SERMÃO 18
As marcas do novo nascimento
Fé, esperança e amor: as marcas de quem nasceu de Deus.
“Assim é todo o que é nascido do Espírito.”
(Jo 3.8, NAA)Antes de ler
Como podemos reconhecer alguém que nasceu de Deus? A resposta não deve ser procurada apenas em uma cerimônia realizada no passado, em uma profissão religiosa ou na participação formal na Igreja. Wesley procura nas Escrituras as marcas presentes de uma vida regenerada.
Ele destaca três sinais fundamentais: fé, esperança e amor. A fé é confiança viva em Cristo, acompanhada de poder sobre o pecado e paz com Deus. A esperança inclui o testemunho de que somos filhos de Deus e produz alegria mesmo nas provações. O amor dirige o coração para Deus e se manifesta no amor ao próximo e na obediência.
Neste sermão, Wesley utiliza a redação bíblica de seu tempo: “Todo aquele que é nascido de Deus não comete pecado”. A NAA traduz 1João 3.9 como “não vive na prática de pecado”. A preocupação central de Wesley é afirmar que a regeneração produz uma libertação real do domínio do pecado, e não apenas uma mudança de nome ou de condição exterior.
— Bispo Ildo Mello
1. Como é todo aquele que nasceu do Espírito, isto é, nasceu de novo ou nasceu de Deus? O que significa nascer novamente? O que está envolvido em ser filho de Deus e receber o Espírito de adoção?
Sabemos que, por sua misericórdia, Deus normalmente liga esses privilégios ao batismo, chamado por nosso Senhor de nascer “da água e do Espírito” (Jo 3.5). Mas precisamos saber em que consistem esses privilégios. O que é, de fato, o novo nascimento?
2. Talvez não seja necessário apresentar uma definição formal, pois a própria Escritura não faz isso. Entretanto, essa questão é da maior importância para todo ser humano, porque:
“Se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus.”
(Jo 3.3, NAA)
Por isso, apresentarei suas marcas da maneira mais clara possível, conforme são encontradas nas Escrituras.
I. A primeira marca: a fé
1. A primeira marca do novo nascimento, e o fundamento de todas as demais, é a fé.
Paulo declara que somos filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus (Gl 3.26).
João afirma que aqueles que recebem Cristo e creem em seu nome recebem o direito de se tornarem filhos de Deus. Eles não nascem por descendência natural, decisão humana ou adoção meramente exterior, mas nascem de Deus (Jo 1.12–13).
Ele também declara:
“Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus.”
(1Jo 5.1, NAA)
2. A fé mencionada pelos apóstolos não é uma fé apenas intelectual ou teórica.
Não é simplesmente concordar com a afirmação de que Jesus é o Cristo, nem aceitar as doutrinas do Credo ou todas as declarações do Antigo e do Novo Testamento.
Se isso fosse suficiente, teríamos de dizer que os demônios nasceram de Deus, pois eles também creem nessas verdades e tremem diante delas.
Eles sabem que Jesus é o Cristo e reconhecem que as Escrituras são verdadeiras. Ouviram as palavras de Jesus, viram seus milagres e sabiam que ele havia vindo de Deus.
Apesar disso, continuam reservados para o julgamento.
3. Tudo isso não passa de uma fé morta.
A verdadeira fé cristã, pela qual uma pessoa nasce de Deus, não é somente uma compreensão intelectual. É uma disposição produzida por Deus no coração: uma confiança firme de que, pelos méritos de Cristo, seus pecados foram perdoados e ela foi reconciliada com Deus.
Essa fé pressupõe que a pessoa renuncie a si mesma e abandone toda confiança em sua capacidade, em suas obras ou em sua justiça.
Ela se apresenta diante de Deus como pecadora perdida, culpada, condenada e incapaz de salvar a si mesma. Não possui nada com que pagar sua dívida e nenhuma defesa para apresentar.
Essa profunda consciência do pecado — que alguns chamam equivocadamente de desespero — é acompanhada pela convicção de que somente Cristo pode salvar e por um intenso desejo de receber essa salvação.
A fé viva é a confiança naquele que pagou nosso resgate por sua morte e cumpriu perfeitamente a vontade de Deus em sua vida.
Portanto, a fé pela qual nascemos de Deus não é apenas acreditar nos artigos da fé cristã, mas confiar verdadeiramente na misericórdia de Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.
4. Um fruto imediato e permanente dessa fé é o poder sobre o pecado.
Esse fruto não pode ser separado da fé viva, nem mesmo por uma hora.
Trata-se de poder sobre o pecado exterior: sobre toda palavra má e toda ação pecaminosa. Onde o sangue de Cristo é aplicado pela fé, a consciência é purificada das obras mortas.
É também poder sobre o pecado interior, pois a fé purifica o coração dos desejos e disposições contrários a Deus.
Paulo descreve isso amplamente em Romanos 6. Aqueles que morreram para o pecado não devem continuar vivendo nele. O velho ser humano foi crucificado com Cristo para que o corpo do pecado perca seu domínio e não sejamos mais escravos.
Por isso, o crente considera-se morto para o pecado e vivo para Deus em Cristo Jesus. Não permite que o pecado reine em seu corpo, mas oferece-se a Deus como alguém que passou da morte para a vida.
O pecado já não tem domínio sobre ele. Embora tenha sido anteriormente escravo do pecado, foi libertado e tornou-se servo da justiça.
5. João afirma com a mesma força esse privilégio dos filhos de Deus, especialmente em relação ao poder sobre o pecado exterior.
Depois de celebrar o amor do Pai, que nos chama filhos de Deus, o apóstolo declara que todo aquele que nasceu de Deus não vive na prática do pecado, pois a semente divina permanece nele (1Jo 3.1–9).
Alguns dizem: “Isso significa apenas que ele não peca habitualmente.”
Mas a redação utilizada por Wesley dizia simplesmente: “não comete pecado”. Ele se recusa a enfraquecer essa afirmação transformando-a em permissão para que alguém continue voluntariamente no pecado enquanto se considera filho de Deus.
Não devemos esvaziar a promessa bíblica nem tornar sem efeito a Palavra de Deus.
6. Devemos permitir que o próprio apóstolo interprete suas palavras pelo conjunto de seu argumento.
João havia declarado que Cristo se manifestou para tirar os pecados e que nele não existe pecado. Em seguida, conclui que aquele que permanece em Cristo não vive pecando; aquele que vive no pecado não o viu nem o conheceu (1Jo 3.5–6).
Antes de continuar, apresenta uma advertência necessária:
“Filhinhos, não deixem que ninguém os engane.”
(1Jo 3.7, NAA)
Muitos tentariam convencê-los de que uma pessoa pode viver na injustiça e ainda assim ser filha de Deus.
João ensina que aquele que pratica a justiça é justo, assim como Cristo é justo. Aquele que pratica o pecado procede do diabo.
Logo depois, volta a afirmar que aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado, porque a semente de Deus permanece nele.
Segundo João, é assim que se tornam manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo: pela prática da justiça ou do pecado.
No capítulo 5, repete:
“Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado; antes, aquele que nasceu de Deus o guarda, e o Maligno não lhe toca.”
(1Jo 5.18, NAA)
7. Outro fruto dessa fé viva é a paz.
Justificados pela fé e tendo os pecados apagados, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo (Rm 5.1).
Na noite anterior à sua morte, Jesus deixou essa paz como herança aos seus seguidores. Não é a paz concedida pelo mundo, mas a paz de Cristo, que livra o coração da perturbação e do medo (Jo 14.27).
É a paz de Deus que excede todo entendimento: uma serenidade que a pessoa natural não consegue imaginar e que nem mesmo o cristão consegue explicar adequadamente.
As forças da terra e do inferno não podem retirá-la.
Ondas e tempestades batem contra ela, mas não conseguem abalá-la, pois está edificada sobre a rocha.
Essa paz guarda o coração e a mente dos filhos de Deus em todos os tempos e lugares. Na saúde ou na enfermidade, na abundância ou na necessidade, eles encontram felicidade em Deus.
Aprendem a estar satisfeitos em qualquer situação e a dar graças por meio de Cristo, sabendo que Deus governa todas as coisas. Por isso, seu coração permanece firme, confiando no Senhor.
II. A segunda marca: a esperança
1. A segunda marca bíblica daqueles que nasceram de Deus é a esperança.
Pedro, escrevendo aos filhos de Deus espalhados por diversas regiões, declarou:
“Segundo a sua grande misericórdia, ele nos regenerou para uma viva esperança.”
(1Pe 1.3, NAA)
O apóstolo fala de esperança viva porque existe também uma esperança morta, assim como existe uma fé morta.
A esperança morta não vem de Deus, mas do inimigo de Deus e dos seres humanos. Isso pode ser reconhecido pelos seus frutos: nasce do orgulho e produz palavras e ações más.
Aquele que possui a esperança viva, porém, busca ser santo como Deus é santo.
Todo aquele que pode dizer sinceramente: “Agora somos filhos de Deus e veremos Cristo como ele é” purifica a si mesmo, assim como ele é puro (1Jo 3.2–3).
2. Essa esperança envolve, primeiro, o testemunho de nosso próprio espírito ou consciência de que vivemos com simplicidade e sinceridade diante de Deus.
Envolve, em segundo lugar, o testemunho do Espírito de Deus ao nosso espírito de que somos filhos de Deus e, sendo filhos, somos também herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo (Rm 8.16–17).
3. Observemos atentamente o que o próprio Deus ensina sobre esse glorioso privilégio.
Quem dá o testemunho? Não apenas nosso espírito, mas também outro: o Espírito de Deus.
O que ele testemunha? Que somos filhos de Deus e, portanto, herdeiros juntamente com Cristo, desde que participemos também de seus sofrimentos, negando a nós mesmos, tomando diariamente a cruz e suportando por amor a ele a oposição e a perseguição.
Em quem o Espírito oferece esse testemunho? Em todos os que são filhos de Deus.
Paulo utiliza exatamente esse argumento:
“Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus.”
(Rm 8.14, NAA)
Eles não receberam novamente espírito de escravidão para viverem com medo, mas receberam o Espírito de adoção, por meio do qual clamam: “Aba, Pai!”
Então o apóstolo acrescenta que o próprio Espírito confirma ao nosso espírito que somos filhos de Deus.
4. A mudança de expressão em Romanos 8.15 merece atenção.
Paulo diz: “Vocês receberam o Espírito de adoção, por meio do qual clamamos: Aba, Pai.”
Vocês, todos os filhos de Deus, receberam o mesmo Espírito de adoção por meio do qual nós — apóstolos, profetas, mestres e ministros de Cristo — também clamamos: “Aba, Pai.”
Assim como existe um só Senhor, existe um só Espírito. Assim como existe uma só fé, existe também uma só esperança.
Todos são selados pelo mesmo Espírito da promessa, que é a garantia da herança. O mesmo Espírito confirma tanto ao espírito dos apóstolos como ao espírito dos demais cristãos que todos são filhos de Deus.
5. Assim se cumpre a promessa:
“Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.”
(Mt 5.4, NAA)
A tristeza pode preceder o testemunho do Espírito. Em alguma medida, precisa precedê-lo, enquanto a pessoa geme debaixo do medo e da consciência da ira de Deus.
Entretanto, assim que recebe o testemunho, sua tristeza transforma-se em alegria.
Por maior que tenha sido sua angústia, ela é superada pela alegria de ter nascido de Deus.
Talvez muitos estejam tristes porque sabem que ainda estão sem esperança e sem Deus no mundo. Mas, quando o Consolador vier, o coração se alegrará, e ninguém poderá tirar essa alegria (Jo 16.22).
Então poderão dizer que se alegram em Deus por meio de Jesus Cristo, por quem receberam a reconciliação. Por meio dele, têm acesso ao estado de graça em que permanecem e se alegram na esperança da glória de Deus (Rm 5.1–2).
Pedro afirma que aqueles que foram regenerados para uma viva esperança são guardados pelo poder de Deus para a salvação.
Ainda que, durante algum tempo, sejam entristecidos por diversas provações, alegram-se em Cristo com alegria indescritível e cheia de glória (1Pe 1.5–8).
Essa alegria no Espírito Santo está além da capacidade da linguagem humana.
É o maná escondido, conhecido somente por quem o recebe.
Mesmo nas aflições mais profundas, ela não apenas permanece, mas transborda.
Quando os sofrimentos aumentam, o consolo do Espírito aumenta ainda mais.
Os filhos de Deus não são dominados pelo medo da falta, da dor, da morte ou da sepultura, pois conhecem aquele que possui as chaves da morte.
Já ouvem, pela fé, a voz que anuncia que Deus habitará com seu povo, enxugará dos olhos toda lágrima e eliminará a morte, o luto, o choro e a dor (Ap 21.3–4).
III. A terceira marca: o amor
1. A terceira marca bíblica daqueles que nasceram de Deus — e a maior de todas — é o amor.
É o amor de Deus derramado no coração pelo Espírito Santo que nos foi dado (Rm 5.5).
Porque são filhos, Deus envia ao coração deles o Espírito de seu Filho, que clama: “Aba, Pai!” (Gl 4.6).
Por esse Espírito, olham continuamente para Deus como Pai reconciliado e amoroso. Pedem-lhe o pão diário e tudo aquilo de que necessitam para o corpo e para a alma.
Derramam o coração diante dele, sabendo que ele ouve suas orações.
Seu prazer está em Deus. Ele é a alegria do coração, o escudo e a grande recompensa.
O desejo da alma está voltado para ele. Fazer sua vontade torna-se seu alimento, e seus lábios o louvam com alegria.
2. Nesse sentido, aquele que ama o Pai ama também o Filho que veio do Pai.
Seu espírito se alegra em Deus, seu Salvador. Ama sinceramente o Senhor Jesus Cristo e está unido a ele em um só espírito.
Sua alma apega-se a Cristo e o escolhe como inteiramente desejável, o mais precioso entre todos.
Conhece por experiência o significado das palavras:
“O meu amado é meu, e eu sou dele.”
(Ct 2.16, NAA)
3. O fruto necessário desse amor por Deus é o amor ao próximo: a toda pessoa criada por Deus.
Isso inclui os inimigos e aqueles que maltratam e perseguem os cristãos.
Amamos cada ser humano como amamos a própria vida.
Nosso Senhor expressou isso de maneira ainda mais forte, ensinando-nos a amar uns aos outros como ele nos amou.
O mandamento escrito no coração daqueles que amam a Deus é:
“Assim como eu os amei, que também vocês amem uns aos outros.”
(Jo 13.34, NAA)
Conhecemos o amor porque Cristo entregou sua vida por nós. Por isso, também devemos estar dispostos a entregar a vida pelos irmãos (1Jo 3.16).
Quando existe essa disposição, amamos verdadeiramente o próximo.
Sabemos que passamos da morte para a vida porque amamos os irmãos (1Jo 3.14).
Sabemos que permanecemos em Deus e ele em nós porque nos concedeu seu Espírito.
O amor vem de Deus. Todo aquele que ama dessa maneira nasceu de Deus e conhece a Deus (1Jo 4.7,13).
4. Alguém poderá perguntar:
“Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos.”
(1Jo 5.3, NAA)
Isso é verdade. No mesmo sentido, guardar os mandamentos também é expressão do amor ao próximo.
Mas seria correto concluir que amar a Deus com todo o coração significa apenas cumprir exteriormente algumas ordens?
Seria o amor a Deus apenas um serviço exterior, e não uma afeição profunda da alma? Seria o amor ao próximo apenas uma sequência de obras, sem disposição interior?
Essa interpretação é tão absurda que basta apresentá-la para demonstrar sua falsidade.
O significado evidente do texto é este: o sinal e a prova de que amamos a Deus e guardamos o primeiro e maior mandamento é obedecermos também aos demais mandamentos.
O verdadeiro amor, uma vez derramado no coração, necessariamente nos conduz à obediência. Quem ama a Deus com todo o coração não pode deixar de servi-lo com todas as forças.
5. Outro fruto do amor de Deus, até onde pode ser distinguido do próprio amor, é a obediência universal àquele que amamos e a conformidade com sua vontade.
É obediência a todos os mandamentos divinos, interiores e exteriores; obediência do coração e da vida; obediência em todas as disposições e em toda maneira de viver.
Uma das disposições mais evidentes dessa vida é o zelo pelas boas obras: fome e sede de fazer o bem a todas as pessoas, de todas as maneiras possíveis.
O filho de Deus se alegra em gastar-se e deixar-se gastar pelo bem dos outros, sem buscar recompensa neste mundo, mas aguardando a ressurreição dos justos.
IV. Exame e aplicação
1. Apresentei claramente as marcas do novo nascimento encontradas nas Escrituras.
Assim o próprio Deus responde à grande pergunta: o que significa nascer de Deus?
Segundo a Palavra de Deus, nascer do Espírito é crer em Deus por meio de Cristo de tal maneira que a pessoa é libertada do domínio do pecado e desfruta da paz que excede todo entendimento.
É esperar em Deus por meio de seu Filho, possuindo tanto o testemunho de uma boa consciência como o testemunho do Espírito de que somos filhos de Deus.
Dessa esperança nasce a alegria naquele por meio de quem recebemos a reconciliação.
É amar a Deus, que nos amou, mais do que qualquer criatura, de tal maneira que somos constrangidos a amar todas as pessoas como a nós mesmos.
Esse amor não apenas arde no coração, mas se manifesta em todas as palavras e ações, transformando a vida inteira em um trabalho de amor e uma obediência contínua aos mandamentos:
Sejam misericordiosos como Deus é misericordioso.
Sejam santos porque o Senhor é santo.
Sejam perfeitos como o Pai celestial é perfeito.
2. Quem, então, nasceu de Deus?
Aqueles que nasceram de Deus conhecem as coisas que receberam gratuitamente. Sabem que são filhos de Deus e podem tranquilizar o coração diante dele.
Toda pessoa que ouviu essas palavras pode examinar a si mesma e reconhecer se, neste momento, é filha de Deus.
Responda a Deus, e não às pessoas.
A questão não é apenas o que aconteceu com você no batismo, mas o que você é agora.
O Espírito de adoção está neste momento em seu coração?
Você é agora templo do Espírito Santo?
Ainda que tenha recebido o sinal da aliança, o Espírito de Cristo e de glória repousa atualmente sobre você?
3. Não diga:
“Fui batizado; portanto, sou agora filho de Deus.”
Essa conclusão não é válida.
Quantas pessoas batizadas são dominadas pela glutonaria e pela embriaguez! Quantas são mentirosas, blasfemas, agressivas, imorais, desonestas e opressoras!
Essas pessoas são atualmente filhos de Deus?
A todos os que vivem dessa maneira, é preciso dizer com as palavras de Jesus:
“Vocês são do diabo, que é o pai de vocês, e querem satisfazer os desejos dele.”
(Jo 8.44, NAA)
4. Como poderão escapar, a não ser que nasçam novamente?
Estão mortos em transgressões e pecados.
Afirmar que não podem nascer novamente, porque o único novo nascimento aconteceu no batismo, seria condená-los a permanecer sem auxílio e sem esperança.
Talvez alguns pensem que isso seria justo, pois tais pessoas merecem condenação.
Mas eu e você também nada merecemos além da condenação. É somente pela misericórdia gratuita e imerecida que não fomos consumidos.
Alguém poderá dizer:
“Mas fomos lavados e nascemos da água e do Espírito.”
Muitos daqueles que agora vivem no pecado também receberam o batismo. Isso não os impediu de abandonar aquilo que haviam recebido.
Aquilo que é altamente estimado pelas pessoas pode ser abominação diante de Deus.
Antes de condenar publicamente os pecadores mais evidentes, lembre-se de que aquele que odeia seu irmão é assassino (1Jo 3.15); aquele que alimenta o desejo impuro já adulterou no coração (Mt 5.28); e a amizade com o mundo é inimizade contra Deus (Tg 4.4).
5. Verdadeiramente, vocês também precisam nascer de novo.
Sem nascer novamente, ninguém poderá ver o Reino de Deus.
Não se apoiem na frágil segurança de que nasceram de novo no batismo, enquanto as marcas do novo nascimento não estão presentes na vida atual.
Ainda que tenham sido feitos filhos de Deus e herdeiros do Reino no batismo, podem ter perdido aquilo que receberam. Por isso, precisam receber novamente o poder de se tornarem filhos de Deus.
Vocês ouviram as marcas dos filhos de Deus. Batizados ou não, todos os que não as possuem precisam recebê-las.
A única esperança daqueles que perderam o Espírito de adoção é recebê-lo novamente, para que ele volte a clamar no coração: “Aba, Pai!”
Amém, Senhor Jesus!
Que todo aquele que preparar o coração para buscar novamente tua face receba o Espírito de adoção.
Que volte a crer em teu nome, receba o poder de tornar-se filho de Deus e conheça a redenção e o perdão por meio de teu sangue.
Que seja regenerado para uma viva esperança, purifique-se como tu és puro e receba o Espírito de amor e de glória.
Purifica-o de toda impureza da carne e do espírito e ensina-o a aperfeiçoar a santidade no temor de Deus.
Tradução em português atual a partir do original em domínio público (ed. Thomas Jackson, 1872), realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello. Citações bíblicas conforme a NAA. Igreja Metodista Livre do Brasil.