SERMÃO 82

Sobre a tentação

O consolo de que Deus nunca nos deixa sem um caminho de saída.

1Co 10.13, NAA ⏱ 16 min de leituraVida cristã prática

“Não sobreveio a vocês tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que vocês sejam tentados além das suas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, ele providenciará o escape, para que possam suportá-la.”

(1Co 10.13, NAA)

Antes de ler

Este é um dos sermões mais consoladores de Wesley — um bálsamo para quem está no meio da prova. Ele parte de um dos versículos mais amados da Bíblia, mas o lê com cuidado exegético raro. Note a advertência de abertura: “quem pensa que está firme, veja que não caia.” Wesley observa que o grego não diz “quem parece estar firme”, mas “quem de fato está firme” — de modo que o aviso é ainda mais sério: até o mais firme pode cair, se não vigiar. Depois ele desdobra três verdades. Primeira: a tentação é humana, própria da nossa natureza — vem do corpo frágil, da mente limitada, do mundo desordenado e dos homens (e até dos bons, que ainda carregam fraquezas). Segunda: Deus, que sabe exatamente de que somos feitos, nunca permite que sejamos tentados além das nossas forças. Terceira, e a mais rica: ele sempre provê “o escape” — ora removendo a ocasião da tentação, ora, o que é maior, tirando-lhe o amargor dentro dela, de modo que a prova se torna ocasião de gratidão.

Guarde as passagens de rara ternura pastoral: a resposta da serva Jenny sobre as fraquezas que restam mesmo nos que foram libertos do pecado; e, sobretudo, o testemunho do próprio pai de Wesley no leito de morte — “Deus me castiga com dor; mas eu o agradeço por tudo, eu o bendigo por tudo, eu o amo por tudo.” Uma observação de leitura: ao ilustrar o sofrimento extremo, Wesley usa a Inquisição romana num tom de polêmica anticatólica típico do seu tempo e país; leia essa passagem nesse contexto histórico. O que fica é a promessa: o mesmo Deus que sustenta na tentação livra dela, e no fim tudo coopera para o nosso bem, para que sejamos participantes da sua santidade.

— Bispo Ildo Mello

Texto:

1. Na parte anterior do capítulo, o apóstolo recitara, de um lado, as incomparáveis misericórdias de Deus para com os israelitas e, de outro, a incomparável ingratidão daquele povo desobediente e rebelde. E todas essas coisas, como observa o apóstolo, “foram escritas para advertência nossa”, para que tomássemos delas o exemplo, evitando os seus graves pecados e escapando do seu terrível castigo. Ele acrescenta então aquela solene e importante advertência: “Aquele que pensa estar em pé veja que não caia.”

2. Mas, se observarmos estas palavras com atenção, não aparecerá nelas uma dificuldade considerável? “Aquele que pensa estar em pé veja que não caia.” Se um homem apenas pensa que está em pé, não corre perigo de cair. A mesma dificuldade ocorre, segundo a nossa tradução, naquelas conhecidas palavras do nosso Senhor: “Ao que tem, se lhe dará; mas, ao que não tem, até o que parece ter lhe será tirado.” “O que parece ter!” Ora, se ele apenas parece ter, é impossível que lhe seja tirado. Esta dificuldade, à primeira vista, parece intransponível — e de fato o é, se admitida a tradução comum. Mas, se atentarmos no sentido próprio da palavra original, a dificuldade se desvanece. O verbo grego pode, às vezes, significar apenas “parecer”; mas duvido muito que jamais tenha esse sentido nos escritos inspirados. Por um exame cuidadoso de cada texto do Novo Testamento em que ocorre, estou plenamente convencido de que ele em parte alguma enfraquece, mas em toda parte reforça, o sentido da palavra a que se junta. Assim, a expressão não significa “o que ele parece ter”, mas, ao contrário, “o que ele certamente tem”; e a outra não significa “aquele que parece estar em pé”, ou “aquele que pensa estar em pé”, mas “aquele que certamente está em pé” — aquele que está tão firme que não parece correr perigo algum de cair; aquele que diz, como Davi: “Jamais serei abalado; tu, Senhor, firmaste o meu monte.” E, contudo, naquele mesmo instante, assim diz o Senhor: “Não te ensoberbeças; antes, teme. Do contrário, também tu serás cortado” — também tu serás abalado da tua firmeza. A força que certamente tens te será tirada. Por mais firme que de fato estivesses, cairás no pecado, se não no inferno.

3. Mas, para que ninguém se desanime ao considerar os que um dia correram bem e depois foram vencidos pela tentação; para que os pusilânimes não fiquem de todo abatidos, supondo ser-lhes impossível permanecer firmes, o apóstolo acrescenta àquela séria exortação estas palavras consoladoras: “Não sobreveio a vocês tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que vocês sejam tentados além das suas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, ele providenciará o escape, para que possam suportá-la.”

I. Nenhuma tentação senão humana

1. Comecemos pela observação que introduz esta consoladora promessa: “Não sobreveio a vocês tentação que não fosse humana.” Não é fácil achar palavra que traduza com exatidão o termo original. Creio que o seu sentido só se pode exprimir por um rodeio como este: “tentação adequada à natureza e às circunstâncias do homem; tal como todo homem pode razoavelmente esperar, se considera a natureza do seu corpo e da sua alma, e a sua situação no mundo presente.” Se ponderarmos devidamente estas coisas, não nos surpreenderemos com tentação alguma que nos sobrevenha, visto que não é outra senão a que tal criatura, em tal situação, tem toda razão de esperar.

2. Considere, primeiro, a natureza do corpo a que a sua alma está ligada. Quantos são os males a que ele está sujeito todo dia, toda hora! A fraqueza, a doença e distúrbios de mil espécies são os seus companheiros naturais. Considere as fibras inconcebivelmente diminutas, mais finas que um fio de cabelo, de que se compõe cada parte dele; considere a inumerável multidão de canais e filtros igualmente finos, todos cheios de fluidos que circulam! E não bastará o rompimento de umas poucas dessas fibras, ou a obstrução de uns poucos desses tubos — particularmente no cérebro, no coração ou nos pulmões — para destruir a nossa tranquilidade, a saúde, a força, senão a própria vida? Ora, se observarmos que toda dor implica tentação, quão inumeráveis hão de ser as tentações que assediarão cada homem, mais cedo ou mais tarde, enquanto habitar neste corpo corruptível!

3. Considere, segundo, o estado presente da alma, enquanto habita a casa de barro. Não falo do seu estado não regenerado, enquanto jaz nas trevas e na sombra da morte; não — olhe para os que foram elevados acima desse estado deplorável, os que já provaram que o Senhor é bondoso. Mesmo assim, quão fraco é o seu entendimento! Quão limitado o seu alcance! Quão confusas e inexatas são as nossas percepções até das coisas que nos rodeiam! Quão sujeitos ao engano estão os mais sábios dos homens — a formar juízos falsos, a tomar a falsidade por verdade e a verdade por falsidade, o mal por bem e o bem por mal! A que sobressaltos e desvarios da imaginação estamos continuamente sujeitos! E quantas são as tentações que devemos esperar até destas fraquezas inocentes!

4. Considere, terceiro, qual é a situação presente até dos que temem a Deus. Habitam nas ruínas de um mundo desordenado, entre homens que não conhecem a Deus, que não se importam com ele e cujo coração está inteiramente disposto a praticar o mal. Quantos são forçados a clamar: “Ai de mim, que peregrino em Meseque e habito entre as tendas de Quedar!” — entre os inimigos de Deus e do homem. Quão imensamente superados em número são os que quereriam fazer o bem, pelos que não temem a Deus nem respeitam o homem! E quão expressiva é a observação de um poeta: se um homem armado da cabeça aos pés fosse cercado por mil indígenas nus, o número deles lhe daria tal vantagem que dificilmente ele poderia escapar. Que esperança haveria, então, para um homem nu e desarmado, cercado por mil homens armados? Ora, este é o caso de todo homem bom: sai, nu como está, para o meio de milhares que estão armados com toda a armadura de Satanás. Se, pois, não é destruído, quão tentado há de ser um homem bom no meio deste mundo mau!

5. Mas será só dos homens maus que surgem tentações para os que temem a Deus? É muito natural imaginá-lo, e quase todos assim pensam. Daí quantos de nós já dissemos no coração: “Ó, se a minha sorte fosse lançada apenas entre os bons, entre os que amam ou ao menos temem a Deus, eu estaria livre de todas estas tentações!” Talvez estivesse; provavelmente não encontraria o mesmo tipo de tentações que agora tem de enfrentar. Mas por certo encontraria tentações de outra espécie, que acharia igualmente difíceis de suportar. Pois mesmo os bons, em geral, embora o pecado não tenha domínio sobre eles, não estão livres dos restos dele. Têm ainda os restos de um coração mau, sempre propenso a “apartar-se do Deus vivo”. Têm as sementes do orgulho, da ira, do desejo tolo; sim, de todo temperamento ímpio. E qualquer destas, se não vigiam e oram de contínuo, pode brotar e perturbar não só a eles, mas a todos os que os rodeiam. Não devemos, pois, contar com não achar tentação alguma da parte dos que temem, e até em certa medida amam, a Deus. Muito menos devemos surpreender-nos se alguns dos que um dia amaram a Deus sinceramente puserem no nosso caminho tentações maiores do que muitos dos que nunca o conheceram.

6. “Mas podemos esperar alguma tentação da parte dos que são aperfeiçoados no amor?” Esta é uma pergunta importante e merece consideração particular. Respondo, primeiro: você pode achar toda espécie de tentação da parte dos que supõem estar aperfeiçoados quando, na verdade, não estão; e, segundo, da parte dos que um dia realmente o foram, mas agora se afastaram da sua firmeza. E, se você não se dá conta disto, se pensa que eles ainda são o que uma vez foram, a tentação será mais difícil de suportar. Aliás, terceiro: até os que “estão firmes na liberdade com que Cristo os libertou”, os que agora são realmente perfeitos no amor, ainda podem ser ocasião de tentação para você, pois ainda estão cercados de fraquezas. Podem ser lentos de compreensão; podem ter descuido natural, ou memória falha, ou imaginação viva demais; e qualquer destas pode causar pequenas impropriedades, na fala ou no comportamento, que, embora não pecaminosas em si, podem provar toda a graça que você tem — sobretudo se você atribuir à má vontade (como é muito natural fazer) o que na verdade se deve a falha de memória ou fraqueza de entendimento. Quão apropriada foi a resposta que uma serva de Deus (agora no seio de Abraão) me deu anos atrás, quando eu disse: “Jenny, por certo você e a sua patroa já não podem ser prova uma para a outra, agora que Deus livrou a ambas do pecado!” “Ó senhor”, disse ela, “ainda que sejamos livres do pecado, temos fraquezas bastantes para provar toda a graça que Deus nos deu!”

7. Mas, além dos homens maus, não nos cercam também de contínuo os espíritos maus por todos os lados? Não andam Satanás e os seus anjos sempre à roda, buscando a quem devorar? Quem está fora do alcance da sua malícia e astúcia? Nem o mais sábio nem o melhor dos filhos dos homens. “O servo não é maior que o seu Senhor.” Se, pois, tentaram a ele, não nos tentarão também? Sim, e talvez, se Deus julgar bom permitir, mais ou menos, até o fim da nossa vida. “Nenhuma tentação”, portanto, “nos sobreveio” que não tivéssemos razão de esperar — do corpo ou da alma, dos espíritos maus ou dos homens maus; sim, até dos homens bons —, até que o nosso espírito volte a Deus, que o deu.

II. Deus não permitirá além das nossas forças

1. Entretanto, que consolo é saber, com a máxima certeza, que “Deus é fiel e não permitirá que sejamos tentados além das nossas forças”. Ele sabe qual é a nossa capacidade, e não pode enganar-se. “Ele conhece” precisamente “de que somos feitos; lembra-se de que somos pó.” E não permitirá que nos sobrevenha tentação alguma senão a que seja proporcionada à nossa força. Não só a sua justiça o exige — a qual não poderia punir-nos por não resistir a uma tentação, se esta fosse tão desproporcionada à nossa força que nos fosse impossível resistir-lhe; não só a sua misericórdia, aquela terna misericórdia que está sobre nós, como sobre todas as suas obras; mas, acima de tudo, a sua fidelidade, visto que todas as suas palavras são fiéis e verdadeiras, e todo o teor das suas promessas concorda inteiramente com aquela declaração: “A tua força será igual aos teus dias.”

2. Em quaisquer sofrimentos ou tentações em que estejamos, o nosso grande Médico nunca se aparta de nós. Está em torno do nosso leito e do nosso caminho. Observa cada sintoma da nossa aflição, para que ela não se eleve acima da nossa força. E não pode enganar-se a nosso respeito. Vê exatamente quanto podemos suportar com o grau de força que temos no presente. E, se esta não basta, ele pode aumentá-la ao grau que lhe aprouver. Nada, portanto, é mais certo do que isto: em consequência da sua sabedoria, bem como da sua justiça, misericórdia e fidelidade, ele nunca permitirá, nunca poderá permitir, que sejamos tentados além das nossas forças — além da força que já nos deu, ou que nos dará tão logo dela necessitemos.

III. O escape — e as lições

1. “Juntamente com a tentação, ele providenciará o escape, para que possamos suportá-la.” A palavra grega que traduzimos por “escape” é extremamente significativa. Significa literalmente “uma saída”, um caminho para fora. E este Deus há de achar ou abrir — o que aquele que tem toda a sabedoria e todo o poder no céu e na terra nunca ficará sem saber como fazer.

2. Ou ele abre um caminho para escapar da tentação, removendo a ocasião dela; ou na tentação — isto é, permanecendo a ocasião como estava, ela deixa de ser tentação. Primeiro, ele abre um caminho para escapar da tentação, removendo a ocasião dela. A história da humanidade, e da Igreja em particular, nos oferece inúmeros exemplos disto. Relato um, memorável, como prova da fidelidade de Deus: Elizabeth Chadsey, então morando em Londres, foi aconselhada a administrar os bens do marido falecido, que se supunha ter deixado muita fortuna. Mas, feita a inquirição, verificou-se que não só ele nada deixara, como estava consideravelmente endividado. Pouco depois do enterro, veio um homem à casa dela e disse: “Senhora Chadsey, a senhora deve muito ao seu senhorio, e ele me enviou para cobrar o aluguel devido.” Ela respondeu: “Senhor, não tenho tanto dinheiro no mundo; aliás, não tenho nenhum!” “Mas”, disse ele, “não tem nada que renda dinheiro?” Ela replicou: “Senhor, o senhor vê tudo o que tenho. Não há nada em casa senão estas seis criancinhas.” “Então”, disse ele, “tenho de executar o meu mandado e levá-la a Newgate. Mas é um caso duro. Deixarei a senhora aqui até amanhã, e irei tentar persuadir o seu senhorio a dar-lhe prazo.” Voltou na manhã seguinte: “Fiz tudo o que pude, usei todos os argumentos; mas o seu senhorio é inflexível. Jura que, se eu não a levar sem demora à prisão, eu mesmo irei para lá.” Ela respondeu: “O senhor cumpriu a sua parte. Faça-se a vontade do Senhor!” Disse ele: “Arriscarei mais uma tentativa, e voltarei de manhã.” Veio de manhã e disse: “Senhora Chadsey, Deus tomou a sua causa. Ninguém pode incomodá-la agora, pois o seu senhorio morreu esta noite. E não deixou testamento; ninguém sabe quem é o herdeiro.”

3. Assim, Deus é capaz de livrar das tentações, removendo a ocasião delas. Mas não há tentações cuja ocasião não se pode remover? Não é um exemplo impressionante disto o que se lê numa publicação recente? “Eu caminhava”, diz o autor da carta, “pelas falésias de Dover, numa tarde calma e aprazível, com uma pessoa que eu amava ternamente e com quem me casaria dias depois. Enquanto conversávamos, o pé dela escorregou, ela caiu, e eu a vi despedaçar-se na praia. Ergui as mãos e exclamei: ‘Este mal não tem remédio! Hei de andar de luto todos os meus dias! É impossível que eu ache jamais outra mulher assim!’ E acrescentei, em agonia: ‘Esta é uma aflição que nem o próprio Deus pode reparar!’ E, no instante em que proferi essas palavras, acordei — pois era um sonho!” Assim mesmo pode Deus remover qualquer tentação, tornando-a como um sonho de quem desperta!

4. Assim é Deus capaz de livrar da tentação, tirando o próprio fundamento dela. E é igualmente capaz de livrar na tentação — o que talvez seja o maior de todos os livramentos. Quero dizer: permitindo que a ocasião permaneça como estava, ele lhe tira o amargor, de modo que ela deixa de ser tentação e se torna apenas ocasião de ação de graças. Quantas provas disto têm os filhos de Deus, mesmo na experiência diária! Quão frequentemente são cercados de aflição, ou visitados pela dor e pela doença! E, quando clamam ao Senhor, às vezes ele lhes tira o cálice: remove a aflição, e é como se nunca tivesse existido. Outras vezes não faz mudança exterior alguma — a aflição, a dor ou a doença continuam; mas as consolações do Santo de tal modo aumentam que sobrepujam a tudo, e eles podem declarar com ousadia:

O trabalho é descanso, e a dor é doce,

quando tu, meu Deus, estás perto.

5. Um exemplo eminente deste tipo de livramento é o que ocorre na vida daquele excelente homem, o Marquês de Renty. Estando ele num violento acesso de reumatismo, um amigo lhe perguntou: “Senhor, o senhor sente muita dor?” Ele respondeu: “As minhas dores são extremas; mas, pela misericórdia de Deus, entrego-me não a elas, mas a ele.” Foi no mesmo espírito que o meu próprio pai respondeu, embora exausto por uma severa enfermidade (uma úlcera nas entranhas, que por mais de sete meses mal lhe dera descanso, de dia ou de noite), quando lhe perguntei: “Pai, o senhor sente dor agora?” Ele respondeu, com voz forte e alta: “Deus, de fato, me castiga com dor; sim, todos os meus ossos com forte dor. Mas eu o agradeço por tudo; eu o bendigo por tudo; eu o amo por tudo.”

6. Podemos observar mais um exemplo semelhante, na vida do Marquês de Renty. Estando a esposa, que ele ternamente amava, gravemente doente e à beira da morte, um amigo se atreveu a perguntar-lhe como se sentia na ocasião. Ele respondeu: “Não posso deixar de dizer que esta prova me atinge na parte mais sensível. Sinto a minha perda de modo agudíssimo. Sinto mais do que é possível exprimir. E, contudo, estou tão satisfeito de que a vontade de Deus se faça, e não a de um vil pecador, que, não fosse o temor de escandalizar os outros, eu poderia dançar e cantar!” Assim, o Deus misericordioso, justo e fiel, de um modo ou de outro, “em toda tentação providenciará o escape, para que possamos suportá-la”.

7. Toda esta passagem é fértil em ensino. A primeira lição que dela aprendemos é esta: aquele que mais firmemente está em pé veja que não caia — em murmuração; que não diga no coração: “Por certo o caso de ninguém é como o meu; ninguém jamais foi provado como eu.” Sim, dez mil o foram. “Não sobreveio a você tentação” senão “humana” — tal como você poderia razoavelmente esperar, se considerasse o que é (um pecador nascido para morrer, habitante pecaminoso de um corpo mortal, sujeito a inumeráveis sofrimentos interiores e exteriores) e onde está (num mundo despedaçado e desordenado, cercado de homens maus e espíritos maus). Considere isto, e não se queixará da sorte comum, da condição geral da humanidade.

8. Segundo: aquele que está em pé veja que não caia — tentando a Deus, ao pensar ou dizer: “Isto é insuportável; é duro demais; nunca conseguirei atravessá-lo; o meu fardo é mais pesado do que posso carregar.” Não é assim, a menos que algo seja difícil demais para Deus. Ele não permitirá que você seja “tentado além das suas forças”. Proporciona o fardo à sua força. Se você precisa de mais força, “peça, e lhe será dada”.

9. Terceiro: aquele que está em pé veja que não caia — tentando a Deus pela incredulidade, desconfiando da sua fidelidade. Não disse ele que “em toda tentação providenciará o escape”? E não o fará? Sim, certamente;

e muito acima do teu pensamento

aparecerá o seu conselho,

quando ele tiver plenamente cumprido a obra

que causou o teu temor sem razão.

10. Recebamos, pois, toda prova com serena resignação e com humilde confiança de que aquele que tem todo o poder, toda a sabedoria, toda a misericórdia e toda a fidelidade primeiro nos sustentará em toda tentação e depois nos livrará de todas — de modo que, no fim, todas as coisas cooperarão para o bem, e experimentaremos, com alegria, que todas elas foram para o nosso proveito, para que fôssemos “participantes da sua santidade”.

Tradução em português atual a partir do original em domínio público (ed. Thomas Jackson, 1872), realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello. Citações bíblicas conforme a NAA. Igreja Metodista Livre do Brasil.

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