Meus Sermões · Volume 1 · A presença de Deus

O que é que, em todo o universo, desperta mais a admiração de Deus?

Capítulo 12 de 14 · 2.889 palavras

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Textos base: Atos 9.10-11; Mateus 8.5-13

1. Uma pergunta para começar

O cumprimento da chamada da igreja: a santa e bendita paz de nosso Senhor Jesus Cristo seja sobre todos vocês. Que manhã maravilhosa! Você sabe que domingo é o dia do Senhor, né? Porque domingo, o dia em que Jesus Cristo ressuscitou, passou a ser o dia mais importante para os cristãos desde então. Este é o dia que o Senhor nos fez: dia de alegria, dia edificante, dia de reunião especial da comunidade da fé, da igreja de nosso Senhor Jesus Cristo (Sl 118.24).

Eu estava me perguntando: existe alguma coisa que deixa Deus admirado? Será que Deus pode ficar positivamente admirado com algo? Será que existe algo neste universo que causa admiração a Deus? E, já que Deus se revelou na pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo, é interessante observar o que causava admiração, o que provocava admiração em Cristo. E eu cheguei à seguinte conclusão — não sei se você já pensou nisso, mas eu, pensando e observando os Evangelhos, concluí: não há nada que provoque mais a admiração de Cristo, e de Deus, do que a oração; do que a atitude de fé expressa na oração. Isso é algo que mexe com o coração de Deus. Mexe com o coração de Deus!

2. Nas páginas do Antigo Testamento

Se você vai às páginas do Antigo Testamento, você observa isso.

Você observa, por exemplo, Jacó. Quando estava para se deparar com o seu irmão — que ainda estava furioso, que havia intentado matá-lo por aquilo que o próprio Jacó tinha aprontado no passado —, ele, com medo, numa angústia tremenda, teve uma noite de vigília. Nessa noite ele esteve orando, esteve clamando por misericórdia, e teve uma visitação de Deus muito especial. E você lembra que ele se agarrou a Deus e disse: "Não te deixarei ir, se não me abençoares" (Gn 32.26). Meus irmãos, a oração — essa atitude de alguém que se chega a Deus e se apega a Deus com fé — mexe com o coração de Deus.

Você vê Ana. Porque era estéril e não podia dar à luz — e, naquele mundo em que vivia, isso era tão estigmatizado, havia tanto preconceito —, ela vivia sofrendo muito; era objeto de chacota, desprezada por causa disso. E ela ora — ainda que silenciosamente, apenas os lábios se movendo (1Sm 1.13); mas o que importa é a intensidade do coração e a sinceridade da fé. E o Senhor ouviu a sua oração (1Sm 1.19-20).

E a gente vai vendo isso. Daniel, orando, e não parava de orar; continuava orando, orando. Daniel 9 revela esse momento de oração de Daniel; e, de repente, o anjo veio, em resposta à oração, e disse para Daniel: desde o primeiro momento em que você começou a clamar, o Senhor já ordenou que eu viesse trazendo a resposta — e houve uma batalha espiritual, por isso o atraso da chegada do anjo (Dn 9.20-23; 10.12-13). Mas repare: desde o primeiro momento em que Daniel se postou diante de Deus, buscando a face do Senhor, Deus já se deixou envolver pela oração.

Deus ouve a oração do profeta Jonas na barriga do peixe (Jn 2.1-2). Deus ouviu a oração dos ninivitas — que mereciam, por tudo o que já tinham praticado, a condenação; mereciam a destruição. Mas eles oraram, eles buscaram o Senhor, e o que aconteceu? Aconteceu a misericórdia de Deus (Jn 3.5-10). E a oração de um coração contrito, como o de Davi depois de ter pecado, também alcança a graça, o favor de Deus (Sl 51.17). Como Deus é tocado pela oração! Como isso alegra o coração de Deus, como isso mexe com o coração de Deus!

3. O centurião: a maior admiração de Jesus

Vamos para o Novo Testamento. No Novo Testamento, talvez o momento em que se registra a maior admiração de Jesus foi quando um centurião romano — que não era nem uma pessoa "religiosa", digamos assim, não pertencia ao povo de Deus de maneira formal — foi pessoalmente à presença de Jesus para interceder pelo seu servo, que estava para morrer. E ele disse: "Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa; mas dize uma só palavra, e o meu servo será curado" (Mt 8.8). Olha a humildade; olha o reconhecimento — era um centurião! — da superioridade de Jesus: "não sou digno de que entres em minha casa". Meus irmãos, Jesus fica maravilhado com a atitude dele. Não fica? Ele disse: "Nem mesmo em Israel achei fé como esta" (Mt 8.10). A fé revelada agrada e alegra o coração de Deus.

4. O filho pródigo: a oração que move o pai

A gente vê outro episódio de oração: o do filho pródigo. O filho pródigo aprontou, só fez bobagem, desprezou o pai. Mas ei-lo, arrependido: ele começa a ensaiar no coração o que vai dizer quando chegar à presença do pai: "Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus trabalhadores" (Lc 15.18-19). Gente, quando a gente diz isso para o Pai, e diz de coração, isso mexe com o coração do Pai. E a gente lembra: quando ele vai chegando perto de casa, o pai o vê primeiro e corre (Lc 15.20). Que coisa incrível: a palavra nem chegou à nossa boca, e ele já sabe qual é (Sl 139.4). A gente nem precisa terminar: só o mover do nosso coração na direção do Pai, só os nossos passos na direção do Pai — nem precisamos externar em palavras, mas, diante da atitude, o Pai já sabe qual é a oração. E, quando o filho começa a falar, ele já foi abraçado, já foi beijado, já foi acolhido. Meus irmãos, a oração toca o coração de Deus de uma maneira que nada neste mundo toca.

5. "Pois ele está orando": a conversão de Saulo

E eu chamo a atenção de vocês para um texto da Bíblia que é a conversão de Saulo. Atos, capítulo 9, versículos 10 e 11 — vamos ler só esses dois versículos: "Ora, havia em Damasco um discípulo chamado Ananias. Disse-lhe o Senhor, em visão: Ananias! Ao que respondeu: Eis-me aqui, Senhor. Então, o Senhor lhe ordenou: Dispõe-te e vai à rua que se chama Direita e, na casa de Judas, procura por Saulo, apelidado de Tarso; pois ele está orando" (At 9.10-11).

Tudo isso Deus está fazendo em resposta à oração de Saulo. Deus vai mover um discípulo, Deus vai se manifestar numa visão, Deus vai ordenar a Ananias que visite Saulo. E o motivo está aqui: "pois ele está orando". Saulo, o perseguidor da igreja, dos mais aguerridos, dos mais cruéis — ele estava indo para Damasco justamente para prender cristãos e levá-los a Jerusalém, para que fossem julgados e sentenciados à morte. Saulo perseguia, consentia na morte de cristãos, como havia tomado parte na morte de Estêvão, o primeiro mártir (At 8.1). E lá estava Saulo: no caminho de Damasco ele tem um encontro com Jesus — uma luz forte, e ele cai por terra, e de repente ouve a voz de Jesus; Jesus se revela a ele, e ali ele tem a sua conversão, e fica cego (At 9.3-9). E aqui a gente vê que ele estava na casa desse tal de Judas, numa atitude de oração: ele está orando e jejuando — não comia nem bebia —; ele estava arrependido, buscando o perdão de Deus, buscando a presença do Senhor; estava talvez se culpando por tudo, muito doído por ter ferido os cristãos, por ter perseguido a igreja. E aqui a gente o vê: ele está orando.

6. Oração é sinal de filiação

Meus irmãos, a oração é sinal de filiação. Quem é filho, ora; quem tem Pai, conversa com o Pai. O filho pede, o filho procura a presença do pai, o filho se sente à vontade, procura a comunhão. E como é que Jesus ensinou a gente a orar? Sabe que é a primeira vez, em toda a Bíblia, que uma oração é ensinada a Deus chamado de "Pai"? Ninguém ousava tratar a Deus por Pai. É nosso Senhor Jesus Cristo que ensina isso: ele chamava Deus de Pai e disse que nós poderíamos fazer o mesmo (Mt 6.9). A oração, então, ensinada por Jesus Cristo, é a oração que nos coloca diante de Deus na condição de filhos.

E eu reparo aqui, nesta passagem: quando Deus fala a Ananias, numa visão — "vai lá à casa de Judas, e vai encontrar um tal de Saulo; e você vai lá para curá-lo, você vai lá para abençoá-lo, você vai lá para batizá-lo, você vai lá para discipulá-lo… porque ele está orando" —, o Pai está contente, porque o filho está orando. Como o pai do filho pródigo ficou contente. Porque já fazia muito tempo que o filho não estava nem aí para o pai; o filho tinha se rebelado contra o pai, tinha se distanciado, só pensava nas coisas do mundo, nas coisas desta vida, nos prazeres, no que é transitório e passageiro; havia muito ele não se lembrava do pai. Mas, de repente, ele caiu em si, lembrou-se do pai — e aí começa, no coração, a oração. E essa oração cativou o coração do pai; essa oração move o pai ao encontro do filho, para abraçá-lo, para acolhê-lo. Aqui temos Deus falando a Ananias como quem diz: "Eu estou muito contente. Você não sabe, mas saiba: ele está orando. Ele está orando pedindo perdão; ele está orando arrependido; ele está buscando a minha face — e agora, de modo especial, ele está buscando o Pai mediante o Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor, o Mediador."

7. O poder da oração

Você tem ideia do poder da oração? Se a gente tivesse uma ideia maior e melhor, a gente oraria mais, não é? Talvez a gente não dê tanto valor assim à oração. Tudo o que Deus realizou na história tem a ver com a oração. Jesus orava para agradecer o pão; Jesus orava para curar os enfermos; Jesus orava para enfrentar os desafios da vida; Jesus orava para tomar decisões importantes, para escolher os apóstolos (Lc 6.12-13); nas horas mais críticas, Jesus está orando; Jesus louvava, Jesus agradecia, Jesus tinha comunhão com o Pai.

Meus irmãos, a oração é algo poderoso. A oração faz bem à alma; a oração cura as feridas da alma; a oração fortalece o nosso espírito; a oração salva. Eu vejo aquela mulher do fluxo de sangue, enferma havia doze anos, com uma enfermidade crônica, incurável até então; de repente, ela dizia consigo: "Se eu apenas tocar na orla das suas vestes, ficarei curada" — e é claro que essa disposição do coração é oração! E Jesus disse: "A tua fé te salvou" (Mc 5.25-34). A fé da oração até move montanhas (Mc 11.23-24). E "sem fé é impossível agradar a Deus; é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia" (Hb 11.6) — que se aproxime com fé, com confiança. E agora a gente aprende, através de Jesus, que o Ser mais poderoso do universo é Pai; o Ser mais poderoso do universo é amigo; ele é o nosso bem; ele tem um coração paterno. Então somos encorajados a chegar diante de Deus com confiança, ao trono da graça (Hb 4.16), crendo que receberemos atenção, crendo que receberemos acolhida, que seremos abençoados, dirigidos, protegidos, guiados, libertos — libertos da mentira, da ilusão, da falsidade deste mundo. Você tem ideia do que é ser filho de Deus?

8. Mais do que pedir: comunhão

E, meus irmãos, a oração transcende a questão do pedir, do clamar, de buscar algum benefício — principalmente quando se trata de benefícios transitórios, humanos. Deus é Pai: Deus opera, Deus cuida, Deus multiplica pães e peixes, Deus cura — e vimos isso. Mas o que ele mais deseja é cuidar do nosso bem espiritual, daquilo que nos projeta para a eternidade. A oração vai muito além do pedir: ela é o momento de comunhão, o momento de relacionamento, o momento de experimentar a presença de Deus, de desfrutar a presença de Deus, de contemplar o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Às vezes nem é momento de falar: é momento de se achegar a Deus e admirar; é momento de aquietar a nossa alma. "Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus" (Sl 46.10). Há oração em que a gente fala — e toda essa dinâmica de levar os pedidos tem o seu lugar —, mas às vezes a gente fala tanto que não escuta, né?

Eu vejo Maria aos pés de Jesus, enquanto Marta corria de lá para cá, fazia isso, fazia aquilo, e achava que estava arrasando, que receberia os maiores elogios de Jesus, porque estava agindo, fazendo. E quem é que recebeu o elogio de Jesus? "Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada" (Lc 10.38-42). O que mais admira o nosso Senhor Jesus Cristo é quando nós estamos aos seus pés, desfrutando a sua comunhão. Isso é a coisa mais importante que o cristão — que o ser humano — pode fazer. E, meus irmãos: trabalha mais, e trabalha melhor, quem está na presença de Deus. Quando a gente ora, o Senhor nos abençoa; quando a gente está acompanhando o Senhor, tudo rende mais. A gente vai aprendendo a suficiência que vem de Deus: "Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela" (Sl 127.1). Se o Senhor não for por nós, todo o nosso esforço, todo o nosso agir, será em vão; o que vale é a bênção de Deus.

9. Todo mundo pode orar

Então, a possibilidade de estar diante de Deus em oração: todo mundo pode orar. Se Saulo — que era um combatente do cristianismo — pôde, no momento subsequente, estar em oração aos pés do Senhor, você também pode. Qualquer um pode orar. O filho pródigo pôde orar. Orar é voltar para a presença de Deus, voltar a atenção para o Senhor; orar é estar aos seus pés; é confessar a sua indignidade, confessar a sua necessidade, confessar o seu pecado, confessar que você precisa dele. E é o momento de adoração: então adoramos, agradecemos, confessamos, pedimos, entregamos — e ouvimos a voz do Espírito. O Senhor ouve; o Senhor está conosco. Nós nunca saímos de um momento de oração sem a bênção do Senhor. Nunca é tempo perdido; é sempre tempo ganho. Diz o apóstolo Paulo que o exercício físico é de pouco proveito — ele não diz que não tem proveito algum; tem proveito —, mas mais proveitosa é a piedade, o exercício espiritual (1Tm 4.8). O que vai trazer maior benefício para a tua existência, inclusive futura, é o exercício espiritual: é a vida de oração, é a sua comunhão com ele.

10. Oração e vitória sobre a tentação

Faz parte da vitória, para se vencer a tentação. Alguém perguntou — esta semana dei aulas para os seminaristas do nosso seminário, agora pela internet, e no momento das perguntas veio esta: "O que é que fez, o que faz o senhor, ao longo de todo esse tempo — desde 1985 no ministério —, não ter caído, não ter sido motivo de escândalo no evangelho?" A vitória é Deus; a força é de Deus; é a comunhão com o Senhor. Porque, se você não tiver isso, na hora da tentação você não terá o temor do Senhor — e "o temor do Senhor é o princípio da sabedoria" (Pv 9.10). E tem temor do Senhor aquele que está na sua presença, aquele que medita na sua palavra de dia e de noite (Sl 1.2), aquele que ora, aquele que tem comunhão com o Senhor. Lembra de José, num episódio de tentação: "Como cometeria eu tamanha maldade e pecaria contra Deus?" (Gn 39.9). "Não, porque eu sou de Deus. Não, porque isso não agrada ao meu Pai. Não, porque isso não tem nada a ver com a atitude de um filho de Deus. Não, porque eu sou filho do Altíssimo. Não, porque eu não quero ferir o coração do meu Pai. Não, porque eu amo a Deus sobre todas as coisas." É a comunhão. Você precisa ter um espírito de oração para vencer a tentação.

11. Convite: a consciência da bendita presença

Convido vocês a desfrutarem mais a presença do Pai. Jesus disse: "Estarei convosco todos os dias, até à consumação dos séculos" (Mt 28.20). E o que é que dá acesso a essa presença? A oração. Oração é, acima de tudo, a consciência da presença bendita de Deus — aqui, agora, amanhã no trânsito, no trabalho, na escola, na família, em casa. A consciência da bendita presença de Deus: isso é oração. E aí você vai querer o seu tête-à-tête com ele — como Jacó, como Jesus, que se ausentava para poder ter uma conversa maior. Você precisa de intimidade com ele; você tem que aprofundar o seu relacionamento com ele; você precisa da força dele para vencer os desafios. Quais são os desafios que você tem nesta semana? Você sabe o que está para enfrentar; para se preparar, nós precisamos da força de Deus. E essa força encontramos na comunhão, encontramos na Palavra — tudo isso, para mim, é a oração. Oração é comunhão, acima de tudo: é o que leva a gente a admirar, a contemplar, a apaziguar a nossa alma, a reconhecer a grandeza de Deus, a louvar, a confessar os nossos pecados, a ouvir a sua voz, a acreditar na sua palavra. Gente, nós precisamos exercitar mais a oração.

Por isso mesmo, encerremos com um momento de oração.

Capítulo 13

Bispo Ildo Mello
De Meus Sermões, Volume 1: Deus — pessoa, atributos e providência. Citações bíblicas na Nova Almeida Atualizada (NAA).