Cartas sobre a provação e a tentação · 1780–1783

Cartas sobre a Provação e a Tentação

“Quando você tiver sido provado, sairá como ouro.”

Da carta a Robert Carr Brackenbury, 18 de setembro de 1780

Antes de ler

O que fazer com a provação e a tentação? Wesley não as via como sinal de que Deus se afastou, mas como ferramentas nas mãos dele. A provação tira o bem do mal e refina a fé, como o fogo refina o ouro; e até a tentação, quando resistida, vira ocasião de vitória. Estas três cartas mostram esse olhar — diferente do simples consolo diante da perda: aqui o foco é o propósito e o proveito daquilo que nos aperta.

A Brackenbury, ele fala do “remédio severo, mas salutar”, e do desejo de fazer não a própria vontade, mas a de Deus. A Hannah Ball, lembra que “as tentações e o livramento delas nos são de muito proveito”, pois Deus “nos prepara ocasiões de luta, para que vençamos”. E a Nancy Bolton, que a fornalha da aflição a fará sair como ouro, porque Deus “faz todas as coisas cooperarem para o bem”. Um cuidado ao ler: isto não é glorificar o sofrimento nem fingir que a dor não dói. É confiar que, em cada tentação, Deus “abre uma saída” (1Co 10.13), e que o alvo de tudo é um coração que aprende a dizer, com o Senhor, “não a minha, mas a tua vontade”.

— Bispo Ildo Mello

O remédio severo, mas salutar

A Robert Carr Brackenbury · Bristol, 18 de setembro de 1780

Prezado senhor, o Senhor conhece o caminho por onde você anda; e, quando tiver sido provado, sairá como ouro (Jó 23.10). É verdade que agora a sua fé e a sua paciência têm pleno exercício; mas, daqui a pouco, você verá o bem tirado do mal e bendirá a Deus por esse remédio severo, mas salutar.

Desde o início tive a convicção de que Deus o livraria, embora eu não pudesse ver de que modo — pois sabia ser o seu desejo não fazer a própria vontade, mas a daquele de quem você é e a quem serve. Que ele ainda o guie pelo caminho por onde deve ir, e o faça dar glória ao seu nome!

— John Wesley

As tentações nos são de proveito

A Hannah Ball · Londres, outubro de 1783 (trecho)

Minha querida irmã, a sua sabedoria está em, tanto quanto possível, não pensar nem falar naquele assunto. Você tem coisas melhores em que pensar — a saber, que Deus está voltando ao seu povo. Já há um começo; mas você deve esperar continuamente ver coisas maiores do que estas.

“As tentações”, diz Haliburton, “e o distinto livramento delas nos são de muito proveito”; e, como observa Tomás de Kempis, Deus “nos prepara ocasiões de luta, para que vençamos”. Nunca hesite em declarar abertamente o que Deus fez pela sua alma. E nunca se canse de exortar os crentes a “prosseguir para a perfeição” (Hb 6.1). Onde houver essa sede, toda a obra de Deus avança.

— John Wesley

A fornalha da aflição

A Ann Bolton (“Nancy”) · Bath, 15 de setembro de 1782 (trecho)

Minha querida Nancy, como espero vê-la em breve, não vou agora perguntar pelos pormenores das suas aflições — ainda que fosse bom que você tivesse usado o direito de uma amiga e me contasse tudo assim que aconteceu. Mas basta saber que Deus tirou o bem do mal e fez todas as coisas cooperarem para o bem (Rm 8.28). Ele a provou na fornalha da aflição; e, depois de provada, você sairá como ouro.

Um dos efeitos das suas provações é unir-me mais estreitamente a você, pois “a compaixão inclina a alma ao amor”. Faz muito tempo, na verdade, que você me é caríssima.

— John Wesley

Traduções para o português a partir de The Letters of the Rev. John Wesley, A.M. (ed. John Telford, 1931), domínio público. Referências bíblicas na versão NAA (Nova Almeida Atualizada), abreviadas ao padrão brasileiro. Edição em português: Bispo José Ildo Swartele de Mello.

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