Profecias do Antigo TestamentoAula 1

Gênesis 3.15: a primeira profecia

“Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.”Gênesis 3.15

Bispo Ildo MelloLeitura prévia: Gn 3.1-15; Rm 5.12-21; Cl 2.13-15

Para começar

Uma promessa entre os destroços

Temos aqui a primeira profecia da Bíblia, pronunciada ainda no Éden, logo após a queda humana em pecado e desgraça.

Esta profecia fala do amor de Deus, que não desistiu da humanidade nem a abandonou à sua própria sorte. Por amor, Deus promete intervir na história humana, promovendo redenção (Jo 3.16). É o primeiro anúncio do Evangelho, e por isso a tradição o chama de Protoevangelium: ótima notícia para os filhos de Adão, e péssima para Satanás. O triunfo de Satanás no Éden não é definitivo.

Nas palavras do Bispo: Deus está dizendo a Satanás, “pode ir tirando este sorriso dos lábios e o cavalinho da chuva, e bota tua barba de molho, pois a tua hora vai chegar! Há de nascer um homem capaz de te enfrentar e te vencer!”

Assim como o pecado e a maldição entraram no mundo pela derrota de Adão, a redenção humana viria através da vitória de um segundo Adão, Jesus Cristo, que pisará a cabeça da serpente. Cristo veio em cumprimento de uma promessa feita entre os destroços causados pelo pecado de Adão. Nosso pecado pode ser grande, mas, como a promessa é maior do que a transgressão, através do grande sacrifício de Cristo há libertação (Rm 5.12-21).

A estrutura

Um resumo de toda a Bíblia

Todo o resto da Bíblia flui deste versículo. Cristo está presente nele em três tempos: Natal, Páscoa e Segunda Vinda.

1

Seu nascimento

O descendente da mulher: o menino que nasceria para nós, o Emanuel, o Verbo feito carne (Is 9.6; Mt 1.23; Jo 1.14).

2

Sua cruz

Ferido no calcanhar: ferido de morte no processo redentor, mas não derrotado, pois ressuscitou (Is 53.4-12).

3

Seu triunfo final

Pisará a cabeça da serpente. Paulo se referia a isto: “E o Deus da paz, em breve, esmagará debaixo dos vossos pés a Satanás” (Rm 16.20).

Natal

O Descendente que esmaga a serpente

Cristo é o prometido Descendente da mulher que um dia viria para esmagar a cabeça da Serpente.

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (Jo 1.14).

Páscoa

A batalha da cruz

No processo redentor, seu calcanhar seria ferido, como aconteceu na cruz: ferido de morte, ressuscitou para pisar a cabeça da serpente.

Jesus enfrenta a antiga Serpente, que é Satanás, e vence todas as suas tentações (Mc 1.13; Hb 4.14-15). O único homem verdadeiramente santo e justo assume a culpa dos pecadores e a sentença de morte que era certa sobre eles (2Co 5.21; 1Jo 3.5; Is 53.4-12). O intento de Satanás de separar a humanidade de Deus foi frustrado (1Jo 3.8). O véu do templo se rasgou de alto a baixo (Mc 15.38). Deus, através de Cristo, está reconciliando consigo o mundo (2Co 5.19; Rm 5.1). Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29; 3.17).

O tempo presente

A batalha foi ganha, a guerra continua

A batalha decisiva já foi ganha e, em Cristo, já somos mais do que vencedores. Mas a luta continua: a guerra contra o mal ainda não acabou.

Cristo segue lutando contra o mal através do seu Corpo, que é a Igreja. “Eis que vos dou poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará dano algum” (Lc 10.19). As portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja (Mt 16.18).

A batalha decisiva foi vencida na cruz; Satanás foi despojado e exposto (Cl 2.15); em Cristo somos mais do que vencedores (Rm 8.37).

Ainda não

A guerra prossegue até a Segunda Vinda; a Igreja avança na missão, e o inimigo resiste, mas não prevalece (Lc 10.19; Mt 16.18).

Segunda Vinda

O triunfo final

No final, este versículo prediz que Jesus triunfará por completo sobre Satanás, por ocasião da batalha final que culminará com a Segunda Vinda de Cristo e o juízo final contra Satanás.

“Marcharam, então, pela superfície da terra e sitiaram o acampamento dos santos e a cidade querida; desceu, porém, fogo do céu e os consumiu. O diabo, o sedutor deles, foi lançado para dentro do lago de fogo e enxofre… e serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos” (Ap 20.9-10).

O fio do curso começa aqui. Da promessa no Éden até a nova criação, a profecia bíblica conta uma única história, cujo centro é Cristo. As próximas aulas mostram como ler cada capítulo desse fio sem perdê-lo de vista: Isaías 65, Zacarias 14, as Setenta Semanas de Daniel e a queda de Damasco.

Fixação

Cartões de memorização

Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.

Avaliação

Teste o que você aprendeu

Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final, e duas perguntas para reflexão com resposta sugerida. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe. Errar aqui também ensina.

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Para pensar e conversar

Perguntas para reflexão

A primeira profecia foi dada entre os destroços da queda. O que isso ensina a quem está, hoje, no meio dos destroços de uma queda, um fracasso ou uma perda?Ver resposta sugerida
Ensina que os destroços não são o fim da história quando Deus resolve falar. Adão e Eva ouviram a promessa no pior dia de suas vidas, antes de qualquer arrependimento maduro, antes de qualquer mérito. É a graça que toma a iniciativa (Rm 5.8): Deus procura, veste e promete. Quem caiu não precisa se reconstruir primeiro para depois se aproximar de Deus; aproxima-se em ruínas, porque a promessa é maior do que a transgressão (Rm 5.20). Pastoralmente, isso muda o tom da conversa com quem fracassou: em vez de começar pela lista do que fazer, comece pelo que Deus já disse e já fez em Cristo. O caminho de volta existe porque foi aberto do lado de lá.
Como responder a quem diz que o Antigo Testamento não fala de Cristo, ou que a Bíblia é uma coleção de histórias desconexas?Ver resposta sugerida
Comece por Gênesis 3.15 e mostre o fio: o descendente prometido no Éden, esperado pelos patriarcas (Gn 22.18), anunciado pelos profetas (Is 9.6), nascido da mulher em Belém (Gl 4.4; Mt 1.23), ferido na cruz e vitorioso na ressurreição (Cl 2.15), até o esmagamento final da serpente (Rm 16.20; Ap 20.10). Foi o próprio Jesus quem leu a Escritura assim: “começando por Moisés, e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras” (Lc 24.27). A Bíblia não é uma antologia de moralidades: é uma única promessa perseguida através dos séculos. Convide a pessoa a reler o Antigo Testamento com essa pergunta: onde está o Descendente nesta página?

Para ver e rever

A aula em vídeo

Se você preferir ouvir a mensagem inteira de uma vez, esta exposição do Bispo Ildo percorre o mesmo caminho da lição: a promessa no Éden, a cruz e o triunfo final.

A Primeira Profecia: O “Protoevangelium”! · Bispo Ildo Mello

Para casa e próxima aula

Para aprofundar. Esta aula nasceu do estudo A primeira profecia: O Protoevangelium!, do Bispo Ildo Mello, que você pode ler e compartilhar em página própria.

Tarefas

Ler Gênesis 3.1-15, Romanos 5.12-21 e Colossenses 2.13-15, anotando como cada texto descreve a derrota da serpente; e escrever, em poucas linhas, como você explicaria a alguém que o Evangelho começa em Gênesis, e não em Mateus.

Aula 2

Isaías 65: o argumento pré-milenista ouvido na sua melhor forma, os novos céus e a nova terra, a morte aos cem anos e a leitura que Pedro e João fazem da mesma promessa. Ir para a Aula 2 →

Citações bíblicas conforme o estudo original do autor. · Bispo Ildo Mello