Estudos do Bispo Ildo · Espírito Santo

Pneumatologia Geral

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Estudo sobre o Derramamento do Espírito Santo e o Nascimento da Igreja em Pentecostes (Atos 2)+

Introdução

Vamos iniciar nosso estudo em Atos capítulo 2, que nos narra o evento extraordinário do Pentecostes, onde o Espírito Santo foi derramado sobre os discípulos. Esse evento marca o nascimento da Igreja e é crucial para entendermos o papel do Espírito na vida dos crentes e da comunidade cristã.

O Cumprimento de uma Promessa e o início de uma nova era Aqui temos a narrativa do derramamento do Espírito Santo sobre os discípulos, um momento crucial na história da Igreja. Esse evento marca o cumprimento de uma promessa antiga de Deus, já anunciada pelo profeta Joel:

"E acontecerá que, nos últimos dias, derramarei do meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão" (Joel 2.28).

Essa profecia, feita muitos séculos antes, estava se cumprindo exatamente nesse momento em Atos 2, no Pentecostes. Um sinal dos tempos, demonstrando que o plano redentor de Deus estava avançando e que a promessa de enviar o Espírito Santo se tornara realidade.

Este evento marca o início da Igreja, que é o Corpo de Cristo, o qual venceu a morte, subiu aos céus e está assentado à direita de Deus Pai, Todo-Poderoso. Conforme o salmista profetizou:

"Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por estrado dos teus pés" (Salmo 110.1; ver também Atos 2.33-35 e 1 Coríntios 15.25).

"Derramarei do meu Espírito sobre toda a carne" (Joel 2.28)

O que é notável nessa profecia de Joel é que ele fala de um derramar generalizado do Espírito Santo:

"Derramarei do meu Espírito sobre toda a carne" (Joel 2.28). Isso significa que, ao contrário do que acontecia no Antigo Testamento, quando o Espírito era dado apenas a certos profetas, reis ou sacerdotes, agora o Espírito Santo estava disponível para todas as pessoas, sem distinção de gênero, idade ou status social.

"Sobre vossos filhos e vossas filhas, sobre os vossos velhos e vossos jovens, até sobre os servos e sobre as servas" (Joel 2.28-29; Atos 2.17-18).

Esse derramamento amplo e acessível demonstra a inclusão de todas as pessoas no plano redentor de Deus e na missão da Igreja, independentemente de suas posições sociais. Cristo, que reina à direita de Deus e coloca seus inimigos debaixo de seus pés, deu início a essa nova fase da história da salvação, inaugurando o tempo do Espírito Santo. Esse é o momento em que o Espírito age diretamente na vida dos crentes, capacitando-os para cumprir a missão de testemunhar o evangelho e expandir o Reino de Deus na terra.

Outro Consolador Jesus, antes de Sua ascensão, também havia prometido esse derramamento. Ele disse aos discípulos que era necessário que Ele subisse ao céu para que o Consolador, o Espírito Santo, fosse enviado. Em João 16.7, Jesus afirma: "Convém-vos que eu vá, porque se eu não for, o Consolador não virá para vós; mas, se eu for, vo-lo enviarei." Esse Consolador, que em grego é chamado de paráclito (παράκλητος), significa "aquele que é chamado para ajudar" ou "advogado", alguém da mesma natureza de Cristo. Jesus preparou os discípulos, dizendo que Ele enviaria o Espírito para estar com eles de uma maneira que Ele, em Sua forma humana, não poderia.

Além disso, em Efésios 4.9-10, o apóstolo Paulo explica a importância da ascensão de Cristo: "Ora, que quer dizer 'subiu', senão que também desceu às partes mais baixas da terra? Aquele que desceu é o mesmo que subiu acima de todos os céus, para encher todas as coisas." O que Paulo quer destacar é que Jesus, ao descer à Terra em Sua encarnação, humilhou-se para redimir a humanidade. Ele desceu para sofrer, morrer, ser sepultado e depois ressuscitar. Sua ascensão completou esse ciclo, e a Sua ida ao Pai abriu caminho para o derramamento do Espírito sobre a Igreja.

No Antigo Testamento, temos uma referência que ilustra bem a importância da presença de Deus no meio do Seu povo. Quando Israel comete o pecado de adorar o bezerro de ouro, Deus diz a Moisés: "Eu não subirei no meio de ti, porque és povo de dura cerviz; para que te não consuma eu no caminho" (Êxodo 33.3). Moisés, no entanto, intercede e diz: "Se a tua presença não for conosco, não nos faça subir deste lugar" (Êxodo 33.15). Moisés sabia que a presença de Deus era imprescindível, e isso reflete a mesma confiança que os discípulos tiveram em Jesus. Eles aguardaram pela promessa do Espírito, confiantes de que a presença de Deus viria de uma maneira poderosa e transformadora.

A Comunhão dos Crentes e a Unidade no Espírito Voltando ao texto de Atos 2, um detalhe significativo é que o Espírito Santo foi derramado enquanto todos estavam reunidos no mesmo lugar. Essa unidade é um fator essencial. O Salmo 133 expressa essa verdade ao dizer: "Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos! É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce pela barba, a barba de Arão, e desce até a orla das suas vestes. Ali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre" (Salmo 133.1-3). O derramar do Espírito Santo acontece no contexto da comunidade, da união dos crentes. Assim, vemos que a reunião dos discípulos simboliza a importância da comunhão para o recebimento das bênçãos de Deus.

Metáforas do Espírito Santo Outro ponto interessante é a metáfora do vento, que é usada aqui  para descrever o Espírito Santo. No versículo 2, lemos: "Veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados." O vento é uma figura muito apropriada para representar o Espírito, pois assim como o vento é invisível, mas poderoso e imprevisível, assim é o Espírito de Deus. Jesus, em João 3.8, também usa essa metáfora ao falar com Nicodemos: "O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito." Ele é livre, e ninguém pode controlar ou prever suas ações. O vento também transforma paisagens e purifica o ambiente. Da mesma maneira, o Espírito Santo transforma vidas, removendo impurezas e enchendo o crente de poder. Sua ação é tanto suave quanto poderosa, agindo conforme a necessidade do momento.

Outra metáfora importante em Atos 2 é o fogo. O texto nos diz que "apareceram distribuídas entre eles línguas como de fogo" (Atos 2.3). O fogo, na Bíblia, muitas vezes simboliza a presença purificadora e santificadora de Deus. Moisés, por exemplo, teve um encontro com Deus através de uma sarça ardente que não se consumia (Êxodo 3.2). Deus também é descrito como "fogo consumidor" (Hebreus 12.29). Em

Malaquias 3.2-3

, Deus é descrito como um fogo purificador, que refina o Seu povo. O Espírito Santo faz o mesmo em nossas vidas, removendo nossas impurezas espirituais e nos tornando mais santos. Esse fogo que desceu sobre os discípulos simboliza a purificação e a capacitação divina para a missão que estava por vir. O fogo também aquece e dá energia. Da mesma forma, o Espírito Santo renova nossas forças espirituais, nos encorajando e nos capacitando para viver conforme a vontade de Deus. O calor do fogo simboliza o fervor espiritual que o Espírito traz à vida do crente.

Mas, além dessas, a metáfora da água também é amplamente usada para representar o Espírito. Neste dia de Pentecostes a água se fez presente no batismo dos três mil convertidos. Em

João 7.37-39

, Jesus faz uma promessa sobre o Espírito, dizendo: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.”

Essa promessa se refere diretamente ao derramamento do Espírito Santo, que viria saciar a sede espiritual do crente, purificando e renovando sua vida. A água é essencial para a vida. Assim como a água é necessária para sustentar a vida física, o Espírito Santo é essencial para a vida espiritual. Ele nos renova continuamente, conforme descrito em

Tito 3.5

: "Ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo." O Espírito atua purificando, renovando e dando vida ao crente. A água do Espírito se move conforme a vontade de Deus, transformando tudo o que toca.

Essas metáforas—vento, fogo e água—nos mostram a profundidade da obra do Espírito Santo. Ele é aquele que nos purifica, renova, transforma e nos enche de poder para cumprir a missão que Deus nos confiou. O derramamento do Espírito em Pentecostes nos revela a natureza dinâmica e poderosa do Espírito Santo, que se move conforme a vontade de Deus, transformando e renovando a Igreja.

“Em um só Espírito fomos todos batizados em um só corpo”

Outro ponto que merece destaque é que todos os que estavam presentes foram cheios do Espírito Santo (Atos 2.4). O texto enfatiza que "todos" experimentaram essa bênção, sem exceção. Não há aqui distinção entre aqueles que merecem mais ou menos o dom do Espírito. Todos os que estavam reunidos receberam essa graça, conforme a promessa de Joel: "Derramarei do meu Espírito sobre toda a carne" (Joel 2.28). Não há espaço para elitismo espiritual. O Espírito é para todos os que creem.

Paulo, escrevendo aos coríntios, deixa claro que todos os crentes são batizados em um só Espírito, mas que nem todos recebem os mesmos dons. Em

1 Coríntios 12.13

, ele afirma:

"Pois em um só Espírito fomos todos batizados em um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito." Isso significa que o batismo no Espírito Santo é uma realidade para todos os crentes, mas os dons são distribuídos de maneira variada, conforme a vontade do Espírito. Nem todos possuem o dom de falar em outras línguas, assim como nem todos têm o dom de profecia ou de curas (1 Coríntios 12.30). Paulo ensina que não devemos nos sentir superiores ou inferiores com base nos dons que recebemos, pois o importante é saber que o Espírito é o mesmo, e que Ele distribui os dons conforme Lhe apraz (

1 Coríntios 12.11

). Paulo também esclarece que não é o dom que nos torna mais ou menos importantes no corpo de Cristo, mas o fato de termos sido batizados no Espírito e sermos parte desse corpo. Todos os dons são valiosos, mas nenhum crente deve se vangloriar por possuir um dom específico, visto que todos os dons vêm do mesmo Espírito (1 Coríntios 12.4), que os distribui conforme a necessidade e o propósito de Deus (1 Coríntios 12.7-11).

Outro ponto fundamental é que não há conversão sem o Espírito Santo. É Ele quem nos convence "do pecado, da justiça e do juízo" (

João 16.8

). Jesus deixou claro que, para entrar no Reino de Deus, é necessário nascer de novo, e isso ocorre através da obra do Espírito Santo. Em sua conversa com Nicodemos, Jesus disse: "Quem não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus" (

João 3.5

). Esse novo nascimento é uma obra exclusiva do Espírito, e sem Ele não podemos ser transformados nem salvos. Como Paulo afirma em

Tito 3.5-6

, fomos salvos "não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo a Sua misericórdia, mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que Ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador." Sem o Espírito Santo, não há salvação, pois é Ele quem regenera e transforma o coração humano. Paulo reforça essa verdade em

Romanos 8.9

, declarando: "Se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele." Além disso, não podemos ser templos do Espírito Santo se o Espírito não habitar em nós. O Espírito foi abundantemente derramado sobre os crentes para purificá-los, renová-los e capacitá-los a viver uma vida nova em Cristo.

O Espírito Santo também é descrito como o penhor da nossa herança. Em

Efésios 1.13-14

, Paulo escreve: "Fostes selados com o Espírito Santo da promessa, o qual é o penhor da nossa herança." Isso significa que o Espírito Santo é a garantia da nossa herança eterna. Portanto, não pode haver cristão genuíno sem o selo do Espírito Santo, que é a certeza de que pertencemos a Deus e que receberemos nossa herança eterna em Cristo.

É também pelo Espírito que somos capazes de confessar de todo o coração que Jesus Cristo é o Senhor ( 1 Coríntios 12.3). Além disso, é o Espírito que nos dá a capacidade de clamar Aba, Pai, como lemos em

Romanos 8.15

: "Recebestes o espírito de adoção, pelo qual clamamos: Aba, Pai!" O Espírito Santo também testifica que somos filhos de Deus, como Paulo declara em

Romanos 8.16

: "O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus." Portanto, o que realmente importa não é o dom que recebemos, mas o fato de que todos os crentes foram batizados no Espírito. Não há dois níveis de cristãos, como se alguns fossem "batizados no Espírito" e outros não.

O Espírito é concedido a todo aquele que crê em Cristo, e é Ele quem nos dá a vida nova e a certeza da nossa salvação.

Essas considerações são especialmente importantes à luz de certos ensinos que sugerem que há cristãos que ainda não foram batizados com o Espírito Santo. No entanto, como vimos, essa ideia é contrária à verdade bíblica. A Palavra de Deus nos ensina que todo cristão genuíno já foi batizado com o Espírito Santo no momento de sua conversão ( 1 Coríntios 12.13).

Isso deixa claro que todos os crentes foram batizados no Espírito, independentemente de sua condição social, origem ou dom que recebeu ou deixou de receber.

Além disso, não há cristão sem o Espírito Santo. Em

Romanos 8.9

, Paulo é enfático: "Se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele." Sem o Espírito, não há conversão nem pertencimento ao corpo de Cristo. O Espírito Santo é quem regenera e traz nova vida, como vemos em

Tito 3.5

: "Ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo." O que todo cristão deve buscar continuamente é ser cheio do Espírito Santo. Em

Efésios 5.18

, Paulo exorta os crentes: "Não vos embriagueis com vinho, no qual há devassidão, mas enchei-vos do Espírito." Ser cheio do Espírito é algo que deve ser buscado constantemente, para que possamos viver em novidade de vida e cumprir com dignidade a missão que Jesus nos confiou. Em

Romanos 6.4

, Paulo nos lembra que, assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos, "andemos nós também em novidade de vida." Essa plenitude do Espírito nos capacita a ser sal da terra e luz do mundo (

Mateus 5.13-14

), testemunhando com poder e cumprindo o chamado de Jesus de fazer discípulos de todas as nações (

Mateus 28.19-20

). Portanto, embora o batismo no Espírito ocorra no momento da conversão, a busca por viver cheio do Espírito deve ser contínua na vida de todo cristão, para que possamos ser eficazes e frutíferos para o Reino de Deus.

O Impacto do Derramamento do Espírito Santo Depois que o Espírito foi derramado, os discípulos, que antes estavam temerosos e escondidos, agora saíram proclamando as grandezas de Deus com ousadia. O texto relata que os discípulos começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia (Atos 2.4). Eles falaram em línguas conhecidas por outros povos que estavam em Jerusalém para a festa de Pentecoste. A narrativa de Atos nos informa que havia em Jerusalém "judeus, homens piedosos, de todas as nações debaixo do céu" (Atos 2.5). Esses visitantes ficaram perplexos ao ouvir os discípulos falando em suas próprias línguas maternas (Atos 2.6).

Isso não foi apenas um milagre da fala, mas também um milagre da audição. O Espírito Santo capacitou os discípulos a proclamar o evangelho de maneira que todos pudessem entender. Esse evento nos faz lembrar da confusão de línguas que ocorreu em Babel, descrita em

Gênesis 11

. Enquanto em Babel Deus confundiu as línguas para dispersar a humanidade, em Pentecostes, Ele usou as línguas para reverter a maldição e unir as pessoas e comunicar Sua mensagem de salvação e reconciliação de todas as pessoas, povos, tribos, línguas e nações em Cristo.

Essa inversão de Babel mostra que o Espírito Santo não apenas une, mas capacita a Igreja para cumprir sua missão de pregar o evangelho a todas as nações. O fenômeno de falar em línguas foi não só um sinal para aqueles que estavam presentes, mas também um cumprimento da ordem de Jesus de que os discípulos seriam Suas testemunhas "até os confins da terra" (Atos 1.8).

Pedro, então, se levanta e prega com ousadia, explicando que o que estava acontecendo era o cumprimento da profecia de Joel. Ele proclama que Jesus, a quem eles haviam crucificado, ressuscitou e foi exaltado à direita de Deus, e agora, por meio Dele, o Espírito Santo foi derramado sobre todos os crentes. Sua mensagem foi tão poderosa que a multidão, compungida em seus corações, perguntou: "Que faremos?" Pedro responde:

"Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo" (Atos 2.38).

Naquele dia, cerca de três mil pessoas foram batizadas, e assim a Igreja nasceu (Atos 2.41). Esse foi o início de um grande movimento de evangelização, que começou com os discípulos em Jerusalém e se espalhou pelo mundo.

Eventos Extraordinários e Únicos no Pentecostes Como vimos, os sinais que ocorreram no dia de Pentecostes são tremendamente significativos e marcam um evento único e irrepetível na história da Igreja. Em Atos 2, lemos que houve um som como de um vento impetuoso, línguas como de fogo que pousaram sobre os discípulos, e eles começaram a falar em outros idiomas. Além disso, pessoas de várias nações, presentes em Jerusalém para a festa, ficaram perplexas, pois ouviram os discípulos falando em suas próprias línguas maternas.

Esses eventos extraordinários, que acompanharam o derramamento inicial do Espírito Santo, são um marco histórico. O som do vento, as línguas de fogo e a capacidade de falar em outras línguas de maneira que todos pudessem entender em suas línguas maternas, apontam para a soberania e o poder de Deus, que estava inaugurando uma nova era. Era o nascimento da Igreja, o início da missão de levar o evangelho a todas as nações, começando em Jerusalém.

É importante observar que, ao longo do Novo Testamento, esse evento é descrito como único. Por exemplo, quando as três mil pessoas foram convertidas e batizadas no mesmo dia, após o sermão de Pedro (Atos 2.41), não houve os mesmos sinais visíveis e audíveis que acompanharam o grupo inicial dos discípulos. Não se ouviu um som como de um vento impetuoso, nem se viu línguas como de fogo pousando sobre cada uma das 3 mil pessoas batizadas e nada é mencionado sobre terem falado outras línguas e nem muito menos que tais línguas tenham sido entendidas por outras pessoas como se fossem em suas próprias línguas maternas. Mas, sabemos que essas três mil pessoas também receberam o batismo do Espírito e foram cheias do Espírito Santo, pois Pedro prometeu que receberiam o Espírito assim que fossem batizadas: “Pedro respondeu: — Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos seus pecados, e vocês receberão o dom do Espírito Santo. Porque a promessa é para vocês e para os seus filhos, e para todos os que ainda estão longe, isto é, para todos aqueles que o Senhor, nosso Deus, chamar.” (Atos 2.38–39). No entanto, os sinais da presença do Espírito ali descritos foram outros. Em

Atos 2.42

, vemos os sinais de que elas realmente haviam sido transformadas e cheias do Espírito:

Perseveravam na doutrina dos apóstolos.

Perseveravam na comunhão, no partir do pão e nas orações.

Havia temor em cada alma, e muitos sinais e prodígios eram feitos pelos apóstolos.

Estavam juntos e tinham tudo em comum.

Vendiam suas propriedades e repartiam entre todos, conforme a necessidade de cada um.

Perseveravam no templo e partiam o pão de casa em casa com alegria e singeleza de coração.

Louvavam a Deus e contavam com a simpatia de todo o povo.

O Senhor acrescentava, dia a dia, os que iam sendo salvos.

Esses são os sinais da presença do Espírito Santo na vida daqueles que creram e foram batizados. Embora o som do vento e as línguas de fogo não tenham se repetido, o Espírito agiu poderosamente, trazendo transformação, unidade e comunhão à nova comunidade de crentes.

Conclusão: O Espírito Santo na Vida da Igreja O derramamento do Espírito Santo no Pentecostes foi um evento único e irrepetível, marcando o nascimento da Igreja e a inauguração de uma nova era. No entanto, o Espírito continua a ser derramado sobre cada crente, distribuindo dons e capacitando-nos a viver conforme a vontade de Deus e a ser Suas testemunhas (At 1.8). "A promessa é para vós, para vossos filhos e para todos os que estão longe, a tantos quantos Deus, nosso Senhor, chamar" (Atos 2.39). Que possamos viver cheios do Espírito Santo, permitindo que Ele nos purifique, nos transforme e nos capacite a cumprir a missão que Deus nos confiou.

Batismo e Plenitude do Espírito Santo+

Batismo com o Espírito Santo e o dom de línguas Quanto ao Batismo com o Espírito Santo e ao dom de línguas há grande controvérsia devido à ignorância que já era comum mesmo nos dias do Novo Testamento (1 Co 12.1). À luz da Bíblia, vamos primeiramente analisar o batismo com o Espírito Santo para depois estudarmos a questão do dom de línguas.

Sobre o Batismo com o Espírito Santo O Apóstolo Paulo ensina que há um só batismo cristão (Ef 4.5). Existiam outros batismos praticados por judeus na época do Novo Testamento, como o de João, mas que não se enquadram na categoria de batismo cristão. Não devemos confundir o batismo de João com o batismo cristão. A igreja cristã não pratica o batismo de João, mas apenas o único batismo cristão que é o do Senhor Jesus Cristo. De modo que os discípulos de João, quando aceitavam a Cristo, precisavam ser novamente batizados em nome do Senhor Jesus: “Então, Paulo perguntou: Em que, pois, fostes batizados? Responderam: No batismo de João. Disse-lhes Paulo: João realizou batismo de arrependimento, dizendo ao povo que cresse naquele que vinha depois dele, a saber, em Jesus. Eles, tendo ouvido isto, foram batizados em o nome do Senhor Jesus” (At 19.3-5).

Quais seriam as diferanças entre o batismo de João e o de Jesus?

O Próprio João Batista chamou à atenção para algumas diferenças: "Eu vos batizo com água para arrependimento; mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu, cujas sandálias não sou digno de levar. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo" (Mt 3.11). Isto nos faz lembrar de uma das frases que Jesus disse a Nicodemos: "… Quem não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus" (Jo 3.5). O elemento distintivo do batismo cristão é a "Promessa do Pai" (At 2.39), é o dom do Espírito Santo que regenera o homem (Tt 3.5), capacitando-o a viver a vida cristã e a ser testemunha de Cristo (At 1.8). Toda a vida cristã é mediada pelo Espírito, desde a conversão até a ressurreição. A obra do Espírito se faz presente muito antes de nossa percepção dela. É o Espírito Santo que nos convence do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8), e é o próprio Espírito que promove a regeneração (Jo 3), de modo que somos feitos novas criaturas habitadas e movidas pelo Espírito de Deus. Tito diz que nossa salvação é obra do Espírito Santo que foi derramado abundantemente sobre nós no momento de nossa regeneração: “Não por obras de justiça praticadas por nós, mas por sua graça ele nos salvou, pelo lavar regenerador e purificador do Espírito Santo que ele derramou abundantemente sobre nós…” (Tt 3.5-6a) As virtudes cristãs são denominadas frutos do Espírito (Gl 5 e 6), pois sem Jesus nada podemos fazer (Jo 15.5).

Portanto, a vida cristã é uma vida gerada pelo Espírito para ser vivida no poder deste mesmo Espírito: "Se vivemos pelo Espírito, andemos também no Espírito". É pelo Espírito Santo que somos habilitados a reconhecer e confessar que Jesus é Senhor (1 Co 12.1), e é também nele que os cristão são batizados no corpo de Cristo (1 Co 12.13). "Se alguém não tem o Espírito de Cristo, este tal não é dEle" (Rm 8.9). É o Espírito Santo que testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus (Rm 8.16; Gl 4.5-6).

Para o Apóstolo Paulo, as expressões "estar em Cristo" e "estar no Espírito" são sinônimas (Rm 8.1,9,10). Ele também não vê nenhum problema em denominar o Espírito Santo de "Espírito de Deus" e de "Espírito de Cristo", isto no mesmo versículo (Rm 8.9). Sua concepção da trindade é bem desenvolvida. Não se pode separar Cristo do Espírito Santo. Pois o Espírito Santo e Jesus Cristo são simplesmente inseparáveis (Rm 8.9-10; 2 Co 3.17). Quem recebe a Jesus, recebe o Espírito Santo.

O batismo cristão é feito "em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo" (Mt 28.19). A Bíblia ensina que os cristãos são templos do Espírito (1 Co 6.19). Jesus disse que os crentes não ficariam órfãos (Jo 14.18), Ele disse que estaria sempre com eles até a consumação dos séculos (Mt 28.20). Jesus afirmou que o Pai e Ele viriam e fariam morada nos cristãos (Jo 14.23). Paulo ensina que isto se dá através do Espírito: “no qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus no Espírito” (Ef 2.22). E Jesus cumpre a Sua promessa enviando o Consolador: "E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre conosco" (Jo 14.16).

Portanto, não existem dois batismos cristãos, um nas águas e outro com o Espírito. O batismo de Jesus inclui a ambos, ou seja, implica no lavar regenerador da água e do Espírito Santo (Tt 3.5). Não devemos também confundir o batismo com Espírito Santo com a plenitude do Espírito. Pois batismo só existe um (Ef 4.5) e a plenitude pode ser experimentada em diversas ocasiões da vida (Ef 5.18). Alguém pode facilmente cometer o equivoco de denominar de Batismo com Espirito Santo uma autêntica experiência de plenitude do Espírito tida num momento posterior a sua conversão, onde dons também podem ter sido comunicados. A mudança de nomenclatura não altera o valor da experiência, que permanece preciosa para o indivíduo.

Depois de Pentecostes, não encontramos nenhuma exortação para que cristãos busquem o batismo com Espírito Santo, mas encontramos algumas passagens que exortam os cristãos a se encherem do Espírito (Ef. 5.18; Gl 5.16; 1 Ts 5.19; Ef 4.30). Os apóstolos não exortavam os cristãos a buscarem o batismo com o Espírito Santo, pois era inconcebível a ideia da existência de um cristão sem o Espírito de Deus (Rm 8.9). O cristão é filho de Deus e não existe filiação parcial, pois a graça é total. Não há cristãos pela metade, mas completos, tornados justos pela obra de Jesus e incorporados na comunhão dos santos, desfrutando de todos as bênçãos e privilégios do Evangelho. “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo (Ef 1.3)!

Sobre o dom de línguas “Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes”. (1 Co 12.1)

Não tem base bíblica os que ensinam que os dons do Espírito eram apenas para o período apostólico visando o estabelecimento da igreja, pois a Bíblia ensina que os dons existem para a expansão e edificação do Corpo de Cristo, como diz Paulo em 1 Coríntios 14.12: "Assim, também vós, visto que desejais dons espirituais, procurai progredir, para a edificação da igreja". E a edificação da igreja é um processo contínuo até a Segunda Vinda de Cristo.

Por outro lado, os pentecostais estão equivocados quando ensinam que o dom de línguas é o dom sinal do batismo com Espírito Santo, pois eles próprios não possuem os dons e sinais manifestados no dia de Pentecostes. Sim, não possuem os mesmos sinais do Pentecostes, pois no momento do derramamento do Espírito sobre os 120 cristãos que estavam reunidos no cenáculo, foi ouvido um som como de um vento impetuoso, foram vistas línguas como de fogo pousando sobre a cabeça de cada pessoa ali presente e, por fim, todos passaram a falar em outros idiomas, ou seja, em línguas estrangeiras, tanto que, ao saírem do cenáculo, tais idiomas foram compreendidos por pessoas provenientes de distintas partes do mundo.

No dia de Pentecostes, nasce a Igreja, falando todas as línguas para alcançar todos os povos, melhor que isto, todos os estrangeiros ali presentes entendiam a mensagem em sua própria língua materna, o que denota um fenômeno reverso daquele da Torre de Babel. Sinal dos Tempos! Sinal da vocação universal da Igreja. As nações originadas e dividas na maldição de Babel (Gn 11), são benditas através do descendente de Abrão (Gn 12), Jesus Cristo, o Rei das Nações, que promove entendimento, unidade e paz.

Portanto, estes 3 sinais existiram como um marco histórico do cumprimento da promessa do derramamento do Espírito e do nascimento da Igreja. Podemos afirmar que tais sinais foram e permanecem inéditos. Jamais se teve notícia de que tenham sido reproduzidos do modo como aconteceu em Pentecostes.

No entanto, em Atos 2, existe ainda outro grupo de discípulos, os 3 mil, que se converteram e que também foram batizados com o Espírito, mas nada é dito sobre terem falado em línguas, ou sobre ter sido ouvido um barulho como de um vento impetuoso, ou ainda sobre terem sido vistas labaredas de fogo pousando sobre as cabeças no momento do Batismo. Mas outros sinais são mencionados como características da presença e ação do Espírito Santo, tais como perseverança na sã doutrina, comunhão em amor, singeleza de coração e evangelização. Tais sinais, sim, devem estar presentes na vida cristã cheia do Espírito.

Existe também no Novo Testamento a referência a outra espécie de dom de línguas, distinta do fenômeno de Atos 2. Paulo menciona o dom de falar línguas estranhas, talvez angelicais (1 Co 13.1), que necessitam o dom espiritual de interpretação para serem compreendidas (1 Co 12-14). Mas Paulo é claro ao dizer que este dom de falar em línguas estranhas, assim como outros dons ali mencionados, não são para todos os crentes, ou seja, nem todos falam em outras línguas. Veja a série de perguntas retóricas que ele faz em 1 Coríntios 12.30: “Têm todos o dom de curar? Falam todos diversas línguas? Interpretam todos?” Obviamente que, para cada uma destas perguntas, a resposta é a mesma, ou seja, não! Não, nem todos tem o dom de curar. Não, nem todos falam em outras línguas. Não, nem todos tem o dom de interpretar Sendo assim, já que nem todos falam em línguas, como pode subsistir o ensino de que falar em línguas é o indispensável sinal do Batismo com o Espírito Santo?

No mesmo capítulo em que Paulo ensina que nem todos falam em línguas, ele também afirma que todos da igreja de Corinto, sem exceção, foram batizados em um só Espírito no Corpo de Cristo (1 Co 12.13). Todos foram batizados com o Espírito Santo, mas nem todos falaram em línguas (1 Co 12.30). Não deveria haver divisão na igreja por causa dos dons. Ninguém deve ser desprezado por não possuir determinado dom. E ninguém deve se sentir diminuído por não falar em línguas. Pois, não importa que dom a pessoa recebeu, porque o importante é saber que o mesmo Espírito é a fonte de todos os dons. “Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo” (1 Co 12.4). “Se o pé disser: Porque não sou mão, não sou do corpo; não será por isso do corpo?” (1 Co 12.15). “Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um, individualmente” (1Co 12.11).

No Pentecostes, cumprisse a promessa do Pai através do derramamento do Espírito sobre a Igreja. E é através do Espírito que alguém é batizado e inserido no Corpo de Cristo que é a Igreja (1Co 12.13). O batismo é ritual de iniciação. É apenas o começo e não o ápice de nossa caminhada cristã. No batismo no Espírito, nascemos para uma nova vida, e graças são comunicadas para que o crente possa viver em novidade de vida, expressando as virtudes de sua nova natureza. É o Espírito quem capacita o cristão a ser testemunha de Cristo. É através dos frutos Espírito que os cristãos são conhecidos (Mt 7.20) e não por qualquer dom em especial, pois a posse do mais extraordinário dos dons sem o fruto do amor não tem nenhum valor algum aos olhos de Deus (1 Co 13). Os falsos profetas não podem ser desmascarados se o critério de avaliação for a posse e o exercício dos dons, pois eles também parecem possuir muitos dons, como, por exemplo, o de profetizar. Jesus advertiu também dizendo: “Muitos me dirão naquele Dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E, em teu nome, não expulsamos demônios? E, em teu nome, não fizemos muitas maravilhas? E, então, lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mt 7.22-23). Por isto também exorta o Apóstolo João: “Amados, não creiais em todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” (1 Jo 4.1). E Paulo igualmente orienta a igreja, dizendo: “E falem dois ou três profetas, e os outros julguem” (1Co 14.29). “Irmãos, não sejais meninos no juízo; na malícia, sim, sede crianças; quanto ao juízo, sede homens amadurecidos” (1Co 14.20). “Acautelai-vos dos falsos profetas que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores (Mt 7.15). “Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas e farão tão grandes sinais e prodígios, que, se possível fora, enganariam até os escolhidos” (Mt 24.24). Portanto, devemos ser muito criteriosos, pois os falsos profetas espertamente se aproveitam da ignorância, da imprudência e da ingenuidade do povo de Deus.

Bispo Ildo Mello Desejando saber mais sobre o assunto, sugiro a leitura dos seguintes estudos:

5 Lições sobre os dons do Espírito Santo – http://escatologiacrista.blogspot.com.br/2008/12/dons-do-esprito.html Batizados com água e com fogo!

– http://escatologiacrista.blogspot.com.br/2011/04/batizados-com-agua-e-com-fogo.html

O Dom de Discernimento de Espíritos: Entendendo Sua Importância e Aplicação+

Definição e Origem do Dom:

O dom de discernimento de espíritos é uma habilidade especial dada pelo Espírito Santo. Ele permite distinguir entre o verdadeiro Espírito de Deus e espíritos enganadores ou demoníacos.

Esse dom é vital para proteger a igreja de ensinos falsos e influências perigosas.

Na Bíblia, esse dom é mencionado em 1 Coríntios 12.10 como um dos dons espirituais para o benefício da igreja.

Testar os Espíritos:

A Bíblia instrui a não aceitar todos os ensinos ou profecias sem questionar. É essencial examiná-los com base na verdade bíblica e no evangelho de Cristo (1 João 4.1).

Julgar as Profecias:

Paulo enfatiza a importância de analisar e julgar as profecias em 1 Tessalonicenses 5.20-21, incentivando os fiéis a testar todas as coisas e reter o que é bom.

Em 1 Coríntios 14.29, Paulo orienta que os profetas falem e os outros julguem a conformidade de suas palavras com a verdade bíblica.

Identificar Falsos Profetas:

Observar os Frutos:

Jesus disse que "pelos frutos os conhecereis" (Mateus 7.16). Os frutos do Espírito, como amor, alegria, paz e outros, são indicativos de um verdadeiro profeta (Gálatas 5.22-23).

Avaliar a Responsabilidade e Transparência:

Falsos profetas podem ser identificados por sua falta de transparência e responsabilidade, especialmente em questões financeiras.

Examinar a Doutrina:

Verifique se os ensinamentos estão em conformidade com as Escrituras. Desvios das verdades centrais da fé são sinais de falsidade (1 João 4.1-3).

Consistência com o Evangelho de Cristo:

Qualquer ensino que contradiga o evangelho de Cristo é suspeito (Gálatas 1.8).

Humildade e Serviço:

Líderes verdadeiros demonstram humildade e servem aos outros, seguindo o exemplo de Jesus.

Exemplos Bíblicos de Discernimento:

Os Bereanos: Eram conhecidos por examinar as Escrituras diariamente para confirmar os ensinos recebidos (Atos 17.11).

A Igreja de Éfeso: Jesus elogiou esta igreja por identificar e rejeitar falsos apóstolos (Apocalipse 2.2).

Advertência de Jesus sobre Falsos Profetas: Jesus alertou sobre falsos cristos e profetas que poderiam enganar até os escolhidos (Mateus 24.24).

O Alerta de Paulo: Paulo descreveu falsos apóstolos e o perigo de serem confundidos com verdadeiros líderes (2 Coríntios 11.13-15).

O Ensino do Antigo Testamento: Deuteronômio 13.1-3 e 18.20-22 oferecem critérios para identificar falsos profetas, incluindo profecias não cumpridas e mensagens que desviam da adoração a Deus.

Conclusão:

Ser diligente e criterioso em relação a ensinamentos e líderes espirituais é crucial. É importante alinhar tudo com a Palavra de Deus, observar o caráter e os frutos de um líder e buscar a orientação do Espírito Santo em todos os aspectos da vida espiritual.

Versão Expandida deste mesmo estudo Definição e Origem do Dom:

O dom de discernimento de espíritos, conforme ensinado pela Bíblia, é a capacidade dada pelo Espírito Santo para distinguir entre o verdadeiro Espírito de Deus e os espíritos enganadores ou demoníacos. Esse dom é crucial para a vida da igreja, pois ajuda a proteger a comunidade de ensinamentos e influências enganosas.

Na Bíblia, o dom de discernimento é mencionado em 1 Coríntios 12.10 como um dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo para o bem comum da igreja. Esse dom é essencial para identificar e desmascarar falsos profetas e ensinamentos heréticos.

Devemos Testar os Espíritos:

João adverte em 1 João 4.1 para não acreditar em todos os espíritos, mas testá-los para ver se procedem de Deus. Isso ressalta a importância de não aceitar cegamente qualquer ensinamento ou profecia, mas de examiná-los à luz da verdade bíblica e do evangelho de Cristo.

Devemos Julgar as Profecias:

O apóstolo Paulo ressalta a importância de examinar e julgar as profecias, evitando a aceitação ingênua de qualquer palavra como se automaticamente procedesse de Deus. Esta orientação é encontrada em algumas de suas epístolas: Em 1 Tessalonicenses 5.20-21, Paulo aconselha: "Não desprezeis as profecias, mas provai todas as coisas; retende o que é bom." Aqui, ele encoraja os crentes a não rejeitar as profecias, mas a testá-las cuidadosamente para discernir o que é genuinamente de Deus e o que não é. Em Efésios 2.20, Paulo descreve a igreja como edificada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo Cristo Jesus a pedra angular. Isso implica que as profecias e ensinamentos devem estar alinhados com a doutrina estabelecida pelos apóstolos e consistentes com o evangelho de Cristo. Um dos principais sinais de uma Igreja cheia do Espírito Santo é que ela persevera na doutrina dos Apóstolos (Atos 2.42). Em 1 Coríntios 14.29, Paulo instrui que os profetas falem e que outros julguem. Esse julgamento refere-se à avaliação da conformidade da profecia com a verdade bíblica e ao seu impacto na edificação, exortação e consolação da igreja (1 Coríntios 14.3).

Para identificar falsos profetas, a Bíblia oferece várias orientações claras:

Observar os Frutos:

Jesus instruiu que "pelos frutos os conhecereis" (Mateus 7.16). Isso significa avaliar a vida e o caráter de um líder espiritual. Os frutos do Espírito, como amor, alegria, paz, paciência, bondade, benignidade, fidelidade, mansidão e domínio próprio (Gálatas 5.22-23), devem ser evidentes na vida de um verdadeiro profeta. Procure também conhecer o histórico daquele que se apresenta como líder espiritual ou profeta de Deus. Paulo enfatiza a importância de uma boa reputação e um histórico comprovado de integridade para aqueles que desejam ocupar posições de liderança na igreja, como diáconos e presbíteros. Em 1 Timóteo 3.1-13, Paulo descreve as qualificações para presbíteros e diáconos. Ele ressalta que esses líderes devem ser irrepreensíveis, fiéis a seus cônjuges, sóbrios, prudentes, respeitáveis, hospitaleiros e capazes de ensinar. Além disso, enfatiza que eles não devem ser apegados ao dinheiro, não devem ser novos na fé (para evitar o orgulho) e devem ter uma boa reputação mesmo fora da igreja. Em Tito 1.5-9, Paulo reforça que um presbítero deve ser irrepreensível e insiste em que ele seja capaz de encorajar outros com ensino sadio e refutar os que se opõem à verdade. Essa capacidade vem não apenas do conhecimento, mas também de um caráter testado e aprovado. A integridade pessoal, a fidelidade à doutrina e a capacidade de liderar de maneira exemplar são cruciais para garantir que a igreja seja guiada por líderes que refletem verdadeiramente o caráter de Cristo e a verdade do Evangelho.

Avaliar a Responsabilidade e a Transparência:

Falsos profetas muitas vezes são caracterizados por uma falta de responsabilidade e transparência, especialmente em questões financeiras. Eles podem usar sua posição para benefício próprio ou manipular seus seguidores.

Examinar a Doutrina:

Conforme destacado em 1 João 4.1, é essencial "não crer em todo espírito, mas provar se os espíritos são de Deus". Isso envolve comparar meticulosamente os ensinamentos de qualquer profeta com a verdade revelada nas Escrituras. Falsos profetas muitas vezes deturpam ou se afastam das verdades centrais da fé cristã. João adverte em 1 João 4.3 que o espírito do anticristo já opera no mundo, manifestando-se especialmente pela negação da encarnação de Jesus, ou seja, a rejeição de que Jesus veio em carne. Já em 1 João 4.2, ele salienta que todo espírito que reconhece Jesus Cristo como vindo em carne é de Deus, ressaltando que a verdadeira doutrina e profecia se baseiam na confissão autêntica e na exaltação de Jesus como o Filho de Deus encarnado. Além disso, em 1 João 2.24, João incentiva os fiéis a se manterem firmes na doutrina recebida desde o início, pois permanecer fiel a essa doutrina assegura a comunhão contínua com o Pai e o Filho. Isso sublinha que a aderência à doutrina original é crucial para evitar desvios provocados por falsos ensinos.

Consistência com o Evangelho de Cristo:

Paulo adverte em Gálatas 1.8 que se alguém pregar um evangelho diferente daquele que foi recebido, deve ser considerado anátema. Portanto, qualquer ensinamento que contradiga o evangelho de Cristo é um sinal de falsidade.

Humildade e Serviço:

Os verdadeiros líderes espirituais demonstram humildade e um coração de servo, conforme o exemplo de Jesus. Falsos profetas, por outro lado, podem demonstrar orgulho, arrogância e um desejo de controle.

Exemplos bíblicos que ilustram a importância do discernimento incluem:

Os Bereanos:

Em Atos 17.11, os bereanos são elogiados por sua postura criteriosa. Eles recebiam a palavra com grande interesse, mas, ao mesmo tempo, examinavam as Escrituras todos os dias para verificar se o que Paulo e Silas ensinavam estava de acordo. Esse exemplo destaca a importância de não aceitar cegamente qualquer ensinamento, mas de conferir tudo à luz da Palavra de Deus.

A Igreja de Éfeso:

Em Apocalipse 2.2, Jesus elogia a Igreja de Éfeso por testar aqueles que afirmavam ser apóstolos e não o eram, e por descobrir que eles eram falsos. Esse discernimento protegeu a igreja de ser levada por ensinamentos errôneos e influências malignas.

A Advertência de Jesus sobre os Falsos Profetas:

Em Mateus 24.24, Jesus adverte que surgirão falsos cristos e falsos profetas que farão grandes sinais e maravilhas, a ponto de, se possível, enganar até os escolhidos. Isso sublinha a sofisticação de alguns enganos e a necessidade de um discernimento aguçado.

O Alerta de Paulo em 2 Coríntios 11.13-15:

Paulo descreve os falsos apóstolos como "obreiros fraudulentos, disfarçando-se em apóstolos de Cristo". Ele continua explicando que isso não é surpreendente, pois até Satanás se disfarça de anjo de luz. Isso ilustra como o engano pode ser sutil e atraente, tornando o discernimento ainda mais crucial.

O Ensino do Antigo Testamento:

Deuteronômio 13.1-3

ensina que se um profeta ou sonhador de sonhos produzir um sinal ou maravilha, mas depois disser “Vamos seguir outros deuses” ou ensinar algo que se desvie da verdadeira adoração a Deus, ele deve ser reconhecido como um falso profeta. Mesmo os sinais e maravilhas não são garantias de verdade se a mensagem contradiz a Palavra de Deus. Outra passagem fundamental sobre discernimento e falsos profetas é encontrada em

Deuteronômio 18.20-22

. Neste trecho, são estabelecidos critérios claros para identificar um profeta verdadeiro em contraste com um falso profeta. Eis os principais pontos: Palavras que não se cumprem: Se um profeta proclama algo em nome do Senhor e essa palavra não acontece ou não se cumpre, essa é a evidência de que o Senhor não falou por meio dele. O profeta é, portanto, falso e não deve ser temido (Deuteronômio 18.22). Esses critérios destacam a importância de alinhar todo ensino e profecia com a revelação de Deus e sua Palavra. Eles também enfatizam que os sinais e maravilhas, por si só, não são garantia da autenticidade de um profeta, mas sim a fidelidade à mensagem e mandamentos de Deus.

Conclusão

Estes exemplos bíblicos mostram a importância de ser diligente e criterioso em relação aos ensinamentos e líderes espirituais. Eles ressaltam a necessidade de alinhar tudo com a Palavra de Deus, de observar o caráter e os frutos de um líder e de buscar a orientação do Espírito Santo em todos os aspectos da vida espiritual.

O Espírito Santo, a Criação e a Nova Criação+

Vimos também como o Espírito Santo atuou de maneira ativa no próprio ministério de Cristo, ungindo-o e capacitando-o para o exercício de sua missão integral (Lc 4.1, 18). É interessante notar que a própria missão de regeneração, que é uma especialidade do Espírito Santo, está relacionada à obra da Criação, pois faz parte do plano de restauração do propósito original de Deus. A regeneração é a recriação da imagem de Deus no indivíduo (2 Co 3.18; 1 Co 15.49, Co 3.10 e Rm 8.29), restauração da justiça e do amor na sociedade, desfazer as obras do diabo, com o propósito de colocar todas as coisas debaixo dos pés de Jesus (1 Jo 3.8; Ef 1.10, 22; 1 Co 15.27; Hb 2.8:10.13). O Espírito Santo teve um papel preponderante na criação (Gn 1.2) e agora tem um extraordinário papel na nova criação em Cristo (Mt 1.20; Jo 3.5; Tt 3.5). O seu papel de transformar o indivíduo e de o capacitar para ser testemunha de Cristo, um agente do Reino de Deus, através do seu poder regenerador e transformador da realidade em todas as suas facetas. O Livro de Atos mostra como o Espírito Santo lidou com os primeiros discípulos que demonstraram covardia ao fugir por ocasião da prisão de Jesus e os transformou em intrépidas testemunhas de Cristo mesmo em face da própria morte.

No Antigo Testamento, o Espírito Santo aparece já no segundo versículo de Gênesis. O verbo indica que o Espírito Santo estava como que chocando ou incubando, tendo uma participação ativa na criação. E, no Evangelho de João, vemos a relação de Gênesis com a doutrina da encarnação. Observe o papel da Trindade na criação. Precisamos recuperar o ensino de que o Espírito Santo estava e está ativo na criação e não somente na Igreja! Ninguém pode conhecer a Deus sem a ação do Espírito no Mundo. Restringimos demasiadamente a ação do Espírito à esfera da Igreja. O Espírito Santo atua no mundo para convencimento (João 16.5-11). Vemos aí, a ação do Espírito Santo em relação à vida humana mesmo antes da conversão e não apenas na vida dos crentes. O Espírito Santo é mediador entre a ação de Deus e a criação e a história humana. O Espírito Santo é aquele que aperfeiçoa toda a criação. Não diz respeito apenas aos seres humanos, mas a totalidade da criação (Rm 8). A criação geme, porque deseja ser libertada da escravidão. A Shalom significa harmonia com Deus, consigo mesmo, com o próximo e com a criação. O efeito da queda afetou estas 4 dimensões da relação humana. O relato que encontramos em Gênesis 3.16 não é prescritivo, mas descritivo dos efeitos da queda. Uma das conseqüências da queda se revela no texto que diz que o homem vai dominar sobre a mulher, pois este não era o propósito original de Deus, mas foi uma ruptura da relação entre o homem e a mulher provocada pelo pecado. i O texto também diz que maldita seria a terra por culpa humana. Paulo aborda esta questão em Romanos 8, ao dizer que a terra foi submetida à vaidade ou frustração como conseqüências do pecado humano. O Espírito Santo atua para a libertação da Criação, visando já um novo céu e uma nova terra onde habita a justiça. Deus está promovendo uma obra de regeneração com intuito de restaurar o propósito original por meio do seu Espírito.

Quando compreendemos melhor a criação, passamos a entender também como as coisas deveriam ser. Enquanto isto, entender o episódio da queda nos ajuda a discernir o porquê das coisas estarem fora de lugar e o que é que está trabalhando contra os propósitos originais de Deus. E, entender o relato da redenção nos ajuda a descobrir a cura e a restauração dos propósitos de Deus, o destino final de toda a criação e quem pode conduzir a história humana ao seu final desejável. ii i Em Cristo não deve haver ii Myers, Bryant L.

Caminar con Los Pobres.

Manual teórico-prático de desarrollo transformador. Buenos Aires: Kairós. 2002. P.48.