uma porta aberta e pecadores com ouvidos para ouvir. Eram membros da Igreja da Inglaterra e não possuíam intenção de separar-se dela. Aconselhavam todos os que pertenciam à Igreja a continuarem nela, ainda que se unissem à sociedade metodista, pois isso não significava abandonar sua antiga congregação, mas abandonar seus pecados. Os anglicanos poderiam continuar frequentando sua igreja; presbiterianos, anabatistas e quakers poderiam conservar as próprias opiniões e participar de suas congregações. A única condição exigida era o desejo verdadeiro de fugir da ira futura. Todo aquele que “temesse a Deus e praticasse a justiça” estava qualificado para aquela sociedade.
10. Pouco depois, um jovem, Thomas Maxfield, ofereceu-se para servi-los como filho no evangelho. Depois veio Thomas Richards e, pouco mais tarde, Thomas Westell. Observe-se cuidadosamente em quais condições os recebemos: como profetas, e não como sacerdotes. Recebemo-los única e exclusivamente para pregar, e não para administrar os sacramentos. Aqueles que imaginam que esses ofícios sejam inseparáveis ignoram completamente a constituição tanto da Igreja judaica quanto da cristã. Nem a Igreja Romana, nem a Anglicana, nem as Igrejas Presbiterianas jamais os consideraram inseparáveis. Caso contrário, nunca teríamos aceitado o serviço dos senhores Maxfield, Richards ou Westell.
11. Em 1744, todos os pregadores metodistas realizaram sua primeira Conferência. Nenhum deles imaginava que o chamado para pregar lhes concedesse direito de administrar os sacramentos. Quando se apresentou a pergunta: “Como devemos considerar a nós mesmos?”, a resposta foi: “Como mensageiros extraordinários, levantados para provocar ciúmes nos mensageiros regulares.” Com essa finalidade, uma de nossas primeiras regras, entregue a cada pregador, declarava: “Você realizará aquela parte da obra que lhe designarmos.” Que obra era essa? Alguma vez designamos que administrassem os sacramentos ou exercessem o ofício sacerdotal? Semelhante projeto nunca passou por nossa mente. Era aquilo que estava mais distante de nossos pensamentos. Caso algum pregador tivesse dado semelhante passo, teríamos considerado isso evidente violação da regra e, consequentemente, renúncia à nossa conexão.
12. Supondo, coisa que nego completamente, que recebê-los como pregadores lhes concedesse ao mesmo tempo autoridade para administrar os sacramentos, ainda assim não lhes concederia autoridade maior do que realizá-lo, ou fazer qualquer outra coisa, no lugar que eu determinasse. Onde, porém, determinei que fizessem isso? Em lugar algum. Portanto, são excluídos dessa prática pela própria regra. Ao agir assim, renunciam ao primeiro princípio do metodismo, que era única e exclusivamente pregar o evangelho.
13. Nossa sociedade já existia havia vários anos antes que surgisse alguma tentativa dessa espécie. Creio que a primeira aconteceu em Norwich. Um de nossos pregadores cedeu à insistência de algumas pessoas e batizou seus filhos. Assim que isso se tornou conhecido, ele foi informado de que não poderia agir assim, a menos que pretendesse abandonar nossa conexão. Prometeu não repetir o ato e suponho que tenha cumprido a promessa.
14. Enquanto os metodistas permanecerem nesse plano, não poderão separar-se da Igreja. Essa é nossa glória peculiar. É coisa nova na terra. Examinem todas as histórias da Igreja desde os tempos mais antigos e perceberão que, sempre que existiu grande obra de Deus numa cidade ou nação, aqueles que participaram dela logo disseram aos vizinhos: “Fiquem separados, porque somos mais santos do que vocês!” Assim que se separaram, retiraram-se para desertos, construíram casas religiosas ou pelo menos formaram partidos nos quais ninguém era admitido sem aceitar suas opiniões e práticas. Com os metodistas, porém, acontece coisa inteiramente diferente. Não são seita nem partido. Não se separam da comunidade religiosa à qual pertenciam inicialmente. Continuam sendo membros da Igreja e desejam viver e morrer como tais. Creio que uma das razões pelas quais Deus se agradou em prolongar minha vida por tanto tempo é confirmá-los no propósito atual de não se separarem da Igreja.
15. Apesar disso, muitos homens exaltados dizem: “Mas vocês realmente se separam da Igreja.” Outros ficam igualmente exaltados porque dizem que não me separo. Declararei a questão de maneira direta. Sustento todas as doutrinas da Igreja da Inglaterra. Amo sua liturgia. Aprovo seu plano de disciplina e somente desejaria que ele pudesse ser executado. Não me afasto conscientemente de regra alguma da Igreja, exceto nas poucas situações em que julgo existir necessidade absoluta e somente na medida dessa necessidade:
Primeiro, como poucos ministros abrem suas igrejas para mim, encontro-me debaixo da necessidade de pregar ao ar livre.
Segundo, como não conheço formulários capazes de servir a todas as ocasiões, frequentemente encontro-me debaixo da necessidade de orar espontaneamente.
Terceiro, a fim de edificar o rebanho de Cristo na fé e no amor, encontro-me debaixo da necessidade de reunir as pessoas e dividi-las em pequenos grupos, para que incentivem umas às outras ao amor e às boas obras.
Quarto, para que meus companheiros de trabalho e eu possamos auxiliar-nos com maior eficácia a salvar nossa própria alma e a daqueles que nos ouvem, considero necessário reunir os pregadores, ou pelo menos a maioria deles, uma vez por ano.
Quinto, nessas Conferências determinamos os lugares de trabalho de todos os pregadores para o ano seguinte.
Tudo isso, porém, não constitui separação da Igreja. Está tão distante disso que, sempre que possuo oportunidade, participo pessoalmente do culto da Igreja e aconselho todas as nossas sociedades a fazerem o mesmo.
16. Apesar disso, a maioria das pessoas religiosas não compreende minhas razões. Por um lado, ouve-me declarar que não me separarei da Igreja; por outro, percebe que me afasto dela nessas situações. Naturalmente, pensará que sou incoerente. Não poderá pensar de outra maneira, a menos que observe meus dois princípios. Primeiro: não ouso separar-me da Igreja, pois acredito que isso seria pecado. Segundo: acredito que seria pecado não me afastar dela nos pontos mencionados. Reúnam esses dois princípios: primeiro, não me separarei da Igreja; segundo, em situações de necessidade me afastarei de suas práticas. Tenho declarado aberta e constantemente os dois princípios há mais de cinquenta anos. Assim desaparece toda incoerência. Permaneci fiel à minha declaração desde 1730 até hoje.
17. “Mas não é contrário à sua declaração permitir culto em Dublin no mesmo horário do culto da Igreja? Que necessidade existe disso? Que finalidade boa isso alcança?” Creio que alcança várias finalidades que não poderiam ser alcançadas igualmente por outro meio. A primeira, por mais estranho que pareça, é impedir uma separação da Igreja. Muitos membros de nossa sociedade estavam completamente separados dela e nunca participavam de seus cultos. Agora, participam regularmente do culto da Igreja no primeiro domingo de cada mês. “Não seria melhor participarem todas as semanas?” Sim, mas quem conseguirá persuadi-los? Procurei fazê-lo durante vinte ou trinta anos, sem resultado. A segunda finalidade é afastá-los das reuniões dissidentes, às quais muitos compareciam constantemente e que agora abandonaram inteiramente. A terceira é ouvirem continuamente aquela doutrina saudável que é capaz de salvar-lhes a alma.
18. Desejo que todos vocês geralmente chamados metodistas considerem seriamente aquilo que foi dito, especialmente vocês a quem Deus encarregou de chamar pecadores ao arrependimento. Não se conclui daí que foram encarregados de batizar ou administrar a Ceia do Senhor. Durante dez ou vinte anos depois que começaram a pregar, nunca imaginaram semelhante coisa. Naquele tempo, não procuravam, como Corá, Datã e Abirão, “também o sacerdócio”. Sabiam que “ninguém toma para si esta honra, a não ser aquele que é chamado por Deus, como Arão”. Permaneçam dentro de seus limites. Fiquem satisfeitos em pregar o evangelho. “Façam o trabalho de evangelistas.” Anunciem ao mundo inteiro a bondade de Deus, nosso Salvador. Declarem a todos: “O Reino dos Céus está próximo. Arrependam-se e creiam no evangelho!” Aconselho-os seriamente: permaneçam em seu lugar e conservem a própria posição.
Há cinquenta anos, aqueles entre vocês que já eram pregadores metodistas eram mensageiros extraordinários de Deus. Não saíram de acordo com a própria vontade, mas foram lançados à obra, não para substituir os mensageiros regulares, mas para “provocá-los ao ciúme”. Em nome de Deus, permaneçam aí! Por sua pregação e por seu exemplo, provoquem-nos ao amor e às boas obras. Vocês são fenômeno novo na terra: um grupo de pessoas que, não pertencendo a seita ou partido, é amigo de todos os partidos e procura promover em todos a religião do coração, o conhecimento e o amor de Deus e das pessoas. Vocês foram chamados inicialmente na Igreja da Inglaterra. Embora tenham enfrentado e continuem enfrentando milhares de tentações para abandoná-la e estabelecer organização própria, não prestem atenção a elas. Continuem sendo membros da Igreja da Inglaterra. Não abandonem a glória peculiar que Deus colocou sobre vocês nem frustrem o projeto da providência, a própria finalidade para a qual Deus os levantou.
19. Acrescentarei algumas palavras às pessoas sérias que não estão ligadas aos metodistas, muitas das quais pertencem à nossa própria Igreja, a Igreja da Inglaterra. Por que ficariam descontentes conosco? Não lhes fazemos mal. Não pretendemos nem desejamos ofendê-las em coisa alguma. Sustentamos suas doutrinas e observamos suas regras mais do que a maioria dos habitantes do reino. Alguns de vocês são ministros. Por que justamente vocês ficariam descontentes conosco? Não atacamos seu caráter nem sua renda. Honramos vocês “por causa do trabalho que realizam”. Caso vejamos alguma coisa que não aprovamos, não a publicamos. Preferimos cobri-la e esconder aquilo que não podemos elogiar. Quando nos tratam de maneira cruel ou injusta, nós a suportamos. “Quando somos insultados, abençoamos.” Não retribuímos insulto com insulto. Não levantem a mão contra nós!
20. Vocês que são ricos neste mundo, não nos considerem inimigos porque lhes falamos a verdade, talvez de maneira mais completa e forte do que os outros podem ou se atrevem a fazer. Por isso, necessitam de nós; possuem necessidade indescritível. Não conseguem comprar semelhantes amigos por preço algum. Todo o ouro e a prata que possuem não podem adquiri-los. Aproveitem-nos enquanto podem. Caso seja possível, nunca fiquem sem pessoas que lhes falem a verdade procedente do coração. Caso contrário, poderão envelhecer nos pecados e dizer à própria alma: “Paz, paz!”, quando não existe paz. Poderão continuar dormindo e sonhar que caminham para o céu, até acordarem no fogo eterno.
21. Quer vocês ouçam, quer deixem de ouvir, pela graça de Deus continuaremos em nosso caminho. Permanecemos membros da Igreja da Inglaterra, como éramos no princípio, mas recebemos como irmão, irmã e mãe todo aquele que ama a Deus em qualquer Igreja. Para que se unam a nós, não exigimos unidade de opiniões nem de formas de culto, mas somente que “temam a Deus e pratiquem a justiça”, como já se observou.
Isso é coisa completamente nova, desconhecida em qualquer outra comunidade cristã. Em qual outra Igreja ou congregação de todo o mundo cristão as pessoas podem ser admitidas nesses termos, sem qualquer outra condição? Aponte semelhante comunidade quem puder. Não conheço nenhuma na Europa, Ásia, África ou América. Essa é a glória dos metodistas, e somente deles! Não constituem seita ou partido particular, mas recebem pessoas de todos os partidos que “procuram praticar a justiça, amar a misericórdia e andar humildemente com seu Deus”.
Cork, 4 de maio de 1789.
Tradução em português atual a partir do original em domínio público (ed. Thomas Jackson, 1872), realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello. Citações bíblicas conforme a NAA. Igreja Metodista Livre do Brasil.