SERMÃO 98

Sobre visitar os enfermos

“Estive enfermo, e me visitaram” — as obras de misericórdia como verdadeiros meios da graça.

Mt 25.36, NAA ⏱ 18 min de leituraVida cristã prática

“Eu estava […] enfermo, e me visitaram.”

(Mt 25.36, NAA)

Antes de ler

Neste sermão, Wesley apresenta as obras de misericórdia como verdadeiros meios da graça. A oração, a leitura bíblica, a Ceia do Senhor e o jejum são canais pelos quais Deus fortalece seu povo, mas não são os únicos. Visitar, ouvir, alimentar, consolar e servir pessoas que sofrem também são práticas por meio das quais Deus transforma tanto aquele que recebe ajuda quanto aquele que a oferece.

Para Wesley, “visitar os enfermos” inclui todas as pessoas que passam por sofrimento físico ou emocional. A visita pessoal não deve ser reduzida ao envio de dinheiro ou à contratação de profissionais. Entretanto, suas orientações precisam ser aplicadas atualmente com prudência: respeitando a vontade e a privacidade da pessoa, as normas médicas, o controle de infecções e os limites de segurança. O cuidado espiritual não substitui assistência médica, psicológica ou social.

As conversas religiosas com pessoas vulneráveis devem ser realizadas com respeito, sensibilidade e consentimento, sem pressão, medo ou exploração de sua fragilidade. O ponto central do sermão é a presença compassiva: aproximar-se da pessoa que sofre, conhecer suas necessidades reais e servi-la com humildade.

— Bispo Ildo Mello

Texto:

1. Supõe-se geralmente que as expressões “meios da graça” e “ordenanças de Deus” tenham o mesmo significado.

Por meios da graça, normalmente compreendemos aquilo que costuma ser chamado de obras de piedade: ouvir e ler as Escrituras, participar da Ceia do Senhor, realizar oração pública e particular e jejuar.

É certo que esses são os canais comuns pelos quais a graça de Deus é comunicada à alma humana.

Mas seriam os únicos meios da graça?

Não existem outros meios pelos quais Deus frequentemente, e até normalmente, comunica sua graça àqueles que o amam ou temem?

Certamente existem obras de misericórdia, assim como obras de piedade, que são verdadeiros meios da graça.

Elas são especialmente meios da graça para aqueles que as praticam com os olhos voltados unicamente para Deus.

Aqueles que as negligenciam deixam de receber a graça que poderiam receber.

Sim, mediante a negligência contínua, chegam a perder a graça que já haviam recebido.

Não seria essa a razão pela qual muitos que anteriormente eram fortes na fé agora estão fracos e desanimados?

Eles não percebem a origem dessa fraqueza, pois não negligenciam nenhuma das ordenanças de Deus.

Poderiam, porém, compreender sua condição caso considerassem seriamente a descrição de Paulo sobre todos os verdadeiros crentes:

“Somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Efésios 2.10).

2. Andar nessas boas obras é essencial tanto para conservarmos a fé pela qual já fomos salvos pela graça quanto para alcançarmos a salvação eterna.

Não podemos duvidar disso caso consideremos seriamente as palavras do próprio grande Juiz.

Ele dirá aos que estiverem à sua direita que recebam o Reino preparado desde a fundação do mundo, porque alimentaram quem tinha fome, deram de beber a quem tinha sede, hospedaram o estrangeiro, vestiram quem estava sem roupa, visitaram os enfermos e foram ao encontro dos presos (Mateus 25.34-36).

E declara que tudo aquilo que fizeram a um dos menores de seus irmãos foi feito a ele.

Caso isso não os convença de que a perseverança nas obras de misericórdia é necessária à salvação, considerem aquilo que o Juiz diz aos que estiverem à esquerda.

Eles serão afastados da presença de Deus porque deixaram de alimentar, acolher, vestir e visitar os necessitados.

Aquilo que deixaram de fazer a um dos menores foi deixado de fazer ao próprio Cristo.

Por causa dessa negligência, irão para o castigo eterno.

3. Não é estranho que essa importante verdade seja tão pouco compreendida ou, pelo menos, exerça tão pouca influência na conduta daqueles que temem a Deus?

Suponham que essa descrição seja verdadeira e que o Juiz de toda a terra fale corretamente.

Somente aqueles que, de acordo com suas possibilidades e oportunidades, alimentam os famintos, dão de beber aos sedentos, vestem aqueles que estão sem roupa, ajudam os estrangeiros e visitam os enfermos e os presos herdarão o Reino eterno.

Aqueles que não fazem isso caminham em direção ao juízo.

4. No momento, desejo limitar meu discurso a um desses aspectos: visitar os enfermos.

Esse é um dever claro que todos os que possuem saúde podem praticar em grau maior ou menor.

Apesar disso, ele é quase universalmente negligenciado, até mesmo por aqueles que professam amar a Deus.

A respeito desse assunto, perguntarei:

I. O que está incluído em visitar os enfermos;

II. Como esse dever deve ser realizado;

III. Por quem deve ser realizado.

1. Pela palavra “enfermos”, não me refiro apenas àqueles que permanecem na cama ou estão doentes no sentido mais rigoroso.

Incluo todos aqueles que se encontram em alguma condição de sofrimento, seja da mente, seja do corpo; sejam pessoas boas ou más; temam ou não a Deus.

2. “Mas é necessário visitá-las pessoalmente? Não poderíamos ajudá-las à distância? Não produz o mesmo resultado enviar auxílio ou levá-lo pessoalmente?”

Muitas pessoas encontram-se em circunstâncias que realmente as impedem de acompanhar os enfermos pessoalmente.

Quando esse é verdadeiramente o caso, é suficiente enviarem ajuda, pois esse é o único recurso ao seu alcance.

Isso, porém, não é propriamente visitar o enfermo. É outra coisa.

A palavra traduzida por “visitar”, em seu sentido literal, significa “olhar” ou “ver pessoalmente”.

Sabemos que isso não pode acontecer sem que estejamos presentes.

Enviar auxílio é, portanto, completamente diferente de visitar.

A primeira coisa deve ser feita, mas a segunda não deve ser deixada de lado.

“Mas envio um médico aos enfermos, e ele pode ajudá-los mais do que eu.”

Pode ajudá-los mais num aspecto: em relação à saúde física.

Não pode necessariamente ajudá-los mais em relação à alma, questão de importância infinitamente maior.

Mesmo que pudesse, isso não o dispensaria. A visita dele não cumpriria seu dever.

Também não produziria em você o mesmo bem que receberia caso visse a situação com os próprios olhos.

Caso não vá, perde um meio da graça.

Perde um excelente meio de aumentar sua gratidão a Deus, que o preserva de dores e enfermidades e conserva sua saúde e suas forças.

Também perde a oportunidade de aumentar sua compaixão pelos aflitos, sua benevolência e todas as suas afeições sociais.

3. Uma das principais razões pelas quais os ricos em geral possuem tão pouca compaixão pelos pobres é visitá-los raramente.

Por isso, segundo a observação comum, uma parte do mundo não sabe aquilo que a outra sofre.

Muitos não sabem porque não desejam saber.

Conservam-se distantes de qualquer oportunidade de conhecer o sofrimento e depois utilizam a ignorância voluntária como desculpa para a dureza de coração.

“Na verdade, senhor”, disse uma pessoa de grandes recursos, “sou muito compassivo. Mas, para dizer a verdade, não conheço ninguém no mundo que esteja passando necessidade.”

Como isso aconteceu?

Ele tomou grande cuidado para manter-se distante dos necessitados.

E, caso encontrasse algum por acaso, passava para o outro lado.

4. Como o espírito e a conduta de algumas pessoas da mais alta posição numa nação vizinha eram diferentes!

Em Paris, senhoras da mais elevada classe social e até integrantes da família real visitavam regularmente os enfermos, especialmente os pacientes do grande hospital.

Não apenas cuidavam para que suas necessidades fossem atendidas, caso precisassem de alguma coisa além daquilo que lhes era oferecido, mas também permaneciam ao lado de suas camas e prestavam-lhes serviços considerados humildes.

Eis um exemplo para os ingleses, sejam pobres ou ricos, pessoas comuns ou honradas!

Durante muitos anos, copiamos abundantemente as insensatezes dos franceses. Copiemos, pelo menos uma vez, sua sabedoria e sua virtude, dignas de imitação por todo o mundo cristão.

Que as mulheres de posição social elevada na Inglaterra não sintam vergonha de imitar aquelas integrantes da família real.

Essa é uma moda que honra a natureza humana.

Começou na França, mas Deus não permita que termine ali!

5. Caso sua sensibilidade não lhe permita imitar essas mulheres verdadeiramente honradas, prestando pessoalmente os serviços mais humildes aos enfermos, você poderá pelo menos suprir aquilo de que necessitam.

Poderá também oferecer auxílio de espécie mais excelente, atendendo às necessidades espirituais.

Caso necessitem de instrução, poderá explicar-lhes os princípios fundamentais da religião.

Poderá ajudá-los a reconhecer a gravidade do pecado e apontar-lhes o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.

Além dessa instrução geral, terá abundantes oportunidades de consolar aqueles que enfrentam dor física ou aflição emocional; fortalecer os desanimados; despertar os que estão cansados e enfraquecidos; edificar aqueles que creem e incentivá-los a avançar para a perfeição.

Essas coisas precisam ser realizadas pessoalmente. Não podem ser feitas por procuração.

Mesmo que outra pessoa pudesse oferecer o mesmo alívio ao enfermo, você não receberia o mesmo benefício.

Não cresceria da mesma maneira em humildade, paciência, ternura de espírito e compaixão pelos aflitos.

Também não receberia a mesma recompensa na ressurreição dos justos, quando cada pessoa receberá segundo o próprio trabalho.

1. Perguntemos, em segundo lugar, como devemos visitar os enfermos.

De que maneira esse trabalho de amor poderá ser realizado com maior eficácia?

Como poderemos fazê-lo para a maior glória de Deus e o maior benefício do próximo?

Antes de iniciar o trabalho, você deve estar profundamente convencido de que não possui capacidade suficiente em si mesmo.

Não possui graça nem compreensão suficientes para realizá-lo da maneira mais excelente.

Isso o convencerá da necessidade de procurar força naquele que é Forte e sabedoria no Pai das Luzes, Doador de toda boa dádiva.

Lembre-se de que existe um Espírito que concede sabedoria e de que a inspiração do Todo-Poderoso produz entendimento.

Sempre que estiver prestes a iniciar essa obra, procure a ajuda de Deus mediante oração sincera.

Clame por verdadeiro espírito de humildade, para que o orgulho não se introduza em seu coração e, enquanto procura salvar os outros, destrua a própria alma.

Antes, durante e depois do trabalho, espere em Deus para receber continuamente mansidão, gentileza, paciência e perseverança.

Não fique irado nem desanimado, independentemente da maneira como for tratado, seja com bondade ou aspereza.

Não se perturbe com a profunda ignorância de algumas pessoas, a lentidão de outras ou sua dificuldade de compreender.

Não fique surpreso com sua irritação ou resistência, nem com a ausência de resultados depois de todos os esforços realizados.

Não se desespere nem mesmo quando algumas voltarem atrás e se tornarem piores do que eram anteriormente.

Seu testemunho permanece diante do Senhor, e sua recompensa está com o Altíssimo.

2. Quanto ao método específico de cuidar dos enfermos, não é necessário prender-se a uma única forma.

Você poderá modificar continuamente sua maneira de proceder segundo as diferentes circunstâncias.

Normalmente, porém, será apropriado começar perguntando sobre sua condição exterior.

Verifique se possuem as necessidades da vida, alimento e roupas suficientes.

Caso o tempo esteja frio, descubra se possuem meios de aquecimento.

Pergunte se recebem o acompanhamento necessário e se possuem orientação apropriada para a enfermidade, especialmente quando existe perigo.

Em algumas dessas questões, você mesmo poderá ajudá-los.

Também poderá mobilizar pessoas que possuem mais recursos para suprirem aquilo que você não consegue oferecer.

Talvez seja apropriado dizer a respeito de si mesmo: “Tenho vergonha de pedir para mim.”

Nunca, porém, tenha vergonha de pedir em favor dos pobres.

Nesse caso, seja insistente. Não aceite facilmente uma recusa.

Utilize toda sua habilidade, compreensão e influência, confiando ao mesmo tempo naquele que possui o coração de todas as pessoas em suas mãos.

3. Depois, você perceberá facilmente se existe algum serviço que possa realizar com as próprias mãos.

É verdade que muitas coisas necessárias poderão ser realizadas melhor por aqueles que já estão próximos do enfermo.

Em algumas, porém, você poderá possuir maior habilidade ou experiência.

Nesse caso, não permita que o desejo de preservar sua dignidade impeça o serviço.

Lembre-se das palavras de Cristo:

“Sempre que o fizeram a um destes meus pequeninos irmãos, foi a mim que o fizeram” (Mateus 25.40).

Não considere serviço algum humilde demais quando é feito para ele.

Alegre-se em assumir uma posição humilde por amor de Cristo!

4. Esses pequenos trabalhos de amor prepararão o caminho para questões mais importantes.

Depois de demonstrar que se preocupa com o corpo, poderá perguntar a respeito da alma.

Aqui existe um vasto campo diante de você e oportunidade para utilizar todos os talentos recebidos de Deus.

Talvez possa começar perguntando:

“Você já considerou que Deus governa o mundo, que sua providência está sobre todas as coisas e também sobre você?

Alguma coisa acontece sem seu conhecimento?

Ele não pode utilizar até mesmo este sofrimento para produzir algum bem?

Conhece todas as suas dores e necessidades e cada circunstância específica de sua aflição.”

Depois, poderá perguntar se a pessoa conhece os princípios gerais da religião.

Com amor e gentileza, procure entender se sua vida tem correspondido a esses princípios.

Verifique se conhece alguma coisa do poder da religião, da adoração a Deus em espírito e em verdade.

Caso não conheça, explique que sem santidade ninguém verá o Senhor e que é necessário nascer de novo para entrar no Reino de Deus.

Quando começar a compreender a natureza da santidade e a necessidade do novo nascimento, apresente-lhe o arrependimento diante de Deus e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo.

5. Quando perceber que alguma pessoa começa a temer a Deus, poderá oferecer-lhe, um após outro, pequenos textos simples e apropriados.

Na visita seguinte, pergunte o que leu, de que se recorda e o que compreendeu.

Então será o momento de reforçar aquilo que entendeu e procurar gravá-lo no coração.

Conclua cada encontro com oração.

Caso ainda não consiga orar espontaneamente, poderá utilizar uma oração escrita por algum autor piedoso.

Quanto mais cedo, porém, vencer essa dificuldade, melhor.

Peça a Deus, e ele abrirá sua boca.

6. Juntamente com as lições mais importantes que procura transmitir às pessoas necessitadas que visita, seria um ato de amor ensinar-lhes duas coisas a respeito das quais muitas possuem pouco conhecimento: dedicação ao trabalho e cuidado com a limpeza.

Um homem piedoso afirmou:

“A limpeza está próxima da piedade.”

A falta dela poderá causar escândalo e levar o caminho da verdade a ser difamado.

Sem dedicação ao trabalho, não estamos preparados nem para este mundo nem para o mundo futuro.

Em relação às duas coisas, vale a orientação:

“Tudo o que vier às suas mãos para fazer, faça-o conforme as suas forças” (Eclesiastes 9.10).

1. O terceiro ponto a ser considerado é: por quem esse dever deve ser realizado?

A resposta está pronta: por todos aqueles que desejam herdar o Reino do Pai, preparado desde a fundação do mundo.

Assim diz o Senhor:

“Venham, benditos […] porque estive enfermo, e vocês me visitaram.”

Aos que estiverem à esquerda, dirá:

“Afastem-se de mim […] porque estive enfermo, e vocês não me visitaram.”

Isso não significa claramente que aqueles que praticam esse dever são chamados benditos e herdarão o Reino, enquanto aqueles que o negligenciam colocam-se debaixo do juízo?

2. Portanto, todos os que desejam escapar do castigo eterno e herdar o Reino eterno estão igualmente envolvidos nesse importante dever, de acordo com suas possibilidades.

Ele pertence aos jovens e idosos, ricos e pobres, homens e mulheres, segundo a capacidade de cada pessoa.

Ninguém é jovem demais, caso deseje salvar a própria alma, para ser dispensado de ajudar o próximo.

Ninguém é pobre demais, exceto quando lhe faltam as próprias necessidades da vida, para deixar de fazer alguma coisa, maior ou menor, durante o tempo disponível, em favor do alívio e do consolo daqueles que sofrem.

3. Aqueles que são ricos neste mundo, possuindo mais do que as conveniências da vida, são especialmente chamados por Deus a esse bendito trabalho e conduzidos a ele por sua providência.

Como não precisam empregar todo o tempo trabalhando pelo próprio sustento, podem separar parte dele diariamente para esse trabalho de amor.

Caso seja possível, será muito melhor estabelecer um horário determinado, pois aquilo que fica para qualquer hora frequentemente não acontece em hora alguma.

Não utilizem esse período para outros negócios, a não ser diante de necessidade urgente.

Sua posição social também lhes oferece uma vantagem particular.

As pessoas de condição inferior poderão olhar para vocês com respeito.

A disposição de aproximarem-se delas e visitá-las produzirá confiança e as inclinará a ouvir com atenção aquilo que disserem.

Utilizem essa abertura da melhor maneira possível para benefício tanto da alma quanto do corpo.

Enquanto forem olhos para os cegos, pés para os que possuem dificuldade de locomoção, companheiros das viúvas e protetores dos órfãos, conservem um objetivo ainda mais elevado: ajudar a salvar almas da morte.

Procurem fazer com que tudo aquilo que dizem e realizam contribua para essa grande finalidade.

4. “Mas os próprios pobres possuem alguma participação nesse assunto? Estão envolvidos no dever de visitar os enfermos? O que poderão oferecer aos outros caso mal possuam as conveniências ou até as necessidades da vida?”

Mesmo que não possuam recursos, não precisam ser inteiramente excluídos da bênção ligada à prática desse dever.

Podem lembrar-se desta excelente regra:

“Que nossas conveniências cedam diante das necessidades do próximo e nossas necessidades cedam diante de sua situação extrema.”

Pouquíssimas pessoas são tão pobres que não possam algumas vezes oferecer uma pequena contribuição.

Caso não possuam dinheiro, não poderão oferecer alguma coisa ainda mais valiosa do que ouro e prata?

Caso falem em nome de Jesus Cristo de Nazaré, suas palavras não poderão produzir saúde para a alma?

Você não possui coisa alguma para oferecer?

Ao comunicar a graça de Deus, oferece algo mais valioso do que todo este mundo.

Prossiga, pobre discípulo de um Mestre pobre!

Faça aquilo que ele realizou nos dias de sua vida terrena.

Sempre que possuir oportunidade, ande fazendo o bem e ajudando aqueles que estão oprimidos pelo diabo, incentivando-os a abandonar suas correntes e correr imediatamente para aquele:

Que liberta os prisioneiros E rompe as correntes de ferro.

Acima de tudo, ofereça suas orações.

Ore com eles e por eles.

Quem sabe se, por esse meio, você não ajudará a conservar viva sua alma?

5. Vocês que são idosos e se aproximam do final da caminhada não poderão realizar um pouco mais de bem antes de partirem e já não serem vistos?

Lembrem-se:

É tempo de realmente viver quando envelhecemos, De aproveitar o melhor da pequena vida restante E administrar sabiamente a última oportunidade.

Como viveram muitos anos, espera-se que tenham adquirido algum conhecimento útil aos outros.

Certamente possuem maior conhecimento das pessoas, geralmente adquirido por meio de experiências difíceis.

Com as forças que ainda possuem, empreguem os poucos momentos disponíveis no serviço daqueles que são mais fracos.

Os cabelos brancos lhes concederão autoridade e darão maior peso às suas palavras.

Poderão dizer, para aumentar a atenção:

“Acredite em mim, jovem, pois conheço os sofrimentos e carrego o peso de mais de sessenta anos.”

Vocês próprios enfrentaram sofrimentos muitas vezes e talvez ainda os enfrentem.

Por isso mesmo, ofereçam toda a ajuda possível à alma e ao corpo daqueles que sofrem, antes que eles e vocês partam para o lugar do qual não retornarão.

6. Por outro lado, vocês que são jovens possuem diversas vantagens quase exclusivas.

Geralmente possuem energia e vivacidade que, pela graça de Deus, os tornam dispostos e capazes de realizar muitas boas obras diante das quais outras pessoas ficariam desanimadas.

Possuem saúde e força física, sendo especialmente preparados para ajudar os enfermos e aqueles que não possuem forças.

Podem assumir e carregar as dificuldades que provavelmente aparecerão no caminho.

Empreguem, portanto, todo o vigor do corpo e da mente no serviço dos irmãos aflitos.

Agradeçam a Deus porque possuem forças para utilizar num serviço tão honroso, semelhante ao dos servos celestiais que realizam a vontade divina e servem aos herdeiros da salvação.

7. “As mulheres não podem participar desse honroso serviço da mesma maneira que os homens?”

Sem dúvida podem. Mais do que isso: devem participar. Isso é correto e constitui dever delas.

Nesse aspecto, não existe diferença, pois em Cristo Jesus não existe homem nem mulher com maior valor espiritual.

Durante muito tempo, muitos aceitaram como princípio que “as mulheres devem apenas ser vistas, e não ouvidas”.

De acordo com isso, muitas foram educadas como se tivessem sido criadas apenas para servir de objetos agradáveis.

Isso honra as mulheres ou lhes demonstra verdadeira bondade?

Não. É profunda injustiça e cruel desumanidade.

Não compreendo como alguma mulher sensata e corajosa poderia submeter-se a isso.

Todas vocês que possuem condições de fazê-lo devem exercer os direitos concedidos pelo Deus da natureza.

Não permaneçam debaixo dessa condição indigna.

Vocês, assim como os homens, são criaturas racionais.

Foram igualmente criadas à imagem de Deus e são igualmente chamadas à imortalidade.

Também foram chamadas por Deus a fazer o bem a todas as pessoas enquanto possuem oportunidade.

Não sejam desobedientes ao chamado celestial.

Sempre que surgir oportunidade, realizem todo o bem possível, especialmente em favor do próximo pobre e enfermo.

Cada uma receberá sua recompensa segundo o próprio trabalho.

8. É bem conhecido que, na Igreja antiga, existiam mulheres especialmente designadas para esse trabalho.

Havia uma ou mais em cada congregação cristã.

Eram chamadas diaconisas, isto é, servas da Igreja e de seu grande Mestre.

Assim era Febe, mencionada por Paulo como serva da igreja em Cencreia (Romanos 16.1).

É verdade que muitas eram mulheres mais velhas e experientes na obra de Deus.

As jovens, porém, estavam inteiramente excluídas desse serviço?

Não. Também não precisam estar atualmente, desde que saibam em quem creem e demonstrem a santidade do coração por uma conduta santa.

Miranda, personagem apresentada pelo senhor Law, seria exemplo dessa diaconisa caso correspondesse plenamente à descrição.

Alguém apresentaria objeção ao fato de ela visitar e ajudar os enfermos e pobres simplesmente porque era mulher e ainda jovem?

Algumas de vocês que são jovens desejam seguir seus passos?

Possuem aparência agradável e maneira amável de conversar?

Isso poderá ser ainda melhor, caso estejam inteiramente consagradas a Deus.

Quando seus olhos estiverem voltados somente para ele, Deus poderá utilizar essas qualidades para fazer com que suas palavras alcancem mais profundamente o coração.

Enquanto servem aos outros, quantas bênçãos poderão retornar ao próprio coração!

Sua inclinação para a superficialidade poderá ser destruída; o apego às coisas insignificantes, curado; suas disposições erradas, corrigidas; e os maus hábitos, enfraquecidos até serem arrancados.

Assim estarão preparadas para adornar a doutrina de Deus, nosso Salvador, em todas as futuras situações da vida.

Apenas ajam com prudência em todos os relacionamentos, preservando limites saudáveis e evitando envolvimentos que desviem o coração da finalidade do serviço.

9. Portanto, visto ser esse um dever ao qual todos somos chamados — ricos e pobres, jovens e idosos, homens e mulheres — e visto que seria bom os pais educarem os filhos nessa prática, assim como os ensinam a orar e participar do culto, basta o tempo passado, durante o qual quase todos nós negligenciamos esse dever como se tivéssemos concordado em fazê-lo.

Como cada um de nós necessita dizer:

“Senhor, perdoa meus pecados de omissão!”

Em nome de Deus, comecemos a partir de hoje.

Nunca permitam que isto saia da mente: esse é um dever que não pode ser realizado por procuração, exceto quando sua própria dor, enfermidade ou limitação realmente o impedir.

Somente nesse caso será suficiente enviar o auxílio que você mesmo levaria.

Comecem, meus queridos irmãos, comecem agora!

Caso contrário, a impressão que sentem neste momento desaparecerá e talvez nunca retorne.

Qual será então a consequência?

Em vez de ouvirem:

“Venham, benditos, porque estive enfermo, e vocês me visitaram”,

ouvirão:

“Afastem-se de mim, porque estive enfermo, e vocês não me visitaram.”

Tradução em português atual a partir do original em domínio público (ed. Thomas Jackson, 1872), realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello. Citações bíblicas conforme a NAA. Igreja Metodista Livre do Brasil.

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