Estudos do Bispo Ildo · Antigo e Novo Testamentos
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Romanos é a mais extensa e a mais sistemática das cartas de Paulo. Não nasceu para apagar um incêndio local, como Gálatas, nem para responder a uma lista de perguntas de uma comunidade que Paulo conhecia bem, como 1 Coríntios. Nasceu para expor, de modo ordenado e completo, o próprio evangelho — do diagnóstico do pecado à glória final. Por isso, ao longo dos séculos, foi ela, mais do que qualquer outro livro, que repetidamente acendeu a Igreja.
O apóstolo escreve a uma comunidade que ainda não conhecia pessoalmente. A igreja de Roma não foi por ele fundada; provavelmente surgiu do testemunho de peregrinos que ouviram o evangelho em Jerusalém, no Pentecostes (At 2.10), e o levaram para a capital do Império. Era uma igreja mista, de judeus e gentios, e boa parte da carta trata justamente de como esses dois lados se tornam, em Cristo, um só povo. Paulo escreve de Corinto, por volta do ano 57, no fim da terceira viagem missionária, planejando visitar Roma a caminho da Espanha (Rm 15.23-24). Antes de ir, envia à frente a exposição madura da mensagem que prega — como quem manda o mapa antes de chegar.
Wesley observa que Paulo afirma a sua vocação logo na abertura, porque os mestres judaizantes disputavam o seu direito ao ofício apostólico, e “é com grande propriedade que ele o afirma na entrada de uma carta em que os princípios deles são inteiramente derrubados” (Notas sobre Rm 1.1). E acrescenta uma frase que vale para toda vocação: “Quando Deus chama, ele faz aquilo para que chama.”
O coração da carta está logo no começo, e convém guardá-lo como chave de tudo o que segue.
“Não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego. Porque, no evangelho, a justiça de Deus se revela, de fé em fé.” (Rm 1.16-17)
A carta se desdobra em movimentos claros. Nos capítulos 1 a 8, Paulo expõe o evangelho: o diagnóstico do pecado universal (1—3.20), a justificação pela fé (3.21—5), a libertação do poder do pecado e a santificação (6—7) e a vida no Espírito (8). Nos capítulos 9 a 11, defende a fidelidade de Deus diante da incredulidade de Israel. E, dos capítulos 12 a 16, mostra como esse evangelho reorganiza a vida — no culto de toda a existência, na igreja, diante do Estado, na mesa dos fortes e fracos e nas relações de cada dia. Da doutrina à prática, sem costura aparente: primeiro o que Deus fez por nós, depois o que devemos fazer em resposta.
Foi lendo Romanos que Agostinho, no jardim, ouviu o “toma e lê” e foi convertido. Foi meditando em Romanos 1.17 que Lutero redescobriu a justificação pela fé e a Reforma começou. E foi ouvindo alguém ler o prefácio de Lutero à Epístola aos Romanos, numa reunião na Rua Aldersgate, em Londres, na noite de 24 de maio de 1738, que John Wesley registrou no seu Diário as palavras que marcaram o metodismo: senti o coração estranhamente aquecido; senti que confiava em Cristo, somente em Cristo, para a salvação; e foi-me dada a certeza de que ele tirara os meus pecados, os meus, e me salvara da lei do pecado e da morte. A carta que vamos percorrer não é um tratado frio; é fogo. Leiamo-la, pois, de joelhos, esperando que Deus faça em nós o que fez neles.
Leio Romanos na tradição arminiana e wesleyana. Nela, a iniciativa da salvação é inteiramente de Deus, e o pecador, morto e incapaz, só se move porque a graça preveniente o alcança primeiro; mas a salvação é recebida e conservada pela fé, a graça é resistível, e a segurança do crente, embora firmíssima no amor de Deus, não dispensa a perseverança. Nos pontos disputados — a justificação, a graça preveniente, o “eu” de Romanos 7, a eleição de Romanos 9, a segurança de Romanos 8 e 11 — deixo a minha posição explícita, e dialogo de perto com as Notas de Wesley, reconhecendo sempre, com respeito, os irmãos que leem de outro modo. E, porque Romanos é uma carta profundamente pastoral, procuro, ao fim de cada capítulo, descer do púlpito ao chão da vida.
Paulo se apresenta acumulando três títulos: “servo de Cristo Jesus, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus” (Rm 1.1). Servo, apóstolo e separado: a mesma pessoa que se curva como escravo é enviada com autoridade e posta à parte para uma tarefa. E o evangelho que prega não é novidade sua — foi “prometido por meio dos seus profetas, nas Sagradas Escrituras” (Rm 1.2) —, tendo por conteúdo o Filho, descendente de Davi segundo a carne e “poderosamente declarado Filho de Deus segundo o espírito de santidade pela ressurreição dos mortos” (Rm 1.3-4). As duas naturezas de Cristo já estão aqui, e a ressurreição é a grande prova de tudo.
A saudação termina com a bênção que atravessa toda a carta: “graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo” (Rm 1.7). Wesley nota que os apóstolos preferem chamar a Deus de “Pai”: no Antigo Testamento os santos diziam “o Senhor nosso Deus”, pois eram servos; agora somos filhos — e os filhos conhecem tão bem o Pai que nem precisam repetir o seu nome próprio.
Depois de expressar o seu desejo ardente de visitar Roma (Rm 1.8-15), Paulo enuncia a tese. O evangelho é “poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” — não conselho, não filosofia, mas força que salva. E nele “a justiça de Deus se revela, de fé em fé”: a maneira que Deus mesmo estabeleceu para tornar justo o injusto, do princípio ao fim pela fé, e não pelas obras.
Wesley chama o evangelho de “o grande e gloriosamente poderoso meio de salvar todos os que aceitam a salvação no modo do próprio Deus” (Notas sobre Rm 1.16). E, sobre o versículo seguinte, observa que há aqui uma dupla revelação: “da ira e da justiça — a primeira, pouco conhecida pela natureza, é revelada pela lei; a segunda, totalmente desconhecida pela natureza, pelo evangelho” (Rm 1.17). O “de fé em fé”, acrescenta, é “uma série gradual de promessas cada vez mais claras”.
A partir do versículo 18 o quadro escurece. Antes da boa-nova, o mau diagnóstico: “a ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça” (Rm 1.18). Paulo descreve a espiral descendente: os homens conheceram a Deus pela criação, pois “as suas perfeições invisíveis… claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidas por meio das coisas que foram criadas” (Rm 1.20); mas “não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças” (Rm 1.21). Trocaram a glória do Deus incorruptível por imagens, a verdade pela mentira, o Criador pela criatura (Rm 1.23,25). E três vezes ressoa a mesma sentença: “Deus os entregou” — à impureza (v.24), a paixões vis (v.26) e a uma mente reprovada (v.28).
É crucial entender o que significa esse “entregar”. Não é Deus empurrando alguém ao pecado — “Deus a ninguém tenta” (Tg 1.13) —, mas Deus retirando a mão que refreava. O juízo, aqui, não é um raio que cai de fora; é o afrouxar da graça que continha o mal, deixando o pecado seguir o seu curso e cobrar o seu preço. Quem insiste em viver sem Deus acaba recebendo, como castigo, exatamente aquilo que escolheu.
Wesley é preciso: “Deus os entregou — retirando a sua graça refreadora” (Notas sobre Rm 1.24). E ainda em 1.19, ao dizer que “o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles”, ele remete à “luz que ilumina todo homem que vem ao mundo” (Jo 1.9) — a graça preveniente, que alcança até o pagão que nunca ouviu a Lei escrita. Ninguém está inteiramente sem essa luz, ainda que a suprima.
A lista de pecados que fecha o capítulo (Rm 1.29-31) não é fantasia distante: inveja, homicídio, intriga, maledicência, insolência, soberba, desobediência aos pais, deslealdade, falta de afeição natural, ausência de misericórdia. E o auge não é praticar o mal, mas aplaudi-lo: os que “não somente fazem estas coisas, mas também aprovam os que as praticam” (Rm 1.32). Wesley observa que “quem tem prazer nos que fazem o mal ama a maldade pela própria maldade” — e amontoa sobre a própria cabeça a culpa dos outros.
Para a vida. O evangelho começa por um diagnóstico honesto. Não há boa-nova para quem se acha são; o remédio só faz sentido para quem admite a doença. Por isso, antes de anunciar a graça, é preciso a coragem — pastoral e amorosa — de nomear o pecado, inclusive o nosso. E, ao ver o mundo em ruínas morais, o crente não reage com desprezo de quem se julga melhor, e sim com a compaixão de quem também foi resgatado da mesma espiral — só que pela graça que o refreou.
Depois de descrever os pecados escancarados dos gentios, Paulo faz uma virada que apanha o leitor religioso de surpresa: “és, pois, indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que sejas; porque, no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas” (Rm 2.1). O dedo que apontava para o pagão volta-se para o moralista. Deus julga “segundo a verdade” (Rm 2.2), “retribuindo a cada um segundo as suas obras” (Rm 2.6) e “sem acepção de pessoas” (Rm 2.11). De nada vale ter a Lei se não se vive a Lei; a religião de fachada não engana o Juiz que sonda o coração.
No centro do trecho brilha uma frase que resume o coração de Deus: é “a bondade de Deus que te conduz ao arrependimento” (Rm 2.4). Não é primeiro o medo que dobra o pecador, mas a bondade. Quem despreza essa bondade, porém, “entesoura ira para si mesmo, para o dia da ira” (Rm 2.5) — imaginando acumular bens, acumula juízo.
Wesley comenta que a bondade, a paciência e a longanimidade de Deus são “designadas por Deus para te conduzir ou encorajar ao arrependimento” (Notas sobre Rm 2.4). E adverte: entesouras ira “embora penses estar entesourando todas as coisas boas”.
E os que nunca tiveram a Lei? Paulo responde com equilíbrio: “todos os que sem lei pecaram também sem lei perecerão; e todos os que sob a lei pecaram, mediante lei serão julgados” (Rm 2.12). Cada um é julgado segundo a luz que recebeu. Pois mesmo os gentios, “que não têm lei, fazendo, por natureza, o que a lei ordena… mostram a obra da lei escrita no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência” (Rm 2.14-15). Há uma bússola moral gravada em todo ser humano.
Mas Wesley não a chama simplesmente de “natureza”: “o que parece ‘natureza’ nos gentios que praticam a lei é, a rigor, graça — a operação universal e anterior do Espírito, que ninguém merece e ninguém está sem ela” (Notas sobre Rm 2.14). Eis, de novo, a graça preveniente: até o senso do bem que resta no coração pagão é dom de Deus, não conquista do homem.
Paulo passa então ao judeu que se gloria na Lei, no nome de Deus e no papel de guia dos cegos — e o confronta com a pergunta cortante: “tu, pois, que ensinas a outrem, não te ensinas a ti mesmo?” (Rm 2.21). De nada vale a circuncisão sem a obediência: “a tua circuncisão se torna incircuncisão” (Rm 2.25). O sinal externo, sem a realidade interna, é vazio. E conclui com uma definição que abala toda confiança de fachada: “judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão, a que é do coração, no espírito, não segundo a letra” (Rm 2.29).
Wesley aplica a advertência à nossa própria casa: “o batismo sem a fé viva e a obediência não aproveita mais do que a circuncisão sem a lei” (nota editorial sobre Rm 2.25). Toda confiança sacramental vazia é aqui desmascarada — não é o rito que salva, mas o coração renovado pelo Espírito.
Para a vida. A hipocrisia religiosa é um perigo maior do que o pecado escancarado, porque se esconde atrás da própria fé e dorme tranquila. Faça a você mesmo a pergunta incômoda: sou mais rigoroso com os pecados dos outros do que com os meus? Confio em ritos e rótulos — batizado, membro, dizimista — mais do que num coração de fato entregue a Deus? E lembre-se, ao discipular alguém: a porta do arrependimento se abre melhor pela bondade paciente do que pela ameaça.
Antes do veredicto, Paulo responde a objeções: se o judeu também peca, qual foi a vantagem de ter a Lei? Grande — “principalmente porque lhes foram confiados os oráculos de Deus” (Rm 3.2). E a incredulidade de alguns não anula a fidelidade de Deus (Rm 3.3-4). Feita a defesa, o apóstolo fecha o processo iniciado em 1.18: judeus e gentios estão todos “debaixo do pecado” (Rm 3.9). Empilha então uma cadeia de textos do Antigo Testamento — “não há justo, nem um sequer… não há quem faça o bem” (Rm 3.10-12) — e chega à sentença do tribunal: “para que toda boca se feche e todo o mundo seja culpável perante Deus” (Rm 3.19). A Lei não foi dada para justificar, mas para calar: “por meio da lei vem o pleno conhecimento do pecado” (Rm 3.20). Ela é o raio-X que revela a fratura, não o gesso que a cura.
Wesley faz aqui uma distinção preciosa: os textos sombrios descrevem “que espécie de homens Deus vê quando olha a humanidade em si mesma — não o que ele os faz pela sua graça”. A depravação total descreve o homem sem a graça; mas ninguém, de fato, está inteiramente sem ela.
Diante do silêncio total — nenhuma desculpa, nenhuma jactância — brotam as duas palavras mais libertadoras da carta.
“Mas, agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus… mediante a fé em Jesus Cristo, para todos e sobre todos os que creem; porque não há distinção. Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus.” (Rm 3.21-23)
Vem então o resumo do evangelho em um só fôlego: os que creem “são justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus propôs como propiciação, pelo seu sangue” (Rm 3.24-25). Três palavras carregam a salvação. Justificação é o ato pelo qual Deus, o Juiz, declara justo o culpado que crê — não porque tenha deixado de ser pecador, mas porque outro pagou. Redenção é o resgate pago para libertar o escravo. Propiciação é a satisfação que aplaca a justa ira, na própria pessoa de Cristo. E tudo isso “para que ele seja justo e também o justificador daquele que tem fé em Jesus” (Rm 3.26): na cruz, a justiça e a misericórdia de Deus se abraçam sem que nenhuma seja diminuída.
Sobre a gratuidade dessa justificação, Wesley não poupa palavras: “Não é possível achar palavras que excluam mais absolutamente toda consideração das nossas próprias obras e obediência, ou que atribuam com mais ênfase o todo da nossa justificação à bondade livre e imerecida” (Notas sobre Rm 3.24).
Se tudo é graça recebida pela fé, então acabou a vanglória: “onde está a jactância? Foi excluída. Por que lei? Das obras? Não; pelo contrário, pela lei da fé” (Rm 3.27). A fé é a mão vazia do mendigo, não a mão cheia do credor. E isso vale igualmente para judeus e gentios, pois “Deus é um só, o qual justificará por fé os circuncisos e, por meio da fé, os incircuncisos” (Rm 3.30). Longe de anular a Lei, essa fé a estabelece (Rm 3.31): honra a sua autoridade, aponta para Cristo, o seu fim, e abre o caminho para que ela venha a ser de fato cumprida no coração.
Wesley define assim a “lei da fé”: “aquela constituição divina que faz da fé, não das obras, a condição da aceitação” (Notas sobre Rm 3.27). E esclarece que somos justificados pela fé “não enquanto obra, mas enquanto recebe Cristo” (Rm 3.28): a fé não é um mérito que Deus recompensa, mas o instrumento pelo qual recebemos o dom.
Aqui está a descoberta que fez o coração de Wesley arder em Aldersgate e que Lutero chamou de o artigo pelo qual a Igreja se levanta ou cai. Justificação não é um processo lento de nos tornarmos bons o bastante para Deus; é um veredicto, pronunciado de uma vez, sobre quem crê em Jesus. E, no entanto — e isto é caro à tradição wesleyana —, a fé que justifica nunca fica sozinha. A mesma graça que perdoa também transforma; a justificação abre caminho para a santificação, e o Espírito que sela o perdão começa imediatamente a renovar o coração. Somos declarados justos pela fé, para sermos feitos santos pela graça. Justificação e santificação se distinguem, mas jamais se separam: uma muda a nossa posição diante de Deus; a outra, a nossa condição real.
Para a vida. Se você vive tentando merecer o amor de Deus, esta é a palavra que liberta: pare de pagar o que Cristo já pagou; traga as mãos vazias e receba. Mas não confunda graça com descuido — a fé que de fato recebe a Cristo é a mesma que começa a se parecer com ele. E, se você já foi justificado, olhe o próximo com os olhos de quem sabe que também foi perdoado de graça: isso dissolve, ao mesmo tempo, o orgulho e o hábito de julgar.
Para provar que a justificação pela fé não é invenção nova, Paulo recua ao maior dos patriarcas. “Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça” (Rm 4.3). E distingue com clareza dois regimes: “ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim como dívida; mas ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça” (Rm 4.4-5). Quem trabalha recebe salário, que lhe é devido; quem crê recebe um dom, que não merecia. Paulo confirma com Davi, que descreve a bem-aventurança do homem “a quem Deus atribui justiça independentemente de obras” (Rm 4.6).
Segue então uma observação decisiva de cronologia. Abraão foi declarado justo pela fé (Gn 15) anos antes de ser circuncidado (Gn 17). Logo, a circuncisão não foi a causa da sua justiça, mas apenas “o selo da justiça da fé” que ele já possuía (Rm 4.11). Por isso Abraão é pai não só dos judeus, mas “de todos os que creem, mesmo sendo incircuncisos” (Rm 4.11). O rito veio depois, para confirmar; nunca para conquistar.
Paulo insiste: se a herança viesse pela Lei, “a fé é vã, e a promessa, sem efeito” (Rm 4.14) — até porque “a lei produz ira” (Rm 4.15): ela exige e condena, mas não concede o que promete. Por isso ela vem “decorrente da fé, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja firme a toda a descendência” (Rm 4.16). Só o que se recebe por graça é seguro; o que depende do nosso desempenho está sempre em risco. E o apóstolo descreve a fé de Abraão em toda a sua grandeza: “esperando contra a esperança”, sem enfraquecer ao considerar o próprio corpo já sem vigor e o ventre de Sara já morto, ele “não duvidou, por incredulidade, da promessa de Deus; antes, foi fortalecido na fé, dando glória a Deus, estando plenamente convicto de que ele era poderoso para cumprir o que prometera” (Rm 4.19-21). A fé verdadeira honra a Deus, porque o toma pela palavra; e essa fé “lhe foi atribuída para justiça” — e foi registrada, diz Paulo, também “por causa de nós”, que cremos naquele que ressuscitou a Jesus (Rm 4.23-25).
Para a vida. A fé cristã não é otimismo ingênuo; é confiar naquele que “vivifica os mortos e chama à existência as coisas que não existem” (Rm 4.17). Quando as circunstâncias gritam “impossível”, a fé pergunta o que Deus prometeu — e, ao confiar, dá glória a Deus. Há promessas do Senhor sobre a sua vida, a sua família e o seu ministério que estão esperando exatamente essa fé que honra: a que não nega os fatos, mas os coloca debaixo do Deus que ressuscita mortos.
Se o capítulo 4 provou a justificação, o 5 mostra os seus frutos — e são preciosos. “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5.1). Paz não é ausência de problemas, mas fim da guerra: quem era inimigo agora está reconciliado. Dessa paz brotam o acesso permanente “a esta graça na qual estamos firmes” e a esperança que se gloria na glória de Deus (Rm 5.2).
Wesley resume: “temos paz, esperança, amor e poder sobre o pecado — a suma dos capítulos quinto, sexto, sétimo e oitavo. Estes são os frutos da fé justificadora: onde eles não estão, aquela fé não está” (Notas sobre Rm 5.1). A fé verdadeira sempre produz fruto; onde não há fruto algum, é sinal de que ainda não houve fé.
E há mais: até as tribulações entram no plano. “A tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência provada; e a experiência, esperança. E a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo” (Rm 5.3-5). O sofrimento, na mão de Deus, deixa de ser sinal de rejeição e vira escola de caráter.
Wesley toca aqui num ponto pastoral: as tribulações “estamos tão longe de estimar como marca do desagrado de Deus, que as recebemos como sinais do seu amor paternal, pelas quais somos preparados para uma felicidade mais elevada” (Notas sobre Rm 5.3). O que parece castigo é, muitas vezes, treino de filho amado.
A prova de tudo isso é a cruz, e Paulo a apresenta em gradação. Dificilmente alguém morre por um justo; talvez por um homem bom alguém ousasse morrer (Rm 5.7). “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.8). Ele não esperou que fôssemos amáveis; amou-nos ímpios, inimigos, sem força. E se, ainda inimigos, fomos reconciliados pela morte do Filho, “muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida” (Rm 5.10) — pois ele vive para interceder por nós.
Wesley sublinha que Cristo morreu por nós “quando estávamos sem força — seja para pensar, querer ou fazer qualquer coisa boa” (Notas sobre Rm 5.6). E não uma morte meramente exemplar: “não parece que esta expressão, morrer por alguém, tenha outra significação senão a de resgatar a vida de outro entregando a nossa própria.”
O capítulo termina com o grande contraste entre os dois representantes da humanidade. Por um homem, Adão, entraram o pecado e a morte, que passaram a todos (Rm 5.12); por um Homem, Cristo, vieram a graça e a vida. Mas Paulo insiste na desproporção a favor da graça: “se, pela ofensa de um só, muitos morreram, muito mais a graça de Deus… foi derramada abundantemente sobre muitos” (Rm 5.15). E chega ao clímax: “onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5.20). A dívida de Adão foi paga com sobras pela riqueza de Cristo; o segundo Adão não apenas empatou o jogo, venceu por larga margem.
E aqui Wesley abre a porta para a santificação, tão cara ao metodismo: a graça superabunda “não somente na remissão daquele pecado que Adão trouxe sobre nós, mas de todos os nossos próprios; não somente na remissão dos pecados, mas na infusão da santidade; não somente no livramento da morte, mas na admissão à vida eterna — vida muito mais nobre e excelente do que a que perdemos pela queda” (Notas sobre Rm 5.20).
Para a vida. A quem vive assombrado pela consciência, Romanos 5 diz: a guerra acabou; você tem paz com Deus. A quem atravessa o vale do sofrimento, diz que a dor não é desperdício nem sinal de abandono — Deus a está transformando em perseverança, caráter e esperança. Escreva num lugar visível: “Deus prova o seu amor por mim na cruz”, e leia isso nos dias em que o coração duvidar. E lembre: a graça não veio só para cancelar o passado, mas para infundir santidade no presente.
Se a graça superabunda sobre o pecado, alguém poderia raciocinar torto: “permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante?” (Rm 6.1). Paulo reage com horror: “De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós que para ele morremos?” A graça não é licença para pecar; é poder para não pecar. E a razão está na nossa união com Cristo, retratada no batismo: fomos “sepultados com ele na morte”, para que “andemos em novidade de vida” (Rm 6.4). O “velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos” (Rm 6.6).
Wesley entende esse “velho homem” como “a nossa natureza má… aquela inteira depravação que, por natureza, se espalha por todo o homem”, e que no crente “é crucificada com Cristo, mortificada, gradualmente morta, em virtude da nossa união com ele” (Notas sobre Rm 6.6). A palavra “gradualmente” é importante: a morte do pecado, uma vez iniciada, é um processo que a graça leva adiante.
Da doutrina nasce o imperativo que é a chave prática do capítulo: “considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus” (Rm 6.11). O verbo é “considerar” — contar como verdade aquilo que Cristo já fez, e viver a partir disso. A santidade não começa por um esforço desesperado, mas por acreditar em quem já somos em Cristo.
Trata-se de uma mudança de reinado: “não reine, portanto, o pecado no vosso corpo mortal” (Rm 6.12); antes, apresentai-vos a Deus e os vossos membros “como instrumentos de justiça” (Rm 6.13). E vem a promessa: “o pecado não terá domínio sobre vós, porque não estais debaixo da lei, e sim da graça” (Rm 6.14). Éramos escravos do pecado; tornamo-nos “escravos da justiça” (Rm 6.18). Ninguém vive sem senhor; a questão não é se serviremos, mas a quem.
Aqui aparece o que se costuma chamar de otimismo wesleyano da graça: para Wesley, o “completa vitória sobre o pecado não é ideal inatingível, mas promessa do evangelho para esta vida — fundamento da doutrina da santificação” (nota editorial sobre Rm 6.14). E sobre o obedecer “de coração à forma de doutrina” (Rm 6.17), ele nota a bela figura do molde: “as nossas mentes devem conformar-se aos preceitos do evangelho como o metal líquido toma a figura do molde em que é vazado.”
O balanço final é impressionante: “o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6.23). Note a assimetria: o pecado paga o que deve, e paga em morte; Deus não paga salário — dá um presente. As más obras exigem a sua recompensa; as boas apenas recebem um dom gratuito.
Wesley lê aquela “morte” em três dimensões — temporal, espiritual e eterna. Sobre a natureza exata da morte eterna, ele nota que a Escritura usa imagens fortes; o que o texto exclui com certeza absoluta é qualquer salvação sem Cristo: “o salário do pecado jamais é a vida” (nota editorial sobre Rm 6.23).
Para a vida. A liberdade cristã não é fazer o que se quer, mas ser livre para fazer o que agrada a Deus. Na luta contra um pecado que insiste em voltar, o segredo não é apenas tentar mais; é lembrar quem você já é em Cristo — morto para o pecado, vivo para Deus — e, a partir dessa identidade, dizer não ao velho senhor. E não se contente com pouco: a graça promete vitória real, não apenas perdão repetido. A mesma mão que perdoa também liberta.
Paulo continua explicando a nossa relação com a Lei, usando a imagem do casamento: como a mulher fica livre da lei do marido quando ele morre, também nós “fomos mortos para a lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencermos a outro, àquele que ressurgiu dentre os mortos” (Rm 7.4). O objetivo da libertação não é a anarquia, mas um novo vínculo: pertencer a Cristo e “frutificar para Deus”, servindo “em novidade de espírito, e não na caducidade da letra” (Rm 7.6).
Alguém poderia concluir que a Lei é má. Paulo se apressa a defendê-la: “a lei é santa; e o mandamento, santo, justo e bom” (Rm 7.12). O problema nunca foi a Lei, e sim o pecado que habita em nós, que a Lei apenas revela e, ao proibir, provoca — “eu não teria conhecido a cobiça, se a lei não dissesse: não cobiçarás” (Rm 7.7). A Lei é como o raio de sol que mostra a poeira no ar: não a criou, apenas a expôs.
Então vem o trecho mais debatido da carta: “não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço” (Rm 7.19), até o clímax: “desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Rm 7.24). Quem é esse “eu” dividido, que aprova o bem, mas se vê arrastado ao mal, “vendido sob o pecado” (Rm 7.14)? O cristão maduro, em luta permanente? Ou o homem ainda sob a Lei, despertado para a sua miséria, mas ainda não libertado pelo Espírito?
Na tradição wesleyana, a segunda leitura é a mais fiel ao contexto. Aquele que ainda é “vendido sob o pecado” e não conheceu o livramento não pode ser a mesma pessoa de quem, no versículo seguinte, se dirá que “nenhuma condenação há” e que foi libertada “da lei do pecado e da morte” (Rm 8.1-2). O capítulo 7 é o retrato do despertar; o capítulo 8, o da libertação. É a fotografia de quem, iluminado pela Lei santa, descobre que não consegue cumpri-la por si e, esgotado, começa quase sem perceber a clamar por socorro — até que Cristo responde.
Wesley o diz com precisão: nesse trecho Paulo “entretece todo o processo de um homem raciocinando, gemendo, lutando e escapando do estado legal para o evangélico” (Notas sobre Rm 7.14). Sobre o clamor do versículo 24: “A luta chegou agora ao auge; e o homem, achando que não há socorro em si mesmo, começa quase sem perceber a orar: Quem me livrará?” E conclui, no versículo 25, que “o homem está agora inteiramente cansado da sua escravidão e à beira da liberdade”.
Para a vida. Há um lugar por onde quase todo mundo precisa passar: o de descobrir que a força de vontade não salva ninguém. Se você está exausto de tentar ser bom e sempre recair, essa exaustão pode ser uma graça disfarçada — ela o empurra do “eu não consigo” para o “Cristo me livra”. O grito “quem me livrará?” já é meio caminho andado, porque a resposta vem na mesma frase: “graças a Deus, por Jesus Cristo, nosso Senhor” (Rm 7.25). Não fique parado no capítulo 7; atravesse para o 8.
Chegamos ao cume da carta. Depois do gemido do capítulo 7, rompe a manhã: “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1). O que a Lei não pôde fazer, por ser fraca pela carne, Deus fez enviando o próprio Filho, “condenou, na carne, o pecado, para que o preceito da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito” (Rm 8.3-4). O capítulo inteiro respira Espírito: há dois modos de existir, “segundo a carne” e “segundo o Espírito”, e cada um tem a sua mente, o seu rumo e o seu fim — “o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito, para a vida e paz” (Rm 8.6). E o pendor da carne, adverte Paulo, “é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar” (Rm 8.7). E a marca do cristão é decisiva: “se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Rm 8.9).
No centro está a adoção. “Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm 8.14); não recebemos “o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas… o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai!” (Rm 8.15). E, mais precioso ainda, “o próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8.16). Há uma certeza interior, dada pelo Espírito, de que pertencemos a Deus — não uma dedução da nossa consciência, mas uma voz que se soma a ela.
Este versículo é o fundamento da doutrina wesleyana do testemunho do Espírito, que Wesley desenvolveu em dois sermões célebres: uma impressão interior direta, distinta da simples inferência da consciência, pela qual o filho de Deus sabe que o é. Wesley a descreve como bênção a ser desfrutada “clara e constante” (Notas sobre Rm 8.16). É o privilégio do cristão não apenas crer que é salvo, mas saber-se amado e aceito, pela voz do Espírito no coração.
Filhos, e portanto herdeiros — “herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo, se com ele sofremos” (Rm 8.17). Paulo pesa a balança: “as aflições do tempo presente não podem ser comparadas com a glória a ser revelada em nós” (Rm 8.18). E descreve três gemidos e uma esperança. Geme a criação, sujeita à vaidade, “em dores de parto” (Rm 8.22); gememos nós, “que temos as primícias do Espírito”, aguardando “a redenção do nosso corpo” (Rm 8.23); e geme o próprio Espírito, que “intercede por nós com gemidos inexprimíveis” quando não sabemos orar como convém (Rm 8.26). O universo inteiro está grávido de redenção. E no meio dos gemidos, a promessa que sustenta gerações: “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8.28).
Em 8.29-30 Paulo encadeia uma “corrente de ouro”: os que Deus “de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho… e aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou”. A leitura calvinista vê aí um número fixo, decretado desde a eternidade e infalivelmente conduzido à glória. A leitura wesleyana entende os elos como o método de Deus, e não como uma lista fechada de nomes: a predestinação é “para serem conformes à imagem do seu Filho” — a marca dos que serão glorificados é a semelhança com Cristo —, e a base é a presciência (1Pe 1.2).
Wesley é explícito: sobre os que Deus justificou, “contanto que permanecessem na sua bondade (Rm 11.22), a esses, no fim, glorificou. Paulo não afirma que precisamente o mesmo número de homens é chamado, justificado e glorificado. Ele não nega que um crente possa desviar-se e ser cortado entre o seu chamado e a sua glorificação” (Notas sobre Rm 8.30). Os elos descrevem o caminho por onde Deus nos conduz, passo a passo, rumo ao céu — não um decreto que dispensa a fé perseverante.
Wesley chega a advertir contra o próprio conceito de decretos eternos entendidos ao pé da letra: a linguagem de Deus “deliberando e decretando” é apenas “uma representação popular do seu conhecimento infalível e da sua sabedoria imutável”; Deus não precisou, antes da criação, redigir um registro que o dirigisse depois, “sendo o seu entendimento sempre igualmente claro e a sua sabedoria igualmente infalível” (Notas sobre Rm 8.28).
O capítulo termina em triunfo, num dos textos mais altos da Escritura: “se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm 8.31). Nada pode acusar, pois é Deus quem justifica; nada pode condenar, pois Cristo intercede; nenhuma prova nos derrota — “em todas estas coisas, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou” (Rm 8.37); e “nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados… nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8.38-39). É a mais alta certeza da fé. E, lida em harmonia com 8.30 e 11.22, ela ensina exatamente isto: nenhum inimigo, nenhuma força, nenhuma circunstância nos arranca da mão de Deus — mas somos nós mesmos exortados a permanecer nele (Jo 15.4-9). Ninguém nos rouba; podemos, porém, sair. E é justamente por isso que a exortação a permanecer é séria, e a promessa de que nada nos separa é doce: uma guarda a outra.
Wesley harmoniza as duas verdades sem forçar nenhuma: nada externo — “nenhuma criatura, poder ou circunstância — pode separar o crente do amor de Deus”; mas essa certeza “não anula a advertência contra a apostasia voluntária: ninguém nos arranca; mas nós mesmos somos exortados a permanecer” (nota editorial sobre Rm 8.38-39; cf. Jo 15.4-9).
Para a vida. Filho de Deus, você pode saber que é amado — peça e cultive o testemunho do Espírito, que gera não orgulho, mas paz e ousadia para chamar a Deus de Pai. E, quando as provas vierem, agarre-se a Romanos 8.28 e 8.38-39 como a uma âncora: nada abaixo do Todo-Poderoso pode separá-lo do amor de Cristo. Ao mesmo tempo, permaneça nele: a certeza do amor não é convite à preguiça, é combustível para a fidelidade. Quem sabe que é amado assim não quer sair dos braços que o seguram.
Depois do cume do capítulo 8, uma sombra atravessa o coração de Paulo: se em Cristo há tanta bênção, por que a maior parte de Israel — o povo das promessas — não creu? Ele começa com lágrimas, sob juramento, dizendo ter “grande tristeza e incessante dor no coração”, a ponto de desejar ser ele mesmo “anátema, separado de Cristo, por amor de meus irmãos” (Rm 9.2-3). E enumera os privilégios de Israel: a adoção, a glória, as alianças, a lei, o culto, as promessas, os patriarcas e, sobretudo, o Messias segundo a carne (Rm 9.4-5). Guardar esse tom é decisivo: os capítulos 9 a 11 não são um tratado frio sobre decretos; são a angústia de um pastor pela salvação do seu povo. Quem lê Romanos 9 sem essas lágrimas já o entendeu mal.
O ponto de partida decide tudo. Paulo não está perguntando “por que uns creem e outros não”, mas: se Israel rejeitou o Messias, a promessa de Deus falhou? A resposta abre o bloco: “não pensemos que a palavra de Deus tenha falhado; porque nem todos os de Israel são, de fato, israelitas” (Rm 9.6). A promessa nunca dependeu de descendência física, e sim da fé; e sempre correu por um afunilamento — não Ismael, mas Isaque; não Esaú, mas Jacó; não todo Israel, mas o remanescente (Rm 9.7,13,27). A tese, portanto, é a eleição corporativa e vocacional da nação de Israel para um papel na história da salvação — não a eleição incondicional de indivíduos para o céu ou o inferno.
Convém lembrar que, mesmo em Romanos 8, Wesley já lera a eleição em chave corporativa e histórica: a nação de Israel foi escolhida para ser o povo de Deus, e depois a Igreja; e o que corta alguém dessa eleição “é a sua própria apostasia voluntária — não um decreto de preterição” (Notas sobre Rm 8.33).
A leitura determinista se apoia em quatro passagens; convém lê-las no contexto. Primeira: “amei Jacó e aborreci Esaú” (Rm 9.13). Paulo cita Malaquias, escrito séculos depois da morte dos irmãos, onde “Jacó” e “Esaú” são as nações de Israel e Edom; o próprio oráculo original já falava de povos: “dois povos há no teu ventre… o mais velho servirá ao mais moço” (Gn 25.23) — e o indivíduo Esaú jamais serviu ao indivíduo Jacó. E “aborrecer”, no idioma semítico, é amar menos, preterir, como em Lucas 14.26; foi Esaú, aliás, quem desprezou a primogenitura (Gn 25.34; Hb 12.16).
Segunda: “terei misericórdia de quem me aprouver” (Rm 9.15-16). O ponto não é restringir a misericórdia a poucos, mas afirmar a liberdade de Deus para definir o modo de concedê-la — pela fé, não pela etnia nem pelas obras. Tanto que o mesmo bloco termina dizendo que Deus quer usar de misericórdia “para com todos” (Rm 11.32) e é “rico para com todos os que o invocam” (Rm 10.12). O “querer e correr” de 9.16 é o esforço e o privilégio humanos — o mérito, a linhagem —, e é isso que o texto exclui, não a fé, que é o modo não meritório que a própria graça estabeleceu (Rm 4.16).
Terceira: “endurece a quem quer”, no caso de Faraó (Rm 9.17-18). O texto de Êxodo mostra que, nas primeiras pragas, foi Faraó quem endureceu o próprio coração (Êx 8.15,32); só depois se diz que Deus o endureceu (Êx 9.12). O anúncio prévio (Êx 4.21) não é causa: Deus, que conhece o coração, apenas declara de antemão como Faraó reagiria — como fez com a negação de Pedro. O endurecimento divino é entrega judicial, o mesmo “Deus os entregou” de 1.24: o sol que amolece a cera é o que endurece o barro. E a ironia de Paulo é fina: Israel, incrédulo, estava repetindo Faraó — “vós sempre resistis ao Espírito Santo” (At 7.51).
Quarta: o oleiro e os vasos (Rm 9.20-23). Na Escritura, o barro nas mãos do oleiro é Israel, não cada alma individual (Is 29.16; 64.8; Jr 18.6). E em Jeremias 18 o destino do vaso muda conforme a resposta da nação: “se aquela nação se converter da sua maldade, também eu me arrependerei do mal” (Jr 18.7-8) — como Nínive comprovou (Jn 3.10). Há ainda uma diferença finíssima que o próprio Paulo faz: sobre os “vasos de ira”, diz apenas que estão “preparados para a perdição”, sem afirmar quem os preparou (no grego, a forma até permite entender que eles mesmos se prepararam); mas sobre os “vasos de misericórdia”, afirma com todas as letras que foi Deus quem os “de antemão preparou para a glória” (Rm 9.22-23). A conclusão salta aos olhos: para a glória, quem prepara é Deus; para a perdição, ninguém é preparado por ele — é o próprio pecador que se endurece. E as categorias se abrem, não se fecham: “chamarei meu povo ao que não era meu povo” (Rm 9.25).
O próprio Paulo dá a chave do capítulo no seu fecho, e ela não é decreto, mas fé: os gentios, que não buscavam a justiça, alcançaram-na, “a justiça que decorre da fé”; ao passo que Israel, que buscava “uma lei de justiça”, não a alcançou. Por quê? “Porque não a buscaram pela fé, e sim como que por obras” (Rm 9.30-32). Eis o diagnóstico do apóstolo, em suas próprias palavras: a diferença não está num decreto secreto, mas na fé que uns tiveram e outros recusaram, tropeçando na “pedra de tropeço” (Rm 9.33).
Foi contra a leitura determinista de Romanos 9 que Wesley disse, no seu sermão Free Grace (1739): “Seja lá o que essa Escritura prove, ela jamais poderá provar isso” — isto é, jamais provará que Deus criou almas para a perdição. Pois tal doutrina, argumenta ele, faria de Deus um condenador arbitrário, em nada parecido com o Jesus que chorou sobre Jerusalém: “quantas vezes quis eu… e vós não quisestes!” (Mt 23.37). Wesley desenvolveu longamente esse argumento também no tratado Predestination Calmly Considered (1752).
Para a vida. Se você já tremeu diante de Romanos 9, respire: o capítulo não foi escrito para lhe roubar a certeza, mas para defender a fidelidade de Deus. Deus não falhou, e a promessa continua correndo pela fé — a sua fé. Diante do incrédulo, a lição é dupla: não há caso perdido por decreto, então pregue e ore com esperança; e não há motivo para soberba, então trate cada pessoa como alguém a quem Deus estende as mãos.
Se o capítulo 9 defendeu a fidelidade de Deus, o 10 mostra o outro lado da moeda: a responsabilidade humana. E começa exatamente onde um determinista não começaria — numa oração: “o bom desejo do meu coração e a minha súplica a Deus, em favor deles, é para que sejam salvos” (Rm 10.1). Ora-se por quem pode ser salvo. Paulo diagnostica o problema de Israel não como decreto, mas como “zelo, mas não com entendimento” (Rm 10.2): buscavam estabelecer a própria justiça e não se sujeitaram à justiça de Deus (Rm 10.3). Cristo é “o fim da lei, para justiça de todo aquele que crê” (Rm 10.4).
E então a porta se escancara. A justiça da fé não exige subir ao céu nem descer ao abismo; “a palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração” (Rm 10.8). Basta confessar com a boca a Jesus como Senhor e crer no coração que Deus o ressuscitou (Rm 10.9). Pois “não há distinção entre judeu e grego, porquanto o mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Rm 10.12-13). “Todo aquele” — não um número secreto, mas quem quer que invoque.
Daí a lógica missionária: como invocarão aquele em quem não creram? Como crerão sem ouvir? Como ouvirão sem pregador? “A fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo” (Rm 10.17). A fé não cai do céu por decreto secreto; nasce do evangelho anunciado. Israel ouviu e entendeu, mas resistiu — e Paulo fecha o capítulo com uma das imagens mais comoventes da Bíblia, a boca de Deus falando de Israel: “o dia todo estendi as mãos a um povo rebelde e contradizente” (Rm 10.21). Braços abertos, não portas fechadas; um Deus que implora, não que exclui.
Para a vida. Este capítulo é o antídoto contra dois erros. Contra o fatalismo, que diz “se é para se converter, se converterá sozinho”: não — a fé vem pela pregação, e por isso vale a pena pregar, convidar, insistir. E contra o orgulho, que se acha melhor que o incrédulo: lembre-se de que a mesma mão que se estende a você se estende a ele. Pregue a todos, com esperança real, sabendo que “todo aquele que invocar será salvo”.
Terá Deus rejeitado o seu povo? “De modo nenhum!” (Rm 11.1). A rejeição não é total: “também agora, no tempo presente, ficou um remanescente segundo a eleição da graça” (Rm 11.5) — e o próprio Paulo é prova disso. E não é definitiva: “tropeçaram para que caíssem? De modo nenhum!” (Rm 11.11); antes, a sua queda abriu a porta da salvação aos gentios, para provocá-los a ciúme e, no fim, alcançá-los também.
Vem então a grande imagem da oliveira (Rm 11.17-24). Há uma só árvore — o povo de Deus, com raízes nas promessas a Abraão. Ramos naturais (judeus incrédulos) foram cortados; ramos silvestres (gentios crentes) foram enxertados. E Paulo nomeia a causa do corte — não um decreto: “por causa da incredulidade foram quebrados; tu, porém, pela fé estás firme” (Rm 11.20). Segue-se então a advertência mais explícita da carta contra a presunção da segurança incondicional, dirigida aos que já creem:
“Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas, para contigo, a bondade de Deus, se permaneceres nessa bondade; do contrário, também tu serás cortado.” (Rm 11.22)
É o mesmo “se permaneceres” que Wesley usou para interpretar a corrente de ouro do capítulo 8. A segurança do crente é real, mas não é automática: repousa no amor de Deus e se conserva pela fé perseverante. E Deus é poderoso para enxertar de novo os que foram cortados, “se não permanecerem na incredulidade” (Rm 11.23) — de novo, a condição é a fé, e a porta nunca se tranca por decreto.
Paulo revela então o mistério: “o endurecimento veio em parte a Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado. E assim, todo o Israel será salvo” (Rm 11.25-26). Endurecimento “em parte” e “até que” — parcial e temporário, não total nem eterno. E o alvo de toda a história é a misericórdia: “Deus encerrou a todos na desobediência, a fim de usar de misericórdia para com todos” (Rm 11.32). Diante de tal plano, Paulo não conclui com uma fórmula, mas com adoração — e nós faríamos bem em imitá-lo:
“Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos!… Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém.” (Rm 11.33,36)
Para a vida. A humildade é a grande lição prática de Romanos 11: “não te glories contra os ramos” (Rm 11.18). Você foi enxertado por pura graça; então diante de todo incrédulo, a sua postura é gratidão e temor, nunca soberba. E o “se permaneceres nessa bondade” é um convite, não uma ameaça: permaneça nele todos os dias, pela fé, e a doxologia de Paulo será também a sua — porque de Deus, por Deus e para Deus são todas as coisas, inclusive a sua história.
Com o capítulo 12, a carta vira a esquina: da doutrina para a prática. E a virada tem uma dobradiça — “rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus” (Rm 12.1). Tudo o que vem agora nasce das misericórdias expostas nos onze capítulos anteriores; a ética cristã é sempre resposta à graça, nunca condição para merecê-la. E a resposta é o culto de toda a vida: “que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Rm 12.1). O altar do Antigo Testamento recebia animais mortos; o do Novo recebe pessoas vivas — e o desafio de um sacrifício vivo é que ele pode descer do altar a qualquer hora.
Wesley observa a bela oposição: “o culto dos pagãos era inteiramente irracional; assim também a jactância dos judeus. Mas o cristão age em todas as coisas pela mais alta razão, inferindo da misericórdia de Deus o seu próprio dever” (Notas sobre Rm 12.1). Servir a Deus com a vida inteira é o mais racional dos atos.
A transformação começa por dentro: “não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2). O mundo pressiona de fora para dentro, como uma fôrma; o Espírito trabalha de dentro para fora, renovando o modo de pensar — e só a mente renovada reconhece e ama a vontade de Deus.
Ao tratar dos dons, Paulo diz que quem tem o dom de profecia o exerça “segundo a proporção da fé” (Rm 12.6). Dessa expressão a tradição wesleyana extraiu um princípio de interpretação da Bíblia que vale ouro: a analogia da fé. Nenhuma passagem isolada e difícil pode ser lida de modo a contradizer o grande esquema doutrinal das Escrituras; o texto obscuro deve ser interpretado à luz dos claros.
Wesley o formula assim: devemos interpretar “segundo aquele grande esquema de doutrina entregue na Escritura, tocante ao pecado original, à justificação pela fé e à salvação presente e interior. Todo artigo sobre o qual haja qualquer questão deve ser decidido por esta regra; toda Escritura duvidosa, interpretada segundo as grandes verdades que percorrem o todo” (Notas sobre Rm 12.6). Foi por essa régua — o claro iluminando o obscuro — que lemos Romanos 9.
Primeiro, a humildade: cada um pense de si “com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu” (Rm 12.3), porque somos “um só corpo em Cristo” e membros uns dos outros (Rm 12.5). Os dons são vários; a graça é uma. Cada um sirva com o seu — profecia, ministério, ensino, exortação, contribuição, liderança, misericórdia — e a misericórdia, “com alegria” (Rm 12.6-8).
Depois, o amor, descrito numa cascata de imperativos: “o amor seja sem hipocrisia. Detestai o mal, apegai-vos ao bem. Amai-vos… com ternura fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros” (Rm 12.9-10). Fervor no espírito, alegria na esperança, paciência na tribulação, perseverança na oração, generosidade com os santos, hospitalidade (Rm 12.11-13). E o clímax, difícil e sublime: “abençoai os que vos perseguem… não pagueis a ninguém mal por mal… se o vosso inimigo tiver fome, dai-lhe de comer” (Rm 12.14-20), até o lema que resume tudo: “não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem” (Rm 12.21).
Sobre preferir os outros em honra, Wesley dá a receita: consegue-o “quem habitualmente considera o que há de bom nos outros e o que há de mau em si mesmo” (Notas sobre Rm 12.10). E sobre amontoar “brasas de fogo” sobre a cabeça do inimigo (Rm 12.20), lê a bondade como fogo que purifica: assim como o ourives amontoa brasas sobre o minério e o metal “aprende a brilhar”, a bondade paciente derrete a dureza do adversário. Por isso, conclui: “vence o mal com o bem — conquista os teus inimigos pela bondade e pela paciência” (Rm 12.21).
Para a vida. Culto não é só o que fazemos no templo no domingo; é o que fazemos com o corpo na segunda-feira. Pergunte-se: em que a minha mente ainda está moldada pela fôrma do mundo — no dinheiro, no sucesso, na vingança — e precisa ser renovada? E escolha, nesta semana, um mal concreto para vencer com o bem: um silêncio maldoso quebrado por uma palavra boa, uma ofensa respondida com uma bênção, um inimigo surpreendido por um gesto de bondade.
Paulo trata do cristão diante do Estado: “toda alma esteja sujeita às autoridades superiores” (Rm 13.1), pois a ordem civil é instituição de Deus para conter o mal e promover o bem — “ela é ministro de Deus para teu bem” (Rm 13.4). Daí decorrem o pagamento de impostos e o respeito devido (Rm 13.6-7). É preciso, porém, ler o texto com equilíbrio, à luz do conjunto da Escritura. A sujeição não é adoração: quando a autoridade humana ordena o que Deus proíbe, vale o princípio de Atos 5.29 — “antes importa obedecer a Deus do que aos homens”. O mesmo apóstolo que aqui manda respeitar o governo foi por ele preso e executado. Sujeição, sim; idolatria do poder, jamais. O Estado é servo de Deus, não deus.
Em seguida, a única dívida que o cristão deve manter sempre em aberto: “a ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros; pois quem ama o próximo tem cumprido a lei” (Rm 13.8). Paulo mostra que os mandamentos — não adulterar, não matar, não furtar, não cobiçar — se resumem num só: “amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Rm 13.9). O amor não anula os mandamentos; cumpre-os por dentro, “porque o amor não faz mal ao próximo” (Rm 13.10). Quem ama de verdade já está guardando a Lei sem precisar consultá-la a cada passo.
O capítulo termina como um despertador: “já é hora de despertardes do sono… a noite é passada, e o dia é chegado. Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz” (Rm 13.11-12). E o apelo final é uma troca de roupa: “revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências” (Rm 13.14). Foi este exato versículo que Agostinho leu no jardim e que selou a sua conversão. A noite vai adiantada; não é hora de dormir, é hora de vestir a Cristo.
Para a vida. Diante da política, o cristão não é nem bajulador do poder nem rebelde por princípio: respeita, paga o que deve, ora pelos governantes e, quando preciso, resiste com mansidão e coragem, obedecendo antes a Deus. E, diante da própria vida, ouça o despertador de Paulo: há hábitos das trevas que precisam ser deixados como se tira uma roupa velha, para vestir a Cristo. Que peça você precisa despir hoje — e que roupa de Cristo precisa vestir?
A parte final desce a um problema muito concreto e muito atual: como conviver, na mesma igreja, com quem pensa diferente em questões secundárias? Em Roma, discutia-se comida e dias sagrados (Rm 14.2,5). Paulo chama de “fraco” o de consciência mais escrupulosa e de “forte” o de consciência mais livre — mas o seu conselho corta dos dois lados: “o que come não despreze o que não come; e o que não come não julgue o que come, pois Deus o acolheu” (Rm 14.3). Ninguém é juiz do servo alheio: “para o seu próprio senhor ele está em pé ou cai” (Rm 14.4). Cada um responde a Deus, “porque todos compareceremos perante o tribunal de Deus” (Rm 14.10) — e o tempo que gastamos julgando o irmão seria melhor gasto preparando a nossa própria prestação de contas.
O princípio que rege tudo é o amor que abre mão do seu direito: “nunca mais julguemos uns aos outros; pelo contrário, tomai o propósito de nunca pôr tropeço ou escândalo ao vosso irmão” (Rm 14.13). Pois “não destruas por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu” (Rm 14.15). E vem a definição que relativiza tantas de nossas brigas: “o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17). A liberdade é real, mas o amor é maior que a liberdade: “bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer coisa alguma em que teu irmão tropece” (Rm 14.21). E, para o que tem dúvida, o critério é a consciência diante de Deus: “tudo o que não provém de fé é pecado” (Rm 14.23).
Para a vida. Boa parte das brigas de igreja não é sobre o evangelho, mas sobre preferências elevadas à altura de doutrina. A regra de ouro de Romanos 14 é simples: nas questões essenciais, firmeza; nas secundárias, liberdade; em tudo, amor. Antes de julgar o irmão que pensa diferente de você em algo secundário, faça a pergunta que desarma: Cristo o acolheu? Então quem sou eu para rejeitá-lo? E, se você é o “forte”, lembre-se: o seu direito termina onde começa o tropeço do irmão.
O tema do capítulo 14 alcança o seu cume: “nós, que somos fortes, devemos suportar as debilidades dos fracos e não agradar a nós mesmos” (Rm 15.1). O modelo é Cristo, “que não se agradou a si mesmo” (Rm 15.3). E Paulo lembra de onde vem a força para essa paciência: “tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, para que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança” (Rm 15.4) — é a Palavra que sustenta os fortes. E o alvo é altíssimo: “acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus” (Rm 15.7). A medida da nossa acolhida não é a simpatia nem a semelhança, mas a de Cristo — que nos recebeu quando éramos inaceitáveis. Paulo mostra ainda que judeus e gentios foram sempre parte do mesmo plano, citando o Antigo Testamento para provar que os gentios louvariam a Deus (Rm 15.9-12), e ora para que o “Deus da esperança” os encha “de todo o gozo e paz” (Rm 15.13).
O apóstolo abre então o coração sobre o seu ministério: a graça que recebeu de ser “ministro de Cristo Jesus para os gentios” (Rm 15.16), a sua ambição santa de pregar “não onde Cristo já fora anunciado, para não edificar sobre fundamento alheio” (Rm 15.20), e o seu plano de ir à Espanha passando por Roma (Rm 15.24). Aqui vemos o coração do missionário: não lhe basta consolidar; ele quer avançar até os confins. E pede oração para a viagem e para a entrega da coleta em Jerusalém — sinal concreto da comunhão entre as igrejas gentílicas e o povo judeu (Rm 15.25-32).
Para a vida. A igreja madura é aquela em que os fortes carregam os fracos, e não o contrário. Pergunte-se: eu uso a minha maturidade, os meus dons e a minha liberdade para servir os mais frágeis, ou para me exibir e cobrar que todos sejam como eu? E deixe o coração de Paulo lhe contagiar: a fé que se acomoda no já-alcançado adoeceu; a fé saudável olha para os que ainda não ouviram — o vizinho, a cidade, os confins — e se põe a caminho.
O último capítulo parece só uma lista de nomes — e é uma das páginas mais bonitas da carta. Paulo saúda cerca de trinta pessoas, e nelas aparece o rosto real da igreja: gente de toda origem, homens e mulheres, escravos e livres, servindo lado a lado. Ele recomenda Febe, “serva” (diácono) da igreja de Cencreia, portadora provável da carta (Rm 16.1-2); saúda Priscila e Áquila, “que pela minha vida arriscaram a própria cabeça” (Rm 16.3-4); Maria e Pérside, que “muito trabalharam” (Rm 16.6,12); e Andrônico e Júnia, “notáveis entre os apóstolos” (Rm 16.7). O evangelho, que derrubou o muro entre judeu e gentio, também dá lugar e honra às mulheres na obra de Deus — não como enfeite, mas como coobreiras.
No meio das saudações, um alerta pastoral firme: “rogo-vos, irmãos, que noteis bem os que provocam divisões e escândalos, em oposição à doutrina que aprendestes; afastai-vos deles” (Rm 16.17). Há os que edificam e os que dividem; e a igreja precisa de discernimento e de coragem para não confundir os dois. E a carta que começou anunciando o evangelho termina em adoração, na grande doxologia final: “ao único Deus sábio seja dada glória, mediante Jesus Cristo, pelos séculos dos séculos. Amém” (Rm 16.27). Da tese à doxologia, de 1.16 a 16.27, tudo desemboca na glória de Deus.
Para a vida. A igreja não é uma estrutura; é gente com nome, história e serviço. Você conhece e valoriza as Febes e as Priscilas escondidas da sua comunidade, os que servem sem aparecer? Aprenda com Paulo a nomear e a honrar. E guarde o coração: nem todo o que fala em nome de Cristo edifica — vigie, com amor e firmeza, contra os que dividem. E faça da sua vida o que a carta fez: comece no evangelho e termine na glória de Deus.
Romanos nos conduz por toda a estrada da salvação. Parte do abismo — judeus e gentios debaixo do pecado, toda boca calada diante de Deus — e chega ao cume: justificados de graça pela fé, temos paz com Deus, somos libertados do poder do pecado, vivemos no Espírito como filhos que clamam “Aba, Pai”, e nada nos pode separar do amor de Cristo. No caminho, Paulo chora por Israel e defende a fidelidade de Deus, mostrando que a eleição corre pela fé, e não por decreto arbitrário; e, no fim, faz o evangelho descer ao corpo que se oferece em sacrifício vivo, à mente renovada, à dívida do amor, à submissão ordeira, à mesa onde fortes e fracos se acolhem, e à igreja de nomes concretos que serve para a glória de Deus.
Ao longo de todo o percurso, ouvimos Wesley como companheiro de leitura: a graça preveniente que ilumina todo homem; o “Deus os entregou” como retirada da graça refreadora, nunca como impulso ao pecado; a justificação atribuída inteiramente à “bondade livre e imerecida”; a fé que recebe a Cristo sem ser obra; a santidade não como ideal distante, mas como promessa do evangelho para esta vida; o testemunho do Espírito que nos faz saber-nos filhos; a corrente de ouro lida como o método de Deus e não como um número fechado; e o grito de Free Grace contra toda leitura que faça de Deus um condenador arbitrário. É a mesma teologia arminiana-wesleyana que atravessa este comentário.
Sobretudo, Romanos é uma carta que sempre acende quem a lê com o coração aberto. Que ela faça em nós o que fez naquela noite de Aldersgate: que sintamos o coração estranhamente aquecido, confiando em Cristo, somente em Cristo, para a salvação. E que essa confiança, longe de nos deixar acomodados, nos ponha a caminho — como pôs Paulo, de Jerusalém à Espanha — para que o evangelho, poder de Deus, alcance a todo aquele que crê.
“Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém.” (Rm 11.36)
Bispo Ildo Mello — Igreja Metodista Livre do Brasil. Referências bíblicas na versão Nova Almeida Atualizada (NAA); citações de John Wesley extraídas das suas Notas sobre a Bíblia e dos seus sermões (Free Grace, Predestination Calmly Considered).
Éfeso, no primeiro século, era a capital da província romana da Ásia e uma das maiores e mais importantes cidades do Império. Ali ficava o templo da deusa Diana, uma das sete maravilhas do mundo antigo, e um anfiteatro para cerca de vinte mil pessoas. Foi uma cidade estratégica para o avanço do evangelho, como se vê no relato da agitação provocada pelos ourives, que viviam da fabricação de imagens da deusa (At 19.23-27). Paulo já passara por ali no fim da segunda viagem missionária e, na terceira, ficou morando quase três anos, ensinando publicamente e de casa em casa (At 18.23—21.16). Poucas comunidades receberam do apóstolo tanto tempo e cuidado.
A carta, porém, tem um tom diferente das demais. Enquanto em Gálatas e nas cartas aos Coríntios Paulo corrige erros específicos de uma comunidade, respondendo a notícias que lhe chegaram, em Efésios ele escreve de modo mais amplo. Muitos manuscritos antigos sequer trazem a expressão “em Éfeso” no primeiro versículo, o que sugere uma carta circular, destinada a ser lida em várias igrejas daquela região. O resultado é um texto de fôlego teológico, que não trata de bastidores locais, mas do próprio plano eterno de Deus. Por isso alcança a Igreja de todo tempo — e nos alcança hoje.
Paulo a escreve como prisioneiro (Ef 3.1; 4.1; 6.20), provavelmente de Roma. Da cadeia, com as mãos acorrentadas, o apóstolo canta a liberdade e a riqueza que temos em Cristo. Não há amargura nessas páginas; há louvor.
O tema que atravessa toda a carta é o mistério da vontade de Deus: “fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu como as da terra” (Ef 1.10). Deus está reunindo em Cristo o que o pecado dispersou, colocando o Filho como Senhor e cabeça sobre tudo, e formando nele um só povo, de judeus e gentios. A Igreja não é um detalhe desse plano: ela é o corpo de Cristo e o palco onde a multiforme sabedoria de Deus se manifesta ao universo (Ef 3.10).
A estrutura é nitidamente bipartida. Nos capítulos 1 a 3, Paulo expõe o que Deus fez por nós em Cristo — a doutrina, o indicativo da graça. Nos capítulos 4 a 6, ele mostra como devemos então viver — a prática, o imperativo que brota da graça. A dobradiça entre as duas partes está em 4.1: “Rogo-vos… que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados.” Primeiro a bênção; depois a resposta. Essa ordem é decisiva: a vida cristã não é esforço para merecer o amor de Deus, mas resposta ao amor que já nos alcançou.
Três figuras descrevem a Igreja ao longo da carta. Ela é o corpo de Cristo, do qual ele é a cabeça (Ef 1.22-23; 4.15-16); é o templo santo, edificado sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, tendo Cristo como pedra angular, morada de Deus no Espírito (Ef 2.20-22); e é a esposa, amada e santificada por Cristo, que a si mesmo se entregou por ela (Ef 5.25-27). Corpo, templo e esposa: união, santidade e amor.
Leio Efésios a partir da tradição arminiana e wesleyana, na qual a iniciativa da salvação é inteiramente de Deus, mas a salvação é recebida e conservada pela fé; a graça é poderosa, porém resistível; e a santidade é o alvo para o qual fomos escolhidos. Em pontos como a eleição, o mistério de um só povo e a batalha espiritual, procuro deixar a minha posição explícita, sempre reconhecendo com respeito os irmãos que leem de outro modo. O objetivo não é vencer debates, mas ajudar o leitor a contemplar a grandeza do que Deus fez em Cristo e a viver à altura desse chamado.
O primeiro capítulo é um hino. No grego, os versículos 3 a 14 formam uma única e longa frase, um jorro de louvor que quase nos falta o fôlego para acompanhar. Paulo não começa a carta discutindo problemas; começa bendizendo a Deus por tudo o que temos em Cristo. E é assim que a vida cristã deveria começar cada dia: não pelo pedido, mas pelo louvor.
Paulo se apresenta como “apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus” (Ef 1.1) — não por escolha própria nem por ambição, mas por desígnio divino. E chama os leitores de santos. A palavra não descreve pessoas perfeitas, mas separadas: gente que está no mundo, mas não é do mundo; que tem cidadania no céu e a Deus por Pai. Fomos separados para viver o propósito de Deus. A saudação resume o evangelho em duas palavras: “graça e paz” (Ef 1.2) — a graça que vem primeiro e a paz que dela resulta.
“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo.” (Ef 1.3)
Três palavras dão o tom da passagem. A primeira é beneplácito, ou propósito: a resolução deliberada e bondosa de Deus (Ef 1.5,9). A segunda é vontade, que se repete ao longo do texto (Ef 1.5,9,11). A terceira é ainda mais forte: “o conselho da sua vontade” (Ef 1.11). Tudo o que acontece à Igreja brota do coração de Deus, e não do acaso ou do capricho das circunstâncias.
O propósito de Deus abraça toda a história. Ele é anterior a nós — “antes da fundação do mundo” (Ef 1.4); alcança-nos agora — pois já recebemos “toda sorte de bênção espiritual” em Cristo (Ef 1.3); e caminha para um fim — “a dispensação da plenitude dos tempos”, quando Deus fará convergir em Cristo todas as coisas (Ef 1.10). Passado, presente e futuro cabem nesse plano bendito.
E qual é o alvo declarado? Paulo o repete como um refrão: tudo é “para louvor da glória da sua graça” (Ef 1.6,12,14). Fomos criados e redimidos para a glória de Deus — e é justamente nisso que está a nossa maior alegria, porque o ser humano nunca é tão pleno quanto quando vive para Aquele que o fez.
“Deus nos escolheu nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele, em amor; e nos predestinou para sermos adotados como seus filhos.” (Ef 1.4-5)
Poucos textos foram tão debatidos quanto este. Convém, por isso, lê-lo com cuidado, à luz de toda a Escritura. A leitura que proponho — cristocêntrica, corporativa, condicional e santificadora — busca fazer justiça ao que Paulo de fato escreveu.
Primeiro, a eleição é, antes de tudo, “em Cristo”. Paulo não diz que Deus escolheu indivíduos considerados isoladamente; diz que nos escolheu nele. E a estrutura se repete o tempo todo: “em Cristo” (v.3), “nele” (v.4), “por meio de Jesus Cristo” (v.5), “no Amado” (v.6), “nele temos a redenção” (v.7), “em Cristo” (vv.9-10), “nele fomos feitos herança” (v.11), “em quem também vós” (v.13). Cristo não é apenas o executor de um decreto anterior; ele é o próprio fundamento da eleição. Fora dele não existe eleição salvadora. A pergunta decisiva, portanto, não é “Deus me escolheu secretamente para que eu viesse a estar em Cristo?”, mas “estou, pela fé, naquele que Deus escolheu como Salvador e cabeça do povo eleito?”.
Segundo, a eleição é corporativa em sua estrutura e individual em sua aplicação. Deus escolheu Cristo como representante da nova humanidade e, nele, escolheu a Igreja como seu povo — assim como escolheu Abraão e, nele, a sua descendência. Não se trata de um grupo abstrato e vazio: a eleição é primeiro do povo em seu cabeça, mas alcança verdadeiramente cada pessoa que passa a pertencer a esse povo pela fé. O aspecto corporativo não anula o individual; o crente é eleito como membro do corpo eleito.
Terceiro, é preciso observar o que a predestinação de fato predestina. Efésios 1 não afirma que Deus predestinou algumas pessoas a crer. Paulo diz para o quê os crentes foram predestinados: para serem santos e irrepreensíveis (v.4), para a adoção (v.5), para a redenção e o perdão (v.7), para uma herança (v.11), para o louvor da glória de Deus (vv.6,12,14). A predestinação fixa o destino dos que estão em Cristo. Deus determinou soberanamente que todo aquele que estiver unido ao Filho será perdoado, adotado, santificado, transformado e, enfim, glorificado. Em palavras simples: Deus não predestinou certas pessoas a crer à revelia da sua resposta; predestinou o que há de acontecer com todos os que creem. Essa leitura se harmoniza com o apóstolo em outro lugar, quando ele funda a predestinação na presciência divina: “aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho” (Rm 8.29; cf. 1Pe 1.2). H. Orton Wiley distingue com precisão: a predestinação é o plano gracioso pelo qual Deus decidiu adotar pessoas por meio de Cristo; a eleição identifica aqueles que, pela fé, acolhem a oferta da misericórdia.
Wesley, nas suas Notas, confirma essa leitura: sobre Efésios 1.4, Deus escolheu “aqueles que ele de antemão conheceu como crentes em Cristo (1Pe 1.2)”; sobre 1.5, foi “o seu propósito livre, fixo e inalterável de conferir esta bênção a todos os que cressem em Cristo, e somente a eles”; e sobre 1.12, “quem crê não somente é eleito para a salvação (se perseverar até o fim), mas é preordenado por Deus para andar em santidade”.
Quarto, a causa é a graça, e a condição não meritória é a fé. Isso não transforma a fé em obra que nos credencia diante de Deus. O pecador caído não produz fé por si mesmo: o Pai planeja a salvação, o Filho a realiza, o Espírito ilumina, convence e capacita, o evangelho chama — e o pecador, alcançado por essa graça, pode então responder. Armínio já ensinava que ninguém exerce fé salvadora sem a ação capacitadora da graça divina. A diferença em relação ao calvinismo não está em afirmar ou negar a necessidade da graça, mas em perguntar se essa graça é irresistível e concedida salvadoramente apenas a alguns. A fé não é a causa meritória da eleição; é a mão vazia que recebe o dom e nos une ao Eleito. A causa é a graça; o fundamento é Cristo; a condição não meritória é a fé.
Minha posição, portanto, pode ser assim resumida: antes da fundação do mundo, Deus decidiu graciosamente que Cristo seria o Salvador e a cabeça de um povo santo, e nele escolheu a Igreja, predestinando todos os que a ele se unissem para a adoção, a santidade e a herança eterna. Pela graça, mediante a fé, judeus e gentios são incorporados a Cristo e passam a participar pessoalmente dessa eleição. Reconheço, com respeito, os irmãos que leem aqui um decreto incondicional de indivíduos; mas essa leitura, a meu ver, não faz justiça ao “em Cristo” nem ao “todo aquele que crê” (Jo 3.16). E fica excluído qualquer universalismo: a salvação é real e oferecida a todos, porém condicionada à união com Cristo pela fé.
Vale ainda lembrar que a santidade a que fomos predestinados é “diante dele, em amor” (Ef 1.4). Não é santidade de fachada, encenada para as pessoas: é diante de Deus, que conhece o coração. E de nada valeria sem amor (1Co 13.1-3). A verdadeira evidência da eleição não está em tentar devassar os conselhos secretos de Deus, mas nos frutos visíveis: fé viva, presença do Espírito, crescimento no amor, obediência e santidade de vida.
Paulo enfileira as bênçãos numa sequência que tira o fôlego. Há a adoção: fomos feitos filhos de Deus, não por natureza nem por direito, mas por pura graça, quando estávamos mortos, tornando-nos coerdeiros com Cristo (Ef 1.5; Rm 8.17). Há a redenção: libertação e perdão pelo sangue de Cristo, pois éramos escravos do pecado e da morte (Ef 1.7). Há a sabedoria e a prudência com que Deus derramou sobre nós a riqueza da sua graça (Ef 1.8). Há a revelação do mistério: Deus nos deu a conhecer o seu plano de convergir em Cristo todas as coisas (Ef 1.9-10). E há a herança: em Cristo fomos feitos herança e recebemos herança, predestinados segundo o propósito daquele que tudo opera (Ef 1.11).
Há um detalhe que não pode passar despercebido. Do versículo 3 ao 13, só nos versículos 8 e 14 não aparece a expressão “nele” ou “em Cristo”. É a assinatura do capítulo: toda bênção se dá, se cumpre e se guarda em Cristo Jesus. Fora dele, mãos vazias; nele, mãos cheias.
“Tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa, o qual é o penhor da nossa herança.” (Ef 1.13-14)
No mundo antigo, o selo era marca de propriedade e de autenticidade: garantia de que a carta era verdadeira e de quem ela era. Assim, o Espírito Santo é a prova de que pertencemos a Deus. Ele testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus (Rm 8.16), dando-nos segurança interior. E o Espírito é também penhor — as arras, o sinal antecipado, a garantia da herança. É antegozo do céu, as primícias daquilo que teremos por inteiro na plenitude dos tempos. Como o anel de noivado, é a promessa firme das bodas que hão de vir.
Repare na ordem, que muito ensina: “tendo ouvido… e crido, fostes selados” (Ef 1.13). O selo não dispensa a fé; pressupõe-na. A graça é primeira, mas ela chama à fé, e é na fé que recebemos o penhor do Espírito.
Depois do louvor, Paulo ora. Ele dá graças pela fé e pelo amor dos leitores e pede que Deus lhes conceda “espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele” (Ef 1.17). São três coisas que ele quer que a Igreja conheça: a esperança do seu chamamento, a riqueza da glória da sua herança nos santos e a suprema grandeza do seu poder para conosco, os que cremos (Ef 1.18-19).
Esse poder não é abstrato. Paulo o define pelo maior evento da história: é o mesmo poder que Deus “exerceu em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais, acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio” (Ef 1.20-21). E acrescenta que Deus “sujeitou todas as coisas debaixo dos seus pés e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas” (Ef 1.22-23). Aqui está o coração da carta: Cristo, cabeça exaltada sobre o universo, é dado à Igreja, que é o seu corpo. O mesmo poder que o ressuscitou e o entronizou opera hoje em favor dos que creem. Não somos, portanto, órfãos desamparados diante das forças do mal; pertencemos ao corpo daquele que está acima de todas elas.
Se tudo isso é verdade, então há um modo novo de encarar a vida. Comece o dia bendizendo a Deus, antes de pedir qualquer coisa, por tudo o que já tem em Cristo. Descanse na eleição em Cristo, sem preguiça na fé: você foi escolhido por graça, responda crendo e perseverando. Viva a santidade diante de Deus, e não para a plateia. E enfrente as lutas a partir do alto, lembrando que está unido àquele que foi assentado acima de todo principado. A certeza de ser escolhido e amado em Cristo é o chão firme sobre o qual o crente caminha.
Se o primeiro capítulo contemplou o plano eterno de Deus, o segundo conta a nossa história pessoal dentro desse plano — do fundo do poço ao mais alto lugar. É um dos textos mais preciosos sobre a graça em toda a Escritura, e seu centro é uma expressão de apenas duas palavras.
Paulo não suaviza o diagnóstico. Antes de Cristo, “estáveis mortos nos vossos delitos e pecados” (Ef 2.1). Não doentes, não fracos: mortos. Andávamos segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, seguindo os desejos da carne e dos pensamentos, e éramos “por natureza filhos da ira” (Ef 2.2-3). É a condição de quem não pode salvar a si mesmo, porque um morto não se ressuscita. Reconhecer a gravidade do nosso estado não é pessimismo: é o que torna a graça verdadeiramente graça. Onde o diagnóstico é brando, o Salvador parece dispensável.
Duas palavras rompem a escuridão: “mas Deus” (Ef 2.4). São, talvez, as duas palavras mais belas da carta. A iniciativa é toda dele: “sendo nós mortos… nos deu vida juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e juntamente com ele nos ressuscitou e nos fez assentar nas regiões celestiais” (Ef 2.5-6). Aqui está a graça preveniente, aquela graça que vem antes: antes de qualquer passo nosso, Deus, movido por seu grande amor, vivifica, ressuscita e assenta. O verbo é sempre dele; nós éramos o cadáver. E há um propósito nos séculos vindouros: mostrar “a suprema riqueza da sua graça” (Ef 2.7). A nossa salvação será, para sempre, um monumento à bondade de Deus.
“Pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.” (Ef 2.8-9)
Note a arquitetura da salvação. A causa é a graça; o meio é a fé; a fonte é Deus, pois até a salvação recebida na fé é dom seu. A fé não é uma obra que nos credencia diante de Deus; é a mão vazia que recebe o presente. Por isso ninguém tem de que se gloriar. Diante da cruz, todo orgulho se cala.
Wesley resume com beleza: “A graça, sem consideração alguma ao merecimento humano, confere o dom glorioso. A fé, de mão vazia e sem pretensão alguma a mérito pessoal, recebe a bênção celestial” (Notas sobre Ef 2.8).
E, no entanto, as obras não desaparecem — mudam de lugar. “Somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10). As boas obras não são a raiz da salvação; são o seu fruto. Somos salvos não pelas obras, mas para elas. A mesma graça que salva transforma e nos põe a caminhar em santidade e amor. Fé sem obras é morta (Tg 2.17); mas as obras que agradam a Deus nascem da fé, e não a substituem.
Paulo lembra aos gentios o que eles eram: “sem Cristo, separados da comunidade de Israel, estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo” (Ef 2.12). “Sem esperança e sem Deus” é a condição mais dura que existe, e é a de muita gente ao nosso redor, que enfrenta as dores, as perdas, os medos e a própria morte sem uma âncora. Mas o cristão não vive assim: “agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo” (Ef 2.13). Onde havia distância, o sangue de Jesus fez proximidade; onde faltava esperança, nasceu a bendita esperança que não decepciona (Rm 5.5).
“Ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um e derrubou a parede da separação” (Ef 2.14). Judeus e gentios viviam separados por uma verdadeira muralha de inimizade — havia até, no templo de Jerusalém, um muro que impedia o gentio de avançar sob pena de morte. Na cruz, Cristo desfez essa parede e, dos dois, criou “um novo homem”, reconciliando ambos “com Deus em um só corpo, por meio da cruz” (Ef 2.15-16). Agora, tanto judeus como gentios têm, pelo mesmo Espírito, acesso ao Pai (Ef 2.18).
Este é o lugar de afirmar, com clareza e com carinho, a minha convicção: a carta não sustenta a ideia de que Deus mantém dois povos, com dois planos de salvação — um para Israel segundo a carne, outro para a Igreja. A Escritura é direta: Cristo “de ambos fez um”. Há um só corpo, um só Senhor, uma só fé, um só batismo (Ef 4.4-6). Paulo, em Romanos, usa a figura de uma única oliveira, da qual ramos naturais foram cortados pela incredulidade e ramos silvestres foram enxertados pela fé (Rm 11.17-24). Não há duas oliveiras; há uma só árvore do povo de Deus, que tem as suas raízes nas promessas feitas a Abraão e o seu cumprimento em Cristo.
Reconheço, com respeito, os irmãos de convicção dispensacionalista, que leem a profecia e a relação entre Israel e a Igreja de outro modo. Mas, a meu ver, a esperança de salvação, para judeus e gentios, é uma só: Jesus. E a consequência prática é imensa — se Cristo derrubou o maior muro da história, o que dizer dos muros menores que insistimos em levantar dentro da Igreja, de classe, de partido, de origem?
“Já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus” (Ef 2.19). A Igreja é edificada “sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo Cristo Jesus a pedra angular” (Ef 2.20) — a união do Antigo e do Novo Testamento, tudo concentrado em Cristo. E o edifício cresce “para templo santo”, “morada de Deus no Espírito” (Ef 2.21-22). De mortos e estrangeiros, fomos feitos a própria casa onde Deus habita. Que dignidade a graça nos deu!
O terceiro capítulo tem dois movimentos: a revelação do maior mistério de Deus e uma das mais belas orações de toda a Bíblia. Entre um e outro, Paulo abre o coração sobre o seu próprio ministério. Tudo começa com uma expressão que ele repete: “por esta causa” (Ef 3.1,14) — por causa de tudo o que Deus fez nos capítulos anteriores, o apóstolo se ajoelha e ora.
Paulo fala de um mistério que, em outras gerações, não foi dado a conhecer, mas que agora foi revelado: em Cristo, os gentios são “co-herdeiros, membros do mesmo corpo e co-participantes da promessa” (Ef 3.6). As promessas feitas a Abraão nunca foram apenas para os israelitas segundo a carne; desde o princípio Deus dissera: “em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3). O mistério, portanto, não é uma informação secreta e estranha, mas a plena manifestação daquilo que Deus sempre quis: reunir em Cristo, num só povo, judeus e gentios. O que era privilégio de alguns tornou-se herança de todos os que creem.
Paulo se diz servo desse evangelho por graça, o “menor de todos os santos”, chamado a anunciar aos gentios “as insondáveis riquezas de Cristo” (Ef 3.8). E revela uma verdade impressionante: é “por meio da igreja” que “a multiforme sabedoria de Deus” se torna conhecida aos principados e potestades nas regiões celestiais (Ef 3.10). A Igreja é o palco onde a sabedoria de Deus é exibida ao universo. Não é pouca coisa pertencer a ela. Por isso Paulo pede que os leitores não desanimem por causa das suas tribulações, que são, na verdade, glória deles (Ef 3.13).
“Por esta causa me ponho de joelhos diante do Pai… para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus.” (Ef 3.14,19)
Ajoelhar-se é bom, mas Paulo não ensina que essa seja a única forma de orar; o que precisa estar de joelhos é o coração. E ele faz pedidos ousados, de quem sabe diante de quem está. O primeiro: que sejamos “fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito, no homem interior” (Ef 3.16). O segundo: que Cristo habite no coração pela fé (Ef 3.17). Se ele fala a cristãos, é porque uma coisa é Cristo estar em nós, outra é ele habitar ricamente. Todos recebemos a mesma visita, mas cada um a acolhe de um jeito; a oração é para que ele se sinta em casa, com todo o espaço do coração.
O terceiro pedido é que estejamos “arraigados e alicerçados em amor” (Ef 3.17) — uma figura da lavoura, a raiz, e outra da construção, o alicerce. Quanto mais alta a árvore, mais funda precisa ser a raiz; quanto mais alto o edifício, mais firme o fundamento. E então o pedido cresce até o limite: que possamos compreender “qual é a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento” (Ef 3.18-19). Quem já foi ao mar sabe: no primeiro contato ficamos maravilhados, e ainda assim conhecemos apenas uma fração ínfima do oceano. Somos como os cegos da velha parábola, que tocaram partes diferentes do elefante e cada um descreveu uma coisa. Talvez já tenhamos tocado o amor de Deus por uma beirada; a oração de Paulo é para que o experimentemos em toda a sua dimensão. E ele garante o resultado: quem compreende esse amor é “tomado de toda a plenitude de Deus”.
Wesley contempla cada dimensão: “a largura do amor de Cristo — abraçando toda a humanidade; o comprimento — de eternidade a eternidade; a profundidade — insondável por qualquer criatura; a altura — inalcançável por qualquer inimigo” (Notas sobre Ef 3.18).
Se o amor de Deus é assim tão grande, por que ele não nos obriga? Porque é amor — e amor não se impõe. Deus poderia, por um decreto, deixar todo mundo apaixonado por Jesus; mas ele nos atrai “com cordas de amor” (Os 11.4), não por força nem violência. Vemos isso no jovem rico: Jesus, “olhando para ele, o amou” (Mc 10.21) e, mesmo amando, respeitou a sua escolha de ir embora, triste. Vemos isso quando muitos discípulos o abandonaram e ele perguntou aos doze: “Quereis vós também retirar-vos?” (Jo 6.67). Quem ama de verdade concede liberdade.
A graça de Deus é poderosa, mas resistível: “vós sempre resistis ao Espírito Santo”, disse Estêvão (At 7.51). Deus estende as mãos, bate à porta e espera (Ap 3.20); não arromba. É por isso, também, que não pregamos o universalismo. O amor de Deus alcança a todos e a cruz é oferecida ao mundo inteiro, mas a salvação é recebida por quem, alcançado pela graça, responde com fé. Amar a liberdade que Deus concede é levar a sério tanto o convite quanto a resposta — e é isso que nos move a evangelizar com paixão, atraindo com amor e não manipulando pelo medo.
A oração termina em louvor: “Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós” (Ef 3.20). Deus não é apenas capaz de atender ao pedido; é poderoso para fazer infinitamente mais do que pedimos e do que sonhamos — inclusive aquilo que não temos coragem de pedir, mas que ele lê no coração. E tudo isso “conforme o seu poder que opera em nós”. Diante de tal Deus, a única resposta cabível é a glória: “a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém” (Ef 3.21).
Com o quarto capítulo, a carta vira uma dobradiça: sai da graça recebida para a vida vivida. Os três primeiros capítulos disseram o que temos em Cristo; a partir daqui, Paulo diz como devemos andar. A palavra que abre a virada é um pedido: “rogo-vos”.
“Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados” (Ef 4.1). Depois de tanta graça, há algo que Deus espera de nós. Há quem pense que é “só graça”, que Deus faz tudo e nós apenas recebemos de modo passivo. Mas Paulo diz “rogo-vos” e “esforçando-vos por guardar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (Ef 4.3). A vida cristã é dada de presente; a partir desse presente, porém, há um esforço que se faz necessário — meu, seu, do pastor, do recém-convertido, sem exceção. É o que chamamos de sinergismo: não há mérito humano na salvação, mas há resposta. A mesma graça que nos salva nos capacita a andar, e a nossa parte é caminhar “com toda humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor” (Ef 4.2). “Desenvolvei a vossa salvação… porque Deus é quem opera em vós” (Fp 2.12-13): obra que brota da graça, edificada sobre a graça, e que ainda assim exige que arreguemos as mangas.
A palavra vocação vem do latim vocare, chamar. E todo chamado tem quem chama — o Vocalista. Esse é o nosso Criador. Deus formou cada um de nós de modo único, com dons e talentos, e tem um propósito para a nossa vida. Mas convém lembrar: por maior que seja a vocação, ela precisa de preparo. Uma jovem pode ter todo o dom para a medicina; ainda assim, ninguém deixaria que ela operasse antes de se formar, estudar e desenvolver a habilidade. Vocação sem preparo não basta, e preparo sem vocação também não. É preciso trabalhar em cima daquilo que Deus deu.
E onde está o valor de uma vocação? Não no tamanho do resultado, mas em quem chama. Se um presidente confiasse a alguém uma tarefa simples, essa pessoa a cumpriria com honra, não pela grandeza da tarefa, mas pela dignidade de quem a pediu. Quanto mais quando é o Criador do universo quem chama! Por isso ninguém deve desprezar a congregação pequena, o dom modesto, o serviço escondido: o que dignifica a vocação é Aquele que chamou.
Paulo enfileira sete vezes a palavra “um só”: “há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos” (Ef 4.4-6). A unidade cristã não é uniformidade, mas comunhão em torno do mesmo Senhor. Guardá-la exige humildade e amor, sobretudo num tempo de tantas divisões de partido, de time e de opinião. O que nos une é maior do que tudo o que nos diferencia: o amor de Deus derramado no coração.
“A cada um de nós foi dada a graça segundo a medida do dom de Cristo” (Ef 4.7). Paulo lembra que o Cristo que subiu é o mesmo que primeiro desceu (Ef 4.9-10), e que, exaltado, deu dons à sua Igreja. Ele constituiu “apóstolos… profetas… evangelistas… pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos, para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo” (Ef 4.11-12). Repare no alvo: os líderes existem para capacitar o povo, e não para substituí-lo. O ministério não cria plateia; forma obreiros.
E o corpo cresce “até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4.13). O propósito é a maturidade: não mais “meninos, levados de um lado para outro por todo vento de doutrina” (Ef 4.14), mas crescendo “em tudo, naquele que é a cabeça, Cristo”, corpo que se edifica a si mesmo “em amor” (Ef 4.15-16). Aqui está o coração wesleyano da carta: a graça nos coloca em movimento rumo à semelhança de Cristo.
A caminhada digna é concreta. Paulo pede que não andemos mais como os gentios, na vaidade da mente, mas que nos renovemos: “despir o velho homem… e vestir o novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade” (Ef 4.22-24). E então desce ao chão da vida: falar a verdade ao próximo; “irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira”; quem furtava, trabalhe e reparta com o necessitado; nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para edificação; “não entristeçais o Espírito Santo de Deus”; que toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmia sejam tiradas; “sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou” (Ef 4.25-32). A santidade, aqui, tem endereço: a boca, o trabalho, a raiva e o perdão.
A caminhada digna, iniciada no capítulo anterior, agora ganha cor. Paulo fala da luz, da sabedoria, da plenitude do Espírito e, por fim, do amor no lar. Tudo sob um chamado altíssimo: “sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como também Cristo vos amou e se entregou a si mesmo por nós” (Ef 5.1-2).
Somos chamados a imitar a Deus — não como quem copia de fora, mas como filhos que se parecem com o Pai porque são amados por ele. E o padrão do amor não é o sentimento do momento, mas a entrega de Cristo. Amar, no vocabulário de Paulo, é dar-se. Antes de qualquer regra sobre luz ou casamento, o apóstolo fixa a régua: o amor sacrificial de Jesus.
Contra a impureza, a avareza e a torpeza, Paulo aponta o contraste mais forte: “outrora, éreis trevas, mas, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz” (Ef 5.8). Não somos apenas pessoas que receberam luz: fomos transformados em luz. E o fruto da luz “consiste em toda bondade, justiça e verdade” (Ef 5.9). Por isso não participamos “das obras infrutíferas das trevas”, antes as denunciamos pela própria vida (Ef 5.11). O apelo ecoa como um chamado ao despertar: “Desperta, ó tu que dormes, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará” (Ef 5.14). Ser luz não é encenar pureza diante dos outros; é deixar que a bondade, a justiça e a verdade de Cristo governem os cantos escondidos da vida.
“Vede, pois, como andais com cuidado, não como néscios, e sim como sábios, aproveitando o tempo, porque os dias são maus” (Ef 5.15-16). Sabedoria, aqui, é viver com intenção: não desperdiçar as oportunidades e entender qual é a vontade do Senhor (Ef 5.17). Num mundo apressado e distraído, o cristão sábio pergunta, diante de cada dia, como resgatar aquele tempo para o que de fato importa.
“Não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito” (Ef 5.18). Ao vazio que muitos buscam na embriaguez, Paulo opõe a plenitude do Espírito. E descreve os sinais dessa plenitude: uma comunhão que canta — “salmos, hinos e cânticos espirituais”; um coração que louva ao Senhor; gratidão “sempre e por tudo”; e humildade que se traduz em serviço, “sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo” (Ef 5.19-21). Ser cheio do Espírito não é um arroubo isolado; é uma vida de louvor, gratidão e submissão mútua. E é justamente esse versículo 21 — “sujeitando-vos uns aos outros” — que abre e emoldura o trecho seguinte, sobre o casamento.
Paulo eleva o casamento ao seu maior significado: ele é imagem do amor entre Cristo e a sua Igreja (Ef 5.32). À esposa, pede respeito e disposição de acompanhar o marido “como ao Senhor” (Ef 5.22-24). Mas repare onde recai a palavra mais pesada: sobre o marido. A ele Paulo não manda mandar; manda amar: “amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela” (Ef 5.25). A cabeça, no modelo de Cristo, é a que serve, protege e morre pela amada — não a que domina. O marido deve cuidar da esposa como do próprio corpo (Ef 5.28-29).
Wesley aponta o padrão sem rodeios: “Como Cristo amou a igreja — eis o verdadeiro modelo da afeição conjugal. Com este gênero de afeição, com este grau dela e para este fim devem os maridos amar as suas mulheres” (Notas sobre Ef 5.25).
Lida sob o versículo 21, que fala de submissão mútua, e sob o versículo 25, que ordena ao marido amar até a entrega, a passagem não autoriza autoritarismo nem opressão. Ela exalta um lar em que cada um busca o bem do outro à maneira de Cristo. Qualquer uso desses versículos para justificar dominação ou maus-tratos trai o próprio Cristo que se entregou por amor. Por isso o capítulo se fecha com equilíbrio: “cada um… ame a sua mulher como a si mesmo, e a mulher respeite o marido” (Ef 5.33). Amor e respeito, entrega e honra — o casamento como parábola viva do evangelho.
A carta termina descendo ao lar, ao trabalho e ao campo de batalha. Depois de mostrar como o evangelho reorganiza o casamento, Paulo o leva às demais relações da vida e, então, arma o crente para a luta que ninguém escapa de travar. A ordem central do capítulo é dupla: “fortalecei-vos no Senhor” e “revesti-vos de toda a armadura de Deus” (Ef 6.10-11). A força não é nossa; a armadura é dele.
“Filhos, obedecei a vossos pais, no Senhor… Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa)” (Ef 6.1-2). A obediência dos filhos é resposta de amor, “no Senhor”. Mas Paulo não deixa o peso só sobre os menores: “vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor” (Ef 6.4). Há disciplina, sim, mas sem exasperar, sem ferir. A casa cristã forma pela verdade e pelo afeto, não pelo autoritarismo.
Paulo fala aos servos e aos senhores — em nossos termos, a empregados e patrões. A ambos, a mesma medida: servir “como a Cristo”. Ao empregado, pede trabalho de coração, “como ao Senhor e não como aos homens” (Ef 6.7). Ao patrão, pede que faça o mesmo, “deixando as ameaças, certos de que o Senhor, tanto deles como vosso, está nos céus e que para com ele não há acepção de pessoas” (Ef 6.9). Diante de Deus, patrão e empregado têm o mesmo Senhor. Isso dignifica o trabalho e derruba a arrogância. De 5.21 em diante, a mesma submissão mútua molda casais, filhos, pais, empregados e patrões: a graça não fica no culto, ela reorganiza cada relação da vida.
“Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Ef 6.12). O inimigo real não é o próximo. Quando esquecemos isso, trocamos o campo de batalha e ferimos quem deveríamos amar.
Mas é preciso equilíbrio, e aqui toco num ponto que muito me preocupa nos dias de hoje. Cristo venceu na cruz — e, ainda assim, Paulo diz que ainda lutamos. Se batalhamos, é porque a guerra não terminou. Vivemos entre a vitória decisiva do Calvário e a vitória final da vinda de Cristo. Em Cristo já temos toda bênção espiritual, mas experimentamos as primícias, não a plenitude. Por isso ainda adoecemos, sofremos e morremos, mesmo abençoados; por isso a criação geme, e nós gememos com ela, aguardando a redenção do corpo (Rm 8.22-23). Devemos orar por cura e por libertação — Paulo o fazia —, sabendo, porém, que nem toda cura vem agora e que a plenitude é o céu. O próprio apóstolo orou três vezes para ser livre de um espinho na carne e ouviu: “A minha graça te basta” (2Co 12.7-9). Essa consciência nos guarda de dois erros opostos: o triunfalismo, que promete céu na terra, e o desânimo, que esquece que a vitória é certa. Afinal, nada pode nos separar do amor de Deus (Rm 8.37-39).
A armadura é de Deus, mas somos nós que a vestimos; e cada peça é uma verdade a ser vivida. O cinturão da verdade sustenta tudo o mais, pois só a vida verdadeira mantém as demais peças no lugar (Ef 6.14). A couraça da justiça protege o coração, guardando-nos pela retidão que vem de Cristo (Ef 6.14). Os calçados do evangelho da paz nos deixam prontos para andar e anunciar (Ef 6.15). O escudo da fé apaga os dardos inflamados do maligno (Ef 6.16). O capacete da salvação guarda a mente com a certeza do que somos em Cristo (Ef 6.17). E a espada do Espírito, que é a palavra de Deus, é a única arma de ataque de todo o conjunto (Ef 6.17).
Vale notar que a armadura é quase toda defensiva; a única arma ofensiva é a Palavra. Foi assim que o próprio Cristo venceu a tentação no deserto: a cada investida do tentador, respondeu “está escrito” (Mt 4.4). Toda batalha espiritual sadia se ancora na Palavra de Deus — e desconfia, com serenidade, de tudo o que a contradiz. Há muita coisa que se diz hoje sobre luta espiritual; nem tudo é verdadeiro. A régua é sempre a Escritura.
Wesley observa: “Até agora a nossa armadura foi apenas defensiva; mas devemos atacar Satanás, além de proteger-nos: o escudo numa mão, a espada na outra.” E acrescenta que “nenhuma armadura para as costas é mencionada: devemos sempre enfrentar os nossos inimigos” (Notas sobre Ef 6.14,17).
A armadura se completa na oração: “com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos” (Ef 6.18). A batalha não se trava no braço da carne, mas de joelhos. Paulo, o apóstolo encadeado, pede oração também por si, para falar com intrepidez o mistério do evangelho (Ef 6.19-20). E encerra a carta como a começou: com graça e paz. “A paz seja com os irmãos… A graça seja com todos os que amam a nosso Senhor Jesus Cristo com amor incorruptível” (Ef 6.23-24).
Da primeira à última linha, Efésios nos conduz das alturas do plano eterno de Deus ao chão da vida diária, e mostra que não há distância entre uma coisa e outra. O mesmo Deus que, antes da fundação do mundo, decidiu reunir todas as coisas em Cristo é o que hoje reorganiza um casamento, dignifica um trabalho, arma um crente para a batalha e enche um coração de louvor.
O que temos em Cristo é imenso: eleição, adoção, redenção, revelação do mistério, herança e o selo do Espírito — tudo “nele”, para o louvor da glória de Deus. Estávamos mortos, e a graça nos deu vida; estávamos longe, e o sangue de Cristo nos aproximou; a parede caiu, e de dois povos Deus fez um só. E, como resposta a tudo isso, somos chamados a andar de modo digno da nossa vocação, crescendo até a estatura de Cristo, andando como filhos da luz, cheios do Espírito, revestidos da armadura de Deus e firmes na oração.
Já vencedores em Cristo, ainda peregrinos a caminho da plenitude, sigamos — na graça e na paz com que a carta começa e termina. E que a Igreja de Éfeso e a Igreja de todos os tempos possam dizer, com o apóstolo: a ele seja a glória, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém.
Bispo Ildo Mello — Igreja Metodista Livre do Brasil. Referências bíblicas na versão Nova Almeida Atualizada (NAA).
Por Bispo Ildo Mello
A conversão do apóstolo Paulo é um dos acontecimentos mais importantes da história do cristianismo. Poucos encontros com Cristo produziram consequências tão profundas. O homem que perseguia a Igreja tornou-se um de seus maiores missionários. Aquele que procurava silenciar o testemunho cristão passou a anunciar que Jesus Cristo é o Filho de Deus.
Mas o que realmente aconteceu no caminho de Damasco? A conversão de Paulo foi apenas uma mudança de opinião religiosa? Foi uma experiência emocional intensa? Foi uma convocação para o ministério? Ou foi uma transformação completa produzida pela graça de Deus?
O relato aparece três vezes no livro de Atos: em Atos 9, narrado por Lucas; em Atos 22, contado pelo próprio Paulo aos judeus; e em Atos 26, apresentado por Paulo diante do rei Agripa. Além disso, o apóstolo interpreta sua experiência em passagens como Gálatas 1.11-17, Filipenses 3.4-11 e 1 Timóteo 1.12-16.
Esses textos mostram que a conversão de Paulo não foi apenas a mudança de um perseguidor para um pregador. Foi o encontro de um pecador com a graça de Deus, de um religioso com o Cristo vivo e de um homem cheio de certezas com o Senhor que desafiou todas as suas convicções.
A experiência de Paulo nos ensina importantes lições sobre a graça, a conversão, a vocação e a missão cristã.
Antes de sua conversão, Paulo não era ateu, pagão ou indiferente às coisas espirituais. Pelo contrário, era um homem profundamente religioso.
Ele havia sido educado aos pés de Gamaliel, conhecia rigorosamente a Lei e pertencia ao grupo dos fariseus. Em Filipenses 3.5-6, Paulo afirma que era hebreu de hebreus, fariseu quanto à Lei e irrepreensível quanto à justiça que nela há.
Paulo não perseguia os cristãos porque não acreditava em Deus. Ele os perseguia porque acreditava estar defendendo a honra de Deus.
Isso torna sua história ainda mais impressionante.
Ele possuía conhecimento bíblico, tradição religiosa, disciplina moral e zelo espiritual. Contudo, apesar de tudo isso, estava lutando contra o próprio Deus.
Jesus lhe perguntou: “Saulo, Saulo, por que você me persegue?” (At 9.4).
Essa pergunta revelou algo terrível: Paulo acreditava estar servindo a Deus, mas estava perseguindo o Filho de Deus.
A sinceridade de alguém não transforma o erro em verdade. Uma pessoa pode ser sincera e estar sinceramente enganada. O zelo religioso também não é suficiente. É possível ter entusiasmo por uma causa errada.
Paulo reconheceu mais tarde que seus compatriotas tinham “zelo por Deus, porém não com entendimento” (Rm 10.2). Ele conhecia essa realidade por experiência própria.
A conversão de Paulo nos adverte contra a confiança excessiva em nossa formação, tradição ou experiência religiosa. Precisamos permitir que nossas convicções sejam examinadas à luz da revelação de Deus em Jesus Cristo.
Não basta perguntar: “Sou sincero naquilo em que acredito?” Precisamos perguntar: “Minha fé está de acordo com a verdade revelada em Cristo? Minha interpretação das Escrituras produz o caráter de Jesus? Minha religiosidade está me tornando mais amoroso, misericordioso e humilde?”
Toda teologia que nos torna arrogantes, violentos ou insensíveis precisa ser examinada. Paulo tinha uma teologia bem organizada, mas sua teologia estava produzindo perseguição. O encontro com Cristo não apenas mudou suas ideias; mudou a maneira como ele via Deus, as pessoas e a si mesmo.
Paulo não estava procurando Jesus quando foi encontrado por Jesus.
Ele não estava viajando para Damasco em busca de respostas espirituais. Levava cartas que lhe davam autoridade para prender os cristãos e conduzi-los a Jerusalém. Respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor (At 9.1-2).
Entretanto, foi nesse momento que a graça o alcançou.
Uma luz vinda do céu brilhou ao seu redor. Ele caiu por terra e ouviu a voz de Cristo. A iniciativa não foi de Paulo. Foi de Jesus.
Essa é uma das grandes verdades da salvação: antes de procurarmos a Deus, Deus já está nos procurando. Antes de respondermos ao seu chamado, sua graça já está agindo em nós.
Na tradição wesleyana, chamamos essa ação de graça preveniente. É a graça que vem antes. Ela desperta, ilumina, convence, atrai e capacita o pecador a responder ao chamado divino.
Isso não significa que Paulo foi convertido contra a sua vontade. Jesus o confrontou, mas Paulo precisou responder. A graça tomou a iniciativa, porém não eliminou a responsabilidade humana.
O Senhor perguntou por que ele o perseguia e, então, orientou-o a entrar na cidade, onde receberia novas instruções. Paulo obedeceu. Depois, por meio de Ananias, recebeu a mensagem, foi batizado e começou uma vida completamente nova.
A graça de Deus não trata as pessoas como objetos sem vontade. Ela se aproxima, revela a verdade, confronta o pecado e torna possível uma resposta de fé e obediência.
Paulo diria mais tarde: “Pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi inútil” (1Co 15.10).
A graça não foi inútil porque Paulo respondeu a ela. A graça o alcançou, e ele não permaneceu o mesmo.
Isso também acontece conosco. Deus toma a iniciativa, mas precisamos responder. Ele nos chama ao arrependimento, mas não se arrepende em nosso lugar. Ele oferece a salvação, mas precisamos recebê-la pela fé. Ele nos mostra o caminho, mas precisamos segui-lo.
Quando a luz celestial brilhou, Paulo caiu por terra.
Aquele homem que entraria em Damasco como uma autoridade chegou à cidade conduzido pela mão de outras pessoas. O perseguidor poderoso tornou-se um homem cego e dependente.
Durante três dias, ele não viu, não comeu e não bebeu (At 9.9).
A cegueira física de Paulo simbolizava sua cegueira espiritual. Ele pensava que enxergava, mas não compreendia a verdade. Considerava-se guia dos cegos, mas precisava que alguém o conduzisse pela mão.
O encontro com Cristo desfez sua autoconfiança.
Antes, Paulo se orgulhava de sua genealogia, formação, disciplina e obediência religiosa. Depois de conhecer Cristo, passou a considerar tudo isso como perda, quando comparado à excelência do conhecimento do Senhor (Fp 3.7-8).
A verdadeira conversão sempre envolve uma crise de autoconhecimento.
Enquanto nos comparamos com outras pessoas, podemos parecer justos. Quando nos colocamos diante da santidade de Cristo, percebemos nossa real condição.
Pedro experimentou algo semelhante quando reconheceu: “Senhor, afaste-se de mim, porque sou pecador” (Lc 5.8). Isaías, ao contemplar a glória de Deus, confessou que era um homem de lábios impuros (Is 6.5).
A conversão não começa quando descobrimos como somos bons, mas quando percebemos o quanto precisamos da misericórdia de Deus.
Isso não tem o propósito de destruir nossa dignidade, mas de nos libertar da ilusão da autossuficiência. A graça nos humilha para depois nos levantar. Ela nos esvazia da falsa justiça para nos revestir da justiça que vem de Cristo.
Jesus não perguntou: “Saulo, por que você persegue os meus seguidores?” Ele perguntou: “Saulo, Saulo, por que você me persegue?” (At 9.4).
Paulo perseguia homens e mulheres cristãos, mas Jesus considerou que aquela perseguição era dirigida contra ele próprio.
Essa declaração revela a profunda união entre Cristo e sua Igreja.
Cristo se identifica com seu povo. Quando um membro do corpo sofre, o próprio Senhor considera esse sofrimento como algo dirigido a ele.
Essa verdade aparece novamente em Mateus 25.40: “Sempre que o fizeram a um destes meus pequeninos irmãos, foi a mim que o fizeram.”
Não podemos afirmar que amamos Cristo enquanto desprezamos seus irmãos. Não podemos honrar a cabeça e ferir o corpo. Não podemos defender a verdade de Deus por meio do ódio, da violência ou da perseguição.
A maneira como tratamos as pessoas revela muito sobre nossa relação com Jesus.
Isso vale especialmente para a vida da Igreja. Palavras agressivas, disputas de poder, humilhações e ataques pessoais não são pequenos problemas administrativos. São feridas infligidas ao corpo de Cristo.
A conversão de Paulo nos convida a perguntar: “Tenho tratado os irmãos como pessoas pelas quais Cristo morreu? Minha maneira de defender a verdade reflete o caráter de Jesus? Estou ferindo alguém em nome de minhas convicções religiosas?”
Paulo aprendeu que não se pode servir a Cristo perseguindo pessoas. A verdade cristã deve ser defendida com firmeza, mas também com amor, mansidão e respeito.
Ao ouvir a voz, Paulo perguntou: “Quem é o senhor?” (At 9.5). A resposta foi: “Eu sou Jesus, a quem você persegue.”
Nesse momento, Paulo descobriu que Jesus estava vivo. Aquele que havia sido crucificado e que Paulo considerava um impostor era, de fato, o Messias ressuscitado e o Senhor.
A conversão cristã é inseparável do reconhecimento do senhorio de Jesus.
Converter-se não é apenas aceitar algumas doutrinas sobre Cristo. É reconhecer que Jesus é o Senhor e entregar-lhe o governo da vida.
A partir daquele momento, Paulo não determinaria mais seu próprio caminho. Ele receberia instruções do Senhor.
Jesus lhe disse: “Levante-se, entre na cidade, onde lhe dirão o que você deve fazer” (At 9.6).
Antes, Paulo decidia quem deveria ser preso. Agora, precisava perguntar o que deveria fazer. Antes, conduzia os outros. Agora, era conduzido. Antes, acreditava possuir todas as respostas. Agora, precisava aprender.
Essa é uma marca essencial da verdadeira conversão: a disposição de obedecer.
Muitas pessoas desejam Jesus como Salvador, mas resistem em recebê-lo como Senhor. Querem o perdão de Cristo, mas não sua direção. Desejam consolo, mas não transformação.
Entretanto, o mesmo Jesus que perdoa também governa. O Salvador é o Senhor.
A fé verdadeira não consiste apenas em dizer: “Jesus pode me salvar.” Ela também declara: “Jesus tem o direito de dirigir a minha vida.”
Paulo não apenas deixou de perseguir a Igreja. Ele se tornou parte dela.
Ananias, compreensivelmente, ficou assustado quando Deus o mandou procurar Saulo. Ele conhecia a reputação daquele homem e sabia que havia chegado a Damasco com autoridade para prender os cristãos.
Mesmo assim, obedeceu.
Ao encontrar Paulo, Ananias colocou as mãos sobre ele e disse: “Irmão Saulo” (At 9.17).
Essas duas palavras são profundamente significativas.
O perseguidor foi chamado de irmão. Aquele que pretendia aprisionar os cristãos foi recebido na família cristã. A graça não apenas cancelou sua culpa; concedeu-lhe uma nova identidade.
Paulo não era mais definido pelo seu passado. Não era apenas “o antigo perseguidor”. Agora era discípulo, irmão, servo, apóstolo e instrumento escolhido.
O evangelho não se limita a dizer quem não somos mais. Ele também declara quem nos tornamos em Cristo.
Já não somos escravos do pecado. Somos filhos de Deus. Já não estamos condenados. Somos justificados pela fé. Já não somos estranhos. Somos membros da família de Deus. Já não somos inimigos. Fomos reconciliados.
Isso não significa que o passado deixa de ter consequências ou que a restauração da confiança seja automática. Significa que o pecado confessado e abandonado não possui mais a palavra final sobre nossa identidade.
Em Cristo, há possibilidade de recomeço.
Jesus poderia ter explicado diretamente a Paulo tudo o que ele precisava saber. Poderia ter restaurado sua visão imediatamente e enviá-lo ao ministério sem a participação de ninguém.
Contudo, decidiu usar Ananias.
Ananias não era um dos doze apóstolos. Não aparece como líder de uma grande igreja nem como pregador famoso. Era simplesmente um discípulo obediente que vivia em Damasco.
Deus lhe disse: “Levante-se e vá.” Ananias respondeu: “Eis-me aqui, Senhor” (At 9.10).
A missão não era fácil. Ele deveria entrar na casa onde estava o maior perseguidor da Igreja e impor-lhe as mãos.
Ananias apresentou suas preocupações, mas, ao receber a confirmação de Deus, obedeceu.
Isso nos ensina que ninguém é insignificante na obra do Reino. O futuro apóstolo dos gentios precisou do ministério de um discípulo aparentemente desconhecido.
Existem “Paulos” esperando o cuidado de algum “Ananias”.
Talvez não tenhamos um ministério público ou uma função de destaque. Ainda assim, uma visita, uma oração, uma palavra de encorajamento ou um ato de obediência pode participar da transformação de uma vida.
Ananias também nos ensina a não aprisionar as pessoas ao passado. Ele poderia ter dito: “Esse homem nunca mudará.” Em vez disso, creu que a graça de Deus era capaz de transformar até mesmo um perseguidor.
A Igreja deve ser uma comunidade que reconhece o pecado, mas também acredita na possibilidade de restauração.
Jesus disse a respeito de Paulo: “Este é para mim um instrumento escolhido para levar o meu nome diante dos gentios, reis e filhos de Israel” (At 9.15).
Paulo foi salvo para servir.
Sua conversão e sua vocação estão profundamente relacionadas. O encontro com Cristo não apenas encerrou sua antiga missão; deu-lhe uma nova.
Antes, Paulo levava cartas para prender cristãos. Depois, passou a levar o evangelho para libertar pecadores. Antes, usava sua força para espalhar medo. Depois, entregou sua vida para anunciar esperança. Antes, tentava impedir o crescimento da Igreja. Depois, tornou-se um dos principais instrumentos de sua expansão.
A graça transforma nossos dons, conhecimentos, experiências e capacidades em instrumentos do Reino de Deus.
Paulo continuou sendo intelectualmente brilhante, corajoso, disciplinado e determinado. Porém, suas capacidades foram redirecionadas. Aquilo que antes era utilizado para perseguir passou a ser empregado para servir.
A conversão não destrói nossa personalidade. Ela a purifica e a coloca a serviço de Deus.
Todo convertido recebe uma missão. Nem todos são chamados para ser apóstolos, pastores ou missionários transculturais, mas todos são chamados para testemunhar de Cristo e servir ao próximo.
A pergunta não é apenas: “De que Deus me salvou?” Também precisamos perguntar: “Para que Deus me salvou?”
Logo depois de recuperar a visão e ser batizado, Paulo começou a anunciar nas sinagogas que Jesus é o Filho de Deus (At 9.20).
As pessoas ficaram admiradas e perguntavam se aquele não era o homem que perseguia os cristãos em Jerusalém.
A mudança era evidente.
Paulo não apenas afirmou que havia tido uma experiência espiritual. Sua vida tomou uma direção completamente diferente.
A conversão bíblica produz frutos. Não somos salvos pelas obras, mas a fé que salva nunca permanece sem obras.
João Batista dizia que as pessoas deveriam produzir frutos dignos de arrependimento (Mt 3.8). Tiago afirma que a fé sem obras é morta (Tg 2.17). Jesus ensinou que a árvore é conhecida por seus frutos (Mt 7.16).
Isso não significa perfeição instantânea. Paulo ainda teria muito a aprender. Passaria por períodos de preparação, crescimento e amadurecimento.
Entretanto, a direção de sua vida mudou. Antes, caminhava contra Cristo. Agora, caminhava com Cristo. Antes, destruía. Agora, edificava. Antes, ameaçava. Agora, anunciava.
A conversão genuína não significa que nunca mais enfrentaremos lutas, dúvidas ou tentações. Significa que uma nova vida começou e que a graça de Deus está nos conduzindo em um processo de transformação.
Paulo se considerava o principal dos pecadores porque havia perseguido a Igreja de Deus. Mesmo assim, recebeu misericórdia.
Ele escreveu: “Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal” (1Tm 1.15).
Em seguida, explicou que havia recebido misericórdia para servir de exemplo aos que haveriam de crer em Cristo.
A conversão de Paulo é uma demonstração do alcance da graça divina.
Se Deus pôde transformar um perseguidor em apóstolo, não devemos concluir rapidamente que alguém está perdido demais, endurecido demais ou distante demais.
Existem pessoas por quem já desistimos de orar. Algumas parecem hostis ao evangelho. Outras ridicularizam a fé cristã ou vivem de maneira completamente contrária à vontade de Deus.
Contudo, Paulo também parecia improvável.
Enquanto os cristãos talvez estivessem pedindo a Deus que os protegesse de Saulo, Deus já estava preparando a conversão de Saulo.
Não sabemos o que a graça está fazendo no coração das pessoas.
Por isso, não devemos desistir de anunciar, amar, orar e testemunhar. A conversão não é obra de nossa capacidade de persuasão, mas da ação de Deus, que utiliza nosso testemunho para chamar pessoas ao arrependimento e à fé.
Jesus afirmou que mostraria a Paulo “quanto lhe importa sofrer” pelo seu nome (At 9.16).
Isso parece surpreendente. Paulo havia acabado de ser chamado e já recebeu a informação de que enfrentaria sofrimento.
O evangelho não prometeu a Paulo uma vida confortável. Prometeu-lhe uma vida com propósito.
Ele enfrentaria prisões, açoites, naufrágios, perseguições, rejeições e muitas outras dificuldades. Porém, agora sofreria não como perseguidor, mas como testemunha de Cristo.
A conversão não nos isenta das dores deste mundo. Ela nos concede uma nova companhia, uma nova esperança e um novo propósito em meio ao sofrimento.
Paulo descobriria que a graça de Cristo é suficiente e que o poder de Deus se aperfeiçoa na fraqueza (2Co 12.9).
Mais tarde, ele poderia dizer que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória que será revelada em nós (Rm 8.18).
O encontro com Cristo não responde imediatamente a todas as nossas perguntas sobre o sofrimento. Entretanto, assegura que não sofremos sozinhos e que nossa dor não precisa ser inútil.
O caminho de Damasco foi decisivo, mas não foi o fim da jornada de Paulo. Foi o começo.
Ele precisou aprender, amadurecer, servir, sofrer e crescer na graça. Sua vida inteira passou a ser uma busca por conhecer mais profundamente a Cristo.
Em Filipenses 3.10, muitos anos depois de sua conversão, Paulo ainda dizia que desejava conhecer Cristo, o poder de sua ressurreição e a comunhão de seus sofrimentos.
Isso nos mostra que a conversão não é apenas um acontecimento do passado. É o início de uma vida de discipulado.
Existe um momento em que nos arrependemos, cremos e somos recebidos por Deus. Contudo, a vida cristã não termina nesse momento. A graça que nos justifica também nos santifica.
O Espírito Santo continua trabalhando em nosso caráter, libertando-nos do pecado, aperfeiçoando-nos em amor e conformando-nos à imagem de Cristo.
A conversão muda a direção da vida. A santificação aprofunda essa transformação.
Por isso, a pergunta não deve ser apenas: “Em que dia eu me converti?” Precisamos também perguntar: “De que maneira Cristo continua me transformando hoje?”
A conversão de Paulo nos ensina que a religiosidade sem Cristo pode nos manter distantes da verdade; que a graça de Deus toma a iniciativa, mas espera uma resposta; que o encontro com Jesus revela nossa condição e destrona nossa autossuficiência; que Cristo se identifica com sua Igreja; e que a verdadeira conversão produz uma nova identidade, uma nova direção e uma nova missão.
Paulo saiu de Jerusalém como perseguidor e entrou em Damasco como alguém que precisava ser conduzido pela mão. Pouco depois, começou a anunciar a fé que antes tentava destruir. Tudo mudou porque ele encontrou o Cristo ressuscitado.
A história de Paulo também nos confronta. Será que nossa religiosidade está realmente submetida a Jesus? Estamos dispostos a reconhecer quando nossas convicções precisam ser corrigidas? Temos respondido à graça de Deus com arrependimento, fé e obediência? Nossa conversão pode ser percebida na maneira como vivemos, tratamos as pessoas e servimos ao Reino? Continuamos crescendo no conhecimento de Cristo?
A conversão de Paulo não deve ser admirada apenas como um grande acontecimento do passado. Ela deve levar-nos a examinar nossa própria experiência com Deus.
O mesmo Cristo que encontrou Paulo no caminho de Damasco continua chamando pecadores, confrontando a falsa segurança, restaurando vidas e transformando antigos inimigos em seus amigos e cooperadores.
Ninguém está longe demais para ser alcançado pela graça. Nenhum passado é forte demais para impedir um novo começo. E nenhuma vida verdadeiramente entregue a Cristo permanece igual.
Bispo Ildo Mello
Vivemos em uma época em que as instituições, de modo geral, estão em descrédito. Há um desencanto generalizado, e a igreja não é exceção. A igreja sofre ataques externos, muitas vezes vindos de pessoas que a observam de fora com desconfiança e preconceito. Ela é vista com suspeita e, em muitos casos, com desprezo. Além disso, os escândalos dentro da igreja, que infelizmente não são poucos, alimentam essa desconfiança.
Jesus já havia advertido que falsos profetas e mercadores da fé surgiriam (Mateus 7.15; 2 Pedro 2.1-3). Ele sabia que muitos se apresentariam como líderes espirituais, mas, na verdade, estariam apenas buscando lucro e poder. Muitas igrejas parecem mais mercados, com o púlpito sendo transformado em um balcão de negócios. Escândalos financeiros e sexuais, coisas bárbaras acontecendo no seio da igreja, têm deixado muitas pessoas escandalizadas e feridas. O joio cresce no meio do trigo, como Jesus ensinou na parábola (Mateus 13.24-30).
Diante desse cenário crítico, onde a igreja é atacada tanto por preconceito quanto por seus próprios erros, a tentação de muitos é abandonar a igreja, desvalorizá-la ou até esconder sua fé. Muitos preferem não se envolver, tornando-se ‘agentes secretos de Jesus,’ sem que ninguém saiba que pertencem a Cristo.
Eu mesmo, às vezes, sinto dificuldade em afirmar minha vocação pastoral publicamente. Quando alguém me pergunta sobre minha profissão, hesito em dizer que sou pastor, porque já imagino os preconceitos que essa resposta pode gerar. Prefiro responder que sou professor, o que também é verdade. Mas isso não deve ser assim.
Jesus sabia que enfrentaríamos um contexto adverso, com muitas ‘fake news’ e escândalos. Ele disse: ‘Não se acende uma candeia para colocá-la debaixo de um cesto, mas no velador, onde ilumina a todos os que estão na casa’ (Mateus 5.15-16). Nossa luz deve brilhar para que, ao verem nossas boas obras, as pessoas glorifiquem a Deus.
Apesar dos desafios e dos escândalos, é importante lembrar que no grupo mais seleto de Jesus havia um Judas Iscariotes, mas também havia Pedro, Tiago, João e outros discípulos fiéis. Não podemos permitir que a presença de ‘Judas’ nos leve a generalizar e a perder a confiança na igreja como um todo. Deus tem levantado Seus verdadeiros filhos para brilhar e dar bom testemunho, fortalecidos pelo Espírito Santo.
A igreja é composta por seres humanos imperfeitos, ainda aguardando o dia em que o joio será separado do trigo no juízo final. Mas, mesmo em meio às imperfeições, a igreja é o corpo de Cristo, uma nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, levantada para anunciar as virtudes do Reino (1 Pedro 2.9). É chamada a ser uma luz, uma cidade edificada no alto de um monte (Mateus 5.14-16).
Deus nos envia para sermos luzeiros neste mundo, refletindo Seu propósito para toda a criação (Filipenses 2.15; Mateus 5.14-16). A igreja, como o rebanho de Deus (1 Pedro 5.2-3; João 10.11) e o corpo de Cristo (1 Coríntios 12.27; Efésios 1.22-23), deve ser um farol de justiça, amor e verdade em meio a uma sociedade corrompida (Mateus 5.14-16; 1 Timóteo 3.15).
Quando falamos da igreja, precisamos compreender sua natureza e propósito no plano divino. A igreja não é uma instituição humana; ela é uma criação divina, estabelecida por Cristo, que transcende denominações e placas (Mateus 16.18). Ela é o povo de Deus, composto por aqueles que foram chamados para fora do mundo, como um sacerdócio real, uma nação santa e um povo de propriedade exclusiva de Deus, levantado para proclamar as virtudes do Reino de Deus (1 Pedro 2.9).
O propósito eterno de Deus é constituir um povo para Si, uma família repleta de filhos semelhantes ao Seu Filho primogênito, Jesus Cristo (Romanos 8.29). Para isso, recebemos Dele o exemplo, a palavra e o Espírito, para o benefício de todos ao nosso redor (João 13.15; Atos 1.8). Deus não levantou a igreja para que ela exercesse um monopólio das bênçãos, mas para que fosse uma bênção para todas as famílias da terra (Gênesis 12.3; Atos 2.39). A igreja é o templo do Espírito Santo, redimida pelo sangue de Jesus Cristo, que a amou e se entregou por ela, a fim de apresentá-la santa e irrepreensível diante de Deus (1 Coríntios 3.16; 6.19; Efésios 5.25-27).
Nosso principal mandamento é amar a Deus sobre todas as coisas (Mateus 22.37), o que inclui amar a igreja, pois ela é o corpo de Cristo (Efésios 5.25-30). Esse amor nos conduz a buscar o Reino de Deus em primeiro lugar (Mateus 6.33), comprometendo-nos com Sua igreja.
Ser parte da igreja é um privilégio, pois fomos batizados pelo Espírito Santo em um só corpo (1 Coríntios 12.13). A igreja foi o cenário onde Deus derramou Seu Espírito no dia de Pentecostes (Atos 2.1-4), e continua sendo a comunidade do Espírito Santo, o templo de Deus (Efésios 2.22). É nosso dever amar e zelar pela igreja, reconhecendo que, embora haja muito a ser melhorado, ela é o instrumento de Deus para manifestar Sua presença no mundo.
Assim como Isaías respondeu ao chamado de Deus, dizendo: ‘Eis-me aqui, envia-me a mim’ (Isaías 6.8), devemos nos colocar a serviço do Senhor e do Seu Reino, contribuindo para a santificação da igreja (Efésios 5.26). Jesus se entregou para santificá-la, e Ele espera que nos unamos a Ele nesse papel.
Paulo nos exorta a fazer todo o esforço para preservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz (Efésios 4.3). Seguir o exemplo de Cristo, que amou e se entregou pela igreja, é nossa responsabilidade (Efésios 5.25-27). A igreja, como comunidade do Espírito Santo, continua sendo o templo de Deus, e nosso papel é zelar por sua santidade e contribuir para que ela brilhe como um farol de esperança para o mundo.
Devemos honrar o nome da igreja, que é o corpo de Cristo, trabalhando para superar preconceitos e críticas através do testemunho de uma igreja verdadeira, cheia do Espírito Santo e do amor de Deus. Que sejamos uma comunidade que reflete o caráter de Cristo, atraindo outros pela nossa integridade, alegria e amor ao próximo.
Abram suas Bíblias em Atos capítulo 2, para que possamos examinar o que significa ser a verdadeira igreja. É isso que queremos ver manifestado aqui, em nossa pequena comunidade, neste nosso pequeno grupo. Por favor, fiquem em pé e acompanhem a leitura de Atos 2, a partir do versículo 41.
Como mencionei anteriormente, o Espírito Santo foi derramado sobre a igreja. Cada um dos membros da igreja foi cheio do Espírito Santo (Atos 2.4). E quando eles receberam o Espírito Santo, saíram cheios de poder para anunciar a mensagem do Evangelho (Atos 1.8). Pedro pregou, e três mil pessoas, em meio a uma grande multidão, aceitaram a palavra de Deus, se converteram, e ali a igreja começou a ganhar corpo e crescer (Atos 2.41).
O versículo 41 nos diz que aqueles que aceitaram a palavra de Pedro foram batizados, e quase três mil pessoas foram acrescentadas à igreja naquele dia. Observemos as características dessa igreja: ‘Eles perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações’ (Atos 2.42). Em cada alma havia temor, e muitos prodígios e sinais eram realizados pelos apóstolos (Atos 2.43). Todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum (Atos 2.44), vendendo suas propriedades e bens e repartindo o produto entre todos, conforme a necessidade de cada um (Atos 2.45).
Diariamente, perseveravam unânimes no templo, partiam o pão de casa em casa e tomavam suas refeições com alegria e singeleza de coração (Atos 2.46), louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. E o Senhor lhes acrescentava, dia a dia, os que iam sendo salvos (Atos 2.47). Amém. Podem se assentar.
Agora, rapidamente passando pelas características da igreja, o versículo 41 já começa a definir a igreja como composta por aqueles que aceitam a palavra do Evangelho. Você aceitou a pregação do Evangelho? Você crê no Evangelho? Você valoriza o Evangelho e o recebeu de bom grado? Amém! Isso é um sinal de que você pertence à igreja.
Mas não para por aí. Eles foram batizados (Atos 2.41). E você? Já foi batizado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo? Já foi batizado no corpo de Cristo pelo Espírito Santo (1 Coríntios 12.13)? Meus irmãos, eles foram acrescentados à igreja pela fé e pelo batismo (Atos 2.41, 47).
O versículo 42 nos diz que eles perseveravam na doutrina dos apóstolos. Aqui, pregamos a palavra de Deus com fidelidade e pureza, sem distorções, sem segundas intenções. Pregamos todo o Evangelho de Cristo, permanecendo firmes na doutrina que recebemos, preservada nas Escrituras Sagradas, especialmente no Novo Testamento (2 Timóteo 3.16).
Eles perseveravam também na comunhão. Precisamos, cada vez mais, estar integrados uns aos outros, em comunhão (Hebreus 10.25). No partir do pão, celebramos a Ceia do Senhor e compartilhamos refeições em comum, como uma expressão de nossa unidade (1 Coríntios 10.16).
Eles se reuniam para orar. A casa de Deus é chamada a ser conhecida como uma casa de oração para todos os povos (Isaías 56.7; Mateus 21.13). Aqui é o lugar onde pessoas que precisam de ajuda, socorro, salvação, libertação e cura encontram intercessores. Este é o lugar de oração (Atos 2.42).
Em cada alma havia temor. Este é um lugar onde respeitamos e reverenciamos a presença de Deus, onde tememos desagradá-Lo, onde amamos ao Senhor, O respeitamos e O obedecemos (Atos 2.43).
Também é um lugar onde vemos prodígios, sinais e milagres, onde a ação poderosa do Senhor se manifesta (Atos 2.43). Todos os que criam estavam juntos, e precisamos valorizar cada vez mais nossos encontros e reuniões, assim como eles valorizavam (Atos 2.44).
Eles praticavam a solidariedade, ajudando uns aos outros e repartindo o que tinham (Atos 2.45). Partiam o pão de casa em casa, e se tivermos mais tempo, que possamos visitar uns aos outros, cultivando essa comunhão (Atos 2.46).
Eles tomavam suas refeições com alegria e singeleza de coração, sempre em um ambiente de adoração (Atos 2.46-47). A nossa atitude deve ser de gratidão diante da vida, sem temor de maldições ou pragas, porque maior é aquele que está em nós do que aquele que está no mundo (1 João 4.4; Salmo 91.10).
Assim, a igreja cheia do Espírito Santo contava com a simpatia de todo o povo. Hoje, os escândalos têm afastado as pessoas, mas podemos reverter esse quadro, mostrando ao mundo que na igreja há homens e mulheres fiéis como Pedro, Tiago e João, e não apenas Judas Iscariotes (Atos 2.47).
Resumindo, a igreja não é uma invenção humana, mas uma instituição estabelecida por Cristo (Mateus 16.18). Em Atos 2.41-47, aprendemos que a Igreja é composta por aqueles que:
Aceitam com fé a pregação do Evangelho (Atos 2.41, 44); São batizados (Atos 2.41); São acrescidos à membresia da Igreja (Atos 2.41, 47; cf. 1 Coríntios 12.13); Perseveram na doutrina dos apóstolos (Atos 2.42); Demonstram temor a Deus e respeito às lideranças da Igreja instituídas por Cristo (Atos 2.43); Perseveram na comunhão, sendo solidários uns aos outros (Atos 2.42, 44); * Reúnem-se periodicamente para orar, adorar a Deus, participar do sacramento da Ceia do Senhor e também de refeições comunitárias em uma atmosfera de alegria e amor (Atos 2.42, 46); * São comprometidos com a missão de fazer discípulos de Cristo através da pregação e de um bom testemunho de vida, fruto de seu temor a Deus, e da alegria e singeleza de coração, contando, assim, com a simpatia de todo o povo ao redor, de modo que muitos venham a ser também salvos e acrescidos à Igreja pelo Senhor (Atos 2.46-47; cf. Mateus 28.18-20 e Atos 1.8).
Sendo assim, com o auxílio do Espírito, vamos fazer brilhar nossa luz, mostrando ao mundo que somos honestos, solidários, cheios de paz e alegria, uma verdadeira comunidade do bem, um povo de Deus, porque o caráter de Cristo em nós deve atrair os outros (Mateus 5.16). Sejamos como Cristo, que andava entre os pecadores, amado por eles, sendo cativante, não juiz dos outros (Lucas 15.1-2).
Ainda que não andemos no espírito deste mundo, amamos as pessoas que vivem nele (João 17.15-18). Não compactuamos com pecado, injustiça, malignidade ou promiscuidade, mas amamos as pessoas, mesmo os mais pecadores (Romanos 12.9). Sejamos luz para eles, para que possam sentir o amor de Cristo e saber que Deus verdadeiramente os ama, apesar de seus pecados, e os chama para a redenção (João 3.16; 1 João 4.9-10). Que a igreja seja essa comunidade de resgate, redenção, salvação e libertação (Lucas 19.10). E dia a dia, o Senhor acrescentava os que iam sendo salvos (Atos 2.47).
SEJA UM(A) EVANGELISTA!
Este artigo tem como propósito incentivar e capacitar cada cristão a abraçar o chamado de evangelizar. Evangelizar é comunicar as “Boas Novas” de Jesus Cristo a todas as pessoas, em obediência ao mandamento de fazer discípulos (Mateus 28.18-20). Significa anunciar que Deus oferece perdão, reconciliação e vida eterna por meio de Cristo (João 3.16).
O que é Evangelizar?
Evangelizar envolve proclamar o Evangelho (Romanos 10.14-15; 2 Timóteo 2.2) e fazer discípulos (Mateus 28.19-20). Esse processo inclui testemunhar de Cristo (Atos 1.8; 1 Pedro 3.15), semear a Palavra (Marcos 4.14-20) e promover a reconciliação (2 Coríntios 5.18-19). Consiste também em ser embaixador (2 Coríntios 5.20), luz no mundo (Mateus 5.14-16) e proclamar a libertação em Cristo (João 8.36).
Além disso, evangelizar é chamar ao arrependimento. A Palavra de Deus declara que Ele “ordena a todas as pessoas, em todos os lugares, que se arrependam” (Atos 17.30). O próprio Jesus disse: “O tempo se cumpriu, e o Reino de Deus está próximo; arrependei-vos…” (Marcos 1.15). Em Atos 2.38, Pedro exorta: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo…”.
Evangelizar não se resume a cumprir uma ordenança bíblica, mas participar ativamente do plano redentor de Deus para a humanidade.
Palavras e Ações Evangelizar envolve tanto palavras quanto ações:
Palavras:
Testemunho pessoal, Ensino das Escrituras, Explicação sobre quem é Jesus, o que Ele fez na cruz e por que todos precisam de salvação.
Ações:
Práticas de amor, Serviço, Hospitalidade, Demonstração de que o Evangelho produz transformação real no coração de quem crê (Tiago 2.14-17).
Nosso papel é falar e viver o que anunciamos, orando para que Deus abra o coração das pessoas. Cooperamos com o Espírito Santo (João 16.8), que convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo.
Por que Evangelizar?
A Condição Humana sem Cristo Sem Jesus, todos estão separados de Deus e destinados à perdição eterna (Romanos 3.23-26; Efésios 2.1-3; João 3.18).
Somente Cristo é o caminho, a verdade e a vida (João 14.6; 6:68).
Urgência da Mensagem A vida é breve, e não temos garantias do amanhã (Tiago 4.13-14).
Há um juízo eterno que torna indispensável o anúncio do Evangelho (Hebreus 9.27; Apocalipse 20.11-12).
Obediência ao Mandamento de Cristo “Fazei Discípulos” (Mateus 28.18-20).
“Sereis minhas testemunhas” (Atos 1.8).
“Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16.15).
Bem-aventurados são os Evangelistas “Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas!” (Romanos 10.15-16).
Alegria da Colheita Cada conversão provoca festa no céu (Salmo 126.5-6; Lucas 15.7).
Ver vidas transformadas fortalece a própria fé do evangelista.
Exemplos Bíblicos de Evangelistas Jesus No episódio com a mulher samaritana (João 4), Ele superou barreiras culturais e de gênero, ensinando que um simples diálogo cotidiano (sobre água) pode conduzir a assuntos espirituais profundos.
Filipe Levou Natanael até Jesus (João 1.43-46).
Apresentou os gregos a Jesus (João 12.20-22).
André “André era um dos dois que ouviram as palavras de João e seguiram Jesus. Este, pois, encontrou primeiro o seu irmão Simão e dizia-lhe: Achamos o Messias (que traduzido é o Cristo). E o levou a Jesus.” (João 1.40-42)
Outros Paulo, Pedro, a mulher samaritana e Lídia, dentre tantos, também são referências de evangelistas na Bíblia.
Como Evangelizar?
A evangelização não se limita a discursos ou panfletos: ela acontece, sobretudo, nos relacionamentos, por meio de uma vida coerente com os valores do Evangelho. Abaixo, alguns aspectos fundamentais:
Conecte-se ao contexto cultural do ouvinte (1 Coríntios 9.19-23).
Assim como o apóstolo Paulo adaptava a linguagem e a abordagem para alcançar diferentes públicos, busque entender a cultura, os interesses e os desafios da pessoa com quem está falando. Uma comunicação contextualizada demonstra respeito e aumenta a receptividade à mensagem.
Demonstre compaixão com atitudes concretas (Tiago 2.14-17; Mateus 25.35-40).
O evangelismo se torna autêntico quando acompanhado de ações que expressam amor e cuidado — seja por meio de ajuda prática, gestos de solidariedade ou ouvindo empaticamente as necessidades do próximo.
Valorize a hospitalidade e os relacionamentos (Romanos 12.13; Atos 2.46-47).
Ter um lar acolhedor, convidar pessoas para uma refeição ou simplesmente estar presente em momentos importantes da vida delas cria oportunidades naturais de compartilhar a fé. A hospitalidade foi um dos pilares da igreja primitiva, contribuindo para uma comunhão profunda e atrativa.
Aproveite as oportunidades do dia a dia.
O evangelismo não precisa acontecer apenas em eventos formais. Sabe aquela conversa informal no trabalho, na fila do mercado ou até mesmo nas redes sociais? Cada situação pode se tornar uma porta aberta para falar do amor de Cristo, desde que sejamos intencionais e sensíveis ao Espírito Santo.
Convidar para os Cultos: Um gesto simples, porém poderoso.
Ao convidar amigos e familiares para participarem de momentos de adoração, comunhão e ensino na igreja, você possibilita que eles vejam como a fé cristã é vivida em comunidade.
Muitas pessoas precisam vivenciar o ambiente cristão para superar preconceitos ou ideias distorcidas. Experienciar a comunhão, os cânticos e as mensagens bíblicas pode tocar o coração de maneira profunda e inesperada.
Quando um visitante comparece ao culto, a proximidade não termina ali. Ofereça acompanhamento, apresente-o a outros irmãos, mostre-se disponível para conversar e esclarecer dúvidas. A evangelização é um processo — e o calor humano demonstrado pela igreja muitas vezes fala mais alto do que palavras.
Para evangelizar com eficácia, é essencial viver o que se prega e criar pontes com as pessoas ao nosso redor. Seja através de um simples convite para um culto ou no testemunho diário de amor e compaixão, cada cristão é desafiado a ser “luz do mundo” (Mateus 5.14-16), permitindo que as boas novas de Cristo alcancem corações necessitados.
Desculpas Dadas para Não Evangelizar Em meio ao chamado inegável de “fazer discípulos de todas as nações” (Mateus 28.19-20), muitos cristãos esbarram em justificativas que os impedem de cumprir esse mandato. Abaixo, analisamos quatro das desculpas mais comuns, demonstrando biblicamente por que elas não se sustentam:
1. “Não tenho o dom.”
Refutação Bíblica:
A ordem de Jesus em Mateus 28.19-20 não foi dirigida apenas a pessoas com um suposto “dom de evangelista”; foi dada a todos os discípulos. Além disso, Marcos 16.15 diz “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura”. Não há menção de que apenas quem possua um dom específico deva obedecer a esse chamado.
Embora existam pessoas com um ministério especializado em evangelismo (Efésios 4.11), todo cristão pode e deve testemunhar de Cristo onde estiver. O Evangelho se manifesta de várias maneiras – seja no compartilhamento de experiências pessoais, no ensino bíblico, na conversa informal com amigos ou no testemunho de vida.
O compromisso de anunciar Jesus independe de uma “habilidade especial”. Se temos o Espírito Santo habitando em nós (Atos 1.8), temos a capacitação básica para falar de Cristo.
2. “Não tenho tempo.”
Refutação Bíblica:
Efésios 5.15-16 exorta a “remir o tempo, porque os dias são maus”. Ou seja, devemos administrar bem nosso tempo para que nossas prioridades estejam alinhadas com a vontade de Deus.
Não é preciso separar um espaço enorme na agenda para cumprir nosso papel como “luz do mundo” (Mateus 5.14-16). Na maioria das vezes, o evangelismo surge em oportunidades naturais do dia a dia: no trabalho, em uma conversa informal ou até mesmo nas redes sociais.
Se não evangelizamos porque “não temos tempo”, talvez precisemos reavaliar como estamos usando nossos dias. Em muitos casos, evangelizar implica apenas redirecionar conversas e atitudes para apontar Cristo, sem demandar grandes intervalos adicionais.
3. “Tenho vergonha.”
Refutação Bíblica:
Paulo declara em Romanos 1.16: “Não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê.” A própria natureza do Evangelho é libertadora e digna de ser anunciada.
A timidez para falar de Jesus pode ser vencida à medida que entendemos que não estamos apresentando apenas nossas opiniões pessoais, mas a verdade salvadora do Filho de Deus. Além disso, a companhia do Espírito Santo (Atos 1.8) nos capacita com ousadia e amor, que lançam fora o medo (2 Timóteo 1.7; 1 João 4.18).
A vergonha é superada quando confiamos no poder do Espírito Santo e na relevância do Evangelho para salvar vidas. A mesma graça que nos alcançou é suficiente para nos dar coragem de compartilhar a Boa Nova.
4. “Não faz parte das minhas prioridades.”
Refutação Bíblica:
A Grande Comissão (Mateus 28.19-20) não é uma sugestão, mas um mandamento. Se Jesus coloca a evangelização como prioridade, nós, como servos, não podemos relegá-la a um segundo plano sem prejudicar nossa obediência e nossa paixão pelo Reino.
Em Mateus 6.33, Jesus nos ensina a buscar primeiro o Reino de Deus. Evangelizar faz parte dessa busca, pois não se trata apenas de “fazer números”, mas de participar do coração missionário de Deus e do Seu plano de redenção da humanidade.
Se o Reino de Deus não é prioridade em nossa vida, precisamos avaliar onde está nosso tesouro (Mateus 6.21). O discípulo maduro entende que evangelizar é parte essencial do nosso relacionamento com o Senhor e do serviço ao próximo.
A tarefa de evangelizar não se resume a “especialistas” ou pessoas que “tenham tempo de sobra”. É o dever de todo cristão, independentemente de seu temperamento ou de suas limitações. As desculpas apresentadas acima revelam, em maior ou menor grau, falhas na compreensão da missão da Igreja ou no nosso alinhamento pessoal com o coração de Deus.
Em vez de aceitar essas justificativas, devemos recordar que o próprio Jesus prometeu estar conosco “todos os dias, até à consumação do século” (Mateus 28.20). Essa garantia divina nos assegura que não estaremos sozinhos nem despreparados enquanto obedecemos ao chamado de compartilhar as Boas Novas.
Ações Práticas para Evangelizar Eficazmente Ore por familiares, amigos e pessoas que carecem de Cristo.
Ore por oportunidades de compartilhar o Evangelho.
Seja criativo, usando dons e talentos que Deus lhe deu.
Aproveite as ferramentas modernas (internet, redes sociais, aplicativos).
Dê bom testemunho: atitude e boas obras.
Fale de Jesus de maneira simpática, humilde e respeitosa.
Seja hospitaleiro.
A Igreja Primitiva como Exemplo “Louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.” (Atos 2.47)
O segredo de uma evangelização eficaz está em vivermos, como Igreja, um cotidiano que reflita o amor de Deus. O cuidado, a edificação e o serviço mútuo tornam-se canais poderosos para o agir do Espírito Santo, atraindo as pessoas a Cristo. Não é apenas uma questão de ter métodos evangelísticos, mas de cultivar relacionamentos genuínos, onde o amor e a prática da Palavra sejam visíveis e incontestáveis.
Ser um evangelista é um privilégio e um chamado que todo cristão recebe. Ao comunicarmos as “Boas Novas” de Cristo, cumprimos o mandamento de fazer discípulos, testemunhamos a transformação que o Evangelho provoca em nossas vidas e participamos ativamente do plano redentor de Deus para a humanidade.
Portanto, ame as pessoas, sirva com alegria, viva em comunhão e nunca se canse de anunciar as maravilhas de Deus. Assim, sua vida e suas palavras mostrarão ao mundo quem é o Salvador e Senhor que adoramos.
Muitos estudiosos entendem que Paulo descreve ali o seu conflito pessoal como também o de todos os crentes. Em defesa desta tese, apontam a utilização do pronome pessoal “eu” com verbos no tempo presente; que uma pessoa ainda não regenerada não tem prazer na lei de Deus (v. 22); que a libertação do corpo pecaminoso é futura (v. 24; 8:10, 11, 23); e que a tensão registrada no versículo 25 é própria de um cristão.
No entanto, vários outros afirmam que tal conclusão é equivocada, pois ignora o estilo retórico de Paulo muito presente no decorrer de toda esta epístola (2:1–6,17–24; 3:1-9, 27-4:25; 9:19–21; 10:14–21; 11:17–24; 14:4,10–11.1). É de fundamental importância, notar que Paulo está aqui respondendo a uma questão apresentada de modo retórico por interlocutores fictícios que representam os judeus e suas inquietações quanto ao valor da lei diante do que Paulo tem afirmado a respeito dela até então: "Que diremos, pois? É a lei pecado?" (Rm 7.7). Paulo responde de forma também retórica, com um sonoro: "De modo nenhum!" E passa a usar um "eu" retórico para não ser tão ofensivo aos seus conterrâneos judeus, optando para falar de si na qualidade de judeu ainda não redimido, com uma natureza caída, fracassando diante da obrigação de cumprir as exigências boas e santas da lei. Paulo, na condição de um judeu diante da lei, afirma que ela não lhe trouxe vida, mas sim a morte: "Porque o pecado, prevalecendo-se do mandamento, pelo mesmo mandamento, me enganou e me matou." (Rm 7.11). O versículo 13 explica como a lei trouxe morte a Paulo quando ainda era o incrédulo Saulo: “Acaso o bom se me tornou em morte? De modo nenhum! Pelo contrário, o pecado, para revelar-se como pecado, por meio de uma coisa boa, causou-me a morte, a fim de que, pelo mandamento, se mostrasse sobremaneira maligno.” Portanto, o “eu” e os verbos no tempo presente servem para acentuar a vivacidade retórica que aponta para a condição presente de muitos judeus, ainda não nascidos de novo, que tentam, sem sucesso, obedecer a lei, pois seguem ainda debaixo da escravidão do pecado e não conhecem o poder libertador do Espírito Santo. Tanto que, neste trecho (7:13-25), Paulo não menciona sequer uma vez o Espírito Santo, enquanto que em Romanos 8, temos 19 citações a pessoa e obra do Espírito Santo! Lembremos que, em Romanos 6, Paulo já havia deixado claro que os cristãos foram libertos da escravidão do pecado e que foram feitos servos da justiça para a santificação, e que, portanto, não devem mais viver no pecado e nem obedecer às paixões da carne. Sendo assim, Paulo não poderia aqui contrariar tudo o que acabara de afirmar com tanta clareza e veemência. Ainda que a libertação do corpo mortal e corruptível seja futura e que, por conta disto, os cristãos ainda tenham de lidar com uma luta entre o espírito e a carne, eles o fazem tendo já sido libertos do domínio do pecado e, revestidos pelo poder do Espírito Santo, encontram forças para não satisfazer as paixões da carne (8:8-15), cumprindo assim o preceito da lei (8:4).
Se atentarmos devidamente para a própria estrutura da passagem, perceberemos que, depois de afirmar que os cristãos não devem mais viver em pecado, pois Cristo os libertou da escravidão tanto do pecado quanto da lei, Paulo, de forma resumida, nos versículos 5 e 6, contrasta a condição pregressa do cristão com a sua condição atual, e, na sequencia, nos versículos de 7 a 25, passa a descrever com mais detalhes a condição pregressa apontada no versículo 5, para, a seguir (8:1-17), detalhar a condição atual do cristão como apontado no versículo 6. Repare a que tanto 7.6 como 8.1 começam com o advérbio “agora”, o que fortalece ainda mais o argumento de que estão relacionados entre si, além de denotar claro contraste com o que é dito anteriormente. Portanto, a descrição da condição da pessoa antes da conversão, que é esboçada introdutoriamente em 7.5, é detalhada em 7.7-25, enquanto que, a condição atual do cristão que foi esboçada em 7.6, passa a ser descrita com mais detalhes em 8.1-17, ambas sendo introduzidas pelo advérbio “agora” para ressaltar a atual condição em Cristo em contraste com sua vida pregressa.
O maior perigo de uma interpretação equivocada deste texto é concluir que, se até o Apóstolo Paulo era carnal e seguia escravo do pecado, agindo sem domínio próprio, incapaz de fazer o bem desejado e de conter o mal indesejado, que dirá dos recém convertidos e dos demais cristãos que não chegaram a maturidade espiritual dele? Tal ideia gera conformismo e complacência diante das tentações e do pecado.
Romanos 7.7-25 descreve uma pessoa carnal que não tem o Espírito Santo nela habitando. Saulo até poderia afirmar tais coisas, mas Paulo jamais diria coisas como: “porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim.” Paulo vivia em santidade e não em pecado. Tanto que, por vezes, pôde exortar aos cristãos a seguirem o seu exemplo de vida: “Sede meus imitadores, a como também eu sou de Cristo.” (1Co 11.1; cf. 1Co 14.16 e Fp 2.7). “Finalmente, irmãos, nós vos rogamos e exortamos no Senhor Jesus que, como de nós recebestes, quanto à maneira por que deveis viver e agradar a Deus, e efetivamente estais fazendo, continueis progredindo cada vez mais; (1Ts 4.1).
Dizer que os cristãos são “carnais, vendidos a escravidão do pecado" (7:14) e que cada um deles ainda segue como “prisioneiro à lei do pecado" (v. 23) contraria o ensino dos cap. 6 e 8, que proclamam a libertação dos crentes da escravidão ao pecado. “Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?” (Rm 6.3). O mais sensato é reconhecer que Paulo não está aqui introduzindo um novo argumento, mas dando continuação a respeito dos efeitos drásticos da Queda de Adão. Romanos 7 tem como pano de fundo Romanos 3.23 e Romanos 5.12-21.
Embora os cristãos ainda tenham de batalhar contra o pecado ao longo de toda a vida (Gl 5.17 e 1Jo 1.8–9), travam esta luta com confiança na força do Espírito Santo que neles habita, revestidos de toda a armadura de Deus. (Rm 8.2, 4, 9, 13-14). O ensino de Paulo é que a Lei exige, mas não capacita o homem à obediência. Mas, o que fora impossível através da operação externa da Lei por conta da pecaminosidade da natureza humana, agora, torna-se possível pela operação interna do Espírito Santo que liberta e regenera o crente. Cumpre-s em Cristo a promessa que diz: “Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis.” (Ez 36.26–27). Os cristãos receberam o poder do Espírito “a fim de que o preceito da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito.” (Rm 8.4). Isto não significa que os cristãos estejam blindados ou imunes ao pecado (1Jo 1.8). Eles seguem sujeitos a tropeços (Tg3.2), mas contam com o poderoso auxílio “daquele que é poderoso para os guardar de tropeços e para os apresentar com exultação, imaculados diante da sua glória” (Jd 24).
Concluímos que o “eu” de Romanos 7.7–25 é retórico e não pode se referir nem a Paulo e nem aos cristãos, pois ainda está sob o domínio da Lei, do pecado e da morte (7:7–13), enquanto que os cristãos já foram libertados da lei (7:4, 6; 8:2), do domínio do pecado (6:18, 20, 22) e da morte (5:21; 6:23; 8:2); o “eu” é carnal (7:14); enquanto que os cristãos não devem mais viver na carne (8:9), pois viver segundo as paixões carnais é coisa do passado (7:5) e conduz a morte (8.13); o “eu” segue ainda vendido como um escravo para o pecado (7:14; 23), enquanto que os crentes em Cristo foram libertos da escravidão do pecado (6:18, 20, 22), pois já foram "redimidos" (3:24); o “eu” diz respeito ao judeu Saulo, antes da conversão, e também aos judeus que ainda estão debaixo da Lei, que conhecem e querem obedecê-la, mas não conseguem devido a escravidão do pecado (7:15-23); Já, os cristãos receberam o poder do Espírito que os habilita a cumprirem o preceito da Lei (8:4); Nada de bom habita no “eu” em questão a não ser o pecado que o domina (7:17-20), já os cristãos não podem afirmar isto, pois sabem que o Espírito Santo é quem habita neles (8:9, 11); o eu de Romanos 7 ainda está sob o domínio da lei do pecado (7:23), enquanto que os crentes já foram libertados da lei do pecado (8:2; cf. 6.18, 20, 22); o “eu” está aprisionado e perde a batalha contra o pecado (7:23); enquanto que os crentes devem vencer as batalhas espirituais (8:2, 13, 15, 31, 37; 2Co 10.3-5); o “eu” anseia por libertação deste “corpo da morte”; enquanto que os crentes foram libertos em Cristo e não vivem para seus próprios desejos carnais (8:10–13), foram libertos do caminho que conduz a morte (8:2), em contraste com aqueles que seguem a carne (8:6, 13). Paulo declarou: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.” (Gl 2.20).
Este artigo tem como propósito incentivar e capacitar cada cristão a abraçar o chamado de evangelizar.
Evangelizar é comunicar as “Boas Novas” de Jesus Cristo a todas as pessoas, em obediência ao mandamento de fazer discípulos (Mateus 28.18-20). Significa anunciar que Deus oferece perdão, reconciliação e vida eterna por meio de Cristo (João 3.16).
O que é Evangelizar?
Evangelizar envolve proclamar o Evangelho (Romanos 10.14-15; 2 Timóteo 2.2) e fazer discípulos (Mateus 28.19-20). Esse processo inclui testemunhar de Cristo (Atos 1.8; 1 Pedro 3.15), semear a Palavra (Marcos 4.14-20) e promover a reconciliação (2 Coríntios 5.18-19). Consiste também em ser embaixador (2 Coríntios 5.20), luz no mundo (Mateus 5.14-16) e proclamar a libertação em Cristo (João 8.36).
Além disso, evangelizar é chamar ao arrependimento. A Palavra de Deus declara que Ele “ordena a todas as pessoas, em todos os lugares, que se arrependam” (Atos 17.30). O próprio Jesus disse: “O tempo se cumpriu, e o Reino de Deus está próximo; arrependei-vos…” (Marcos 1.15). Em Atos 2.38, Pedro exorta: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo…”.
Evangelizar não se resume a cumprir uma ordenança bíblica, mas participar ativamente do plano redentor de Deus para a humanidade.
Palavras e Ações Evangelizar envolve tanto palavras quanto ações:
Palavras:
Testemunho pessoal, Ensino das Escrituras, Explicação sobre quem é Jesus, o que Ele fez na cruz e por que todos precisam de salvação.
Ações:
Práticas de amor, Serviço, Hospitalidade, Demonstração de que o Evangelho produz transformação real no coração de quem crê (Tiago 2.14-17).
Nosso papel é falar e viver o que anunciamos, orando para que Deus abra o coração das pessoas. Cooperamos com o Espírito Santo (João 16.8), que convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo.
Por que Evangelizar?
A Condição Humana sem Cristo Sem Jesus, todos estão separados de Deus e destinados à perdição eterna (Romanos 3.23-26; Efésios 2.1-3; João 3.18).
Somente Cristo é o caminho, a verdade e a vida (João 14.6; 6:68).
Urgência da Mensagem A vida é breve, e não temos garantias do amanhã (Tiago 4.13-14).
Há um juízo eterno que torna indispensável o anúncio do Evangelho (Hebreus 9.27; Apocalipse 20.11-12).
Obediência ao Mandamento de Cristo “Fazei Discípulos” (Mateus 28.18-20).
“Sereis minhas testemunhas” (Atos 1.8).
“Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16.15).
Bem-aventurados são os Evangelistas “Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas!” (Romanos 10.15-16).
Alegria da Colheita Cada conversão provoca festa no céu (Salmo 126.5-6; Lucas 15.7).
Ver vidas transformadas fortalece a própria fé do evangelista.
Exemplos Bíblicos de Evangelistas Jesus No episódio com a mulher samaritana (João 4), Ele superou barreiras culturais e de gênero, ensinando que um simples diálogo cotidiano (sobre água) pode conduzir a assuntos espirituais profundos.
Filipe Levou Natanael até Jesus (João 1.43-46).
Apresentou os gregos a Jesus (João 12.20-22).
André “André era um dos dois que ouviram as palavras de João e seguiram Jesus. Este, pois, encontrou primeiro o seu irmão Simão e dizia-lhe: Achamos o Messias (que traduzido é o Cristo). E o levou a Jesus.” (João 1.40-42)
Outros Paulo, Pedro, a mulher samaritana e Lídia, dentre tantos, também são referências de evangelistas na Bíblia.
Como Evangelizar?
A evangelização não se limita a discursos ou panfletos: ela acontece, sobretudo, nos relacionamentos, por meio de uma vida coerente com os valores do Evangelho. Abaixo, alguns aspectos fundamentais:
Conecte-se ao contexto cultural do ouvinte (1 Coríntios 9.19-23).
Assim como o apóstolo Paulo adaptava a linguagem e a abordagem para alcançar diferentes públicos, busque entender a cultura, os interesses e os desafios da pessoa com quem está falando. Uma comunicação contextualizada demonstra respeito e aumenta a receptividade à mensagem.
Demonstre compaixão com atitudes concretas (Tiago 2.14-17; Mateus 25.35-40).
O evangelismo se torna autêntico quando acompanhado de ações que expressam amor e cuidado — seja por meio de ajuda prática, gestos de solidariedade ou ouvindo empaticamente as necessidades do próximo.
Valorize a hospitalidade e os relacionamentos (Romanos 12.13; Atos 2.46-47).
Ter um lar acolhedor, convidar pessoas para uma refeição ou simplesmente estar presente em momentos importantes da vida delas cria oportunidades naturais de compartilhar a fé. A hospitalidade foi um dos pilares da igreja primitiva, contribuindo para uma comunhão profunda e atrativa.
Aproveite as oportunidades do dia a dia.
O evangelismo não precisa acontecer apenas em eventos formais. A conversa informal no trabalho, na fila do mercado ou nas redes sociais pode se tornar uma porta aberta para falar do amor de Cristo, desde que sejamos intencionais e sensíveis ao Espírito Santo.
2. Convidar para os Cultos: Um Gesto Simples, Porém Poderoso Vivência em Comunidade Ao convidar amigos e familiares para participarem de momentos de adoração, comunhão e ensino na igreja, você possibilita que eles vejam como a fé cristã é vivida em comunidade.
Superando Preconceitos Muitas pessoas precisam vivenciar o ambiente cristão para superar preconceitos ou ideias distorcidas. Experienciar a comunhão, os cânticos e as mensagens bíblicas pode tocar o coração de maneira profunda e inesperada.
Continuidade do Relacionamento Quando um visitante comparece ao culto, a proximidade não termina ali. Ofereça acompanhamento, apresente-o a outros irmãos, mostre-se disponível para conversar e esclarecer dúvidas. A evangelização é um processo — e o calor humano demonstrado pela igreja muitas vezes fala mais alto do que palavras.
Desculpas Dadas para Não Evangelizar Em meio ao chamado inegável de “fazer discípulos de todas as nações” (Mateus 28.19-20), muitos cristãos esbarram em justificativas que os impedem de cumprir esse mandato. A seguir, analisamos quatro das desculpas mais comuns, demonstrando biblicamente por que elas não se sustentam:
“Não tenho o dom.”
Refutação Bíblica:
A ordem de Jesus em Mateus 28.19-20 não foi dirigida apenas a pessoas com um suposto “dom de evangelista”; foi dada a todos os discípulos. Além disso, Marcos 16.15 diz “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura”. Não há menção de que apenas quem possua um dom específico deva obedecer a esse chamado.
Verdade Prática:
Embora existam pessoas com um ministério especializado em evangelismo (Efésios 4.11), todo cristão pode e deve testemunhar de Cristo onde estiver. O Evangelho se manifesta de várias maneiras — compartilhando experiências pessoais, ensinando princípios bíblicos ou conversando informalmente.
Conclusão:
Se temos o Espírito Santo habitando em nós (Atos 1.8), estamos capacitados para falar de Cristo.
“Não tenho tempo.”
Refutação Bíblica:
Efésios 5.15-16 exorta a “remir o tempo, porque os dias são maus”. Ou seja, devemos administrar bem nosso tempo para alinhá-lo com a vontade de Deus.
Verdade Prática:
O evangelismo pode acontecer em oportunidades simples do dia a dia, sem exigir grandes intervalos adicionais.
Conclusão:
É preciso reavaliar prioridades se “não temos tempo” para anunciar as Boas Novas.
“Tenho vergonha.”
Refutação Bíblica:
Paulo declara em Romanos 1.16: “Não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação…”
Verdade Prática:
O medo é dissipado quando reconhecemos que não estamos apresentando apenas uma opinião pessoal, mas a verdade salvadora de Cristo. Além disso, o Espírito Santo nos concede ousadia e amor (2 Timóteo 1.7).
Conclusão:
A mesma graça que nos alcançou é suficiente para nos dar coragem de compartilhar a Boa Nova.
“Não faz parte das minhas prioridades.”
Refutação Bíblica:
A Grande Comissão (Mateus 28.19-20) é um mandamento, não uma sugestão.
Verdade Prática:
Em Mateus 6.33, Jesus nos ensina a buscar primeiro o Reino de Deus — e evangelizar faz parte dessa busca.
Conclusão:
Precisamos avaliar onde está nosso tesouro (Mateus 6.21). Evangelizar é parte essencial do nosso relacionamento com o Senhor e do serviço ao próximo.
A tarefa de evangelizar não se resume a “especialistas” ou pessoas que “tenham tempo de sobra”. É o dever de todo cristão, independentemente de temperamento ou limitações. Em vez de aceitar essas justificativas, recordemos que Jesus prometeu estar conosco “todos os dias, até à consumação do século” (Mateus 28.20). Essa garantia divina nos assegura que não estaremos sozinhos nem despreparados enquanto obedecemos ao chamado de compartilhar as Boas Novas.
Ações Práticas para Evangelizar Eficazmente Ore por familiares, amigos e pessoas que carecem de Cristo.
Ore por oportunidades de compartilhar o Evangelho.
Seja criativo, usando dons e talentos que Deus lhe deu.
Aproveite as ferramentas modernas (internet, redes sociais, aplicativos).
Dê bom testemunho: atitude e boas obras.
Fale de Jesus de maneira simpática, humilde e respeitosa.
Seja hospitaleiro.
A Igreja Primitiva como Exemplo “Louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.” (Atos 2.47)
O segredo de uma evangelização eficaz está em vivermos, como Igreja, um cotidiano que reflita o amor de Deus. O cuidado, a edificação e o serviço mútuo tornam-se canais poderosos para o agir do Espírito Santo, atraindo as pessoas a Cristo. Não é apenas uma questão de ter métodos evangelísticos, mas de cultivar relacionamentos genuínos, onde o amor e a prática da Palavra sejam visíveis e incontestáveis.
Ser um evangelista é um privilégio e um chamado que todo cristão recebe. Ao comunicarmos as “Boas Novas” de Cristo, cumprimos o mandamento de fazer discípulos, testemunhamos a transformação que o Evangelho provoca em nossas vidas e participamos ativamente do plano redentor de Deus para a humanidade.
Portanto, ame as pessoas, sirva com alegria, viva em comunhão e jamais se canse de anunciar as maravilhas de Deus. Assim, sua vida e suas palavras mostrarão ao mundo quem é o Salvador e Senhor que adoramos.
Como Deus se sente diante do sofrimento que abate sua criação? Qual o papel da igreja diante das injustiças e sofrimentos que há no Mundo? Qual a reputação de nossa igreja na comunidade? Qual o significado da Igreja para a comunidade onde ela está inserida, ou seja, como ela é vista pelos de fora?
Em tempos tão conturbados como estes em que estamos vivendo, os cristãos precisam ter em mente, com muita clareza, qual é o seu papel no mundo. Digo isto, a propósito, por perceber que, muitos são os crentes que estão confusos e outros tantos que se mostram indiferentes. É triste perceber que a esperança da maioria é puro escapismo, pois sequer esperam estar no mundo quando da manifestação do anticristo. E nem percebem a insensatez da idéia da aparição do anticristo após a remoção da Igreja e do Espírito Santo da Terra. Pois, se o anticristo se levantasse quando já não estivessem mais na Terra nem a Igreja e nem o Espírito de Deus, neste caso, ele seria anti o que? Observe que o próprio João, autor do Apocalipse, disse que, já em seu tempo, muitos anticristos haviam surgido, pelo que ele podia saber que estava vivendo a hora derradeira (1 Jo 2.18). Portanto, em vez de estarem aguardando um escape do anticristo, os cristãos deveriam reconhecer, confrontar e encarar as distintas manifestações do mal no tempo presente, que se opõem aos valores e a pessoa de Cristo.
A Igreja precisa se conscientizar de sua missão no mundo e não deve sucumbir ao perigos de uma teologia alienante, escapista, individualista e que gera acomodação diante das circunstâncias da vida. O cristão não deve fazer da Igreja um gueto ou um museu de santos e nem deve cair no outro extremo de se acomodar a este mundo. O cristão não pode ficar como espectador passivo dos eventos escatológicos, um crente de arquibancada, ou atuar como mero prognosticador do caos, um agoureiro do fim. Dentre os quais, existem alguns que chegam até a esboçar alguma espécie de alegria mórbida diante das catástrofes, o que não se justifica, nem mesmo com a alegação de que as Escrituras estão se cumprindo. Pois Deus não se alegra com o mal e nem com o sofrimento ou com a morte de quem quer que seja (Ez 33.11 e 1 Co 13.6). Os textos bíblicos que tratam de escatologia não existem para saciar nossa curiosidade, nem para nos tornar mais "sabidos", nem nos tornar espectadores e nem muito menos para servir de escapismo e fuga da realidade.
Jesus deixou claro qual deveria ser o papel dos cristãos: "vós sois a luz do mundo e o sal da terra" (Mt 5.13 e 14). Luz, sabemos, tem a ver com vida, verdade, justiça e paz; enquanto o sal possui duas propriedades muito relevantes para o tema em questão, a saber: preservação e tempero. Soma-se a isto, muitos outros textos que nos exortam a orarmos e buscarmos a paz (1 Tm 2 e 1 Pe 3.11; Rm 12.18, Hb 12.14 e Tg 3.18) e a sermos servos da justiça (Rm 6.18). Portanto, a Igreja possui uma enorme responsabilidade social. Os cristãos, como embaixadores que são de Cristo (2Co 5.20) e como promotores do bem, da paz, do amor, da verdade e da justiça, devem assumir uma postura ativa, como protagonistas da história, na construção de uma sociedade melhor e na promoção da paz, da justiça e da alegria, que são características marcantes do Evangelho do Reino que pregamos e vivemos. Neste sentido, a Igreja deve ser testemunha viva da eficácia e do valor de seu próprio ensino. A nossa luz deve brilhar não apenas em palavras, mas, principalmente, em boas obras (Mateus 5.16) e em atitudes que revelem o nosso compromisso com a mensagem do Evangelho. Aguardamos e apressamos a Vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, não de braços cruzados, mas cumprindo a missão que Ele nos deu (1 Pe 3), pois o Seu retorno está atrelado ao cumprimento da missão da Igreja, que é a de proclamar por palavra e obras o Evangelho do Reino (Mc 13.10).
Deus se importa com este Mundo e nós também devemos nos importar. Deus tem compaixão pelos que sofrem e é movido por esta compaixão para socorrer os aflitos, assim devemos nós também ser movidos por compaixão.
Romanos 8.22 "Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora".
Isaías 33.9 "A terra geme e desfalece; o Líbano se envergonha e se murcha; Sarom se torna como um deserto, Basã e Carmelo são despidos de suas folhas".
Paulo, em Rm 8. 22, afirma que não apenas a criação geme e suporta angústias, mas que nós também gememos. O povo de Deus também sofre muito.
Êxodo 2.24 "Ouvindo Deus o seu gemido, lembrou-se da sua aliança com Abraão, com Isaque e com Jacó".
Atos 7.34 "Vi, com efeito, o sofrimento do meu povo no Egito, ouvi o seu gemido e desci para libertá-lo. Vem agora, e eu te enviarei ao Egito".
Salmos 12.5 "Por causa da opressão dos pobres e do gemido dos necessitados, eu me levantarei agora, diz o SENHOR; e porei a salvo a quem por isso suspira".
Juízes 2.18 "Quando o SENHOR lhes suscitava juízes, o SENHOR era com o juiz e os livrava da mão dos seus inimigos, todos os dias daquele juiz; porquanto o SENHOR se compadecia deles ante os seus gemidos, por causa dos que os apertavam e oprimiam".
Isaías 35.10 "Os resgatados do SENHOR voltarão e virão a Sião com cânticos de júbilo; alegria eterna coroará a sua cabeça; gozo e alegria alcançarão, e deles fugirá a tristeza e o gemido".
Romanos 8.26 "Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis." Observamos aí, a sensibilidade do Espírito de Deus, que geme em favor do seu povo. Deus ouve com compaixão o gemido do povo e da Criação e se move, intercedendo e agindo a nosso favor.
Esta mensagem é contra um pseudocristianismo: individualista, alienado da realidade social, que serve mais como escapismo por conceber o Reino de Deus apenas em termos futuros e celestes e também contra aquele tipo de evangélico que está acomodado ao status quo, buscando apenas a sua própria prosperidade e felicidade. Uma palavra de alerta para os que se abstém de sua missão de ser sal (preservação) da Terra e Luz do Mundo.
Esta é uma tentativa de despertar a Igreja para o exercício pleno de sua missão no Mundo. Propondo a redenção do homem e da sociedade através de uma mais profunda inserção social, cumprindo nosso papel de "Sal da Terra e luz do Mundo". Deus está preocupado com as necessidades do povo – Ele está em plena atividade e conta conosco, ou seja, Deus está recrutando homens e mulheres de todas as idades para entrarem neste serviço de promover o bem-estar do ser humano e da sociedade em que estão inseridos, em todos os níveis, não apenas o espiritual.
Deus ama o mundo de maneira profunda. Ele tem compaixão. Deus se importa com todos os que sofrem. Não apenas com suas almas, mas também com seus corpos, sentimentos e com todas as circunstâncias de suas vidas. Ele ouviu o gemido do povo no passado e continua ouvindo com sensibilidade e se movendo por compaixão, levantando profetas como Moisés, para que sirvam como agentes de salvação e libertação no Mundo atual.
Jesus disse: "O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor". (Lc 4.18-19); Assim como o Pai enviou a Jesus, assim também Jesus nos envia ao Mundo, de modo que partilhamos de sua missão redentora e buscamos que a vontade de Deus seja feita na Terra como acontece no céu: "Venha a nós o Teu Reino e seja feita a Tua vontade assim na Terra como nos Céus".
A Parábola do Semeador, descrita em Mateus 13, é uma das muitas parábolas ensinadas por Jesus. Parábolas são narrativas curtas e figurativas que contêm lições ou ensinamentos morais e espirituais. Elas usam histórias simples e envolventes, baseadas em situações cotidianas, para transmitir mensagens mais profundas e complexas por meio de analogias, metáforas ou alegorias.
Jesus pregava por meio de parábolas para transmitir ensinamentos espirituais de maneira acessível, impactante e memorável. Ele utilizava histórias simples para alcançar pessoas de diferentes origens e idades, buscando estimular o pensamento crítico e a reflexão sobre a mensagem que estava sendo transmitida a fim de inspirar mudança de vida.
Além disso, as parábolas permitiam que aqueles que estavam abertos a entender e receber a mensagem compreendessem os ensinamentos de maneira mais profunda, enquanto aqueles que não estavam dispostos a ouvir ou entender as parábolas poderiam não compreender a mensagem. Isso se relaciona com a passagem em Mateus 13.11, em que Jesus fala sobre os mistérios do Reino dos Céus sendo revelados apenas àqueles que têm ouvidos para ouvir.
Algumas parábolas ensinadas por Jesus continham elementos desconcertantes para os fariseus e outros líderes religiosos legalistas, que se opunham a Ele e se recusavam a ouvir Sua mensagem, negando Sua identidade como o Messias, mesmo diante de evidências extraordinárias e sinais evidentes. Jesus se refere a esse grupo de pessoas como aqueles a quem não é concedido conhecer os mistérios do Reino dos Céus (Mateus 13.11).
Isso não se deu porque Deus, desde antes da fundação do mundo, decretou que Israel fosse privado dessa revelação, já que nenhum povo recebeu mais profetas e revelações de Deus do que o povo de Israel. Jesus cita aqui a profecia de Isaías 6 sobre a dureza do coração do povo de Israel, que propositadamente tapava os ouvidos e fechava os olhos para não se converterem a Deus (Mateus 13.14-15).
Embora Jesus tenha vindo primeiramente para o Seu próprio povo, muitos deles não o receberam (João 1.11). Ele expressou profunda tristeza por Jerusalém, lamentando que Ele queria tê-los salvado, mas eles recusaram o Salvador (Mateus 23.37).
Repare no apelo de nosso Senhor Jesus Cristo: "Quem tem ouvidos para ouvir, ouça" (Mateus 13.9). No entanto, como Estevão observou sobre a geração de seus conterrâneos que estavam prestes a apedrejá-lo: "Homens teimosos e incircuncisos de coração e de ouvidos, vocês sempre resistem ao Espírito Santo" (Atos 7.51). Paulo também cita as palavras de Deus, lamentando como Ele estendeu Suas mãos diariamente a um povo desobediente e rebelde (Romanos 10.21).
Os mistérios de Deus permanecerão ocultos daqueles que continuamente os desprezam. Os seres humanos são indesculpáveis quando menosprezam e deturpam o conhecimento de Deus, agindo de maneira orgulhosa e insensata, tornando-se vazios em seus próprios raciocínios e obscurecidos em entendimento. Deus os entrega a si mesmos, permitindo que seus corações se tornem obstinados e endurecidos (Romanos 1.20–24).
Essa dureza de coração e resistência ao conhecimento de Deus não é exclusiva daquela época. Ao longo da história, e mesmo nos dias atuais, vemos pessoas que se fecham para a mensagem espiritual, ignorando os sinais e as evidências que Deus coloca diante delas.
Jesus, por meio da Parábola do Semeador, descreve quatro tipos de solos, simbolizando diferentes atitudes e disposições do coração humano em relação à Palavra de Deus:
À beira do caminho: Representa os fariseus e outros líderes religiosos e todos aqueles que não entendem a mensagem de Jesus porque optam por não entender por hostilidade e desprezo. Seus corações estão endurecidos pela resistência à verdade e pela recusa em aceitar o que é apresentado a eles. Satanás rouba a semente de seus corações muito antes dela poder germinar.
Rochoso: Essa categoria se refere àqueles com fé superficial e fraca. Embora a semente do Evangelho seja recebida com alegria e até mesmo germinem, essas pessoas não possuem raízes profundas para sustentar sua fé. Quando enfrentam dificuldades e tribulações, sua fé não consegue resistir, e eles acabam desistindo. É como uma casa construída sobre a areia, que cede diante das intempéries (Mateus 7.24-27). Para sermos verdadeiros participantes de Cristo, devemos nos apegar firmemente à confiança que tivemos desde o início (Hebreus 3.14).
Entre espinhos: Representa os corações divididos com interesses mundanos. A semente também germina nessas pessoas, mas seus corações estão cercados por espinhos, simbolizando preocupações, ambições e paixões desta vida, que acabam sufocando a planta. Jesus ensinou que não podemos servir a dois senhores (Mateus 6.24) e devemos amar a Deus acima de tudo. João adverte os crentes a não amarem o mundo (1 João 2.15). É um alerta contra amar o presente século, como foi o caso de Demas que abandonou a Cristo por amor ao mundo (2 Timóteo 4.10). Além disso, muitos líderes religiosos creram em Jesus, mas não o confessaram publicamente, pois amavam mais a glória deste mundo do que a glória de Deus (João 12.43). Paulo também exorta a fugirmos das paixões mundanas (2 Timóteo 2.22) e a não extinguirmos o Espírito (1 Tessalonicenses 5.19).
Boa terra: Representa os corações receptivos e dispostos a acolher a Palavra de Deus. Essas pessoas permitem que a semente germinada encontre um ambiente propício, com os nutrientes necessários para crescer e se desenvolver. Assim como uma árvore saudável, elas alcançarão a maturidade e produzirão muitos frutos espirituais.
Através dessa parábola, Jesus nos desafia a refletirmos sobre que especie de solo é o nosso coração. Essas diferentes categorias nos lembram da importância de cultivar um coração receptivo à Palavra de Deus, livre de dureza, superficialidade ou divisão de interesses. O desejo é que possamos ser como a boa terra, permitindo que a Palavra de Deus penetre em nosso ser, transformando-nos profundamente e produzindo frutos que glorifiquem a Deus em abundância.
Apesar do insucesso de ¾ partes da semeadura, a mensagem de esperança que a parábola nos traz é sobre o solo fértil, o coração receptivo que acolhe a Palavra de Deus e permite que ela germine e dê frutos. A escolha de que tipo de solo ser está em nossas mãos. Podemos abrir nossos corações para a verdade e permitir que ela nos transforme, ou podemos nos fechar em nossas próprias ideias e endurecer nossos corações, afastando-nos da mensagem divina.
Deus, em Sua infinita misericórdia, continua a estender Suas mãos a todos nós, oferecendo Sua sabedoria, graça e amor (Tito 2.11; João 3.16). Ele deseja que cada um de nós tenha a oportunidade de conhecer os mistérios do Seu Reino e experimentar uma transformação espiritual profunda (2 Pedro 3.9 e 1 Timóteo 2.4).
Portanto, é essencial que estejamos atentos ao chamado de Jesus: "Quem tem ouvidos para ouvir, ouça" (Mateus 13.9). Devemos estar dispostos a ouvir a Palavra de Deus, a refletir sobre ela e a permitir que ela penetre em nossos corações, mudando-nos de dentro para fora a fim de nos tornarmos “árvores frutíferas”.
Em nossas jornadas de fé, é crucial evitar o orgulho e a dureza de coração, pois somente quando nos humilhamos e nos tornamos dispostos e obedientes aprendizes é que podemos verdadeiramente conhecer os mistérios do Reino dos Céus e experimentar a plenitude da vida espiritual que Deus deseja para cada um de nós.
Vídeo deste Sermão:
Perguntas Introdutórias Se Deus cumpriu sua aliança em Cristo, por que muitos judeus não creram? 2) O que significa dizer que Cristo é o telos da Lei (Rm 10.4)? 3) Como a salvação se apropria no presente e se consuma no último dia ? 4) Qual é a marca do povo de Deus hoje e qual é a tarefa da igreja?
Tese:
Em Romanos 10 Paulo mostra que a justiça de Deus se manifestou em Cristo e se apropria pela fé, de modo universal (judeus e gentios), através de uma resposta integral: crer com o coração e confessar com a boca. A Lei encontra seu clímax e término como via de justiça em Cristo, e a missão torna-se o elo necessário: enviados → anunciam → ouvem → creem → invocam → são salvos (Rm 10.14–17).
1) 10.1–4 — Zelo sem conhecimento e o Fim ( telos) da Lei Exposição Paulo abre com dor pastoral: “o desejo do meu coração e a súplica… é que sejam salvos ” (10.1). Ele reconhece zelo em Israel, mas “ não com entendimento ” (10.2). O problema: ignoram a justiça de Deus e “ buscam estabelecer a sua própria ”, não se sujeitando a ela (10.3). A razão decisiva: “ Cristo é o telos da Lei para justiça a todo o que crê” (10.4).
Notas exegéticas “Justiça de Deus” em Romanos carrega o eixo de fidelidade de aliança revelada no evangelho e dom gratuito que constitui o povo (cf. 1.16–17; 3.21–26).
“Sua própria justiça”: não é apenas “entrar” no povo, mas “manter-se de pé” com base no desempenho legal (cf. Fp 3.4–9).
Telos = clímax/objetivo e, no plano salvífico-histórico, término da Lei como via de justiça. A Lei testemunha Cristo, mas não é mais o meio de justificação/santificação (cf. 2Co 3.7–14; Gl 3.23–25).
Teologia e síntese A justiça que salva é de Deus em Cristo; o ser humano submete-se a ela pela fé. No nosso vocabulário wesleyano: é a graça que desperta e convence, conduzindo à fé obediente que salva e santifica.
Aplicações Zelo não é critério de verdade (10.2). Piedade sem evangelho não salva.
Pastores: interceder e evangelizar. A dor pastoral vira missão (10.1).
2) 10.5–13 — Deuteronômio 30 cumprido em Cristo: fé que crê e confessa Exposição Paulo contrapõe vozes:
Moisés sobre a justiça “da Lei”: “o homem que praticar viverá por elas” (Lv 18.5; 10.5).
“A justiça da fé” fala com as palavras de Dt 30.12–14: não é subir ao céu nem descer ao abismo; a Palavra está perto (10.6–8).
Clímax: “Se com a boca confessares Jesus é Senhor e no coração creres que Deus o ressuscitou, serás salvo ” (10.9–10). Promessa universal: “ todo o que nele crê não será envergonhado ” (Is 28.16; 10.11); “ todo o que invocar o nome do Senhor será salvo ” (Jl 2.32; 10.13). Não há distinção entre judeu e grego (10.12).
Notas intertextuais Paulo faz uma variação sapiencial de Dt 30: o que Israel aguardava ( fim do exílio, coração circuncidado, Palavra perto) chegou em Cristo.
“ Jesus é Senhor ”: confissão batismal e contracultural (no império, “Senhor” era César), agora aplicada ao Senhor do AT (Jl 2.32).
Teologia e síntese Salvação é dom próximo: crer (coração)
+ confessar (boca). A fé justifica e a confissão salva (10.10) — linguagem que une status e processo (início e percurso), compatível com a ênfase wesleyana: a graça salva e santifica; a confissão pública marca a incorporação no povo renovado.
Aplicações Chamado claro ao arrependimento e à confissão pública de Cristo.
Igreja sem barreiras: o mesmo Senhor é rico para com todos (10.12).
3) 10.14–21 — A cadeia missionária e a incredulidade prevista Exposição Paulo deduz a necessidade da missão: enviar → pregar → ouvir → crer → invocar (10.14–15,17). Contudo, “ nem todos obedeceram ao evangelho” (10.16; Is 53.1). Isso não invalida o plano; foi previsto:
A voz já ecoou (Sl 19; 10.18).
Deus provocaria ciúmes em Israel por meio de um “ não-povo ” (Dt 32.21; 10.19).
Deus se deixou achar por quem não buscava (Is 65.1–2; 10.20–21).
Teologia e síntese A missão aos gentios cumpre as Escrituras e serve ao propósito de restaurar Israel (ponte para Rm 11). A fé vem pelo ouvir da palavra de Cristo (10.17).
Aplicações Prioridade missional: sem enviados, ninguém crê. Invista em formar mensageiros.
Humildade: a incredulidade de alguns não desautoriza o evangelho; persista.
Tópicos teológicos de Romanos 10 Justiça de Deus: fidelidade de aliança revelada em Cristo e comunicada pela fé (3.21–26; 10.3–4).
Cristo, telos da Lei: a Lei chega ao seu alvo e cessa como caminho de justiça; permanece como testemunho (2Co 3; Gl 3–6).
Resposta integral: coração (crer) + boca (confessar) = apropriação presente e honra no juízo (10.9–11).
Universalidade: nenhuma distinção; a mesma via para todos (10.12–13).
Economia da missão: Deus salva por meio da pregação; por ela nasce fé (10.14–17).
História da salvação: a entrada dos gentios e a resistência de Israel estavam no roteiro bíblico (10.18–21).
Esboço “Zelo que salva? Só com conhecimento”
(10.1–4): contraste entre piedade autossuficiente e submissão à justiça de Deus.
“Tão perto quanto a boca e o coração”
(10.5–13):
Dt 30 em Cristo; convite a crer e confessar.
“Como crerão… se não há quem pregue?”
(10.14–17): convocação para enviar e ser enviado.
“Deus de mãos estendidas”
(10.21): paciência e misericórdia como moldura do juízo.
Aplicações pastorais Graça que desperta, convence, salva e santifica: dê espaço ao apelo que una fé e entrega pública (10.9–10).
Cuidado com moralismo: zelo sem evangelho tropeça em Cristo (10.2–3, 33).
Discipulado como confissão contínua: a boca que confessa no batismo deve continuar confessando na vida (Tg 3; Rm 12.1–2).
Missões e envio: estabeleça cadeias missionais (formação → envio → pregação) e meça ministérios por ouvir-crer-invocar (10.14–17).
Acolhimento radical: estruture a comunidade para “todos”
(10.11–13), derrubando barreiras étnicas, rituais e socioculturais (Ef 2.11–22).
Romanos 10 é o coração prático de 9–11: a fidelidade de Deus atinge seu clímax em Cristo; a marca do povo é a fé confessante; e o método de Deus é a pregação que faz a Palavra chegar tão perto quanto a boca e o coração. Entre a dor pastoral (10.1) e a misericórdia universal (11.32), a igreja vive enviando e confessando para que “ todo o que invocar o nome do Senhor seja salvo ” (10.13).
A conversão de Zaqueu é um dos episódios mais célebres da Bíblia. Zaqueu tinha uma péssima fama em Jericó por ter enriquecido ilicitamente através das práticas de extorsão e cobrança de propinas no exercício do alto cargo de chefe dos cobradores de impostos. Os publicanos eram considerados traidores do povo, pois estavam a serviço do Império Romano que subjugava os judeus. Portanto, Zaqueu, o corrupto chefe dos publicanos, era provavelmente o mais odiado cidadão de Jericó.
Sendo muito rico, Zaqueu tinha tudo aquilo que o dinheiro pode proporcionar, mas, mesmo assim, não estava satisfeito, pois chegara a conclusão de que as riquezas, conquistas e prazeres desta vida não podiam preencher o vazio de sua alma, que ansiava por algo bem superior. Este anseio por transcendência é uma experiência universal que se deve ao fato de termos sido criados por Deus e para Deus (Cl 1.16). Sendo assim, quem tem vocação para o Eterno, não consegue mesmo satisfazer-se plenamente com conquistas e experiências terrenas, por serem efêmeras (Ec 1.11). Só Jesus tem a água viva. Ele falou: "Quem beber desta água tornará a ter sede; aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna" (Jo 4.13-14).
Zaqueu ouviu falar de Jesus e, agora, queria muito vê-lo. Mas deparou-se com uma multidão que se colocava entre ele e Jesus. Não é nada raro que uma multidão de pessoas e circunstâncias se coloquem no caminho daqueles que pretendem se aproximar de Jesus. Quando isto acontece, elas devem fazer como Zaqueu, que não desanimou diante dos obstáculos e nem mesmo diante das próprias limitações pessoais (Lc 19.3). Sua vontade de conhecer a Jesus era tão grande que ele não desistiu, mas seguiu em frente e buscou um modo de superar todas as barreiras. Ele subiu numa árvore! E era a árvore certa, pois Jesus havia de passar por ali! Diante das dificuldades, ele encontrou apoio! Esta árvore pode simbolizar um cristão ou grupo de cristãos autênticos e maduros que podem auxiliar as pessoas a conhecerem melhor a Jesus (Is 52.7).
E lá vinha Jesus, acompanhado de uma multidão. Estava muito ocupado, mas, ao aproximar-se daquela árvore, para surpresa de Zaqueu, Jesus pára! Ele parou para Zaqueu e pára para você também! Jesus, então, olha para cima e enxerga a Zaqueu, que deve ter suspirado de espanto: "Ele me viu!" (Sl 11.4, Sl 139-6-16)). Mas o pacote de surpresas não termina por aí. O mais fascinante vem a seguir, pois, quão assustado não deve ter ficado Zaqueu quando Jesus o chamou pelo seu próprio nome! "Ele me conhece! Mas como? Nunca fomos apresentados antes" (Jo 1.48). Jesus ainda lhe dá uma ordem, que ele obedece imediatamente e com muita alegria. Zaqueu que, como chefe, estava acostumado a mandar, era visto, agora, obedecendo a ordem de um estranho. Sinal de que ele estava convencido de estar diante do Senhor. Aqui também se cumpre a seguinte frase de Jesus: "As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem" (Jo 10.27). As ovelhas reconhecem a voz do pastor (Jo 10.16)! O Espírito Santo estava testificando de Cristo ao coração de Zaqueu (1Co 12.3, Rm 8.15, Gl 4.6, Jo 16.8, Hb 10.15, 1 Jo 5.16)! Assim foi também com Pedro, que afirmou: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue quem to revelou, mas meu Pai, que está nos céus" (Mt 16.16-17).
Zaqueu levou Jesus para casa! Quem diria que aquele pecador contumaz, acostumado a levar coisas não recomendáveis para casa, seria ainda visto levando Jesus para o seu próprio lar! É impressionante a quantidade de coisas nocivas que as pessoas são capazes de trazer para dentro de suas residências. Mas, Zaqueu estava, agora, pela primeira vez em sua vida, levando a Jesus para sua casa. A mulher dele deve ter ficado assustada, até mesmo porque o grupo era grande, pois os discípulos de Jesus também estavam com ele:
_Que é isso, homem? Que gente toda é essa que você está trazendo para jantar? E, assim, de surpresa? Poderia pelo menos ter telefonado ou mandado uma mensagem SMS.
_É Jesus e seus discípulos! respondeu Zaqueu.
_Mas foi você, quem os convidou?
_Não, de fato, foi ele quem se convidou!
_Mas, afinal de contas, quem é que manda nesta casa, você ou ele?
_Era eu, mas, agora, é Ele!
Aquele foi um dia e tanto na vida de Zaqueu! Mas nem todos estavam contentes. Um grupo de religiosos hipócritas estava fazendo fofoca, falando mal de Jesus, dizendo que ele estava se associando com pecadores. Mas Jesus não deu confiança a eles e seguiu na companhia de Zaqueu e de sua família, pois, bem sabia o que estava promovendo! No meio do banquete, Zaqueu, espontaneamente, levanta-se e declara o propósito de dar a metade de seus bens aos pobres e de reparar de maneira bem compensadora todos os danos materiais causados a outros no passado. Zaqueu estava reconciliado com Deus e, agora, queria também reconciliar-se com seus semelhantes! Jesus, com muita alegria, proclamou: "E disse-lhe Jesus: Hoje, veio a salvação a esta casa, pois também este é filho de Abraão. Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido" (Lc 19.9-10).
Jesus pousou aquela noite na casa de Zaqueu, que na calada da noite deve ter se voltado para a esposa e cochichado ao pé do ouvido:
_Amor, não é maravilhoso ter Jesus em nossa casa?! Que diferença! Que segurança! Que alegria! Que paz!
Mensagem do Bispo José Ildo Swartele de Mello
Reflexão devocional em Filipenses 1.21–24 “Porquanto, para mim, o viver éCristo, e o morrer é lucro.” (Fp 1.21)
Quem nunca se viu em meio a um dilema? Paulo, escrevendo da prisão, não enfrenta um dilema comum, mas uma tensão profunda entre dois grandes amores: o desejo ardente de estar com Cristo e o compromisso inabalável com a missão de servir à Igreja. Em Filipenses 1.21–24, ele escancara o coração e nos convida a enxergar a vida com os olhos da eternidade. É um dilema santo, carregado de amor por Deus e pelo próximo.
Paulo escreve esta carta sob duras circunstâncias. Preso por pregar o Evangelho (Fp 1.7,13–14,19), enfrentando oposição externa e até interna, ele demonstra que mesmo em cadeias é possível experimentar liberdade interior. Enquanto outros veriam a prisão como um sinal de fracasso, Paulo a interpreta como plataforma para o avanço do Evangelho. E mais: desafia os crentes a verem as adversidades como sinais de salvação (Fp 1.28). Para ele, sofrer por Cristo não é apenas um dever, é um privilégio concedido pela graça (Fp 1.29).
“Porque vos foi concedidaa graça de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele.” (Fp 1.29)
É impressionante que, no meio da dor, Paulo fale tanto sobre alegria. A carta aos Filipenses é marcada por um tom jubiloso e triunfante. São muitas as menções à alegria, mesmo em meio ao sofrimento (Fp 1.4,18,25; 2.2,17–18,28–29; 3.1; 4.1,4,10).
Essa alegria não é fruto de circunstâncias favoráveis, mas do relacionamento com Cristo. Não depende do “lado de fora”, mas do “lado de dentro”. Paulo nos ensina que a alegria verdadeira floresce mesmo em solo árido, porque está enraizada em Cristo.
O dilema de Paulo nasce da perspectiva escatológica que permeia toda a carta. Ele vive olhando para “o Dia de Cristo” (Fp 1.6,10; 2.16), aguardando o retorno do Salvador (Fp 3.20), ciente de que “perto está o Senhor” (Fp 4.5). É essa visão que redefine valores e dá novo sentido à vida e à morte.
“Ora, de um e outro lado, estouconstrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor.” (Fp 1.23)
Paulo não tem medo da morte. Ele a enxerga como lucro, como promoção, como reencontro. Seu dilema não é medo de morrer, mas amor pela missão. Partir é melhor, mas permanecer é necessário — por causa dos outros.
Esta afirmação é o coração do dilema de Paulo: “O viver é Cristo” (Fp 1.21). Isso significa que Cristo é o centro, o sentido, o propósito e o prazer da sua existência. Não se trata apenas de viver para Cristo, mas de viver em Cristo, com Cristo, por Cristo, como Cristo.
A morte, então, é lucro, não perda. Porque significa estar com Aquele que é a razão do viver.
Enquanto muitos crentes ainda tratam a morte como tragédia absoluta — lamentando o que o falecido “deixou de viver” — Paulo nos exorta a pensar com olhos espirituais. Estar com Cristo é incomparavelmente melhor (Fp 1.23). Melhor que ver os filhos crescerem. Melhor que a realização de sonhos terrenos. Melhor até que ver o Palmeiras ser campeão.😅
Contudo, Paulo também vê o valor da vida presente: servir à Igreja, promover o progresso dos irmãos na fé, investir no crescimento espiritual dos crentes. Esse amor pastoral o faz inclinar-se a permanecer (Fp 1.24–25), mesmo sabendo que isso significaria mais sofrimento.
“E, convencido disto, estou certo de que ficarei e permanecerei com todos vós, para o vosso progresso e gozo da fé.” (Fp 1.25)
É a espiritualidade da cruz, do serviço, do sacrifício. A vida vale a pena ser vivida quando é vivida com propósito e por amor.
A vida cristã não se resume em crer, mas também em viver de modo digno do Evangelho (Fp 1.27). Essa expressão, no original grego, remete ao exercício da cidadania — algo que os filipenses, como cidadãos romanos, valorizavam muito. Paulo os exorta a viver à altura da sua nova cidadania celestial (Fp 3.20).
“Vivei acima de tudo por modo digno doevangelho de Cristo…” (Fp 1.27)
Isso significa:
• Permanecer firmes em meio às adversidades (Fp 1.27); • Lutar juntos pela fé evangélica, contra heresias e divisões (Fp 1.27); • Padecer por Cristo, com coragem e alegria, sabendo que isso é parte da comunhão com Ele (Fp 1.29; 3.10).
Cristãos que professam o nome do Senhor devem se apartar da iniquidade (2Tm 2.19) e viver de forma coerente com sua identidade em Cristo.
Conclusão: Uma vida com propósito eterno O dilema de Paulo revela o segredo de uma vida cristã plena: viver com os olhos na eternidade e os pés firmes na missão. Seu exemplo nos convida a rever nossas prioridades, nosso apego à vida terrena e nosso compromisso com o Reino.
Como temos vivido? Com medo da morte ou com fé no Cristo ressurreto? Com foco nas conquistas terrenas ou no progresso da fé dos irmãos? Que possamos repetir com Paulo:
“Para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro.” (Fp 1.21)
E que, até o dia em que formos chamados à glória, possamos viver por Cristo, para Cristo, e com Cristo, alegrando-nos em toda e qualquer circunstância.
Por Que Temos 4 Evangelhos? by José Ildo Swartele de Mello Por que existem 4 Evangelhos? by Ildo Mello on Mixcloud Por que é que existem 4 Evangelhos?
Para alcançar os quatro cantos da terra (Ap 4.6; 7.1; 20.8); como o rio do Jardim do Éden que possuía quatro afluentes para regar a terra! Começando por (1) Jerusalém, estendendo-se por toda a (2) Judeia, (3) Samaria e alcançando (4) os confins da terra.
Para alcançar todas as pessoas, de todas as (1) tribos, (2) povos, (3) línguas e (4) nações (Ap 5.9), e também para ser semeado sobre os quatro tipos de solo (Mt 13) pois os quatro Evangelhos também foram escritos para distintos destinatários: Mateus escreveu para a comunidade judaica, Marcos para os romanos, Lucas para o gentio Teófilo (Lc 1.1-4) e João para que o mundo inteiro saiba que Jesus é o Unigênito de Deus que veio para possibilitar a salvação para todo mundo (Jo 3.16).
Por que há quatro elementos na natureza: terra, água, fogo e ar. Para que a semente do Evangelho fosse plantada em toda a terra (Mt 13), caindo como água que traz a vida (Sl 72.6; Dt 32.2; Os 6.3 e Jo 7.38), queimando como fogo para desfazer as obras do diabo (Lc 12.49; 1 Jo 3.8; Hb 1.7; Is 6.6; 2 Sm 22.13; At 2.3), agindo como luz que espanta as trevas (Jo 1.9; 8.12; 9.5 e 11.19), espalhando-se pelo mundo como o ar que é capaz de penetrar nas cavernas mais profundas e escuras da terra (Ez 37.9; Jo 3.8 e At 2.2).
Para abranger as quatro estações do ano. O Evangelho de Cristo diz respeito a todos os tempos e fases da vida. "Porque diz: Ouvi-te em tempo aceitável e socorri-te no dia da salvação; eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação" (2 Co 6.2).
Para vislumbrarmos a vida e obra de Cristo de todos os ângulos de um perfeito quadrado, a fim de termos uma visão mais completa, profunda e detalhada dos quatro ofícios de Cristo: Rei, Profeta, Sacerdote e Deus.
Para fundamentar o Tabernáculo de Deus com os homens sobre as "quatro colunas de madeira de acácia, cobertas de ouro" (Ex 26.32), onde a madeira simboliza a sua humanidade e o ouro a sua divindade. Ali também se vê o véu, que possui a figura dos querubins que, em Ez 10.15, são denominados de seres viventes, o que nos remete aos quatro seres viventes do Apocalipse (4.6 cp. Ez 1.5-28), onde cada um deles representa uma das quatro características de Cristo que vemos destacadas em cada um dos quatro Evangelhos!
O primeiro ser vivente é semelhante a um leão (Ap 4.7), representando Jesus como Rei (ou Messias) como também se vê ressaltado no Evangelho de Mateus, que apresenta Jesus como Messias, salientando Sua majestade. É o Evangelho que mais referências faz às Escrituras do Antigo Testamento, utilizando a genealogia para demonstrar aos judeus que Jesus é da linhagem de Davi.
O segundo é semelhante a um bezerro, que representa a Jesus como servo humilde e sofredor, como também é retratado no Evangelho de Marcos, cujo versículo chave é: “Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc 10.45).
O terceiro possui um rosto semelhante a um homem, representando Jesus como o Filho do Homem, expressão que aparece 28 vezes neste que é o Terceiro Evangelho, "porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido" (Lc 19.10). Único Evangelho cuja genealogia vai até Adão, pai da humanidade. Sendo o único também Evangelho que descreve o nascimento e a infância de Jesus. As narrativas de Lucas sãos as que possuem mais cor humana, descrevendo eventos da vida cotidiana, eventos cheios de emoções humanas.
Enquanto os três primeiros animais pertencem a terra, o quarto ser vivente é semelhante a uma águia, que voa no céu! A divindade de Cristo é aqui destacada do mesmo modo como o é no Quarto Evangelho! Jesus é descrito como o Logos divino, como o Criador, o Eu Sou, o Unigênito do Pai, digno de adoração. "Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome." (Jo 20.31).
Para confirmar a veracidade dos fatos através do relato de várias testemunhas (2 Co 13.1; Hb 2.3). Mateus, Marcos e João foram testemunhas oculares e Lucas foi um cuidadoso historiador que se valeu do testemunho verbal dos Apóstolos.
E para "poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus" (Ef 3.18-19)
Para que a multiforme graça e sabedoria do Evangelho de Cristo pudesse ser contemplada por você!
"Arrependei-vos e crede no Evangelho" (Mc 1.15).
Bispo José Ildo Swartele de Mello
Temos razões para crer que a Igreja será bem sucedida no cumprimento de sua missão, primeiro porque o Senhor Jesus ao comissionar seus discípulos fez questão de dizer que todo poder lhe havia sido dado tanto no céu como na terra e garantiu que sempre estaria com eles (Mt 28.18), disse também que eles receberiam o poder do Espírito para serem testemunhas do Rei em todas as partes do Mundo (At 1.8), e garantiu que as portas do inferno não prevaleceriam contra a Igreja (Mt 16.18) e que certamente o Evangelho seria pregado para testemunho a todas as nações antes do fim (Mt 24.14). Jesus também cuidou de amarrar o valente e concedeu poder aos discípulos sobre os demônios e sobre todo o poder do inimigo (Mt 12.28 e Lc 10.18,19). Paulo disse que os cristãos que vivem neste mundo já estão assentados juntamente com Cristo nas regiões celestiais acima de todo principado e potestade e abençoados com toda sorte de bênçãos e graças espirituais (Ef 1.3, 20-23 e 2.6). Jesus concedeu poder aos discípulos para viverem uma vida de vitória sobre o maligno, o pecado e o mundo (1 Jo 2.13,14; 5.4,5,18). Poder para não nos conformarmos com este mundo, mas para vivermos vidas transformadas e abundantes (Rm 12.1,2 e Jo 10.10). Além disto, muitas parábolas do Reino mostram que o Reino crescerá aqui na Terra assim como o trigo, como o grão de mostarda e como o fermento que leveda toda a massa (Mt 13).
A Bíblia também diz que “a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar” (Hc 2.14), o que é um retrato de uma visão poderosa do futuro do Reino de Deus que deve inspirar e mover a Igreja ao cumprimento de sua missão. Mas, devido à natureza do Reino de Deus, nem tudo são flores na caminhada da Igreja, que deve estar preparada para as frustrações. Precisamos ser realistas.
Tanto devido aos aspectos relacionados à cruz de Cristo, quanto ao que já aprendemos a respeito da natureza do Reino de Deus na era presente, com também aquilo que se pode desprender do ensino de algumas parábolas do Reino, concluímos que a Igreja precisa estar preparada não apenas para ter vitórias, mas também para encarar conflitos, resistência e até mesmo frustração.
Na parábola do Semeador aprendemos que nós precisamos estar preparados para as frustrações do ministério. Nem sempre seremos bem sucedidos. Devemos esperar rejeição e desapontamento. Pois, apenas um quarto do esforço do semeador deu resultados positivos.
Na parábola correlata do joio e do trigo aprendemos também que: precisamos estar preparados para oposição e para lidar com os falsos irmãos. Jesus ensinou também que “O reino dos céus é ainda semelhante a uma rede que, lançada ao mar, recolhe peixes de toda espécie. E, quando já está cheia, os pescadores arrastam-na para a praia e, assentados, escolhem os bons para os cestos e os ruins deitam fora. Assim será na consumação do século: sairão os anjos, e separarão os maus dentre os justos” (Mt 13.47-49). Jesus está claramente ensinando aos seus discípulos através destas parábolas, que o Reino de Deus que foi introduzido por ele na era presente possuí esta característica heterogênea e conflituosa, que perdurará até a consumação dos séculos. Mas, como veremos a seguir, o realismo derivado desta consciência da natureza do Reino de Deus não deve sufocar o bom ânimo cristão no cumprimento de sua missão.
Veremos mais adiante como Wesley foi ao mesmo tempo realista e confiante. Seu realismo nunca apagou o seu otimismo em relação à Missão da Igreja. Seu realismo nunca serviu de desculpas para atitudes escapistas e conformistas. Nosso realismo não pode sobrepujar nossa confiança na providência divina e no poder da graça de Deus para a superação das forças do pecado e do mal no mundo. “Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (1 Jo 5.4).
Jesus foi realista ao informar aos discípulos que eles teriam aflições neste mundo, mas transmitiu-lhes muita confiança, ao dizer que eles deveriam ter bom ânimo, porque ele tinha vencido o mundo Jo 16.33). Nós não devemos nos conformar com este mundo, pois podemos e devemos ser transformados e renovados a fim de experimentarmos já no tempo presente aquela que é a boa, perfeita e agradável vontade de Deus. Se isto é possível em relação ao indivíduo, por que não seria válido também para grupos e comunidades? Confiar nesta possibilidade de mudança, nos dá bom ânimo para empreendermos ações neste sentido. Do contrário, nos sentiremos desencorajados a agir para mudança ou por estarmos exaltando mais as forças do mundo do que o poder de Deus ou por adiarmos a manifestação do Reino para um tempo além da nossa era.
Para alcançar os quatro cantos da terra (Ap 4.6; 7.1; 20.8); como o rio do Jardim do Éden que possuía quatro afluentes para regar a terra! Começando por (1) Jerusalém, estendendo-se por toda a (2) Judeia, (3) Samaria e alcançando (4) os confins da terra.
Para alcançar todas as pessoas, de todas as (1) tribos, (2) povos, (3) línguas e (4) nações (Ap 5.9), e também para ser semeado sobre os quatro tipos de solo (Mt 13) pois os quatro Evangelhos também foram escritos para distintos destinatários: Mateus escreveu para a comunidade judaica, Marcos para os romanos, Lucas para o gentio Teófilo (Lc 1.1-4) e João para que o mundo inteiro saiba que Jesus é o Unigênito de Deus que veio para possibilitar a salvação para todo mundo (Jo 3.16).
Por que há quatro elementos na natureza: terra, água, fogo e ar. Para que a semente do Evangelho fosse plantada em toda a terra (Mt 13), caindo como água que traz a vida (Sl 72.6; Dt 32.2; Os 6.3 e Jo 7.38), queimando como fogo para desfazer as obras do diabo (Lc 12.49; 1 Jo 3.8; Hb 1.7; Is 6.6; 2 Sm 22.13; At 2.3), agindo como luz que espanta as trevas (Jo 1.9; 8.12; 9.5 e 11.19), espalhando-se pelo mundo como o ar que é capaz de penetrar nas cavernas mais profundas e escuras da terra (Ez 37.9; Jo 3.8 e At 2.2).
Para abranger as quatro estações do ano. O Evangelho de Cristo diz respeito a todos os tempos e fases da vida. "Porque diz: Ouvi-te em tempo aceitável e socorri-te no dia da salvação; eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação" (2 Co 6.2).
Para vislumbrarmos a vida e obra de Cristo de todos os ângulos de um perfeito quadrado, a fim de termos uma visão mais completa, profunda e detalhada dos quatro ofícios de Cristo: Rei, Profeta, Sacerdote e Deus.
Para fundamentar o Tabernáculo de Deus com os homens sobre as "quatro colunas de madeira de acácia, cobertas de ouro" (Ex 26.32), onde a madeira simboliza a sua humanidade e o ouro a sua divindade. Ali também se vê o véu, que possui a figura dos querubins que, em Ez 10.15, são denominados de seres viventes, o que nos remete aos quatro seres viventes do Apocalipse (4.6 cp. Ez 1.5-28), onde cada um deles representa uma das quatro características de Cristo que vemos destacadas em cada um dos quatro Evangelhos!
O primeiro ser vivente é semelhante a um leão (Ap 4.7), representando Jesus como Rei (ou Messias) como também se vê ressaltado no Evangelho de Mateus, que apresenta Jesus como Messias, salientando Sua majestade. É o Evangelho que mais referências faz às Escrituras do Antigo Testamento, utilizando a genealogia para demonstrar aos judeus que Jesus é da linhagem de Davi.
O segundo é semelhante a um bezerro, que representa a Jesus como servo humilde e sofredor, como também é retratado no Evangelho de Marcos, cujo versículo chave é: “Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc 10.45).
O terceiro possui um rosto semelhante a um homem, representando Jesus como o Filho do Homem, expressão que aparece 28 vezes neste que é o Terceiro Evangelho, "porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido" (Lc 19.10). Único Evangelho cuja genealogia vai até Adão, pai da humanidade. Sendo o único também Evangelho que descreve o nascimento e a infância de Jesus. As narrativas de Lucas sãos as que possuem mais cor humana, descrevendo eventos da vida cotidiana, eventos cheios de emoções humanas.
Enquanto os três primeiros animais pertencem a terra, o quarto ser vivente é semelhante a uma águia, que voa no céu! A divindade de Cristo é aqui destacada do mesmo modo como o é no Quarto Evangelho! Jesus é descrito como o Logos divino, como o Criador, o Eu Sou, o Unigênito do Pai, digno de adoração. "Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome." (Jo 20.31).
Para confirmar a veracidade dos fatos através do relato de várias testemunhas (2 Co 13.1; Hb 2.3). Mateus, Marcos e João foram testemunhas oculares e Lucas foi um cuidadoso historiador que se valeu do testemunho verbal dos Apóstolos.
E para "poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus" (Ef 3.18-19)
Para que a multiforme graça e sabedoria do Evangelho de Cristo pudesse ser contemplada por você!
"Arrependei-vos e crede no Evangelho" (Mc 1.15).
Bispo José Ildo Swartele de Mello
Para alcançar os quatro cantos da terra (Ap 4.6; 7.1; 20.8); como o rio do Jardim do Éden que possuía quatro afluentes para regar a terra! Começando por (1) Jerusalém, estendendo-se por toda a (2) Judeia, (3) Samaria e alcançando (4) os confins da terra.
Para alcançar todas as pessoas, de todas as (1) tribos, (2) povos, (3) línguas e (4) nações (Ap 5.9), e também para ser semeado sobre os quatro tipos de solo (Mt 13) pois os quatro Evangelhos também foram escritos para distintos destinatários: Mateus escreveu para a comunidade judaica, Marcos para os romanos, Lucas para o gentio Teófilo (Lc 1.1-4) e João para que o mundo inteiro saiba que Jesus é o Unigênito de Deus que veio para possibilitar a salvação para todo mundo (Jo 3.16).
Por que há quatro elementos na natureza: terra, água, fogo e ar. Para que a semente do Evangelho fosse plantada em toda a terra (Mt 13), caindo como água que traz a vida (Sl 72.6; Dt 32.2; Os 6.3 e Jo 7.38), queimando como fogo para desfazer as obras do diabo (Lc 12.49; 1 Jo 3.8; Hb 1.7; Is 6.6; 2 Sm 22.13; At 2.3), agindo como luz que espanta as trevas (Jo 1.9; 8.12; 9.5 e 11.19), espalhando-se pelo mundo como o ar que é capaz de penetrar nas cavernas mais profundas e escuras da terra (Ez 37.9; Jo 3.8 e At 2.2).
Para abranger as quatro estações do ano. O Evangelho de Cristo diz respeito a todos os tempos e fases da vida. "Porque diz: Ouvi-te em tempo aceitável e socorri-te no dia da salvação; eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação" (2 Co 6.2).
Para vislumbrarmos a vida e obra de Cristo de todos os ângulos de um perfeito quadrado, a fim de termos uma visão mais completa, profunda e detalhada dos quatro ofícios de Cristo: Rei, Profeta, Sacerdote e Deus.
Para fundamentar o Tabernáculo de Deus com os homens sobre as "quatro colunas de madeira de acácia, cobertas de ouro" (Ex 26.32), onde a madeira simboliza a sua humanidade e o ouro a sua divindade. Ali também se vê o véu, que possui a figura dos querubins que, em Ez 10.15, são denominados de seres viventes, o que nos remete aos quatro seres viventes do Apocalipse (4.6 cp. Ez 1.5-28), onde cada um deles representa uma das quatro características de Cristo que vemos destacadas em cada um dos quatro Evangelhos!
O primeiro ser vivente é semelhante a um leão (Ap 4.7), representando Jesus como Rei (ou Messias) como também se vê ressaltado no Evangelho de Mateus, que apresenta Jesus como Messias, salientando Sua majestade. É o Evangelho que mais referências faz às Escrituras do Antigo Testamento, utilizando a genealogia para demonstrar aos judeus que Jesus é da linhagem de Davi.
O segundo é semelhante a um bezerro, que representa a Jesus como servo humilde e sofredor, como também é retratado no Evangelho de Marcos, cujo versículo chave é: “Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc 10.45).
O terceiro possui um rosto semelhante a um homem, representando Jesus como o Filho do Homem, expressão que aparece 28 vezes neste que é o Terceiro Evangelho, "porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido" (Lc 19.10). Único Evangelho cuja genealogia vai até Adão, pai da humanidade. Sendo o único também Evangelho que descreve o nascimento e a infância de Jesus. As narrativas de Lucas sãos as que possuem mais cor humana, descrevendo eventos da vida cotidiana, eventos cheios de emoções humanas.
Enquanto os três primeiros animais pertencem a terra, o quarto ser vivente é semelhante a uma águia, que voa no céu! A divindade de Cristo é aqui destacada do mesmo modo como o é no Quarto Evangelho! Jesus é descrito como o Logos divino, como o Criador, o Eu Sou, o Unigênito do Pai, digno de adoração. "Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome." (Jo 20.31).
Para confirmar a veracidade dos fatos através do relato de várias testemunhas (2 Co 13.1; Hb 2.3). Mateus, Marcos e João foram testemunhas oculares e Lucas foi um cuidadoso historiador que se valeu do testemunho verbal dos Apóstolos.
E para "poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus" (Ef 3.18-19)
Para que a multiforme graça e sabedoria do Evangelho de Cristo pudesse ser contemplada por você!
"Arrependei-vos e crede no Evangelho" (Mc 1.15).
O batismo é mais do que um ato público de fé; ele representa nossa ligação com a morte, sepultamento e ressurreição de Jesus Cristo (Romanos 6.3-4). Quando nos submetemos a esse sacramento, nos unimos a Cristo e nos revestimos dele, integrando-nos ao corpo de Cristo (1 Coríntios 12.13; Gálatas 3.27).
No Novo Testamento, a crença no Batismo como purificação e redenção é reforçada por líderes cristãos. Ananias, ao instruir Saulo, enfatizou isso: "Levante-se, receba o batismo e lave os seus pecados, invocando o nome dele" (Atos dos Apóstolos 22.16, NAA). Pedro também reforçou essa ideia em Atos dos Apóstolos 2.38, proclamando que o batismo era para a remissão dos pecados e para receber o Espírito Santo.
Em Gálatas 3.27, Paulo afirma que os batizados em Cristo se revestiram dele, mostrando a transformação espiritual que ocorre através desse sacramento. Em 1 Coríntios 12.13, Paulo enfatiza que todos os cristãos, independentemente de origem ou posição social, tornam-se parte do Corpo de Cristo pelo batismo. Além disso, ele destaca um evento crucial no nosso batismo: "tendo sido sepultados juntamente com ele no batismo, no qual vocês também foram ressuscitados por meio da fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos" (Colossenses 2.12, NAA). Essa passagem realça que o batismo vai além do simbolismo, representando nossa real união com Cristo em sua morte e ressurreição, marcando nossa morte para o pecado e nosso renascimento em uma nova vida em Cristo.
Alguns eventos bíblicos do Antigo Testamento oferecem paralelos significativos que destacam a importância do batismo para a remissão dos pecados. A aspersão do sangue nos umbrais para proteger os primogênitos de Israel do anjo da morte (Êxodo 12.7, 13) e a necessidade de olhar para a serpente de bronze para obtenção da cura (Números 21.8-9), e o caso de Naamã, que precisou mergulhar no rio Jordão para ser purificado (2 Reis 5.10-14), juntamente com a aspersão da água para purificação dos pecados (Ezequiel 36.25-27), simbolicamente apontam para a relevância do batismo como um ato eficaz de purificação e remissão dos pecados.
É importante distinguir entre o batismo de João Batista e o batismo cristão. João batizava com água em um ato de arrependimento, enquanto Jesus traz o batismo não apenas com a água, mas com o Espírito Santo e com fogo (Mateus 3.11). O batismo de João era um ritual de purificação judaico, já o batismo cristão traz consigo o renascimento pela água e pelo Espírito, como mencionado em João 3.5. A característica distintiva do batismo cristão é a "Promessa do Pai" (Atos 2.39), o dom do Espírito Santo, que, poderosamente, regenera e salva o indivíduo (Tito 3.5-6), capacitando-o a viver uma nova vida como testemunha de Cristo (Atos 1.8).
A vida cristã é gerada e guiada pelo poder do Espírito Santo (Gálatas 5.25), que nos permite reconhecer Jesus como Senhor (1 Coríntios 12.1-3), integrando-nos ao corpo de Cristo (1 Coríntios 12.13) e nos tornando filhos de Deus (Romanos 8.16; Gálatas 4.5-6).
O batismo cristão é administrado com água em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mateus 28.19 e João 3.5). Pode ser feito por imersão, por aspersão ou por derramamento de água. Enquanto o método da imersão é o que melhor representa a identificação do cristão com a morte e a ressurreição de Cristo (Romanos 6.4 e Colossenses 2.12), os métodos da aspersão e do derramamento da água são os mais condizentes com os rituais de purificação judaicos que eram predominantemente por aspersão e com o derramamento do Espírito Santo (Êxodo 24.8, Números 8.7; 19.13; Ezequiel 36.25; 1 Pedro 1.2; Hb 9.19; 10.22; Tito 3.5-6; Atos 1.5; 11.15-16). Para aprofundar o conhecimento sobre a forma apropriada do batismo, confira: http://escatologiacrista.blogspot.com/2009/10/qual-e-forma-correta-de-batismo.html Ao receberem o batismo em Cristo, os cristãos se revestem da Sua natureza (Gálatas 3.27). Tornam-se morada não apenas do Espírito Santo (1 Coríntios 6.19), mas também do Pai e do Filho, conforme expresso em João 14.23.
O batismo, nos tempos do Novo Testamento, era imediato após a confissão de fé em Jesus (Atos 2.38-41; 8:13, 36-38; 9:18; 10:48; 16:14-15, 33; 19:5), requerendo fé, arrependimento e confissão de Jesus como Senhor (Atos 2.38; Romanos 10.9).
O processo de discipulado começa com a pregação que gera a fé, levando ao batismo, e se aprofunda por meio do ensino, como ordenado por Jesus em Mateus 28.19-20. Os cristãos são incentivados a buscar continuamente o crescimento na graça e no conhecimento de Deus, como indicado em 2 Pedro 3.18.
A Bĩblia não é base para missões, mas missões são a base para a Bĩblia.
João 3.16 é considerado o coração da Bíblia, pois revela o coração de Deus que é missionário e cheio de amor pela humanidade, ao ponto de enviar e sacrificar o próprio Filho para salvação de todo o que crer. O amor de Deus pela humanidade se revela desde os primórdios da criação.
Em cada detalhe vemos o capricho e o cuidado de Deus em favor de suas criaturas prediletas. Após a confusão de Babel que gerou conflitos, intrigas e a divisão e o distanciamento dos povos e da nações, o Senhor, Ur dos Caldeus, região de Babel, chama um homem com o intuito de que este venha a se tornar uma bênção para todas as famílias da Terra (Gn 12). Deus abe nçoa Abrão e quer que ele se torne uma bênção para todas as nações. Abraão e seus descendentes recebem um chamado missionário. Mas, a história mostra que, infelizmente, os descendentes de Abraão, por vezes, tornaram-se ensimesmados, acabando por se esquecerem de sua grande missão. Mas Deus não desiste, e, dentre os descendentes de Abraão, faz nascer o "Cordeiro de Deus que tira o pecado do Mundo" (Jo 1.29)!
“Deus proverá o cordeiro para o holocausto”, foi o que o pai Abraão disse ao seu querido filho Isaque, que estava atado ao altar do sacrifício como uma figura do verdadeiro Cordeiro de Deus que, muito tempo depois, se ofereceria no Calvário para tirar o pecado do Mundo!
É interessante notar que este pequeno texto revela um modelo para a ação missionária da Igreja. Pois temos aqui, um agente enviador que é o Pai, o missionário enviado que é o Filho, o alvo que o Mundo inteiro, a motivação que é o amor e o propósito que é o de Salvar e conceder a vida eterna aos que estão alheios a vida de Deus. Jesus não veio para julgar e condenar, mas, sim, para salvar os que estão perdidos.
O Pai, movido por um imenso amor pela humanidade, envia o que tem de melhor, o único Filho, para ser missionário! Quantos pais cristãos desejam uma carreira missionária para os seus filhos? Aprendemos com Deus o valor que devemos dar a Missão da Igreja de Evangelizar o Mundo. No entanto, existem muitos que agem como aquele fazendeiro que, de uma ninhada de porcos, decidiu ofertar ao Senhor o porquinho mais mirradinho, que por aquelas bandas é costumeiramente chamado de "tiguera". Mas, sabe o que aconteceu? Com o passar do tempo, o tiguera cresceu e ficou mais gordo do que os seus irmãos! E não é que os olhos do fazendeiro cresceram sobre o tiguera. Tanto que ele mudou de idéia e, agora, não queria mais ofertá-lo para Deus. O Senhor nos livre deste espírito miserável em relação as coisas de Deus e desta visão estreita do valor da causa do Evangelho.
O Filho abraçou a obra missionária, deixou sua casa e todo o conforto do lar que tinha ao lado do Pai, desceu até nós, aprendeu nosso idioma, vestiu-se como um de nós, andou entre nós e conviveu conosco, visitou nossas casas e comeu e bebeu de nossa comida. Partilhou de nossos de nossos momentos alegres, mas também chorou conosco. Ele verdadeiramente nos amou e se identificou conosco a ponto de partilhar o nosso destino a fim de prover nosso bem estar e a vida eterna.
Mas a história não termina por aí, pois o Filho fez seguidores que receberam dele a mesma incumbência:
“Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio ”
(Jo 20.21). Temos, aí, a nossa vocação, a nossa inspiração e o nosso modelo. Sigamos os passos do Filho!
Pr. José Ildo Swartele de Mello
"Exortamo-vos, também, irmãos, a que admoesteis os insubmissos, consoleis os desanimados, ampareis os fracos e sejais longânimos para com todos." (1Ts 5.14)
Quem procuraria um médico que não sabe diagnosticar as enfermidades de seus doentes? Ou quem confiaria em um médico que não sabe prescrever a medicação adequada para cada doença?
A função básica e essencial de um médico é reconhecer bem cada tipo de doença e saber tratá-la com a medicação correta. Se um médico trata um canceroso com aspirina, certamente irá matá-lo e se não reconhece um simples resfriado e prescreve uma quimioterapia, também irá matá-lo.
Assim também na igreja há diferentes tipos de enfermos e devemos cuidar de cada um da forma mais sábia e correta.
No texto acima, o apóstolo Paulo enumera três tipos de pessoas na igreja, e exorta a três tipos de atuação:
• admoesteis os insubmissos • consoleis os desanimados • ampareis os fracos Estes são três tipos completamente diferentes de enfermidade, e Paulo dá a indicação exata do tratamento para cada uma delas. a) Os insubmissos:
Esta é a categoria mais complicada. A enfermidade mais grave para a qual Paulo descreve a medicação mais potente:
Admoesteis os insubmissos.
Admoestação está no mesmo nível de uma repreensão.
Os insubmissos não podem continuar em seu caminho de rebelião. Necessitam ser corrigidos firmemente para ser salvos. Mas, cuidado! Não devemos estar tão prontos a considerar alguém insubmisso. Nem todo desobediente a uma orientação é um insubmisso. Muitas vezes um desobediente pode ser um fraco ou um desanimado. A insubmissão está ligada a uma atitude interior de rebelião, de não reconhecer autoridade sobre si, ou de levantar-se contra a autoridade. b) Os desanimados:
Desânimo é um estado emocional, muitas vezes momentâneo e circunstancial, que qualquer um pode passar. Algumas vezes um discípulo, diante de problemas e dificuldades, pode ser tomado de desânimo e o apóstolo Paulo dá a indicação do remédio que ele necessita: Consolo. Consolo muitas vezes é uma palavra de ânimo, colocando-se ao lado, proclamando a verdade e procurando gerar fé em seu coração. c) Os fracos:
Os fracos são aqueles que desde o início da fé, mesmo tendo o desejo sincero de seguir a Cristo, tem debilidades e deficiências em sua vida como discípulos. Diferem-se totalmente dos insubmissos em sua atitude de coração, pois reconhecem seus erros e aceitam a correção, ainda que às vezes tardem em vencer as suas debilidades. A estes, Paulo orienta que sejam amparados. Amparo quer dizer, suporte e ajuda. Os fracos são como ovelhas debilitadas que necessitam, às vezes, ser carregadas nos ombros.
Dar uma repreensão a um desanimado é o mesmo que dar uma quimioterapia para um gripado lhe causará muitos males. E dar amparo a um insubmisso é dar uma aspirina a um canceroso. Certamente acabará morrendo. Portanto é fundamental que cada líder saiba discernir com precisão a dificuldade de cada discípulo e dar a cada um o que ele necessita.
Ao final do texto, Paulo nos exorta a respeito da atitude que devemos ter com todos os tipos de problemas:
"Sejais longânimes para com todos".
Portanto qualquer que seja a situação a tratar – seja insubmissão, desânimo ou fraqueza – devemos nos revestir de paciência, sabedoria e graça. Devemos evitar nos exasperar e impacientar.
Forte abraço Pr Paulo Chein
_ Alô! É o Apostolo Paulo?
_ Sim é ele!
_ Graça e paz!
_ Graça e paz!
_ Desculpe o incômodo Apóstolo, mas estou precisando da sua ajuda. É que ando decepcionado com muita coisa na igreja a qual pertenço e estou a procura de uma Igreja perfeita. Estou pensando em congregar em Corinto. Ela é uma igreja ideal?
_ Olha, a Igreja de Corinto tem grupinhos (1Co 1.12), tem inveja, contendas (1Co 3.3), brigas que vão parar nos tribunais de justiça comum (1Co 6.-11), e tem até alguns fornicadores (1Co 5.1).
_ E a Igreja de Éfeso?
_ É uma Igreja alicerçada na palavra (At 20.27), mas, ultimamente, tem muita gente sem amor lá (Ap 2.4).
_ Então, penso em ir congregar em Tessalônica.
_ Lá tem alguns que andam desordenadamente e não gostam de trabalhar (2Ts 3.11).
_ Hum! Tá difícil, hein, Paulo?! E se eu for para a igreja de Filipos?
_ Filipos até que é uma igreja boa, mas tem duas irmãs lá uma se chamam Evódia e Síntique que se desentenderam e estão sem conversar uma com a outra (Fp 4.2).
_ Então, acho que vou mudar para Colossos para começar a congregar lá.
_ Olha, em Colossos tem uns hereges que estão tumultuando o ambiente. Tem um grupo lá que estão até cultuando a anjos (Cl 2.18).
_ Que coisa! E se eu for para para a igreja dos Gálatas?
_ Bem, lá tem alguns crentes se mordendo e devorando uns aos outros (Gl 5.15).
_ Não sabia que era tão difícil achar uma igreja perfeita. Entrei em contato com o Apóstolo João para saber se a igreja de Tiatira seria ideal, mas ele me disse que os irmãos lá tem tolerado uma mulher que se diz profetisa e que tem fomentado a prostituição e a idolatria (Ap 2.20). Pensei, então, na possibilidade de ir para Laodiceia, mas João me disse que seus membros estão muito longe da perfeição, pois são orgulhosos, materialistas e mornos espiritualmente (Ap 3.16). Perguntei sobre Pérgamo, e João me disse que lá tem alguns que seguem as doutrinas dos nicolaítas e de Balaão (Ap 2.14-15). Sabe, Paulo, já pensei em ir para a Igreja sede em Jerusalem, mas ouvi dizer que tem muita gente preconceituosa lá (Gl 2.12,13), além de murmuradores (At 6.1) e alguns mentem aos pastores buscando destaque na comunidade (At 5.1-11). E agora, como faço, Paulo?
_ Você precisa entender que não existe igreja perfeita, por ser composta por seres humanos. Há joio no meio do trigo e muitos crentes genuínos que estão em processo de aperfeiçoamento, alguns mais maduros e outros ainda muito imaturos. Em breve, estaremos na Igreja perfeita, a universal assembleia e Igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus (Hb 12.23). Meu conselho é que desista de procurar uma Igreja perfeita, e passe a procurar uma igreja com líderes sinceros e que estejam bem firmados na sã doutrina. Não deixe de congregar (Hb 10.25). E abandone a mentalidade de cliente. Coloque-se à disposição de Deus para se tornar um membro saudável na edificação do Corpo de Cristo para a salvação de muitos e para a glória de Deus (Ef 4.1-16).
O musical Espírito, do Exército de Salvação, marcou minha vida no início dos anos 80. Na première, no Grande Auditório do Mackenzie, fui profundamente tocado pelo Espírito Santo — sobretudo por esta canção.
Musical Espírito Produzido pelo Exército de Salvação, no início da década de 80.A première aconteceu no grande auditório do Instituto Mackenzie, em São Paulo, com casa cheia!
Este Musical marcou impactou minha vida, em especial esta canção. Fui especialmente tocado pelo Santo Espírito de Deus.
Autores John Larsson – compôs a música John Gowans – escreveu as letras Ambos fizeram também a coreografia Edição no Brasil Christopher Parker – maestro da brass band Shirley Parker – organista e regente do coral Lúcio de Moura Neto – tradutor das músicas Elizabeth Mello – tradutora dos textos Gladys Hofer – coreógrafa Adelaide H. Redfern – responsável pelo vestuário ELENCO PRINCIPAL Jesus – Roberto Camargo Pedro – Paulo Franke Tiago – Juarez Morais João – João Carlos Cavalheiro André – Nelson Wakai Filipe – Edgar Chagas Bartolomeu – José Carlos da Silva Matias – Kenneth Hofer Tomé – Luiz Carlos Mello Tiago de Alfeu – Paulo Roberto Mello Tadeu – Teodoro Moura Simão – Teófilo Chagas Mateus – Janus César Saulo / Paulo – Ilm Hofer PERSONAGENS DE APOIO Soldado 1 – Reginaldo da Silva Soldado 2 – Adriano da Silva Anjo – Aila Hittelimmen Sumo Sacerdote – Cláudio Lopes Sinédrio 1 – Celso da Silva Sinédrio 2 – Emanuel Nakai Sinédrio 3 – Samuel Nakai Tomás – Fred Nunderlich Gamaliel – Josias Freitas Mensageiro – Jay Basta Gama Tiago, o Ancião – Steven Jones Estevão – Lacy Camargos Ananias – Genivaldo Martins Allan Hofer OUTROS PAPÉIS E SOLOS Raquel Pinha – Heather Jones Heliosa Moraes – Déa de Oliveira Elaine Miranda – Grace de Oliveira * Míriam Cavalheiro – Verônica Jung ELENCO ADICIONAL Rachel Parker – Vera de Oliveira – Elisana da Silva – Wilson Flávio Strasse – J. Luiz Fortunato –Ricardo Baptista – Horleimar da Silva – Valdo de Oliveira – Sualy Salgado – Vera Wakai –Cília Z. César – Rute da Costa – Raquel Camargo – Paulo Moura – Antônio de Oliveira –Roberto Salgado – Haroldo Lopes – Deise Souza – Jacqueline Oliveira CORO L. Antônio Amaral – Rolf Drexha Júnior – Mônica Wakai – Marta Wakai – Mirenece Fonseca –Eliane Lopes – Antonia Salymas – Rasmagela Camargos – Tânia de Oliveira – Denise Pinheiro – Denise Souza –José Rodrigues – Moisés Faria – Denusa Almeida – Luzia Reis – Neide Wakai – Suíse Lopes – Deise de Oliveira –M. Amélia Baptista – Marinalva de Oliveira – Marina de Oliveira – Miriam Miranda ORQUESTRA 🎶 Pistões – Paulo Nakai, Nilson Oliveira Trombones – Edison Nakai, Marcos Nakai Percussão – Mário Nakai, Philip Parker Contra Baixo – Lício de Moura Piano/Órgão – Shirley Parker Auxiliar – Sara Parker
Baseado em Lucas 19.1-10 Zaqueu buscou felicidade acumulando riquezas, mas insatisfeito, ansiava por algo que realmente pudesse preencher seu vazio existencial. Ouvindo falar de Jesus, foi procurá-lo, mas deparou-se com uma multidão entre ele e Jesus. Uma multidão de coisas e pessoas costumam se interpor no caminho daqueles que desejam encontrar e seguir a Jesus. Além disto, temos de superar obstáculos internos, íntimos e pessoais, como preconceitos, incredulidade e apego as coisas mundanas, representados ali pela pequena estatura de Zaqueu, que dificultava ainda mais que ele pudesse ao menos avistar a Jesus no meio daquela multidão. Diantes de tais obstáculos, Zaqueu não recuou, antes, correu adiante, buscou ajuda, encontrou uma árvore e nela subiu para avistar a Jesus. Ele encontrou uma boa árvore! Pois Jesus passaria exatamente por debaixo dela. Se é fato que existe uma multidão servindo de obstáculo, é certo também que Deus coloca uma árvore para nos socorrer! Uma igreja, um crente fiel que nos ajuda a encontrar a Jesus!
Jesus parou debaixo daquela árvore para dar atenção a Zaqueu. Ele pára para você também. Jesus se importa! Ele olhou para cima e viu a Zaqueu. Jesus também olha para você. Ele vê o seu estado. Ele quer ajudar!
O mais impressionante para Zaqueu, foi quando Jesus o chamou pelo próprio nome. Eles nunca haviam sido apresentados antes. Isto revela a onisciência de Cristo. Jesus sabe tudo a nosso respeito. Ele é o nosso Criador! Jesus fala com Zaqueu com autoridade e intimidade. Zaqueu reconhece a voz do Bom Pastor e obedece de bom grado. Zaqueu leva Jesus para sua casa.
Os legalistas quando viram Jesus entrando na casa de Zaqueu começaram a criticá-lo, pois Zaqueu era um pecador contumaz. Mas Jesus veio buscar e salvar os pecadores, pois são os enfermos que precisam de médico. Enquanto a crítica corria solta fora da casa, lá dentro, Zaqueu dava provas de ser uma pessoa mudada. Arrependido, decide partilhar metade de seus bens com os pobres e também se propõe a restituir a todas as pessoas que ele havia prejudicado quatro vezes mais do que havia sido "roubado". Reconciliado com Deus, Zaqueu está agora também reconciliando-se com seus próximos. Jesus lhe confere uma nova vida. Ele tem um futuro novo pela frente, mas também está preocupado em reconciliar-se com o seu passado. O encontro com Cristo produziu efeitos extraordinários na vida de Zaqueu.
Jesus continua vivo e poderoso para transformar vidas.
Jesus está passando… "Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto" (Is 55.6).
Bispo José Ildo Swartele de Mello www.metodistalivre.org.br www.imeldemirandopolis.blogspot.com www.escatologiacrista.blogspot.com http://www.scribd.com/ildomello http://twitter.com/ildomello
Como Jesus interpretou a lei mosaica?
Estaria Jesus ensinando salvação através das obras?
Temos aqui o primeiro, mais longo e mais importante discurso de Jesus, e também o menos obedecido.
Do alto de um monte, Jesus apresenta uma nova legislação para um Novo Testamento. Jesus discorre sobre a Lei Mosaica. Ele veio para cumpri-la e também para interpretá-la corretamente. Jesus critica o legalismo farisaico e o mau uso da lei divina que produz orgulho espiritual, santidade apenas aparente, crentes de fachada, sepulcros caiados.
Não adianta uma espiritualidade apenas exterior para inglês ver, pois os bem-aventurados são os puros de coração. Deus sonda os corações.
O caminho para a salvação não é o orgulho das obras, pois os bem-aventurados são os pobres de espírito que estão desprovidos de qualquer noção de direito de entrar no Reino de Deus por seus próprios méritos. Eles clamam por misericórdia e a encontram em Cristo. Encontram não apenas o perdão, mas também o poder regenerador do Espírito Santo que os capacita a viverem de acordo com o elevado padrão moral estabelecido por Jesus no Sermão do Monte. Salvos pela graça para as boas obras!
Espero que esta mensagem contribua para uma melhor compreensão deste importantíssimo sermão de nosso Senhor Jesus Cristo.