Aula 7 de 7Narcisismo religioso

A comunidade que cuida: o que a Bíblia e o Manual preveem

“Sujeitem-se uns aos outros no temor de Cristo.”Efésios 5.21 · NAA

Bispo Ildo MelloLeitura prévia: Êx 18.13-26; At 6.1-7; At 15.22-29; 2Co 8.18-21; Dt 19.15-19; Lv 19.15; Tg 2.1-9; 1Tm 5.19-22; Manual da Igreja §§7100-7200 e 7300-7330

Para começar

Por que uma comunidade precisa de procedimentos

Procedimento parece palavra fria para assunto tão espiritual. A Bíblia, porém, mostra que a justiça na comunidade sempre precisou de estrutura, e que essa estrutura é amor aplicado.

13 No dia seguinte Moisés sentou-se para julgar o povo; e o povo estava em pé diante de Moisés desde a manhã até o pôr do sol.

14 Quando o sogro de Moisés viu tudo o que ele fazia ao povo, perguntou: Que é isto que você está fazendo ao povo? Por que você fica sentado sozinho e todo o povo está em pé diante de você, desde a manhã até o pôr do sol?

17 O sogro de Moisés, porém, lhe disse: Não é bom o que você está fazendo.

18 Com certeza todos ficarão cansados, tanto você como este povo que está com você. Isto é pesado demais para você; você não pode fazer isso sozinho.

21 Procure entre o povo homens capazes, tementes a Deus, homens que amam a verdade e odeiam a corrupção. Coloque-os como chefes do povo: chefes de mil, chefes de cem, chefes de cinquenta e chefes de dez,

22 para que julguem este povo em todo tempo. Toda causa grave trarão a você, mas toda causa pequena eles mesmos julgarão; assim será mais fácil para você, e eles o ajudarão a levar essa carga.

Êxodo 18.13-14,17-18,21-22 · NAA

Moisés não era um narcisista; era um servo exausto que concentrava todas as causas em si mesmo. Jetro viu o que ele não via: “Não é bom o que você está fazendo”, porque “todos ficarão cansados, tanto você como este povo”. A solução não foi rezar mais, e sim criar uma estrutura: juízes “capazes, tementes a Deus, homens que amam a verdade e odeiam a corrupção”, organizados em níveis, com as causas graves subindo e as pequenas resolvidas perto de quem as sofria. A concentração de todas as decisões numa pessoa faz mal à pessoa e ao povo, mesmo quando a pessoa é Moisés.

1 Naqueles dias, aumentando o número dos discípulos, houve murmuração dos helenistas contra os hebreus, porque as viúvas deles estavam sendo esquecidas na distribuição diária.

2 Então os doze convocaram a comunidade dos discípulos e disseram: Não é correto que nós abandonemos a palavra de Deus para servir às mesas.

3 Por isso, irmãos, escolham entre vocês sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, para os encarregarmos desse serviço.

4 Quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra.

5 O parecer agradou a todos. Então elegeram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia.

6 Apresentaram estes homens aos apóstolos, que, orando, lhes impuseram as mãos.

7 A palavra de Deus crescia e, em Jerusalém, o número dos discípulos aumentava. Também um grande grupo de sacerdotes obedecia à fé.

Atos 6.1-7 · NAA

Na primeira igreja, a primeira queixa registrada foi de injustiça na distribuição diária. Os apóstolos não a abafaram nem chamaram de murmuração indevida; convocaram a comunidade, reconheceram que não podiam fazer tudo, pediram que o povo escolhesse sete homens de boa reputação e os encarregaram do serviço. O resultado é registrado na linha seguinte: “A palavra de Deus crescia”. Uma queixa ouvida e estruturada produziu crescimento. Em Atos 15, a igreja decidiu uma questão difícil com debate, chegou a “pleno acordo”, escreveu uma carta e enviou pessoas para explicá-la: “pareceu bem ao Espírito Santo e a nós” (At 15.28). Decisões com razões, por escrito e comunicadas.

Paulo aplicou a mesma lógica ao dinheiro. Ao organizar a coleta para Jerusalém, fez as igrejas elegerem um irmão para acompanhá-lo e explicou por quê: “Queremos evitar, assim, que alguém nos acuse por causa desta generosa dádiva administrada por nós; pois cuidamos para fazer o que é correto, não só diante do Senhor, mas também diante das pessoas” (2Co 8.20-21). A prestação de contas não era desconfiança contra Paulo; era a transparência que o próprio apóstolo quis para si.

Procedimento sem coração vira burocracia; coração sem procedimento vira arbitrariedade. A Bíblia tem os dois, e o Manual da Igreja Metodista Livre, como veremos, começa pelo coração e só depois chega aos passos. Esta aula lê o Manual não como código penal, e sim como a forma que a igreja encontrou de fazer, com ordem, o que as aulas anteriores pediram: ouvir, apurar, corrigir, proteger e restaurar.

Manual §§7100-7120

O que o Manual chama de comunidade bíblica saudável

O capítulo de disciplina do Manual não começa com penas. Começa com a descrição de uma comunidade saudável e com uma frase de Efésios: sujeitem-se uns aos outros no temor de Cristo.

A ordem na Igreja é mais bem percebida quando nós “sujeitamo-nos uns aos outros, por temor a Cristo” (Efésios 5:21), honramos nossa Aliança de Membro e votos de ordenação e nos engajamos na missão da Igreja.

Manual da Igreja Metodista Livre, §7100

A ordem na igreja, diz o Manual, nasce da sujeição mútua, da Aliança de Membro, dos votos de ordenação e da missão. O parágrafo seguinte lista os comportamentos que criam e mantêm essa comunidade, e três deles interessam diretamente ao nosso tema. O primeiro é sobre a autoridade:

E. Nós insistimos com todos que sejam submissos (Efésios 5:21). Esta submissão deve ser mútua, tanto de quem está debaixo de autoridade como de quem exerce autoridade (1ª Tessalonicenses 5:11-13). Disputa, ciúme, explosão de ira, divisão, difamação, fofoca, arrogância e desordem não são atitudes compatíveis com pessoas bíblicas e saudáveis (2ª Coríntios 12:20).

Manual da Igreja Metodista Livre, §7110

Note a frase: “tanto de quem está debaixo de autoridade como de quem exerce autoridade”. O Manual não conhece submissão de mão única. E a lista que segue (disputa, ciúme, explosão de ira, divisão, difamação, fofoca, arrogância e desordem) descreve, com nomes bíblicos, o clima que o narcisismo religioso produz. O segundo comportamento protege os presbíteros de acusações levianas, e o terceiro protege quem caiu:

H. Nós não aceitamos acusação contra presbíteros a menos que seja substanciada por testemunho verificável e/ou evidência (1ª Timóteo 5:19).

I. Quando uma pessoa é surpreendida em pecado, é nossa responsabilidade restabelecê-la com toda a humildade e mansidão, lembrando que nós também podemos ser tentados (Gálatas 6:1-3).

Manual da Igreja Metodista Livre, §7110

É 1 Timóteo 5.19 e Gálatas 6.1-3, os textos das aulas 5 e 6, transformados em compromisso da igreja. E o parágrafo 7120 diz para que serve tudo isso: o alvo do processo é “conduzir ao arrependimento, perdão e retorno para a comunhão com Deus e com a Igreja”. Mas o mesmo parágrafo não esquece quem sofreu: “Onde há pessoas que são prejudicadas por um membro em pecado, a Igreja oferecerá auxílio a eles, na proteção de uma comunidade transformadora e pelo amor e cuidado de alguém espiritualmente maduro” (§7120). O cuidado com quem foi ferido, pedido na aula 6, está escrito no Manual.

Manual §7130

Situações que exigem atenção e os passos previstos

O parágrafo 7130 lista o que a igreja não pode ignorar. Vários itens descrevem exatamente o que este curso chamou de narcisismo religioso, e o Manual os trata como matéria de disciplina, não de temperamento.

O parágrafo começa com uma frase que fecha a porta da omissão: “Superiores, Comissões de Treinamento e Orientação Ministerial (COTOM) e Comissões de Cuidado de Membros (CCM) não podem ignorar o pecado na Igreja” (§7130). Duas siglas importam aqui: a COTOM é a comissão do Concílio Regional que cuida dos presbíteros; a CCM é a comissão da igreja local que cuida dos membros. “Superior” é o pastor, o superintendente ou o bispo, conforme o caso. Entre as questões que requerem atenção, o Manual lista:

1

“um padrão de comportamento em falar e reagir com ambição egoísta (Filipenses 2:3)”. É a definição da aula 6, e o Manual a trata como situação passível de disciplina.

2

“uma comunicação com ira que causa divisões (2ª Coríntios 12:20)”. A indignação de Uzias diante dos sacerdotes, transformada em item de lista.

3

“um padrão de falta de submissão ao superior, Presbítero ou junta da Igreja, ou quando há um padrão por parte do superior, Presbítero ou junta da Igreja com relação a pessoas sob seu cuidado que revela uma falta de reverência a Cristo (Efésios 5:21)”. A mão dupla outra vez: o membro insubmisso e o dirigente que trata mal quem está sob o seu cuidado estão na mesma lista.

4

“acusação e evidência de um padrão de vida em violação dos Princípios Não-Negociáveis da Igreja Metodista Livre (§6050) ou do Código de Ética para Ministros da Igreja Metodista Livre”.

Repare na palavra que se repete: padrão. O Manual não disciplina um episódio de vaidade nem uma discussão acalorada; disciplina padrões, exatamente como o quadro de discernimento da aula 5 pedia. Em seguida vêm os passos, em ordem:

Passo (§7130) O que o Manual diz
B. Conselho particular “Normalmente, o primeiro passo para restabelecer a ordem começa com conselho particular confidencial.” O superior indica o problema e chama a pessoa ao arrependimento sincero.
C. Conselho da COTOM/CCM Quando o pecado é descoberto por outros ou o conselho particular não parou o pecado, a comissão (ou o superior com representantes dela) indica o problema e chama ao arrependimento.
D. Compromisso de Restauração Se o conselho foi rejeitado ou ineficaz, a comissão estabelece um compromisso “que defina as expectativas e responsabilidades de todas as partes envolvidas no processo de restauração”.
E. Suspensão A comissão pode suspender da designação pastoral e/ou da membresia “quando ela não cumpre o Compromisso de Restauração”.
F. Suspensão imediata Quando o presbítero ou membro “é acusado de pecado por pelo menos duas testemunhas (por escrito, com assinatura e número de documento de identidade dos acusadores)” ou confessa violação grave; quando “ensina doutrina contrária aos nossos Artigos de Religião”; quando “causa lesão financeira ou física a pessoa(s) ou à instituição(ões)”.

A escada de Mateus 18 está inteira aí: conselho particular, depois com outros, depois diante da comunidade organizada. E a exigência de duas testemunhas, de 1 Timóteo 5.19 e Deuteronômio 19.15, aparece com uma proteção a mais: por escrito, com assinatura e documento. Quem acusa se responsabiliza pelo que diz, e quem é acusado sabe exatamente do que é acusado.

Uma junta local recebe, pela terceira vez em dois anos, relatos de que o pastor humilha voluntários em reuniões e ameaça “tirar do ministério” quem discorda. Cada vez, o presidente da junta conversou com o pastor em particular e o assunto foi dado por encerrado. Segundo o §7130, em que passo a junta parou, e qual seria o passo seguinte? O que muda quando o problema é um padrão e não um episódio?

Manual §§7140-7200

Queixas, comissões de revisão e recurso

Quando o conselho particular não resolve, o Manual exige um processo por escrito, revisto por uma comissão que não depende de quem decidiu, com direito a recurso. É o oposto do “vamos orar sobre isso” que abafa.

Superiores, COTOMs e CCMs devem abrir um processo para todas as queixas, acusações e/ou admissões de pecado que não possam ser resolvidos através de conselho particular. Toda vez que a membresia de um Presbítero for suspensa, tal ação deverá ser revista por uma Comissão Regional de Revisão. A abertura de processo deve ser feita através de ofício ao acusado, comunicando as acusações que pesam contra ele, protocolada com data e declaração de ciente pelo acusado, em duas vias, uma para o superior, COTOM ou CCM e outra para o acusado.

Manual da Igreja Metodista Livre, §7140

Três coisas se destacam. A primeira é o verbo: “devem abrir um processo”. Não é faculdade; é dever. A segunda é a forma: ofício ao acusado, protocolado, com data e ciência, em duas vias. Quem já viu uma queixa sumir “porque ninguém formalizou” entende por que o Manual exige papel. A terceira é a revisão: toda suspensão de presbítero é revista por uma Comissão Regional de Revisão, cuja composição o parágrafo 7150 define.

A Comissão Regional de Revisão será composta de dois leigos e dois pastores, pelo menos um dos quais será um superintendente e incluirá pelo menos um homem e uma mulher.

Manual da Igreja Metodista Livre, §7150

A composição não é detalhe: dois leigos, dois pastores, um superintendente entre eles, homem e mulher. Ninguém julga sozinho, e ninguém é julgado só por iguais. A comissão examina as atas, exige do presbítero acusado a prestação de contas do Compromisso de Restauração e, se houver suspeita de injustiça, convoca uma reunião em que “ouvirá ambas as partes, fará perguntas que julgar necessárias e, na ausência de ambas as partes, deliberará e tomará uma decisão”, com o acusado tendo direito a ser acompanhado por outro membro e/ou pelo cônjuge (§7150.A). É Provérbios em forma de comissão: “Responder antes de ouvir é tolice e vergonha” e “O primeiro que pleiteia a sua causa parece justo, até que vem o outro e o examina” (Pv 18.13,17).

Acima da revisão há o recurso. O Tribunal de Recursos “é desqualificado se tiver qualquer membro envolvido no assunto ou que esteja em uma posição de conflito de interesse” (§7200), com prazos definidos para a notificação, as razões, a réplica e a tréplica. Para os membros leigos, a COTOM do Concílio faz o papel de comissão de revisão, e o caminho de recurso é o mesmo. A aula 5 perguntou quem, na igreja, corrige o dirigente sem depender dele. O Manual responde com três degraus: a comissão, a revisão e o recurso.

1

Comissão (COTOM ou CCM)

Recebe a queixa por escrito, aconselha, estabelece o Compromisso de Restauração e, se for o caso, suspende.

2

Comissão de Revisão

Não depende de quem decidiu. Examina as atas, ouve as duas partes e decide. Toda suspensão de presbítero passa por ela.

3

Tribunal de Recursos

Sem ninguém envolvido no caso ou em conflito de interesse. Prazos por escrito. A sua decisão é final.

O Antigo Testamento já exigia juízes que examinassem “o caso com cuidado” e punia a testemunha falsa com a pena que ela pretendia para o irmão (Dt 19.18-19). A imparcialidade é a regra dos dois lados: “Não seja injusto ao julgar uma causa, nem favorecendo o pobre, nem agradando o rico” (Lv 19.15), e Tiago acrescenta que tratar as pessoas com parcialidade é pecado (Tg 2.9). Numa igreja, o “rico” de Levítico costuma ser quem tem cargo, e o “pobre”, quem não tem.

Manual §§7160-7190

Sigilo, transparência e comunicação

O Manual protege o sigilo pastoral e, ao mesmo tempo, o limita: o abuso de posição não é segredo confessional, e todos os registros financeiros são públicos.

O cuidado com informações confidenciais é parte do cuidado espiritual, e o Manual o estende a todos que trabalham na igreja (§7160). Os presbíteros “têm a responsabilidade de manter invioladas as confidências confessionais”, com uma exceção precisa: o sigilo se quebra “se o risco de iminente dano corporal para qualquer pessoa estiver presente”, e a exceção “inclui qualquer confissão de abuso sexual de uma criança ou qualquer outra conduta que a Lei Federal ou Estadual exija ser informada” (§7170.A). A igreja não pode usar o sigilo para encobrir crime; a aula 6 disse isso, e o Manual também.

B. A confissão de um Presbítero a outro é uma confidência inviolável, a menos que a conduta seja contínua e impenitente. Uma conduta por qualquer Presbítero que continua tirando vantagem de qualquer pessoa debaixo de seu cuidado é um abuso de posição. Neste caso, a confissão não é confidencial, mas deve ser entendida como um pedido de ajuda para parar este abuso e fugir das tentações e responsabilidades de sua posição até que o arrependimento e a cura aconteçam.

Manual da Igreja Metodista Livre, §7170

Esse parágrafo merece ser lido duas vezes. Um presbítero que “continua tirando vantagem de qualquer pessoa debaixo de seu cuidado” comete “abuso de posição”, e a confissão disso a outro presbítero não é confidencial: é “um pedido de ajuda para parar este abuso e fugir das tentações e responsabilidades de sua posição até que o arrependimento e a cura aconteçam”. Em outras palavras, o Manual prevê que quem abusa da posição se afaste dela, e que a confissão sem mudança não compra silêncio.

O dinheiro recebe a mesma luz: “A exigência de que todos os registros financeiros sejam públicos inclui todos os salários e indenizações pagos a oficiais e funcionários da Igreja” (§7180.A). Tratar a fiscalização como afronta, a última linha do quadro da aula 5, não tem lugar numa igreja que segue o próprio Manual. E a comunicação à igreja segue 1 Timóteo 5.20, com o equilíbrio que Paulo pediu: “se o arrependimento se manifesta por uma mudança de comportamento, a comunicação para a Igreja toda será evitada”; mas, se um presbítero suspenso ou excluído buscar colocação em outro concílio ou denominação, “o superintendente e/ou o Bispo assumirá a responsabilidade de tornar conhecido” a situação e as razões (§7190). Ninguém muda de igreja para recomeçar o mesmo padrão em silêncio.

O que o sigilo protege

A confissão, o cuidado espiritual, os assuntos pessoais dos oficiais, os registros de entrevista, designação e disciplina.

O que o sigilo não cobre

Risco de dano corporal, abuso sexual de criança, condutas que a lei manda informar, o abuso de posição contínuo e impenitente, e os registros financeiros, que são públicos.

Manual §§7300-7330

A restauração, com tempo e verdade

A aula 6 disse que o perdão não torna automática a volta ao púlpito. O Manual diz o mesmo, com prazos: em regra, as credenciais não voltam antes de dois anos, e restaurar credenciais não garante designação.

O parágrafo 7300 lista o que a restauração ao ministério pastoral requer (§7300.A):

1

“arrependimento e pedido de perdão por escrito”. Não basta a lágrima no púlpito; o Manual quer o papel, para que as palavras possam ser cobradas.

2

“manifestação de contrição” e “confissão pública quando aconselhável”. A tristeza segundo Deus da aula 6, visível.

3

“restituição quando cabível”. Zaqueu está no Manual.

4

“aconselhamento quando recomendado” e “prestação pessoal de contas, conforme designada”. Supervisão aceita, não tolerada.

5

“cura de relacionamentos rompidos quando possível” e “restabelecimento da credibilidade”. O tempo da confiança, que quem feriu não pode apressar.

Enquanto isso acontece, “um supervisor designado definirá e supervisionará quaisquer deveres ministeriais” que preparem a pessoa para voltar a liderar (§7300.B). A comissão avalia depois “sua maturidade espiritual, sua confiabilidade, sua integridade moral e sua eficácia ministerial, conforme testemunhado pelo supervisor designado, conselheiro e por outras pessoas familiarizadas com o caso” (§7310.B). E então vem a frase que resolve a discussão da aula 6:

C. Sob recomendação da COTOM, o Concílio Regional tomará a decisão final. Somente em casos excepcionais as credenciais serão restauradas antes de decorridos dois anos da ação disciplinar inicial e somente depois do processo de restauração ser concluído de acordo com o §5520.C. A restauração de credenciais não garante uma nova designação pastoral.

Manual da Igreja Metodista Livre, §7310

Dois anos, em regra. E credenciais restauradas não são cargo devolvido. O Manual separa, como a aula 6 separou, o perdão, a restauração da pessoa, a credencial e a designação. Do outro lado, a justiça também é rápida quando precisa ser: “Se um membro demonstrar por evidência posterior, ter sido acusado falsamente, ele será absolvido e a sua condição de membro restaurada imediatamente” (§7330.B). O processo protege o acusado tanto quanto protege a igreja.

Aplicação

O que a sua igreja pode fazer agora

Nada disso funciona se os membros não souberem que existe. A aula termina com um roteiro para tornar o caminho conhecido, e com a lembrança de que o Manual é instrumento da graça, não substituto dela.

1

Saber quem é quem

Cada membro deveria saber quem compõe a Comissão de Cuidado de Membros da sua igreja e quem é o superintendente do seu concílio. Se a resposta for “não sei”, o caminho existe no Manual e não existe na prática.

2

Publicar o caminho em linguagem simples

Uma página ou um quadro de avisos que diga: a quem procurar, como formalizar por escrito, quem revisa, em quanto tempo há retorno. O §7140 exige processo por escrito; a igreja precisa dizer aos membros como isso se faz.

3

Prestar contas de tudo, em público

O §7180.A diz que todos os registros financeiros são públicos, inclusive salários. Uma prestação de contas regular, acessível a todos os membros, é o modo mais simples de cumprir isso e de proteger o pastor de suspeitas.

4

Avaliar o ministério com graça e regularidade

O Manual prevê uma avaliação de eficácia que “pretende fornecer discernimento ao pastor e à congregação sobre sua eficácia no ministério”, feita “com graça cristã, oração e jejum”, e inclui a autoavaliação de saúde emocional do líder pastoral (§8800). Avaliação regular impede que o primeiro exame aconteça só no escândalo.

5

Cuidar de quem foi ferido

O §7120 promete auxílio a quem foi prejudicado. Isso precisa ter nome: quem acompanha essa pessoa, com que frequência, e quem garante que ela não seja pressionada a “reconciliar-se logo”.

O processo eclesiástico não substitui a polícia nem o juiz. O próprio Manual manda quebrar o sigilo diante de risco de dano corporal, de abuso sexual de criança e de qualquer conduta que a lei exija informar (§7170.A). Quando há suspeita de crime, a igreja cumpre a lei primeiro e cuida das pessoas ao mesmo tempo; o que ela não pode é usar a comissão para encobrir o que deveria ser denunciado.

1

Para quem lidera

Leia o capítulo de disciplina do Manual inteiro, do §7100 ao §7330, e pergunte-se, a cada parágrafo, se a sua igreja faria aquilo se o acusado fosse você. Depois torne o caminho conhecido antes que alguém precise dele.

2

Para quem é membro

Conheça o caminho e use-o com responsabilidade: por escrito, com fatos, sem fofoca. E lembre que o §7110 pede submissão mútua: quem cobra transparência do pastor também a deve à igreja.

Para usar em grupo. Leiam Êxodo 18.13-26 e Atos 6.1-7 e perguntem o que as duas histórias têm em comum. Depois leiam juntos o §7110 do Manual, item por item, e o §7130.A, e conversem: quais dessas situações a nossa igreja saberia tratar hoje, e por qual caminho? Terminem desenhando, numa folha, o caminho real de uma queixa na igreja de vocês, com nomes. Se a folha ficar em branco em algum ponto, esse é o trabalho do próximo mês.

Fixação

Cartões de memorização

Toque no cartão para ver o outro lado. Bom para revisar antes da avaliação.

Avaliação

Teste o que você aprendeu

Seis questões, com nota ao final. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe.

0 de 6

Para pensar e conversar

Perguntas para reflexão

Uma pergunta para dentro e outra para a conversa com quem pensa diferente. Cada uma traz uma resposta sugerida.

Se eu precisasse relatar hoje uma injustiça cometida por um dirigente da minha igreja, saberia a quem procurar, como formalizar e o que aconteceria depois?Ver resposta sugerida

Responda por escrito, como se explicasse a um membro novo. Nome da Comissão de Cuidado de Membros, nome do superintendente, forma de protocolar por escrito, prazo de retorno, quem revisa. Cada lacuna na resposta é um lugar em que o Manual existe no papel e não na igreja.

Depois inverta a pergunta: se a queixa fosse contra você, você gostaria que ela fosse tratada assim? O §7110.E pede submissão mútua, e o caminho que protege o membro é o mesmo que protege o pastor de acusações levianas.

Se a resposta honesta for “não saberia”, a aula 3 e a aula 5 já disseram o que fazer: perguntar em voz alta, por escrito e com calma. O Manual está publicado neste site, com o número de cada parágrafo. Não é preciso inventar nada; é preciso tornar conhecido o que já existe.

Um irmão diz que “igreja não é tribunal” e que comissões, ofícios e prazos são falta de fé e de amor. Como responder com mansidão?Ver resposta sugerida

Comece concordando com o que é verdadeiro: a igreja não é um tribunal, e ninguém deve ser tratado como réu por causa de um desentendimento. O próprio Manual começa o capítulo de disciplina com Efésios 5.21 e com a descrição de uma comunidade saudável, não com penas.

Depois, mostre que a estrutura é bíblica. Jetro deu a Moisés uma estrutura de juízes, e o texto diz que era ordem de Deus. Os apóstolos responderam à primeira queixa da igreja criando uma função e escolhendo sete homens. Paulo pediu testemunhas para acusações contra presbíteros, mandou repreender publicamente os que persistem no pecado e organizou a coleta de modo que ninguém pudesse acusá-lo. Nada disso é falta de fé; é fé que se recusa a deixar os fracos sem proteção.

Por fim, pergunte com mansidão: sem comissão, sem ofício e sem prazo, quem decide? Na prática, decide quem tem mais poder. O procedimento existe para que a decisão não dependa da força de ninguém. É isso que o amor exige quando há duas pessoas com versões diferentes e uma delas manda.

Que passo a Junta ou a Comissão de Cuidado de Membros da nossa igreja pode dar neste mês para tornar conhecido o caminho de queixas e a prestação de contas?Ver resposta sugerida

Escolha um passo só, com data. Três candidatos: publicar em uma página o caminho de queixas em linguagem simples, com nomes e prazos; apresentar à igreja uma prestação de contas completa, como o §7180.A exige; ou ler o §7130 na reunião da Junta e perguntar, por escrito, se os cinco passos existem na prática.

Evite dois erros. O primeiro é criar o caminho só depois do escândalo, quando ele já chega tarde para a primeira vítima. O segundo é criar o caminho e não contar a ninguém: um procedimento que os membros desconhecem protege apenas quem já sabe dele.

E encerre como o Manual encerra o seu capítulo: com o alvo da restauração e com o auxílio a quem foi prejudicado. Procedimento é o meio; a comunidade que cuida é o fim.

A comunidade que cuida: o que a Bíblia e o Manual preveem · Aula 7 de 7 do curso Narcisismo religioso. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada; as do Manual da Igreja remetem à versão publicada neste site, com o número do parágrafo.