Uma Só Carne · Curso para CasaisAula 3

A prioridade do cônjuge

“Por isso, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne.”Gênesis 2.24 · NAA

Bispo Ildo MelloLeitura prévia: Gn 2.24; Mt 19.4-6; 1Tm 5.4, 8

Para começar

Quem vem primeiro no seu lar?

Vivemos numa cultura em que os papéis familiares estão confusos. Por isso, é fundamental reafirmar os princípios que Deus estabeleceu para o lar.

De acordo com as Escrituras, o casamento é a base da família, e a relação conjugal deve ser, em regra, o relacionamento humano central do lar, sim, com prioridade inclusive em relação aos pais e aos filhos. Essa afirmação pode gerar dúvidas: a Bíblia estaria ensinando a abandonar os pais? Absolutamente não. O que as Escrituras propõem é uma reorganização de prioridades, não abandono ou negligência.

Gênesis 2.24

O que realmente significa “deixar pai e mãe”?

O texto não ordena o abandono dos pais nem quebra o mandamento de honrá-los (Êx 20.12). O “deixar” se refere à transferência da centralidade do vínculo familiar.

1

Não é abandonar

É reorganizar prioridades. A relação com os pais continua, mas deixa de ser o eixo principal da vida.

2

Não é desonrar

É honrá-los de forma madura, a partir de um novo núcleo familiar que eles mesmos ajudaram a formar.

3

É assumir responsabilidade

É sair da dependência para constituir um novo lar, com nova autonomia familiar, afetiva e prática, sob o senhorio de Cristo.

O casamento marca o início de um novo lar. O casal assume junto um compromisso que exige exclusividade, aliança e prioridade.

Mateus 19.6

Um vínculo único: “uma só carne”

Quando se casam, marido e esposa se tornam, segundo Jesus, “uma só carne”. É a união mais profunda possível entre dois seres humanos.

Nenhuma outra relação é descrita nesses termos, nem mesmo a relação entre pais e filhos. Por isso o relacionamento conjugal deve ocupar o primeiro lugar entre todos os afetos humanos:

Acima dos pais

Porque uma nova família está sendo formada, e o eixo da vida mudou de casa.

Acima dos filhos

Porque os filhos são fruto do amor conjugal e precisam da unidade dos pais para se sentirem seguros.

Quando negligenciamos essa ordem, criamos confusão, tensão e enfraquecemos a estrutura do lar. É daqui que nascem muitos conflitos com sogros e muitos casamentos que se apagam depois que os filhos chegam.

A surpresa

Priorizar o cônjuge também abençoa os pais

Muitos resistem à ideia por associá-la à ingratidão. Mas pais verdadeiramente amorosos não querem manter os filhos emocionalmente dependentes.

Eles desejam vê-los amadurecendo e formando lares estáveis, cheios de amor e temor a Deus. Um casamento sólido é motivo de alegria para os pais, e pode se tornar ponto de apoio na velhice deles: “pratiquem a piedade, em primeiro lugar, para com a sua própria casa e recompensem seus pais, pois isto é agradável diante de Deus” (1Tm 5.4). Quem negligencia os seus, aliás, “tem negado a fé” (1Tm 5.8).

Portanto, “deixar pai e mãe” faz parte do processo natural de amadurecimento, e não exclui cuidar deles com carinho, gratidão e responsabilidade, especialmente quando mais precisarem. A questão nunca é amar menos os pais; é constituir de fato o novo lar a partir do qual eles serão honrados.

E os sogros? A mesma ordem resolve. Quando o casal é o núcleo e decide junto, as famílias de origem são recebidas com honra, mas sem voto deliberativo dentro do novo lar. Limites definidos pelo casal, comunicados com respeito por aquele que é o filho do casal em questão, evitam a maioria dos atritos. Intromissão se combate com unidade, não com grosseria.

O erro moderno

E quando os filhos viram o centro?

Muitos casais, mesmo entendendo que os pais não devem ser a prioridade, acabam colocando os filhos nesse lugar central. Quando isso acontece, todos saem perdendo.

O casal se distancia emocionalmente. A conversa vira logística de filhos; a amizade esfria.
A intimidade é abandonada. O quarto do casal vira anexo do quarto das crianças.
Os filhos crescem com uma visão distorcida de amor, limites e autoridade, aprendendo que o mundo gira ao redor deles.

Síntese

A ordem divina fortalece toda a família

Seguir o princípio da prioridade conjugal não destrói os outros laços; pelo contrário, fortalece todos eles.

Quando marido e esposa vivem em aliança, diálogo e harmonia, toda a família prospera: os pais são honrados com maturidade, os filhos crescem em ambiente seguro, e Deus é glorificado. Ignorar essa ordem gera lares desestruturados, conflitos entre gerações e filhos inseguros. Obedecê-la produz bênçãos duradouras.

O vínculo conjugal constitui, em regra, o relacionamento humano central do novo lar: esta é a ordem estabelecida por Deus. Não significa abandonar os pais nem desprezar os filhos, mas colocar cada relacionamento em seu devido lugar. E há estações da vida em que um bebê recém-nascido, um filho gravemente enfermo ou um pai idoso dependente exigem, por um tempo, mais atenção e cuidado: isso não fere a prioridade do cônjuge; fere-a decidir e viver essas estações sem o cônjuge.

Para o casal

Para conversar a dois

Tema delicado: conversem com dobrada mansidão, sem transformar a conversa em tribunal das famílias de origem.

1. Em uma escala honesta: hoje, quem ocupa na prática o primeiro lugar do nosso lar: nós dois, os filhos, os pais, o trabalho ou o ministério? O que nos revela a nossa agenda e o nosso orçamento?
2. Existe alguma área em que as famílias de origem têm voto dentro do nosso casamento? Que limite precisamos combinar, e quem de nós dois vai comunicá-lo à própria família?
3. Se temos filhos: quando foi a última vez que saímos só nós dois? O que precisamos ajustar para que o nosso casamento não viva apenas de sobras?

Exercício da semana: marquem um compromisso fixo só do casal (uma saída, um café, uma caminhada semanal) e tratem-no como inegociável na agenda, com a mesma seriedade de um compromisso de trabalho. Se houver filhos pequenos, combinem ajuda ou revezamento; o investimento retorna para eles também.

Fixação

Cartões de memorização

Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.

Avaliação

Teste o que você aprendeu

Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final, e duas perguntas para reflexão com resposta sugerida. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe. Errar aqui também ensina.

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Para pensar e conversar

Perguntas para reflexão

Como honrar pais idosos e necessitados sem quebrar a prioridade do cônjuge?Ver resposta sugerida
As duas coisas não competem quando cada uma está no seu lugar. A prioridade do cônjuge define o eixo das decisões: é o casal, junto, que decide como cuidar dos pais, e não os pais que decidem por cima do casal. Dentro desse eixo, o cuidado com os pais é dever cristão inegociável: “se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé” (1Tm 5.8), e recompensar os pais “é agradável diante de Deus” (1Tm 5.4). Na prática: conversem a dois antes de assumir compromissos com as famílias; definam juntos o que podem oferecer de tempo, dinheiro e presença; e cada um seja o porta-voz diante da própria família. O que quebra casamentos não é cuidar de pais idosos; é um dos cônjuges decidir sozinho, ou permitir que a família de origem governe o novo lar. A honra aos pais floresce melhor num casamento unido do que num casamento tensionado.
Nosso casamento virou uma “sociedade de pais de filhos”. Por onde começar a reconquista?Ver resposta sugerida
Comece nomeando o problema sem culpados: a maioria dos casais deriva para isso por amor aos filhos, não por desamor um ao outro. Depois, recuperem três territórios, nesta ordem. Primeiro, a conversa: dez minutos diários só dos dois, sem pauta de filhos, escola ou boletos; no início parece artificial, e funciona. Segundo, a agenda: um compromisso fixo semanal só do casal, tratado como inegociável; quem espera “sobrar tempo” descobre que nunca sobra. Terceiro, o quarto: lugar do casal, com porta que fecha, horários que os filhos aprendem a respeitar conforme a idade, e intimidade retomada com paciência (falaremos disso na Aula 7). E lembrem-se do princípio maior: os filhos não perdem com isso, ganham; a segurança que eles mais precisam é a certeza de que papai e mamãe se amam. Deem tempo ao processo e, se a distância já for grande, procurem o pastor ou um aconselhamento: reconquista também é obra da graça (Fp 1.6).

Para casa e próxima aula

Para aprofundar. Esta aula nasceu do estudo A Prioridade do Cônjuge na Constituição Familiar, do Bispo Ildo Mello, que você pode ler e compartilhar em página própria.

Tarefas

Ler Gênesis 2.24, Mateus 19.4-6 e 1Timóteo 5.4-8, anotando o que cada texto diz sobre a ordem dos vínculos; e cumprir o compromisso fixo do casal marcado no exercício.

Aula 4

Comunicação: as áreas de atrito de todo casal, os quatro venenos da conversa e seus antídotos, e a arte de ouvir de verdade. Ir para a Aula 4 →

Citações bíblicas: Nova Almeida Atualizada (NAA) e Almeida Revista e Atualizada (RA). · Bispo Ildo Mello