Cartas sobre a perfeição cristã · 1781
“Aquele puro amor está perto, à porta! Creia agora, e entre!”
Da carta a Miss Gretton, 19 de novembro de 1781
O que Wesley entendia por “perfeição cristã”? Não uma perfeição angélica, que não erra nem ignora nada, mas o puro amor: amar a Deus de todo o coração e ao próximo como a nós mesmos, com o coração limpo de malícia. Ele a chamava também de “plena santificação”, e insistia em três coisas — que é dom recebido agora, pela simples fé; que, uma vez recebida, não precisa ser perdida; e que deve crescer sempre. Estas três cartas, de 1781, são exatamente isso: um pai na fé empurrando com ternura três pessoas rumo a esse alvo. (Quem quiser o quadro completo pode ler, aqui mesmo, Uma Clara Explicação da Perfeição Cristã.)
A Miss Gretton, ele diz que o puro amor está “à porta”, e que basta crer para entrar. A Ann Loxdale, que se apegue ao que já alcançou e ande na luz, sem se importar com o juízo do mundo. E a Hetty, que o Senhor é capaz de nos dar sempre o que uma vez nos deu — que a luz e o amor recebidos devem crescer “até o dia perfeito”. Um cuidado ao ler: nada disto é mérito nem conquista humana. A perfeição é obra da graça, recebida pela fé, e pode ser perdida se o coração se desvia; a salvação, do princípio ao fim, é dádiva de Deus em Cristo. Leia menos como uma meta a alcançar pela força e mais como um presente a receber de mãos abertas.
— Bispo Ildo Mello
Minha querida amiga, o afeto que sinto por você, desde que tive o prazer da sua companhia em casa do sr. Dodwell, nunca deixará que as suas cartas me pesem — tanto quanto nunca me pesou a sua conversa. Alegro-me de saber que as consolações do Santo não são pequenas em você. Todas elas lhe são dadas com este propósito: alargar e fortalecer os seus desejos e avivar a sua esperança daquele puro amor que está perto, à porta! Quão depressa você pode ver cumprir-se aquela palavra: “Tudo é possível ao que crê” (Mc 9.23)! Creia agora, e entre! A promessa é firme; ele não pode negar-se a si mesmo.
E, para lhe mostrar mais da sua própria fraqueza e do poder dele, permite que você seja tentada de vários modos. Mas, em cada tentação, também abre uma saída, para que você a possa suportar (1Co 10.13).
— John Wesley
Minha querida srta. Loxdale, a sua carta me deu muita satisfação. Ao que você já alcançou, apegue-se firme, e “prossiga para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3.14). Não vejo razão para duvidar de que você provou o puro amor de Deus; mas parece ser ainda uma criança nesse estado, e por isso precisa avançar continuamente. É fazendo e sofrendo toda a vontade do nosso Senhor que crescemos naquele que é a nossa Cabeça.
Se você escutar com atenção a voz dele, ele lhe mostrará o caminho por onde deve ir. Mas precisa ser fidelíssima à luz que ele lhe dá. “Enquanto tendes a luz, andai na luz” (Jo 12.35), e ela crescerá continuamente. Não se importe com o juízo do mundo, nem mesmo do chamado mundo religioso. Você não deve conformar-se ao julgamento dos outros, mas seguir a sua própria luz: aquela que o bendito Espírito lhe dá de tempos em tempos, que é verdade e não mentira. Que ele guie você e a sua irmã a toda a verdade e a toda a santidade!
— John Wesley
Você tem, na sua própria experiência, uma prova clara de que o nosso bendito Senhor é capaz e está disposto a nos dar sempre o que uma vez nos deu; de que não há necessidade alguma de perdermos o que recebemos no momento da justificação ou da santificação. Mas é vontade dele que toda a luz e todo o amor que então recebemos cresçam cada vez mais, até o dia perfeito (Pv 4.18).
— John Wesley
Traduções para o português a partir de The Letters of the Rev. John Wesley, A.M. (ed. John Telford, 1931), domínio público. Referências bíblicas na versão NAA (Nova Almeida Atualizada), abreviadas ao padrão brasileiro. Edição em português: Bispo José Ildo Swartele de Mello.