… e pensei comigo: “Ah, meu irmão! Você pôs o lobo para guardar as ovelhas.”
Dirigi-me a uma multidão de pecadores no Foundery com estas palavras: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo 1.29). Muitos se desfizeram em lágrimas; mas essas lágrimas, observou nosso irmão Simpson, eram sinal de que não estavam de fato tocados.
Depois da pregação, James Hutton veio me buscar para ir ver Molther, na casa de J. Bray. Preferi jejuar a comer, e orar na casa de Deus a discutir na casa de outro. À tarde, fui com Maxfield visitar Molther. Ele não se abriu muito; falou apenas, de modo geral, contra o correr atrás das ordenanças. Separamo-nos como nos encontramos, sem oração nem cânticos. O tempo desses pobres exercícios já passou. O irmão Maxfield escandalizou-se com a futilidade deles, o que é perfeitamente compatível com a “quietude”, embora a exortação cristã não o seja. [N. do T.: “quietude” (stillness) era a doutrina, defendida por alguns morávios de Londres, de que a pessoa deve manter-se “quieta” e abster-se dos meios de graça (a Ceia, a oração, a leitura da Escritura) até receber a fé plena. Essa controvérsia domina todo este capítulo. Ao longo do texto, “irmãos quietistas” traduz still brethren.]
Às seis, li vários bilhetes de ação de graças por consolações recebidas sob a Palavra pela manhã. Nosso Senhor esteve poderosamente comigo enquanto eu descrevia os seus sofrimentos (Is 53).
Passei uma hora com Charles Delamotte. Os filisteus caíram sobre ele e prevaleceram. Ele abandonou as ordenanças, quanto a serem elas um dever; só que a sua prática ainda vai um pouco atrás da sua convicção: ele ainda as usa.
Ele não quis que eu as defendesse. “São meras coisas exteriores. Nossos irmãos já as deixaram. Só causaria divisões trazê-las de volta. Deixe que caiam, e fale antes das questões mais graves da lei.” Respondi que eu queria ouvir da própria boca daqueles que falam contra as ordenanças; primeiro reunir todas as provas, e então falar sem poupar ninguém.
Tomei o café da manhã com minha mãe, com quem já tentaram argumentar, mas em vão. O bispo Beveridge abandonaria as ordenanças tão facilmente quanto ela. Perturbei o Sr. Stonehouse antes da hora: eram apenas oito da manhã; mesmo assim, ele se levantou e veio até mim. “Se és tu mesmo! Mas, ah, como estás mudado! Como caíste!” Agora o ensinaram a ensinar que não há graus de fé; que não há perdão nem fé onde reste qualquer incredulidade, qualquer dúvida, temor ou tristeza. Ele próprio nunca foi justificado; e vai deixar a sua paróquia e mudar-se, isso mesmo, para a Alemanha! Já relatei a história da esposa dele, ao falar dele.
Das onze à uma, dedico-me às conversas particulares. O primeiro a chegar foi Stephen Dupee, um soldado, que me contou ter recebido o perdão nesta semana ao ouvir a Palavra, e que daria a vida pela verdade disso. Mas, como a fé não lhe veio por ouvir os morávios, presumo que, na primeira tentação, eles o remeterão de volta à prisão de Satanás, e não lhe permitirão ter fé enquanto ele não subscrever a fé deles.
Margaret Austin me contou que ansiara pela minha vinda como uma criança pelo peito. “Fui justificada”, disse ela, “na primeira sexta-feira em que você esteve em Wapping, junto com muitos outros; vi o meu Salvador trazendo-me um perdão escrito no seu sangue. Mas, ao me dizerem que eu não tinha fé se tivesse qualquer dúvida, fui de novo lançada nas trevas. Desde então tenho vivido em agonia; mas ontem à noite o meu Salvador voltou. Recebi as suas palavras como se saíssem da boca dele; e, com os olhos da fé, tornei a ver o meu perdão, escrito no seu sangue.”
Caminhei com o irmão Maxfield, orando e louvando a Deus. Ele nos deu a doce confiança de que não nos deixaria sozinhos, mas por meio de nós, coisas fracas, confundiria as fortes.
A irmã Jackson passou por aqui e muito fortaleceu as minhas mãos. A maioria das mulheres renunciou às ordenanças. Nossa irmã Munsy deixou a Sociedade deles pelo modo como trataram os seus ministros.
Vejo que uma separação é inevitável. Empregaram todos os meios para afastar de nós o apreço dos nossos amigos. Deus nunca nos usou, dizem eles, como instrumentos para converter uma só alma. Ora, acabo de receber um nobre testemunho de W. Seward em contrário. Mas ele e George Whitefield são tidos por eles como réprobos e incrédulos. Numa carta que agora recebi, George escreve: “Lembre-se do que Lutero diz: ‘Antes o céu e a terra se juntem do que pereça um til da verdade.'”
Preguei na Sociedade de Bowers. Muitos dos quietistas estavam ali, à espera do meu tropeço. Por enquanto, luto na névoa; e acho mais seguro não conversar com aqueles dos nossos irmãos desencaminhados e desencaminhadores que eu mais amo, em especial o Sr. Stonehouse e as Srtas. Claggett.
No Foundery, preguei com força a Cristo e o poder da sua ressurreição, a partir de Filipenses 3.9-10. Minha intenção era não tocar numa só palavra dos pontos em disputa, até ter conversado com cada um dos sedutores. Mas Deus dispôs melhor as coisas; e me conduziu, não sei como, ao próprio centro da batalha e do combate. Minha boca se abriu para perguntar: “Quem os enfeitiçou, a ponto de largarem o seu Salvador? A ponto de lançarem fora o seu escudo e a sua confiança, e negarem que um dia o conheceram?” Falei mais coisas nesse sentido; e então irrompeu uma tristeza geral. Toda a congregação estava em lágrimas. Chamei-os de volta ao seu Salvador, o Salvador deles, em palavras que não eram minhas; insisti na obediência às ordenanças divinas; e roguei ao meu Senhor que retivesse a sua mão e não apusesse o seu selo, a menos que eu falasse como os oráculos de Deus.
Depois da pregação, ele me enviou uma testemunha da verdade que eu havia anunciado. Uma irmã, por muito tempo em trevas por causa de disputas duvidosas, veio declarar que Cristo lhe aparecera de novo e gravara o perdão no seu coração. Meu coração, naquele momento, era como o dela. O irmão Maxfield estava no pleno triunfo da fé.
Almocei na casa dos Hiland, mancando entre dois lados. Bell, Simpson e outros, quando o sino tocou para o culto na igreja, disseram: “É bom estarmos aqui.” “Pois bem”, respondi, “eu mesmo vou, e deixo vocês à sua liberdade anticristã.” Diante disso, levantaram-se de um salto e me acompanharam.
Um deles disse a um pobre homem, na minha presença: “Aquele consolo que você recebeu na Ceia foi o diabo quem lhe deu.” Eu, com menos blasfêmia, teria chamado aquilo de atração do Pai, ou graça preveniente.
À noite, o Foundery estava cheio, por dentro e por fora. Mostrei-lhes o seu estado natural e o caminho para sair dele, no exemplo do cego Bartimeu, que estava sentado à beira do caminho, mendigando. Eu não teria podido falar assim das ordenanças, se Deus não as tivesse instituído. Cada palavra levava a própria evidência aos corações deles.
Fui com Maxfield até a casa de Bowers, onde as bandas deviam se reunir; mas a porta foi trancada contra nós. Levei as poucas irmãs para a casa de J. Bray. Outros se juntaram a nós em oração e louvor. Deus abençoou as minhas palavras e alargou os nossos corações no amor de uns pelos outros. As pobres ovelhas dispersas reconheceram a minha voz. Ao estranho, elas não seguem.
J. Bray veio com Edmunds, chamou-me à parte e pediu que o irmão Maxfield fosse posto para fora. Submeti a questão às irmãs, e todas quiseram que ele ficasse. Então, sem perder uma hora em cena muda, dei início a um hino e orei segundo Deus. Por uma hora falei livremente, sem que ninguém me proibisse; declarei o meu amor por eles, o meu desinteresse, o meu êxito; contei-lhes o que Deus fizera pela minha alma, e por outras almas por meu intermédio; gloriei-me na cruz de Cristo; lamentei que tivessem sido tão perturbados; exortei-os a reter aquilo que já haviam alcançado, e a jamais abandonar as santas ordenanças; a evitar todo raciocínio e disputa acerca da fé; e a prosseguir rumo à perfeição.
Deus me capacitou a dizer muitas coisas diretas a respeito dos que os perturbavam e queriam nos excluir, para que estes se sentissem tocados; e, ainda assim, tudo em espírito de mansidão.
Perguntei a Bray se ele negava que as ordenanças fossem mandamentos. Ele respondeu de modo indireto: “Reconheço que são grandes privilégios.” (Edmunds confessou com mais honestidade que as havia rejeitado.) Perguntei se ele não negara que George Whitefield tivesse fé. A essa pergunta ele respondeu pedindo para ser dispensado de respondê-la. Depois, pronunciou terríveis ais contra as mulheres, por terem consentido na presença de Maxfield, contra a regra estabelecida. Elas responderam que tal regra lhes fora imposta quando não havia nenhum ministro presente, e que foram ameaçadas de expulsão caso não a aceitassem. Lembrei o irmão Bray do respeito que ele nutria pela “profetisa” Lavington, para mostrar-lhe que ele não era infalível.
Vimos claramente que a sua “quietude” ficara abalada: ele o mostrou ao ameaçar renunciar a todo cuidado das bandas, enquanto não recusassem a entrada de Maxfield. Disse-lhe que eu não via que bem ele lhes tivesse feito desde que deixamos Londres; perguntei se ele podia nos acusar de pregar outro evangelho; disse que preferia Molther a mim mesmo, mas declarei que eu não lhe cederia por sujeição, não, nem por uma hora; e que a quem quer que rejeitasse as ordenanças, eu rejeitaria, ainda que fosse o meu próprio irmão. Concluímos a nossa conversa com ação de graças.
Lá embaixo, J. Bray me perguntou se eu iria à minha banda na segunda-feira. Respondi: “Não.” Ele, com modéstia, replicou: “Então você será expulso.”
Bradei a mais de cinco mil pessoas em Kennington-Common: “Ah! Todos vós que tendes sede, vinde às águas” (Is 55.1). O amor que este povo me dedica precisa do contrapeso do desprezo dos nossos irmãos mais fortes.
Meus companheiros na carruagem tinham sido quakers, mas os deixaram por causa da mundanidade deles, e se apegaram a nós. Começam a se sentir pecadores.
Fui em socorro do irmão Maxfield, que estava travado numa disputa com Bell, mas era mais que páreo para ele, e muito mais sábio nas coisas de Deus do que o seu próprio mestre. Bell graciosamente admite que ele é filho de Deus, ainda que nunca tenha sido lançado na confusão pelos irmãos quietistas.
Encontrei-me com Simpson e Oxley no Foundery. O primeiro me disse sem rodeios que, se eu recomendasse as ordenanças, ele teria de pregar contra mim. Declarei a minha resolução de nunca abandoná-las, como ele e os nossos pobres irmãos iludidos haviam feito. Ele experimentou em Maxfield todas as suas perguntas morávias, mas foi como bater numa pedra.
Preguei sobre Marcos 2.10: “O Filho do Homem tem autoridade na terra para perdoar pecados.” Anne Young, uma das que haviam sido lançadas na confusão, testemunhou esse poder, tendo agora recebido o testemunho dentro de si. Vários outros saem das trevas diariamente e recuperam a sua consolação.
Muitos pobres pecadores vieram falar comigo hoje a respeito das suas almas. Duas horas é bem pouco para esse trabalho.
À uma, as bandas de mulheres se reuniram por convocação minha. Comecei orando, e todos ficamos dominados. Falei longamente sobre elas terem sido levadas ao deserto; sobre a sua loucura e ingratidão em abrir mão não só dos ministros dele, mas do próprio Salvador. Meu amor e a minha tristeza percorreram a todas. Disse-lhes que o abandono das ordenanças bastava para explicar por que estavam sendo abandonadas por Cristo; adverti-as contra a disputa; contra tomar o meu partido, ou dizer “eu sou de Paulo, e eu de Apolo”; contra o duplo extremo de descansar nos meios ou de os desprezar; mas, acima de tudo, contra parar aquém da gloriosa imagem de Deus.
Jane Jackson e outras testemunharam o que Deus fizera por suas almas, por meio do nosso ministério. Se Cristo não está conosco, quem nos gerou essas pessoas? O seu poder nos cobriu naquele momento; por isso o nosso coração dançou de alegria, e no nosso canto o louvamos.
Tomei chá na casa do Sr. Hawthorn, que, com a esposa e as irmãs, parece não estar longe do Reino de Deus. Falei do amor de Cristo crucificado às meninas da escola e as desfiz em lágrimas. Como as crianças receberiam facilmente o seu Salvador, se ele lhes fosse apresentado!
Preguei no Common a seis mil pessoas pobres, aleijadas, coxas e cegas. Glória Àquele que está sempre com os seus mensageiros!
Na casa do Sr. Crouch, abri o livro em Filipenses 1.25: “E, convencido disto, sei que ficarei e permanecerei com todos vocês, para o seu progresso e alegria da fé”, etc. Relatei um pouco sobre os nossos mineiros e orei para que o espírito deles estivesse conosco. E de fato esteve. Uma pessoa recebeu o testemunho no coração; todos, algum dom espiritual.
Comecei a expor Isaías. À uma, encontrei-me com as mulheres; orei com fé para que algumas recebessem um segundo dom. A irmã Hinsom recuperou a visão do seu Salvador. Assim também a irmã Barber. Ele estava conosco, de verdade. Como o homem nega em vão, quando Deus confirma!
Almocei na casa do Sr. Dawson, alma sincera, cuja esposa ainda estava desperta. Quando íamos saindo, entraram duas senhoras. Uma buscava a Cristo. Oramos, e tivemos livre acesso. Oramos de novo, e lutamos por uma resposta. A obra avançava visivelmente na alma dela. Ela tremia intensamente. O Espírito clamava e gemia no seu coração. Os suspiros dela abalavam a minha alma, até que veio a libertação. As nuvens se dissiparam cada vez mais. Suas dúvidas e temores desapareceram; e por fim ela reivindicou com confiança a Jesus como seu Salvador.
Nunca vi uma alma erguer-se tão docemente à certeza da fé. Na nossa ação de graças, ela triunfou, cheia do espírito de amor e súplica. Emprestei palavras à fé dela. A Sra. Dawson tremia; o marido chorava; eu estava cheio de confiança; o irmão Maxfield quase saía do corpo.
Isso foi para nos preparar para Fetter-lane, aonde levei o irmão Maxfield. Eu estava numa disposição serena, aberta e amorosa. Os irmãos não conseguiram se conter por muito tempo. Hutton começou fazendo objeção à presença de Maxfield na festa de amor das mulheres. Falei do modo mais conciliador que pude (mas o forte não suporta o fraco); pedi as orações deles, para que aquilo que eu não sabia, o Senhor me mostrasse.
James recebeu Maxfield dizendo-lhe: “Se algum dia você falar com qualquer das mulheres como costumava fazer em Bristol, não poderá vir mais aqui.” Maxfield era a única pessoa “quietista” entre nós. O velho homem se levantou dentro de mim; mas o meu Senhor me manteve dentro dos limites.
Em seguida, Simpson tomou para si a tarefa de me repreender por eu falar de mim mesmo ao pregar e por mostrar tamanho ardor, que, segundo ele, era tudo mero entusiasmo carnal. Cortei-o de imediato, dizendo que eu não iria perguntar a ele, nem a nenhum dos irmãos, como um embaixador de Cristo deve falar.
Os fortes estavam agora transbordando de disputa. Eu ia relatar o meu êxito em Bristol, mas eles não me permitiram. Depois de muito me contrariarem, disse-lhes que não mereciam um verdadeiro ministro de Cristo. James começou a me dizer boas palavras; mas Simpson estragou tudo de novo, acusando-me de “exaltar as ordenanças na pregação”. Cheguei em casa cansado, ferido, machucado e desfalecido, por causa da oposição dos pecadores; pobres pecadores, como eles próprios se chamam, esses obstinados, violentos e ferozes defensores da “quietude”. Eu não suportava a ideia de tornar a encontrá-los.
Terminei Isaías 1 no Foundery, o que me levou a falar de modo explícito sobre as ordenanças. Deus me deu grande poder, ou, como preferem dizer os nossos irmãos, “entusiasmo carnal”, selando as minhas palavras em muitos corações.
O da Sra. Seaton, em especial. O martelo havia quebrado a rocha. De tanto eu “a ter edificado nas ordenanças”, como eles dizem, ela viu-se pecadora condenada, uma fariseia, uma hipócrita, que a vida toda confiara numa aparência de piedade, sem conhecer o poder. Agora ela sentia os pecados do coração, e que era capaz de toda sorte de maldade.
Orei ao lado de uma alma fiel a quem Simpson tinha maltratado; mas ela não quis largar de todo o seu Salvador. Ficou grandemente firmada; e a Sra. Seaton, também, foi plenamente posta em liberdade e se alegrou, crendo de todo o coração.
Simpson e os demais os dissuadiram, e de fato a todos os nossos amigos, de jamais ouvir a mim ou a meu irmão, ou de usar qualquer dos meios. Condenam todo fazer o bem, seja à alma, seja ao corpo. “Pois, a menos que você confie neles”, dizem eles, “não faria as tais boas obras.”
Ontem Simpson declarou: “Nenhuma alma pode ser lavada no sangue de Cristo, a não ser que primeiro seja levada a um verdadeiro crente, ou a alguém em quem Cristo esteja plenamente formado. Mas só existem dois ministros assim em Londres, que são Molther e Bell.” Se isso não é chamar um homem de “Rabi”, o que será? Ou pior: é fazer que a excelência do poder seja do homem, e não de Deus; é roubar a Cristo a sua glória, tornando a criatura necessária a ele na obra que só a ele pertence, a da salvação. Antes pereçam Molther, Bell e toda a humanidade, e afundem no nada, para que Cristo seja tudo em todos.
Fico maravilhado com a bondade divina. Quão oportunamente ela nos trouxe até aqui, e nos guiou desde então! O adversário rugiu no meio da congregação e ergueu as suas bandeiras como sinais. Um novo mandamento, chamado “quietude”, revogou todos os mandamentos de Deus, dando plena licença à natureza preguiçosa e corrompida. Os quietistas se enfurecem sem medida contra mim; pois meu irmão, dizem eles, consentira que derrubassem as ordenanças, e agora venho eu e as reconstruo.
Deus me levou a declarar-me antes do tempo que eu pretendia, o que cortou toda a retórica sedutora deles. Ah, que livramento foi esse! Pois enganariam até os próprios eleitos. Satanás transformou-se em anjo de luz. Que estrago não teriam feito esses “cães do inferno”, se o nosso Senhor não se tivesse levantado para defender a sua própria causa! Mas, glória a ele, quando o inimigo veio como uma inundação, então o Espírito do Senhor ergueu contra ele uma bandeira.
Reuni-me com as irmãs que não abandonaram as ordenanças. Nosso Senhor reparte o despojo com os poderosos; e não duvido de que um pequeno virá a ser mil. Uma ou outra pessoa recupera continuamente a sua consolação.
Recebi a seguinte carta daquele com quem almoçamos ontem:
“Ah, louvem ao Senhor comigo, e juntos exaltemos o seu nome! Reverendo senhor, não posso deixar de lhe contar como Deus, misericordiosamente, ouviu as suas orações por mim. Depois que o senhor me deixou, fiquei profundamente abatido, e passei a noite toda em pranto, como já fazia havia meses; minhas orações raramente iam além de suspiros e gemidos. Ao acordar, ofereci os meus primeiros pensamentos, e logo fui respondido com um poder consolador para dizer: ‘Eu sei que o meu Redentor vive.’ Minha pesada carga se dissipou. Bendita seja a sua eterna bondade! Agora posso louvá-lo com lábios alegres. Ah, ore por mim, meu querido pastor; pois ao senhor e a seu irmão devo mais do que jamais poderei pagar. Mas o meu Senhor pagará por mim; e, agora que sei que ele quitou todas as minhas dívidas lá do alto, não se esquecerá destas aqui de baixo. Do seu jovem filho em Cristo,
Robert Dawson.”
Às seis, comecei o Evangelho de João. A verdadeira Luz brilhou na nossa escuridão. Vários viram a sua glória; alguns o testemunharam na Sociedade; e mais ainda nos seus bilhetes de ação de graças. Orei com confiança. Bell estava presente. Deus chamou as suas testemunhas. Quatro fizeram confissão da fé então concedida, ou restaurada. Levei Bell a cada uma delas. Ele nada teve a objetar ao testemunho forte e pleno delas. Duas declararam que já haviam antes se apoderado de Cristo; mas, ao abandonarem as ordenanças dele, ele as abandonara. Adverti a todas, a partir disso, a não confiarem nas ordenanças, para que Deus, em juízo, não permitisse que as lançassem fora; falei com firmeza e brandura sobre os que haviam desviado o coxo do caminho; orei pelo retorno deles, e pelo crescimento deste pequeno rebanho. O próprio Deus não conseguiria convencer quem não se deixa convencer; não, nem que desnudasse o seu braço diante de nós. “Cristo me ordena dizer”, falou Bell, se quiséssemos crer nele, “que as ordenanças não são mandamentos.” Proibi toda disputa, dizendo-lhe que a coisa ficaria assim: ele diz que não são mandamentos, eu digo que são; que a Palavra de Deus decida. Em Fetter-lane, ninguém ousava falar a favor delas; aqui, ninguém falará contra elas. Se ele pudesse se conter, seria bem-vindo aqui; do contrário, não.
Os irmãos quietistas me confrontam com a autoridade de meu irmão, alegando que ele consentiu em não falar das ordenanças, ou seja, na prática, em abandoná-las, deixando à escolha de cada um usá-las ou não. Negam categoricamente que exista uma obrigação de andarmos nelas, e que o “Fazei isto em memória de mim” tenha a natureza de um mandamento. A partir de “Ai do mundo por causa dos escândalos”, etc., argumentei que o fato de eles terem ofendido ou feito tropeçar um destes pequeninos não provava que este não cresse em Jesus, mas era terrível prova de que fora melhor ao ofensor nunca ter nascido.
O pobre Simpson estava presente, mas não conseguiu suportar. Retirou-se abatido; espero que abalado, pois um grande poder acompanhava a Palavra.
Anne Parker, numa conversa, contou-me que eles haviam obscurecido, mas não conseguiram destruir de todo, a obra de Deus na alma dela. Sua fé ela não abriria mão, embora tivesse perdido a consolação dela por causa das disputas duvidosas deles. Mas, na quinta-feira, enquanto orávamos, ela a recuperou com grande acréscimo.
Hannah Kent declara que sentiu o sangue de Cristo aplicado ontem à noite. Assim também Eliz. Morison, quando lhe perguntei: “Crês que ele é poderoso para fazer isto? Que o Filho do Homem pode perdoar você neste instante?” Eliz. Bowen, do mesmo modo, recebeu o seu perdão na noite passada, ao ouvir a Palavra.
Sou obrigado a reservar mais tempo para as conversas particulares. Hoje os fracos me deram trabalho o dia todo, das três às onze da noite.
Em Wapping, fui dirigido a estas palavras: “Vai lavar-te no tanque de Siloé” (Jo 9.7). Com razão o Espírito é comparado a um vento impetuoso e forte: ouvimos agora o som dele, e a chama se acendeu. Muitos sentiram as dores do novo nascimento. Eis, um clamor: “O Esposo vem!” Eu já não sabia a hora de parar de pregar, orar e cantar. Quatro testemunhas se levantaram e declararam: “Um homem chamado Jesus abriu os meus olhos.” Dele receberam poder para crer; e o adoraram.
O Sr. Simpson veio à minha casa e apresentou os seus dois postulados: 1º, as ordenanças não são mandamentos; 2º, é impossível duvidar depois da justificação. Sustentei o contrário; disse-lhe claramente que estavam lutando contra Deus, roubando-lhe a glória, ofendendo os seus pequeninos, e que se achavam sob forte engano.
Quando eu já ia me deitar, ele voltou com Bell, e disputou contra as ordenanças e os graus de fé. Repetia com frequência para si mesmo: “Ah, meu Jesus!” Perguntei-lhe: “Você tem um coração novo?” “Não.” “Você tem fé?” “Não.” “Não seria condenado se morresse neste instante?” “Sim.” “Então, como ousa você, um incrédulo condenado, dizer: ‘Meu Jesus’?” Ele ficou abalado, e não teve o que responder.
Falei palavras fortes sobre esperar por Cristo no uso dos meios. Em vão os nossos irmãos me dissuadem. Puseram a casa em chamas, e agora dizem que ficarão quietos se eu ficar.
Antes da pregação, uma mulher veio a mim na agonia do desespero. Depois da pregação, vi-a alegrando-se em Cristo, seu Salvador. Tais selos ele me dá, tantas vezes quantas falo em seu nome; e, enquanto ele assim faz, contento-me em que os homens me neguem o seu testemunho.
Recebi a Ceia em São Paulo. A última vez que comunguei ali foi na companhia de toda a nossa Sociedade. Quem os enfeitiçou, para que não obedeçam ao seu Salvador? Foi um morávio, ao declarar, meses atrás, que por muito tempo buscara a Cristo nas ordenanças em vão, mas que, ao deixá-las, imediatamente o encontrara. A natureza agarrou aquela palavra; e os nossos irmãos, de uma só vez, lançaram fora todos os meios.
Fui agora informado de que a Sra. Sutherland fora me ouvir na quinta-feira à noite, e, ao chegar em casa, encheu-se de toda paz e alegria no crer.
Minha alma ficou extremamente triste na festa de amor, ao encontrar tão pouco amor e tanta disputa. Falei do modo mais curador que pude; declarei o que Deus fizera pelos mineiros; lembrei-os da obra que ele começara neles pelo nosso ministério, e de como fomos bem recebidos entre eles; concluí com esta queixa: como os nossos irmãos nos tratavam de modo injurioso, dissuadindo a todos de nos ouvir e impedindo, tanto quanto lhes era possível, o avanço do nosso ministério. Clark (outro Shaw) negou o fato. Apelei a Simpson, que me confessara ter dissuadido tais e tais pessoas de me ouvir ou me ver. Em seguida, nosso irmão Hodges começou a falar ao acaso contra a paz, a alegria e o amor, como se fossem alguma marca da fé. Ele tinha muito disso antes de ter fé alguma, ou seja, antes de ter “quietude”. As mulheres o fizeram calar. Muitos deram testemunho da verdade da nossa doutrina, e de que os morávios, desde Peter Böhler, nada nos haviam acrescentado. No canto e na oração, o meu espírito reviveu. Louvamos ao Senhor com alegria sobrenatural, e juntos exaltamos o seu nome.
Recebi as seguintes cartas:
“Meu amigo em Cristo, não posso deixar de lhe contar que o Senhor prossegue a obra que começou em mim. Ele me mostrou que o senhor é um ministro enviado por ele mesmo. Tirou-me as escamas dos olhos. Eu era coxo; ele me fez andar. Estava atado como que por cadeias de trevas; ele rompeu os meus grilhões. Arrancou-me como tição do fogo; e ousarei eu esconder isto? Não hei de declarar o que ele fez por minha alma? Não me envergonho de dizer: eu estava sentado à beira do caminho, mendigando, e, ao passar Jesus, recebi a vista. Não tenho medo de dizer: um servo de Cristo destelhou o teto, e Jesus me viu trazido a ele, pobre e desamparado. Olhou para mim e disse: ‘Os teus pecados estão perdoados; a tua fé te salvou.’
“Ah, este pequeno grão de fé tem valor incomparável! ‘Os teus pecados estão perdoados!’ Ah, aquela palavra era o próprio Cristo! Cristo foi a Palavra que a pronunciou. Eis um verdadeiro milagre! Maior do que se um corpo morto tivesse sido erguido da terra. Eu estava morto no pecado, e Jesus me ressuscitou. Trouxe-me do abismo do inferno para o Reino da luz. Nem a carne nem o sangue poderiam ter me revelado isto, mas o Espírito de Deus, que habita em mim. Ah, Jesus, faz desta luz uma fonte contínua de vida!
“O Senhor confirmou a palavra que o senhor pregou na sexta-feira, a respeito das ciladas de Satanás. Ele atenta para a humildade da sua serva. Tenho algumas lutas; mas aquele que me guarda não dormita nem dorme. Apoio-me nele. Sou como uma criança recém-nascida. Ele me conduz com brandura. Meu Senhor me introduziu na sua casa do banquete, e o seu estandarte sobre mim é o amor. Que o Senhor abençoe o seu ministério, e que nunca faltem obreiros fiéis: esta é a mais sincera oração de quem é sua em Cristo,
E. Bristow.”
“Senhor, peço licença para lhe pedir a sua opinião sobre o meu estado. Eu não duvido de mim mesmo; pois, pela graça que me foi dada, tenho a certeza de que Deus, por amor de Cristo, me perdoou e me libertou. Mas um crente pôs em dúvida se recebi ou não a fé.
“Fui criado como um pagão na casa de um doutor em teologia. Depois disso, passei a frequentar a mesa do Senhor, e então me julgava um bom cristão. Mas, bendito seja Deus, agora vejo que eu era um abominável fariseu. Por causa do meu orgulho, Deus me lançou fora da sua casa, e caí nos crimes mais torpes que pude cometer.
“Algum tempo depois, tive uma visão do meu estado condenável, e de que eu não passava de pecado. Diariamente temia a vingança de Deus. Não ousava sequer orar, sabendo que a minha oração era abominação àquele Deus que tem os olhos tão puros que não pode olhar para a iniquidade. Não conseguia crer que houvesse perdão para mim.
“‘Eu tinha diante dos olhos a minha condenação; sentia que mil infernos me eram devidos.’
“Fui duas vezes ouvir o Sr. Whitefield, mas achei que não adiantava. Minha miséria só aumentava. Mas aprouve a Deus que, da última vez em que o senhor, seu fiel ministro, pregou em Kennington, a partir de 2 Coríntios 6.9, o meu bendito Salvador me fosse revelado de maneira tão gloriosa que eu antes me julgava no céu do que na terra. Achei que poderia encarar a morte com ousadia. Eu queria clamar a todos: ‘Provai e vede como o Senhor é bom!’ Nem por mil mundos voltaria ao meu antigo estado.
“Que Deus prolongue a sua vida e a sua saúde no serviço e no Reino dele!”
Almocei na casa do Sr. Crouch, com M. Seaton. O jovem West entrou. Perguntei-lhe de chofre: “Você ficaria tão contente de me ver na sua casa agora quanto antes de eu deixar Londres?” Ele foi honesto ao não responder que sim.
Nossos irmãos se empenharam em nos tirar toda a autoridade junto aos nossos amigos, mesmo antes de saberem que não aderiríamos às ideias deles. Era melhor garantir tudo, com receio de que não os chamássemos de “Rabi”. West não queria crer que eles tivessem alertado alguém contra nos ouvir, até que M. Seaton declarou que a haviam proibido terminantemente de correr atrás de meu irmão, dando esta razão: “Ele mesmo nos confessou que não tinha o Espírito de Deus; por que, então, você iria ouvi-lo?” O que devo mais admirar: a simplicidade dele em fazer tal confissão, ou a baixeza deles em fazer tal uso dela?
A partir da tentação do nosso Senhor, argumentei que sermos tentados logo em seguida não prova que não fomos batizados com o Espírito Santo; que o diabo questionar a nossa filiação não a desmente; que podemos estar abatidos por várias tentações e ainda assim ter fé; que não devemos tentar a Deus, negligenciando o uso dos meios, etc. As palavras alcançaram muitos corações, em especial o da Sra. West.
Tomei o café da manhã com duas irmãs que, creio, pelo próprio relato, foram justificadas no último domingo. Ouço falar de novos selos em todas as horas de conversa particular. Fui a Deptford com a Sra. E. Bray estivera com ela havia pouco, tentando lançá-la na confusão, dizendo-lhe que, se ela continuasse a me ouvir, jamais seria justificada, e teria de recomeçar toda a sua obra. Simpson, também, atrai a quantos pode, mandando que vão a Molther, ou não poderão chegar a Cristo.
O comportamento deles é todo do mesmo teor, e perfeitamente compatível com aquela “caridosa” afirmação de J. Bray: “que é impossível a alguém ser verdadeiro cristão fora da igreja morávia.”
Preguei com grande liberdade numa Sociedade em Whitechapel. Alguns ficaram profundamente feridos. Já perdi a conta dos que são curados. Que toda a glória seja de Deus. Reuni-me com a Sociedade no Foundery; recomendei a verdadeira “quietude” no uso dos meios; cantei, orei e exortei com muita liberdade e amor, até que o Sr. Simpson se pronunciou contra a Ceia, afirmando que nenhum não justificado deveria recebê-la, pois, se o fizesse, comeria e beberia a sua própria condenação. Respondi que não era conveniente disputarmos ali. Eu o deixaria falar à Sociedade o que julgasse bom. Retirei-me, mas voltei sem ser visto, para desfazer qualquer dano que ele pudesse causar. Umas poucas das mulheres gritaram: “Deixe-o ir; nós vamos ouvir o Sr. Simpson.” A pobre Sra. Hamilton o exaltou por me contradizer, e protestou contra os que a haviam arrancado como tição do fogo. A maior parte, porém, estava cheia de tristeza e amor.
Depois que o Sr. Simpson disse tudo o que tinha a dizer, eu me apresentei e concluí com o hino sobre os meios de graça. Na conversa particular, ouvi falar de mais pessoas que provaram a palavra da vida pelo nosso ministério.
Preguei em Rotherhithe. O povo é bem indomado; mas houve poder entre nós, que expulsou vários. Em Wapping, preguei o Evangelho puro a partir da mulher que lavou os pés do seu Salvador. Muitos juntaram as suas lágrimas às dela.
Na casa do Sr. Mason encontrei um velho crente que nunca fora ensinado por Molther. Encontrei-me com M. Macune, que, no juízo dos nossos irmãos, está agora totalmente pervertida, e precisa ser “desequilibrada e confundida”, tanto como se nunca tivesse ouvido o novo evangelho da “quietude”.
Fui informado de que os nossos irmãos Parker e Fish estavam à minha procura. Como se aplica a Escritura que expus por último! “Todos estão de emboscada para derramar sangue; cada um caça o seu irmão com uma rede. O melhor deles é como um espinheiro; o mais reto é pior que uma sebe de espinhos. Não creiam no amigo, nem confiem no guia” (Mq 7.2-5).
Deus confirmou a sua palavra: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel para nos perdoar os pecados” (1Jo 1.9). E, enquanto ele assim faz, que despreze as profecias quem quiser.
Preguei no cárcere de Marshalsea sobre o perdão em Cristo Jesus, a partir de Atos 13.38. Dali, M. Sparrow me levou a Kennington-Common, onde reparti a palavra da verdade a mais de sete mil ouvintes. No Foundery, discorri sobre a ressurreição de Lázaro. Os filhos de Belial blasfemaram. Convidei-os, até que ficaram quietos como cordeiros. Então recomendei com força o uso dos meios, a partir das palavras “Tirem a pedra”; e mostrei a fraqueza da fé nas palavras “Saiu o que estivera morto, atado de pés e mãos”. A palavra veio com evidência divina. Cavalgamos de volta em triunfo. M. Sparrow reconheceu, agradecida, que agora estava livre da cilada da “quietude” que lhe haviam armado. M. Macune estava muito cheia daquilo que eles chamam de “entusiasmo carnal”!
Fui grandemente renovado na Sociedade, que está toda de um só coração e de um só sentir. Dois acordos foram agora firmados: 1º, que nenhuma decisão terá validade, a menos que o ministro esteja presente ao tomá-la; 2º, que quem quer que negue serem as ordenanças mandamentos será expulso da Sociedade.
Encontrei-me com Molther na casa de M. Ibison. Ele nega expressamente que a graça, ou o Espírito, seja transmitida por meio dos meios de graça, em especial pela Ceia. Esta, insiste ele, não é mandamento; é só para os crentes, isto é, para os que já são santificados e têm Cristo plenamente formado no coração. A fé, ensina ele, é incompatível com qualquer dúvida posterior, ou pensamento egoísta. O perdão e o testemunho do Espírito, a habitação interior, o selo, são sempre dados juntos. A fé, nesse sentido, é pré-requisito do batismo. Ou seja: o candidato deve já ter recebido o Espírito Santo, deve ter Cristo vivendo nele, deve ser justificado e santificado, deve ter nascido de Deus, para então poder nascer de Deus.
Ele apontou como sinal do meu estado carnal o fato de eu me queixar de que os nossos irmãos desviavam de mim e de meu irmão o amor do povo. Respondi: “O mesmo fez São Paulo em ocasião semelhante. ‘Eles têm zelo por vocês, mas não com bons motivos; querem, sim, excluir vocês, para que vocês tenham zelo por eles.’ Se eu desejasse o amor deles em meu próprio proveito, isso seria errado e carnal; se em proveito deles, seria certo e apostólico.”
Almocei em Islington, com o Sr. Wild e outros, que ainda não se deixam persuadir a lançar fora nem a sua fé fraca, nem as ordenanças. Insistiram muito para que eu expusesse a Palavra. Respondi: “Quando o Sr. Stonehouse, a quem ainda devem reverência, o pedir, então eu o farei.”
Na Sociedade de Crouch, muitos foram feridos. Deixei entre eles o hino intitulado “Os Meios de Graça”, que mandei imprimir como antídoto contra a “quietude”.* [Nota da edição de 1849: O hino aqui mencionado foi depois dividido em dois, ambos incluídos na Coletânea Wesleyana. Começam assim: “Long have I seem’d to serve thee, Lord” (“Há muito pareço servir-te, Senhor”) e “Still for thy lovingkindness, Lord” (“Ainda pela tua benignidade, Senhor”).]
Encontrei meu irmão no Foundery e louvei a Deus pelo seu regresso oportuno. O Sr. Simpson e outros o haviam chamado para pôr fim ao meu “exaltar as ordenanças na pregação”.
Acompanhei meu irmão a Fetter-lane. A primeira hora se passou em cena muda, como de costume; a seguinte, em ninharias que não valem a pena mencionar. John Bray, que parece ser uma coluna, se não a principal, expulsou um irmão e me repreendeu por eu não frequentar a minha banda. Separamo-nos como nos encontramos, com pouco canto, menos oração e nenhum amor. Ainda assim, conseguiram o que queriam, que era desviar meu irmão de falar.
Meu irmão falou de acordo com o meu próprio coração. Seu texto foi: “Insensato! O que você semeia não ganha vida, se primeiro não morrer.” Simpson e outros disputadores o ouviram descrever aquele estado de deserto. Já não poderão dizer que meu irmão e eu pregamos evangelhos diferentes.
À Sociedade, ele demonstrou que as ordenanças são tanto meios de graça quanto mandamentos de Deus. O seu poder repousou sobre nós. Ninguém abriu a boca contra a verdade. Confiamos que o pequeno rebanho, que seguia os seus novos líderes rumo à ruína, agora, pela graça, voltará atrás.
Tive uma conversa com Molther e os nossos irmãos quietistas, mas não chegamos a acordo algum. Eles defendem a impossibilidade de duvidar depois da justificação, e uma liberdade absoluta em relação aos meios de graça, que, segundo eles, chamamos assim falsamente, pois não são meios nem mandamentos. Não pudemos concordar em nos calar; e assim nos separamos. À tarde, conversei com James Hutton sobre a divisão que logo se seguiria. Perguntei-lhe: “Você tem o testemunho dentro de si?” “Não.” “Como, então, você pode ter fé?” “Não a tenho no sentido pleno e próprio; mas não tenho medo algum. Tenho a plena certeza da esperança, e sei que o meu Salvador ma dará.”
Isso, a meu ver, é abrir mão da questão. Aqui há uma fé mais baixa, em que o Espírito que permanece e habita ainda não está. E não vejo necessidade alguma de negar a fé imperfeita, para alcançar a perfeita.
Enviei a um amigo em Bristol o seguinte relato: “Meu irmão veio no momento mais crítico. A cilada, esperamos, agora será quebrada, e muitas almas simples, libertadas. Muitos aqui insistem em que parte da sua vocação cristã é a liberdade de não obedecer, e não a liberdade para obedecer. Os não justificados, dizem eles, devem ficar ‘quietos’; isto é, não examinar as Escrituras, não orar, não comungar, não fazer o bem, não se esforçar, não desejar; pois seria impossível usar os meios sem confiar neles. A prática deles condiz com os seus princípios. Preguiçosos e orgulhosos, amargos e críticos para com os outros, pisam nas ordenanças e desprezam os mandamentos de Cristo. Não vejo nenhum ponto intermediário em que possamos nos encontrar.”
Recebi de Ridley uma carta das mais insolentes, ameaçando-me com a minha queda e destruição!
Ouvi meu irmão pregar no Common a uma multidão de dez mil pessoas. Os irmãos quietistas, na festa de amor, foram contidos.
O irmão Ibison declarou ter encontrado a paz pelo meu ministério. Do mesmo modo, minha irmã Ball me deu motivo para esperar que ela seja aceita no Amado.
Em Fetter-lane, li a carta de Ridley. James tentou atenuá-la. O próprio Ridley a justificou. Eles caíram sobre mim por causa de as mulheres lerem a regra que excluía os irmãos. Respondemos: “De onde tiraram vocês a sua autoridade sobre elas? Vamos poupá-los de mais trabalho, e desde já as tiramos das mãos de vocês.” Bem quiseram mantê-las sob seu domínio. Insisti que não. Seguiu-se muita disputa. Debateu-se a questão das ordenanças. Meu irmão exortou ao amor, em vão. Deixamo-los intimidados e refreados, tendo resgatado os nossos cordeiros das mãos deles.
Reuni-me com a banda de S. Soan, cheia de amor e ansiosa pela vinda do Senhor. Conversei com outros, justificados havia pouco. Visitei um homem doente, recém-tirado do abismo pelo sangue da aliança.
Orei em Islington com Anne Gates, crendo que já tínhamos as petições que pedíamos. Batizei então uma criança e a ela. Todos sentimos a descida do Espírito Santo. Antes, ela estava no espírito de abatimento e escravidão. No momento em que a água a tocou, declara ela, sentiu removida a sua carga e recebeu de modo sensível o perdão. Fugiram a tristeza e o suspiro. O Espírito deu testemunho com a água, e ela ansiava por estar com Cristo. Demos glória a Deus, que assim exaltou a sua ordenança.
Comecei a observar o jejum semanal da igreja com um pequeno grupo no Foundery. Repreendi uma das irmãs da banda, que havia adormecido. Em vez de passar o domingo em ordenanças “carnais”, ela o passou em parte na ociosidade, em parte nos seus afazeres comuns. Pois de que serviriam os seus esforços para guardar os mandamentos, antes de ter fé?
Preguei o Evangelho aos pobres em Wapping. Seus gemidos e lágrimas testemunhavam o afeto interior deles.
Recebi a seguinte carta singela. Que os nossos irmãos de Fetter-lane a respondam.
“Meu reverendo pai em Cristo, tendo agora o coração aberto diante de Deus, escrevo como que na presença dele.
“O primeiro dom da fé recebi depois de ter me visto pecadora perdida, atada por mil cadeias, prestes a cair no inferno. Então ouvi a voz dele: ‘Anima-te, os teus pecados estão perdoados’, e pude dizer: ‘O Filho de Deus me amou e a si mesmo se entregou por mim.’ Julguei vê-lo à direita do Pai, intercedendo por mim. Prossegui em grande alegria por quatro meses. Então o orgulho se infiltrou, e pensei que a obra estava concluída, quando mal havia começado. Ali me acomodei, e em pouco tempo caí em dúvidas e temores, sem saber se os meus pecados estavam de fato perdoados, até me afundar no mais profundo da miséria. Não conseguia orar, nem tinha desejo de fazê-lo, nem de ler ou ouvir a Palavra. Minha alma era como o mar revolto. Então vi o meu próprio coração mau, a minha natureza maldita e diabólica, e senti o meu desamparo, a ponto de eu nem sequer conseguir pensar um bom pensamento. Meu amor se transformou em ódio, ira e inveja; e ‘sentia que mil infernos me eram devidos’; e clamei, em amarga angústia de espírito: ‘Salva-me, Senhor, senão pereço.’
“Na minha extrema aflição, vi o meu Salvador cheio de graça e verdade para comigo; e ouvi de novo a sua voz sussurrar: ‘Paz, aquieta-te.’ Minha paz voltou, e com uma doçura de amor maior do que jamais conhecera.
“Agora a minha alegria é serena e firme; meu coração continuamente atraído para o Senhor. Sei que o meu Redentor vive por mim. Ele é a minha força e a minha rocha, e levará a cabo a sua obra na minha alma, até o dia da redenção.
“Prezado senhor, falei do estado do meu coração, como diante do Senhor. Peço as suas orações, para que eu vá de força em força, de vitória em vitória, até que a morte seja tragada pela vitória.
Grace Murray.”* [Nota da edição de 1849: A esta senhora o Sr. John Wesley mais tarde fez proposta de casamento. Ela foi persuadida, pelo Sr. Charles Wesley, a casar-se com John Bennet, um dos pregadores itinerantes.]
Meu espírito reviveu ao ver os escarnecedores no Foundery. Fui dirigido a Hebreus 12.18: “Porque vocês não chegaram a algo palpável e a um fogo ardente, nem à escuridão”, etc. Deus pôs palavras fortes na minha boca, e em batalhas estrondosas lutou com eles. O efeito foi tanto visto quanto ouvido; por isso mesmo, os nossos irmãos quietistas diriam que não houve efeito algum.
Detive-me naquela palavra: “Verdadeiramente, tu és Deus que te ocultas, ó Deus de Israel, ó Salvador” (Is 45.15); e falei, com muita liberdade e poder, do estado de deserto e dos meios de graça.
Depois do sermão, fui abordado por Howel Harris, que Deus enviou em meu socorro. Ele primeiro fora à casa de James Hutton, que o mandou ouvir a pregação de Viney. Mas ele, por engano, foi parar no Foundery. “A sua consciência no Espírito Santo”, disse ele, “deu testemunho da verdade que anunciei, e o coração dele imediatamente se uniu ao meu.” Tomamos juntos um doce conselho, e fomos ao altar de Deus como amigos.
À noite, abri o livro em: “E, indo, pregai que está próximo o Reino dos céus.” Aquele que enviou estava comigo, no poder que prometera. O fogo se acendeu em muitos corações. Deem ao Senhor a honra devida ao seu nome.
Levei Howel às bandas. Ele falou com simplicidade sobre as ciladas de Satanás, e repetiu as mesmíssimas palavras que o tentador tantas vezes nos dirigiu pela boca dos nossos irmãos quietistas. Todos os argumentos dele sobre “alegria falsa, entusiasmo carnal, presunção”, etc., tinham sido experimentados no nosso irmão, para levá-lo a largar o seu escudo.
Levei-o à casa de S. Anderson, a quem ele falou em palavras que não vêm da sabedoria humana. O Espírito de amor e súplica foi derramado. Havia em todos nós como que uma só alma.
Reunimo-nos com as bandas às cinco. Dou testemunho de que o amor delas cresce cada vez mais em conhecimento e em todo discernimento.
Preguei a partir de João 3. A Palavra fez grande estrago. Clamavam por todos os lados e caíam sob o seu efeito. Falei em seguida com dois ou três deles. Na mesma hora, Deus os havia ferido e os havia curado; havia golpeado, e as suas mãos os haviam sarado.
Nas horas de conversa particular, Eliz. Holmes me contou que fora cheia do Espírito de amor enquanto orávamos na casa de S. Anderson. Cordelia Critchet, papista até ser convencida por nós, parecia não estar longe do Reino dos céus. Falta-me tempo para registrar em detalhe cada um dos que diariamente são convencidos do pecado ou da justiça. Nossos irmãos, bendito seja Deus, se enganam ao dizer que ele já não opera por nossas mãos.
Ouvi Howel Harris expor a Palavra na casa de Crouch. Ele é de fato um filho do trovão e da consolação.
Deus pôs em nossos corações orar pelos pobres malfeitores que iam para a execução; e o seu Espírito intercedeu. Tenho certeza (quanto mais o restante de nós!) de que a nossa oração foi ouvida e respondida em favor de alguns dos nossos irmãos que morriam.
Às onze, Cordelia Critchet veio me dizer que recebera a reconciliação ontem, enquanto estávamos em oração. A obra, tanto quanto posso discernir por ora, é real.
Outro, que, depois de justificado, caíra em pecado grave, me contou que Deus tornou a recebê-lo na sua misericórdia em Cristo Jesus. Sua profunda humildade e abundante amor são boas evidências a favor dele.
Lucy Spring, que na segunda-feira à noite caíra nas dores do novo nascimento, veio hoje, cheia de paz e consolação.
Levei Howel Harris às bandas quietistas, e ele deu um pleno e nobre testemunho: “que fora atraído à Ceia enquanto ainda morto no pecado, e ali recebera o perdão; depois disso, o amor de Deus fora derramado no seu coração pelo Espírito Santo, que então lhe fora dado. A partir daí, começou o combate da fé. Voltaram temores, dúvidas, trevas; e ele foi levado através do fogo e da água a um lugar de abundância.”
As palavras dele contradiziam tudo o que os nossos irmãos quietistas vinham ensinando ao longo deste meio ano. Eles ficaram escandalizados e confusos; os fracos, consolados. Seguiram-se muitas objeções. Howel, com certeza, não tinha fé. Bray tentou explicar de outro modo o que ele dissera; Bell e Oxley, refutá-lo: este último o comparou a Caim, quando Deus lhe aliviou a carga, ao ele se queixar de que era pesada demais para carregar. Todos concordaram que ele não vira o próprio coração; e, porque tinha algumas lutas, não tinha fé. Convidei-os a ouvir mais dele na quinta-feira à noite.
Ele declarou a sua experiência diante da nossa Sociedade. Ah, que chama se acendeu! Nunca ouvi homem falar como este falou. Que “pai de leite” Deus nos enviou! Ele de fato aprendeu do bom Pastor a levar os cordeiros no colo. Tal amor, tal poder, tal simplicidade eram irresistíveis. Os cordeiros tombavam por todos os lados nos braços do seu pastor. Aquelas palavras irromperam como um trovão: “Recebi agora de Deus uma comissão para convidar todos os pobres pecadores, justificados ou não, ao seu altar; e nem por dez mil mundos eu quereria ser o homem que os afastasse dele. Foi ali que eu mesmo o encontrei pela primeira vez. Aquele é o lugar do encontro.” Ele prosseguiu no poder do Altíssimo. Deus chamou as suas testemunhas. Vários declararam ter encontrado a Cristo nas ordenanças.
O pobre Simpson estava por perto, endurecendo o coração. Suponho que agora ele chamará Howel, como faz com meu irmão, de “sutil enganador do povo”. Quase ninguém de Fetter-lane estava presente: tinham tido cuidado demais em impedi-los.
Fui a Islington, com a intenção de batizar Bridget Armstead. Satanás impediu, por meio dos seus fabriqueiros. Mas pode alguém proibir a água? Não, a menos que consiga secar o Tâmisa.
Numa conversa particular, a Sra. Dupee me contou que recebera o perdão na semana passada, enquanto eu o pregava. Está por acaso encurtada a mão dele, a ponto de não poder salvar? Ou, porque somos fracos, não tem ele poder para livrar?
Reuni cerca de cem membros da Sociedade para guardar o jejum. Cristo honrou a sua ordenança, e nos moveu à oração, pelo seu Espírito, que ajuda as nossas fraquezas.
Fui levar a Ceia a uma mulher que estava morrendo. Encontrei nela uma velha e astuta fariseia. Não tive acesso algum ao falar, e me entreguei à oração. O Espírito que convence do pecado veio poderosamente sobre ela, de modo que ela bramia pela própria inquietação do coração. O homem forte, que havia mais de setenta anos guardava em paz o seu palácio, foi agora perturbado, atormentado, amarrado, expulso. Ela irrompeu em fortes clamores, e, logo depois, em bênçãos e ações de graças. Tanto quanto posso discernir, ela está de todo liberta. Anunciamos a morte do nosso Senhor, e ele esteve conosco, de verdade.
Falei diretamente aos que confiavam na sua “fé de adesão”, e insisti naquela mais baixa marca do cristianismo: o perdão dos pecados.
Mal virei as costas, e Oxley aproveitou a ocasião para atrair Howel Harris à casa do surdo Bell. Cheguei a tempo de interromper a conversa deles com o meu incauto amigo. Agora ele, sem desconfiar de Deus, resolve não ir a lugar nenhum sem mim. Melhor serem dois do que um. A palavra deles corrói como gangrena, sobretudo a de Oxley, a quem acolhemos em nosso peito. Que Deus me ajude a amá-lo! Detesto tanto os seus princípios quanto as suas práticas.
Na Sociedade de Bowers, encontrei Bell, Bray, Hutton, Oxley, Holland, Ridley e outros do mesmo grupo. Enfrentei-os de frente, e apelei ao Deus que responde pelo fogo, quanto à verdade da minha doutrina: que as ordenanças obrigam a todos, justificados e não justificados. Uma mulher testemunhou que, na última vez em que expus a Palavra ali, e mandei que os que estavam confusos perguntassem só a Jesus Cristo se tinham fé, ela de fato perguntou na nossa oração, e imediatamente o amor de Deus transbordou no seu coração.
Preguei no Foundery sobre 1 João 2.12: “Filhinhos, eu escrevo a vocês”, etc. A partir daí, mostrei as três marcas que distinguem uma criança de um jovem. O jovem é forte; a criança, fraca. O jovem venceu o Maligno; a criança está vencendo. No jovem permanece a palavra de Deus, ou seja, ele tem o testemunho constante do Espírito.
Na Sociedade, Howel falou de modo excelente sobre as boas obras, o exame das Escrituras e o amor de uns pelos outros.
Reuni-me pela primeira vez com as líderes das mulheres; e, depois de uma oração viva, conduzi-as à mesa do Senhor em St. Bank’s.
Saí para Kennington-Common. A mão do Senhor estava sobre mim, e profetizei: “Ó ossos secos, ouvi a palavra do Senhor” (Ez 37.4). Havia de fato muitíssimos no vale aberto, e eis que estavam muito secos. Mas, enquanto eu profetizava, houve um ruído e, eis, um tremor, que vimos e ouvimos. Em alguns, tenho certeza, entrou o fôlego, e eles viveram.
Empreguei três horas de modo muito proveitoso, conversando com o povo simples; deles, cada dia mais recebem o perdão ou o testemunho do Espírito. Três ou quatro foram agora postos em liberdade, em resposta imediata à oração.
Estive com a Srta. Branford, que vivia em trevas desde que os seus olhos se abriram pela primeira vez (dois anos atrás, em St. Helen’s) para ver os seus pecados perdoados. Na oração, o amor de Deus foi agora derramado no seu coração, e ela foi transportada para a sua maravilhosa luz.
Uma senhora idosa ali testemunhou que por muito tempo negara aquele artigo do seu credo, “o perdão dos pecados”, mas que fora ontem convencida dele pela experiência, sob o ministério do Sr. Hall. Encontro outros que passaram da morte para a vida, ao ouvir o nosso irmão Whitefield. Nossos irmãos de Fetter-lane negam o fato de que alguma alma tenha sido justificada pelo nosso ministério, já que “ninguém dá o que não tem”.
Sarah Bedford, justificada sob a Palavra no último domingo, Mary Barraby e Anne Broad, alguns dias atrás, e outras, estiveram comigo hoje, testemunhando a obra de Deus em suas almas.
A Sra. Ricard me contou, na casa de S. Witham, que, no fundo do desespero, Cristo lhe dera descanso; mas Satanás entrou com os irmãos quietistas, e ganhou tal vantagem sobre ela que ela chegou a negar a fé e o seu Autor. Nosso Senhor confirmou de novo o seu amor por ela, por meio de um verme, o próprio escárnio dos homens, rejeitado pelos quietistas.
Reuni-me com os líderes homens na casa de Bray, e me surpreendi ao encontrar ali mais de vinte dos irmãos quietistas; e mais ainda ao saber que eles se reúnem sempre às quintas e aos domingos, justamente enquanto prego no Foundery. A razão é óbvia.
Dei o meu testemunho a favor das ordenanças e da fé fraca. Perguntei se eles não sustentavam que: 1º, os meios de graça não são mandamentos nem meios; 2º, o perdão nunca é dado a não ser junto com o testemunho permanente do Espírito. James Hutton não quis que me dessem resposta alguma. Eu disse que, se eles não ousavam declarar os seus princípios, eu tomaria o seu silêncio por confissão, e advertiria o povo de Deus contra eles.
Conversei com uma mulher a quem Jesus aparecera havia pouco, mas logo desaparecera da sua vista. Nunca vi alma tão inconsolável. Esther Owen esteve comigo, traspassada, derretida, dominada de amor.
Em Blackheath, preguei a redenção no sangue de Jesus. Ele me deu poder “para sondar o coração incrédulo”. Uma mulher gritou tão alto que eu não conseguia ser ouvido; por isso mandei afastá-la, mas não para fora do alcance da voz. Aos escarnecedores falei com muita luta. Muitos foram expulsos, e outros, constrangidos a ficar. Tenho certeza de que a Palavra não voltou vazia.
Encontrei o Sr. Hall em Fetter-lane, perguntando-lhes se eles julgariam os seus espíritos pela Palavra, ou a Palavra pelos seus espíritos. Reforcei a pergunta, que eles tentaram evitar. O “Rabi” Hutton os proibiu de me responder. Adverti os poucos irmãos que restavam a se guardarem do fermento da “quietude”; mostrei-lhes o engano dos que haviam lançado fora as ordenanças e limitado a fé apenas a si mesmos; predisse as terríveis consequências do fanatismo deles; pus diante dos seus olhos o caso de Gregor; implorei, roguei, conjurei-os a não renunciar aos meios, nem a negar o Senhor que os comprou; li uma carta de alguém que fora fortemente tentado a deixar a Ceia, mas, ao recebê-la, foi poderosamente convencido de que quem a dissuadia era o diabo. Hodges, Hall e Howel Harris confirmaram as minhas palavras. Outros, com isso, se animaram a dar o seu testemunho a favor das ordenanças divinas. Pela força do Senhor, ficamos entre os vivos e os mortos; e a praga, esperamos, foi contida.
O pobre James foi só evasivas. Ah, como está diferente de si mesmo! O honesto, simples e sem malícia Jacó tornou-se um Loyola sutil, fechado e ambíguo. Bell foi mais franco, e por isso o instiguei a falar. Ele negou expressamente a Ceia aos não justificados; ou seja, na prática, a todos, exceto Molther, M. Luster e ele mesmo; pois esses três são toda a igreja que Cristo tem na Inglaterra.
Mencionei o conselho de Simpson a M. Seaton: que, se ela deixasse a Ceia, a oração e a leitura das Escrituras por uma semana, então encontraria o que nunca encontrara na vida. Ele justificou tê-la aconselhado, a ela e a várias outras, a pôr de lado as suas Bíblias, porque confiavam nelas. Os demais abrandaram um tanto a sua rigidez, e muito me pressionaram a “pregar a Cristo como fundamento”, querendo dizer que eu não deveria recomendar as ordenanças, mas deixar que as pisassem à vontade. Não disse que os havia entendido.
Preguei a partir de Romanos 8.33-34. Grande poder acompanhou a Palavra; mas maior ainda, enquanto eu exortava a Sociedade a esperar pela promessa do Pai. Muitos clamaram nas dores de parto. Depois de uma longa e violenta luta, Eleanor Tubbs testemunhou que Deus agora lhe mostrara o coração, o quebrantara em pedaços e o restaurara.
Sarah Church me contou que recebera o perdão na noite em que o Sr. Simpson expôs a Palavra em Rag-fair; não sob a pregação dele, que lhe pareceu de todo morta, mas ao cantar um hino que eu entoara. O mesmo aconteceu com Anne Roberts, depois de ouvir a Palavra, na mesma “ordenança carnal” do canto.
Mary Shrievely, que gemia sob o peso do pecado desde a primeira vez em que me ouviu pregar, foi na última noite aliviada pela vinda de Jesus, e agora segue o seu caminho com alegria. Jane Bourn também me conta que recebeu o perdão na Sociedade, e foi aspergida dos seus ídolos.
Quase toda a Sociedade se reuniu à uma hora. Um espírito de contrição percorreu a todos.
Recebi a seguinte carta:
“Meu amigo, ouço dizer que há divisões entre vocês; pois uns dizem ‘eu sou de Wesley’ e outros ‘eu sou de Molther’; mas eu digo: sou de Cristo; e o que ele me manda fazer, farei, e não confiarei em homem algum.
“Aqui alguns dirão: ‘O que Cristo manda você fazer é crer e ficar quieto.’ É verdade; mas será que ele não me manda fazer mais nada? Ele me manda deixar brilhar a minha luz diante dos homens, para que vejam as minhas boas obras e glorifiquem o meu Pai que está nos céus.
“Ele diz também: ‘Os escribas e fariseus se assentam na cadeira de Moisés; portanto, tudo o que eles mandarem, isso façam e observem.’ Mas como poderei saber o que eles mandam, a não ser que vá ouvi-los?
“E ainda: Cristo me manda observar tudo o que ordena aos apóstolos; e com estes ele estará até o fim do mundo. Mas, se eu não observar e não cumprir os seus mandamentos, ele não estará comigo.
“Ele me manda ‘fazer isto em memória dele’. Ora, se alguém puder provar que isto não é um mandamento, deixarei de obedecê-lo. Mas ‘aquele que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no Reino dos céus’.
“Quanto à ‘quietude’, o nosso Salvador diz: ‘O Reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele’; e: ‘Esforcem-se por entrar pela porta estreita’; e São Paulo diz: ‘Desenvolvam a sua salvação com temor e tremor’; e: ‘Deus é galardoador dos que diligentemente o buscam.’ Ora, essas Escrituras dão a entender algo mais do que simplesmente ficar sentado, quieto.
“Alguns negam que existam quaisquer meios de graça; mas eu serei grato por eles, pois foi por meio deles que ouvi o senhor pregar pela primeira vez a fé em Cristo; e, se eu não estivesse ali, talvez estivesse sem fé até hoje.
“Alguém me disse que, quando o senhor pregava, tinha ‘a natureza no rosto’. Assim terá qualquer um que fale com zelo; mas isso não importa, contanto que tenha graça no coração. Meu amigo, há muitos mestres, mas poucos pais; e o senhor é o meu pai, que me gerou pelo Evangelho, e, espero, a muitos outros.
“Que o Senhor o conduza a toda a verdade!”
Expus o capítulo da sequência, Isaías 53. Um dos presentes não suportou que eu me estendesse naquilo: “O Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos”; mas me interrompia com frequência, dizendo: “Fechem a boca dele.” Ai!, pensei eu, se a mansidão é a marca dos eleitos, receio que você ainda seja um réprobo.
Almocei na casa do Sr. Williams. A esposa dele outrora encontrara graça diante de Deus sob a Palavra; mas Satanás a fez, por raciocínios, abrir mão disso. Depois da nossa oração, ela disse que tinha uma resposta dentro de si a cada palavra. Toda dúvida e incredulidade fugiram, e ela viu claramente a sua parte no Salvador de todos os homens.
Preguei a quase dez mil pessoas no Common, a partir de 1 Coríntios 6.9, etc. O Senhor esteve conosco no seu poder convincente. A ele quero dar a glória.
Nossos irmãos se queixam de que os acusamos injustamente de falar contra as ordenanças. No entanto, ensinam que usá-las antes da fé necessariamente o mantém a pessoa fora dela; e usá-las depois da fé necessariamente faz com que ela a perca. Em especial, dizem eles: quando você encontrar consolação, de modo algum se ponha a orar; pois, se orar então, imediatamente a perderá.
Ridley é famoso por dizer: “Você pode ir para o inferno tanto orando quanto roubando.” As palavras do Sr. Brown são: “Se lemos, o diabo lê conosco; se oramos, ele ora conosco; se vamos à igreja ou à Ceia, ele vai conosco.”
No tempo da conversa particular, Mary Benham declarou a fé que recebera havia pouco. Anne Judge encontrou poder para crer sob a Palavra na última segunda-feira; Thomas Boreman, enquanto estávamos em oração.
Enquanto eu expunha o episódio da mulher de Samaria, a Palavra alcançou muitos corações, em especial o da Sra. Ash, a quaker, grande inimiga dos que “clamam”. Contudo, ela não conseguiu agora se conter, pois o amor de Cristo a constrangeu. Jesus dissera: “Eu que falo contigo sou ele!” A irmã dela, ao vê-la, ficou sob fortes convicções. Ah, que a chama se espalhasse por toda a terra!
O pobre e desesperado John Dickenson recebeu a palavra da reconciliação, de Isaías 54: “Por um pequeno momento te deixei, mas com grande misericórdia te recolherei”, etc. Depois de por muito tempo afligido, açoitado pelas tempestades e sem consolo, nesta hora encontrou descanso para a sua alma.
Às onze, Eliz. Bird testemunhou ter sentido havia pouco o sangue expiatório; assim também Astrea Edzard e Thomas Haddock; todos pelo ministério da Palavra. Mary Wotlen, também, pode selar que Deus é verdadeiro. Encontrei S. Sutherland forte no Senhor. Vários outros estavam presentes, e neles reconheci que haviam estado com Jesus.
Fui com Maxfield à casa de Bray, como um tolo que se entrega ao castigo do tronco. Trabalhei pela paz; mas só o Todo-Poderoso pode arrancar aquele maldito joio do desprezo e da autossuficiência, de que estão infestados os nossos irmãos “morávios”.
Levei Bridget Armstead à igreja de Bloomsbury, onde o ministro a batizou. Ela fora criada como quaker. Fui uma das testemunhas. Todos estávamos em grande abatimento antes; mas percebemos que Cristo estava conosco, como sempre, nas suas ordenanças. O Espírito dá testemunho infalível em ocasiões assim. Nossa irmã mais nova sabe com certeza que nasceu da água e do Espírito.
Encontrei o nosso querido irmão Ingham na casa de M. West. A multidão do feriado estava muito turbulenta no Foundery. Deus encheu a minha boca de ameaças e promessas. Ambas, creio, produziram efeito; pois, por fim, alcançamos a vitória, e os mais ferozes desordeiros foram intimidados ao silêncio.
Dia de Pentecostes, 25 de maio de 1740. Discorri sobre a primeira efusão do Espírito (At 2). Ele me deu palavras. Muitos sentiram a sua descida num poder invisível; e até tremeram diante da sua presença.
No Common, tornei a anunciar a promessa a muitos milhares. Na festa de amor, fiquei sobrecarregado com o peso dos nossos irmãos, com sinais tão visíveis de abatimento que vários, como soube depois, chegaram a ter grandes esperanças de que eu estava enfim “baixando o meu orgulho”, ou vacilando e entrando em confusão. De fato, a minha fé quase me faltou; pois, apesar da aparente reconciliação a que o irmão Ingham os força, é impossível que um dia sejamos de um só sentir, a menos que eles se convençam de que estão abolindo a lei das ordenanças cristãs e tirando o pão dos filhos.
Uma mulher de Islington me contou, queixosa, que levara o Sr. Stonehouse à sua mãe, que estava à morte, mas aguardando a redenção. Seu ministro lhe disse que “de nada adiantava orar, em público ou em particular. Ler as Escrituras ou receber a Ceia era igualmente inútil. Todas essas coisas exteriores deviam ser postas de lado. Ela nada tinha a fazer senão ficar quieta.” Ele se recusou a orar por ela, e assim a deixou.
A obra da graça prossegue em vários dos que estiveram comigo hoje; e Deus continua a dar novos selos ao meu ministério.
Alegrei-me em não encontrar diferença alguma entre mim e o irmão Ingham. Ele resistiu com honestidade aos irmãos iludidos; contradisse os erros preferidos deles, e os constrangeu a “ficarem quietos”. Esse alvo ele acertou com facilidade: “Vocês dizem que ninguém deve falar do que não experimentou; e vocês, Oxley e Simpson, dizem que quem está na liberdade do Evangelho não pode ter nenhum movimento de pecado.” “Sim.” “E vocês estão na liberdade do Evangelho?” “Não.” “Então, pela sua própria boca eu os julgo: vocês falam das coisas que não conhecem.”
Expus a Palavra em Snowsfield, e reuni-me com as bandas no Foundery. Um poder extraordinário nos cobriu. S. Hunting recebeu o testemunho dentro de si; R. R. ficou como que perdida no amor.
Em Blackheath, discorri a partir de Mateus 21: “Aquele que cair sobre esta pedra será despedaçado”, etc. Havia uma multidão de escarnecedores, mas todos forçados a fugir diante da espada do Espírito.
Conversei mais uma vez com os nossos irmãos exaltados, e trabalhei de coração pela paz e pela união. Mas não é possível, enquanto estiverem tão cheios de amargo e orgulhoso desprezo por todos, exceto por si mesmos.
Expus Isaías 57, capítulo dos mais contrários à doutrina dos nossos irmãos. Almocei na casa do amigo Keen, quaker e cristão; e li o relato de George Whitefield sobre os tratos de Deus com ele. O amor e a estima que ele expressa por mim me encheram de confusão, e me trouxeram de volta o temor de que, depois de haver pregado a outros, eu mesmo venha a ser rejeitado.
Em Marylebone, os escarnecedores cumpriram a Escritura que expliquei: “Os ímpios são como o mar agitado, que não se pode aquietar, cujas águas lançam de si lama e lodo.” Dirigi-me a um após outro deles, e os silenciei para qualquer lado a que me voltasse. Vez ou outra uma carruagem passava e parava; mas a minha doutrina não lhes agradava. Nosso Senhor nos concedeu muito da sua presença na Sociedade. Diariamente o vemos desvendar os nossos corações, derrubar raciocínios e levar cativo todo pensamento. As almas de muitos foram traspassadas como que por uma espada; e tenho certeza de que, se Deus fere, ele tornará a curar.
Tive ainda outra conversa, mas não consegui convencer o nosso querido irmão Simpson. Ele não admite que haja mais de quatro cristãos em Londres, a saber: Molther, M. Luster, a criada de Wheeler e Bell. Deste último, afirma sem rodeios que é mais santo do que Moisés, o mais manso dos homens; do que Abraão, o amigo de Deus; do que Davi, o homem segundo o coração de Deus; do que Elias e Enoque, que andaram com Deus e foram arrebatados. Quanto ao nosso pai Abraão, ele nega que tivesse tido fé verdadeira alguma.
Tomei um doce conselho com Benjamin Ingham e Howel Harris. O cordão de três dobras não se rompe com facilidade.
Ouvi dizer que o Foundery fora recentemente denunciado no Tribunal de Hicks, como “assembleia sediciosa”. Sir John Gunson interveio e objetou que ninguém era nomeado na denúncia. Diante disso, denunciaram nominalmente Charles Wesley, clérigo; J. Hutton, livreiro; Timothy Lewis, impressor; e Howel Harris, vulgo “o Apóstolo galês”. Mas o nosso amigo Sir John anulou tudo.
Fiquei muito renovado no espírito entre as bandas de mulheres. Elas têm descanso, e andam na consolação do Espírito Santo, e são edificadas.
Preguei “exaltando as ordenanças”, como eles dizem, a partir de Isaías 58; mas antes, com o Profeta, também as “preguei por baixo”. Telchig, Ingham e outros estavam presentes, o que me fez usar de maior clareza, para que me corrigissem, caso eu me enganasse.
Conversei com vários em quem a obra da conversão está de fato começando; em especial Mary Russel, convencida e profundamente ferida pelo meu último sermão em Kennington; Mary Peck, a quem Deus mostrou o coração durante o canto; Sarah Bedford, a quem a fé veio há pouco pelo ouvir; e Mary Litchfield, que, pelo que posso discernir, foi justificada na última vez em que preguei em Blackheath.
Preguei sobre Jó 23.8, espero que para consolo de muitos, cujos corações Deus está encaminhando para o amor de Cristo e para a paciente espera nele.
Deparei com a comovente exortação de Amós Comênio, das igrejas da Boêmia à Igreja da Inglaterra. Ah, que pudéssemos ver, ao menos neste nosso dia! Quem sabe se os nossos olhos venham a contemplar “o último bispo sobrevivente da Igreja da Inglaterra”!
Preguei em Marylebone sobre “Que devo fazer para ser salvo?” Os opositores me haviam ameaçado com dureza; mas tudo o que agora conseguiram fazer foi amaldiçoar e blasfemar. Eu apenas os convidava a Cristo. Mas estou cada vez mais convencido de que a lei tem a sua função, e Moisés precisa nos trazer a Cristo. As promessas feitas aos que não estão despertos são pérolas lançadas aos porcos. Primeiro o martelo precisa quebrar as rochas; então poderemos pregar a Cristo crucificado.
Meu irmão voltou de Bristol.
Falei com Billah Aspernel, que estivera comigo havia pouco no fundo do luto. Um irmão quietista a andava perturbando, e afastando-a da Palavra e da Ceia. Na noite passada, aprouve ao nosso Senhor erguer-lhe a cabeça acima de todos os seus inimigos. Ele lhe falou na Palavra, e ela voltou a ter alegria, e essa alegria ninguém lha tirará.
Martin Chow e Margaret Martin, ao mesmo tempo, sentiram presente o poder do Senhor para curá-los; assim como Eleanor Gambal, na quinta-feira anterior.
Fui com meu irmão, Howel Harris e J. Purdy ver Molther, em Islington. Dei os parabéns a George Stonehouse pelo seu “bom negócio”, e o deixei justificando a meu irmão a venda do seu benefício eclesiástico. Quase persuadi uma dissidente a abrir mão da sua “fé de adesão”.
Expliquei o progresso da graça pela comparação que o nosso Senhor faz do grão de mostarda e do pouco fermento.
Recomendei a mulher cananeia como exemplo de importunação triunfante. É evidente que ela nunca ouvira falar da doutrina da “quietude”.
Almocei na casa do Sr. Wild, em Islington, e me alegrei com umas poucas almas não pervertidas. O pastor, ai!, está ferido, e as ovelhas estão dispersas; mas não todas. Deus reservou para si um pequenino remanescente.
Cavalguei com Maxfield até Bexley, e fui grandemente consolado com o meu irmão Piers. Os fracos permanecem em pé quando os fortes caem. A despeito de todos os quietistas, ele reteve firme a verdade, sem abandonar as ordenanças nem negar a sua fé fraca.
Dali fui a Blendon; que já não é Blendon para mim. Mal conseguiram forçar-se a ser apenas corteses. Despedi-me às pressas, e, com o coração pesado, esmagado pela ingratidão deles, voltei a Bexley.
Ali preguei o Evangelho a um pequeno rebanho, entre os quais ainda não entraram os cruéis lobos.
Fui constrangido a dar o meu testemunho pela última vez em Blendon. Maxfield me acompanhou. Pedi para falar a sós com a Sra. Delamotte. Ela não soube bem como recusar, e foi comigo até o salão. Comecei: “Três anos atrás, Deus me enviou a chamar a senhora da forma para o poder da piedade. Eu lhe disse o que é a verdadeira religião: um novo nascimento, uma participação da natureza divina. O caminho para isso eu mesmo não conhecia senão um ano depois. Então lho mostrei, pregando a Jesus Cristo e a fé no seu sangue. A senhora sabe como me tratou; pouco depois, Deus a chamou a uma fé viva pelo meu ministério. Então a senhora me recebeu como a um anjo de Deus. Onde está agora aquela bem-aventurança de que falava? De onde vem esta mudança? Esse ciúme, esse temor, essa frieza? Por que está tão impaciente por me ouvir falar?” Ela tentou várias vezes me deixar; disse que “não sabia o que eu queria dizer; que não queria discutir”, etc. “Não venho para discutir. Por que a senhora tem medo de mim? Que fiz eu? A senhora deu como razão para não me ver na cidade que não gostava de ser ‘desequilibrada’. Certa vez eu a desequilibrei, pela força do Todo-Poderoso, tirei-a do seu sedimento, apartei-a das suas próprias obras e a firmei sobre Cristo. Ninguém pode pôr outro fundamento além deste. Só desejo firmá-la mais solidamente sobre ele, adverti-la contra o perigo de ser desviada da esperança do Evangelho. Nossos irmãos, a quem a senhora agora segue, estão fazendo um cisma na igreja; não os siga nisto.” Ela não quis ouvir mais, e correu para a sala de estar. Quando entrei, Betty saiu; mas depois voltou. Ela não vai à Ceia há vários meses. Adverti-as contra lançar fora as ordenanças, que eram mandamentos divinos, obrigatórios a todos, justificados ou não.
Elas me interrompiam sem parar, perguntando por que eu falava com elas. Respondi: “Porque não ouso me calar, mas preciso livrar a minha própria alma.” Betty disse que recebera grande proveito de Molther, e que, por isso, não ouviria a ninguém senão a ele. Disse-lhe que nada tinha a objetar a que ela o ouvisse, exceto quando ele falasse contra as ordenanças.
Ao me mandarem calar de novo e de novo, perguntei: “Vocês, então, neste momento, na presença de Jesus Cristo, me isentam, me liberam e me dispensam de todo cuidado, preocupação ou interesse por suas almas? Vocês desejam que eu nunca mais lhes fale em nome dele?” Betty respondeu francamente: “Sim.” A Sra. Delamotte assentiu com o seu silêncio. “Então”, disse eu, “aqui me despeço de vocês, até nos encontrarmos no tribunal do juízo.” Com estas palavras, entreguei o meu encargo a Deus.
“Então disse eu”, depois de deixá-las, “trabalhei em vão, gastei as minhas forças por nada; contudo, certamente o meu direito está com o Senhor, e a minha obra, com o meu Deus.” Certamente isto basta para me desapegar e me fazer cessar de confiar no homem. Com Blendon, abandono toda expectativa de gratidão sobre a terra. Vaidade de vaidades, tudo é vaidade, até a própria amizade.
Segui devagar, a cavalo, rumo a Eltham, lançado fora pelos meus mais queridos amigos. Rogo a Deus que isto não lhes seja imputado, nem a eles, nem aos seus sedutores! A compaixão e a tristeza por eles predominavam no meu coração; e muito me aliviou a Escritura que primeiro se apresentou: “E Paulo desceu, debruçou-se sobre ele e, abraçando-o, disse: Não fiquem preocupados, porque a vida está nele.”
Voltei para ser provado pela oposição dos nossos irmãos quietistas. Meu irmão propôs reorganizar as bandas e reunir à parte aqueles poucos que ainda se mantinham firmes pelas ordenanças. Grande clamor se levantou por causa dessa proposta. Os barulhentos quietistas bem sabiam que já haviam conseguido o que queriam, cansando os sinceros, espalhados entre eles, um ou dois em cada banda de disputadores, que os haviam atormentado e serrado ao meio; de modo que mal restava um remanescente. Eles nos invejavam até esse remanescente, que em breve seria todo deles, a menos que fosse imediatamente resgatado das suas mãos. Benjamin Ingham nos apoiou; e conseguiu que se chamassem os nomes um a um, e que todos os que se sentissem prejudicados fossem postos em novas bandas.