Quem são as pessoas que amam você a ponto de orar por você todos os dias?
E elas oram para que você seja semelhante a Cristo?
“Confessem, portanto, os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros, para serem curados.”Tiago 5.16 · NAA
Perguntas norteadoras
Esta é a aula em que evangelização e discipulado deixam de ser dois assuntos.
E elas oram para que você seja semelhante a Cristo?
E se preocupam com você a ponto de adverti-lo quando você não anda semelhante a Cristo?
Wesley diria que diz muito — e que o problema não é seu, é do arranjo em que você vive.
Tese da aula: Wesley jamais evangelizava uma pessoa para abandoná-la à própria sorte, à mercê do inimigo. Ele exortava seus assistentes: preguem em todos os lugares e ocasiões possíveis e organizem tantas classes quantas forem possíveis — mas não ousem pregar sem organizar novas classes. Evangelização e discipulado eram a mesma obra.
Parada 1
O projeto dos encontros não era organizacional. Era obediência a dois mandamentos.
Wesley
“O projeto do nosso encontro é para obedecer o comando de Deus: Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis (Tg 5.16); Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo (Gl 6.2).”
Repare que a justificativa não é crescimento numérico, nem estratégia de retenção, nem eficiência administrativa. É santidade. Os grupos existiam para que as pessoas de fato mudassem — e para que ninguém mudasse sozinho.
Wesley seguiu o modelo de Jesus, que dedicou mais tempo à formação do seu pequeno grupo de discípulos do que às multidões. Jesus formou “pescadores de homens” (Mt 4.19) e levou os seus seguidores a outro nível. Para produzir eficazmente discípulos que fazem discípulos intencionalmente, é preciso capacitá-los para ensinar a outros.
Parada 2
Três níveis, com funções distintas. Confundi-los é o erro mais comum de quem tenta copiar o modelo hoje.
Nível 1
Representava o total dos membros metodistas em determinado local. O equivalente hoje seria uma igreja local, comunidade ou ponto de pregação. Era onde se ouvia a pregação e se liam publicamente as Regras Gerais.
Nível 2
Todas as pessoas que mostrassem interesse em filiar-se a uma sociedade metodista tinham de entrar numa classe. De dez a quinze pessoas reunindo-se semanalmente, com o sério compromisso de promoverem o mútuo crescimento espiritual, aprendendo o que evitar e o que buscar, e fazendo bom uso dos meios de graça. Era o nível de entrada, não o de elite: ninguém era membro sem estar numa classe.
Nível 3
Grupos com poucas pessoas, mais maduras, onde uma cuidava da outra como num discipulado um a um. Era ali que se faziam as perguntas mais duras. Voluntária, e para quem quisesse ir mais fundo.
O que a classe era
Nas classes, as pessoas estavam abertas para confessarem seus vícios e pecados, abertas também à repreensão, para vencerem suas fraquezas com o apoio de Cristo e da comunidade da fé, numa atmosfera de amor, graça e misericórdia — onde os líderes também confessam seus pecados. Esse último detalhe é o que separa uma classe wesleyana de um tribunal religioso.
Tg 5.16; Gl 6.2
Parada 3
A dinâmica desses grupos era marcada pela troca de experiências a partir de perguntas mútuas frequentemente repetidas. Havia compromisso de obedecer às Regras Gerais, lidas com regularidade diante de toda a sociedade. O líder compartilhava também a sua experiência pessoal, com os seus altos e baixos.
Regra 1
Frequência inegociável. Encontro mensal não sustenta responsabilidade mútua: dá tempo demais para a vida se acomodar entre uma conversa e outra.
Regra 2
E começar exatamente na hora, com os que estiverem presentes, com cânticos e oração. Não se esperava quem atrasava — o que, por si só, ensinava algo.
Regra 3
Cada um, em ordem, de forma livre e clara, devia falar o verdadeiro estado de sua alma, com as faltas que cometera em pensamento, palavra ou ação, e as tentações que sentira desde o último encontro.
Regra 4
Para terminar cada encontro, realizava-se uma oração adequada ao estado de cada pessoa presente. Não uma oração geral: uma oração por nome e por situação.
Regra 5
Deixava-se falar primeiro quem desejasse falar do próprio estado, e depois se pedia aos demais que falassem do estado de suas almas, pecados e tentações.
Regra 6
Os líderes deviam visitar semanalmente os membros, perguntando sobre a condição de suas almas. O cuidado não parava na reunião.
O que se esperava do participante: uma radical abertura para a avaliação mútua. Esse é o ponto em que quase toda tentativa contemporânea de recuperar as classes falha — não pela estrutura, e sim pela recusa da abertura.
Parada 4
Elas assustam, e é bom que assustem. Foram feitas a milhares de pessoas comuns durante décadas — e mudaram uma nação.
1. Já recebeu o perdão dos seus pecados? 2. Já tem paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo? 3. Já tem o testemunho do Espírito de Deus com o seu espírito, de que você é filho de Deus? 4. O amor de Deus foi derramado em seu coração? 5. Existe algum pecado, por dentro ou por fora, dominando a sua vida? 6. Você deseja ser informado dos seus defeitos? 7. Você deseja ser informado de todas as suas falhas? 8. Você deseja que cada um de nós diga, de tempos em tempos, tudo o que está em nosso coração a seu respeito? 9. Considere: você deseja que devamos dizer-lhe tudo o que pensamos, tudo o que ouvimos, que lhe diga respeito? 10. Você deseja que, ao fazer isto, cheguemos o mais perto possível para ajudá-lo a cortar todo pecado que está no fundo do seu coração? 11. É o seu desejo e projeto ser, em qualquer ocasião, inteiramente aberto, de modo a falar tudo o que está em seu coração, sem exceção, sem disfarce e sem reserva?
Repare no cuidado: a pergunta 9 começa com “Considere!”. Wesley não queria adesão apressada. Queria consentimento informado.
1. Você cometeu pecados desde o nosso último encontro? 2. Quais tentações você tem encontrado? 3. Como você enfrentou a tentação? 4. Você tem dúvida de que alguma coisa que você pensou, disse ou fez pode ser pecado?
Quatro perguntas, semana após semana, ano após ano. Nenhuma novidade metodológica — apenas constância. A quarta pergunta é a mais fina: ela abre espaço para as zonas cinzentas, que é onde o caráter costuma ceder.
Vira legalismo quando as perguntas medem desempenho e produzem vergonha; permanece evangélico quando pressupõem a graça e produzem confissão. Três marcas garantiam isso entre os metodistas: a adesão era voluntária e consentida de antemão; o líder também confessava, o que impedia a formação de juízes; e a atmosfera era declaradamente de amor, graça e misericórdia. Retire qualquer uma das três e o grupo azeda em poucas semanas.
Parada 5
Um caso que vale por um tratado inteiro sobre evangelização.
Whitefield
Era melhor pregador que Wesley — nisso não há controvérsia. Multidões enormes, conversões incontáveis. No entanto, quando morreu, não deixou grupos de discipulado para conservar e multiplicar os convertidos que havia ganhado.
Wesley
Organizava classes onde quer que pregasse. Depois da sua morte, o metodismo cresceu ainda mais. Em 1850, um terço da população dos Estados Unidos era metodista.
Parada 6
Não foram extintas por decreto. Foram sendo esvaziadas por processos que continuam operando entre nós.
Causa 1
As reuniões de classe tiveram de competir com as reuniões de avivamento, nas quais a conversão evangélica passou a ser pregada muito mais como uma experiência imediata, instantânea e altamente emocional, em vez de um processo gradual e mediado pela disciplina, como o promovido pelo metodismo primitivo.
Causa 2
Houve prejuízo para a prática da santidade exterior, social e gradual, desenvolvida sob a mútua disciplina das classes, e ênfase crescente na santificação interior, individual e instantânea. A santidade em amor cedeu paulatinamente lugar à busca de santidade de poder, comprometendo o processo de responsabilidade mútua e comunitária pela santidade de coração e vida.
Causa 3
Competição crescente das novas organizações da igreja envolvidas com o rápido crescimento do empreendimento missionário no estrangeiro, muitas delas de caráter para-eclesiástico.
Causa 4
O trabalho da Escola Dominical e dos grupos societários passou a ocupar o espaço da classe — com uma diferença decisiva: transmite-se conhecimento, mas não se exige obediência nem prestação de contas.
Causa 5
Reduziram praticamente por completo o elemento de corresponsabilidade mútua e comunitária pelo crescimento em santidade de coração e vida, mediante a prática disciplinada, no mundo do cotidiano, das obras de misericórdia e de piedade que eram produto das classes.
Parada 7
Não se trata de encenar o século XVIII. Trata-se de recuperar o que foi perdido, com a linguagem de agora.
E passar a requerer obediência a Cristo. A pergunta do encontro deixa de ser “o que você entendeu?” e passa a ser “o que você fez com o que entendeu na semana passada?”.
Diga desde o começo o que o grupo é e o que será perguntado. Quem entra sabendo, permanece; quem entra sem saber, some no terceiro encontro.
De cinco a doze pessoas, uma vez por semana, com hora para começar e para terminar. Constância vale mais que intensidade.
É a única garantia contra o grupo virar tribunal. Se o líder nunca confessa nada, ninguém confessará de verdade.
Grupo fechado vira clube em seis meses. Cada classe deve ter cadeira vazia e o hábito de convidar — é aqui que esta aula reencontra a Aula 3.
Formar um novo líder e dividir, em vez de crescer até virar plateia. Wesley não deixava pregar sem organizar novas classes.
Os pequenos grupos são como sementes do Reino de Deus que germinam e impactam o mundo ao seu redor. Podemos pensar em algo como uma revolução espiritual de caráter pactual, através da radicalização de suas ações e palavras, comprometidas com os valores do Evangelho do Reino, para que a Igreja possa, com autoridade, desafiar o espírito de pecado e injustiça que tem dominado a sociedade em geral.
Parada 8
Antes do roteiro, uma delimitação: os grupos pequenos de que estamos falando não são três coisas que costumam usar o mesmo nome.
O conceito de salvação pela educação produz palavras sem ação. Aprende-se muito e não se muda nada.
Tende a se tornar elitista, na medida em que exclui quem não está em determinado nível espiritual.
Reunido para executar atividades — trabalho com crianças, EBF, escalas. Necessário, mas é outra coisa.
O que se busca é um grupo caracterizado por comunhão constante. Um exemplo prático: a Pastora Adélia iniciou uma igreja em Nova York com três pessoas e, em cinco anos, já eram quinhentas e quarenta. As reuniões seguiam este padrão de uma hora e cinco minutos:
5 minutos
O tempo de chegar, respirar e saber como cada um está. Não é perda de tempo: é o que torna o resto possível.
2 minutos
Curta e objetiva, entregando o encontro a Deus.
10 minutos
Podem envolver canções de adoração e gratidão, e palavras de apreço de uns pelos outros.
30 minutos
O que o texto diz? O que significava? O que significa para nós hoje? A ideia é aprendermos juntos o que a Bíblia diz, com a forte intenção de obedecer e viver aquilo. Não é despejar conhecimento: é aprendizado mútuo.
10 minutos
A supervisão. O grupo precisa se conhecer bem para exercer estímulo e fiscalização mútua, em amor. É aqui que a classe wesleyana reaparece, com outra roupa.
10 minutos
Pela vitória espiritual de cada pessoa sobre os empecilhos ao seu desenvolvimento e à sua santidade. Por nome, e não em bloco.
Dois detalhes que mudam tudo
Ao final, coloca-se uma cadeira vazia no meio e ora-se sobre ela, para que Deus envie alguém para nela sentar — e para que sejamos dirigidos a convidar a pessoa que deve estar ali na semana seguinte. É o que impede o grupo de virar clube. Além disso, cada grupo tem um líder e um aprendiz, o futuro líder. Nenhum grupo passa de doze pessoas: ao atingir esse número, divide-se. O líder fica com metade, o aprendiz assume a outra metade e escolhe o seu próprio aprendiz — e assim por diante.
2Tm 2.2
Os cultos de domingo eram momentos de congraçamento de todos os grupos, louvor e adoração. E os líderes dos grupos ministravam cuidado pastoral — tanto que já não se ouvia, com a mesma frequência, a frase “você tem um problema? Procure o pastor”.
Fixação
Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.
Avaliação
Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe — errar aqui também ensina.
0 de 5
Para pensar e conversar
Tarefas
1) Convidar de três a cinco irmãos para um grupo experimental de seis semanas, com as quatro perguntas das bandas, apresentando as regras com clareza antes de começar. 2) Verificar, na sua igreja, o que acontece com uma pessoa nas duas semanas seguintes à sua conversão — e anotar o que falta. Traga na Aula 12.
Aula 12
Do encontro ao discipulado: o plano pessoal e o plano da igreja local, a integração do novo convertido e a multiplicação que fecha o curso. Ir para a Aula 12 →
Curso de Evangelização · Igreja Metodista Livre do Brasil. Texto redigido com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello.