O que acontece com alguém que crê hoje na sua igreja?
Nos próximos quinze dias, concretamente. Quem procura, o que se oferece, quem acompanha.
“E o que da minha parte você ouviu através de muitas testemunhas, isso transmita a homens fiéis e idôneos para instruir também a outros.”2 Timóteo 2.2 · NAA
Perguntas norteadoras
Última aula. A pergunta agora não é mais o que fazer, e sim o que você vai fazer.
Nos próximos quinze dias, concretamente. Quem procura, o que se oferece, quem acompanha.
E a quem você está discipulando? A pergunta da Aula 10 volta, agora pedindo nomes.
Um curso que termina em admiração pelo conteúdo terminou mal.
Tese da aula: a Grande Comissão manda fazer discípulos, e não obter decisões. Wesley jamais evangelizava uma pessoa para abandoná-la à própria sorte, à mercê do inimigo. Evangelização que não desemboca em discipulado não cumpriu a ordem — apenas começou a cumpri-la.
Parada 1
É o ponto em que a maior parte do esforço evangelístico brasileiro se perde.
Campanhas produzem decisões; poucas produzem discípulos. A pessoa levanta a mão, ora uma oração, é aplaudida — e na semana seguinte volta para o mesmo bairro, a mesma família, os mesmos hábitos e as mesmas amizades, agora com uma culpa nova e nenhum apoio. Não é falta de sinceridade dela: é falta de estrutura nossa.
O que costumamos medir
Quantas decisões. Quantos presentes. Quantos folhetos. Números que sobem no relatório e não aparecem na comunidade seis meses depois.
O que Jesus mandou medir
Discípulos: batizados e “ensinados a obedecer a tudo o que ordenei” (Mt 28.20). O critério é obediência ao longo do tempo, não resposta num momento.
O parâmetro de Atos 2
Eles não foram contados e liberados. “Perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações” (At 2.42), tinham tudo em comum, frequentavam as casas e o templo, e “o Senhor acrescentava dia a dia os que iam sendo salvos” (v. 47). Quatro compromissos, uma vida partilhada — e o crescimento veio como consequência, não como meta.
At 2.41-47
Parada 2
O que se faz nos primeiros quinze dias decide boa parte do que essa pessoa será dali a dez anos.
Dia 1
Alguém específico — não “a igreja” — assume o acompanhamento. Sem nome, ninguém acompanha. Preferencialmente quem já tinha relacionamento com a pessoa.
Primeira semana
Ajudar a pessoa a ter certeza da salvação a partir do texto, e não do sentimento (1Jo 5.11-13). Ensinar a ler a Bíblia: comece por um evangelho, um pouco por dia, com um método simples.
Primeiras semanas
Em Atos, batismo e integração vêm logo, não anos depois (At 2.41). E integrar não é frequentar: é ser conhecido por nome por um grupo pequeno.
Primeiro mês
Ensinar a orar orando junto. E ajudar a pessoa a contar a própria história para a sua rede — que ainda está toda fora, e que nunca mais estará tão acessível quanto agora.
Primeiros meses
Tratar com cuidado os pontos concretos de mudança de vida, sem lista pronta e sem pressa moralista. E dar cedo alguma responsabilidade real: quem só recebe, atrofia.
Um alerta: a rede de relacionamentos do novo convertido é o campo mais fértil que a sua igreja terá naquele ano — e costuma ser destruída em seis meses, quando a agenda da igreja consome todo o tempo dele. Proteja essas amizades de propósito.
Parada 3
Recolhendo as tarefas das onze aulas anteriores, sobra um plano de uma página. Escreva-o hoje, antes de fechar esta página.
Item 1
De cinco a dez nomes, das quatro camadas do oikos (Aula 3). Revista a cada seis meses, com nomes riscados e acrescentados.
Item 2
Quinze minutos, horário fixo, pelos nomes, um a um. É a única parte inegociável — e a primeira a ser abandonada.
Item 3
Três minutos, escrito e treinado (Aula 5). Revise uma vez por ano; a sua história continua acontecendo.
Item 4
Deus, nós, Cristo, você, convite (Aula 2) — nas suas palavras, sem jargão, com uma pergunta no fim.
Item 5
Um convite por mês, no mínimo: um café, um almoço, uma conversa sem agenda evangelística embutida (Aula 3).
Item 6
Quem discipula você e a quem você discipula, com nome e frequência definida (Aulas 10 e 11).
Parada 4
O Plano Nacional de Evangelização da Igreja Metodista Livre define a nossa missão e a nossa visão. Vale ler devagar, porque cada linha tem consequência prática.
Missão e visão
A missão da Igreja Metodista Livre é fazer discípulos do Senhor Jesus Cristo, proclamando o Evangelho a todas as pessoas em todos os lugares, batizando e dando a eles a instrução de Cristo para a vida e missão (Mt 28.18-20; Ef 4.11-16). A nossa visão é ser uma comunidade bíblica saudável de pessoas santas, multiplicando discípulos, líderes, grupos e igrejas (At 2.42-47).
Repare na sequência da visão: discípulos, líderes, grupos e igrejas. Nessa ordem. Não se multiplicam igrejas sem multiplicar grupos; não se multiplicam grupos sem formar líderes; e não se formam líderes sem antes fazer discípulos. Toda tentativa de pular etapa produz estrutura vazia.
A Igreja é dedicada à adoração, ao testemunho, a fazer discípulos, à comunhão e ao serviço. Cinco funções, e nenhuma delas é opcional.
Compromisso entre os membros, promovendo compreensão, perdão, disciplina e assistência mútuas. É a Aula 11 em linguagem de documento oficial.
Oportunidade de declarar amor e lealdade a Cristo, identificando-se com uma comunidade que vive o amor e proporciona prestação de contas.
Busca pela santidade em amor a Deus e ao próximo — a marca wesleyana que atravessou todo este curso.
Perguntas para levar ao seu conselho local: quem é a pessoa responsável pelo acompanhamento de cada novo convertido? Existe um caminho definido do primeiro contato ao grupo pequeno? Quantos líderes de grupo a igreja formou nos últimos doze meses? E, das quatro camadas do bairro, qual a igreja não alcança?
Parada 7
Voltamos ao texto do começo do curso, agora para reparar em quatro detalhes que mudam a prática.
Detalhe 1
Nas versões em português o verbo ir aparece como imperativo, mas uma tradução melhor seria “enquanto vocês estão indo” — algo espontâneo e ao mesmo tempo intencional, que acontece no curso da vida, enquanto nos movimentamos, no cotidiano. Isso desmonta a ideia de que a missão exige um deslocamento especial. Ela exige atenção ao caminho que você já percorre.
Detalhe 2
A Grande Comissão envolve todos os cristãos, e não apenas um grupo seleto que recebeu um chamado especial para um ministério profissional e integral. Sem exceção.
Detalhe 3
Um ritual e outro de incorporação. Não se trata só de batizar com água, mas de abraçar a pessoa e recebê-la na família da fé. Igreja que batiza e não integra cumpriu metade do verbo.
Detalhe 4
O verbo grego traz o sentido de afiar, lapidar, treinar — o que implica modelo e interação, não apenas transmissão. E Jesus diz “ensinando-os a guardar”: o mais importante não é o quanto se sabe, e sim o quanto se obedece (Jo 13.17).
Um dado que reposiciona tudo
A palavra “discípulo” ocorre cerca de duzentas e sessenta vezes no Novo Testamento — todas elas nos Evangelhos e em Atos, os livros que falam do estabelecimento e do crescimento do movimento cristão. Nem uma única vez ela aparece nas epístolas, os livros de nutrição cristã. A conclusão é incômoda para quem diz “estou no ministério de discipulado” querendo dizer que alimenta outros cristãos: a matéria-prima principal de fazer discípulos são os não-crentes.
Cf. Peter Wagner, Estratégia para o crescimento da igreja
Parada 8
Atos 2.41-47 descreve uma igreja crescendo em quatro direções ao mesmo tempo. Falhar em qualquer uma delas produz uma comunidade desequilibrada.
Espiritual: relacionamento com Deus, adoração, oração, ensino bíblico.
Relacionamento entre os cristãos, cuidando uns dos outros.
Influenciando a comunidade: relacionamento com o mundo.
“Acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos” (v. 41,47).
Nem toda igreja que cresce é saudável, mas toda igreja saudável cresce. Qualidade e crescimento não são incompatíveis — e uma igreja que cresce só numericamente costuma ser a que primeiro perde as outras três direções.
Definição de trabalho
“Apresentar Jesus, no poder do Espírito Santo, para que as pessoas coloquem nele a sua fé, aceitando-o como Salvador, servindo-o na comunhão da igreja.” Repare no fecho: segundo esta definição, a nossa tarefa não termina quando as pessoas aceitam a Cristo, pois são necessárias a incorporação e o discipulado. É a tese deste curso inteiro em uma frase.
At 2.47
Parada 5
“E o que da minha parte você ouviu através de muitas testemunhas, isso transmita a homens fiéis e idôneos para instruir também a outros” (2Tm 2.2).
Geração 1
Alguém investiu em você. Se você não sabe dizer quem, procure — e agradeça.
Geração 2
Você. O curso todo esteve aqui: alguém recebeu e agora carrega.
Geração 3
As pessoas em quem você vai investir. Note os dois critérios: fidelidade e capacidade de ensinar. Escolha por caráter, não por talento aparente.
Geração 4
O teste final. Se a cadeia para na terceira geração, você formou seguidores. Se continua, formou discipuladores.
Para produzir eficazmente discípulos que fazem discípulos intencionalmente, é preciso capacitá-los para ensinar a outros. Por isso o alvo do discipulado não é a pessoa aprender: é a pessoa ficar capaz de ensinar. Se você nunca soltar a mão, você não formou ninguém — apenas criou dependência.
Um teste simples da sua igreja: se ela dobrasse de tamanho em um ano, teria líderes preparados para os grupos novos? Se a resposta for não, o gargalo não é evangelístico — é de formação. E ele se resolve começando agora, com poucas pessoas, e não quando o crescimento chegar.
Parada 6
Chegamos ao fim do curso. Vale recolher o caminho em poucas linhas.
Começamos perguntando por que evangelizar, e a resposta foi obediência e amor (Aula 1). Vimos o que anunciamos — notícia, e não conselho (Aula 2) —, onde isso acontece (Aula 3), como Jesus fazia (Aula 4), e como contar a nossa própria história (Aula 5). Reconhecemos que sem o Espírito nada acontece (Aula 6), encaramos os obstáculos (Aula 7) e as objeções (Aula 8), recusamos o evangelho mutilado (Aula 9), recuperamos o lugar dos leigos (Aula 10) e o discipulado em grupos pequenos que nos trouxe até aqui (Aula 11).
Fica uma convicção, que atravessou tudo: o que nos falta mesmo é amor pelo perdido, e não mais técnicas. As pessoas querem ver Cristo em nós, e não somente ouvir de nós sobre Cristo. Toda a metodologia deste curso serve para isso, e não substitui isso.
Oração de envio
Não espere um sentimento extraordinário para começar a obedecer. Na vida cristã, muitas vezes a obediência vem antes do sentimento. A ordem de Jesus já foi dada: “Vão”. O que está faltando não é oportunidade — são trabalhadores dispostos. Que a sua oração hoje seja simples: “Senhor, aqui estou. Usa a minha vida. Começa hoje, onde eu estou, com o que eu tenho nas mãos.”
Mt 9.37-38; Mt 28.20
Não retenha a Boa Nova. O mundo — inclusive o mundo que começa dentro da sua casa — precisa desesperadamente do que você recebeu do Senhor.
Fixação
Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.
Avaliação
Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe — errar aqui também ensina.
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Para pensar e conversar
Tarefas
1) Escrever o plano pessoal de uma página, com os seis itens, e mostrá-lo a um irmão pedindo que lhe pergunte a respeito daqui a um mês. 2) Levar ao seu pastor ou conselho local as quatro perguntas sobre o acompanhamento de novos convertidos, com uma proposta concreta. 3) Escolher hoje um nome da sua lista e marcar uma conversa.
E agora
O curso termina, a lista não. Volte às aulas quando precisar — elas continuam aqui, com os cartões e as avaliações. E comece pelo mais simples: um nome, uma oração, um convite.
Curso de Evangelização · Igreja Metodista Livre do Brasil. Texto redigido com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello.