Uma época de grande paz
O texto fala de um tempo futuro em que Jerusalém será alegria, o choro cessará e o lobo e o cordeiro pastarão juntos (Is 65.18-19, 25).
“Pois eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá lembrança das coisas passadas.”Isaías 65.17 · NAA
Para começar
Isaías 65 é frequentemente usado como argumento em favor do pré-milenismo. Antes de responder, vale ouvir o argumento na sua melhor forma.
O texto fala de um tempo futuro em que Jerusalém será alegria, o choro cessará e o lobo e o cordeiro pastarão juntos (Is 65.18-19, 25).
“Morrer aos cem anos é morrer ainda jovem” (Is 65.20). Se alguém morre, conclui-se, não pode ser o estado eterno.
A conclusão pré-milenista: Isaías não estaria falando do estado eterno, mas de um reino intermediário de mil anos antes da nova criação. O argumento parece forte à primeira vista.
Mas há um problema importante: o próprio Isaías chama essa realidade de “novos céus e nova terra”. É por aí que esta aula começa.
A chave do capítulo
Antes de perguntar o que Isaías 65 descreve, vale perguntar como o próprio profeta chama o que descreve.
“Pois eis que eu crio novos céus e nova terra” (Is 65.17). A mesma expressão aparece novamente em Isaías 66.22.
Quando o Novo Testamento retoma essa promessa, não a coloca em um reino provisório de mil anos.
Pedro
“Segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita a justiça.”
2Pedro 3.13
João
“Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram.”
Apocalipse 21.1
Primeira objeção
“Porque morrer aos cem anos é morrer ainda jovem” (Is 65.20). É aqui que o pré-milenista costuma perguntar: se alguém morre, como isso pode ser a nova criação?
A resposta está na maneira como os profetas descrevem o futuro. Isaías fala da realidade futura usando imagens compreensíveis aos seus primeiros leitores. Para um povo marcado por guerra, mortalidade infantil, invasões, perda de casas e colheitas, a bênção de Deus é descrita como longa vida, segurança, paz e prosperidade.
O ponto de Isaías 65.20 não é estabelecer a expectativa de vida dos habitantes de um futuro milênio. O contraste é com a morte prematura: “Nunca mais haverá nela criança para viver poucos dias, nem velho que não cumpra os seus dias” (Is 65.20). A ideia é clara: a maldição será revertida. A vida será plena. Cem anos seriam considerados juventude.
Isaías viu
A vitória sobre a morte descrita com a linguagem de extraordinária longevidade.
João mostra o cumprimento pleno
“E a morte já não existirá” (Ap 21.4). A própria morte desaparecerá.
Isso não é contradição. É revelação progressiva.
Segunda objeção
“O lobo e o cordeiro pastarão juntos, e o leão comerá palha como o boi” (Is 65.25).
Novamente, o próprio texto explica o sentido principal: “Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte” (Is 65.25). A imagem fala da reversão da violência e da maldição.
Não há necessidade de negar que a nova criação possa incluir uma transformação real do mundo animal. Paulo afirma que “a própria criação será libertada do cativeiro da corrupção” (Rm 8.21). Mas nada nesse texto exige um milênio intermediário. A promessa é de uma criação restaurada, livre da violência e da corrupção.
Como ler profecia
Interpretar uma profecia segundo seu gênero não significa negar seu cumprimento real.
“Os montes e as colinas romperão em cânticos diante de vocês, e todas as árvores do campo baterão palmas” (Is 55.12).
Ninguém espera literalmente árvores com mãos. Isso não torna a promessa menos verdadeira.
Da mesma forma, longa vida, casas, vinhas, animais em paz e uma Jerusalém alegre são imagens concretas de um mundo completamente restaurado por Deus. A realidade será maior do que as imagens usadas para descrevê-la.
O outro lado da balança
Há ainda uma dificuldade que merece atenção.
Isaías descreve essa realidade dizendo: “Não se fará mal nem dano algum” (Is 65.25). Mas, segundo a interpretação pré-milenista de Apocalipse 20, ao final do milênio haverá uma grande rebelião das nações contra Cristo e seu povo (Ap 20.7-9).
A linguagem de Isaías se aproxima muito mais da consumação de Apocalipse 21: “E lhes enxugará dos olhos toda lágrima. E a morte já não existirá. Já não haverá luto, nem pranto, nem dor” (Ap 21.4).
Isaías fala de novos céus e nova terra, ausência de choro e fim da violência. João fala de novo céu e nova terra, ausência de lágrimas e fim da morte. A ligação é evidente.
Síntese
Isaías contemplou a nova criação a partir das categorias do seu próprio mundo.
Por isso, Isaías 65 não exige um milênio futuro literal. O texto se encaixa muito bem na esperança amilenista: Cristo reina, voltará em glória, os mortos ressuscitarão, o juízo acontecerá e Deus renovará todas as coisas.
A grande questão é simples: se Isaías chama essa realidade de “novos céus e nova terra”, e se Pedro e João usam a mesma expressão para a consumação final, por que transformá-la num reino provisório de mil anos? A leitura mais natural é deixar que o Novo Testamento explique a profecia.
Isaías viu a nova criação de longe. João a descreveu assim: “Eis que faço novas todas as coisas” (Ap 21.5).
Fixação
Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.
Avaliação
Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final, e duas perguntas para reflexão com resposta sugerida. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe. Errar aqui também ensina.
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Para pensar e conversar
Para aprofundar. Esta aula nasceu do estudo Isaías 65 ensina um milênio futuro?, do Bispo Ildo Mello, que você pode ler e compartilhar em página própria.
Tarefas
Ler Isaías 65.17-25, 2Pedro 3.8-13 e Apocalipse 21.1-8 (NAA), anotando as expressões que os três textos têm em comum; e escrever, em poucas linhas, a resposta que você daria a alguém que usa Isaías 65.20 para provar um milênio futuro.
Aula 3
Zacarias 14: o Dia do Senhor, o cerco de Jerusalém, o monte que se fende, as águas vivas e a Festa dos Tabernáculos, lidos com os olhos de Jesus e dos Apóstolos. Ir para a Aula 3 →
Citações bíblicas: Nova Almeida Atualizada (NAA). · Bispo Ildo Mello