Meus Sermões · Volume 1 · Providência e liberdade

Providência Divina

Capítulo 6 de 14 · 3.784 palavras

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Textos base: Filipenses 4.19; Salmo 139.5

1. O Deus que há de suprir

Que bom a gente poder hoje falar sobre a providência divina! Convido você a abrir a Bíblia em Filipenses, capítulo 4, versículo 19: "E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de suas necessidades" (Fp 4.19). E logo adiante: "Ao nosso Deus e Pai seja dada glória pelos séculos dos séculos" (Fp 4.20). É um louvor, é uma ação de graças que procede da consciência da providência divina: o Senhor proverá. O Senhor proverá! Deus maravilhoso, seja dada a sua glória.

Outro texto que eu convido você a abrir se encontra no Salmo 139, versículo 5: "Tu me cercas por trás e por diante e sobre mim pões a mão" (Sl 139.5). Antes de eu nascer, durante a minha infância, a juventude, a fase adulta — e eu, que já estou entrando na terceira idade —, tu me cercas por trás. Quando eu olho para trás, é pela fé que eu discirno a boa mão de Deus sobre a minha existência; e, quando eu olho adiante, eu sei que o Senhor lá está: o mesmo Deus todo-poderoso que me trouxe à existência.

Da nossa perspectiva humana, viemos a existir através de uma sucessão de fatores, gerações após gerações, até que viéssemos a nascer. Se um único episódio, um só que fosse, tivesse sido alterado no curso da história, eu não estaria aqui falando com você. Você já parou para pensar em quantas coisas precisaram acontecer para que você viesse a existir? Nossos pais, nossos avós, bisavós, tataravós — se algum elo tivesse sido diferente, não estaríamos aqui conversando agora. E quantos livramentos, também, desde que viemos à existência! Aí está a providência divina.

2. Concepções errôneas de providência

O problema é que existem concepções errôneas a respeito da providência, ao lado da concepção bíblica, ortodoxa. Tem gente que acredita em "providência", mas não do jeito bíblico, não como revelado nas páginas das Escrituras Sagradas.

Por exemplo: aqueles que acreditam em destino, em carma — e muitas vezes falam dessas coisas como algo impessoal, uma força do destino, alguma coisa que não tem uma pessoa por detrás. Eu costumo citar aquela frase repetida: "como quis o destino…". Há também os que acreditam na sorte ou no azar.

E eu vou falar agora de marxistas e de capitalistas — dá para você ver que não estou puxando a sardinha para lado nenhum. Os marxistas trabalham com a ideia de uma suposta inevitabilidade histórica: o proletariado faz a história, e a história vai assumindo quase uma dimensão divina, um curso inevitável. E, do outro lado, os capitalistas: líderes americanos afirmavam o chamado "destino manifesto" — o destino manifesto dos Estados Unidos da América seria dominar o hemisfério ocidental. Você percebe que essa ideia de "providência" passa de um lado para outro, sem necessariamente evocar a pessoa de Deus? É a "inevitabilidade da história", é a ideia de um progresso inevitável, de que a sociedade humana vai sempre avançando e melhorando — ainda que, depois da Primeira e da Segunda Guerra Mundial, essa crença tenha ficado um pouco nebulosa, digamos assim.

Outros atribuem tudo à natureza — falam tanto da "mãe natureza", da providência da natureza. Outros apelam para a astrologia, para os astros. E o espiritismo, de modo geral: o problema dessas concepções é que falam de uma providência impessoal. Não se trata do Deus sábio, inteligente, bondoso, amoroso e todo-poderoso; tudo é explicado por poderes impessoais — os poderes da criação, os poderes da natureza, os poderes dos astros, os poderes do destino, sabe-se lá o que significa isso.

Você vê, então, que acreditar em "providência" não é, necessariamente, acreditar naquilo que nós chamamos de providência divina. Falar só do que ela não é não resolve, mas ajuda: serve para você ver por onde não deve caminhar.

3. O significado bíblico

Vamos, então, ao significado bíblico. Filipenses 4.19: "O meu Deus suprirá todas as suas necessidades, de acordo com as riquezas da sua glória, em Cristo Jesus." É o Deus que supre as necessidades humanas — em especial as necessidades daqueles que nele confiam, que buscam a Deus, que se relacionam com Deus. Em especial, mas não de modo exclusivo: até aqueles que em algum período da vida não eram fiéis ao Senhor, olhando para trás, serão capazes de discernir o cuidado e o amor de Deus se manifestando. Agora, é claro que, quando passamos a ser do Senhor, quando buscamos nos relacionar com ele, orar e caminhar com o Senhor, vamos experimentar muito mais — como diz o apóstolo: o Senhor suprirá cada uma de nossas necessidades "em glória", conforme a riqueza da sua glória, do seu poder, da sua generosidade.

Providência significa o cuidado de Deus provendo aquilo de que carecemos, para nos sustentar, para nos abençoar. A gente pode ver a providência divina até mesmo nos eventos do cotidiano, naqueles ordinários, comuns, constantes: por trás de todos eles está o Senhor — por trás do sol, da chuva, de cada coisa que se tornou comum para nós. O bom observador percebe que Deus está ali.

Agora, como estamos vivendo num mundo caído, um mundo perigoso, com fragilidades, estamos suscetíveis a tantas coisas; então nós precisamos também de intervenções divinas especiais: o socorro providencial, a cura, a porta que se abre, o dom da sabedoria para tomarmos uma decisão correta, o livramento do mal, a vitória sobre uma tentação, a ajuda para escolhermos corretamente, para nos posicionarmos corretamente. O Senhor vai nos amparando, salvando, livrando de acidentes e perigos; ele conosco nos momentos em que mais crescemos, aprendendo lições, atravessando o deserto e experimentando, nesse deserto da vida, a sua presença — aprendendo, crescendo, sendo transformados. É impressionante como o Senhor age tanto nas coisas que são constantes quanto naquelas mais episódicas, eventuais: é o presente cuidado de Deus.

Esse cuidado providencial ocorre porque Deus se importa com a gente, se importa com o universo, se importa com a sua criação.

4. A providência e a salvação

E não é providência divina que Deus tenha enviado Jesus Cristo, que vem ao nosso encontro, que veio buscar e salvar o perdido (Lc 19.10)? É maravilhoso ver que, muito antes de termos consciência de Deus, quando estávamos mortos nos nossos delitos e pecados (Ef 2.1), o Senhor nos amou e se deu por nós. "Deus prova o seu amor para conosco em que, sendo nós ainda pecadores, Cristo morreu por nós" (Rm 5.8). Vivíamos em trevas, alheios à vida de Deus, soltos, ignorantes — e o Senhor nos amava, e veio ao nosso encontro.

A providência divina se vê na história da humanidade: todos, sem exceção, são objeto desse cuidado. "A graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens" (Tt 2.11). Manifestou-se a um mundo que estava em trevas, "porque Deus amou o mundo de tal maneira" (Jo 3.16); porque o Senhor se importa, porque o Senhor nos visita, porque o Senhor tem compaixão, porque quer nos ajudar, porque quer se revelar a nós. Agora, quando nós o conhecemos, quando nos entregamos a ele, quando abraçamos a sua salvação, quando estamos em Cristo — muito mais! Muito mais o Senhor há de suprir, em glória, cada uma das nossas necessidades. O Senhor não vai falhar: o Senhor é o bom Pastor, o Senhor é Pai.

5. O cuidado do Pai

O que Jesus ensina a respeito do Pai? "Se vocês, que são maus, sabem dar boas dádivas aos seus filhos, quanto mais o Pai celestial?" (Mt 7.11). No geral — há exceções, é claro —, os pais cuidam dos seus filhos, protegem os seus filhos, dão coisas boas aos seus filhos, apresentam o caminho, dão conselhos, ajudam, socorrem, levantam os seus filhos. Quanto mais o Pai celestial!

E o que Jesus ensina a respeito dessa consciência do Pai, da providência divina? "Não andem ansiosos por coisa alguma" (Fp 4.6; Mt 6.25-34). Por coisa alguma! Vocês têm um Pai todo-poderoso que conhece cada uma das suas necessidades. O Senhor proverá. O Senhor não falhará, não faltará. "O guarda de Israel não dormita, nem dorme" (Sl 121.4); não tosquenejará, não vacilará. Essa consciência faz com que a gente tenha alegria, tenha confiança; é um consolo para nós em toda e qualquer circunstância: "Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam" (Sl 23.4). É um consolo para toda e qualquer situação.

6. "Nem só de pão viverá o homem"

Quero compartilhar uma experiência — hoje a gente conversou um pouco sobre ela. Uma irmã viajava pela primeira vez à Europa, sozinha, e acabaram-se os recursos. Ela se viu em apuros e, de repente: "Senhor, e agora? O que é que eu vou fazer? Como é que eu vou comer? Não quero passar fome." E o Senhor providenciou o livramento — a intervenção divina, o socorro, uma saída, um escape. Meus irmãos e irmãs, cremos no Deus poderoso, que se importa, Pai, cuidador, que ouve as nossas orações; e, quando menos se espera, lá está o Senhor suprindo cada uma de nossas necessidades.

Ela contou que sentiu a tentação — o diabo sussurrando: "Deus te abandonou; você vai morrer de fome; não confie na providência divina; mexa os pauzinhos; faça aquilo que você sabe que não deve fazer". Mas a palavra de Deus veio a ela; encontrou o texto que dizia: "Nem só de pão viverá o homem" (Mt 4.4). Ela se abraçou a essa palavra, sentiu a presença de Deus — e logo tocou o telefone: uma comunicação, uma mensagem, e o socorro de Deus chegando. Providência divina!

Você vai ver que foi no deserto que Jesus resistiu à tentação lembrando-se exatamente desta palavra: "Nem só de pão viverá o homem" (Mt 4.4). O Senhor proverá. E, de repente, mais adiante, os anjos o estão servindo (Mt 4.11). Olha, meus irmãos, quanta tentação neste mundo de fazer a coisa errada simplesmente porque nos sentimos sozinhos, como se Deus não existisse, como se Deus tivesse se esquecido de nós: "Se eu não fizer nada, estou perdido; então eu vou ter que mexer os pauzinhos, vou ter que puxar o tapete, vou ter que trapacear, vou ter que ser 'esperto' nessa situação" — entre aspas, esperto. Como é bom e maravilhoso quando a gente resiste a todas essas tentações e confia no Senhor! Vai ser alimentado pelo Senhor, sustentado pelo Senhor; vai ver, no deserto, o maná caindo do céu; vai ver o Senhor se levantando.

E o Salmo 139 — tão importante aqui — fala: para onde é que eu vou fugir da tua presença? Se eu subir aos céus, lá estás; se eu me esconder nas profundezas, lá estás também (Sl 139.7-10). "Tu me cercas por trás e por diante e sobre mim pões a mão" (Sl 139.5). Isso, em vez de ser alguma coisa desesperadora, é a coisa mais reconfortante que pode existir para mim e para você: a consciência de que somos amados por Deus — o Deus que nos cerca, o Deus que vem a nós, o Deus que está na nossa história. O Deus que, ainda que a gente tenha errado, pecado, não dado ouvidos — e agora estejamos colhendo aquilo que plantamos —, está nesse processo nos corrigindo, fazendo a gente aprender lições preciosas para não incorrermos nos mesmos erros no futuro. O Senhor está conosco por todo esse processo; o Senhor nunca, nunca nos desampara. Que bom poder contar com a sua presença, que nos cerca por trás e por diante!

7. O Senhor proverá: Abraão no monte

A Bíblia toda fala sobre isso, mas eu poderia falar de Abraão. Abraão confiou em Deus: deixou a sua terra, deixou a sua parentela e foi na direção que Deus mandou (Gn 12.1-4). Mais tarde, milagrosamente, ele vai ter um filho — quanto demorou para essa promessa se cumprir! E aconteceu, porque a palavra do Senhor não falha. Às vezes a gente acha que está demorando; o Senhor está presente, e o Senhor não tem pressa. Isso às vezes é tão angustiante para nós, porque a gente quer tudo para já; mas o Senhor tem um caminho no meio de tudo. Confia no Senhor; confia no Senhor de todo o teu coração (Pv 3.5).

Abraão esperou. E aí, tempos depois, quando Isaque, o filho que teve com Sara, era já um rapaz, Deus provou Abraão e pediu o filho de volta: "Abraão, dê-me o seu filho" (Gn 22.1-2). Abraão obedeceu a Deus. E Deus disse: "Quero que você caminhe três dias, até a região que eu lhe mostrar." Três dias caminhou Abraão. Isso mostra que Deus não quer que a gente tome nenhuma atitude sem pensar.

Aliás, isso é ruim para os vendedores, né? Porque quem é crente, e conhece a palavra de Deus, sabe que precisa de cuidado quando as pessoas estão nos pressionando a decidir. Muitas vezes a prática da venda é pegar você ali no gancho, aumentar o desejo: "É só hoje! Você não pode perder essa oportunidade!" E a gente precisa de um pouco de tempo, de um respiro. "Calma, deixa eu pensar um pouco; eu vou para casa e depois eu volto." Faça isso, converse com outras pessoas, e você vai ver que boa parte dos negócios você vai deixar de fazer — quem tem experiência sabe. Se você se deixar levar pelo calor daquele momento, você pode ser fisgado, cativado pela coisa. Deus não é assim: quando Deus propõe algo para mim e para você, ele não nos pega pela emoção, não cria uma situação em que de repente a gente se vê compelido emocionalmente, pressionado: "Você vai, ou não vai? Responda de imediato!" Não. Deus deu a Abraão três dias de caminhada. Em três dias, você pode desistir; você pode mudar de ideia. Pensa: três dias caminhando numa direção, sabendo o que o esperava lá.

E o menino, no caminho, pergunta: "Meu pai, eis o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto?" — está tudo pronto para o sacrifício, mas esqueceram de algo fundamental, já que se trata de um sacrifício. E a resposta de Abraão: "Deus proverá para si, meu filho, o cordeiro para o holocausto" (Gn 22.7-8). E ele sobe. E quando está prestes a sacrificar o seu filho, um anjo aparece e o impede; e ali estava, preso pelos chifres num arbusto, o carneiro (Gn 22.11-13). E o que entendeu Abraão, na sua história? Que aquele carneiro não estava lá por acidente; não foi coincidência: foi a providência divina. E deu certinho: três dias de caminhada, e tudo tinha que estar muito ajustado, gente — o tempo sincronizado, o carneiro preso ali exatamente naquela condição, naquele momento. Por isso Abraão chamou àquele lugar "O Senhor Proverá" (Gn 22.14). Meus irmãos: o Deus Senhor da história, Senhor da vida, não erra. Ele é todo-poderoso, e ele quer que eu e você confiemos nele de todo o coração.

8. O fruto do Espírito é paz

E aí temos paz. Porque o fruto do Espírito não é ansiedade; o fruto do Espírito não é preocupação; o fruto do Espírito não é o medo; o fruto do Espírito não é a solidão, o desamparo, a angústia. "O fruto do Espírito é amor, alegria, paz" (Gl 5.22) — essa convicção, essa certeza de que tudo está nas mãos do Pai. E o que nós temos na sequência? Louvores a Deus: "Ao nosso Deus e Pai seja dada glória pelos séculos dos séculos" (Fp 4.20). Louvores a Deus, agora e sempre. Amém!

O Senhor — quando a gente não tem mais ninguém, quando tudo parece dizer que não — o Senhor age, o Senhor abre portas, o Senhor vem até nós.

9. Um testemunho: a casa do casamento

Muitos de vocês conhecem essa experiência; vou contá-la mais uma vez.

Eu comecei a namorar a filha do pastor José Alves quando tinha por volta de dezesseis anos de idade. Foi quando eu voltei para a igreja — eu havia estado uns três anos afastado. Quando regressei à igreja, uma ou duas semanas depois estava mudando o pastor: chegava o pastor José Alves, que tinha sete filhas, e uma delas era a Cristine. Quando eu a vi pela primeira vez, ela cantava lá na frente — e alguém, da porta da igreja, brincou: "Está vendo aquela ali? É com ela que você vai se casar." E toda uma circunstância me levou a voltar para a igreja naquele tempo: eu tinha tido uma discussão na casa de um amigo, e a gente "descobriu" que era crente, que era melhor a gente deixar de ser agente secreto de Jesus e ser cristão de verdade. Se eu não tivesse voltado, meus irmãos… Voltei, e lá estava ela. Não tive dúvida da providência.

Passaram-se um, dois, três anos de namoro. Eu estava fazendo cursinho, com dezenove anos de idade, e caiu a ficha: eu ainda ia fazer um ano inteiro de cursinho para entrar na faculdade; se eu finalmente entrasse, teria cinco anos de estudos de Direito; e, quando estivesse formado, ainda precisaria de um tempo para ter condições, o mínimo necessário para poder casar. E eu já namorava havia três anos! Quando é que eu ia poder me casar? E eu pensava: ela é filha de pastor, eu não posso ficar enrolando. Aliás, eu gostava muito dela, era apaixonado por ela — e, se você é apaixonado de verdade por alguém, você quer o bem da outra pessoa; não pode ficar enrolando.

Quando eu estava bem desanimado, vi um outdoor que dizia: apartamentos em parcelas de tanto — cabia em dois salários mínimos daquela época. Falei: "Que bom! Está pronto para pagar, e eu posso casar; vou comprar esse apartamento, que cabe no meu orçamento." Só que, quando fui lá — o sábado era o dia da minha folga —, descobri que aquilo não era toda a verdade: aquele valor era só o parcelamento da entrada até receber a chave, e depois vinha o financiamento, que era outra bronca. Fiquei tão desiludido, tão frustrado! Mas fui atrás de outro: "deve ter alguma coisa boa". Passei de um para outro, e nada — nem apartamento para comprar, nem aluguel mais barato que desse para pagar.

Voltei para casa — quem conhece lá a Cidade Ademar sabe: a igreja ficava embaixo, e a casa, lá no alto do morro; o ônibus passava pela igreja e ia subindo. E eu, naquele ônibus, chorava. Chorava literalmente, e não era choro manso: chorava porque, para mim, estava claro — eu não tinha condições de me casar, eu não tinha condições, e então eu ia ter que terminar com ela; eu não podia enrolar ninguém; eu ia ter que liberá-la, ia ter que esquecê-la, desistir de casar. Cheguei em casa e fiquei muito triste.

Mas, naquela mesma noite, ocorreu-me uma ideia — Deus me visitou. Porque uma das coisas que acontecem quando a gente está muito triste é que às vezes a gente não reconhece o que Deus já está fazendo, os recursos que Deus já colocou à disposição. Deus já mexeu os pauzinhos a nosso favor e já criou alguns recursos. Lembra dos cinco pães e dois peixinhos no deserto, para alimentar uma multidão? "Trazei-mos aqui", disse Jesus (Mt 14.18) — ele não desprezou o pouco; deu graças. É a providência divina agindo a partir do simples que já está nas mãos. Como Elias e a nuvem do tamanho da mão de um homem: era o sinal da chuva que vinha (1Rs 18.44). Deus se move, e a gente precisa discernir essa semente de Deus, a graça que Deus já deu.

Sabe, quando eu e o meu irmão Celso começamos a trabalhar, nós chegamos para o meu pai e dissemos: "Pai, a casa precisa de uma reforma; agora a gente está ganhando dinheiro e vai ajudar." E fizemos, com o meu irmão, uma boa reforma: a casa ficou toda estruturada, com alicerce e laje em cima. E, naquela noite, veio a ideia: dava para construir uma casa em cima da casa dos meus pais! Eu nunca tinha pensado em construir ali. "Eu podia construir aqui em cima para poder casar!" Fui falar com o meu pai, e ele, em vez de dificultar: "Olha, eu até já fiz a planta" — meu pai já tinha pensado naquilo! Falei: vai dar certo. Fiz até um projeto: em um ano eu me casaria. Pedi a moça em noivado, fui comprar as alianças — e ela, "maluca", aceitou! "Daqui a um ano eu vou casar com você."

Passados uns dois meses, juntei um dinheirinho para o primeiro milheiro de tijolos. Quando cheguei em casa, lá estavam eles, colocados sobre a laje da casa dos meus pais. E eu, no meio daqueles tijolos, adorava a Deus — porque eu já via a minha casa construída. E olha o que Deus foi operando: eu trabalhava e pedi vinte por cento de aumento, e não consegui; arrumei outro emprego e, no fim das contas, fiquei com um salário que representava duzentos por cento de aumento. Diante de Deus eu digo: dava para fazer tanta coisa! Cheguei a trabalhar em quatro coisas ao mesmo tempo — Deus abençoando, mas a gente tem que trabalhar, né? E a gente, calados, construindo a casa. Como prometido: casei dentro de um ano, na casa construída — uma providência, a mão de Deus. Aos poucos fomos conquistando as coisas. Hoje temos três filhos e duas netas. E aquele dia em que eu chorei no ônibus parece um filme.

Deus se manifesta na história. Louvado seja o nome do Senhor! Tem alguém aí com o coração partido? Aquieta-te: Deus proverá.

10. Oração

Ó Pai, o Senhor é bondoso, o Senhor cuida, o Senhor é todo-poderoso. Obrigado porque o Senhor nos cerca por trás e por diante e põe a sua mão sobre nós (Sl 139.5); porque, segundo a riqueza da sua glória, há de suprir cada uma de nossas necessidades (Fp 4.19); porque aos que confiam no Senhor nada faltará, pois têm o bom Pastor (Sl 23.1); porque o Senhor não falha, porque o Senhor é todo-poderoso. Ajuda-nos a confiar no Senhor, a entregar o nosso caminho ao Senhor (Sl 37.5), a buscar em primeiro lugar o teu Reino (Mt 6.33), e a ver a tua mão operando. Como é bom ser do Senhor, agradar-se do Senhor, e contar contigo em toda e qualquer circunstância! A tua paz, que excede todo entendimento, guarde a nossa mente e o nosso coração (Fp 4.7). O Senhor firma os passos do homem bom e se compraz no seu caminho (Sl 37.23). O Senhor faz chover sobre a nossa horta, o Senhor supre as nossas necessidades, o Senhor vai adiante, o Senhor intervém em nossa história. O Senhor é maravilhoso, e podemos usufruir, aqui e agora, da tua paz e da tua alegria. Podemos louvar ao Senhor como Paulo fez em Filipenses, capítulo 4, versículo 20: glória seja dada a ti, hoje e sempre. Amém.

Capítulo 7

Bispo Ildo Mello
De Meus Sermões, Volume 1: Deus — pessoa, atributos e providência. Citações bíblicas na Nova Almeida Atualizada (NAA).