SERMÃO 45
O novo nascimento
O que é nascer de novo, por que é necessário e para onde conduz.
“Não se admire de eu dizer: vocês precisam nascer de novo.”
(Jo 3.7, NAA)Antes de ler
Wesley considera a justificação e o novo nascimento duas doutrinas fundamentais do cristianismo. Na justificação, Deus realiza uma obra por nós, perdoando nossos pecados. No novo nascimento, realiza uma obra em nós, renovando nossa natureza caída.
Essas duas obras acontecem no mesmo momento, mas não são idênticas. A justificação transforma nosso relacionamento com Deus; a regeneração transforma nosso coração.
Neste sermão, Wesley responde três perguntas: por que precisamos nascer novamente, qual é a natureza do novo nascimento e para que ele é necessário. Ao final, distingue novo nascimento, batismo e santificação.
O batismo é sinal e meio da graça, mas não pode ser usado como desculpa para uma vida sem transformação. A regeneração é a entrada na vida santa; a santificação é o crescimento contínuo até a maturidade em Cristo.
— Bispo Ildo Mello
1. Se algumas doutrinas podem ser corretamente chamadas fundamentais para o cristianismo, certamente são estas duas: a justificação e o novo nascimento.
A justificação se refere à grande obra que Deus realiza por nós, perdoando nossos pecados.
O novo nascimento se refere à grande obra que Deus realiza em nós, renovando nossa natureza caída.
Quanto à ordem no tempo, nenhuma acontece antes da outra.
No momento em que somos justificados pela graça de Deus, mediante a redenção que há em Jesus, também nascemos do Espírito.
Na ordem de nosso pensamento, porém, a justificação vem primeiro. Compreendemos inicialmente que a ira de Deus foi afastada e, depois, que seu Espírito está operando em nosso coração.
2. Portanto, é extremamente importante que todo ser humano compreenda profundamente essas doutrinas fundamentais.
Muitos homens excelentes escreveram amplamente sobre a justificação, explicando seus diferentes aspectos e examinando as passagens bíblicas relacionadas ao assunto.
Muitos também escreveram sobre o novo nascimento.
Alguns escreveram bastante, mas nem sempre com a clareza, a profundidade e a precisão necessárias. Algumas explicações são excessivamente obscuras e complicadas; outras, superficiais.
Ainda necessitamos de uma explicação completa e, ao mesmo tempo, clara, que nos permita responder satisfatoriamente a três perguntas:
I. Por que precisamos nascer de novo? Qual é o fundamento dessa doutrina?
II. Como nascemos de novo? Qual é a natureza do novo nascimento?
III. Para que precisamos nascer de novo? Qual é sua finalidade?
Com a ajuda de Deus, responderei brevemente e acrescentarei algumas conclusões.
I. Por que precisamos nascer de novo?
1. O fundamento da doutrina do novo nascimento é quase tão antigo quanto a criação do mundo.
As Escrituras declaram que o Deus trino disse:
“Façamos o ser humano à nossa imagem, conforme a nossa semelhança.”
(Gn 1.26, NAA)
Deus criou o ser humano à sua imagem.
Essa imagem não era apenas natural: o ser humano como criatura espiritual, dotada de entendimento, vontade e afetos.
Também não era apenas política: o ser humano como governante da criação inferior.
Era, principalmente, a imagem moral de Deus, que, segundo o apóstolo, consiste em justiça e verdadeira santidade (Ef 4.24).
2. Deus é amor. Portanto, o ser humano, ao ser criado, estava cheio de amor.
O amor era o princípio de suas disposições, pensamentos, palavras e ações.
Deus é cheio de justiça, misericórdia e verdade. Assim também era o ser humano ao sair das mãos de seu Criador.
Deus é perfeitamente puro. Da mesma maneira, o ser humano foi criado livre de toda mancha do pecado.
Caso contrário, Deus não poderia ter declarado que ele e todas as demais obras da criação eram muito bons.
Uma criatura inteligente que não ama a Deus e não é justa e santa não pode ser considerada boa e muito menos “muito boa”.
3. Embora tivesse sido criado à imagem de Deus, o ser humano não foi criado imutável.
Isso seria incompatível com a condição de prova em que Deus resolveu colocá-lo.
Foi criado com capacidade para permanecer firme, mas também com possibilidade de cair.
Deus o advertiu solenemente.
Apesar disso, o ser humano não permaneceu na posição de honra. Caiu de sua condição elevada.
Comeu o fruto da árvore da qual Deus havia ordenado que não comesse.
Por esse ato voluntário de desobediência e rebelião, declarou que já não desejava ser governado por Deus.
Queria ser conduzido por sua própria vontade, e não pela vontade do Criador.
Também deixou de buscar a felicidade em Deus e passou a procurá-la no mundo e nas obras das mãos divinas.
4. Deus havia advertido:
“No dia em que dela comer, certamente você morrerá.”
(Gn 2.17, NAA)
A Palavra do Senhor não pode falhar.
Naquele dia, Adão morreu. Morreu para Deus, que é a mais terrível de todas as mortes.
Perdeu a vida divina e foi separado daquele em cuja comunhão consistia sua vida espiritual.
O corpo morre quando é separado da alma. A alma morre quando é separada de Deus.
Essa separação aconteceu na hora em que Adão comeu o fruto proibido.
Seu comportamento demonstrou imediatamente que o amor de Deus havia desaparecido de sua alma.
Em lugar desse amor, surgiu o medo servil, fazendo-o fugir da presença do Senhor.
Perdeu tanto o conhecimento como o amor de Deus e, portanto, perdeu a imagem divina.
Tornou-se profano e infeliz.
No lugar da imagem de Deus, apareceram o orgulho e a vontade própria — a imagem do diabo — e os apetites e desejos sensuais — a imagem dos animais.
5. Alguns dizem que a ameaça de morte se referia somente à morte física.
Mas isso significaria acusar Deus de declarar algo contrário à verdade, pois Adão não morreu fisicamente no mesmo dia em que pecou. Continuou vivendo durante muitos anos.
A ameaça deve, portanto, ser compreendida primeiramente como morte espiritual: a perda da vida e da imagem de Deus.
6. Em Adão, toda a humanidade morreu.
Todos os seus descendentes entram no mundo espiritualmente mortos: mortos para Deus e privados da vida divina.
Nascem sem a justiça e a santidade nas quais Adão foi criado.
Em lugar delas, carregam orgulho e vontade própria, assim como apetites e desejos sensuais.
Esse é o fundamento da necessidade do novo nascimento: a profunda corrupção de nossa natureza.
Porque nascemos no pecado, precisamos nascer novamente.
Todo aquele que nasce de uma mulher precisa também nascer do Espírito de Deus.
II. Qual é a natureza do novo nascimento?
1. Como uma pessoa nasce novamente? Qual é a natureza do novo nascimento?
Essa é uma questão da maior importância possível.
Não devemos nos contentar com uma investigação superficial, mas examiná-la cuidadosamente e refletir até compreendermos com clareza essa verdade.
2. Não devemos esperar uma explicação filosófica minuciosa sobre a maneira como essa obra acontece.
Jesus nos protege contra essa curiosidade ao comparar a atuação do Espírito com o vento.
O vento sopra onde quer. Ouvimos seu som e temos certeza de que está soprando, embora não consigamos explicar completamente de onde vem nem para onde vai.
Assim acontece com todo aquele que nasceu do Espírito (Jo 3.8).
Podemos possuir plena certeza da realidade do novo nascimento, assim como temos certeza do vento.
Entretanto, nem mesmo a pessoa mais sábia pode explicar exatamente como o Espírito Santo realiza essa obra dentro da alma.
3. Para os propósitos da fé e da vida cristã, é suficiente apresentar uma explicação bíblica simples sobre a natureza do novo nascimento.
A expressão “nascer novamente” não foi utilizada pela primeira vez na conversa de Jesus com Nicodemos.
Ela já era conhecida entre os judeus.
Quando um pagão adulto se convencia de que a religião judaica vinha de Deus e desejava unir-se ao povo judeu, era batizado antes de receber a circuncisão.
Depois do batismo, dizia-se que havia nascido novamente, pois aquele que anteriormente estava fora da aliança era recebido na família de Deus.
Nicodemos, sendo mestre em Israel, deveria conhecer esse uso da expressão.
Jesus, porém, empregou-a em um sentido mais profundo.
Nicodemos perguntou como alguém poderia entrar novamente no ventre materno e nascer.
Isso não pode acontecer literalmente, mas pode acontecer espiritualmente.
Uma pessoa pode nascer do alto, nascer de Deus e nascer do Espírito, de uma maneira semelhante ao nascimento natural.
4. Antes de nascer, uma criança possui olhos, mas não enxerga; possui ouvidos, mas não ouve.
Os demais sentidos funcionam de maneira muito limitada.
Ela não possui conhecimento do mundo exterior.
Normalmente, dizemos que a vida começa propriamente quando a criança nasce.
Depois do nascimento, começa a ver a luz e os objetos ao seu redor.
Seus ouvidos se abrem, e ela ouve diferentes sons. Os outros sentidos começam a funcionar em relação aos seus objetos.
A criança também começa a respirar e passa a viver de uma maneira completamente diferente.
5. A comparação com o nascimento espiritual é extremamente clara.
Enquanto alguém permanece apenas em seu estado natural, antes de nascer de Deus, possui olhos espirituais, mas não enxerga. Um véu espesso permanece sobre eles.
Possui ouvidos espirituais, mas não ouve. Está surdo justamente para aquilo que mais precisa escutar.
Os demais sentidos espirituais permanecem fechados.
Consequentemente, não possui verdadeiro conhecimento de Deus nem comunhão com ele.
Não conhece as realidades espirituais e eternas. Embora esteja fisicamente vivo, é espiritualmente morto.
6. Quando nasce de Deus, tudo muda.
Os olhos do entendimento são abertos.
O Deus que ordenou que a luz brilhasse nas trevas ilumina seu coração, e ela contempla a glória do amor divino na face de Jesus Cristo.
Seus ouvidos espirituais também são abertos.
A pessoa torna-se capaz de ouvir interiormente aquilo que Deus comunica ao coração:
“Tenha bom ânimo; seus pecados estão perdoados. Vá e não viva mais no pecado.”
Talvez Deus não utilize exatamente essas palavras, mas esse é o conteúdo de sua comunicação.
7. A pessoa passa a ouvir aquilo que Deus, o verdadeiro Mestre, deseja ensinar.
Sente no coração a poderosa atuação do Espírito Santo.
Isso não significa alguma sensação física ou carnal, como pessoas mal-intencionadas afirmam.
Significa que ela possui consciência interior das graças que o Espírito produz.
Sente a paz que excede todo entendimento.
Muitas vezes experimenta alegria indescritível e cheia de glória.
Sente o amor de Deus derramado no coração pelo Espírito Santo.
Seus sentidos espirituais começam a distinguir o bem e o mal.
Por meio deles, cresce diariamente no conhecimento de Deus, de Jesus Cristo e das realidades do Reino interior.
8. Agora, pode-se dizer corretamente que essa pessoa está viva.
Deus lhe concedeu vida pelo Espírito, e ela vive para Deus por meio de Jesus Cristo.
Possui uma vida desconhecida pelo mundo, escondida com Cristo em Deus.
Deus, por assim dizer, sopra continuamente sobre sua alma, e sua alma respira em direção a Deus.
A graça desce ao coração, e a oração e o louvor sobem ao céu.
Por essa comunhão entre Deus e o ser humano, como uma respiração espiritual, a vida divina é sustentada.
O filho de Deus cresce até alcançar a medida da plenitude de Cristo.
9. Podemos compreender claramente a natureza do novo nascimento.
É a grande transformação realizada por Deus na alma quando a traz à vida e a levanta da morte do pecado para a vida de justiça.
É a transformação produzida em toda a pessoa pelo Espírito todo-poderoso, quando ela é criada novamente em Cristo Jesus e renovada segundo a imagem de Deus, em justiça e verdadeira santidade.
O amor ao mundo é transformado em amor a Deus.
O orgulho transforma-se em humildade.
A ira pecaminosa, em mansidão.
O ódio, a inveja e a maldade, em amor sincero, terno e desinteressado por toda a humanidade.
Em resumo, a mente terrena, sensual e diabólica é transformada na mente que houve em Cristo Jesus.
Assim é todo aquele que nasceu do Espírito.
III. Para que precisamos nascer de novo?
1. Em primeiro lugar, o novo nascimento é necessário para a santidade.
O que é santidade segundo as Escrituras?
Não é apenas religião exterior nem uma sucessão de deveres externos, ainda que numerosos e realizados com exatidão.
A santidade do evangelho é a imagem de Deus gravada no coração.
É a mente que houve em Cristo Jesus e inclui todas as disposições celestiais reunidas.
2. Ela envolve um amor contínuo e agradecido por Deus, que não poupou o próprio Filho.
Esse amor conduz naturalmente ao amor por todos os seres humanos e enche a pessoa de misericórdia, bondade, mansidão e paciência.
É um amor por Deus que nos ensina a viver de maneira irrepreensível e nos capacita a apresentar a alma, o corpo, tudo o que somos e possuímos, nossos pensamentos, palavras e ações, como sacrifício contínuo, aceitável por meio de Jesus Cristo.
Essa santidade não pode existir antes que sejamos renovados no espírito da mente.
Não pode começar enquanto não somos transportados das trevas para a luz e do poder de Satanás para Deus.
Portanto, o novo nascimento é absolutamente necessário para a santidade.
3. Sem santidade, ninguém verá o Senhor em glória.
Consequentemente, o novo nascimento é indispensável para a salvação eterna.
As pessoas podem enganar a si mesmas e imaginar que viverão no pecado até o último suspiro e depois viverão com Deus.
Milhares acreditam ter encontrado um caminho largo que não conduz à destruição.
Perguntam:
“Que perigo pode existir para uma mulher tão inofensiva e virtuosa? Como um homem tão honesto e moral poderia perder o céu, especialmente se participa regularmente da igreja e da Ceia?”
Alguém poderá perguntar:
“Não estarei tão bem quanto meus vizinhos?”
Sim, estará tão bem quanto seus vizinhos que continuam sem santidade e morrem em seus pecados.
Finalmente compreenderão a necessidade da santidade para a glória e, consequentemente, do novo nascimento, pois ninguém pode ser santo sem nascer novamente.
Que Deus permita que reconheçam essa necessidade antes que seja tarde.
4. O novo nascimento também é necessário para a felicidade nesta vida.
É impossível que alguém seja verdadeiramente feliz sem ser santo.
Até um poeta pagão reconheceu: “Nenhuma pessoa má é feliz.”
Todas as disposições pecaminosas produzem sofrimento.
Maldade, ódio, inveja, ciúme e vingança criam um inferno dentro do coração.
Até as afeições mais suaves, quando não permanecem nos limites corretos, produzem muito mais dor do que prazer.
A esperança adiada faz o coração adoecer.
Todo desejo contrário à vontade de Deus pode atravessar a alma com muitos sofrimentos.
Orgulho, vontade própria e idolatria são fontes gerais de pecado e, na mesma proporção, fontes gerais de miséria.
Enquanto essas disposições governarem a alma, não haverá verdadeira felicidade.
E continuarão governando enquanto a inclinação de nossa natureza não for transformada, isto é, enquanto não nascermos novamente.
O novo nascimento é, portanto, necessário tanto para a felicidade presente como para a futura.
IV. Conclusões
1. Em primeiro lugar, o batismo não é o novo nascimento.
Não são exatamente a mesma coisa.
Muitas pessoas parecem imaginar que sejam idênticos, embora nenhuma grande tradição cristã ensine oficialmente dessa maneira.
Os catecismos cristãos distinguem entre o sinal exterior e a graça interior.
O batismo é um sacramento em que a lavagem com água representa e sela a regeneração realizada pelo Espírito.
O batismo é o sinal visível; o novo nascimento é a realidade espiritual representada.
O catecismo da Igreja da Inglaterra declara que um sacramento é sinal exterior e visível de uma graça interior e espiritual.
No batismo, a água é o sinal exterior.
A graça interior representada é morrer para o pecado e nascer para a justiça.
Nada pode ser mais claro: o batismo e o novo nascimento são distintos.
Um é visível; o outro, invisível.
Um envolve água aplicada ao corpo; o outro é uma transformação produzida por Deus na alma.
São tão diferentes como a água e o Espírito Santo ou como o corpo e a alma.
2. Em segundo lugar, assim como o novo nascimento não é a mesma coisa que o batismo, também não acompanha necessariamente todo batismo.
É possível nascer da água sem haver nascido do Espírito.
Pode existir o sinal exterior sem a graça interior.
Não estou discutindo agora a situação das crianças.
Nossa Igreja supõe que aqueles que são batizados na infância recebem naquele momento a graça regeneradora, e todo o ofício do batismo infantil se fundamenta nessa compreensão.
Não constitui objeção dizer que não conseguimos explicar como Deus realiza essa obra nas crianças, pois também não conseguimos explicar plenamente como a realiza nos adultos.
Entretanto, é evidente que nem todos os adultos batizados nascem espiritualmente no momento do batismo.
A árvore é conhecida pelos frutos.
Muitas pessoas que praticavam as obras do diabo antes do batismo continuam praticando as mesmas obras depois.
Permanecem servas do pecado, sem santidade interior ou exterior.
3. Em terceiro lugar, o novo nascimento não é o mesmo que a santificação completa.
Alguns tratam a regeneração como uma obra progressiva, realizada lentamente desde o início da conversão.
Isso é verdade a respeito da santificação, mas não do novo nascimento.
O novo nascimento é parte da santificação, mas não sua totalidade.
É a porta de entrada na santidade.
Quando nascemos novamente, começa nossa santificação, isto é, nosso crescimento em santidade interior e exterior.
A partir desse momento, devemos crescer naquele que é nossa Cabeça.
Uma criança nasce em um momento ou em um período muito curto. Depois, cresce lentamente até atingir a maturidade.
Da mesma maneira, um filho de Deus nasce espiritualmente em pouco tempo, talvez em um momento.
Depois, cresce gradualmente até alcançar a medida da plenitude de Cristo.
A relação entre o novo nascimento e a santificação é semelhante à relação entre o nascimento natural e o crescimento.
4. Finalmente, o que alguém que ama as pessoas e não deseja que nenhuma delas pereça deve dizer a quem vive deliberadamente na embriaguez, na imoralidade, na profanação ou em qualquer outro pecado?
Precisa dizer:
“Você precisa nascer de novo.”
Alguém poderá responder:
“Como você pode falar de maneira tão dura? Essa pessoa já foi batizada. Não pode nascer novamente.”
Se não pode nascer novamente, não pode ser salva.
Mesmo sendo tão idosa quanto Nicodemos, continua verdadeiro que, sem nascer do alto, não poderá ver o Reino de Deus.
Afirmar que alguém não pode nascer novamente significa fechar completamente seu caminho para a salvação.
Eu afirmo que pode nascer de novo e tornar-se herdeiro da vida.
Você afirma que não pode e, consequentemente, que precisa perecer.
Qual das duas posições é realmente cruel?
Talvez o próprio pecador diga:
“Não preciso dessa nova doutrina. Nasci novamente quando fui batizado. Você deseja que eu negue meu batismo?”
Não existe desculpa para mentir. Contudo, o fato de ter sido batizado torna sua vida de pecado ainda mais grave.
Você foi dedicado a Deus e depois entregou sua vida ao pecado?
Foi consagrado ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo e passou a servir às obras do diabo?
Permitiu que orgulho, ira, desejos pecaminosos e amor ao mundo ocupassem uma alma separada para ser habitação de Deus?
Não se orgulhe de ter pertencido a Deus no passado enquanto o nega no presente.
Você já negou seu batismo da maneira mais clara possível.
No batismo, renunciou ao diabo e às suas obras.
Toda vez que volta a praticar essas obras, nega aquilo que professou.
Nega seu batismo por meio de todo pecado voluntário, de toda impureza, embriaguez, vingança, palavra obscena, blasfêmia e injustiça praticada contra o próximo.
Batizado ou não, você precisa nascer novamente.
Sem isso, não poderá possuir santidade interior. E sem santidade interior e exterior, não poderá ser verdadeiramente feliz neste mundo nem no mundo futuro.
Você poderá dizer:
“Mas não faço mal a ninguém. Sou honesto e justo. Não blasfemo, não vivo embriagado, não calunio e não pratico pecado deliberado.”
Seria bom que todas as pessoas chegassem até esse ponto.
Mas você precisa ir além: ainda precisa nascer novamente.
Talvez diga:
“Não apenas evito o mal, mas faço todo o bem que posso.”
Mesmo que isso fosse inteiramente verdadeiro, ainda precisaria nascer novamente.
Nenhuma quantidade de boas obras pode substituir a transformação interior.
Talvez acrescente:
“Participo constantemente da igreja, da oração, da leitura bíblica e da Ceia do Senhor.”
É correto utilizar todos esses meios.
Mas nenhum deles pode ocupar o lugar do novo nascimento.
Você pode frequentar a igreja diariamente, participar da Ceia todas as semanas, fazer muitas orações, ouvir excelentes sermões e ler bons livros.
Ainda assim, precisa nascer novamente.
Se ainda não experimentou essa obra interior de Deus, faça desta a sua oração contínua:
“Senhor, acrescenta esta bênção a todas as outras: permite que eu nasça novamente.
Podes negar-me o que desejares, mas não me negues isto: nascer do alto.
Tira, se for tua vontade, minha reputação, meus bens, meus amigos ou minha saúde; mas concede-me nascer do Espírito e ser recebido entre os teus filhos.
Faz com que eu nasça de uma semente incorruptível, pela tua Palavra viva e permanente.
E, depois de nascer de ti, permite que eu cresça diariamente na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.”
Tradução em português atual a partir do original em domínio público (ed. Thomas Jackson, 1872), realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello. Citações bíblicas conforme a NAA. Igreja Metodista Livre do Brasil.