Meus Sermões · Volume 1 · A presença de Deus

Se a tua presença não vai comigo, não nos faça subir deste lugar

Capítulo 13 de 14 · 3.986 palavras

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Texto base: Êxodo 33.15

1. Moisés diante de Deus

Êxodo, capítulo 33, versículo 15. Antes, é Deus conversando com Moisés; agora é Moisés que vai falar com Deus. E olha o que Moisés diz para Deus: "Então Moisés lhe disse: Se a tua presença não vai comigo, não nos faças subir deste lugar" (Êx 33.15). Não nos faça mover sequer o passo. "Não ouso", diz Moisés, "eu não ouso andar um só passo sequer sem a tua presença. Se a tua presença não estiver comigo, eu não vou para lugar nenhum. Eu não saio daqui. Eu não me movo."

Você percebe que Moisés valorizava muito a presença de Deus? Lendo esse capítulo todo, você vai perceber que Moisés era um homem que falava com Deus face a face (Êx 33.11), um homem que tinha intimidade com Deus.

Mas sabe por que Moisés está dizendo isso para Deus aqui? Dê uma olhada no capítulo 32. Naquelas Bíblias que têm título, qual é o título do capítulo 32? O bezerro de ouro.

2. O bezerro de ouro: quando o povo não soube esperar

Que história é essa do bezerro de ouro? Deus libertou milagrosamente o povo hebreu do cativeiro egípcio. O povo hebreu clamou, porque sofria muito a opressão, o domínio, a escravidão no Egito; foram muitos e muitos anos de sofrimento. Esse clamor chegou aos ouvidos de Deus, e Deus levantou o seu servo Moisés (Êx 3.7-10). As pragas caíram sobre o Egito, o mar se abriu, o povo passou, o povo foi liberto e estava a caminho da terra de Canaã.

O povo viu Moisés subir ao alto monte Sinai. Só que ele se demorou. Moisés subiu para falar com Deus face a face no alto do monte, e passou uma semana, passaram dez dias, vinte, trinta, quarenta dias — e nada de Moisés descer (Êx 24.18). O povo ficou impaciente. O povo começou a pensar: "Moisés morreu; nunca vai descer." E o povo impaciente, o povo que não soube esperar em Deus, pressionou, fez uma greve, fez um motim, promoveu uma rebelião. E no que deu essa rebelião? O povo pediu e clamou para que Arão fizesse um bezerro de ouro, porque o povo queria adorar outro deus (Êx 32.1-4).

Pare para pensar: o povo que acabara de ver o mar Vermelho se abrindo, que viu as pragas caindo sobre o Egito, que recebeu tamanha libertação — porque Moisés demorou quarenta dias, decidiu abandonar a Deus e adorar o bezerro. Deus ficou indignado. Moisés fica indignado, quebra até as tábuas da lei (Êx 32.19).

E nós? Quando a resposta da nossa oração não vem rapidamente, quando Deus parece estar distante, será que não temos também a tentação de abandonar a Deus, de pensar que Deus se esqueceu de nós?

Pois bem: esse povo fez isso. E porque fez isso, veja o que dizem os versículos 34 e 35 do capítulo 32: "Vai, pois, agora, e conduze o povo para onde te disse. Eis que o meu Anjo irá adiante de ti; porém, no dia da minha visitação, vingarei neles o seu pecado. Feriu, pois, o Senhor o povo, porque fizeram o bezerro que Arão fabricara" (Êx 32.34-35).

E entramos no capítulo 33, que diz: "Disse o Senhor a Moisés: Vai, sobe daqui, tu e o povo que tiraste da terra do Egito, para a terra a respeito da qual jurei a Abraão, a Isaque e a Jacó, dizendo: à tua descendência a darei. Enviarei o Anjo adiante de ti; lançarei fora os cananeus, os amorreus, os heteus, os ferezeus, os heveus e os jebuseus. Sobe para uma terra que mana leite e mel; eu não subirei no meio de ti, porque és povo de dura cerviz, para que eu não te consuma no caminho" (Êx 33.1-3).

3. O pecado quebra a amizade com Deus

Sabe, Deus é santo. Para ter amizade com ele, para caminhar com ele, é preciso desejar caminhar em santidade. Deus criou Adão e Eva, e eles estavam no paraíso; quando entrou o pecado, Adão e Eva foram expulsos do paraíso (Gn 3.23-24). O pecado nos separa de Deus, quebra o nosso relacionamento, quebra a nossa amizade (Is 59.2). O pecado, da parte do homem em relação a Deus, é como um voltar as costas para Deus: um afirmar que outras coisas são mais caras, que outras coisas são mais preciosas, mais atraentes, mais apetitosas do que Deus. Queremos mais a companhia do mundo e as coisas do mundo — as coisas transitórias e passageiras desta vida — do que a comunhão e a amizade com Deus.

Veja que Deus está dizendo: "Não quero mais ir com o povo. Vou mandar um anjo, por misericórdia." E o povo ficou muito triste; Moisés fica muito triste com isso (Êx 33.4). Por isso é que temos um apelo de Moisés, e esse apelo se encontra no capítulo 33, mais adiante. Moisés está apelando: "Senhor, se a tua presença não vai conosco, nós não queremos arredar o pé daqui. Nós não queremos comunhão apenas com o teu anjo; nós queremos comunhão contigo. Em primeiro lugar, é a tua presença a nossa garantia; é a tua presença o nosso selo, o selo de que pertencemos a ti. Queremos comunhão contigo, absolutamente. Não queremos apenas a bênção, não queremos a bênção do anjo: nós queremos a presença de Deus."

Pare para pensar nisso. "É o Senhor que nós queremos; nós queremos comunhão contigo." E a comunhão com Deus é a garantia da nossa vitória. A comunhão com Deus é a garantia de que pertencemos a ele, de que somos o povo do pacto, o povo da aliança — um povo aliançado com Deus, um povo reconciliado com Deus, um povo que caminha com Deus, e Deus caminha no meio desse povo.

4. "A minha presença irá contigo, e eu te darei descanso"

E Deus responde, no versículo 14. Deus responde a Moisés e diz: "A minha presença irá contigo, e eu te darei descanso" (Êx 33.14). A minha presença — não um anjo. A minha presença irá contigo, e você vai ter descanso.

Você está sem descanso? Se você não tem paz, talvez seja porque você não esteja consciente da presença de Deus. Quando é que você vai ter paz? Deus disse: "A minha presença irá contigo, e você terá descanso." Jesus disse: "Vinde a mim, todos vós que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas" (Mt 11.28-29).

5. Confiar em Deus, não no Egito

Nos dias de Isaías, o povo estava sendo ameaçado por um exército inimigo — a Assíria —, violento, assustador, muito mais poderoso do que Israel. E sabe o que Israel buscou? Sabe o que o povo de Deus buscou? Buscou aliança com o Egito. Entendeu que, para escapar do inimigo poderoso, precisava aliar-se a outro exército. Confiou mais no Egito do que em Deus.

Dê uma lida em Isaías, a partir do capítulo 30. O que você vai ver? Você vai ver Deus indignado. Deus indignado porque fora trocado mais uma vez — não agora por um bezerro de ouro, mas pela confiança num exército humano, numa aliança com o Egito. Deus é o nosso amparo, é a nossa fortaleza, o nosso socorro bem presente na tribulação (Sl 46.1) — Deus, e não o Egito. Deus é o nosso salvador, e não o Egito. Deus é quem nos livra; é o Senhor que nos cura de todas as nossas enfermidades (Sl 103.3); é o Senhor que nos abençoa; é o Senhor que faz chover sobre a nossa horta; é o Senhor que nos dá paz. Ele é a nossa força, ele é a nossa esperança.

E Deus diz, pela boca do seu servo Isaías: "Em vos converterdes e em sossegardes, está a vossa salvação; na tranquilidade e na confiança, a vossa força. Mas não quisestes" (Is 30.15). Buscastes o Egito. "Ai dos que descem ao Egito em busca de socorro e se apoiam em cavalos; que confiam em carros, porque são muitos, e em cavaleiros, porque são fortes, mas não atentam para o Santo de Israel, nem buscam ao Senhor" (Is 31.1). Ai dos que confiam nos recursos humanos, na capacidade do homem, no braço do homem — que fazem do braço a sua força e não confiam em Deus (Jr 17.5).

Deus estava indignado com o povo lá; ficou indignado com o povo cá. E de quando em quando a gente vê o mesmo se repetindo: as pessoas não confiando em Deus e não tendo paz. Porque não é o Egito que vai nos dar paz, não é o bezerro de ouro que vai nos dar paz; mas o Senhor é a nossa paz. Amém? Confia. Confia em Deus. Espera em Deus.

6. A diferença que faz a presença de Deus

A gente dá uma olhada na Bíblia e vê: quando Deus está com um servo, com uma serva, quanta diferença isso faz!

Vai dando uma olhada lá: Abraão. Abraão foi chamado por Deus, Deus o abençoou, e Abraão foi chamado amigo de Deus (Tg 2.23; Is 41.8) — tal era a intimidade, a comunhão de Abraão com Deus; tal era Deus para Abraão: o grande amigo. Essa amizade trouxe tantos dividendos para a vida de Abraão que você não faz ideia. Gente, ser amigo de Deus é ser amigo da pessoa mais poderosa que há. Não é? Amém? Tem alguém maior do que Deus? Não tem. Tem gente que faz pacto com o capeta para poder se dar bem, para poder fazer sucesso. E o capeta, é páreo para Deus? Não dá para parear o capeta, o inferno, todos os demônios, com Deus. Imagina ser amigo do Ser mais poderoso de todo o universo — que coisa tremenda! Será que damos valor a essa amizade, a esse relacionamento? E será que desse relacionamento não redundará para nós, oh, quanta bênção, paz, segurança?

Pode ser que Deus esteja demorando, como Moisés lá em cima do monte. Calma: Deus não nos abandonou. A resposta não veio na nossa hora? Não veio na nossa hora. Lembre-se de Jairo.

Quando Jairo buscou a Deus, o que aconteceu? "Senhor, tenho pressa; minha filha está para morrer." E Jesus o acompanha (Mc 5.22-24). Jairo tinha urgência da presença de Jesus, da companhia de Jesus, do toque de Jesus para a sua filha, porque a sua filha estava prestes a morrer. Jairo tinha pressa, e Jesus atendeu ao pedido de Jairo: caminha com Jairo. Mas sabe que nesse caminho vão acontecer algumas coisas. E uma delas é que Jesus para. Para e diz: "Alguém me tocou. Quem me tocou?" E começa a conversar com Pedro, e Pedro diz: "Como, alguém te tocou? Tem tanta gente, tantos estão te tocando!" "Não; alguém me tocou de uma maneira especial" (Mc 5.30-33; Lc 8.45-46).

E aí, o que acontece na sequência? Uma mulher — uma mulher trêmula, uma mulher tocada pelo poder de Deus, já curada por Jesus — vai dar o seu testemunho. E você sabe: às vezes o testemunho não acaba mais, porque a mulher começou a contar os detalhes: "Há doze anos isso começou; assim, eu procurei o primeiro médico, depois fui ao segundo médico, eu gastei assim, e o terceiro ano foi assim, e o quarto… e já é o décimo segundo ano, eu perdi tudo…" E ela foi contando. E Jairo ali, apuradíssimo. Mas Jesus não estava com pressa. "Mestre, antes que minha filha morra!" Jesus não tinha nenhuma pressa. A pressa é do homem, não é de Deus. A pressa é nossa; a pressa é fruto da nossa desconfiança, do nosso descaso com o poder de Deus. Porque para Deus não existe "antes que" — nem mesmo "depois que" ela morreu. Porque, quando ele chega à casa, ela já não estava mais viva. Disseram: "Não vale mais a pena incomodar o Mestre; ela morreu" (Mc 5.35). Olha a fé dessa gente!

Para você, talvez, o seu caso seja um caso de morte: "Tentei de tudo, não tem mais jeito, é o fim." Como é o fim? Como é o fim, se Deus, o Ser mais poderoso, está presente, está no nosso meio e está caminhando com a gente — como estava caminhando com Jairo? Se Jesus é o grande amigo de Jairo e partilha essa caminhada, não tem "antes que" nem "depois que": sempre tem vitória. Os amigos de Jesus, os que caminham com ele, vão ver milagres, vão ver a mão do Senhor agindo. Logo você perceberá a diferença que faz Jesus na vida de um ser humano. Aleluia! Logo ficará patente a diferença entre os que creem e os que não creem (Ml 3.18). Deus não decepciona jamais. Pode ser que não responda na nossa hora, mas espera lá: o grande amigo está conosco. E, depois que a menina morreu, um milagre ainda maior: um milagre de ressurreição (Mc 5.41-42). Ainda maior! Confia nisso. Amém?

Então, por que você está temendo? Por que você está ansioso? Parece que você espera que as coisas todas se resolvam para você começar a se sentir mais aliviado. Você não precisa disso. Os pagãos precisam disso; os que não confiam em Deus é que precisam que os ventos todos estejam soprando a favor para se sentirem aliviados. Você não está andando por vista; está andando por fé (2Co 5.7). "O meu justo viverá pela fé" (Hc 2.4). E "ainda que a figueira não floresça, nem haja vacas no curral, eu te louvarei, te bendirei" (Hc 3.17-18). O Senhor é conosco. "Se Deus é por nós, quem será contra nós?" (Rm 8.31).

7. Quem já deu passos sem a presença de Deus?

Por isso é que Moisés não ousava mover um passo. E quanta gente dá passos na vida sem a companhia, sem a presença de Deus, hein? Já parou para pensar nisso? Você já deu? Vamos ver — hora de confissão de pecados agora, hein! Vou perguntar, seja sincero: quem já deu algum passo na vida sem a presença de Deus, levanta a mão bem alto. Eu já estou com a minha aqui, ó. Eu estou com a minha aqui.

E no que deu esse passo? Hum… Se eu fosse contar a história aqui, vou te contar: o negócio ia virar uma vigília. Olha, sabe aquele negócio da pressa, do medo de perder a oportunidade? E assim a gente cai em muitos golpes, até. "Grande oportunidade!" — e não ora, não tem nem tempo de orar. "Não, não, Senhor, sossega, que isso aqui é comigo mesmo. Comigo mesmo! Você não precisa nem me ajudar. Eu já sei de tudo. Eu escolho bem." Ah, quantas decisões precipitadas, quanta coisa feita fora da vontade de Deus!

E quando a gente fez as coisas fora da vontade de Deus, e aí? Olha o que o povo fez: fez coisa fora da vontade de Deus. Ah, vai ter consequência. Você acha que escapa? Não sai assim de graça, não: a gente colhe o que plantou (Gl 6.7). Não é isso? Não tem como escapar das consequências de decisões equivocadas, tomadas fora da presença de Deus. Mas calma lá: há redenção. Calma lá: há esperança, há uma graça, há uma misericórdia trabalhando. Porque Deus responderá, mesmo a um povo de dura cerviz, por amor ao seu servo Moisés. Deus vai dizer: a minha presença vai com você — se você a deseja.

8. A presença de Deus não vai à força

Também não vai à força, contra o gosto de quem quer que seja. Fica sossegado: a presença de Deus não vai com você se você não quiser. Não fica assustado pensando que ela vai com você sem você querer. Porque tem muita gente que não quer a presença de Deus. Porque a presença de Deus é luz, e é luz que espanta as trevas. Se você ama as trevas, você não quer a luz, você não quer amizade com a luz. Se você ama as trevas, se o seu coração está em outro lugar, ah, essa luz te incomoda; essa luz expõe a podridão das trevas. Muita gente não quer.

Jesus não veio para julgar ninguém. Está lá em João, capítulo 3: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele" (Jo 3.16-17). E continua: "O julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz" (Jo 3.19).

E, falando sobre o tema da amizade, a gente vai ver João, na sua epístola, dizendo: "Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo" (1Jo 2.15). E Tiago: "Não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus?" (Tg 4.4). O apego às coisas transitórias e passageiras desta vida se converte em inimizade contra Deus. "O mundo passa, e com ele as suas concupiscências; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre" (1Jo 2.17).

Quem é o nosso grande amigo? Quem é que nós queremos como amigo? Quem é que nós queremos como aliado? Quem é que nós queremos como guia?

9. Os sinais da presença: a nuvem e a coluna de fogo

Porque, quando a presença de Deus se manifestou, ela se realizou em termos, digamos assim, mais físicos. Como sinais dessa presença, nós tínhamos a arca da aliança, tínhamos as tábuas da lei; como sinal dessa presença, nós tínhamos o tabernáculo, nos dias do Antigo Testamento. Como sinal dessa presença, nós tínhamos uma nuvem — uma nuvem que, no deserto, era muito providencial durante o dia, para trazer sombra; uma nuvem como sinal da presença de Deus. E durante a noite — porque no deserto faz frio, porque durante a noite a temperatura se inverte no deserto —, o que nós tínhamos? Uma coluna de fogo. Era o sinal da presença de Deus (Êx 13.21-22).

Só que, de vez em quando, essa nuvem se movia — e era sinal de que o povo deveria caminhar (Nm 9.17). Porque, quando a gente tem Deus como amigo e está aliançado com ele, é ele o sábio, ele o mestre, ele o Senhor; é ele que nos guia. Você quer ser guiado por Deus? Amém? Deseja isso de todo o seu coração? Você está como Moisés: "Senhor, eu não quero dar um só passo mais na minha vida, eu não quero dar um único passo mais na minha vida, se o Senhor não for comigo"?

Deus foi com a vida de Abraão de maneira tão grandiosa que até os ímpios testificaram. O rei Abimeleque disse a Abraão: "Deus é contigo em tudo o que fazes" (Gn 21.22). "Eu tenho visto, eu tenho notado, eu estou plenamente convencido de que Deus é com você; há muitos sinais disso." Os ímpios percebem.

10. Um testemunho pessoal

Quando me entreguei a Cristo, aqueles meus amigos que não eram crentes perceberam várias transformações. E eles perceberam: eu ganhava menos do que eles — boa parte dos meus amigos, trabalhávamos todos juntos, eu era novato ali —, mas o meu salário sempre rendia mais. Com aquele pequeno salário, Deus fazendo multiplicar, eu comprei um carrinho, ajudei meu pai a reformar a casa; mais adiante eu iria construir a minha casinha. Meus amigos testificaram. Chegaram uma vez para mim dois deles e disseram: "Nós estamos admirados. Como é que você consegue?" Eu falo: "E ainda dou o dízimo; nem com cem por cento eu fico!" E Deus fez sempre chover na minha horta; Deus foi sempre o arrimo da minha sorte; Deus sempre me abençoou. Eu digo isso não para me gabar, mas para dizer que faz diferença na vida da gente. Faz diferença na vida da gente quando a gente se entrega ao Senhor.

Sabe, Jeremias, ainda muito jovem — vá lá ler o livro de Jeremias; tem muitos capítulos, mas vale a pena —, Deus disse para ele: "Jeremias, estou te chamando. Mas saiba de uma coisa: é uma tarefa ingrata, uma tarefa até mesmo inglória do ponto de vista humano. Por quê? Porque eu te envio à casa rebelde de Israel. Eles não vão te ouvir; eles vão lutar contra você. Mas saiba de uma coisa: eles jamais vão prevalecer contra você, porque eu sou com você" (Jr 1.7-8, 19). "Eu sou contigo." Esse "eu sou", essa presença de Deus, é que faz toda a diferença. Você imagina o que é ter um país inteiro contra você? Era o caso de Jeremias: o país inteiro contra Jeremias. E Jeremias venceu, triunfou, e no futuro, passados os anos, seria reconhecido como um dos maiores profetas do próprio povo que a princípio o rejeitara.

11. Apelo

E assim vai, meus amados irmãos. E a pergunta que eu torno a fazer a vocês agora é esta: temos — ou você, em particular, pessoalmente, tem — o desejo de dizer o mesmo que Moisés disse para Deus certa vez: "Se a tua presença não vai comigo, não nos faças subir deste lugar, não nos faças dar um passo sequer"?

Coloquemo-nos em pé, curvemos a nossa fronte e oremos ao Senhor.

Você entende que Moisés serve de modelo para a tua vida? Amém? Entende isso? Você se identifica mais com Moisés, ou se identifica mais com as pessoas seculares, que têm outros interesses, que estão buscando outras coisas? Eu queria que levantassem a mão apenas as pessoas que estão sendo desafiadas a fazer o mesmo que Moisés — reconhecendo que têm vacilado nessa sua amizade, nesse seu relacionamento com Deus, nessa sua intimidade com Deus — e desejariam agora fazer a mesma afirmação: "Senhor, se o Senhor não me acompanhar, se o Senhor não estiver presente na minha vida, eu não quero me mover; eu temo me mover; eu não ouso me mover." Então, quem deseja — pare para pensar —, quem deseja mesmo essa presença abençoadora, que traz paz, essa amizade, esse relacionamento, essa luz, levante a sua mão bem alto e confesse comigo agora, juntamente com o servo de Deus Moisés: "Senhor, se a tua presença não for comigo, eu não quero dar um passo sequer. Ajuda-me, Senhor. Faze-te presente na minha vida. Tem misericórdia de mim."

Ó Senhor, como carecemos da tua ajuda, como carecemos do teu amor, como carecemos da tua graça! Ouve a oração dos teus filhos, ouve a oração daqueles que te buscam nesta noite. Nós te pedimos: ouve esse clamor, ouve essa declaração — essa declaração tão poderosa, tão especial, essa declaração histórica do teu servo, que agora fazemos nossa, que agora queremos que seja nossa. Que se repita conosco o que se passou com o teu servo: que a tua presença, ó Senhor, se faça sentir dia após dia, como uma nuvem, como uma coluna de fogo. Pelo poder do teu Espírito Santo, conduze a tua igreja, conduze os teus filhos, conduze-nos, Senhor, por caminhos seguros. O Senhor é o nosso bom Pastor (Sl 23.1; Jo 10.11); o Senhor é quem dá a vida pelas ovelhas; o Senhor é quem nos leva às águas tranquilas, às águas de refrigério (Sl 23.2); o Senhor é o nosso descanso; o Senhor é a nossa paz. Nós queremos, Senhor, experimentar a tua paz; nós queremos discernir a tua presença; nós queremos confiar em ti mais e mais. Nós queremos ouvir da boca de Jesus o que o teu servo Jairo ouviu: "Não temas; crê somente" (Mc 5.36) — sem dar ouvidos ao que estão dizendo aqueles que não têm fé, aqueles que dizem que é tarde demais, que está tudo acabado, que é o fim da linha, que está arruinado. Ó Senhor, ajuda-nos a não ter medo; ajuda-nos a experimentar a tua paz. Fala ao nosso coração, Jesus, como falaste diretamente, face a face, com Jó, face a face com Moisés, face a face com Jacó, face a face com Abraão. Senhor, que tenhamos o nosso Peniel aqui neste lugar (Gn 32.30), o nosso encontro com Deus face a face. Que nós nos coloquemos, ó Deus, diante do Senhor e busquemos a tua presença — busquemos, Senhor, a tua presença — e venhamos a encontrá-la, e venhamos a experimentar e a usufruir todo o deleite que há na tua santa presença, na companhia e na amizade do Senhor. Amém.

Capítulo 14

Bispo Ildo Mello
De Meus Sermões, Volume 1: Deus — pessoa, atributos e providência. Citações bíblicas na Nova Almeida Atualizada (NAA).