“Nos dias destes reis, o Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído.”Daniel 2.44
Para começar
Encerramos o curso com as duas visões que carregam a teologia bíblica do Reino: a estátua de Daniel 2 e as feras de Daniel 7. São a mesma história dos impérios humanos, vista de dois ângulos.
Vista de baixo
Nabucodonosor sonha com uma estátua colossal e deslumbrante: ouro, prata, bronze e ferro. É como os impérios se veem: grandiosos, brilhantes, imponentes.
Vista do céu
Daniel vê os mesmos impérios como feras que sobem do mar revolto: predadores devorando predadores. É como Deus os vê.
E, nas duas visões, a história desemboca no mesmo lugar: um Reino que não vem de mãos humanas e que jamais será destruído.
Daniel 2
Quatro impérios se sucedem: a cabeça de ouro é a Babilônia (Dn 2.38); depois vêm o Império Medo-Persa, a Grécia e, por fim, Roma, o reino de ferro.
Então entra em cena o elemento decisivo: “uma pedra foi cortada, sem auxílio de mãos, feriu a estátua nos pés… e a pedra que feriu a estátua se tornou grande montanha, que encheu toda a terra” (Dn 2.34-35). E o próprio Daniel data o acontecimento:
“Mas, nos dias destes reis, o Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído… esmiuçará e consumirá todos estes reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre” (Dn 2.44).
“Sem auxílio de mãos”: o Reino não nasce de política, exército ou conspiração humana. “Nos dias destes reis”: dentro da era dos impérios da estátua, cujo último é Roma. A profecia marca o endereço e a época do Reino de Deus.
O cumprimento
Nos dias do Império Romano, um galileu anuncia: “O tempo está cumprido, e o Reino de Deus está próximo; arrependam-se e creiam no evangelho” (Mc 1.15).
Jesus não apenas anunciou a proximidade; declarou a chegada: “Se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o Reino de Deus sobre vocês” (Mt 12.28). E descreveu a natureza do Reino de um modo que frustrava as expectativas: “Não vem o Reino de Deus com visível aparência… porque o Reino de Deus está entre vocês” (Lc 17.20-21); “O meu Reino não é deste mundo” (Jo 18.36).
A pedra cresce como cresce uma semente. As parábolas de Mateus 13 mostram o Reino se estabelecendo de modo paulatino, como o grão de mostarda que se torna árvore e o fermento que leveda toda a massa. Sal, luz e fermento: participação discreta, mas eficaz. O sal está na comida, e ninguém diz “que sal gostoso”; a luz está no ambiente, e ninguém aplaude a luz; o fermento permeia a massa sem aparecer. Assim o Reino avança na era presente.
Já e ainda não
O estabelecimento do Reino não de modo abrupto, como uma erupção, mas gradual, como um grão de mostarda, foi surpreendente e até frustrante para os discípulos, que esperavam um Messias que restaurasse o reino de Israel de modo visível e incontestável.
O mistério se desvenda em Cristo: o Filho do Homem glorioso de Daniel 7 é, ao mesmo tempo, o Servo Sofredor. “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” (Mc 10.45). A entrada triunfal foi num jumentinho; o trono foi alcançado pela cruz; a coroa era de espinhos. O próprio Pedro, logo depois de confessar o Messias, escandalizou-se com a cruz (Mt 16.21-23), porque cogitava das coisas humanas.
Já
“Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o Reino do Filho do seu amor” (Cl 1.13). Jesus já reina: “é necessário que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos seus pés” (1Co 15.25).
Primeira Vinda · jumentinho · gradual
Ainda não
“O último inimigo a ser destruído é a morte” (1Co 15.26), tragada pela vitória na ressurreição, quando todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus é o Senhor.
Segunda Vinda · cavalo · abrupta
O cristão vive nessa tensão: caminha à sombra da cruz e à luz da ressurreição. A batalha decisiva já foi ganha; a luta continua até a Segunda Vinda, como vimos desde a Aula 1.
Daniel 7
Na visão noturna, depois das feras, tronos são postos e o Ancião de Dias se assenta. E então: “eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias… Foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará” (Dn 7.13-14).
“Filho do Homem” tornou-se o título favorito de Jesus para si mesmo. E, no momento mais solene do seu julgamento, diante do sumo sacerdote, ele reivindicou exatamente esta visão: “Vocês verão o Filho do Homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo sobre as nuvens do céu” (Mt 26.64). Foi por essa declaração que o condenaram; e é essa declaração que o Apocalipse ecoa: “Eis que ele vem com as nuvens, e todo olho o verá” (Ap 1.7).
Encerramento
Dez aulas até aqui, um único método: reconhecer o contexto, deixar a Bíblia interpretar a própria Bíblia e respeitar a linguagem dos profetas. E um único centro: Jesus Cristo.
“O seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído” (Dn 7.14). Maranata: vem, Senhor Jesus.
Fixação
Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.
Avaliação
Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final, e duas perguntas para reflexão com resposta sugerida. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe. Errar aqui também ensina.
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Para pensar e conversar
Para aprofundar. Esta aula nasceu do estudo O Mistério do Reino de Deus, “já e ainda não”, do Bispo Ildo Mello, que você pode ler e compartilhar em página própria.
Tarefas
Ler Daniel 2.31-45 e 7.9-27 ao lado de Marcos 1.14-15, Mateus 12.28 e Colossenses 1.13, anotando os verbos que indicam o Reino presente; e escrever, em meia página, o “já e ainda não” do Reino com as suas próprias palavras.
Aula 11
Gênesis 12 e 15, as promessas a Abraão: a raiz de todas as promessas, o Descendente que é Cristo e a herança que vai do território ao mundo renovado. Ir para a Aula 11 →
Citações bíblicas: Nova Almeida Atualizada (NAA) e Almeida Revista e Atualizada (RA). · Bispo Ildo Mello