SERMÃO 49

A cura da maledicência

O método de Jesus em Mateus 18 para vencer o hábito de falar mal dos outros.

Mt 18.15–17, NAA ⏱ 18 min de leituraVida cristã prática

“Se o seu irmão pecar contra você, vá e repreenda-o em particular.”

(Mt 18.15–17, NAA)

Antes de ler

Neste sermão, “maledicência” não significa apenas inventar mentiras ou caluniar. Wesley utiliza o termo para descrever o ato de contar a terceiros uma falta real de alguém que está ausente e não pode apresentar sua versão ou defender-se.

O fato contado pode ser inteiramente verdadeiro e ainda assim sua divulgação ser pecaminosa. A orientação de Jesus é conversar primeiro com a própria pessoa, em particular, com humildade, mansidão e amor.

Somente quando essa conversa não produz resultado devemos procurar uma ou duas pessoas maduras e imparciais. Se nem assim houver arrependimento, a questão poderá ser levada à liderança responsável pela comunidade cristã.

Wesley reconhece uma exceção importante: quando existe risco real de alguém prejudicar outras pessoas e a comunicação é necessária para proteger os inocentes. Mesmo então, devem ser compartilhadas somente as informações indispensáveis com quem realmente pode impedir o mal.

Essa orientação não deve ser usada para silenciar vítimas, ocultar abuso, impedir denúncias de crimes ou evitar que pessoas procurem autoridades e proteção. Situações que envolvam violência, abuso, ameaça, exploração ou risco à integridade exigem comunicação imediata às pessoas e autoridades responsáveis.

— Bispo Ildo Mello

Texto:

1. “Não fale mal de ninguém”, declara o apóstolo.

Esse mandamento é tão claro quanto “Não mate”.

Mas quem, até mesmo entre os cristãos, observa essa ordem?

Na verdade, quantos sequer compreendem seu significado?

O que é falar mal?

Não é, como alguns imaginam, exatamente a mesma coisa que mentir ou caluniar.

Tudo aquilo que alguém diz pode ser tão verdadeiro quanto a própria Bíblia e, apesar disso, ser maledicência.

Falar mal é contar alguma coisa negativa a respeito de uma pessoa ausente.

É relatar algo errado que ela realmente fez ou disse quando não está presente durante a conversa.

Suponha que eu tenha visto alguém embriagado ou ouvido essa pessoa blasfemar. Se conto isso quando ela está ausente, estou falando mal dela.

Isso também pode ser chamado de difamação pelas costas ou de espalhar histórias.

Se o relato é apresentado em tom suave e tranquilo, talvez acompanhado por expressões de boa vontade e pela esperança de que as coisas não sejam tão graves, pode ser chamado de cochicho ou insinuação.

Mas, seja qual for a maneira, o conteúdo permanece essencialmente o mesmo.

Continuamos falando mal quando contamos a outra pessoa a falta de alguém que está ausente e não pode responder por si mesmo.

2. Como esse pecado é comum em todas as classes e condições!

Pessoas de posição elevada ou humilde, ricas ou pobres, sábias ou insensatas, instruídas ou sem instrução caem continuamente nele.

Pessoas que discordam em quase todos os outros assuntos concordam nessa prática.

Quantas conseguem declarar diante de Deus:

“Estou livre nesse assunto. Sempre coloquei guarda diante de minha boca e vigiei a porta dos meus lábios”?

Quantas conversas de certa duração não contêm alguma forma de maledicência?

Isso acontece até entre pessoas que geralmente temem a Deus e desejam realmente conservar a consciência limpa diante dele e dos outros.

3. A própria frequência desse pecado torna mais difícil evitá-lo.

Estamos cercados por ele de todos os lados.

Se não percebermos profundamente seu perigo e não permanecermos continuamente vigilantes, poderemos ser arrastados pela correnteza.

Nesse assunto, quase toda a humanidade parece estar unida contra nós.

O exemplo dos outros nos influencia sem percebermos, até que passamos gradualmente a imitá-los.

Além da pressão exterior, existe também uma inclinação interior.

Quase toda disposição errada da mente humana pode ser satisfeita por meio da maledicência e, consequentemente, inclinar-nos a praticá-la.

O orgulho é satisfeito quando contamos as faltas dos outros das quais imaginamos estar livres.

A ira, o ressentimento e outras disposições contrárias ao amor são alimentados quando falamos contra aqueles com quem estamos aborrecidos.

Em muitos casos, ao contar os pecados do próximo, as pessoas satisfazem os próprios desejos insensatos e prejudiciais.

4. A maledicência torna-se ainda mais difícil de evitar porque frequentemente aparece disfarçada.

Dizemos que falamos por causa de uma indignação nobre, generosa e, talvez, até santa contra pessoas tão perversas.

Cometemos pecado, supostamente, apenas porque odiamos o pecado!

Servimos ao diabo por puro zelo por Deus!

Dizemos que praticamos essa maldade somente para punir os perversos.

Assim, nossas paixões procuram justificar a si mesmas e apresentam o pecado coberto pelo véu da santidade.

5. Não existe um caminho para escaparmos dessa armadilha?

Certamente existe.

Nosso bendito Senhor apresentou um caminho claro para seus seguidores nas palavras do texto.

Nenhuma pessoa que caminhe cuidadosa e firmemente por esse caminho cairá na maledicência.

Essa orientação é prevenção infalível e também cura segura.

Nos versículos anteriores, Jesus havia declarado que o mundo enfrentaria sofrimento por causa dos tropeços.

Tropeços são todas as coisas que afastam alguém dos caminhos de Deus ou dificultam sua caminhada.

Por causa da condição das coisas e da maldade, insensatez e fraqueza humanas, os tropeços aconteceriam.

Mas infeliz seria aquele por meio de quem viessem.

Por isso, se a mão, o pé ou o olho — isto é, o prazer mais querido ou a pessoa mais amada e útil — afastassem alguém do caminho, deveriam ser abandonados.

Mas como podemos evitar causar tropeço aos outros ou tropeçar por causa deles, especialmente quando estão claramente errados e vimos o erro com os próprios olhos?

Jesus ensina o caminho.

Apresenta um método seguro para evitar simultaneamente o tropeço e a maledicência:

Primeiro, converse com a pessoa em particular.

Se ela não ouvir, leve uma ou duas pessoas.

Se ainda assim não ouvir, comunique à igreja.

Se recusar-se a ouvir a igreja, seja tratada como alguém que se colocou fora da comunhão cristã.

I. Converse primeiro com a própria pessoa

1. Primeiro:

“Se o seu irmão pecar contra você, vá e repreenda-o em particular.”

(Mt 18.15, NAA)

A melhor maneira de seguir essa primeira regra, sempre que possível, é fazê-lo literalmente.

Se você viu com os próprios olhos um irmão ou irmã em Cristo cometer um pecado inegável, ou ouviu com os próprios ouvidos de tal maneira que não existe dúvida a respeito do fato, sua responsabilidade está clara.

Aproveite a primeira oportunidade para conversar com essa pessoa.

Quando tiver acesso, mostre-lhe a falta em particular.

Entretanto, tenha grande cuidado para fazer isso com o espírito e da maneira corretos.

O resultado de uma correção depende profundamente do espírito com que é apresentada.

Por isso, ore sinceramente a Deus para falar com humildade, reconhecendo profundamente que somente a graça divina faz qualquer diferença entre você e aquela pessoa.

Se algum bem for realizado por meio da conversa, será o próprio Deus quem o fará.

Ore para que ele guarde seu coração, ilumine sua mente e dirija sua língua às palavras que deseja abençoar.

Fale também com espírito de mansidão, pois a ira humana não produz a justiça de Deus.

Quando alguém é surpreendido em uma falta, somente pode ser restaurado com espírito de mansidão.

Mesmo quando resiste à verdade, somente poderá ser conduzido ao seu conhecimento por meio da bondade.

Fale com amor terno, que muitas águas não conseguem apagar.

Quando o amor não é vencido, vence todas as coisas.

Quem pode medir o poder do amor?

O amor pode dobrar a vontade obstinada, transformar a pedra em carne, suavizar, derreter, penetrar e quebrar até o coração mais endurecido.

Confirme seu amor por essa pessoa. Assim, conforme a imagem bíblica, amontoará brasas sobre sua cabeça, procurando vencer o mal com o bem.

2. A maneira de falar também precisa estar de acordo com o evangelho de Cristo.

Evite qualquer olhar, gesto, palavra ou tom de voz que manifeste orgulho ou autossuficiência.

Evite cuidadosamente uma postura autoritária ou dogmática e qualquer aparência de arrogância ou superioridade.

Cuidado até mesmo com a menor aproximação de desprezo, prepotência ou desdém.

Evite igualmente qualquer aparência de ira.

Mesmo quando falar com grande clareza, não utilize insultos, acusações agressivas ou qualquer calor que não seja o calor do amor.

Acima de tudo, não permita qualquer sombra de ódio, hostilidade, amargura ou aspereza.

Utilize linguagem gentil e bondosa, para que tudo demonstre proceder do amor existente no coração.

Essa mansidão, porém, não impede que você fale com grande seriedade e solenidade.

Sempre que possível, utilize as próprias palavras da Escritura, pois não existem palavras semelhantes a elas.

Fale consciente de estar diante daquele que virá julgar vivos e mortos.

3. Caso não exista oportunidade de falar pessoalmente ou você realmente não consiga acesso à pessoa, poderá falar por meio de um mensageiro.

Escolha um amigo comum em cuja prudência e integridade possa confiar plenamente.

Falando em seu nome, com o espírito e a maneira já descritos, essa pessoa poderá alcançar o mesmo objetivo e, em grande medida, suprir sua ausência.

Entretanto, não invente falta de oportunidade somente para fugir da cruz.

Também não presuma que não conseguirá acesso sem antes tentar.

Sempre que puder conversar pessoalmente, isso será muito melhor.

Ainda assim, é preferível utilizar um intermediário a não fazer coisa alguma.

4. Caso não possa falar pessoalmente nem encontrar um mensageiro confiável, resta escrever.

Existem circunstâncias em que essa pode ser a maneira mais aconselhável.

Isso pode acontecer quando a pessoa possui temperamento tão impulsivo que não suporta facilmente a correção, especialmente quando vem de alguém de posição semelhante ou inferior.

Uma mensagem escrita pode ser introduzida e suavizada de tal maneira que se torne mais tolerável.

Muitas pessoas leem palavras que não conseguiriam ouvir.

A escrita não atinge o orgulho de maneira tão imediata nem parece ferir tão fortemente a honra.

Mesmo que a mensagem produza pouca impressão na primeira leitura, talvez seja lida novamente e, depois de maior reflexão, levada a sério.

Inclua seu nome.

Nesse caso, escrever aproxima-se de conversar pessoalmente.

Isso deve sempre ser feito, a não ser que alguma circunstância muito particular o torne inadequado.

5. Devemos observar cuidadosamente não apenas que Jesus ordena esse passo, mas que ordena que seja o primeiro, antes de qualquer outro.

Não oferece alternativa nem permite outra escolha.

Este é o caminho; devemos andar por ele.

É verdade que, caso seja necessário, Jesus ordena outros dois passos.

Mas eles devem ser tomados sucessivamente, depois do primeiro, nunca antes dele.

Muito menos devemos tomar qualquer passo diferente, antes ou juntamente com aquele que Jesus ordenou.

Fazer outra coisa, ou deixar de fazer esta, é igualmente indesculpável.

6. Não tente justificar um procedimento completamente diferente dizendo:

“Não falei com ninguém enquanto consegui suportar, mas fiquei tão sobrecarregado que precisei desabafar.”

Você estava sobrecarregado!

Isso não é surpreendente, a menos que sua consciência estivesse cauterizada.

Você estava debaixo da culpa de desobedecer a um mandamento claro de Deus.

Deveria ter procurado imediatamente seu irmão ou sua irmã e apresentado a falta em particular.

Como não ficaria sobrecarregado enquanto pisava o mandamento de Deus e alimentava, na prática, falta de amor no coração?

E que maneira encontrou de aliviar o peso!

Deus o repreende por um pecado de omissão — por não apresentar a falta à própria pessoa —, e você procura aliviar a consciência cometendo um pecado de ação: contando a falta dela a outra pessoa.

O alívio comprado pelo pecado custa muito caro.

Espero que Deus não lhe permita encontrar tranquilidade dessa forma, mas que o peso aumente até que procure a própria pessoa e não fale com mais ninguém.

7. Conheço apenas uma exceção a essa regra.

Pode existir uma situação particular em que seja necessário comunicar a culpa de uma pessoa ausente para proteger outra pessoa inocente.

Por exemplo, você conhece um plano contra os bens, a segurança ou a vida de alguém.

As circunstâncias podem ser tais que não exista outro meio de impedir o plano além de informar imediatamente a pessoa ameaçada ou alguém capaz de protegê-la.

Nesse caso, a regra geral precisa ceder diante da necessidade de preservar o inocente.

Torna-se permitido e até obrigatório falar sobre a conduta da pessoa ausente, para impedi-la de prejudicar os outros e também a si mesma.

Lembre-se, porém, de que falar mal possui, em sua própria natureza, o perigo de um veneno mortal.

Caso seja obrigado a utilizá-lo como medicamento, faça isso com temor e cuidado.

É um remédio tão perigoso que somente a necessidade absoluta pode justificar seu uso.

Portanto, utilize-o o menos possível.

Nunca o faça quando essa necessidade não existir.

Mesmo quando existir, diga somente aquilo que for indispensável para alcançar a finalidade de proteção.

Em todas as outras ocasiões, procure a própria pessoa e converse em particular.

II. Leve uma ou duas pessoas

1. Mas o que fazer quando a pessoa não ouvir?

E se retribuir o bem com o mal?

E se ficar furiosa em vez de reconhecer a falta?

E se ouvir, mas continuar praticando o mal?

Devemos esperar que isso aconteça frequentemente.

Até a correção mais mansa e amorosa poderá não produzir resultado.

A bênção que desejávamos para a outra pessoa poderá retornar ao nosso próprio coração.

O que devemos fazer?

Jesus apresentou uma orientação clara:

“Leve ainda com você uma ou duas pessoas.”

(Mt 18.16, NAA)

Esse é o segundo passo.

Escolha uma ou duas pessoas que possuam espírito amoroso e amem a Deus e ao próximo.

Precisam ser humildes e revestidas de humildade.

Devem também ser mansas, gentis, pacientes e perseverantes, não inclinadas a retribuir mal por mal ou insulto por insulto, mas a responder com bênção.

Escolha pessoas de entendimento, dotadas da sabedoria que vem do alto.

Também devem ser imparciais, livres de preferências pessoais e de preconceitos.

É importante que sejam conhecidas da pessoa que será procurada e que seu caráter seja respeitado por ela.

Sempre que possível, escolha pessoas que sejam bem recebidas por ela.

2. O amor indicará a maneira como devem proceder segundo a natureza de cada situação.

Não é possível estabelecer uma única forma para todos os casos.

Em geral, porém, antes de entrarem diretamente no assunto, poderão explicar com mansidão e carinho que não sentem ira ou preconceito.

Devem deixar claro que vieram somente por boa vontade e amor e que essa é a única razão pela qual se envolveram na situação.

Para tornar isso ainda mais evidente, poderão ouvir tranquilamente a repetição da conversa anterior e aquilo que a pessoa apresentou em sua defesa, antes de chegarem a qualquer conclusão.

Depois disso, estarão em melhores condições de decidir como agir, para que, pela palavra de duas ou três testemunhas, a questão seja confirmada.

Assim, aquilo que você disse anteriormente poderá receber o peso adicional da autoridade delas.

3. Para alcançar esse objetivo, poderão:

Primeiro, repetir brevemente aquilo que você disse e a resposta recebida.

Segundo, desenvolver, explicar e confirmar as razões apresentadas.

Terceiro, fortalecer a correção, demonstrando como era justa, bondosa e oportuna.

Finalmente, reforçar os conselhos e apelos que a acompanharam.

Caso seja necessário posteriormente, também poderão testemunhar aquilo que foi dito durante a conversa.

4. Tanto nessa orientação como na anterior, Jesus não apresenta alternativas.

Ordena que façamos isso, e não outra coisa no lugar.

Também indica quando devemos fazê-lo: nem antes nem depois, mas após o primeiro passo e antes do terceiro.

Somente nesse momento temos autorização para contar o erro a pessoas que desejamos envolver nessa grande demonstração de amor fraternal.

Tenhamos cuidado para não relatá-lo a qualquer outra pessoa antes que os dois primeiros passos tenham sido realizados.

Caso deixemos de praticá-los ou adotemos outros caminhos, não é surpreendente que a consciência continue sobrecarregada.

Pecamos contra Deus e contra o próximo.

Por mais bonita que seja a justificativa apresentada, se ainda possuímos consciência, nosso pecado nos encontrará e colocará peso sobre nossa alma.

III. Comunique à igreja

1. Para nos instruir plenamente nesse assunto importante, Jesus apresenta outra orientação:

“Se ele se recusar a ouvir essas pessoas, comunique à igreja.”

(Mt 18.17, NAA)

Esse é o terceiro passo.

A questão é determinar o significado de “igreja” nessa passagem.

A própria natureza do caso responde além de qualquer dúvida razoável.

Não é possível apresentar o assunto à igreja nacional, a todo o conjunto de pessoas chamado Igreja da Inglaterra.

Mesmo que fosse possível, isso não alcançaria finalidade cristã alguma.

Também não significa apresentar a questão a todas as pessoas da Inglaterra com quem possuímos alguma ligação religiosa.

Isso igualmente não produziria bom resultado.

Não seria proveitoso apresentar as faltas de cada membro a toda a congregação ou sociedade reunida em Londres.

Resta, portanto, comunicá-las ao presbítero ou aos presbíteros da igreja: aos responsáveis pelo rebanho de Cristo ao qual ambos pertencem e que cuidam das almas, conscientes de que prestarão contas.

Sempre que for conveniente, isso deve acontecer na presença da pessoa envolvida.

A questão deve ser apresentada com clareza, mas também com toda a ternura e o amor permitidos pela situação.

Pertence propriamente ao ofício dessas lideranças avaliar a conduta daqueles que estão sob seu cuidado e repreender com a autoridade correspondente à gravidade da falta.

Quando você fizer isso, terá realizado tudo aquilo que a Palavra de Deus e a lei do amor exigem.

Já não participará do pecado da pessoa. Caso ela persista até a destruição, a responsabilidade estará sobre ela.

2. Observemos também que este, e nenhum outro, é o terceiro passo.

Deve ser realizado em sua ordem, depois dos dois anteriores — nunca antes do segundo e muito menos antes do primeiro —, exceto em circunstâncias realmente especiais.

Em determinado caso, o segundo passo poderá coincidir com o terceiro.

Os presbíteros ou responsáveis pela igreja podem possuir relacionamento tão próximo com a pessoa que substituam a necessidade de procurar uma ou duas testemunhas adicionais.

Nesse caso, poderá ser suficiente comunicar diretamente a eles depois de ter conversado pessoalmente e em particular com quem praticou a falta.

3. Depois de realizar esses passos, você libertou sua própria alma da responsabilidade.

Caso a pessoa não ouça a igreja e continue em seu pecado, deve ser tratada como alguém que se colocou fora da comunhão cristã.

Você não precisa continuar ocupando continuamente a mente com ela, a não ser para recomendá-la a Deus em oração.

Não precisa continuar falando sobre a situação, mas pode deixá-la diante de seu Senhor.

Ainda lhe deve, como deve a todas as pessoas, boa vontade sincera e amorosa.

Deve tratá-la com respeito e prestar-lhe, sempre que houver oportunidade, os serviços comuns da humanidade.

Mas não mantenha intimidade ou comunhão espiritual como se nada tivesse acontecido.

4. Mas, se essa é a regra pela qual os cristãos devem caminhar, onde vivem as pessoas que realmente a observam?

Talvez encontremos aqui e ali algumas pessoas que fazem questão de praticá-la.

Mas como são poucas e como estão espalhadas sobre a terra!

Existe algum grupo no qual todos caminhem segundo essa orientação?

Podemos encontrá-lo na Europa?

Ou, sem irmos tão longe, na Grã-Bretanha ou na Irlanda?

Temo que não.

Poderíamos procurar por todo o território e procurar inutilmente.

Que tristeza para o mundo chamado cristão!

Que tristeza para os protestantes e para os cristãos reformados!

Quem se levantará contra essa maldade?

Quem tomará a posição de Deus contra a maledicência?

Será você?

Pela graça de Deus, recusará ser arrastado pela correnteza?

Está decidido, com o auxílio de Deus, a colocar a partir desta hora guarda contínua diante de sua boca e vigiar a porta dos lábios?

A partir deste momento, caminhará pela regra de não falar mal de ninguém?

Caso veja um irmão praticar o mal, apresentará a falta pessoalmente e em particular?

Depois, se necessário, levará uma ou duas pessoas e somente então comunicará à igreja?

Caso esse seja realmente o propósito de seu coração, aprenda também esta lição:

Não ouça ninguém falar mal de outra pessoa.

Se não existissem ouvintes, também não existiriam pessoas dispostas a espalhar o mal.

O receptor não é tão culpado quanto o ladrão?

Se alguém começar a falar mal diante de você, interrompa imediatamente.

Recuse-se a ouvir a voz de quem procura encantá-lo, ainda que fale de maneira suave e agradável.

Talvez utilize tom bondoso e faça muitas declarações de boa vontade a respeito da pessoa que está ferindo pelas costas.

Recuse-se firmemente a ouvir, mesmo quando afirmar:

“Estou muito sobrecarregado e preciso falar.”

Sobrecarregado?

Então procure aliviar o peso pelo caminho ordenado pelo Senhor.

Primeiro, converse pessoalmente e em particular com aquele que praticou a falta.

Depois, leve uma ou duas pessoas que sejam amigas comuns.

Se nenhum dos dois passos produzir resultado, comunique à liderança da igreja.

Mas, pelo bem de sua alma, não conte a qualquer outra pessoa, nem antes nem depois, exceto quando isso for absolutamente necessário para proteger o inocente.

Por que colocar peso sobre outra pessoa, tornando-a participante de seu pecado?

5. Como seria desejável que todos vocês que carregam a reprovação de Cristo e são chamados de “metodistas” como forma de ridículo apresentassem ao mundo cristão um exemplo, pelo menos nesse assunto!

Eliminem a maledicência, a divulgação de histórias e os cochichos.

Não permitam que essas coisas saiam de sua boca.

Não falem mal de ninguém.

A respeito dos ausentes, falem somente aquilo que for bom.

Caso sejam distinguidos dos demais, que esta seja uma marca de um metodista:

Ele não censura ninguém pelas costas. Por esse fruto poderá ser reconhecido.

Que efeito bendito essa renúncia produziria rapidamente em nosso coração!

Nossa paz correria como um rio enquanto procurássemos viver em paz com todas as pessoas.

O amor de Deus cresceria em nossa alma enquanto confirmássemos nosso amor pelos irmãos.

Que efeito isso produziria sobre todos os que estão unidos no nome do Senhor Jesus!

Como o amor fraternal aumentaria quando esse grande obstáculo fosse removido!

Todos os membros do corpo de Cristo cuidariam naturalmente uns dos outros.

Quando um membro sofresse, todos sofreriam juntamente com ele.

Quando um fosse honrado, todos se alegrariam.

Cada pessoa amaria o irmão com coração puro e intenso.

E isso não é tudo.

Que efeito poderia produzir até sobre o mundo desatento!

As pessoas perceberiam em nós algo que não encontram em milhares de outros e talvez declarassem:

“Vejam como esses cristãos amam uns aos outros!”

Por meio desse amor, Deus poderia convencer o mundo e prepará-lo para seu Reino.

Foi isso que Jesus pediu em sua oração solene: que todos os que cressem nele fossem um, para que o mundo reconhecesse que o Pai o havia enviado (Jo 17.21).

Que o Senhor apresse esse tempo!

Que nos capacite a amar uns aos outros não apenas de palavra ou de boca, mas por ações e em verdade, assim como Cristo nos amou.

Tradução em português atual a partir do original em domínio público (ed. Thomas Jackson, 1872), realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello. Citações bíblicas conforme a NAA. Igreja Metodista Livre do Brasil.

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