SERMÃO 140
Sobre as diversões públicas
“Será tocada a trombeta na cidade, sem que o povo fique alarmado?” — Wesley examina as diversões do seu tempo e chama o cristão à sobriedade e ao discernimento.
“Será tocada a trombeta na cidade, sem que o povo fique alarmado? Acontecerá algum mal à cidade, sem que o Senhor o tenha feito?”
(Am 3.6, NAA)Antes de ler
Este sermão foi pregado depois de um grande incêndio ocorrido no mesmo dia em que uma corrida de cavalos estava prevista para acontecer. O evento foi interrompido, mas retomado no dia seguinte. Wesley considerou o incêndio uma advertência providencial contra aquela diversão.
As corridas daquele período estavam fortemente ligadas a apostas, fraudes, embriaguez, blasfêmias, vaidade e desperdício dos recursos necessários à família. A crítica de Wesley, portanto, dirige-se tanto ao evento quanto aos males que o acompanhavam.
Wesley interpreta diretamente o incêndio como advertência divina. Essa conclusão não deve ser transformada em regra para interpretarmos tragédias atuais. Não possuímos autoridade para declarar que determinado acidente ou desastre seja punição por um pecado específico. Ainda assim, acontecimentos que revelam a fragilidade da vida poderão conduzir-nos ao exame pessoal, à solidariedade com os atingidos e ao arrependimento.
— Bispo Ildo Mello
Seria bom se não existissem aqui muitas pessoas profundamente envolvidas nas palavras do profeta. Seu sentido evidente parece ser este:
Existiriam no mundo pessoas tão insensíveis e destituídas da razão comum, tão indiferentes à própria segurança ou destruição e à segurança ou destruição de seus vizinhos que, ao ouvirem o alarme de juízos que se aproximam, não demonstrariam preocupação alguma?
Não tomariam providência alguma para evitá-los, mas continuariam vivendo com a mesma tranquilidade, como se nenhuma advertência tivesse sido apresentada?
Todas as pessoas não sabem que qualquer mal que lhes acontece ocorre segundo a permissão de Deus?
Deus não pretende utilizar os males desta vida para advertir-nos a evitar males maiores?
Não permite essas demonstrações mais leves de seu desagrado para despertar a humanidade, a fim de que as pessoas evitem o juízo definitivo e, sendo oportunamente advertidas por uma pequena experiência das consequências do pecado, transformem seus caminhos antes que todo o desagrado divino se manifeste?
Ao falar sobre esse assunto, pretendo demonstrar:
Primeiramente, que não existe calamidade em lugar algum sem que a mão do Senhor esteja envolvida;
Em segundo lugar, que toda calamidade extraordinária é a trombeta de Deus tocada naquele lugar para que o povo receba advertência;
Em terceiro lugar, considerar se, depois que Deus tocou sua trombeta neste lugar, ficamos devidamente alarmados.
A MÃO DE DEUS NAS CALAMIDADES
Primeiramente, demonstrarei brevemente que não existe calamidade em lugar algum sem que a mão do Senhor esteja envolvida.
Por “mal”, aqui, compreende-se uma aflição ou calamidade, seja pública, seja particular; quer alcance somente uma pessoa ou poucas pessoas, quer alcance muitas ou todas as pessoas daquele lugar.
Toda circunstância que produz perda ou sofrimento para uma pessoa ou grupo poderá, nesse sentido, ser chamada de mal.
É sobre males dessa espécie que o profeta fala.
Devemos crer que essas coisas nunca acontecem sem o conhecimento e a permissão de Deus.
Sobre cada calamidade poderemos dizer, nesse sentido, que o Senhor a realizou: seja por seu poder imediato, seja ordenando ou permitindo que aconteça por meio de seus servos que cumprem seu propósito.
O Senhor é Rei, por mais que as pessoas se revoltem. Ele é o grande Rei de toda a terra.
Tudo aquilo que acontece na terra — com exceção do pecado — permanece debaixo de seu governo.
O Senhor Deus Todo-Poderoso continua reinando. Todas as coisas estão sujeitas a ele, de modo que sua vontade será finalmente cumprida, concordemos ou não, assim na terra como no céu.
Não somente os anjos benditos, mas todas as coisas o servem em todos os lugares de seu domínio.
Ele governa por meio de restrição os espíritos maus que dominam as trevas deste mundo e as pessoas que se assemelham a eles.
Governa pela natureza as partes irracionais e sem vida da criação.
Governa por meio da escolha as pessoas que se tornam semelhantes a Deus.
De uma forma ou de outra, com ou sem escolha própria, todas permanecem debaixo de seu governo.
Isso acontece especialmente quando, no julgamento, ele se lembra da misericórdia e permite mal menor para impedir mal maior.
Nessas ocasiões, pelo menos, devemos reconhecer a mão de Deus, independentemente dos instrumentos que utilize.
Faz pouca diferença se realiza seu propósito por meio dos poderes do céu ou das trevas, ou por meio dos erros, da negligência ou da maldade humana.
Caso um anjo destruidor avance contra cidade ou país, é Deus quem lhe permite agir.
Caso pessoas perversas aflijam uma ou mais criaturas humanas, os ímpios poderão ser utilizados como instrumento de seu juízo.
Caso fogo, granizo, vento ou tempestade sejam soltos sobre a terra, ainda assim cumprem sua palavra.
É certo, portanto, que não existe calamidade em lugar algum que, nesse sentido, o Senhor não tenha permitido.
A CALAMIDADE COMO TROMBETA DE ADVERTÊNCIA
Em segundo lugar, devo demonstrar que toda calamidade incomum é a trombeta de Deus tocada no lugar onde acontece para que o povo receba advertência.
Toda aflição particular é, sem dúvida, voz de Deus chamando a pessoa para procurar auxílio nele.
Quando acontece calamidade extraordinária, especialmente quando muitas pessoas são envolvidas, não devemos dizer apenas que Deus fala conosco, mas que o Deus da glória troveja.
A voz do Senhor é poderosa! A voz do Senhor é cheia de majestade!
Ela exige a mais profunda atenção de todos aqueles que a ouvem.
Reivindica séria consideração não somente daqueles aos quais é particularmente dirigida, mas também de todas as pessoas que vivem ao redor.
Como voz procedente do céu, ordena que todos temam e tremam diante da presença de Deus.
Cada pessoa deve experimentar e demonstrar temor religioso, santa reverência diante da majestade divina, que constitui tanto o princípio quanto a perfeição da sabedoria.
Esse temor deve levá-la a realizar rapidamente tudo aquilo que o Senhor Deus ordena e a ter cuidado para não se desviar nem para a direita nem para a esquerda.
Não é necessário utilizar muitas palavras para demonstrar isso depois daquilo que já foi provado.
Caso não exista calamidade que o Senhor não tenha permitido e caso ele não envie voluntariamente sofrimento sobre lugar algum, mas o permita para advertir as pessoas a evitarem males maiores, torna-se evidente que, onde existe calamidade, a trombeta de Deus está sendo tocada.
Sua finalidade é que o povo fique suficientemente alarmado para não continuar naquilo que desagrada a Deus.
Em cada calamidade permitida misericordiosamente, Deus fala desta maneira:
“Quem dera eles tivessem tal coração, que me temessem e guardassem sempre todos os meus mandamentos, para que tudo lhes fosse bem, a eles e aos seus filhos!”
COMO RESPONDEMOS À ADVERTÊNCIA?
Precisamos agora considerar mais amplamente quais demonstrações oferecemos desse temor sábio e agradecido.
Primeiramente, consideremos como Deus tocou sua trombeta entre nós.
Depois, consideremos se ficamos devidamente alarmados.
1. O incêndio e a corrida
Consideremos primeiramente como Deus tocou sua trombeta neste lugar.
Seria muito desejável que esse acontecimento jamais fosse esquecido.
Os pais deveriam contá-lo aos filhos, para que seus descendentes o conhecessem, até mesmo as crianças ainda não nascidas.
Também deveria ser registrado publicamente como memória permanente para todas as gerações:
Na mesma semana e no mesmo dia em que a diversão que contribuiu consideravelmente para transtornar o mundo cristão deveria ser introduzida também aqui, irrompeu incêndio que nem nós nem nossos antepassados havíamos contemplado neste lugar.
O fogo rapidamente se espalhou, não apenas por uma, mas por diversas casas.
Avançou com tamanha força que logo venceu a fraca resistência levantada contra ele.
Da maioria das construções atingidas, deixou em pé apenas aquilo que seria suficiente para manter viva nossa lembrança do acontecimento.
Que também seja contado que aqueles que se prepararam para contemplar outro espetáculo foram recebidos pelo espetáculo das chamas destruidoras.
Ele continuou durante todo o período no qual a diversão deveria acontecer.
O fogo e as colunas de fumaça que aumentavam seu horror podiam ser claramente contemplados justamente do lugar escolhido para a realização do divertimento.
Este é simplesmente o fato acontecido.
Com base somente nele, toda pessoa dotada de razão julgue se a trombeta de Deus não soou suficientemente entre os moradores deste lugar.
Essa trombeta produziu som incerto?
De que maneira desejariam que Deus falasse com maior clareza?
Desejam que o Senhor também troveje do céu e envie pedras de granizo e brasas de fogo?
Antes, deveríamos dizer:
“É suficiente! Não fales mais, Senhor, pois teus servos ouvem!
“Aqueles com quem falaste de maneira mais severa estão alarmados e procuram-te de todo o coração.
“Decidiram não adiar por mais tempo. Agora mesmo, com o auxílio de tua graça, examinarão se existe neles algum caminho mau e voltarão os pés para o caminho eterno.
“Renunciarão a tudo aquilo que é mau diante de teus olhos, até mesmo ao pecado que os envolve com maior facilidade, e empregarão toda diligência futura para confirmar sua vocação e eleição.
“Aqueles com quem falaste por meio da aflição de seus vizinhos também temem diante de teus sinais.
“Reconhecem que foi exclusivamente tua bondade que impediu que eles e seus bens também fossem consumidos.
“Decidem firmemente utilizar adequadamente tua advertência misericordiosa e trabalhar cada vez mais, dia após dia, para purificar-se de todo pecado e de toda afeição terrena, a fim de estarem preparados para permanecer diante daquele Deus que é fogo consumidor.”
2. Retomaram a diversão imediatamente
Será, porém, que realmente ficamos devidamente alarmados?
É isso que precisamos considerar.
Como não conseguimos enxergar o coração das outras pessoas, formemos nosso julgamento com base em suas ações.
Isso poderá ser realizado por meio de simples relato, cuja veracidade todos aqueles que o ouvirem conseguirão avaliar.
No dia seguinte àquele em que a voz de Deus nos havia ordenado de maneira tão terrível que trocássemos a alegria pela tristeza, a diversão que havia sido interrompida começou novamente com a mesma ansiedade.
Multidões saíram justamente da cidade onde a destruição havia acontecido no dia anterior.
Passaram rapidamente pelo lugar da desolação e dirigiram-se ao lugar da diversão.
De um lado, era possível contemplar o chão coberto por montes de ruínas misturados ao fogo que ainda não se havia apagado.
Pouco adiante, o terreno estava igualmente coberto por cavalos e pessoas que se apressavam para contemplar outro espetáculo.
De um lado, estavam as pessoas enlutadas, lamentando a perda de seus bens e as necessidades de suas famílias.
Do outro, aqueles que participavam da festa se alegravam com o divertimento que haviam conseguido realizar.
Certamente, mistura semelhante de alegria e tristeza, festa e luto, riso e choro não havia sido contemplada desde o dia em que nossos antepassados chegaram a esta terra até o dia anterior.
Esse é o temor que demonstramos diante da ira de Deus!
Dessa maneira ficamos alarmados depois que tocou sua trombeta entre nós!
Essas são as demonstrações apresentadas de nossa decisão de evitar tudo aquilo que desagrada aos seus olhos!
Assim demonstramos nossa intenção de evitar especialmente aquela diversão sobre a qual Deus, segundo Wesley, havia apresentado razão tão terrível para acreditarmos que lhe desagradava.
Esse, porém, não é o único argumento contra ela.
3. Os males ligados às corridas de cavalos
Além desse triste argumento, existem tantos outros que qualquer cristão sério teria grande dificuldade para respondê-los.
Possuo tempo somente para mencionar brevemente algumas consequências que, até então, jamais haviam sido separadas dessa diversão.
Antes de mencioná-las, não é necessário determinar se uma corrida de cavalos, considerada isoladamente, é ou não pecaminosa em si mesma.
Caso alguém encontre uma corrida que não possua nenhuma dessas consequências, poderá participar dela em nome de Deus.
Enquanto, porém, não encontrar alguma que não ofereça ocasião a essas ou outras perversidades semelhantes, todo aquele que invoca o nome de Cristo deve ter cuidado para não incentivá-las de maneira alguma.
Desejo que observem mais uma coisa:
Advertir pessoas bem-intencionadas sobre a tendência dessas diversões está muito distante de constituir falta de amor.
Quanto mais clara e vigorosamente alguém demonstrar-lhes o perigo, maior será seu amor por elas.
Isso poderá ser explicado por simples comparação.
Você contempla vinho brilhando no copo e prepara-se para bebê-lo.
Eu lhe digo:
“Existe veneno nele! Por isso, peço que o jogue fora.”
Você responde:
“O vinho, em si mesmo, é inofensivo.”
Respondo:
“Talvez seja. Caso, porém, esteja misturado com alguma coisa prejudicial, ninguém em pleno juízo, conhecendo o perigo e não conseguindo separar o vinho do veneno, pensaria em bebê-lo.”
Caso acrescente:
“Ele não é venenoso para mim, embora seja para outras pessoas”, respondo:
“Jogue-o fora por causa de seu irmão, para não incentivá-lo a beber também.”
Por que sua força deveria contribuir para a destruição de seu irmão fraco, por quem Cristo morreu?
Agora, cada pessoa julgue quem demonstra falta de amor:
Aquele que argumenta contra o vinho ou a diversão por causa do irmão?
Ou aquele que argumenta contra a vida do irmão por causa do vinho ou da diversão?
A única dúvida possível é esta:
“Existe realmente veneno nessa diversão, considerada inofensiva em si mesma?”
Para esclarecer isso, observemos:
Primeiramente, as mentiras notórias que sempre a acompanham; as diversas espécies de fraude e trapaça; os juramentos e as maldições que constantemente aparecem, por meio dos quais o nome do Senhor, bendito eternamente, é blasfemado.
Quando ou onde essa diversão foi conhecida sem essas consequências?
Quem permaneceu durante um único dia numa dessas reuniões sem testemunhar pessoalmente algumas dessas coisas?
Ainda que nenhuma outra consequência má pudesse ser atribuída a essa diversão, essas coisas seriam suficientes — enquanto não fosse encontrada maneira de purificá-la delas — para torná-la detestável diante de Deus e de todas as pessoas sábias.
Em segundo lugar, acusamos essa diversão de oferecer uma das maiores oportunidades para exercitar e aumentar a avareza.
Isso acontece por meio das apostas feitas entre os participantes.
Elas normalmente produzem desejo tão intenso de possuir aquilo que pertence aos outros que esse desejo dificilmente termina quando determinada aposta é decidida.
É extremamente provável que deixe na mente sede que nem todos os ganhos do mundo conseguiriam satisfazer.
Que compensação o divertimento insignificante de mil pessoas poderá oferecer pela corrupção e destruição de uma única alma?
Por essa razão também, enquanto não existir maneira de proteger todos os participantes desse perigo, essa diversão poderá ser considerada abominável diante daquele que valoriza uma única alma mais do que o mundo inteiro.
Em terceiro lugar, não deveríamos temer que ela seja abominável ao Senhor por sua tendência a inflamar justamente as paixões que ele nos ordena controlar?
Muitas pessoas ficam tão exaltadas nessas ocasiões como nunca deveriam ficar em circunstância alguma.
Mesmo que fosse possível alguém ficar irado sem pecar, seria muito difícil isso acontecer em semelhante ocasião ou na intensidade normalmente experimentada por aqueles que se irritam durante esses eventos.
Aquele que deseja impedir que essa diversão desagrade a Deus precisa também separar dela essa consequência.
Enquanto isso não acontecer, ninguém pergunte:
“Qual é o mal de uma corrida de cavalos?”
4. Seus efeitos sobre diferentes pessoas
Caso alguém ainda apresente essa pergunta, poderemos responder de modo ainda mais específico.
Você é jovem e deseja participar?
Nesse caso, provavelmente vai para ver ou para ser visto; para admirar outros espetáculos ou para ser admirado.
O dano é este: isso alimenta a amizade com o mundo, que é inimizade contra Deus.
Fortalece afeições que já são excessivamente intensas: o desejo dos olhos e a soberba da vida.
Diversões dessa espécie estão entre os mais eficazes instrumentos utilizados pelo diabo para encher a mente de paixões terrenas, sensuais e malignas; para produzir espírito superficial e frívolo; em uma palavra, para transformar você em pessoa que ama os prazeres mais do que ama a Deus.
Você possui idade mais avançada e acredita estar menos sujeito a essas tentações?
Tenha cuidado para que seu coração não o engane.
Mesmo que seja como você imagina, essa diversão não lhe causou dano suficiente caso o tenha impedido de participar da Santa Ceia?
Talvez tenha impedido o sério exame pessoal ou a devoção particular que sabiamente costuma praticar antes de participar dela.
Talvez tenha provocado sua ausência da mesa do Senhor.
Assim, não somente o levou a desobedecer a mandamento claro de Deus, mas também a perder todos os benefícios inestimáveis oferecidos aos que obedecem.
Você é rico e deseja participar?
Provavelmente contribuiu financeiramente para a realização do evento.
Nesse caso, lançou fora uma semente que poderia produzir fruto para a eternidade.
Desperdiçou parte do talento que, caso tivesse empregado corretamente, poderia produzir-lhe benefício eterno.
Perdeu completamente aquilo que o próprio Deus teria recompensado abundantemente caso você lhe tivesse emprestado.
Entregou-o àqueles que não necessitam dele e talvez nem sequer lhe agradeçam.
Caso o tivesse oferecido aos irmãos necessitados, seu bendito Redentor teria considerado isso realizado em favor dele e o trataria segundo essa atitude no grande Dia.
Você é pobre e participou ou contribuiu de alguma maneira para essa diversão?
Então, ela lhe causou o maior dano de todos.
Levou-o a desperdiçar num divertimento inútil aquilo de que sua esposa e sua família necessitavam em casa.
Caso tenha feito isso, negou a fé e se tornou pior do que uma pessoa que não crê.
Suponhamos que não tenha custado dinheiro algum.
Não foi dano suficiente ter custado parte de seu tempo?
O que você fazia correndo atrás de diversões insignificantes quando deveria estar ocupado num trabalho honesto?
Talvez os ricos imaginem que Deus lhes concedeu mais do que necessitam — embora poderão pensar de maneira diferente no futuro.
Você, porém, não possui tentação alguma para pensar assim.
Cada dia já possui trabalho suficiente.
EXORTAÇÃO FINAL
Possuo somente poucas palavras a acrescentar.
Não as dirijo àqueles que não desejam ouvir, cujas afeições estão fixadas neste mundo e cujos olhos foram cegados por ele.
Falo àqueles que possuem coração compreensivo e espírito capaz de discernir.
Caso tenham errado anteriormente, estão agora decididos, pela graça de Deus, a não retornar ao erro de seus caminhos.
No futuro, evitarão e também se oporão sinceramente a tudo aquilo que seja contrário à vontade de Deus.
Vocês são jovens?
Desprezem ainda mais todas as ocupações inúteis, especialmente quando também são pecaminosas.
Sua sabedoria e glória consistem em lembrar-se do Criador nos dias da juventude.
Possuem idade avançada?
Empreguem todo o tempo que puderem retirar dos negócios necessários desta vida na preparação de si mesmos e daqueles ao seu redor para a entrada numa vida melhor.
O dia já está muito avançado, e a noite se aproxima.
Aproveitem, portanto, o pequeno tempo que ainda resta.
Vocês são ricos?
Possuem razão especial para trabalhar a fim de se tornarem ricos em boas obras.
Receberam muito, não para desperdiçar, mas para utilizar de maneira boa e sábia. Por isso, muito será exigido de vocês.
São pobres?
Possuem razão especial para trabalhar com as próprias mãos e sustentar sua família.
Depois de fazerem isso, porém, ainda não fizeram tudo.
Também devem trabalhar para possuir alguma coisa para oferecer àquele que necessita.
Não àquele que necessita de diversões, mas àquele que necessita das coisas essenciais à vida: roupas para cobrir o corpo, alimento para conservar a vida ou casa onde repousar a cabeça.
O que resta, então, além de todos nós — jovens e idosos, ricos e pobres — trabalharmos para apagar o escândalo passado de nossa cidade e de nosso povo?
Primeiramente, oponham-se, no futuro, por meio de palavras e ações, entre seus amigos e todas as pessoas com quem se relacionam, a essa infeliz diversão, que possui consequências tão prejudiciais.
Façam tudo aquilo que puderem para impedir que volte a ser realizada entre nós.
Em segundo lugar, demonstrem toda a misericórdia que puderem aos vizinhos afligidos, segundo a prosperidade que Deus lhes concedeu.
Por meio desse auxílio oportuno, coloquem para si mesmos bom fundamento contra o dia da necessidade.
Em terceiro lugar, participem constantemente do culto público de Deus e da Santa Ceia e vivam de maneira vigilante, amorosa e piedosa.
Assim oferecerão a mais nobre demonstração diante dos seres humanos e dos anjos de que, embora tenhamos continuado no erro depois de sermos afligidos, quando consideramos mais profundamente como Deus tocou sua trombeta entre nós, finalmente ficamos alarmados.
Então declararemos com o coração desperto:
“Eis que o Senhor, nosso Deus, nos mostrou sua glória e sua grandeza, e ouvimos sua voz do meio do fogo.”
Tradução em português atual a partir do original em domínio público (ed. Thomas Jackson, 1872), realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello. Citações bíblicas conforme a NAA. Igreja Metodista Livre do Brasil.