SERMÃO 24

O sal da terra e a luz do mundo

Quarto dos treze discursos de Wesley sobre o Sermão do Monte.

Mt 5.13–16, NAA ⏱ 31 min de leituraSermão do Monte

“Vocês são o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para se lançar fora e ser pisado. Vocês são a luz do mundo. Não pode a cidade edificada sobre um monte esconder-se… Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem o Pai de vocês, que está nos céus.”

(Mt 5.13–16, NAA)

Antes de ler

Este é o sermão de Wesley contra a religião solitária. Havia, no seu tempo (como no nosso), quem ensinasse que a verdadeira espiritualidade era interior e recolhida — retirar-se do mundo, dispensar as obras exteriores, cultivar só a contemplação. Wesley responde com força: o cristianismo é, por essência, uma religião social; escondê-lo é destruí-lo. O sal precisa salgar; a luz precisa brilhar. Ele reconhece o valor do recolhimento e da oração secreta, mas mostra que a mansidão, a misericórdia e o fazer o bem só existem no convívio com os outros — inclusive com os que ainda não conhecem a Deus. É um chamado a viver a fé às claras.

— Bispo Ildo Mello

Texto:

1. A beleza da santidade, daquele homem interior do coração que é renovado à imagem de Deus, não pode senão impressionar todo olho que Deus abriu, todo entendimento iluminado. O ornamento de um espírito manso, humilde e amoroso ao menos despertará a aprovação de todos os que são capazes, em algum grau, de discernir o bem e o mal espirituais. Desde a hora em que os homens começam a emergir das trevas que cobrem o mundo tonto e irreflexivo, não podem senão perceber quão desejável é ser assim transformado à semelhança daquele que nos criou. Esta religião interior traz a forma de Deus tão visivelmente impressa nela que uma alma teria de estar totalmente imersa em carne e sangue para duvidar da sua origem divina. Podemos dizer dela, num sentido secundário, o mesmo que do próprio Filho de Deus: que é “o resplendor da sua glória, a expressão exata do seu ser” — o irradiar da sua glória eterna, e, contudo, tão temperado e suavizado que até os filhos dos homens possam nela ver a Deus e viver; o carimbo, a impressão viva da pessoa daquele que é a fonte da beleza e do amor, a origem de toda excelência e perfeição.

2. Se a religião, portanto, não fosse levada além disto, não teriam dúvida a seu respeito; não teriam objeção a persegui-la com todo o ardor da alma. “Mas por que”, dizem eles, “é ela sobrecarregada com outras coisas? Que necessidade há de onerá-la com o agir e o sofrer? São essas coisas que abafam o vigor da alma e a fazem descer de novo à terra. Não basta ‘seguir o amor’, elevar-se sobre as asas do amor? Não basta adorar a Deus, que é Espírito, com o espírito da nossa mente, sem nos embaraçarmos com coisas exteriores, ou sequer pensar nelas? Não é melhor que toda a extensão do nosso pensamento seja ocupada com a alta e celestial contemplação; e que, em vez de nos ocuparmos com coisas externas, apenas comunguemos com Deus no nosso coração?”

3. Muitos homens eminentes assim falaram; aconselharam-nos a “cessar de toda ação exterior”, a retirar-nos inteiramente do mundo, a deixar o corpo para trás, a abstrair-nos de todas as coisas sensíveis, a não ter preocupação alguma com a religião exterior, mas a cultivar todas as virtudes na vontade — como o caminho muito mais excelente, mais aperfeiçoador da alma e mais agradável a Deus.

4. Não era preciso que ninguém falasse ao nosso Senhor dessa obra-prima da sabedoria que vem de baixo, essa mais bela de todas as ciladas com que Satanás jamais perverteu os retos caminhos do Senhor! E, oh, que instrumentos ele achou, de tempos em tempos, para empregar nesse seu serviço, para manejar essa grande máquina do inferno contra algumas das mais importantes verdades de Deus! Homens que “enganariam, se possível, os próprios eleitos”, os homens de fé e amor; sim, que por um tempo enganaram e desviaram um número nada pequeno deles, os quais, em todas as eras, caíram nessa cilada dourada e mal escaparam com a pele dos dentes.

5. Mas terá o nosso Senhor faltado da sua parte? Não nos resguardou suficientemente contra esse agradável engano? Não nos armou aqui com armadura à prova contra Satanás “transformado em anjo de luz”? Sim, de fato: ele aqui defende, do modo mais claro e forte, a religião ativa e paciente que acabara de descrever. Que pode haver de mais pleno e claro do que as palavras que ele imediatamente acrescenta ao que dissera sobre o agir e o sofrer? “Vocês são o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para se lançar fora e ser pisado. Vocês são a luz do mundo. Não pode a cidade edificada sobre um monte esconder-se; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo de um cesto, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa. Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem o Pai de vocês, que está nos céus.” Para explicar e reforçar plenamente essas importantes palavras, procurarei mostrar, primeiro, que o cristianismo é, por essência, uma religião social, e que torná-lo solitário é destruí-lo; segundo, que ocultar essa religião é impossível, além de totalmente contrário ao propósito do seu Autor; terceiro, responderei a algumas objeções; e concluirei com uma aplicação prática.

I. O cristianismo é uma religião social

1. Por cristianismo entendo aquele método de adorar a Deus que aqui é revelado ao homem por Jesus Cristo. Quando digo que é, por essência, uma religião social, quero dizer não apenas que ela não pode subsistir tão bem, mas que não pode subsistir de modo algum, sem sociedade, sem viver e conviver com outros homens. Não que possamos, de modo algum, condenar o intercalar a solidão ou o retiro com a convivência. Isto não só é permitido, mas conveniente; aliás, é necessário, como a experiência diária mostra, para todo aquele que já é, ou deseja ser, um cristão real. Dificilmente passaríamos um dia inteiro num convívio contínuo com os homens sem sofrer perda na alma e, em certa medida, entristecer o Santo Espírito de Deus. Temos necessidade de nos retirar diariamente do mundo, ao menos de manhã e à noite, para conversar com Deus, para comungar mais livremente com o nosso Pai que está em secreto. Nem, de fato, pode um homem de experiência condenar até temporadas mais longas de retiro religioso, contanto que não impliquem negligência da ocupação terrena em que a providência de Deus nos colocou.

2. Contudo, tal retiro não deve engolir todo o nosso tempo; isto seria destruir, não promover, a verdadeira religião. Pois que a religião descrita pelo nosso Senhor nas palavras anteriores não pode subsistir sem sociedade — sem viver e conviver com outros homens — fica manifesto por isto: vários dos seus ramos mais essenciais não podem ter lugar se não temos convívio com o mundo.

3. Não há disposição, por exemplo, mais essencial ao cristianismo do que a mansidão. Ora, embora esta, enquanto implica resignação a Deus, ou paciência na dor e na doença, possa subsistir num deserto, na cela de um eremita, em total solidão, contudo, enquanto implica (o que não menos necessariamente faz) brandura, gentileza e longanimidade, não pode de modo algum existir, não tem lugar debaixo do céu, sem convívio com outros homens. De modo que tentar torná-la uma virtude solitária é apagá-la da face da terra.

4. Outro ramo necessário do verdadeiro cristianismo é a pacificação, ou o fazer o bem. Que isto é tão essencial quanto qualquer das outras partes da religião de Jesus Cristo, não há argumento mais forte para demonstrá-lo (e, por isso, seria absurdo alegar qualquer outro) do que o fato de estar aqui inserido no plano original que ele traçou dos fundamentos da sua religião. Portanto, pôr isto de lado é o mesmo atrevido insulto à autoridade do nosso grande Mestre que pôr de lado a misericórdia, a pureza de coração, ou qualquer outro ramo da sua instituição. Mas isto é evidentemente posto de lado por todos os que nos chamam ao deserto, que recomendam a total solidão, seja aos recém-nascidos, seja aos jovens, seja aos pais em Cristo. Pois algum homem afirmará que um “cristão solitário” (assim chamado, embora seja pouco menos que uma contradição de termos) pode ser um homem misericordioso — isto é, alguém que aproveita toda oportunidade de fazer todo bem a todos? Que pode haver de mais claro do que isto: que esse ramo fundamental da religião de Jesus Cristo não pode de modo algum subsistir sem sociedade, sem viver e conviver com outros homens?

5. “Mas não é conveniente, ainda assim”, poderia alguém naturalmente perguntar, “conviver apenas com os bons — só com os que sabemos ser mansos e misericordiosos, santos de coração e de vida? Não é conveniente abster-se de qualquer convívio com homens de caráter oposto, que não obedecem, talvez não creem, no evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo?” O conselho de Paulo aos cristãos de Corinto pode parecer favorecer isto: “Já lhes escrevi, na minha carta, que não se associassem com os impuros” (1Co 5.9). E certamente não é aconselhável associar-se com eles, ou com qualquer dos que praticam a iniquidade, a ponto de ter alguma familiaridade particular, ou alguma estreita amizade com eles. Contrair ou manter intimidade com qualquer desses de modo algum é conveniente para um cristão. Necessariamente o exporia a inúmeros perigos e ciladas, dos quais não pode ter esperança razoável de livramento. Mas o apóstolo não nos proíbe ter convívio algum, mesmo com os homens que não conhecem a Deus: “Porque, então”, diz ele, “vocês teriam de sair do mundo”, o que ele jamais poderia aconselhá-los a fazer. Mas acrescenta: “Se alguém que se chama irmão”, que se diz cristão, “for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador, com esse nem sequer comam” (1Co 5.11). Isto necessariamente implica que rompamos toda familiaridade, toda intimidade de trato com ele. “Contudo”, diz o apóstolo em outro lugar, “não o considerem como inimigo, mas admoestem-no como irmão” (2Ts 3.15), mostrando claramente que, mesmo num caso desses, não devemos renunciar a toda convivência com ele. De modo que aqui não há conselho de separar-se por completo, mesmo dos homens maus. Sim, estas próprias palavras nos ensinam exatamente o contrário.

6. Muito mais as palavras do nosso Senhor, que, longe de nos orientar a romper todo comércio com o mundo, ensina que, sem ele — segundo a sua definição de cristianismo —, não podemos ser cristãos de modo algum. Seria fácil mostrar que certo convívio, mesmo com homens ímpios e sem santidade, é absolutamente necessário para o pleno exercício de cada disposição que ele descreveu como o caminho do Reino; que é indispensavelmente necessário para o completo exercício da pobreza de espírito, do pranto e de toda outra disposição que tem lugar aqui, na genuína religião de Jesus Cristo. Sim, é necessário à própria existência de várias delas: daquela mansidão, por exemplo, que, em vez de exigir “olho por olho, ou dente por dente”, “não resiste ao perverso”, mas nos leva antes, quando feridos “na face direita, a oferecer também a outra”; daquela misericórdia, pela qual “amamos os nossos inimigos, bendizemos os que nos amaldiçoam, fazemos o bem aos que nos odeiam e oramos pelos que nos maltratam e perseguem”; e daquele conjunto de amor e de todas as disposições santas que se exerce no sofrer por causa da justiça. Ora, todas estas, é claro, não poderiam existir se não tivéssemos comércio com ninguém senão com cristãos reais.

7. De fato, se nos separássemos inteiramente dos pecadores, como poderíamos corresponder àquele caráter que o nosso Senhor nos dá nestas próprias palavras? “Vocês” — cristãos, vocês que são humildes, sérios e mansos; vocês que têm fome de justiça, que amam a Deus e ao homem, que fazem o bem a todos e, por isso, sofrem o mal — “são o sal da terra”. É da sua própria natureza dar sabor a tudo o que os cerca. É da natureza do sabor divino que há em vocês espalhar-se a tudo o que tocam; difundir-se, por todos os lados, a todos aqueles entre os quais estão. Esta é a grande razão por que a providência de Deus de tal modo os misturou com outros homens: para que toda graça que receberam de Deus possa, por meio de vocês, ser comunicada a outros; para que toda disposição, palavra e obra santa de vocês tenha influência também sobre eles. Por esse meio, um freio será, em certa medida, posto à corrupção que há no mundo; e uma pequena parte, ao menos, será salva do contágio geral e tornada santa e pura diante de Deus.

8. Para que trabalhemos com mais diligência em dar sabor a tudo o que pudermos com toda disposição santa e celestial, o nosso Senhor passa a mostrar o estado desesperado dos que não transmitem a religião que receberam — o que, de fato, não podem deixar de fazer, enquanto ela permanecer no seu coração. “Se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para se lançar fora e ser pisado.” Se vocês, que eram santos e de mente celestial e, por isso, zelosos de boas obras, já não têm esse sabor em si mesmos, e por isso já não dão sabor a outros; se ficaram insossos, sem graça, mortos, descuidados da própria alma e inúteis às almas dos outros — como serão salgados? Como serão recuperados? Que socorro? Que esperança? Pode o sal insípido ser restaurado ao seu sabor? Não: “para nada mais presta senão para se lançar fora”, como a lama das ruas, “e ser pisado pelos homens”, coberto de eterno desprezo. Se vocês nunca tivessem conhecido o Senhor, poderia haver esperança; se nunca tivessem sido “achados nele”. Mas que podem agora dizer àquela solene declaração dele, exatamente paralela ao que aqui falou: “Todo ramo que, estando em mim, não dá fruto, ele, o Pai, o corta; … todo o que permanece em mim, e eu nele, esse dá muito fruto… Se alguém não permanece em mim” ou não dá fruto, “é lançado fora, à semelhança do ramo, e seca; e os apanham” — não para replantá-los, mas “para lançá-los no fogo” (Jo 15.2, 5, 6).

9. Para com os que nunca provaram a boa palavra, Deus é, de fato, compassivo e de terna misericórdia. Mas a justiça toma lugar quanto aos que provaram que o Senhor é bom e depois se afastaram do “santo mandamento” que então lhes fora “entregue”. “Pois é impossível que os que uma vez foram iluminados” (Hb 6.4) — em cujos corações Deus uma vez resplandeceu, para iluminá-los com o conhecimento da glória de Deus na face de Jesus Cristo —; “e provaram o dom celestial” da redenção pelo seu sangue, a remissão dos pecados; “e se tornaram participantes do Espírito Santo”, da humildade, da mansidão e do amor de Deus e do próximo derramado no seu coração pelo Espírito Santo que lhes foi dado; “e caíram” (aqui não há uma suposição, mas uma declaração categórica de um fato), “sejam outra vez renovados para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia”. Mas, para que ninguém entenda mal essas terríveis palavras, deve-se observar cuidadosamente: (1) quem são os aqui referidos, a saber, eles, e somente eles, que uma vez foram assim “iluminados”; somente os que “provaram” aquele “dom celestial” e “se tornaram participantes do Espírito Santo”. De modo que todos os que não experimentaram essas coisas nada têm a ver com esta Escritura. (2) Que “cair” é este de que aqui se fala: é uma apostasia absoluta, total. Um crente pode cair, e não cair de vez. Pode cair e levantar-se de novo. E, se cair, mesmo em pecado, este caso, por terrível que seja, não é desesperado. Pois “temos um Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo; e ele é a propiciação pelos nossos pecados”. Mas guarde-se ele, acima de tudo, para que o seu “coração não se endureça pelo engano do pecado”, para que não afunde cada vez mais, até cair de vez, até tornar-se como o sal que perdeu o sabor. Pois, se pecarmos assim, deliberadamente, depois de termos recebido o experimental “conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados; pelo contrário, certa expectativa horrível de juízo e de fogo ardente, prestes a consumir os adversários”.

II. É impossível ocultar essa religião

1. “Mas, embora não devamos separar-nos inteiramente da humanidade, embora se admita que devamos dar-lhe o sabor da religião que Deus operou em nós, não poderia isso ser feito de modo imperceptível? Não poderíamos transmiti-la aos outros de maneira secreta e quase imperceptível, de modo que quase ninguém consiga observar como ou quando é feito — assim como o sal transmite o seu sabor àquilo que é por ele salgado, sem ruído e sem estar sujeito a qualquer observação exterior? E, se assim for, ainda que não saiamos do mundo, podemos permanecer ocultos nele. Podemos, até certo ponto, guardar a nossa religião para nós e não ofender aqueles a quem não podemos ajudar.”

2. Desse plausível raciocínio da carne e do sangue o nosso Senhor também estava bem ciente. E deu uma resposta cabal a ele nas palavras que agora passamos a considerar; ao explicá-las, procurarei mostrar, como me propus em segundo lugar, que, enquanto a verdadeira religião permanece em nosso coração, é impossível ocultá-la, além de ser absolutamente contrário ao propósito do seu grande Autor. E, primeiro, é impossível a qualquer que a tenha ocultar a religião de Jesus Cristo. Isto o nosso Senhor deixa claro, para além de toda contradição, por uma dupla comparação: “Vocês são a luz do mundo; não pode a cidade edificada sobre um monte esconder-se.” Vocês, cristãos, “são a luz do mundo”, tanto quanto às suas disposições quanto às suas ações. A sua santidade os torna tão visíveis quanto o sol no meio do céu. Assim como não podem sair do mundo, também não podem permanecer nele sem aparecer a toda a humanidade. Não podem fugir dos homens; e, enquanto estão entre eles, é impossível esconder a sua humildade e mansidão, e aquelas outras disposições pelas quais aspiram a ser perfeitos como o seu Pai celestial é perfeito. O amor não pode ser escondido, mais do que a luz; e menos ainda quando resplandece em ação, quando vocês se exercitam no trabalho do amor, na beneficência de toda espécie. Tão bem os homens poderiam pensar em esconder uma cidade quanto em esconder um cristão; sim, tão bem poderiam ocultar uma cidade edificada sobre um monte quanto um santo, zeloso e ativo amante de Deus e do próximo.

3. É verdade que os homens que amam mais as trevas do que a luz, porque as suas obras são más, farão todo esforço possível para provar que a luz que há em vocês é trevas. Dirão, mentindo, todo mal do bem que há em vocês; imputar-lhes-ão o que está mais longe dos seus pensamentos, o que é exatamente o oposto de tudo o que vocês são e de tudo o que fazem. E a sua paciente perseverança no bem, o seu manso sofrer tudo por amor do Senhor, a sua calma e humilde alegria no meio da perseguição, o seu incansável trabalho de vencer o mal com o bem os tornarão ainda mais visíveis e notórios do que antes.

4. Tão impossível é impedir que a nossa religião seja vista, a menos que a lancemos fora; tão vão é o pensamento de esconder a luz, a não ser apagando-a! Certo é que uma religião secreta, despercebida, não pode ser a religião de Jesus Cristo. Toda religião que se pode ocultar não é cristianismo. Se um cristão pudesse ser escondido, não poderia ser comparado a uma cidade edificada sobre um monte, à luz do mundo, ao sol que resplandece do céu e é visto por todo o mundo lá embaixo. Nunca, portanto, entre no coração daquele a quem Deus renovou no espírito da sua mente o esconder essa luz, o guardar a sua religião para si — especialmente considerando que não só é impossível ocultar o verdadeiro cristianismo, mas também absolutamente contrário ao propósito do seu grande Autor.

5. Isto aparece claramente nas palavras seguintes: “Nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo de um cesto.” Como se dissesse: assim como os homens não acendem uma candeia apenas para cobri-la e escondê-la, também Deus não ilumina alma alguma com o seu glorioso conhecimento e amor para tê-lo coberto ou oculto — seja por uma prudência falsamente assim chamada, seja por vergonha, seja por uma humildade voluntária; nem oculto num deserto, nem no mundo; nem por evitar os homens, nem por conviver com eles. “Mas a colocam no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa”: do mesmo modo, é o propósito de Deus que todo cristão esteja num ponto de vista aberto, para que ilumine todos ao redor, para que exprima visivelmente a religião de Jesus Cristo.

6. Assim Deus, em todas as eras, falou ao mundo, não só por preceito, mas também por exemplo. Ele “não se deixou ficar sem testemunho”, em nenhuma nação por onde soou o evangelho, sem alguns poucos que atestaram a sua verdade pela vida, tanto quanto pelas palavras. Estes foram “como luzes que brilham em lugar escuro”. E, de tempos em tempos, foram o meio de iluminar alguns, de preservar um remanescente, uma pequena semente que foi “contada ao Senhor por geração”. Conduziram algumas pobres ovelhas para fora das trevas do mundo e guiaram os seus pés no caminho da paz.

7. Poder-se-ia imaginar que, onde tanto a Escritura quanto a razão das coisas falam tão clara e expressamente, não pudesse haver muito a alegar do lado contrário, ao menos não com qualquer aparência de verdade. Mas os que assim imaginam pouco conhecem as profundezas de Satanás. Depois de tudo o que a Escritura e a razão disseram, tão extremamente plausíveis são os pretextos para a religião solitária, para o cristão sair do mundo, ou ao menos esconder-se nele, que precisamos de toda a sabedoria de Deus para enxergar através da cilada, e de todo o poder de Deus para escapar dela; tantas e tão fortes são as objeções levantadas contra ser um cristão social, aberto e ativo.

III. Respondendo às objeções

1. Responder a estas era a terceira coisa que me propus. E, primeiro, muitas vezes se objetou que a religião não está nas coisas exteriores, mas no coração, no mais íntimo da alma; que ela é a união da alma com Deus, a vida de Deus na alma do homem; que a religião exterior nada vale, visto que Deus “não se agrada de holocaustos”, de serviços exteriores, mas um coração puro e santo é “o sacrifício que ele não desprezará”. Respondo: é verdadeiríssimo que a raiz da religião está no coração, no mais íntimo da alma; que ela é a união da alma com Deus, a vida de Deus na alma do homem. Mas, se essa raiz está realmente no coração, não pode senão brotar em ramos. E estes são as várias formas de obediência exterior, que participam da mesma natureza da raiz e, por consequência, não são apenas marcas ou sinais, mas partes substanciais da religião. Também é verdade que a mera religião exterior, que não tem raiz no coração, nada vale; que Deus não se agrada de tais serviços exteriores, mais do que dos holocaustos judaicos; e que um coração puro e santo é um sacrifício com o qual ele sempre se compraz. Mas ele também se compraz com todo serviço exterior que nasce do coração: com o sacrifício das nossas orações (públicas ou privadas), dos nossos louvores e ações de graças; com o sacrifício dos nossos bens, humildemente dedicados a ele e empregados inteiramente para a sua glória; e com o do nosso corpo, que ele peculiarmente reivindica, que o apóstolo nos roga que “pelas misericórdias de Deus apresentemos a ele, como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus”.

2. Uma segunda objeção, muito ligada a esta, é que o amor é tudo em tudo; que ele é “o cumprimento da lei”, “o alvo do mandamento”, de todo mandamento de Deus; que tudo o que fazemos e tudo o que sofremos, se não temos amor, de nada nos aproveita; e por isso o apóstolo nos orienta a “seguir o amor” e o chama de “o caminho ainda mais excelente”. Respondo: concede-se que o amor de Deus e do próximo, que nasce de uma fé não fingida, é tudo em tudo, o cumprimento da lei, o alvo de todo mandamento de Deus. É verdade que, sem isto, o que quer que façamos, o que quer que soframos, de nada nos aproveita. Mas daí não se segue que o amor seja tudo num sentido tal que dispense a fé ou as boas obras. Ele é “o cumprimento da lei”, não por nos libertar dela, mas por nos constranger a obedecê-la. É “o alvo do mandamento”, pois todo mandamento conduz a ele e nele se concentra. Admite-se que tudo o que fazemos ou sofremos sem amor de nada nos aproveita. Mas, do mesmo modo, tudo o que fazemos ou sofremos em amor — ainda que fosse apenas sofrer o opróbrio por Cristo, ou dar um copo de água fria em nome dele — de modo algum perderá a sua recompensa.

3. “Mas o apóstolo não nos orienta a ‘seguir o amor’? E não o chama de ‘um caminho ainda mais excelente’?” Ele de fato nos orienta a “seguir o amor”, mas não apenas a isso. As suas palavras são: “Segui o amor” e “desejai os dons espirituais” (1Co 14.1). No mesmo versículo em que chama esse caminho do amor de “um caminho ainda mais excelente”, ele orienta os coríntios a desejar outros dons além dele; sim, a desejá-los ardentemente. “Aspirai”, diz ele, “aos melhores dons; e, todavia, mostro-lhes ainda um caminho sobremodo excelente” (1Co 12.31). Mais excelente do que quê? Do que os dons de curar, de falar em línguas e de interpretar, mencionados no versículo anterior; mas não mais excelente do que o caminho da obediência. Disto o apóstolo não está falando; nem está falando, de modo algum, da religião exterior. De sorte que este texto está bem distante da presente questão. Mas suponha que o apóstolo estivesse falando tanto da religião exterior quanto da interior e comparando-as; suponha que, na comparação, ele desse a preferência à interior quanto quisesse; ainda não se seguiria que devêssemos rejeitar uma ou outra. Não; Deus as uniu desde o princípio do mundo; e não separe o homem o que Deus uniu.

4. “Mas ‘Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade’. E isto não basta? Aliás, não devemos empregar nisso toda a força da nossa mente? Não estorva a alma a atenção às coisas exteriores, de modo que ela não possa elevar-se na santa contemplação? Não amortece o vigor do nosso pensamento? Não tem uma tendência natural a sobrecarregar e distrair a mente? Ao passo que Paulo quer que estejamos ‘sem preocupações’ e que ‘sirvamos o Senhor sem distração’.” Respondo: “Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.” Sim, e isto basta: devemos empregar nisso toda a força da nossa mente. Mas então eu perguntaria: o que é adorar a Deus, que é Espírito, em espírito e em verdade? Ora, é adorá-lo com o nosso espírito, adorá-lo daquela maneira de que somente os espíritos são capazes. É crer nele como um Ser sábio, justo e santo, de olhos por demais puros para ver a iniquidade; e, contudo, misericordioso, cheio de graça e longânimo; que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado; que lança todos os nossos pecados para trás das suas costas e nos aceita no Amado. É amá-lo, deleitar-se nele, desejá-lo, de todo o coração, mente, alma e força; imitar aquele que amamos, purificando-nos assim como ele é puro; e obedecer àquele a quem amamos e em quem cremos, em pensamento, palavra e obra. Por consequência, um ramo do adorar a Deus em espírito e em verdade é o guardar os seus mandamentos exteriores. Glorificá-lo, portanto, com o nosso corpo, tanto quanto com o nosso espírito; realizar o trabalho exterior com o coração elevado a ele; fazer da nossa ocupação diária um sacrifício a Deus; comprar e vender, comer e beber, para a sua glória — isto é adorar a Deus em espírito e em verdade, tanto quanto o orar a ele num deserto.

5. Mas, se é assim, então a contemplação é apenas um modo de adorar a Deus em espírito e em verdade. Portanto, entregar-nos inteiramente a ela seria destruir muitos ramos da adoração espiritual, todos igualmente agradáveis a Deus e igualmente proveitosos — não nocivos — à alma. Pois é grande engano supor que a atenção àquelas coisas exteriores para as quais a providência de Deus nos chamou seja algum estorvo para um cristão, ou algum impedimento para ele estar sempre vendo aquele que é invisível. Não amortece de modo algum o ardor do seu pensamento; não sobrecarrega nem distrai a sua mente; não lhe dá cuidado inquieto ou nocivo, a ele que faz tudo como para o Senhor, que aprendeu a fazer tudo, em palavra ou ação, em nome do Senhor Jesus; tendo apenas um olho da alma, que se move ao redor das coisas exteriores, e outro imóvel, fixo em Deus. Aprendam o que isto significa, ó pobres reclusos, para que discirnam claramente a sua própria pequenez de fé; sim, para que não julguem mais os outros por si mesmos, vão e aprendam o que isto significa:

Tu, ó Senhor, em terno amor,

carregas todos os meus fardos;

ergues o meu coração às coisas do alto

e ali o fixas para sempre.

Calmo, sento-me sobre a roda do tumulto;

no meio das multidões atarefadas, a sós;

esperando docemente aos teus pés,

até que toda a tua vontade se cumpra.

6. Mas a grande objeção ainda está por vir. “Apelamos”, dizem eles, “à experiência. A nossa luz brilhou; usamos as coisas exteriores por muitos anos; e, contudo, de nada aproveitaram. Assistíamos a todas as ordenanças, mas não ficávamos melhores por isso; nem, de fato, ninguém mais. Antes, ficávamos piores, pois nos imaginávamos cristãos por fazer isso, quando não sabíamos o que significava o cristianismo.” Admito o fato: admito que você e dez mil outros abusaram assim das ordenanças de Deus, tomando o meio pelo fim, supondo que fazer essas ou outras obras exteriores ou era a religião de Jesus Cristo, ou seria aceito em lugar dela. Mas tire-se o abuso, e permaneça o uso. Agora, use todas as coisas exteriores, mas use-as com o olhar constante posto na renovação da sua alma em justiça e verdadeira santidade.

7. Mas não é tudo: afirmam eles: “A experiência mostra também que tentar fazer o bem é trabalho perdido. De que serve alimentar ou vestir o corpo dos homens, se eles estão a ponto de cair no fogo eterno? E que bem pode alguém fazer às suas almas? Se estas mudam, Deus mesmo o faz. Além disso, todos os homens ou são bons, ao menos desejosos de sê-lo, ou obstinadamente maus. Ora, os primeiros não precisam de nós; peçam ajuda a Deus, e lhes será dada; e os últimos não receberão ajuda alguma de nós. Aliás, o nosso Senhor proíbe ‘lançar as nossas pérolas aos porcos’.” Respondo: (1) Quer venham a perder-se, quer a salvar-se, você está expressamente ordenado a alimentar o faminto e a vestir o nu. Se você pode e não o faz, seja qual for o destino deles, você irá para o fogo eterno. (2) Embora só Deus mude os corações, ele geralmente o faz por meio do homem. Cabe-nos fazer tudo o que está em nós, tão diligentemente como se pudéssemos mudá-los nós mesmos, e então deixar o resultado com ele. (3) Deus, em resposta às orações deles, edifica os seus filhos uns pelos outros em cada bom dom, nutrindo e fortalecendo todo o “corpo por aquilo que cada junta fornece”. De modo que “o olho não pode dizer à mão: não preciso de você”; não, nem mesmo “a cabeça aos pés: não preciso de vocês”. Por fim, como você tem certeza de que as pessoas diante de você são cães ou porcos? Não as julgue, enquanto não tiver tentado. “Como sabes tu, ó homem, se não salvarás teu irmão?” — se não salvarás, sob Deus, a sua alma da morte? Quando ele rejeitar o seu amor e blasfemar da boa palavra, então será tempo de entregá-lo a Deus.

8. “Já tentamos; trabalhamos para reformar pecadores; e de que adiantou? Em muitos não conseguíamos causar impressão alguma. E, se alguns mudavam por um tempo, a sua bondade era como o orvalho da manhã, e logo estavam tão maus, aliás, piores do que nunca; de modo que só prejudicávamos a eles e a nós mesmos, pois a nossa mente ficava agitada e perturbada — talvez cheia de ira em vez de amor. Portanto, teria sido melhor guardar a nossa religião para nós.” É bem possível que também este fato seja verdadeiro: que você tenha tentado fazer o bem e não tenha conseguido; sim, que os que pareciam reformados recaíssem no pecado, e o seu último estado fosse pior do que o primeiro. E que admira? É o servo maior do que o seu senhor? Mas quantas vezes ele se esforçou por salvar pecadores, e eles não quiseram ouvir; ou, quando o haviam seguido por um tempo, voltaram atrás, como o cão ao seu vômito! Mas nem por isso ele desistiu de esforçar-se por fazer o bem: nem você deve, seja qual for o seu êxito. Cabe-lhe fazer o que é ordenado; o resultado está na mão de Deus. Você não é responsável por isso. Deixe-o com aquele que ordena todas as coisas para o bem. “Pela manhã semeia a tua semente, e à tarde não retires a mão, porque não sabes qual prosperará” (Ec 11.6). Mas a tentativa agita e aflige a sua própria alma. Talvez o tenha feito exatamente por esta razão: porque você pensava ser responsável pelo resultado, o que homem nenhum é, nem pode ser; ou talvez porque você estava desprevenido, não vigiava sobre o próprio espírito. Mas isto não é razão para desobedecer a Deus. Tente de novo; mas tente com mais cautela do que antes. Faça o bem (como perdoa) “não sete vezes somente, mas até setenta vezes sete”. Apenas seja mais sábio pela experiência: tente cada vez com mais cuidado do que antes. Humilhe-se mais diante de Deus, esteja mais profundamente convencido de que por si mesmo nada pode. Vigie mais sobre o próprio espírito; seja mais gentil e mais vigilante em oração. Assim “lance o seu pão sobre as águas, e depois de muitos dias o encontrará”.

IV. Aplicação

1. Apesar de todos esses pretextos plausíveis para escondê-la, “assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem o Pai de vocês, que está nos céus”. Esta é a aplicação prática que o próprio Senhor faz das considerações anteriores. “Assim brilhe a luz de vocês”: a sua humildade de coração; a sua gentileza e mansidão de sabedoria; a sua séria e ponderada preocupação com as coisas da eternidade, e a sua tristeza pelos pecados e misérias dos homens; o seu ardente desejo de santidade universal e de plena felicidade em Deus; a sua terna boa vontade para com toda a humanidade e o seu fervoroso amor ao seu supremo Benfeitor. Não procure ocultar essa luz com que Deus iluminou a sua alma; antes, faça-a brilhar diante dos homens, diante de todos com quem você está, em todo o teor da sua conversa. Faça-a brilhar de modo ainda mais eminente nas suas ações, ao fazer todo o bem possível a todos; e no seu sofrer por causa da justiça, enquanto você “se alegra e exulta, sabendo que é grande o seu galardão nos céus”.

2. “Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras”: quão longe deve estar um cristão de algum dia planejar ou desejar ocultar a sua religião! Pelo contrário, seja o seu desejo não ocultá-la, não pôr a luz debaixo do cesto. Seja o seu cuidado colocá-la “no velador, para que alumie a todos os que se encontram na casa”. Apenas tome cuidado para não buscar nisso o seu próprio louvor, para não desejar honra alguma para si mesmo. Antes, seja o seu único alvo que todos os que veem as suas boas obras “glorifiquem o Pai de vocês, que está nos céus”.

3. Seja este o seu único fim último em todas as coisas. Com essa mira, seja franco, aberto, sem disfarce. Seja o seu amor sem fingimento: por que esconderia um amor belo e desinteressado? Não se ache engano na sua boca: sejam as suas palavras o retrato genuíno do seu coração. Não haja escuridão nem reserva na sua conversa, nenhum disfarce no seu comportamento. Deixe isso para os que têm outros desígnios em vista — desígnios que não suportam a luz. Seja você sem artifício e simples para com toda a humanidade, para que todos vejam a graça de Deus que há em você. E, ainda que alguns endureçam o coração, outros reconhecerão que você esteve com Jesus e, voltando-se eles próprios “para o grande Bispo das suas almas, glorificarão o Pai de vocês, que está nos céus”.

4. Com esse único propósito — que os homens glorifiquem a Deus em você —, prossiga em nome dele e no poder da sua força. Não se envergonhe nem mesmo de ficar sozinho, contanto que seja nos caminhos de Deus. Que a luz que há no seu coração brilhe em todas as boas obras, tanto obras de piedade quanto obras de misericórdia. E, para ampliar a sua capacidade de fazer o bem, renuncie a todo supérfluo. Corte todo gasto desnecessário com comida, mobília, roupas. Seja um bom mordomo de cada dom de Deus, mesmo destes seus dons mais humildes. Corte todo gasto desnecessário de tempo, todas as ocupações inúteis; e “tudo quanto a sua mão encontrar para fazer, faça-o conforme as suas forças”. Numa palavra: seja cheio de fé e amor; faça o bem; sofra o mal. E nisto seja “firme, inabalável”; sim, “sempre abundante na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o seu trabalho não é vão”.

Tradução em português atual a partir do original em domínio público (ed. Thomas Jackson, 1872), realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello. Citações bíblicas conforme a NAA. Igreja Metodista Livre do Brasil.

Ver todos os sermões