SERMÃO 19

O grande privilégio daqueles que nasceram de Deus

O que significa não pecar — e como se guarda ou se perde essa graça.

1Jo 3.9, NAA ⏱ 16 min de leituraNovo nascimento e adoção

“Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado.”

(1Jo 3.9, NAA)

Antes de ler

Qual é a diferença entre justificação e novo nascimento? Como João pode afirmar que aquele que nasceu de Deus não peca, se a Bíblia apresenta servos de Deus que caíram gravemente?

Wesley responde distinguindo duas obras da graça que acontecem no mesmo momento. Na justificação, Deus faz algo por nós: perdoa nossa culpa e restaura nosso relacionamento com ele. No novo nascimento, Deus faz algo em nós: transforma nosso coração e quebra o poder do pecado.

A liberdade do pecado, porém, não é automática e incondicional. Ela é conservada enquanto o crente permanece em comunhão com Deus, recebendo pela fé a ação do Espírito e respondendo com amor, oração, louvor e obediência. A queda não acontece de uma só vez. Começa quando deixamos de vigiar, acolhemos interiormente a tentação, entristecemos o Espírito e permitimos que a fé e o amor enfraqueçam.

Neste sermão, Wesley trabalha com a redação bíblica de sua época: “Todo aquele que é nascido de Deus não comete pecado”. A NAA traduz: “não vive na prática de pecado”. Wesley entende “pecado”, neste contexto, como transgressão exterior, consciente e voluntária de um mandamento conhecido de Deus.

— Bispo Ildo Mello

Texto:

1. Frequentemente se supõe que nascer de Deus seja exatamente a mesma coisa que ser justificado, como se “novo nascimento” e “justificação” fossem apenas expressões diferentes para a mesma realidade.

É verdade que todo aquele que é justificado também nasce de Deus e que todo aquele que nasce de Deus também é justificado.

Esses dois dons são concedidos ao crente no mesmo momento. No mesmo instante em que seus pecados são apagados, ele nasce novamente de Deus.

2. Embora justificação e novo nascimento sejam inseparáveis quanto ao momento em que acontecem, podem ser facilmente distinguidos. Não são a mesma coisa, pois possuem naturezas diferentes.

A justificação é uma transformação em nossa relação com Deus. O novo nascimento é uma transformação real e interior.

Ao justificar-nos, Deus faz algo por nós. Ao regenerar-nos, realiza uma obra dentro de nós.

Na justificação, nossa posição diante de Deus é transformada: de inimigos, tornamo-nos filhos.

No novo nascimento, nossa alma é transformada: de pecadores, tornamo-nos santos.

A justificação restaura-nos ao favor de Deus; o novo nascimento restaura em nós a imagem de Deus.

Uma remove a culpa do pecado; o outro quebra seu poder.

Embora aconteçam juntos, são obras diferentes.

3. A falta de compreensão dessa diferença produziu grande confusão entre muitos que escreveram sobre o assunto, especialmente quando tentaram explicar o grande privilégio dos filhos de Deus e mostrar em que sentido aquele que nasceu de Deus não comete pecado.

4. Para compreendermos claramente essa verdade, precisamos considerar:

I. O que significa nascer de Deus.

II. Em que sentido aquele que nasceu de Deus não comete pecado.

III. Algumas conclusões práticas.

I. O que significa nascer de Deus

1. Em primeiro lugar, consideremos o significado da expressão “todo aquele que é nascido de Deus”.

Todas as passagens bíblicas que utilizam essa linguagem mostram que ela não significa apenas ser batizado ou passar por alguma mudança exterior.

Trata-se de uma profunda transformação interior, realizada na alma pelo Espírito Santo.

É uma mudança em toda a maneira de existir. Desde o momento em que nascemos de Deus, começamos a viver de uma forma inteiramente diferente. É como se entrássemos em outro mundo.

2. A razão dessa linguagem é fácil de compreender.

Essa grande transformação pode ser corretamente chamada de novo nascimento porque existe profunda semelhança entre o nascimento natural e o nascimento espiritual.

Considerar as circunstâncias do nascimento natural é uma das maneiras mais simples de compreender o nascimento do Espírito.

3. Antes de nascer, a criança vive por meio do ar, como todos os seres vivos, mas não possui percepção consciente dele.

Seus sentidos funcionam de modo muito limitado e imperfeito.

Quase não ouve, pois os órgãos da audição ainda estão fechados. Não vê, porque seus olhos permanecem fechados e ela está cercada por escuridão.

Talvez existam sinais de vida e movimentos que a distinguem da matéria sem vida. Contudo, seus sentidos ainda não estão abertos para o mundo exterior.

Por isso, quase não possui contato com o mundo visível nem conhecimento daquilo que acontece nele.

4. A criança ainda não nascida é completamente estranha ao mundo visível, não porque esse mundo esteja distante.

Ele está muito próximo e a envolve por todos os lados.

Ela não o percebe porque os sentidos necessários para relacionar-se com ele ainda não foram abertos e porque existe uma barreira que a impede de vê-lo.

5. Assim que nasce, sua maneira de existir muda completamente.

Agora sente o ar que a envolve e que entra continuamente em seu corpo enquanto respira.

Por meio dessa respiração, a vida é sustentada, e crescem a força, o movimento e a percepção.

Todos os sentidos corporais despertam e entram em contato com seus objetos próprios.

Os olhos se abrem e percebem a luz. A luz não apenas se torna visível, mas revela uma variedade incontável de coisas anteriormente desconhecidas.

Os ouvidos são abertos, e os sons entram com toda a sua diversidade.

Cada sentido começa a relacionar-se com aquilo que lhe corresponde. Por meio dessas entradas, a alma passa a relacionar-se com o mundo visível e adquire cada vez mais conhecimento das coisas ao seu redor.

6. Assim acontece com aquele que nasce de Deus.

Antes dessa grande transformação, embora dependa completamente de Deus, em quem vivemos, nos movemos e existimos, não possui verdadeira percepção da presença divina.

Não sente interiormente que Deus está presente.

Não percebe o sopro divino da vida, sem o qual não poderia existir por um único momento.

As coisas de Deus não causam impressão real em sua alma.

Deus chama continuamente, mas ele não ouve. Seus ouvidos espirituais estão fechados.

Não enxerga as coisas do Espírito, pois os olhos do entendimento permanecem fechados, e profunda escuridão envolve toda a alma.

É possível que existam alguns sinais iniciais de vida, alguns movimentos espirituais produzidos pela graça preveniente. Entretanto, seus sentidos espirituais ainda não foram plenamente despertados.

Por isso, a pessoa natural não compreende as coisas do Espírito de Deus. Elas precisam ser discernidas espiritualmente.

7. Consequentemente, possui pouco conhecimento do mundo invisível e quase nenhuma comunhão consciente com ele.

Isso não acontece porque o mundo espiritual esteja distante. Ele está ao nosso redor, acima, abaixo e em todos os lados.

A pessoa natural não o percebe porque ainda não possui sentidos espirituais despertos e porque um véu espesso permanece diante de seus olhos.

8. Mas, quando alguém nasce de Deus e do Espírito, toda a sua maneira de existir é transformada.

Sua alma passa a perceber Deus e pode dizer por experiência:

“Tu conheces meu caminho e meu descanso. Estás ao meu redor e colocas sobre mim tua mão” (Sl 139.3–5).

O Espírito, o sopro de Deus, é comunicado à alma recém-nascida.

O mesmo sopro que vem de Deus retorna para Deus.

A alma recebe continuamente a vida por meio da fé e responde continuamente com amor, oração, louvor e ações de graças.

O amor, o louvor e a oração são a respiração de toda alma que verdadeiramente nasceu de Deus.

Por essa respiração espiritual, a vida não apenas é conservada, mas cresce diariamente.

Aumentam a força, o movimento e a percepção espiritual, pois os sentidos da alma estão despertos e conseguem distinguir o bem e o mal.

9. Os olhos do entendimento são abertos, e a pessoa vê aquele que é invisível.

Compreende a extraordinária grandeza do poder e do amor de Deus para com os que creem.

Percebe que Deus é misericordioso para com ela, pecadora, e que foi reconciliada com ele por meio de seu Filho.

Reconhece o amor perdoador de Deus e suas grandes e preciosas promessas.

O Deus que ordenou que a luz brilhasse nas trevas ilumina seu coração com o conhecimento de sua glória na face de Jesus Cristo (2Co 4.6).

A escuridão passa, e a pessoa vive na luz da presença de Deus.

10. Seus ouvidos espirituais também são abertos, e a voz de Deus já não chama em vão.

Ela ouve e obedece ao chamado celestial. Conhece a voz de seu Pastor.

Com os sentidos espirituais despertos, passa a ter verdadeira comunhão com o mundo invisível e conhece cada vez mais as realidades que anteriormente não podia imaginar.

Agora sabe por experiência o que são a paz de Deus, a alegria no Espírito Santo e o amor divino derramado no coração daqueles que creem em Cristo.

O véu que anteriormente impedia a luz, a voz, o conhecimento e o amor de Deus é removido.

Aquele que nasceu do Espírito permanece no amor, permanece em Deus, e Deus permanece nele.

II. Em que sentido não comete pecado

1. Depois de considerarmos o significado de nascer de Deus, precisamos perguntar em que sentido aquele que nasceu de Deus não comete pecado.

A pessoa regenerada, conforme foi descrita, recebe continuamente de Deus o sopro da vida, a influência bondosa do Espírito, e responde continuamente a essa graça.

Ela crê e ama.

Pela fé, percebe a ação constante de Deus em seu espírito e devolve a graça recebida por meio de amor, louvor e oração incessantes.

Enquanto se conserva dessa maneira, não comete pecado.

Enquanto a semente divina permanece nela, não pode pecar, porque nasceu de Deus.

2. Por “pecado”, entendo aqui o pecado exterior no sentido comum da palavra: uma transgressão consciente e voluntária da lei revelada e escrita de Deus.

É a violação deliberada de um mandamento reconhecido, no momento da ação, como mandamento de Deus.

Aquele que nasceu de Deus, enquanto permanece na fé, no amor, na oração e nas ações de graças, não apenas deixa de cometer esse tipo de pecado, mas não pode cometê-lo.

Enquanto crê em Deus por meio de Cristo, ama o Senhor e derrama o coração diante dele, não pode transgredir voluntariamente um mandamento por meio de palavras ou ações que sabe serem proibidas.

A semente que permanece nele — a fé amorosa, agradecida e perseverante em oração — leva-o a afastar-se de tudo aquilo que sabe ser abominável diante de Deus.

3. Surge, porém, uma dificuldade que muitos consideraram impossível de resolver.

As Escrituras apresentam pessoas que realmente nasceram de Deus e que, apesar disso, cometeram pecados exteriores graves.

Transgrediram leis claras e conhecidas, dizendo ou fazendo aquilo que sabiam ter sido proibido.

Por causa desses exemplos, alguns negaram a declaração do apóstolo e abandonaram o grande privilégio dos filhos de Deus.

4. Davi, por exemplo, certamente havia nascido de Deus antes de ser ungido rei de Israel.

Conhecia aquele em quem havia crido e era forte na fé.

Declarava que o Senhor era seu Pastor, que o conduzia a pastos verdes e águas tranquilas e que, mesmo caminhando pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque Deus estava com ele (Sl 23).

Estava cheio de amor e dizia:

“Eu te amo, ó Senhor, força minha.”

(Sl 18.1, NAA)

Era homem de oração, derramando o coração diante de Deus em todas as circunstâncias, e abundava em louvor e ações de graças.

Apesar disso, esse filho de Deus caiu nos terríveis pecados de adultério e homicídio.

5. Mesmo depois que o Espírito Santo foi concedido de maneira mais ampla e o evangelho trouxe à luz a vida e a imortalidade, encontramos exemplos igualmente tristes, registrados para nossa instrução.

Barnabé vendeu seus bens e entregou o valor para ajudar os irmãos necessitados. Por isso, recebeu dos apóstolos o nome de “filho da consolação” (At 4.36–37).

Foi escolhido com Saulo para levar ajuda aos irmãos da Judeia e, mais tarde, separado pelo Espírito Santo para acompanhar Paulo na obra entre os gentios.

Apesar de tudo isso, envolveu-se em uma discussão tão intensa com Paulo por causa de João Marcos que se separou dele e partiu para Chipre (At 15.36–39), abandonando a cooperação à qual haviam sido unidos pelo Espírito.

6. Um exemplo ainda mais surpreendente é apresentado por Paulo na Carta aos Gálatas.

Pedro era um dos principais apóstolos, idoso, zeloso e especialmente favorecido pelo Senhor.

Quando chegou a Antioquia, Paulo precisou enfrentá-lo publicamente, porque sua conduta era condenável.

Antes da chegada de alguns homens ligados a Tiago, Pedro comia normalmente com os cristãos gentios, pois havia aprendido de Deus que não deveria considerar impura qualquer pessoa.

Quando aqueles homens chegaram, porém, afastou-se dos gentios por medo dos defensores da circuncisão.

Outros judeus seguiram sua hipocrisia, e até Barnabé foi levado por ela.

Paulo percebeu que não estavam andando corretamente segundo a verdade do evangelho e repreendeu Pedro diante de todos (Gl 2.11–14).

Temos, portanto, um pecado claro e inegável praticado por alguém que havia nascido de Deus.

Como isso pode ser reconciliado com a afirmação de que aquele que nasceu de Deus não comete pecado?

7. A resposta é esta:

Enquanto aquele que nasceu de Deus guarda a si mesmo, pela graça que recebeu, o Maligno não lhe toca (1Jo 5.18).

Mas, se deixa de guardar a si mesmo, se não permanece na fé, pode cometer pecado como qualquer outra pessoa.

Assim, podemos compreender como um filho de Deus pode abandonar sua firmeza sem destruir a verdade declarada pelo apóstolo.

Ele não se conservou pela graça de Deus, embora essa graça fosse suficiente.

Caiu gradualmente.

Primeiro, entrou em um pecado interior de omissão: deixou de despertar o dom de Deus, de vigiar em oração e de prosseguir para o alvo.

Depois, entrou em pecado interior positivo: inclinou o coração para o mal e acolheu algum desejo ou disposição pecaminosa.

Em seguida, perdeu a fé, a percepção do Deus que perdoa e, consequentemente, o amor de Deus.

Tornando-se fraco como qualquer outro homem, passou a ser capaz de cometer pecado exterior.

8. Podemos compreender isso observando especificamente a queda de Davi.

Ele havia nascido de Deus, enxergava Deus pela fé e o amava sinceramente. Podia declarar que nada no céu ou na terra desejava mais do que o Senhor (Sl 73.25).

Entretanto, permanecia em seu coração a corrupção da natureza, que é a semente de todo mal.

Enquanto caminhava pelo terraço de sua casa, viu Bate-Seba.

Surgiu uma tentação: um pensamento inclinado para o mal.

O Espírito de Deus certamente o advertiu. Davi conheceu a voz que o alertava, mas permitiu que o pensamento permanecesse em alguma medida.

A tentação começou a tornar-se atraente.

Seu espírito ficou manchado. Ainda via Deus, mas de maneira menos clara.

Ainda amava o Senhor, mas não com a mesma intensidade.

Deus voltou a adverti-lo. Embora entristecido, o Espírito ainda dizia:

“O pecado está à porta. Olhe para mim e seja salvo.”

Mas Davi não ouviu. Voltou os olhos não para Deus, mas para aquilo que havia sido proibido.

A natureza começou a vencer a graça, e o desejo pecaminoso inflamou sua alma.

Os olhos de seu entendimento se fecharam, e Deus desapareceu de sua percepção.

A fé — a comunhão viva e sobrenatural com Deus — e o amor de Deus desapareceram juntos.

Então ele avançou conscientemente para o pecado exterior.

9. Podemos observar claramente o processo que conduz da graça ao pecado:

A semente divina da fé que atua pelo amor permanece naquele que nasceu de Deus. Ele guarda a si mesmo pela graça e não comete pecado.

Surge uma tentação, vinda do mundo, da natureza humana ou do diabo.

O Espírito de Deus adverte que o pecado está próximo e chama a pessoa a vigiar e orar com maior intensidade.

Ela cede em alguma medida à tentação, que começa a parecer agradável.

O Espírito Santo é entristecido, a fé enfraquece e o amor de Deus esfria.

O Espírito repreende de maneira mais forte e diz: “Este é o caminho; ande por ele” (Is 30.21).

A pessoa desvia-se da voz dolorosa de Deus e escuta a voz agradável do tentador.

O desejo pecaminoso nasce e se espalha até que a fé e o amor desapareçam. Sem o poder do Senhor, a pessoa torna-se capaz de cometer pecado exterior.

10. O mesmo processo aparece na queda de Pedro.

Ele estava cheio de fé e do Espírito Santo. Enquanto se guardava, possuía consciência limpa diante de Deus e das pessoas.

Vivendo com simplicidade e sinceridade, comia com os gentios, sabendo que aquilo que Deus havia purificado não deveria ser considerado impuro.

Quando chegaram os homens ligados a Tiago, surgiu em seu coração a tentação de temer os defensores da circuncisão e valorizar a aprovação humana mais do que o louvor de Deus.

O Espírito advertiu que o pecado estava próximo. Apesar disso, Pedro cedeu em alguma medida ao medo das pessoas.

Sua fé e seu amor foram proporcionalmente enfraquecidos.

Deus voltou a repreendê-lo, mas Pedro não ouviu a voz de seu Pastor. Entregou-se ao medo e apagou a atuação do Espírito.

A percepção de Deus desapareceu. A fé e o amor foram extinguidos, e ele cometeu o pecado exterior.

Deixou de andar segundo a verdade do evangelho, afastou-se dos irmãos gentios e, por seu exemplo, pressionou-os a adotar práticas judaicas, voltando ao jugo do qual Cristo os havia libertado.

Portanto, é verdadeira a afirmação de que aquele que nasceu de Deus, enquanto se guarda, não pode cometer pecado voluntário.

Mas, se deixa de guardar a si mesmo, pode voltar a praticar toda espécie de pecado.

III. Conclusões práticas

1. Podemos responder claramente a uma pergunta que tem confundido muitas pessoas sinceras:

O pecado acontece antes ou depois da perda da fé?

O filho de Deus primeiro comete pecado exterior e, por causa dele, perde a fé? Ou primeiro perde a fé e depois comete pecado?

Respondo: algum pecado de omissão e algum pecado interior precisam preceder a perda da fé.

Entretanto, a perda da fé precede o pecado exterior voluntário.

Quanto mais o crente examina o próprio coração, mais reconhece essa realidade.

A fé que atua pelo amor exclui tanto o pecado interior acolhido como o pecado exterior da alma que permanece vigilante em oração.

Mesmo assim, continuamos sujeitos à tentação, especialmente na área em que anteriormente éramos mais vulneráveis.

Se os olhos amorosos da alma permanecem fixos em Deus, a tentação desaparece.

Mas, se permitimos que nossos próprios desejos nos afastem de Deus e somos atraídos pela promessa de algum prazer, o desejo concebe o pecado.

Esse pecado interior destrói a fé e lança a pessoa na armadilha do diabo, tornando-a capaz de qualquer pecado exterior.

2. Também aprendemos em que consiste a vida de Deus na alma do crente.

Ela envolve necessariamente a comunicação contínua do Espírito Santo: Deus sopra sua vida na alma, e a alma devolve aquilo que recebeu.

Existe uma ação contínua de Deus sobre a alma e uma resposta contínua da alma para Deus.

A presença do Deus amoroso e perdoador é manifestada ao coração e percebida pela fé.

A pessoa responde continuamente com amor, louvor e oração.

Oferece os pensamentos do coração, as palavras, as obras das mãos, o corpo, a alma e o espírito como sacrifício santo e agradável a Deus por meio de Jesus Cristo.

3. Disso concluímos que essa resposta da alma a Deus é absolutamente necessária para a permanência da vida divina.

Deus nos precede com as bênçãos de sua bondade. Ele nos ama primeiro e se manifesta a nós.

Quando ainda estamos distantes, chama-nos e ilumina nosso coração.

Mas, se não amamos aquele que nos amou primeiro; se não ouvimos sua voz; se desviamos os olhos e desprezamos a luz, seu Espírito não lutará para sempre conosco.

Ele se retirará gradualmente e nos deixará na escuridão de nosso coração.

Deus não continuará soprando vida na alma se a alma não respirar de volta para ele em amor, oração, louvor e gratidão.

4. Finalmente, devemos seguir a orientação do apóstolo:

“Não fique orgulhoso, mas tema.”

(Rm 11.20, NAA)

Devemos temer o pecado mais do que a morte ou a condenação.

Não se trata de medo atormentador, mas de santo cuidado, para não confiarmos em nosso coração enganoso.

“Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia.”

(1Co 10.12, NAA)

Até aquele que permanece firme na graça e possui a fé que vence o mundo pode cair em pecado interior e naufragar na fé.

Nesse caso, com que facilidade o pecado exterior voltará a dominá-lo!

Portanto, homem e mulher de Deus, vigiem continuamente, para que continuem ouvindo a voz do Senhor.

Vigiem e orem sem cessar, em todos os tempos e lugares, derramando o coração diante dele.

Assim continuarão crendo, continuarão amando e não viverão na prática do pecado.

Tradução em português atual a partir do original em domínio público (ed. Thomas Jackson, 1872), realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello. Citações bíblicas conforme a NAA. Igreja Metodista Livre do Brasil.

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