SERMÃO 130

Pecados e misérias nacionais

“Eu pequei; porém estas ovelhas, que fizeram?” — em meio à guerra, Wesley aponta a raiz espiritual das misérias nacionais e chama cada um a examinar o próprio coração.

2Sm 24.17, NAA ⏱ 16 min de leituraPecado e arrependimento

“Eis que eu pequei e procedi perversamente; porém estas ovelhas, que fizeram?”

(2Sm 24.17, NAA)

Antes de ler

Este sermão foi pregado durante o início da Guerra de Independência dos Estados Unidos. John Wesley permaneceu leal à Coroa britânica e considerava a rebelião colonial injustificável. Por isso, sua descrição dos acontecimentos, da sociedade colonial e das reivindicações americanas é claramente partidária e não deve ser lida como relato histórico neutro.

Wesley emprega termos relacionados à insanidade como metáfora para a polarização política. Essa linguagem reflete o século XVIII e não deve ser confundida com descrição clínica de transtornos mentais. Na tradução, preserva-se o argumento, evitando reforçar estigmas desnecessários.

O sermão também relaciona calamidades nacionais aos pecados do povo. Isso não significa que toda pessoa atingida seja pessoalmente culpada pelo sofrimento que enfrenta. O próprio texto pergunta: “Estas ovelhas, que fizeram?” O ponto de Wesley é que injustiça, mentira, luxo, violência e falta de misericórdia produzem consequências sociais que acabam alcançando também pessoas inocentes.

A aplicação permanente encontra-se no chamado ao exame pessoal: em vez de atribuirmos todos os males aos adversários políticos, devemos perguntar como nossos próprios pecados contribuem para a injustiça, a hostilidade e o sofrimento coletivo.

— Bispo Ildo Mello

Texto:

Pregado na Igreja de São Mateus, em Bethnal Green, no domingo, 12 de novembro de 1775, em benefício das viúvas e dos órfãos dos soldados que haviam morrido recentemente nas proximidades de Boston, na Nova Inglaterra.

1. O capítulo começa: “A ira do Senhor tornou a acender-se contra Israel, e ele incitou Davi contra eles, dizendo: Vá e faça o censo de Israel e de Judá.” “Tornou a acender-se”: havia-se acendido contra eles poucos anos antes, e, como consequência, “houve fome na terra durante três anos consecutivos” (2 Samuel 21.1), até que Davi consultou o Senhor e aprendeu de que maneira ela poderia terminar.

Não somos informados sobre a maneira específica pela qual Israel havia ofendido a Deus naquela ocasião nem sobre a causa particular pela qual sua ira se acendeu, mas somente sobre o efeito: “Ele incitou Davi contra eles, dizendo: Vá e faça o censo de Israel e de Judá.”

“Ele” não significa Deus! Tenham cuidado para não atribuir isso à fonte de amor e santidade. Não foi Deus, mas Satanás que incitou Davi. A passagem paralela declara expressamente: “Satanás se levantou contra Israel e incitou Davi a fazer o censo de Israel” (1 Crônicas 21.1).

Satanás apresentou-se diante de Deus para acusar Davi e Israel e pedir permissão para tentar o rei. Permanecer em pé era a postura comum do acusador diante dos tribunais humanos. Por isso, as Escrituras, que frequentemente falam das realidades divinas segundo a maneira humana de compreender, representam Satanás nessa postura diante do tribunal de Deus.

“Davi disse a Joabe e aos chefes do povo: Vão e contem Israel, desde Berseba até Dã, e tragam-me o número deles, para que eu saiba quantos são.”

2. Não está inteiramente claro em que consistia o pecado de fazer o censo do povo. Não existia proibição expressa nas Escrituras disponíveis naquele momento. Apesar disso, lemos que “a ordem do rei pareceu abominável a Joabe”, que não era propriamente homem de consciência delicada. Por isso, tentou questionar Davi antes de obedecer.

Joabe respondeu: “Por que o rei, meu senhor, exige isso? Por que traria culpa sobre Israel?” Isto é: por que se tornaria causa de punição ou calamidade para Israel?

Deus frequentemente permite que um povo sofra por causa dos pecados de seus governantes, porque as pessoas geralmente participam desses pecados de alguma forma. O justo Juiz utiliza essa ocasião para julgar também os demais pecados do povo.

Joabe estava correto, pois, depois que o censo foi realizado, lemos: “Deus não se agradou disso.” Sim, “o coração de Davi o acusou, e ele disse ao Senhor: Pequei gravemente no que fiz. Agora, Senhor, peço que perdoes a iniquidade do teu servo” (2 Samuel 24.10).

O pecado não estaria na motivação pela qual o censo foi realizado? Davi não agiu movido pelo orgulho do coração, provavelmente por vaidade e ostentação, gloriando-se não em Deus, mas no número de seu povo?

3. Na continuação da narrativa, descobrimos que, pelo menos naquela ocasião, Joabe foi verdadeiro profeta: Davi tornou-se causa de punição para Israel. Seu pecado, acrescentado a todos os pecados do povo, completou a medida das iniquidades deles.

“O Senhor enviou uma peste sobre Israel, desde a manhã” — quando o profeta Gade apresentou a Davi a escolha entre guerra, fome ou peste — “até o fim do terceiro dia. E morreram setenta mil homens do povo, desde Dã até Berseba” (2 Samuel 24.15).

“Quando Davi viu o anjo que feria o povo” — que apareceu na forma de um homem com uma espada desembainhada, convencendo-o ainda mais claramente de que aquela calamidade procedia diretamente do juízo divino —, declarou: “Eis que eu pequei e procedi perversamente; porém estas ovelhas, que fizeram?”

4. Em diversos aspectos, não existe semelhança marcante entre a situação de Israel e a nossa? A perversidade geral daquela época provocou visitação geral. A mesma causa não produz atualmente efeito semelhante?

Nós também pecamos e somos castigados. Talvez estas coisas sejam somente o princípio das dores. Talvez o anjo esteja atualmente estendendo a mão sobre a Inglaterra para destruí-la.

Quem dera o Senhor dissesse finalmente ao destruidor: “Basta! Retire agora a sua mão!”

5. Poucas pessoas negam que o vício seja pai da miséria. Isso é confirmado pelo testemunho geral de todas as épocas. Raramente, porém, aplicamos essa verdade a nós mesmos.

Quando falamos do pecado como causa da miséria, geralmente nos referimos aos pecados das outras pessoas e supomos que sofremos porque elas pecam.

Precisamos, porém, ir tão longe? Nossos próprios vícios não são suficientes para explicar grande parte de nosso sofrimento?

Consideremos isso com justiça e imparcialidade. Examinemos nosso coração e nossa vida. Todos sofremos e todos pecamos.

Não seria mais proveitoso cada pessoa considerar os próprios pecados como causa de sofrimento para si e para os outros e declarar: “Eis que eu pequei e procedi perversamente; porém estas ovelhas, que fizeram?”

O SOFRIMENTO DO POVO E SUAS CAUSAS

1. Investiguemos, primeiramente, o que as pessoas estão sofrendo e, depois, qual é a causa desses sofrimentos.

Ninguém poderá negar que o povo sofre e que enfrenta aflição maior do que a comum. Milhares e dezenas de milhares de pessoas estão atualmente profundamente aflitas por falta de trabalho.

É verdade que essa falta diminuiu em certa medida em algumas cidades grandes e prósperas. Também é verdade, porém, que essa situação está muito distante de ser comum em todo o reino.

É absolutamente certo que milhares de pessoas no oeste da Inglaterra, particularmente na Cornualha, no norte e até nos condados centrais, estão completamente desempregadas.

Aqueles que anteriormente não enfrentavam necessidade atualmente carecem de todas as coisas. Estão muito distantes da abundância que já desfrutaram. Encontram-se em situação lamentável, privados não somente das comodidades, mas também de grande parte das necessidades básicas da vida.

Vi diversas dessas pessoas a pouco mais de cento e sessenta quilômetros de Londres, paradas nas ruas, pálidas, enfraquecidas e quase sem forças, ou caminhando como sombras.

Conheci famílias que, poucos anos antes, viviam de maneira confortável e respeitável, mas que foram reduzidas às roupas que carregavam no corpo e ao alimento que conseguiam recolher nos campos.

Um ou outro membro da família ia diariamente aos campos recolher os nabos deixados pelos animais. Cozinhavam-nos quando conseguiam alguns gravetos; caso contrário, comiam-nos crus. A falta de trabalho reduziu muitos de nossos compatriotas a tamanha necessidade de alimento.

2. Essa calamidade enfrentada diariamente por multidões já é bastante grave. Não sei, porém, se número ainda maior de pessoas não enfrenta calamidade diferente.

É grande aflição perder o pão, mas também é grave perder o uso equilibrado da razão. Segundo Wesley, milhares de nossos compatriotas foram levados a estado de completa irracionalidade pelo veneno político espalhado diligentemente por todas as cidades e vilas do reino.

Clamavam por liberdade quando já a possuíam e desfrutavam dela em grau desconhecido, segundo Wesley, por qualquer outra nação: liberdade civil, o direito de desfrutar legalmente a propriedade, e liberdade religiosa, o direito de adorar a Deus segundo a consciência.

Portanto, aqueles que clamavam apaixonada ou tristemente: “Servidão! Escravidão!”, quando Wesley acreditava não existir perigo real disso, pareciam-lhe ter perdido o discernimento. Muitos já haviam recuperado o equilíbrio, mas multidões ainda permaneciam dominadas pela agitação política.

3. Ninguém considere isso pequena calamidade caída sobre nossa terra.

Caso vocês tivessem visto, como eu vi, em cada condado, cidade e vila, pessoas anteriormente tranquilas, gentis e amigáveis dominadas pelo zelo partidário, enfurecidas contra vizinhos pacíficos e preparadas para ferir umas às outras; caso tivessem ouvido pessoas que anteriormente temiam a Deus e honravam o rei pronunciando as acusações mais amargas contra ele e preparadas, caso surgisse oportunidade, para traição e rebelião, não considerariam isso pequeno mal ou assunto de pouca importância. Considerariam um dos mais pesados juízos que Deus poderá permitir sobre uma terra culpada.

4. Essa é a condição dos ingleses em seu país. A situação seria melhor no exterior? Receio que não.

Por meio daqueles que se encontravam no local, fui informado de que, nas colônias, muitas pessoas também estavam fazendo o povo beber profundamente do mesmo vinho mortal. Milhares ficavam cada vez mais inflamados até perderem todo o discernimento.

A razão desaparecia debaixo da ira, e sua voz tranquila era abafada pelo clamor popular. A sabedoria havia caído nas ruas.

Onde se encontrava o entendimento? Dificilmente poderia ser encontrado naquelas províncias.

Ali existia verdadeira servidão, segundo Wesley, pois a forma regular, legal e constitucional de governo havia deixado de funcionar. Não restava sequer a aparência da liberdade inglesa.

Não existia liberdade de imprensa: ninguém se atrevia a imprimir página ou linha que não estivesse inteiramente de acordo com os sentimentos daqueles que dominavam o povo. Também não existia liberdade de expressão.

A língua das pessoas já não lhes pertencia. Ninguém podia dizer uma palavra favorável ao rei George ou desfavorável ao novo governo ilegal e inconstitucional, segundo a avaliação de Wesley.

Não existia liberdade religiosa ou liberdade de consciência para aqueles que “honravam o rei” e que, por senso de dever, procuravam defendê-lo das acusações lançadas continuamente contra ele.

Também não existia liberdade civil. Ninguém podia desfrutar com segurança do fruto do próprio trabalho além daquilo que a maioria permitisse. A pessoa não possuía segurança para o comércio, a casa ou a propriedade, a menos que acompanhasse a corrente dominante.

Nem mesmo a vida estaria segura caso um vizinho popular desejasse atacá-la, pois, segundo Wesley, não existiam lei ou magistrado legal capazes de julgar as ofensas.

De um lado, encontrava-se o abismo da tirania e do poder arbitrário; do outro, a anarquia.

Como se tudo isso não fosse sofrimento suficiente, observem também o terrível monstro chamado guerra.

Quem conseguirá descrever toda a miséria contida nela? O estrondo dos canhões, a escuridão, o ruído, a confusão e o terror dominam a cena. Existe morte e sofrimento por todos os lados. Pessoas passam rapidamente deste mundo para a eternidade, talvez sem estarem preparadas para encontrar Deus.

Os ministros da graça afastam os olhos daquela cena terrível, enquanto os instrumentos da vingança parecem triunfar.

Essa já era a situação daquela terra anteriormente feliz, onde a paz e a abundância, embora expulsas de grande parte da Europa, haviam permanecido durante quase cem anos.

5. O que conduzia essas pobres vítimas ao campo de batalha? Segundo Wesley, era uma grande ilusão caminhando diante delas, ensinada sob o nome de “liberdade”:

Ela sopra no coração
O severo amor à guerra,
A sede de vingança
E o desprezo pela morte.

Enquanto isso, a verdadeira liberdade era pisada e perdida na anarquia e na confusão.

6. Qual desses soldados considerava a esposa da juventude, agora deixada como viúva desolada, talvez sem alguém que cuidasse dela, privada de seu único consolo e sustento e sem lugar onde repousar a cabeça?

Quem considerava os filhos indefesos, agora órfãos desamparados, talvez pedindo alimento, enquanto a mãe nada possuía para oferecer-lhes além de sua tristeza e de suas lágrimas?

NOSSOS PECADOS E O CAMINHO DO ARREPENDIMENTO

1. Apesar disso, “estas ovelhas, que fizeram?”, embora todo esse sofrimento tenha caído sobre elas?

“Vocês pensam que eram mais pecadoras do que as outras pessoas porque sofreram essas coisas? Eu lhes digo que não. Se, porém, vocês não se arrependerem, todos igualmente perecerão.”

Portanto, precisamos considerar nossos próprios pecados, que constituem causa de nossos sofrimentos. Cada um de nós deve declarar: “Eis que eu pequei e procedi perversamente.”

2. O tempo seria insuficiente caso eu tentasse enumerar todas as maneiras pelas quais pecamos. De modo geral, porém, uma coisa é certa:

Ricos e pobres, grandes e pequenos,
Abandonaram o seu suave mandamento;
As águas da maldade transbordam
E inundam toda a terra culpada.
Povo e sacerdotes afundam no pecado,
E o juízo abre a boca para recebê-los.

Como são numerosas as violações da justiça entre nós! Quem não adota a antiga máxima:

Si possis, recte; si non, quocunque modo rem.

“Caso possa conseguir dinheiro honestamente, faça isso; de qualquer modo, porém, consiga dinheiro.”

Onde se encontra misericórdia quando ela entra em conflito com o interesse? Como são poucos os que hesitam, quando existe recompensa financeira, em oprimir a viúva ou o órfão!

Onde encontraremos a verdade? O engano e a fraude não abandonam nossas ruas.

Quem fala a verdade procedente do coração? As palavras de quem são retrato fiel de seus pensamentos? Onde está aquele que “abandonou toda mentira” e nunca diz aquilo que não deseja realmente dizer?

Quem se envergonha desse pecado?

Certa vez, um estadista declarou: “Todos os demais vícios encontraram defensores, mas a mentira é vício tão desprezível e abominável que nunca se encontrou alguém que se atrevesse a defendê-la publicamente.”

Poderíamos imaginar que esse escritor vivesse numa corte e no presente século? Ele próprio e os demais estadistas não defendiam uma atividade fundamentada na mentira intencional? Não defendiam a inocência e até a necessidade de utilizar espiões, que Wesley considerava a classe mais desonesta de mentirosos? Quem, além de Lord Clarendon, hesitou em utilizá-los?

3. Ó verdade, para onde você fugiu? Como são poucos os que a conhecem!

Não contamos continuamente mentiras sem obter por meio delas lucro ou prazer? Nossa linguagem comum não se encontra cheia de falsidade?

Mais de cem anos antes, o poeta já lamentava:

Nunca mais existiu um bom dia
Desde que a humilde bajulação
Recebeu o nome de cortesia.

O que teria dito caso vivesse um século depois, quando aquela arte havia alcançado tamanha perfeição?

4. Talvez exista prova evidente disso que normalmente não recebe atenção.

Caso alguém critique uma pessoa em diversos outros aspectos, ela não ficará muito ofendida. Caso, porém, diga que ela é mentirosa, dificilmente suportará e imediatamente se enfurecerá.

Por quê? Uma pessoa poderá suportar acusação quando possui consciência da própria inocência. Quando, porém, é chamada de mentirosa, segundo Wesley, toca-se numa ferida: sente-se culpada e, por isso, não consegue suportar a acusação.

5. Existe caráter ainda mais desprezível do que o mentiroso? Talvez exista: aquele que vive exclusivamente para satisfazer os próprios apetites.

Não somos geração entregue aos prazeres? O ventre não se tornou nosso deus? Comer e beber não constituem nosso principal prazer e nossa maior felicidade?

O principal estudo — receio que o único estudo — de muitas pessoas de posição elevada não consiste em aumentar o prazer do paladar?

Desde que a Grã-Bretanha se tornou nação, quando o luxo — não somente em alimentos, mas também em roupas, mobílias e carruagens — alcançou tamanha altura?

Recentemente, estendemos o Império Britânico por grande parte do mundo. Levamos nossas vitórias à África, à Ásia e às regiões quentes e frias da América.

O que trouxemos de lá? Todas as formas sofisticadas de vício que o Oriente ou o Ocidente podiam oferecer.

6. O luxo é constantemente pai da preguiça. Toda pessoa dominada pela comida, com o passar do tempo, perde a disposição para o trabalho. Quanto maior a quantidade que consome, menor se torna o gosto pelo esforço.

Essa degeneração dos britânicos em comparação com seus antepassados moderados e ativos já havia sido observada no século anterior.

Caso o senhor Herbert já declarasse naquela época:

Ó Inglaterra, cheia de pecados,
Mas principalmente de preguiça!

o que teria dito atualmente?

Observem a diferença entre o século anterior e o presente num único exemplo: antigamente, o Parlamento costumava reunir-se hora quinta ante meridiem, “às cinco horas da manhã”.

Caso aqueles britânicos pudessem levantar-se da sepultura, o que pensariam da geração atual?

7. Permitam-me mencionar mais um aspecto no qual, segundo Wesley, superávamos todas as nações da terra.

Nenhuma nação debaixo do céu poderia competir com os ingleses na profanação. Em nenhum outro lugar se encontraria tamanha negligência e tamanho desprezo por Deus.

Em nenhuma outra rua, com exceção da Irlanda, seria possível ouvir por todos os lados:

O juramento terrível, a maldição destruidora,
Última arma na guerra do miserável;
E a blasfêmia, triste companheira
Da pessoa dominada pelo desespero.

8. Agora, cada um de nós coloque a mão sobre o coração e pergunte: “Senhor, sou eu?”

Contribuí para essa inundação de injustiça e impiedade e, desse modo, para o sofrimento de meus compatriotas?

Não sou culpado em algum dos aspectos mencionados? Eles não sofrem, em alguma medida, porque eu pequei?

Caso possuamos alguma ternura de coração, compaixão e solidariedade para com aqueles que sofrem, prossigamos nesse pensamento até percebermos profundamente nossos pecados como uma das grandes causas dos sofrimentos deles.

9. Agora que a calamidade começou e já produziu tamanha destruição tanto na Inglaterra quanto na América, o que poderemos fazer para que ela seja interrompida?

Como permaneceremos “entre os vivos e os mortos”?

Existe caminho melhor para afastar a indignação divina do que aquele prescrito por Tiago: “Purifiquem as mãos, pecadores, e vocês que são indecisos purifiquem o coração”?

Primeiramente, “purifiquem as mãos”. Abandonem imediatamente a maldade de suas ações.

Fujam neste instante do pecado, de toda palavra e obra má, como fugiriam de uma serpente.

“Não saia da boca de vocês nenhuma palavra imprópria”: nenhuma conversa sem amor, inútil ou destrutiva.

Não exista engano em sua boca. Fale a verdade a todas as pessoas, procedente do coração.

Renuncie a toda forma de agir, por mais lucrativa que seja, contrária à justiça ou à misericórdia.

Faça aos outros aquilo que, em circunstâncias semelhantes, desejaria que fizessem a você.

Seja sóbrio, moderado e ativo. Em toda palavra e obra, procure conservar consciência livre de ofensa diante de Deus e das pessoas.

Depois, mediante a graça todo-poderosa daquele que o amou e se entregou por você, “purifique o coração pela fé”.

Não permaneça mais dividido, hesitando entre a terra e o céu e procurando servir simultaneamente a Deus e ao dinheiro.

Purifique o coração do orgulho, humilhando-se debaixo da poderosa mão de Deus.

Purifique-o de todo zelo partidário, ira, ressentimento e amargura, disposições que especialmente agora o alcançarão com facilidade.

Abandone todo preconceito, fanatismo e estreiteza de espírito; toda impetuosidade e incapacidade de suportar oposição; o amor às discussões e todo grau de disposição cruel ou irreconciliável.

Em lugar dessa sabedoria terrena e demoníaca, permita que a “sabedoria que vem do alto” penetre profundamente no coração.

Essa sabedoria “é primeiramente pura; depois, pacífica, moderada, tratável” — disposta a ser convencida, persuadida ou acalmada —, “cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial” — acolhendo todas as pessoas — “e sem hipocrisia”, verdadeira e sincera.

Agora, mais do que nunca, abandonem “toda maldade, gritaria, insulto e palavras destrutivas”.

“Sejam bondosos uns para com os outros”, para com todos os irmãos e compatriotas.

Sejam compassivos para com todos os que sofrem e perdoem uns aos outros, assim como Deus, em Cristo, perdoou vocês.

10. Agora, permita que meu conselho seja aceitável a você e a todos aqueles que permanecem diante de Deus.

“Abandone os pecados pela prática da justiça e as iniquidades, usando de misericórdia para com os pobres; talvez sua tranquilidade se prolongue” — qualquer grau de tranquilidade que ainda permaneça entre nós.

Demonstrem misericórdia especialmente às viúvas pobres e aos órfãos indefesos de seus compatriotas que atualmente se encontram entre os mortos, tendo perdido a vida numa terra distante.

Quem sabe se o Senhor ainda aceitará nossa súplica, acalmará a agitação do povo, apagará as chamas das disputas e derramará sobre todos o espírito de amor, unidade e harmonia?

Então, irmão não levantará a espada contra irmão, e as pessoas já não aprenderão a guerra.

A abundância e a paz florescerão em nossa terra. Todos os habitantes serão agradecidos pelas inúmeras bênçãos que desfrutam, temerão a Deus e honrarão o rei.

Londres, 7 de novembro de 1775.

Tradução em português atual a partir do original em domínio público (ed. Thomas Jackson, 1872), realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello. Citações bíblicas conforme a NAA. Igreja Metodista Livre do Brasil.

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