Estudos do Bispo Ildo · Soteriologia · Graça, Fé e Salvação

O Alcance e o propósito da graça

(Tito 2.11-15)

As dez questões abordadas neste estudo

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A condição do ser humano diante de Deus

O pecado separa o homem de Deus e traz condenação. Por causa do pecado, Adão e Eva foram expulsos do Paraíso e foram condenados a morte.

“Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça” (Romanos 1.18). O pecado não ficará impune, pois a justiça prevalecerá sobre o pecado. Os dias do reinado do pecado estão contados, pois o Juízo Final se avizinha (2Pedro 3.7; Romanos 2.5; Judas 1.6 e Apocalipse 21.4).

Por possuir uma natureza corrompida pelo pecado, o ser humano não consegue, por conta própria, obedecer plena e satisfatoriamente a todos os mandamentos de Deus (Romanos 3.10, 23). O melhor de nós não é suficiente, pois nossas boas obras são como trapos imundos diante da santidade divina (Isaías 64.6). Diante da contemplação da santidade gloriosa de Deus, Isaías exclamou:

“Ai de mim” (Isaías 6.5); Semelhantemente, Pedro disse a Jesus:

“retira-te de mim, porque sou pecador” e até mesmo aquele que o próprio Jesus considerou como o maior dos homens, João Batista, reconheceu a sua pequenez e insignificância diante do Cristo, dizendo “não sou digno de desatar as correias das suas sandálias” (João 1.27). E Jeremias afirmou que “as misericórdias do Senhor são a causa de não termos sido consumidos” (Lamentações 3.22).

A manifestação da graça salvadora

Portanto, estando os homens incapazes de se salvarem da condenação eterna por estarem “mortos em seus delitos e pecados” (Efésios 2.1), e, sendo Deus, tanto justo quanto amoroso (Salmo 7.9), foi que ele decidiu enviar o seu Filho Unigênito para sofrer a condenação destinada aos pecadores (João 3.16), o justo morrendo no lugar dos injustos (Isaías 53; Romanos 3.26), como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João 1.29). Tudo isto para cumprir as reivindicações de sua justiça e também para manifestar o seu grande amor pela humanidade.

Esta é a manifestação da graça salvadora de Deus a toda a humanidade (Tito 2.11). que, sem ela, estaria irremediavelmente condenada a perdição. Cristo morreu em favor de todas as pessoas e não apenas em favor de um grupo seleto (Tito 2.11; Hebreus 2.9). Seu perdão é extensivo a todos sem distinção, mas, para ser efetivo, precisa ser apropriado através da fé e do arrependimento. “E ele (Jesus) é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo. (1 João 2.2). João inicia o seu registro do Evangelho declarando que a missão de João Batista era que “testificasse a respeito da luz, a fim de todos virem a crer por intermédio dele. Ele não era a luz, mas veio para que testificasse da luz, a saber, a verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem” (João 1.7-9). O propósito é claro e não se trata da salvação de um grupo de escolhidos, mas tem por objetivo a salvação de todos os homens. A luz da graça salvadora brilhou a todos os homens! “O povo, que estava assentado em trevas, Viu uma grande luz; E, aos que estavam assentados na região e sombra da morte, A luz raiou” (Mateus 4.16). Jesus é a luz dos homens (João 1.4).

Ele é a luz do Mundo (Jo 8.12). Jesus não veio para julgar, mas para salvar o mundo que já estava condenado (João 3.17, 18), mas “o julgamento é este, que a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque suas obras eram más” (João 3.19).

Deus deseja que todos sejam salvos

Deus deseja que todos os homens sejam salvos (1Timóteo 2.4). Por isto foi que “se manifestou a benignidade de Deus, nosso salvador e o seu amor para com todos” (Tito 3.4). Porque Deus não quer que nenhum ser humano sequer pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento, que é uma condição para o usufruto desta graça salvadora (2 Pedro 3.9). Como disse Jesus:

“a vontade do meu pai é que todo o homem que vir o Filho e crer nele, tenha a vida eterna” (João 6.40).

A salvação pela fé em Cristo

Por tudo isso é que sabemos que a salvação é alcançada através da fé em Cristo e não por méritos próprios. Mas esta fé é uma fé viva que opera através do amor. A salvação é uma obra regeneradora do Espírito Santo, através da qual somos “feitos” filhos de Deus e não apenas “denominados” (João 1.12). Assim como os cristãos não apenas são chamados “santos”, como também devem tornar-se santos como é santo o Pai celestial (1 Pedro 1.15, 16). Isto não é obra da carne, ou seja, isto não é produto do mero esforço humano, mas é a grande obra de Deus no coração do crente, que Cristo chama de “novo nascimento” (João 3.3-8). Paulo descreve a salvação não apenas em termos de uma obra de Deus em favor de nós, mas também dentro de nós; não apenas em termos de justificação, mas também de uma poderosa regeneração possibilitada pelo lavar regenerador e purificador do Espírito Santo (Tito 3.5). Cumprisse assim a promessa de Deus pronunciada pelo profeta Ezequiel: “E lhes darei um só coração, e um espírito novo porei dentro deles; e tirarei da sua carne o coração de pedra, e lhes darei um coração de carne para que andem nos meus estatutos, e guardem os meus juízos, e os cumpram; e eles me serão por povo, e eu lhes serei por Deus” (Ezequiel 11.19, 20).

Vemos aí, que, Deus, já nos tempos do Antigo Testamento, apontava para a sua grande salvação que propiciaria um novo coração e um novo espírito para que seu povo fosse capaz de obedecer os seus mandamentos. Algo semelhante vemos Paulo falando aqui a Tito, mostrando que o propósito desta salvação é “remir-nos de toda iniquidade e purificar para si mesmo um povo exclusivamente seu zeloso de boas obras” (Tito 2.14).

O encargo de Paulo a Tito

Paulo conclui este parágrafo conclamando a Tito a pregar este ensino com toda coragem, repreendendo com toda a autoridade (Tito 2.15). Pois os que creem em Deus não podem ser infrutíferos (Tito 3.14), mas devem serem solícitos e distinguirem-se na prática das boas obras (Tito 3.8, 14). Somos salvos pela graça para as boas obras que Deus preparou de antemão para que andássemos nelas (Efésios 2.8-10). O destino que Deus tem para o seu povo é que ele seja santo e irrepreensível (Tito 2.14; Efésios 1.4; 1 Tessalonicenses 4.3). Deus planejou que todos nós fôssemos conformes à imagem de seu Filho”(Romanos 8.29) e não conforme o mundo (Romanos 12.1,2). Pois os pervertidos é que vivem deliberadamente pecando (Tito 3.11), enquanto que os nascidos de Deus não vivem na prática do pecado (1 João 5.18). Nascemos de novo para viver conforme Jesus viveu e não mais de acordo com os padrões mundanos.

A graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens a fim de remir-nos de toda iniquidade, capacitando-nos para sermos um povo zeloso de boas obras. Dize estas coisas, exorta e repreende também com toda a autoridade.

Ninguém te despreze. (Tito 2.11-15).

Bispo José Ildo Swartele de Mello

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