SERMÃO 100
Sobre agradar a todas as pessoas
“Cada um agrade ao próximo no que é bom para edificação” — agradar aos outros sem cair na bajulação nem em servir aos homens em lugar de Deus.
“Portanto, cada um de nós agrade ao próximo no que é bom para edificação.”
(Rm 15.2, NAA)Antes de ler
Neste sermão, John Wesley distingue o legítimo desejo cristão de agradar ao próximo da bajulação, da falsidade e da busca egoísta por aprovação. O cristão não procura agradar às pessoas simplesmente para conquistar sua simpatia, evitar conflitos ou obter vantagens. Procura agradá-las “no que é bom”, de maneira que contribua para sua edificação espiritual e seu bem eterno.
Wesley critica especialmente as orientações de Lord Chesterfield ao filho, que recomendavam dissimulação, sedução, mentira e elogios interesseiros como recursos para conquistar a sociedade. Em oposição a esse modelo, apresenta o caminho cristão: amor verdadeiro, humildade, mansidão, compaixão, cortesia, sinceridade e verdade.
A cortesia defendida por Wesley não depende de posição social nem de educação refinada. Nasce do reconhecimento de que todo ser humano foi criado por Deus, é objeto do amor redentor de Cristo e deve ser tratado com dignidade. A meta não é agradar a qualquer preço, mas permitir que a verdade seja comunicada por meio do amor.
— Bispo Ildo Mello
1. Sem dúvida, o dever apresentado aqui pertence a toda a humanidade, ou, pelo menos, a todos aqueles aos quais foram confiados os oráculos de Deus. Ele é ordenado, sem exceção, a todo aquele que invoca o nome de Cristo. A pessoa a quem cada um deve agradar é seu próximo, isto é, todo filho dos seres humanos. Devemos apenas recordar aquilo que o mesmo apóstolo diz numa ocasião semelhante: “Se possível, no que depender de vocês, vivam em paz com todas as pessoas” (Romanos 12.18). Da mesma maneira, devemos agradar a todas as pessoas, caso seja possível e na medida em que depender de nós. Estritamente falando, porém, isso não é possível. Nenhuma pessoa jamais conseguiu agradar a todos, nem conseguirá. Entretanto, caso empreguemos toda a nossa diligência, independentemente do resultado, teremos cumprido nosso dever.
2. Podemos também observar a maneira admirável pela qual o apóstolo limita essa orientação. Caso fosse seguida sem qualquer limitação, poderia produzir as consequências mais prejudiciais. Somos orientados a agradar ao próximo “no que é bom”; não simplesmente pelo prazer de agradá-lo ou de agradar a nós mesmos, muito menos agradá-lo para seu prejuízo. Isso é feito com muita frequência, sim, continuamente, por aqueles que não amam o próximo como a si mesmos. Não devemos procurar apenas seu bem temporal. Devemos buscar aquilo que possui importância infinitamente maior: agradá-lo “para edificação”, de maneira que contribua para seu bem espiritual e eterno. Devemos agradá-lo de tal maneira que o prazer não desapareça com o uso, mas resulte em benefício permanente, tornando-o mais sábio e melhor, mais santo e mais feliz, tanto no tempo quanto na eternidade.
3. Muitos tratados e discursos foram publicados sobre esse importante assunto. Todos aqueles que vi ou ouvi, porém, eram lamentavelmente deficientes. Dificilmente algum deles apresentava a finalidade correta. Todos possuíam algum propósito inferior ao procurar agradar às pessoas, em vez de salvar sua alma e edificá-las no amor e na santidade. Consequentemente, não era provável que apresentassem os meios corretos para alcançar essa finalidade. Um famoso tratado dessa espécie, intitulado O cortesão, foi publicado na Espanha cerca de duzentos anos atrás e traduzido para diversas línguas. Não possui, porém, relação alguma com a edificação e, por isso, está completamente distante do alvo. Outro tratado, intitulado O cortesão refinado — ou O cortesão completo —, foi publicado em nosso país durante o reinado do rei Carlos II, aparentemente por alguém ligado à corte. Nele, existem diversos conselhos bastante sensatos sobre o comportamento exterior e são observadas muitas pequenas inconveniências em palavras ou ações pelas quais as pessoas desagradam aos outros sem desejar fazê-lo. Entretanto, esse autor também não considera de maneira alguma o bem espiritual ou eterno do próximo. Há setenta ou oitenta anos, outro livro foi impresso em Londres com o título A arte de agradar. Como foi escrito de maneira fraca e continha apenas observações comuns e repetidas, não era provável que fosse útil às pessoas de entendimento e muito menos às pessoas piedosas.
4. Poderá alguém perguntar: o assunto não foi posteriormente tratado por um escritor de caráter muito diferente? Não foi esgotado por alguém que era, ele próprio, perfeito mestre na arte de agradar? Escrevendo a uma pessoa que amava ternamente, seu filho favorito, ele não lhe ofereceu todos os conselhos que seu grande entendimento — aperfeiçoado por vasta instrução, pela experiência de muitos anos e pela convivência com todas as espécies de pessoas — poderia sugerir? Refiro-me ao falecido Lord Chesterfield, geralmente estimado tanto pela nação irlandesa quanto pela inglesa.
5. Os meios de agradar que esse pai sábio e indulgente recomendava continuamente e com grande dedicação ao filho amado, e mediante os quais, sem dúvida, formou tanto suas disposições quanto seu comportamento exterior, até que a morte prematura silenciasse sua língua, eram estes: primeiro, envolver-se sexualmente, no sentido mais grosseiro, com todas as mulheres casadas que pudesse alcançar com facilidade — aconselhando-o a evitar as solteiras por medo de consequências desagradáveis; segundo, praticar dissimulação constante e cuidadosa, usando sempre uma máscara e não confiando em pessoa alguma na terra a ponto de lhe permitir conhecer seus verdadeiros pensamentos, mas aparentando continuamente desejar aquilo que não desejava e ser aquilo que não era; terceiro, utilizar mentiras cuidadosamente planejadas diante de todas as espécies de pessoas, falando aquilo que estava mais distante de seu coração e, particularmente, bajulando homens, mulheres e crianças como meio infalível de agradá-los. Não é necessária grande habilidade para demonstrar que esse não é o caminho para agradar ao próximo no que é bom ou para sua edificação. Procurarei mostrar que existe um caminho melhor e, na realidade, diretamente oposto a esse. Ele consiste:
I. Em remover os obstáculos do caminho;
II. Em utilizar os meios que conduzem diretamente ao objetivo.
1. Aconselho todos aqueles que desejam “agradar ao próximo no que é bom para edificação” a, primeiramente, remover todos os obstáculos do caminho; em outras palavras, evitar tudo aquilo que tende a desagradar às pessoas sábias e boas, pessoas de entendimento saudável e verdadeira piedade. A crueldade, a malícia, a inveja, o ódio e a vingança desagradam a todas as pessoas boas, a todos os que possuem entendimento equilibrado e verdadeira piedade. Existe também outra disposição relacionada a essas, embora de grau inferior e frequentemente encontrada na vida comum, que geralmente não agrada às pessoas. Costumamos chamá-la de mau humor ou má índole. Evitem com todo cuidado todas essas coisas e até mesmo aquilo que possua alguma semelhança com elas: a amargura, a severidade e o comportamento sombrio, por um lado; e a irritação e a impaciência, por outro, caso realmente esperem agradar ao próximo no que é bom para edificação.
2. Depois da crueldade, da malícia e das disposições semelhantes, acompanhadas pelas palavras e ações que naturalmente procedem delas, nada é mais desagradável, não apenas às pessoas sensatas e religiosas, mas à humanidade em geral, do que o orgulho, a arrogância de espírito e seu verdadeiro fruto: um comportamento pretensioso, dominador e presunçoso. Nem mesmo uma erudição incomum, unida a talentos brilhantes, compensará isso. Uma pessoa com capacidades extraordinárias, caso seja extraordinariamente arrogante, será desprezada por muitos e desagradará a todos. O famoso diretor do Trinity College, em Cambridge, foi exemplo notável disso. Poucas pessoas de seu tempo possuíam entendimento mais vigoroso ou conhecimento mais profundo do que o doutor Bentley. Apesar disso, poucas eram menos amadas, exceto talvez alguém que era pouco ou nada inferior a ele em entendimento ou conhecimento e igualmente distante da humildade: o autor de A missão divina de Moisés. Portanto, todo aquele que deseja agradar ao próximo para seu bem precisa cuidar para não naufragar nessa rocha. Caso contrário, o mesmo orgulho que o leva a procurar a estima do próximo inevitavelmente o impedirá de alcançá-la.
3. Uma disposição e um comportamento dominados pela ira são quase tão desagradáveis à maioria das pessoas quanto a própria arrogância. Pessoas de temperamento sensível têm medo até mesmo de conversar com alguém dominado por esse espírito. Outras também não desejam sua companhia, pois frequentemente — talvez quando menos esperavam — recebem golpes emocionais que poderão suportar naquele momento, mas não estarão dispostas a encontrar novamente. Por isso, pessoas iradas raramente conservam muitos amigos, pelo menos durante muito tempo. Multidões poderão acompanhá-las durante uma estação, especialmente quando isso promove seus interesses. Entretanto, uma após outra, geralmente se sentem ofendidas e afastam-se como as folhas no outono. Portanto, caso deseje agradar de maneira permanente ao próximo para seu bem, evite por todos os meios a paixão violenta.
4. Sim, caso deseje agradar até mesmo por essa razão, receba este conselho do apóstolo: “Deixem de lado toda mentira” (Efésios 4.25). Um escritor inteligente observou que, entre todos os vícios, a mentira nunca encontrou um defensor que se apresentasse publicamente em seu favor, quaisquer que fossem suas opiniões particulares. Deve-se lembrar, porém, que o senhor Addison partiu para um mundo melhor antes que as cartas de Lord Chesterfield fossem publicadas. Talvez a defesa que Chesterfield realizou da mentira tenha sido a melhor que já foi ou poderia ser apresentada em favor de uma causa tão má. Apesar de todo o trabalho empregado, porém, ela possui apenas aparência de valor, não sua realidade. Não possui firmeza; não é coisa melhor do que um fantasma brilhante. Assim como a mentira nunca pode ser recomendável nem inocente, também não pode ser verdadeiramente agradável, pelo menos quando seu disfarce é removido e ela aparece em sua verdadeira forma. Consequentemente, deve ser cuidadosamente evitada por todos aqueles que desejam agradar ao próximo no que é bom para edificação.
5. “Mas”, alguém poderá dizer, “a bajulação não é uma espécie de mentira? E não foi reconhecida em todas as épocas como meio seguro de agradar? Esta observação não foi confirmada por inúmeras experiências: Obsequium amicos, veritas odium parat — ‘A bajulação produz amigos; a franqueza, inimigos’? Um escritor recente e espirituoso, em sua Viagem sentimental, não apresentou exemplos impressionantes disso?” Respondo: é verdade. A bajulação agrada durante algum tempo, e não somente às pessoas de entendimento fraco, pois o desejo de receber elogios, merecidos ou não, encontra-se em todo filho dos seres humanos. Ela, porém, agrada somente durante algum tempo. Assim que a máscara cai, assim que se percebe que aquele que pronunciou palavras agradáveis nada queria dizer por meio delas, já não existe prazer. A experiência de cada pessoa ensina isso. Todos também sabemos que, caso alguém continue bajulando depois que sua falta de sinceridade foi descoberta, torna-se desagradável, e não agradável. Portanto, até mesmo essa espécie de mentira aceita pela sociedade deve ser evitada por todos aqueles que desejam agradar ao próximo para seu benefício permanente.
6. Mais ainda: todo aquele que deseja fazer isso precisa recordar que não somente a mentira em todas as suas espécies, mas até mesmo a dissimulação — que não é exatamente a mesma coisa que a bajulação, embora esteja intimamente relacionada a ela — desagrada às pessoas de entendimento, mesmo quando não possuem religião. Terêncio apresenta um pagão idoso que, ao ser acusado disso, responde indignado: Simulare non est meum — “A dissimulação não faz parte de meu caráter.” A fraude, a sutileza, a astúcia e toda a arte de enganar, independentemente do nome recebido, não são consideradas qualidades pelas pessoas sábias. Na realidade, são abomináveis para elas. Até mesmo aqueles que mais as praticam e são os maiores especialistas na fraude não se agradam delas nas outras pessoas nem desejam conviver com aqueles que as utilizam contra eles. Sim, os maiores enganadores ficam profundamente ofendidos quando outros empregam contra eles os mesmos artifícios.
Ora, caso a crueldade, a malícia, a inveja, o ódio, a vingança e a má índole; caso o orgulho e a arrogância; caso a ira irracional; caso a mentira e a dissimulação, juntamente com a fraude, a sutileza e a astúcia, sejam, cada uma delas, desagradáveis às pessoas, especialmente às sábias e boas, podemos facilmente deduzir qual é o caminho seguro para agradá-las no que é bom para edificação. Precisamos apenas recordar que, em todas as épocas e lugares, existem pessoas às quais não devemos esperar agradar. Não fiquemos, portanto, surpresos quando encontrarmos pessoas que não podem ser agradadas de maneira alguma. Acontece atualmente aquilo que acontecia antigamente, quando nosso Senhor se queixou: “A que compararei as pessoas desta geração? São semelhantes a crianças sentadas na praça e que dizem umas às outras: ‘Nós tocamos flauta, mas vocês não dançaram; entoamos lamentações, mas vocês não choraram’” (Lucas 7.31-32). Deixando essas pessoas difíceis entregues a si mesmas, podemos razoavelmente esperar agradar às outras mediante a observação cuidadosa e constante das poucas orientações seguintes.
1. Primeiramente, não permita que o amor o visite como hóspede passageiro, mas que seja a disposição constante e dominante de sua alma. Cuide para que seu coração permaneça cheio, em todos os momentos e ocasiões, de benevolência real e sem fingimento; não somente em relação àqueles que o amam, mas a toda alma humana. Que o amor pulse em seu coração, brilhe em seus olhos e apareça em todas as suas ações. Sempre que abrir os lábios, fale com amor, e que a lei da bondade esteja em sua língua. Sua palavra cairá então como a chuva e como o orvalho sobre a erva tenra. Não limite nem restrinja sua afeição, mas permita que ela envolva todo filho dos seres humanos. Toda pessoa nascida de mulher possui direito à sua boa vontade. Você deve isso não apenas a alguns, mas a todos. Permita que todas as pessoas saibam que você deseja sua felicidade temporal e eterna com a mesma sinceridade com que deseja a própria felicidade.
2. Em segundo lugar, caso deseje agradar ao próximo para seu bem, procure ser humilde de coração. Seja pequeno e insignificante aos próprios olhos, preferindo honrar os outros mais do que a si mesmo. Esteja profundamente consciente das próprias fraquezas, insensatezes e imperfeições, assim como do pecado ainda existente em seu coração e que se apega a todas as suas palavras e ações. Permita que esse espírito apareça em tudo aquilo que falar ou fizer: “Revistam-se de humildade” (1 Pedro 5.5). Rejeite com horror aquela máxima favorita dos antigos pagãos, procedente do abismo: Tanti eris aliis, quanti tibi fueris — “Os outros o valorizarão na mesma proporção em que você valorizar a si mesmo.” Não é assim. Pelo contrário, tanto Deus quanto as pessoas resistem aos orgulhosos. Assim como Deus concede graça aos humildes, a humildade, e não o orgulho, recomenda-nos à estima e à consideração das pessoas, especialmente daquelas que temem a Deus.
3. Caso deseje agradar ao próximo no que é bom para edificação, deve, em terceiro lugar, trabalhar e orar para ser manso, assim como humilde de coração. Procure possuir uma disposição serena, livre de paixões descontroladas, sendo gentil com todas as pessoas. Permita que a suavidade de sua disposição apareça em todo o curso de sua conversa e que todas as palavras e ações sejam orientadas por ela. Recorde também o conselho de Pedro: além de ser gentil, seja misericordioso, cortês e profundamente compassivo com todos os que passam por sofrimento, com todos aqueles que enfrentam alguma aflição da mente, do corpo ou de seus recursos. Que as diversas cenas do sofrimento humano despertem sua mais terna compaixão! Chore com os que choram. Caso não possa fazer mais coisa alguma, pelo menos misture suas lágrimas às deles e ofereça palavras capazes de trazer cura, acalmar a mente e diminuir a tristeza. Caso possa realmente ajudá-los, não deixe de fazê-lo. Seja olhos para os cegos, pés para aqueles que possuem dificuldade de locomoção, companheiro das viúvas e protetor dos órfãos. Isso contribuirá grandemente para conquistar o afeto e proporcionar um prazer proveitoso não somente àqueles que são objetos imediatos de sua compaixão, mas também aos que contemplarem suas boas obras e glorificarem seu Pai que está nos céus.
4. Enquanto demonstra compaixão pelos aflitos, cuide também para ser cortês com todas as pessoas. Nesse aspecto, não importa se são importantes ou humildes, ricas ou pobres, superiores ou inferiores a você. Nem mesmo importa se são boas ou más, se temem a Deus ou não. A maneira de demonstrar cortesia poderá variar segundo a prudência cristã, mas a cortesia propriamente dita é devida a todos. Até mesmo os menores e os piores possuem direito a ela. Mas o que é cortesia? Ela pode ser interior ou exterior, uma disposição ou uma forma de comportamento; uma maneira de agir que nasce naturalmente de um coração cortês. Seria ela a mesma coisa que boas maneiras ou polidez — que parece ser apenas um grau elevado de boa educação? Não. As boas maneiras são principalmente fruto da educação, mas a educação não pode produzir cortesia de coração. A conhecida definição de polidez apresentada pelo senhor Addison parece ser, antes, uma definição da verdadeira cortesia: “O desejo constante de agradar a todas as pessoas, manifestado em toda a conversação.” Essa disposição poderá existir, até mesmo em alto grau, onde não houve qualquer vantagem educacional. Já encontrei cortesia tão verdadeira numa cabana irlandesa quanto poderia ser encontrada no palácio de St. James ou no Louvre.
5. Procuremos avançar um pouco mais profundamente e investigar o fundamento da questão. Qual é a origem daquele desejo de agradar que chamamos de cortesia? Examinemos atentamente o coração, e logo encontraremos a resposta. O mesmo apóstolo que nos ensina a ser corteses também nos ensina a honrar todas as pessoas, e seu Mestre ensina-me a amar todas as pessoas. Reúna essas duas coisas, e qual será o resultado? Uma pessoa extremamente pobre pede-me uma esmola. Olho para ela e vejo-a coberta de sujeira e roupas rasgadas. Através disso, porém, vejo alguém que possui um espírito imortal, criado para conhecer, amar e habitar com Deus por toda a eternidade. Eu a honro por causa de seu Criador. Vejo, através de suas roupas rasgadas, alguém coberto pelo sangue de Cristo. Eu a amo por causa de seu Redentor. A cortesia, portanto, que experimento e demonstro em relação a ela é uma combinação da honra e do amor que dedico à descendência de Deus, à pessoa adquirida pelo sangue de seu Filho e à candidata à imortalidade. Experimentemos e demonstremos essa cortesia diante de todas as pessoas, e agradaremos a todas para sua edificação.
6. Aproveite também todas as oportunidades apropriadas para declarar aos outros a afeição que realmente sente por eles. Isso poderá ser feito com uma atitude e de uma maneira que não possam ser acusadas de bajulação. A experiência demonstra que pessoas honestas ficam tão satisfeitas com isso quanto as desonestas ficam com a bajulação. Aqueles que estão convencidos de que suas expressões de boa vontade são a linguagem de seu coração ficarão tão satisfeitos com elas quanto ficariam com os maiores elogios que você pudesse apresentar. Julgue-os por meio de si mesmo, daquilo que experimenta no próprio coração. Você gosta de ser honrado, mas não prefere ser amado?
7. Permita-me acrescentar mais um conselho. Caso deseje agradar a todas as pessoas para seu bem, fale a verdade que procede do coração, quaisquer que sejam as consequências. Quando falar, abra a janela do peito. Que suas palavras sejam a própria imagem de seu coração. Em toda companhia e em todas as ocasiões, seja uma pessoa verdadeira. Mais ainda: não fique satisfeito com a simples veracidade, mas conduza toda a sua vida no mundo “com simplicidade e sinceridade de Deus” (2 Coríntios 1.12), como “um verdadeiro israelita, em quem não há falsidade” (João 1.47).
8. Resumindo tudo numa única palavra: caso deseje agradar às pessoas, agrade a Deus! Que a verdade e o amor possuam toda a sua alma. Que sejam as fontes de todas as suas afeições, paixões e disposições e a regra de todos os seus pensamentos. Que inspirem toda a sua conversa, continuamente temperada com esse sal e apropriada para transmitir graça aos que ouvem. Que todas as suas ações sejam realizadas em amor. Nunca permita que a misericórdia e a verdade o abandonem. Amarre-as ao pescoço, permitindo que sejam abertas e visíveis a todos, e escreva-as na tábua do coração. “E você encontrará favor e boa compreensão diante de Deus e das pessoas” (Provérbios 3.4).
Tradução em português atual a partir do original em domínio público (ed. Thomas Jackson, 1872), realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello. Citações bíblicas conforme a NAA. Igreja Metodista Livre do Brasil.