EvangelizaçãoAula 12

Do encontro ao discipulado

“E o que da minha parte você ouviu através de muitas testemunhas, isso transmita a homens fiéis e idôneos para instruir também a outros.”2 Timóteo 2.2 · NAA

Bispo Ildo MelloLeitura prévia: 2Tm 2.1-7; At 2.41-47; Mt 28.18-20; Ef 4.11-16

Perguntas norteadoras

Três perguntas antes de começar

Última aula. A pergunta agora não é mais o que fazer, e sim o que você vai fazer.

1

O que acontece com alguém que crê hoje na sua igreja?

Nos próximos quinze dias, concretamente. Quem procura, o que se oferece, quem acompanha.

2

Quem está discipulando você?

E a quem você está discipulando? A pergunta da Aula 10 volta, agora pedindo nomes.

3

O que você vai fazer na segunda-feira?

Um curso que termina em admiração pelo conteúdo terminou mal.

Tese da aula: a Grande Comissão manda fazer discípulos, e não obter decisões. Wesley jamais evangelizava uma pessoa para abandoná-la à própria sorte, à mercê do inimigo. Evangelização que não desemboca em discipulado não cumpriu a ordem — apenas começou a cumpri-la.

Parada 1

O buraco entre decidir e seguir

É o ponto em que a maior parte do esforço evangelístico brasileiro se perde.

Campanhas produzem decisões; poucas produzem discípulos. A pessoa levanta a mão, ora uma oração, é aplaudida — e na semana seguinte volta para o mesmo bairro, a mesma família, os mesmos hábitos e as mesmas amizades, agora com uma culpa nova e nenhum apoio. Não é falta de sinceridade dela: é falta de estrutura nossa.

O que costumamos medir

Quantas decisões. Quantos presentes. Quantos folhetos. Números que sobem no relatório e não aparecem na comunidade seis meses depois.

O que Jesus mandou medir

Discípulos: batizados e “ensinados a obedecer a tudo o que ordenei” (Mt 28.20). O critério é obediência ao longo do tempo, não resposta num momento.

Parada 2

As primeiras semanas de um novo convertido

O que se faz nos primeiros quinze dias decide boa parte do que essa pessoa será dali a dez anos.

Dia 1

Um nome responsável

Alguém específico — não “a igreja” — assume o acompanhamento. Sem nome, ninguém acompanha. Preferencialmente quem já tinha relacionamento com a pessoa.

Primeira semana

Segurança e Palavra

Ajudar a pessoa a ter certeza da salvação a partir do texto, e não do sentimento (1Jo 5.11-13). Ensinar a ler a Bíblia: comece por um evangelho, um pouco por dia, com um método simples.

Primeiras semanas

Batismo e comunidade

Em Atos, batismo e integração vêm logo, não anos depois (At 2.41). E integrar não é frequentar: é ser conhecido por nome por um grupo pequeno.

Primeiro mês

Oração e testemunho

Ensinar a orar orando junto. E ajudar a pessoa a contar a própria história para a sua rede — que ainda está toda fora, e que nunca mais estará tão acessível quanto agora.

Primeiros meses

Ruptura e serviço

Tratar com cuidado os pontos concretos de mudança de vida, sem lista pronta e sem pressa moralista. E dar cedo alguma responsabilidade real: quem só recebe, atrofia.

Um alerta: a rede de relacionamentos do novo convertido é o campo mais fértil que a sua igreja terá naquele ano — e costuma ser destruída em seis meses, quando a agenda da igreja consome todo o tempo dele. Proteja essas amizades de propósito.

Parada 3

O seu plano pessoal

Recolhendo as tarefas das onze aulas anteriores, sobra um plano de uma página. Escreva-o hoje, antes de fechar esta página.

Item 1

A lista

De cinco a dez nomes, das quatro camadas do oikos (Aula 3). Revista a cada seis meses, com nomes riscados e acrescentados.

Item 2

A oração diária

Quinze minutos, horário fixo, pelos nomes, um a um. É a única parte inegociável — e a primeira a ser abandonada.

Item 3

O testemunho pronto

Três minutos, escrito e treinado (Aula 5). Revise uma vez por ano; a sua história continua acontecendo.

Item 4

O evangelho em cinco passos

Deus, nós, Cristo, você, convite (Aula 2) — nas suas palavras, sem jargão, com uma pergunta no fim.

Item 5

A mesa

Um convite por mês, no mínimo: um café, um almoço, uma conversa sem agenda evangelística embutida (Aula 3).

Item 6

O Paulo e o Timóteo

Quem discipula você e a quem você discipula, com nome e frequência definida (Aulas 10 e 11).

Parada 4

O plano da igreja local

O Plano Nacional de Evangelização da Igreja Metodista Livre define a nossa missão e a nossa visão. Vale ler devagar, porque cada linha tem consequência prática.

Repare na sequência da visão: discípulos, líderes, grupos e igrejas. Nessa ordem. Não se multiplicam igrejas sem multiplicar grupos; não se multiplicam grupos sem formar líderes; e não se formam líderes sem antes fazer discípulos. Toda tentativa de pular etapa produz estrutura vazia.

1

Corpo de Cristo no mundo

A Igreja é dedicada à adoração, ao testemunho, a fazer discípulos, à comunhão e ao serviço. Cinco funções, e nenhuma delas é opcional.

2

Cuidado mútuo

Compromisso entre os membros, promovendo compreensão, perdão, disciplina e assistência mútuas. É a Aula 11 em linguagem de documento oficial.

3

Membresia com sentido

Oportunidade de declarar amor e lealdade a Cristo, identificando-se com uma comunidade que vive o amor e proporciona prestação de contas.

4

Santidade em amor

Busca pela santidade em amor a Deus e ao próximo — a marca wesleyana que atravessou todo este curso.

Perguntas para levar ao seu conselho local: quem é a pessoa responsável pelo acompanhamento de cada novo convertido? Existe um caminho definido do primeiro contato ao grupo pequeno? Quantos líderes de grupo a igreja formou nos últimos doze meses? E, das quatro camadas do bairro, qual a igreja não alcança?

Parada 7

Lendo a Grande Comissão devagar

Voltamos ao texto do começo do curso, agora para reparar em quatro detalhes que mudam a prática.

Detalhe 1

“Enquanto vocês estão indo”

Nas versões em português o verbo ir aparece como imperativo, mas uma tradução melhor seria “enquanto vocês estão indo” — algo espontâneo e ao mesmo tempo intencional, que acontece no curso da vida, enquanto nos movimentamos, no cotidiano. Isso desmonta a ideia de que a missão exige um deslocamento especial. Ela exige atenção ao caminho que você já percorre.

Detalhe 2

A quem foi dirigida

A Grande Comissão envolve todos os cristãos, e não apenas um grupo seleto que recebeu um chamado especial para um ministério profissional e integral. Sem exceção.

Detalhe 3

Batizar tem dois sentidos

Um ritual e outro de incorporação. Não se trata só de batizar com água, mas de abraçar a pessoa e recebê-la na família da fé. Igreja que batiza e não integra cumpriu metade do verbo.

Detalhe 4

Ensinar é lapidar

O verbo grego traz o sentido de afiar, lapidar, treinar — o que implica modelo e interação, não apenas transmissão. E Jesus diz “ensinando-os a guardar”: o mais importante não é o quanto se sabe, e sim o quanto se obedece (Jo 13.17).

Parada 8

Quatro crescimentos, e uma definição

Atos 2.41-47 descreve uma igreja crescendo em quatro direções ao mesmo tempo. Falhar em qualquer uma delas produz uma comunidade desequilibrada.

1

Para cima

Espiritual: relacionamento com Deus, adoração, oração, ensino bíblico.

2

Para dentro

Relacionamento entre os cristãos, cuidando uns dos outros.

3

Para fora

Influenciando a comunidade: relacionamento com o mundo.

4

Numérico

“Acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos” (v. 41,47).

Nem toda igreja que cresce é saudável, mas toda igreja saudável cresce. Qualidade e crescimento não são incompatíveis — e uma igreja que cresce só numericamente costuma ser a que primeiro perde as outras três direções.

Definição de trabalho

O que é evangelizar, dito de uma vez

“Apresentar Jesus, no poder do Espírito Santo, para que as pessoas coloquem nele a sua fé, aceitando-o como Salvador, servindo-o na comunhão da igreja.” Repare no fecho: segundo esta definição, a nossa tarefa não termina quando as pessoas aceitam a Cristo, pois são necessárias a incorporação e o discipulado. É a tese deste curso inteiro em uma frase.

At 2.47

Parada 5

Multiplicar: quatro gerações num versículo

“E o que da minha parte você ouviu através de muitas testemunhas, isso transmita a homens fiéis e idôneos para instruir também a outros” (2Tm 2.2).

Geração 1

Paulo

Alguém investiu em você. Se você não sabe dizer quem, procure — e agradeça.

Geração 2

Timóteo

Você. O curso todo esteve aqui: alguém recebeu e agora carrega.

Geração 3

Homens fiéis e idôneos

As pessoas em quem você vai investir. Note os dois critérios: fidelidade e capacidade de ensinar. Escolha por caráter, não por talento aparente.

Geração 4

Também a outros

O teste final. Se a cadeia para na terceira geração, você formou seguidores. Se continua, formou discipuladores.

Para produzir eficazmente discípulos que fazem discípulos intencionalmente, é preciso capacitá-los para ensinar a outros. Por isso o alvo do discipulado não é a pessoa aprender: é a pessoa ficar capaz de ensinar. Se você nunca soltar a mão, você não formou ninguém — apenas criou dependência.

Um teste simples da sua igreja: se ela dobrasse de tamanho em um ano, teria líderes preparados para os grupos novos? Se a resposta for não, o gargalo não é evangelístico — é de formação. E ele se resolve começando agora, com poucas pessoas, e não quando o crescimento chegar.

Parada 6

Envio

Chegamos ao fim do curso. Vale recolher o caminho em poucas linhas.

Começamos perguntando por que evangelizar, e a resposta foi obediência e amor (Aula 1). Vimos o que anunciamos — notícia, e não conselho (Aula 2) —, onde isso acontece (Aula 3), como Jesus fazia (Aula 4), e como contar a nossa própria história (Aula 5). Reconhecemos que sem o Espírito nada acontece (Aula 6), encaramos os obstáculos (Aula 7) e as objeções (Aula 8), recusamos o evangelho mutilado (Aula 9), recuperamos o lugar dos leigos (Aula 10) e o discipulado em grupos pequenos que nos trouxe até aqui (Aula 11).

Fica uma convicção, que atravessou tudo: o que nos falta mesmo é amor pelo perdido, e não mais técnicas. As pessoas querem ver Cristo em nós, e não somente ouvir de nós sobre Cristo. Toda a metodologia deste curso serve para isso, e não substitui isso.

Não retenha a Boa Nova. O mundo — inclusive o mundo que começa dentro da sua casa — precisa desesperadamente do que você recebeu do Senhor.

Fixação

Cartões de memorização

Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.

Avaliação

Teste o que você aprendeu

Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe — errar aqui também ensina.

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Para pensar e conversar

Perguntas para reflexão

Escreva o seu plano pessoal de uma página, com os seis itens. Qual deles você sabe, desde já, que vai abandonar primeiro? O que fazer a respeito?Ver resposta sugerida
A resposta honesta quase sempre é a oração diária, e vale entender por quê: ela não tem prazo, não tem plateia, não produz resultado visível e não cobra nada de você quando falha. Todos os outros itens têm algum reforço externo — o convite tem data, o discipulado tem outra pessoa esperando, o testemunho tem a próxima conversa. Três providências ajudam. Ancore num hábito existente: logo depois do café, dentro do carro antes de entrar no trabalho, antes de dormir. Horário vago vira horário nenhum. Torne visível: a lista escrita num papel, dentro da Bíblia ou colada em algum lugar — memória não sustenta constância. Peça conta a alguém: conte a um irmão o que você decidiu e peça que ele pergunte uma vez por mês. É exatamente o princípio das classes wesleyanas aplicado a você. E quando falhar — porque vai falhar — retome no dia seguinte, sem penitência. Constância não é ausência de falha; é a recusa de desistir depois dela.
Encerrando o curso, qual foi a mudança mais importante no seu modo de entender a evangelização — e o que você fará com ela na próxima semana?Ver resposta sugerida
Não há resposta certa aqui, mas há um critério para avaliar a sua. Se a mudança que você identificou for apenas de compreensão — “entendi melhor o que é o evangelho”, “aprendi a estrutura do kerigma” —, o curso ainda não terminou o seu trabalho. Boa teologia que não muda a agenda vira erudição devocional, e o próprio Wesley advertia contra o pregador que lê e não muda: bonito, mas superficial. Procure formular a sua resposta em três partes: o que mudou na sua cabeça (uma convicção nova), o que muda no seu calendário (um horário, um convite, um encontro marcado) e o nome de uma pessoa a quem isso vai chegar. Se você não conseguir preencher as três, escolha a terceira primeiro: comece pelo nome. A convicção amadurece caminhando, e a agenda se ajusta quando há alguém do outro lado esperando. Foi assim com os primeiros cristãos: gente comum, em vida secular, falando da sua fé aos que encontrava no caminho.

Para casa e próxima aula

Tarefas

1) Escrever o plano pessoal de uma página, com os seis itens, e mostrá-lo a um irmão pedindo que lhe pergunte a respeito daqui a um mês. 2) Levar ao seu pastor ou conselho local as quatro perguntas sobre o acompanhamento de novos convertidos, com uma proposta concreta. 3) Escolher hoje um nome da sua lista e marcar uma conversa.

E agora

O curso termina, a lista não. Volte às aulas quando precisar — elas continuam aqui, com os cartões e as avaliações. E comece pelo mais simples: um nome, uma oração, um convite.

Curso de Evangelização · Igreja Metodista Livre do Brasil. Texto redigido com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello.