SERMÃO 97
Sobre a obediência aos pastores
“Obedeçam aos seus líderes e sejam submissos a eles” — o caminho bíblico entre a obediência cega e a rebeldia diante dos pastores.
“Obedeçam aos seus líderes e sejam submissos a eles, pois zelam pela alma de vocês, como quem deve prestar contas. Que eles possam fazer isto com alegria e não gemendo; do contrário, isso não trará proveito nenhum para vocês.”
(Hb 13.17, NAA)Antes de ler
Neste sermão, John Wesley procura estabelecer um caminho intermediário entre dois extremos. De um lado, rejeita a obediência cega e irrestrita às autoridades religiosas. Nenhum pastor possui o direito de exigir fé implícita, controlar a consciência ou ordenar aquilo que Deus proíbe. De outro lado, Wesley também rejeita a ideia de que os pastores sejam apenas empregados da congregação, sem verdadeira responsabilidade ou autoridade espiritual.
A submissão descrita por Wesley aplica-se aos pastores que foram livremente aceitos como guias espirituais e que realmente alimentam o povo com a Palavra, corrigem com fidelidade, ensinam a santidade e cuidam das pessoas como quem prestará contas a Deus. Mesmo nesse caso, sua autoridade limita-se às questões que não foram ordenadas nem proibidas pelas Escrituras.
Nenhuma parte deste sermão deve ser utilizada para justificar abuso espiritual, manipulação, coerção, encobrimento de crimes, controle indevido da vida pessoal ou obediência a ordens injustas. O próprio Wesley afirma que devemos obedecer a Deus antes das pessoas e que cada cristão deve julgar responsavelmente quem aceitará como guia de sua alma.
— Bispo Ildo Mello
1. Pouquíssimas pessoas, não apenas entre os cristãos nominais, mas também entre aquelas que são verdadeiramente religiosas, possuem uma compreensão clara da importante doutrina apresentada aqui pelo apóstolo.
Muitas quase nunca pensam nela e mal sabem que existe semelhante orientação na Bíblia.
Mesmo entre as pessoas que sabem que ela existe e imaginam estar obedecendo-lhe, a maioria não a compreende corretamente. Inclina-se excessivamente para a direita ou para a esquerda, caindo num dos dois extremos.
É bem conhecido o exagero ao qual os membros da Igreja de Roma geralmente conduzem essa orientação.
Muitos acreditam que devem aceitar implicitamente as doutrinas ensinadas por seus líderes e obedecer sem questionamento a todas as ordens recebidas.
Vários homens importantes da Igreja da Inglaterra também insistiram em coisa pouco diferente disso.
Por outro lado, os protestantes em geral tendem a correr para o extremo oposto, não reconhecendo autoridade alguma nos pastores e transformando-os em criaturas e empregados das congregações.
Muitos membros de nossa própria Igreja concordam com eles, supondo que os pastores dependam inteiramente do povo e que a congregação possua o direito de dirigir seus ministros, assim como de escolhê-los.
2. Não seria possível encontrar um meio-termo entre esses extremos?
Existe alguma necessidade de cairmos num ou no outro?
Caso deixemos de lado as leis humanas e prestemos atenção somente aos oráculos de Deus, certamente poderemos descobrir um caminho intermediário nessa importante questão.
Para isso, examinemos cuidadosamente as palavras do apóstolo e consideremos:
I. Quem são as pessoas mencionadas no texto, aquelas que nos guiam;
II. Quem são aqueles aos quais o apóstolo ordena que lhes obedeçam e sejam submissos;
III. Qual é o significado dessa orientação e em que sentido devem obedecer e ser submissos.
Depois, procurarei realizar uma aplicação apropriada de todo o assunto.
1. Consideremos, primeiramente, quem são as pessoas mencionadas no texto.
Não penso que as palavras do apóstolo estejam traduzidas da maneira mais apropriada quando se diz: “aqueles que governam vocês”, pois essa tradução torna a frase quase uma repetição inútil.
Caso governem vocês, certamente vocês já são governados por eles. Assim, estariam sendo orientados apenas a fazer aquilo que já fazem: obedecer àqueles aos quais obedecem.
A palavra grega, porém, pode significar “guiar”, assim como “governar”. Esse parece ser seu sentido aqui.
Aplicada aos nossos guias espirituais, a orientação torna-se clara e apropriada.
2. Essa interpretação parece ser confirmada pelo versículo sete, que determina o significado da expressão:
“Lembrem-se dos seus líderes, os quais pregaram a palavra de Deus a vocês” (Hebreus 13.7).
A segunda parte da frase demonstra quem eram as pessoas mencionadas na primeira.
Aqueles que os guiavam eram os mesmos que lhes haviam anunciado a Palavra de Deus. Eram seus pastores, aqueles que guiavam e alimentavam aquela parte do rebanho de Cristo.
3. Por quem esses guias devem ser nomeados? O que precisam fazer para possuírem direito à obediência aqui prescrita?
Volumes e mais volumes foram escritos sobre a difícil questão de quem deve nomear os guias das almas.
Não pretendo entrar na discussão sobre o governo da Igreja nem debater se a união entre Igreja e Estado é vantajosa ou prejudicial à verdadeira religião, como tem acontecido desde a época de Constantino em grande parte do mundo no qual o cristianismo foi recebido.
Deixando de lado essas questões, que poderão ocupar aqueles que possuem muito tempo disponível, refiro-me como “aqueles que guiam vocês” às pessoas que fazem isso, se não por sua escolha direta, pelo menos com seu consentimento; aqueles que vocês aceitam voluntariamente como guias no caminho para o céu.
4. Mas o que se supõe que essas pessoas façam para possuírem direito à obediência aqui prescrita?
Devem caminhar diante do rebanho, como fazem até hoje os pastores orientais, guiando-o por todos os caminhos da verdade e da santidade.
Devem alimentá-lo com as palavras da vida eterna e com o puro leite da Palavra.
Devem aplicar continuamente as Escrituras:
Para o ensino, instruindo o povo em todas as doutrinas essenciais nelas contidas;
Para a repreensão, advertindo-o quando se desvia do caminho para a direita ou para a esquerda;
Para a correção, mostrando como consertar aquilo que está errado e guiando-o novamente ao caminho da paz;
Para a educação na justiça, formando-o na santidade interior e exterior, até que alcance a maturidade e a medida da plenitude de Cristo.
5. Eles devem “zelar pela alma de vocês, como quem deve prestar contas”.
“Como quem deve prestar contas!”
Como essas palavras são indescritivelmente solenes e assustadoras!
Que Deus as escreva no coração de cada guia de almas!
Eles vigiam, permanecendo despertos enquanto outros dormem, sobre o rebanho de Cristo; sobre as almas que ele comprou por alto preço e adquiriu com o próprio sangue.
Carregam essas pessoas no coração durante o dia e durante a noite, considerando seu cuidado mais importante do que o sono ou a alimentação.
Mesmo quando dormem, seu coração permanece desperto, cheio de preocupação pelos filhos amados.
Vigiam com profundo empenho, seriedade ininterrupta, cuidado incansável, paciência e diligência, como pessoas que estão prestes a prestar contas de cada alma àquele que está à porta, o Juiz dos vivos e dos mortos.
1. Consideremos, em segundo lugar, quem são aqueles aos quais o apóstolo ordena que obedeçam aos seus guias.
Para determinar isso com clareza e segurança, não apelaremos para instituições humanas, mas, como na questão anterior, para a decisão encontrada nos oráculos de Deus.
Na realidade, quase não precisamos avançar além do próprio texto.
Antes, porém, poderá ser apropriado remover algumas opiniões populares que são aceitas em quase todos os lugares sem que possam ser provadas.
2. Supõe-se geralmente, em primeiro lugar, que o apóstolo esteja orientando os moradores de uma paróquia a obedecer e submeter-se ao ministro paroquial.
Alguém pode apresentar a menor prova disso nas Escrituras?
Onde está escrito que somos obrigados a obedecer a um ministro simplesmente porque moramos na região chamada de sua paróquia?
“Mas”, alguém responde, “devemos nos submeter a toda instituição humana por causa do Senhor.”
Isso é verdade nas coisas indiferentes. A escolha de um guia para minha alma, porém, está muito longe de ser indiferente.
Não me atrevo a receber como guia para o céu alguém que esteja caminhando pela estrada do inferno.
Não ouso tomar por pastor um lobo que nem sequer possui pele de ovelha; alguém conhecido por sua linguagem profana, embriaguez ou desrespeito aberto ao dia do Senhor.
Infelizmente, havia muitos ministros paroquiais dessa espécie nos dias de Wesley.
3. “Mas você não é propriamente membro da congregação à qual seus pais pertencem?”
Não compreendo que seja necessariamente assim. Não conheço passagem bíblica que me obrigue a isso.
Devo toda consideração às orientações de meus pais e obedeço voluntariamente a eles em tudo aquilo que é legítimo.
Não é legítimo, porém, chamá-los de “mestres” da consciência, crendo ou obedecendo-lhes de maneira implícita.
Cada pessoa prestará contas de si mesma a Deus.
Portanto, cada pessoa precisa julgar por si mesma, especialmente numa questão de tão profunda importância quanto a escolha de um guia para sua alma.
4. Podemos resolver a questão rapidamente voltando às próprias palavras do texto.
Todos os que se uniram voluntariamente a um pastor que corresponde à descrição apresentada; que verdadeiramente zela por sua alma como quem prestará contas; que os alimenta com as palavras da vida eterna; que lhes oferece o puro leite da Palavra e o aplica constantemente para ensino, repreensão, correção e educação na justiça; todos aqueles que encontraram e escolheram guias com esse caráter, espírito e comportamento são, sem dúvida, orientados pelo apóstolo a obedecer-lhes e a ser submissos.
1. Resta considerar o significado dessa orientação.
Em que sentido e até que ponto o apóstolo ordena que os cristãos obedeçam e sejam submissos aos seus guias espirituais?
Caso prestemos atenção ao sentido próprio das duas palavras utilizadas pelo apóstolo, perceberemos que a primeira se relaciona ao entendimento, enquanto a segunda se relaciona à vontade e ao comportamento exterior.
Comecemos pela primeira.
Que influência nossos guias espirituais devem possuir sobre nosso entendimento?
Não podemos chamar nossos pais espirituais de mestres absolutos mais do que poderíamos conceder esse título aos nossos pais terrenos.
Não podemos entregar fé implícita a uns nem a outros.
Nesse sentido, somente um é nosso Mestre ou Professor, aquele que está no céu.
Entretanto, podemos e devemos oferecer aos nossos guias toda submissão do entendimento que não alcance o nível da obediência cega.
2. Tiago utiliza uma palavra quase relacionada à primeira destas:
“A sabedoria lá do alto” é aberta à razão ou “tratável” (Tiago 3.17).
Caso devamos demonstrar essa sabedoria diante de todas as pessoas, devemos possuí-la num grau ainda mais elevado e manifestá-la em todas as oportunidades diante daqueles que zelam por nossa alma.
Em relação a eles, mais do que a quaisquer outras pessoas, devemos estar dispostos a ouvir, sendo facilmente convencidos da verdade e persuadidos a realizar aquilo que não seja pecaminoso.
3. Paulo utiliza frequentemente uma palavra de significado semelhante, traduzida algumas vezes por “amável” ou “gentil”.
Talvez pudesse ser traduzida por “flexível” ou “disposta a ceder”: pronta para abrir mão da própria vontade em tudo aquilo que não seja questão de dever.
Todo verdadeiro cristão possui essa disposição amável e a demonstra em seus relacionamentos com todas as pessoas.
Deve demonstrá-la de maneira especial diante daqueles que zelam por sua alma.
Não apenas está disposto a receber suas instruções e ser convencido de alguma verdade que anteriormente desconhecia; não apenas permanece aberto aos seus conselhos e recebe com alegria advertências e repreensões; mas também está pronto a abrir mão da própria vontade sempre que puder fazê-lo com a consciência limpa.
Aquilo que os guias desejam que faça, ele faz, caso não seja proibido pela Palavra de Deus.
Aquilo que desejam que evite, ele evita, caso não seja ordenado pela Palavra de Deus.
Isso está incluído nas palavras do apóstolo: “Sejam submissos.”
Cedam e abram mão da própria vontade.
Isso é adequado, correto e constitui dever obrigatório, caso eles realmente zelem pela alma de vocês como pessoas que prestarão contas.
Caso lhes obedeçam e sejam submissos, prestarão contas de vocês com alegria, e não gemendo.
Ainda que estivessem livres da culpa pelo sangue de vocês, o sofrimento deles não lhes traria proveito. Seria, antes, um prenúncio do juízo eterno.
4. Como foi agradável a Deus um exemplo de obediência semelhante a essa!
Encontramos um relato detalhado no capítulo 35 de Jeremias.
A palavra do Senhor veio a Jeremias, ordenando-lhe que fosse à casa dos recabitas e lhes oferecesse vinho.
Jeremias reuniu os chefes das famílias, colocou diante deles recipientes cheios e disse que bebessem.
Eles responderam:
“Não beberemos vinho, porque Jonadabe, filho de Recabe, nosso antepassado, nos ordenou que nem nós nem nossos descendentes bebêssemos vinho” (Jeremias 35.6).
Não conhecemos a razão específica pela qual Jonadabe transmitiu essa orientação aos seus descendentes.
Como ela não envolvia pecado, eles demonstraram forte gratidão ao grande benfeitor de sua família mediante a obediência.
5. É certo que os cristãos devem aos que zelam por sua alma gratidão e obediência pelo menos tão grandes quanto aquelas que os recabitas deviam a Jonadabe.
Não podemos duvidar de que Deus se agrada de nossa obediência aos guias espirituais tanto quanto se agradou da obediência deles ao antepassado.
Caso tenha recebido favoravelmente a gratidão daquele povo ao benfeitor temporal, não temos razão para acreditar que recebe igualmente a gratidão e a obediência dos cristãos àqueles por meio dos quais receberam bênçãos muito maiores?
6. Poderá ser útil considerar novamente em quais situações os cristãos devem obedecer e ser submissos àqueles que zelam por sua alma.
As coisas que eles orientam pertencem necessariamente a uma destas categorias:
São ordenadas por Deus;
São proibidas por Deus;
Ou são indiferentes, não tendo sido determinadas de uma maneira ou de outra pelas Escrituras.
Nas coisas proibidas por Deus, não podemos obedecer-lhes, pois devemos obedecer a Deus antes que às pessoas.
Nas coisas ordenadas por Deus, não obedecemos propriamente ao pastor, mas ao Pai comum de todos.
Portanto, se devemos obedecer aos pastores em algum sentido particular, isso acontece nas coisas indiferentes.
O resumo é este: o cristão possui o dever de obedecer ao seu pastor espiritual, fazendo ou deixando de fazer alguma coisa de natureza indiferente, que não tenha sido determinada pela Palavra de Deus.
7. Como isso é pouco compreendido no mundo protestante, pelo menos na Inglaterra e na Irlanda!
Quem existe, mesmo entre aqueles considerados bons cristãos, que imagina haver semelhante dever?
Apesar disso, poucos mandamentos do Antigo ou do Novo Testamento são mais expressos.
As palavras não poderiam ser mais claras, e a orientação não poderia ser mais direta.
Certamente, ninguém que recebe as Escrituras como Palavra de Deus poderá viver na violação habitual desse mandamento e ainda afirmar que é inocente.
Semelhante desobediência deliberada ou descuidada entristece o Espírito Santo.
Ela impede que a graça de Deus produza plenamente seu efeito no coração.
Não é improvável que essa desobediência seja uma das causas da frieza de muitas pessoas e uma razão pela qual não recebem as bênçãos que procuram com alguma sinceridade.
8. Resta somente apresentar uma breve aplicação.
Você que lê estas palavras aplica-as a si mesmo?
Examina o próprio comportamento por meio delas?
Não estaria impedindo seu crescimento na graça, talvez não por desobediência deliberada, mas pela falta de atenção a esse mandamento e por não considerar sua importância?
Nesse caso, está privando a si mesmo de muitas bênçãos que poderia desfrutar.
Ou possui disposição melhor e espírito mais excelente?
É sua firme decisão e seu esforço constante obedecer àqueles que o guiam no Senhor e submeter-se aos pais espirituais tão alegremente quanto aos pais terrenos?
Você pergunta:
“Em que devo submeter-me?”
A resposta já foi apresentada: não naquilo que Deus ordenou, nem naquilo que proibiu, mas nas coisas indiferentes, que não foram determinadas de uma maneira ou de outra pelos oráculos divinos.
É verdade que, em algumas situações, isso não poderá ser feito sem considerável negação de si mesmo, quando o aconselharem a evitar alguma coisa agradável à natureza humana.
Em outras situações, não poderá obedecer sem tomar a própria cruz e suportar algum sofrimento ou inconveniente.
A declaração de nosso Senhor aplica-se aqui, assim como em milhares de outras situações:
“Se alguém quer vir após mim, negue a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me” (Lucas 9.23).
Isso não o assustará, caso tenha decidido ser não apenas quase, mas inteiramente cristão; caso esteja determinado a combater o bom combate da fé e apoderar-se da vida eterna.
9. Desejo agora dirigir-me de maneira mais específica àqueles que me pedem que zele por sua alma.
Vocês consideram dever de consciência obedecer-me por causa do meu Mestre?
Submetem-se a mim nas coisas indiferentes, não determinadas pela Palavra de Deus; em todas as coisas que não são ordenadas nem proibidas pelas Escrituras?
Estão dispostos a ouvir, tanto as pessoas em geral quanto a mim em particular?
Estão dispostos a ser convencidos de alguma verdade, por mais contrária que seja aos seus antigos preconceitos?
Estão dispostos a ser persuadidos, a meu pedido, a praticar ou deixar de praticar alguma coisa indiferente?
Não podem deixar de perceber que tudo isso está claramente contido nas palavras do texto.
Também não podem deixar de reconhecer que é altamente razoável agirem assim, caso eu empregue todo o meu tempo, meus bens e minhas forças físicas e espirituais não procurando honra ou prazer pessoal, mas promovendo a salvação presente e eterna de vocês; caso eu verdadeiramente zele pela alma de vocês como quem precisa prestar contas.
10. Vocês receberam meus conselhos a respeito do vestuário?
Publiquei esses conselhos mais de trinta anos atrás e os repeti inúmeras vezes desde então.
Aconselhei-os a não se conformarem com o mundo nessa questão, a deixarem de lado os adornos desnecessários, evitarem gastos inúteis e servirem de exemplo de simplicidade a todos ao redor.
Receberam esse conselho?
Todos vocês, homens e mulheres, jovens e idosos, ricos e pobres, abandonaram os adornos desnecessários contra os quais falei particularmente?
São exemplos de simplicidade no vestuário?
Caso ainda se vistam exatamente como a maioria das pessoas da mesma posição social e econômica, declaram publicamente que não desejam obedecer àqueles que os guiam no Senhor.
Declaram que não desejam ser submissos.
Muitos carregam o pecado abertamente, endurecendo o coração contra a instrução e a convicção.
Fortalecem uns aos outros nessa resistência, especialmente aqueles que antes estavam convencidos, mas abafaram a própria consciência.
Incentivam uns aos outros a fechar os ouvidos para a verdade e os olhos para a luz, a fim de não perceberem que estão lutando contra Deus e contra a própria alma.
Caso eu fosse agora chamado a prestar contas de vocês, faria isso gemendo, e não com alegria.
Certamente, isso não lhes traria proveito. A perda cairia sobre a própria cabeça de vocês.
11. Digo tudo isso supondo, embora não devêssemos fazer semelhante suposição, que a Bíblia permanecesse em silêncio sobre o vestuário e deixasse a questão inteiramente à decisão pessoal.
Mesmo que todos os outros textos permanecessem em silêncio, este seria suficiente:
“Sejam submissos àqueles que guiam vocês no Senhor.”
Coloco essa obrigação sobre a consciência de vocês diante de Deus.
Ainda que fosse somente por obediência a essa orientação, vocês não poderiam estar com a consciência limpa enquanto não abandonassem os adornos desnecessários, desafiando a moda, essa tirana das pessoas insensatas, e buscassem ser adornados principalmente pelas boas obras próprias daqueles que professam a piedade.
12. Talvez digam:
“Isso é apenas uma coisa pequena, uma questão insignificante.”
Respondo: caso realmente seja, vocês são ainda mais indesculpáveis diante de Deus e das pessoas.
Desobedecerão a um mandamento claro de Deus por causa de uma coisa insignificante?
Deus os livre!
Pecar contra Deus e desprezar sua autoridade é questão pequena?
Lembrem-se de que não poderá existir pecado pequeno enquanto não existir um Deus pequeno.
Estejam certos de uma coisa: quanto mais conscientemente obedecerem aos guias espirituais, mais poderosamente Deus aplicará ao coração a palavra que eles falam em seu nome.
Mais abundantemente regará aquilo que é anunciado com o orvalho de sua bênção.
E mais provas vocês terão de que não são apenas eles que falam, mas o Espírito do Pai que fala por meio deles.
Tradução em português atual a partir do original em domínio público (ed. Thomas Jackson, 1872), realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello. Citações bíblicas conforme a NAA. Igreja Metodista Livre do Brasil.