SERMÃO 15

O grande julgamento

Pregado na igreja de St. Paul, em Bedford, em 10 de março de 1758, diante do juiz Sir Edward Clive e dos participantes das sessões judiciais do condado.

Rm 14.10, NAA ⏱ 18 min de leituraMorte, juízo e eternidade

“Pois todos compareceremos diante do tribunal de Deus.”

(Rm 14.10, NAA)

Antes de ler

Wesley pregou este sermão durante uma sessão pública de julgamento. Diante de juízes, autoridades, acusados e cidadãos, utilizou o tribunal humano como imagem do julgamento universal diante de Cristo.

O sermão apresenta a ressurreição, a reunião de toda a humanidade, a revelação das obras, palavras e intenções e a renovação final da criação. Wesley também inclui conjecturas pessoais sobre a duração e o local do julgamento e emprega a linguagem escatológica tradicional de seu tempo. Essas especulações devem ser distinguidas do ensino bíblico central que ele procura ressaltar: todos prestarão contas a Deus, Cristo será o Juiz e Salvador, e o tempo de arrependimento é agora.

— Bispo Ildo Mello

Texto:

1. Quantas circunstâncias contribuem para tornar solene esta reunião! Pessoas de todas as idades, condições e posições sociais estão reunidas, voluntariamente ou não, vindas de lugares próximos e distantes. Os acusados logo serão trazidos, sem possibilidade de fugir. Os oficiais estão em seus postos, preparados para executar as ordens recebidas. E está presente o representante de nosso soberano, a quem respeitamos e honramos.

A própria finalidade desta assembleia aumenta sua solenidade: ouvir e decidir causas de toda espécie, algumas das quais envolvem questões extremamente sérias, até mesmo a vida ou a morte — a morte que abre diante de nós a eternidade.

Sem dúvida, foi para aprofundar essa percepção solene que nossos antepassados instituíram até mesmo os detalhes exteriores desta cerimônia.

2. Contudo, por mais solene que seja esta reunião, outra infinitamente mais solene se aproxima.

Dentro de pouco tempo, todos compareceremos diante do tribunal de Cristo. Como está escrito:

“Tão certo como eu vivo, diz o Senhor, diante de mim se dobrará todo joelho, e toda língua dará louvores a Deus.”

(Rm 14.11, NAA)

Assim, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus.

3. Se todas as pessoas tivessem uma convicção profunda dessa realidade, como seriam protegidos os interesses da sociedade!

Que motivação mais poderosa poderia existir para a verdadeira moralidade, para a busca constante da virtude e para uma vida de justiça, misericórdia e verdade?

O que poderia fortalecer mais nossas mãos para fazer o bem e afastar-nos do mal do que esta convicção:

“O Juiz está às portas.”

(Tg 5.9, NAA)

Em breve estaremos diante dele.

4. Portanto, não será inadequado ao propósito desta assembleia considerarmos:

I. As principais circunstâncias que precederão nosso comparecimento diante do tribunal de Cristo.

II. O julgamento propriamente dito.

III. Algumas circunstâncias que virão depois dele.

IV. Algumas aplicações dessas verdades.

I. O que precederá o julgamento

1. Consideremos, primeiro, as principais circunstâncias que precederão nosso comparecimento diante do tribunal de Cristo.

Deus mostrará sinais na terra e fará o mundo tremer. A criação será profundamente abalada. As Escrituras descrevem terremotos, o rugido do mar e das ondas e grandes sinais no céu.

“Os poderes dos céus serão abalados.”

(Lc 21.26, NAA)

O sol se escurecerá, a lua deixará de dar sua luz e as estrelas serão abaladas.

Então será ouvida a voz do arcanjo, anunciando a chegada do Filho de Deus, e soará a trombeta de Deus, chamando todos os que dormem no pó da terra.

Os túmulos se abrirão. O mar entregará os mortos que nele estiverem. A morte e o mundo dos mortos entregarão aqueles que guardavam.

Cada pessoa ressuscitará com seu próprio corpo, o mesmo quanto à sua identidade, embora tão transformado em suas qualidades que agora não conseguimos compreendê-lo.

“Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade.”

(1Co 15.53, NAA)

Todos os que viveram e morreram desde a criação da humanidade ressuscitarão incorruptíveis e imortais.

2. Ao mesmo tempo, o Filho do Homem enviará seus anjos por toda a terra, e eles reunirão seus escolhidos dos quatro ventos, de uma extremidade dos céus à outra.

O próprio Senhor virá nas nuvens, em sua glória e na glória do Pai, acompanhado de incontáveis anjos, e se assentará no trono de sua glória.

Todas as nações serão reunidas diante dele. Ele separará umas pessoas das outras, assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. Colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à esquerda.

João descreve essa assembleia universal:

“Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, em pé diante do trono. Então se abriram livros.”

(Ap 20.12, NAA)

Os mortos serão julgados segundo suas obras.

II. O julgamento

1. Consideremos agora o julgamento propriamente dito, até onde Deus resolveu revelá-lo.

A pessoa por meio de quem Deus julgará o mundo é seu Filho unigênito, cujas origens são desde os tempos eternos e que é Deus sobre todos, bendito para sempre.

Ele é o resplendor da glória do Pai e a expressão exata de seu ser. O Pai confiou todo o julgamento ao Filho.

Embora existisse na forma de Deus, ele esvaziou-se, assumiu a forma de servo e tornou-se semelhante aos seres humanos. Humilhou-se e foi obediente até a morte, e morte de cruz.

Por isso, Deus o exaltou e o determinou como Juiz de vivos e mortos: tanto dos que estiverem vivos em sua vinda como daqueles que já tiverem morrido.

2. O tempo do julgamento é chamado pelos profetas de “o grande e terrível dia do Senhor”.

O período entre a criação da humanidade e o fim de todas as coisas é o dia dos seres humanos. O tempo que agora vivemos é nosso dia. Quando ele terminar, começará o dia do Senhor.

Quem pode dizer quanto durará esse dia?

“Para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos são como um dia.”

(2Pe 3.8, NAA)

Alguns cristãos antigos imaginaram que o chamado Dia do Juízo duraria mil anos. Considerando a multidão de pessoas que serão julgadas e todas as ações que serão examinadas, Wesley conjectura que esse período poderia ser ainda mais longo. Deus revelará isso no tempo determinado.

3. Quanto ao lugar em que a humanidade será julgada, não possuímos uma declaração explícita das Escrituras.

Alguns imaginaram que o julgamento acontecerá na própria terra, onde foram praticadas as obras que serão examinadas.

Outros, considerando as palavras de Jesus sobre sua vinda nas nuvens e o ensino de Paulo, entendem que acontecerá acima da terra.

“Os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares.”

(1Ts 4.16–17, NAA)

Parece, portanto, provável que o grande trono branco seja levantado acima da terra.

4. Quem poderá contar as pessoas que serão julgadas, assim como ninguém consegue contar as gotas da chuva ou os grãos de areia do mar?

João viu uma multidão que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas.

Como será imensa, então, a reunião de todas as pessoas que descenderam de Adão desde o princípio do mundo até o fim do tempo!

Todo homem, toda mulher e toda criança que alguma vez respirou ouvirá a voz do Filho de Deus, voltará à vida e comparecerá diante dele.

Essa parece ser a extensão natural da expressão “os mortos, os grandes e os pequenos”: todos, sem exceção; pessoas de todas as idades, condições e posições sociais.

Muito antes daquele dia, toda aparência de grandeza humana terá desaparecido. Ela já desaparece no momento da morte. Quem continua sendo rico ou importante no túmulo?

5. Cada pessoa prestará contas de suas próprias obras — uma prestação de contas completa e verdadeira de tudo o que praticou enquanto viveu no corpo, seja bom ou mau.

Que cena será revelada diante dos anjos e da humanidade!

Não apenas as ações serão manifestadas, mas também as palavras:

“De toda palavra inútil que as pessoas disserem darão conta no Dia do Juízo.”

(Mt 12.36, NAA)

Por nossas palavras seremos justificados e por nossas palavras seremos condenados.

Deus também revelará todas as circunstâncias que acompanharam cada palavra e ação e que aumentaram ou diminuíram sua bondade ou sua maldade.

Isso é fácil para aquele que conhece nosso descanso e nosso caminhar e examina todos os nossos caminhos. Para ele, as trevas não são escuras; a noite brilha como o dia.

6. Deus trará à luz não apenas as obras escondidas nas trevas, mas também os pensamentos e as intenções do coração.

Ele examina o íntimo e conhece todos os nossos pensamentos.

“Todas as coisas estão descobertas e expostas aos olhos daquele a quem temos de prestar contas.”

(Hb 4.13, NAA)

Se o mundo dos mortos e a perdição estão descobertos diante dele, quanto mais o coração dos seres humanos!

7. Naquele dia, será revelado cada movimento interior de cada alma: cada apetite, paixão, inclinação e afeição; todas as suas combinações; e cada disposição que formou o caráter completo de cada pessoa.

Assim ficará clara e infalivelmente demonstrado quem foi justo e quem foi injusto, e em que grau cada ação, pessoa ou caráter foi bom ou mau.

8. Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita:

“Venham, benditos de meu Pai! Venham herdar o Reino que está preparado para vocês desde a fundação do mundo.”

(Mt 25.34, NAA)

Ele lembrará que teve fome e lhe deram de comer, teve sede e lhe deram de beber, era estrangeiro e o acolheram, estava sem roupa e o vestiram.

Da mesma maneira, todo o bem que realizaram na terra será apresentado diante dos seres humanos e dos anjos: tudo o que fizeram em palavras ou ações, em nome e por amor ao Senhor Jesus.

9. Seus bons desejos, suas intenções, seus pensamentos e suas disposições santas também serão lembrados.

Ficará evidente que, embora essas coisas fossem desconhecidas ou esquecidas pelas pessoas, Deus as registrou em seu livro.

Também serão revelados todos os sofrimentos que suportaram por causa do nome de Jesus e do testemunho de uma boa consciência.

O justo Juiz mostrará essas coisas para honra deles diante dos santos e dos anjos e para aumentar seu incomparável e eterno peso de glória.

10. Mas as más ações dos justos também serão lembradas naquele dia e apresentadas diante da grande assembleia?

Muitos acreditam que não. Perguntam se isso não significaria que seus sofrimentos continuariam depois da morte, pois ainda teriam de enfrentar tristeza, vergonha e constrangimento.

Perguntam ainda como isso poderia ser reconciliado com a promessa de Deus de que as transgressões daqueles que abandonaram seus pecados não serão lembradas contra eles.

Deus prometeu:

“Perdoarei as suas iniquidades e dos seus pecados jamais me lembrarei.”

(Jr 31.34, NAA)

11. Respondo que, para a revelação plena da glória de Deus e a manifestação clara de sua sabedoria, justiça, poder e misericórdia para com os herdeiros da salvação, é necessário que todas as circunstâncias da vida deles sejam reveladas, assim como suas disposições, desejos, pensamentos e intenções.

De outra maneira, como ficaria demonstrada a profundidade do pecado e da miséria da qual a graça de Deus os libertou?

Se a vida de todos não fosse manifestada, também não seria revelada a maravilhosa unidade da providência divina. Em muitos acontecimentos, ainda não conseguiríamos reconhecer a justiça dos caminhos de Deus para com a humanidade.

Jesus declarou:

“Não há nada encoberto que não venha a ser revelado, nem oculto que não venha a ser conhecido.”

(Mt 10.26, NAA)

Somente quando Deus trouxer à luz todas as coisas escondidas ficará evidente que todos os seus caminhos foram sábios e bons; que ele enxergou através das nuvens e governou tudo pelo sábio conselho de sua vontade.

Ficará demonstrado que nada foi abandonado ao acaso ou à vontade desordenada dos seres humanos, mas que Deus conduziu tudo com força e bondade, formando uma única corrente de justiça, misericórdia e verdade.

12. Os justos se alegrarão com alegria indescritível diante da revelação das perfeições de Deus.

Não sentirão tristeza dolorosa ou vergonha pelas transgressões antigas, que já terão sido apagadas como uma nuvem e lavadas pelo sangue do Cordeiro.

Será suficiente saber que nenhuma de suas transgressões será mencionada para condená-los ou prejudicá-los.

Seus pecados e suas iniquidades não serão lembrados para condenação. Esse é o sentido da promessa, e todos os filhos de Deus experimentarão sua verdade para seu consolo eterno.

Depois de julgar os justos, o Rei se voltará para os que estiverem à esquerda. Eles também serão julgados, cada um segundo suas obras.

Não serão consideradas apenas suas ações exteriores, mas também todas as palavras más, desejos, afetos, disposições, pensamentos e intenções alimentados no coração.

Então será pronunciada a alegre sentença de absolvição sobre os que estiverem à direita e a terrível sentença de condenação sobre os que estiverem à esquerda. Ambas permanecerão firmes como o trono de Deus.

III. O que acontecerá depois do julgamento

1. Consideremos agora algumas circunstâncias que seguirão o julgamento geral.

A primeira será a execução da sentença pronunciada sobre os maus e os bons:

“E estes irão para o castigo eterno, porém os justos irão para a vida eterna.”

(Mt 25.46, NAA)

A mesma palavra é empregada para o castigo e para a vida. A sentença é definitiva.

Os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai e beberão dos rios de prazer que estão à direita de Deus.

Aqui toda descrição humana se torna insuficiente. Mesmo alguém arrebatado ao terceiro céu não conseguiria comunicar plenamente aquilo que viu.

2. Os que se esqueceram de Deus enfrentarão a sentença pronunciada contra eles. Serão excluídos da presença favorável do Senhor e da glória de seu poder.

Orgulho, maldade, vingança, ódio, horror e desespero — disposições que cultivaram durante a vida — permanecerão como fontes interiores de sofrimento.

A linguagem bíblica descreve essa realidade como o fogo que não se apaga e o verme que não morre, expressões solenes da consequência final do pecado e da rejeição de Deus.

3. Depois disso, os céus passarão com grande estrondo. Diante daquele que estiver assentado no trono, a antiga criação desaparecerá.

Pedro declara:

“Os céus, incendiados, serão desfeitos, e os elementos se derreterão pelo calor.”

(2Pe 3.12, NAA)

A bela estrutura do universo será transformada. A terra e as obras que nela existem serão expostas ao fogo.

As maiores obras da natureza, as colinas e montanhas que permaneceram durante milhares de anos, não escaparão.

Muito menos resistirão as obras humanas mais duráveis: túmulos, monumentos, arcos, castelos e pirâmides. Todas desaparecerão como um sonho quando alguém desperta.

4. Alguns homens sábios e piedosos imaginaram que, assim como o mesmo poder infinito é necessário para criar e para reduzir algo ao nada, nenhuma parte do universo será definitivamente aniquilada.

Supõem que a criação passará por uma transformação completa, assim como determinados materiais, submetidos ao calor intenso, deixam de ser cinzas e tornam-se vidro.

Imaginam que a terra — e talvez também os céus materiais — será transformada de tal maneira que o fogo já não terá poder sobre ela.

Relacionam essa ideia à visão de João:

“Diante do trono havia algo semelhante a um mar de vidro, como cristal.”

(Ap 4.6, NAA)

Não podemos afirmar nem negar isso agora. Saberemos depois.

5. Alguns poderão perguntar de onde viria fogo suficiente para transformar os céus e toda a terra.

Essa dificuldade não pertence exclusivamente ao cristianismo. Ideias semelhantes eram encontradas entre pensadores pagãos antigos.

Além disso, mesmo nosso conhecimento limitado da natureza indica a existência de imensos reservatórios de energia e fogo.

Um corpo celeste poderia aproximar-se da terra. Os relâmpagos que iluminam o mundo poderiam, por ordem do Senhor da natureza, produzir destruição. Grandes reservatórios de material em combustão existem no interior da terra, como demonstram os vulcões.

Até mesmo os corpos e os elementos ao nosso redor contêm forças que não percebemos normalmente.

Deus precisaria apenas liberar as forças que agora mantém sob controle, e toda a estrutura presente seria transformada.

6. Existe, porém, outra circunstância que merece nossa consideração:

“Nós, porém, segundo a promessa de Deus, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita a justiça.”

(2Pe 3.13, NAA)

A promessa aparece em Isaías:

“Pois eis que eu crio novos céus e nova terra.”

(Is 65.17, NAA)

João contemplou essa realidade:

“Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram.”

(Ap 21.1, NAA)

Somente a justiça habitará ali.

Deus estará com seu povo. Ele enxugará dos olhos toda lágrima. A morte já não existirá. Não haverá mais luto, choro ou dor.

Não haverá maldição. Os servos de Deus verão sua face, terão acesso pleno à sua presença e serão completamente transformados segundo sua semelhança.

O nome de Deus estará na testa deles: serão reconhecidos publicamente como sua propriedade, e sua natureza gloriosa brilhará neles.

Não haverá noite, pois o próprio Senhor Deus os iluminará, e eles reinarão para todo o sempre.

IV. Aplicações

1. Resta aplicar essas verdades a todos os que estão aqui diante de Deus.

A solenidade presente nos conduz naturalmente ao dia em que o Senhor julgará o mundo com justiça.

Em primeiro lugar, como é honrosa a missão daqueles que, pela providência sábia e bondosa de Deus, foram encarregados de executar a justiça na terra, defender os prejudicados e punir os que praticam o mal!

Não são ministros de Deus para o bem, sustentadores da tranquilidade pública, protetores da inocência e da virtude e guardiões de nossas bênçãos temporais?

Cada juiz representa não somente o soberano terreno, mas também o Juiz de toda a terra, aquele que é Rei dos reis e Senhor dos senhores.

Que todos os que exercem essa função sejam santos como ele é santo, sábios com a sabedoria que procede do alto, imparciais e comprometidos em retribuir a cada pessoa segundo suas obras.

Que sejam firmemente justos e, ao mesmo tempo, compassivos e misericordiosos.

Assim serão realmente motivo de temor para os que praticam o mal e não carregarão a espada inutilmente.

2. Em segundo lugar, como são importantes os oficiais encarregados de executar a justiça!

Que ajam com integridade, humanidade e fidelidade.

Que nunca aumentem desnecessariamente o sofrimento daqueles que estão sob sua autoridade nem utilizem o cargo para vantagem pessoal.

Lembrem-se de que também possuem um Senhor nos céus e de que diante dele não existe parcialidade.

3. Em terceiro lugar, aqueles que prestam testemunho devem lembrar-se de que Deus é testemunha de todas as suas palavras.

Não permitam que amizade, medo, interesse ou ressentimento os levem a esconder a verdade ou a declarar aquilo que não sabem ser verdadeiro.

A testemunha falsa pode escapar diante dos seres humanos, mas não escapará diante daquele que conhece o coração.

4. Permitam-me acrescentar algumas palavras a todos os que hoje estão presentes diante do Senhor.

Não deveríamos conservar durante todo o dia a lembrança de que outro dia, muito mais solene, se aproxima?

Esta é uma grande assembleia. Mas o que ela representa quando comparada àquela que reunirá todos os filhos e filhas da humanidade que viveram sobre a terra?

Poucas pessoas comparecerão hoje diante do tribunal para serem julgadas segundo as acusações apresentadas contra elas. Algumas estão guardadas na prisão, talvez acorrentadas, até serem trazidas para julgamento e receberem sua sentença.

Mas todos nós — eu que falo e vocês que ouvem — compareceremos diante do tribunal de Cristo.

Agora estamos guardados nesta terra, que não é nosso lar, e nesta prisão de carne e sangue; e talvez muitos ainda estejam presos por correntes espirituais de escuridão.

Aqui, uma pessoa é examinada por um ou dois atos que supostamente praticou. Ali, prestaremos contas de todas as nossas obras, desde o nascimento até a morte; de todas as palavras, desejos, disposições, pensamentos e intenções; e do uso de todos os talentos da mente, do corpo e dos bens materiais.

Neste tribunal, alguns culpados podem escapar por falta de provas. Naquele tribunal, não faltará evidência.

Estarão presentes todas as pessoas que conheceram nossos planos e ações secretas. Estarão presentes os espíritos malignos que sugeriram o mal, e os anjos de Deus que trabalharam para nosso bem.

Também estará presente nossa consciência, como mil testemunhas em uma, incapaz de ser enganada ou silenciada.

E, se a consciência vale como mil testemunhas, Deus vale como mil consciências!

Quem poderá permanecer diante da face do grande Deus e Salvador Jesus Cristo?

5. Vejam! Ele vem nas nuvens. Faz das nuvens sua carruagem e cavalga sobre as asas do vento. O fogo vai diante dele. Ele se assenta em seu trono, revestido de luz, majestade e honra.

Seus olhos são como chama de fogo, e sua voz, como o som de muitas águas.

Como escaparemos?

Pediremos que os montes caiam sobre nós e que as rochas nos escondam? Os próprios montes, as rochas, a terra e os céus estarão prestes a desaparecer.

Poderemos comprar uma sentença favorável com ouro ou prata? Viemos nus do ventre materno e entraremos ainda mais desprovidos na eternidade.

Ouçam a voz do Juiz:

“Venham, benditos de meu Pai!”

Que som alegre!

Como é diferente daquela sentença:

“Afastem-se de mim.”

Quem poderá impedir ou retardar a execução de qualquer uma das sentenças?

Que tipo de pessoas devemos ser em santo procedimento e piedade!

Não demorará até que o Senhor desça com a voz do arcanjo e a trombeta de Deus e cada um de nós compareça diante dele.

Por isso:

“Empenhem-se para serem encontrados por ele em paz, sem mácula e irrepreensíveis.”

(2Pe 3.14, NAA)

Por que qualquer pessoa entre vocês deveria estar à esquerda quando ele aparecer?

Deus não deseja que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento; pelo arrependimento, à fé no Senhor crucificado; e pela fé, ao amor perfeito, à restauração da imagem de Deus no coração e a uma vida inteiramente santa.

O Juiz de todos é também o Salvador de todos. Ele não comprou vocês com seu próprio sangue para que perecessem, mas para que recebessem a vida eterna?

Experimentem sua misericórdia em vez de sua justiça; seu amor em vez do trovão de seu poder.

Ele não está longe de nenhum de nós. Veio agora não para condenar, mas para salvar.

Pecador, ele não está batendo neste momento à porta do seu coração?

Reconheça hoje aquilo que pertence à sua paz.

Entregue-se agora àquele que se entregou por você, com fé humilde e amor santo, ativo e perseverante.

Assim você se alegrará com grande alegria no dia em que ele vier nas nuvens do céu.

Tradução em português atual a partir do original em domínio público (ed. Thomas Jackson, 1872), realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello. Citações bíblicas conforme a NAA. Igreja Metodista Livre do Brasil.

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