Estudos do Bispo Ildo · Escatologia · Grande Tribulação e Anticristo
As Duas Grandes Tribulações das Escrituras Sagradas A Grande Tribulação em Mateus 24 (70 d.C.) e a Grande Tribulação Universal em Apocalipse Este estudo tem o objetivo de esclarecer biblicamente a distinção entre duas tribulações mencionadas nas Escrituras: a primeira, histórica e local, ocorrida sobre Jerusalém no ano 70 d.C., e a segunda, futura e universal, relatada no livro de Apocalipse, caracterizada pela perseguição contra a Igreja de Cristo.
Texto-chave:
“Pois haverá então grande tribulação, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem jamais haverá.” (Mt 24.21)
Jesus profetizou explicitamente uma grande tribulação diretamente ligada à destruição de Jerusalém, em cumprimento às 70 semanas de Daniel (cf. Dn 9.24-27). Este evento constituiu-se num juízo divino sobre Israel devido à rejeição do Messias. Jesus lamentou profundamente tal rejeição:
“Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados!… Eis que a vossa casa vos ficará deserta.” (Mt 23.37-38)
Essa "casa deserta" refere-se claramente ao Templo e à cidade santa, indicando o fim da era judaica centrada no culto do Templo (cf. Mt 24.1-2; Lc 21.5-6, 20-24).
Jesus anunciou que Jerusalém seria destruída e os judeus dispersos entre as nações, com a cidade sendo pisada pelos gentios até se completarem os tempos deles (cf. Lc 21.24). Tais eventos cumpriram precisamente as profecias de Daniel sobre a destruição causada pela rejeição e morte do Ungido (cf. Dn 9.26).
Texto-chave:
“Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam.” (Mt 24.34)
Jesus deixa claro que a manifestação do "Abominável da Desolação" (cf. Dn 9.27; 11:31; 12:11; Mt 24.15), bem como a grande tribulação decorrente disso, culminando na destruição da cidade e do Templo, ocorreriam ainda na geração dos seus ouvintes (cf. Mt 24.2,15,21,34).
Historicamente, essa profecia foi literalmente cumprida no ano 70 d.C., quando o general romano Tito cercou, sitiou e destruiu Jerusalém. Este evento está amplamente documentado pelo historiador Flávio Josefo no livro Guerras Judaicas (Livro VI), que narra detalhadamente a destruição do Templo e a grande mortandade decorrente.
Textos-chave:
“Quando, pois, virdes o abominável da desolação de que falou o profeta Daniel, no lugar santo… então, os que estiverem na Judeia, fujam para os montes.” (Mt 24.15-16)
“Quando virdes Jerusalém cercada de exércitos… então os que estiverem na Judeia fujam para os montes…” (Lc 21.20-21)
Jesus identificou o sinal claro para os seus discípulos escaparem: quando Jerusalém fosse cercada pelos exércitos romanos, deveriam fugir imediatamente. Esta instrução reforça o caráter local e histórico desse juízo sobre Jerusalém, permitindo uma fuga literal e física, demonstrando que não se tratava de um sofrimento inevitável para os cristãos daquela época.
4. Contraste com a Grande Tribulação Universal em Apocalipse Texto-chave:
“Estes são os que vêm da grande tribulação; lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro.” (Ap 7.14)
A "grande tribulação" de Apocalipse difere radicalmente daquela de Mateus 24. Aqui, não há referência a Jerusalém nem juízo divino sobre Israel. Trata-se, antes, de uma perseguição global promovida pelos poderes malignos contra a Igreja, composta por cristãos de "todas as nações, tribos, povos e línguas" (cf. Ap 7.9-14; 13:7). Neste cenário, não há possibilidade de fuga geográfica, pois a perseguição é universal, inevitável e resulta no martírio dos fiéis a Cristo.
Textos-chave:
“Então será revelado o iníquo… o Senhor Jesus o matará com o sopro de sua boca…” (2Ts 2.8)
“Foi-lhe permitido fazer guerra aos santos e vencê-los… autoridade sobre toda tribo, povo, língua e nação.” (Ap 13.7)
Esses textos apontam para uma perseguição global liderada pela Besta contra a Igreja, culminando no retorno de Cristo, quando ele julgará definitivamente os poderes hostis que perseguiram os santos (cf. Ap 19.11-21; Ap 12.17).
Tribulação de Jerusalém (70 d.C.):
Natureza:
Juízo divino sobre Israel por rejeitar os profetas e o próprio Messias (Mt 23.34-38; Lc 13.34-35; Dn 9.24-27).
Localização:
Jerusalém e Judeia (Mt 24.16-18; Lc 21.20-21).
Conduta:
Jesus disse que os cristãos deveriam fugir para escapar fisicamente desta Grande Tribulação. (Mt 24.15-16; Lc 21.20-21).
Cumprimento:
Naquela geração, conforme profetizado por Jesus (Mt 24.34). Cumprido historicamente no ano 70 d.C., confirmado por relatos históricos de Flávio Josefo.
Grande Tribulação Universal (Apocalipse):
Natureza:
Perseguição global contra todos os cristãos por causa do seu testemunho fiel a Cristo (Ap 7.9-14; 13:7-10).
Localização:
Mundial, abrangendo todas as nações, povos, tribos e línguas (Ap 7.9; 13:7).
Conduta:
Não há fuga possível; os cristãos são perseguidos até a morte, chamados à fidelidade até o martírio (Ap 2.10; Ap 7.9; Ap 13.7-10; Ap 20.4).
Cumprimento:
Futuro, culminando no retorno de Cristo e no juízo definitivo sobre os perseguidores (2Ts 2.8; Ap 19.11-21).