Quem faz o ministério?
O pastor faz e os membros ajudam? Ou os membros fazem e o pastor prepara?
“Vocês, porém, são raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as virtudes daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.”1 Pedro 2.9 · NAA
Perguntas norteadoras
Chegamos ao ponto em que este curso deixa de falar do seu esforço individual e passa a falar da igreja inteira.
O pastor faz e os membros ajudam? Ou os membros fazem e o pastor prepara?
Se não significa isso, o que significa exatamente?
Imagine o resultado. O metodismo primitivo não precisou imaginar: fez.
Tese da aula: uma igreja pastorcêntrica acaba deixando de ser cristocêntrica. Cristo reparte dons, promovendo a democratização do ministério. Afirmar o sacerdócio universal da Igreja não é o mesmo que dizer que todos são pastores — é dizer que ninguém está dispensado da missão.
Parada 1
Quando se pergunta quem eram os evangelistas da igreja primitiva, a resposta desmonta boa parte do nosso arranjo atual.
Eram os apóstolos e os homens “ordenados”, evangelistas itinerantes, presbíteros, pastores, teólogos e filósofos — e também missionários informais. Não havia distinção entre ministros de tempo integral e leigos quanto à responsabilidade de difundir o evangelho por todos os meios possíveis, e também não havia distinção entre os sexos nessa questão. Eles tinham descoberto um tesouro e queriam reparti-lo com outras pessoas, usando toda a sua capacidade.
O motor da expansão
Os principais instrumentos da expansão do cristianismo parecem não ter sido os que o faziam profissionalmente ou em tempo parcial, mas homens e mulheres que viviam de maneira totalmente secular e falavam da sua fé aos que encontravam neste ambiente natural. Evangelizavam com espontaneidade, tinham caráter transformado e credo ortodoxo, e a sua alegria incondicional, que o mundo não podia tirar, era contagiante.
At 8.1-4
Atos 8.4 é explícito: com a perseguição, “os que foram dispersos iam por toda parte pregando a palavra”. Os apóstolos, diz o versículo 1, ficaram em Jerusalém. Ou seja: quem espalhou o evangelho foram exatamente os que não eram os líderes oficiais.
Parada 2
O que era de todos foi, aos poucos, concentrado em poucos. Um modelo centralizador se instalou, e ele tem quatro pilares.
Pilar 1
Surge uma classe separada, detentora do ministério. Os demais passam de participantes a assistidos. A palavra “leigo” — que no Novo Testamento vem de laos, o povo de Deus — vira sinônimo de quem não entende do assunto.
Pilar 2
A fé se concentra num edifício sagrado. O que acontece fora dele deixa de ser considerado ministério — e a casa, a rua e o trabalho perdem o estatuto de campo missionário.
Pilar 3
A vida cristã se resume ao ato litúrgico, ao qual se assiste. Participar vira estar presente.
Pilar 4
A fé fica confinada a um dia da semana. Os outros seis viram território neutro — e é justamente neles que estão as pessoas que precisamos alcançar.
Faça o teste na sua igreja: quanto do orçamento, da agenda e da atenção pastoral está voltado para o que acontece dentro do templo, no domingo, conduzido por profissionais? Não há maldade nisso — há inércia de um modelo antigo, que sobrevive em igrejas que jamais se diriam clericais.
Parada 3
Lutero recuperou a doutrina. A prática, essa demorou mais três séculos.
A Reforma ergueu a bandeira do sacerdócio universal de todos os crentes. Mas, na prática, o clericalismo continuou prevalecendo: mudou-se o nome do ofício, manteve-se a estrutura. O povo continuou assistindo, agora em outra língua e com outra teologia.
Parada 4
A virada prática veio de um homem que, no início, era contra ela.
A princípio, Wesley era contra a pregação leiga — sentimento semelhante ao de um sacerdote judeu que visse alguém que não fosse da tribo de Levi ministrando ao altar. Mas o número de convertidos cresceu tanto que se tornou imprescindível que ele buscasse ajuda para a supervisão deles. Tinha de ter auxiliares leigos, pois o número de pastores era insuficiente.
O episódio
Quando Wesley soube que Maxfield, o seu primeiro auxiliar, estava pregando, fez menção de repreendê-lo. Sua mãe, porém, lhe aconselhou: “Tende cuidado, João, o que ides fazer daquele jovem, pois é ele tão certamente chamado por Deus para pregar como vós. Examinai quais os frutos de sua pregação e então o ouvi por vós mesmo”. As prevenções de Wesley eram fortes, mas sempre cediam diante dos fatos. Ele escutou, vigiou, meditou e decidiu: “É do Senhor, faça Ele o que lhe aprouver”.
Quanto mais os críticos escarneciam da origem humilde e da educação insuficiente daqueles primeiros pregadores leigos do metodismo, mais se evidenciava a grandeza do seu trabalho: milhares de vidas transformadas — bêbados tornados homens sóbrios, ladrões tornados homens honestos, prostitutas tornadas mulheres castas.
Ele não improvisou
Wesley tinha muito interesse no desenvolvimento intelectual dos seus assistentes leigos, exortando-os sempre a se dedicarem aos estudos e, sempre que possível, reunindo-se com um grupo para lhes transmitir conhecimentos. Insistia que fossem leitores, e os repreendia asperamente quando os achava negligentes de seus livros.
E foi além do seu tempo
Contrariando a opinião geral da sua época, Wesley autorizou que as mulheres pregassem — o que abriu portas para que a Igreja Metodista viesse a ordenar mulheres ao ministério pastoral.
A vossa capacidade na pregação não aumenta. É a mesma hoje que era há sete anos. É viva, mas não profunda. Tem pouca variedade; não tem largueza de pensamento. Somente a leitura pode remediar isto, junto com a meditação e a oração diárias. […] Determinai uma certa parte de cada dia para o exercício particular. […] Quer gostais quer não, lede e orai diariamente. É em abono da vossa vida. Não há outro meio; de outra maneira estareis vos ocupando com trivialidades durante toda a vida, e sereis pregador bonito, mas superficial.
Guarde a lição dupla: Wesley confiou tarefa aos leigos e exigiu deles preparo sério. Delegar sem capacitar não é sacerdócio universal — é abandono com nome bonito.
Parada 5
O texto que reorganiza tudo — e que é lido com frequência, mas raramente aplicado.
“E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado, até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo” (Ef 4.11-13).
O que o texto diz
Os ministros preparam; os santos fazem a obra do ministério. O pastor é treinador, não jogador solitário. O crescimento vem “pelo que cada junta suprime, segundo a justa cooperação de cada parte” (v. 16).
O que costumamos fazer
Os ministros fazem a obra; os santos assistem e avaliam a qualidade. O crescimento depende do desempenho de um. E quando ele adoece, sai ou falha, a igreja para.
Consequência
Ele não tem todos os dons nem todas as respostas. Cristo reparte dons por todo o corpo, e “precisamos uns dos outros” (1Co 12.21). Uma igreja em que só uma pessoa ministra não é uma igreja obediente com um líder dedicado: é uma igreja com um membro trabalhando e muitos atrofiados.
Ef 4.11-16
Parada 6
Na Igreja há reunião e dispersão. A igreja se faz presente no mundo através de cada membro — e o leigo precisa ser capacitado a fazer discípulos que se tornarão discipuladores.
Mudança 1
A reunião existe para equipar a dispersão. A pergunta que orienta o culto deixa de ser “o povo gostou?” e passa a ser “o povo saiu preparado para segunda-feira?”.
Mudança 2
Imagine o resultado de capacitarmos os leigos como capacitamos os pastores. Curso de Bíblia, de aconselhamento básico, de evangelização, de liderança de grupo — não como conteúdo devocional, e sim como formação de verdade, com leitura exigida, como Wesley fazia.
Mudança 3
Não “ajudar quando precisar”, e sim uma responsabilidade concreta, com nome e prestação de contas — dentro ou fora dos muros. Boa parte deve ser fora.
Mudança 4
Não basta formar quem faz: é preciso formar quem forma. “E as coisas que me ouviu dizer na presença de muitas testemunhas, confie a homens fiéis que sejam também capazes de ensinar a outros” (2Tm 2.2) — quatro gerações num só versículo.
Duas perguntas para você responder hoje: quem está discipulando você? A quem você está discipulando? Se as duas respostas forem “ninguém”, a cadeia de 2Timóteo 2.2 está partida em você — e o conserto começa com um convite a uma pessoa. A Aula 11 mostra como Wesley organizou isso em escala.
Fixação
Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.
Avaliação
Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe — errar aqui também ensina.
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Para pensar e conversar
Tarefas
1) Responder por escrito às duas perguntas: quem é o seu Paulo e quem é o seu Timóteo. Se faltar algum, fazer o convite nesta semana. 2) Listar os dons e as capacidades que você percebe em três irmãos da sua igreja que hoje não exercem nenhum ministério — e conversar com um deles a respeito. Traga na Aula 11.
Aula 11
Classes e bandas wesleyanas: como Wesley organizou o discipulado em grupos pequenos, as perguntas que faziam uns aos outros, por que as classes declinaram e o que dá para recuperar hoje. Ir para a Aula 11 →
Curso de Evangelização · Igreja Metodista Livre do Brasil. Texto redigido com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello.