SERMÃO 65
O dever de repreender o próximo
Pregado em Manchester, 28 de julho de 1787.
“Não odiarás teu irmão no teu coração; não deixarás de repreender o teu próximo e, por causa dele, não levarás sobre ti pecado.”
(Lv 19.17, NAA)Antes de ler
Aqui está um dos sermões mais práticos e pastorais de Wesley — sobre uma arte que quase se perdeu entre nós: repreender o pecado sem ferir a pessoa. Repare como o texto de Levítico une, numa só respiração, o mandamento e o seu limite: não odiar o irmão no coração é a mesma coisa que repreendê-lo quando erra. Calar diante do pecado alheio, portanto, não é bondade — pode ser, na verdade, uma forma de indiferença que a Escritura chama de ódio. Wesley organiza tudo em três perguntas simples: o que repreender (o pecado claro e inegável, não questões discutíveis), a quem (todo o que tem alma para salvar, mas em graus, começando pelos mais próximos) e — a parte mais rica — como. E é no "como" que ele nos ensina o essencial: sempre no espírito de amor, humildade e mansidão, nunca de ira, "pois a ira do homem não produz a justiça de Deus". Guarde a página comovente sobre os alcoólatras: contra o ditado de que "ébrio não se converte", Wesley responde com um caso real e com um apelo de rara ternura pastoral — não desprezar, não desistir, ter compaixão. Este é um sermão para quem tem o cuidado de almas, e traz uma lição de método que vale ouro: a verdade dita no espírito de oração nunca cai por terra.
— Bispo Ildo Mello
Boa parte do livro de Êxodo, e quase todo o livro de Levítico, referem-se à lei ritual ou cerimonial de Moisés, dada especialmente aos filhos de Israel, mas que era tal “jugo”, diz o apóstolo Pedro, “que nem os nossos pais nem nós pudemos suportar”. Dele fomos, portanto, libertados; e este é um ramo da “liberdade com que Cristo nos libertou”. Contudo, é fácil observar que muitos excelentes preceitos morais estão entremeados nessas leis cerimoniais. Vários deles achamos neste mesmo capítulo: “Não rebuscarás a tua vinha; deixarás as sobras para o pobre e para o estrangeiro” (Lv 19.10); “Não furtareis, nem mentireis” (Lv 19.11); “Não oprimirás o teu próximo, nem o roubarás; a paga do jornaleiro não ficará contigo até pela manhã” (Lv 19.13); “Não amaldiçoarás o surdo, nem porás tropeço diante do cego; mas temerás o teu Deus” (Lv 19.14) — como se dissesse: eu sou aquele cujos olhos abrangem toda a terra e cujos ouvidos estão atentos ao clamor deles. “Não farás injustiça no juízo; não favorecerás o pobre” (o que os compassivos podem ser tentados a fazer), “nem honrarás o poderoso” (para o que há mil tentações) (Lv 19.15). “Não andarás como caluniador entre o teu povo” (Lv 19.16) — embora este seja um pecado que as leis humanas jamais conseguiram impedir. Segue-se então: “Não odiarás teu irmão no teu coração; não deixarás de repreender o teu próximo e, por causa dele, não levarás sobre ti pecado.” Para entender bem esta importante orientação e aplicá-la proveitosamente à nossa alma, consideremos: primeiro, o que devemos repreender; segundo, a quem somos mandados repreender; e, terceiro, de que modo devemos repreendê-los.
I. O que devemos repreender
1. Consideremos, primeiro, qual é o dever aqui prescrito. O que é repreender? É falar a alguém das suas faltas, como fica claro das palavras seguintes: “não levarás sobre ti pecado por causa dele”. O pecado é, portanto, o que somos chamados a repreender — ou antes, aquele que o comete. Devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para convencê-lo da sua falta e conduzi-lo ao caminho reto.
2. O amor, de fato, nos exige adverti-lo não só do pecado (embora deste principalmente), mas também de qualquer erro que, se persistisse nele, naturalmente conduziria ao pecado. Se não o “odiamos no coração”, se amamos o próximo como a nós mesmos, este será o nosso constante esforço: adverti-lo de todo mau caminho e de todo engano que tende ao mal.
3. Mas, se não queremos perder o nosso trabalho, raramente devemos repreender alguém por algo de natureza discutível, que admita muito a dizer dos dois lados. Uma coisa pode parecer-me má; por isso tenho escrúpulo em fazê-la, e, se a fizesse enquanto persiste o escrúpulo, seria pecador diante de Deus. Mas o outro não deve ser julgado pela minha consciência: “para o seu próprio Senhor está em pé ou cai.” Portanto, eu só o repreenderia pelo que é clara e inegavelmente mau. Tal é, por exemplo, o palavrear profano e a blasfêmia, que até os que mais os praticam não ousarão defender, se alguém, com brandura, os interpelar. Tal é a embriaguez, que até o bêbado habitual condena quando está sóbrio. E tal, no juízo da maioria, é a profanação do domingo. E, se alguns culpados desses pecados por um tempo tentarem defendê-los, pouquíssimos persistirão em fazê-lo, se você os olhar firmemente nos olhos e apelar à consciência deles diante de Deus.
II. A quem devemos repreender
1. Consideremos, em segundo lugar, quem são os que somos chamados a repreender. É tanto mais necessário considerar isto porque muitas pessoas sérias afirmam que há certos pecadores que a própria Escritura nos proíbe repreender. Este sentido foi dado àquela solene advertência do nosso Senhor no Sermão do Monte: “Não deis aos cães as coisas santas, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas, para que não as pisem e, voltando-se, vos dilacerem.” Mas o sentido claro destas palavras é: não ofereçam as pérolas, as sublimes doutrinas ou mistérios do evangelho, àqueles que vocês sabem serem homens brutais, imersos em pecados e sem temor de Deus diante dos olhos. Isto exporia essas preciosas joias ao desprezo, e a vocês, a tratamento injurioso. Mas mesmo aqueles que sabemos serem, no sentido do nosso Senhor, cães e porcos, se os víssemos fazer, ou os ouvíssemos dizer, o que eles mesmos sabem ser mau, deveríamos de todo modo repreendê-los; do contrário, “odiamos o nosso irmão no coração”.
2. As pessoas designadas por “nosso próximo” são todo filho de homem, todo o que respira o ar vital, todos os que têm alma a ser salva. E, se deixamos de cumprir esse ofício de amor para com algum, por serem pecadores acima dos demais, eles podem persistir na sua iniquidade, mas o seu sangue Deus o reclamará das nossas mãos.
3. Quão impressionante é a reflexão de Baxter sobre este ponto, no seu “Descanso Eterno dos Santos”: “Suponha que você encontrasse no mundo inferior alguém a quem negou este ofício de amor, quando ambos estavam juntos debaixo do sol. Que resposta poderia dar à sua acusação: ‘Em tal tempo e lugar, enquanto estávamos debaixo do sol, Deus me entregou nas tuas mãos. Eu então não conhecia o caminho da salvação, mas buscava a morte no erro da minha vida; e nisso me deixaste ficar, sem uma só vez tentar despertar-me do sono! Se me tivesses comunicado o teu conhecimento e me advertido a fugir da ira vindoura, nem eu nem tu precisaríamos jamais ter vindo a este lugar de tormento.’”
4. Todo aquele, portanto, que tem alma a ser salva tem direito a este bom ofício da sua parte. Contudo, isto não implica que deva ser feito no mesmo grau a todos. Há alguns a quem é particularmente devido: em primeiro lugar, os nossos pais, se algum tivermos que dele precise; a não ser que ponhamos em pé de igualdade com eles o cônjuge e os filhos. Depois destes, os nossos irmãos e irmãs; depois, os nossos parentes, conforme mais chegados ou distantes; logo em seguida, os nossos empregados; e, por fim, nos seus vários graus, os nossos conterrâneos, concidadãos e os membros da mesma sociedade, civil ou religiosa — estes últimos com direito particular ao nosso serviço, visto que tais sociedades se formam com esse mesmo desígnio: velar uns pelos outros, para que não deixemos o pecado sobre o nosso irmão. Se deixamos de repreender qualquer destes, quando se oferece boa ocasião, sem dúvida devemos ser contados entre os que “odeiam o irmão no coração”. E quão severa é a sentença do apóstolo contra os que caem nessa condenação! “Aquele que odeia o irmão” — ainda que não irrompa em palavras ou ações — “é assassino; e vocês sabem que nenhum assassino tem a vida eterna permanecendo nele.” Segue-se claramente que negligenciar isto não é coisa pequena, mas põe em grave perigo a nossa salvação final.
III. De que modo devemos repreender
1. Deve-se admitir que há considerável dificuldade em fazer isto de maneira correta — embora, ao mesmo tempo, seja bem menos difícil para uns do que para outros. Há os que são particularmente aptos para isso, seja por natureza, prática ou graça. Não estão sobrecarregados nem da vergonha má, nem daquele pesado fardo, o temor dos homens. A estes é pouca ou nenhuma cruz; aliás, têm até certo gosto nisso. Mas, seja para nós cruz maior ou menor, sabemos que para isto fomos chamados. E, por maior que nos seja a dificuldade, sabemos em quem confiamos, e que ele certamente cumprirá a sua palavra: “A tua força será igual aos teus dias.”
2. De que modo, então, repreenderemos o nosso irmão, para que a repreensão seja mais eficaz? Cuidemos, antes de tudo, de que o que fizermos seja feito “no espírito de amor”, no espírito de terna boa vontade para com o próximo, como para um que é filho do nosso Pai comum e por quem Cristo morreu. Então, pela graça de Deus, o amor gerará amor. O afeto de quem fala se espalhará ao coração de quem ouve; e você achará, a seu tempo, que o seu trabalho não foi em vão no Senhor.
3. Entretanto, deve-se ter o maior cuidado de falar no espírito de humildade. Cuide de não ter de si conceito mais alto do que convém. Se você se tem em conta alta demais, dificilmente evitará desprezar o seu irmão. E, se mostrar, ou mesmo sentir, o menor desprezo por aqueles a quem repreende, isto arruinará toda a sua obra e o fará perder todo o seu trabalho. Para prevenir a própria aparência de orgulho, muitas vezes será preciso ser explícito neste ponto: renunciar a toda pretensão de preferir-se a ele e, no mesmo momento em que repreende o que é mau, reconhecer e bendizer a Deus pelo que há de bom nele.
4. Grande cuidado se deve ter, em terceiro lugar, de falar no espírito de mansidão, tanto quanto de humildade. O apóstolo nos assegura que “a ira do homem não produz a justiça de Deus”. A ira, ainda que adornada com o nome de zelo, gera ira, não amor nem santidade. Devemos, pois, evitar com todo o cuidado a própria aparência dela. Que não haja traço algum dela, nem nos olhos, nem no gesto, nem no tom de voz; mas que todos concorram para manifestar um espírito amoroso, humilde e sereno.
5. Mas, em todo esse tempo, cuide de não confiar em si mesmo. Não ponha confiança alguma na sua própria sabedoria, ou eloquência, ou capacidade de qualquer tipo. Para o êxito de tudo o que fala ou faz, confie não em si, mas no grande Autor de todo dom bom e perfeito. Portanto, enquanto fala, eleve continuamente o coração àquele que opera tudo em todos. E tudo o que se fala no espírito de oração não cairá por terra.
6. Isto quanto ao espírito com que se deve falar ao repreender o próximo. Passo agora à maneira exterior. Muitas vezes se verificou que prefaciar a repreensão com uma franca profissão de boa vontade faz o que se diz penetrar fundo no coração. Isto em geral terá efeito muito melhor do que aquela grande e elegante máquina, a lisonja, por meio da qual os homens do mundo tantas vezes fizeram coisas surpreendentes. Mas as mesmíssimas coisas, sim, coisas muito maiores, foram muito mais frequentemente conseguidas por uma simples e singela declaração de amor desinteressado. Quando você sentir que Deus acendeu essa chama no seu coração, não a esconda; dê-lhe vazão plena! Ela penetrará como um raio. O empedernido, o de coração duro, se derreterá diante de você e reconhecerá que Deus está, de fato, consigo.
7. Embora seja certo que o ponto principal, ao repreender, é fazê-lo com o espírito reto, deve-se também admitir que há várias pequenas circunstâncias, quanto à maneira exterior, que de modo algum são inúteis e, portanto, não se devem desprezar. Uma delas é: sempre que repreender, faça-o com grande seriedade, de modo que, assim como você está de fato falando a sério, também assim pareça estar. Uma repreensão jocosa faz pouca impressão e logo é esquecida; além disso, muitas vezes é mal recebida, como se você estivesse ridicularizando a pessoa. E, de fato, os que não estão acostumados a fazer piadas não gostam de ser objeto delas. Um meio de dar ar sério ao que se fala é, tanto quanto possível, usar as próprias palavras da Escritura. Muitas vezes achamos que a palavra de Deus, mesmo numa conversa particular, tem uma energia peculiar; e o pecador, quando menos o espera, sente-a “mais cortante que espada de dois gumes”.
8. Contudo, há exceções a esta regra geral de repreender com seriedade. Há casos excepcionais em que, como observa um bom conhecedor da natureza humana, uma pitada de gracejo bem colocado penetra mais fundo que um argumento sólido. Mas isto tem lugar principalmente quando lidamos com estranhos à religião. E, quando condescendemos em dar uma repreensão jocosa a uma pessoa desse tipo, parece que estamos autorizados a isso por aquele conselho de Salomão: “Responde ao insensato segundo a sua estultícia, para que não seja sábio aos seus próprios olhos.”
9. A maneira da repreensão pode, também em outros aspectos, variar conforme a ocasião. Às vezes você achará conveniente usar muitas palavras, para exprimir amplamente o seu pensamento. Outras vezes julgará mais oportuno usar poucas, talvez uma só frase; e, em outras, será aconselhável não usar palavra alguma, mas um gesto, um suspiro ou um olhar, particularmente quando a pessoa que você quer repreender é muito superior a você. E frequentemente esse tipo silencioso de repreensão será acompanhado do poder de Deus e, por consequência, terá efeito muito melhor do que um discurso longo e trabalhado.
10. Mais uma vez: lembre-se da observação de Salomão: “Como é boa a palavra dita a seu tempo!” É verdade que, se você é providencialmente chamado a repreender alguém que provavelmente não tornará a ver, deve aproveitar a ocasião presente e falar “a tempo e fora de tempo”; mas, com aqueles que você tem frequente oportunidade de ver, pode esperar uma boa ocasião. Aqui cabe o conselho do poeta: você pode falar quando ele estiver bem-disposto, alegre, ou quando ele mesmo o pedir; pode apanhar o momento propício, quando a mente dele está num estado brando e sereno. E então Deus lhe ensinará como falar e dará bênção ao que for falado.
11. Mas aqui deixe-me preveni-lo contra um engano. Passa por máxima indiscutível: “Nunca tente repreender um homem quando ele está embriagado.” Diz-se que a repreensão é então desperdiçada, sem efeito algum. Não ouso dizê-lo. Vi não poucos exemplos claros do contrário. Tome um: muitos anos atrás, passando por um homem em Moorfields, tão bêbado que mal se tinha em pé, pus-lhe um folheto na mão. Ele o olhou e disse: “Uma palavra — Uma palavra a um bêbado — este sou eu! Senhor, senhor, estou errado — sei que estou errado —, por favor, deixe-me conversar um pouco com o senhor.” Segurou-me a mão por uma boa meia hora; e creio que nunca mais se embriagou.
12. Rogo-lhes, irmãos, pelas misericórdias de Deus, não desprezem os pobres bêbados! Tenham compaixão deles! Insistam com eles, a tempo e fora de tempo! Que a vergonha, ou o temor dos homens, não os impeça de arrancar esses tições do fogo! Muitos deles estão condenados por si mesmos; não deixam de discernir o mau estado em que se acham, mas desesperam; não têm esperança de escapar dele, e afundam nele ainda mais, porque ninguém tem esperança por eles! “Pecadores de toda outra espécie”, disse um venerável e velho pastor, “conheci muitas vezes convertidos a Deus; mas um bêbado habitual, nunca o vi convertido.” Pois eu conheci quinhentos, talvez cinco mil. Ei! Você que lê estas palavras é um deles? Então ouça as palavras do Senhor! Tenho uma mensagem de Deus para você, ó pecador! Assim diz o Senhor: não lance fora a sua esperança. Eu não me esqueci de você. Quem lhe diz que não há socorro é mentiroso desde o princípio. Levante os olhos! Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! Hoje chegou a salvação à sua alma; cuide apenas de não desprezar aquele que fala! Neste mesmo instante ele lhe diz: “Filho, tem bom ânimo! Os teus pecados estão perdoados!”
13. Por fim: vocês que são diligentes neste trabalho de amor, cuidem de não desanimar, ainda que, depois de usarem os seus melhores esforços, não vejam fruto imediato. Vocês têm necessidade de perseverança; e então, “depois de terem feito a vontade de Deus”, virá a colheita. Nunca se cansem “de fazer o bem; pois, no tempo próprio, ceifaremos, se não desfalecermos”. Imitem Abraão, que “esperando contra a esperança, creu”. “Lança o teu pão sobre as águas, porque, depois de muitos dias, o acharás.”
14. Tenho agora apenas umas poucas palavras a acrescentar a vocês, meus irmãos, vulgarmente chamados de “metodistas”. Nunca ouvi nem li de algum avivamento considerável da religião que não fosse acompanhado de um espírito de repreensão. Creio que não pode ser de outro modo; pois que é a fé, se não opera pelo amor? Assim foi em toda parte da Inglaterra quando o presente avivamento começou, cerca de cinquenta anos atrás: todos os que dele participaram — todos os metodistas, assim chamados, em todo lugar — eram repreensores do pecado exterior. E, de fato, assim são todos os que, “justificados pela fé, têm paz com Deus por meio de Jesus Cristo”. Tais são no princípio; e, se usarem esse precioso dom, ele nunca lhes será tirado. Venham, irmãos, em nome de Deus, comecemos de novo! Ricos ou pobres, levantemo-nos todos como um só homem; e, de todo modo, “repreenda cada um o seu próximo, e não deixe o pecado sobre ele”! Então toda a Grã-Bretanha e a Irlanda saberão que não “militamos à nossa própria custa”; sim, “Deus nos abençoará, e todos os confins da terra o temerão”.
Tradução em português atual a partir do original em domínio público (ed. Thomas Jackson, 1872), realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello. Citações bíblicas conforme a NAA. Igreja Metodista Livre do Brasil.