SERMÃO 54
Sobre a eternidade
Uma meditação sobre a duração sem começo e sem fim.
“Antes que os montes nascessem, e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus.”
(Sl 90.2, NAA)Antes de ler
Aqui Wesley se lança a um dos temas mais vertiginosos que a mente pode encarar: a eternidade. Ele a divide em duas — a que já passou (a duração sem começo, que só a Deus pertence) e a que há de vir (a duração sem fim, da qual Deus fez participantes as suas criaturas). Repare no esforço pedagógico: a bola de areia do tamanho da terra, o oceano que enche o espaço entre a terra e as estrelas, a mosca que vive seis horas — imagens para dar à alma alguma noção do que não cabe no pensamento. Duas advertências pastorais. Primeira: quando Wesley trata da "eternidade infeliz", defende o tormento consciente e sem fim. Trato o texto com fidelidade; mas registro, como pastor, que essa é uma doutrina a se sustentar com humildade e temor — a Escritura também fala em destruição final, e há cristãos sérios de ambos os lados. O que não se pode ceder é isto: a salvação é sempre condicionada à fé em Cristo; não há aqui promessa de que todos serão salvos. Segunda: note como Wesley (e o hino de Charles) afastam qualquer ideia de que Deus decrete de antemão a perdição de alguém — "nenhum decreto teu selou a minha sorte". A eternidade infeliz, diz ele, é escolhida; jamais imposta. O remédio para a nossa cegueira ao que está distante é um só, e ele o nomeia ao fim: a fé, que faz o crente já viver e andar na eternidade.
— Bispo Ildo Mello
1. Quisera eu falar daquele tema solene: a eternidade. Mas como abrangê-la no pensamento? É tão vasta que a mente estreita do homem é de todo incapaz de compreendê-la. E, contudo, não terá ela alguma afinidade com outra coisa incompreensível, a imensidão? Não se poderá comparar o espaço, embora coisa sem substância, com outra coisa sem substância, a duração? Mas o que é a imensidão? É o espaço sem limites. E o que é a eternidade? É a duração sem limites.
2. A eternidade tem sido geralmente considerada como divisível em duas partes, chamadas eternidade anterior e eternidade posterior — isto é, em bom português, a eternidade que passou e a eternidade que há de vir. E não parece haver indício dessa distinção no texto? “Tu és Deus desde a eternidade”: eis a expressão da eternidade passada; “até a eternidade”: eis a expressão da eternidade futura. Talvez alguns achem impróprio dizer que há uma eternidade passada. Mas o sentido é fácil de entender: por ela queremos dizer a duração que não teve começo, assim como, pela eternidade futura, a duração que não terá fim.
3. Só Deus (para usar a linguagem elevada da Escritura) “habita a eternidade”, em ambos os sentidos. Só o grande Criador (nenhuma das suas criaturas) é “de eternidade a eternidade”: só a sua duração, assim como não teve começo, também não pode ter fim. Por isso alguém assim canta, dirigindo-se a Emanuel, Deus conosco: Salve, ó Deus Filho, de glória coroado antes que o tempo começasse a ser, entronizado com teu Pai por metade do giro da vasta eternidade! E ainda: Salve, ó Deus Filho, de glória coroado antes que o tempo deixe de ser, entronizado com o Pai pelo giro da eternidade inteira!
4. “Antes que o tempo começasse a ser.” Mas o que é o tempo? Não é fácil dizê-lo, por mais que tenhamos a palavra na boca. Não sabemos bem o que ele propriamente é, nem como defini-lo. Mas não será, em certo sentido, um fragmento da eternidade, quebrado nas duas pontas — aquela porção da duração que começou quando o mundo começou, que durará enquanto este mundo durar, e depois expirará para sempre; aquela porção que agora se mede pela revolução do sol e dos planetas, situada, por assim dizer, entre duas eternidades, a que passou e a que há de vir? Mas, assim que o céu e a terra fugirem da face daquele que se assenta no grande trono branco, o tempo deixará de existir e afundará para sempre no oceano da eternidade!
5. Mas por que meio pode um homem mortal, criatura de um dia, formar alguma ideia da eternidade? Que acharemos no âmbito da natureza para ilustrá-la? A que a compararemos? Que há que se assemelhe a ela? Não parece haver certa analogia entre a duração sem limites e o espaço sem limites? O grande Criador, o Espírito infinito, habita um e outro. Esta é uma das suas prerrogativas: “Porventura não encho eu o céu e a terra?, diz o Senhor” — sim, não só as regiões extremas da criação, mas toda a extensão do espaço sem limites! Entretanto, quantos dos filhos dos homens podem dizer: Eis que sobre uma estreita faixa de terra, entre dois mares sem margem, eu me acho, seguro e insensível! Um ponto de tempo, o espaço de um momento, me leva àquele lugar celeste ou me encerra no inferno!
6. Mas, deixando um desses mares sem limites ao Pai da eternidade, a quem só pertence a duração sem começo, voltemos o pensamento para a duração sem fim. Esta não é um atributo incomunicável do grande Criador; antes, ele se dignou graciosamente fazer inúmeras multidões das suas criaturas participantes dela. Concedeu-a não só aos anjos, aos arcanjos e a todas as hostes do céu, que não se destinam a morrer, mas a glorificá-lo e a viver na sua presença para sempre, mas também aos habitantes da terra, que moram em casas de barro. Os seus corpos, de fato, são “esmagados diante da traça”; mas as suas almas nunca morrerão. Deus as fez, como diz um escritor antigo, para serem “retratos da sua própria eternidade”. Todos os espíritos, temos razão de crer, estão revestidos de imortalidade, sem princípio interno de corrupção nem sujeição a violência externa.
7. Talvez possamos dar um passo além: não será a própria matéria, tanto quanto o espírito, num sentido eterna? Não, decerto, na eternidade passada, como sonharam alguns filósofos insensatos, antigos e modernos. Não que algo tenha existido desde a eternidade — pois, se assim fosse, seria Deus; sim, teria de ser o único Deus, pois é impossível haver dois Deuses, ou dois Eternos. Mas, ainda que nada além do grande Deus possa ter existido desde sempre, não há absurdo em supor que todas as criaturas sejam eternas na duração posterior. Toda a matéria, de fato, muda continuamente, e em dez mil formas; mas o ser mutável de modo algum implica ser perecível. A substância pode permanecer una e a mesma, ainda que sob inúmeras formas diferentes. É bem possível que qualquer porção de matéria se resolva nos átomos de que originalmente se compôs; mas que razão temos para crer que um desses átomos jamais foi, ou será, aniquilado? Nunca poderá sê-lo, a não ser pelo poder incontrolável do seu Criador todo-poderoso. E é provável que ele exerça esse poder para desfazer alguma das coisas que fez? Também nisto Deus não é “filho do homem, para que se arrependa”. Assim, ainda que os céus mesmos venham a dissolver-se, e “os elementos se derretam com o calor ardente”, eles serão apenas dissolvidos, não destruídos: derreter-se-ão, mas não perecerão. Ainda que percam a sua forma presente, nem uma partícula deles perderá a existência; cada átomo permanecerá, sob uma forma ou outra, por toda a eternidade.
8. Mas ainda devemos perguntar: que é esta eternidade? Como lançar alguma luz sobre tema tão abstruso? Ela não pode ser objeto do nosso entendimento. E a que a compararemos? Quão infinitamente ela transcende tudo! Que são as coisas temporais, postas em comparação com as eternas? Que é a duração do carvalho longevo, do antigo castelo, da Coluna de Trajano, do anfiteatro de Pompeu? Que é a antiguidade das urnas etruscas, embora talvez mais velhas que a fundação de Roma; sim, das pirâmides do Egito, ainda que tenham durado mais de três mil anos — quando postas na balança com a eternidade? Desvanecem-se em nada. Aliás, que é a duração dos “montes eternos”, assim chamados por figura, que permanecem desde o dilúvio, se não desde a fundação do mundo, em comparação com a eternidade? Não mais que um zero insignificante. Vá mais longe ainda: considere a duração desde a criação dos primogênitos filhos de Deus — de Miguel, o arcanjo, em particular — até a hora em que ele será comissionado a tocar a trombeta e a fazer soar a sua voz possante pela abóbada do céu: “Levantai-vos, ó mortos, e vinde a julgamento!” Não é isto um momento, um ponto, um nada, em comparação com a insondável eternidade? Acrescente mil, um milhão de anos; acrescente um milhão de milhões de eras, “antes que os montes nascessem, ou se formassem a terra e o mundo”: que é tudo isto comparado à eternidade que passou? Não é menos, infinitamente menos, que uma única gota de água para todo o oceano. Recue mil milhões de anos ainda; e não estará mais perto do começo da eternidade.
A eternidade que há de vir
9. Poderemos formar uma noção mais adequada da eternidade futura? Para isso, comparemo-la com os vários graus de duração que conhecemos. Uma efeméride — mosca de um dia — vive seis horas, das seis da tarde à meia-noite. É vida curta, comparada à do homem, que dura setenta ou oitenta anos; e esta mesma é curta, se comparada aos novecentos e sessenta e nove anos de Matusalém. Mas que são esses anos, sim, todos os que se sucederam desde que os céus e a terra foram erguidos até que os céus passem e a terra e as suas obras sejam queimadas, se os compararmos à extensão daquela duração que jamais terá fim?
10. Para ilustrá-lo, um autor recente repetiu aquele impressionante pensamento de Cipriano: suponha uma bola de areia tão grande quanto o globo terrestre; suponha que um grão dessa areia fosse aniquilado, reduzido a nada, a cada mil anos; ainda assim, todo aquele espaço de duração em que essa bola seria aniquilada, à razão de um grão por milênio, teria proporção infinitamente menor com a eternidade — a duração sem fim — do que um único grão de areia teria com toda a massa!
11. Para gravar mais fundo este ponto na sua mente, considere outra comparação: suponha o oceano tão dilatado que incluísse todo o espaço entre a terra e o céu estrelado; suponha que uma gota dele fosse aniquilada a cada mil anos; ainda assim, todo o espaço de duração em que esse oceano seria aniquilado, à razão de uma gota por milênio, seria infinitamente menor em proporção à eternidade do que uma gota de água em relação a todo aquele oceano. Olhe, então, para esses espíritos imortais, estejam neste ou no outro mundo: quando tiverem vivido milhares de milhares de anos, sim, milhões de milhões de eras, a sua duração apenas terá começado — estarão só no umbral da eternidade!
Uma eternidade feliz ou infeliz
12. Mas, além dessa divisão da eternidade em passada e futura, há outra divisão de indizível importância: a que há de vir, no que respeita aos espíritos imortais, é ou uma eternidade feliz, ou uma eternidade infeliz.
13. Vejam os espíritos dos justos que já louvam a Deus numa eternidade feliz! Prontos estamos a dizer: quão curta ela parecerá aos que bebem dos rios de delícias à direita de Deus! Prontos estamos a exclamar: Num dia sem noite, habitam à sua vista, e a eternidade parece um só dia! Mas isto é falar apenas à maneira dos homens; pois as medidas de longo e curto só se aplicam ao tempo, que admite limite, não à duração sem limites. Esta corre (segundo as nossas pobres concepções) com rapidez indizível e inconcebível — se antes não devêssemos dizer que não corre nem se move de modo algum, mas é um só oceano imóvel e quieto. Pois os habitantes do céu “não têm descanso, nem de dia nem de noite”, mas clamam de contínuo: “Santo, Santo, Santo é o Senhor, Deus, o Todo-Poderoso, que era, que é e que há de vir!” E, quando decorridos milhões de milhões de eras, a sua eternidade apenas terá começado.
14. Por outro lado, em que condição estão os espíritos imortais que escolheram uma eternidade infeliz! Digo escolheram; pois é impossível que esta seja a sorte de qualquer criatura senão pelo seu próprio ato e decisão. Vem o dia em que toda alma será constrangida a reconhecer, à vista de homens e anjos: Nenhum terrível decreto teu selou ou fixou a sorte imutável, nem consignou ao inferno a minha alma por nascer, nem me condenou desde o ventre de minha mãe. Em que condição estará tal espírito depois de executada a sentença: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e os seus anjos!”? Suponha-o agora mesmo lançado no “lago de fogo que arde com enxofre”, onde “não têm descanso, nem de dia nem de noite, e a fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre”. “Para todo o sempre!” Ora, se fôssemos acorrentados um só dia, sim, uma só hora, num lago de fogo, quão assombrosamente longa nos pareceria essa hora! Não sei se não pareceria mil anos. Mas (pensamento espantoso!), depois de milhares de milhares de anos, ele apenas terá provado o seu cálice amargo! Depois de milhões, não estará mais perto do fim do que no momento em que começou.
15. Que é, então, o homem — quão tolo, quão insano, em que indizível grau de desvario — que, parecendo ter o entendimento de um homem, deliberadamente prefere as coisas temporais às eternas? Que prefere a felicidade de um ano, ou de mil anos, à felicidade da eternidade, em comparação com a qual mil eras são infinitamente menos que um ano, um dia, um momento? Sobretudo quando levamos em conta (o que jamais se deveria esquecer) que recusar uma eternidade feliz implica escolher uma eternidade infeliz — pois não há, nem pode haver, meio-termo entre a alegria eterna e a dor eterna. É vão o pensamento de alguns, de que a morte porá fim a uma e a outra; ela apenas mudará o modo da existência. Mas, quando o corpo “volta ao pó, como era, o espírito volta a Deus, que o deu”. Portanto, no momento da morte, ele há de estar indizivelmente feliz, ou indizivelmente infeliz. Quão frequentemente aquele que fez a escolha desgraçada desejaria a morte da alma e do corpo! Não é impossível que ore mais ou menos assim, como supõe um poeta: Depois que eu me contorcer dez mil anos no fogo, dez mil vezes dez mil, deixa-me então expirar! — súplica que jamais será atendida.
16. Ora, esta indizível insensatez de preferir o presente ao eterno é a doença de todo homem que vem ao mundo, enquanto no seu estado natural. Pois tal é a constituição da nossa natureza que, assim como o olho vê de uma vez só certa porção do espaço, também a mente vê de uma vez só certa porção do tempo. E, assim como todo o espaço que jaz além desse alcance é invisível ao olho, também todo o tempo que jaz além dele é invisível à mente. Não percebemos nem o espaço nem o tempo que estão distantes de nós. O olho não vê as belezas da China: estão longe demais; há espaço grande demais entre nós e elas; por isso não nos afetam — são para nós como se não existissem. Pela mesma razão, a mente não vê nem as belezas nem os terrores da eternidade: não nos afetam, porque estão distantes de nós. Enquanto isso, estamos inteiramente tomados pelas coisas presentes, e tudo nos parece menor à medida que se afasta de nós. E assim há de ser, tal é a constituição da nossa natureza, até que a natureza seja mudada pela graça todo-poderosa. Mas isto não é desculpa alguma para os que continuam na sua cegueira natural quanto ao futuro, pois há um remédio para ela, achado por todos os que o buscam — sim, dado gratuitamente a todos os que sinceramente o pedem.
O remédio: a fé
17. Este remédio é a fé. Não me refiro à fé de um pagão, que crê que há um Deus e que ele recompensa os que diligentemente o buscam, mas àquela que o apóstolo define como “a certeza”, ou convicção, “das coisas que não se veem” — uma evidência divina do mundo invisível e eterno. Só ela abre os olhos do entendimento para ver a Deus e as coisas de Deus. Ela como que remove, ou torna transparente, o véu impenetrável que pende entre o ser mortal e o imortal. Quando a fé empresta a sua luz que realiza, dispersam-se as nuvens, fogem as sombras; o invisível aparece à vista, e Deus é visto por olhos mortais. Assim, o crente, no sentido bíblico, vive na eternidade e anda na eternidade. A sua perspectiva se alarga: a sua visão já não é limitada pelas coisas presentes. A fé põe continuamente diante da sua face o mundo invisível e eterno. Por consequência, ele não olha para “as coisas que se veem” — riqueza, honra, prazer, ou o que mais este mundo passageiro possa dar; não são estes o seu alvo, o objeto da sua busca, o seu desejo ou a sua felicidade —, mas para “as coisas que não se veem”: o favor, a imagem e a glória de Deus; sabendo bem que “as coisas que se veem são temporais” — um vapor, uma sombra, um sonho que se desvanece —, ao passo que “as coisas que não se veem são eternas”, reais, sólidas, imutáveis.
18. Que ocupação, então, pode ser mais digna de um homem sábio do que meditar nestas coisas, expandindo com frequência o pensamento para além dos limites desta esfera diurna, e pairando até acima do céu estrelado, no campo da eternidade? Que meio poderoso isso pode ser para firmar o seu desprezo pelas pobres e pequenas coisas da terra! Quando um homem de vastas posses se gabava ao amigo da grandeza dos seus bens, Sócrates pediu-lhe que trouxesse um mapa da terra e apontasse nele a Ática; feito isto (não sem dificuldade, por ser país pequeno), pediu-lhe que apontasse ali a sua própria propriedade. Não podendo fazê-lo, foi fácil notar quão insignificantes eram os bens de que tanto se orgulhava, comparados a toda a terra. Quão aplicável é isto ao nosso caso! Alguém se envaidece dos seus bens terrenos? Ai, que é o globo inteiro diante da infinitude do espaço? Um mero pontinho da criação. E que é a vida do homem, sim, a duração da própria terra, senão um pontinho de tempo, se comparado à extensão da eternidade? Pense nisto; deixe que penetre no seu pensamento, até ter alguma concepção, por imperfeita que seja, daquele abismo sem limites e sem fundo, sem base e sem margem.
19. Mas, se a eternidade nua, por assim dizer, é objeto tão vasto e assombroso a ponto de sobrepujar o pensamento, quanto mais se alarga a ideia ao contemplá-la revestida de felicidade ou de miséria! Bem-aventurança eterna ou dor eterna! Dir-se-ia que isto haveria de engolir todo outro pensamento em qualquer criatura racional. Concedam-me apenas isto: “Você está à beira de uma eternidade feliz ou infeliz; o seu Criador o convida agora a estender a mão para uma ou para outra” — e imagina-se que nenhuma criatura racional poderia pensar em outra coisa. Certamente este único ponto deveria absorver toda a sua atenção. Certamente, se as coisas são assim, só uma coisa é necessária. Ah, ao menos você e eu, façam os outros o que fizerem, escolhamos aquela boa parte que jamais nos será tirada!
20. Antes de encerrar, permitam-me tocar em duas passagens notáveis dos Salmos, que têm estreita relação com o tema. A primeira: “Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste, que é o homem, para que te lembres dele? E o filho do homem, para que o visites?” Aqui o homem é considerado um zero, um ponto, diante da imensidão. A segunda: “Senhor, que é o homem, para que tomes conhecimento dele? O homem é como um sopro; os seus dias, como a sombra que passa.” Não será o sentido da primeira: “Como pode aquele que enche o céu e a terra tomar conhecimento de um átomo como o homem? Como não se perde ele de todo na imensidão das obras de Deus?” E o da segunda: “Como pode aquele que habita a eternidade abaixar-se para atentar na criatura de um dia, cuja vida passa como a sombra?” Se consideramos o espaço sem limites, ou a duração sem limites, encolhemos a nada diante deles. Mas Deus não é homem. Um dia e um milhão de eras são o mesmo para ele. Portanto, sempre que esse pensamento voltar — sempre que você for tentado a temer que possa ser esquecido diante do Deus imenso e eterno —, lembre-se de que, para ele, nada é pequeno ou grande, nenhuma duração é longa ou curta. Lembre-se de que Deus “preside a cada indivíduo como ao universo, e ao universo como a cada indivíduo”. De modo que você pode ousar dizer: Pai, quão largas resplandecem as tuas glórias, Senhor do universo — e meu! A tua bondade vela sobre o todo, como se o mundo inteiro fosse uma só alma; e, contudo, conta cada fio sagrado dos meus cabelos, como se eu fosse o teu único cuidado!
Tradução em português atual a partir do original em domínio público (ed. Thomas Jackson, 1872), realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello. Citações bíblicas conforme a NAA. Igreja Metodista Livre do Brasil.