Uma Só Carne · Curso para CasaisAula 2

Amor é mandamento, não apenas sentimento

“Maridos, amem sua mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela.”Efésios 5.25 · NAA

Bispo Ildo MelloLeitura prévia: 1Co 13.4-8; Ef 5.25-33; Rm 12.14-21

Para começar

Paixão é fagulha; amor é fogueira cultivada

Um erro grave da modernidade é confundir amor com paixão. A paixão é passageira: age como fagulha inicial, mas é incapaz de sustentar uma vida a dois.

A Bíblia não trata o amor como um acidente emocional do qual somos fantoches. Em Efésios 5.25, a ordem é direta: “Maridos, amem sua mulher”. É mandamento, escolha ativa. Se Cristo nos manda amar e fazer o bem até aos inimigos (Mt 5.44), quanto mais devemos decidir amar e agir com bondade para com quem divide a vida conosco.

O amor não é algo externo a nós, como um raio que cai sobre nós e a respeito do qual nada podemos fazer. Somos responsáveis pelo amor. Ninguém pode dizer: “o que me resta senão desistir, agora que o amor acabou?”. Você pode investir no amor: plantar, regar, cultivar, fazer crescer. Plante o amor e colherá o fruto da felicidade.

1Coríntios 13.4-8

Os verbos do amor

No original grego, todas as descrições do amor em 1Coríntios 13 são expressas por verbos, não por adjetivos. O amor é força dinâmica, não estática: expressa-se em atitudes.

É paciente. Custa a ficar zangado; não levanta a voz; sabe esperar o tempo certo sem murmurar; tem tremenda capacidade de suportar.
É benigno. Gentil, cortês, carinhoso; manifesta-se em presentes, flores, lembrancinhas inesperadas e gestos atenciosos.
Não é ciumento. “O perfeito amor lança fora o medo” (1Jo 4.18). O ciúme doentio extingue o amor.
Não é orgulhoso. Preocupa-se em dar-se, não em afirmar-se. “A soberba precede a ruína” (Pv 16.18).
Não é rude. Nada de grosseria, sarcasmo ou cinismo; nada que leve o outro a se envergonhar.
Não é egoísta. Não busca os próprios interesses. “Quer ser feliz? Não case. Quer fazer outra pessoa feliz? Case.”
É perdoador. Não guarda mágoa nem rancor; não fica marcando pontos um contra o outro.
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. É sacrificial, concede o benefício da dúvida, recusa-se a tomar o fracasso como final e, como um soldado no meio da batalha, não fraqueja: vence.

Maturidade

A analogia da pipa

A criança acorda querendo soltar pipa naquela mesma hora, e chora porque o pai avisa que ainda é preciso medir as varetas, cortar o papel e fazer a rabiola.

O casamento exige a maturidade de quem entende o processo de construção. Relacionamentos saudáveis demandam tempo e a sabedoria de fazer concessões, isto é, abrir mão de direitos e vontades. Quando agimos com a pressa infantil de ter tudo pronto agora, evitamos justamente o trabalho de cultivo que traz o amadurecimento.

E cuidado com a ilusão da grama mais verde: trocar de parceiro não elimina o esforço, apenas o transfere, com juros. O custo emocional de abandonar uma aliança costuma ser muito maior do que o esforço necessário para consertar o que está quebrado. Em vez de focar nos defeitos do parceiro, invista ativamente na felicidade do outro: um cônjuge que se sente valorizado terá muito mais disposição para retribuir.

Prática

Mantendo acesa (ou reavivando) a chama

Três movimentos práticos, testados por gerações de casais cristãos.

1

Ande no Espírito

Um rompimento no relacionamento do casal reflete no relacionamento com Deus, e vice-versa (1Pe 3.7). Se estivermos bem com Deus, teremos recursos para estar bem um com o outro.

2

Não colecione rancores

Quem “perdeu o amor” quase sempre tem uma lista de queixas na ponta da língua. Ficar remoendo mágoas e pontos fracos do cônjuge deteriora o sentimento.

3

Agradeça a Deus pelas virtudes do cônjuge

A queixa contínua mata o amor; a gratidão diária o alimenta. Quem agradece a Deus todos os dias pelas virtudes do cônjuge não terá dificuldade em amá-lo.

Sensibilidade

Como o amor chega ao coração do outro

Cada pessoa percebe o amor por caminhos diferentes. Aprender o caminho do seu cônjuge é sabedoria prática.

Ficaram conhecidas como “linguagens do amor”: palavras de afirmação e elogio; tempo de qualidade; presentes; atos de serviço; e toque físico. Não precisam ser tratadas como categorias científicas rígidas; servem aqui simplesmente como uma ferramenta prática para descobrir as maneiras pelas quais o outro percebe carinho e consideração. O ponto não é o rótulo, e sim a sensibilidade: muita gente ama sinceramente, mas na própria língua, enquanto o cônjuge espera ouvir na dele. O marido que só expressa amor trabalhando pode ter uma esposa faminta por uma conversa; a esposa que expressa amor cuidando pode ter um marido carente de um elogio dito em público.

“Cada um de vocês ame a sua esposa como a si mesmo, e a esposa respeite o marido” (Ef 5.33): amar como a si mesmo inclui aprender o que, para o outro, tem gosto de amor.

Para o casal

Para conversar a dois

Num momento a sós, sem pressa. A regra continua: cada um fala de si, não do outro.

1. Em qual dos verbos de 1Coríntios 13 eu mais tenho crescido nos últimos anos? E qual é, hoje, o meu ponto fraco? (Cada um responde sobre si mesmo.)
2. O que faz você se sentir mais amado(a): palavras, tempo juntos, presentes, ajuda prática ou carinho físico? Conte um exemplo recente em que se sentiu amado(a) de verdade.
3. O que costumava acender a nossa alegria no início e foi ficando de lado? O que podemos retomar já nesta semana?

Exercício da semana: cada um escreva, em particular, dez qualidades do seu cônjuge. Leia a sua lista todos os dias e agradeça a Deus, diariamente, por cada virtude. No fim da semana, troquem as listas, e preparem-se para o efeito.

Fixação

Cartões de memorização

Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.

Avaliação

Teste o que você aprendeu

Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final, e duas perguntas para reflexão com resposta sugerida. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe. Errar aqui também ensina.

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Para pensar e conversar

Perguntas para reflexão

Se o amor é mandamento, obedecer “sem sentir vontade” não seria hipocrisia?Ver resposta sugerida
Não, e essa é uma das descobertas mais libertadoras da vida cristã. Hipocrisia é fingir um sentimento para enganar; obediência é praticar o bem que Deus ordena enquanto se pede a ele o coração correspondente. A Escritura manda amar porque o amor bíblico é, antes de tudo, ação: paciência exercida, gentileza praticada, perdão concedido (1Co 13.4-8). E há um segredo pastoral aqui: o sentimento costuma seguir a ação, e não o contrário. Quem começa a agir com bondade para com o cônjuge, a elogiar, servir e agradecer a Deus por ele, descobre o afeto sendo reaquecido por dentro, como brasa que volta a arder quando alguém sopra. Deus não nos manda fabricar emoções; manda plantar atos, e ele mesmo dá o crescimento. A graça que nos capacita (Fp 2.13) não anula a nossa responsabilidade de escolher amar; sustenta exatamente essa escolha.
Como aplicar “tudo crê, tudo espera” sem cair na ingenuidade diante de faltas reais?Ver resposta sugerida
O “tudo crê” de 1Coríntios 13 não é credulidade; é a disposição de conceder o benefício da dúvida e de ver no outro o melhor, em vez de procurar razões para descrer da sua integridade. Isso não significa ser enganado por simulações, nem fechar os olhos para pecados graves: o mesmo capítulo diz que o amor “não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade” (v. 6). Na prática: diante de uma falha comum do dia a dia, o amor interpreta com generosidade e conversa com franqueza; diante de padrões destrutivos (mentira contumaz, vício, violência), o amor busca a verdade, impõe limites e procura ajuda pastoral, justamente porque deseja a restauração do outro, e não a manutenção da mentira. Crer tudo é recusar o cinismo; esperar tudo é recusar o desespero; nenhum dos dois é sinônimo de ignorar a realidade.

Para casa e próxima aula

Para aprofundar. Medite em Efésios 5.25-33, 1Coríntios 13 e Romanos 12.14-21, os três textos que sustentam esta aula.

Tarefas

Fazer o exercício das dez qualidades; e escolher, dos verbos de 1Coríntios 13, um para praticar deliberadamente todos os dias desta semana, sem anunciar ao cônjuge, e observar o que acontece.

Aula 3

A prioridade do cônjuge: o que significa “deixar pai e mãe”, por que o cônjuge vem antes dos pais e dos filhos, e como isso abençoa a família inteira. Ir para a Aula 3 →

Citações bíblicas: Nova Almeida Atualizada (NAA) e Almeida Revista e Atualizada (RA). · Bispo Ildo Mello