SERMÃO 66
Os sinais dos tempos
Por que os sábios do mundo não discernem a obra de Deus.
“Vocês sabem discernir o aspecto do céu, mas não são capazes de discernir os sinais dos tempos?”
(Mt 16.3, NAA)Antes de ler
Fariseus e saduceus — normalmente rivais — uniram-se para pedir a Jesus um sinal do céu. E ele respondeu com uma ironia afiada: sabeis ler o céu para prever o tempo, mas não sabeis ler os sinais do próprio tempo em que vivem. A partir disso, Wesley faz duas perguntas. Primeira, olhando para trás: quais eram os sinais da vinda do Messias, tão claros nas Escrituras, que aqueles homens não conseguiram enxergar? A resposta é reveladora — não faltava evidência, faltava integridade: a perversidade do coração lançou uma nuvem sobre o entendimento deles. Segunda, olhando para o próprio tempo: não estarão acontecendo, agora, sinais de uma grande obra de Deus que os sábios e doutos, tão perspicazes em tudo o mais, não conseguem discernir? Wesley aponta o avivamento que via nascer e o lê à luz dos sinais que Jesus deu a João Batista, entendidos espiritualmente — cegos que veem, surdos que ouvem, leprosos limpos, pobres evangelizados.
Duas notas de leitura. Sobre a escatologia: aqui reaparece a esperança da "glória dos últimos dias", que enquadro como a difusão do evangelho na história — não um universalismo automático; a salvação continua sendo pela fé. Sobre um ponto teológico precioso e muito nosso: no §6, ao tratar do "endurecimento" de que fala a Escritura, Wesley é explícito — seria pura blasfêmia dizer que Deus endurece o coração de alguém por ação direta; o que acontece é que o Espírito deixa de contender, e então Satanás endurece. E no §10 ele crava o coração arminiano: Deus fez de você um agente livre e assim o trata do princípio ao fim; você pode abrir ou fechar os olhos — mas não agrada a Deus fechá-los e depois dizer "não consigo ver".
— Bispo Ildo Mello
1. A passagem inteira é esta: “Chegando-se os fariseus e os saduceus, e tentando-o, pediram-lhe que os deixasse ver um sinal vindo do céu. Ele, porém, respondeu: Ao cair da tarde, vocês dizem: Haverá bom tempo, porque o céu está avermelhado. E, pela manhã: Hoje haverá tempestade, porque o céu está vermelho e sombrio. Hipócritas! Sabeis discernir o aspecto do céu e não sois capazes de discernir os sinais dos tempos?”
2. “Chegando-se os fariseus e os saduceus.” Em geral, estes eram bem opostos entre si; mas não é raro que os filhos do mundo ponham de lado a sua oposição mútua (ao menos por um tempo) e se unam de coração para opor-se aos filhos de Deus. “E tentando-o” — isto é, fazendo prova de se ele era de fato enviado de Deus — “pediram-lhe que os deixasse ver um sinal vindo do céu”, o que criam que nenhum falso profeta era capaz de dar. “Hipócritas!” — fazendo profissão de amor, enquanto têm inimizade no coração — “sabeis discernir o aspecto do céu” e julgar por ele o tempo que fará; “e não sois capazes de discernir os sinais dos tempos”, quando Deus traz ao mundo o seu Filho unigênito?
3. Indaguemos mais particularmente, primeiro: que tempos eram aqueles de que o nosso Senhor aqui fala, e quais eram os sinais pelos quais aqueles tempos se distinguiam de todos os outros? Depois indaguemos, segundo: que tempos são aqueles que temos razão de crer que estão agora próximos, e como é que todos os que se chamam cristãos não discernem os sinais destes tempos?
I. Os tempos do Messias e os seus sinais
1. Consideremos, primeiro, que tempos eram aqueles de que o nosso Senhor aqui fala. É fácil responder: os tempos do Messias, os tempos ordenados antes da fundação do mundo, em que aprouve a Deus dar o seu Filho unigênito, para tomar sobre si a nossa natureza, para ser “achado na forma de homem”, viver uma vida de tristeza e dor e, por fim, ser “obediente até a morte, e morte de cruz”, a fim de que “todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Este era o importante tempo cujos sinais os fariseus e saduceus não puderam discernir. Por mais claros que fossem em si, tão espesso era o véu sobre o coração desses homens que não discerniram os indícios da sua vinda, embora predita muito antes.
2. Mas quais eram esses sinais da vinda daquele Justo, tão longa e claramente preditos? São muitos em número; mas basta mencionar alguns. Um dos primeiros é o apontado nas solenes palavras ditas por Jacó um pouco antes da sua morte: “O cetro não se arredará de Judá, nem o bastão de comando dentre os seus pés, até que venha aquele a quem pertence” (Gn 49.10). Todos os judeus, antigos e modernos, concordam em que por esse nome devemos entender o Messias — que, portanto, havia de vir, segundo a profecia, “antes que o cetro”, isto é, a soberania, “se arredasse de Judá”. Ora, ela se arredou de Judá exatamente neste tempo — sinal infalível de que exatamente neste tempo veio o Messias.
3. Um segundo eminente sinal desses tempos, os da vinda do Messias, é-nos dado no terceiro capítulo da profecia de Malaquias: “Eis que envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; e, de repente, virá ao seu templo o Senhor, a quem vocês buscam” (Ml 3.1). Quão manifestamente isto se cumpriu, primeiro pela vinda de João Batista, e depois pelo próprio Senhor, “vindo de repente ao seu templo”! E que sinal poderia ser mais claro, para os que imparcialmente considerassem as palavras do profeta Isaías: “Voz do que clama no deserto: Preparem o caminho do Senhor, endireitem as suas veredas!” (Is 40.3)?
4. Mas sinais ainda mais claros que estes (se algum poderia ser mais claro) foram as obras poderosas que ele realizou. Ele mesmo declara: “As obras que faço testemunham a meu respeito.” E a estas apela explicitamente na resposta à pergunta de João Batista (proposta não por dúvida que ele próprio tivesse, mas pelo desejo de firmar os seus discípulos): “És tu aquele que havia de vir, ou havemos de esperar outro?” Nenhuma resposta apenas verbal poderia ser tão convincente quanto o que eles viram com os próprios olhos. Jesus, pois, os remeteu a esse testemunho: “Vão contar a João o que estão ouvindo e vendo: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos ficam limpos, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres está sendo pregado o evangelho” (Mt 11.4–5).
5. Mas como veio a acontecer que aqueles que eram tão argutos em outras coisas, que sabiam “discernir o aspecto do céu”, não fossem capazes de discernir os sinais que indicavam a vinda do Messias? Não os puderam discernir — não por falta de evidência, que era plena e clara, mas por falta de integridade em si mesmos; porque eram uma “geração perversa e adúltera”, porque a perversidade do coração lançou uma nuvem sobre o entendimento. Por isso, embora o Sol da Justiça brilhasse resplandecente, eles não o percebiam. Não estavam dispostos a ser convencidos; por isso permaneceram na ignorância. A luz era suficiente; mas eles fecharam os olhos para não a ver — de modo que ficaram sem desculpa.
II. Os tempos que estão próximos
1. Consideremos, em segundo lugar, que tempos são aqueles que temos razão de crer que estão agora próximos, e como é que todos os que se chamam cristãos não discernem os seus sinais. Os tempos que temos razão de crer estarem próximos (se já não começaram) são o que muitos homens piedosos chamaram “o tempo da glória dos últimos dias” — o tempo em que Deus há de manifestar gloriosamente o seu poder e o seu amor, no cumprimento da sua graciosa promessa de que “o conhecimento do Senhor cobrirá a terra, como as águas cobrem o mar”.
2. “Mas há, na Inglaterra ou em alguma parte do mundo, sinais de tal tempo se aproximando?” Não faz muitos anos que uma pessoa de considerável saber e eminência na Igreja, na sua carta pastoral, fez esta observação: “Não consigo imaginar o que as pessoas querem dizer quando falam de uma grande obra de Deus neste tempo. Não vejo obra de Deus agora, mais do que em qualquer outro tempo.” Creio; creio que aquele grande homem não viu obra alguma extraordinária de Deus. Nem ele, nem a generalidade dos que se dizem cristãos, viram sinal algum do glorioso dia que se aproxima. Mas como se explica isto? Como é que os que sabem “discernir o aspecto do céu”, que são não só grandes filósofos, mas grandes teólogos, tão eminentes quanto jamais foram os saduceus, ou mesmo os fariseus, não discernem os sinais desses gloriosos tempos que, se não começaram, estão à porta?
3. Admitimos, de fato, que em toda era da Igreja “o reino de Deus não veio de modo visível”, não com esplendor e pompa, nem com aquelas circunstâncias exteriores que costumam acompanhar os reinos deste mundo. Admitimos que este “reino de Deus está dentro de nós”; e que, por consequência, quando começa, num indivíduo ou numa nação, “é como um grão de mostarda”, que a princípio “é a menor de todas as sementes”, mas cresce gradualmente até “tornar-se grande árvore”. Ou, para usar a outra comparação do nosso Senhor, é como “o fermento que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha, até tudo ficar levedado”.
4. Mas não se pode perguntar: “Há agora sinais de que o dia do poder de Deus se aproxima?” Apelo a toda pessoa sincera e sem preconceito, se não podemos, no dia de hoje, discernir todos aqueles sinais (entendidas as palavras em sentido espiritual) a que o nosso Senhor remeteu os discípulos de João. “Os cegos veem”: os que eram cegos de nascença, incapazes de ver o seu estado deplorável, e muito menos de ver a Deus e o remédio que ele lhes preparou no Filho do seu amor, agora veem a si mesmos, sim, e “a luz da glória de Deus na face de Jesus Cristo”. “Os surdos ouvem”: os que antes eram de todo surdos a todos os chamados de Deus agora ouvem não só os seus chamados providenciais, mas também os sussurros da sua graça. “Os coxos andam”: os que nunca antes se ergueram da terra agora andam em todos os caminhos de Deus, sim, “correndo a carreira que lhes está proposta”. “Os leprosos ficam limpos”: a lepra mortal do pecado, que trouxeram consigo ao mundo, e que arte humana alguma jamais pôde curar, agora se apartou de todo deles. E por certo, em nenhuma era ou nação, desde os apóstolos, se cumpriram tão eminentemente aquelas palavras — “aos pobres está sendo pregado o evangelho” — como no dia de hoje. Neste dia o fermento do evangelho, a fé que opera pelo amor, a santidade interior e exterior — ou, para usar os termos de Paulo, a “justiça, a paz e a alegria no Espírito Santo” — de tal modo se espalhou por várias partes da Europa, particularmente na Inglaterra, na Escócia e na Irlanda, e nas colônias, da Geórgia à Nova Inglaterra, que pecadores foram verdadeiramente convertidos a Deus, inteiramente mudados no coração e na vida — não às dezenas ou às centenas apenas, mas aos milhares, sim, às miríades! O fato não se pode negar: podemos apontar as pessoas, com os seus nomes e lugares de moradia. E, contudo, os sábios do mundo, os homens de eminência, de saber e renome, “não conseguem imaginar o que queremos dizer, ao falar de alguma obra extraordinária de Deus!” Não conseguem discernir os sinais destes tempos!
5. Mas como se explica isto? Como é que não conseguem discernir os sinais destes tempos? Podemos explicar a sua falta de discernimento pelo mesmo princípio por que explicamos a dos fariseus e saduceus: que também eles são, como aqueles foram, uma “geração adúltera e pecadora”. Se o olho deles fosse bom, todo o seu corpo estaria cheio de luz; mas, sendo mau o seu olho, todo o seu corpo há de estar cheio de trevas. Todo temperamento mau entenebrece a alma; toda paixão má obscurece o entendimento. Como, então, esperar que discirnam os sinais dos tempos os que estão cheios de paixões desordenadas e escravos de todo mau temperamento? Estão cheios de orgulho: têm de si conceito muito mais alto do que convém. São vaidosos: “buscam honra uns dos outros, e não a honra que vem do Deus único.” Nutrem ódio e malícia no coração; dão lugar à ira, à inveja, à vingança; retribuem mal por mal e injúria por injúria. Em vez de vencer o mal com o bem, não têm escrúpulo de exigir olho por olho e dente por dente. Não “cogitam das coisas de Deus, mas das dos homens”. Põem os seus afetos não nas coisas do alto, mas nas da terra. “Amam a criatura mais que o Criador”; são “mais amigos dos prazeres do que amigos de Deus”. Como haveriam de discernir os sinais dos tempos? O deus deste século, a quem servem, cegou-lhes o coração e cobriu-lhes a mente com um véu de espessas trevas.
6. João atribui esta mesma razão ao fato de os judeus não entenderem as coisas de Deus: que, em consequência dos seus pecados anteriores e da deliberada rejeição da luz, Deus os havia agora entregado a Satanás, que os cegou sem remédio. Vez após vez, quando podiam ter visto, não quiseram; fecharam os olhos contra a luz. E agora não podem ver, tendo Deus os entregado a uma mente que não discerne. Por isso não creem, porque, como disse Isaías, “ele cegou os olhos deles e endureceu o seu coração, para que não vejam com os olhos, nem entendam com o coração, e se convertam, e eu os cure”. O sentido claro não é que Deus tenha feito isto pelo seu próprio poder imediato — seria pura blasfêmia dizer que Deus, neste sentido, endurece homem algum —, mas que o seu Espírito já não contende com eles, e então Satanás os endurece eficazmente.
7. E, como foi com eles nos tempos antigos, assim é com a presente geração. Milhares dos que levam o nome de Cristo estão agora entregues a uma mente que não discerne. O deus deste século de tal modo lhes cegou os olhos que a luz não pode brilhar sobre eles, e por isso não conseguem discernir os sinais dos tempos mais do que os fariseus e saduceus de outrora. Um assombroso exemplo desta cegueira espiritual nos é dado na celebrada obra de um eminente escritor recente, que supõe ter descido do céu a Nova Jerusalém quando Constantino, o Grande, se chamou cristão. Digo chamou-se cristão, pois não ouso afirmar que o fosse. Não posso senão crer que ele teria acertado mais o alvo se dissesse que aquele foi o tempo em que subiu do abismo uma imensa nuvem de enxofre e fumaça infernal! Pois por certo nunca houve tempo em que Satanás obtivesse vantagem tão fatal sobre a Igreja de Cristo como quando tal cheia de riquezas, honras e poder irrompeu sobre ela, particularmente sobre o clero!
8. Pela mesma regra, que sinais este escritor esperaria da conversão iminente dos pagãos? Sem dúvida esperaria um herói, como Carlos da Suécia ou Frederico da Prússia, a levar fogo, espada e cristianismo por nações inteiras de uma só vez! E não se pode negar que, desde o tempo de Constantino, muitas nações foram “convertidas” desse modo. Mas poderia dizer-se de tais conversões: “O reino dos céus não vem de modo visível”? Por certo todos hão de notar um guerreiro atravessando a terra à frente de cinquenta ou sessenta mil homens! Mas é este o modo de difundir o cristianismo que o seu Autor, o Príncipe da Paz, escolheu? Não; não é assim que um grão de mostarda cresce em grande árvore. Não é assim que um pouco de fermento leveda toda a massa. Antes, ele se espalha por graus, cada vez mais, até tudo ficar levedado. Podemos formar juízo do que virá pelo que já vimos. E este é o modo por que a verdadeira religião cristã, a fé que opera pelo amor, vem se espalhando, particularmente pela Grã-Bretanha e seus territórios, por meio século.
9. Do mesmo modo continua a espalhar-se no tempo presente, como facilmente pode ver todo aquele cujos olhos não estão cegos. Todos os que experimentam no próprio coração o poder de Deus para a salvação prontamente perceberão como a mesma religião que desfrutam continua a espalhar-se de coração em coração. Reconhecem a mesma graça de Deus operando forte e docemente por toda parte, e se alegram ao achar mais e mais um pecador, primeiro indagando “Que devo fazer para ser salvo?”, e depois testemunhando “A minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador”. Numa investigação justa e sincera, acham mais e mais, não só dos que tinham alguma forma de religião, mas dos que não tinham forma alguma — pecadores devassos e abandonados — agora inteiramente mudados, verdadeiramente temendo a Deus e praticando a justiça; amando a Deus e ao próximo; vivendo na prática constante da justiça, da misericórdia e da verdade; fazendo o bem a todos enquanto têm tempo; tranquilos e felizes na vida, e triunfantes na morte.
10. Que desculpa, então, têm os que creem serem as Escrituras a Palavra de Deus, para não discernir os sinais destes tempos, preparatórios do chamado geral dos gentios? Que poderia Deus ter feito, que não fez, para convencer você de que vem chegando o dia em que ele cumprirá as suas gloriosas promessas, em que se levantará para sustentar a sua própria causa e estabelecer o seu reino sobre toda a terra? Que, de fato — a não ser que o houvesse forçado a crer? E isto ele não podia fazer, sem destruir a natureza que lhe deu: pois o fez agente livre, com um poder interior de autodeterminação, essencial à sua natureza. E ele o trata como agente livre, do princípio ao fim. Como tal, você pode fechar ou abrir os olhos, como quiser. Há luz suficiente brilhando ao seu redor; mas você não precisa vê-la, se não quiser. Fique certo, porém, de que Deus não se agrada de que você feche os olhos e depois diga: “Não consigo ver.” Aconselho-o a fazer um exame imparcial de todo o assunto. Considere profundamente: “Que coisas fez Deus!” “Quem jamais viu tal coisa? Quem jamais ouviu tal coisa?” Não nasceu, por assim dizer, “uma nação num só dia”? Quão rápida, profunda e extensa obra se operou na presente era! E certamente “não por força, nem por poder, mas pelo Espírito do Senhor”. Pois quão inteiramente inadequados eram os meios, quão insuficientes os instrumentos! “Uns poucos rapazes inexperientes”, disse o bispo de Londres; “que pretendem fazer?” Pretendiam ser, na mão de Deus, o que a pena é na mão do homem. Pretendiam fazer a obra para que foram enviados, fazer exatamente o que o Senhor determina. E, se é do seu agrado derrubar os muros de Jericó, as fortalezas de Satanás, não pelas máquinas de guerra, mas pelo som das trombetas de chifre de carneiro, quem lhe dirá: “Que fazes?”
11. Entretanto, “bem-aventurados os seus olhos, porque veem; muitos profetas e justos desejaram ver o que vocês veem, e não viram; e ouvir o que vocês ouvem, e não ouviram”. Vocês veem e reconhecem o dia da sua visitação, tal visitação como nem vocês nem os seus pais conheceram. Bem podem dizer: “Este é o dia que o Senhor fez; regozijemo-nos e alegremo-nos nele.” Vocês veem a alvorada daquele glorioso dia de que todos os profetas falaram. E como aproveitarão do modo mais eficaz este dia da sua visitação?
12. O primeiro ponto é: cuidem de não receber em vão a bênção de Deus. Comecem pela raiz, se ainda não o fizeram. Agora, arrependam-se e creiam no evangelho! Se já creram, “olhem por si mesmos, para não perderem o fruto do seu trabalho, mas receberem completo galardão!” Reavivem o dom de Deus que há em vocês! Andem na luz, como ele está na luz. E, enquanto “retêm o que já alcançaram, avancem para a perfeição”. Sim, e, quando forem “aperfeiçoados no amor”, ainda assim, “esquecendo-se das coisas que ficaram para trás, avancem para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”.
13. Cabe-lhes, em seguida, socorrer o próximo. “Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem o Pai de vocês, que está nos céus.” Enquanto têm tempo, façam o bem a todos, mas especialmente aos da família da fé. Proclamem as boas-novas da salvação, não só aos da sua própria casa, não só aos seus parentes, amigos e conhecidos, mas a todos os que Deus providencialmente entregar nas suas mãos! Vocês, que já sabem em quem creram, “são o sal da terra”. Esforcem-se por temperar, com o conhecimento e o amor de Deus, todos com quem tiverem contato! Vocês são “como uma cidade edificada sobre um monte”; não podem, não devem ficar ocultos. “São a luz do mundo; ninguém acende uma candeia para pô-la debaixo do alqueire” — quanto menos o Deus onisciente! Não; que ela brilhe para todos os que estão na casa, todos os que são testemunhas da sua vida. Acima de tudo, perseverem em oração, por vocês mesmos, por toda a Igreja de Deus e por todos os filhos dos homens, para que se voltem para o nosso Deus e desfrutem também eles a bênção do evangelho na terra e a glória de Deus no céu!
Tradução em português atual a partir do original em domínio público (ed. Thomas Jackson, 1872), realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello. Citações bíblicas conforme a NAA. Igreja Metodista Livre do Brasil.