Não é abandonar
É reorganizar prioridades. A relação com os pais continua, mas deixa de ser o eixo principal da vida.
“Por isso, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne.”Gênesis 2.24 · NAA
Para começar
Vivemos numa cultura em que os papéis familiares estão confusos. Por isso, é fundamental reafirmar os princípios que Deus estabeleceu para o lar.
De acordo com as Escrituras, o casamento é a base da família, e a relação conjugal deve ser, em regra, o relacionamento humano central do lar, sim, com prioridade inclusive em relação aos pais e aos filhos. Essa afirmação pode gerar dúvidas: a Bíblia estaria ensinando a abandonar os pais? Absolutamente não. O que as Escrituras propõem é uma reorganização de prioridades, não abandono ou negligência.
Gênesis 2.24
O texto não ordena o abandono dos pais nem quebra o mandamento de honrá-los (Êx 20.12). O “deixar” se refere à transferência da centralidade do vínculo familiar.
É reorganizar prioridades. A relação com os pais continua, mas deixa de ser o eixo principal da vida.
É honrá-los de forma madura, a partir de um novo núcleo familiar que eles mesmos ajudaram a formar.
É sair da dependência para constituir um novo lar, com nova autonomia familiar, afetiva e prática, sob o senhorio de Cristo.
O casamento marca o início de um novo lar. O casal assume junto um compromisso que exige exclusividade, aliança e prioridade.
Mateus 19.6
Quando se casam, marido e esposa se tornam, segundo Jesus, “uma só carne”. É a união mais profunda possível entre dois seres humanos.
Nenhuma outra relação é descrita nesses termos, nem mesmo a relação entre pais e filhos. Por isso o relacionamento conjugal deve ocupar o primeiro lugar entre todos os afetos humanos:
Acima dos pais
Porque uma nova família está sendo formada, e o eixo da vida mudou de casa.
Acima dos filhos
Porque os filhos são fruto do amor conjugal e precisam da unidade dos pais para se sentirem seguros.
Quando negligenciamos essa ordem, criamos confusão, tensão e enfraquecemos a estrutura do lar. É daqui que nascem muitos conflitos com sogros e muitos casamentos que se apagam depois que os filhos chegam.
A surpresa
Muitos resistem à ideia por associá-la à ingratidão. Mas pais verdadeiramente amorosos não querem manter os filhos emocionalmente dependentes.
Eles desejam vê-los amadurecendo e formando lares estáveis, cheios de amor e temor a Deus. Um casamento sólido é motivo de alegria para os pais, e pode se tornar ponto de apoio na velhice deles: “pratiquem a piedade, em primeiro lugar, para com a sua própria casa e recompensem seus pais, pois isto é agradável diante de Deus” (1Tm 5.4). Quem negligencia os seus, aliás, “tem negado a fé” (1Tm 5.8).
Portanto, “deixar pai e mãe” faz parte do processo natural de amadurecimento, e não exclui cuidar deles com carinho, gratidão e responsabilidade, especialmente quando mais precisarem. A questão nunca é amar menos os pais; é constituir de fato o novo lar a partir do qual eles serão honrados.
E os sogros? A mesma ordem resolve. Quando o casal é o núcleo e decide junto, as famílias de origem são recebidas com honra, mas sem voto deliberativo dentro do novo lar. Limites definidos pelo casal, comunicados com respeito por aquele que é o filho do casal em questão, evitam a maioria dos atritos. Intromissão se combate com unidade, não com grosseria.
O erro moderno
Muitos casais, mesmo entendendo que os pais não devem ser a prioridade, acabam colocando os filhos nesse lugar central. Quando isso acontece, todos saem perdendo.
Síntese
Seguir o princípio da prioridade conjugal não destrói os outros laços; pelo contrário, fortalece todos eles.
Quando marido e esposa vivem em aliança, diálogo e harmonia, toda a família prospera: os pais são honrados com maturidade, os filhos crescem em ambiente seguro, e Deus é glorificado. Ignorar essa ordem gera lares desestruturados, conflitos entre gerações e filhos inseguros. Obedecê-la produz bênçãos duradouras.
O vínculo conjugal constitui, em regra, o relacionamento humano central do novo lar: esta é a ordem estabelecida por Deus. Não significa abandonar os pais nem desprezar os filhos, mas colocar cada relacionamento em seu devido lugar. E há estações da vida em que um bebê recém-nascido, um filho gravemente enfermo ou um pai idoso dependente exigem, por um tempo, mais atenção e cuidado: isso não fere a prioridade do cônjuge; fere-a decidir e viver essas estações sem o cônjuge.
Para o casal
Tema delicado: conversem com dobrada mansidão, sem transformar a conversa em tribunal das famílias de origem.
Exercício da semana: marquem um compromisso fixo só do casal (uma saída, um café, uma caminhada semanal) e tratem-no como inegociável na agenda, com a mesma seriedade de um compromisso de trabalho. Se houver filhos pequenos, combinem ajuda ou revezamento; o investimento retorna para eles também.
Fixação
Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.
Avaliação
Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final, e duas perguntas para reflexão com resposta sugerida. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe. Errar aqui também ensina.
0 de 5
Para pensar e conversar
Para aprofundar. Esta aula nasceu do estudo A Prioridade do Cônjuge na Constituição Familiar, do Bispo Ildo Mello, que você pode ler e compartilhar em página própria.
Tarefas
Ler Gênesis 2.24, Mateus 19.4-6 e 1Timóteo 5.4-8, anotando o que cada texto diz sobre a ordem dos vínculos; e cumprir o compromisso fixo do casal marcado no exercício.
Aula 4
Comunicação: as áreas de atrito de todo casal, os quatro venenos da conversa e seus antídotos, e a arte de ouvir de verdade. Ir para a Aula 4 →
Citações bíblicas: Nova Almeida Atualizada (NAA) e Almeida Revista e Atualizada (RA). · Bispo Ildo Mello