Meus Sermões · Volume 1 · A presença de Deus
Textos base: Atos 9.10-11; Mateus 8.5-13
O cumprimento da chamada da igreja: a santa e bendita paz de nosso Senhor Jesus Cristo seja sobre todos vocês. Que manhã maravilhosa! Você sabe que domingo é o dia do Senhor, né? Porque domingo, o dia em que Jesus Cristo ressuscitou, passou a ser o dia mais importante para os cristãos desde então. Este é o dia que o Senhor nos fez: dia de alegria, dia edificante, dia de reunião especial da comunidade da fé, da igreja de nosso Senhor Jesus Cristo (Sl 118.24).
Eu estava me perguntando: existe alguma coisa que deixa Deus admirado? Será que Deus pode ficar positivamente admirado com algo? Será que existe algo neste universo que causa admiração a Deus? E, já que Deus se revelou na pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo, é interessante observar o que causava admiração, o que provocava admiração em Cristo. E eu cheguei à seguinte conclusão — não sei se você já pensou nisso, mas eu, pensando e observando os Evangelhos, concluí: não há nada que provoque mais a admiração de Cristo, e de Deus, do que a oração; do que a atitude de fé expressa na oração. Isso é algo que mexe com o coração de Deus. Mexe com o coração de Deus!
Se você vai às páginas do Antigo Testamento, você observa isso.
Você observa, por exemplo, Jacó. Quando estava para se deparar com o seu irmão — que ainda estava furioso, que havia intentado matá-lo por aquilo que o próprio Jacó tinha aprontado no passado —, ele, com medo, numa angústia tremenda, teve uma noite de vigília. Nessa noite ele esteve orando, esteve clamando por misericórdia, e teve uma visitação de Deus muito especial. E você lembra que ele se agarrou a Deus e disse: "Não te deixarei ir, se não me abençoares" (Gn 32.26). Meus irmãos, a oração — essa atitude de alguém que se chega a Deus e se apega a Deus com fé — mexe com o coração de Deus.
Você vê Ana. Porque era estéril e não podia dar à luz — e, naquele mundo em que vivia, isso era tão estigmatizado, havia tanto preconceito —, ela vivia sofrendo muito; era objeto de chacota, desprezada por causa disso. E ela ora — ainda que silenciosamente, apenas os lábios se movendo (1Sm 1.13); mas o que importa é a intensidade do coração e a sinceridade da fé. E o Senhor ouviu a sua oração (1Sm 1.19-20).
E a gente vai vendo isso. Daniel, orando, e não parava de orar; continuava orando, orando. Daniel 9 revela esse momento de oração de Daniel; e, de repente, o anjo veio, em resposta à oração, e disse para Daniel: desde o primeiro momento em que você começou a clamar, o Senhor já ordenou que eu viesse trazendo a resposta — e houve uma batalha espiritual, por isso o atraso da chegada do anjo (Dn 9.20-23; 10.12-13). Mas repare: desde o primeiro momento em que Daniel se postou diante de Deus, buscando a face do Senhor, Deus já se deixou envolver pela oração.
Deus ouve a oração do profeta Jonas na barriga do peixe (Jn 2.1-2). Deus ouviu a oração dos ninivitas — que mereciam, por tudo o que já tinham praticado, a condenação; mereciam a destruição. Mas eles oraram, eles buscaram o Senhor, e o que aconteceu? Aconteceu a misericórdia de Deus (Jn 3.5-10). E a oração de um coração contrito, como o de Davi depois de ter pecado, também alcança a graça, o favor de Deus (Sl 51.17). Como Deus é tocado pela oração! Como isso alegra o coração de Deus, como isso mexe com o coração de Deus!
Vamos para o Novo Testamento. No Novo Testamento, talvez o momento em que se registra a maior admiração de Jesus foi quando um centurião romano — que não era nem uma pessoa "religiosa", digamos assim, não pertencia ao povo de Deus de maneira formal — foi pessoalmente à presença de Jesus para interceder pelo seu servo, que estava para morrer. E ele disse: "Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa; mas dize uma só palavra, e o meu servo será curado" (Mt 8.8). Olha a humildade; olha o reconhecimento — era um centurião! — da superioridade de Jesus: "não sou digno de que entres em minha casa". Meus irmãos, Jesus fica maravilhado com a atitude dele. Não fica? Ele disse: "Nem mesmo em Israel achei fé como esta" (Mt 8.10). A fé revelada agrada e alegra o coração de Deus.
A gente vê outro episódio de oração: o do filho pródigo. O filho pródigo aprontou, só fez bobagem, desprezou o pai. Mas ei-lo, arrependido: ele começa a ensaiar no coração o que vai dizer quando chegar à presença do pai: "Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus trabalhadores" (Lc 15.18-19). Gente, quando a gente diz isso para o Pai, e diz de coração, isso mexe com o coração do Pai. E a gente lembra: quando ele vai chegando perto de casa, o pai o vê primeiro e corre (Lc 15.20). Que coisa incrível: a palavra nem chegou à nossa boca, e ele já sabe qual é (Sl 139.4). A gente nem precisa terminar: só o mover do nosso coração na direção do Pai, só os nossos passos na direção do Pai — nem precisamos externar em palavras, mas, diante da atitude, o Pai já sabe qual é a oração. E, quando o filho começa a falar, ele já foi abraçado, já foi beijado, já foi acolhido. Meus irmãos, a oração toca o coração de Deus de uma maneira que nada neste mundo toca.
E eu chamo a atenção de vocês para um texto da Bíblia que é a conversão de Saulo. Atos, capítulo 9, versículos 10 e 11 — vamos ler só esses dois versículos: "Ora, havia em Damasco um discípulo chamado Ananias. Disse-lhe o Senhor, em visão: Ananias! Ao que respondeu: Eis-me aqui, Senhor. Então, o Senhor lhe ordenou: Dispõe-te e vai à rua que se chama Direita e, na casa de Judas, procura por Saulo, apelidado de Tarso; pois ele está orando" (At 9.10-11).
Tudo isso Deus está fazendo em resposta à oração de Saulo. Deus vai mover um discípulo, Deus vai se manifestar numa visão, Deus vai ordenar a Ananias que visite Saulo. E o motivo está aqui: "pois ele está orando". Saulo, o perseguidor da igreja, dos mais aguerridos, dos mais cruéis — ele estava indo para Damasco justamente para prender cristãos e levá-los a Jerusalém, para que fossem julgados e sentenciados à morte. Saulo perseguia, consentia na morte de cristãos, como havia tomado parte na morte de Estêvão, o primeiro mártir (At 8.1). E lá estava Saulo: no caminho de Damasco ele tem um encontro com Jesus — uma luz forte, e ele cai por terra, e de repente ouve a voz de Jesus; Jesus se revela a ele, e ali ele tem a sua conversão, e fica cego (At 9.3-9). E aqui a gente vê que ele estava na casa desse tal de Judas, numa atitude de oração: ele está orando e jejuando — não comia nem bebia —; ele estava arrependido, buscando o perdão de Deus, buscando a presença do Senhor; estava talvez se culpando por tudo, muito doído por ter ferido os cristãos, por ter perseguido a igreja. E aqui a gente o vê: ele está orando.
Meus irmãos, a oração é sinal de filiação. Quem é filho, ora; quem tem Pai, conversa com o Pai. O filho pede, o filho procura a presença do pai, o filho se sente à vontade, procura a comunhão. E como é que Jesus ensinou a gente a orar? Sabe que é a primeira vez, em toda a Bíblia, que uma oração é ensinada a Deus chamado de "Pai"? Ninguém ousava tratar a Deus por Pai. É nosso Senhor Jesus Cristo que ensina isso: ele chamava Deus de Pai e disse que nós poderíamos fazer o mesmo (Mt 6.9). A oração, então, ensinada por Jesus Cristo, é a oração que nos coloca diante de Deus na condição de filhos.
E eu reparo aqui, nesta passagem: quando Deus fala a Ananias, numa visão — "vai lá à casa de Judas, e vai encontrar um tal de Saulo; e você vai lá para curá-lo, você vai lá para abençoá-lo, você vai lá para batizá-lo, você vai lá para discipulá-lo… porque ele está orando" —, o Pai está contente, porque o filho está orando. Como o pai do filho pródigo ficou contente. Porque já fazia muito tempo que o filho não estava nem aí para o pai; o filho tinha se rebelado contra o pai, tinha se distanciado, só pensava nas coisas do mundo, nas coisas desta vida, nos prazeres, no que é transitório e passageiro; havia muito ele não se lembrava do pai. Mas, de repente, ele caiu em si, lembrou-se do pai — e aí começa, no coração, a oração. E essa oração cativou o coração do pai; essa oração move o pai ao encontro do filho, para abraçá-lo, para acolhê-lo. Aqui temos Deus falando a Ananias como quem diz: "Eu estou muito contente. Você não sabe, mas saiba: ele está orando. Ele está orando pedindo perdão; ele está orando arrependido; ele está buscando a minha face — e agora, de modo especial, ele está buscando o Pai mediante o Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor, o Mediador."
Você tem ideia do poder da oração? Se a gente tivesse uma ideia maior e melhor, a gente oraria mais, não é? Talvez a gente não dê tanto valor assim à oração. Tudo o que Deus realizou na história tem a ver com a oração. Jesus orava para agradecer o pão; Jesus orava para curar os enfermos; Jesus orava para enfrentar os desafios da vida; Jesus orava para tomar decisões importantes, para escolher os apóstolos (Lc 6.12-13); nas horas mais críticas, Jesus está orando; Jesus louvava, Jesus agradecia, Jesus tinha comunhão com o Pai.
Meus irmãos, a oração é algo poderoso. A oração faz bem à alma; a oração cura as feridas da alma; a oração fortalece o nosso espírito; a oração salva. Eu vejo aquela mulher do fluxo de sangue, enferma havia doze anos, com uma enfermidade crônica, incurável até então; de repente, ela dizia consigo: "Se eu apenas tocar na orla das suas vestes, ficarei curada" — e é claro que essa disposição do coração é oração! E Jesus disse: "A tua fé te salvou" (Mc 5.25-34). A fé da oração até move montanhas (Mc 11.23-24). E "sem fé é impossível agradar a Deus; é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia" (Hb 11.6) — que se aproxime com fé, com confiança. E agora a gente aprende, através de Jesus, que o Ser mais poderoso do universo é Pai; o Ser mais poderoso do universo é amigo; ele é o nosso bem; ele tem um coração paterno. Então somos encorajados a chegar diante de Deus com confiança, ao trono da graça (Hb 4.16), crendo que receberemos atenção, crendo que receberemos acolhida, que seremos abençoados, dirigidos, protegidos, guiados, libertos — libertos da mentira, da ilusão, da falsidade deste mundo. Você tem ideia do que é ser filho de Deus?
E, meus irmãos, a oração transcende a questão do pedir, do clamar, de buscar algum benefício — principalmente quando se trata de benefícios transitórios, humanos. Deus é Pai: Deus opera, Deus cuida, Deus multiplica pães e peixes, Deus cura — e vimos isso. Mas o que ele mais deseja é cuidar do nosso bem espiritual, daquilo que nos projeta para a eternidade. A oração vai muito além do pedir: ela é o momento de comunhão, o momento de relacionamento, o momento de experimentar a presença de Deus, de desfrutar a presença de Deus, de contemplar o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Às vezes nem é momento de falar: é momento de se achegar a Deus e admirar; é momento de aquietar a nossa alma. "Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus" (Sl 46.10). Há oração em que a gente fala — e toda essa dinâmica de levar os pedidos tem o seu lugar —, mas às vezes a gente fala tanto que não escuta, né?
Eu vejo Maria aos pés de Jesus, enquanto Marta corria de lá para cá, fazia isso, fazia aquilo, e achava que estava arrasando, que receberia os maiores elogios de Jesus, porque estava agindo, fazendo. E quem é que recebeu o elogio de Jesus? "Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada" (Lc 10.38-42). O que mais admira o nosso Senhor Jesus Cristo é quando nós estamos aos seus pés, desfrutando a sua comunhão. Isso é a coisa mais importante que o cristão — que o ser humano — pode fazer. E, meus irmãos: trabalha mais, e trabalha melhor, quem está na presença de Deus. Quando a gente ora, o Senhor nos abençoa; quando a gente está acompanhando o Senhor, tudo rende mais. A gente vai aprendendo a suficiência que vem de Deus: "Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela" (Sl 127.1). Se o Senhor não for por nós, todo o nosso esforço, todo o nosso agir, será em vão; o que vale é a bênção de Deus.
Então, a possibilidade de estar diante de Deus em oração: todo mundo pode orar. Se Saulo — que era um combatente do cristianismo — pôde, no momento subsequente, estar em oração aos pés do Senhor, você também pode. Qualquer um pode orar. O filho pródigo pôde orar. Orar é voltar para a presença de Deus, voltar a atenção para o Senhor; orar é estar aos seus pés; é confessar a sua indignidade, confessar a sua necessidade, confessar o seu pecado, confessar que você precisa dele. E é o momento de adoração: então adoramos, agradecemos, confessamos, pedimos, entregamos — e ouvimos a voz do Espírito. O Senhor ouve; o Senhor está conosco. Nós nunca saímos de um momento de oração sem a bênção do Senhor. Nunca é tempo perdido; é sempre tempo ganho. Diz o apóstolo Paulo que o exercício físico é de pouco proveito — ele não diz que não tem proveito algum; tem proveito —, mas mais proveitosa é a piedade, o exercício espiritual (1Tm 4.8). O que vai trazer maior benefício para a tua existência, inclusive futura, é o exercício espiritual: é a vida de oração, é a sua comunhão com ele.
Faz parte da vitória, para se vencer a tentação. Alguém perguntou — esta semana dei aulas para os seminaristas do nosso seminário, agora pela internet, e no momento das perguntas veio esta: "O que é que fez, o que faz o senhor, ao longo de todo esse tempo — desde 1985 no ministério —, não ter caído, não ter sido motivo de escândalo no evangelho?" A vitória é Deus; a força é de Deus; é a comunhão com o Senhor. Porque, se você não tiver isso, na hora da tentação você não terá o temor do Senhor — e "o temor do Senhor é o princípio da sabedoria" (Pv 9.10). E tem temor do Senhor aquele que está na sua presença, aquele que medita na sua palavra de dia e de noite (Sl 1.2), aquele que ora, aquele que tem comunhão com o Senhor. Lembra de José, num episódio de tentação: "Como cometeria eu tamanha maldade e pecaria contra Deus?" (Gn 39.9). "Não, porque eu sou de Deus. Não, porque isso não agrada ao meu Pai. Não, porque isso não tem nada a ver com a atitude de um filho de Deus. Não, porque eu sou filho do Altíssimo. Não, porque eu não quero ferir o coração do meu Pai. Não, porque eu amo a Deus sobre todas as coisas." É a comunhão. Você precisa ter um espírito de oração para vencer a tentação.
Convido vocês a desfrutarem mais a presença do Pai. Jesus disse: "Estarei convosco todos os dias, até à consumação dos séculos" (Mt 28.20). E o que é que dá acesso a essa presença? A oração. Oração é, acima de tudo, a consciência da presença bendita de Deus — aqui, agora, amanhã no trânsito, no trabalho, na escola, na família, em casa. A consciência da bendita presença de Deus: isso é oração. E aí você vai querer o seu tête-à-tête com ele — como Jacó, como Jesus, que se ausentava para poder ter uma conversa maior. Você precisa de intimidade com ele; você tem que aprofundar o seu relacionamento com ele; você precisa da força dele para vencer os desafios. Quais são os desafios que você tem nesta semana? Você sabe o que está para enfrentar; para se preparar, nós precisamos da força de Deus. E essa força encontramos na comunhão, encontramos na Palavra — tudo isso, para mim, é a oração. Oração é comunhão, acima de tudo: é o que leva a gente a admirar, a contemplar, a apaziguar a nossa alma, a reconhecer a grandeza de Deus, a louvar, a confessar os nossos pecados, a ouvir a sua voz, a acreditar na sua palavra. Gente, nós precisamos exercitar mais a oração.
Por isso mesmo, encerremos com um momento de oração.
Capítulo 13