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Realismo não deve sufocar o bom ânimo

A expansão do Reino: as conquistas do “Já”

Temos razões para crer que a Igreja será bem sucedida no cumprimento de sua missão, primeiro porque o Senhor Jesus ao comissionar seus discípulos fez questão de dizer que todo poder lhe havia sido dado tanto no céu como na terra e garantiu que sempre estaria com eles (Mt 28.18), disse também que eles receberiam o poder do Espírito para serem testemunhas do Rei em todas as partes do Mundo (At 1.8), e garantiu que as portas do inferno não prevaleceriam contra a Igreja (Mt 16.18) e que certamente o Evangelho seria pregado para testemunho a todas as nações antes do fim (Mt 24.14). Jesus também cuidou de amarrar o valente e concedeu poder aos discípulos sobre os demônios e sobre todo o poder do inimigo (Mt 12.28 e Lc 10.18,19). Paulo disse que os cristãos que vivem neste mundo já estão assentados juntamente com Cristo nas regiões celestiais acima de todo principado e potestade e abençoados com toda sorte de bênçãos e graças espirituais (Ef 1.3, 20-23 e 2.6). Jesus concedeu poder aos discípulos para viverem uma vida de vitória sobre o maligno, o pecado e o mundo (1 Jo 2.13,14; 5.4,5,18). Poder para não nos conformarmos com este mundo, mas para vivermos vidas transformadas e abundantes (Rm 12.1,2 e Jo 10.10). Além disto, muitas parábolas do Reino mostram que o Reino crescerá aqui na Terra assim como o trigo, como o grão de mostarda e como o fermento que leveda toda a massa (Mt 13).

A Bíblia também diz que “a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar” (Hc 2.14), o que é um retrato de uma visão poderosa do futuro do Reino de Deus que deve inspirar e mover a Igreja ao cumprimento de sua missão. Mas, devido à natureza do Reino de Deus, nem tudo são flores na caminhada da Igreja, que deve estar preparada para as frustrações. Precisamos ser realistas.

As frustrações do “ainda não”

Tanto devido aos aspectos relacionados à cruz de Cristo, quanto ao que já aprendemos a respeito da natureza do Reino de Deus na era presente, com também aquilo que se pode desprender do ensino de algumas parábolas do Reino, concluímos que a Igreja precisa estar preparada não apenas para ter vitórias, mas também para encarar conflitos, resistência e até mesmo frustração.

Na parábola do Semeador aprendemos que nós precisamos estar preparados para as frustrações do ministério. Nem sempre seremos bem sucedidos. Devemos esperar rejeição e desapontamento. Pois, apenas um quarto do esforço do semeador deu resultados positivos.

Na parábola correlata do joio e do trigo aprendemos também que: precisamos estar preparados para oposição e para lidar com os falsos irmãos. Jesus ensinou também que “O reino dos céus é ainda semelhante a uma rede que, lançada ao mar, recolhe peixes de toda espécie. E, quando já está cheia, os pescadores arrastam-na para a praia e, assentados, escolhem os bons para os cestos e os ruins deitam fora. Assim será na consumação do século: sairão os anjos, e separarão os maus dentre os justos” (Mt 13.47-49). Jesus está claramente ensinando aos seus discípulos através destas parábolas, que o Reino de Deus que foi introduzido por ele na era presente possuí esta característica heterogênea e conflituosa, que perdurará até a consumação dos séculos. Mas, como veremos a seguir, o realismo derivado desta consciência da natureza do Reino de Deus não deve sufocar o bom ânimo cristão no cumprimento de sua missão.

O realismo não deve sufocar o bom ânimo

Veremos mais adiante como Wesley foi ao mesmo tempo realista e confiante. Seu realismo nunca apagou o seu otimismo em relação à Missão da Igreja. Seu realismo nunca serviu de desculpas para atitudes escapistas e conformistas. Nosso realismo não pode sobrepujar nossa confiança na providência divina e no poder da graça de Deus para a superação das forças do pecado e do mal no mundo. “Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (1 Jo 5.4).

Jesus foi realista ao informar aos discípulos que eles teriam aflições neste mundo, mas transmitiu-lhes muita confiança, ao dizer que eles deveriam ter bom ânimo, porque ele tinha vencido o mundo Jo 16.33). Nós não devemos nos conformar com este mundo, pois podemos e devemos ser transformados e renovados a fim de experimentarmos já no tempo presente aquela que é a boa, perfeita e agradável vontade de Deus. Se isto é possível em relação ao indivíduo, por que não seria válido também para grupos e comunidades? Confiar nesta possibilidade de mudança, nos dá bom ânimo para empreendermos ações neste sentido. Do contrário, nos sentiremos desencorajados a agir para mudança ou por estarmos exaltando mais as forças do mundo do que o poder de Deus ou por adiarmos a manifestação do Reino para um tempo além da nossa era.

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