SERMÃO 99

A recompensa dos justos

“Venham, benditos de meu Pai, herdem o Reino” — pregado diante da Sociedade Humanitária; a recompensa dos que, pela fé, serviram a Cristo nos que sofrem.

Mt 25.34, NAA ⏱ 17 min de leituraMorte, juízo e eternidade

“Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Venham, benditos de meu Pai! Venham herdar o Reino que está preparado para vocês desde a fundação do mundo.’”

(Mt 25.34, NAA)

Antes de ler

Este sermão foi pregado diante da Sociedade Humanitária de Londres, instituição fundada no século XVIII para divulgar formas de socorrer pessoas retiradas da água sem sinais aparentes de vida e incentivar aqueles que tentassem salvá-las. Não se tratava de uma organização de proteção animal, sentido atualmente associado ao nome “Sociedade Humanitária” em alguns países.

Os dados, conceitos médicos e métodos de atendimento mencionados pertencem ao século XVIII e não constituem orientações atuais de primeiros socorros. Em situações de emergência, devem ser acionados imediatamente os serviços especializados e seguidos os protocolos contemporâneos.

O sermão também contém um trecho histórico sobre pessoas que haviam chegado a uma situação extrema de desespero. Esse trecho é traduzido de forma resumida e não gráfica. O argumento central de Wesley é que preservar uma vida oferece uma nova oportunidade para que a pessoa receba cuidado, reencontre esperança, volte-se para Deus e retome seus relacionamentos e responsabilidades.

Teologicamente, Wesley sustenta que somos salvos pela graça mediante a fé, mas insiste que a fé verdadeira atua pelo amor e produz boas obras. As obras não compram a salvação, mas constituem frutos necessários da fé viva e serão consideradas no juízo.

— Bispo Ildo Mello

Texto:

1. A própria razão convence todo pesquisador imparcial de que Deus recompensa aqueles que o buscam diligentemente.

Ela o ensina a dizer:

“Certamente há recompensa para o justo; certamente existe um Deus que julga na terra” (Salmo 58.11).

Como são poucas, porém, as informações que recebemos da razão sem auxílio a respeito dos detalhes contidos nessa verdade geral!

Os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e naturalmente não poderia entrar em nosso coração a compreensão das circunstâncias daquele dia solene no qual Deus julgará o mundo.

Informação dessa espécie somente poderia ser oferecida pelo próprio grande Juiz.

Como é surpreendente a condescendência do Criador, Governador, Senhor e Juiz de todos, que se dignou a apresentar-nos relato tão claro e detalhado daquele acontecimento solene!

Os pagãos instruídos reconheciam a grandeza do relato de Moisés sobre a criação.

O que teriam dito caso tivessem ouvido a descrição do Filho do Homem vindo em sua glória?

Aqui não existe ornamentação elaborada nem ostentação de palavras. Isso não seria apropriado nem ao Orador nem à ocasião.

Existe, porém, indescritível grandeza de pensamento.

Vejam-no vindo nas nuvens do céu, acompanhado de todos os anjos!

Vejam-no assentado no trono de sua glória, com todas as nações reunidas diante dele!

Ele as separará, colocando os bons à direita e os maus à esquerda.

“Então o Rei dirá.”

Como é apropriada a mudança de expressão!

O “Filho do Homem” desce para julgar os filhos dos seres humanos.

O “Rei” distribui recompensas e punições aos súditos obedientes ou rebeldes:

“Venham, benditos de meu Pai! Venham herdar o Reino que está preparado para vocês desde a fundação do mundo.”

2. “Preparado para vocês desde a fundação do mundo.”

Isso concorda com a suposição comum de que Deus tenha criado os seres humanos apenas para ocuparem os lugares deixados pelos anjos rebeldes?

Não parece, antes, indicar que Deus teria criado a humanidade mesmo que os anjos nunca tivessem caído?

Ele preparou o Reino para seus filhos humanos quando lançou os fundamentos da terra.

3. “Venham herdar o Reino”, como herdeiros de Deus e coerdeiros com seu Filho amado.

Esse direito é oferecido porque Cristo adquiriu redenção eterna para aqueles que lhe obedecem.

E vocês lhe obedeceram durante os dias de sua vida terrena.

Creram no Pai e também no Filho.

Amaram o Senhor, seu Deus, e esse amor os constrangeu a amar toda a humanidade.

Permaneceram na fé que atua pelo amor e demonstraram sua fé por meio das obras.

Cristo declara que teve fome e foi alimentado; teve sede e recebeu água; era estrangeiro e foi acolhido; estava sem roupa e foi vestido; estava enfermo e preso e foi visitado.

4. Em que sentido devemos compreender a pergunta seguinte?

“Senhor, quando foi que vimos o senhor com fome e lhe demos de comer? Ou com sede e lhe demos de beber?” (Mateus 25.37).

Ela não pode ser compreendida de maneira estritamente literal, como se os justos ignorassem completamente que Deus havia agido por meio deles.

Não é evidente que as palavras devam ser recebidas figuradamente?

Aquilo que realizaram lhes parecerá pequeno e quase desaparecerá diante da grandeza de tudo aquilo que Deus, seu Salvador, fez e sofreu por eles.

5. O Rei responderá:

“Em verdade lhes digo que, sempre que o fizeram a um destes meus pequeninos irmãos, foi a mim que o fizeram” (Mateus 25.40).

Que declaração!

Ela é digna de ser lembrada eternamente.

Que o dedo do Deus vivo a escreva em todos os nossos corações!

A partir dessas palavras, desejo:

I. Apresentar algumas reflexões sobre as boas obras em geral;

II. Considerar particularmente a instituição para cuja promoção estamos reunidos;

III. Fazer uma breve aplicação.

1. Apresentarei, primeiramente, algumas reflexões a respeito das boas obras em geral.

Não ignoro que muitas pessoas, até mesmo sérias, desconfiam de tudo aquilo que se fala sobre esse assunto.

Quando alguém insiste fortemente na necessidade das boas obras, imediatamente concluem que essa pessoa está a apenas um passo do catolicismo romano.

Por medo dessa ou de qualquer outra acusação, deveríamos deixar de falar a verdade como ela se encontra em Jesus?

Deveríamos, por alguma consideração, deixar de anunciar todo o conselho de Deus?

Não.

Caso até mesmo um falso profeta pudesse declarar:

“Não posso ultrapassar a palavra do Senhor para falar mais ou menos”,

quanto mais os ministros de Cristo devem permanecer dentro dos limites da Palavra!

2. Não é lamentável que algumas pessoas que temem a Deus desejem que falemos de outra maneira?

E que, por falarem de maneira equivocada, façam com que o caminho da verdade seja difamado?

Refiro-me especialmente ao caminho da salvação pela fé, que por esse motivo é desprezado e até rejeitado por muitas pessoas inteligentes.

Havia mais de quarenta anos que a grande doutrina bíblica — “pela graça vocês são salvos, mediante a fé” — começara a ser anunciada abertamente por alguns ministros da Igreja da Inglaterra.

Pouco depois, algumas pessoas ouviram essa doutrina sem compreendê-la e tentaram pregá-la.

Deturparam-na profundamente, torcendo as Escrituras e anulando a lei por meio da fé.

3. Para exaltarem o valor da fé, algumas depreciaram completamente as boas obras.

Falaram sobre elas não apenas como se não fossem necessárias à salvação, mas como se constituíssem grande obstáculo.

Apresentaram-nas como mais perigosas do que as próprias obras más para aqueles que procuravam salvar a alma.

Um deles declarou:

“Mais pessoas vão para o inferno por orar do que por roubar.”

Outro gritava:

“Abandone suas obras! Acabe com suas obras, ou não poderá aproximar-se de Cristo!”

E essa declaração contrária às Escrituras, à razão e à verdadeira religião era chamada de pregação do evangelho!

4. O Juiz de toda a terra não falará corretamente, assim como age corretamente?

Certamente, será reconhecido como justo em suas palavras.

Com base em sua autoridade, devemos continuar declarando que, sempre que alguém pratica o bem por amor a Cristo; quando alimenta quem tem fome, oferece água a quem tem sede, acolhe o estrangeiro, veste quem está sem roupa ou visita os enfermos e presos, essas obras não são “pecados brilhantes”, como alguém chegou a chamá-las, mas sacrifícios com os quais Deus se agrada.

5. Nosso Senhor não pretendia que limitássemos a bondade ao corpo das pessoas.

Sem dúvida, desejou que fôssemos igualmente abundantes nas obras de misericórdia espiritual.

Ele morreu para purificar para si um povo exclusivamente seu, zeloso de todas as boas obras; zeloso, acima de tudo, para ajudar a salvar almas da morte.

Isso está certamente incluído na orientação de Paulo:

“Enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos” (Gálatas 6.10).

Devemos fazer o bem de todas as espécies e em todos os graus possíveis.

Mas por que nosso Senhor não menciona expressamente as obras de misericórdia espiritual?

Não seria apropriado dizer:

“Eu estava no erro, e vocês me convenceram; estava no pecado, e vocês me conduziram de volta a Deus.”

Também não era necessário, pois, mencionando algumas obras de misericórdia, incluiu todas elas.

6. Posso acrescentar mais uma coisa?

Aquele que possui ouvidos, ouça.

As boas obras estão tão longe de constituir impedimentos à salvação e de serem insignificantes no cristianismo que, quando procedem do princípio correto, constituem a perfeição da religião.

São a parte mais elevada do edifício espiritual cujo fundamento é Jesus Cristo.

Aquele que considera cuidadosamente o capítulo treze da Primeira Carta aos Coríntios percebe que a maior de todas as graças cristãs ali descritas é, direta e propriamente, o amor ao próximo.

Aquele que considera todo o desenvolvimento do Antigo e do Novo Testamento também percebe que as obras procedentes desse amor são a parte mais elevada da religião revelada nas Escrituras.

A respeito delas, nosso Senhor diz:

“Nisto é glorificado o meu Pai: que vocês deem muito fruto” (João 15.8).

Muito fruto!

A própria expressão não demonstra a excelência daquilo que é chamado fruto?

A árvore não existe para produzir fruto?

Produzindo fruto, alcança a mais elevada perfeição de que é capaz e cumpre a finalidade para a qual foi plantada.

Quem, então, poderá chamar-se cristão e falar levianamente das boas obras?

1. Depois dessas reflexões gerais, passarei a considerar particularmente a instituição para cuja promoção estamos reunidos.

Primeiramente, observarei sua origem;

Depois, seu sucesso;

Por fim, sua excelência.

Depois disso, apresentarei uma breve aplicação.

I. A origem da instituição

1. Alguém poderia admirar-se, como observou um escritor inteligente, de que uma instituição de tão profunda importância para a humanidade tenha aparecido tão tarde no mundo.

Existiria algum texto sobre o assunto anterior ao tratado publicado em Roma no ano de 1637?

A proposta não permaneceu esquecida durante muitos anos?

Antes de 1700, existiram mais do que uma ou duas tentativas, e mesmo essas não foram realizadas com eficácia?

Devemos agora observar os passos pelos quais a proposta foi reavivada e colocada em prática.

2. Não posso oferecer descrição mais clara do que um pequeno trecho da introdução ao Plano e aos Relatórios da Sociedade, publicado dois anos antes.

Existem muitos casos indiscutíveis da possibilidade de recuperar pessoas aparentemente atingidas por morte repentina em diferentes circunstâncias.

Casos dessa natureza aconteceram em diversos países, mas eram considerados fenômenos extraordinários e acabavam negligenciados, sem que deles se extraíssem consequências úteis.

3. Finalmente, alguns homens benevolentes da Holanda concluíram que pelo menos algumas dessas pessoas poderiam ter sido salvas caso os recursos apropriados tivessem sido empregados a tempo.

Formaram uma sociedade para realizar a experiência.

Seus esforços alcançaram sucesso muito maior do que esperavam.

Muitas pessoas que, de outra maneira, teriam morrido foram recuperadas.

Com o tempo, conseguiram ampliar o plano por todas as sete províncias holandesas.

O sucesso incentivou outros países a seguir o exemplo.

Em 1768, autoridades de saúde de Milão e Veneza publicaram orientações para o atendimento de pessoas retiradas da água.

A cidade de Hamburgo determinou que orientação semelhante fosse lida em todas as igrejas.

Em 1769, a imperatriz da Alemanha publicou decreto ampliando as orientações e os incentivos a todos os casos nos quais existisse possibilidade de auxílio.

Em 1771, as autoridades de Paris fundaram uma instituição com finalidade semelhante.

4. Em 1773, o doutor Cogan traduziu as Memórias da Sociedade de Amsterdã para informar os habitantes da Inglaterra de que era possível recuperar pessoas aparentemente sem vida depois de serem retiradas da água.

O senhor Hawes uniu-se a ele, e os dois propuseram um plano para estabelecer instituição semelhante nos reinos britânicos.

Logo conseguiram formar uma sociedade com essa excelente finalidade.

O plano possuía estes aspectos:

Primeiro: a Sociedade publicaria, da maneira mais ampla possível, os métodos de atendimento considerados apropriados naquele período.

Segundo: distribuiria recompensa às primeiras pessoas que tentassem recuperar alguém retirado da água sem sinais aparentes de vida. A recompensa seria oferecida mesmo quando a tentativa não alcançasse sucesso, desde que fosse realizada durante o período e segundo o método estabelecido pela Sociedade.

Terceiro: concederia recompensa maior quando a pessoa fosse recuperada.

Quarto: recompensaria aquele que recebesse imediatamente a pessoa em sua casa e oferecesse as condições necessárias.

Quinto: diversos médicos que moravam próximos aos lugares onde esses acidentes aconteciam com maior frequência ofereceriam assistência gratuitamente.

II. O sucesso da instituição

Essa foi a origem da admirável instituição.

Consideremos brevemente o sucesso que alcançou.

É necessário reconhecer que foi muito maior do que haviam imaginado aqueles que a desprezavam e até maior do que as expectativas mais otimistas dos homens diretamente envolvidos.

Desde sua fundação, em maio de 1774, até o final de dezembro, oito pessoas aparentemente sem vida foram recuperadas.

Em 1775, quarenta e sete foram recuperadas. Trinta e duas diretamente pelo incentivo e pelo auxílio dos integrantes da Sociedade; as demais por médicos e outras pessoas, depois que seus métodos se tornaram amplamente conhecidos.

Em 1776, quarenta e uma pessoas foram recuperadas com o auxílio da Sociedade, e onze casos de recuperações realizadas em outros lugares foram comunicados a ela.

Assim, o número de vidas preservadas ou recuperadas durante os dois anos e meio seguintes à fundação chegou a cento e sete.

Acrescentando-se os casos posteriores, entre duzentas e oitenta e quatro pessoas consideradas sem vida, cento e cinquenta e sete foram recuperadas.

Esse foi o sucesso alcançado em tão pouco tempo!

Tamanha bênção a providência bondosa de Deus concedeu àquela instituição ainda jovem!

III. A excelência da instituição

1. Resta demonstrar sua excelência.

Isso poderá ser percebido mediante uma única consideração: essa instituição reúne num só trabalho diversos atos de misericórdia.

As várias obras de amor anteriormente mencionadas estão contidas nela.

Inclui benefícios físicos e espirituais; todas as espécies de bondade que podem ser demonstradas ao corpo ou à alma das pessoas.

Para demonstrar isso de maneira incontestável, não necessitamos de eloquência elaborada nem de ornamentação retórica.

Basta apresentar claramente aquilo que acontece.

2. Aquilo que foi tentado, e não apenas tentado, mas realmente realizado — tamanha foi a bondade de Deus ao fazer prosperar os esforços daqueles amigos da humanidade —, foi, num sentido limitado, devolver a vida aos que pareciam mortos.

É surpreendente que, inicialmente, a maioria das pessoas tenha ridicularizado semelhante trabalho e imaginado que aqueles que procuravam realizá-lo estivessem fora de si?

Alguém disse antigamente:

“Por que se julga incrível entre vocês que Deus ressuscite os mortos?” (Atos 26.8).

Aquele que concedeu a vida pela primeira vez não pode concedê-la novamente?

Poderíamos, porém, considerar incrível que um ser humano devolvesse a vida, pois nenhum poder humano é capaz de criá-la.

3. É certo que a filha de Jairo estava realmente morta e, por isso, além de todo poder, exceto o poder do Todo-Poderoso.

Vejam, porém, a capacidade que Deus concedeu às pessoas para empregarem conhecimentos e recursos em favor da preservação da vida!

Toda glória seja dada ao seu nome!

Vejam a sabedoria concedida àqueles mensageiros de misericórdia, ensinando-os a agir quando a vida parecia estar desaparecendo.

Quem havia visto ou ouvido semelhantes coisas?

Quem as havia lido nos registros da Antiguidade?

“Será que estes ossos podem reviver?” (Ezequiel 37.3).

Poderia o coração imóvel voltar a bater?

O sangue poderia voltar a circular?

O corpo frio poderia recuperar seu calor natural?

Os olhos poderiam novamente contemplar o Sol?

Esses acontecimentos eram tão surpreendentes que poderiam quase ser chamados de milagres de misericórdia desconhecidos pela geração de Wesley e por seus antepassados.

4. Considerem quantos atos de misericórdia estão reunidos num único acontecimento!

Aquele homem que havia sido contado entre os mortos, pelos cuidados e esforços dos mensageiros de Deus, volta a respirar, abre os olhos e coloca-se em pé.

É devolvido à família alegre, à esposa e aos filhos que, havia pouco tempo, pareciam desamparados.

Poderá novamente, mediante trabalho honesto, proporcionar-lhes as necessidades da vida.

Vejam aquilo que realizaram, ministros da misericórdia!

Contemplem o fruto do trabalho de amor!

Vocês se tornaram companheiros da viúva e protetores dos órfãos.

Por meio disso, deram alimento aos famintos, bebida aos sedentos e roupas aos que estavam sem proteção.

Essas crianças teriam enfrentado fome, sede e necessidade caso não tivessem recuperado aquele que trabalhava para sustentá-las.

Vocês fizeram mais do que aliviar enfermidades: evitaram sofrimentos que poderiam ter surgido da falta de alimento e roupas.

Impediram que aquelas crianças vagassem sem possuir lugar para repousar.

Talvez também tenham evitado que algumas terminassem numa prisão sombria e sem conforto.

5. Tão grande e abrangente foi a misericórdia demonstrada ao corpo de seus semelhantes!

Mas por que deixar a alma fora da consideração?

Como são grandes os benefícios espirituais que também poderão ter proporcionado!

O marido recebe novamente a oportunidade de ajudar a esposa nas questões mais importantes.

Poderá fortalecer as mãos dela em Deus e ajudá-la a correr com perseverança a carreira que lhe está proposta.

Poderá novamente unir-se a ela na instrução dos filhos, educando-os no caminho em que devem andar.

Esses filhos poderão viver para consolar os pais quando envelhecerem e tornar-se membros úteis da sociedade.

6. Talvez vocês tenham livrado o próprio homem não apenas da morte física, mas também da destruição eterna.

Não podemos duvidar de que alguns daqueles cuja vida foi preservada, embora anteriormente vivessem sem Deus no mundo, reflitam sobre aquilo que aconteceu e anunciem o louvor divino não apenas com os lábios, mas por meio da vida.

É muito provável que alguns, como o leproso que retornou, voltem para dar graças a Deus, agradecimento real e permanente demonstrado pela consagração ao seu serviço.

7. É notável que vários daqueles que foram recuperados se encontravam num estado de forte desorientação quando sofreram o acidente.

Naquele momento, haviam perdido a capacidade de compreender a própria condição e não poderiam voltar-se conscientemente para Deus.

Aqueles instrumentos da misericórdia divina os retiraram do perigo imediato, oferecendo-lhes nova oportunidade para reconhecer sua condição, arrepender-se e buscar a vida eterna.

8. Wesley menciona também o caso de uma mulher que sofreu um acidente ao deixar uma embarcação e perdeu imediatamente os sentidos.

Deus não se esqueceu dela.

Enviou pessoas que a livraram da morte física.

Quem sabe se ela não refletiria profundamente sobre aquilo que aconteceu e abandonaria seus antigos caminhos?

Quem sabe se também não seria salva da segunda morte e, juntamente com aqueles que a ajudaram, herdaria o Reino?

9. Outro aspecto merece atenção especial.

Várias pessoas recuperadas pela Sociedade haviam chegado a uma situação extrema de desespero e risco de morte.

Wesley recorda que a preservação da vida lhes ofereceu aquilo que parecia perdido: a possibilidade de voltar a contemplar o céu, a luz do Sol e a vida ao redor.

Ele ora para que também contemplem a luz do rosto de Deus e vivam os dias restantes de tal maneira que possam viver eternamente com ele.

1. Permitam-me agora apresentar uma breve aplicação.

A quem devo dirigir-me?

Existem aqui pessoas infelizmente preconceituosas contra a revelação cristã, que respira benevolência e contém a mais rica demonstração do amor de Deus pela humanidade já oferecida desde a fundação do mundo?

Mesmo a vocês desejo dirigir algumas palavras, pois, ainda que não sejam cristãos, são seres humanos.

Também são capazes de receber impressões bondosas e possuem sentimentos de humanidade.

O coração de vocês nunca foi aquecido por este nobre pensamento, digno do coração e dos lábios do mais elevado cristão?

“Sou ser humano; nada daquilo que atinge a humanidade me é indiferente.”

Vocês nunca demonstraram compaixão pelos aflitos?

Quantas vezes sentiram dor diante da miséria humana?

Quando contemplaram uma situação de profundo sofrimento, sua alma não se comoveu?

Algumas vezes suspiraram em silêncio, E as lágrimas começaram a cair.

É fácil imaginar situação mais angustiante do que a de uma família que recebe a notícia de que o marido e pai sofreu um grave acidente e foi encontrado sem sinais aparentes de vida?

Por algum tempo, a esposa e os filhos poderão permanecer imóveis, oprimidos e em silêncio, olhando uns para os outros, até começarem a lamentar profundamente.

Esse é o momento de ajudá-los, apoiando aqueles que se dedicam a esse trabalho.

Nada impeça vocês de aproveitar essa gloriosa oportunidade!

Ajudem a devolver o marido à esposa aflita e o pai aos filhos que choram.

É verdade que talvez não possam fazer isso pessoalmente, por não estarem no lugar.

Poderão, porém, ajudar efetivamente aqueles que estão.

Mediante contribuição generosa, poderão enviar o auxílio que não conseguem oferecer pessoalmente.

Não fechem o coração à compaixão!

Abram agora o coração e as mãos.

Caso possuam muito, ofereçam abundantemente.

Caso possuam pouco, ofereçam uma pequena quantidade com disposição sincera.

2. Àqueles que creem na revelação cristã, posso falar de maneira ainda mais forte.

Vocês creem que o bendito Mestre deixou exemplo para que sigam seus passos.

Sabem que toda a vida de Cristo foi um trabalho de amor.

Sabem como andou fazendo o bem continuamente e declarou:

“Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também” (João 5.17).

Esta não é também a linguagem do coração de vocês?

Que durante toda a vida eu revele tua mente; Ao ouvir o clamor dos aflitos, O gemido das viúvas e dos órfãos, Voe rapidamente nas asas da misericórdia Para aliviar os pobres e indefesos E oferecer por eles minha vida e tudo o que possuo.

Nunca faltarão oportunidades para realizar isso, pois sempre existirão pessoas pobres ao redor de vocês.

Que oportunidade particular esta ocasião solene oferece para seguirem os passos de Cristo de maneira que talvez anteriormente não imaginassem!

Ele disse à mãe aflita: “Não chore”, e fez cessar suas lágrimas devolvendo-lhe o filho.

Restaurou a vida à filha de Jairo apesar daqueles que zombavam dele.

Quantas coisas, guardadas as devidas proporções entre o humano e o divino, foram e continuam sendo realizadas diariamente por esses amigos da humanidade!

Que todos desejem participar desse trabalho glorioso!

Unam as mãos com Deus, por assim dizer, para ajudar o necessitado a viver.

Por meio de sua generosa contribuição, tornem-se participantes do trabalho e da alegria daqueles que servem.

3. Preciso acrescentar apenas mais uma palavra.

Lembrem-se da solene declaração daquele a quem pertencem e servem, quando vier nas nuvens do céu.

Enquanto promovem essa obra abrangente de misericórdia, que inclui alimentar quem tem fome, vestir quem está sem roupa, acolher o estrangeiro e reunir muitas boas obras numa só, permitam que estas palavras sejam escritas no coração e permaneçam soando nos ouvidos:

“Sempre que o fizeram a um destes meus pequeninos irmãos, foi a mim que o fizeram.”

Tradução em português atual a partir do original em domínio público (ed. Thomas Jackson, 1872), realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello. Citações bíblicas conforme a NAA. Igreja Metodista Livre do Brasil.

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