Diário · Na linguagem de hoje

Capítulo 5

1738–1739 · O ardor da nova fé

Quinta-feira, 30 de novembro de 1738

Fiz mais uma visita ao senhor Gambold, e nos despedimos depois de recebermos juntos a Ceia.

Terça-feira, 5 de dezembro

Estive na Convocação, onde o honesto John Chicheley recebeu o seu grau. Ele já havia sido ordenado, e foi justamente para isso que veio à Inglaterra.

Quinta-feira, 7 de dezembro

Voltei a rezar as orações com os pobres presos em Bocardo.

Sábado, 9 de dezembro

Estive com o Deão, que reclamou da obscuridade do sermão de meu irmão sobre a salvação. Ele negou abertamente a certeza da fé e o penhor do Espírito.

Domingo, 10 de dezembro

Preguei no Castelo sobre o texto “Todos debaixo do pecado” e ajudei a servir a Ceia. À tarde, rezei as orações e preguei ali de novo.

Segunda-feira, 11 de dezembro

Vim de carruagem até Wycombe. Hospedei-me na casa do senhor Hollis, que me entreteve com histórias dos seus Profetas Franceses, que ele considerava iguais, se não superiores, aos profetas do Antigo Testamento. Enquanto nos preparávamos para dormir, ele foi tomado por agitações violentas e começou a grasnar como um peru. Fiquei assustado e comecei a exorcizá-lo com as palavras “Espírito surdo e mudo”, e assim por diante. Ele logo se recuperou do seu ataque de inspiração. Orei e fui me deitar, sem gostar nem um pouco do meu companheiro de quarto. Não dormi muito bem, com Satanás tão perto de mim. No dia seguinte, cheguei a Londres por volta de uma hora. George Whitefield chegou à casa de J. Bray pouco depois de mim. Eu estava tomado por um desejo ardente na oração. Ouvi-o pregar a uma multidão enorme em St. Helen.

Quinta-feira, 14 de dezembro

Ouvi um relato glorioso do sucesso do Evangelho em Islington. Alguns dos que mais se opunham foram convertidos.

Sexta-feira, 15 de dezembro

Na casa do senhor Stonehouse, encontrei a senhora Vaughan, cheia de alegria no Espírito Santo, embora não sem alguma mistura de temperamento natural.

Sábado, 16 de dezembro

Hester Hobson e a irmã vieram me visitar, adoecidas de amor por Cristo crucificado. Durante e depois da oração com elas, minha alma era só desejo e expectativa.

Domingo, 17 de dezembro

Encontrei o senhor Broughton na casa de M. Hind. Da última vez nos despedimos como bons amigos, e ele me agradeceu pelos meus bons ofícios junto à senhorita Reeves. Agora me pedia que obtivesse dela uma quitação por escrito.

Segunda-feira, 18 de dezembro

Ela me disse que o liberava plenamente das suas promessas, mas não ousava dar-lhe uma quitação por escrito, com medo de que o irmão a rejeitasse.

Terça-feira, 19 de dezembro

Perguntei ao meu amigo Stonehouse: “Você crê no Filho de Deus?” E ele pôde responder com toda a confiança: “Sim, creio, e agora sei que creio.” Cantamos juntos (com M. Hankinson se unindo a nós) no espírito da fé, e triunfamos no nome do Senhor, nosso Deus.

Quinta-feira, 21 de dezembro

Em St. Antholin, o sacristão me perguntou o nome e disse: “O doutor Venn proibiu qualquer metodista de pregar. O senhor se considera metodista?” Respondi: “Não me considero; o mundo pode me chamar do que quiser.” “Bem, senhor”, disse ele, “seria uma pena o povo ir embora sem pregação. O senhor pode pregar.” E assim fiz, sobre as boas obras.

Sábado, 23 de dezembro

Fiquei profundamente comovido ao cantar em Blendon. Retirei-me e derramei a minha alma em oração, pedindo amor.

Dia de Natal. Preguei em Islington de manhã e servi o cálice. À tarde, foi George Stonehouse.

Terça-feira, 26 de dezembro

George Whitefield pregou. Tivemos a Ceia neste dia e nos quatro seguintes. Na quinta-feira meu irmão pregou; na sexta, George Whitefield; e no sábado, o senhor Robson. A semana inteira foi de fato uma festa, um tempo de alegria, consagrado ao Senhor.

### Parte IV (de 2 de janeiro de 1739 a 6 de novembro de 1739)

Terça-feira, 2 de janeiro de 1739

Estive na casa do senhor Stonehouse, com M. Vaughan e outros. Insisti com ele para que abandonasse os autores místicos, mas ele se apegou a eles com ainda mais obstinação. Vi a mim mesmo refletido nele.

Quarta-feira, 3 de janeiro

Hoje morreu a nossa irmã Butcher (a primeira dentre nós), triunfante na fé. Às cinco horas ela disse: “Confio somente no sangue de Cristo. Lanço-me aos seus pés; e, se eu perecer, perecerei.” Logo depois: “Agora estou certa do céu.” Gastou o último suspiro exortando o marido e os demais a confiarem em Jesus Cristo.

Sexta-feira, 5 de janeiro

Meu irmão, o senhor Seward, Hall, Whitefield, Ingham, Kinchin e Hutchins, todos insistiram comigo, mas não pude concordar em me fixar em Oxford sem uma orientação mais clara de Deus.

Sábado, 6 de janeiro

O senhor Sparks e eu estivemos na casa do senhor Howard, que negava que possamos ter qualquer comunhão real com Deus.

Domingo, 7 de janeiro

Fiquei muito incomodado com certas normas que Bray e outros estavam impondo à sociedade.

Quarta-feira, 10 de janeiro

Encontrei o senhor Broughton, que se esforçou muito para me persuadir a prestar declaração juramentada sobre o que a senhorita Reeves havia dito. Recusei terminantemente, por considerar isso uma traição a ela, tanto da parte dele quanto da minha.

O senhor Thorold ensinou na sociedade. Tivemos alguma conversa sobre as agitações; a meu ver, nenhum sinal de graça.

Quinta-feira, 11 de janeiro

Encontrei um morávio e a esposa. Ela contou a sua conversão genuína: recebera o perdão antes do testemunho permanente do Espírito.

Sábado, 13 de janeiro

Tocado pelas orações de Hester Hobson, eu esperava continuamente uma nova manifestação de Cristo, o que encontrei no dia seguinte, na Ceia.

Segunda-feira, 15 de janeiro

Estava na casa do senhor Stonehouse quando o senhor Silvester chegou. O senhor Stonehouse insistiu em escolher ele mesmo um pregador. Acompanhei-o até o senhor Lloyd, o leitor. Tivemos uma conversa franca sobre a fé. Tanto ele quanto a senhora Lloyd estão convictos.

Terça-feira, 16 de janeiro

Orei em fé por ela. Imediatamente ela se encheu de consolo. Passei na casa do senhor Wilde, que me contou ter recebido há pouco o perdão durante um sermão meu.

Quarta-feira, 17 de janeiro

George Whitefield nos deu um relato tão promissor de Oxford que me senti fortemente inclinado a ir para lá.

Domingo, 21 de janeiro

Fiquei muito tocado pelo sermão do senhor Stonehouse. À tarde, eu mesmo preguei, numa igreja lotada, sobre a justificação pela fé.

Segunda-feira, 22 de janeiro

Lady Crisp mandou me chamar. Fui, e encontrei o senhor Stonehouse lá. Ela me tratou com grande cortesia. Copiei um hino para a filha. Depois da ceia, sua senhoria falou longamente em louvor ao casamento. Vi, e tive pena, do meu pobre amigo, duramente pressionado. Cantamos. Já era tarde quando nos despedimos.

Terça-feira, 23 de janeiro

M. Vaughan parecia profundamente humilhada, ao perceber as suas recentes ilusões vãs e presunçosas.

Quarta-feira, 24 de janeiro

Ensinei (para proveito de dois clérigos presentes) sobre “Não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo?” (1Co 6.19) e demonstrei que a promessa do Espírito é para todos, tanto pela Escritura quanto pela doutrina da nossa própria Igreja.

Quinta-feira, 25 de janeiro

Ensinei na casa de Brockmar. O Senhor estava presente. Uma mulher me deteve quando eu ia saindo; confessou-se sob o pleno domínio do diabo e caiu aos meus pés. Oramos com confiança. Quando mencionei na oração a adúltera perdoada, ela gritou: “Recebi o consolo!” Levantei-me cheio de amor, alegria e triunfo, dos quais todos nós participamos.

Fui chamado à casa de Bray; as três senhoritas Newton estavam lá. Ensinei de novo, com poder.

Sexta-feira, 26 de janeiro

Na casa do doutor Newton, cantei e orei com elas; muito comovido agora, e bem satisfeito na noite anterior.

Sábado, 27 de janeiro

Levei Bray à casa da senhora Whitcomb. Estavam presentes os Claggett, Metcalf com a mãe, e Hester Hobson. Participamos da Ceia, oramos e cantamos com muita vida e consolo. Dormi em Blendon.

Domingo, 28 de janeiro

Preguei sobre “os três estados” em Bexley. Alguns saíram da igreja; e mais gente ainda saiu à tarde, enquanto eu ensinava sobre “Ai de mim, se não pregar o evangelho!” (1Co 9.16). Fiquei completamente esgotado, mas recuperei as forças à noite para o pobre povo.

Quarta-feira, 31 de janeiro

Disse ao senhor Delamotte que ele não estava convertido, que não tinha o Espírito nem a fé, e supliquei que pedisse a Deus para lhe mostrar o que lhe faltava. Ele não conseguiu aceitar o que eu disse, mas também não se irritou. A senhora Delamotte estava arrebatada de alegria e amor. Na diligência com minha irmã Kezia, encontrei três mulheres. Estava muito relutante em falar, mas venci a hesitação e me esforcei para convencê-las do pecado e da justiça. Todas concordaram com a verdade e, espero, foram em alguma medida despertadas para buscar a única coisa necessária. Deixei Kezia na casa da minha tia, em Islington. Ajudei a ensinar na sociedade e dormi em paz na casa de J. Bray.

Sexta-feira, 2 de fevereiro

Com Charles Metcalf, visitei aquele homem digno, Zouberbuhler, preso por dívidas na Marshalsea; fiquei muito comovido com os seus sofrimentos.

Domingo, 4 de fevereiro

À noite, vários de nós atravessamos os campos desde Islington, com voz de júbilo e ação de graças.

Quinta-feira, 8 de fevereiro

Levei a Zouberbuhler a notícia de que seus bens haviam sido resgatados pelo senhor Seward. Visitei-o de novo no sábado e fui movido de compaixão por ele e de fé em favor dele. Em Islington, alegrei-me diante de um crente que estava morrendo.

Sábado, 10 de fevereiro

Ensinei a muitas centenas de pessoas numa sociedade em Beech-lane.

Domingo, 11 de fevereiro

Naquele dia oramos pedindo palavra desembaraçada. Meu irmão pregou. Fui consolado na Ceia. Orei novamente na casa do senhor Stonehouse, pedindo uma bênção sobre o meu ministério (Lady Crisp estava com meu irmão). Rezei as orações e preguei sem anotações sobre o cego Bartimeu, sendo o Senhor grandemente o meu socorro. Que toda a glória seja dele. Voltei para orar na casa do senhor Stonehouse. A senhorita Crisp pediu para ser recebida. Tivemos uma conversa franca e escrutinadora antes de eu ensinar à sociedade.

Segunda-feira, 12 de fevereiro

A senhora Wheeler me contou que recebeu Cristo no último sábado. Estava abatida pelo medo da morte, e num instante foi libertada; derreteu-se em amor e passou a poder aplicar Cristo e todas as promessas a si mesma. O senhor Stonehouse me falou de uma mulher que o havia rejeitado na semana anterior, mas que agora mandou chamá-lo; recebeu a Ceia, reconciliou-se com Deus e com ele, e morreu em paz.

Terça-feira, 13 de fevereiro

Li uma carta de Sarah Hurst, insistindo para que eu fosse a Oxford e a Cowley (que agora está vaga). Totalmente resignado, ofereci-me para ir; abri o livro naquelas palavras: “Com lábios gaguejantes e em língua estranha falará a este povo” (Is 28.11). Interpretei aquilo como uma proibição, mas segui sem vontade própria. Estive com o capitão Pitman na Marshalsea; rezei as orações e preguei sobre Lucas 7.36 e seguintes, a mulher lavando os pés de Cristo. A palavra veio com poder; todos ouviram atentos e agradecidos. Visitei Zouberbuhler, transferido para a prisão de Fleet.

Quarta-feira, 14 de fevereiro

Rezei as orações em Newgate e preguei primeiro a lei e depois o evangelho. Cantamos o hino “Convite aos pecadores”. Todos ficaram comovidos.

Quinta-feira, 15 de fevereiro

Preguei de novo na Marshalsea. Fui chamado por uma prostituta (que se supunha estar morrendo) e preguei Cristo, o amigo dos pecadores, chegando, creio, ao seu coração. Rezei as orações em Islington. A senhorita Crisp me chamou à sua casa. Sua mãe estava lá. Tivemos uma conversa pertinente. A mais jovem foi comigo à casa de M. Hankinson, extremamente desejosa de fé. Orei por ela com muito fervor. Na sociedade, ensinei sobre a mulher samaritana. Quando terminei, ela correu até mim e exclamou: “Eu creio, eu creio! Aquelas palavras que o senhor falou vieram com poder: ‘O que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora’ (Jo 6.37). Com elas, uma paz desconhecida fluiu para a minha alma.” Cantamos, nos alegramos e demos graças ao Deus que perdoa, em favor dela.

Domingo, 18 de fevereiro

Preguei em Islington sobre a mulher que era pecadora; na Marshalsea, sobre Romanos 3. Orei junto à mulher enferma; ensinei na casa de Sims a dois grupos distintos.

Segunda-feira, 19 de fevereiro

Orei na prisão com Anne Dodd, bem-disposta, cansada do pecado, ansiando por se libertar.

Preguei com poder sobre o último dia. Orei a Deus pelas pobres prostitutas. Nossas irmãs levaram uma delas em triunfo. Segui até a casa de M. Hanson, que se encarregou da pródiga que voltava. Nossos corações transbordavam de compaixão por ela. Ela parecia confusa, silenciosa, testemunhando a sua alegria e o seu amor apenas com lágrimas. Cantamos e oramos sobre ela com grande confiança.

Às três, encontrei a senhorita Crisp na casa de M. Claggett, que me ajudou a me alegrar pela ovelha perdida que reencontrei. À noite, ensinei na casa do senhor Hind. Uma senhora foi profundamente atingida.

Terça-feira, 20 de fevereiro

Acordei cheio de preocupação com a pobre prostituta, e comecei a compor um hino por ela. Às cinco, passei na casa da senhorita Crisp; depois na do senhor Stonehouse, onde ensinei sobre a mulher surpreendida em adultério.

Quarta-feira, 21 de fevereiro

Fiquei sabendo que o benefício eclesiástico de Cowley já fora concedido a outro, e me alegrei. Com meu irmão, fui ser recebido pelo Arcebispo. Ele nos demonstrou grande afeto; falou com brandura sobre o senhor Whitefield; recomendou-nos não dar mais motivo de escândalo do que o necessário para a nossa própria defesa; evitar expressões questionáveis; ater-nos às doutrinas da Igreja. Dissemos-lhe que esperávamos perseguição, e que permaneceríamos fiéis à Igreja até que os seus Artigos e Homilias fossem revogados. Ele nos garantiu que não sabia de nenhum plano dos dirigentes da Igreja de fazer inovações, e que não haveria nenhuma enquanto ele vivesse; declarou a justificação somente pela fé, e disse que teria alegria em nos ver sempre que quiséssemos.

Dali fomos ao bispo de Londres, que negou tê-los condenado ou mesmo ouvido muito a nosso respeito. O diário de G. Whitefield, disse ele, estava contaminado de entusiasmo, embora o próprio Whitefield fosse um jovem piedoso e bem-intencionado. Ele nos advertiu contra o antinomismo e nos dispensou com gentileza.

Saí em busca de uma ovelha perdida e a encontrei voltando das orações públicas com Bray. Ela estivera em profunda angústia; ferida por cada palavra nas duas últimas prédicas; quase desfalecendo naquela manhã, cansada e sobrecarregada. Dissera a Bray que Deus não podia perdoá-la, pois seus pecados eram muito grandes. Não suportava a nossa alegria triunfante. Lutamos em oração por ela; e ela declarou que o seu fardo havia sido tirado, e a sua alma estava em paz. Quanto mais orávamos, mais clara ela ficava; até que enfim testemunhou que cria em Jesus de todo o coração. Continuamos em oração intensa por todos os pecadores grosseiros; e eu me ofereci de bom grado para ser empregado de modo particular no serviço deles.

Domingo, 25 de fevereiro

Preguei a justificação pela fé em Bexley. No começo do meu discurso, cerca de vinte pessoas saíram da igreja. Ficaram mais satisfeitas comigo (ou ao menos mais pacientes) à tarde, quando preguei sobre a mulher aos pés do nosso Salvador. Fraco e esgotado em Blendon, revivi ao exortar mais de duzentos pobres.

Segunda-feira, 26 de fevereiro

Em nossa capela, li o sermão de Beveridge sobre o ministério, muito necessário para Betsy e outros, que estão caindo em ideias extravagantes. O povo veio à noite, e todos fomos consolados juntos pela palavra.

Quarta-feira, 28 de fevereiro

Reuni-me com os grupos na casa de J. Bray e os adverti contra o cisma. Fui violentamente contestado justamente por quem deveria me apoiar. Insistiram para que eu fosse a Oxford; mas eu os entendi, e pedi que me dispensassem.

Sábado, 3 de março

Ensinei a mais de trezentos ouvintes em Beech-lane.

Domingo, 4 de março

Rezei as orações, preguei e servi a Ceia em St. Catherine; em Islington, preguei sobre João 3; depois ensinei com muita vida na casa do senhor Sims; e, por fim, na casa do senhor Bell. Encerrei o trabalho do dia com oração entre os grupos.

Quinta-feira, 8 de março

No meio de uma oração fervorosa na casa de J. Bray, uma mulher recebeu poder para se tornar filha de Deus.

Sábado, 10 de março

Fui a Newgate com a minha costumeira relutância; preguei com liberdade; e na oração tive grande poder, como todos os presentes pareceram reconhecer. Ensinei em Beech-lane; na oração, pedi algum sinal de que o nosso evangelho é de fato uma ministração do Espírito, e perguntei se alguém havia recebido resposta. Um, e outro, e outro testemunharam o seu sentimento da presença divina. Nós nos alegramos como quem reparte os despojos.

Domingo, 11 de março

Preguei a justificação em St. Catherine. Batizei duas mulheres em Islington (havia batizado cinco adultos algum tempo antes) e preguei com grande liberdade sobre a mulher samaritana. Meu amigo Stonehouse ficou muito irritado comigo por uma bobagem, e bastante exaltado. Mantive a calma, mas fui atrapalhado no meu ensino pelas suas discussões. Encorajei a senhorita Crisp, agora perseguida pelos parentes. Invejei os que já partiram, na casa de M. Vaughan. Tive uma conversa séria com Stonehouse, em defesa da senhorita Crisp. Ambos ficaram humildes.

Segunda-feira, 12 de março

Estive em Newgate com Bray. Orei, cantei e exortei com muita vida e veemência. Conversei nas celas com dois católicos, que renunciaram a todo mérito exceto o de Jesus Cristo. Ensinei na casa de Bray sobre o dia do juízo. O poder do Senhor estava presente para ferir. Uma mulher gritou como em agonia. Outra desabou, dominada. Todos foram movidos e derretidos, como a cera diante do fogo. Às oito, ensinei em Dowgate-hill. Duas pessoas foram então recolhidas ao aprisco.

Quarta-feira, 14 de março

Encontrei um dos católicos cheio de paz e alegria no crer, imediatamente após termos orado.

Terça-feira, 20 de março

Um poder e uma bênção redobrados acompanharam a minha palavra em Fetter-lane.

Quinta-feira, 22 de março

Estive na Marshalsea com o senhor Oakley. Orei com os enfermos; rezei as orações e expus a lição.

Domingo, 25 de março

Betty Hopson veio e orou para que naquele dia tivéssemos um banquete de coisas boas. O senhor Stonehouse estava cheio de amor e pregou um sermão excelente sobre a fé. Depois da Ceia, continuamos o nosso triunfo. Preguei com poder sobre “Lázaro ressuscitado”. Depois cantamos e oramos na sala. Grande foi a nossa alegria no Senhor. Sepultei um morto e exortei a congregação. Ensinei na casa do senhor Stonehouse com grande desembaraço. Um opositor foi incômodo, até que o vencemos pela oração. Visitei o senhor Lloyd, e depois M. Vaughan, ambos tão cheios de amor e alegria quanto podiam conter. Já era meia-noite quando descansei com Oakley na casa de J. Bray.

Terça-feira, 27 de março

Na casa do senhor Crouch, ensinei sobre a perseguição. Um homem gritou: “Isso é mentira!” Recorremos à oração e ao canto. O júbilo de um Rei estava no meio de nós. O homem se aproximou, todo afável. Outro perguntou o que significavam aquele consolo e aquela alegria; convidei-o com calma a experimentá-los.

Quarta-feira, 28 de março

Dissuadimos meu irmão de ir a Bristol, por um temor inexplicável de que isso lhe seria fatal. Um grande poder estava entre nós. Ele se ofereceu de bom grado para o que quer que o Senhor determinasse. No dia seguinte partiu, encomendado por nós à graça de Deus. Deixou uma bênção atrás de si. Desejei morrer com ele.

Domingo, 1º de abril

Preguei em St. Catherine, onde encontrei a minha velha amiga, a senhora Paine, de East Grinstead. Servi a Ceia. Almocei na casa de Chrissy Anderson; fui de carruagem com ela e Esther até Islington, consolado pelo caminho enquanto cantávamos. Ensinei sobre o bom samaritano, com assistência divina. Orei em Fetter-lane para que o Senhor estivesse no meio de nós, e recebi uma resposta notável. B. Nowers, em fortes dores, gemeu, gritou, bradou. Não me escandalizei com isso, mas também não me edifiquei. Cantamos e louvamos a Deus com toda a força. Só consegui chegar em casa às onze.

Quarta-feira, 4 de abril

Na casa do senhor West, alegrei-me diante de uma alma feliz, que recebeu a fé no meu último ensino.

Sexta-feira, 6 de abril

Convenci uma mulher do pecado; encontrei outra convencida da justiça. Um homem, que me havia rejeitado, ficou agora dominado. A senhora Daniel e Winstone foram alcançadas por Cristo.

Domingo, 15 de abril

Na sacristia de Islington, os presbíteros exigiram a minha licença. Escrevi o meu nome; preguei com poder crescente sobre a mulher surpreendida em adultério. Ninguém saiu. Servi o cálice. À noite, fui visitar o conde Zinzendorf com Bray e Hutton. Ele nos recebeu com muita cordialidade; falou-nos de seiscentos mouros convertidos, duzentos groenlandeses e trezentos hotentotes. E disse, em latim: “Saudai em meu nome os irmãos e as irmãs. Peço para eles o Espírito de Cristo.” [N. do T.: no original, esta fala do conde está em latim.]

Vimos as orações dele respondidas na sociedade. Duas pessoas receberam o perdão; muitas se encheram de gemidos inexprimíveis; todos receberam algum dom espiritual. Não conseguíamos nos separar, e continuamos o nosso triunfo até a manhã.

Segunda-feira, 16 de abril

O conde nos visitou em Fetter-lane e respondeu às várias perguntas que lhe propusemos. Hoje vi pela primeira vez a senhorita Raymond e o senhor Rogers, durante o ensino.

Terça-feira, 17 de abril

Tentei em vão conter o senhor Shaw em sua conversa desvairada contra o sacerdócio cristão. Por fim, disse-lhe que me oporia a ele com todas as forças; e que ou ele, ou eu, teríamos de deixar a sociedade.

Ajudei o senhor Stonehouse de novo (como todos os dias desta grande e santa semana) a servir a Ceia. A presença do Senhor esteve muito conosco; e de novo à noite, na palavra exposta.

Quarta-feira, 18 de abril

Encontrei Shaw na casa de James. Ele insistia que não existe sacerdócio, mas que ele mesmo podia batizar e servir o outro sacramento tão bem quanto qualquer um. Na casa da senhora Claggett, encontrei o senhor Rogers e a senhorita Raymond, e orei com fervor por ela.

No meu ensino, adverti-os com firmeza contra o cisma, para o qual as ideias de Shaw necessariamente conduzem. A sociedade toda queria o regresso imediato do meu irmão.

Quinta-feira, 19 de abril

Achei o senhor Stonehouse exatamente correto; adverti a senhora Vaughan (Hunter, meio pervertida) e os Brockmar contra os erros pestilentos de Shaw, e falei com firmeza na Sociedade do Savoy em defesa da Igreja da Inglaterra.

Sexta-feira Santa, 20 de abril

A senhora Acourt foi justificada neste dia, em resposta à nossa oração. Senti vida durante o sermão do senhor Stonehouse. Da igreja, fui à casa para orar. J. Bray me pediu que expusesse o evangelho do dia. Supliquei-lhes, com palavras fortes, que não rasgassem a túnica inconsútil com as suas divisões. O próprio J. Bray, aquela coluna da nossa Igreja, começa a vacilar. À noite, preguei à sociedade em Wapping.

Sábado, 21 de abril

Estive com James na casa do conde, que falou muito contra a pretendida separação dos nossos irmãos. Encontrei Metcalf, totalmente pervertido, um quaker convicto!

Domingo de Páscoa, 22 de abril

Conversei com o conde sobre impulsos, visões e sonhos, e fiquei ainda mais firme na minha aversão a essas coisas.

Quarta-feira, 25 de abril

Comecei a ler Potter sobre o Governo da Igreja, um antídoto oportuno contra o espírito crescente de ilusão. Ouvi G. Whitefield, muito poderoso, em Fetter-lane. Estive com ele e com Howel Harris, um homem segundo o meu coração. George relatou os efeitos desastrosos da doutrina de Shaw em Oxford. Tanto Howel quanto ele insistiram na expulsão de Shaw da sociedade. O pobre Metcalf teve pouco a dizer em favor do seu amigo e mestre.

Sexta-feira, 27 de abril

Ouvi G. Whitefield no cemitério da igreja de Islington. A numerosa congregação não poderia ter ficado mais comovida se estivesse dentro dos muros. Exortei-os em Fetter-lane a permanecerem firmes nos meios de graça.

Sábado, 28 de abril

O senhor Stonehouse ficou muito preocupado por termos entendido mal, como se ele tivesse proibido a pregação de G. Whitefield em sua igreja. Hoje ele voltou a pregar ao ar livre. Depois dele, Bowers se levantou para falar. Implorei-lhe que não o fizesse, mas ele passou por cima de mim e seguiu o seu impulso. Levei muitos comigo. À noite, ensinei na casa de Exall. Uma mulher recebeu a expiação.

Domingo, 29 de abril

Na sacristia de Islington, os presbíteros proibiram a minha pregação e exigiram a minha licença local. Não disse nada além de “Estou ouvindo os senhores”. Scions foi muito ofensivo; mandou-me sacudir o pó dos meus pés, e coisas assim; e disse: “Vocês todos têm o espírito do diabo”, mencionando pelo nome o senhor Whitefield, Stonehouse e eu.

Depois das orações, o senhor Stonehouse me abriu caminho até o púlpito. Eu me dispus a subir, quando um tal Cotteril e um bedel me impediram à força. Lembrei-me de “O servo do Senhor não deve viver contendendo” (2Tm 2.24) e cedi. O senhor Streat pregou. Ajudei na Ceia. Depois preguei em nossa casa e orei fervorosamente pelos opositores. Fui ver o juiz Elliot. Ele havia entrado na sacristia com sir John Gunson e repreendera severamente os presbíteros, que tinham mandado o sacristão ler o cânon, convocar reunião e assim por diante. O senhor Streat aconselhou a pedir ao senhor Stonehouse que me proibisse de pregar dali em diante.

À tarde, Scions ofendeu o próprio Streat na sacristia; ofendeu a nós; admitiu ter dito que “o diabo estava em todos nós”. Rezei as orações; o senhor Scott pregou. À noite, fui grandemente fortalecido para ensinar e orar pelos nossos perseguidores. Todos estavam brandos e pacíficos entre os grupos. Ouvi dizer que George teve mais de dez mil ouvintes.

Segunda-feira, 30 de abril

Preguei na Marshalsea. O senhor Stonehouse nos contou que estivera com o bispo, mas o deixou fechado, calado, azedo, recusando-se a responder a não ser ao caso por escrito. Na casa de James, alegrei-me ao ver Charles Metcalf voltando.

Terça-feira, 1º de maio

Durante o tempo das orações, os presbíteros continuavam montando guarda na escada do púlpito. Não me dispus a abrir caminho à força por entre eles. O senhor Stonehouse pregou um sermão fulminante (a menos que as consciências deles estejam cauterizadas). Fiz anotações dele. Peguei um barco com James para Hastings. Uma pobre prostituta foi abatida pela palavra. Ela, e todos, se derreteram em lágrimas, orações e fortes clamores por ela. Tenho boa esperança de que este tição também será arrancado do fogo.

Quarta-feira, 2 de maio

Ela estava em Fetter-lane, onde ensinei sobre o filho pródigo.

Quinta-feira, 10 de maio

Ensinei em Blendon; muita gente fina de Eltham compareceu.

Sexta-feira, 11 de maio

Orei em Welling com um homem que estava morrendo, cheio de humildade, fé e amor.

Domingo, 13 de maio

Fui capacitado a falar sobre o pródigo, em Bexley.

Segunda-feira, 14 de maio

Na casa de West, minha boca se abriu para expor Romanos 8. A senhorita Raymond estava entre os meus ouvintes.

Terça-feira, 15 de maio

Ela me veio tão fortemente à mente que fui constrangido a orar por ela com lágrimas.

Quarta-feira, 16 de maio

Preguei com poder e liberdade na Marshalsea. Orei junto à senhora Cameron, que se reconheceu convencida. Ela fora deísta, por lhe parecer inacreditável que o Deus Todo-Poderoso condescendesse a morrer por suas criaturas.

Acompanhei G. Whitefield a Blackheath. Ele pregou na chuva a muitos pecadores atentos. Em Fetter-lane, surgiu uma discussão sobre a pregação de leigos. Muitos, sobretudo Bray e Fish, defendiam-na com muito zelo. O senhor Whitefield e eu nos manifestamos contra.

Sábado, 19 de maio

No Common, George pregou sobre “O Espírito Santo virá sobre ti”. À noite, encontrei meu irmão na casa do senhor Hodges.

Domingo, 20 de maio

Recebi a Ceia em St. Paul, com a maior parte da nossa sociedade.

Segunda-feira, 21 de maio

Na casa da senhora Claggett, encontrei a senhorita Raymond, Rogers, J. Cennick, Harris, Whitefield, Piriam, Mason e os Delamotte. O senhor Claggett foi muito amável e me convidou para Broadoaks.

Terça-feira, 22 de maio

A senhorita Raymond me levou em sua carruagem até Islington. Meu amigo Stonehouse ficou encantado em me ver. Cantamos juntos e oramos, como nos meses que passaram.

Quinta-feira, 24 de maio

J. Bray tomou a liberdade de me repreender por eu estar impedindo a ação do Espírito. Não lhe respondi; mas não creio em todo espírito, nem em nenhum, enquanto não o tiver provado pelos frutos e pela palavra escrita.

Encontrei a senhorita Raymond (como quase todos os dias) e me juntei a ela e aos nossos amigos em oração e canto. O senhor Claggett insistiu comigo agora, com a maior importunação, para que eu fosse com ele no dia seguinte.

Sexta-feira, 25 de maio

Ao meio-dia, parti a cavalo; nossas irmãs, na charrete. Às duas do dia seguinte, surpreendemos a senhorita Betty em Broadoaks. Eu estava cheio de oração, pedindo que o Senhor reunisse uma igreja naquele lugar.

Domingo, 27 de maio

O senhor Claggett continuava se opondo à minha pregação. Fui à igreja, onde preguei sobre o novo nascimento. Voltamos cantando. O senhor Claggett, ainda mais violento. Disse-lhe que estava fazendo a obra do diabo. Entre a brincadeira e a seriedade, ele me golpeou; enfureceu-se de ver o povo acorrendo à palavra. Deus me deu palavras para dar a conhecer o mistério do evangelho a umas quatro ou quinhentas almas atentas.

Terça-feira, 29 de maio

Franklyn, um lavrador, convidou-me a pregar em seu campo. Assim fiz, para cerca de quinhentas pessoas, sobre “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus” (Mt 4.17). Voltei para casa cheio de alegria.

Quarta-feira, 30 de maio

Convenci um homem doente da sua incredulidade. Outro, em seu leito de morte, recebeu o perdão e deu bom testemunho. Convidei quase mil pecadores (a casa toda ficou cheia deles à noite) a virem cansados e sobrecarregados a Cristo, em busca de descanso.

Quinta-feira, 31 de maio

Um quaker me enviou um convite insistente para pregar em Thaxted. Tive escrúpulos de pregar na paróquia de outro, enquanto não me fosse negada a igreja. Muitos quakers, e cerca de setecentas outras pessoas, compareceram, enquanto eu proclamava pelos caminhos: “A Escritura encerrou tudo debaixo do pecado” (Gl 3.22).

Sexta-feira, 1º de junho

Meu tema, para mais de mil pecadores atentos, foi: “Ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt 1.21). Muitos mostraram a sua emoção com lágrimas.

Sábado, 2 de junho

Às seis, parti para Londres com a mente tranquila, deixando meus amados amigos nas mãos de Deus. A primeira coisa que ouvi na cidade foi que o meu pobre amigo Stonehouse havia de fato se casado. Serve-me de consolo não ter tido nenhuma parte nisso.

Domingo, 3 de junho

G. Whitefield me aconselhou (e lhe agradeço pelo carinho) a seguir o exemplo do senhor Stonehouse. Ele pregou de manhã em Moorfields e, à noite, em Kennington-Common, a uma multidão incontável.

Segunda-feira, 4 de junho

Caminhei com um jovem quaker até a igreja de Islington. Satanás me atrapalhou, e assim o senhor Scott o batizou. Depois ele me contou: “Enquanto as palavras eram pronunciadas, senti nitidamente o Espírito Santo descer sobre a minha alma; a alegria foi crescendo, cada vez mais alto, até que enfim eu não conseguia falar nem me mover, mas parecia arrebatado ao terceiro céu.”

Tive alguma conversa com a senhora Stonehouse; certamente uma alma cheia de graça e encantadora; depois com ele. Unimo-nos em oração, e fiquei mais reconciliado com o casamento repentino deles. Encontrei Shaw, o sacerdote autonomeado. Ele estava a transbordar de ira soberba e ferocidade. Seu espírito combinava com os seus princípios. Não pude lhe fazer nenhum bem; mas fui mantido calmo e benevolente para com ele, e por isso ele não pôde me fazer nenhum mal. Estive ao lado de G. Whitefield, enquanto ele pregava no morro de Blackheath. Os clamores dos feridos ouviam-se por todos os lados. O que ganhou Satanás em expulsá-lo das igrejas?

Terça-feira, 5 de junho

Estive com ele em Blendon. Bowers e Bray nos seguiram até lá, embriagados pelo espírito de ilusão. George disse com franqueza que eram “dois grandes fanáticos”.

Quarta-feira, 6 de junho

Mais de sessenta pobres passaram a noite no celeiro do senhor Delamotte, cantando e se alegrando. Cantei e orei com eles diante da porta. A exortação de George os deixou todos em lágrimas.

À noite, na sociedade, Shaw defendeu o seu espírito de profecia; acusou-me de amar a preeminência e de tornar os meus discípulos duas vezes mais filhos do diabo do que antes. Fish disse que me considerava entregue a Satanás, e coisas assim. Eles declararam que já não eram membros da Igreja da Inglaterra. Fomos mantidos razoavelmente mansos, e nos separamos às onze horas. Agora estou livre deles. Ao renunciarem à Igreja, eles me desobrigaram.

Quinta-feira, 7 de junho

Muitos dos nossos amigos têm sido perturbados pelos Profetas Franceses e outros que se dizem inspirados. J. Bray é o primeiro a ouvi-los, e muitas vezes se deixa arrastar pelas ilusões deles. Hoje tive a “felicidade” de encontrar em sua casa a famosa profetisa Lavington. Ela estava sentada ao lado de Bowers, com a senhora Sellers do outro lado. O profeta Wise perguntou: “Pode um homem atingir a perfeição aqui?” Respondi: “Não.” A profetisa começou a gemer. Voltei-me e disse: “Se tem algo a falar, fale.” Ela ergueu a voz, como a sacerdotisa sobre a trípode, e gritou com veemência: “Buscai a perfeição! Digo, a perfeição absoluta!” Estive a ponto de repreendê-la; mas Deus me deu incomum domínio e serenidade de espírito, de modo que fiquei quieto e não respondi. Por fim, propus cantar, o que ela permitiu, mas não acompanhou. Bray insistiu para eu ficar e ouvi-la orar. Eles se ajoelharam; eu fiquei de pé. Ela orou de modo pomposo, dirigindo-se a Bray com elogios especiais. Não ousei dizer amém. Concluiu com uma risada horrível e infernal, e tentou disfarçá-la. Mostrou violento desagrado contra o nosso quaker batizado, dizendo que “Deus lhe havia mostrado que destruiria todas as coisas exteriores”.

Sexta e sábado, 8 e 9 de junho

Tomei o depoimento de Anne Graham, M. Biddle e M. Rigby a respeito da vida devassa dela; e adverti os nossos amigos por toda parte contra ela. Uni-me na casa de West a Hutchins e à senhorita Kinchin em oração fervorosa pela promessa do Pai.

Domingo de Pentecostes, 10 de junho de 1739

Li à sociedade o meu relato sobre a profetisa. Todos ficaram chocados, exceto o pobre J. Bray. Ele agora se manifestou e se opôs com firmeza a mim, defendendo aquela Jezabel. Não lhe dei lugar, nem por um instante. Meu temperamento natural foi contido e transformado numa preocupação ardente por ele, que expressei em orações e lágrimas. Todos os demais se derreteram. Beijei-o e lhe testemunhei o meu amor, mas não consegui causar-lhe nenhuma impressão.

Segunda-feira, 11 de junho

Ensinei com grande liberdade de espírito, e experimentei a bênção da oposição.

Terça-feira, 12 de junho

Ouvi mais coisas sobre a minha profetisa, que disse a um irmão que pode ordenar a Cristo que venha a ela na forma que quiser, como pomba, águia, e assim por diante. O diabo lhe devia uma vergonha, trazendo-a de novo à casa de Bray. Wise, seu amante, chegou primeiro; a ele fiz uma pergunta direta: se havia ou não coabitado com ela. Foi forçado a confessar que sim. J. Bray a defendia com veemência quando ela entrou; lançou-se sobre nós como uma tigresa; tentou me encarar de frente; insistiu que era inspirada de modo imediato. Orei. Ela gritou: “O diabo estava em mim! Fui uma tola, uma imbecil, uma guia cega de cegos; cegava os olhos do povo”, e coisas assim. Bradava furiosamente; disse que era o leão que havia nela. (Verdade; mas não o Leão de Judá.) Ela viria à sociedade, quisesse eu ou não; do contrário, todos afundariam.

Perguntei: “Quem está do lado de Deus? Quem prefere os antigos profetas aos novos? Que me sigam.” Eles me seguiram até a sala de pregação. Orei e expus a lição com extraordinário poder. Várias das mulheres deram testemunho da sua conversão por meio do meu ministério. Nosso caro irmão Bowers confessou-se convencido do seu erro. Alegramo-nos e triunfamos no nome do Senhor, nosso Deus.

Quarta-feira, 13 de junho

Meu irmão voltou. Tratamos o caso da profetisa diante da sociedade. Bray e Bowers ficaram muito humilhados. Todos concordaram em desautorizar a profetisa. O irmão Hall propôs a expulsão de Shaw e Wolf. Consentimos, por unanimidade, que os nomes deles fossem apagados do livro da sociedade, por eles mesmos se declararem não mais membros da Igreja da Inglaterra.

Quinta-feira, 14 de junho

Ouvi meu irmão pregar em Blackheath sobre “Cristo, nossa sabedoria, justiça, santificação e redenção” (1Co 1.30). Continuamos na hospedaria Green Man, cantando e nos alegrando. George Whitefield deu uma exortação animada a uns trinta de nós. Dormi com Seward e meu irmão.

Sexta-feira, 15 de junho

Da última vez em que estivera com o senhor Stonehouse e os nossos opositores na sacristia, ele me deixara atônito ao dizer: “Consenti que você não pregue mais.” Pensei comigo: “O que é o homem? E o que é a amizade?”, e nada falei. Hoje, na companhia de meu irmão e dele, mencionei, sem querer, a minha exclusão com o consentimento dele. Ele alegou que o bispo de Londres havia respaldado os seus presbíteros na expulsão violenta que fizeram de mim; mas por fim se derreteu; disse que faria qualquer coisa para reparar a falta; e resolveu que nenhum outro seria excluído por ele, como eu havia sido.

Domingo, 17 de junho

Meu irmão pregou a mais de dez mil pessoas (segundo se calculou) em Moorfields, e a uma congregação ainda maior em Kennington-Common. Eu preguei duas vezes na prisão.

Segunda-feira, 18 de junho

Cantei e orei na casa da senhora Euster, uma alma viva e cheia de graça, mas propensa demais a depender dos seus sentimentos interiores.

Terça-feira, 19 de junho

Estive em Lambeth com o senhor Piers. Sua Graça, o Arcebispo, proibiu-o expressamente de deixar qualquer um de nós pregar em sua igreja, acusando-nos de violar o cânon. Mencionei que o bispo de Londres havia autorizado a minha exclusão à força. Ele não quis me ouvir; disse que não estava discutindo. Perguntou-me que chamado eu tinha. Respondi: “Foi-me confiada uma dispensa do evangelho.” “Isso foi a Paulo; mas não discuto, e não procederei ainda à excomunhão.” “Vossa Graça mesmo me ensinou, em seu livro sobre o Governo da Igreja, que um homem injustamente excomungado não fica por isso cortado da comunhão com Cristo.” “Disso quem julga sou eu.” Perguntei-lhe se o sucesso do senhor Whitefield não era um sinal espiritual e prova suficiente do seu chamado; recomendei o conselho de Gamaliel. Ele nos dispensou: a Piers, com gentis manifestações; a mim, com todas as marcas do seu desagrado.

Nada senti no coração senão paz. Orei e cantei na casa de Bray; mas, algumas horas depois, na casa de West, afundei em grande abatimento e desânimo. Encontrei algum alívio na primeira Escritura que se me apresentou: “Expondo e demonstrando que era necessário que o Cristo padecesse e ressuscitasse dentre os mortos; e que este Jesus que vos anuncio é o Cristo” (At 17.3).

Sexta-feira, 22 de junho

O semeador do joio começa a nos incomodar com disputas sobre a predestinação. Meu irmão foi maravilhosamente reconhecido em Wapping na semana passada, ao afirmar a verdade contrária. Nesta noite, pedi na oração que, se Deus quer que todos os homens sejam salvos, ele nos mostrasse algum sinal de bondade. Três pessoas foram justificadas em resposta imediata àquela oração. Oramos de novo; várias caíram sob o poder de Deus, presente para testemunhar o seu amor universal.

Sábado, 23 de junho

Algumas das pessoas libertadas vieram e me pediram para agradecer a Deus em nome delas. Doze receberam o perdão, ao que parece, na noite passada; outra, nesta mesma hora. Almocei na casa do senhor Stonehouse. Meu conflito interior continuava. Percebi que era o medo do homem; e que, pregando ao ar livre no domingo seguinte, como George Whitefield me pressionava a fazer, eu derrubaria a ponte atrás de mim e me tornaria destemido. Retirei-me e orei pedindo orientação específica; oferecendo meus amigos, minha liberdade, minha vida, por amor de Cristo e do evangelho. Fiquei um pouco menos oprimido; mas não conseguia me tranquilizar de todo, até entregar tudo.

Domingo, 24 de junho

Dia de São João Batista. A primeira Escritura em que pousei os olhos foi: “Então o servo veio a ele e disse: Mestre, que faremos?” Orei com West e saí em nome de Jesus Cristo. Encontrei quase dez mil pecadores desamparados esperando pela palavra, em Moorfields. Convidei-os com as palavras, e também em nome, do meu Mestre: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mt 11.28). O Senhor esteve comigo, comigo mesmo, o mais insignificante dos seus mensageiros, segundo a sua promessa. Em St. Paul, os salmos, as lições e demais leituras do dia me deram vigor renovado. E a Ceia também. Meu fardo se foi, e todas as minhas dúvidas e escrúpulos. Deus iluminou o meu caminho, e conheci que aquela era a sua vontade a meu respeito. Em Newington, o reitor, senhor Motte, pediu-me que pregasse. Meu texto foi: “Todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente” (Rm 3.23). Segui a pé até o Common e clamei a multidões e mais multidões: “Arrependei-vos e crede no evangelho.” O Senhor foi a minha força, a minha boca e a minha sabedoria. Que todos, pois, louvem ao Senhor pela sua bondade!

Fui refrigerado com a sociedade, numa ágape ao modo primitivo.

Sexta-feira, 29 de junho

Em Wycombe, ouvi falar de muita perturbação e pecado, provocados pela pregação de Bowers nas ruas. Cheguei a Oxford no dia seguinte.

Sábado, 30 de junho

Fui ser recebido pelo Deão, que falou com severidade incomum contra a pregação ao ar livre e contra o senhor Whitefield; e reduziu a nada toda a religião interior e a união com Deus.

Que o mundo, e o deus dele, abominam a nossa maneira de agir, tenho prova sensível demais. Durante toda esta semana, o mensageiro de Satanás me tem golpeado com tentação ininterrupta.

Domingo, 1º de julho

Preguei o meu sermão sobre a justificação diante da Universidade, com grande ousadia. Todos estavam muito atentos. Alguém não conseguiu conter as lágrimas. À noite, recebi poder para ensinar; vários estudantes universitários estavam presentes; alguns zombaram.

Segunda-feira, 2 de julho

O senhor Gambold veio. Estivera com o vice-reitor, e fora bem recebido. Visitei o vice-reitor, a pedido dele; dei-lhe um relato completo dos metodistas, que ele aprovou; mas objetou a irregularidade de fazermos o bem em paróquias alheias; acusou o senhor Whitefield de falta de sinceridade e de quebra de promessa; apelou ao Deão e marcou um segundo encontro lá. Todos foram contra o meu sermão, por ser passível de má interpretação.

Terça-feira, 3 de julho

O pobre e desvairado Bowers havia sido detido por pregar em Oxford. Hoje o bedel o trouxe a mim. Falei-lhe com toda a franqueza. Ele nada teve a responder; mas prometeu não fazer mais aquilo; e assim obteve a sua liberdade.

À noite, tive outra conversa com o Deão, que intimou o senhor Whitefield a comparecer. Eu disse: “Senhor Deão, ele estará pronto a responder à sua intimação.” Ele usou toda a sua habilidade para me afastar da pregação ao ar livre, do ensino em casas e do canto de salmos; negou a justificação somente pela fé e toda religião vital; prometeu-me, porém, ler Law e Pascal.

Quarta-feira, 4 de julho

Voltei a Londres.

Domingo, 8 de julho

Cerca de dez mil pessoas, segundo se calculou, ouviram com atenção a palavra pregada em Moorfields: “Chamarás o seu nome Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt 1.21). Muitos pareceram profundamente comovidos. Ao atravessar um campo aberto rumo a Kennington-Common, fui abordado por um homem que me ameaçou por invasão de propriedade. Preguei sobre “Cristo, nossa sabedoria, justiça, santificação e redenção”, para uma congregação duas vezes maior que a da manhã; e o Senhor Todo-Poderoso curvou os corações deles diante dele.

Segunda-feira, 9 de julho

Corrigi os hinos do senhor Cennick para a impressão.

Terça-feira, 10 de julho

Detive Oakley, que estava justamente de partida para a Alemanha, e o convenci a desistir por completo do plano. A senhora H., um tição arrancado do fogo por meio do ministério de meu irmão, contou-me a sua história espantosa, que encheu o meu coração de compaixão e amor.

Sábado, 14 de julho

Muitos foram traspassados nesta noite pela espada do Espírito, que é a palavra de Deus.

Domingo, 15 de julho

Meu tema em Moorfields foi “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo” (2Co 5.19); no Common, “Bem-aventurados os humildes de espírito” (Mt 5.3).

Domingo, 22 de julho

Nunca até agora conheci a força da tentação e a energia do pecado. Quem, consultando a carne e o sangue, cobiçaria grande sucesso? Vivo numa tempestade contínua. Minha alma está sempre na palma da minha mão. O inimigo me golpeia com dureza, para que eu caia; e um inimigo pior que o diabo é o meu próprio coração. [N. do T.: no original, em latim: “Miror aliquem praedicatorem salvari!”, isto é, “Admiro-me de que algum pregador seja salvo!”] Recebi, creio humildemente, um novo perdão na Ceia em St. Paul. Eu teria pregado na prisão de Fleet, mas o carcereiro proibiu. Preguei na Marshalsea.

Segunda-feira, 23 de julho

Conversei em Newgate com cinco malfeitores condenados.

Quarta-feira, 25 de julho

Recebi uma intimação judicial do senhor Goter, por eu ter atravessado o campo dele a caminho de Kennington. Mandei Oakley falar com o advogado, que confessou nem sequer saber por que o seu cliente me processava.

Vi o doutor Doddridge na casa do senhor Burnham, mas não estive muito com ele.

Quinta-feira, 26 de julho

O Senhor aplicou a sua palavra na casa de Bray, de modo que uma pessoa recebeu o perdão sob ela.

Sábado, 4 de agosto

Almocei com meu amigo George Whitefield na casa da senhora Sparrow, em Lewisham. À noite, na casa da senhora Luster, que visito quase todos os dias para o meu próprio bem.

Domingo, 5 de agosto

Nos campos, falei sobre a promessa: “Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador” (Jo 14.16). Meu tema foi o mesmo em Kennington. Nos grupos, uma pessoa testemunhou ter recebido o perdão. Demos graças com ela, a quem o Senhor redimiu.

Terça-feira, 7 de agosto

Preguei arrependimento e fé em Plaistow; à noite, ensinei numa casa particular sobre Lázaro morto e ressuscitado. No dia seguinte, passei com Hodges na casa de Thomas Keen, um quaker brando e sincero; preguei em Marylebone. Satisfeito demais com o meu sucesso, o que atraiu sobre mim os golpes de Satanás. Preguei em Kennington-Common: “Arrependei-vos e crede no evangelho.”

Sexta-feira, 10 de agosto

Dei a George Whitefield algum relato tanto dos meus trabalhos quanto dos meus conflitos:

“Caro George, esqueci de mencionar o fato mais importante em Plaistow, a saber, que um clérigo foi ali convencido do pecado. Ele ficou de pé debaixo do meu púlpito e pareceu, durante todo o meu discurso, sob a mais forte perturbação de espírito. Na volta, ficamos muito encantados com um velho quaker espiritual, que tem clareza sobre a justificação somente pela fé. Em Marylebone, um lacaio foi convencido de mais do que o pecado, e agora aguarda com confiança todo o poder da fé. O amigo Keen parece ter experiência e está certo no fundamento.

“Não posso pregar fora nos dias de semana por causa da despesa da carruagem, nem aceitar a oferta do caro senhor Seward; ao que eu estaria menos relutante, se ele aceitasse o meu conselho. Mas, enquanto ele é tão pródigo com os bens do seu Senhor, não posso consentir que essa ruína pareça, em qualquer grau, ocorrer por minha mão.

“Sou continuamente tentado a parar de pregar e a me esconder como J. Hutchins. Estaria então mais livre da tentação, e com tempo para cuidar do meu próprio progresso. Deus continua a operar por meu intermédio, mas não em mim, pelo que posso perceber. Não conte comigo, meu irmão, na obra que Deus está fazendo; pois não posso esperar que ele empregue por muito tempo alguém que vive ansiando e resmungando para ser dispensado. Alegro-me com o seu sucesso e oro para que aumente mil vezes.”

Hoje levei J. Bray ao senhor Law, que reduziu todos os sentimentos e experiências dele a ataques ou afeições naturais, e o aconselhou a não dar atenção aos seus consolos, que era melhor não ter do que ter. Ele censurou os diários do senhor Whitefield e o seu modo de proceder; disse que tivera grande esperança de que os metodistas fossem, aos poucos, se dispersando em paróquias, fermentando toda a massa. Contei-lhe a minha experiência. “Então”, disse ele, “estou muito abaixo de você (se você está certo), não sou digno de carregar os seus sapatos.” Ele concordou com a nossa noção de fé, mas queria sustentar que todos os homens a possuem; era totalmente contra o ensino por leigos, como a pior coisa possível, tanto para eles mesmos quanto para os outros. Disse-lhe que ele fora o meu preceptor para me levar a Cristo; mas que a razão de eu não ter vindo mais cedo a ele foi eu buscar ser santificado antes de ser justificado. Neguei qualquer expectativa de me tornar alguém importante.

Entre outras coisas, ele disse: “Se eu fosse tão comentado quanto o senhor Whitefield, fugiria e me esconderia por completo.” “O senhor poderia”, respondi, “mas Deus o traria de volta como a Jonas.” Ele nos disse que a alegria no Espírito Santo era a coisa mais perigosa que Deus poderia dar. Repliquei: “Mas não pode Deus guardar os seus próprios dons?” Ele muitas vezes se recusou a aconselhar, “visto que tínhamos o Espírito de Deus”; mas foi cedendo diante de nós, e por fim quase se rendeu de todo.

Domingo, 12 de agosto

Recebi poder, grande poder, para explicar o bom samaritano. Comunguei em St. Paul, como todo domingo. Convenci multidões no Common a partir de “Tais fostes alguns de vós; mas fostes lavados” (1Co 6.11); e, antes de o dia acabar, senti a minha própria pecaminosidade tão grande que desejei nunca ter nascido.

Segunda-feira, 13 de agosto

Escrevi, numa carta a Seward: “Preguei ontem a mais de dez mil ouvintes; e sou tão golpeado, antes e depois, que, se não fosse retido à força, fugiria de todo rosto humano. Se Deus me abrir uma saída para escapar, não me trarão de volta com facilidade. Não gosto de anúncios. Parece tocar trombeta.

“Espero que o nosso irmão Hutchins enfim se apresente, e lance fora o meu manto de reserva, que ele parece ter assumido. Mas então já não fará do senhor Broughton o seu conselheiro.”

Terça-feira, 14 de agosto

Levei Cossart, um morávio, ao senhor Law, e os deixei conversando. A congregação toda em Kennington pareceu movida pelo meu discurso sobre “Ele convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo” (Jo 16.8). Mal consegui me livrar deles. Ouvimos a cada dia de mais e mais pessoas convencidas ou perdoadas.

Quarta-feira, 15 de agosto

Escrevi a George Whitefield: “Não deixe a opinião de Cossart sobre a sua carta ao bispo enfraquecer as suas mãos. Cautela em excesso prejudica. É a fraqueza dos morávios. Amanhã parto para Bristol. Peço a Deus uma boa viagem para todos vocês, e que muitas pobres almas sejam acrescentadas à igreja pelo seu ministério, antes que nos encontremos de novo. Que nos encontraremos de novo, disso tenho certeza; talvez aqui e na América. Faça-se a vontade do Senhor conosco, e por nós, no tempo e na eternidade.”

Passei na casa do nosso irmão Bell, bem no momento em que a esposa dele recebeu a “fé igualmente preciosa”. Todos participamos da alegria dela.

Quinta-feira, 16 de agosto

Cavalguei até Wycombe; e, sendo-me negada a igreja, quis pregar numa casa; mas a pregação de Bowers ali fechou-me a porta, confirmando a aversão natural deles ao evangelho. No dia seguinte chegamos a Oxford, e no outro dia a Evesham.

De tempos em tempos, enviei ao meu irmão e aos amigos relatos do nosso andamento; o seguinte, ao meu irmão:

“Bengeworth e Evesham, 20 de agosto de 1739.

“Caro irmão, deixamos os irmãos em Oxford muito edificados, e dois estudantes universitários, além de C. Graves, totalmente despertados. No sábado à tarde, Deus nos trouxe até aqui. Estando o senhor Seward fora de casa, não fomos admitidos, pois a esposa dele é opositora, tendo se recusado a ver G. Whitefield antes de mim. Às sete, o senhor Seward nos encontrou em nossa hospedaria e nos levou para casa. Ensinei às oito na sala da escola, que comporta duzentas pessoas; e apresentei as promessas de João 16: ‘Enviarei o Consolador’, e o restante.

“No domingo de manhã, preguei do púlpito de George Whitefield, que é o muro: ‘Arrependei-vos e crede no evangelho.’ Como o aviso fora curto, tivemos apenas algumas centenas de pessoas, mas do tipo descrito na lição da manhã: ‘Estes foram mais nobres que os de Tessalônica, pois receberam a palavra com toda a avidez.’ À noite, mostrei a quase duas mil pessoas o seu Salvador no bom samaritano. Muitas, estou convencido, viram-se despidas, feridas e meio mortas, e por isso prontas para o óleo e o vinho. Mais uma vez, Deus me fortaleceu às nove para expor o novo pacto na sala da escola, que estava lotada de pecadores profundamente atentos.”

Segunda-feira, 20 de agosto

Falei a partir de Atos 2.37 a umas duzentas ou trezentas pessoas do mercado e a soldados; todos tão ordeiros e decentes quanto se poderia desejar. Fiquei sabendo que o prefeito havia descido no domingo para nos observar; e, logo depois, um oficial esbofeteou um camponês no rosto, sem provocação alguma. Uma mulher séria suplicou ao pobre homem que não resistisse ao mal, pois o outro só queria provocar tumulto. Ele suportou com paciência vários golpes seguidos, dizendo ao homem que podia bater nele o quanto quisesse.

Dei uma volta com o senhor Seward, cujos olhos aprouve a Deus abrir, para ver que ele quer que todos os homens sejam salvos. A esposa dele, que se recusa a me ver, é miseravelmente fanática ao esquema particular da eleição.

Tivemos a satisfação de encontrar a prima do senhor Seward, Molly, a quem eu havia procurado convencer do pecado em Islington. O Espírito agora a convenceu também da justiça. Hoje ela nos contou que uma jovem que estava ali de visita fora profundamente atingida no domingo à noite, sob a palavra, vendo e sentindo a sua necessidade de um médico; e pediu-me com fervor que orasse por ela. Imediatamente nos unimos em ação de graças e intercessão. Depois do almoço, falei com ela. Desatou a chorar; contou-nos que viera para cá irrefletida e morta em prazeres e pecado, mas plenamente resolvida a nunca ser metodista; que se alarmou primeiro ao nos ver tão felizes e cheios de amor; que fora à sociedade, mas nunca se descobrira a si mesma, até a palavra chegar com poder à sua alma; que a noite toda em seguida passara como em agonia; não conseguia orar; não suportava o nosso canto, nem tinha qualquer descanso no espírito. Recorremos à oração, e Deus atendeu. Ela recebeu o perdão naquele instante e triunfou no nome do Senhor, seu Deus. Ficamos todos no monte pelo resto do dia.

Às seis, expliquei a natureza da fé a partir de “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim, o qual me amou e se entregou por mim” (Gl 2.20). Depois, mostrei-lhes na sala da escola o seu próprio caso no Lázaro morto. Alguns dos que estavam mortos, creio, começam a sair. Várias pessoas sérias das cidades vizinhas voltaram para casa conosco. Continuamos as nossas alegrias até a meia-noite.

Terça-feira, 21 de agosto

Supliquei aos meus ouvintes que se reconciliassem com Deus. Descobri que a senhorita P. fora muito fortalecida pelo ensino da noite anterior, e mal conseguia se conter, exclamando que “ela era aquele Lázaro; e que, se eles viessem a Cristo, ele os ressuscitaria, como fizera com ela”. A noite toda ela cantou no coração; e descobre cada vez mais aquela marca genuína dos discípulos dele: o amor.

Fui persuadido a ficar mais este dia. Deus logo nos mostrou o seu propósito nisso. Nosso canto no jardim atraiu a nós duas mulheres sinceras, que buscavam Cristo com pesar. Depois de lermos as promessas em Isaías, oramos, e elas as receberam cumpridas em si mesmas. Estávamos num monte, que nos lembrava o Tabor, pela alegria com que o nosso Mestre nos encheu. Como poderei ser suficientemente grato por ele me ter trazido até aqui! Enquanto cantávamos, um pobre criado embriagado do senhor Seward foi atingido. Seu senhor lhe dera aviso de demissão na noite anterior; mas agora ele parece efetivamente chamado. Passamos a tarde deliciosamente em Isaías. Às sete, a sociedade se reuniu. Mal conseguia falar por causa do meu resfriado; mas ele foi suspenso enquanto eu mostrava ao homem natural o seu retrato no cego Bartimeu. Muitos estavam prontos a clamar a Jesus por misericórdia. Os três que haviam recebido a vista há pouco foram muito fortalecidos. A senhorita P. declarou a sua cura diante de duzentas testemunhas, muitas delas jovens senhoras elegantes. Elas receberam o testemunho dela, cercaram-na e a pressionaram de todos os lados a visitá-las. Com essa confissão pública, ela conquistou para si grande ousadia na fé.

Quarta-feira, 22 de agosto

Nesta manhã, a obra no pobre Robin mostrou-se ser obra de Deus. As palavras que causaram a primeira impressão foram:

“Tudo é misericórdia, imensa e livre,

pois, ó meu Deus, ela me encontrou!”

Ele agora parece cheio de pesar, alegria, espanto e amor. O próprio mundo confirma que ele pertence a Cristo.

Aqui não posso deixar de observar o espírito estreito dos que defendem a redenção particular. Não tive nenhuma disputa com eles, e ainda assim me têm em abominação. A senhora Seward está irreconciliavelmente irada comigo, “porque ele oferece Cristo a todos”. Suas criadas são do mesmo espírito; e o mestre batista delas insiste em que se deveria arrancar a minha veste sobre as minhas orelhas.

Quando o senhor Seward, na minha presença, exortou uma das criadas a se preocupar com a salvação, ela respondeu que “não adiantava nada; ela não podia fazer nada”. A mesma resposta ele recebeu da filha, de sete anos de idade. Vejam os frutos genuínos desta bendita doutrina!

“Gloucester, 23 de agosto.

“Às dez da noite passada, o Senhor nos trouxe até aqui através de muitos perigos e dificuldades. Ao montar, caí por cima do cavalo e torci a mão. Cavalgando no escuro, machuquei o pé. Perdíamos o caminho sempre que era possível. Tínhamos dois cavalos para três, pois Robin nos fez companhia. Aqui fomos rejeitados na casa de um amigo, por causa da doença da esposa dele. Na noite passada, a voz e as forças me faltaram por completo. Hoje estão em certa medida restauradas. À noite, com dificuldade, entrei na sociedade lotada; preguei a lei e o evangelho a partir de Romanos 3. Receberam com toda a boa vontade. Três clérigos estavam presentes. Alguns, do lado de fora, tentaram provocar tumulto açulando os cães, mas em vão: os cães mudos repreenderam os desordeiros.”

“Gloucester, 25 de agosto.

“Antes de sair pelas ruas e estradas, mandei, conforme o meu costume, pedir emprestada a igreja. O ministro (um dos mais bem-dispostos) mandou de volta uma mensagem cortês, dizendo que teria prazer em beber um copo de vinho comigo, mas não ousava me emprestar o seu púlpito nem por cinquenta guinéus.

“O senhor Whitefield ousou me emprestar o seu campo, o que serviu igualmente bem. Por quase uma hora e meia, Deus me deu voz e forças para exortar cerca de duas mil pessoas a se arrependerem e crerem no evangelho. Voz e forças me faltaram ao mesmo tempo; e não sinto falta delas quando a minha obra está feita. Convidado a Painswick, esperei no Senhor e renovei as forças. Encontramos quase mil pessoas reunidas na rua. Tenho um único tema, sobre o qual falei a partir de 2Co 5.19: ‘Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo.’ Supliquei-lhes com fervor que se reconciliassem, e os rebeldes pareceram inclinados a depor as armas. Um jovem pregador presbiteriano se uniu a nós. Recebi novas forças para expor o bom samaritano numa hospedaria, que estava cheia em cima e embaixo.”

Sábado, 25 de agosto

Mostrei-lhes na rua que a promessa fora feita a eles e aos seus filhos. Alguns estão, creio, a ponto de recebê-la. Três clérigos compareceram. Orei junto a uma jovem, com medo da morte, porque para ela a morte ainda não perdera o aguilhão. Mostrei-lhe que a promessa é para os que estão longe, mesmo antes de a receberem de fato, se ao menos puderem confiar que a receberão. Isso a reanimou muito, e a deixamos esperando com paciência a salvação de Deus.

Às nove, exortei e orei com uma casa cheia de almas sinceras; e me despedi, encomendado por suas orações afetuosas à graça de Deus.

Em Gloucester, recebi um convite de F. Drummond. Almocei com ela e vários amigos, em especial Josiah Martin, um homem espiritual, tanto quanto posso discernir. Meu coração se alargou e se uniu a eles em amor. Fui ao campo às cinco. Uma velha conhecida íntima (a senhora Kirkham) atravessou o meu caminho e me interpelou: “Como, senhor Wesley, é o senhor mesmo que estou vendo? É possível que o senhor, que pode pregar em Christ Church, em St. Mary e em outros lugares, venha aqui atrás de uma turba?” Cortei-a curto com: “A obra que o meu Mestre me dá, não a devo fazer?” e fui até a minha turba, ou (para usar a expressão dos fariseus) este povo que é maldito. Milhares me ouviram com alegria, enquanto eu lhes falava do privilégio do Espírito Santo, o Consolador, e os exortava a virem a ele como pobres pecadores perdidos. Continuei o meu discurso até a noite.

“Randwick, 26 de agosto.

“O ministro daqui me emprestou o seu púlpito. Fiquei junto à janela (que fora retirada) e me voltei para a congregação maior, de mais de duas mil pessoas, no cemitério. Elas pareciam ávidas por ouvir, enquanto eu testemunhava: ‘Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito’ (Jo 3.16). Estes são, creio, mais nobres que os de Evesham.

“Depois do sermão, veio a mim uma mulher que recebera a fé ao ouvir o senhor Whitefield. Ela estava aterrorizada por ter perdido o seu consolo. Expliquei-lhe aquele estado de deserto em que o crente é geralmente conduzido pelo Espírito para ser tentado, tão logo é batizado pelo Espírito Santo. Isso a firmou numa paciente espera pelo retorno daquele a quem a sua alma ama.

“Almoçamos na casa do senhor Ellis, de Ebley. Encontrei o nosso irmão Ellis, que tem a bênção de pais crentes; duas irmãs despertadas; apenas um irmão continua um pródigo entregue à perdição. À tarde, preguei de novo a uma congregação como a de Kennington. A igreja estava cheia até não caber mais gente. Milhares ficaram no cemitério. Foi o espetáculo mais belo que já vi. O povo enchia a área que subia em declive, cercada por três lados por uma imensa colina a pique. No alto e no pé dessa colina havia uma fileira circular de árvores. Nesse anfiteatro eles ficaram, profundamente atentos, enquanto eu os chamava com as palavras de Cristo: ‘Vinde a mim, todos os que estais cansados.’ As lágrimas de muitos testemunhavam que estavam prontos a entrar naquele descanso. Deus me capacitou a erguer a voz como uma trombeta, de modo que todos me ouviram com clareza. Concluí cantando um convite aos pecadores.

“Foi com dificuldade que abrimos caminho por entre esse povo tão amoroso, e voltamos, em meio às suas orações e bênçãos, para Ebley. Ali expus a segunda lição por duas horas, e recebi força e fé para reivindicar a promessa do Pai. Um bom e velho batista insistiu para eu pregar em Stanley, a caminho de Bristol.” E assim,

Segunda-feira, 27 de agosto

Parti às sete. O céu estava encoberto, e o príncipe da potestade do ar nos encharcou até os ossos. Isso, pensei, era presságio de bem. Não pudemos parar para nos secar, pois havia, ao contrário do que esperávamos, cerca de mil pessoas nos aguardando. Preguei sobre uma mesa (por me terem antes negado o púlpito) sobre “Arrependei-vos e crede no evangelho”. Os ouvintes pareceram tão comovidos que marquei um novo encontro com eles à noite. O ministro estava entre os meus ouvintes.

Voltei a cavalo para Ebley, e o irmão Oakley me informou que havia abordado o pobre pródigo e falado ao seu coração. As convicções dele foram intensificadas pelo sermão. Oramos e cantamos alternadamente, até que veio a fé. Deus soprou com o seu vento, e as águas fluíram. Ele feriu a rocha dura, e as águas jorraram; e o pobre pecador, com alegria e espanto, creu que o Filho de Deus o amara e se entregara por ele. Cantai, ó céus, porque o Senhor o fez; exultai, ó profundezas da terra!

Pela manhã, eu havia contado à mãe dele a história da conversão de santo Agostinho. Agora lhe levei a notícia alegre: “Este teu filho estava morto, e reviveu” (Lc 15.24). Ensinei na casa de uma senhora, a caminho de Stanley, mas mal conseguia falar por causa do resfriado. Segui em fé, e preguei debaixo de um grande olmo sobre o filho pródigo, e voltei a Ebley alegre, onde ensinei sobre a mulher samaritana.

Terça-feira, 28 de agosto

À noite, acompanhei meu irmão à sala de pregação, no Horsefair, em Bristol. Um quaker embriagado (Benjamin Rutter) fez grande alvoroço, berrando pela esposa. Alguns dos irmãos mal o salvaram da turba.

Quarta-feira, 29 de agosto

Às seis horas tivemos orações, com uma grande companhia de irmãos e irmãs que aprenderam de Cristo a vir ao templo bem cedo, pela manhã. Nenhum deles ainda pensa que faça parte da sua liberdade cristã abandonar os meios de graça. Passei o dia com meu irmão, visitando vários da sociedade.

Quinta-feira, 30 de agosto

Meu irmão ensinou e se despediu deles. Sua breve ausência lhes custou muitas lágrimas.

Sexta-feira, 31 de agosto

Iniciei o meu ministério em Weaver’s Hall, e comecei a expor Isaías, com muita liberdade e poder. Todos ao redor se derreteram em lágrimas. Assim de novo à uma hora, quando os grupos se reuniram para guardar o jejum da Igreja. Estávamos todos de um só coração e de uma só mente. Fui muito arrebatado ao reivindicar as promessas; esqueci a contradição com que me haviam entristecido o espírito em Londres; caí de imediato na mais estreita intimidade com essas almas encantadoras; e não pude deixar de dizer: “É bom para mim estar aqui.”

Falei aos pobres mineiros de carvão sobre “Os cegos veem, os coxos andam” (Mt 11.5), e coisas assim. Depois comecei o evangelho em Gloucester-lane, e preguei com poder sobre “Chamarás o seu nome Jesus, porque…”. Voltei para a casa do senhor Grevil mais forte de corpo do que quando havia me levantado.

Sábado, 1º de setembro

Às cinco, preguei pela primeira vez no Bowling Green, no coração da cidade, e chamei todos os cansados e sobrecarregados a Cristo. Ninguém tentou ir embora, embora chovesse forte. O poder do Senhor estava no meio, o que forçou uma mulher a gritar com veemência. Comecei a Epístola aos Romanos em Weaver’s Hall. Os ouvintes ficaram profundamente comovidos.

Domingo, 2 de setembro

Supunha-se haver mais de quatro mil pessoas no Bowling Green. Meu tema foi: “A vós outros e a vossos filhos é feita a promessa” (At 2.39). Muitos experimentaram o grande poder da verdade. Recebi a Ceia em St. Nicholas; almocei na casa de M. N., cheio de fé e amor. Orei junto ao senhor Coulston, desejoso de estar com Cristo.

Preguei em Rose Green a quase cinco mil almas, sobre “Deus amou o mundo de tal maneira”. Ouviram-me com paciência, e alguns com alegria. Estava completamente esgotado quando cheguei a Weaver’s Hall. Os zombadores me deram novo alento. Por duas horas preguei a lei; e depois estava renovado para a ágape. Só conseguimos nos separar depois das onze.

Segunda-feira, 3 de setembro

Tive uma conversa com um cavalheiro que se ofendera com os gritos. Meu sermão sobre o Espírito Santo fora abençoado para a convicção dele, despindo-o do seu cristianismo exterior. Encontrei Weaver’s Hall tão cheio quanto podia comportar, e prossegui em Isaías. Almocei com o cavalheiro acima mencionado e falei ampla e fortemente das coisas do reino. Depois li a ele o meu próprio caso. Ele depôs as armas, confessou que ainda nada sabia como deveria saber, e agora busca aquela fé que é dom de Deus.

Preguei no pátio das olarias, a mais de cinco mil pessoas, a partir de 1Co 6.9. Admirei-me de que aceitassem com tanta paciência quando lhes mostrei que eram todos adúlteros, ladrões, idólatras, e assim por diante. Depois expus João 1 em Gloucester-lane, com demonstração do Espírito. Passei uma hora deliciosa em oração com um grupo; e todos nos derretemos na consciência da nossa profunda pobreza.

Terça-feira, 4 de setembro

Conversei com a pobre e desesperada Lucrécia. Nunca encontrei maior fé ao reivindicar as promessas por alguém; e ainda assim não houve resposta, o que me convence de que é bom até para os mais escolhidos dos filhos de Deus receber (e por muito tempo) a sentença de morte em si mesmos. Não encontrei tal profundidade de angústia nem mesmo em Hetty Delamotte.

Às quatro, preguei em frente à escola, em Kingswood, a alguns milhares (mineiros de carvão, na maior parte), e apresentei as promessas de Isaías 35: “O deserto e o lugar solitário se alegrarão; o ermo exultará e florescerá como a rosa.” Triunfei na misericórdia de Deus para com esses pobres marginalizados (pois ele chamou povo aos que não eram povo), e no cumprimento daquela Escritura: “Então, se abrirão os olhos dos cegos, e se desimpedirão os ouvidos dos surdos; os coxos saltarão como cervos, e a língua dos mudos cantará; porque águas arrebentarão no deserto, e ribeiros, no ermo.” Ó, com que alegria os pobres recebem o evangelho! Mal sabíamos como nos despedir.

Bem quando comecei em Weaver’s Hall, o diabo ergueu a voz em Benjamin Rutter. Aproveitei a ocasião para convencer os ouvintes do pecado, do próprio pecado daquele pobre réprobo. O capítulo exposto foi Romanos 2. Que toda a glória seja de Deus por eu ter falado de modo convincente.

Quarta-feira, 5 de setembro

Fiquei muito desanimado ao descobrir mais desregramentos na conduta de alguns, que deram ao adversário ocasião para blasfemar, com suas farras e bebedeiras. Sou uma criatura fraca nessas ocasiões, logo abatido, como no caso de Shaw e da profetisa. Ainda assim, fui falar com eles. Deus me encheu de tal amor pelas almas deles como eu nunca havia conhecido antes. Eles não puderam resistir a isso. Uni-me a Oakley e Cennick em oração por eles. M. tremia muito. Os outros nos deram grande motivo para esperar a sua recuperação. O mesmo poder continuou comigo na sociedade das mulheres, que repreendi, em amor e simplicidade, pela leviandade, pela vaidade no vestir, pela indulgência consigo mesmas. Depois exortei os homens à abnegação e ao uso constante dos meios, como meios. Deus alargou grandemente os nossos corações na oração.

Quinta-feira, 6 de setembro

Tive à mesa, no café da manhã, o meu cavalheiro (agora uma criancinha), e o surpreendi muito com as promessas de Isaías. Almocei na casa de M. Ayres, “adoecida” de desejo, se não de “amor”. Cavalguei com Deshamps até Publow, onde preguei sobre “Deus amou o mundo de tal maneira”. À noite, falei com grande ousadia sobre o meu tema favorito, a justificação somente pela fé; e triunfei na força irresistível daquela verdade eterna.

Sexta-feira, 7 de setembro

Em Weaver’s Hall, expus Isaías 3, em que o profeta condena igualmente os libertinos notórios, os homens de mente mundana e as senhoras bem-vestidas. Deus esteve conosco na reunião para guardar o jejum. Fui visitar uma mulher em sua última agonia, mas plenamente consciente da sua condição terrível; preguei-lhe Cristo e orei em fé. Ela mostrou todos os sinais imagináveis de desejo ardente; e morreu dentro de uma hora. Que consolo é eu poder agora ter esperança por ela, tantas vezes que já contestei a possibilidade de um arrependimento no leito de morte!

A casa e o quintal de S. England estavam lotados, como de costume. A Escritura sobre a qual falei foi João 1. Deus esteve com a minha boca. Preguei e orei crendo. Fui levado a pedir um sinal do amor universal de Deus. Ele sempre responde a essa oração. Um pobre homem ignorante levantou-se, como testemunha de Deus, de que em Cristo tinha a redenção pelo sangue dele, a saber, a remissão dos pecados; que sabia e sentia isso por um tal amor a toda alma humana que mal conseguia suportar. Ele falou com uma simplicidade que era irresistível. Todos confessamos que Deus estava verdadeiramente com ele. Nossas orações foram atendidas também quanto a M. Ayres, o que ela testemunhou diante de todos nós.

Sábado, 8 de setembro

Duas mulheres vieram a mim; haviam recebido a expiação na noite anterior, enquanto o homem falava, e estavam cheias de um amor desconhecido por toda a humanidade. Guardamos o dia de ação de graças na casa de M. England, e sentimos o proveito das orações e louvores em comum. No Bowling Green, pedi a Deus que me dirigisse sobre o que pregar, e abri na visão de Ezequiel sobre os ossos secos: “Profetizei como me fora ordenado; e, enquanto eu profetizava, houve um ruído e, eis que, um movimento!” O sopro de Deus acompanhou a sua palavra. Um homem desabou sob ela. Uma mulher gritou por misericórdia, a ponto de abafar a minha voz. Nunca vi tamanho poder entre nós. Ao voltar para casa, encontrei M. Skinner, que me disse ter encontrado Cristo no ensino da última segunda-feira, e voltado para casa cheia de alegria e amor comovidos.

Na sala, preguei a partir de Romanos 4. Deus confirmou a sua palavra. Uma mulher testemunhou que então recebera o Espírito que testifica; estava certa de que os seus pecados haviam sido perdoados; cheia de amor e alegria no Espírito Santo; sabia que Cristo era dela, e podia, como disse, voar para o céu. Outra declarou que nunca conseguira aplicar a si as promessas, até a noite anterior, mas então recebeu o poder; sabia que Cristo morrera por ela; disse que se esforçara por muitos anos para se justificar, e nos advertiu com fervor a não fazermos como ela havia feito: a não misturarmos as nossas próprias obras com o sangue de Cristo.

Domingo, 9 de setembro

No Bowling Green, preguei sobre “Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado e da justiça” (Jo 16.8). O gramado estava totalmente cheio. Nunca falei de modo mais penetrante. Eu quis passar ao segundo ofício do Espírito, o convencimento da justiça, mas fui trazido de volta uma e outra vez, e constrangido a me deter na lei. Cada vez que eu voltava a ela, alguns fariseus abandonavam o campo, sentindo o corte da espada de dois gumes.

Duas mil pessoas em Rose Green ficaram pacientes na chuva, enquanto eu explicava como o Espírito convence da justiça e do juízo. Depois do sermão, um pobre mineiro de carvão me deu motivo de alegria (a esposa dele recebera a expiação alguns dias antes). Ele já havia estado comigo; reconheceu que fora o sujeito mais perverso do mundo um mês atrás, mas que agora não encontrava descanso na carne por causa do pecado. Notando-o muito abatido no dia anterior, na ação de graças, perguntei se estava doente. “Não, não”, respondeu ele; “a minha doença é da alma.” Aqui ele me contou que voltara para casa com tamanho peso sobre si que estava a ponto de afundar. Isso durou a noite toda; mas a alegria e a libertação vieram pela manhã. Ele foi aliviado do seu fardo, e agora declarava crer em Jesus. A sala estava excessivamente cheia. Falei aos seus corações a partir de Romanos 5. Dois que haviam zombado pediram as nossas orações por eles. Por umas duas ou três horas, Deus me fortaleceu para a sua obra.

Segunda-feira, 10 de setembro

No Hall, enquanto eu expunha Isaías 4, um homem percebeu a sua imundície purificada pelo Espírito do juízo e do fogo. Sarah Norton, uma presbiteriana, seguiu-me até casa sob fortes convicções. Oramos e trememos diante da face de Deus. Ela não está longe do reino dos céus. Duas almas simples, Mary Fry e Jane Clansy, informaram-me agora que Deus…

Tradução em linguagem de hoje, com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello.
Texto original em domínio público: The Journal of the Rev. Charles Wesley (ed. Thomas Jackson, Londres, 1849).