Estudos do Bispo Ildo · Santificação e Vida Cristã

Vida Cristã Prática

68 estudos

← Voltar a Santificação e Vida Cristã

Clique no título para abrir o texto completo.

Seguindo a Deus de perto!+

por A. W. Tozer “A minha alma apega-se a ti: a tua destra me ampara” (Sl 63.8.).

O evangelho nos ensina a doutrina da graça preveniente, que significa simplesmente que, antes de um homem poder buscar a Deus, Deus tem que buscá-lo primeiro.

Para que o pecador tenha uma idéia correta a respeito de Deus, deve receber antes um toque esclarecedor em seu íntimo; que, mesmo que seja imperfeito, não deixa de ser verdadeiro, e é o que desperta nele essa fome espiritual que o leva à oração e à busca.

Procuramos a Deus porque, e somente porque, Ele primeiramente colocou em nós o anseio que nos lança nessa busca. “Ninguém pode vir a mim”, disse o Senhor Jesus, “se o Pai que me enviou não o trouxer” (Jo 6.44), e é justamente através desse trazer preveniente, que Deus tira de nós todo vestígio de mérito pelo ato de nos achegarmos a Ele. O impulso de buscar a Deus origina-se em Deus, mas a realização do impulso depende de O seguirmos de todo o coração. E durante todo o tempo em que O buscamos, já estamos em Sua mão: “… o Senhor o segura pela mão” (Sl 37.24.).

Nesse “amparo” divino e no ato humano de “apegar-se” não há contradição. Tudo provém de Deus, pois, segundo afirma Von Hügel, Deus é sempre a causa primeira. Na prática, entretanto (isto é, quando a operação prévia de Deus se combina com uma reação positiva do homem), cabe ao homem a iniciativa de buscar a Deus. De nossa parte deve haver uma participação positiva, para que essa atração divina possa produzir resultados em termos de uma experiência pessoal com Deus. Isso transparece na calorosa linguagem que expressa o sentimento pessoal do salmista no Salmo 42: “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo: quando irei e me verei perante a face de Deus?” E um apelo que parte do mais profundo da alma, e qualquer coração anelante pode muito bem entendê-lo.

A doutrina da justificação pela fé — uma verdade bíblica, e uma bênção que nos liberta do legalismo estéril e de um inútil esforço próprio — em nosso tempo tem-se degenerado bastante, e muitos lhe dão uma interpretação que acaba se constituindo um obstáculo para que o homem chegue a um conhecimento verdadeiro de Deus. O milagre do novo nascimento está sendo entendido como um processo mecânico e sem vida. Parece que o exercício da fé já não abala a estrutura moral do homem, nem modifica a sua velha natureza. É como se ele pudesse aceitar a Cristo sem que, em seu coração, surgisse um genuíno amor pelo Salvador. Contudo, o homem que não tem fome nem sede de Deus pode estar salvo? No entanto, é exatamente nesse sentido que ele é orientado: conformar-se com uma transformação apenas superficial.

Os cientistas modernos perderam Deus de vista, em meio às maravilhas da criação; nós, os crentes, corremos o perigo de perdermos Deus de vista em meio às maravilhas da Sua Palavra. Andamos quase inteiramente esquecidos de que Deus é uma pessoa, e que, por isso, devemos cultivar nossa comunhão com Ele como cultivamos nosso companheirismo com qualquer outra pessoa. É parte inerente de nossa personalidade conhecer outras personalidades, mas ninguém pode chegar a um conhecimento pleno de outrem através de um encontro apenas. Somente após uma prolongada e afetuosa convivência é que dois seres podem avaliar mutuamente sua capacidade total.

Todo contato social entre os seres humanos consiste de um reconhecimento de uma personalidade para com outra, e varia desde um esbarrão casual entre dois homens, até a comunhão mais íntima de que é capaz a alma humana. O sentimento religioso consiste, em sua essência, numa reação favorável das personalidades criadas, para com a Personalidade Criadora, Deus. “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”.

Deus é uma pessoa, e nas profundezas de Sua poderosa natureza Ele pensa, deseja, tem gozo, sente, ama, quer e sofre, como qualquer outra pessoa. Em seu relacionamento conosco, Ele se mantém fiel a esse padrão de comportamento da personalidade. Ele se comunica conosco por meio de nossa mente, vontade e emoções.

O cerne da mensagem do Novo Testamento é a comunhão entre Deus e a alma remida, manifestada em um livre e constante intercâmbio de amor e pensamento.

Esse intercâmbio, entre Deus e a alma, pode ser constatado pela percepção consciente do crente. É uma experiência pessoal, isto é, não vem através da igreja, como Corpo, mas precisa ser vivida, por cada membro. Depois, em conseqüência dele, todo o Corpo será abençoado. E é uma experiência consciente: isto é, não se situa no campo do subconsciente, nem ocorre sem a participação da alma (como, por exemplo, segundo alguns imaginam, se dá com o batismo infantil), mas é perfeitamente perceptível, de modo que o homem pode “conhecer” essa experiência, assim como pode conhecer qualquer outro fato experimental.

Nós somos em miniatura, (excetuando os nossos pecados) saquilo que Deus é em forma infinita. Tendo sido feitos a Sua imagem, temos dentro de nós a capacidade de conhecê-lO. Enquanto em pecado, falta-nos tão-somente o poder. Mas, a partir do momento em que o Espírito nos revivifica, dando-nos uma vida regenerada, todo o nosso ser passa a gozar de afinidade com Deus, mostrando-se exultante e grato. Isso é este nascer do Espírito sem o qual não podemos ver o reino de Deus. Entretanto, isso não é o fim, mas apenas o começo, pois é a partir daí que o nosso coração inicia o glorioso caminho da busca, que consiste em penetrar nas infinitas riquezas de Deus. Posso dizer que começamos neste ponto, mas digo também que homem nenhum já chegou ao final dessa exploração, pois os mistérios da Trindade são tão grandes e insondáveis que não têm limite nem fim.

Encontrar-se com o Senhor, e mesmo assim continuar a buscá-lO, é o paradoxo da alma que ama a Deus. É um sentimento desconhecido daqueles que se satisfazem com pouco, mas comprovado na experiência de alguns filhos de Deus que têm o coração abrasado. Se examinarmos a vida de grandes homens e mulheres de Deus, do passado, logo sentiremos o calor com que buscavam ao Senhor. Choravam por Ele, oravam, lutavam e buscavam-nO dia e noite, a tempo e fora do tempo, e, ao encontrá-lO, a comunhão parecia mais doce, após a longa busca. Moisés usou o fato de que conhecia a Deus como argumento para conhecê-lO ainda melhor. “Agora, pois, se achei graça aos teus olhos, rogo-te que me faças saber neste momento o Teu caminho, para que eu Te conheça, e ache graça aos Teus olhos” (Ex 33.13). E, partindo daí, fez um pedido ainda mais ousado: “Rogo-te que me mostres a tua glória” (Ex 33.18). Deus ficou verdadeiramente alegre com essa demonstração de ardor e, no dia seguinte, chamou Moisés ao monte, e ali, em solene cortejo, fez toda a Sua glória passar diante dele.

A vida de Davi foi uma contínua ânsia espiritual. Em todos os seus salmos ecoa o clamor de uma alma anelante, seguido pelo brado de regozijo daquele que é atendido. Paulo confessou que a mola-mestra de sua vida era o seu intenso desejo de conhecer a Cristo mais e mais. “Para O conhecer” (Fp 3.10), era o objetivo de seu viver, e para alcançar isso, sacrificou todas as outras coisas. “Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus meu Senhor: por amor do qual perdi todas as cousas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo” (Fp 3.8).

Muitos hinos evangélicos revelam este anelo da alma por Deus, embora a pessoa que canta, já saiba que o encontrou. Há apenas uma geração, nossos antepassados cantavam o hino que dizia: “Verei e seguirei o Seu caminho”; hoje não o ouvimos mais entre os cristãos. É uma tragédia que, nesta época de trevas, deixemos só para os pastores e líderes a busca de uma comunhão mais íntima com Deus. Agora, tudo se resume num ato inicial de “aceitar” a Cristo (a propósito, esta palavra não é encontrada na Bíblia), e daí por diante não se espera que o convertido almeje qualquer outra revelação de Deus para a sua alma. Estamos sendo confundidos por uma lógica espúria que argumenta que, se já encontramos o Senhor, não temos mais necessidade de buscá-lO. Esse conceito nos é apresentado como sendo o mais ortodoxo, e muitos não aceitariam a hipótese de que um crente instruído na Palavra pudesse crer de outra forma. Assim sendo, todas as palavras de testemunho da Igreja que significam adoração, busca e louvor, são friamente postas de lado. A doutrina que fala de uma experiência do coração, aceita pelo grande contingente dos santos que possuíam o bom perfume de Cristo, hoje é substituída por uma interpretação superficial das Escrituras, que sem dúvida soaria como muito estranha para Agostinho, Rutherford ou Brainerd.

Em meio a toda essa frieza existem ainda alguns — alegro-me em reconhecer — que jamais se contentarão com essa lógica superficial. Talvez até reconheçam a força do argumento, mas depois saem em lágrimas à procura de algum lugar isolado, a fim de orarem: “Ó Deus, mostra-me a tua glória”. Querem provar, ver com os olhos do íntimo, quão maravilhoso Deus é.

Ë meu propósito instilar nos leitores um anseio mais profundo pela presença de Deus. É justamente a ausência desse anseio que nos tem conduzido a esse baixo nível espiritual que presenciamos em nossos dias. Uma vida cristã estagnada e infrutífera é resultado da ausência de uma sede maior de comunhão com Deus. A complacência é inimigo mortal do crescimento cristão. Se não existir um desejo profundo de comunhão, não haverá manifestação de Cristo para o Seu povo. Ele espera que o procuremos. Infelizmente, no caso de muitos crentes, é em vão que essa espera se prolonga.

Cada época tem suas próprias características. Neste exato instante encontramo-nos em um período de grande complexidade religiosa. A simplicidade existente em Cristo raramente se acha entre nós. Em lugar disso, vêem-se apenas programas, métodos, organizações e um mundo de atividades animadas, que ocupam tempo e atenção, mas que jamais podem satisfazer à fome da alma. A superficialidade de nossas experiências íntimas, a forma vazia de nossa adoração, e aquela servil imitação do mundo, que caracterizam nossos métodos promocionais, tudo testifica que nós, em nossos dias, conhecemos a Deus apenas imperfeitamente, e que raramente experimentamos a Sua paz.

Se desejamos encontrar a Deus em meio a todas as exteriorizações religiosas, primeiramente temos que resolver buscá-Lo, e daí por diante prosseguir no caminho da simplicidade. Agora, como sempre o fez, Deus revela-Se aos pequeninos e se oculta daqueles que são sábios e prudentes aos seus próprios olhos. É mister que simplifiquemos nossa maneira de nos aproximar dEle. Urge que fiquemos tão-somente com o que é essencial (e felizmente, bem poucas coisas são essenciais). Devemos deixar de lado todo esforço para impressioná-lO e ir a Deus com a singeleza de coração da criança. Se agirmos dessa forma, Deus nos responderá sem demora.

Não importa o que a Igreja e as outras religiões digam. Na realidade, o que precisamos é de Deus mesmo. O hábito condenável de buscar “a Deus e” é que nos impede de encontrar ao Senhor na plenitude de Sua revelação. É no conectivo “e” que reside toda a nossa dificuldade. Se omitíssemos esse “e”, em breve acharíamos o Senhor e nEle encontraríamos aquilo por que intimamente sempre anelamos.

Não precisamos temer que, se visarmos tão-somente a comunhão com Deus, estejamos limitando nossa vida ou inibindo os impulsos naturais do coração. O oposto é que é verdade. Convém-nos perfeitamente fazer de Deus o nosso tudo, concentrando-nos nEle, e sacrificando tudo por causa dEle.

O autor do estranho e antigo clássico inglês, The Cloud of Unknowing (A nuvem do desconhecimento), dá-nos instruções de como conseguir isso. Diz ele: “Eleve seu coração a Deus num impulso de amor; busque a Ele, e não Suas bênçãos. Daí por diante, rejeite qualquer pensamento que não esteja relacionado com Deus. E assim não faça nada com sua própria capacidade, nem segundo a sua vontade, mas somente de acordo com Deus. Para Deus, esse é o mais agradável exercício espiritual”.

Em outro trecho, o mesmo autor recomenda que, em nossas orações, nos despojemos de todo o empecilho, até mesmo de nosso conhecimento teológico. “Pois lhe basta a intenção de dirigir-se a Deus, sem qualquer outro motivo além da pessoa dEle.” Não obstante, sob todos os seus pensamentos, aparece o alicerce firme da verdade neotestamentária, porquanto explica o autor que, ao referir-se a “ele”, tem em vista “Deus que o criou, resgatou, e que, em Sua graça, o chamou para aquilo que você agora é”. Este autor defende vigorosamente a simplicidade total: “Se desejamos ver a religião cristã resumida em uma única palavra, para assim compreendermos melhor o seu alcance, então tomemos uma palavra de uma sílaba ou duas. Quanto mais curta a palavra, melhor será, pois uma palavra menor está mais de acordo com a simplicidade que caracteriza toda a operação do Espírito. Tal palavra deve ser ou Deus ou Amor”.

Quando o Senhor dividiu a terra de Canaã entre as tribos de Israel, a de Levi não recebeu partilha alguma. Deus disse-lhe simplesmente: “Eu sou a tua porção e a tua herança no meio dos filhos de Israel” (Nm 18.20), e com essas palavras tornou-a mais rica que todas as suas tribos irmãs, mais rica que todos os reis e rajás que já viveram neste mundo. E em tudo isto transparece um princípio espiritual, um princípio que continua em vigor para todo sacerdote do Deus Altíssimo.

O homem, cujo tesouro é o Senhor, tem todas as coisas concentradas nEle. Outros tesouros comuns talvez lhe sejam negados, mas mesmo que lhe seja permitido desfrutar deles, o usufruto de tais coisas será tão diluído que nunca é necessário à sua felicidade. E se lhe acontecer de vê-los desaparecer, um por um, provavelmente não experimentará sensação de perda, pois conta com a fonte, com a origem de todas as coisas, em Deus, em quem encontra toda satisfação, todo prazer e todo deleite. Não se importa com a perda, já que, em realidade nada perdeu, e possui tudo em uma pessoa — Deus — de maneira pura, legítima e eterna.

Ó Deus, tenho provado da Tua bondade, e se ela me satisfaz, também aumenta minha sede de experimentar ainda mais. Estou perfeitamente consciente de que necessito de mais graça. Envergonho-me de não possuir uma fome maior. Ó Deus, ó Deus trino, quero buscar-Te mais; quero buscar apenas a Ti; tenho sede de tornar-me mais sedento ainda. Mostra-me a Tua glória, rogo-Te, para que assim possa conhecer-Te verdadeiramente. Por Tua misericórdia, começa em meu íntimo uma nova operação de amor. Diz à minha alma: “Levanta-te, querida minha, formosa minha, e vem” (Ct 2.10). E dá-me graça para que me levante e te siga, saindo deste vale escuro onde estou vagueando há tanto tempo. Em nome de Jesus. Amém.

Um contraste entre as distintas espécies de fé que não salvam e a fé salvadora+

É comum ouvirmos frases do tipo: “O importante é ter fé”, como se a fé tivesse valor por si só, não importando a qualidade e o objeto da fé, algo que vai na toada daquela famosa canção de Gilberto Gil que diz: “andar com fé eu vou, pois a fé não costuma falhar”. Paralelo a isto, temos também as seguintes ideias: “O importante é ter uma religião” e “todo caminho leva a Deus, o importante é ser sincero”. Mas, como diz certa canção, “se pegar a estrada do Rio pra Salvador, Porto Alegre não verás, mesmo que sincero for.” Que tal examinarmos melhor esta questão à luz do ensino do Senhor Jesus Cristo e seus apóstolos?

Quando Jesus exalta a virtude da fé, Ele o faz no contexto bíblico, cujo objeto desta fé é o único e soberano Deus e em seu Filho Jesus Cristo, que é o caminho, a verdade e a vida (Mt 21.21; Lc 17.6; Jo 14.1-6). E sempre que Jesus disse a alguém; “a tua fé te salvou”, estava implícito que se tratava de uma fé na pessoa de Cristo (Mt 9.22; Mc 5.34; 10.52; Lc 7.50; 8.48; 17.19; 18.42).

Exemplos de fé que não salvam: fé em falsos deuses ou naquilo que não pode salvar. “Sabeis que, outrora, quando éreis gentios, deixáveis conduzir-vos aos ídolos mudos, b segundo éreis guiados.” (1Co 12.2). “… deixando os ídolos, vos convertestes a Deus, para servirdes o Deus vivo e verdadeiro” (1Ts1.9); “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos.” (1Jo 5.21). fé em falsos ensinos “… darem crédito à mentira”(2Ts 2.11); “para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro. (Ef 4.14); “Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição.” (2Pe 2.1). fé superficial e temporária, que não resiste as provações – semente que caiu em solo rochoso (Mt 13.20–21). No momento mais difícil de sua provação, Jó exclamou: “eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra. (Jó 19.25); e, semelhantemente, Habacuque, declarou: “Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação.” (Hc 3.17–18). fé sentimental ou circunstancial, naquilo que se pode ver ou sentir. “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem.” (Hb 11.1); “Porque, na esperança, fomos salvos. Ora, esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como o espera?Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos.” (Rm 8.24–25); “não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas.”(2Co 4.18); “todavia, o meu justo viverá pela fé”(Hb 10.38). fé hipócrita – “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, q hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade.” (Mt 7.16–23). fé intelectual, sem coração, sem amor, sem obediência, sem obras. Este tipo de fé até os demônios possuem (Tg 2.19). “Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo?… a fé, se não tiver obras, por si só está morta.” (Tg 2.14 e 17). A salvação não se dá através das obras, mas, unicamente pela fé no Salvador Jesus Cristo. Mas a fé em Cristo não pode ser inoperante, pois precisa ser uma fé viva que “atua pelo amor” (Gl 5.6) e que nos conduz as boas obras que Deus preparou de antemão para que andássemos nelas (Ef 2.8-10). A fé salvadora produz os devidos frutos do Espírito. Tiago disse que a fé sem obras é morta. João falou que aquele que diz ter fé em Deus, mas não ama, não conhece a Deus, pois Deus é amor. E Paulo falou que fé sem amor é sem valor e disse que o que importa é a fé que opera pelo amor (Gl 5.6), pois fomos salvos pela fé para as boas obras (Ef 2.10). E Jesus disse: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; s e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele.” (Jo 14.21).

Como crer, receber e aceitar a Cristo?

É comum ouvirmos apelos para as pessoas receberem e aceitarem a Cristo, baseados em João 1.12 que diz: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome”. Mas acontece que existem muitas pessoas que não recebem a Cristo e nem creem nele de maneira apropriada. Encontramos alguns exemplos disto no Novo Testamento:

Formas erradas de crer e receber a Cristo Por ocasião do seu primeiro milagre, muitos creram em seu nome, mas Jesus parece não ter ficado satisfeito com a espécie de fé deles, pois é dito: “mas o próprio Jesus não se confiava a eles, porque os conhecia a todos. (Jo 2.24).

Nicodemos e muitas autoridades que creram, mas tinham vergonha de confessar sua fé em Cristo publicamente para não perderem seu status social e religioso (Jo 3.1-2 e Jo 12.42; Mt 10.33).

Quando da primeira multiplicação de pães e peixes, a multidão quis receber a Jesus como rei, mas Jesus se retirou entristecido por perceber que eles só o procuravam por causa do pão que perece (Jo 6.15).

Os próprios irmãos de Jesus, a princípio, apenas o reconheceram e o receberam como um operador de milagres, mas não o reconheciam como Messias e Salvador (Jo 7.5).

Simão, o mágico, mostrou-se ávido a receber o dom do Espírito Santo, oferecendo até dinheiro para também receber poder de transmiti-lo, mas, Pedro, percebendo suas reais motivações, lhe respondeu: “teu dinheiro seja contigo para perdição, pois julgaste adquirir, por meio dele, o dom de Deus.” (At 8.20).

O fariseu recebeu a Jesus em sua casa, mas o fez de maneira qualquer, sem a devida honra. (Lc 7.36-46).

Nove leprosos que foram curados por Jesus e nem sequer se deram ao trabalho de regressar para agradecê-lo (Lc 17.11-19).

Não devemos receber a Cristo como um bilhete para escaparmos do inferno e irmos para o céu. Jesus é melhor do que o céu. Na verdade, é Ele quem faz o céu ser céu! Não haverá sol e nem candeia na Nova Jerusalém, pois Jesus será a luz desta cidade celestial! (Ap 21.23). O fato mais admirável da vida porvir é que seremos capazes de vê-lo como ele realmente é! (1Jo 3.2). Precisaremos realmente de toda a eternidade para poder apreciar e conhecer a grandeza e a glória de Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo!

Não devemos receber a Cristo como um certificado de salvação, mas como o caminho da salvação. A salvação não é algo estático, mas dinâmico. Devemos seguir seus passos. Ele é o caminho e a vida! Salvação é relacionamento de profunda e verdadeira amizade, é caminhar com Cristo e aprender a viver com ele. Não há salvação fora de Cristo. Ele é a vida eterna!

Formas apropriadas de crer e receber a Cristo Como a pessoa que, “tendo achado uma pérola de grande valor, vende tudo o que possui e a compra. (Mt 13.46).

Com a alegria e o desprendimento da pessoa que encontrou o tesouro mais precioso do mundo: “O reino dos céus é semelhante a um tesouro oculto no campo, o qual certo homem, tendo-o achado, escondeu. E, transbordante de alegria, vai, vende tudo o que tem e compra aquele campo” (Mt 13.44).

Com a fé que nos leva a buscar o Reino de Deus em primeiro lugar (Mt 6.33) e a priorizar o chamado em detrimento dos nossos projetos pessoais: “Então, convocando a multidão e juntamente os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.” (Mc 8.34).

Como os discípulos que abandonaram as redes (Mc 1.16-20), a coletoria de impostos (Mc12.14) e que tudo foram capazes de deixar para trás a fim de seguir a Cristo (Mc 10.28-30).

Paulo que considerou tudo como refugo para ganhar a Cristo (Fp 3.8).

Como a pessoa mais amada e querida do mundo: “Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim” (Mt 10.37).

Como Zaqueu que recebeu a Jesus com alegria, obedeceu o seu comando e espontaneamente decidiu doar metade de seus bens aos pobres e ressarcir quadruplamente a todos a quem havia causado prejuízos (Lc 19.1-8).

Como a Mulher Samaritana que, maravilhada, confessou sua fé em Cristo, e trouxe uma multidão de vizinhos para conhecê-lo (Jo 4). Pois, “se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação.” (Rm 10.9–10).

Como a mulher pecadora que, ao contrário do fariseu que fez pouco caso de Cristo, honrou a Jesus, chorando aos seus pés, regava-os com suas lágrimas e os enxugava com os próprios cabelos; e beijava-lhe os pés e os ungia com o ungüento. (Lc 7.38).

Como aquela mulher que veio “trazendo um vaso de alabastro e com preciosíssimo perfume de nardo puro; e, quebrando o alabastro, derramou o bálsamo sobre a cabeça de Jesus.” (Mc 14.3).

Com gratidão e devoção daquele único leproso dos dez que foram curados e que regressou para agradecer e adorar a Jesus: “Um dos dez, vendo que fora curado, voltou, dando glória a Deus em alta voz, e prostrou-se com o rosto em terra aos pés de Jesus, agradecendo-lhe; e este era samaritano.” (Lc 17.15–16). Este ouvirá de Cristo: “Levanta-te e vai; a tua fé te salvou.” (Lc 17.19).

Devemos receber e confiar no Salvador, assim como aqueles meninos que estavam presos e sem saída naquela profunda caverna da Tailândia confiaram nos mergulhadores que foram salvá-los. Eles precisaram reconhecer que estavam perdidos e que não havia qualquer outro meio de salvação. Precisaram confiar na competência dos mergulhadores. Mas, não bastava apenas acreditarem, precisavam dar um passo de fé, precisavam se entregar totalmente nas mãos de seus salvadores para serem salvos. Assim também devemos confiar totalmente nossa vida nas mãos do Salvador.

Conclusão

A fé, pura e simplesmente, não salva. Para obtermos salvação precisamos depositar fé e confiança no único meio de salvação, pois “não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (At 4.12). Esta fé não pode ser superficial, nem circunstancial, nem inoperante e infrutífera. Precisa ser uma fé viva que nos reconcilia com Deus, que nos faz beber do seu amor, da sua graça e da sua misericórdia. Isto é suficiente para impactar todo o curso de nossa vida. Tal fé produzirá muitos frutos, muitas boas obras para a glória de Deus. (Mt 5.16).

Cristãos que não produzem os frutos do Espírito e que não praticam boas obras não tem base bíblica para estarem seguros de sua salvação. Algo deve estar errado com sua fé e com seu relacionamento com Cristo, pois Ele mesmo disse: “Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto” (Jo 15.5). Quem recebeu também perdão, precisa tornar-se perdoador sob o risco de ter o perdão cancelado (Mt 18.23-35; Mt 6.14-15). Quem foi tão amado, deve também amar (1Jo 4.11). “Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor.” (1Jo 4.8). “O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor.” (Rm 13.10).

Quando recebemos a Cristo como a pérola de inestimável valor, tudo mais passa a ter valor secundário. Os atos sacrificiais se tornam naturais e espontâneos. Jesus se torna nosso maior amor, nossa maior alegria e satisfação. Seu mandamentos se tornam fáceis (1Jo 5.3) e seu jugo passa a ser suave e o seu farde, leve (Mt 11.30). Quando estamos apaixonados, não medimos esforços para agradar a pessoa amada e para estar ao seu lado. Caso contrário, tudo se torna difícil e tedioso.

Bispo José Ildo Swartele de Mello

Resultados dos Pecados dos Crentes (Lv 13.44-46)+

Por Bispo José Ildo Swartele de Mello Na antiguidade, a lepra, doença hoje denominada hanseníase, era considerada um símbolo da impureza do pecado, possivelmente devido ser uma doença degenerativa que produz feridas visíveis na pele, que podem chegar a ter uma aparência repulsiva. Além disto, a lepra é contagiosa. Hoje, sabemos que o seu potencial de contagio é baixo, mas, antigamente, as pessoas ignoravam este fato e temiam muito serem contagiadas, de modo que os leprosos eram discriminados e tinham de viver completamente isolados da sociedade.

Jesus teve muita compaixão dos leprosos, tanto que ele contrariou a tradição e se aproximou deles para tocá-los e também curá-los (Mt 8.1- 4; Lc 17.11-19). Jesus ainda contou uma parábola que tem como herói o humilde e desprezado Lázaro, que tinha lepra (Lc 16.19-31). Mostrando como aqueles que são considerados últimos aos olhos dos homens podem vir a ser os primeiros aos olhos de Deus (Lc 13.30). “Felizes os que choram porque serão consolados” (Mt 5.4). Que grande revolução!

Nos capítulos 13 e 14 de Levítico vemos como os sacerdotes lidavam com a questão da lepra. Há até um ritual de purificação da lepra que muito se assemelha ao ritual de purificação do pecado. Tanto o leproso como o pecador eram considerados imundos na antiguidade. De fato, existem similaridades entre a ação da doença e a ação do pecado, pois ambas produzem lesões e deformações, ambas chegam a ser repulsivas, ambas são destruidoras e contagiosas. Além disto, há também as consequências de ordem social, pois tanto a enfermidade física como a espiritual podem levar o indivíduo à uma espécie de isolamento social. Graças a Deus, hoje já existe cura para lepra e também para o pecado!

O autor de Hebreus afirma que os rituais levíticos servem como analogias da salvação e são uma parábola para a era cristã (Hb 8.5; 9.9). Por isto mesmo foi que o João Batista, ao ver a Jesus, exclamou: “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29).

Examinando Levítico 13.44-46, podemos, por analogia, extrair as seguintes lições a respeito da ação e das graves consequências do pecado na vida humana:

É interessante notar que o sacerdote encontrou a ferida na cabeça (v. 44), e o pecado também está na cabeça. Aliás, ele sempre começa com um pensamento. A cobiça gera o pecado (Tg 1.14 e 15).

Assim como a ferida, o pecado também começa como algo pequeno e de aparência inofensiva. Um vício, por exemplo, pode parecer algo inofensivo à princípio, mas costuma converter-se em algo cruel e danoso mais adiante. É bem mais fácil parar no começo. O melhor seria nem ter começado, pois estas coisas escravizam e provocam muita destruição. Destruição da saúde, destruição de carreiras, destruição de relacionamentos, destruição da família, destruição da própria vida.

Com o pecado não se deve brincar (Gl 6.7). Com o Diabo não se deve negociar. Não siga o exemplo de Balaão. Não dê guarida a tentação e nem dê de comer a ela (Nm 22.8 e 19). Jamais devemos tratar o pecado com estima, pois não se deve ter uma sucuri como animal de estimação. Não é sábio alimentá-la para que ela cresça enrolada em você. Não pense que você tem controle sobre ela, pois, com o tempo, ela se tornará maior e mais forte que você. Abra os olhos antes que seja tarde demais!

Levítico foi escrito para a comunidade do povo de Deus. Vemos aqui, no capítulo 13, as consequências daquela enfermidade sobre os membros da família da fé que eram afetados por ela. Ela representava uma ameaça a sobrevivência de toda a comunidade.

Primeiramente, é dito que as vestes dos contaminados eram rasgadas e que seus cabelos eram despenteados (v. 45). Os vestidos eram rasgados para que as chagas fossem expostas. O que era uma ferida oculta, agora torna-se pública. Não há nada oculto que não venha a ser revelado (Mt 10.26). O teu pecado te encontrará (Nm 32.23 e Gl 6.7). O pecado realmente denigre a imagem do homem, comprometendo sua honra e sua reputação moral. O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26). O diabo, então, surgiu com a intenção de matar, roubar e destruir (Jo 10.10). “O salário do pecado é a morte” (Rm 6.23). Mas, a boa notícia é que Jesus veio para desfazer as obras do diabo (1 Jo 3.8). Jesus veio para nos dar vida abundante (Jo 10.10)! Jesus salva e restaura o homem (Tt 3.5). Jesus encontrou o endemoninhado gadareno, no fundo do poço, andando como um louco completamente nu, sem nenhum senso de dignidade própria, angustiado e arrasado. Tal homem era também desprezado por todos e vivia no deserto, isolado da sociedade. Mas, com uma só palavra, Jesus o libertou de uma legião de demônios! Jesus lhe restaurou o juízo, a honra e a paz! O homem, agora, era visto ao lado de Cristo, sentado, vestido e em perfeito juízo (Mc 5.20)!

O segundo resultado é que a boca é tapada (v. 45). O pecado tapa a boca do crente para que ele não evangelize. O pecado inibe o nosso testemunho cristão. O pecado nos intimida, abalando a nossa autoridade espiritual. Certa vez, um querido irmão, crente jovem e fervoroso, acabou descuidando da vigilância e foi seduzido por uma tentação. E, logo a seguir, em seu caminho para o trabalho, ele se depara com uma pessoa endemoninhada que se estrebuchava no chão do centro da cidade de São Paulo. E, no meio da multidão que a rodeava, um pessoa gritou, precisamos de alguém que saiba orar! E lá estava o meu irmão que sabia orar, mas que, agora, se via com a boca tapada pelo pecado. Triste e cabisbaixo, ele seguiu seu caminho para o trabalho deixando para trás aquela mulher em sua agonia espiritual. Ao chegar ao escritório, ele dobrou os joelhos e chorou arrependido aos pés do Senhor, clamando por misericórdia. Levantou-se, então, perdoado, refeito e cheio de confiança no Senhor, e correu ao encontro daquela mulher que estava possessa, mas, chegando ao local, notou que ela já não estava mais ali. Ele nunca soube o que aconteceu a ela. A duras penas, ele aprendeu a lição de que o pecado é capaz de tapar a boca do crente, impedindo que ele possa ser uma fiel testemunha de Cristo.

O terceiro resultado é que o contaminado começa a clamar: “imundo, imundo” (v.45). A primeira coisa que um desviado da fé costuma fazer é clamar: imundo. Mas, como assim? Bem, ainda que não de uma forma literal, não é difícil ver crentes desviados procurando maneiras de deixar claro para todos que eles não pertencem mais a Igreja. Eles querem também que todos saibam que, agora, eles estão desimpedidos para o pecado. Passam a falar palavrões, vestem-se com roupas vulgares e agem de maneira leviana. Passam a frequentar ambientes onde predominam os vícios, as extravagâncias e as paixões carnais. Adotam um estilo de vida contrário aos ensinos de Jesus. Tais apóstatas estão como que clamando: “imundo, imundo”, anunciando para todo mundo o seu rompimento com a santidade de Deus. O seu estado passa a ser pior que o anterior à sua conversão (Lc 11.24-26).

O quarto resultado é que o individuo contaminado pela chaga acabava tendo que habitar só (v. 46). O pecado produz solidão. O egoísmo gera desconfiança, ciúmes, inveja, infidelidade, mentiras, fofocas, disputas, ódio, rancor, inimizades, violência, falta de amor e de perdão. O sujeito tanto apronta que acaba  ficando só no final das contas.

O quinto resultado é que o contaminado passa a viver “fora do arraial” (v.47). Arraial, aqui, significa a comunidade do povo de Deus. O pecado afasta o indivíduo de Deus e do seu povo. Afasta o Filho Pródigo para longe da casa do Pai (Lc 15) e do aconchego da santa mesa da comunhão com o Senhor. Só o arrependimento o pode trazer de volta! O contaminado já não é mais capaz de cantar como o salmista: “Alegrei-me quando me disseram: Vamos a casa do Senhor”. Para ele, deixaram de ser amáveis os tabernáculos do Senhor dos Exércitos, pois sua alma já não mais suspira e nem desfalece pelos átrios do Senhor e sua carne já não clama mais pelo Deus vivo. O contaminado prefere agora estar nas tendas da perversidade do que está na casa de Deus (Sl 84).

Assim diz o autor de Hebreus (10.25) – “Não deixemos de congregar-nos como é costume de alguns”. A igreja não é perfeita, pois há joio no meio do trigo (Mt 13.24-30) e há também muitos crentes imaturos (1 Co 3.1). Até entre os doze Apóstolos havia um traidor. Há muitos escândalos (Mt 18.7), muitas pedras de tropeço (Mt 18.6), muitos espantalhos da fé, muitos mercenários (2 Pe 2.15), muitos falsos profetas (1 Jo 4.1) e muitos falsos apóstolos (Ap 2.2). Mas, mesmo assim, não desista da Igreja, pois, a despeito dos “iscariotes”, ainda se pode ver muitos “pedros”, “tiagos” e “joãos”! A despeito do joio, há muito trigo! Jesus instituiu a Igreja e disse que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela (Mt 16.18). Jesus é o cabeça da Igreja (Ef 5.23). Ele se entrega em favor da purificação de sua Igreja (Ef 5.26 e 27). Jesus entregou uma grande missão a sua amada Igreja (Mt 28.18-20). Ele retornará para ser glorificado pela Igreja (2 Ts 1.10). Ame a Igreja de Cristo e trabalhe em favor de sua linda missão. Não desista da Igreja e nem deixe de congregar. Pois Jesus se manifesta de modo especial aos que se reúnem em seu nome (Mt 18.20). E é na congregação dos santos que o Senhor ordena  a vida e a bênção para sempre (Sl 133). Ser batizado em Cristo e também ser batizado em seu Corpo que é a Igreja. Jesus disse: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu e quem comer deste pão viverá”. A Ceia do Senhor é uma celebração dos membros do Corpo de Cristo, que um verdadeiro cristão não pode prescindir. Portanto, jamais deixe de congregar!

Mas há esperança para o enfermo. Pois, o mal não tem há última palavra. O ritual de purificação do leproso se dava através do sacrifício de duas aves e de um cordeiro (14.4,13), cujo sangue era derramado e aspergido sobre o indivíduo (14.7). O sangue do cordeiro era aplicado também “sobre a ponta da orelha, o polegar da mão direita e do pé direito” (14.14) “azeite sobre a cabeça” (14.18). Isto representa uma purificação completa de todo o corpo. Ouvidos estão sendo purificados para ouvir o que o Espírito diz à Igreja; as mãos estão sendo purificadas para a obra de Deus; os pés estão sendo purificados e preparados para o caminho da justiça e a cabeça está sendo ungida para que a mente seja renovada (Rm 12.1 e 2) e que todo pensamento seja levado cativo à obediência de Cristo (2 Co 10.5 e Fl 4.8).

Fazendo menção aos rituais de purificação do Levítico, o autor de Hebreus estabelece a seguinte analogia: “Porque, se a aspersão do sangue de bodes e de touros, e das cinzas duma novilha santifica os contaminados, quanto à purificação da carne, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará das obras mortas a vossa consciência, para servirdes ao Deus vivo? (Hb 9.13-14). Por isto mesmo é que João nos diz que “se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça” (1 Jo 1.9). Portanto, “tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo o coração purificado da má consciência, e o corpo lavado com água limpa…não abandonando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia.” (Hb 10.22 e 25).

Espírito de Escravidão versus Espírito de Adoção – Romanos 8.15+

Espírito de Escravidão versus Espírito de Adoção Em Romanos 8.15, encontramos um contraste decisivo entre duas condições espirituais: o espírito de escravidão e o espírito de adoção. O primeiro gera medo, insegurança e sentimento de condenação; o segundo, por sua vez, produz liberdade, confiança e certeza do amor paternal de Deus.

Que espírito você tem? Você vive sob o peso da escravidão religiosa ou foi alcançado pela graça que o tornou filho de Deus? É possível estar presente na igreja, parecer livre, mas ainda ser dominado por um espírito de medo e servidão.

O Caso de John Wesley Essa realidade se manifestou de forma clara na experiência de John Wesley antes de 24 de maio de 1738, quando ele teve seu coração aquecido pela graça de Deus. Wesley nasceu em um lar profundamente cristão: seu pai, Samuel Wesley, era pastor, e sua mãe, Susanna Wesley, uma notável educadora. Cresceu frequentando a igreja, sentiu-se vocacionado para o ministério, formou-se em Oxford e tornou-se pastor. Mais tarde, aceitou um chamado missionário para atuar na América do Norte.

Apesar de tudo isso, Wesley reconhecia que, até então, vivia sob um espírito de escravidão. Ele mesmo declarava que era escravo do medo. Chamava-se a si mesmo de “quase cristão”. Embora fosse pastor, ainda lhe faltava algo fundamental.

O que lhe faltava era o espírito de adoção. Wesley conhecia Deus como Senhor, mas não como Pai. No entanto, Jesus nos ensinou a orar dizendo: “Pai nosso que estás nos céus…” (Mt 6.9). Deus, em Cristo, não apenas nos salva: Ele nos adota como filhos.

“Quem me converterá?”

Durante sua viagem missionária, ao atravessar o oceano Atlântico, Wesley enfrentou uma violenta tempestade que ameaçava afundar o navio. Diante do perigo de morte, ele temeu. E por quê? Porque não tinha certeza da salvação. Interiormente, perguntava: “Quem me converterá?”

Aqueles que vivem sob o espírito de escravidão estão sempre inseguros, com medo de não agradar suficientemente a Deus, de serem rejeitados, de falharem. Vivem tentando merecer, e não conhecem a paz de quem foi aceito e perdoado.

O Testemunho dos Morávios Durante aquela tempestade, Wesley encontrou-se com um grupo de crentes morávios. Diferente dele, eles não temiam a morte. Cantavam e louvavam com serenidade. E quando Wesley perguntou como podiam estar tão tranquilos, eles responderam: “Temos certeza da nossa salvação. Sabemos que pertencemos a Deus.”

Eles acrescentaram: “O Espírito de Deus testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8.16).

Wesley ficou profundamente impactado. Até as crianças estavam em paz, seguras na certeza da graça divina. Aquela cena o confrontou com a ausência dessa convicção em sua própria alma.

A Transformação de Wesley Essa convicção, simples à primeira vista, é profundamente transformadora. Algum tempo depois, Wesley participou de uma reunião em Aldersgate, onde ouviu a leitura do prefácio de Lutero à epístola aos Romanos. E ali ele descreve que sentiu seu coração se aquecer. Pela primeira vez, teve plena certeza do perdão dos seus pecados. Sentiu-se aceito na família de Deus. Deixou de ser um servo temeroso para se tornar um filho amado.

A Figura do Pai Falar sobre paternidade pode ser difícil para alguns, pois a imagem do pai terrestre pode estar distorcida por falhas, traumas ou ausências. No entanto, o Pai Celestial é diferente de qualquer referência humana. Ele é perfeito em amor, compaixão, fidelidade e santidade.

Ele é confiável. Seu amor é completo. Sua graça é suficiente. Seu perdão é abundante. E é essa percepção que nos dá segurança: a segurança do seu amor, da sua redenção, da sua bondade, da sua salvação.

O Contraste entre Servo e Filho Wesley experimentou, enfim, a alegria da salvação. A alegria do perdão. A certeza do amor do Pai. A partir dessa compreensão, podemos identificar algumas diferenças marcantes entre a mentalidade de servo e a de filho.

1. Motivacão: medo ou amor?

A fé do tipo “servo” vive baseada no medo. O escravo serve por obrigação, por medo do castigo. Ele não tem escolha. Sua relação é baseada na imposição, na coerção. Muitos se relacionam com Deus apenas por temor. Se tirarmos o inferno da equação, talvez muitos deixassem a igreja. Qual é a verdadeira motivação: medo ou amor? Castigo ou gratidão? Juízo ou prazer de estar com Deus?

“No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo…” (1Jo 4.18)

2. Obediência: imposição ou prazer?

A obediência do servo é movida pelo dever; a do filho, pelo amor. Lembro-me do tempo em que namorava a Cristina: pegava três conduções para vê-la. A distância não me desanimava, nem o esforço me pesava. Pelo contrário, fazia tudo com alegria e entusiasmo, porque havia amor no coração. Agora, imagine se alguém me impusesse o mesmo trajeto como uma obrigação — pareceria um fardo. O que muda tudo é a motivação. Onde há amor, o peso se transforma em prazer.

3. Disposição interior: peso ou leveza?

Quem age por paixão, faz com alegria. Quem serve por medo, vive sobrecarregado. A geração que acampa para ver um artista não o faz por obrigação, mas por entusiasmo. Jesus disse: “O meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mt 11.30). Quando há amor, há leveza.

4. Visão de Deus: policial onipresente ou Pai?

Quem tem mentalidade de servo enxerga Deus como fiscal severo, prontos para punir. Mas o filho conhece o Pai. Sua presença é prazerosa, é segura, é amorosa.

5. Identidade espiritual: servidão ou herança?

O escravo não tem direitos. O filho é herdeiro de Deus e coerdeiro com Cristo (Rm 8.17). O servo vive com medo; o filho, com confiança.

6. Emoções predominantes: temor ou liberdade?

O servo vive sob culpa, ansiedade, angústia e opressão. O filho vive na liberdade do Espírito. “Onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” (2Co 3.17).

7. Estilo de vida: obrigação ou inspiração?

O servo segue regras sob pressão. O filho segue instrução com inspiração. Um vive por imposição; o outro, por relação.

8. Base da salvação: mérito ou graça?

Quem tem mentalidade de escravo vive buscando merecer. Vive em insegurança: “Será que já fiz o suficiente?”

Mas o filho vive na graça: “Pela graça vocês são salvos, mediante a fé… não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8–9).

As boas obras são fruto natural de quem é filho. O filho não faz o bem para ser aceito, mas porque já foi aceito e transformado.

9. Caminho espiritual: religiosidade ou novidade de vida?

O escravo caminha na religiosidade. Cumpre normas, mas não tem espontaneidade. Já o filho vive em novidade de vida (Rm 6.4). “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor!” (Sl 122.1). Essa alegria só é própria de quem vive como filho.

O Método de Deus: Cordas de Amor Deus não nos atrai por força nem por violência, mas pelo seu Espírito (Zc 4.6). O método de Jesus sempre foi o amor. Ele disse: “E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 12.32). Seu convite é amoroso e livre: “Quem quiser, venha e beba de graça da água da vida” (Ap 22.17).

Ele não nos conduz com cabresto, como se fôssemos animais irracionais. “Não sejam como o cavalo ou a mula, que não têm entendimento e precisam de cabresto e freio para se conterem” (Sl 32.9).

Em Oséias, Deus declara: “Eu os atraí com cordas humanas, com laços de amor” (Os 11.4). A corda que Deus usa para nos alcançar é a do amor — não da imposição, mas da atração voluntária.

Liberdade e Relacionamento: Jesus e os Discípulos Quando muitos deixavam Jesus, Ele perguntou aos discípulos: “Vocês também não querem ir embora?” (Jo 6.67). E Pedro respondeu: “Para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna” (Jo 6.68).

Ninguém os obrigava. Eles estavam ali espontaneamente. Tinham deixado tudo para segui-lo por amor. “Imediatamente deixaram as redes e o seguiram” (Mc 1.18).

O Filho Pródigo (Lucas 15)

Na parábola, o pai permite que o filho mais novo parta. Ele erra, sofre, fracassa. Mas ao voltar, arrependido, é recebido com abraço, beijo e festa (Lc 15.20–24). O pai não lança culpa, não acusa, não condena. Ele restaura a dignidade do filho e celebra seu retorno.

Esse é o evangelho. Essa é a salvação em Cristo.

A Graça que Restaura a Identidade O filho, restaurado, poderia dizer: “Não mereço esse abraço, nem esse beijo, nem essa festa…” Mas o pai o trata com misericórdia. Ele agora carrega a marca da graça, é um filho batizado no amor. Passa a viver agradecido e confiante, com plena segurança.

Se ele foi acolhido quando estava perdido, quanto mais agora que retornou!

O Filho Mais Velho: A Mentalidade do Mérito O filho mais velho não entendeu o coração do pai. Embora estivesse na casa, vivia com mentalidade de servo. Reclamou: “Eu te sirvo há tanto tempo e nunca ganhei uma festa, mas esse aí recebe tudo!” (Lc 15.29–30)

Quem vive tentando merecer o amor do Pai, torna-se orgulhoso e ressentido. Acredita que, por suas obras, é mais digno que os outros. E isso contamina seus relacionamentos.

João 8: A Mulher Adúltera e os Fariseus Os fariseus levaram a Jesus uma mulher pega em adultério (Jo 8.3–5). Eles a queriam apedrejar. Mas Jesus respondeu: “Aquele que dentre vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra” (Jo 8.7). Um a um, foram embora.

Jesus então disse: “Mulher, onde estão os teus acusadores? Eu também não te condeno. Vai e não peques mais” (Jo 8.10–11).

Mesmo que ela merecesse condenação, Jesus a acolheu com graça.

A Intimidade dos Filhos Filhos não pedem licença para sentar no colo do pai. Eles chegam com liberdade, com intimidade. É assim com os filhos e netos — e assim deve ser com os filhos de Deus.

Ousadia no Santo dos Santos No Antigo Testamento, apenas o sumo sacerdote podia entrar no Santo dos Santos, uma vez por ano, com temor e com uma corda amarrada (Lv 16.2; Hb 9.7).

Mas agora, por causa da morte de Cristo, o véu foi rasgado (Mt 27.51), e temos ousadia para entrar na presença de Deus (Hb 10.19). Somos filhos! E como filhos, entramos com liberdade e confiança.

Conclusão: Como Está a Sua Relação com Deus?

Você tem certeza da salvação? “Porque vocês não receberam o espírito de escravidão, para viverem, outra vez, atemorizados, mas receberam o espírito de adoção, por meio do qual clamamos: Aba, Pai” (Rm 8.15).

Viva como filho, não como escravo.

Deus nos tirou do império das trevas e nos transportou para o Reino do Filho do seu amor (Cl 1.13). “Se o Filho os libertar, vocês serão, de fato, livres” (Jo 8.36). “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8.32).

Você pode se aproximar de Deus e chamá-lo de Pai. Isso não é simbólico. É real. “A todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome” (Jo 1.12).

O Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus (Rm 8.16). E se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo (Rm 8.17).

Essa é a nossa segurança. Essa é a nossa herança. Essa é a nossa alegria!

O Segredo da Paz!+

A ansiedade é um dos grandes males deste século! As pessoas estão com muito medo do futuro. Estão preocupadas com o que possa vir a acontecer. Sofrem por antecipação. Se angustiam muito. Fazem uma tempestade num copo d’água e quando se deparam com uma verdadeira tempestade, imaginam que é o fim. Buscam solução em remédios, muitos acabam até se viciando, agravando, assim, os seus problemas.

Mas aonde estaria a solução?

É possível ter paz em meio as pressões e tribulações da vida?

Qual é o segredo da paz?

Onde reside a paz?

Como vencer a ansiedade e o temor?

As pessoas não nascem preocupadas

As pessoas não nascem preocupadas e angustiadas. Isto é algo que elas vão aprendendo no decorrer de sua existência. Assim como se aprende, pode-se também desaprender. É claro que não é algo fácil. Estamos realmente à mercê de muitos perigos. Precisamos de ajuda para lidar com tantas ameaças. E se pudéssemos contar com uma forte proteção divina?! Sim, e se pudéssemos confiar em Deus a ponto de lançar sobre Ele todas as nossas ansiedades?! Puxa, como seria bom!

A lição de Paulo aos filipenses

O Apóstolo Paulo nos ensina uma grande lição em sua Carta aos Filipenses, nos versículos que vão de 4 a 8.

“Alegrem-se sempre no Senhor. Novamente direi: alegrem-se! Seja a amabilidade de vocês conhecida por todos. Perto está o Senhor. Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os seus corações e as suas mentes em Cristo Jesus. Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas” (Fp 4.4-8 )”.

Escrito de dentro da prisão

Sabia que Paulo estava aprisionado quando escreveu tais palavras de ânimo? Paulo se dirige aos seus irmãos de fé que possivelmente estavam entristecidos com a sua prisão e com tantas outras perseguições injustas que os cristãos sofriam naqueles dias, e, da cadeia, os exorta, dizendo: “Alegrem-se no Senhor, outra vez digo: Alegrem-se”! Deus não está morto! Jesus ressuscitou! Ainda há esperança! A alegria no Senhor é a nossa força! E tal alegria pode ser experimentada em toda e qualquer circunstância!

Conta-se que Lutero estava muito triste e preocupado por conta das perseguições da “Santa Inquisição”, ficou deprimido por dias, até que sua mulher se apresentou diante dele vestida de luto. Ele reagiu espantando: “O que é isto, mulher? Por que estás vestida assim?” Ao que ela, ironicamente, respondeu: “É que Deus deve ter morrido para você estar assim tão triste”. Que lição não foi aquela, hein?!

O travesseiro marinho

Você já ouviu falar do Travesseiro Marinho? Trata-se de um fenômeno que se dá em lugares profundos dos Oceanos, que permanecem calmos e tranqüilos mesmo que a superfície esteja sendo abalada por um tremendo furacão. Isto serve para exemplificar a paz interior que um Cristão pode sentir mesmo em meio as maiores tormentas.

A paz que o mundo não pode dar

Certa feita, Jesus disse aos seus discípulos: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (Jo 14.27). Veja que a paz de Jesus é especial! O mundo só conhece paz derivada de circunstâncias favoráveis. Uma paz muito instável e passageira. Tal paz é tão frágil a ponto de levar o indivíduo, mesmo em meio ao bem bom, a se preocupar só de pensar em tudo de ruim que ainda pode vir a acontecer para por fim a festa.

Paz no meio do temporal

Enquanto isto, vemos nas Escrituras Sagradas que a gente pode experimentar paz, mesmo numa situação de cadeia. Mesmo no meio de um temporal. Certa vez, os discípulos acompanharam a Jesus numa viagem de barco, quando, de repente, se viram surpreendidos por uma tempestade daquelas. A situação era desesperadora do ponto de vista humano. Eles ficaram apavorados. Descrentes, imaginaram o pior dos mundos. Sentiram-se abandonados por Deus e por Jesus. Não compreenderam o significado do sono tranqüilo de Jesus. Viram isto como um sinal de indiferença. De modo que eles questionam a Jesus: “O Senhor não se importa que morramos?” (Mc 4.38). Jesus acalma o tempo e depois pergunta aos discípulos “Onde está a vossa fé”? (Lc 8.25).

Como aqueles discípulos, nós também temos muito que aprender a confiar em Deus. Precisamos aprender a dizer como o Salmista: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum!” (Sl 23.4).

O Salmo 23 ilustra que o caminhar com o bom pastor não é sempre garantia de pastos verdejantes, pois estamos sujeitos aos vales sombrios. Mas, independente das circunstâncias, podemos contar sempre com a presença salvadora do Bom Pastor, que diz “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. (Jo 16.33).

Se Deus é por nós, quem será contra nós?

Por isto é que Paulo costumava exclamar de júbilo: “Se Deus é por nós quem será contra nós?!” (Rm 8.31). Ele também afirmava com toda confiança: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus”! (Rm 8.28).

Por este motivo é que podemos dar graças a Deus por tudo que nos acontece. Pois sabemos que não somos como um joguete nas mãos dos homens e nossa vida não está à mercê da sorte ou do azar. Podemos ter alegria e paz por saber que nossa vida e futuro estão nas mãos de Deus.

Pensar em tudo o que for verdadeiro e nobre

Por isto é que da boca do crente deve sair o louvor e as ações de graças, por isto também seus pensamentos devem estar concentrados em tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, em coisas excelentes e dignas de louvor! (Fp 4.8).

Crer no cuidado de Deus nas coisas simples

É intrigante observar os cristãos crendo no poder de Deus para ressuscitar os mortos e para conceder a vida eterna enquanto vacilam em crer que Ele cuidará de nós em coisas simples do cotidiano. Por acaso, aquele que cuida dos pássaros não cuidará também daqueles que nele confiam? (Mt 6.26).

Lembranças de um adolescente pobre

Eu era um adolescente pobre que trabalhava de dia como office-boy e estudava à noite em uma escola pública. Comparado aos ricos de minha idade, minhas perspectivas de futuro não eram muito animadoras. Mas, sabe duma coisa? Eu não era invejoso e triste. Eu não agasalhava nenhuma amargura ou revolta em meu coração, e sabe o porque? Porque eu tinha Jesus em meu coração. Lembro-me bem de uma ocasião em que caminhava a pé alguns quilômetros para economizar o dinheiro da condução enquanto cumpria um serviço como mensageiro. Eu caminhava sobre um viaduto em São Paulo, chorando e saltando de tanta alegria, cantarolava uma canção que diz: “louvarás bem alto ao teu Pai celeste quando a glória entrar no coração!” Quem tem a glória de Deus no coração não tem porque se preocupar com o amanhã!

Por falar em canção, eu me lembrei da primeira vez que ouvi aquele conhecido cântico que diz: “A alegria está no coração de quem já conhece a Jesus, a verdadeira paz só tem aquele que já conhece a Jesus!”. Foi por ocasião de uma visita que fazia ao Lar Betel em Corumbá de Goiás. Lá estavam 350 órfãos louvando a Deus com toda alegria! Ainda que tais crianças tivessem sido abandonados por seus pais, contavam com a alegria de possuírem um Pai Celeste! A alegria não está no coração de quem tem isto ou aquilo, mas, sim, de quem já conhece a Jesus!

Lembro-me do dia em que meu pai chegou em casa com o bolso de sua calça rasgado, salário do mês roubado e coração despedaçado. Naquela noite, eu vi os semblantes de meu pai e minha mãe caídos de tanta dor e preocupação. Como pagariam as contas? Como sustentariam as crianças? Eu gostaria de poder voltar no passado para poder dizer algo aos meus pais naquela noite tão triste. Eu gostaria de poder mostrar o futuro para eles. “Pai, mãe, não fiquem assim tão tristes. Deus não nos abandonou! A gente vai sobreviver, a gente vai crescer, a gente vai vencer! Alegrem-se no Senhor! Confiem na bondade e fidelidade de Deus.”

Lance sobre Deus a sua ansiedade

“Lancemos sobre Deus a nossas ansiedades, pois ele tem cuidado de nós” (1 Pe 5.7)! A paz de Deus que excede a todo entendimento humano guarde sempre o seu coração e a sua mente (Fp 4.7).

Bispo José Ildo Swartele de Mello

Do Monte ao Vale: Sinai, Transfiguração e Missão+

Introdução

Por que a Bíblia coloca lado a lado cenas de glória no monte e crises no vale? O que a nuvem, a voz e o brilho significam para a fé cristã hoje? Como a Transfiguração confirma o caminho da cruz e nos prepara para a missão no “vale” da dor humana? Neste artigo, percorro o paralelo entre o Monte Sinai (Êx 24; 33–34; 40) e o “alto monte” da Transfiguração (Mc 9.2–9), mostrando que a glória de Deus não é fuga, mas capacitação para obedecer, servir e lutar contra o mal em dependência de Deus.

1. Teofania no monte: nuvem, glória e voz

Sinai (Êx 24.15–18; 40.34–35): a nuvem cobre o monte, a glória enche o tabernáculo, e a voz do Senhor orienta o povo.

Transfiguração (Mc 9.2–7): Jesus é transfigurado, uma nuvem luminosa os envolve e a voz do Pai se ouve.

Síntese teológica:

A presença de Deus se manifesta com sinais convergentes (nuvem, glória, voz). Essa tríade aponta para revelação, santidade e direção. No Sinai, Deus funda a aliança; no monte com Jesus, o Pai confirma quem é o Filho que cumpre e supera todas as mediações anteriores.

2. Três testemunhas: o princípio da confirmação

Sinai (Êx 24.1): Moisés sobe acompanhado de Arão, Nadabe e Abiú; os demais permanecem.

Transfiguração (Mc 9.2): Jesus leva Pedro, Tiago e João.

Sentido pastoral:

Deus autentica suas obras com testemunhas. O discipulado envolve ver, ouvir e, depois, servir no vale. A contemplação não é fim em si, é envio.

3. Seis dias de preparo: tempo entre promessa e visão

Sinai (Êx 24.16): a nuvem cobre o monte por seis dias; no sétimo, o Senhor chama.

Transfiguração (Mc 9.2; 8.31): “seis dias depois” do anúncio da cruz, vem a visão.

Aplicação:

Há um intervalo pedagógico entre a palavra que fere o nosso orgulho (a cruz) e a visão que fortalece nossa esperança (a glória). Deus nos prepara para obedecer antes de nos enviar.

4. Brilho da glória: Moisés reflete, Jesus irradia

Sinai (Êx 34.29–35): o rosto de Moisés resplandece por refletir a glória; o povo teme.

Transfiguração (Mc 9.3): Jesus resplandece com glória própria; até suas vestes brilham.

Cristologia:

Moisés é servo e reflexo; Jesus é o Filho e a fonte. No Novo Testamento, a luz já não “vem de fora”, mas “vem dEle”. Por isso, a autoridade de Cristo não é derivada; é final.

5. “A ele ouvi!”: Dt 18.15 em chave cristológica Promessa (Dt 18.15): Deus suscitaria um profeta “como Moisés”, a quem o povo deveria ouvir.

Cumprimento (Mc 9.7): diante de Moisés (Lei) e Elias (Profetas do AT), o Pai autentica Jesus como revelação suprema: “Este é o meu Filho amado; a ele ouvi! ”. Em outras palavras, Lei e Profetas não são descartados; encontram seu cumprimento e autoridade final no Filho (cf. Mt 5.17; Lc 24.27; Hb 1.1–2).

5.1 Novo mandamento e nova aliança: o Filho como Legislador Em um monte (Mt 5.1), Jesus ensina com autoridade única: “ Ouvistes o que foi dito… Eu, porém, vos digo ” (Mt 5.21–48). Ele não abole a Lei e os Profetas; cumpre e radicaliza seu sentido ao nível do coração (Mt 5.17; 5.21–22; 5.27–28; 5.38–44).

Novo mandamento: “ Amai-vos uns aos outros ” como Ele nos amou (Jo 13.34–35). Esse amor resume a Lei e os Profetas e pauta a ética do povo de Deus (Mt 22.37–40; Rm 13.8–10).

Nova aliança: selada no cálice do Senhor (Lc 22.20; 1Co 11.25), prometida em (Jr 31.31–34) e exposta em (Hb 8.6–13; 9.11–15; 10.16–18). Ela é superior na mediação, nas promessas e na eficácia expiatória.

Síntese: Em Jesus, Lei e Profetas alcançam sua plenitude; Ele é o Legislador definitivo cuja palavra governa a vida cristã, e pelo Espírito a Lei é escrita em nossos corações (2Co 3.3; 3.6).

6. Glória que confirma o caminho da cruz

Sinai: a glória firma a aliança e convoca obediência.

Transfiguração (Mc 8.31; 9.12): a glória não dispensa a cruz; confirma a via do Servo.

Discernimento espiritual:

Procurar glória sem cruz gera espiritualidade triunfalista; abraçar a cruz sem glória produz ativismo cansado. A visão do monte sustenta a obediência no vale.

7. Do monte ao vale: quando a liturgia encontra a vida

Sinai (Êx 32.1–8,19–20): depois da visão, Moisés desce do monte e encontra o vale tomado por incredulidade e apostasia: o povo adora um bezerro de ouro.

Transfiguração (Mc 9.14–29): ao descer, Jesus encontra a multidão, os discípulos e os escribas (mestres da lei) em discussão; há incredulidade, opressão demoníaca e impotência ministerial sem oração.

8. Fé honesta no vale: “Se tu podes… — Tudo é possível ao que crê!”

“Se tu podes…”

— o pai questiona a capacidade de Jesus.

“Tudo é possível ao que crê!”

— Jesus desloca a conversa para a confiança daquele pai.

“Ajuda‑me na minha falta de fé!”

— é a segunda vez que ele grita por ajuda (v. 22), mas agora não pelo filho: diante de Cristo, reconhece que ele mesmo precisa de ajuda.

Fé nem sempre é certeza perfeita, mas confiança relacional que traz a própria dúvida para os braços de Cristo. Quem menos sabia orar, orou; quem mais sabia, falhou por autossuficiência.

9. “Esta casta… só sai com oração”: poder delegado, dependência contínua A oração não é uma técnica para acionar poder; é a expressão máxima da fé que se rende. No vale, quando faltou oração, faltou poder. Quando sobrou discussão, sobrou impotência. Jesus deixa claro: certos embates espirituais só se vencem numa vida de dependência diante do Pai (Mc 9.29).

Cena do vale (Mc 9.14–18): escribas discutem com os discípulos; há confusão, dor e um filho em tormento — e ninguém está orando.

Autoridade delegada (Mc 6.13): o poder não reside em nós; é emprestado e precisa ser exercido em comunhão com o Doador.

“Esta casta… só com oração” (Mc 9.29): Jesus não prescreve um rito secreto, e sim vida de oração — antes, durante e depois do ministério.

A oração mais fraca… (Mc 9.22,24): a súplica vacilante do pai — “eu creio; ajuda‑me na minha incredulidade” — valeu mais que a autoconfiança dos discípulos e a erudição dos religiosos. Deus acolhe fé sincera, ainda que pequena.

Cuidado com a técnica: fórmulas e recitações (Shemá; Sl 3; 91) podem virar atalhos impessoais quando o coração não depende de Deus. Jesus recentra tudo no relacionamento e na dependência de Deus. Como os discípulos puderam ousar tentar expulsar sem oração, baseados apenas na experiência e técnica?

Caminho seguro (Jo 15.5; 2Co 3.5): a suficiência vem do Senhor; sem Ele, nada podemos fazer. Humildade, comunhão e obediência são o habitat do poder que liberta.

Advertência pastoral: dons tratados como ferramentas sob nosso controle alimentam orgulho e frustração. Substitua disputa por súplica, orgulho por dependência e técnica por comunhão. Aí, a igreja torna-se instrumento de cura no vale.

10. Entre o alto e o baixo: vocação para o cotidiano

A glória do Senhor deve ser vista tanto no monte quanto no vale.

O mundo jaz no maligno, mas Cristo veio desfazer as obras do diabo.

O “monte” nos anima; o “vale” nos chama à compaixão.

Não é “fé + técnica”, nem “Deus + fórmulas”; é Deus. O resto prenuncia fracasso espiritual.

11. Perguntas para exame devocional

Quem é o “filho” — pessoa ou situação — que hoje preciso trazer a Jesus ?

Como está minha fé diante de Cristo: confiante, cansada, ambígua? O que devo confessar?

Onde a autossuficiência tem substituído a dependência? Como retomar uma vida de oração real ?

Preciso de ajuda?

Confissão de pecado vale muito mais do que confissão positiva. Estou pronto para gritar com honestidade: “Ajuda-me na minha incredulidade”?

Conclusão

Do Sinai à Transfiguração, Deus se revela para formar um povo obediente. A visão do monte não nos retira do mundo; nos envia a ele com fé humilde, oração persistente e autoridade serva. A verdadeira espiritualidade contempla a glória de Cristo e, por causa dela, desce ao vale para amar, libertar e testemunhar o Evangelho.

Liberdade Cristã e Amor ao Próximo: E Quanto à Comida dos Ídolos?+

O Cristão Pode Comer Alimentos Sacrificados aos Ídolos?

Por Bispo Ildo Mello Sabe quando você anda pela cidade e tem a sensação de que tudo — desde o bar da esquina até o açougue — pode ter sido dedicado a algum deus pagão? Imagine que o açougueiro da sua rua é o tio Fulano de Tal, que sacrificou um boi aos deuses dele e deixou a cabeça desse animal ali na geladeira, misturada às outras carnes, para atrair mais clientes. Ou pense naquele convite para jantar na casa de um amigo cristão que é idólatra e você fica ressabiado de a comida esteve envolvida em algum ritual sagrado. E até aquele apartamento que você vai alugar ou o carro que pretende comprar: será que eles já foi consagrados a uma entidade espiritual estranha?

Tudo bem ter essas dúvidas — aliás, era exatamente isso que se passava na cabeça dos irmãos da igreja primitiva, em Corinto e Éfeso, rodeados de templos a Diana, Apolo e outros deuses. Foi para esse cenário que Paulo escreveu suas cartas, dando orientações superpráticas. Vamos ver o que ele realmente disse e como isso vale para a gente hoje.

Desde os primeiros anos da Igreja, a prática de oferecer carnes (e outros alimentos) a divindades pagãs, antes de serem vendidas ou servidas, suscitou um dilema entre liberdade e responsabilidade cristã. Em locais como Corinto, muitos recém-convertidos temiam que o simples ato de comer tais alimentos os afastasse de Deus ou trouxesse consigo alguma maldição. Outros, porém, já entendiam que “um ídolo nada é no mundo” e que “a comida não nos torna aceitáveis diante de Deus” (1Co 8.4,8). De acordo com essa compreensão, os ídolos não possuem existência real nem poder espiritual para contaminar o crente. Esse entendimento liberta da superstição de que qualquer alimento oferecido a deuses poderia, por si só, prejudicar o crente.

Paulo se alinha a esses cristãos mais maduros ao defender a liberdade em Cristo, declarando que “todas as coisas são lícitas” (1Co 10.23). Pois, se Cristo nos libertou, verdadeiramente somos livres! Afinal, “há um só Deus, o Pai… e um só Senhor, Jesus Cristo” (1Co 8.6). Ainda assim, ele adverte: “o conhecimento incha, mas o amor edifica” (1Co 8.1) e, em tom pastoral, declara: “Se a comida causar tropeço ao meu irmão, jamais comerei carne, para não escandalizar-lo” (1Co 8.13). Desse modo, a liberdade de comer não fica atada a proibições alimentares, mas é balizada pelo amor que renuncia a direitos em favor da edificação dos irmãos.

Em 1 Coríntios 10, Paulo aprofunda a questão ao tratar de refeições realizadas dentro de templos pagãos. O apóstolo diferencia entre a carne comprada no mercado, cujo consumo (embora livre) requer consideração pastoral, e o banquete litúrgico idólatra, que compromete a fidelidade exclusiva ao Senhor. Quem participa de um sacrifício pagão torna-se “participante do altar” e, simbolicamente, da adoração a “demônios, e não a Deus” (1Co 10.18–20). Assim, deve-se evitar “misturar o cálice do Senhor com o cálice dos demônios” (1Co 10.21).

Vale destacar que Paulo, nessa mesma linha, afirma: “Coma de tudo o que se vende no açougue, sem indagar nada por motivo da consciência” (1Co 10.25 ). Ao dizer isso, ele demonstra que aquilo que foi oferecido a deuses sem existência não retém força espiritual alguma, pois “um ídolo nada é no mundo” (1Co 8.4). Uma carne comprada no mercado já não pertence ao culto pagão, mas ao cotidiano do crente. Não questionar protege a consciência do irmão. Perguntar se a carne veio de um sacrifício idolátrico pode sugerir que o alimento é imundo, levando o irmão de fé mais fraco a duvidar da própria liberdade e a tropeçar em suas convicções (1Co 8.9; Rm 14.13). Ao consumir sem indagar, expressamos confiança na soberania de Deus sobre todas as coisas criadas e reconhecemos o alimento como bênção divina, com ações de graças (1Tm 4.4–5). Em suma, esse mandamento convida o crente a viver sua liberdade sem temores infundados, protegendo a edificação mútua e celebrando cada refeição como ato de adoração.

Depois de esclarecer essa distinção em 1 Coríntios 10, Paulo retoma o tema sob outro ângulo em Romanos 14–15, abordando as diferenças de dieta e a observância de dias sagrados. Ele lembra que “o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17) e exorta: “Recebei ao que é fraco na fé…” (Rm 14.1). Enquanto “um crê que de tudo se pode comer, outro, que é fraco, come legumes” (Rm 14.2). Por isso, Paulo orienta: “Não julgueis o vosso irmão… tudo o que não procede de fé é pecado” (Rm 14.13,23). Ou seja, nossa liberdade não deve ser mera expressão de conhecimento, mas sim um caminho de edificação mútua, evitando causar tristeza ou escândalo aos irmãos (Rm 14.15).

Antes mesmo de Paulo abordar esse tema, o Concílio de Jerusalém (At 15) aplicara o mesmo princípio: para evitar escândalo e preservar a comunhão entre judeus e gentios, Tiago recomendou que os cristãos de origem gentílica se abstivessem de “contaminações dos ídolos, das relações sexuais ilícitas, da carne sufocada e do sangue” (At 15.20,29). Tais medidas não instituíam um novo legalismo, mas visavam proteger a unidade entre grupos cujos hábitos cerimoniais diferiam amplamente. A conjunção “pois” (gr. γάρ), no início de Atos 15.21, explica: “em cada cidade” ainda havia judeus que guardavam estritamente aquelas prescrições e as consideravam essenciais ao culto.

É importante ressaltar que, desde o Concílio (At 15.19–21), os apóstolos não trataram as prescrições cerimoniais como obrigações perpétuas para a Igreja, mas como medidas pastorais para sustentar a comunhão entre judeus e gentios. Paulo desenvolve esse princípio em Colossenses 2.16–17, afirmando que ninguém deve ser julgado “por causa de comida, ou de bebida, ou dia de festa…”, pois isso era “sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo”. Em Romanos 14.14, ele reforça: “Sei e estou persuadido, no Senhor Jesus, de que nenhuma coisa é de si mesma impura; salvo para aquele que assim a considera”. E reitera que “tudo é puro, mas é mal para o homem que come com escândalo” (Rm 14.20), sublinhando que a liberdade não elimina a responsabilidade de não provocar tropeço no próximo.

Além disso, em Atos 10.9–16, Pedro recebe uma visão divina para “matar e comer” animais impuros, indicando o fim das barreiras cerimoniais entre judeus e gentios. Seguindo esse raciocínio, Paulo ensina: “tudo é lícito, mas nem tudo convém; tudo é lícito, mas nem tudo edifica” (1Co 10.23–24). Em outras palavras, a liberdade cristã permite o consumo de carne — até mesmo aquela sacrificada a ídolos — desde que não haja contexto de culto pagão e não se ofenda a consciência dos irmãos mais fracos.

No conjunto, a maior parte dos cristãos, tomando o exemplo apostólico, não adotou como norma permanente o costume judaico de evitar carne sufocada ou demais práticas cerimoniais. Compreendeu-se que esses preceitos eram “sombra” cumprida em Cristo (Cl 2.17) e que a verdadeira lei do cristão se resume ao amor que edifica (Rm 13.8; 1Co 8.1; 10.31).

Em suma, Paulo mostra que a liberdade em Cristo vai além da ausência de regras: manifesta-se no amor que abre mão do próprio direito em favor do irmão (1Co 8.13; Rm 15.1), na fidelidade exclusiva a Jesus (1Co 10.21,31) e no compromisso de viver cada escolha, inclusive o que compramos no mercado, como ato de adoração e serviço mútuo (Gl 5.13–14; Ef 4.32).

Ao lidarmos com a questão de comer alimentos sacrificados a ídolos — ou qualquer prática potencialmente controversa — temos uma oportunidade de exercer essa “liberdade responsável”, sempre sob a régua do amor. A maturidade espiritual aparece quando colocamos o bem do próximo acima de nossos desejos e direitos, reconhecendo que “todas as coisas vêm de Deus” e podem ser desfrutadas com ações de graças (1Tm 4.4–5; 1Ts 5.18). Também somos chamados à paciência e ao acolhimento, respeitando a consciência alheia e zelando pela unidade do Corpo de Cristo (Rm 14.19; Ef 4.3). Assim, refletimos ao mundo o caráter de Jesus — que, por amor, renunciou a Si mesmo em benefício de todos (Fp 2.5–8) — e glorificamos a Deus na harmonia e no cuidado para com os irmãos.

Mordomia Cristã+

Quando ouvimos “mordomia”, muita gente pensa primeiro em dinheiro, dízimos e ofertas. Vamos tratar disso, sim; mas a mordomia cristã é muito mais ampla e bela do que apenas a área financeira (1Co 10.31; Rm 12.1–2).

Pergunta que muda tudo: de quem é tudo o que você e eu possuímos? Nosso salário, nossa casa, nosso carro, nossos talentos, nosso tempo, até mesmo o nosso corpo (Sl 24.1; 1Cr 29.11–14; 1Co 6.19–20).

A Bíblia é muito clara: “Do SENHOR é a terra e tudo o que nela existe” (Sl 24.1). Deus é o Dono de absolutamente tudo; nós não somos donos, somos administradores (mordomos) do que pertence a Ele (1Cr 29.11–14; 1Co 4.1–2). Desde o início, em Gênesis, Deus confiou ao ser humano a tarefa de cuidar e administrar a criação (Gn 1.26–28; 2.15).

Definição pastoral: Ser mordomo cristão é administrar com fidelidade e amor tudo o que Deus nos confiou — tempo, corpo, relacionamentos, dons, bens e oportunidades — para a glória de Deus e o bem do próximo (1Pe 4.10–11; Cl 3.17; Mt 22.37–39; 1Co 10.31).

Uma Vida Inteira para Deus A vida com Cristo não se resume a uma ou duas horas no domingo; a redenção de Jesus alcança a vida inteira — aqui e agora (Cl 1.16–20; Rm 12.1–2). Cada segundo do nosso tempo, cada decisão com o corpo, cada conversa em família, cada hora de trabalho está debaixo do senhorio de Cristo (Cl 3.17; Cl 3.23–24).

• Pense no seu tempo: estamos remindo o tempo e ordenando o dia com oração, Palavra, descanso e serviço (Ef 5.15–16; At 2.42; Sl 90.12)?

• Pense no seu corpo: o corpo é templo do Espírito, chamado à pureza, saúde e equilíbrio (1Co 6.19–20; 1Ts 4.3–4; Rm 6.13).

• Pense nos seus talentos/dons: tudo vem de Deus; servimos segundo o dom recebido para edificação da igreja e bênção do mundo (1Pe 4.10–11; 1Co 12.4–7; Rm 12.6–8).

• Pense nos relacionamentos e no lar: discipulado que começa em casa, com amor prático e hospitalidade (Dt 6.4–9; Rm 12.13; Hb 13.2).

• Pense no trabalho e integridade: trabalhar com honestidade, repartir e fazer o bem (Ef 4.28; Cl 3.23–24).

• Pense na criação: cuidar da terra como jardineiros de Deus (Gn 2.15; Sl 24.1).

Síntese: Mordomia é viver todas as áreas sob o senhorio de Cristo, entendendo que tudo é Dele e para Ele (Rm 11.36; Cl 1.16).

E o Dinheiro? O Lugar dos Dízimos e Ofertas Se Deus é o Dono de tudo, Ele é também o Dono das nossas finanças (1Cr 29.12–14; Sl 24.1). A Bíblia dá princípios claros: contribuir com alegria, regularidade e prioridade (2Co 9.6–8; 1Co 16.2; Pv 3.9–10).

O dízimo ainda vale? Antes da Lei, já vemos o dízimo como ato de adoração:

• Abraão deu o dízimo a Melquisedeque (Gn 14.18–20).

• Jacó votou dar o dízimo de tudo (Gn 28.20–22).

Na Lei, o dízimo é “santo ao SENHOR”, com propósito de sustento do culto, dos levitas e de justiça comunitária (Lv 27.30–33; Nm 18.21–24; Ne 12.44; Ml 3.8–12).

No Novo Testamento, Jesus não abole o princípio; Ele corrige a motivação e exige justiça, misericórdia e fé: “façam estas coisas, sem omitir aquelas” (Lc 11.42; Mt 23.23). A justiça no Reino deve exceder a dos fariseus (Mt 5.20). E a liberdade cristã não é pretexto para a carne (Gl 5.13).

Equilíbrio na graça: não estamos debaixo da Lei como caminho de salvação (Ef 2.8–10; Rm 8.1–4). O dízimo funciona como princípio sábio, justo e norteador — um ponto de partida para uma contribuição proporcional, regular e reverente — enquanto a graça nos move além do mínimo, rumo à generosidade sacrificial e alegre (1Co 16.2; 2Co 8.1–5; 2Co 8.9; 2Co 9.6–12; Rm 13.10).

Resumo: Não damos para ser salvos, mas porque fomos salvos; damos como resposta de amor ao Deus que nos deu tudo, inclusive o Seu Filho (2Co 9.7; Jo 3.16).

Compromisso com a Igreja e sua Missão Para onde vai a contribuição? Ela impulsiona a missão:

• Sustento ministerial e ensino da Palavra (1Co 9.14; 1Tm 5.17–18; Gl 6.6).

• Culto, discipulado e formação de líderes (At 2.42; 2Tm 2.2).

• Diaconia e obras de misericórdia (Tg 1.27; At 6.1–7).

• Evangelização e missões locais e transculturais (Mt 28.19–20; At 1.8).

• Transparência e prestação de contas (2Co 8.20–21).

Contribuir é amor concreto por Deus, por Sua Igreja e pelo mundo que Ele ama (1Cr 29.3; 2Co 9.12).

Trazendo para a Prática • Primeiros frutos: honrar o Senhor com a primeira parte da renda — separe antes de gastar (Pv 3.9–10; 1Co 16.2).

• Planejamento e contentamento: prudência no orçamento e coração livre da avareza (Pv 21.5; 1Tm 6.6–10; Mt 6.24).

• Generosidade constante: dar com alegria, fé e propósito (2Co 9.6–8; Lc 6.38).

• Simplicidade e justiça: usar recursos para o bem e a compaixão (1Tm 6.17–19; Lc 12.33–34).

• Prestação de contas: caminhar com irmãos e lideranças (Tg 5.16; Hb 10.24–25).

Uma sugestão prática (princípio, não regra): 10–10–80 — 10% ao Senhor (dízimo), 10% poupança/futuro, 80% custeio da vida (Pv 21.5; 27.23).

Lembre: “Quem é fiel no pouco também é fiel no muito” (Lc 16.10–13).

Perguntas para a Semana 1. Onde Deus está chamando você a fidelidade — no tempo, dons ou recursos (Rm 12.2)?

2. O que hoje compete com o senhorio de Cristo nas suas finanças (Mt 6.19–21; Mt 6.24)?

3. Qual passo concreto de generosidade você pode dar esta semana (2Co 9.7)?

Conclusão

Mordomia cristã é amor que administra: tudo vem de Deus e tudo volta para Ele em adoração, serviço e missão (Rm 11.36; 1Co 10.31; 2Co 9.12). Que o Senhor nos faça mordomos fiéis e alegres, para a Sua glória e o bem do próximo (Mt 25.21; 1Pe 4.10–11).

Questões 1. De quem é a terra e tudo o que nela há, segundo as Escrituras?

A) Do SENHOR, o Criador B) Da igreja local C) Do crente fiel D) Do Estado

2. O que melhor define mordomia cristã?

A) Dar esmolas quando possível B) Administração fiel de tudo o que Deus nos confiou para sua glória e o bem do próximo C) Cumprir regras financeiras da Igreja D) Planejamento para riqueza pessoal 3. Que princípio do Novo Testamento orienta contribuição proporcional e regular?

A) Guardar os sábados rigorosamente B) Cada um contribuir conforme prospera, separando de antemão (1Co 16.2)

C) Dar apenas quando houver necessidade extrema D) Evitar qualquer compromisso prévio 4. O que Jesus afirma sobre o dízimo em sua crítica aos fariseus (Lc 11.42; cf. Mt 23.23)?

A) Que deve ser abolido sob a graça B) Que deve ser omitido em favor de tradições C) Que não deve ser omitido, sem desprezar justiça e amor de Deus D) Que só se aplica a levitas 5. Segundo 2Co 9.7, como devem ser dadas as ofertas?

A) Por obrigação e com aparências B) Com tristeza e por medo do juízo C) Com alegria, de coração, não por necessidade D) Somente em segredo e raramente

6. Qual é o foco da mordomia em relação à Igreja?

A) Acúmulo de patrimônio institucional B) Sustentar culto, ensino, diaconia e missão da igreja C) Priorizar reformas estéticas D) Autonomia financeira do indivíduo 7. Qual prática expressa ‘honrar ao SENHOR com os primeiros frutos’?

A) Separar a contribuição ao final do mês, se sobrar B) Separar antes de gastar, com prioridade e propósito (Pv 3.9; 1Co 16.2)

C) Evitar planejar ofertas D) Contribuir apenas em datas especiais 8. Quais dimensões melhor representam o escopo da mordomia cristã?

A) Apenas dinheiro B) Apenas talentos espirituais C) Tempo, dons, recursos, corpo, família, trabalho e cuidado da criação D) Apenas dízimo e ofertas 9. Qual motivação cumpre a lei e deve orientar a generosidade cristã (Rm 13.10)?

A) Medo B) Tradição C) Amor D) Reconhecimento social

10. Como a visão cristã equilibra dízimo e graça?

A) Estamos debaixo da Lei Mosaica em todos os pontos B) Estamos sem qualquer norma e cada um faz o que quer C) O dízimo é princípio sábio e norteador sob a graça; a generosidade pode excedê-lo D) Dar apenas se sobrar, pois Deus não se importa com prioridades

Neemias, o sábio! (texto e vídeo)+

Neemias estava vivendo confortavelmente como copeiro do grande rei persa Artaxerxes (1.11-2.1). Mas, ao ouvir que seu povo e cidade estavam em grande miséria e ruína, ele se entristeceu profundamente (1.4 e 2.2,3). O lamento de Neemias não é de um desesperado, conformista, fatalista, ou do murmurador, que já entregou os pontos e que agora está com espírito de autocomiseração engrossando o cordão das carpideiras. Neemias, movido por compaixão, chora e ora a Deus, buscando uma solução. Neemias se coloca como um instrumento nas mãos de Deus, como um agente transformador da realidade. Ele chora, ora e age!

Diante de tamanha crise, Neemias não fica buscando culpados,  que é uma atitude comum daqueles que se auto justificam. Nem tampouco fica olhando em volta a espera de que alguém faça alguma coisa, ou seja, ele não transfere para os outros a responsabilidade. Neemias assume o fardo, pois quer tornar-se parte da solução: “peço-te que me envies…” (2.5).

Neemias era um homem de oração. Ele ora nos momentos de crise (1.4), ora para confessar pecados (1.6), ora quando está sendo perseguido (4.4) e ora diante da tentação (6.9). Antes de falar com o rei, Neemias fala com Deus (1.10). Antes de reformar os muros de Jerusalém, ele buscava a reforma dos muros de seu próprio coração.  Neemias confessa pecados e clama pela misericórdia divina (1.4-10).  Orava e agia, fazendo aquilo que estava ao seu alcance. Neemias orava e vigiava (4.9)!

O rei reparou que Neemias estava triste, o que lhe despertou a atenção, pois nunca o havia visto entristecido anteriormente. Pois, Neemias era um homem alegre, disposto, cheio de fé e amor, que são frutos do Espírito Santo.  Era mesmo de se estranhar que estivesse triste!

Movido por compaixão, Neemias toma uma atitude,  respeitando as autoridades constituídas (2.5-9), ciente de que Deus, que o estava movendo,  também moveria o coração das autoridades (1.10). Com certeza, o fato de Neemias ter sido um funcionário íntegro e leal durante todo o período em que serviu no Palácio colaborou para que o Rei fosse simpático a cada uma das suas solicitações (2.8). Neemias nunca foi um homem rebelde. Certa feita, seus opositores tentaram acusa-lo de rebeldia (2.19), mas tal acusação se provou infundada, pois Neemias possuía uma carta de autorização assinada pelo próprio rei Artaxerxes (1.7-8).

A compaixão nos aproxima dos aflitos. Neemias deixa o palácio e viaja para onde está o problema. Primeiramente, ele busca avaliar a situação em loco a fim de ter uma noção clara da dura realidade (3.13). Neemias não era exibicionista e nem afoito. Ele não chegou abalando em Jerusalém. Esperou três dias antes de tomar qualquer atitude (2.11). Ele começou com discrição, pois, a princípio, não compartilhou com ninguém os seus planos (2.12). Faz uma inspeção noturna para não chamar muita atenção (2.13). Uma avaliação cuidadosa é necessário, pois devemos entender o problema antes de propor soluções.

Diante da contemplação da calamidade, Neemias  não desanima, pois sua fé em Deus o torna otimista em relação ao futuro. Assim, ele, estrategicamente, busca recursos e promove uma mobilização, motivando a todos para, unidos, reconstruírem os muros da cidade (2.17-18). O recrutamento se faz necessário, pois ninguém constrói muralhas sozinho. A visão, a fé e o entusiasmo de Neemias são contagiantes! O povo responde ao chamado dizendo: “Sim, vamos começar a reconstrução”! E o povo cumpriu o que prometeu! (5.12).

Neemias enfrentou muita oposição. Sempre haverá opositores que se levantarão contra a obra de Deus. Neemias se deparou com opositores externos como Sambalá e Tobias que eram líderes de outros povos, mas também teve de lidar com opositores internos, traidores do próprio povo de Deus, como Semaías (6.13).

Neemias foi escarnecido por seus inimigos, que fizeram pouco caso dele, procurando ridiculariza-lo (4.1-3); ele teve de enfrentar ataques físicos (4.7-8); ataques morais, calúnias (6.5-9); traição de um amigo que também se revelou falso profeta (6.10-13) e teve de encarar inúmeras provocações (6.19).

Neemias, também, revela outras virtudes como a perseverança de quem sabe muito bem o que quer e onde quer chegar, pois ele não desanima diante das críticas dos pessimistas e invejosos de plantão (2.19-20; 6.3). Não subestimava o inimigo, estava sempre alerta, orando e vigiando (4.9, 16). Mas também não se intimidava diante das ameaças dos adversários. Ele dizia: “Não tenham medo deles. Lembrem-se de que o Senhor é que é Grande e temível” (4.14).  Neemias revelou muito discernimento espiritual para não ser enganado pelos falsos amigos e falsos profetas (6.12). Deste modo, Neemias nos ensina a levantar muros de proteção não apenas em volta da cidade, mas também em torno de si.

Neemias mostrou-se íntegro mesmo após assumir a posição de governador (6.14-18).  Neemias não foi para Jerusalém porque intencionava o posto de Governador, sua missão foi motivada por pura compaixão (1.3-4). No entanto, como ele foi fiel no pouco, sobre muito foi colocado, mas, mesmo assim, seguiu sendo leal a Deus e aos seus princípios éticos (Mt 25.23).

Neemias nos conclama a lutar em favor da família! “lutem por seus irmãos, por seus filhos e por suas filhas, por suas mulheres e por suas casas” (4.14). Notar também o que está registrado em Neemias 3.28: “fizeram reparos cada um em frente de sua própria casa”.  Precisamos fechar as brechas da muralha para nos protegermos contra os ataques inimigos (4.7). Devemos também lutar contra todos os inimigos que pretendem destruir a família, lembrando que nossa luta não é contra carne e sangue, mas, sim, contra os exércitos espirituais que semeiam a corrupção e que atuam sobre os filhos da desobediência (Ef 6.12 e 2.1-2).

Neemias sabia liderar com sabedoria, firmeza, coragem, ânimo, determinação e planejamento.  Certamente, valeu-se de toda a sua experiência adquirida ao longo dos anos em que serviu ao rei. O capítulo 3 revela detalhes de toda a bela organização de tarefas. Cada um ficou incumbido de uma tarefa específica. Havia muita cooperação como se pode observar através das inúmeras expressões do tipo “ao lado de” ou “ao seu lado” ou “junto a estes”. Eles trabalhavam em equipe e estavam também organizados em turnos, de modo que quando uma equipe terminava o seu turno, logo era substituída por uma outra que dava sequencia ao trabalho (3.16, 17, 21, 24). Grandes coisas acontecem quando não nos importamos com quem é que vai levar a fama! Tem muita gente que age como quem diz: “eu não vou colocar azeitonas na empada de ninguém”.  Atitude mesquinha e deplorável que conspira contra a obra de Deus. Gente desta espécie que deseja sempre ser o centro das atenções e que busca sempre receber a fama e o destaque não tem parte no Reino de Deus. Ai destes, como disse Jesus, pois “fazem todas as obras a fim de serem vistos pelos homens; pois trazem largos filactérios, e alargam as franjas das suas vestes, e amam os primeiros lugares nas ceias e as primeiras cadeiras nas sinagogas” (Mateus 23.5-6).

Os muros foram reconstruídos em apenas 52 dias (6.15)! Isto é que é trabalho em equipe debaixo da orientação e da bênção de Deus (6.17)!

A reconstrução dos muros trouxe dignidade, proteção e paz para a cidade de Jerusalém.  Mas o trabalho não parou por aí, pois o mais lindo foi que Neemias colaborou para o povo de Deus voltar-se a dar ouvidos as Escrituras Sagradas (Cap. 8). A Palavra de Deus produziu um grande avivamento espiritual! O povo fez um pacto (9.38) no sentido de priorizar as coisas de Deus: “Não negligenciaremos o templo de nosso Deus” (10.39). O povo se comprometeu com a construção das muralhas e agora está também comprometido com a edificação da Casa de Deus! O povo de Deus é povo do pacto, povo aliançado com Deus, povo comprometido com a Missão! Não podemos ser cristãos nominais, não podemos servir a Deus de qualquer maneira. Como Jesus, Neemias purificou o templo! Ele mostrou-se também muito zeloso quando a necessidade de santidade no ministério sacerdotal (13.26-30).

Quantas preciosas lições podemos aprender com este fiel servo de Deus que foi Neemias!

Bispo José Ildo Swartele de Mello http://santidadeeunidade.blogspot.com http://escatologiacrista.blogspot.com

Valorize a Igreja. Permaneça firme no Corpo de Cristo.+

Jesus amou a Igreja e deu a vida por ela (Ef 5.25). Ele não veio apenas salvar indivíduos, mas formar um povo, um Corpo vivo — onde cada membro tem lugar e função (1Co 12.12-27).

A Bíblia nos adverte: “Não deixemos de nos congregar, como é costume de alguns…” (Hb 10.25). Não há cristianismo verdadeiro sem comunhão verdadeira.

Fomos batizados não só em Cristo, mas no Corpo de Cristo (1Co 12.13). Não somos peças soltas: somos parte de algo muito maior — a Noiva de Cristo, o templo do Espírito Santo, a coluna e baluarte da verdade (1Tm 3.15).

E quando a Igreja vive em unidade, o mundo crê que Jesus foi enviado por Deus (Jo 17.21).

Ame, valorize, sirva e persevere na Igreja de Cristo.

Ela é preciosa para Deus. E deve ser para nós também.

Reafirmando o Valor da Igreja neste Tempo Desafiador Texto base principal:

Efésios 5.25; Atos 2.41-47

Introdução

Vivemos dias de crescente desencanto com as instituições, inclusive com a Igreja. O aumento de desigrejados, a frieza espiritual, os escândalos internos e os ataques externos nos desafiam como pastores e líderes a reafirmar, com convicção e amor, o valor da Igreja do Senhor Jesus Cristo.

Mas afinal, por que a Igreja é tão importante? E como devemos reagir quando nos sentimos desencorajados ou feridos por ela?

1. A Igreja é uma instituição divina (Mt 16.18; At 20.28)

A Igreja não é uma invenção humana, nem fruto de Constantino. Ela foi estabelecida por Jesus: “Sobre esta pedra edificarei a minha igreja” (Mt 16.18). Ele a comprou com Seu próprio sangue (At 20.28) e a ama com amor eterno (Ef 5.25).

Descrições bíblicas da Igreja:

Corpo de Cristo (1Co 12.27)

Família de Deus (Ef 2.19)

Povo exclusivo de Deus (1Pe 2.9)

Templo do Espírito (1Co 3.16)

Noiva de Cristo (Ef 5.27)

Israel de Deus (Gl 6.16)

Coluna e baluarte da verdade (1Tm 3.15)

2. A Igreja é contracultural, mas essencial (Rm 12.2; Mt 5.13-16)

A Igreja desafia os valores mundanos e promove os valores eternos do Reino de Deus. Ela é sal da terra e luz do mundo, uma cidade edificada sobre o monte que não pode ser escondida.

A igreja não combate a cultura em si, mas denuncia o pecado e oferece alternativa de vida: paz, justiça, reconciliação, santidade, esperança e alegria no Espírito.

3. A Igreja primitiva como modelo (At 2.41-47)

Aceitavam a Palavra (v.41,44)

Eram batizados (v.41)

Acrescidos à comunhão dos santos (v.41,47)

Perseveravam na doutrina dos apóstolos (v.42)

Viviam em comunhão e solidariedade (v.42,44-45)

Participavam da Ceia e de refeições com alegria (v.46)

Perseveravam no culto e na oração (v.46-47)

Davam bom testemunho, com temor, singeleza e alegria (v.43,46-47)

Esse é o modelo de uma igreja cheia do Espírito, que cresce em qualidade e quantidade.

4. Amar a Igreja como Cristo a amou (Ef 5.25-27)

Jesus se entregou por ela. Ele é o Salvador do corpo (Ef 5.23). Assim como Ele amou, também devemos amar, servir, perdoar e perseverar. A Igreja é a arca da salvação. Cristo não jogou boias individuais, mas construiu a arca para salvar um povo. A salvação e a Igreja estão inseparavelmente ligadas (1Co 12.13).

5. Valorizar a Igreja é agir com fidelidade e zelo (Ef 4.3; Cl 3.13)

Devemos lutar pela unidade, suportar uns aos outros, ser generosos, assíduos, pontuais, fervorosos, santos. Nosso amor pela Igreja deve transparecer em tudo: na agenda, na pregação, nas contribuições, na evangelização e no nosso testemunho (Mt 28.19; Rm 12.11; 2Tm 2.15).

6. Quando a Igreja brilha, o mundo crê (Jo 17.21; At 2.47)

A unidade da Igreja leva o mundo a crer que Jesus foi enviado por Deus. E quando a Igreja vive em santidade, amor e missão, o Senhor acrescenta os que vão sendo salvos. A Igreja torna-se um farol de esperança em um mundo em trevas.

Conclusão

Quem é você para desanimar daquela por quem Cristo morreu? (Ef 5.25). Você pode estar magoado, ferido ou cansado, mas lembre-se: Jesus é a Rocha. E se você tropeçar nela, será despedaçado (Mt 21.44).

A Igreja é a obra Deus. Ela não é perfeita, mas é o lugar onde Deus opera, redime, transforma e envia. Reafirme hoje o seu amor pela Igreja. Permaneça firme. Sirva com alegria. Inspire outros. E que o Senhor reacenda em nós o zelo pela sua Casa.

“A Ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!” (Ef 3.21)

Procurando uma Igreja Perfeita — Um Diálogo Imaginário com o Apóstolo Paulo Estava cansado de tantas decepções com igrejas e decidi ligar para o Apóstolo Paulo. Quem sabe ele poderia me ajudar a encontrar a igreja perfeita…

— Alô! É o apóstolo Paulo?

— Sim, sou eu.

— Graça e paz, apóstolo!

— Graça e paz!

— Desculpe incomodar, mas preciso da sua ajuda. Estou profundamente decepcionado com muitas coisas na igreja onde congrego e resolvi procurar uma igreja perfeita. Pensei em Corinto… seria uma boa opção?

— Corinto? Olha, lá tem divisões e grupinhos (1Co 1.12), inveja, contendas (1Co 3.3), brigas que vão parar na justiça secular (1Co 6.1-11)… Ah, e tem até um caso de imoralidade grave (1Co 5.1).

— Puxa… então talvez Éfeso?

— Éfeso é uma igreja bem fundamentada na Palavra (At 20.27), mas perdeu o primeiro amor (Ap 2.4).

— E Tessalônica?

— Lá tem alguns irmãos que estão vivendo de forma desordenada e se recusam a trabalhar (2Ts 3.11).

— Hmmm… está difícil, hein, Paulo? Que tal Filipos?

— Filipos é uma boa igreja, sim. Mas tem duas irmãs, Evódia e Síntique, que não estão se entendendo e precisam se reconciliar (Fp 4.2).

— E Colossos?

— Em Colossos, infelizmente, há alguns heréticos promovendo falsas doutrinas e até culto a anjos (Cl 2.18).

— E os Gálatas?

— Em Gálatas há divisões sérias; alguns crentes estão se mordendo e devorando uns aos outros (Gl 5.15).

— Sinceramente, não imaginei que fosse tão difícil encontrar uma igreja ideal…

— E ainda tem Tiatira, onde toleram uma falsa profetisa que ensina imoralidade e idolatria (Ap 2.20). Laodiceia? Lá os crentes estão mornos, orgulhosos e materialistas (Ap 3.16-17). Em Pérgamo, alguns seguem as doutrinas de Balaão e dos nicolaítas (Ap 2.14-15).

— Pensei até em Jerusalém, a igreja-mãe…

— Pois é, mas lá também havia preconceitos (Gl 2.12-13), reclamações (At 6.1), e até casos de mentira e hipocrisia buscando reconhecimento (At 5.1-11).

— Então, o que devo fazer, Paulo? Existe alguma igreja perfeita?

— Não, meu irmão. Não existe igreja perfeita porque todas são compostas por pessoas imperfeitas. Onde há trigo, há também joio; onde há fé genuína, também há imaturidade e luta contra o pecado. A única igreja verdadeiramente perfeita será aquela que se reunirá no céu — a “universal assembleia e igreja dos primogênitos inscritos nos céus” (Hb 12.23).

— E agora?

— Em vez de procurar uma igreja perfeita, procure uma igreja com líderes sinceros, que amam a verdade e se firmam na sã doutrina. Não deixe de congregar (Hb 10.25). Abandone a mentalidade de consumidor e coloque-se à disposição de Deus para ser um membro saudável, que contribui com a edificação do Corpo de Cristo — para a salvação de muitos e para a glória de Deus (Ef 4.1-16).

Salas VIP nas Igrejas+

1. Introdução

Nos últimos tempos, algumas igrejas têm adotado a prática de criar salas VIP para receber convidados especiais ou famosos. Em muitos casos, justificam isso com argumentos de segurança e conforto, alegando que essas pessoas precisam de um lugar reservado onde possam participar do culto sem serem incomodadas. No entanto, essa iniciativa gera perguntas importantes: será que não estamos reforçando as mesmas divisões de status que existem no mundo? Será que a igreja, ao criar espaços exclusivos, não está indo contra o princípio bíblico de que todos somos iguais diante de Deus?

Esta reflexão busca analisar essa questão à luz da história e, principalmente, das Escrituras, mostrando que a fé cristã nos chama a viver como irmãos que se reúnem para adorar a Cristo sem favorecer uns em detrimento de outros.

2. Breve Contexto Histórico: A Luta da Igreja Metodista Livre O debate sobre privilégios na igreja não é novo. No século XIX, algumas comunidades cristãs financiavam seus templos por meio do aluguel de bancos, ou seja, os assentos das primeiras fileiras ficavam reservados a quem pagasse mais, enquanto os mais pobres ficavam nos fundos ou até mesmo em pé. Em reação a essa prática, surgiu a Igreja Metodista Livre, que ganhou esse nome porque defendia “assentos livres” para todos, independente de classe social. Seus fundadores viam nos bancos pagos uma forma de discriminação totalmente contrária ao evangelho de Jesus Cristo. Por isso, decidiram romper com esse costume, lutando pela igualdade de todos na casa de Deus.

Esse momento histórico serve de alerta para nós hoje: a igreja precisa zelar para que não retorne a práticas que segregam ou dão privilégios, mesmo que apresentadas de maneira mais “moderna” ou “sutil”.

“Crente ostentação” e desvio da missão Ao criar privilégios exclusivos, corremos o risco de estimular uma mentalidade de ostentação. Em vez de apresentarmos o exemplo de Cristo, que viveu e serviu em humildade, a igreja pode acabar reforçando o desejo de reconhecimento e aplausos. Isso desvia nossa missão, que é anunciar a Cristo e servir uns aos outros (Mc 10.45).

Igreja: lugar de acolhimento e inclusão A casa de Deus deve ser um espaço em que todos se sintam recebidos de igual forma. Uma igreja que separa áreas para certos grupos pode acabar enviando a mensagem contrária, deixando alguns se sentindo inferiores ou indesejados. O evangelho, no entanto, derruba barreiras de status, pois “todos sois um em Cristo Jesus” (Gl 3.28). Por isso, o culto precisa refletir a unidade do corpo de Cristo, sem elitismos.

Ensinar a não idolatrar pessoas famosas ou ricas É fundamental que os pastores e líderes oriente m a congregação a tratar qualquer pessoa – famosa ou não – com respeito e acolhimento, mas sem bajulação. Muitas celebridades e figuras públicas deixam de frequentar cultos justamente para evitar o assédio e a perturbação. Quando os membros aprendem a agir com naturalidade e bom senso, todos podem adorar a Deus sem distrações. Assim, preservamos a igualdade e também respeitamos a privacidade de quem é conhecido, evitando transformá-los em ídolos. Afinal, adoração é somente ao Senhor (Mt 4.10).

Retorno ao primeiro amor Em Apocalipse, Jesus chama a igreja de Éfeso a voltar ao primeiro amor (Ap 2.4-5). Esse apelo é válido para nós hoje: precisamos realinhar nossos corações, lembrando que a razão de existir da igreja é adorar a Deus e proclamar Seu reino. Quando essas prioridades são colocadas de lado em favor de aparências ou distinções, perdemos o foco no evangelho genuíno.

3. Análise Bíblica

3.1. Tiago 2.1-9 – A advertência contra favoritismo A carta de Tiago nos ensina que não podemos combinar fé em Cristo com acepção de pessoas (Tg 2.1-9). Ele descreve a cena de um culto em que alguém rico é tratado de modo especial, enquanto um pobre maltrapilho fica de lado. Segundo Tiago, esse tipo de parcialidade é considerado pecado. Deus não aprova que ofereçamos privilégios para uns e deixemos outros à margem. Se o Senhor nos trata a todos de maneira igual, como ousaríamos, nós, crentes, criar distinções baseadas em aparência, poder ou riqueza?

3.2. Lucas 14.7-11 – O lugar mais humilde Jesus costumava observar o comportamento das pessoas nos banquetes. Notando que muitos buscavam lugares de destaque, Ele contou uma parábola ensinando que deveríamos escolher os lugares mais humildes (Lc 14.7-11). Assim, se tivermos que ir para a frente, que seja porque fomos convidados, e não porque buscamos destaque. Em vez de disputarmos posições de honra, o evangelho nos chama à humildade. É nessa postura que encontramos o verdadeiro valor diante de Deus.

3.3. Mateus 23.5-7 – O perigo da ostentação espiritual Jesus criticou duramente os fariseus por amarem “os primeiros lugares” e por fazerem tudo para serem vistos e elogiados (Mt 23.5-7). Esse alerta é importante: a busca por ostentação ou reconhecimento na igreja pode deturpar a verdadeira adoração. Se criamos espaços especiais e exclusivos no culto, podemos estar alimentando uma postura de exibicionismo, algo que vai contra o espírito de simplicidade e serviço que Jesus tanto valorizou.

3.4. Atos 2.44-47 – A comunhão igualitária da igreja primitiva A igreja nos primeiros capítulos de Atos vivia uma comunhão profunda, partilhando seus bens e a própria vida, sem distinções de classe ou status (At 2.44-47). Essa não é apenas uma história bonita do passado, mas um modelo de como devemos nos relacionar internamente, sempre reforçando a igualdade em Cristo e a unidade entre os membros. Uma área VIP exclusiva dentro do culto contraria esse ideal de comunhão, que vê todos como irmãos, igualmente carentes da graça de Deus.

3.5. Apocalipse 3.14-22 – Laodiceia e a ilusão da riqueza Quando Jesus fala à igreja de Laodiceia, Ele a repreende por se considerar rica e autossuficiente, embora, na verdade, estivesse espiritualmente pobre (Ap 3.14-22). Essa passagem traz um alerta sério contra a ostentação e a falsa segurança que o status pode gerar. Uma igreja que coloca sua atenção em atrair “gente importante” corre o risco de esfriar espiritualmente e deixar Cristo de fora de seus planos.

4. Implicações Pastorais e Teológicas

5. Conclusão

Qualquer forma de exclusivismo na igreja deve ser repensada à luz da Palavra de Deus. Salas VIP podem parecer uma forma legítima de proteger convidados ilustres, mas podem abrir portas para a ostentação e a divisão entre os irmãos. Se há razões de segurança, que se encontre um jeito discreto e respeitoso de lidar com isso, sem transmitir a ideia de que alguns fiéis merecem mais honra do que outros.

Como pastores e líderes, precisamos zelar pela unidade e simplicidade no corpo de Cristo. Devemos evitar tudo o que “hierarquiza” os membros, pois a igreja é e deve sempre ser uma família, não uma plateia segmentada. Diante de Deus, todos somos igualmente carentes de Sua graça e agraciados pelo sangue de Jesus. Que voltemos ao primeiro amor, honrando a Cristo acima de tudo e vivendo como irmãos sem acepção de pessoas (Tg 2.9).

No fim das contas, cada pessoa – seja rica ou pobre, famosa ou desconhecida – deve encontrar na igreja um ambiente de acolhimento, sem espaços reservados para uns e barreiras para outros. Assim, o evangelho é vivido em toda a sua beleza, e Cristo permanece no centro, como deve se r.

Dez Passos para Decisões Sábias à Luz das Escrituras+

Na jornada da vida, somos constantemente desafiados a tomar decisões. Diante das encruzilhadas, buscamos a sabedoria para guiar nossos passos e escolhas. Inspirados pelas Escrituras Sagradas, encontramos um mapa divino que nos conduz à sabedoria e discernimento.

A sabedoria clama, ergue a voz e busca nosso entendimento. Ela está ao nosso alcance, disponível para nos guiar. No entanto, negligenciá-la traz consigo a rota da destruição, pois ela nos convida a compreender, mas o desdém pela sabedoria traz consequências devastadoras. (Provérbios 1.20-33).Este guia oferece dez passos fundamentais, extraídos das Escrituras, para ajudar na tomada de decisões sábias, permitindo-nos navegar pelas escolhas da vida com clareza e confiança.

1. Ore a Deus: Seguindo o exemplo de Jesus em Lucas 6.12, onde Ele orou antes de decisões cruciais, e em Tiago 1.5-8, somos encorajados a pedir sabedoria a Deus, acreditando que Ele generosamente concede essa sabedoria àqueles que pedem com fé.

2. Examine a Bíblia: Quando confrontados com uma multiplicidade de opiniões e vozes, a orientação bíblica é clara: “Procurai compreender qual é a vontade do Senhor” (Efésios 5.17). Essa busca ativa pela vontade divina não é em vão, pois como afirma Provérbios 2.6-7, “Pois é o Senhor quem dá sabedoria; de sua boca vêm o conhecimento e a inteligência. Ele reserva a sensatez para os justos, é escudo para quem vive de forma íntegra”. Além disso, a Palavra de Deus é a própria essência da verdade e é garantida pela fidelidade divina (Salmo 119.160, Salmo 33.4). Sua confiabilidade e importância são enfatizadas em 2 Timóteo 3.16, Provérbios 30.5 e Hebreus 4.12. Esses versículos reforçam a veracidade, a confiabilidade e o impacto da Palavra de Deus, oferecendo uma base sólida para a busca da sabedoria e discernimento em nossas vidas.

3. Examine os fatos: Encare a realidade de frente. Não maquie a situação e nem subestime os desafios. Neemias, ao inspecionar Jerusalém antes de iniciar a reconstrução (Neemias 2), demonstra a importância de um reconhecimento pessoal da situação antes de tomar decisões significativas. Provérbios 18.17 destaca a necessidade de ouvir ambos os lados antes de tirar conclusões, enquanto Provérbios 13.16 enfatiza que todo homem prudente age com base no conhecimento.

4. Busque conselhos: Busque a orientação de pessoas sábias e experientes, como instruído em Provérbios 20.18: “Planos são bem-sucedidos quando há bons conselheiros” e 15.22: “Os planos falham por falta de conselhos, mas com muitos conselheiros há sucesso”. A sabedoria está em aprender com a experiência daqueles que possuem conhecimento, buscando conselhos e orientações antes de tomar decisões importantes na vida.

5. Calcule o custo: Avalie os prós e os contras, considerando o investimento necessário, como destacado em Provérbios 20.25 e também na orientação de Jesus em Lucas 14.28-30, sobre a importância de calcular o custo antes de começar a construir uma torre, para evitar interrupções e assegurar a conclusão bem-sucedida do projeto. Assim como Neemias avaliou os recursos e os desafios antes de iniciar a reconstrução de Jerusalém (Neemias 2.11-16).

6. Estabeleça uma meta: A Bíblia destaca a importância de determinar objetivos claros e manter o direcionamento. Em 1 Coríntios 9.26, Paulo declara: “Sendo assim, não corro como quem corre sem alvo.” O cristão deve ter objetivos claros e bem definidos, para manter sempre o foco, evitando agir sem direção ou propósito. (Provérbios 17.24 e 4.25-27). Assim como Neemias definiu o objetivo de reconstruir Jerusalém (Neemias 2.17-18), é vital estabelecer metas claras na nossa jornada de vida.

7. Prepare-se para as adversidades: Como mencionado em Provérbios 22.3, “O prudente percebe o perigo e busca refúgio; o inexperiente segue adiante e sofre as consequências.” A Bíblia ensina a esperar o melhor, mas também a se preparar para o pior cenário possível. Exemplos bíblicos mostram a importância de estar preparado para desafios. Noé construiu uma arca em obediência a Deus, preparando-se para o dilúvio iminente (Gênesis 6.13-22). José, antecipando a fome prevista no Egito, armazenou alimentos para sustentar o povo durante tempos difíceis (Gênesis 41.33-36). Além disso, quando questionado sobre o que fazer se algo desse errado, José estava pronto com um plano de ação (Gênesis 41.46-57). Da mesma forma, devemos considerar possíveis contratempos e estar preparados para enfrentá-los, seja por meio da oração, planejamento ou tomando medidas preventivas, mantendo sempre nossa confiança em Deus diante das adversidades.

8. Enfrente os seus medos: Como afirma Provérbios 29.25, “Quem teme ao homem cai em armadilhas, mas quem confia no Senhor está seguro.” A Bíblia nos lembra que confiar em Deus é o alicerce da verdadeira segurança, enquanto o medo pode nos aprisionar. Todos enfrentamos temores, mas a coragem não é ausência de medo; é agir apesar dele. Exemplos bíblicos ilustram como figuras como Moisés, Jeremias e Abraão, inicialmente relutaram diante do chamado de Deus devido a seus receios pessoais, mas, no fim, confiaram em Deus e seguiram adiante (Êxodo 4.10-12, Jeremias 1.6-8, Gênesis 12.1-4). Entretanto, o medo pode ser paralisante, como ressalta Eclesiastes 11.4: “Quem observa o vento não plantará; e quem olha para as nuvens não colherá.” Portanto, é fundamental confrontar e superar os medos, confiando na orientação e no poder de Deus para avançar além das limitações impostas pelo medo.

9. Dê um passo de fé: Provérbios 3.5-6 nos orienta: “Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apoie em seu próprio entendimento; reconheça o Senhor em todos os seus caminhos, e ele endireitará as suas veredas.” Esta passagem nos encoraja a confiar totalmente em Deus, mesmo quando não entendemos completamente o caminho à frente. Tomar um passo de fé envolve agir com base na confiança em Deus e na Sua orientação, como fez Abraão ao seguir a ordem de Deus para sair de sua terra e seguir para um lugar desconhecido (Gênesis 12.1-4). Isso implica não depender apenas da nossa própria compreensão, mas depositar nossa confiança no Senhor para direcionar nossos passos. Assim, após ponderar todas as considerações anteriores, tomar uma decisão de fé significa agir confiando que Deus guiará e endireitará o caminho conforme Sua vontade.

10. Avalie constantemente: Regularmente reavalie suas decisões, ajustando-as se necessário. Durante suas viagens missionárias, Paulo frequentemente adaptava seus planos e direções de acordo com a orientação do Espírito Santo. Em Atos 16, por exemplo, Paulo e seus companheiros foram impedidos pelo Espírito Santo de pregar a Palavra em determinadas regiões. Mais tarde, tiveram uma visão de um homem da Macedônia pedindo ajuda, o que os levou a mudar seus planos e seguir para lá. Essa história demonstra a sensibilidade de Paulo à direção divina e sua disposição em ajustar sua rota e planos de acordo com os direcionamentos de Deus, evidenciando a importância de avaliar constantemente a direção e adaptar-se conforme a orientação do Senhor.

Conclusão:

Cada passo, embasado em textos e exemplos bíblicos nos conduz a uma reflexão sobre a importância da oração, do estudo das Escrituras, do discernimento dos fatos, da busca por conselhos sábios, da avaliação dos custos e metas, da preparação para adversidades, do enfrentamento dos medos, da ação com fé e da constante reavaliação.

Ao adotarmos esses princípios em nossa caminhada, permitimos que a sabedoria divina nos oriente pelos desafios, conduzindo-nos a um caminho de discernimento, integridade e confiança na vontade de Deus para nossas vidas.

Tributo à memória de meu tio Bubi, que tinha Síndrome de Down+

Eu sou um privilegiado! Sim, eu tive o privilégio de ter tido um tio excepcional! Excepcional em todos os sentidos. Excepcional por ter nascido com Síndrome de Down e por ter sido quem ele foi para todos que, como eu, tiveram o privilégio de conviver com ele.

Beni Swartele Neto era o seu nome. Mas todos o chamavam de Bubi. Bubi! Que apelido lindo! Bubi teve uma infância sofrida. Vovô era alcoólatra, de modo que, vovó, minha mãe, Bubi e meus outros amados tios padeceram um bocado. Mas o Bubi não guardava rancor. Ele amava o vovô! Ele não perdeu a fé e nem a alegria. Suas frases revelavam um coração esperançoso. Suas ambições não eram grandes. Poucas coisas eram suficientes para fazê-lo feliz! “Sê Leva eu”, dizia ele, por exemplo, pedindo para passear de carro. Gostava de cortar o cabelo e até mesmo de ir ao médico.

Mas o que o Bubi gostava mesmo era de ir a igreja! Não perdia um culto! Ninguém precisava dizer a ele que era domingo, pois ele conhecia bem os dias da semana e aguardava sempre com ansiedade o dia de domingo. E lá estava ele de terno e sempre no horário para assistir a Escola Dominical e o culto vespertino. Ele não deixava escapar uma oportunidade de orar em voz alta, geralmente no final do culto, após a Bênção Apostólica. Era como se ele quisesse nos abençoar também! Ele não queria apenas assistir, ele queria participar! Houve uma ocasião em que alguém da igreja ficou incomodado com as orações do Bubi e foi até ao Pr. José Alves, que pastoreava a igreja naquela época, para pedir que ele, como pastor, tomasse providências para evitar aquilo que considerava ser uma situação inconveniente e constrangedora. O pastor com amor respondeu: “Deixai vir a mim os pequeninos e não os impeçais, foi o que disse Jesus”. Sim, o Bubi fazia e ainda faz parte deste grande time dos pequeninos de Jesus!

Como o Bubi faz falta! Como eu amei o Bubi! Como aprendi com ele! Aprendi, entre outras coisas, o significado maior da alegria de Jesus quando exclamou: “Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos.” (Mateus 11.25). E também daquela frase de Paulo: “Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são” (1 Coríntios 1.28).

Que privilégio ter tido o Bubi como tio! Que privilégio ter convivido com ele durante tantos e tantos anos! Ele veio morar em casa quando eu tinha apenas 6 anos de idade. Ele trouxe alegria para o nosso lar. Eu e os meus irmãos brincávamos com ele. O Bubi sempre foi uma criança! Ele sempre foi uma pessoa meiga e cativante. Todos gostavam muito dele. O Bubi foi um grande presente de Deus para mim e para toda minha família. Eu não tinha vergonha dele, não. Eu tinha era orgulho dele! O Bubi de uma maneira toda excepcional foi um herói da fé e merece estar contado entre aqueles valentes da Galeria de Hebreus 11: “Homens dos quais o mundo não era digno” (Hb 11.38).

Como o Apóstolo Paulo, ele também combateu o bom combate, completou sua carreira e guardou a fé. Aliás, sua carreira foi longa para alguém com sua enfermidade. Quis o bom Deus que ele vivesse entre nós durante 65 anos e, então, partisse para estar com o Senhor para sempre. Um tio chamado Bubi, que tornou a minha vida muito especial! Ele não “passou a vida à toa, à toa”. Valeu Bubi! Sua vida não foi em vão! Você tem um tesouro no céu!

Sabe, houve um dia em que o Bubi desapareceu. Ninguém tinha visto ele sair. Ele desceu a rua de casa e foi até a avenida Cupecê, onde pegou um ônibus para passear pela cidade. Foi aquele desespero. Passamos o dia e a noite procurando por ele e nem sinal do Bubi. “Será que tornaríamos a vê-lo novamente? Onde e como estaria ele? Estaria com fome ou passando frio? Teria acontecido alguma coisa de ruim com ele?” Que dor no coração! Mas, como disse Jesus a respeito dos pequeninos: “Vede, não desprezeis a qualquer destes pequeninos; porque eu vos afirmo que os seus anjos nos céus vêem incessantemente a face de meu Pai celeste.” (Mateus 18.10).

Foi, então, que um motorista de táxi encontrou o Bubi perdido, dormindo solitário num banco de uma praça no bairro de São Mateus. O Bubi não sabia dizer o endereço de casa, mas mesmo assim, o motorista o coloca em seu táxi e passa a percorrer as ruas do bairro de São Mateus na esperança de que o Bubi pudesse reconhecer a rua de casa. Rodou, Rodou e nada, até que o Bubi falou algo sobre sua igreja em Cidade Ademar. “Cidade Ademar?” Pensou o motorista. “Seria isto possível?” Cidade Ademar fica distante à beça de São Mateus, cerca de 50 km. Trata-se também de um bairro muito grande. “Quantas igrejas devem existir em Cidade Ademar?” A despeito de todas estas dificuldades, lá foi ele, impulsionado por Deus, com o Bubi para o distante bairro de Cidade Ademar. Que incrível! Como o Bubi também havia falado no nome da minha mãe, Frieda, lá estava o motorista numa incansável busca, parando em todas as igrejas e perguntando para os vizinhos se alguém, por acaso, conhecia o Bubi ou a Frieda, até que, enfim, depois de tanto procurar, ele encontrou uma mulher que morava longe de casa, no outro extremo do bairro, mas que conhecia minha mãe.

Que alívio e que alegria quando o Bubi chegou em casa! Aquele anjo o havia conduzido de volta até nós! Agora, o Bubi resolveu partir novamente. E, desta vez, ele foi para mais longe! Pensando naquele seu sumiço, não saberia dizer com detalhes como foi que o Bubi se virou longe de casa naquela noite escura de São Paulo, mas tenho certeza de que ele não estava só!

Estou escrevendo estas linhas durante a primeira noite que o Bubi passa longe de sua morada terrestre. Eu ainda continuo com a mesma convicção de que ele não está sozinho. Tem alguém cuidando muito bem dele agora! Estou lembrando das palavras do Salmo: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque Tu estás comigo!”Bubi, como foi dura aquela noite que você passou distante de casa. Todos percebemos ainda melhor como você era importante e como você fazia falta. E como foi bom te encontrar de novo! Agora fomos separados mais uma vez. Mas um dia chegará também a minha hora de partir. Espero que Deus também envie um anjo para me guiar para o lar eterno, onde almejo muito te encontrar de novo. Ali, compreenderei bem melhor o mistério e a grandeza da sua existência. Com amor e muitas saudades, Dinho.

São Paulo, 17 de outubro de 2003 José Ildo Swartele de Mello Bispo da Igreja Metodista Livre

As 10 Virtudes que Fizeram de José um Vencedor – Lições Poderosas para S…+

10 virtudes que fizeram de José um vencedor Por Bispo Ildo Mello A história de José é fascinante e está repleta de lições para a vida de qualquer um de nós. Ele foi o filho predileto de Jacó (Gn 37.3), por ser o filho de sua amada Raquel (Gn 35.24). Certa vez, Deus deu a José um sonho (Gn 37.5), revelando-lhe que ele seria exaltado e ocuparia uma posição de grande autoridade. Porém, José cometeu a imprudência de compartilhar esse sonho com seus irmãos (Gn 37.5-8), que, tomados pela inveja, conspiraram contra ele, prenderam-no e o jogaram em um poço (Gn 37.19-24).

Ao invés de matá-lo, resolveram vendê-lo como escravo (Gn 37.26-28) e depois enganaram seu pai, Jacó, alegando que um animal selvagem havia tirado a vida de José (Gn 37.31-33). Assim começou a saga desse jovem, que acabaria indo parar na casa de Potifar, um oficial do Egito (Gn 39.1).

Mesmo como escravo, José conquistou a confiança de Potifar (Gn 39.2-6), pois era sábio, honesto e íntegro. Tudo parecia ir bem até que a esposa de Potifar passou a assediá-lo (Gn 39.7-12). José fugiu do pecado, mas, injustamente acusado, foi parar na prisão (Gn 39.20).

Na prisão, ele conheceu dois ex-funcionários do Faraó: o padeiro e o copeiro (Gn 40.1-4). Ambos tiveram sonhos, e José, com a ajuda de Deus, interpretou-os corretamente (Gn 40.5-22). O padeiro acabaria morto, mas o copeiro seria restituído ao seu cargo, e José pediu a ele que se lembrasse de sua situação diante do Faraó (Gn 40.14). Contudo, o copeiro se esqueceu de José (Gn 40.23), que continuou preso por vários anos.

Depois de treze anos de provações (Gn 37.2; 41:46), o Faraó teve um sonho intrigante (Gn 41.1-7) e ninguém conseguia interpretá-lo (Gn 41.8). Foi então que o copeiro se lembrou de José (Gn 41.9-13). Levaram José à presença do Faraó, e ele revelou que haveria sete anos de fartura e sete anos de escassez (Gn 41.14-32). Também aconselhou o Faraó a aproveitar os anos de abundância para se preparar para os anos de fome (Gn 41.33-36). Impressionado, o Faraó constituiu José como governador de todo o Egito (Gn 41.37-45).

Com a chegada da fome, os irmãos de José, que estavam em Canaã, souberam que havia mantimento no Egito (Gn 42.1-5). Eles foram até lá e se depararam com José (Gn 42.6-8), mas não o reconheceram, pois muito tempo havia se passado. Após alguns testes (Gn 42.9-25), José, em vez de se vingar, perdoou-os (Gn 45.1-15) e salvou toda a sua família (Gn 50.15-21). Era o mesmo jovem que, vendido como escravo, acabou se tornando o segundo homem mais poderoso do Egito, usado por Deus para salvar muitas vidas (Gn 45.5-7).

A seguir, vamos às 10 características (virtudes) que fizeram de José um vencedor extraordinário:

1. Visão

José recebeu de Deus um projeto para sua vida por meio de sonhos (Gn 37.5). Ele tinha consciência de que o Senhor o amava e de que havia planos maiores a cumprir. Essa visão encheu seu coração de esperança e o sustentou em momentos de adversidade.

2. Fé Diante das promessas divinas, José teve fé inabalável. Ele confiou que as palavras de Deus não falhariam (Gn 37.6-7; 50:19-20). Mesmo quando as circunstâncias eram contrárias, José não desistiu, pois cria no cuidado e na provisão do Senhor.

3. Temor de Deus

O temor do Senhor é o princípio da sabedoria (Pv 9.10). José demonstrou isso ao fugir do pecado quando a esposa de Potifar tentou seduzi-lo (Gn 39.7-12). Ele sabia que Deus estava presente e respeitou a santidade do Senhor, mesmo sem ninguém por perto para testemunhar sua fidelidade.

4. Resiliência

Foram treze anos entre a escravidão e o cárcere (Gn 37.2; 41:46). Ainda adolescente, José enfrentou traição dos irmãos (Gn 37.28), falsas acusações (Gn 39.17-20) e esquecimento na prisão (Gn 40.23). Mesmo assim, permaneceu firme, crendo que Deus não o abandonaria.

5. Capacidade de Transformar Crise em Oportunidade

Em todas as situações difíceis, José buscou crescer. Na casa de Potifar, destacou-se até se tornar administrador (Gn 39.4). Na prisão, conquistou a confiança do carcereiro (Gn 39.21-23). Diante de Faraó, mostrou sabedoria e acabou sendo elevado à posição de governador (Gn 41.39-41).

6. Gratidão (Ausência de Murmuração)

Não há relato de José murmurando ou culpando Deus. Ele discerniu a mão divina em tudo e seguiu fazendo o bem (Gn 50.19-20). Essa atitude de ação de graças, mesmo na aflição, o manteve firme e confiante.

7. Não Buscar “Bodes Expiatórios”

José poderia ter passado a vida culpando seus irmãos, Potifar ou o copeiro. Porém, preferiu reconhecer a soberania de Deus sobre cada acontecimento (Gn 45.5-8). Ele não se fez de vítima; antes, seguiu adiante, confiante nos planos do Altíssimo.

8. Perdão e Misericórdia

Mesmo tendo motivos para se vingar, José abraçou seus irmãos e lhes perdoou as ofensas (Gn 45.4-15). Mais tarde, reiterou esse perdão e cuidou deles com generosidade (Gn 50.19-21). O rancor jamais encontrou espaço em seu coração.

9. Sabedoria

A sabedoria de José vinha de seu relacionamento com Deus (Gn 41.38-39). Ele administrou com excelência a casa de Potifar (Gn 39.4-6), a prisão (Gn 39.21-23) e, por fim, o Egito inteiro (Gn 41.40-44). Suas escolhas eram pautadas pelo temor do Senhor e resultavam em bênção.

10. Liderança Servidora

Quando se tornou governador, José não usou o poder para satisfazer interesses egoístas. Antes, colocou sua autoridade a serviço do bem comum, salvando o Egito da fome e cuidando da própria família (Gn 41.53-57; 45:5-7). Ele é um exemplo de líder que abençoa em vez de oprimir.

Perguntas para Reflexão e Aplicação Você tem buscado discernir o propósito de Deus para sua vida ou apenas quer que Ele abençoe os seus próprios planos?

Como você reage quando as coisas não acontecem como espera?

Você crê que o Senhor continua no controle, mesmo quando tudo parece conspirar contra você?

Diante da tentação, você se lembra de que Deus está vendo? Seu caráter permanece íntegro mesmo quando ninguém está por perto?

Você tem paciência para esperar o tempo de Deus ou tende a apressar as coisas do seu próprio jeito?

Há alguém que você precise perdoar? O que o impede de liberar esse perdão agora?

Como tem administrado os recursos (tempo, talentos, bens, dinheiro, posição de autoridade) que Deus lhe confiou?

Você consegue enxergar como o Senhor pode transformar crises em oportunidades para cumprir Seu propósito na sua vida?

Existe alguma área em que você tem se feito de vítima ou culpado outros pelos seus infortúnios?

Está disposto a deixar Deus moldar seu coração para crescer em fé, esperança, caráter e sabedoria?

Que a inspiradora jornada de José nos motive a viver com visão, fé, temor de Deus, resiliência, gratidão, perdão e sabedoria. E que tudo isso resulte em um coração humilde que use a liderança — ou qualquer autoridade que receber — como serviço em prol do próximo, trazendo glória a Deus e bênção a muitos.

Crente Gabriela+

A nova criatura não pode permanecer a mesma! Não pode ser crente Gabriela!

Já ouviram falar do crente “Gabriela”? Aquele que canta: “eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim: Gabriela, sempre Gabriela!” Este tipo é muito comum e perigoso, pois engana a si mesmo e dá mau testemunho da fé, por estar conformado com este mundo (Rm 12.1-2). A autêntica experiência de salvação é transformadora. Ou impacta a orientação total da vida ou não é autêntica.

Deus não apenas justifica, mas Ele nos cria novamente, nos transforma, buscando restaurar o nosso papel como imagem Sua. A Salvação não é apenas a reconciliação com Deus, mas a restauração segundo a imagem de Deus. O objetivo de Deus não é meramente nos revestir de uma justiça que permanece exterior a nós mesmos, mas conceder e implantar a justiça de Cristo em nós de tal modo que ela cresça e se expanda. Nossa Grande Salvação envolve o processo transformador que visa tanto a superação do pecado como uma vida cheia de amor. A justificação e a regeneração são aspectos dessa nossa grande salvação em Cristo. A justificação diz respeito a obra de Jesus por nós, cancelando a nossa dívida e nos concedendo o perdão e a reconciliação, enquanto a regeneração diz respeito a obra de Cristo em nós. Na primeira, a Sua justiça nos é imputada e no novo nascimento, a justiça de Deus nos é comunicada, ou seja, nos tornamos participantes da natureza divina (2 Pe 1.4).

O amor de Deus foi derramado nos nossos corações (Rm 5). O apóstolo João ensina o mesmo na sua primeira epístola afirmando que aquele que conhece a Deus passa a amar em decorrência deste amor recebido, passando este amor a ser o sinal do verdadeiro cristão. O mesmo se pode desprender da Oração que Jesus nos ensinou, onde se diz que devemos perdoar como fomos perdoados. Note que não podemos meramente receber este perdão, mas devemos participar dele: o perdão de Deus deve frutificar em nós e através de nós. Ou seja, após a experiência com o perdão e o amor de Deus, nós não podemos continuar os mesmos. O que o Apóstolo João nos ensina é que aquele que está em Cristo torna-se participante da natureza divina a ponto de expressar o amor de Deus. É claro que precisamos entender isto em termos dos limites estabelecidos pela finitude humana. O homem não se torna um deus. O Cristão continua humano, mas, como nova criatura, deve passar a revelar as virtudes da nova criação: os frutos do Espírito, como são conhecidas. Ele é templo do Espírito Santo e, sem que haja perda da personalidade individual, o fato é que Cristo passa a viver e a se expressar através de sua vida.

A salvação não é uma bênção que se encontre apenas do outro lado da morte. As Escrituras colocam no presente: “Sois salvos” (Ef 2.8) Não é uma coisa remota, é algo presente, que tem início neste mundo. Trata-se de toda obra de Deus, desde o primeiro toque da graça até a consumação na glória. Trata-se também do poder criativo e transformador de Deus na vida neste mundo. Uma transformação no aqui-e-agora (Hb 6.1)

A justiça do cristão não é de sua própria feitura, não é inerente, mas produto do Espírito de Cristo. Por isto é que falamos da graça transformadora. Mas isto não quer dizer que o papel do homem seja de passividade. Não, pois o que aconteceu é que o cristão possui agora uma nova natureza, ou seja, ele tem capacidade e armas espirituais que devem ser desenvolvidas para o exercício de sua missão. A nova criatura é desafiada a crescer nesta graça e a desenvolver a sua própria salvação, despojando-se do velho homem, revestindo-se do novo, enchendo-se do Espírito, não dando lugar ao diabo, buscando as coisas do alto, acumulando tesouros no céu, deixando a mentira, falando a verdade, se desembaraçando do pecado, preparando-se como um atleta para a olimpíada da vida que é vivida pela fé. Todos estes são exemplos de desafios bíblicos para o cristão, que dizem respeito a sua participação neste processo de santificação, do qual o novo nascimento é ponto de partida. O cristão deve, portanto, agir, alimentar-se e desenvolver-se na fé, no amor e na prática das boas obras com o auxílio do Espírito Santo visando chegar à maturidade. O alvo é que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo (Ef 4.13). Tudo isto visando a glória de Deus e o nosso testemunho do Evangelho para o cumprimento da nossa missão e vocação.

Tal perfeição, que podemos denominar como cristã para diferi-la da perfeição divina, é possível pela graça de Deus dentro dos limites da finitude humana. Esta perfeição tem sua base na perfeição daquilo que recebemos. O amor de Deus é perfeito. Não há amor mais supremo, mais completo, mais santo e mais doador do que aquele que recebemos do divino Doador. Este amor é pura graça, e Deus o partilha com aqueles que são chamados a serem a sua imagem. Nós recebemos e participamos deste amor perfeito. Wesley entendia a perfeição em termos do amor, e o amor não pode ser encontrado sem transformar a pessoa que o recebe.

A perfeição cristã não é nada mais nada menos que “amar a Deus de todo o coração e ao próximo como a nós mesmos”. Amar a Deus envolve “entregar a ele todo o nosso coração… devotar não uma parte, mas toda a nossa alma, corpo e substância a Deus”. Amar ao próximo envolve ter aquela “mente que houve em Cristo, capacitando-nos a andar como Cristo andou”, partilhando seu espírito na autodoação e no serviço aos outros.

A humanidade feita à imagem de Deus, como criatura chamada a recebê-lo, a interagir com ele e a refleti-lo no mundo, agora pode viver esse chamado por meio da nova relação com Deus, possibilitada por Jesus Cristo e capacitada e levada adiante pelo Espírito transformador. Portanto, a nova criatura em Cristo é chamada a manifestar ao mundo aquele amor perfeito e assim proclamar e mediar o amor divino e seu poder criador.

“A maior força da doutrina wesleyana da perfeição talvez esteja em sua habilidade de mobilizar os crentes a buscarem um futuro mais perfeito que supere o presente… Ela não está cega as às forças negativas, no entanto não as considera consequências inevitáveis do pecado original, mas exatamente aquilo que pode ser vencido.”

Por Bispo José Ildo Swartele de Mello – baseada no livro de Theodore Runyon – “A Nova criação – A teologia de João Wesley hoje” – Editeo.

Base Bíblia da Oração de Francisco de Assis+

Por Bispo Ildo Mello Ainda que não seja de sua autoria, esta oração exprime bem o ideal de vida de Francisco de Assis, que inspirou-se no exemplo de nosso Senhor Jesus Cristo que não veio para ser servido mas para servir. Não trata-se aqui do esforço humano para alcançar a Deus, mas do resultado de uma vida que foi alcançada pela graça de Deus através de Cristo Jesus!

Oração de Francisco de Assis Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz. (Is 52.7; Mt 5.9)

Onde houver ódio, que eu leve o amor; (Mt 5.44; Rm 12.20-21)

Onde houver ofensa, que eu leve o perdão; (Lc 6.29; 23.34; Ef 4.32)

Onde houver discórdia, que eu leve a união; (1Co 1.10; Fp 2.14)

Onde houver dúvida, que eu leve a fé; (Ts 1.3; Tg 1.6-8)

Onde houver erro, que eu leve a verdade; (Jo 8.32; 14.6; Tg 5.19-20)

Onde houver desespero, que eu leve a esperança; (Gn 49.18; Sl 31.24; 33.20; Rm 15.13; 1Ts 1.3; Fp 1.20)

Onde houver tristeza, que eu leve a alegria; (At 13.52; Gl 5.22)

Onde houver trevas, que eu leve a luz. (Mt 5.14; Fp 2.15)

Ó Mestre, Fazei que eu procure mais (1Co 10.24; Fp 2.4)

Consolar, que ser consolado; (2Co 13.11) compreender, que ser compreendido; (1Rs 3.9) amar, que ser amado. (Jo 13.34)

Pois é dando que se recebe, (Mt 7.38; At 20.35) é perdoando que se é perdoado, (Mt 5.7; 6.14-15; Mc 11.25; Lc 6.37; Cl 3.13)) e é morrendo que se vive para a vida eterna. (Mt 16.24; Mc 8.34.37)

Texto Bíblicos

Isaías 52.7

Q ue formosos são sobre os montes os pés do que anuncia as boas-novas, que faz ouvir a paz, que anuncia coisas boas, que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: O teu Deus reina!

Mateus 5.9

B em-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.

Mateus 5.44

Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem;

Romanos 12.20–21

20 Pelo contrário, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça. 21 Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.

Lucas 6.29

Ao que te bate numa face, oferece-lhe também a outra; e, ao que tirar a tua capa, deixa-o levar também a túnica;

Lucas 23.34

Contudo, Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. Então, repartindo as vestes dele, lançaram sortes.

Efésios 4.32

Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou.

1Coríntios 1.10

R ogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma coisa e que não haja entre vós divisões; antes, sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer.

Filipenses 2.14

Fazei tudo sem murmurações nem contendas,

Tiago 1.6–8

6 Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; pois o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento. 7 Não suponha esse homem que alcançará do Senhor alguma coisa; 8 homem de ânimo dobre, inconstante em todos os seus caminhos.

João 8.32

e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.

João 14.6

Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.

Tiago 5.19–20

19 M eus irmãos, se algum entre vós se desviar da verdade, e alguém o converter, 20 sabei que aquele que converte o pecador do seu caminho errado salvará da morte a alma dele e cobrirá multidão de pecados.

Gênesis 49.18

A tua salvação espero, ó Senhor!

Salmo 31.24

Sede fortes, e revigore-se o vosso coração, vós todos que esperais no Senhor.

Salmo 33.20

N ossa alma espera no Senhor, nosso auxílio e escudo.

Romanos 15.13

E o Deus da esperança vos encha de todo o gozo e paz no vosso crer, para que sejais ricos de esperança no poder do Espírito Santo.

1Tessalonicenses 1.3

recordando-nos, diante do nosso Deus e Pai, da operosidade da vossa fé, da abnegação do vosso amor e da firmeza da vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo,

Filipenses 1.20

segundo a minha ardente expectativa e esperança de que em nada serei envergonhado; antes, com toda a ousadia, como sempre, também agora, será Cristo engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte.

Atos dos Apóstolos 13.52 Os discípulos, porém, transbordavam de alegria e do Espírito Santo.

Gálatas 5.22

Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade,

Mateus 5.14

V ós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte;

Filipenses 2.15

para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo,

1Coríntios 10.24

Ninguém busque o seu próprio interesse, e sim o de outrem.

Filipenses 2.4

Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros.

2Coríntios 13.11

Q uanto ao mais, irmãos, adeus! Aperfeiçoai-vos, consolai-vos, sede do mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz estará convosco.

1Reis 3.9

Dá, pois, ao teu servo coração compreensivo para julgar a teu povo, para que prudentemente discirna entre o bem e o mal; pois quem poderia julgar a este grande povo?

João 13.34

Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros.

Atos dos Apóstolos 20.35 Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é mister socorrer os necessitados e recordar as palavras do próprio Senhor Jesus: Mais bem-aventurado é dar que receber.

Mateus 5.7

B em-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.

Mateus 6.14–15

14 Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; 15 se, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas.

Marcos 11.25

E, quando estiverdes orando, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai, para que vosso Pai celestial vos perdoe as vossas ofensas.

Lucas 6.37

N ão julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados;

Colossenses 3.13

Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós;

Mateus 16.24

E ntão, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.

Fé em tempos de escassez+

Confiando no Deus que sustenta quando a vida se estreita

O que fazemos quando o chão aperta?

Como reagimos quando a vida entra em “lugares apertados”, quando o dinheiro não fecha, a saúde falha, o emprego desaparece ou os relacionamentos se rompem? Será que a obediência a Deus nos poupa desses momentos? E, quando eles chegam — porque chegam — para onde corremos: para Deus ou para o Egito?

Essas perguntas não são apenas contemporâneas; elas atravessam a história da fé. Também tocaram a vida de Abraão, o patriarca da promessa. Em Gênesis 12, aprendemos que a fé não é um caminho largo e confortável, mas, muitas vezes, o caminho estreito da confiança diária.

A provação inesperada de Abraão

Abraão partiu obedientemente quando Deus lhe disse: “Sai da tua terra…” (Gn 12.1). Ele deixou tudo para trás sustentado apenas por uma palavra. Caminhou rumo à terra prometida confiando na promessa de Deus. No entanto, o texto bíblico apresenta uma surpresa desconcertante: “Havia fome na terra” (Gn 12.10).

Como assim? Abraão estava no centro da vontade de Deus — e ainda assim a fome o alcançou.

Aqui aprendemos uma das verdades mais maduras da fé cristã: estar na vontade de Deus não nos isenta de provações. Às vezes, o caminho da obediência é exatamente o mais apertado. A obediência não é um seguro contra crises; é um convite para confiar em Deus dentro delas.

O erro de Abraão: a descida ao Egito

Diante da fome, Abraão faz o que muitos de nós fazemos quando a vida aperta: entra em pânico. Em vez de confiar que Deus poderia sustentá-lo na terra prometida, ele “desceu ao Egito” (Gn 12.10).

Essa foi mais do que uma mudança geográfica; foi uma descida espiritual. Ao longo das Escrituras, o Egito simboliza o recurso fácil, o atalho, a autossuficiência. É o lugar para onde corremos quando o medo fala mais alto que a fé.

Com medo de morrer, Abraão pediu a Sara que dissesse ser sua irmã. Era uma meia verdade — e uma mentira completa. Ele se dispôs a expor a própria esposa ao risco para preservar a si mesmo. Quando o medo governa, a fé se cala.

Curiosamente, no Egito tudo pareceu funcionar. Faraó deu riquezas a Abraão por causa de Sara. Mas nem toda prosperidade é bênção. Há ganhos que nos afastam de Deus. Há portas que se abrem — mas não foram Ele que abriu. Sucesso aparente não é sinônimo de aprovação divina.

As consequências do desvio

Embora Deus tenha intervindo soberanamente para proteger Sara, as marcas do Egito permaneceram.

Perda de testemunho

Primeiro, houve perda de testemunho. Abraão foi repreendido por um rei pagão e expulso do Egito. Como falar de fé quando até os ímpios percebem nossa incoerência? O desvio sempre compromete o testemunho.

Influência negativa sobre Ló

Segundo, houve influência negativa sobre Ló. Ele viu o brilho das riquezas do Egito e nunca mais foi o mesmo. Mais tarde, escolheria as campinas de Sodoma, movido pela aparência de prosperidade. Nossas decisões falhas nunca afetam apenas a nós; elas respingam em quem caminha conosco.

O peso de Agar e o nascimento de Ismael

Terceiro, surgiu o peso de Agar e, mais tarde, o nascimento de Ismael. No Egito, Abraão adquiriu Agar. Décadas depois, ela se tornaria o centro de um conflito familiar profundo, cujas consequências atravessariam gerações. Toda ida ao Egito tem um preço — mesmo quando parece vantajosa no momento.

A restauração: de volta ao altar

Mas, graças a Deus, a história não termina no Egito. Abraão voltou para Betel, ao lugar onde havia edificado seu primeiro altar (Gn 13.3–4). Ali, ele invocou novamente o nome do Senhor.

O caminho de volta existe. A restauração é possível. Deus sempre nos espera no lugar da adoração. O altar continua de pé, mesmo depois das nossas fugas.

Três lições para nossa vida hoje

A primeira lição é clara: o Deus que salva é o Deus que sustenta. Abraão creu que Deus poderia fazer dele uma grande nação, mas teve dificuldade em crer que Ele poderia prover o pão de cada dia. Muitas vezes, é mais fácil confiar nas promessas futuras do que na provisão diária. No entanto, o Deus da eternidade também é o Deus do hoje. Ele poderia ter sustentado Abraão naquela fome, assim como sustentou Isaque depois, quando este permaneceu na terra e prosperou (Gn 26.1–12).

A segunda lição é profundamente consoladora: Deus não nos abandona quando O deixamos. Abraão errou, mentiu, fugiu e omitiu — mas Deus o protegeu, guardou Sara e o conduziu de volta. Nem mesmo nossas fugas frustram os planos de Deus. Ele permanece fiel, mesmo quando somos infiéis.

A terceira lição é confrontadora: toda crise é um teste de confiança. As fomes da vida revelam onde está nosso coração. Abraão acreditou que Deus faria dele uma grande nação, mas não conseguiu confiar que Deus o sustentaria naquela semana específica. As crises expõem não apenas nossas circunstâncias, mas nossas prioridades e o nível real da nossa fé.

Conclusão: o Deus que leva nossos fardos

Encerramos com uma imagem simples e profunda. Em um aeroporto, uma mulher carregava um bebê no colo e uma mala pesada. Alguém se ofereceu para ajudá-la, mas ela recusou — porque não conhecia aquela pessoa.

Assim somos nós com Deus. Carregamos pesos que não precisamos carregar. Sustentamos ansiedades que Ele já nos convidou a entregar. Muitas vezes, não confiamos porque ainda não O conhecemos o suficiente.

A Palavra nos chama com clareza e ternura:

“Lancem sobre Ele toda a sua ansiedade, porque Ele tem cuidado de vocês” (1Pe 5.7).

Seja qual for a fome que você enfrenta hoje, o Deus que te chamou é o Deus que te sustenta. Confie, mesmo quando o caminho for estreito. Permaneça na terra que Ele te deu. E, se você já desceu ao Egito, volte para o altar. Deus está lá — esperando para restaurar tudo.

A agenda de Deus para os homens+

A agenda da Igreja: qual é o seu foco?

Mateus 25.31-46 (Ver também Is 58.6-12, Mt 7.21-23.2)

Pr. Dionisio Oliveira Nossa vida é organizada pela prioridade que determinamos como  nosso foco. Onde colocamos nossa atenção e nossos interesses  prioritários. Há muita influencia que pode desviar nosso foco e impedir de chegarmos onde deveríamos chegar.  Às vezes estes desvios são tão envolventes e atrativos que nem damos conta de que estamos fora do plano. Este é o perigo para nós como pessoas, particularmente,  e para nós como membros da Igreja, cuja agenda também pode estar sendo influenciada pelas nossas  agendas particulares. Jesus nos convida a pensar e rever  nossas agendas é fazer isso a partir  da prioridade e justiça do seu Reino para que a  agenda da Igreja  seja uma surpresa  agradável na vinda do Rei.  Alguns princípios presente no texto supracitado serão indicadores para essa revisão.

1. A agenda da igreja é definida pela prioridade ao serviço às pessoas, ao ser humano de forma irrestrita, pois, segundo as palavras de Jesus não se limita aos irmãos de igreja e nem mesmo aos amigos. A agenda se faz com o foco em gente. Com isso em mente voltamos ao texto e veremos o próprio Jesus reafirmar esse fato, pela sua identificação com todas aquelas classes de pessoas que ele cita. E sabemos que a lista não é exaustiva, mas apenas indicativa. Ou seja, nossa agenda deve ter como prioridade e ser definida com a atenção àqueles que passam fome, que passam sede,  aos expatriados, doentes e presos. Outra coisa que não podemos deixar de considerar é que Jesus não questiona as razões que os levou a estas situações.

2. Qualquer outro foco escolhido, desqualifica a agenda da  Igreja como válida. Como sinal do Reino e também como símbolo do mesmo a Igreja não terá sua identidade confirmada e o seu discurso sobre Deus e sobre o seu amor não encontrará repercussão em sua existência caso o foco não seja o serviço comprometido e ativo para com a pessoa humana. Quando falamos de “sinal” e igreja como sinal do Reino, estamos falando de uma representação ativa, ou seja, de algo que a Igreja faz, do seu modo de agir fundamentado na “justiça” do Reino. Algo que impulsiona suas ações e autentica seus atos como cooperadora de Deus. Quando falamos de “símbolo” falamos da igreja mais passiva,  falamos dela como uma representação, algo que foi  convencionado para lembrar  algo, mas sem necessariamente, envolver atividades em função desse simbolismo. Pelo símbolo cada pessoa pode ser motivada a fazer uma coisa que lhe interessa. O sinal exige uma ação determinada. Muitas vezes a igreja tem sido um “símbolo” do Reino. É apreciada, é respeitada, mas nunca provoca uma autorreflexão nas pessoas e na sociedade, dentro do padrão exigido pela justiça de Deus. Como sinal do Reino é diferente, pois, ela participa ativamente do Reino em obediência e reverencia ao seu Rei, e é por meio disso que ela é reconhecida e contestada, amada e odiada, cumprindo o que seu Rei já havia antes afirmado.

3. A agenda da Igreja precisa coloca-la mais como sinal do que como símbolo do Reino.  Como sinal o foco indispensável que deve definir toda a sua agenda, segundo Jesus, é a pessoa humana nas suas mais diversas carências.    Quando perdemos ou mudamos o foco, mesmo assim, muitas coisas atraentes continuam a acontecer na igreja. Há muita coisa significativa que pode continuar  ser feita pela Igreja, que lhe trás “status” e reconhecimento público etc. (Ver Mt 7.21-23). Contudo, se a pessoa humana não é a prioridade, a Igreja deixou de fazer o que era fundamental e caminha perigosamente a ser o objeto da reprovação escatológica do Rei do Reino (Mt.25.44-46).  Isso é perigoso e exige reflexão. Mas, algo tem acontecido que parece impedir a Igreja de ver o rumo que está seguindo como ocorreu com o grupo questionado pelo Rei. Eles como que surpresos e perplexos perguntam ao Rei “ quando é que fizemos isso que o Senhor está nos dizendo?”(vv.44). Com certeza, não faltaram atividades  para este grupo, e a surpresa talvez seja essa:  “meus Deus fizemos tanta coisa e agora estamos sendo penalizados?” Sim, conforme vemos no texto, mas não por falta de atividades, e sim por o foco ter sido mudado. A solidariedade que é marca do Rei e do seu Reino não era a do grupo. Concluindo é possível afirmar que da mesma forma  que ocorreu com o segundo grupo é possível ocorrer com a igreja. Ter atividades mil, e no final ser surpreendida ao saber que a motivação estava errada e o foco não ter sido o que o Reino exigia. A palavra final do Rei pode ser de duas formas: “Venham benditos de meu Pai, recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a fundação do mundo”(v.34), ou “Malditos, apartem-se de mim para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos”(v.41). Será que haverá alguma injustiça na ação do Rei?  Se tomamos as pessoas como qualquer coisa e a colocamos em ultimo lugar na nossa lista de preocupações, sabendo que o própria Jesus assumiu cada um de nós como prioridade máxima em sua vida? E por isso  assumiu todas as consequências? Será que há alguma injustiça na decisão do Rei se usamos as bênçãos do Reino para sermos servidos e não para servir como Jesus deu-nos o  exemplo? (v.Mc.10.45). Se pararmos um minuto apenas para pensar veremos que a “justiça” do Reino é perfeita, pois não há coisa mais valiosa do que a vida humana, e não há gesto que manifeste mais a realidade de Deus e Cristo como enviado Dele quando uma pessoa é acolhida pelo amor de outra pessoa.

Termino propondo para todos que ao invés de vermos qualquer injustiça da parte do Rei, que analisemos a prioridade e o foco de nossa agenda. É ela que tem influenciado para o bem ou para o mal a agenda que escolhemos para nossa igreja.

Deus tem visões e sonhos para todos os seus filhos!+

“Nos últimos dias, diz Deus, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos. Os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os jovens terão visões, os velhos terão sonhos” (Atos 2.17).

José, ainda moço, teve um sonho de Deus para o seu futuro, o que o fortaleceu para enfrentar as inúmeras e imensas adversidades que assombrariam a sua árdua caminhada. O sonho o ajudou a superar o seu cativeiro! O sonho o ajudou a vencer o desânimo. Por causa do sonho, ele não desistiu jamais!

Precisamos sonhar para enfrentar os cativeiros e desertos de nossa própria existência.

Neste próximo domingo, pregarei sobre as preciosas lições do Salmo 126, que nos ajudam a enfrentar as crises da vida.

Experimente o poder libertador e a alegria de Deus!

Às 18 h, na imel de Mirandópolis, Rua das Rosas, 445, São Paulo, SP.

Bispo Ildo Mello Um extrato da mensagem:

O Salmo 126 é a oração de um povo que sofre muito em meio a uma enorme crise. Diante de dificuldades tão ameaçadoras, o povo busca o socorro de Deus (v.4). A fé deste povo não existe num vazio, não é supersticiosa, superficial e abstrata, mas está fundamenta sobre dois pilares: o primeiro é a recordação de um grande evento histórico de libertação que aconteceu no passado (vs. 1-3) e o outro diz respeito à uma experiência mais próxima do dia a dia daquela comunidade agrícola, algo que se repetia todos os anos, uma lição extraída da natureza da vida, em que se pode ver a mão provedora de Deus (vs. 5-6).

O salmista está trazendo a memória aquilo que pode dar esperança (Lm 3.21). A recordação dos grandes feitos do Senhor, como a libertação do cativeiro babilônico, traz esperança, fé, ânimo e alegria: “Grandes coisas fez o Senhor por nós, por isto estamos alegres!” (v.3). Aquele cativeiro e exílio haviam sido um dos piores momentos da história do povo hebreu, mas, quando tudo parecia perdido, o Senhor manifestou-se Salvador, e as lágrimas converteram-se em sorrisos de enorme alegria (v.2)!

Além disto, como já mencionado, outra inspiração para orar e trabalhar com confiança é uma lição extraída da experiência de vida cotidiana, pois, como lavradores, eles bem sabiam que, muitas vezes, a alegria de uma colheita abundante é conquistada através de um processo que exige muito esforço, perseverança, sofrimento e lágrimas (Vs. 5-6). A história ajuda a entender a vida e a vida ajuda a entender a história. Vida e fé se iluminam mutuamente!

Por vezes, o plantio se faz na penúria. Mas a esperança de uma abundante colheita inspira-os a plantar. A benção é prometida para os trabalhadores, não para os acomodados. “Aquilo que o homem semear, também ceifará” (GL 6.7-9), “Aquele que semeia pouco, pouco também ceifará” (2 CO 9.6), Disse Paulo: “Eu plantei, Apolo regou, mas Deus dá o crescimento” (1Co 3.6). Deus dá o crescimento para aquele que, a despeito das adversidades, planta e rega com fé.

O choro aqui não é de desânimo, desespero e de covardia, e nem é o choro de um fatalista, conformado, que está prostrado nutrindo sentimentos de autocomiseração, e nem de um murmurador passivo e nem muito menos é choro e lamento de um saudosista, que está preso ao passado, como aquele que diz “no meu tempo é que era bom”. “No meu tempo”? Uma pessoa viva devia ter a consciência de pertencer ao tempo presente. As memórias de um saudosista, ainda as mais gloriosas, em vez de produzirem encorajamento para encarar as dificuldades e desafios do presente, inspirando à construção de um futuro melhor, acabam por aumentar ainda mais a dor e frustração diante da crise e chegam ao ponto de até mesmo elipsar as conquistas e realizações presentes, como no caso daqueles que em vez de celebrarem a inauguração do novo templo choravam amargamente ao recordarem a glória do templo de Salomão. Em vista disto, o Senhor dirá: “A glória dessa última casa será maior do que a primeira, diz o Senhor dos Exércitos; e, neste lugar, darei paz diz o Senhor dos Exércitos ( Ageu 2: 9)!”. É como diz a canção de Kleber Lucas: “O melhor de Deus ainda está por vir!”.

Mas, bem diferente disto, aquele choro era o de quem segue em frente, andando e plantando a semente (v.6), de quem sofre esperançoso de que Deus irá mudar a sua sorte (v.4), comparado ao choro de uma mulher que está dando a luz à um filho (Jo 16.21). É o choro daquele que sabe que seu trabalho e sofrimento não é vão no Senhor (1 Co 15.58).

O salmista transforma o milagre do passado em medida para o futuro. Fruto da intervenção divina, a felicidade desfrutada no passado é trazida à lembrança para ser chamada de volta em oração! Há esperança de que o deserto transforme-se em um manancial de águas como as Torrentes no Neguebe. Situações difíceis e extremas são oportunidades para a intervenção milagrosa de Deus. Devemos trazer a memória apenas aquilo que nos pode dar esperança. Discernindo a boa mão do Senhor em nossa história e na vida.

O milagre da história e da vida nos inspira a orar e a trabalhar com confiança. Portanto, nada de ficar murmurando, nutrindo desespero, pessimismo e espírito de autopiedade. Não se entregue a depressão e nem fique acomodado diante da crise. Pois, o mesmo Deus que operou maravilhas no passado e que é Senhor da vida continua a operar no presente. Ele ainda liberta do cativeiro e transforma deserto em um jardim florido. Deus mudará a sorte daqueles que nEle esperam e semeiam com fé.

Bispo José Ildo Swartele de Mello

Mas e Quando a gente ora e não recebe?+

Muitos cristãos ficam confusos quando não recebem uma resposta imediata e positiva as suas orações, chegando ao ponto de duvidar do amor de Deus, escrevi o seguinte texto com a esperança de ajudar para um melhor entendimento das questões relativas a oração.

Um “não” não significa que Deus não se importa

Não receber uma resposta imediata e afirmativa de Deus às nossas orações não significa que Deus não se importa conosco. Saiba que pessoas muito consagradas e amadas receberam um “não” como resposta as suas orações. Paulo orou insistentemente para se ver livre de um espinho na carne que o atormentava e ouviu um sonoro não de Deus, porque Deus tinha um propósito benigno através daquela enfermidade:

“E, para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar. Acerca do qual três vezes orei ao Senhor para que se desviasse de mim. E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte” (2Co 12.7-10).

Jesus mesmo teve uma oração não atendida

Jesus mesmo teve uma de suas orações não atendidas. E damos graças a Deus por isto!

“Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua” (Lucas 22.42).

Com Jesus, aprendemos que orar é um ato de sujeição a vontade de Deus. Jesus nos ensinou a orar pedindo que a vontade de Deus seja feita na terra assim como acontece no céu. A vontade de Deus e não necessariamente a nossa.

Pois nem sempre sabemos orar de maneira conveniente:

“E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis” (Romanos 8.26).

Pois, somente Deus, em sua onisciência, é quem sabe de todas as coisas e somente Ele pode dizer o que, de fato, é melhor para nós:

“O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor.” (Provérbios 16.1)

Sim, não e espera

Ainda criança, aprendi que Deus pode responder as nossas orações de três maneiras distintas:

Nos alegramos muito quando temos nossas orações imediatamente respondidas.

“Até agora nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis, para que o vosso gozo se cumpra” (João 16.24).

Mas, e quando a gente pede e não recebe?

Uma hipótese é que estamos orando mal:

“Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites” (Tiago 4.3)

Outra hipótese é que a de que devemos esperar o tempo certo para a resposta de Deus. Pode ser também que Deus já tenha dado uma resposta afirmativa e designado um anjo para o cumprimento da tarefa e que este esteja enfrentando alguma batalha espiritual nas regiões celestiais como aconteceu por ocasião de uma oração de Daniel:

“Então me disse: Não temas, Daniel, porque desde o primeiro dia em que aplicaste o teu coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, são ouvidas as tuas palavras; e eu vim por causa das tuas palavras. Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu vinte e um dias, e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu fiquei ali com os reis da Pérsia. Agora vim, para fazer-te entender o que há de acontecer ao teu povo nos derradeiros dias; porque a visão é ainda para muitos dias” (Daniel 10.12-14).

Abraão e José tiveram de esperar

Nem todas as orações são respondidas imediatamente. Abraão teve de esperar muito tempo mesmo até que a promessa de ser pai se cumprisse em sua vida. José esperou décadas até que seus sonhos dados por Deus se tornassem realidade. Foi um longo período de decepção e sofrimento até ele chegar a ser governador do Egito.

“o SENHOR tem o seu caminho na tormenta e na tempestade” (Naum 1.3)

Fé não existe apenas para alcançar coisas

As três maiores virtudes do cristianismo são a fé, a esperança e o amor, lembrando que o amor é a maior de todas (1 Co 13.13). Noto que muitos pastores e crentes falam muito de fé e tão pouco de esperança. E, quando falam de fé, pensam nela como uma varinha de condão para alcançarem todos os seus desejos. Na galeria da fé de Hebreus 11, temos uma longa descrição de homens de Deus que por sua fé suportaram perseguições e sofreram a morte. Vemos aí que fé não existe apenas para alcançar coisas, mas também para suportar coisas.

O próprio amor “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1 Coríntios 13.7). Este amor cristão exige fé e esperança para tudo sofrer, tudo esperar e tudo suportar com muita confiança na providência divina.

Não duvide jamais do amor de Deus

Constatamos, então, que verdadeiros filhos de Deus nem sempre recebem respostas imediatas as suas orações e isto não pode ser interpretado com um desfavor de Deus. Deus, em seu soberano cuidado, pode responder com um sonoro “não” e pode também ser caso de que termos de esperar até o cumprimento da resposta afirmativa. Quer seja a resposta “sim”, “não” ou “espera”, podemos estar seguros do cuidado e do amor de Deus.

Portanto, não duvide jamais do amor de Deus!

“Por que você está assim tão triste, ó minha alma? Por que está assim tão perturbada dentro de mim? Ponha a sua esperança em Deus! Pois ainda o louvarei; ele é o meu Salvador e o meu Deus” (Salmos 43.5).

Jesus, ensina-nos a orar!

No amor do Senhor, Bispo Ildo Swartele Mello

9 passos para tomar decisões acertadas+

9 passos para tomar decisões acertadas 1. Ore a Deus Ore.

A oração ajuda o processo de tomar decisões. Jesus usou este método antes de escolher os discípulos. “Naqueles dias retirou-se para o monte a fim de orar; e passou a noite toda em oração a Deus.”

(Lucas 6.12)

Ore pedindo a Deus que lhe dê sabedoria: “Ora, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não censura, e ser-lhe-á dada. Peça-a, porém, com fé, não duvidando; pois aquele que duvida é semelhante à onda do mar, que é sublevada e agitada pelo vento. Não pense tal homem que receberá do Senhor alguma coisa, homem vacilante que é, e inconstante em todos os seus caminhos” (

Tiago 1.5-8

).

2. Examine o que diz a Biblia a respeito

Pare de dar ouvidos a tantas vozes e examine a Bíblia ” Procurai compreender qual é a vontade do Senhor” (Ef 5.17). P ois do Senhor vem a sabedoria e é dEle que vem o conhecimento (Pv 2.6-7)

Tolo é o homem que confia em si mesmo, mas aqueles que se valem da sabedoria divina estão seguros (Pv 28.26)

Pergunte: “O que é que Deus diz a respeito?

3. Examine os fatos Conheça bem a realidade a sua volta Encare os fatos Ouça ambos lados da história. Avalie a situação de todos os ângulos. “O que primeiro começa o seu pleito parece justo; até que vem o outro e o examina” (Pv18.17).

Use a razão e o bom senso.

Não se deixe levar pelos sentimentos e pelo otimismo exagerado Sentimentos mentem, e você precisa da verdade!

“Todo homem prudente age de acordo com o entendimento” (Pv 13.16)

“Quão estúpido é tomar uma decisão sem conhecer todos os fatos” (Pv 18.13)

“O prudente é cuidadoso para não se meter em encrencas, mas o tolo age de maneira apressada e descuidada (Pv 14.16)

A pressa não é de Deus. Não é Deus quem está te pressionando. Não sinta-se pressionado a tomar uma decisão.

Tenha a mente aberta para novas ideias, busca o entendimento e pondera em oração. “O coração do entendido adquire conhecimento; e o ouvido dos sábios busca conhecimento” (Provérbios 18.15).

Pergunte: “Quais são as reais circunstancias ao meu redor? Conheço todos os fatos? O que preciso saber de Deus a respeito desta questão?

4. Busque conselhos “planos são bem-sucedidos quando há bons conselheiros; não vá a guerra sem buscar a sabedoria dos conselheiros”(Pv 20.18)

“Sem conselhos, os planos dão errado, mas na multidão dos conselheiros serão bem-sucedidos” (Pv 15.22)

Humildade é irmã da sabedoria “Quanto mais conselhos você buscar, mais chances terá de ser bem-sucedido!” (Pv 24.6b)

Converse com pessoas que já tiveram que tomar a mesma decisão Ouça também pessoas que realmente te conhecem e que são capazes de te dizer a verdade a respeito dos perigos e também a respeito de quem você é, se é apto ou não para tal desafio. Isto encaixa no meu perfil? Em outras palavras, se esta é realmente a sua praia.

Pergunte: “Quem pode me dar conselhos?” Pois não temos tanto tempo assim para aprender errando! Portanto, aprenda com a experiência dos outros!

5. Calcule o custo Uma boa avaliação se faz necessário para evitar surpresas desagradáveis.

Não tenha pressa em tomar uma decisão. Quanto tempo levará não é tão importante quanto o é tomar uma decisão correta.

“É uma armadilha consagrar algo precipitadamente, e só pensar nas consequências depois que se fez o voto” (Pv 20.25).

Toda decisão tem um preço a ser pago: 1) dinheiro, 2) tempo, 3) energia, 4) família Avalie os prós e os contras Pergunte: “Vale a pena? Quanto estou disposto a investir e sacrificar por esta causa?”

6. Estabeleça uma meta “O homem de discernimento mantém a sabedoria em vista, mas os olhos do tolo perambulam até os confins da terra” (Pv 17.24).

“Olhe sempre para a frente, mantenha o olhar fixo no que está adiante de você. Veja bem por onde anda, e os seus passos serão seguros. Não se desvie nem para a direita nem para a esquerda; afaste os seus pés da maldade (Pv 4.25-27).

Suas decisões determinam o seu destino. Você se torna naquilo que você se compromete.

Pergunte:

“Qual é a minha meta? Que passos devo dar na direção do meu alvo?

7. Prepare-se para as adversidades “O prudente percebe o perigo e busca refúgio; o inexperiente segue adiante e sofre as consequências” (Pv 22.3).

Espere o melhor e prepare-se para o pior!

Pergunte: “O que pode dar errado? E o que fazer se isto acontecer?”

8. Enfrente os seus temores “Quem teme ao homem cai em armadilhas, mas quem confia no Senhor está seguro” (Pv 29.25).

Todos temos certo grau de receio, pois todo corajoso tem medo, pois coragem não é ausência de medo, mas, sim, conseguir ir adiante a despeito dele.

Diante do chamado, Moisés tentou se esquivar com a desculpa de que era gago, Jeremias com a de ser jovem demais, e Abraão por se considerar muito velho.

Cuidado! O medo pode ser paralisante. “Quem observa o vento não plantará; e quem olha para as nuvens não colherá” (Ec 11.4).

Pergunte: “Quais são os meus temores?

9. Dê um passo de fé Não fique esperando as coisas acontecerem. Aja! Após todas as considerações anteriores, tome uma atitude confiando em Deus. “Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apoie em seu próprio entendimento; reconheça o Senhor em todos os seus caminhos, e ele endireitará as suas veredas (Pv 3.5-6).

Pergunte: “Onde preciso confiar em Deus?”

9 passos para tomar decisões acertadas (Áudio em MP3 e Texto)+

9 passos para tomar decisões acertadas 1. Ore a Deus Ore.

A oração ajuda o processo de tomar decisões. Jesus usou este método antes de escolher os discípulos. “Naqueles dias retirou-se para o monte a fim de orar; e passou a noite toda em oração a Deus.”

(Lucas 6.12)

Ore pedindo a Deus que lhe dê sabedoria: “Ora, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não censura, e ser-lhe-á dada. Peça-a, porém, com fé, não duvidando; pois aquele que duvida é semelhante à onda do mar, que é sublevada e agitada pelo vento. Não pense tal homem que receberá do Senhor alguma coisa, homem vacilante que é, e inconstante em todos os seus caminhos” (

Tiago 1.5-8

).

2. Examine o que diz a Biblia a respeito

Pare de dar ouvidos a tantas vozes e examine a Bíblia ” Procurai compreender qual é a vontade do Senhor” (Ef 5.17). P ois do Senhor vem a sabedoria e é dEle que vem o conhecimento (Pv 2.6-7)

Tolo é o homem que confia em si mesmo, mas aqueles que se valem da sabedoria divina estão seguros (Pv 28.26)

Pergunte: “O que é que Deus diz a respeito?

3. Examine os fatos Conheça bem a realidade a sua volta Encare os fatos Ouça ambos lados da história. Avalie a situação de todos os ângulos. “O que primeiro começa o seu pleito parece justo; até que vem o outro e o examina” (Pv18.17).

Use a razão e o bom senso.

Não se deixe levar pelos sentimentos e pelo otimismo exagerado Sentimentos mentem, e você precisa da verdade!

“Todo homem prudente age de acordo com o entendimento” (Pv 13.16)

“Quão estúpido é tomar uma decisão sem conhecer todos os fatos” (Pv 18.13)

“O prudente é cuidadoso para não se meter em encrencas, mas o tolo age de maneira apressada e descuidada (Pv 14.16)

A pressa não é de Deus. Não é Deus quem está te pressionando. Não sinta-se pressionado a tomar uma decisão.

Tenha a mente aberta para novas ideias, busca o entendimento e pondera em oração. “O coração do entendido adquire conhecimento; e o ouvido dos sábios busca conhecimento” (Provérbios 18.15).

Pergunte: “Quais são as reais circunstancias ao meu redor? Conheço todos os fatos? O que preciso saber de Deus a respeito desta questão?

4. Busque conselhos “planos são bem-sucedidos quando há bons conselheiros; não vá a guerra sem buscar a sabedoria dos conselheiros”(Pv 20.18)

“Sem conselhos, os planos dão errado, mas na multidão dos conselheiros serão bem-sucedidos” (Pv 15.22)

Humildade é irmã da sabedoria “Quanto mais conselhos você buscar, mais chances terá de ser bem-sucedido!” (Pv 24.6b)

Converse com pessoas que já tiveram que tomar a mesma decisão Ouça também pessoas que realmente te conhecem e que são capazes de te dizer a verdade a respeito dos perigos e também a respeito de quem você é, se é apto ou não para tal desafio. Isto encaixa no meu perfil? Em outras palavras, se esta é realmente a sua praia.

Pergunte: “Quem pode me dar conselhos?” Pois não temos tanto tempo assim para aprender errando! Portanto, aprenda com a experiência dos outros!

5. Calcule o custo Uma boa avaliação se faz necessário para evitar surpresas desagradáveis.

Não tenha pressa em tomar uma decisão. Quanto tempo levará não é tão importante quanto o é tomar uma decisão correta.

“É uma armadilha consagrar algo precipitadamente, e só pensar nas consequências depois que se fez o voto” (Pv 20.25).

Toda decisão tem um preço a ser pago: 1) dinheiro, 2) tempo, 3) energia, 4) família Avalie os prós e os contras Pergunte: “Vale a pena? Quanto estou disposto a investir e sacrificar por esta causa?”

6. Estabeleça uma meta “O homem de discernimento mantém a sabedoria em vista, mas os olhos do tolo perambulam até os confins da terra” (Pv 17.24).

“Olhe sempre para a frente, mantenha o olhar fixo no que está adiante de você. Veja bem por onde anda, e os seus passos serão seguros. Não se desvie nem para a direita nem para a esquerda; afaste os seus pés da maldade (Pv 4.25-27).

Suas decisões determinam o seu destino. Você se torna naquilo que você se compromete.

Pergunte:

“Qual é a minha meta? Que passos devo dar na direção do meu alvo?

7. Prepare-se para as adversidades “O prudente percebe o perigo e busca refúgio; o inexperiente segue adiante e sofre as consequências” (Pv 22.3).

Espere o melhor e prepare-se para o pior!

Pergunte: “O que pode dar errado? E o que fazer se isto acontecer?”

8. Enfrente os seus temores “Quem teme ao homem cai em armadilhas, mas quem confia no Senhor está seguro” (Pv 29.25).

Todos temos certo grau de receio, pois todo corajoso tem medo, pois coragem não é ausência de medo, mas, sim, conseguir ir adiante a despeito dele.

Diante do chamado, Moisés tentou se esquivar com a desculpa de que era gago, Jeremias com a de ser jovem demais, e Abraão por se considerar muito velho.

Cuidado! O medo pode ser paralisante. “Quem observa o vento não plantará; e quem olha para as nuvens não colherá” (Ec 11.4).

Pergunte: “Quais são os meus temores?

9. Dê um passo de fé Não fique esperando as coisas acontecerem. Aja! Após todas as considerações anteriores, tome uma atitude confiando em Deus. “Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apoie em seu próprio entendimento; reconheça o Senhor em todos os seus caminhos, e ele endireitará as suas veredas (Pv 3.5-6).

Pergunte: “Onde preciso confiar em Deus?”

Situações+

Vídeo da mensagem que preguei inspirado na canção “Situações” do Grupo Logos, traçando um paralelo com a vida do Apóstolo Pedro “Situações nesta vida me fazem sentir, que não sou forte a ponto de até resistir.

Nestes terríveis momentos os maus pensamentos me querem levar a um extremo de vida, que meu equilíbrio se deixa enganar.

Instantes que se prolongam tentando mudar, tudo que já se fez novo, pois Cristo mudou; Tentando hoje trazer, o que eu tento esquecer, sou vencedor e ninguém poderá me deter.

Pois eu sei que jamais eu provado serei além do que eu possa suportar.

E se ainda eu cair e pensar que é o fim, Jesus me ergue e segue junto a mim!

Jesus me ergue e segue sim, Jesus me ergue e segue sim, Jesus me ergue e segue junto a mim!” Grupo Logos Esta bela canção foi marcante na primeira metade da década de 80 na vida de muitos crentes. Ela retrata a luta interior da carne contra o Espírito (Gl 5.17). O cristão luta contra muitas tentações e corre o risco de tropeçar e cair (Jo 18.27 e Mt 14.30). Cristo nos concede proteção e força para não cairmos em tentação (Mt 6.13; 1 Co 10.13 e 2 Co 10.4), mas se isto acontecer, não devemos entregar os pontos (1 Jo 2.1-2). Não devemos deixar que o inimigo de nossas almas nos confunda lançando dúvidas sobre nossa união com Cristo (Gl 3.27; 1 Jo 3.20 e Hb 9.14). Pois Jesus nos estende a mão misericordiosa e boa para nos erguer e nos manter de pé em nossa caminhada (Sl 37.24 e Mt 14.31). Jesus é nosso melhor e fiel amigo (1 Jo 1.9)! Jamais desista (Gl 6.9)!

Esta canção me fez lembrar de Pedro, o apóstolo. Originalmente, seu nome era Simão. Foi Jesus que lhe deu o nome de Pedro, que significa rocha (Jo 1.42)! Quando Jesus o chamou, ele não passava de Simão, um pescador como tantos outros (Lc 5). Um homem instável e cheio de defeitos. Jesus lhe disse: “eu farei de você um pescador de homens” (Lc 5.10)! Simão abandonou as redes e começou a seguir a Jesus (lc 5.11). Apesar do novo nome, Pedro alternava altos e baixos. Ás vezes, falava como Pedro, outras tantas como Simão. Revelava desprendimento (Lc 18.28), mas também ambição (Jo 10.41). Em um momento de fé, é visto caminhando sobre as águas (Mt 14.29) e, num momento seguinte de incredulidade é visto afundando (Mt 14.30). Era capaz de atos de bravura, mas também de covardia (Lc 22.56). Quando Pedro negou a Jesus, ele caiu em prantos, ficou completamente arrasado. Ele falhou feio, fracassou de tal maneira que não via mais esperança de seguir sendo apóstolo de Cristo. Ele sente-se totalmente inapto para a vocação de ser um pescador de homens, tanto que, mesmo após a ressurreição de Cristo, vemos Pedro retornando ao velho ofício de pescador (Jo 21.3). Mas, Jesus não desistiu de Pedro! Pois, “Aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo” (Fp 1.6). Jesus, mais uma vez, vai ao encontro de Pedro e o encontra no mesmo lugar, fazendo a mesma coisa de antes, tentando pescar peixes, mas sem sucesso (Jo 21.3). Jesus reproduz o mesmo milagre da pesca maravilhosa, revelando-se novamente como o Senhor de tudo que há (Jo 21.5, cp. Lc 5.4-9). O diálogo que se segue entre Jesus e Pedro é de magnífica beleza e profundo significado (Jo 21.15-19). Pedro que, há apenas alguns dias atrás, havia negado a Cristo por três vezes, agora, confessa o seu grande amor por Cristo por não uma e nem duas, mas três vezes. De modo que Jesus confirma a vocação de Pedro como pescador e pastor de homens. Jesus termina a conversa profetizando que aquele Simão que covardemente o havia negado até mesmo diante de uma criada (Lc 22.56), um dia morreria na cruz porque se tornaria capaz de confessar e honrar o nome de Jesus diante do próprio imperador (Jo 21.18-19).

Jesus continua chamando e transformando “Simãos” em “Pedros”, covardes em corajosos, pecadores em santos, pescadores de peixes em pescadores de homens. Deus transformou Saulo em Paulo, Abrão em Abraão, Sarai em Sará e até mesmo Jacó em Israel! Cada salvo em Cristo possui também um novo nome (Ap 2.17). Deus não nos concede apenas o poder de sermos chamados de filhos de Deus, mas de sermos feitos filhos de Deus (Jo 1.12)! As mudanças nem sempre são instantâneas, no geral, fazem parte de um processo de discipulado. Não desanime diante dos percalços de sua caminhada com Cristo. Você recebe força divina para caminhar em vitória, mas se tropeçar, lembre-se que, em Jesus, você tem um advogado e não um juiz (1 Jo 2.1). Jesus estende sua mão para erguê-lo assim como fez com Pedro (Mt 14.31). Ele não o arrasta, mas o levanta. pois quer ver você caminhando com suas próprias pernas. Ele quer que você, de livre e espontânea vontade, confesse seu amor por ele através de palavras e obras.

“Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus” (Hb 12.1-2).

Bispo Ildo Mello Igreja Metodista Livre: metodistalivre.org.br/ Blog: escatologiacrista.blogspot.com Igreja: imeldemirandopolis.blogspot.com Vídeos: youtube.com/ildomello Estudos: scribd.com/ildomello Siga-me: twitter.com/ildomello

Como vencer as crises+

Deus tem sonhos para todos os seus filhos!

“Nos últimos dias, diz Deus, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos. Os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os jovens terão visões, os velhos terão sonhos” (Atos 2.17).

José, ainda moço, teve um sonho de Deus para o seu futuro, o que o fortaleceu para enfrentar as inúmeras e imensas adversidades que assombrariam a sua árdua caminhada. O sonho o ajudou a superar o seu cativeiro! O sonho o ajudou a vencer o desânimo. Por causa do sonho, ele não desistiu jamais!

Precisamos sonhar para enfrentar os cativeiros e desertos de nossa própria existência.

Vejamos algumas preciosas lições do Salmo 126, que nos ajudam a enfrentar as crises da vida.

Experimente o poder libertador e a alegria de Deus!

O Salmo 126 é a oração de um povo que sofre muito em meio a uma enorme crise. Diante de dificuldades tão ameaçadoras, o povo busca o socorro de Deus (v.4). A fé deste povo não existe num vazio, não é supersticiosa, superficial e abstrata, mas está fundamenta sobre dois pilares: o primeiro é a recordação de um grande evento histórico de libertação que aconteceu no passado (vs. 1-3) e o outro diz respeito à uma experiência mais próxima do dia a dia daquela comunidade agrícola, algo que se repetia todos os anos, uma lição extraída da natureza da vida, em que se pode ver a mão provedora de Deus (vs. 5-6).

O salmista está trazendo a memória aquilo que pode dar esperança (Lm 3.21). A recordação dos grandes feitos do Senhor, como a libertação do cativeiro babilônico, traz esperança, fé, ânimo e alegria: “Grandes coisas fez o Senhor por nós, por isto estamos alegres!” (v.3). Aquele cativeiro e exílio haviam sido um dos piores momentos da história do povo hebreu, mas, quando tudo parecia perdido, o Senhor manifestou-se Salvador, e as lágrimas converteram-se em sorrisos de enorme alegria (v.2)!

Além disto, como já mencionado, outra inspiração para orar e trabalhar com confiança é uma lição extraída da experiência de vida cotidiana, pois, como lavradores, eles bem sabiam que, muitas vezes, a alegria de uma colheita abundante é conquistada através de um processo que exige muito esforço, perseverança, sofrimento e lágrimas (Vs. 5-6). A história ajuda a entender a vida e a vida ajuda a entender a história. Vida e fé se iluminam mutuamente!

Por vezes, o plantio se faz na penúria. Mas a esperança de uma abundante colheita inspira-os a plantar. A benção é prometida para os trabalhadores, não para os acomodados. “Aquilo que o homem semear, também ceifará” (GL 6.7-9), “Aquele que semeia pouco, pouco também ceifará” (2 CO 9.6), Disse Paulo: “Eu plantei, Apolo regou, mas Deus dá o crescimento” (1Co 3.6). Deus dá o crescimento para aquele que, a despeito das adversidades, planta e rega com fé.

O choro aqui não é de desânimo, desespero e de covardia, e nem é o choro de um fatalista, conformado, que está prostrado nutrindo sentimentos de autocomiseração, e nem de um murmurador passivo e nem muito menos é choro e lamento de um saudosista, que está preso ao passado, como aquele que diz “no meu tempo é que era bom”. “No meu tempo”? Uma pessoa viva devia ter a consciência de pertencer ao tempo presente. As memórias de um saudosista, ainda as mais gloriosas, em vez de produzirem encorajamento para encarar as dificuldades e desafios do presente, inspirando à construção de um futuro melhor, acabam por aumentar ainda mais a dor e frustração diante da crise e chegam ao ponto de até mesmo elipsar as conquistas e realizações presentes, como no caso daqueles que em vez de celebrarem a inauguração do novo templo choravam amargamente ao recordarem a glória do templo de Salomão. Em vista disto, o Senhor dirá: “A glória dessa última casa será maior do que a primeira, diz o Senhor dos Exércitos; e, neste lugar, darei paz diz o Senhor dos Exércitos ( Ageu 2: 9)!”. É como diz a canção de Kleber Lucas: “O melhor de Deus ainda está por vir!”.

Mas, bem diferente disto, aquele choro era o de quem segue em frente, andando e plantando a semente (v.6), de quem sofre esperançoso de que Deus irá mudar a sua sorte (v.4), comparado ao choro de uma mulher que está dando a luz à um filho (Jo 16.21). É o choro daquele que sabe que seu trabalho e sofrimento não é vão no Senhor (1 Co 15.58).

O salmista transforma o milagre do passado em medida para o futuro. Fruto da intervenção divina, a felicidade desfrutada no passado é trazida à lembrança para ser chamada de volta em oração! Há esperança de que o deserto transforme-se em um manancial de águas como as Torrentes no Neguebe. Situações difíceis e extremas são oportunidades para a intervenção milagrosa de Deus. Devemos trazer a memória apenas aquilo que nos pode dar esperança. Discernindo a boa mão do Senhor em nossa história e na vida.

O milagre da história e da vida nos inspira a orar e a trabalhar com confiança. Portanto, nada de ficar murmurando, nutrindo desespero, pessimismo e espírito de autopiedade. Não se entregue a depressão e nem fique acomodado diante da crise. Pois, o mesmo Deus que operou maravilhas no passado e que é Senhor da vida continua a operar no presente. Ele ainda liberta do cativeiro e transforma deserto em um jardim florido. Deus mudará a sorte daqueles que nEle esperam e semeiam com fé.

Bispo José Ildo Swartele de Mello

Amor e Conflito+

“Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.” (1Co 13.13)

O amor é o maior de todos os dons. Ele permanece quando tudo o mais passa. Mas é importante lembrar que o verdadeiro amor, o amor que vem de Deus, nem sempre é aceito ou compreendido. Muitas vezes, amar de verdade significa entrar em conflito com o mundo ao nosso redor. Isso aconteceu com Jesus. Ele era o amor encarnado. Suas palavras eram cheias de graça e verdade, suas mãos curavam e consolavam, seus passos o levavam aos necessitados. Ainda assim, foi rejeitado, perseguido e crucificado. E por quê? Porque esse amor verdadeiro confronta. Ele não se contenta em agradar, mas chama as pessoas ao arrependimento, à transformação. Esse amor expõe o pecado, e muitos não querem lidar com isso.

O mesmo continua acontecendo com os que seguem Jesus de forma sincera. Quando buscamos viver com integridade, colocando Deus em primeiro lugar, acabamos incomodando quem prefere manter uma religiosidade confortável. Já aconteceu com você de se sentir isolado por querer obedecer a Deus com mais profundidade? Talvez você tenha tomado uma decisão que não foi compreendida pelos seus amigos cristãos ou até por sua própria família. Nesses momentos, a tentação de recuar é grande. Pensamos: “Será que estou indo longe demais? Será que estou sendo duro?” Mas, se estamos sendo guiados pelo Espírito de Deus e vivendo de acordo com a Sua Palavra, precisamos continuar firmes, mesmo que isso nos custe relacionamentos ou a aceitação das pessoas.

Às vezes, o maior obstáculo não está no mundo, mas entre os próprios cristãos. Há muitos que abafam o chamado de Deus em suas vidas por causa da opinião de familiares ou amigos da igreja. Pais que impedem filhos de servirem com liberdade; irmãos que desanimam irmãs que desejam consagrar suas vidas ao Senhor. Quantos projetos do Reino já foram sufocados por esse tipo de interferência disfarçada de conselho! É necessário discernimento. Deus nos chama a ouvir Sua voz acima de todas as outras. Isso não significa agir com rebeldia ou desprezo, mas com convicção e obediência. O Senhor não tem dois pesos: não julga os homens de um jeito e as mulheres de outro; pais de um jeito e filhos de outro. Todos nós seremos responsabilizados diante Dele por obedecer ou não ao Seu chamado.

O amor verdadeiro não foge do conflito quando ele é consequência da fidelidade a Deus. Ele não se esconde quando seguir a Jesus custa caro. Amar como Cristo amou é permanecer ao lado Dele quando Ele carrega a cruz, não apenas quando é aclamado com “Hosana”. E isso nos desafia profundamente. Será que continuaríamos fiéis se a perseguição voltasse? Se confessar nossa fé significasse perder a reputação, os bens ou até a liberdade? Será que continuaríamos ao lado de Jesus se estivéssemos entre zombadores, e não entre os aplausos? O amor que Deus quer formar em nós é um amor firme, corajoso, que permanece mesmo quando tudo se opõe. Amar de verdade é suportar o desprezo, é seguir em frente quando a maioria volta atrás.

E é importante lembrar que esse amor começa no dia a dia. Ele se manifesta quando escolhemos a integridade nos negócios, mesmo que isso nos custe lucro. Quando nos recusamos a participar de práticas injustas, mesmo que todos à nossa volta digam que é normal. Quando decidimos ser fiéis a Deus em nossos relacionamentos, no uso do tempo, no falar, no servir, mesmo que sejamos mal interpretados por isso. O amor verdadeiro não faz vista grossa para o erro nem se acomoda com a injustiça. Ele é inseparável da justiça. Onde há amor de verdade, há também compromisso com o que é certo. Se o que chamamos de amor nos leva a encobrir o pecado, a favorecer o erro ou a buscar apenas nosso conforto, então não é o amor de Deus — é apenas uma aparência, uma imitação que não resiste ao fogo da provação.

Por isso, o chamado de Deus é claro: examine o seu coração. Se o Senhor está te mostrando algo que precisa ser cortado, entregue isso a Ele. Não se esconda. Não adie. Diga: “Senhor, limpa meu coração. Mostra-me o que precisa mudar.” O amor verdadeiro dói, às vezes. Mas é esse amor que purifica, que fortalece, que molda o nosso caráter à semelhança de Cristo. Ele nos torna dispostos a sofrer por causa do Evangelho, a abrir mão de reconhecimento, a suportar zombarias e rejeição, se for necessário, para que o Reino de Deus avance.

Esse é o amor que permanece. É o amor que será aprovado no dia do juízo. Amor que ama na dor, na escuridão, na solidão, na vergonha. Amor que continua amando, mesmo quando tudo diz para parar. Esse amor não nasce de nós. Ele é obra do Espírito em nós. Por isso, ore: “Senhor, coloca esse amor em mim. Ensina-me a amar como Tu amas. Dá-me coragem para obedecer, mesmo que isso me custe. Faz-me verdadeiro, inteiro, Teu.”

Que esse amor habite ricamente em nós. Que sejamos conhecidos não pelo tanto que sabemos ou falamos, mas pelo quanto estamos dispostos a amar — com verdade, com coragem, com fidelidade, até o fim.

Baseado no Sermão de Catherine Booth, “Charity and Conflict”, in Godliness (Bellingham, WA: Faithlife Corporation, 2016).

Minhas experiências com Deus em tempos sombrios de saúde+

Ao longo da vida, nunca tive problemas de saúde graves, e meus pais também são relativamente saudáveis. No meio de 2022, tive suspeitas de pedra nos rins, infecção urinária ou prostatite. Após vários exames inconclusivos, uma tomografia revelou algo ainda mais preocupante: um tumor de 1,9 cm no meu rim esquerdo. Embora a doença anterior tenha regredido sem diagnóstico definitivo, continuei a orar em relação ao nódulo e fiz mais duas tomografias. Por fim, o médico recomendou cirurgia.

Em 2 de dezembro de 2022, fui submetido a uma cirurgia em um hospital renomado, realizada por um médico conceituado. No entanto, ele não examinou previamente e de forma detalhada a anatomia específica do meu rim, que possui três artérias em vez de apenas uma. Essa particularidade tornou difícil controlar o sangramento durante o procedimento, impedindo-o de localizar e remover o tumor. A cirurgia durou quatro horas, durante as quais o médico tentou, sem sucesso, encontrar o nódulo devido ao fluxo constante de sangue. Minha vida esteve em risco. Fiquei internado por três dias, com uma recuperação lenta, marcada por dores que persistiram por quatro semanas, além de dificuldades para dormir e encontrar uma posição confortável. Na consulta de retorno, recebi a notícia devastadora de que o tumor permanecia. Foi um choque! Muitas perguntas surgiram em minha mente, mas lembrei-me de que, se Jesus, sendo justo e bom, sofreu, quem sou eu para reclamar?

Abalado por alguns dias, busquei o Senhor em oração. Tentei viver Filipenses 4.8, mantendo o foco em tudo que é edificante e saudável para o meu bem-estar mental e espiritual. Também me ajudou muito ouvir o testemunho de irmãos e irmãs em Cristo que passaram por situações semelhantes. Dediquei-me ainda mais à obra do Senhor, com gratidão por tudo o que Ele me concedeu, disposto a enfrentar qualquer desafio, inclusive a morte. Experimentei uma paz profunda, desfrutando de um período de férias agradável com minha esposa, livre de preocupações. Como diz uma antiga canção: “A minha vida está nas mãos de Deus, o meu futuro Deus decidirá, nenhuma provação me desanimará.”

Após as férias, encarei com alegria a abençoada temporada de concílios regionais. A comunhão com os amados pastores e líderes me fez muito bem!

No final de abril, consultei outro médico no Hospital do Rim, que recomendou a ablação — técnica minimamente invasiva na qual se usa agulha ou cateter para queimar os nódulos por radiofrequência. Contudo, meu convênio não cobria esse procedimento. Com a ajuda de Márcia Durand, elaboramos um breve relatório e uma recomendação especial, mas o convênio negou o pedido. Persistimos, enviamos novo pedido e aguardamos quase um mês sem resposta. Mesmo assim, mantive-me em paz e seguro nas mãos de Deus. Finalmente, a aprovação chegou! O procedimento de ablação foi marcado para 14 de junho e ocorreu ainda melhor do que o esperado. Apesar de a alta estar prevista para o dia seguinte, eu estava tão bem, sem dor alguma, que recebi alta no mesmo dia! Sentia-me tão disposto que minha esposa precisou lembrar-me de que eu havia passado por cirurgia, pois voltei a fazer minhas atividades normalmente sem perceber.

Durante o procedimento, também foi realizada uma biópsia, cujo resultado apontou carcinoma de células claras de grau 2. Desde então, tenho feito exames periódicos de ressonância e tomografia, e não há vestígios do tumor.

Louvo a Deus pelo Seu cuidado e pelas lições aprendidas ao longo de todo esse processo. A vida é frágil e passageira, e vale a pena entregar nossos cuidados a Deus, confiando plenamente nEle. Romanos 14.8 diz: “Se vivemos, vivemos para o Senhor; e, se morremos, morremos para o Senhor. Portanto, quer vivamos ou morramos, pertencemos ao Senhor.” Essa passagem reforça a verdade de que nossa vida pertence a Cristo, independentemente das circunstâncias.

Aprendi a valorizar cada momento e a buscar viver de acordo com o propósito divino. Mesmo diante de desafios ou incertezas, podemos confiar em Deus, sabendo que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que O amam (Romanos 8.28). Deus nos faz crescer e nos fortalece em meio às adversidades, por isso podemos nos gloriar nas tribulações, conforme Romanos 5.3-4: “a tribulação produz perseverança, a perseverança produz experiência e a experiência produz esperança.”

À medida que aprendemos a ser pacientes, adquirimos mais experiência com Deus, o que fortalece ainda mais nossa fé e esperança. Tais vivências também nos tornam mais sensíveis à dor e ao sofrimento alheios, fazendo-nos capazes de consolar e animar quem está em angústia. Como diz 2 Coríntios 1.4: “É ele que nos consola em toda a nossa tribulação, para que, pela consolação que nós mesmos recebemos de Deus, possamos consolar os que estiverem em qualquer espécie de tribulação.”

Lembro-me do saudoso cantor e compositor Sérgio Pimenta, que escreveu uma bela canção baseada em seu próprio drama:

“Só quem sofreu pode avaliar quem sofreu.

Pode se identificar, pode ter o mesmo sentir.

Só quem sofreu tem palavras de puro mel Que transmitem todo o calor para quem precisa de amor.”

Que meu testemunho encoraje a todos, mostrando a importância de confiar em Deus e entregar nossa vida em Suas mãos, mesmo em meio às adversidades.

O Enredo de Deus para a Humanidade+

“Se Deus é bom, por que há tanto mal no mundo?”

Essa é uma questão profunda e desafiadora. Para respondê-la, precisamos mergulhar na grande narrativa da Bíblia, uma história de amor e redenção, que começa na criação, passa pela queda, atravessa a redenção e culmina na restauração. Esta história não é apenas sobre o mundo, mas também sobre você.

O Começo: A Criação e a Liberdade Imagine um artista perfeito criando uma obra-prima, cada detalhe desenhado com beleza e propósito. No início, Deus criou o mundo assim: perfeito e cheio de vida (Gn 1.31). No ápice de Sua criação, Ele fez a humanidade à Sua imagem e semelhança (Gn 1.27), colocando-a em um jardim chamado Éden, um lugar de harmonia onde não havia dor, sofrimento ou morte (Gn 2.8-9).

Mas o que torna essa história única é que Deus deu aos seres humanos algo extraordinário: liberdade. Ele não nos criou como robôs programados para obedecê-Lo, mas como seres livres para escolher. Isso porque o verdadeiro amor só pode existir onde há liberdade. O relacionamento entre Deus e a humanidade foi pensado para ser baseado em amor genuíno, não em coerção.

Essa liberdade, porém, trouxe um risco. Quando Adão e Eva escolheram desobedecer a Deus (Gn 3.6), o pecado entrou no mundo como uma rachadura em um vaso perfeito, espalhando-se por toda a criação. Essa escolha não apenas afetou os seres humanos, mas também trouxe desordem à natureza (Rm 8.22). Desde então, o mundo está marcado por sofrimento, injustiça e dor. Mas, mesmo diante disso, Deus não abandonou Sua obra.

O Meio: O Mal e o Propósito de Deus Quando enfrentamos o mal, muitas vezes nos perguntamos: “Por que Deus permite isso?” A resposta está em Seu plano maior de redenção. Deus permite o mal não porque seja impotente ou indiferente, mas porque, em Sua sabedoria infinita, Ele transforma até mesmo o mal em algo que coopera para o bem daqueles que O amam (Rm 8.28). Aqui estão alguns aspectos desse propósito:

1. Livre-Arbítrio e Amor Verdadeiro:

O amor genuíno exige liberdade, e a liberdade implica escolha. Deus permite o mal porque Ele valoriza o amor verdadeiro, que não pode ser forçado (Jo 4.23-24). Sem liberdade, seríamos meros autômatos, incapazes de expressar verdadeira adoração ou amor.

2. Crescimento e Transformação:

O sofrimento pode nos ensinar lições valiosas. Ele desenvolve virtudes como compaixão, empatia e perseverança (Rm 5.3-5). Pense em Jó: mesmo em meio à dor, ele viu Deus de uma maneira nova e mais profunda (Jó 42.5).

3. Teste e Purificação:

Deus permite que enfrentemos desafios como forma de fortalecer nosso caráter e nossa fé (Tg 1.2-4). Como o ouro é refinado no fogo, nós também somos moldados pelas provações.

4. Mistério Divino:

Nem tudo pode ser completamente compreendido. Deus nos chama a confiar em Seu plano, mesmo quando não vemos o quadro completo. Como C. S. Lewis observou, o mal pode ser parte de um plano maior que ainda não entendemos totalmente.

Embora o mal exista, ele não é o fim da história. Deus está constantemente trabalhando para restaurar todas as coisas.

O Clímax: O Plano de Redenção em Cristo No momento mais sombrio da história, Deus deu a maior prova de Seu amor. Ele não ficou distante do sofrimento humano; Ele se envolveu profundamente. Jesus, o Filho de Deus, veio ao mundo, assumiu nossa humanidade e sofreu por nós (Jo 1.14). Na cruz, Ele carregou nossos pecados e nossas dores (1Pe 2.24).

A cruz foi o momento em que o céu tocou a terra. Ali, Jesus não apenas enfrentou o mal; Ele o venceu. Sua ressurreição foi a vitória definitiva sobre o pecado e a morte (1Co 15.54-57). Por meio de Cristo, Deus abriu um caminho para a humanidade ser restaurada e reconciliada com Ele.

O Fim: A Restauração de Todas as Coisas A história da Bíblia aponta para um final glorioso. João, em Apocalipse, descreve uma visão de um novo céu e uma nova terra, onde Deus habitará com Seu povo (Ap 21.1-3). Ele escreve: “Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor” (Ap 21.4).

Esse final é um eco do Éden, mas ainda melhor. Deus está restaurando não apenas o que foi perdido, mas criando algo ainda mais belo. A história termina com a plena reconciliação entre Deus e a humanidade.

O Convite: Sua Participação na História Essa história não é apenas sobre o mundo; ela é sobre você. Deus deseja que você experimente a plenitude da vida para a qual foi criado (Jo 10.10). Mas como no início, Ele deixa a escolha em suas mãos. “ Quem tiver sede, venha; e quem quiser, receba de graça a água da vida.”

(Ap 21.17)

Você deseja fazer parte dessa nova criação?

Se sim, você pode orar assim:

“Senhor Jesus, reconheço que preciso de Ti. Perdoa-me por seguir meus próprios caminhos. Obrigado por morrer e ressuscitar para me dar nova vida. Eu entrego minha vida a Ti e escolho Te seguir. Amém.”

Contraste entre os Salvos e os Pecadores+

Na Bíblia, encontramos uma clara distinção entre os pecadores e os salvos [Efésios 2.1-5; Romanos 5.8-9; João 9.31; Gálatas 2.15; I Timóteo 1.9; Romanos 5.6-7; Colossenses 2.13; Lucas 19.10]. Esse contraste é essencial para compreender a mensagem do evangelho e a transformação que ocorre na vida daqueles que colocam sua fé em Jesus Cristo. Embora os salvos ainda possam cometer pecados ocasionalmente, o poder do pecado foi quebrado em suas vidas. Examinando os usos que o Novo Testamento faz de ἁμαρτωλός, palavra grega traduzida como “pecador”, descobrimos que o cristão, de modo geral, não é definido como ἁμαρτωλός, mas sim como alguém chamado à santidade pelo Espírito Santo [1 Coríntios 6.11; Romanos 6.6-7; 1 Pedro 1.14-16].

O estado dos pecadores antes da salvação: Mortos em suas transgressões e pecados (Efésios 2.1-3). Separados de Deus e merecedores da ira divina. Por outro lado, os cristãos foram justificados pela fé em Cristo, perdoados de seus pecados e lavados pelo sangue de Jesus (1 Coríntios 6.11, Tito 3.5). Resgatados do domínio do pecado e da morte (Romanos 6.22-23).

Os salvos são chamados de santos, separados para Deus (1 Pedro 2.9). Sua nova identidade está em Cristo. Eles são chamados a viverem uma vida santa, refletindo a natureza amorosa e justa de Cristo (1 Pedro 1.15-16).

Embora os salvos ainda possam falhar e cometer pecados ocasionalmente, o cristão não é definido como “pecador” no sentido absoluto de ἁμαρτωλός. O Espírito Santo capacita os crentes a resistirem à tentação e a viverem de acordo com a vontade de Deus (Efésios 2.4-5).

O contraste entre pecadores e salvos é uma verdade fundamental na Bíblia. A salvação em Cristo traz uma transformação radical na vida daqueles que creem, tornando-os filhos de Deus e chamando-os a uma vida de santidade. Embora os salvos ainda possam falhar, eles não são mais escravos do pecado, pois o poder do pecado foi quebrado em suas vidas. O Espírito Santo habita neles, capacitando-os a viverem de acordo com a vontade de Deus e não mais se conformarem em serem chamados de “pecadores” no sentido absoluto de ἁμαρτωλός. É um chamado para viverem como Cristo viveu, refletindo Sua natureza em suas vidas diárias e anunciando as grandezas daquele que os chamou das trevas para a maravilhosa luz [1 Pedro 2.9; 1 Pedro 2.21-24].

Referências:

Efésios 2.1-5 – “Vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados, nos quais costumavam viver, quando seguiam a presente ordem deste mundo e o príncipe do poder do ar, o espírito que agora está atuando nos que vivem na desobediência. Antigamente, todos nós também vivíamos entre eles, satisfazendo as vontades da nossa carne, seguindo os seus desejos e pensamentos. Como os outros, éramos por natureza merecedores da ira. Mas, porque é rico em misericórdia, nos deu vida juntamente com Cristo, quando ainda estávamos mortos em transgressões – pela graça vocês são salvos.” Romanos 5.8-9 – “Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.” João 9.31 – “Ora, nós sabemos que Deus não ouve a pecadores; mas, se alguém é temente a Deus e faz a sua vontade, a esse ouve.” Gálatas 2.15 – “Nós somos judeus por natureza e não pecadores dentre os gentios.

I Timóteo 1.9 – “sabendo isto: que a lei não é feita para o justo, mas para os injustos e obstinados, para os ímpios e pecadores, para os profanos e irreligiosos, para os parricidas e matricidas, para os homicidas, para os fornicadores, para os sodomitas, para os roubadores de homens, para os mentirosos, para os perjuros e para o que for contrário à sã doutrina.” Romanos 7.5-6 – “Porque, quando éramos controlados pela carne, as paixões pecaminosas despertadas pela lei atuavam em nosso corpo, de forma que dávamos fruto para a morte. Mas agora, morremos para aquilo que nos prendia, pois fomos libertados da lei, para que sirvamos segundo o novo modo do Espírito, e não segundo a velha forma da lei escrita.” Colossenses 2.13 – “Quando vocês estavam mortos em pecados e na incircuncisão da sua carne, Deus os vivificou com Cristo. Ele nos perdoou todas as transgressões.” Lucas 19.10 – “Pois o Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido.” 1 Coríntios 6.11 – “Assim foram alguns de vocês. Mas vocês foram lavados, foram santificados, foram justificados no nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito de nosso Deus.” Efésios 2.4-5 – “Mas, por causa do grande amor de Deus por nós, Deus, que é rico em misericórdia, nos deu vida com Cristo, quando ainda estávamos mortos em transgressões – pela graça vocês são salvos.” 1 Pedro 2.9 – “Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.” 1 Pedro 1.15-16 – “Mas, assim como é santo aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem, pois está escrito: ‘Sejam santos, porque eu sou santo.'”

A Voz que Afirma Nossa Identidade em Deus+

Por Bispo Ildo Mello

Você já parou para pensar quantas vozes tentam moldar quem você é todos os dias?

Acordamos com o despertador nos dizendo que estamos atrasados. O celular nos mostra a vida perfeita de outras pessoas nas redes sociais. O chefe cobra resultados. Alguém da família faz uma crítica. E a nossa própria mente, por vezes, sussurra: “Você não é bom o suficiente.”

Vivemos cercados por um barulho ensurdecedor de vozes que tentam nos definir — vozes de comparação, de exigência, de culpa, de medo e de insegurança. Mas em meio a tantas vozes, há uma que precisamos ouvir acima de todas as outras: a voz do Pai.

A origem da insegurança

Cada ser humano foi criado à imagem de Deus. No entanto, quando não experimenta amor incondicional — especialmente na infância — começa a acreditar que seu valor depende do que faz, e não de quem é.

Frases como:

▪ “Se você se comportar…”

▪ “Se comer tudo…”

▪ “Se for como seu irmão…” ensinam, ainda que indiretamente, que o amor deve ser merecido.

Esse tipo de formação emocional nos conduz a uma vida adulta marcada pela constante necessidade de aprovação. A autoestima se torna refém do desempenho. A identidade se fragiliza.

Nosso valor não está no desempenho

Mas o evangelho nos revela outra verdade: nosso valor não está no desempenho, mas na nossa posição como filhos de Deus.

Antes mesmo de realizar qualquer milagre, pregar ou curar, Jesus ouviu do Pai: “Este é o meu Filho amado, que me dá grande alegria.” (Mt 3.17)

Esse amor antecede as obras. Deus nos ama não pelo que fazemos, mas por quem somos n’Ele. Paulo escreveu: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.” (Rm 5.8). “Nós o amamos porque Ele nos amou primeiro.” (1Jo 4.19)

A tentação como desafio à identidade

Logo após o batismo, Jesus foi conduzido ao deserto, onde enfrentou a tentação. E o primeiro ataque de Satanás foi contra a identidade que o Pai acabara de afirmar: “Se tu és o Filho de Deus…” (Mt 4.3)

Note que a tentação não começou com um apelo aos prazeres, mas com a dúvida sobre quem Ele era. O inimigo questiona a filiação, tentando fazer Jesus duvidar de sua identidade. A estratégia de Jesus, porém, não foi provar nada, mas firmar-se na Palavra de Deus.

Ainda hoje, essa é a estratégia do inimigo conosco. Ele usa três vozes:

⁠A voz da comparação: “Olhe para os outros, eles são melhores que você.”

⁠A voz da acusação: “Você falhou. Deus não te aceita mais.”

A voz do desempenho: “Você só tem valor se for útil, produtivo, admirado.”

Essas vozes nos afastam da verdade sobre quem realmente somos.

A voz do Pai é permanente

No monte da transfiguração, conversando com Moisés e Elias sobre sua eminente crucificação, a voz do Pai voltou a ecoar: “Este é o meu Filho amado. Ouçam-no!” (Mt 17.5)

Mesmo sabendo que Jesus enfrentaria a rejeição, a dor e a cruz, o Pai reafirmou Seu amor. Isso nos ensina que nossa identidade em Deus permanece intacta mesmo nas tribulações.

Jó entendeu isso, mesmo em meio à dor e ao silêncio de Deus. Ele declarou com fé: “Porque eu sei que o meu Redentor vive!” (Jó 19.25)

Filhos amados: todos nós

A maravilhosa notícia do evangelho é que essa identidade afirmada sobre Jesus é estendida a todos os que crêem n’Ele:

“Mas a todos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus.” (Jo 1.12)

“Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus. E de fato somos!” (1Jo 3.1)

“Vocês não receberam um espírito de escravidão para viverem com medo, mas receberam o Espírito de adoção, por meio do qual clamamos: ‘Aba, Pai!’ O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.” (Rm 8.15-16)

“Nos predestinou para Ele, para adoção de filhos…” (Ef 1.5)

“Todos sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus.” (Gl 3.26)

Quem somos em Cristo

O evangelho nos dá uma nova identidade:

“Se alguém está em Cristo, é nova criatura. As coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” (2Co 5.17)

“Vocês, porém, são povo escolhido, sacerdócio real, nação santa, propriedade exclusiva de Deus.” (1Pe 2.9)

Essa é a verdade que precisamos afirmar em nossos corações todos os dias:

Você não é o que faz.

Você não é o que os outros dizem.

Você é quem Deus diz que você é!

Uma oração

Senhor, ajuda-me a ouvir Tua voz acima de todas as outras.

Reafirma no meu coração quem eu sou em Ti.

Que eu não viva refém do desempenho, da comparação ou da acusação, mas na liberdade e na segurança de ser Teu filho amado.

Em nome de Jesus. Amém.

Lidando biblicamente com a ansiedade+

A ansiedade é, sem dúvida, um dos maiores desafios deste século. Muitas pessoas vivem apreensivas em relação ao futuro, sofrendo por antecipação e ampliando suas preocupações. Essa inquietação muitas vezes leva a uma busca desesperada por soluções em remédios, resultando, em alguns casos, em dependência e agravamento dos problemas.

Mas onde encontrar a verdadeira solução para esse mal? Será possível experimentar paz no meio das pressões e tribulações da vida? Qual é o segredo para alcançar essa paz tão desejada? Onde ela reside e como podemos vencer a ansiedade e o temor?

É importante notar que as pessoas não nascem com essa carga de preocupação e angústia; é algo que se desenvolve ao longo da vida. E, assim como aprendemos a carregar esse fardo, podemos também desaprender. Embora não seja uma jornada fácil, estamos, de fato, sujeitos a muitos perigos, e a necessidade de ajuda para lidar com essas ameaças é inegável. E se pudéssemos confiar em Deus a ponto de depositar todas as nossas ansiedades sobre Ele? Certamente, isso seria uma fonte inestimável de alívio.

O Apóstolo Paulo oferece uma lição significativa em sua Carta aos Filipenses (4:4-8). Mesmo aprisionado, ele incentiva seus irmãos de fé a se alegrarem no Senhor, a terem uma atitude amável e a não se deixarem dominar pela ansiedade. Paulo destaca a importância da oração, súplicas e ação de graças, prometendo que a paz de Deus, que transcende toda compreensão, guardará corações e mentes em Cristo Jesus.

É surpreendente perceber que Paulo escreveu essas palavras encorajadoras enquanto estava na prisão, enfrentando perseguições. Ele exorta seus irmãos a encontrar alegria no Senhor, lembrando-os de que Deus está vivo, Jesus ressuscitou e há sempre esperança. Essa alegria, segundo Paulo, é uma fonte de força que pode ser experimentada em todas as circunstâncias.

Histórias como a de Lutero e analogias como o “Travesseiro Marinho” ilustram vividamente a possibilidade de manter a paz interior mesmo diante das maiores tormentas. A paz que Jesus oferece, conforme expressa em João 14.27, é especial e se diferencia da paz passageira do mundo, que muitas vezes é abalada por circunstâncias contrárias.

Refletindo sobre os relatos bíblicos, vemos que é possível experimentar paz mesmo em situações desafiadoras. A resposta dos discípulos à tempestade, a confiança expressa nos Salmos e as palavras reconfortantes do Bom Pastor em João 16.33 destacam a possibilidade de confiar em Deus, independentemente das circunstâncias.

Paulo, com sua confiança inabalável, proclama em Romanos 8.31 que se Deus é por nós, quem será contra nós? Ele assegura que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus (Romanos 8.28), fornecendo uma base sólida para a gratidão em todas as situações.

Sigamos o conselho de Paulo, direcionemos os pensamentos para o que é verdadeiro, nobre, correto, puro, amável e digno de louvor, conforme Filipenses 4.8.

É curioso notar como os cristãos acreditam no poder de Deus para ressuscitar os mortos e conceder a vida eterna, mas hesitam em crer que Ele cuidará das nuances simples do cotidiano. Afinal, aquele que zela pelos pássaros não cuidará também daqueles que confiam Nele? (Mt 6.26).

Na adolescência, eu, um jovem de origem humilde, desempenhava o papel de office-boy durante o dia e frequentava uma escola pública à noite. Minhas perspectivas de futuro se mostravam modestas em comparação aos colegas ricos da minha idade. Certa vez, ao contemplar a beleza do novo carro importado adquirido por um dos diretores da empresa em que trabalhava, fui surpreendido pela ausência de inveja ou tristeza em meu coração. A razão para tal serenidade residia na presença de Jesus em minha vida.

Lembro-me claramente do momento em que, logo após admirar o novo veículo do diretor, optei por caminhar vários quilômetros a pé pelas ruas de São Paulo, em vez de utilizar o ônibus, como forma de economizar o dinheiro do passe. Nesse trajeto, entre lágrimas e cânticos de alegria, entoava a canção que proclama: “louvarás bem alto ao teu Pai celeste quando a glória entrar no coração!” Quem carrega a glória de Deus no coração não se preocupa com o amanhã, pois sabe muito bem que seu futuro está nas mãos de Deus!

Em uma noite marcante, meu pai voltou para casa com o bolso rasgado, salário roubado e coração despedaçado. Ao testemunhar a angústia de meus pais, questionei-me sobre como pagaríamos as contas e sustentaríamos as crianças. Se pudesse voltar ao passado, diria a meus pais naquela noite sombria: “Deus não nos abandonou! Venceremos! Alegrem-se no Senhor e confiem em Sua bondade e fidelidade.” Entreguemos a Deus nossas ansiedades, confiando na paz que ultrapassa toda compreensão humana. Ao experimentarmos e compartilharmos essa poderosa paz divina, podemos confiar que ela guardará nosso coração e mente em todas as situações, independentemente dos desafios que possamos enfrentar.

Bispo José Ildo Swartele de Mello

Como Vencer Crises (Salmo 126)+

O Salmo 126 é a oração de um povo que sofre muito em meio a uma enorme crise. Diante de dificuldades tão ameaçadoras, o povo busca o socorro de Deus (v.4). A fé deste povo não existe num vazio, não é supersticiosa, superficial e abstrata, mas está fundamenta sobre dois pilares: o primeiro é a recordação de um grande evento histórico de libertação que aconteceu no passado (vs. 1-3) e o outro diz respeito à uma experiência mais próxima do dia a dia daquela comunidade agrícola, algo que se repetia todos os anos, uma lição extraída da natureza da vida, em que se pode ver a mão provedora de Deus (vs. 5-6).

O salmista está trazendo a memória aquilo que pode dar esperança (Lm 3.21). A recordação dos grandes feitos do Senhor, como a libertação do cativeiro babilônico, traz esperança, fé, ânimo e alegria: “Grandes coisas fez o Senhor por nós, por isto estamos alegres!” (v.3). Aquele cativeiro e exílio haviam sido um dos piores momentos da história do povo hebreu, mas, quando tudo parecia perdido, o Senhor manifestou-se Salvador, e as lágrimas converteram-se em sorrisos de enorme alegria (v.2)!

Além disto, como já mencionado, outra inspiração para orar e trabalhar com confiança é uma lição extraída da experiência de vida cotidiana, pois, como lavradores, eles bem sabiam que, muitas vezes, a alegria de uma colheita abundante é conquistada através de um processo que exige muito esforço, perseverança, sofrimento e lágrimas (Vs. 5-6). A história ajuda a entender a vida e a vida ajuda a entender a história. Vida e fé se iluminam mutuamente!

Por vezes, o plantio se faz na penúria. Mas a esperança de uma abundante colheita inspira-os a plantar. A benção é prometida para os trabalhadores, não para os acomodados. “Aquilo que o homem semear, também ceifará” (GL 6.7-9), “Aquele que semeia pouco, pouco também ceifará” (2 CO 9.6), Disse Paulo: “Eu plantei, Apolo regou, mas Deus dá o crescimento” (1Co 3.6). Deus dá o crescimento para aquele que, a despeito das adversidades, planta e rega com fé.

O choro aqui não é de desânimo, desespero e de covardia, e nem é o choro de um fatalista, conformado, que está prostrado nutrindo sentimentos de autocomiseração, e nem de um murmurador passivo e nem muito menos é choro e lamento de um saudosista, que está preso ao passado, como aquele que diz “no meu tempo é que era bom”. “No meu tempo”? Uma pessoa viva devia ter a consciência de pertencer ao tempo presente. As memórias de um saudosista, ainda as mais gloriosas, em vez de produzirem encorajamento para encarar as dificuldades e desafios do presente, inspirando à construção de um futuro melhor, acabam por aumentar ainda mais a dor e frustração diante da crise e chegam ao ponto de, até mesmo, eclipsar as conquistas e realizações presentes, como no caso daqueles que em vez de celebrarem a inauguração do novo templo choravam amargamente ao recordarem a glória do templo de Salomão. Em vista disto, o Senhor dirá: ” A glória dessa última casa será maior do que a primeira, diz o Senhor dos Exércitos; e, neste lugar, darei paz diz o Senhor dos Exércitos (Ageu 2: 9)

!”. É como diz a canção de Kleber Lucas: “O melhor de Deus ainda está por vir!”.

Mas, bem diferente disto, aquele choro era o de quem segue em frente, andando e plantando a semente (v.6), de quem sofre esperançoso de que Deus irá mudar a sua sorte (v.4), comparado ao choro de uma mulher que está dando a luz à um filho (Jo 16.21). É o choro daquele que sabe que seu trabalho e sofrimento não é vão no Senhor (1 Co 15.58).

O salmista transforma o milagre do passado em medida para o futuro. Fruto da intervenção divina, a felicidade desfrutada no passado é trazida à lembrança para ser chamada de volta em oração! Há esperança de que o deserto transforme-se em um manancial de águas como as Torrentes no Neguebe. Situações difíceis e extremas são oportunidades para a intervenção milagrosa de Deus. Devemos trazer a memória apenas aquilo que nos pode dar esperança. Discernindo a boa mão do Senhor em nossa história e na vida.

O milagre da história e da vida nos inspira a orar e a trabalhar com confiança. Portanto, nada de ficar murmurando, nutrindo desespero, pessimismo e espírito de autopiedade. Não se entregue a depressão e nem fique acomodado diante da crise. Pois, o mesmo Deus que operou maravilhas no passado e que é Senhor da vida continua a operar no presente. Ele ainda liberta do cativeiro e transforma deserto em um jardim florido. Deus mudará a sorte daqueles que nEle esperam e semeiam com fé.

Pr. José Ildo Swartele de Mello

Lindo Testemunho de Conversão da Pra. Delma+

Eu aceitei a Jesus quando tinha sete anos. Tudo começou quando minha professora da primeira série me convidou para conhecer uma igrejinha, que ficava na rua de cima da minha casa. Curiosa, eu fui. Era Páscoa de 1979, e quem me recebeu na porta foi o pastor King, um pastor americano muito vermelho por causa do sol. Ele presenteou cada criança com uma caixa de bombom da Lacta. Naquela época, nós éramos muito pobres, e eu fiquei muito feliz com aquele presente.

Com cinco irmãos em casa, minha primeira reação foi correr para compartilhar os bombons com eles. Cheguei em casa toda empolgada e minha mãe logo perguntou: “Onde você arrumou essa caixa de bombom?” Eu expliquei que tinha ganhado na igrejinha, mas minha mãe, desconfiada, disse: “Ah, tá bom, ganhou na igrejinha, de um pastor que nem fala português?” E eu respondi que sim. Então, ela mandou: “Vai devolver isso agora, senão você vai apanhar.”

Com o coração apertado, voltei à igreja para devolver a caixa, mas quando cheguei lá, adivinha? Tudo fechado! Fiquei pensando: “Se eu voltar com essa caixa, o que vai acontecer? Vou apanhar, com certeza!” Então, enquanto caminhava de volta para casa, comecei a ponderar… e bom, adivinha o que fiz? Eu comi todos os bombons! Afinal, se era pra apanhar de qualquer jeito, pelo menos que fosse de barriga cheia! (risos)

Comecei, então, a frequentar aquela igreja Metodista Livre de Jardim Rey. Foi nessa mesma época que tive meu primeiro encontro com Jesus. Eu creio que crianças podem ter um encontro verdadeiro com Cristo, porque eu tive. Assim começou a minha jornada de fé. No entanto, minha família inteira não era evangélica e não aceitava minha conversão. Muitas vezes me chamavam de louca e diziam que eu estava com algum problema, que eu ia abandonar a família, que aquilo era apenas um ‘fogo de palha’. Mas eu sabia que não era. Eu realmente tinha encontrado Cristo.

Desde criança, eu sempre tive o profundo desejo de me batizar, mas meus pais nunca me deram autorização. Toda vez que a igreja oferecia um curso de batismo, lá estava eu, cheia de esperança, participando das aulas. Mesmo sabendo que não tinha a permissão deles, eu insistia, na expectativa de que, algum dia, eles mudassem de ideia. Com o tempo, já sabia de cor o conteúdo da apostila de tanto refazer o curso! Só na adolescência, depois de anos de perseverança e muita oração, meus pais finalmente permitiram, e eu pude me batizar, realizando o sonho que carregava desde pequena.

Meu pai, que tinha problemas com álcool, foi uma das maiores barreiras. Um dia, ele me proibiu de ir à igreja. Mesmo assim, eu fui escondida, e quando voltei, ele me deixou para fora de casa. Nesse momento, meu pastor, o saudoso pastor Daniel Almeida, me orientou a honrar meu pai, como a Bíblia ensina, mesmo ele não sendo crente. Ele me disse: “Filha, a Bíblia fala para honrar o pai e a mãe, não apenas se eles forem crentes. Então, fique um tempo sem vir à igreja, vamos orar para que Deus mova o coração dele.”

Foram dias difíceis. Eu chorava todo domingo, no horário da Escola Dominical e do culto, porque queria estar na igreja. Mas eu obedeci. Um dia, pensei em como poderia agradar meu pai e comecei a acordar cedo para fazer o café da manhã e levar na cama para ele. Aos poucos, seu coração foi amolecendo. Lembro que, certa vez, perguntei: “Pai, será que eu posso ir só na Escola Dominical?” E, para minha surpresa, ele permitiu.

Porém, o coração dele endureceu de novo, e logo ele proibiu até mesmo a Escola Dominical. Um dia, ele chegou em casa de forma brusca, como um ‘gato’ que chega e todos os ‘ratos’ se escondem. Todos foram deitar mais cedo, inclusive eu. Foi então que ouvi meu pai perguntar para minha mãe: “Cadê a Delma?” Pensei que algo ruim estava para acontecer. Quando fui até a cozinha, me senti derrotada, mas obediente. Ele olhou para mim e disse: “Eu estava indo para um lugar perto de casa e, de repente, uma luz muito forte apareceu na frente do carro. Essa luz me disse: ‘Deixe minha filha voltar para a igreja.’”

Foi assim que, finalmente, meu pai permitiu que eu voltasse para a igreja. Desde então, permaneci firme no Senhor, e, com o tempo, recebi o chamado de Deus para o ministério. O mais incrível é que me tornei pastora justamente naquela mesma igreja onde conheci Jesus ainda criança. Essa jornada de fé, que começou tão cedo, continua até hoje, e sou grata a Deus por cada passo que Ele me guiou ao longo do caminho.

Discípulo não nasce pronto!+

Mensagem à Comunidade da Graça em 20/08/2017 Esboço:

Bartimeu foi:

* O último convertido mencionado no Evangelho!

* Os últimos serão os primeiros!

* O primeiro a ter seu nome mencionado dentre os curados.

* O primeiro a professar publicamente que Jesus é o Messias!

Bartimeu, o melhor paradigma de discípulo de Cristo no Evangelho de Marcos * Ele era miserável e cego, mas enxergava melhor que todos ao seu redor:

(1) Enxerga que precisa da ajuda * Alcoólicos anônimos –  enxergar seu problema e sua necessidade.

* era cego. Maldito. Estigma. Carma.

* Bartimeu estava desempregado, falido, arruinado, vivia a mendigar.

 fora da cidade, Assentado à beira do caminho.

(2) Enxerga Cristo como a solução e clama a ele (3) Enxerga que não possui méritos – Clama por piedade (4) Enxerga Jesus como Cristo!  “Filho de Davi”.

* O primeiro a proclamar publicamente que Jesus é o Messias (5) Enxerga com tal convicção que não desiste diante dos obstáculos 1. O grande momento de Jesus estava chegando. Ele ruma para Jerusalem para a Sua Páscoa!

2. Os discípulos mandam o cego se calar.

3. Jesus havia advertido (Cap. 9) sobre o perigo de se tornar pedra de tropeço, mas os discípulos… 4. A cegueira espiritual da multidão e dos próprios discípulos 5. Jesus quer mudar nossa visão e nossa atitude em relação aos miseráveis 6. Os amigos do paralítico que o ajudaram a se aproximar de Jesus 7. Aquele que era desprezado por todos será honrado na Bíblia com a menção do seu nome!

(6) Dá ouvidos ao chamado prontamente

1. Jesus parou

2. concede oportunidade aos discípulos de se redimirem

3. Chame-o!

– “Tem bom ânimo”, “Levanta-te” que “Ele te chama”.

4. Pula para agarrar a chance

(7) Abandona a capa Contraste com a atitude do Jovem Rico (8) ora “O que queres que eu te faça?”.

* Creu nas profecias de que em vindo o messias os cegos enxergariam:

– “Naquele dia, os surdos ouvirão as palavras do livro, e os cegos, livres já da escuridão e das trevas, as verão. 19 Os mansos terão regozijo sobre regozijo no Senhor, e os pobres entre os homens se alegrarão no Santo de Israel.” (Is 29.18–19).

– “4 Dizei aos desalentados de coração: Sede fortes, não temais. Eis o vosso Deus. A vingança vem, a retribuição de Deus; ele vem e vos salvará. 5 Então, se abrirão os olhos dos cegos, e se desimpedirão os ouvidos dos surdos; 6 os coxos saltarão como cervos, e a língua dos mudos cantará; pois águas arrebentarão no deserto, e ribeiros, no ermo… 10 Os resgatados do Senhor voltarão e virão a Sião com cânticos de júbilo; alegria eterna coroará a sua cabeça; gozo e alegria alcançarão, e deles fugirá a tristeza e o gemido.  (Is 35.4–10).

* Este é o único milagre sem igual no Antigo Testamento.

* O maior problema não é a cegueira de Bartimeu, mas a nossa própria cegueira. Talvez a melhor coisa que possamos fazer hoje seja orar a Jesus: “Senhor, eu quero ver”.

(9) fé em Cristo – visão espiritual * Não viu, mas creu!

* A questão não é tanto o tamanho da fé, mas a fé colocada na pessoa certa!

(10) Enxerga que Jesus é o Caminho.

* Curado, não foi embora para viver a vida à sua maneira. Decide seguir a Jesus caminho fora!

* Não está mais sentado à beira do caminho, mas em pé, andando no Caminho.

* Há muita vida e animo neste caminho!

* O Jovem Rico termina triste se afastando de Jesus, enquanto que Bartimeu termina cheio de alegria!

* Como queremos que termine a nossa história de vida?

Bartimeu

1. Enxerga a Cristo

2. Ouve a Cristo

3. Fala com Cristo

4. Anda com Cristo

Conclusão

Este é o nosso chamado. Siga a Jesus e ajude os outros a segui-Lo.

QUESTÕES

1. Como você vê a Cristo? Quem é ele para você?

2.  Você já ouviu o chamado de Jesus de uma maneira nova em sua própria vida?

3. O que o seu chamado significa para você?

4. Estamos seguindo a Jesus e ajudando outros a segui-lo também?

5. Você consegue pensar em pessoas que a igreja esqueceu e negligenciou?

6. Como você pode ser a voz de Jesus chamando as pessoas a segui-lo como Senhor e Salvador?

PROMESSAS E CONDIÇÕES+

O ano pode mudar, mas tudo continuará como está se não houver mudança de atitude. Pular sete ondas, vestir roupa branca, não comer aves que ciscam para trás, entre outras superstições, são pura perda de tempo.

Na primeira semana do ano de 1980, eu tomei uma atitude radical que mudou o curso de minha vida e da qual jamais me arrependi. Decidi entregar-me inteiramente a Cristo e retornar para a Igreja.  Foi uma decisão firme e que me trouxe inúmeras bênçãos. Eu busquei o Reino de Deus em primeiro lugar e Deus tem cuidado de mim (Mt 6.33)! Eu tenho provado e visto que o Senhor é bom (Sl 34.8)! Dou testemunho de que Ele sabe recompensar aqueles que O buscam (Hb 11.6)!

Se quisermos ser verdadeiramente abençoados, devemos atentar para a Palavra de Deus. Há uma série de promessas de bênçãos na Bíblia que não se cumprirão automaticamente em nossas vidas, pois elas vem acompanhadas de algumas condições a serem satisfeitas. Precisamos plantar para poder colher. Mas os resultados não são necessariamente imediatos. Fé em Cristo, com determinação e perseverança, são fundamentais! “E não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo próprio colheremos, se não desanimarmos” (Gl 6.9).

Preparei uma tabela com algumas promessas e suas respectivas condições, na esperança de que isto lhe ajude a tomar atitudes corretas que lhe trarão as mais ricas bênçãos neste ano que se inicia.

Em amor, Bispo Ildo Mello Promessas Condições Textos Bíblicos Experimentar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus Não se amoldar ao padrão deste mundo, Transformar-se pela renovação da sua mente Rm 12.2 Todas as coisas cooperam Amar a Deus Rm 8.28 Vida Desviar-se do mal Ez 33.19 Vitória nas adversidades Apartar-se dos ídolos Seguir o caminho de Deus Sl 81.8-14 Uma boa medida, calcada, sacudida e transbordante será dada a vocês Suprirá em glória todas as necessidades de vocês Dar com generosidade Lc 6.38 Fp 4.18-19 Bênçãos tão abundantes que nem terão onde guardá-las Trazer o dízimo a Casa do Senhor Ml 3.10 Ouvirei dos céus, perdoarei o seu pecado e curarei a sua terra.

Reconhecimento humilde de culpa, oração e arrependimento.

2 Cr 7.14 Ricas bênçãos e salvação Invocar com fé o nome do Senhor Obedecer a Deus Rm 10.12-13 Dt 11.27 Sobre o muito será colocado Ser fiel no pouco Mt 25.21 Seremos Salvos e Reinaremos com Cristo Perseverar com Cristo 2 Tm 2.12; Mt 24.13; Lc 21.19; Rm 2.7 e Hb 10.36 Longevidade Honra teu pai e tua mãe Ex 20.12 Nenhum mal o atingirá, desgraça alguma chegará à sua tenda Se você fizer do Altíssimo o seu refúgio

Salmos 91.9-10

Libertação e Proteção Amar a Deus Conhecer o Seu nome Quietude e Confiança Sl 91.14 Is 30.15 Felicidade e alegria plena Confiar em Deus Praticar a Palavra Temer a Deus e ter prazer nos Seus mandamentos Na presença de Deus Sl 84.12 Jo 13.17 Sl 112.1 Sl 16.11 Será feliz e bem sucedido Temer ao Senhor Andar em Seus caminhos Ser solidário com os pobres Sl 128.1-2 Sl 41.1 Receberá uma revelação especial de Deus Amar e obedecer a Deus Jo 14.21 Boa Colheita Colham o fruto da lealdade O Senhor fará chover justiça sobre vocês Perseverar em fazer o bem Semear com lágrimas Semear a retidão Buscar ao Senhor Gl 6.9 Sl 126.5 Os 10.12 Receberão 100 vezes mais Ser capaz de deixar tudo por amor a Cristo Mt 19.29 Receber a luz da vida Seguir a Jesus Jo 8.12 Vida Eterna Proteção Seguir a voz do Bom Pastor Jo 10.27,28 Perdão e purificação Confessar os pecados Conceder perdão e misericórdia 1 Jo 1.9 Mt 6.14 Todas essas coisas lhes serão acrescentadas O mais Ele fará Deus agirá em seu favor Buscar o Reino de Deus e a sua justiça, Entrega o teu caminho ao Senhor e confia Nele Mt 6.33 Sl 37.5 Receberá o galardão de profeta Honrar os verdadeiros profetas de Deus Mt 10.41 Será o maior Conceder a uma criança a atenção devida a Cristo Tornar-se o menor para servir os demais Lc 9.48 Mc 9.35 e 10.44 Será honrado Servir a Jesus Não buscar lugar de destaque Agir com humildade Jo 12.26 Lc 14.10 Mt 23.12 Do seu interior fluirão rios de água viva Crer em Cristo Jo 7.38

Enfrentando as tribulações com alegria+

“Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes.” (Tg 1.2–4).

1) O cristão não está imune as tribulações Jesus advertiu aos seus discípulos, dizendo: “… No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (Jo 16.33). Paulo e Barnabé demonstraram por palavras e obras que “através de muitas tribulações nos importa entrar no Reino de Deus” (At 14.22).

Observe o seguinte padrão:

1. Após receber a promessa, Abraão passou por muitas provações; 2. Após receber sonhos divinos, José enfrentou várias tribulações; 3. Após a libertação milagrosa da escravidão do Egito, o povo de Israel teve que atravessar um deserto; 4. Após ter sido ungido rei, Davi teve que fugir para o deserto; 5. Após o início de seu ministério profético, Elias também precisou fugir para o deserto; 6. Após corajosa demonstração de fidelidade a Deus, Mesaque, Sadraque e Abdenego foram lançados em uma fornalha de fogo; 7. Após ser batizado, Jesus foi conduzido pelo Espírito Santo ao deserto onde foi tentado por Satanás.

Os cristãos são peregrinos nesta terra, de modo que o justo tem que viver pela fé. Em meio a todas as tribulações, os servos de Deus são mais que vencedores:

1. Abraão foi aprovado,

2. José saiu do poço e da prisão para se tornar governador do Egito,

3. Israel não pereceu no deserto,

4. Davi foi coroado rei no lugar de seu perseguidor,

5. Elias venceu os profetas de Baal,

6. Mesaque, Sadraque e Abdenego saíram da fornalha

7. e Jesus venceu Satanás, ressuscitou dos mortos e foi recebido na glória!

Tenham bom ânimo, Jesus venceu o mundo!

2) As provações fazem parte do plano maior de Deus Os apóstolos estavam convictos de que as provações cumprem um papel muito especial no plano de Deus para o crescimento espiritual dos filhos de Deus. Tiago disse: “sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes” (Tg 1.2–4). Pedro afirmou: “Para que a prova de vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro… seja para louvor, e honra, e glória…” [1Pe 1.7]. E Paulo afirmou com toda a categoria:“Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8.28). A tribulação produz virtudes que nos levam a maturidade cristã: “E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança.” (Rm 5.3–4). Tais experiências nos tornam instrumentos de esperança e consolação: “É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus.” (2Co 1.4).

3) Alegria nas provações Seguro de que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8.28), o crente pode verdadeiramente alegrar-se nas provações da vida (Tg 1.2). Os discípulos “se retiraram do Sinédrio regozijando-se por terem sido considerados dignos de sofrer afrontas por esse Nome” (At 5.41). Paulo e Silas, após terem sido açoitados e colocados na prisão, “oravam e cantavam louvores a Deus, e os demais companheiros de prisão escutavam.” (At 16.25). Ele possuía autoridade para dizer: Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.” (1Ts 5.18). Pois, ele realmente aprendeu “a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4.11-13).

Conclusão

Portanto, podemos nos alegrar nas tribulações, confiantes que não fomos abandonados por Deus, que é poderoso para fazer com que cada uma delas coopere para o nosso próprio benefício e aperfeiçoamento. Em todas elas, somos mais do que vencedores, pois nada pode nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor! (Rm 8.35-37). Então, ”alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos.” (Fp 4.4).

Bispo José Ildo Swartele de Mello

Por que buscais o Vivente entre os mortos?+

Ainda hoje buscamos o Vivente entre os mortos

Lucas 24.5-6 Na manhã da ressurreição, enquanto as mulheres chegavam ao sepulcro com corações aflitos e mãos cheias de perfumes, foram surpreendidas com uma pergunta celestial que ecoa até hoje:

“Por que vocês estão procurando entre os mortos aquele que vive? Ele não está aqui. Ressuscitou!”

Ainda hoje, muitos continuam buscando vida onde só há morte. Procuram Jesus onde Ele não está: em religiões sem vida, em rituais vazios, no legalismo, nas boas obras feitas como barganha, no moralismo que esconde orgulho, na justiça própria, no humanismo que nega o pecado, nas ideologias e filosofias passageiras, na erudição que se exalta, e até na ciência que ignora o Criador.

Mas Jesus não está em todo lugar. Ele é o único Caminho, a Porta das ovelhas, o Mediador entre Deus e os homens. Como disse Pedro a Jesus: “Para onde iremos nós, só Tu tens as Palavras de Vida Eterna.

O que foi encontrado no sepulcro?

Perfume.

E quando entraram no sepulcro… …não encontraram um cadáver.

Mas encontraram perfume.

José de Arimateia levou cerca de 100 libras de mirra e aloés (Jo 19.39). Jesus deixou ali o seu perfume. O sepulcro exalava esperança, e não corrupção.

“Por que temer o sepulcro, se ali esteve a carne do nosso Salvador? Ele deixou ali o aroma da vitória.”

Lençóis.

Pedro entrou e viu os lençóis deixados para trás, cuidadosamente dobrados (Jo 20.6-7). Jesus não saiu às pressas. Não escapou como quem foge.

Ele deixou os lençóis como troféus de Sua vitória sobre a morte. Não foi envolto por mortalha ao ressuscitar — pois o que era símbolo de fim foi deixado para trás como testemunho de um novo começo.

E mais:

O lugar onde Jesus repousou já não é mais um quarto frio e sombrio, mas sim um aposento preparado com linho fino e adornado com paz.

Nosso dormitório final não é mais prisão, mas passagem. Podemos ir para lá em paz, pois Cristo já esteve ali antes de nós.

Esses lençóis também são símbolo de consolo.

Os que choram podem usá-los como lenço para enxugar as lágrimas. Viúvas, órfãos, corações enlutados — enxuguem suas lágrimas! O Senhor ressuscitou! E o próprio Deus declara: “Reprime do pranto a tua voz, e das lágrimas teus olhos, porque os teus filhos voltarão da terra do inimigo” (Jr 31.16). “Teus mortos viverão” (Is 26.19).

Anjos e passagem aberta.

Um anjo removeu a pedra — e se assentou sobre ela. Outros se colocaram no lugar onde o corpo de Jesus fora posto.

A pedra não está mais no lugar. A entrada está aberta. A morte perdeu a chave. Agora, quem segura a chave da morte e do inferno é o próprio Cristo — o Príncipe da Vida (Ap 1.18).

Luz na tumba.

Jesus entrou no escuro da morte e acendeu ali uma luz. Ele trouxe à luz a vida e a imortalidade pelo Evangelho (2Tm 1.10).

Agora, até os túmulos dos santos brilham com esperança.

A proclamação da vitória

Ouça a proclamação triunfante de João Crisóstomo: em seu famoso sermão pascal:

“Que ninguém tema a morte, porque a morte do Salvador nos libertou! O inferno tocou seu corpo e foi aniquilado. Agarraram um corpo e encontraram um Deus. Tomaram a terra e se depararam com o céu. Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória? Cristo ressuscitou e tu foste vencido! Cristo ressuscitou e os anjos se alegram! Cristo ressuscitou e a vida foi restaurada! Cristo ressuscitou — e nenhum morto ficou no túmulo, pois Ele é as primícias dos que dormem!”

Amém!

Porque Ele vive

O choro deu lugar ao riso, a tristeza explodiu em alegria, a vida triunfou sobre a morte, o lamento se calou diante dos louvores, a esperança raiou como o sol da manhã, e a luz venceu, esmagando as trevas para sempre!

Cristo ressuscitou! Aleluia! E porque Ele vive, nós também viveremos (Jo 14.19). Não o procure entre os mortos. Ele está vivo. E Ele te chama para viver com Ele, desde agora… e para sempre.

Feliz Páscoa!

Bispo Ildo Mello, inspirado nos sermões de Páscoa de João Crisóstomo e Charles Spurgeon

Como você vê?+

Mensagem do Bispo Ildo no culto de inauguração do templo da imel de Atibaia em 11/03/12 sobre a necessidade de discernimento espiritual baseado em Marcos 8, que começa relatando o milagre da Segunda Multiplicação de Pães e Peixes.

Mesmo após este segundo milagre, os discípulos voltam a ficar ansiosos e discutem diante de uma nova crise de ausência de pães. Jesus os repreende, dizendo que eles tinham olhos mas não enxergavam. Parece que não haviam aprendido nenhuma lição com os milagres anteriores.

Na seqüência, Jesus cura um cego em duas etapas. Em um primeiro toque, o cego volta a enxergar, mas sua visão é confusa. Foi necessário um segundo toque para que o cego voltasse a enxergar perfeitamente. Este parece ser um retrato da evolução espiritual dos discípulos, que pelo contato com Cristo já havia saído da escuridão, mas que ainda careciam de crescimento para poderem enxergar perfeitamente.

O mesmo acontece com os atuais seguidores de Jesus que custam a aprenderem a confiar em Deus e cuja fé se mostra por vezes inoperante diante dos desafios da vida. Nossa visão do Cristo se revela pequena e turvada.

Depois, de repreendê-los, Jesus pergunta qual é a opinião da multidão a respeito dele, ou seja, Jesus quer saber como é que o povo o enxerga. Respondendo a pergunta, os discípulos dizem que o povo via Jesus como um grande profeta. Viam algo de muito bom nele, mas não o viam ainda como o Filho de Deus enviado ao mundo.

Então, Jesus faz uma segunda pergunta, querendo agora saber como é que os seus próprios discípulos o enxergavam. Pedro, movido pelo Espírito Santo, responde dizendo: “Tu és o Cristo!”. Eis aí uma visão clara de que Jesus é o Messias prometido, o poderoso Filho de Deus que veio para reinar sobre tudo. Mas o discernimento de Pedro ainda era incompleto, pois quando Jesus passa a discorrer sobre a necessidade do Cristo padecer e morrer, Pedro, reage negativamente, como que dizendo, “vira esta boca pra lá”, “tá amarrado”, “rejeita esta palavra”, “nada de sofrimento”, “nada de morte”, “nada de cruz”, “só vitória”.

Jesus repreende duramente a Pedro, dizendo: “arreda Satanás, pois cogitas unicamente das coisas desta vida e não das coisas de Deus”. Satanás continua operando hoje cegando o entendimento de muitos seguidores de Jesus, levando-os a pensarem em Deus apenas em termos do aqui e agora. Mas, “se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens” (1 Coríntios 15.19).

João no capítulo 6 de seu Evangelho relata que a multidão quis coroar a Jesus como Rei após a primeira multiplicação de pães, mas Jesus recusou tal glória, dizendo que eles só o exaltavam por causa do pão.

Na ocasião, Jesus fez um claro discurso a respeito do propósito de sua vinda, cujo reino não é deste mundo e cuja recompensa se encontra nos céus. O resultado foi que a multidão o abandonou por completo. Jesus, volta-se para os seus discípulos mais chegados e pergunta: “E vocês também não querem ir embora?”. Ao que Pedro responde: “Para onde iremos nós, pois só tu tens as palavras de vida eterna!”.

Pedro alternava altos e baixos. Visão e cegueira espiritual. Somente após a ressurreição de Jesus, foi que seus olhos foram plenamente iluminados para a realidade da cruz no ministério do Cristo. Jesus encerra a conversa, registrada no capítulo 8 de Marcos, destacando que seus seguidores devem também seguir o caminho da cruz. Devemos buscar o pão que não perece, devemos buscar as coisas que são lá do alto, onde Cristo habita, não acumulando tesouros corrosivos na terra, mas tesouros imperecíveis nos céus. Não devemos amar o mundo, pois o mundo passa, mas aquele que faz a vontade de Deus, permanece para sempre. Nem só de pão vive o homem, pois a vida é muito mais que comida e prosperidade. E só Jesus tem as palavras de vida eterna! O que Jesus significa para você? Um sábio, um profeta, um gênio da lâmpada que existe para satisfazer nossas aspirações terrenas? Como é que você o vê?

Os Reis Magos (Mt 2.1-12)+

O Natal começou sendo boa notícia para Maria, depois para José, para os pastores, para Ana e Simeão, para os pobres, para o povo de Israel e, agora, para os Reis Magos, os primeiros gentios alcançados pela mensagem do Natal e que vieram de longe para adorar a Jesus.

A semelhança do que fizera a Rainha de Sabá nos dias do Rei Salomão, estes sábios reis também vieram de longe, pagando um alto preço em termos de tempo e recursos financeiros, revelando possuirem grande convicção de fé de que a estrela os guiava a presença do grande Rei! “A rainha do Sul se levantará, no Juízo, com os homens desta geração e os condenará; porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E eis aqui está quem é maior do que Salomão.” (Lc 11.31).

Eles trouxeram presentes especiais dignos de alguém que é, ao mesmo tempo, Rei, divino e humano. Os reis tributaram honra e glória ao Rei dos reis. Observe o caráter místico e profético destes fabulosos presentes:

1. O ouro lhe foi concedido como tributo a sua realeza, reconhecendo-o como o Messias prometido, o Leão da Tribo de Judá 2. O incenso lhe foi ofertado em reconhecimento de sua divindade.

3. E a mirra, comumente utilizada no embalsamento de corpos, foi-lhe oferecida em reconhecimento de sua humanidade. Eis ali o Verbo que se fez carne para tornar-se o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

Os magos representam os gentios. Devido aos três presentes, possivelmente eram também três os reis magos, representando, assim, todos os povos descendentes de Sem, Cão e Jafé, ou seja, as raças branca, negra e amarela, a humanidade como um todo. Algo profético do Reino de Cristo que alcançará todos os povos da terra. “Depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos; e clamavam em grande voz, dizendo: Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação. Todos os anjos estavam de pé rodeando o trono, os anciãos e os quatro seres viventes, e ante o trono se prostraram sobre o seu rosto, e adoraram a Deus, dizendo: Amém! O louvor, e a glória, e a sabedoria, e as ações de graças, e a honra, e o poder, e a força sejam ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amém!” (Ap 7.9–12).

Os magos representavam outras religiões e crenças, que de alguma maneira são alcançados pela luz divina manifesta no explendor especial de uma estrela e também pela revelação das Sagradas Escrituras que acendeu neles aquela centelha de fé que os guiará à terra prometida para se renderem e prestarem culto ao único e verdadeiro Deus.

Eles representam também os cientistas e os sábios de seu tempo que também devem reconhecer que em Jesus Cristo reside o saber mais completo, puro e verdadeiro. “… e eles tenham toda a riqueza da forte convicção do entendimento, para compreenderem plenamente o mistério de Deus, Cristo, em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos.” (Cl 2.2–3).

A atitude dos Reis Magos aponta para o propósito eterno de Deus, que Paulo resume nos seguintes termos: “desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo, de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu como as da terra” (Ef 1.9–10). “Como está escrito: Por minha vida, diz o Senhor, diante de mim se dobrará todo joelho, e toda língua dará louvores a Deus. (Rm 14.11).

Naquela humilde estrebaria, reconheceram que o menino era o Messias! Na manjedoura eles enxergaram um homem, mas reconheceram a Deus! Como eles, adoremos a Jesus como Rei, como Filho de Deus e como o Verbo que se fez carne para morrer em nosso lugar a fim de nos conceder o perdão dos pecados e a vida eterna.

Um feliz Natal!

Ildo Mello

O Natal e o Enredo de Deus para Toda a Humanidade+

Olá, amigos e amigas!

Neste Natal, quero compartilhar com vocês uma história que transcende gerações, uma história de amor, redenção e esperança. É a grande narrativa de Deus para toda a humanidade, e o Natal está no coração dessa história.

Desde o princípio, lá no Jardim do Éden, Deus criou os céus e a terra com perfeição, beleza e harmonia. Ele nos criou, seres humanos, à sua imagem e semelhança, dotados de características especiais, como inteligência e livre-arbítrio. Com essa liberdade, veio também o risco do pecado. Ainda assim, Deus considerou que o risco valia a pena, pois a liberdade é essencial para que o verdadeiro amor possa existir.

Quando a humanidade escolheu desobedecer a Deus, o pecado, o sofrimento, a injustiça e tantas outras mazelas invadiram o mundo. Mas a boa notícia é que Deus, em seu infinito amor, não nos abandonou. Ele não desistiu de nós.

O Natal é a prova disso. É o momento em que Deus entrou na nossa história, enviando seu Filho, Jesus Cristo, por amor a mim e a você. Ele é a luz que, vindo ao mundo, ilumina a todos, dissipando as trevas e trazendo restauração.

O apóstolo João descreveu assim este momento sublime:

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (Jo 1.14).

Jesus nasceu numa simples estrebaria, e seu berço foi uma manjedoura. Essa humildade revela que o amor de Deus alcança a todos, independente de classe social ou condição de vida. Mais tarde, na cruz, Ele assumiu a nossa culpa, carregou os nossos pecados e morreu em nosso lugar. Sua ressurreição é a garantia de que o pecado, a morte e a injustiça não têm a última palavra.

Por meio de Jesus, Deus nos oferece uma vida nova, plena e eterna. O Natal também aponta para o futuro glorioso descrito nas Escrituras: um tempo em que Deus enxugará todas as lágrimas, e não haverá mais morte, tristeza ou dor.

Essa é a esperança que celebramos no Natal: a promessa de que Deus, em Cristo, está reconciliando e restaurando todas as coisas. Como Jesus declarou no Apocalipse: “Eis que faço novas todas as coisas” (Ap 21.5).

Mas essa história não é apenas sobre o mundo. É sobre você. Deus ama você profundamente e deseja que experimente a vida plena que Ele oferece por meio de Jesus. Assim como no princípio, a escolha está em suas mãos.

O evangelho nos diz:

“Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. Contudo, aos que o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus” (Jo 1.11-12).

Neste Natal, Jesus continua batendo à porta do seu coração. Ele convida: “Vinde a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu os aliviarei” (Mt 11.28).

Se você ainda não o fez, convido você a acolher a Cristo como Senhor e Salvador. Ele nasceu, viveu, morreu e ressuscitou por você, para que tenha um futuro cheio de esperança e vida.

Se desejar, faça uma oração simples, mas sincera, como esta:

“Senhor Jesus, obrigado por nascer, viver, morrer e ressuscitar por mim. Reconheço que preciso de Ti. Muitas vezes, segui meus próprios caminhos e ignorei a Tua voz. Hoje, eu me arrependo, entrego a minha vida a Ti e escolho Te seguir. Amém.” Que neste Natal o amor de Deus encha o seu coração e traga paz à sua casa e aos seus entes queridos. Que você experimente a verdadeira paz, aquela que excede todo entendimento humano, e a alegria que o Natal nos proporciona.

Lembre-se: nossa vida não está ao acaso. Podemos confiar no Senhor, entregar a Ele nossas ansiedades e deixar que Ele seja nosso guia e capitão.

Feliz Natal!

Bispo Ildo Mello

O que Ele é pra mim+

Cuiabá, 25/12/2012 As mensagens de Natal chegam todo o tempo: por email, celular, correio, pessoalmente: amigos, amigos “mais chegados que irmão”, colegas, parceiros de trabalho, todos desejando um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo. É tão bom! É uma época tão especial em que nos vemos atentos ao “outro”, desejando o melhor para todos! Uma época em que a fraternidade “está no ar…” Aí fiquei pensando: e eu, o que posso enviar para todos eles. Qual a melhor mensagem? Todas são tão lindas…Então, resolvi falar “O que Ele é para mim”. O que esse Jesus do Natal, o Deus Emanuel (significa Deus presente), nascido da Virgem Maria é para mim, para minha pessoa.

Tenho que começar dizendo que, se eu fosse escrever um livro ele se chamaria “Marcada para Viver”. Isso porque várias circunstâncias procuraram tirar-me a vida, no sentido da vida em alegria, paz e esperança. E estava bem encaminhada para isso: aos 40 anos era uma pessoa controladora, manipuladora, legalista, autoritária, intolerante, desconfiada, solitária, insegura, orgulhosa de meus feitos, independente de Deus, viciada em trabalho, triste e sobretudo, com muitooooooooo Medo… Medo do amanhã, medo do que vão pensar de mim, medo de não pertencer, medo da solidão , medo de dizer “não”. Medo, medo, medo…..

Curiosamente havia conhecido Jesus na minha adolescência e tinha certeza da minha salvação para a eternidade com Ele. Porém, para o “aqui e agora” não conseguiu sentir Sua presença: sempre que “a coisa apertava”, isto é, passava por situações de perda de controle, eu me sentia só, preocupada, angustiada e, muitas vezes, desesperada. O grande senhor da minha vida era, de fato, o Sr. Medo. Até que um tive um encontro especial com Jesus e aí, tudo mudou e vem mudando! Ele não é mais o “Deus que eu ouvia falar”, mas o “meu Deus”, presente e confiável. De controladora, agora posso suportar situações onde não conheço as respostas, porque confio Nele e sei que Ele se importa e se move em minha direção. Portanto, não preciso mais manipular, porque Ele está no controle e não eu!

Aprendi também, através do reconhecimento das minhas falhas, defeitos, incapacidades e impotência diante da vida a não ser mais legalista e nem autoritária ou intolerante, pois todos podem falhar. Aprendi a perdoar, a ter misericórdia. Aprendi a confiar que Ele é o justo juiz! Também não preciso mais ser desconfiada, vendo da onde virá a próxima “pancada”, pois o que alguém pode me fazer que o meu Deus não esteja vendo, não esteja no controle e que não mereça perdão??? Muito mais Ele fez por mim na Cruz …..Com tudo isso, não me sinto mais solitária, pois sei que Ele está comigo. Não há mais insegura, pois não estou sozinha e também não há mais orgulhoso de meus feitos, pois dependo Dele para tudo! Nunca mais quero agir independente de Deus, pois o que seria de mim sem Ele…..Estou cansada de colher consequências das minhas escolhas erradas…Procuro entender e buscar que seja feita a vontade Dele e não a minha….Quanto ao trabalho, busco que seja na proporção que ele merece, pois a minha vida não depende mais dele para ter significado, mas do meu Deus! E a tristeza? Foi-se embora!!! Agora sei que sou um projeto de Deus e que não sou obra do acaso….Como consequência de tudo isso, o Sr. Medo perdeu seu emprego de gerente de minha vida. Foi despedido!!!

Esse é o meu Jesus! Esse é o meu Natal: o Deus Emanuel, que morreu na Cruz por mim e por você. E essa é a minha mensagem de Natal para vocês.

Feliz Natal! Feliz vida com o Deus presente, Emanuel! E Feliz 2013, com Jesus!

Keyla Maia

A grandeza de servir+

Este vídeo é sobre A grandeza de servir. Sabendo que todas as coisas estavam debaixo de seus pés, a atitude subsequente é a atitude serviçal de lavar os pés dos discípulos. (João 13.3-5)

“Deus é invisível, mas deixou seu Corpo. É nosso dever tornar Deus visível para as pessoas através de atos cotidianos de amor.” (João Wesley)

“Quem quiser ser o primeiro seja o servo de todos. A grandeza está em servir. O maior é o que serve.” (Jesus)

“Todos nós podemos ser grandes, porque todos podemos servir!” (Martin Luther King)

“Nós não temos que fazer grandes coisas, mas pequenas coisas com grande amor!” (Madre Tereza de Calcutá)

Depois de lavar os pés, pede para seguirmos o exemplo e diz que o bem-aventurado é o que ouve e obedece. (João 13.17). Lições que aprendemos com Mefibosete:

Ele é um Tipo do Pecador Resgatado. Pertencia originalmente a uma linhagem real (2Sm 4.4), que caiu em desgraça por causa dos pecados do seu antepassado. Saul tinha uma família muito numerosa (1Cr 8.33), mas os atos de desobediência e rebeldia de Saul produziram um resultado devastador, o que levou Davi a perguntar se ainda existia algum sobrevivente da família (2Sm 21.1).

Vivendo em exílio, pobre e deficiente, foi lembrado por causa de uma Aliança (2Sm 9.3,4; 1Sm 20.14,15). Chamado a estar na presença do Rei, foi exaltado por causa dos méritos de outro (2Sm 9.5,7) e recebe uma herança gloriosa (2Sm 9.9).

Mefibosete aceita a bondade com grande humildade. Ele não é daqueles que recebem cada favor como se estivessem recebendo o pagamento de uma dívida. Humildemente, se prostra diante do Rei e não faz nenhuma reivindicação na base de qualquer pretenso direito. Ele não estava clamando: “Restitui, eu quero de volta o que é meu!” Pelo contrário, Mefibosete fica admirado com a demonstração de bondade de Davi para alguém como ele, que se sentia tão insignificante. Ao se comparar com um cachorro morto, Mefibosete nos faz lembrar da atitude daquela mulher que, humildemente, disse para Jesus que os cachorrinhos comiam das migalhas que caíam da mesa dos filhos (Mc 7.28). Lembrar também que, no passado, o próprio Davi havia se prostrado diante de Jonatas (1Sm 20.41). Quando jovem, Davi não se considerava digno sequer de ser genro do rei (1Sm 18.18). “Pois todo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado!” (Lc 14.11). “Certamente, ele escarnece dos escarnecedores, mas dá graça aos humildes” (Pv 3.34 e Tg 4.6).

Tem gente que parece ter nascido com o rei na barriga, pois são pretensiosas, orgulhosas e arrogantes. Acreditam que o mundo lhes deve. São do tipo que dizem: “Eu não vou comer esta porcaria de comida!”; “Ninguém merece!”; “Eu não pedi pra nascer!” e tantas outras coisas da mesma natureza. Já, Mefibosete, mesmo tendo nascido em família real, agiu com muita humildade e nada reivindicou na base de um senso de direito. De maneira semelhante, a agraciada Maria, que literalmente carregava o Grande Rei em sua barriga, jamais agiu com presunção. Muita gente, no lugar dela, jamais teria aceitado dar a luz a seu bendito filho num lugar tão inóspito como um curral. Maria não ralhou com José, dizendo: “Como você tem coragem de me oferecer este lugar tão nojento assim para eu dar a luz? Você é um imprestável, mesmo! Onde eu estava com a cabeça quando me casei com você?” Não, mil vezes não! Maria jamais diria isto a José. Ela era humilde, paciente e compreensiva. Recebeu tudo como uma dádiva de Deus numa atitude de ações de graças!

Jesus Vê, Se Importa e Supre+

Você sabia que houve dois milagres da multiplicação dos pães e peixes? (cf. Marcos 6.30–44; 8.1–9). Isso já nos ensina algo precioso: Deus não está limitado a agir uma única vez. O mesmo Senhor que multiplicou pães e peixes para uma multidão faminta, pode fazer novamente — e ainda mais abundantemente. Quando caminhamos com Jesus, vemos coisas grandiosas acontecerem (Ef 3.20).

Na segunda multiplicação (Mc 8.1–9), o evangelista nos diz que a multidão estava com Jesus havia três dias, num lugar deserto. Três dias ouvindo a sua voz, sendo alimentados espiritualmente, sedentos da Palavra de vida. E é notável: ninguém reclamou de fome. Isso, talvez, seja um dos maiores milagres desse texto — permanecer tanto tempo com fome aos pés de Jesus, sem murmurar (cf. Mt 4.4).

“Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.” (Mt 4.4)

Quando o coração está cheio da presença de Deus, as carências perdem o peso. Quantas vezes, quando estamos entusiasmados com algo que amamos, até esquecemos de comer? Essa multidão estava assim: saciada espiritualmente, embora o corpo estivesse faminto.

Mas Jesus — o Bom Pastor — viu a necessidade deles. Ele sempre vê. “Tenho compaixão desta multidão”, disse Ele (Mc 8.2). Havia pessoas que tinham vindo de longe, fazendo grandes sacrifícios para estar ali. E Jesus se importa com isso. Ele conhece o caminho percorrido, o esforço feito, a entrega silenciosa. E acrescentou: “Se eu os mandar embora com fome para casa, desfalecerão pelo caminho” (Mc 8.3).

“Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o trabalho de vocês não é em vão.” (1Co 15.58)

Assim também é conosco: Deus vê o nosso sacrifício. Ele vê sua fidelidade no lar, no trabalho, na igreja, seu esforço para servir ao Reino, sua bondade, honestidade e dedicação. Nada passa despercebido aos olhos do Senhor (Hb 6.10). Ele valoriza cada passo dado em fé.

E porque Ele vê, Ele também supre. Jesus não os despediu famintos; Ele realizou novamente o milagre. Aquele que multiplica pães e peixes continua multiplicando provisão, graça e força em nossa caminhada. Mesmo quando você ainda não expressou em palavras, Deus já conhece as suas necessidades (Mt 6.8).

“Antes mesmo que a palavra me chegue à língua, tu, Senhor, já a conheces toda.” (Sl 139.4)

Nosso Deus é atencioso, compassivo e fiel. Ele se antecipa aos desafios do nosso dia e age a nosso favor — muitas vezes antes mesmo que peçamos. Como está escrito:

“O Senhor te guiará continuamente, fartará a tua alma até em lugares áridos, e fortificará os teus ossos; e serás como um jardim regado e como um manancial cujas águas nunca faltam.” (Is 58.11)

✨ Aplicação Devocional Não limite Deus a uma única experiência. Ele pode operar de novo, e de novo, e de novo — com a mesma fidelidade com que agiu no passado.

Lembre-se que Deus vê e valoriza o seu sacrifício. Mesmo que outros não percebam, Jesus percebe e tem compaixão.

Confie na provisão antecipada de Deus. Ele sabe do que você precisa antes mesmo de você pedir.

Permaneça aos pés de Jesus. Quando Ele é a prioridade, o restante é acrescentado (Mt 6.33).

“Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais ele fará.” (Sl 37.5)

Essa passagem nos lembra que, com Jesus, os milagres podem se repetir — não porque os merecemos, mas porque Ele é bom. E Ele continua a cuidar dos que O buscam com sinceridade. 🕊️✨

Vivendo com princípios cristãos+

Texto base:

Filipenses 4.8 e Tito 2.12

Introdução: Princípios ou Costumes?

• Você vive segundo princípios ou apenas segue costumes?

• Costumes mudam com o tempo e a cultura, mas os princípios bíblicos são imutáveis, pois vêm de Deus.

• Esta lição nos convida a refletir:

O que tem moldado minha vida?

Objetivo:

Refletir e agir à luz dos princípios bíblicos, deixando que a Palavra de Deus forme em nós um caráter semelhante ao de Cristo.

1. Tudo o que é VERDADEIRO

“Seguindo a verdade em amor…”

(Ef 4.15)

• Ser verdadeiro é viver de forma íntegra, transparente e coerente com o evangelho.

• Não se trata apenas de dizer a verdade, mas de encarnar a verdade com amor.

• Wesley insistia que doutrina e amor caminham juntos. A verdade sem amor vira dureza; o amor sem verdade vira confusão.

Aplicação:

Você fala e vive a verdade com amor? Ou usa a verdade como arma?

2. Tudo o que é RESPEITÁVEL (honesto, nobre)

• É viver como se todo lugar fosse o templo de Deus, e não apenas a igreja.

• A santidade não é só para o culto, mas para o cotidiano.

• Para Wesley, a vida cristã não é dividida entre sagrado e secular. Tudo pertence a Deus.

Aplicação:

Sua conduta em casa, no trabalho e nas redes sociais reflete reverência a Deus?

3. Tudo o que é JUSTO

• O profeta Habacuque denunciou várias formas de injustiça social (Hc 2.6-20).

• A ética cristã exige justiça em nossas relações, negócios, decisões e julgamentos.

• Wesley lutou contra a escravidão e a exploração dos pobres. A justiça não é opcional para quem ama a Deus.

Aplicação:

Você trata as pessoas com justiça? Busca corrigir o que é injusto ao seu redor?

4. Tudo o que é PURO

• Pureza significa moralidade limpa e consagração a Deus.

• No Antigo Testamento, o puro era o que podia ser oferecido a Deus.

• A santidade é fruto da graça que nos transforma. Somos chamados a “apresentar nossos corpos como sacrifício vivo” (Rm 12.1).

Aplicação:

Seus pensamentos, palavras e ações estão sendo purificados pela graça de Deus?

5. Tudo o que é AMÁVEL (ou agradável)

• Amável é tudo o que inspira amor, reconciliação e paz.

• Muitos vivem com mágoa, rancor e desejo de vingança, o que gera isolamento.

• O crente cheio do Espírito atrai o amor de Deus e dos irmãos, e não a amargura.

Aplicação:

Você tem alimentado amor ou ressentimento no seu coração?

6. Tudo o que é de BOA FAMA

• Paulo diz que o líder (e todo cristão) deve ter bom testemunho, inclusive “dos de fora” (1Tm 3.7).

• Wesley dizia que santidade sem influência social é incompleta. A fé precisa ser visível e inspiradora.

Aplicação:

Como as pessoas descrevem você? Seu estilo de vida honra ou envergonha o nome de Cristo?

⸻ Conclusão: A Vida Cristã de Excelência Tito 2.12:

“Educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente.”

• Deus quer formar em nós um caráter moldado por princípios eternos.

• Essa transformação é obra da graça, mas exige nossa resposta e cooperação com o Espírito Santo.

Perguntas para reflexão:

1. Meus valores são baseados em costumes ou princípios eternos?

2. Vivo da mesma forma dentro e fora da igreja?

3. Estou crescendo em uma vida sensata, justa e piedosa?

Cinco mandamentos para uma vida abundante+

Deuteronômio 10.12-13

“— E agora, Israel, o que é que o Senhor requer de vocês? Não é que vocês temam o Senhor, seu Deus, andem em todos os seus caminhos, amem e sirvam o Senhor, seu Deus, de todo o coração e de toda a alma, para guardarem os mandamentos do Senhor e os seus estatutos que hoje lhes ordeno, para o bem de vocês?” (Deuteronômio 10.12–13, NAA)

Temos aqui cinco mandamentos que vão nos ajudar a viver uma vida plena e significativa, alinhada ao propósito de Deus. Vamos explorar cada um deles, enriquecendo-os com exemplos bíblicos que ilustram sua importância e relevância em nossa jornada espiritual.

1. Temer a Deus é o primeiro deles, pois é o princípio da sabedoria:

O temor a Deus é o reconhecimento da Sua grandeza e soberania sobre todas as coisas. Provérbios 9.10 nos ensina que o temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e um exemplo poderoso disso é a história de José no livro de Gênesis. Ele temeu a Deus ao resistir à tentação da esposa de Potifar e, por sua obediência, foi abençoado e se tornou um grande líder no Egito, salvando seu povo da fome.

2. O segundo mandamento é andar nos caminhos de Deus

Andar nos caminhos de Deus é seguir os ensinamentos e princípios que Jesus nos deixou. 1 João 2.6 nos exorta a andar como Ele andou. Um exemplo inspirador disso é a vida de Enoque, mencionado no Antigo Testamento. Ele andou com Deus e foi levado por Ele, pois agradou ao Senhor com sua fé e conduta reta.

3. O terceiro mandamento é amar a Deus

Amar a Deus de todo o coração, alma e entendimento é um dos maiores mandamentos, conforme nos ensinou Jesus em Mateus 22.37. Um exemplo marcante de amor a Deus é a vida do apóstolo Paulo, que dedicou sua vida para servi-Lo e espalhar o evangelho a todas as nações, mostrando um amor genuíno e transformador.

4. O quarto mandamento é servir a Deus

Somos chamados a ser líderes servos, assim como Jesus, que veio ao mundo para servir. Josué 24.15 declara: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor.” Uma inspiração nesse sentido é a história de Dorcas (ou Tabita), encontrada em Atos 9.36-39. Ela era conhecida por sua caridade e serviço aos necessitados, demonstrando como o serviço ao próximo é uma forma de servir a Deus.

5. O quinto mandamento é guardar os mandamentos de Deus

A obediência aos mandamentos do Senhor é uma expressão de nosso amor e reverência a Ele. João 14.15 nos lembra: “Se me amardes, guardareis os meus mandamentos.” Um exemplo inspirador de alguém que buscou guardar os mandamentos de Deus é o rei Davi, conhecido como um homem segundo o coração de Deus, apesar de suas falhas. Ele buscava obedecer aos mandamentos do Senhor e demonstrou arrependimento sincero quando falhou. Devemos cumprir a Grande Comissão de fazer discípulos de todas as nações, batizando e ensinando-os a observarem tudo o que nosso Senhor tem nos ordenado (Mt 28.19-20).

Quando praticamos esses cinco mandamentos, encontramos verdadeira felicidade, cumprimos nosso propósito neste mundo e agradamos ao nosso Pai celestial. Assim como os exemplos bíblicos nos inspiram, que possamos crescer cada dia mais em nossa devoção e dedicação ao Senhor. Que Ele nos capacite a viver uma vida que glorifica Seu nome em tudo que fazemos.

Que a paz e a graça de nosso Senhor Jesus Cristo estejam com cada um de vocês!

Ame, sirva e não julgue!+

Jesus, amigo de pecadores

“A que, pois, compararei os homens da presente geração, e a que são eles semelhantes? São semelhantes a meninos que, sentados na praça, gritam uns para os outros: Nós vos tocamos flauta, e não dançastes; entoamos lamentações, e não chorastes. Pois veio João Batista, não comendo pão, nem bebendo vinho, e dizeis: Tem demônio! Veio o Filho do Homem, comendo e bebendo, e dizeis: Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores!” (Lucas 7:31-34; cf. Mateus 11:16-19).

Os fanáticos religiosos criticavam a Jesus por comer e beber com os pecadores e por ser amigo deles. Eles julgavam a Jesus e também as prostitutas e os publicanos por se verem numa condição de superioridade espiritual, como uma classe especial de pessoas eleitas e santas. Eles achavam que também eram justos aos olhos do próprio Deus por conta de sua conduta e obras, negando assim os textos bíblicos que expressamente afirmam que não existe nenhum justo na terra, ninguém que não tenha pecado (Sl 14:3; Is 53:3; Ec 7:20 e Rm 3:10), pois, na verdade, “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3:23). De fato, o único justo e impecável foi o próprio Jesus (Hb 4.15; 9.28).

Embora santo, Ele amou os pecadores. Seu convívio e amizade com pecadores não era sinal de conivência com o pecado, mas de comunhão cheia de graça e misericórdia que produz fé, arrependimento e regeneração. “Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero e não holocaustos; pois não vim chamar justos, e sim pecadores [ao arrependimento] (Mt 9.13). Paulo, ciente desta verdade, declarou: ”a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento” (Rm 2:4). “Aproximavam-se de Jesus todos os publicanos e pecadores para o ouvir. E murmuravam os fariseus e os escribas, dizendo: Este recebe pecadores e come com eles. Então, lhes propôs Jesus esta parábola: Qual, dentre vós, é o homem que, possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la?” (Lc 15:1-4).

Jesus não veio para condenar, mas para salvar. “Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.” (Jo 3.17). Ele sequer condenou a mulher pega em adultério, concedendo a ela oportunidade de mudança de vida. (Jo 8.3–11). Os seguidores de Cristo são exortados a não incorrerem no pecado da soberba espiritual, que levava os escribas e fariseus a julgarem e a condenarem outras pessoas. “Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados” (Lc 6.37). Que a compaixão, a graça e a misericórdia de Cristo se manifeste aos pecadores também através de seu Corpo que é a Igreja, que tem sempre o dever de amar, servir e não julgar, promovendo, assim, a salvação!

Muitos pecadores foram transformados por Jesus: Simão Pedro, a Mulher Samaritana, Maria Madalena, Levi, Zaqueu e Saulo, entre tantos outros. Jesus é o melhor amigo que um pecador pode ter, “um amigo mais chegado do que um irmão” (Pv 18:24). Sigamos o exemplo de Cristo.

Bispo Ildo Mello

O Cristão e o Carnaval+

De um modo em geral, carnaval é a festa que dá vazão aos apetites carnais, promovendo excessos de todo tipo, como gula, embriaguez e orgias sexuais, que afetam a dignidade humana, além de resultar em um significativo aumento nos casos de doenças sexualmente transmissíveis e de gravidez indesejada, sem falar nos casos de infidelidade conjugal que terminarão em divórcio. Há também um espantoso aumento do uso e abuso de álcool e drogas nos dias de carnaval, gerando inúmeros casos de intriga, violência e mortes nos salões, nas ruas e no trânsito. Mulheres nuas, homens fantasiados de mulher ou de bebê com frauda e chupeta, pessoas com fantasias diabólicas e medonhas, um descalabro total que promove tudo o que é ridículo, estúpido, leviano, vergonhoso e extravagante. Uma festa que costumeiramente termina em amargas cinzas.

No passado, as máscaras de carnaval serviam para ocultar a identidade daqueles que queriam cair na folia sem comprometerem sua imagem pública, enquanto que, para agravar a situação, nos dias de hoje, a hipocrisia parece ter dado lugar ao descaramento total, sinal da degradação moral da sociedade.

Participar do Carnaval é compactuar com estes males e expor-se a inúmeras tentações perigosas. Não adianta orar “não nos deixes cair em tentação” quando nós mesmos damos lugar ao diabo. “Pode alguém andar sobre brasas sem queimar os pés?” (Pv 6.28). O Apóstolo Paulo adverte os cristãos dizendo que se eles andarem segunda a carne, certamente morrerão (Rm 8.13). Ele ainda os exorta, dizendo: “vocês não podem beber do cálice do Senhor e do cálice dos demônios; não podem participar da mesa do Senhor e da mesa dos demônios.” (1 Co 10.21). Portanto, “não dêem lugar ao Diabo (Ef 4.27) “fujam das paixões da mocidade (2Tm 2.22). Pedro igualmente adverte: “sejam sóbrios e vigiem. O diabo, o inimigo de vocês, anda ao redor como leão, rugindo e procurando a quem possa devorar.” (1 Pe 5.8).

Sugiro algumas sete medidas práticas nos dias de carnaval:

1. Faça como Daniel que, sendo ainda tão jovem, resolveu, firmemente, não contaminar-se” com os aspectos pecaminosos da cultura em que estava inserido (Dn 1.8). “Como filhos da obediência, não vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância” (1Pe 1.14). “Foge, outrossim, das paixões da mocidade. Segue a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor.” (2Tm 2.22).

2. Dê ouvidos a Palavra de Deus que diz: “Sai dela , povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas. Porque já os seus pecados se acumularam até ao céu , e Deus se lembrou das iniquidades dela.” (Ap 18.4–5).

3. Os pais devem conversar com transparência com seus filhos sobre os males do carnaval e devem também orar com eles.

4. Privilegie as programações da Igreja.

5. Promova passeios alugares com ambientes moralmente saudáveis.

6. Os pais devem também desenvolver amizades com pais cristãos que possuem filhos na mesma idade, favorecendo que os filhos tenham amigos com princípios cristãos.

7. Cuidado também com os programas de televisão e com as muitas páginas da internet que promovem pornografia e a licenciosidade.

Bispo José Ildo Swartele de Mello

Nem Ascetismo, Nem Hedonismo+

Os extremos frequentemente se revelam como opções tentadoras. Na caminhada espiritual, dois polos opostos e perigosos se evidenciam: de um lado, o rigor ascético, que enxerga na renúncia aos prazeres terrenos como sinônimo de santidade; de outro, a incessante busca por prazer e entretenimento, frequentemente resultando em superficialidade e correndo o risco de desviar-se do propósito mais profundo da vida cristã.

O termo “hedonismo” evoca a ideia de uma busca incessante pelo prazer como elemento central da existência. No entanto, é vital destacar que a vida cristã não se concentra nessa busca pelo prazer. Ela se orienta pela adoração a Deus, pela busca da santidade, pela aplicação dos princípios e valores bíblicos e do cumprimento da missão de fazer discípulos. É um chamado a viver de forma ética e justa, reconhecendo que todas as bênçãos emanam de Deus e devem ser desfrutadas de modo responsável e em conformidade com Suas orientações.

Apesar de sua vida simples, Jesus não seguiu a mesma linha ascética de João Batista (Mateus 11:18-19). Ele participava ativamente de festividades e, como um exemplo marcante, realizou Seu primeiro milagre ao transformar água em vinho em um casamento (João 2:1-11), evidenciando a alegria e a celebração da vida. Compartilhava refeições e demonstrava uma abordagem equilibrada à existência, enfatizando a importância de manter uma visão espiritual abrangente. Sua visão sobre a observância do sábado não o via como um fardo, mas como algo benéfico para a humanidade, uma oportunidade para o descanso e a conexão com Deus e com os outros (Mateus 12:1-14).

O apóstolo Paulo também abordou a questão do rigor ascético em algumas de suas cartas. Ele alertou contra a adoção de práticas ascéticas extremas como meio de alcançar a salvação ou crescimento espiritual. Em suas epístolas, especialmente na carta aos Colossenses, Paulo criticou abordagens que enfatizavam regras rigorosas sobre comida, bebida, festividades ou práticas externas como caminho para a espiritualidade.

Paulo ressaltou que a verdadeira espiritualidade não está ligada a essas práticas exteriores, mas na relação com Cristo e na transformação do coração. Ele enfatizou a liberdade em Cristo, alertando contra o foco exagerado em práticas ascéticas como um meio de alcançar a espiritualidade ou salvação.

Passagens bíblicas como Eclesiastes 3:12-13, que destacam a importância de alegrar-se e praticar o bem durante a vida, Eclesiastes 9:7-9, que incentivam a desfrutar a vida com gratidão pelos dias concedidos por Deus, 1 Timóteo 6:17, que exorta a confiarmos em Deus, que nos proporciona ricamente todas as coisas para nosso desfrute, 1 Pedro 3:10-11, que orienta o correto caminho para amar a vida e ver dias felizes, e 1 Coríntios 10:31, que instrui a fazer tudo para a glória de Deus, ressaltam a ideia de que desfrutar a vida é um dom de Deus. No entanto, esses textos também enfatizam que esse desfrute deve ser realizado com responsabilidade, gratidão e em conformidade com os princípios cristãos.

Assim, evitamos tanto o legalismo do rigor ascético quanto a busca desenfreada por prazer. Lembramos que todas as alegrias terrenas devem ser desfrutadas com moderação, integridade e em adoração a Deus. Enquanto buscamos priorizar o Reino de Deus (Mateus 6:33), que está baseado em justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Romanos 14:17).

1984 – A Conversão de Uli César+

Em 1984, enquanto trabalhava à noite no Telex da Record, substituindo um colega de férias, recebi uma ligação de Uli, um rapaz que cursava Telex em Porto Alegre e ligava para praticar. Naquela época, eu já era noivo e estava prestes a me casar. Durante a conversa, ele me apresentou uma jovem cujo comportamento, à primeira vista, parecia bastante leviano: interessava-se por conversas superficiais, fazia cantadas e perguntava sobre assuntos banais – desde os paulistas e São Paulo até detalhes como minha cor, altura, peso e cabelos.

Percebendo a superficialidade do diálogo, decidi mudar o rumo da conversa e falei sobre minha “curtição” por Jesus Cristo. Relatei como minha vida era antes de conhecê-Lo e como ela se transformara após Sua presença, ressaltando a alegria de ser cristão e a realidade do Senhor Jesus. Contudo, a jovem replicou:

— Tudo isto é muito interessante, mas você não poderia mudar um pouco de assunto? Vamos, me fale sobre São Paulo.

Naquele instante, senti uma espécie de ira “santa” e respondi:

— Sabe de uma coisa? O que me impressiona é que as pessoas conseguem falar sobre tudo, menos sobre Jesus. Quando o assunto se volta para Ele, incomadam-se e fogem do tema. Que mundo em que vivemos… Após essa resposta, a jovem encerrou a conversa e cada um seguiu seu caminho.

No dia seguinte, a caminho do serviço – que se iniciava às 20 horas – fui surpreendido por um baita temporal. Nem consegui pegar o ônibus, pois meu guarda-chuva não resistiu à chuva, e acabei completamente molhado. Sem alternativa, retornei para casa, tomei um banho quente, enrolei-me num cobertor e decidi não ir mais ao serviço. Porém, quando a chuva cessou – por volta das 20.20 –, minha consciência me lembrou que ainda era possível comparecer, mesmo que atrasado. Resolvi, então, seguir para o trabalho.

Ao chegar, ouvi a campainha tocar. Eram 21.05 e, do outro lado da linha, estava Uli, em Porto Alegre, tentando contato. Corri para atender o telex e descobri que ele já havia insistido por cerca de uma hora – aquela seria sua última tentativa, pois, segundo ele, aquele seria seu último dia no curso de Telex.

Para minha surpresa, Uli começou a abrir seu coração, contando como minhas palavras, dirigidas à jovem, o haviam tocado profundamente, pois ele esteve ao lado dela lendo tudo o que eu tinha escrito no dia anterior. Ele queria saber mais sobre a vida cristã e, então, aproveitei para falar longamente sobre o plano de Deus para o homem.

Durante essa conversa, choramos de alegria – um júbilo tão intenso que quase pulávamos de emoção. Foi assim que Uli se converteu. Trocamos endereços e, durante mais de um ano, passamos a nos corresponder por carta. Ele conseguiu um emprego e tudo parecia caminhar bem. Posteriormente, soube que, mesmo enfrentando algumas dificuldades, ele havia se casado com uma mulher, filha de pastor. Louvei a Deus por tudo!

O contraste entre a Prostituta e o Fariseu – Lc 7+

A prostituta e o fariseu from Ildo Mello on Vimeo.

A Prostituta e o Fariseu Houve uma ocasião quando um fariseu convidou Jesus para um jantar. O que era de se estranhar, pois os fariseus viviam encrencando com Jesus. Teria sido aquela uma atitude excepcionalmente simpática de um fariseu em relação a Jesus ou não passaria de mais uma das inúmeras ciladas com intuito de desmoralizá-lo?

Aparentemente, Jesus estava sendo tratado como um grande mestre vindo fora, pois um banquete público havia sido preparado, onde convidados especiais se reclinariam à mesa e a maioria da vizinhança ficaria ao redor para assistir aos debates entre o mestre visitante e os mestres locais. Mas, espantosamente, o anfitrião negligenciou as honrarias da casa ao ilustre convidado. Receber com um beijo, providenciar água para a lavagem dos pés e ungir a cabeça com óleo eram a maneira correta de dar as boas vindas na cultura daquela época. A negligência do fariseu era proposital com intuito de envergonhar e desmoralizar a pessoa de Jesus.

Jesus não reagiu com grosseria. Aceitou pacificamente aquela humilhação. Enquanto isto, uma mulher, indignada com o desprezo demonstrado a Jesus, se aproxima dele, e, agindo como se fosse uma serva daquela casa, passa a lavar os pés de Jesus com suas lágrimas e a enxugá-los com seus cabelos. Ela também beija os seus pés e derrama sobre eles um vidro precioso de perfume. O fariseu, malicioso, julga que Jesus não possuía discernimento espiritual para constatar que a mulher não passava de uma prostituta. No entanto, Jesus aproveita a oportunidade para não apenas revelar seu discernimento em relação a condição da mulher como também em relação ao que se passava na mente e no coração do próprio fariseu. Com uma breve parábola, Jesus aponta para os motivos por detrás do pecado de omissão do fariseu, de ter feito pouco caso de Cristo, que tinham a ver com a falta de gratidão e a falta de amor, por não reconhecer sua condição de pecador que carecia igualmente do misericordioso perdão do Salvador.

O fariseu chama a mulher de pecadora, pois ele não se julgava pecador. Ele achava que não fazia nada de muito errado e que portanto não carecia tanto assim de perdão e misericórdia. Já a mulher se via como pecadora e estava muito agradecida a Cristo pelo perdão e nova oportunidade de vida que lhe fora por ele oferecidos.

Os atos daquela mulher revelam o seu grande amor. A omissão daquele homem revela o seu desprezo. E nesta história, com quem é que nós mais nos identificamos? Estamos cônscios dos nossos pecados e nos sentimos eternamente gratos a Jesus por seu perdão que transborda da cruz? O que é que revelam as nossas ações em relação a Cristo? Muito amor e gratidão ou pouco amor e até mesmo descaso?

Bispo José Ildo Swartele de Mello www.metodistalivre.org.br www.imeldemirandopolis.blogspot.com www.escatologiacrista.blogspot.com http://www.scribd.com/ildomello http://twitter.com/ildomello

Amor Radical, Amor que Transforma+

Sexta‑feira da Paixão Texto‑chave:

“Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou e enviou o Seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.” (1Jo 4.10)

1. Tese

Só quando reconhecemos a radicalidade do sacrifício de Jesus compreendemos a profundidade do Seu amor; então, habilitados por esse amor, podemos amar como Ele amou.

2. Confissão necessária

Nosso apetite por reconhecimento, poder e conforto devora a capacidade de amar desinteressadamente. Admitamos: não amamos a Deus nem ao próximo como deveríamos (1Jo 4.20‑21).

“Senhor, meu coração tende a buscar a mim mesmo e não a Ti. Tem misericórdia de mim.” (Sl 51.1‑4, adaptado)

“Derrama Teu amor em nosso coração pelo Espírito Santo.” (Rm 5.5)

3. Contemplando a cruz (12h – 15h)

Hora Palavra de Jesus Ênfase 9h Lc 23.34 – “Pai, perdoa‑lhes …”

Perdão imerecido 11h Lc 23.43 – “Hoje estarás comigo …”

Graça imediata 12h Jo 19.26‑27 – “Mulher, eis aí teu filho …”

Cuidado relacional 13h Mt 27.46 – “Deus meu, Deus meu …”

Identificação total 14h Jo 19.28 – “Tenho sede.”

Humanidade sofrida 14h50 Jo 19.30 – “Está consumado!”

Obra completa 15h Lc 23.46 – “Pai, nas tuas mãos …”

Entrega confiante Síntese:

Cristo assumiu o peso do nosso egocentrismo, recusou revide e completou a obra do perdão (Jo 19.30; Rm 5.8). Deus desceu ao mais profundo para nos elevar consigo.

4. Crendo na profundidade desse amor

Culpa cancelada: o véu rasgado garante acesso livre ao Pai (Mt 27.51; Rm 5.1).

Medo dissipado: se Ele não poupou o Filho, nada nos negará do que é bom (Rm 8.32).

Esperança viva: a morte perdeu o domínio (Hb 2.14‑15).

5. Vivendo esse amor antes do pôr‑do‑sol

Perdoe de imediato quem o feriu (Cl 3.13).

Sirva sacrificialmente alguém em necessidade — sem publicidade (Mt 6.3‑4).

Ore nominalmente por quem o considera inimigo (Mt 5.44).

6. Desafio do dia

Entre 12h e 15h, leia João 18–19. Depois, escreva uma oração de gratidão e envie uma mensagem de perdão ou consolo a alguém que esteja sofrendo.

7. Oração das 15h

Pai santo, recordo o alto preço pago pelo meu resgate.

Que o Espírito aplique ao meu coração o amor derramado na cruz, para que eu perdoe, sirva e carregue as dores dos que caminharem comigo.

Em nome de Jesus, que morreu e vive para sempre. Amém.

8. Leituras para esta noite

Foco Passagem Pista de meditação Profecia cumprida Is 53.4‑6 Substitua cada “Ele” pelo seu “eu”.

Lamento messiânico Sl 22.1‑18 Encontre eco nas palavras de Jesus.

Silêncio do sepulcro Mt 27.57‑66 Aguarde o amanhecer do terceiro dia.

Lembre‑se:

Nesta Sexta‑feira da Paixão, o amor foi cravado no madeiro para ficar gravado em nosso coração. Contemple a cruz, receba esse amor radical — e deixe‑o fluir hoje mesmo em gestos concretos de graça.

A Prostituta e o Fariseu+

Houve uma ocasião quando um fariseu convidou Jesus para um jantar. O que era de se estranhar, pois os fariseus viviam encrencando com Jesus. Teria sido aquela uma atitude excepcionalmente simpática de um fariseu em relação a Jesus ou não passaria de mais uma das inúmeras ciladas com intuito de desmoralizá-lo?

Aparentemente, Jesus estava sendo tratado como um grande mestre vindo fora, pois um banquete público havia sido preparado, onde convidados especiais se reclinariam à mesa e a maioria da vizinhança ficaria ao redor para assistir aos debates entre o mestre visitante e os mestres locais. Mas, espantosamente, o anfitrião negligenciou as honrarias da casa ao ilustre convidado. Receber com um beijo, providenciar água para a lavagem dos pés e ungir a cabeça com óleo eram a maneira correta de dar as boas vindas na cultura daquela época. A negligência do fariseu era proposital com intuito de envergonhar e desmoralizar a pessoa de Jesus.

Jesus não reagiu com grosseria. Aceitou pacificamente aquela humilhação. Enquanto isto, uma mulher, indignada com o desprezo demonstrado a Jesus, se aproxima dele, e, agindo como se fosse uma serva daquela casa, passa a lavar os pés de Jesus com suas lágrimas e a enxugá-los com seus cabelos. Ela também beija os seus pés e derrama sobre eles um vidro precioso de perfume. O fariseu, malicioso, julga que Jesus não possuía discernimento espiritual para constatar que a mulher não passava de uma prostituta. No entanto, Jesus aproveita a oportunidade para não apenas revelar seu discernimento em relação a condição da mulher como também em relação ao que se passava na mente e no coração do próprio fariseu. Com uma breve parábola, Jesus aponta para os motivos por detrás do pecado de omissão do fariseu, de ter feito pouco caso de Cristo, que tinham a ver com a falta de gratidão e a falta de amor, por não reconhecer sua condição de pecador que carecia igualmente do misericordioso perdão do Salvador.

O fariseu chama a mulher de pecadora, pois ele não se julgava pecador. Ele achava que não fazia nada de muito errado e que portanto não carecia tanto assim de perdão e misericórdia. Já a mulher se via como pecadora e estava muito agradecida a Cristo pelo perdão e nova oportunidade de vida que lhe fora por ele oferecidos.

Os atos daquela mulher revelam o seu grande amor. A omissão daquele homem revela o seu desprezo. E nesta história, com quem é que nós mais nos identificamos? Estamos cônscios dos nossos pecados e nos sentimos eternamente gratos a Jesus por seu perdão que transborda da cruz? O que é que revelam as nossas ações em relação a Cristo? Muito amor e gratidão ou pouco amor e até mesmo descaso?

Bispo José Ildo Swartele de Mello

Lendo a Bíblia para ser transformado+

“Não se conformem a esta era, mas sejam transformados pela renovação de sua mente” (Rm 12.2). A maioria de nós provavelmente poderia pensar em algumas maneiras de evitar “se conformar a esta era”, mas e a transformação? Como somos transformados pela renovação de nossas mentes? Como apropriamos a verdade das Escrituras para moldar nosso pensamentos e afetos?

5 dicas básicas para a transformação da mente através das Escrituras:

1. Leia pedindo a Deus que lhe mostre as coisas maravilhosas da Palavra dele (Sl 119.18)

2. Se esforce para memorizar as Escrituras. Memória é como um músculo que atrofia se não for utilizado e se fortalece quanto mais é exercitado.

3. Reflita e medite sobre o que diz Palavra de Deus. Meditação eficaz não é esvaziar a mente, mas enche-la da bendita Palavra de Deus. “Guardei a tua palavra em meu coração para não pecar contra ti” (Sl 119.11). Jesus fez uso de textos bíblicos que havia decorado para rebater as tentações de Satanás.

4. Ore as Escrituras. Podemos recorrer aos textos bíblicos, encontrando neles inspiração para a formulação das nossas orações. Oramos melhor quando oramos de acordo com a Palavra de Deus. Orar a Palavra de Deus a Deus não apenas fornece uma linguagem que honra a Deus, mas também transforma nossas almas no processo.

5. estudar e orar não apenas à sós, mas também na comunidade. Quantas vezes encontramos a expressão “uns aos outros” no Novo Testamento? (Por exemplo: Jo 13.34; Cl 3.13; Rm 15.14). Nesta comunidade cheia de graça, os crentes são transformados através da pregação fiel da Palavra, do estudo da Bíblia e compartilhamento em pequenos grupos, do aconselhamento e muitos outros contextos de edificação saturada das Escrituras. Jamais devemos deixar de congregar (Hb 10.25). Não há lugar para pedra solta no edifício de Deus. Você precisa de seus irmãos e irmãs e de seus dons, que Deus dá para a edificação do corpo de Cristo (Ef 4.12). “O ferro afia o ferro, e uma pessoa afia a outra” (Pv 27.17). Desde a prestação de contas até o encorajamento, Deus achou adequado equipá-lo com as ferramentas para a transformação do evangelho na comunidade de fé.

Ao ler com a iluminação do Espírito, memorizar, meditar e orar as Escrituras na comunidade de fé, que Deus o plante por correntes de graça, a fim de que você possa dar frutos a tempo, para a glória e a alegria dele.

Bispo Ildo Mello (baseado em Cosby, B.H. (2017). Lendo a Bíblia para transformação. Em E. A. Blum e T. Wax (Orgs.), CSB Study Bible: Notes (p. Xlviii-l). Nashville, TN: Holman Bible Publishers.)

Razões para um cristão não participar de loterias e jogos de azar+

A participação em loterias e jogos de azar bate de frente com alguns princípios bíblicos e valores cristãos.

O jogo baseia-se na premissa do acaso, desconsiderando o cuidado providencial de Deus. Falta-lhe a dignidade de um salário merecido ou a honra de um presente, tirando recursos sem uma compensação justa do próximo.

O cerne da fé cristã é a confiança e a esperança em Deus como provedor e protetor. As Escrituras enfatizam a importância de depositar a esperança no Senhor, em Salmos como 27.14, 33:18-22 e 62.5-8, destacando a solidez da confiança em Deus em tempos de adversidade e incerteza. Esses versículos ressaltam a confiança na providência divina em oposição à incerteza dos jogos de azar.

Além disso, a Bíblia adverte sobre a responsabilidade na administração dos recursos concedidos por Deus. Provérbios 13.11 instrui que a riqueza conquistada de maneira apressada tende a diminuir, enquanto a acumulação gradual através do trabalho traz crescimento. A participação em jogos de azar contraria frontalmente esse princípio de administração responsável e sábia.

Os jogos de azar representam um terreno minado, conduzindo muitos à armadilha do vício. Esse vício não só acarreta perdas financeiras devastadoras, levando indivíduos e famílias inteiras à ruína econômica, mas também desencadeia conflitos familiares, gerando profundo sofrimento emocional e desestabilizando relacionamentos fundamentais.

Para além das consequências financeiras, o vício em jogos de azar é um flagelo que afeta a saúde mental e emocional dos indivíduos. A dependência e compulsão resultantes dessas práticas vão de encontro ao chamado de uma vida equilibrada e saudável em Cristo, mergulhando pessoas em um ciclo destrutivo que mina a autoestima, a confiança e compromete o bem-estar integral.

Ademais, o jogo é um terreno fértil para a ganância, estimulando uma busca incessante por ganhos rápidos e fáceis. No entanto, essa busca por vantagens momentâneas muitas vezes resulta em vícios prejudiciais, minando a integridade pessoal, contrariando a orientação bíblica de evitar ser dominado por qualquer coisa que não seja a vontade de Deus (1 Coríntios 6.12). A ganância, associada aos jogos de azar, pode também destruir a motivação para um trabalho honesto e desencadear uma série de males que minam a estrutura ética e moral dos indivíduos.

Por esses motivos, muitos cristãos optam por se abster de qualquer forma de jogo, seja por questões de consciência ou como um testemunho da fé em Cristo.

Cristão banho-maria+

“A vida que Ele viveu, qualificou-o para a morte que Ele sofreu. E a morte que Ele sofreu, nos qualifica para a vida que Ele viveu”. (Ian Thomas). Mas, infelizmente, existem muitos cristãos levando sua vida no banho-maria. Não são nem frios e nem quentes (Ap 3.15). Tem aqueles que até chegam a apelar para a graça de Deus para justificarem uma vida de frouxidão espiritual, convertendo em dissolução a graça divina (Jd 4; Rm 6.1; 2Co 6.1). Não priorizam o Reino de Deus e as coisas espirituais, não lêem a Bíblia e nem oram cotidianamente, não jejuam com regularidade, não estão comprometidos com o sustento e missão da igreja, e nem com sua obrigação de evangelizar e fazer discípulos; e nem dispostos a carregar os fardos uns dos outros, suportando as debilidades dos fracos para a edificação do Corpo de Cristo. Além disto, não fazem questão de participar, quando podem, de reuniões de estudo bíblico, oração, discipulado, célula, vigílias, retiros e outras programações da igreja, contentando-se em irem apenas aos cultos dominicais, e, muitos, nem isso fazem com fidelidade. Tem ainda aqueles que nem sequer fazem questão de participar da Ceia do Senhor. Uma boa parte destes, procura uma igreja maior, onde podem passar desapercebidos, evitando assim compromissos e responsabilidades, demonstrando possuírem uma mentalidade de cliente e não de membro do Corpo e de servo de Cristo. E tem ainda aqueles que optam por viverem fora do Corpo de Cristo, como se fosse possível ser cristão sem Igreja. Pelo que parece, esta modernidade líquida está realmente diluindo a fé e o compromisso de muitos para com o Senhor e Sua Igreja. “Desperta, ó tu que dormes!” (Ef 5.14).

A vida cristã não pode ser levada de qualquer jeito (Jr 48.10 e Fp 2.12). Paulo diz que, assim como um atleta treina para ser campeão, devemos nós também nos aplicarmos as atividades que promovem o nosso desenvolvimento espiritual (1Co 9.24-25). Pois, nosso crescimento espiritual não se dá à despeito da nossa vontade e dedicação. “Cresçamos na graça e no conhecimento de nosso Senhor.” (2Pe 3.18) e vivamos de modo digno do Evangelho, lutando juntos pela fé evangélica (Fp 1.27).

Bispo Ildo Mello

07 de Setembro de 1985 – O Testemunho no Plebiscito+

Havia sido escalado para trabalhar como mesário neste dia, num plebiscito, que iria decidir se Santo Amaro passaria a ser município. Estava triste, pois era domingo, teria que faltar à igreja na parte da manhã. Antes de sair para o colégio, onde assumiria meu papel de mesário, lembro-me de ter orado pedindo a Deus que me usasse naquele dia. Já que teria que perder a Escola Dominical, pelo menos que eu pudesse ter um dia frutífero para o meu Senhor.

Assim que cheguei, me encontrei com alguns companheiros que trabalhariam comigo. Não sei dizer sobre o que começamos a conversar, mas sei que logo estávamos falando sobre coisas espirituais. O rapaz que era o presidente da mesa não parecia estar muito interessado, mas havia uma moça que se interessou bastante e fez muitas perguntas. Ela fumava, frequentava bailes, gostava de beber e tudo mais que uma moça jovem do nosso século costuma fazer para curtir a vida.

Lembro-me que lhe falei sobre a alegria passageira que o mundo proporcionava em comparação com a vida abundante que Cristo oferece. Conversamos o dia inteiro. Foi uma experiência marcante. Ela parecia ter ficado muito impressionada com nossa conversa. Fiquei orando por ela.

Ficamos sem contato até a próxima eleição, que foi poucos meses depois, em 15 de novembro. Estava ansioso por saber notícias dela, mas fiquei surpreso ao saber que ela não fazia mais parte da mesa. Fiquei um pouco triste até que ela veio votar. Quando chegou, já chegou me cumprimentando à moda cristã, me chamou de irmão e contou a “bênção”: logo depois do nosso papo do dia 07 de setembro, ela se converteu através de uma amiga crente do seu serviço, que ela havia mencionado durante nossa conversa, falando até mal ao seu respeito, como alguém chata etc…

Parece que depois daquele dia as coisas mudaram, ela teve uma nova perspectiva a respeito da vida e de tudo. Aceitou o convite da amiga, foi à igreja, gostou do ambiente de amor e louvor, e através de um sábio pastor chegou ao conhecimento do Senhor Jesus Cristo e foi batizada na Igreja Batista da Rua Joaquim Nabuco.

Dez virtudes que fizeram de José um vencedor+

Bispo Ildo Mello 1. Tinha sonhos, uma visão do plano de Deus para sua vida (Gênesis 37.5).

2.Confiava no amor e no cuidado de Deus – Sabia que Deus o amava. Sentir-se amado por Deus faz muita diferença na vida!

3. Andava por fé e não se deixava abater pelas circunstâncias. Muitos desanimam em sua fé e outros tantos chegam a blasfemar de Deus diante de provações menores do que as que José enfrentou.

4. Era otimista – conseqüência natural de sua fé no amor de Deus e na sua Palavra, na visão que tinha do plano de Deus para a sua vida.

5. Era paciente e aprendeu a esperar em Deus – foram treze anos de grande provação: Odiado pelos irmãos que o invejavam; foi colocado no fundo do poço, pensaram em matá-lo, mas acabaram vendendo-o como escravo. Foi acusado injustamente e condenado à prisão. Experimentou a solidão e o desamparo familiar.

6. Via cada crise e dificuldade como uma oportunidade de crescimento – não se deixava abater – se sentia desafiado pelas tribulações. Adaptava-se facilmente a cada uma das situações adversas e logo conquistava a simpatia e a confiança de seus superiores (Gênesis 39.1-23 e 41.39-41).

7. Não murmurava, em tudo dava graças ao Senhor – sabia que Deus tem o seu caminho na tormenta (Naum 1.3)

8. Não culpava os outros por seus infortúnios – confiava na soberania de Deus (Gênesis 45.5).

9. Era perdoador e misericordioso – não era vingativo – não guardava rancor – enxergava tudo do ponto de vista elevado de Deus (Gênesis 45.15).

10. Possuía a sabedoria de Deus, que tem como princípio o temor do Senhor. Por esta razão não caiu em tentação com a mulher de Potifar. Era um homem honesto de caráter e princípios. Reto diante dos olhos de Deus. Não agia corretamente só porque outros estavam observando, mas porque temia a Deus que tudo vê  (Gênesis 39.10).

Revelou sabedoria também para administrar a casa de Potífar e para governar o Egito.

Entre a Folia e a Fé: Um Balanço Teológico sobre o Carnaval+

De um modo em geral, carnaval é a festa que dá vazão aos apetites carnais, promovendo excessos de todo tipo, como gula, embriaguez e orgias sexuais, que afetam a dignidade humana, além de resultar em um significativo aumento nos casos de doenças sexualmente transmissíveis e de gravidez indesejada, sem falar nos casos de infidelidade conjugal que terminarão em divórcio. Há também um espantoso aumento do uso e abuso de álcool e drogas nos dias de carnaval, gerando inúmeros casos de intriga, violência e mortes nos salões, nas ruas e no trânsito. Mulheres nuas, homens fantasiados de mulher ou de bebê com frauda e chupeta, pessoas com fantasias diabólicas e medonhas, um descalabro total que promove tudo o que é ridículo, estúpido, leviano, vergonhoso e extravagante. Uma festa que costumeiramente termina em amargas cinzas. No passado, as máscaras de carnaval serviam para ocultar a identidade daqueles que queriam cair na folia sem comprometerem sua imagem pública, enquanto que, para agravar ainda mais a situação, nos dias de hoje, a hipocrisia parece ter dado lugar ao descaramento total, sinal da degradação moral da sociedade.

Participar do Carnaval é, no mínimo, compactuar com estes males e expor-se à inúmeras tentações perigosas.

Não adianta orar “não nos deixes cair em tentação” quando nós mesmos damos lugar ao diabo, indo ao seu encontro. “Pode alguém andar sobre brasas sem queimar os pés?” (Pv 6:28).

O Apóstolo Paulo adverte os cristãos dizendo que se eles andarem segundo a carne, certamente morrerão (Rm 8.13). Ele ainda os exorta, dizendo: “vocês não podem beber do cálice do Senhor e do cálice dos demônios; não podem participar da mesa do Senhor e da mesa dos demônios.” (1 Co 10:21). Portanto, “não dêem lugar ao Diabo (Ef 4:27)

e “fujam das paixões da mocidade (2 Tm 2.22). Pedro igualmente adverte: “sejam sóbrios e vigiem. O diabo, o inimigo de vocês, anda ao redor como leão, rugindo e procurando a quem possa devorar.” (1 Pe 5.8).

Um protesto contra o PL122+

Gostaria de expressar minha preocupação a respeito do PL122 por considerá-lo inconstitucional, pois vai de encontro à liberdade de expressão e à liberdade religiosa.

Repudio as praticas de violência, ofensas e hostilidades contra todas as pessoas quer sejam elas homossexuais ou heterossexuais. Todos os seres humanos devem ser tratados com o devido respeito. No entanto, entendo que este projeto de lei ultrapassa os limites do bom senso e fere o quinto artigo da Constituição brasileira, restringindo a liberdade de expressão e a liberdade religiosa.

Hoje, ainda temos o direito de criticar a conduta de qualquer pessoa, seja ela um presidente, ou um governador, ou um ministro, ou um padre, ou um pastor. Tal lei restringiria o direito de expressão sobre a conduta homosexual, criando assim um casta de seres especiais. Somos a favor da liberdade de expressão e da igualdade dos direitos. Que a lei seja igual para todos e não venha a privilegiar determinado grupo em detrimento dos demais!

Vejamos alguns artigos preocupantes deste PL:

Artigo 1º: Serão punidos na forma desta lei os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero, sexo, orientação sexual, identidade de gêneros.

Artigo 4º: Praticar o empregador, ou seu preposto, atos de dispensa direta ou indireta. Pena: reclusão de 2 a 5 anos.

Artigo 8º-A: Impedir ou restringir a expressão e a manifestação de afetividade em locais públicos ou privados abertos ao público, em virtude das características previstas no artigo 1º desta lei. Pena: reclusão de dois a cinco anos.

Artigo 8º-B: Proibir a livre expressão e manifestação de afetividade do cidadão homossexual, bissexual ou transgênero, sendo estas expressões e manifestações permitidas aos demais cidadãos ou cidadãs. Pena: reclusão de dois a cinco anos.

Artigo 16º, parágrafo 5ª: O disposto neste artigo envolve a prática de qualquer tipo de ação violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória, de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica.

Com fé, esperança e amor, Bispo Ildo Mello

A festa de carnaval e o cristão+

De um modo em geral, carnaval é a festa que dá vazão aos apetites carnais, promovendo excessos de todo tipo, como gula, embriaguez e orgias sexuais, que afetam a dignidade humana, além de resultar em um significativo aumento nos casos de doenças sexualmente transmissíveis e de gravidez indesejada, sem falar nos casos de infidelidade conjugal que terminarão em divórcio. Há também um espantoso aumento do uso e abuso de álcool e drogas nos dias de carnaval, gerando inúmeros casos de intriga, violência e mortes nos salões, nas ruas e no trânsito. Mulheres nuas, homens fantasiados de mulher ou de bebê com frauda e chupeta, pessoas com fantasias diabólicas e medonhas, um descalabro total que promove tudo o que é ridículo, estúpido, leviano, vergonhoso e extravagante. Uma festa que costumeiramente termina em amargas cinzas. No passado, as máscaras de carnaval serviam para ocultar a identidade daqueles que queriam cair na folia sem comprometerem sua imagem pública, enquanto que, para agravar a situação, nos dias de hoje, a hipocrisia parece ter dado lugar ao descaramento total, sinal da degradação moral da sociedade.

Participar do Carnaval é compactuar com estes males e expor-se à inúmeras tentações perigosas.  Não adianta orar “não nos deixes cair em tentação” quando nós mesmos damos lugar ao diabo. “Pode alguém andar sobre brasas sem queimar os pés?” (Pv 6:28).  O Apóstolo Paulo adverte os cristãos dizendo que se eles andarem segunda a carne, certamente morrerão (Rm 8.13). Ele ainda os exorta, dizendo: “vocês não podem beber do cálice do Senhor e do cálice dos demônios; não podem participar da mesa do Senhor e da mesa dos demônios.” (1 Co 10:21). Portanto, “não dêem lugar ao Diabo (Ef 4:27)  e “fujam das paixões da mocidade (2 Tm 2.22). Pedro igualmente adverte: “sejam sóbrios e vigiem. O diabo, o inimigo de vocês, anda ao redor como leão, rugindo e procurando a quem possa devorar.” (1 Pe 5.8).

Bispo José Ildo Swartele de Mello

Não é só sorrisos+

O estóico zomba daquele que derrama lágrimas. As pessoas valorizam demais a alegria, como se estar triste fosse um grande pecado. Não que não seja bom estar contente, dar umas boas risadas, se divertir. Mas, como diz Walcyr Carrasco em seu livro “A Corrente da vida”, “o ser humano não é um autômato programado para dar gargalhadas o tempo todo. Não, a gente tem tristezas, melancolias, momentos de sofrimento e ansiedade”. Assim ensinou o autor de Eclesiastes: “Há momento para todo propósito debaixo do Céu” (Ec 3). Concordo também com Walcyr Carrasco que, quando a tristeza chega, não se deve evitá-la, contando uma piada, saindo, tentando esquecer. “É preciso viver a tristeza como se vive a alegria. Saber enfrentar os momentos difíceis também é bonito. Por incrível que pareça, vivê-los, inteiramente, deixando o sentimento brotar como a água de uma fonte, pode nos trazer uma surpreendente felicidade”.

Em “Mananciais do Deserto”, meditação de 20 de Março, li que, em certos lugares, fontes de água doce saltam no meio das águas salgadas do mar; que as mais lindas flores dos Alpes se encontram nos recantos mais agrestes e escarpados das montanhas; que os mais sublimes salmos foram o produto da mais profunda agonia de alma. Sabemos também que a ostra produz pérolas através de um processo de sofrimento provocado pela irritação da areia que entra em seu interior. Poeticamente, poderíamos dizer como o saudoso compositor e ventríluco, Rubem Ciola, que com sua macaquinha Kika, cantava: “sua lágrima produz uma linda pérola!” Sendo assim, não devemos fugir da realidade, mas, devemos, sim, encarar com coragem nossa existência com todos os seus “tempos”, aprendendo, amadurecendo, crescendo, e, por que não dizer, curtindo, em todo o processo, uma alegria e uma paz que excede a toda compreensão humana, confiando no cuidado e na providência divina. Vivamos, pois!

Medite em 2 Co 6.10.

Bispo José Ildo Swartele de Mello

Uzá e a questão da reverência a Deus+

Temor e reverência a Deus (2 Samuel 6.1-6)

Por ser filho de Abinadabe, Uzá acabou se acostumando com a Arca que em sua casa ficou cerca de vinte anos. Tal bênção não foi devidamente valorizada, caiu na rotina, e Uzá acabou perdendo o devido temor e reverência a Deus.

O caso de Uzá, em certo sentido, faz lembrar o Hofni e Fineias que cresceram na família sacerdotal e acabaram perdendo o temor de Deus e incorreram em grave pecado que os levou a morte.

É tão triste quando os da família da fé não reconhecem o valor de sua herança espiritual. Não leem as Escrituras, não prestigiam as reuniões de oração e os cultos, não participam da Ceia do Senhor ou participam dela como se fosse um ritual qualquer, vazio de significado. Não demonstram gratidão e amor a Deus e a Igreja de Cristo. Não possuem e nem buscam a plenitude do Espírito e não tem compromisso com a Grande Comissão. São mornos ou frios em sua fé. Insensíveis a voz de Deus.

Os de fora da igreja, quando se convertem, dão muito mais valor ao Evangelho. O temor do Senhor é o princípio da sabedoria que faltou a Uzá.

“A suma é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos ,porque isto é o dever de de todo o homem” (Eclesiastes 12:13).

Um singelo tributo a Mandela+

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;” (Mt 5:6).

Nelson Mandela mudou a história de seu país e influenciou o mundo. Ele foi o maior ícone da luta contra o apartheid e também um ícone da paz, pois quando assumiu a presidência da Africa do Sul não usou de revanchismo. Isto se deve ao seu coração comprometido com o Senhor Jesus Cristo, que é o Príncipe da Paz!

A mãe de Mandela era uma metodista, e Nelson seguindo seus passos estudou numa escola Missionária Metodista. A educação de Mandela foi permeada de formação cristã por influência de sua mãe. Ele foi batizado na igreja Metodista e seguiu como membro metodista fiel até o dia de sua morte.

“Eu não sou um santo, a menos que você ache que um santo seja um pecador que continua tentando fazer o seu melhor.” Nelson Mandela.

Deus tem o mundo inteiro em suas mãos!+

Há muitos anos atrás, numa madrugada fria, meu coração havia sido tomado por uma grande tristeza. Não conseguia dormir. Então, fui assistir televisão para tentar espairecer um pouco, quando me deparei com estas duas excepcionais intérpretes cantando esta inspirada canção que diz que Deus tem o mundo inteiro em suas mãos!

O impacto foi tremendo! Instantaneamente, despertei daquele estado melancólico. “O que eram os meus problemas diante daquele que tem o mundo inteiro em suas mãos?” Fui tomado por grande emoção diante da grandeza de Deus. Em meio a lágrimas e sorrisos de alegria, todo o meu fardo se foi, dando lugar a uma paz extraordinária que deliciosamente invadiu o meu coração, fruto de uma imensa certeza de que todo o meu futuro estava nas mãos do ser mais poderoso e bondoso de todo o universo.

Curta o vídeo e descanse em Deus!

Quando o Homem Chega ao Meio do Caminho+

Conheço homens que chegaram aos 45, 48 ou 50 anos aparentemente bem. Trabalham, sustentam a casa, servem na igreja, têm família, algum patrimônio e, em alguns casos, reconhecimento profissional.

Por dentro, porém, estão cansados, vazios e sem rumo.

Alguns desabafam assim:

“Eu deveria estar feliz, mas não estou.”
“Conquistei o que eu queria, mas parece que nada basta.”
“Não sei mais quem sou além do que faço pelos outros.”
Ou simplesmente:
“Perdi a vontade.”

Há um vazio difícil de explicar. O homem olha para tudo o que construiu e sente que falta alguma coisa. A rotina que antes parecia ter propósito agora parece apenas repetição.

Junto com esse vazio, chega também a percepção do tempo. Pela primeira vez, ele começa a sentir que talvez tenha mais passado do que futuro. Sonhos não realizados parecem portas fechadas. E surge a pergunta silenciosa:

“Será que ainda dá tempo?”

A Bíblia não ignora essa angústia. O salmista orou:

“Por que você está abatida, ó minha alma? Por que está perturbada dentro de mim?”
Salmo 42.5

Por isso, se você já sentiu algo parecido, ou conhece alguém assim, é importante saber:

isso não é frescura, nem falta de gratidão, nem necessariamente falta de fé.

Pode envolver cansaço físico, esgotamento emocional, crise no casamento, pressão no trabalho, depressão, perda de sentido e sobrecarga acumulada por anos de silêncio.

1. A crise não começa aos 50; ela se revela aos 50

Muitos homens passam décadas no modo sobrevivência: trabalhar, pagar contas, cuidar da família, resolver problemas, corresponder às expectativas.

Durante anos, a pergunta foi:

“O que preciso fazer agora?”

Mas, na meia-idade, surge outra pergunta:

“Para que estou fazendo tudo isso?”

O homem percebe que esteve ocupado, mas nem sempre orientado. Produtivo por fora, mas apagado por dentro.

Eclesiastes pergunta:

“Que proveito tem o homem de todo o seu trabalho?”
Eclesiastes 1.3

O problema não é trabalhar. O problema é medir todo o valor da vida apenas pelo que se produz, ganha ou entrega.

2. Quando o corpo começa a falar

A meia-idade também confronta o homem com seus limites. A recuperação demora mais. A energia diminui. Aparecem dores, cansaço, noites mal dormidas e limitações que antes não existiam.

Isso mexe com muitos homens, porque fomos ensinados a associar masculinidade com força, controle e resistência.

Mas limitação não é humilhação. Pode ser um chamado à sabedoria.

Moisés orou:

“Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio.”
Salmo 90.12

3. O peso de ser o provedor incansável

Muitos homens aprenderam que precisam resolver tudo, sustentar todos, suportar tudo e nunca demonstrar fraqueza.

Mas responsabilidade não significa carregar o mundo nas costas.

Jesus amava profundamente as pessoas, mas também se retirava para orar, descansava e tinha prioridades claras.

Homem maduro não é aquele que aceita tudo. É aquele que discerne o que Deus realmente lhe confiou.

4. O adoecimento silencioso

Nem todo homem que sofre parece triste. Muitos continuam trabalhando, liderando, pregando, servindo e sustentando a família, enquanto por dentro estão esgotados.

Alguns sinais merecem atenção:

perda de interesse pelo que antes dava prazer, irritação constante, isolamento, sono ruim, cansaço persistente, sensação de inutilidade, dificuldade de concentração e pessimismo.

Nos homens, o sofrimento emocional muitas vezes aparece como raiva, frieza, inquietação, dores no corpo ou hábitos compensatórios que só pioram a situação.

Por isso, não devemos chamar toda crise de “falta de fé”.

A fé é essencial, mas não dispensa cuidado médico, emocional, pastoral e relacional.

5. O isolamento agrava tudo

Muitos homens têm colegas, contatos e conhecidos, mas poucos amigos de verdade.

Falam de futebol, política e trabalho, mas quase nunca dizem:

“Estou cansado.”
“Meu casamento está difícil.”
“Tenho medo do futuro.”
“Preciso de ajuda.”

A Bíblia diz:

“É melhor serem dois do que um.”
Eclesiastes 4.9

E também:

“Levem as cargas uns dos outros.”
Gálatas 6.2

Todo homem precisa de irmãos maduros, amigos sinceros, pastores confiáveis e espaços seguros onde possa falar sem ser ridicularizado.

6. Reprimir emoções cobra um preço

Muitos aprenderam que homem de verdade não chora, não fala de dor e não pede ajuda.

Mas reprimir não é maturidade.

Jesus chorou diante da dor humana e se angustiou no Getsêmani. A força dele não estava em negar sua humanidade, mas em vivê-la em plena comunhão com o Pai.

O homem que não consegue nomear o que sente acaba governado pelo que não entende.

A tristeza vira irritação.
O medo vira controle.
A exaustão vira frieza.
A sensação de fracasso vira crítica constante aos outros.

O caminho não é formar homens frágeis ou autocentrados, mas homens verdadeiros: capazes de reconhecer suas lutas, pedir ajuda, assumir responsabilidades e permanecer firmes em Deus.

7. O evangelho e a crise de propósito

O evangelho desmonta uma das maiores mentiras da meia-idade:

a de que o valor do homem depende da sua produtividade.

Você não vale porque ganha bem, porque sua empresa prospera ou porque ainda consegue fazer tudo o que fazia aos trinta anos.

Você tem dignidade porque foi criado à imagem de Deus e redimido por Cristo.

Paulo escreveu:

“Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras.”
Efésios 2.10

A ordem é importante: não fazemos boas obras para conquistar valor diante de Deus. Fazemos boas obras porque já pertencemos a Cristo.

O propósito do homem não é provar que é suficiente. É viver como filho de Deus: marido fiel, pai presente, amigo leal, trabalhador íntegro e discípulo que amadurece.

Talvez a meia-idade seja o tempo em que Deus desmonta identidades falsas para reconstruir uma vocação mais profunda.

Talvez você descubra que não precisa impressionar ninguém.

Precisa apenas ser fiel.

8. Caminhos práticos para atravessar essa fase

  1. Pare de fingir que está tudo bem.
    Reconhecer a crise com honestidade não é derrota. É o começo da cura.

  2. Leve os sinais a sério.
    Cansaço que não passa, perda de prazer, sono ruim, irritação intensa e sensação constante de inutilidade merecem cuidado. Procure ajuda médica, psicológica, pastoral e espiritual.

  3. Reveja sua agenda.
    Nem toda demanda é missão dada por Deus. Algumas coisas precisam ser delegadas, reduzidas ou encerradas.

  4. Reconstrua vínculos.
    Um ou dois amigos com quem você possa conversar com honestidade fazem enorme diferença.

  5. Cuide da alma e do corpo.
    Ore com calma. Leia a Bíblia com profundidade. Durma melhor. Faça atividade física. Cultive a família. Sirva a Deus com equilíbrio.

  6. Troque comparação por gratidão e vocação.
    Em vez de perguntar: “Por que minha vida não foi como a dele?”, pergunte:
    “O que Deus ainda quer formar e realizar em mim?”

Paulo escreveu:

“Esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo.”
Filipenses 3.13-14

UMA PALAVRA FINAL

A crise dos 45 aos 50 anos não precisa ser o fim de uma história.

Pode ser o fim de uma ilusão.

Pode ser o momento em que você deixa de viver apenas para produzir, agradar e sustentar expectativas impossíveis, e aprende a descansar na graça de Deus, aceitar seus limites, reconstruir relacionamentos e redescobrir o seu chamado.

O homem de Deus não é o que nunca se cansa.

É aquele que, quando se cansa, não abandona o caminho.

Ele não precisa provar que é invulnerável.

Precisa aprender a depender de Cristo.

“O meu corpo e o meu coração podem desfalecer, mas Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre.”
Salmo 73.26

“Venham a mim, todos vocês que estão cansados e sobrecarregados, e eu os aliviarei.”
Mateus 11.28

(Autor Bispo José Ildo Swartele de Mello)

O Drama da Terceira Idade à Luz do Novo Testamento+

Introdução: um tema que agora me diz respeito

Sempre me preocupei com o envelhecimento. Como pastor, acompanhei de perto o drama de muitos ao longo da minha caminhada: o aposentado que definhou sem o trabalho, a viúva que passou a falar sozinha com os retratos, o ancião lúcido que a família tratava como criança. Escrevi, preguei e aconselhei sobre o tema durante décadas, sempre com sincera compaixão e com a confortável distância de quem observa de fora.

Acontece que a distância acabou. Entrei na terceira idade. O tema que eu estudava agora me estuda de volta. O que antes era pesquisa bibliográfica virou pesquisa de campo, em primeira pessoa e em tempo integral. Devo, portanto, fazer uma confissão honesta ao leitor: este artigo tem um evidente conflito de interesses. O autor escreve sobre idosos sendo um deles, com joelhos que fazem relatórios sonoros ao subir escadas e uma memória que, vez ou outra, arquiva nomes de pessoas queridas em pastas que só reaparecem de madrugada. Se há alguma vantagem nisso, é que já não escrevo apenas sobre eles; escrevo sobre nós.

Mas não é apenas a minha biografia que torna o assunto urgente. É a biografia do Brasil. O país que se orgulhava de ser jovem está envelhecendo depressa, e os números não deixam dúvida. A expectativa de vida do brasileiro chegou a 76,6 anos em 2024, quando em 1940 quem nascia viveria, em média, apenas 45,5 anos. Ao mesmo tempo, os berços se esvaziam: a taxa de fecundidade caiu para cerca de 1,53 filho por mulher em 2025, bem abaixo dos 2,32 registrados no ano 2000, e a projeção do IBGE indica que, em 2070, os idosos de 60 anos ou mais representarão 37,8% da população brasileira. A população total deve parar de crescer por volta de 2041 e, a partir daí, começar a diminuir. Em termos simples: haverá cada vez mais cabelos brancos nos bancos das igrejas e cada vez menos crianças no berçário.

Isso significa que a terceira idade deixou de ser um capítulo periférico da pastoral para se tornar uma das questões centrais da igreja brasileira nas próximas décadas. Uma igreja que não souber envelhecer com seus membros, e acolher os que envelhecem fora dela, estará despreparada para o país que já começou a existir.

Por isso escrevo estas páginas: como pastor, como professor e, agora, também como parte interessada. E começo do mesmo modo que sempre recomendei aos meus alunos: fazendo as perguntas certas.

────────────────────────────

Algumas perguntas para começo de conversa

O que acontece com um homem quando ele percebe que o mundo já não espera nada dele? O que acontece com uma mulher quando ela, depois de cuidar de todos por décadas, descobre que agora é ela quem precisa de cuidado? A velhice é apenas declínio, ou pode ser vocação? E, sobretudo: o evangelho tem algo a dizer a quem sente que os melhores anos ficaram para trás?

Se a meia-idade é a fase em que o homem e a mulher fazem as contas entre quem imaginaram ser e quem se tornaram, a terceira idade é a fase em que essas contas são cobradas com juros. O corpo cobra. A solidão cobra. A memória cobra. A finitude, que aos 50 anos era uma intuição incômoda, aos 70 ou 80 se torna uma companheira diária.

E, no entanto, a Escritura não trata a velhice como um problema a ser resolvido, mas como uma etapa da vida diante de Deus, com dores reais e com uma dignidade que a cultura contemporânea esqueceu.

────────────────────────────

  1. O que torna a terceira idade dramática?

O drama da velhice não é um só; é um acúmulo. Alguns elementos aparecem em quase todas as histórias, ainda que com pesos diferentes.

A perda dos papéis. O trabalho termina, os filhos partem, os cargos passam para outros, a agenda esvazia. Numa cultura que mede o valor da pessoa pela utilidade, quem já não produz se sente descartável. O idoso não perde apenas funções; corre o risco de perder, aos próprios olhos, a razão de existir.

A traição do corpo. As forças diminuem, as doenças se acumulam, a autonomia se estreita. Tarefas que eram automáticas se tornam projetos. Para quem sempre se orgulhou de não depender de ninguém, cada limitação parece uma pequena humilhação.

A solidão e o luto acumulado. O idoso enterra os pais, depois os irmãos, depois os amigos, às vezes o cônjuge, e em casos dolorosos até filhos. Cada perda leva embora não apenas uma pessoa, mas um pedaço da própria história, alguém que se lembrava de quem ele foi. Envelhecer é, muitas vezes, tornar-se a última testemunha da própria vida.

A invisibilidade. A sociedade fala com o idoso em tom infantilizado, decide por ele, olha através dele. Nas famílias, ele pode passar de referência a estorvo. E é preciso dizer com tristeza: em muitas igrejas, obcecadas por juventude e novidade, os idosos foram empurrados para a condição de plateia.

O medo do fim. Não apenas o medo da morte, mas o medo do caminho até ela: a dependência, a demência, a dor, o peso que se imagina causar aos outros. O Salmo 71.9 dá voz a esse temor com uma honestidade que a igreja deveria imitar: “Não me rejeites na velhice; quando me faltarem as forças, não me desampares.”

Nada disso deve ser espiritualizado às pressas. Assim como não se deve dizer ao deprimido que ore mais, não se deve dizer ao idoso que sofre que ele apenas precisa de mais fé. O primeiro passo pastoral é reconhecer que o drama é real.

────────────────────────────

  1. O drama masculino: quando o provedor se aposenta

Para muitos homens, a crise da velhice é a falência definitiva da identidade construída sobre o desempenho. Se o homem aprendeu que vale enquanto produz, sustenta, resolve e protege, a aposentadoria não é apenas o fim de um contrato de trabalho; é o fim de um contrato de identidade.

Os sinais são conhecidos: o aposentado que adoece meses depois de parar de trabalhar; o pai que se torna calado e irritadiço porque já não é consultado; o marido que, sem escritório para onde ir, descobre que não sabe habitar a própria casa; o homem que passou a vida sem cultivar amizades profundas e agora colhe uma solidão que ele mesmo semeou, porque colegas de trabalho não são irmãos de alma.

Há também o drama do corpo. O homem que media sua virilidade pela força, pela capacidade sexual, pela independência, sente cada limite físico como um veredicto. E como muitos aprenderam a nunca falar de fragilidade, sofrem calados. Não é coincidência que os índices de suicídio entre homens idosos estejam entre os mais altos de todas as faixas etárias, no Brasil e no mundo. O silêncio masculino, que na juventude parecia força, na velhice se revela uma armadilha mortal.

────────────────────────────

  1. O drama feminino: quando a cuidadora precisa de cuidado

A mulher chega à terceira idade por outro caminho, mas frequentemente ao mesmo abismo. Se a falsa identidade masculina diz “eu valho porque produzo”, a falsa identidade feminina costuma dizer “eu valho porque sou necessária”. E a velhice ataca precisamente esse ponto.

Os filhos já não precisam dela como antes. A casa esvaziou. Muitas passaram os últimos anos cuidando do marido doente ou dos próprios pais, e quando esse ciclo termina, resta uma pergunta assustadora: quem sou eu quando ninguém depende de mim?

Há ainda três agravantes tipicamente femininos. Primeiro, a viuvez: como as mulheres vivem em média mais que os homens e frequentemente se casaram com homens mais velhos, a maioria das viúvas do mundo, e das nossas igrejas, é composta de mulheres idosas, muitas delas enfrentando também empobrecimento e insegurança. Segundo, a invisibilidade estética: numa cultura que mede o valor da mulher pela aparência e pela juventude, envelhecer é ser progressivamente apagada. Terceiro, a inversão do cuidado: a mulher que cuidou de todos a vida inteira sente vergonha e culpa quando precisa ser cuidada, como se dar trabalho fosse uma falha moral.

Não é por acaso que o Novo Testamento dedica atenção explícita e organizada às viúvas (At 6.1; 1Tm 5.3-16; Tg 1.27). A igreja primitiva entendeu que a mulher idosa e sozinha era, ao mesmo tempo, a pessoa mais vulnerável da comunidade e uma das mais preciosas.

────────────────────────────

  1. A primeira resposta do Novo Testamento: uma identidade que não se aposenta

O evangelho começa desmontando a mentira comum aos dois dramas: a ideia de que o valor humano depende de utilidade, força, beleza ou desempenho.

O idoso cristão não é um ex-provedor nem uma ex-cuidadora. Ele é filho de Deus, e filiação não tem prazo de validade. “Recebestes o espírito de adoção, com base no qual clamamos: Aba, Pai!” (Rm 8.15). O Espírito não testifica que somos úteis; testifica que somos filhos e, portanto, herdeiros (Rm 8.16-17). Herdeiro é uma identidade voltada para a frente. O mundo diz ao idoso que seu futuro está atrás dele; o evangelho diz que sua maior herança ainda está adiante, “uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus” (1Pe 1.4).

Paulo assina uma de suas cartas de um modo comovente: “Paulo, o velho e, agora, também prisioneiro de Cristo Jesus” (Fm 9). Ele não esconde a idade nem a fraqueza; e é precisamente desse lugar que exerce uma das intercessões mais nobres do Novo Testamento. A velhice não diminuiu sua autoridade espiritual; deu a ela outro timbre.

────────────────────────────

  1. A segunda resposta: o desgaste exterior e a renovação interior

O texto mais importante do Novo Testamento sobre o envelhecimento talvez seja 2Coríntios 4.16-18. Paulo não nega o declínio; ele o descreve com realismo: o nosso homem exterior se desgasta. Mas acrescenta a contrapartida que só a fé enxerga: o homem interior se renova de dia em dia.

Note-se a ousadia: a renovação é diária, exatamente como o desgaste. O corpo perde um pouco a cada dia; a alma que vive em comunhão com Cristo ganha um pouco a cada dia. Por isso Paulo pode chamar de “leve e momentânea tribulação” aquilo que, visto de fora, é um processo pesado e longo: porque ele o compara com o “eterno peso de glória” que está sendo produzido (2Co 4.17).

Isso muda o modo de enxergar a velhice cristã. Ela não é apenas subtração; é também destilação. Deus usa a perda das forças exteriores para amadurecer o que é interior: paciência, oração, desprendimento, mansidão, esperança. O Salmo 92.14 promete que os justos “na velhice darão ainda frutos”; o Novo Testamento explica que tipo de fruto é esse: o fruto do Espírito, que não depende de vigor físico (Gl 5.22-23).

────────────────────────────

  1. A terceira resposta: a esperança da ressurreição do corpo

Ao drama do corpo que falha, o Novo Testamento não responde com espiritualismo, como se o corpo não importasse. Responde com a ressurreição.

“Semeia-se corpo em corrupção, ressuscita em incorrupção. Semeia-se em desonra, ressuscita em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscita em poder” (1Co 15.42-43). Cristo “transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória” (Fp 3.21). O idoso cristão que olha para as próprias mãos trêmulas pode saber que aquele corpo não caminha para o nada, mas para a glória. A velhice não é a última palavra sobre o corpo; a ressurreição é.

E sobre a morte, o Novo Testamento fala com uma serenidade que escandaliza nossa cultura. Paulo, já idoso e prisioneiro, escreve: “Para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Fp 1.21), e confessa o desejo de “partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor” (Fp 1.23). Perto do fim, faz o balanço sem amargura: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé” (2Tm 4.7). E João contempla o desfecho de tudo: Deus “lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e já não existirá mais morte, nem haverá luto, nem pranto, nem dor” (Ap 21.4).

O cristão idoso não precisa fingir que não teme; precisa saber que aquele a quem ele vai encontrar já venceu aquilo que ele teme (Jo 11.25-26; Hb 2.14-15).

────────────────────────────

  1. A quarta resposta: a velhice como vocação, não como aposentadoria espiritual

O Novo Testamento abre com dois idosos no Templo, e isso não é detalhe decorativo.

Simeão, homem “justo e piedoso”, passou a vida esperando a consolação de Israel; e foi na velhice, não na juventude, que seus olhos viram a salvação (Lc 2.25-32). Sua oração, “agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo” (Lc 2.29), mostra um homem para quem a proximidade da morte não é derrota, mas cumprimento.

Ana, viúva de 84 anos, reúne em si quase todos os dramas descritos acima: perdeu o marido cedo, envelheceu sozinha, não tinha posição social. E, no entanto, Lucas a apresenta como profetisa, que “não se afastava do templo, mas adorava noite e dia” e que “falava a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção” (Lc 2.36-38). Ana transformou a solidão em intercessão e a longevidade em testemunho. Ela e Simeão reconheceram no bebê aquilo que os sacerdotes em atividade não perceberam. Há um tipo de discernimento que só décadas de comunhão com Deus produzem.

Paulo transforma essa realidade em programa eclesiástico. Em Tito 2.2-5, os homens idosos devem ser exemplo de sobriedade, dignidade, fé, amor e perseverança; as mulheres idosas devem ser “mestras do bem”, ensinando as mais jovens. O verbo é forte: mestras. A mulher idosa, que a cultura torna invisível, recebe na igreja uma cátedra. E 2Timóteo 1.5 mostra o alcance disso: a fé de Timóteo habitou “primeiro” na avó Loide e na mãe Eunice. Uma avó que ora e ensina pode formar um pastor que mudará a história de muitas igrejas.

A velhice cristã, portanto, é uma mudança de vocação, não o fim dela. O idoso passa de construtor a formador, de executor a intercessor, de protagonista a testemunha. A pergunta da segunda metade da vida, “quem posso formar?”, torna-se na terceira idade a pergunta central: que fé, que histórias, que sabedoria e que oração deixarei plantadas em quem fica?

────────────────────────────

  1. A quinta resposta: a igreja como família dos que envelhecem

O Novo Testamento não entrega o idoso à própria sorte nem apenas ao Estado; entrega-o à igreja e à família.

Jesus confrontou duramente os que usavam pretextos religiosos para não sustentar os pais idosos, chamando isso de invalidação da palavra de Deus (Mc 7.9-13). Na cruz, em plena agonia, providenciou cuidado para sua mãe (Jo 19.26-27). Paulo ordena que os filhos e netos aprendam “primeiro” a exercer piedade para com a própria casa e a recompensar seus pais, e declara que quem não cuida dos seus “negou a fé e é pior do que o descrente” (1Tm 5.4,8). Tiago define a religião pura diante de Deus como visitar órfãos e viúvas nas suas tribulações (Tg 1.27). E 1Timóteo 5.1-2 estabelece o tom relacional: o idoso deve ser tratado “como a pai”, a idosa “como a mãe”. Não como problema logístico. Como família.

Uma igreja que segue o Novo Testamento, portanto, não pergunta apenas “o que fazemos com os nossos idosos?”, mas “o que os nossos idosos são para nós?”. A resposta bíblica: são pais, mães, mestres, intercessores e portadores da memória da fé.

────────────────────────────

  1. Caminhos práticos

Para o próprio idoso:

  1. Nomear as perdas diante de Deus, sem disfarce. Os salmos de lamento, como o Salmo 71, mostram que a oração honesta é o oposto da incredulidade.

  2. Recusar a aposentadoria espiritual. Ninguém se aposenta da oração, do testemunho, do discipulado, da hospitalidade e do amor.

  3. Cultivar deliberadamente a vida interior que se renova (2Co 4.16): Escritura, oração, comunhão, gratidão diária.

  4. Cuidar do corpo sem idolatrá-lo nem desprezá-lo: médico, movimento, sono e alimentação são mordomia, não vaidade.

  5. Pedir ajuda sem vergonha. Depender dos outros não é indignidade; na economia de Cristo, é oportunidade para que outros exerçam o amor (Gl 6.2).

  6. Preparar o legado: conversas intencionais com filhos e netos, histórias contadas, reconciliações feitas, fé transmitida.

Para a família e a igreja:

  1. Presença antes de programa. O idoso precisa menos de eventos e mais de gente que sente, escuta e volta.

  2. Dar função, não apenas assistência: conselhos consultivos, ministérios de intercessão, mentoria de casais jovens, ensino de novas gerações, memória viva da história da igreja local.

  3. Levar a sério os sinais persistentes de tristeza, apatia, confusão ou isolamento, encaminhando para avaliação médica e psicológica. Depressão em idosos é frequente, tratável e perigosamente subdiagnosticada, sobretudo em homens.

  4. Vigiar contra o abandono e contra a violência patrimonial, financeira e emocional, que atingem idosos inclusive dentro de famílias evangélicas.

  5. Acompanhar viúvas e viúvos no primeiro ano de luto com constância, não apenas na semana do funeral.

  6. Preparar a comunidade para falar de morte com esperança, incluindo o cuidado pastoral no fim da vida, quando o ministério mais importante é estar presente.

Uma série de mensagens poderia seguir este percurso: 1) Não me desampares na velhice (Sl 71); 2) O exterior se desgasta, o interior se renova (2Co 4.16-18); 3) Simeão e Ana: olhos velhos que viram primeiro (Lc 2.25-38); 4) Mestras do bem: a vocação da mulher idosa (Tt 2.3-5; 2Tm 1.5); 5) Honrar pai e mãe até o fim (Mc 7.9-13; 1Tm 5); 6) O morrer é lucro: envelhecendo rumo à ressurreição (Fp 1.21; 1Co 15).

────────────────────────────

  1. Minha Conclusão

Depois de considerar o drama e as respostas, deixo explícita a minha convicção.

A terceira idade é, de fato, marcada por perdas reais, que não devem ser minimizadas nem espiritualizadas: o corpo declina, os papéis terminam, os amados partem, a morte se aproxima. Uma pastoral honesta começa reconhecendo isso, e uma igreja fiel oferece junto com a oração também escuta, presença, cuidado prático e encaminhamento profissional quando necessário.

Mas sustento, com base no Novo Testamento, que a velhice não é essencialmente declínio; é a última etapa da formação de um filho ou de uma filha de Deus antes da glória. O homem exterior se desgasta, e nisso não há escolha; o homem interior pode renovar-se de dia em dia, e nisso há. A identidade do idoso cristão não repousa no que ele ainda produz, sustenta ou aparenta, mas na graça que o adotou, na ressurreição que o aguarda e na vocação que permanece: adorar como Simeão, interceder e testemunhar como Ana, ensinar como as mestras do bem, terminar a carreira como Paulo.

Por isso, a igreja que marginaliza seus idosos não está apenas cometendo uma injustiça social; está desperdiçando um dos seus maiores tesouros espirituais e contradizendo o próprio evangelho que prega. E o cristão que envelhece pode levantar os olhos com realismo e esperança: o melhor da sua história não está atrás dele. Está diante dele, guardado por aquele que prometeu: “Até a velhice eu serei o mesmo e, até as cãs, eu os carregarei” (Is 46.4).

(Autor Bispo José Ildo Swartele de Mello)

A Igreja Diante da Violência Contra a Mulher+

A violência contra a mulher é pecado grave, crime e uma afronta direta ao evangelho de Cristo. Ela pode acontecer dentro do casamento, no namoro, na família, no trabalho, na igreja ou em qualquer outro ambiente. Pode assumir a forma de agressão física, ameaça, humilhação, abuso psicológico, sexual, financeiro, moral ou espiritual.

Nenhum texto bíblico pode ser usado para justificar, minimizar ou silenciar uma vítima.

Homens e mulheres foram criados à imagem de Deus (Gn 1.27). Portanto, toda mulher deve ser tratada com dignidade, respeito e honra: esposas, filhas, mães, irmãs, namoradas, colegas de trabalho, irmãs em Cristo e qualquer outra mulher.

Alguns distorcem textos bíblicos sobre submissão para encobrir abusos dentro do lar. Isto é uma perversão da Palavra de Deus. Efésios 5 não autoriza o marido a controlar, ameaçar ou ferir sua esposa. Ao contrário, ordena: “Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela” (Ef 5.25).

Este é o padrão de Cristo para todo homem: o homem de valor é aquele que dá a vida para proteger, servir e honrar uma mulher; não aquele que tira sua vida, destrói sua dignidade ou transforma sua existência em medo.

Força não é agressividade. Liderança não é controle. Masculinidade não é intimidação. O homem verdadeiramente forte usa sua força para defender os vulneráveis, não para dominá-los.

Jesus tratou mulheres com respeito, compaixão e dignidade. Ele ouviu as desprezadas, acolheu as feridas e defendeu as vulneráveis. Um homem que deseja parecer-se com Cristo jamais será violento contra uma mulher, nem permanecerá indiferente quando ela sofre violência.

A igreja deve ser um lugar seguro. Precisamos acolher, ouvir, proteger e orientar mulheres que sofrem abuso. Violência não é simples “problema de relacionamento”; é pecado grave e, muitas vezes, crime. Perdão não significa permanecer exposta ao perigo. Buscar proteção, denunciar e recorrer às autoridades não é falta de fé; é valorizar a vida que Deus criou.

Em caso de emergência, ligue 190. Para orientação e acolhimento, procure o Ligue 180.

Que Deus nos ajude a formar homens segundo o caráter de Cristo: firmes na fé, fortes no caráter, humildes no coração e comprometidos em proteger a vida, a dignidade e a segurança das mulheres.

(Autor Bispo José Ildo Swartele de Mello)

O Vício Silencioso: Como as Bets Estão Destruindo Lares+

Abra o celular. Ligue a TV no jogo de futebol. Entre no ônibus. A mensagem está em todo canto: faça sua aposta, mude de vida, ganhe dinheiro rápido.

O que vendem como diversão virou um cassino dentro de casa, funcionando dia e noite. E por trás dos aplicativos coloridos e dos influenciadores sorrindo, está um dos vícios mais cruéis e silenciosos do nosso tempo: a ludopatia, o vício em jogos de azar.

A falsa promessa

A gente trabalha o mês inteiro e ainda mal fecha as contas. É bem aí, no cansaço e na vontade de uma vida melhor, que as bets entram. Elas não vendem um jogo. Vendem a ilusão de um atalho. Só que a conta do cassino nunca muda: a casa sempre ganha. O aplicativo não foi feito para tirar ninguém da pobreza. Foi feito para passar o seu dinheiro para o bolso dos donos da plataforma. E os que mais apostam e mais se afundam em dívida são justamente quem mais precisava daquele dinheiro.

Jogue com responsabilidade

Toda propaganda repete essa frase. Mas pense bem: como cobrar responsabilidade de quem caiu num sistema feito de propósito para viciar? Quase metade das pessoas que entram nesses aplicativos acaba dependente. Pedir moderação a quem já está preso é como oferecer uma dose a um alcoólatra e dizer “beba com calma”. A culpa não é da vítima.

O vício que ninguém vê

A droga deixa marca no corpo. A aposta, não. A pessoa está ali, jantando com a família, mas a cabeça está longe, presa na ansiedade de saber se o time vai fazer o número de escanteios que ela apostou.

O futebol, que era encontro e alegria entre amigos, virou aflição. O torcedor virou um apostador marcado para perder.

E quando o dinheiro acaba, começa o ciclo:

1️⃣ A perda e a vergonha — some o dinheiro do aluguel, da comida.

2️⃣ A ilusão — “se eu apostar mais uma vez, recupero tudo.”

3️⃣ As mentiras e as dívidas — empréstimos com parentes, depois com agiotas.

4️⃣ O fundo do poço — casamentos que terminam, lares amargurados, depressão e, muitas vezes, o suicídio.

O que a Bíblia já dizia

Muito antes dos algoritmos, a Palavra já avisava sobre o perigo do dinheiro fácil e da ganância.

📖 “É a bênção do Senhor que enriquece, e ele não acrescenta dores.” (Pv 10.22)

📖 “Os bens que facilmente se ganham, facilmente se perdem; mas o que ajunta à força do seu trabalho terá aumento.” (Pv 13.11)

📖 “Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos tolos e nocivos, que afundam os homens na ruína e na destruição. Pois o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males.” (1Tm 6.9-10)

📖 “Tudo me é permitido, mas eu não deixarei que nada me domine.” (1Co 6.12)

Repare na diferença. A bênção de Deus enriquece sem trazer dor junto. A aposta promete riqueza e entrega ruína. Seguir a Cristo é liberdade. O vício é escravidão. Quando o celular começa a mandar no seu humor e a engolir o seu dinheiro, ele virou um ídolo.

Quebrando o silêncio

Essas plataformas vivem da vergonha de quem está perdendo tudo. O segredo alimenta o vício. A verdade e o pedido de ajuda enfraquecem ele.

Se você, ou alguém que você ama, está preso nessa armadilha: fale sobre isso. Procure a família. Busque um profissional de saúde mental. Encontre apoio numa comunidade de fé.

Há perdão. Há recomeço. E há caminho honesto para reconstruir a vida. 🙏

Bispo José Ildo Swartele de Mello

O Paradoxo do Jovem Rico+

A história do Jovem Rico é um dos relatos mais impactantes dos Evangelhos. Diante do próprio Cristo, um homem apegado às suas posses escolhe dar as costas à salvação, entristecido pela exigência de abrir mão de sua riqueza. No entanto, quando analisamos esse episódio através das lentes do Calvinismo e de seu determinismo absoluto, a narrativa deixa de ser uma lição sobre idolatria e escolha humana para se tornar uma profunda e insolúvel contradição lógica.

Se dissecarmos as premissas da teologia determinista, descobrimos que a riqueza desse jovem falha miseravelmente como explicação para sua rejeição a Cristo. Vamos examinar, passo a passo, por que a leitura determinista entra em colapso quando confrontada com a narrativa bíblica e a natureza humana.

A Riqueza Como Uma Falsa Barreira

Dentro do sistema determinista, ensina-se a doutrina da “Depravação Total” ou “Incapacidade Total”, segundo a qual todos os seres humanos nascem em um estado de cegueira espiritual absoluta. Nenhuma pessoa, por si só, possui a capacidade de responder a Deus.

Aqui reside a primeira grande contradição: se todos já nascem totalmente cegos e incapazes, qual é a relevância de o jovem ser rico? Dizer que o apego ao dinheiro foi o que o “cegou” para a verdade é uma redundância ilógica. Sob a ótica determinista, um homem miserável, sem um centavo no bolso, possui exatamente a mesma cegueira inata e a mesma total incapacidade de crer. Portanto, apontar a riqueza como a barreira que o impediu de se humilhar não faz sentido algum se, desde o seu nascimento, a sua rejeição já era uma condição inalterável, independentemente de sua classe socioeconômica.

### O Problema do Decreto Absoluto e a Origem do Orgulho

O Jovem Rico estava orgulhoso de suas próprias realizações morais e apegado aos seus bens. Mas de onde veio esse orgulho?

Se adotarmos a premissa de que Deus decreta absolutamente tudo o que acontece no universo de forma exaustiva (o determinismo teológico), somos forçados a uma conclusão desconfortável: Deus teria decretado o próprio orgulho e o apego material do jovem. Dizer que o jovem rejeitou a Cristo por causa de seu orgulho, mas ao mesmo tempo afirmar que Deus predeterminou que ele seria orgulhoso dessa exata maneira, cria um ciclo sem saída. Torna-se impossível conciliar um Deus perfeitamente santo com a ideia de que Ele próprio orquestra os sentimentos pecaminosos que atuam como barreira para a salvação.

A Ilógica de “Vendar um Cadáver

A narrativa bíblica frequentemente nos alerta sobre a ação do inimigo em tentar enganar a humanidade. Mas se o determinismo é verdadeiro e o homem natural já nasce “espiritualmente morto” e completamente incapaz de ver a verdade sem uma intervenção irresistível, qual é o sentido da ação de Satanás?

Tentar cegar o entendimento de alguém que já nasceu com cegueira total é tão redundante e inútil quanto colocar uma venda nos olhos de um cadáver. A realidade que a Escritura apresenta é muito mais dinâmica e responsável: os seres humanos nascem com uma consciência ativa, com “olhos para ver e ouvidos para ouvir”. O trágico não é que eles nascem sem olhos espirituais, mas sim que eles escolhem ativamente fechar os seus olhos para a verdade, suprimindo-a e trocando-a por mentiras. A culpa recai inteiramente sobre o indivíduo que recusa a luz, e não sobre um decreto prévio de nascença.

### O Teste Decisivo: O Jovem Rico versus Zaqueu

Para provar definitivamente que a riqueza em si não é o elemento determinante — e que o livre-arbítrio humano desempenha um papel real —, basta olhar para outro personagem dos Evangelhos: Zaqueu.

Lucas nos apresenta dois homens extremamente ricos em capítulos muito próximos.

* O Jovem Rico ouve a exigência de Cristo, recusa-se a abrir mão de seu dinheiro e vai embora triste.

* Zaqueu recebe Cristo, arrepende-se profundamente e voluntariamente restitui e doa suas riquezas.

Se o determinismo estivesse correto, a única diferença entre os dois não estaria em suas vontades ou respostas à riqueza, mas no fato arbitrário de que um foi secretamente “programado” (ou irresistivelmente regenerado) para crer, e o outro não. Nessa visão, a riqueza não passa de um mero cenário de fundo irrelevante. A verdadeira leitura bíblica, contudo, é muito mais enfática: ambos possuíam a real capacidade e a responsabilidade de responder ao chamado de Jesus. Zaqueu escolheu segui-lo; o Jovem Rico escolheu dar as costas. A responsabilidade da escolha é genuína.

### O Propósito da Persuasão e da Apologética

Se as pessoas não podem crer a menos que sejam irresistivelmente forçadas por Deus a fazê-lo, todo o esforço de persuasão humana perde seu sentido central. Pensemos no trabalho da apologética cristã e nos inumeráveis casos de céticos (como investigadores e jornalistas ateus) que se renderam à fé após analisarem profundamente as evidências da ressurreição.

Eles foram convencidos. Suas dúvidas intelectuais e barreiras morais foram derrubadas através de argumentos e provas. Paulo passava dias inteiros tentando persuadir judeus e gregos. A persuasão só tem relevância genuína em um universo onde os seres humanos são agentes morais livres, capazes de mudar de ideia ao serem confrontados com a verdade. No determinismo absoluto, a argumentação é apenas uma formalidade cerimonial para uma decisão que já foi tomada nos bastidores da eternidade.

Conclusão: A Responsabilidade Inegável

Existe uma intenção louvável na teologia determinista: tentar dar glória total e exclusiva a Deus por nossa salvação. É inegável que sem a graça, o chamado e a revelação divina, ninguém poderia se salvar. Deus merece todo o crédito pelos presentes que oferece.

Contudo, um presente não precisa ser “imposto de forma irresistível” para que o doador receba toda a glória por tê-lo dado. O grande perigo do sistema determinista é que, na tentativa de exaltar a soberania divina, ele acaba inadvertidamente culpando Deus pela rejeição e pela descrença daqueles que se perdem.

Ao transformar Deus na própria barreira que impede as pessoas de crerem (seja por não as escolher, seja por decretar suas cegueiras), remove-se a verdadeira culpa do indivíduo. O Jovem Rico se afastou de Jesus por uma escolha própria, trágica e real. Somente quando entendemos que a graça possibilita a escolha — sem forçá-la — é que a justiça de Deus e a responsabilidade humana brilham em perfeita harmonia.

(Autor Bispo José Ildo Swartele de Mello)