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Apocalipse

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Milênio: Interpretação de Apocalipse 20+

O Milênio Apocalíptico

Introdução

Veremos agora uma interpretação de Apocalipse 20 de acordo com as regras da hermenêutica e à luz do conceito geral das Escrituras a respeito do tema.

Primeiramente devemos levar em conta o estilo literário, pois a literatura apocalíptica é repleta de figuras de linguagem que servem como representações simbólicas daquilo que se quer ensinar. Não é sábio ignorar a natureza do livro e passar a interpretar tudo de maneira literal. Uma interpretação literal de Apocalipse levou o fundador das Testemunhas de Jeová a conclusão de que apenas 144.000 pessoas seriam salvas e iriam para o céu.

A pergunta chave para a hermenêutica do Apocalipse não é: "O que é?", mas, sim, "O que significa?". Por exemplo: O que significam as dezenas de referências numéricas, tais como, 7, 24, 666, 144.000 e 1.000? Nem mesmo os mais literalistas pré-milenistas interpretam literalmente coisas como o número da Besta, A Besta do Mar com sete cabeças e dez chifres (Ap 13), Os Gafanhotos do Abismo (Ap 9) e cavalos (Ap 9).

Outra regra hermenêutica é que as Escrituras interpretam as próprias Escrituras. Um texto claro lança luz sobre um texto mais obscuro. No caso em questão, por se tratar do tema do Reino de Deus, temos uma vasta gama de textos bíblicos que discorrem a respeito do assunto. Aliás, Jesus falou mais sobre o Reino de Deus do que sobre qualquer outro assunto. E é interessante notar também que Jesus jamais tenha feito menção a um reinado milenar na Terra após Sua Segunda Vinda. O mais plausível é que a visão registrada no Capítulo 20 de Apocalipse seja um retrato do ensino claro de Cristo registrado em todos os Evangelhos e não algo contraditório.

É muito importante também levar em consideração o contexto em que o Livro foi escrito. Tudo indica que o Livro de Apocalipse tenha sido escrito por volta do ano 95, época em que a Igreja padecia uma horrenda perseguição por parte do Imperador Domiciano. O número de mártires se multiplicava a cada dia. O livro foi escrito em um momento de muita dor e sofrimento para confortar e animar o coração dos crentes. Há várias menções aos mártires, que são vistos como estando ao lado de Cristo, sendo consolados por Ele, cantando um cântico de vitória, recebendo coroas e reinando com Cristo. Eles não são uns mortos e derrotados. "Em todas estas coisas eles são mais do que vencedores!" Eles vivem e reinam com Cristo!

Precisamos também notar que o Livro de Apocalipse não é uma narrativa cronológica dos fatos. Antes, trata-se de uma série de visões entrelaçadas ou justapostas, como retratos de uma mesma história tirados de diversos ângulos diferentes de maneira a enriquecer a visão como um todo.

O livro está dividido em sete seções paralelas e progressivas. O Apóstolo João, autor do Apocalipse, também escreveu o Evangelho de João e lá também fez uso do número sete para destacar certas verdades, no caso, para defender a divindade de Jesus, pois o Evangelho registra sete milagres de Cristo e também sete vezes a expressão "Eu Sou". Então, Apocalipse, segue esta mesma linha, possuindo sete seções. Sendo que cada seção compreende o período que vai da primeira à segunda vinda. Cada nova seção é mais clara em seu retrato do fim até chegarmos ao clímax!  Primeira Seção (1-3) – Os sete candeeiros; Segunda Seção (4-7) – Os sete selos;  Terceira Seção (8-11) – As sete trombetas; Quarta Seção (12-14) – A trindade maligna; Quinta Seção (15-16) -As sete taças; Sexta Seção (17-19) – A derrota dos agentes do Dragão; e a Sétima Seção (20-22), que mostra o Reinado de Cristo com as almas do santos no céu e não em um milênio na terra depois da segunda vinda.

Embora o capítulo 19 descreva a Segunda Vinda de Cristo, ele termina com uma descrição viva do juízo final. Os eventos descritos no Capítulo 20 não seguem os do capítulo 19 em ordem cronológica, assim como também a descrição do nascimento de Jesus que encontramos no capítulo 12, de maneira alguma segue cronologicamente os eventos do juízo registrados no capítulo 11.

Portanto, assim como o capítulo 11 termina com uma descrição do Juízo Final e o capítulo 12 recomeça contando a história a partir do nascimento de Cristo, assim também, acontece com os capítulos 19 e 20. Pois, o capítulo 20 começa descrevendo os eventos que marcaram a primeira vinda. Porque foi por ocasião da Primeira Vinda de Cristo que aconteceu o aprisionamento de Satanás (Mt 12.27-29; Jo 1.5; Mt 16.18; Mt 28.18) e seu lançamento no abismo (Lc 10.18; 2Pe 2.4 e Jd 6).

Jesus já iniciou o seu reinado ainda que isto não esteja visível para todos conforme bem expressa o autor de Hebreus quando diz: "o coroaste de glória e de honra; tudo sujeitaste debaixo dos seus pés. Ao lhe sujeitar todas as coisas, nada deixou que não lhe estivesse sujeito. Agora, porém, ainda não vemos que todas as coisas lhe estejam sujeitas." São duas afirmações paradoxais, pois primeiramente afirma de maneira categórica que todas as coisas estão sob o domínio de Cristo e, a seguir, confessa que não é possível ainda ver isto em termos concretos. Mas, uma coisa não nega a outra, pois o reinado de Cristo é espiritual e também está em processo de expansão. Ainda que o autor de Hebreus não consiga enxergar todas as coisas sob o domínio de Cristo, ele não nega o fato de que Cristo já reina na era presente como o fazem os pré-milenistas. Isto tem a ver com o caráter híbrido do Reino de Deus na era presente que é descrito por Jesus em termos de trigo misturado com joio (Mt 13). E também tem a ver com o caráter progressivo e paulatino da expansão deste Reino como bem descrito na Parábola do Grão de Mostarda (Mt 13) e na revelação do Reino de Cristo registrada em Daniel 2.35.

A Primeira Vinda de Cristo amarrou Satanás Começaremos, portanto, analisando os primeiros três versículos, que contam que o Dragão, Satanás, foi preso em correntes e lançado no abismo com o propósito de não mais enganar as nações. Jesus mesmo já havia dito que o ato de expulsar demônios pelo Espírito de Deus era um sinal claro de que já era chegado o Reino dos Céus, pois o “valente”, uma clara referência a Satanás, havia sido primeiramente amarrado, no sentido de não poder mais impedir que sua casa fosse saqueada (Mt 12.22-29).

É interessante notar que o mesmo termo utilizado em Mateus 12 para descrever o aprisionamento do homem valente é utilizado também em Apocalipse 20 para descrever o aprisionamento de Satanás, o termo grego dhshi. Este aprisionamento de Satanás deve ser entendido em termos da restrição de seu poder, no sentido de não poder continuar enganando as nações como vinha fazendo até a primeira vinda de Cristo (Ap 20.3). Agora, uma vez amarrado, não pode impedir o avançar de Cristo e de sua Igreja, de modo, que as portas do inferno não prevaleceram contra a Igreja (Mt 16.18; 24.14; 28.18s; Mc 13.10, At 1.8). Sabemos que Jesus veio ao Mundo para desfazer as obras do diabo (1Jo 3.8).

Jesus deixou claro que sua tarefa messiânica incluía mais do que evangelização, por envolver também a libertação dos cativos e oprimidos, com restauração da saúde e da justiça: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor” (Lc 4.18-19).

A Igreja, que é o Corpo de Cristo, segue na mesma missão sem poder ser definitivamente impedida pelas forças do inferno, pois sabemos que “as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18b) e João disse: “a luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela” (Jo 1.5). Pois Jesus é o Rei e, como tal, tem todo poder no Céu e na Terra (Mt 28.18).

Existe um outro texto que, a semelhança de Mateus 12.28s, também está num contexto de expulsão de demônios, trata-se de Lucas 10.17-24, que descreve a alegria que os discípulos estavam experimentando por serem capazes de exercer autoridade sobre os demônios. E é interessante notar que aqui também Jesus menciona algo sobre a derrota e a perda de poder de Satanás, mas só que, em vez de dizer que Satanás está preso ou amarrado, ele o descreve como que caindo do céu, um sinal evidente de que seu poderio havia sido tremendamente abalado. E, para confirmar esta idéia, no v. 22, Jesus declara que tudo lhe foi entregue pelo Pai.

João 12.31, 32 é outro texto que mostra como a queda e o aprisionamento de Satanás estão diretamente associados à atividade missionária de Jesus e seus discípulos, pois a expulsão de Satanás está associada com o fato de que não somente judeus, mas também gentios de todas as nações estarem sendo atraídos a Cristo. O texto diz: "Chegou a hora de ser julgado este mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo. Mas eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim"! Jesus não disse que tal expulsão de Satanás se daria após a sua Segunda Vinda, pelo contrário, ele é enfático no uso do adverbio "agora", ou seja, por ocasião da sua primeira vinda.

A Bíblia diz que Satanás recebeu um golpe mortal com a primeira vinda de Cristo (Gn 3.15 e Cl 215). A igreja cumpre sua missão na autoridade daquele que tem todo o poder no céu e na terra (Mt 28.18)! Por esta razão é que as portas do inferno não prevalecerão contra ela (Mt 16.18). A igreja será bem sucedida no cumprimento de sua missão de testemunhar do Evangelho a todas as nações antes do fim (Mc 13), pois nos céus haverá uma multidão incontável de salvos de todos os povos, línguas e nações (Ap 6 e 7), de modo que "a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar"(Is 11.9).

Para reforçar ainda mais esta interpretação, temos textos como 2 Pedro 2.4, que falam dos demônios como já tendo sido lançados no abismo: “Ora, se Deus não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno, os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo” e Judas 6 fala dos demônios como já tendo sido presos e algemados sob trevas: “e a anjos, os que não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio, ele tem guardado sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande Dia”. Repare que é a mesma linguagem de Apocalipse 20 e trata da questão como algo passado e não futuro.

Notar também que o próprio livro do Apocalipse fala deste abismo em outros capítulos: “Ela abriu o poço do abismo, e subiu fumaça do poço como fumaça de grande fornalha, e, com a fumaceira saída do poço, escureceu-se o sol e o ar” (Ap 9.2)… “e tinham sobre eles, como seu rei, o anjo do abismo, cujo nome em hebraico é Abadom, e em grego, Apoliom” (Ap 9.11)… “Quando tiverem, então, concluído o testemunho que devem dar, a besta que surge do abismo pelejará contra elas, e as vencerá, e matará” (Ap 11.7)… “A besta que viste, era e não é, está para emergir do abismo e caminha para a destruição. E aqueles que habitam sobre a terra, cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida desde a fundação do mundo, se admirarão, vendo a besta que era e não é, mas aparecerá” (Ap 17.8). Note que é dito que a Besta surge do Abismo para pelejar contra os santos, o que concorda com Ap 20.3 que diz que é necessário que seja solto do Abismo por pouco tempo (Compare com Ap 12.12, que fala da última investida de Satanás, tendo consciência de que pouco tempo lhe resta). E os próprios pré-milenistas reconhecem que a manifestação da Besta se dará na era presente, ou seja, antes da Segunda Vinda de Cristo.

Portanto, o ensino do Novo Testamento é que Jesus amarrou a Satanás e inaugurou o seu reino em sua primeira vinda. Agora, como disse Paulo: "é necessário que ele reine até que todos os seus inimigos sejam postos debaixo de seus pés. O último inimigo a ser destruído é a morte" (1Co 15.25,26). Sendo assim, este período de reinado de Cristo mencionado por Paulo só pode ser na era presente, pois sabemos que é por ocasião da Segunda Vinda de Cristo que a morte será destruída, como Paulo complementa no versículo 54 deste mesmo capítulo: "Quando, porém, o que é corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal, de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: "A morte foi destruída pela vitória"! Se a morte é destruída na Segunda Vinda de Cristo, como dizem os pré-milenistas que haverá morte no milênio que segundo eles acontecerá após a Segunda Vinda de Cristo?

A Natureza do Reino de Deus Já, quanto aos "mil anos", o número é simbólico, como tantos outros no Apocalipse, (“7”, “24”, “666”, 144.000”, etc), e significa um longo, suficiente, e completo período de tempo em que se dará o Reino terrestre de Cristo, que entendemos se tratar do período que vai de sua primeira vinda até a sua Segunda Vinda.

Pois, além de tudo que foi dito anteriormente, temos também a maravilhosa revelação de Daniel 2.44 que indica claramente que o reinado messiânico e eterno do Messias teria início na época do Império Romano. A interpretação do sonho indica quatro grandes reinos, a saber: 1) a cabeça de outro = império babilônico, 2) o peito e o braço = império medo-persa, 3) o ventre e os quadris = o império grego e 4) as pernas e os pés = império Romano. O texto diz: "Na época desses reis, o Deus dos céus estabelecerá um reino que jamais será destruído e que nunca será dominado por nenhum outro povo. Destruirá todos os reinos daqueles reis e os exterminará, mas esse reino durará para sempre"(Dn 2.44). Observe também a descrição da "Pedra":  "Enquanto estavas observando, uma pedra soltou-se, sem auxílio de mãos, atingiu a estátua nos pés de ferro e de barro e os esmigalhou. Então o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro foram despedaçados, viraram pó, como o pó da debulha do trigo na eira durante o verão. O vento os levou sem deixar vestígio. Mas a pedra que atingiu a estátua tornou-se uma montanha e encheu a terra toda" (Dn 2.34-35). O surgimento da pedra tem uma origem miraculosa como o nascimento de Cristo e, apesar de um começo modesto, a pedra cresce e se transforma em uma grande montanha. Isto não nos faz lembrar da Igreja? "Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela!"(Mt 16.18) e a comparação com a Parábola do Reino como um Grão de Mostarda é inevitável! (Mt 13). Jesus disse que o Reino havia chegado (Mt 12.28) e garantiu que alguns dos seus discípulos imediatos não morreriam antes de verem o Reino de deus vindo com poder! (Mc 9.1). "Pois ele nos resgatou do domínio das trevas e nos transportou para o Reino do Filho Amado"(Cl 1.13). Por esta razão é que o Livro de Apocalipse começa declarando que Jesus Cristo "nos constituiu reis e sacerdotes para servir a seu Deus e Pai"(Ap 1.6).

A Igreja é o corpo de Cristo e reina com ele, vivendo a serviço do Rei.  É preciso que se reconheça a natureza deste Reino de Cristo, pois se de um lado sabemos que Jesus já é o Senhor e que o seu reinado já foi inaugurado, por outro, ainda não vemos todas as coisas debaixo dos pés de Cristo, conforme lemos em Hebreus 2.8: “todas as coisas sujeitaste debaixo dos seus pés. Ora, desde que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou fora do seu domínio. Agora, porém, ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas” (ver também Hb 10.13). É preciso observar que, na parábola do Joio e do Trigo (Mt 13), que é uma das parábolas do Reino de Deus, paralelamente ao crescimento do trigo, observasse também o crescimento do joio. Portanto, realismo bíblico ajuda a evitar os extremos perigosos do ufanismo de um lado e, de outro, a acomodação daqueles que postergam a inauguração do Reino para depois da Segunda Vinda de Cristo.

A expressão "até que" de 1 Co 15.25 não indica um desenvolvimento paulatino do Reino em que os inimigos vão sendo gradativamente postos debaixo dos pés de Cristo e não abruptamente como ensinam os pré-milenistas? Como a interpretação pré-milenista se harmoniza com as Parábolas do Reino (Mt 13) que ensinam que o Reino de Deus se estabelece de maneira gradativa como o desenvolvimento da plantação de um grão de mostarda e também híbrida com a presença do joio no meio do trigo, onde temos também a presença do maligno representado pelo inimigo que planta o joio e pelos pássaros?

Jesus falou de seu reino em termos espirituais e em ação já na presente era: "…não vem o reino de Deus com visível aparência… porque o reino de Deus está dentro em vós"(Lc.17.20,21).

Para saber mais a respeito da Natureza do Reino de Deus, clique em Milênio: A Natureza do Reino de Deus.

As Almas dos Decapitados Os versículos de 4 a 6 falam daqueles que estão assentados em tronos, com autoridade para julgar e reinar juntamente com Cristo, destacando a figura dos mártires, pois o livro de Apocalipse foi escrito para encorajar os crentes que estavam sendo tremendamente atribulados naquele período, que, hoje, é conhecido como a Era dos Mártires. Eles perderam parentes e irmãos em Cristo e estão correndo o risco de perderem suas próprias vidas por causa do Evangelho.

Da perspectiva terrestre, o quadro não parece nada favorável, pois milhares de cristãos estão sendo martirizados. No entanto, o Livro de Apocalipse vê os mártires da perspectiva celestial e não são poucas as passagens que falam deles como vencedores, que agora estão servindo ao Senhor de dia e de noite e sendo consolados por ele, e que também estão cantando o cântico de Moisés e do Cordeiro e que se encontram em posição privilegiada vivendo e reinando com Cristo. Isto parece concordar com o que diz o autor de Hebreus no início do capítulo 12, quando menciona a nuvem tão grande de testemunhas, referindo-se aos heróis da fé, a maioria deles, mártires do Antigo Testamento que haviam sido citados no final do capítulo 11.

Em Apocalipse 20, o termo “decapitados” é usado para descrever todos os mártires, mas, se alguém insiste em interpretar este capítulo de forma literal terá, então, que concluir que estariam excluídos os mártires que não foram decapitados, o que soaria estranho, gerando uma série de outros questionamentos.

Os mártires estão em foco pela razão já exposta, mas pode ser que este grupo seja mais inclusivo, englobando a todos os filhos de Deus, mesmo aqueles que não morreram como mártires. Pois um cristão ainda que não morra como mártir, deve viver como mártir. “Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro” (Romanos 8.36). Interessante notar também que o termo “testemunhas” da expressão “Ser-me-eis testemunhas” (At 1.8) é da mesma raiz da palavra mártir. “Ser-me-eis mártires” seria uma tradução possível.

E, além disto, temos outros textos que afirmam que os crentes que ainda vivem neste mundo também estão reinando com Cristo. Pois Paulo declara que os crentes em Cristo, que vivem neste mundo, já foram ressuscitados e estão assentados com Cristo nas regiões celestiais, onde está o trono de Deus: “e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus” (Ef 2.6). Paulo diz que isto já aconteceu. Não é futuro, é uma realidade presente. Paulo ensina que os crentes em Cristo já ressuscitaram e já estão reinando com Cristo acima de todo o principado e potestade. Tal ressurreição e reinado se dão em termos espirituais. Jesus afirmou que o reino dele não era deste mundo (Jo 18.36). Jesus diz coisas aos seus discípulos que mostram em que sentido os cristãos estariam reinando aqui na terra: “Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra terá sido ligado nos céus, e tudo o que desligardes na terra terá sido desligado nos céus” (Mt 18.18). “Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões e  sobre todo o poder do inimigo, e nada, absolutamente, vos causará dano” (Lucas 10.19). A Igreja age como sal da terra e luz do mundo (Mt 5.13-16).

A menção "as almas dos decapitados" em Apocalipse 20 é muito semelhante a visão dos mártires na glória registrada no capítulo 6. São textos paralelos, de modo que um ajuda a entender melhor o outro. Vejamos o que diz: "Quando ele abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas daqueles que haviam sido mortos por causa da palavra de Deus e do testemunho que deram. Eles clamavam em alta voz: 'Até quando, ó Soberano santo e verdadeiro, esperarás para julgar os habitantes da terra e vingar o nosso sangue?' Então cada um deles recebeu uma veste branca, e foi-lhes dito que esperassem um pouco mais, até que se completasse o número dos seus conservos e irmãos, que deveriam ser mortos como eles" (Ap 6.9-11). É impressionante a similaridade das duas descrições. Compare:  “as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram” (Ap 6.9)  com: “as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus, e pela palavra de Deus” (Ap 20.4).

Os mártires estão conscientes do que se passa aqui na terra no periodo ainda da Grande Tribulação. Eles clamam por justiça e recebem vestiduras brancas e lhes é dito que aguardem um pouco mais, pois a Segunda Vinda de Cristo e a consequente ressurreição e o juízo final ainda estão por vir! O que é visto em Apocalipse 6 é visto também em Apocalipse 20, pois as almas dos decapitados aguardam a ressurreição do corpo cuja descrição se dá no final do capítulo 20, mais precisamente, no versículo 13.

Portanto, a ressurreição do corpo e o julgamento final estão registrados no fim do capitulo 20, após a descrição do reinado de mil anos. Que esta ressurreição é geral, incluindo tanto incrédulos como crentes, se deduz da frase conclusiva que diz: “E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo” (v.15). Isto indica a existência de dois grupos distintos, os que não estão inscritos no livro da vida e os que estão, o que concorda perfeitamente com a descrição do juízo final feita pelo Senhor Jesus: "Quando o Filho do homem vier em sua glória, com todos os anjos, assentar-se-á em seu trono na glória celestial. Todas as nações serão reunidas diante dele, e ele separará umas das outras como o pastor separa as ovelhas dos bodes. E colocará as ovelhas à sua direita e os bodes à sua esquerda… E estes irão para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna" (Mt 25.31-33 e 46); exatamente o mesmo que profetizou Daniel: "Multidões que dormem no pó da terra acordarão: uns para a vida eterna, outros para a vergonha, para o desprezo eterno" (Dn 12.2. Veja também: 2 Co 5.10; Rm 14.10-12).

As Duas Ressurreições Quanto as duas ressurreições de Ap 20, primeira (v. 5) é de caráter espiritual, sendo uma referência ao novo nascimento e a condição de salvo, inscritos no Livro da Vida, como se pode ver no texto paralelo que se encontra no v.15. Pois quem nasceu de novo não sofre o dano da segunda morte ou condenação do inferno. O v. 14 diz que a Segunda Morte é o Lago de Fogo. “Nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1). “Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida” (João 5.24).

Portanto, quem tem o seu nome inscrito no Livro da Vida, ou seja, quem já participou da Primeira Ressurreição, não sofrerá o dano da Segunda Morte. Tanto a Primeira Ressurreição como a Segunda Morte são de caráter espiritual. Não seria coerente dizer que um Ressurreição física livra o homem de uma condenação espiritual.

O Novo Testamento usa com freqüência o termo ressurreição, ressuscitados e ressurrectos para descrever a condição do crente em Cristo: “tendo sido sepultados, juntamente com ele, no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos” (Cl 2.12)… “Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus” (Cl 3.1)… Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida” (Rm 6.4)… “Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos; aquele que não ama permanece na morte” (1 Jo 3.14). Deus não é Deus de mortos, mas de vivos, de modo que os mártires cristãos estão vivos em Deus e reinam com Cristo.

Vemos, no capítulo 5 do Evangelho de João, o emprego do termo ressurreição tanto no sentido espiritual como no físico e isto num mesmo contexto (Jo 5.25-29). Portanto, não seria de se estranhar que o mesmo acontecesse neste outro escrito de João.

A primeira ressurreição mencionada em Apocalipse 20 é espiritual, apresentada aqui principalmente para indicar a vitória dos mártires que vivem e reinam com Cristo, pois o estado intermediário dos crentes, entre a morte e a ressurreição, é um período de vida (Lc 20.38) e consciência (Ap 6.9-11), que segundo Paulo é incomparavelmente melhor do que a dos crentes antes da morte (Fp 1.23), que o faz até preferir deixar o corpo para habitar com o Senhor (2 Co 5.8), pois eles desfrutam da presença do Senhor numa dimensão superior, por se acharem diante do trono de Deus, servindo a Deus de dia e de noite no seu santuário, já não tem mais fome, nem sede, e já não sofrem mais a intempéries da vida, pois são apascentados e consolados por Jesus (Ap 7.15-17), e, aqui, em Ap 20, vemos que eles também partilham de alguma maneira do privilégio de reinar juntamente com Cristo. Já, a segunda ressurreição é descrita nos versos de 11 a 13 como algo distinto da primeira, sendo uma clara referência a ressurreição do corpo que se dará por ocasião da Segunda Vinda de Cristo.

A Primeira Vinda de Cristo nos trouxe a primeira ressurreição, que é o novo nascimento e a Segunda Vinda nos trará a segunda ressurreição que será a do corpo. A segunda morte é uma referência ao castigo eterno, o que implica em que a primeira ressurreição, mencionada por João, não seja uma ressurreição física. Pois se os crentes já tivessem aqui (em Ap 20.6) ressuscitado fisicamente, em corpo glorificado, eles já estariam desfrutando do gozo pleno e total da vida vindoura e não seria necessário dizer que sobre eles a segunda morte não tem poder. Sendo assim, teríamos aqui o uso de um recurso estilístico comum naquela época, conhecido por chiasmo, que disporia os quatro elementos (primeira e segunda ressurreição e primeira e segunda morte) de modo a estabelecer um contraste diagonal em “X”, como ilustrado no diagrama abaixo, onde “a)” estaria se contrapondo a “b)”, espiritual com espiritual e físico com físico. Notar que este contraste, pelo menos em sua dimensão espiritual, entre a primeira ressurreição e a segunda morte, pode ser visto também no versículo 15, que diz: “E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo”. A expressão “foi achado inscrito no Livro da Vida” indica a condição do salvo, daquele que nasceu de novo, que já foi ressuscitado espiritualmente com Cristo e que já passou da morte para a vida, enquanto que, no versículo 14, é dito que o lago de fogo é a segunda morte.

Assim, este texto estabelece o mesmo contraste encontrado no versículo 6, que diz “Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade; pelo contrário, serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele os mil anos”. O que fortalece o argumento em defesa da interpretação da primeira ressurreição como de natureza espiritual, não apenas pelo contraste estabelecido, mas também pelo paralelo que se vê entre os versículos 6 e 15, onde a expressão do v. 6 “aquele que tem parte na primeira ressurreição” tem a sua expressão paralela no v. 15 em termos que não deixam dúvida quanto ao caráter espiritual da mesma: “foi achado inscrito no Livro da Vida”. Ou seja, “aquele que tem parte na primeira ressurreição” é o mesmo que dizer: aquele que “foi achado inscrito no Livro da Vida”. Veja o diagrama:

Tabela – Diagrama Demonstrativo Ap 20.6 a) “ Primeira ressurreição”

– espiritual = símbolo da vida eterna = “foi achado inscrito no Livro da Vida”

(Comparar v.6 com v.15) a) “ segunda ressurreição”

(“reviveram” v.5)

= ressurreição geral e física (v. 13) b) “ Primeira morte”

(subentendida)

= morte física b) “ Segunda morte”

– espiritual – (v.6)

= símbolo da morte eterna = “A Segunda Morte é o Lago de Fogo” (v.14)

Para os que fazem questão de que os dois usos do termo ezesan em Apocalipse 20 sejam referências a ressurreições físicas, existe ainda uma outra interpretação possível, plausível e em perfeita harmonia com os Evangelhos e as Epístolas, onde ezesan significaria a transição da morte física dos mártires para a vida com Cristo no Céu durante o período intermediário entre a morte e a ressurreição.

E também podemos afirmar com propriedade que a Primeira Ressurreição foi a de Jesus,  o "Primogênito dentre os mortos" (Co 1.18)! De modo que os que estão em Cristo, estão, de fato, identificados com sua morte e ressurreição, tendo já passados da morte para a vida (Jo 5.24), e, como bem frisou o Apóstolo Paulo, dizendo que os cristãos já foram: "Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos" (Co 2.12). "Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus" (Co 3.1). "Nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniqüidade; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça" (Rm 6.13).

Mesmo no estágio intermediário, entre a morte e a ressurreição, as almas dos crentes estão bem vivas e ativas no céu (Ap 6 e 7), diferente do que acontece com os restantes dos mortos que não crêem em Deus. Pois Deus não é Deus de mortos, mas sim, é Deus de vivos (Mc 12.27). O estado intermediário dos salvos já é infinitamente superior a nossa existência terrena, de modo a levar Paulo a exclamar: "desejo partir e estar com Cristo, o que é muito melhor" (Fp 1.23); e ainda: "Temos, pois, confiança e preferimos estar ausentes do corpo e habitar com o Senhor" (2 Co 5.8). Tanto é verdade, que o autor de Hebreus, após elencar uma série de mártires e heróis da fé, inicia o capítulo 12 mencionando que nós os vivos na terra estamos cercados de uma nuvem tão grande de testemunhas vivas nos céus (Hb 12.1). "As almas dos decapitados" vivem e reinam dos altos céus! (Ap 20). Obviamente, este texto de Apocalipse não pode ser interpretado literalmente, pois, se não, seríamos forçados a concluir que apenas as almas dos decapitados é que ressuscitariam para reinar, o que excluiria os crentes que foram mortos de outra forma; algo que nem mesmo o mais ferrenho literalista seria capaz de afirmar. É óbvio, portanto, que a referência aos decapitados é muito mais inclusiva e abrangente, envolvendo todos os que estão em Cristo.

Paulo ensinou que nossa posição em Cristo é muito elevada. Como ressurrectos dentre os mortos, já estamos assentados com Cristo, em seu trono, muito acima de todos os principados e potestades e sobre todo o reino e domínio que existe sobre a terra (Ef 2.6). Os crentes em Cristo exercem autoridade sobre os demônios (Lc 10.16s), o maligno não lhes toca (1 Jo 5.18).

Paulo não era pré-milenista, pois ensinou que a Ressurreição do corpo acontece no final do milênio e não no início:

"É necessário que ele reine até que todos os seus inimigos sejam postos debaixo de seus pés. O último inimigo a ser destruído é a morte… Quando, porém, o que é corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal, de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: 'A morte foi destruída pela vitória'" (1Co 15.25,26, 54).

Tal texto suscita algumas questões?

Se o milênio ensinado por Paulo se processa até a destruição do último inimigo que é a morte, como dizem os pré-milenistas que este reinado começará após a Segunda Vinda, quando bem sabemos que é exatamente por ocasião da Segunda Vinda que a morte será destruída?

Se Paulo ensina que a Ressurreição física dos mortos em Cristo marca a destruição do último inimigo que é a morte e também ensina que "é necessário que ele (Jesus) reine até que todos os seus inimigos sejam postos debaixo de seus pés", então, como podem os pré-milenistas ensinarem que a ressurreição física dos mortos precede o reinado milenar de Cristo quando Paulo aponta exatamente para o contrário disto?

Se o Apóstolo Paulo claramente ensina que o último inimigo que é a morte será destruído por ocasião da Segunda Vinda de Cristo (v. 54), como dizem os pré-milenistas que haverá morte no milênio que segundo eles acontecerá após a Segunda Vinda de Cristo?

Como poderemos exclamar "destruída foi a morte pela vitória" por ocasião da Segunda Vinda de Cristo se a morte continuará fazendo vítimas no milênio pré-milenista?

Quem estaria com a razão, Paulo, quando afirma que a morte será destruída na Segunda Vinda de Cristo, ou os pré-milenistas que ensinam que isto acontecerá apenas depois do milênio?

Segunda Vinda, Ressurreição geral e Juízo Final Só existe uma ressurreição física e geral de todos, quer sejam eles crentes ou incrédulos (Dn 12.2, At 24.14,15), vindo após isto, o Juízo Final e o estado eterno, “porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (2 Co 5.10). Os que não tiverem os seus nomes escritos no livro da vida serão condenados (Ap 20.11-13).

Jesus ensinou claramente que a ressurreição seria geral, para todos, crentes e não crentes, uns para vida e outros para a condenação: “Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo” (João 5.28,29).

E, em Mateus 25.31-46, lemos que, com a Segunda Vinda de Cristo se dará o juízo final com a separação dos cabritos das ovelhas e que, os primeiros irão para o castigo e eterno, enquanto os demais para a vida eterna.

O Novo Testamento sempre diz que o Juízo Final se seguirá a Segunda Vinda de Cristo (2 Ts 1.7-10; Mt 16.27; 25.31-32; Jd 14-15 e Ap 22.12. E o Credo Apostólico também estabelece esta mesma relação ao dizer: “de onde há de vir pra julgar os vivos e os mortos”. Note que não diz “de onde há de vir para inaugurar seu reino milenar”). Seguindo este raciocínio, o Milênio só poderia acontecer antes da Segunda Vinda de Cristo, pois é o juízo final que se seguirá a sua segunda Vinda.

Portanto, é bem razoável concluir que o texto de Apocalipse 20 não está ensinando nada de novo, como duas ressurreições físicas separadas por um período de mil anos, mas, sim, estaria falando de modo simbólico, como é característico da literatura apocalíptica, do tema da ressurreição de modo a concordar com todos os vários outros textos bíblicos do Antigo e do Novo Testamento, que são unânimes no ensino de uma única ressurreição geral, tanto de crentes como de incrédulos, seguida do Juízo Final. Veremos a seguir um estudo mais acurado sobre a natureza do Reino de Deus em sua íntima relação com a natureza e a missão de Jesus e do Espírito Santo.

Os eventos registrados nos capítulos 19 e 20 não estão em ordem cronológica como querem os pré-milenistas. Pois o capítulo 19 não termina com uma descrição da Segunda Vinda, mas, sim, com uma clara descrição do juízo final, culminando com a destruição de todos os inimigos de Deus. Se o capítulo 19 conclui com a morte de todos os habitantes da terra cujos nomes não estavam escritos no livro da vida, quem restou das nações para um reinado milenar na terra? Além disso, o milênio descrito em Apocalipse 20 não descreve Jesus reinando de Jerusalém, mas do céu. Não faz também sentido algum supor um motim generalizado contra Jesus no final dos mil anos. É absurda a idéia de exércitos marchando sobre a terra para atacar com armas a Jesus e os salvos com corpos glorificados e indestrutíveis.

Soa no mínimo estanho que Jesus careça de um fogo vindo do céu para destruir seus inimigos, quando bem sabemos que é Jesus mesmo quem desce do céu no meio de labaredas de fogo para destruir seus inimigos. Temos aqui uma alusão a Segunda-Vinda de Cristo em socorro a sua igreja que sofre perseguição no período da Grande Tribulação. Paulo ensinou que Jesus Cristo retornaria em meio a chamas flamejantes para julgar a humanidade (1 Ts 1.6-10) e o mesmo disse Isaías: "Vejam, O Senhor virá num fogo, e seus carros são como um turbilhão! Transformará em fúria a sua ira, e em labaredas de fogo, a sua repreensão. Pois com fogo e com a espada o Senhor executará julgamento sobre todos os homens" (Is 66.15-16). Jesus não é ajudado por labaredas de fogo, Ele retorna a terra em labaredas de fogo!

Diante da Segunda Vinda de Cristo, os pecadores não tem esperança de um reino milenar, mas sim, uma terrível expectativa do juízo final. Jesus claramente ensinou que a Segunda Vinda precipitaria imediatamente o Juízo Final: "Quando o Filho do homem vier em sua glória, com todos os anos, assentar-se-á em seu trono na glória celestial. Todas as nações serão reunidas diante dele, e ele separará umas das outras como o pastor separa as ovelhas dos bodes… Então dirá aos que estiverem à sua esquerda: 'Malditos, apartem-se de mim para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos'… E estes irão para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna" (Mt 25.31-46). A Parábola das Dez Virgens ensina que não há esperança de vida e nem de salvação para os perdidos após a Segunda Vinda de Jesus. Ficando, assim, descartada a idéia de uma segunda oportunidade de vida e salvação para os não salvos após o Arrebatamento da Igreja.

Porque que razão Jesus, após sua vinda gloriosa, deveria ainda ter de governar sobre seus inimigos com vara de ferro, e ainda ter de esmagar uma absurda rebelião no fim do milênio? Por que, então, haveria espaço para mais uma rebelião e mais uma guerra após a destruição do último inimigo (1Co 15) por ocasião da Segunda Vinda de Cristo?

Portanto, Apocalipse 20, não está ensinando nada novo e nem diferente do ensino de Jesus e de seus Apóstolos que deixaram claro que a Primeira Vinda de Cristo inaugurou o Reino de Deus e que Jesus reina do seu trono celestial colocando um a um de seus inimigos debaixo de seus pés, cujo último inimigo, a morte, será destruído por ocasião da sua  Segunda Vinda, que é única, pessoal, visível, portentosa, em meio a labaredas de fogos, promovendo uma ressurreição geral de todos para o Juízo Final, quando o joio será separado do trigo e os bodes do meio das ovelhas. Os mortos em Cristo ressuscitarão e receberão corpos espirituais e indestrutíveis capacitados para viver a eternidade na Jerusalém Celestial. Não pertencemos a Jerusalém terrena, nossa cidadania é celeste! Aguardamos novos céus e nova terra, nossa morada celestial que Jesus foi preparar!

36 Questões para os pré-milenistas Por José Ildo Swartele de Mello Paulo não era pré-milenista, pois ensinou que a Ressurreição do corpo acontecerá no final do milênio e não no início:

"É necessário que ele reine até que todos os seus inimigos sejam postos debaixo de seus pés. O último inimigo a ser destruído é a morte… Quando, porém, o que é corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal, de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: 'A morte foi destruída pela vitória'" (1Co 15.25,26, 54).

Se o Apóstolo Paulo claramente ensina que o último inimigo que é a morte será destruído por ocasião da Segunda Vinda de Cristo (1Co 15.25,26, 54), como dizem os pré-milenistas que haverá morte no milênio que segundo eles acontecerá após a Segunda Vinda de Cristo?

Como poderemos exclamar "destruída foi a morte pela vitória" por ocasião da Segunda Vinda de Cristo se a morte continuará fazendo vítimas no milênio pré-milenista?

Quem estaria com a razão, Paulo, quando afirma que a morte será destruída na Segunda Vinda de Cristo, ou os pré-milenistas que ensinam que isto acontecerá apenas depois do milênio?

A expressão "até que" de 1 Coríntios 15.25 não indica um desenvolvimento paulatino do Reino em que os inimigos vão sendo gradativamente postos debaixo dos pés de Cristo e não abruptamente como ensinam os pré-milenistas?

Como a interpretação pré-milenista se harmoniza com as Parábolas do Reino (Mt 13) que ensinam que o Reino de Deus se estabelece de maneira gradativa como o desenvolvimento da plantação de um grão de mostarda e também híbrida com a presença do joio no meio do trigo, onde temos também a presença do maligno representado pelo inimigo que planta o joio e pelos pássaros?

Se o reinado de Cristo se processa até a destruição do último inimigo que é a morte, como dizem os pré-milenistas que este reinado começará após a Segunda Vinda, quando bem sabemos que é exatamente por ocasião da Segunda Vinda que a morte será destruída?

Se Paulo ensina que a Ressurreição física dos mortos em Cristo marca a destruição do último inimigo que é a morte, e se também ensina que "é necessário que ele (Jesus) reine até que todos os seus inimigos sejam postos debaixo de seus pés", então, como podem os pré-milenistas ensinarem que a ressurreição física dos mortos precede o reinado milenar de Cristo quando Paulo aponta exatamente para o contrário disto?

Se o último inimigo que é a morte será destruído na Segunda Vinda, por que ainda haveria espaço para o surgimento de novos inimigos e de mais uma rebelião e guerra no final do milênio conforme afirmam os pré-milenistas?

Por que que razão Jesus, após sua vinda gloriosa, deveria ainda ter de governar sobre seus inimigos com vara de ferro, e ainda ter de esmagar uma absurda rebelião no fim do milênio?

Por que razão Jesus, após a sua sua gloriosa Segunda Vinda, teria de passar por nova humilhação representada por uma rebelião mundial contra o seu justo governo de mil anos?

Como explicar que no final do milênio, Satanás será solto e num período curto de tempo conseguirá promover uma rebelião sem precedentes contra Jesus arrebanhando uma multidão incontável de todas as nações?

Que argumentos usaria Satanás para enganar as nações no final de um milênio presidido física e pessoalmente pelo Todo Poderoso, Justo e Amoroso Cristo?

Não é absurda a idéia de que uma multidão de rebeldes alimente qualquer espécie de esperança de vitória contra o Todo Poderoso Cristo e seus santos com corpos glorificados e imortais?

Quem serão as pessoas e os povos sobre os quais Cristo e os remidos com corpos imortais reinarão? Não me diga que serão exatamente aqueles vivos por ocasião da Segunda Vinda de Cristo que não se acharam entre o grupo de salvos, ou seja, os seguidores da Besta?

Se for este o caso, como justificar, que uma multidão de seguidores da Besta, possuidores da  sua marca, possam ter o privilégio de desfrutar o Reino Milenar de Cristo em vez de se depararem com o Juízo Final?

E como conciliar um milênio para os perdidos das nações sobreviventes da Grande Tribulação com o seguinte clamor dos mártires cristãos por justiça?

“ E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?” (Ap 6.10)

E, a resposta do anjo ao clamor de justiça dos mártires indicaria um período milenar de espera até o dia do Juízo ou aponta diretamente para o momento subseqüente a quele em que se completará “o número de seus conservos e seus irmãos, que haviam de ser mortos como eles foram”? (Ap 6.11). Em outras palavras, se o juízo ainda não veio porque o número total de mártires da Grande Tribulação não está completo, não fica estabelecida aí uma relação estreita entre a era presente e o juízo final? Caso, contrário, não seria apenas uma questão de se esperar a plenitude dos mártires, mas, muito mais que isto, se faria necessário aguardar mil anos mais com o dissabor de ter de contemplar seu algozes perseguidores no desfrute do reino milenar.

Quantas eras existem?

Jesus ensinou a existência de duas eras: a era presente e a vindoura, e jamais sequer sugeriu algo como uma terceira era intermediária com duração de mil anos. De acordo com Cristo, o que a era vindoura nos reserva é a ressurreição dos mortos para a vida eterna numa condição angelical onde não haverá mais lugar para casamentos e outras tantas coisas peculiares apenas a era presente.

“E Jesus, respondendo, disse: Em verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do evangelho, que não receba cem vezes tanto, já neste tempo, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições; e no século futuro a vida eterna” (Mc 10.29,30); “Que não haja de receber muito mais neste mundo, e na idade vindoura a vida eterna”. (Lc 18.30); “E, respondendo Jesus, disse-lhes: Os filhos deste mundo casam-se, e dão-se em casamento; Mas os que forem havidos por dignos de alcançar o mundo vindouro, e a ressurreição dentre os mortos, nem hão de casar, nem ser dados em casamento” (Lc 20.34,35).

Jesus ensinou mais sobre o Reino de Deus do que qualquer outro assunto, então, por que será que ele nunca mencionou nada a respeito de um reino milenar na terra após a sua Segunda Vinda?

Por que os mortos em Cristo que já estavam desfrutando da glória celeste no estado intermediário ressuscitariam para voltar a um terra onde o pecado e a morte ainda existem? Não seria isto um retrocesso?

A existência de corpos ressurrectos e celestiais não reivindica uma vida em uma Nova Jerusalém celestial onde não há mais lugar para o pecado e a morte?

Por que adiar o juízo final sobre o mal e por que também adiar o desfrute do destino eterno dos salvos que já estariam prontos para o lar celestial por já estarem de posse de seus corpos glorificados?

Como encaixar o milênio entre a Segunda Vinda de Cristo e o Juízo Final, quando Jesus e seus Apóstolos categoricamente ensinaram que o Juízo Final acontecerá imediatamente após a Segunda Vinda?

“E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; E t odas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas; E porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda” (Mt 25.31.33); “Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; Pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então lhes sobre-virá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão” (1 Ts 5.2,3); “Se de fato é justo diante de Deus que dê em paga tribulação aos que vos atribulam, e a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder, como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo; Os quais, por castigo, padecerão eterna perdição, ante a face do Senhor e a glória do seu poder, quando vier para ser glorificado nos seus santos, e para se fazer admirável naquele dia em todos os que crêem” (2 Ts 1.6-10).

Como dizem os pré-milenistas que o Livro de Apocalipse narra os fatos futuros em ordem cronológica se o nascimento de Jesus registrado no capítulo 12 é descrito logo após a uma narrativa do juízo final registrada no capítulo 11?

Como aceitar também que o milênio descrito no capítulo 20 seja um acontecimento imediatamente posterior a Segunda Vinda de Cristo descrita no Capítulo 19, quando o próprio capítulo 19 encerra-se com uma descrição do juízo final que resulta na destruição de todos os inimigos de Deus? Quem restaria das nações para o milênio?

O Juízo final não está também sendo narrado no capítulo 14? Se o Apocalipse fosse um livro contendo narrativas seqüências dos eventos últimos, quantos "juízos finais" aconteceriam? E quando é que “a seara da terra” estará madura para “o grande lagar da ira de Deus” no final do milênio pré-milenista ou na Segunda Vinda de Cristo? E a descrição do Filho do Homem assentado sobre uma nuvem branca não é uma clara imagem da Segunda Vinda de Cristo? (Ap 14.16; ver também: Mc 13.26; 14.62; Mt 24.30; 26.64; Lc 21.27; 1 Ts 4.17; Ap 1.7 e Dn 7.13); “Dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória; porque é vinda a hora do seu juízo … Se alguém adorar a besta, e a sua imagem, e receber o sinal na sua testa, ou na sua mão, Também este beberá do vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro. E a fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre; e não têm repouso nem de dia nem de noite os que adoram a besta e a sua imagem, e aquele que receber o sinal do seu nome… E olhei, e eis uma nuvem branca, e assentado sobre a nuvem um semelhante ao Filho do homem, que tinha sobre a sua cabeça uma coroa de ouro, e na sua mão uma foice aguda…

Lança a tua foice, e sega; a hora de segar te é vinda, porque já a seara da terra está madura… E o anjo lançou a sua foice à terra e vindimou as uvas da vinha da terra, e atirou-as no grande lagar da ira de Deus. E o lagar foi pisado fora da cidade, e saiu sangue do lagar até aos freios dos cavalos, pelo espaço de mil e seiscentos estádios” (Ap 14.7-20).

Por que não encontramos o ensino de duas ressurreições separadas por mil anos nas Escrituras do Antigo Testamento, nem nos Evangelhos e nem nas Epístolas, antes, pelo contrário, o que vemos é o claro ensino de que haverá uma ressurreição geral para o juízo final?

“Não fiquem admirados com isto, pois está chegando a hora em que todos os que estiverem nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão; os que fizeram o bem ressuscitarão para a vida, e os que fizeram o mal ressuscitarão para serem condenados” (Jo 5.28-29); “E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno” (Daniel 12.2)

“ Tendo esperança em Deus, como estes mesmos também esperam, de que há de haver ressurreição tanto dos justos como dos injustos” (Atos 24.15)

Por que os discípulos deveriam almejar um reinado milenar na terra quando o que Jesus lhes prometeu foi um lar celestial? O que Jesus prometeu foi voltar para levá-los para si ou voltar para ficar com eles, constituindo um reino aqui na terra?

“ E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também” ( Jo 14.3).

“ Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3.20).

Onde é que Pedro disse que se cumpriria a promessa de justiça na velha terra ou nos novos céus e terra?

Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça (2 Pe 3.13)

S e Jesus declarou que seu reino não era deste mundo, por que ele teria de voltar para reinar na terra?

“Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui” (Jo 18.36); “E dizia-lhes: Vós sois de baixo, eu sou de cima; vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo” (Jo 8.23)

Qual seria a duração do Reino de Cristo de acordo com as profecias do Antigo e Novo Testamentos?

Mas, nos dias desses reis, o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído; e este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos esses reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre (Dn 2.44); “O seu reino é um reino sempiterno, e o seu domínio de geração em geração” (Dn 4.3); “E foi-lhe dado o domínio, e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino tal, que não será destruído. (Dn 7.14); “E o reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será um reino eterno, e todos os domínios o servirão, e lhe obedecerão” (Dn 7.27); “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.

Do aumento deste principado e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino, para o firmar e o fortificar com juízo e com justiça, desde agora e para sempre; o zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto” (Is 9.6,7); “O teu re ino é um reino eterno; o teu domínio dura em todas as gerações” (Sl 145.13); “O teu trono, ó Deus, é eterno e perpétuo; o cetro do teu reino é um cetro de eqüidade” (Sl 45.6); “Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai; E reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim” (Lc 1.32,33); “Porque assim vos será amplamente concedida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2 Pe 1.11); Onde está o trono do Rei Jesus na terra ou no céu?

“E logo fui arrebatado no Espírito, e eis que um trono estava posto no céu, e um assentado sobre o trono” (Ap 4.2); “Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono” (Ap 3.21); “Porque o Cordeiro que está no meio do trono os apascentará, e lhes servirá de guia para as fontes das águas da vida; e Deus limpará de seus olhos toda a lágrima” (Ap 7.17)

“E vi um grande trono branco, e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu; e não se achou lugar para eles (Ap 20.11); “E ouvi toda a criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e que está no mar, e a todas as coisas que neles há, dizer: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o se mpre” (Ap 5.13); “O SENHOR tem estabelecido o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo” (Sl 103.19).

“ E, o que jurar pelo céu, jura pelo trono de Deus e por aquele que está assentado nele” (Mt 23.22)

“ Eu, porém, vos digo que de maneira nenhuma jureis; nem pelo céu, porque é o trono de Deus” (Mt 5.34)

“ O céu é o meu trono, E a terra o estrado dos meus pés. Que casa me edificareis? diz o Senhor, Ou qual é o lugar do meu repouso?” (At 7.49).

“Mas quando este sacerdote acabou de oferecer, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à direita de Deus. Daí em diante, ele está esperando até que os seus inimigos sejam colocados como estrado dos seus pés” (Hb 10.12-13); Por que nem mesmo Apocalipse 20 descreve Jesus fisicamente reinando em um trono na cidade de Jerusalém e por que o Apocalipse diz que Jesus precisou ser arrebatado da terra para chegar ao seu trono celeste para reger as nações com vara de ferro?

“ E deu à luz um filho homem que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono” ( Ap 12.5)

Quantas vezes Satanás será amarrado e solto? Como interpretar os seguintes textos que falam de Satanás como já tendo sido amarrado e perdido poder por ocasião da Primeira Vinda de Cristo?

“ Ou, como pode alguém entrar na casa do valente, e roubar-lhe os bens, se primeiro não amarrar o valente?”(Mt 12.29)

"Eu vi Satanás caindo do céu como relâmpago. Eis que vos dou poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará dano algum.” (Lc 10.18,19).

Por que não reconhecer a afirmação de Cristo que declarou que o Reino de Deus já havia chegado em seus dias tendo como um dos sinais a expulsão de demônios pelo Espírito Santo de Deus?

“ Mas se é pelo Espírito de Deus que eu expulso demônios, então chegou a vocês o Reino de Deus” (Mt 12.28)

“Todo poder me é dado no céu e na terra” (Mt 28.18); “'Tudo sujeitaste debaixo dos seus pés'. Ao lhe sujeitar todas as coisas, nada deixou que não lhe estivesse sujeito. Agora, porém, ainda não vemos que todas as coisas lhe estejam sujeitas. Vemos, todavia, aquele que por um pouco foi feito menor do que os anjos, Jesus, coroado de honra e glória por ter sofrido a morte, para que, pela graça de Deus, em favor de todos, experimentasse a morte”(Hb 2.8-9; ver também 1 Co 15.25 e Mt 16.18).

Após a Segunda Vinda gloriosa de Cristo, haverá realmente um retorno aos “rudimentos fracos e pobres”, tais como o templo em Jerusalém, os sacrifícios, a exaltação judaica e coisas desta natureza?

“ Mas agora, conhecendo a Deus, ou melhor, sendo por ele conhecidos, como é que estão voltando àqueles mesmos princípios elementares, fracos e sem poder? Querem ser escravizados por eles outra vez?” (Gl 4.9)

“ Dessa forma, o Espírito Santo estava mostrando que ainda não havia sido manifestado o caminho para o Santo dos Santos enquanto ainda permanecia o primeiro tabernáculo. Isso é uma ilustração para os nossos dias, indicando que as ofertas e os sacrifícios oferecidos não podiam dar ao adorador uma consciência perfeitamente limpa. Eram apenas prescrições que tratavam de comida e bebida e de várias cerimônias de purificação com água; essas ordenanças exteriores foram impostas até o tempo da nova ordem. Quando Cristo veio como sumo sacerdote dos benefícios agora presentes, ele adentrou o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito pelo homem, isto é, não pertencente a esta criação. Não por meio de sangue de bodes e novilhos, mas pelo seu próprio sangue, ele entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, e obteve eterna redenção.”(Hb 9.8-12)

“A Lei traz apenas uma sombra dos benefícios que hão de vir, e não a realidade dos mesmos. Por isso ela nunca consegue, mediante os mesmos sacrifícios repetidos ano após ano, aperfeiçoar os que se aproximam para adorar. Se pudesse fazê-lo, não deixariam de ser oferecidos?… Por isso, quando Cristo veio ao mundo, disse: "Sacrifício e oferta não quiseste, mas um corpo me preparaste; de holocaustos e ofertas pelo pecado não te agradaste"… Mas quando este sacerdote acabou de oferecer, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à direita de Deus. Daí em diante, ele está esperando até que os seus inimigos sejam colocados como estrado dos seus pés; porque, por meio de um único sacrifício, ele aperfeiçoou para sempre os que estão sendo santificados”(Hb 10.1-14)

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Quem são os 144.000 do Apocalipse+

Introdução

O livro do Apocalipse apresenta imagens desafiadoras, e uma das mais intrigantes é o grupo dos 144.000 selados mencionado nos capítulos 7 e 14. Quem são esses 144.000? Seria um número literal de pessoas salvas, ou um símbolo da totalidade do povo de Deus? Essa pergunta tem gerado diferentes interpretações ao longo da história da igreja. Alguns grupos, como os dispensacionalistas literalistas, entendem os 144.000 como judeus étnicos específicos separados da igreja, enquanto outros (como os amilenistas e premilenistas históricos) veem esse número como simbólico, representando todo o povo de Deus. A forma como interpretamos os 144.000 afeta nossa compreensão da identidade da Igreja, da unidade entre judeus e gentios em Cristo e da segurança dos fiéis em meio às tribulações.

Os 144.000 selados não são um grupo separado de cristãos, mas um símbolo da Igreja inteira. Neste estudo, exploraremos detalhadamente essa interpretação. Apresentaremos o contexto literário de Apocalipse 7 e 14, analisando o uso simbólico dos números e a relação entre os 144.000 e a "grande multidão". Faremos uma comparação com a leitura dispensacionalista literalista, apontando problemas exegéticos e teológicos desta. Fundamentaremos biblicamente a unidade do povo de Deus (Israel e Igreja) com base em textos do Novo Testamento (como Efésios 2, Gálatas 3 e 6, Romanos 9 e 11, entre outros). Também discutiremos o significado do selo de Deus como marca de propriedade e proteção divina (conforme Ef 1.13-14; 4:30; 2Tm 2.19). Por fim, destacaremos aplicações pastorais e espirituais: a segurança eterna dos salvos, o chamado à santidade, a unidade da Igreja e a esperança escatológica que essa doutrina traz para os crentes hoje.

Os 144.000 em Apocalipse 7: Estrutura e Simbolismo O capítulo 7 de Apocalipse introduz os 144.000 no contexto de um interlúdio consolador e encorajador. Em Apocalipse 6, João vê os horrores desencadeados pela abertura dos seis primeiros selos – guerras, fomes, catástrofes e perseguições – culminando com o “grande dia da ira” e a pergunta: “quem poderá subsistir?” (Ap 6.17). Antes de abrir o sétimo selo, Apocalipse 7 pausa a sequência de juízos para responder a essa pergunta. João vê que Deus, em meio às tribulações, protege o Seu povo. Quatro anjos seguram os ventos destrutivos, impedindo-os de causar dano, até que os servos de Deus sejam selados na testa (Ap 7.1-3). Essa cena enfatiza que, antes de qualquer juízo, Deus assegura a proteção espiritual daqueles que Lhe pertencem. É uma mensagem de paz e esperança em meio ao caos: apesar das aflições que virão sobre o mundo, os filhos de Deus estão seguros em suas mãos (cf. Jo 10.28). “Que diremos, então, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? … Quem nos separará do amor de Cristo? Será a tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo ou a espada? Como está escrito: ‘Por amor de ti, somos entregues à morte continuamente; fomos considerados como ovelhas para o matadouro’. Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou.” (Rm 8.31-37).

“Ouvi o número…”: Os 144.000 selados dos filhos de Israel (Ap 7.4-8)

Após essa introdução, João relata: “Então ouvi o número dos que foram selados: 144.000 de todas as tribos dos filhos de Israel” (Ap 7.4). Ele então lista doze tribos de Israel, com 12.000 selados de cada tribo (Ap 7.5-8). Essa contagem metódica e simétrica indica organização e plenitude. Várias pistas no próprio texto sugerem que não se trata de um censo literal de israelitas étnicos, mas de um símbolo abrangente:

Número simbólico:

O número 144.000 é resultado de 12 x 12 x 1.000 – ou seja, a multiplicação das doze tribos de Israel pelas doze colunas apostólicas da Igreja, simbolizando a perfeita união entre a antiga e a nova aliança. O número 12, recorrente nas Escrituras como representação do povo de Deus, elevado ao quadrado e multiplicado por mil (símbolo de grandeza e plenitude), comunica a totalidade completa da Igreja ao longo da história. Trata-se, portanto, de uma cifra simbólica da Igreja militante em sua integridade e completude perfeita, composta por todos os fiéis, judeus e gentios, selados por Deus em todas as épocas. Em Apocalipse 21, a Nova Jerusalém – figura da Igreja glorificada – reforça esse simbolismo ao possuir 12 portas (com os nomes das tribos de Israel), 12 fundamentos (com os nomes dos apóstolos do Cordeiro) e muralhas que medem 144 côvados. Tudo aponta para o mesmo povo redimido, unido em torno do único e soberano Pastor, Jesus Cristo.

Lista de tribos não literal:

A relação das tribos em Apocalipse 7 é peculiar. Inclui José e Levi, mas omite Efraim e Dan; coloca Judá (tribo de Cristo) em primeiro lugar, apesar de Rubem ser o primogênito natural; e distribui exatamente 12.000 para cada tribo, um equilíbrio matemático que jamais ocorreu em censos históricos de Israel. Se João pretendesse um Israel étnico literal, por que excluir certas tribos e reorganizar a lista? Essas anomalias sugerem um propósito simbólico. Era sabido que, no primeiro século, dez tribos de Israel já estavam dispersas e praticamente perdidas; portanto, João não poderia estar pensando em uma restauração literal dessas tribos em número exato. A imagem, ao contrário, aponta para Israel ideal, o povo de Deus completo. É “Israel” em sentido espiritual, e não segundo a carne. (Rm 9.6-8; 2.28-29; Gl 3.7,29; 6.15-16; Ef 2.14-16,19; 1Pe 2.9-10; Fp 3.3; Tg 1.1).

Contexto literário (ouvir vs. ver):

Note que João ouve o número 144.000 (Ap 7.4), mas em seguida vê algo surpreendente em Ap 7.9: “depois destas coisas, vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas…”. Essa mudança de ouvir para ver é significativa. Uma dinâmica semelhante ocorre em Apocalipse 5: João ouve sobre o “Leão da tribo de Judá” mas, ao olhar, vê “um Cordeiro como tendo sido morto” (Ap 5.5-6). O leão e o cordeiro referem-se à mesma pessoa (Cristo) sob dois símbolos diferentes. Da mesma forma, os 144.000 selados ouvidos e a multidão incontável vista parecem ser duas representações da mesma realidade – o povo redimido de Deus – visto de perspectivas diferentes e enfatizando aspectos distintos. A visão dos 144.000 destaca a Igreja como o “novo Israel”, organizada e inteira, enquanto a visão da multidão destaca sua imensidão e universalidade multiétnica. Em outras palavras, “os dois grupos… são representações simbólicas da Igreja. A primeira visão enfatiza sua identidade como o ‘novo’ ou ‘verdadeiro’ Israel; a segunda enfatiza sua universalidade entre todas as nações”.

Em vista desses pontos, entendemos que os “144.000 de Israel” selados em Apocalipse 7 simbolizam todo o povo de Deus na terra durante a era presente – a Igreja militante composta por crentes de todas as origens, tanto judeus quanto gentios, que servem a Cristo. Eles são enumerados como um exército pronto para a batalha espiritual (a linguagem de censo tribal lembra os recenseamentos militares de Israel no Antigo Testamento, cf. Nm 1). Porém, a arma deles não é carnal, e sim a fé; e sua segurança não vem de número ou etnia, mas do selo de Deus em suas testas (já vamos discutir este selo). Assim, a resposta à pergunta “quem poderá subsistir no dia da ira?” (Ap 6.17) é: os servos de Deus selados, ou seja, todos os que pertencem a Cristo, representados pelo número completo de 144.000. Nenhum dos verdadeiros adoradores será esquecido ou perdido – Deus conhece cada um pelo nome.

“Depois vi…”: A grande multidão de todas as nações (Ap 7.9-17)

Ao erguer os olhos, João vê uma multidão incontável adorando diante do trono de Deus e do Cordeiro, vestida de vestes brancas e com palmas de vitória nas mãos (Ap 7.9). Essa multidão vem “de todas as nações, tribos, povos e línguas”, indicando claramente os gentios do mundo todo, agora incluídos no povo de Deus. Eles clamam a salvação que pertence a Deus e ao Cordeiro (7:10), e juntam-se a eles miríades de anjos em louvor (7:11-12). Um dos anciãos explica a João que estes são os que “vêm da grande tribulação” e lavaram suas vestiduras no sangue do Cordeiro (7:13-14). Ou seja, são mártires e confessores que permaneceram fiéis a Jesus em meio às aflições, e agora estão triunfantes no céu. Deus os protegeu quanto ao destino eterno: nada pôde separá-los do amor de Cristo, e agora “nunca mais terão fome, nem sede… e Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima” (7:16-17).

Como vimos, há fortes razões para crer que esta multidão é a mesma comunidade dos 144.000 selados, vista sob outro ângulo. Enquanto os 144.000 representam a Igreja ainda peregrina na terra, selada para enfrentar a tribulação, a grande multidão representa a Igreja vitoriosa nos céus, após ter vencido. É significativa a sequência: primeiro são selados (proteção espiritual durante a tribulação), depois são vistos glorificados diante de Deus. Essa interpretação coesa, adotada pela maioria dos teólogos amilenistas (Hendriksen, Hoekema, Beale, Anthony Hoekema, entre outros), reforça duas verdades teológicas importantes: (1) a unidade entre Israel e a Igreja, já que o mesmo grupo é descrito em termos de Israel (tribos) e de nações gentílicas; e (2) a segurança dos crentes em meio às provações, pois todos os selados alcançam a bem-aventurança final. Não há perda nem distinção de status – todos os redimidos formam um só povo diante de Deus.

Os 144.000 em Apocalipse 14: O Cordeiro e a Igreja Triunfante O capítulo 14 de Apocalipse retoma a imagem dos 144.000, agora em uma cena celestial de triunfo. João escreve: “Olhei, e eis o Cordeiro em pé sobre o monte Sião, e com ele 144.000 que traziam na fronte escrito o nome dele e o de seu Pai”(Ap 14.1). Aqui, novamente, o número é 144.000, indicando tratar-se do mesmo grupo já introduzido no capítulo 7. A ambientação, contudo, é diferente: o Cordeiro (Jesus Cristo) está no monte Sião e os 144.000 estão ao seu lado. O Monte Sião é uma figura bíblica do reino de Deus e da comunhão com Ele – em Hebreus 12.22, por exemplo, “Sião” é associada à “Jerusalém celestial” e à congregação dos salvos. Portanto, Apocalipse 14 parece mostrar a Igreja já redimida e vitoriosa em Cristo, cantando os louvores de Deus no monte Sião celestial (um vislumbre do estado eterno ou da vitória final no fim dos tempos).

Vejamos os detalhes dessa visão e seu simbolismo:

Nome de Deus na fronte:

Os 144.000 são identificados como aqueles que trazem o nome do Cordeiro e do Pai escritos na testa (14:1). Isso sugere fortemente que eles são os mesmos “servos de Deus” selados na testa em Apocalipse 7.3-4. Lá, o selo não foi descrito em detalhe, mas aqui fica claro que o selo consiste no nome de Deus Pai e do Cordeiro, Jesus Cristo, marcado em Seus servos – em contraste com o “sinal da besta” que mais adiante caracteriza os ímpios (Ap 13.16-17). Pertencer a Deus de forma tão clara que Seu nome está em nossa fronte aponta para propriedade e identificação: estes 144.000 são inteiramente de Deus, para glória Dele. Em Apocalipse 22.4, na Nova Jerusalém, lemos que “o nome [de Deus] estará na fronte” dos servos do Senhor, confirmando que esta é a marca dos redimidos por Cristo.

Canto de um novo cântico:

João ouve uma voz do céu como o som de muitas águas e de forte trovão, e também como o dedilhar de harpistas (14:2). Era um novo cântico entoado diante do trono de Deus, que “ninguém podia aprender, senão os 144.000 que foram comprados da terra” (14:3). Aqui vemos os 144.000 não apenas selados, mas agora “comprados da terra”, isto é, redimidos por Cristo. Eles são os únicos que entendem e entoam este cântico de redenção – uma imagem poética de que somente quem experimentou a salvação em Cristo pode louvar plenamente a Deus por ela. Este cântico novo sugere a adoração exclusiva dos redimidos, celebrando a vitória do Cordeiro. Assim como no Antigo Testamento se cantou um cântico novo após a libertação (por exemplo, o cântico de Moisés após atravessar o Mar Vermelho), aqui os salvos celebram a redenção final.

Pureza e fidelidade:

Os 144.000 em Apocalipse 14 são descritos como “não ter-se contaminado com mulheres, pois são castos (virgens)” e “em sua boca não se achou mentira; são inculpáveis” (14:4-5). Essas características devem ser entendidas simbolicamente, pois o Apocalipse frequentemente usa linguagem figurada para verdades espirituais. “Não se contaminar com mulheres” não implica que literalmente todos sejam homens celibatários, mas simboliza pureza moral e espiritual. Uma interpretação literal deste texto excluiria as mulheres e também Abrão, Isaque, Jacó, Moisés e todos os servos de Deus casados. Em todo o Antigo Testamento, a idolatria de Israel é comparada ao adultério e prostituição espiritual; inversamente, a fidelidade a Deus é descrita como castidade espiritual. Assim, dizer que os 144.000 “são virgens” aponta para sua lealdade exclusiva a Cristo, sem se prostituírem com os ídolos ou corrupções do mundo (cf. Tg 4.4, 2Co 11.2). De fato, eles “seguem o Cordeiro para onde quer que vá” (14:4b), indicando discípulos verdadeiros e perseverantes de nosso Senhor Jesus Cristo. Além disso, não terem mentira e serem inculpáveis ressalta a santidade e a integridade desses redimidos – foram justificados pelo sangue do Cordeiro e, portanto, são vistos como sem mancha diante de Deus (Ef 5.27, Jd 24). Em suma, é uma imagem da Igreja glorificada, purificada de todo pecado e totalmente devota a Deus.

Primícias para Deus:

Ap 14.4 os chama de “primícias para Deus e para o Cordeiro”. A expressão “primícias” traz a ideia da primeira parte de uma colheita oferecida a Deus, indicando algo consagrado e também antecipatório de uma colheita maior. Chamar os 144.000 de primícias pode destacar que eles pertencem a Deus como oferta santa, e possivelmente que são os primeiros frutos da redenção completa da criação. Alguns entendem que pode apontar especificamente aos mártires como “primícias” do Reino; mas de modo mais geral, abrange todos os salvos como aqueles dedicados a Deus, prenúncio de uma humanidade redimida. De qualquer forma, isso reforça que eles são um grupo escolhido e separado para Deus, o que condiz perfeitamente com a ideia de representar a totalidade dos eleitos.

Em Apocalipse 14, vemos novamente os 144.000 representando o povo de Deus — agora, não mais em meio à tribulação, mas em plena vitória ao lado do Cordeiro. Essa visão reafirma a continuidade com Apocalipse 7: os que foram selados e preservados durante as aflições são os mesmos que agora aparecem glorificados com Cristo, em pé sobre o monte Sião celestial, trazendo o nome de Deus e do Cordeiro em suas testas e entoando um novo cântico que somente os redimidos podem aprender. A identidade do grupo permanece inalterada: trata-se da totalidade da Igreja, o povo redimido pelo sangue do Cordeiro, reunido para celebrar sua vitória definitiva.

Comparação com a Interpretação Dispensacionalista Literalista Contrastando com essa leitura simbólica e eclesiológica, existe a interpretação dispensacionalista literalista, bastante popular em certos círculos evangélicos, especialmente os influenciados pelas notas da Bíblia de Estudo Scofield ou pelas obras de Hal Lindsey e Tim LaHaye. De acordo com o dispensacionalismo clássico, Israel e a Igreja são dois povos distintos de Deus, com promessas e destinos diferentes. Os dispensacionalistas entendem que a era da Igreja é um “parêntese” no plano divino – Deus está temporariamente concentrado nos gentios, mas retomará Seu programa com Israel nacional nos últimos sete anos da história (a Grande Tribulação). Dentro desse esquema, após o arrebatamento da Igreja aos céus antes da tribulação, os 144.000 de Apocalipse 7 seriam literalmente 144.000 judeus étnicos (12 mil de cada tribo de Israel) convertidos e selados por Deus para uma missão especial durante a Tribulação. Muitos dispensacionalistas veem esses 144.000 judeus como missionários ou evangelistas que pregarão o evangelho do reino nesse período final, resultando em uma grande conversão de gentios – a “grande multidão” de Ap 7.9, nesse entendimento, seriam os gentios salvos pela pregação dos 144.000 durante a tribulação. Em suma, para essa escola de interpretação, os 144.000 são um grupo específico de israelitas literalmente enumerados, distintos da Igreja (que já não estaria na terra nesse cenário).

É importante reconhecer que essa visão procura ler o texto “literalmente” onde possível. No entanto, ela enfrenta vários problemas exegéticos e teológicos significativos:

1. Gênero literário e simbolismo

Apocalipse é literatura apocalíptica, rica em símbolos, números figurados e imagens metafóricas. Ler tudo literalmente pode levar a contradições ou absurdos (por exemplo, no mesmo livro vemos um Cordeiro com sete olhos e sete chifres, uma mulher vestida de sol perseguida por um dragão, etc., que claramente não são literais). No caso de Apocalipse 7, insistir que 144.000 significa exatamente 144.000 pessoas e que “Israel” ali só pode ser étnico, ignora o contexto simbólico. Como vimos, o próprio texto fornece indícios de simbolismo (a estrutura numérica perfeita, a lista de tribos artificial, o contraste com a multidão incontável). Até mesmo alguns comentaristas premilenistas não dispensacionais, como George E. Ladd, concordam que 144.000 é uma cifra simbólica do povo de Deus e não um cálculo literal. Interpretar apocalipse requer sensibilidade ao seu uso teológico dos números – por exemplo, 12 e seus múltiplos costumam denotar o povo de Deus (12 tribos, 12 apóstolos, 24 anciãos, 144 côvados, 144.000 servos), e 10 e seus múltiplos denotam plenitude ou quantidade grande (10 dias, 1000 anos, etc.). A leitura literalista aqui acaba perdendo a intenção teológica de João em prol de uma precisão matemática desnecessária.

2. O contexto imediato (144.000 vs. Grande Multidão):

A visão dispensacionalista separa os 144.000 (judeus salvos) da grande multidão (gentios salvos), vendo-os como grupos diferentes em momentos diferentes. Mas o texto de Apocalipse 7 apresenta os dois grupos na mesma cena contínua (note o “depois destas coisas” em 7.9). A fluidez narrativa sugere conexão, não distinção radical. De fato, a grande multidão em 7.9-17 responde à questão de 6.17 sobre quem pode subsistir, assim como os 144.000. Por que haveria João de retratar apenas judeus sobrevivendo à ira no versículo 4-8, e então separadamente gentios salvos no 9-17, sem qualquer comentário explicativo, se fossem realmente dois grupos diferentes? A interpretação que une ambos como a mesma comunidade em perspectivas complementares é mais coerente literariamente. Além disso, nada no texto de Ap 7.9-17 indica que a multidão convertida de todas as nações fosse resultado da pregação dos 144.000 – essa é uma inferência teológica externa feita pelo sistema dispensacionalista, não algo expresso por João. O texto simplesmente coloca ambos como servos de Deus salvos no cenário tribulacional. Assim, separar estritamente os dois grupos pode ser forçar um esquema sobre o texto, em vez de deixá-lo falar por si.

3. Problemas com a lista de Israel literal

Conforme já mencionado, a lista de Ap 7.4-8 não coincide com as listas tradicionais das tribos de Israel encontradas no Antigo Testamento (cf. Nm 1, Ez 48). A ausência de Dã e Efraim e a inclusão de José e Levi indicam tratar-se de um Israel “reorganizado”. Dispensacionalistas oferecem explicações variadas para isso (por exemplo, alguns sugerem que Dã foi omitido por causa da idolatria – cf. Jz 18.30 – e Efraim por semelhante razão; e que Levi e José entram para manter 12 nomes), mas isso já mostra que mesmo eles reconhecem um elemento atípico na lista. Se o intuito fosse uma identificação clara de Israel étnico, por que fazê-lo de forma tão inusual? A resposta amilenista é que João deliberadamente moldou a lista para comunicar verdades teológicas: Jesus, o Leão de Judá, encabeça as tribos; todos os servos de Deus (12 mil de cada tribo) são contados, implicando harmonia e plenitude; e o uso do nome “Israel” aplica-se tipologicamente à Igreja. Em vez de uma rígida distinção étnica, João promove uma visão tipológica: as antigas categorias de Israel são usadas para descrever a totalidade dos salvos na nova aliança.

4. Separação de povos vs. unidade em Cristo:

Talvez o ponto mais crítico seja o teológico. A interpretação dispensacionalista, ao manter Israel e Igreja como dois povos diferentes de Deus, contraria o testemunho unificado do Novo Testamento de que, em Cristo, Deus criou “dos dois um, e derrubou a parede de separação” (Ef 2.14). Ao insistir que após o arrebatamento Deus lida separadamente com Israel, a teologia dispensacional sugere que haveria um retorno às distinções étnicas como base do plano redentivo. O ensino dispensacionalista  de que existem dois propósitos separados de Deus – um para Israel terreno, outro para a Igreja – é reconstruir o muro de separação que Jesus derrubou. De fato, Romanos 11 mostra que Deus não tem um plano para judeus desconectado do plano para gentios, mas um só plano para ambos: os gentios são enxertados na mesma oliveira de Israel, e os judeus crentes são reenxertados nessa única oliveira, não há duas árvores separadas (Rm 11.17-24). A comunidade da salvação é representada ali por uma só oliveira, indicando um só povo de Deus. Assim, qualquer interpretação que proponha dois povos distintos em termos de aliança e promessa está em tensão com essa imagem paulina. Aplicando isso a Apocalipse 7, a leitura amilenista vê o capítulo afirmando justamente que Deus tem um povo, não dois – os 144.000 de Israel (Igreja vista como Israel de Deus) e a multidão de gentios (Igreja vista em sua catolicidade) formam juntos a mesma Igreja. A leitura dispensacional fragmenta aquilo que o Novo Testamento claramente unificou. Deus edificou a Igreja sobre o alicerce dos profetas do Antigo Testamento e dos apóstolos do Novo, tendo Cristo Jesus como a pedra angular (Ef 2.20). Nessa nova humanidade redimida, judeus e gentios já não são povos distintos, mas unidos em um só corpo (Ef 2.14-16), formando um só rebanho sob a liderança do único e verdadeiro Pastor (Jo 10.16). A Igreja, portanto, é o cumprimento do propósito eterno de Deus de reunir, em Cristo, todos os que creem, indistintamente (Ef 1.9-10; Gl 3.28).

5. Promessas do AT cumpridas em Cristo e na Igreja

Os dispensacionalistas argumentam que Deus obrigatoriamente tem que cumprir certas promessas a Israel literalmente à nação (por exemplo, território, um reino messiânico terreno, etc.), e que isso justificaria uma distinção contínua. Contudo, as promessas do AT são reinterpretadas e ampliadas no NT para incluir os gentios e apontar para bênçãos espirituais. Por exemplo, a promessa da terra finda-se em “novos céus e nova terra” para todos os crentes (Mt 5.5, Rm 4.13); a promessa do trono de Davi cumpre-se em Cristo reinando sobre a Igreja (At 2.30-36); e as profecias sobre a restauração de Israel aparecem no NT aplicadas à salvação da Igreja (1Pe 2.9 aplica Êx 19.6 à Igreja; At 15.14-17 aplica Amós 9 a gentios sendo incluídos no povo de Deus). Portanto, forçar uma literalidade estrita em Apocalipse 7.4-8 (dizendo que “Israel” só pode significar judeus na carne) desconsidera o fato de que o próprio João, assim como Paulo e Pedro, frequentemente usam linguagem de Israel em sentido espiritual. Em Apocalipse 2.9 e 3.9, por exemplo, Jesus fala de “os que se dizem judeus e não são, mas são sinagoga de Satanás”, sugerindo que ser judeu verdadeiro aos olhos de Deus não é questão de sangue, mas de fidelidade a Cristo. Esse conceito coaduna com Romanos 2.28-29, onde “não é judeu quem o é apenas exteriormente… judeu é quem o é interiormente, e circuncisão, a do coração, pelo Espírito”. Logo, identificar os servos de Deus em Apocalipse 7 diretamente com “os filhos de Israel” não exige uma leitura racial, mas antes espiritual – referindo-se aos verdadeiros adoradores, a comunidade da nova aliança.

Em resumo, a interpretação dispensacionalista literal dos 144.000, apesar de bem intencionada em honrar a letra do texto, incorre em dissonâncias hermenêuticas e teológicas. Ela tende a isolar Apocalipse do restante do Novo Testamento, enquanto a perspectiva mais adequada é aquela que busca ler Apocalipse em harmonia com a teologia neotestamentária. A Bíblia aponta para a unidade orgânica do povo de Deus, não para duas linhas paralelas de salvação. A Igreja não é um plano B de Deus nem um parêntese, mas a continuação (ou melhor, o desabrochar) do Israel do Antigo Testamento. Por isso, interpretar os 144.000 como a Igreja inteira, judeus e gentios juntos, selados por Deus não é “substituir Israel”, mas entender que a Igreja é a extensão do verdadeiro Israel em Cristo. Deus cumpre Suas promessas a Abraão fazendo de Abraão o pai de muitas nações crentes (Gl 3.7-9,29; Rm 4.11-17). Já a leitura literalista enfrenta o dilema de explicar por que Deus reconstituiria um Israel étnico separado quando o Novo Testamento clama que em Cristo “não há judeu nem grego… porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gl 3.28).

Fundamentação Bíblica da Unidade do Povo de Deus (Israel e Igreja)

A chave para compreender corretamente os 144.000 e a grande multidão é a doutrina da unidade do povo de Deus. A Escritura nos ensina que, por meio de Jesus Cristo, Deus formou um só povo composto de judeus e gentios crentes, rompendo as barreiras anteriores. Vejamos algumas passagens fundamentais que embasam essa verdade:

Efésios 2.11-22:

O apóstolo Paulo escreve que os gentios que antes estavam separados de Israel, estranhos às alianças, “agora, em Cristo Jesus, vocês, que antes estavam longe, foram aproximados pelo sangue de Cristo” (Ef 2.13). Cristo é a nossa paz, que “de ambos (judeus e gentios) fez um, derrubando a parede de separação”, abolindo inimizades para criar “em si mesmo, dos dois, um novo homem” (Ef 2.14-15). Por meio dEle, ambos temos acesso ao Pai em um Espírito (2:18). Consequentemente, os gentios “já não são estrangeiros nem forasteiros, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus” (2:19). Essa é uma afirmação poderosa: em Cristo, gentios se tornam concidadãos de Israel – passam a pertencer à mesma comunidade santa. Juntos, judeus e gentios crentes são edificados como um só templo de Deus no Espírito (2:21-22). Ou seja, há uma unidade da aliança: uma só casa, um só corpo. Esse texto soa como um eco teológico da visão de Apocalipse 7, onde pessoas de todas as etnias se juntam ao “Israel” selado de Deus, fazendo parte do mesmo povo sob a mesma proteção e promessa.

Gálatas 3.26-29; 6:15-16:

Aos gálatas, Paulo enfatiza que em Cristo Jesus “todos vocês são filhos de Deus mediante a fé” (Gl 3.26). E continua: “não há judeu nem grego… pois todos são um em Cristo Jesus. E, se vocês são de Cristo, são descendência de Abraão, e herdeiros segundo a promessa” (Gl 3.28-29). Isso é notável: os que pertencem a Cristo, independentemente de sua etnia, são contados como descendentes de Abraão – ou seja, fazem parte do Israel da fé e tornam-se herdeiros das promessas feitas a Abraão. Mais adiante, Paulo se refere à Igreja como “o Israel de Deus” (Gl 6.16) ao pronunciar bênção sobre “todos os que andam conforme esta norma”, isto é, a norma da cruz de Cristo que invalida a jactância na carne (Gl 6.14-16). Há debate entre estudiosos se “Israel de Deus” ali significa a Igreja toda ou os judeus cristãos; mas de qualquer modo, Paulo une o conceito de Israel com a comunidade da nova criação em Cristo. A Igreja do Novo Testamento representa o Israel espiritual, sendo o povo por meio do qual Deus está cumprindo as promessas feitas ao antigo Israel, agora ampliadas e concretizadas em Cristo.

Romanos 9.6-8; 11:17-24:

Em Romanos 9, Paulo explica que “nem todos os descendentes de Israel são Israel”(Rm 9.6). Ser descendente natural de Abraão não torna alguém automaticamente filho da promessa; “são os filhos da promessa que são contados como descendência” (9:8). Deus sempre preservou um remanescente fiel dentro de Israel, e expandiu Sua misericórdia aos gentios que creem (Rm 9.23-26). Em Romanos 11, Paulo usa a metáfora da oliveira: os ramos naturais (judeus incrédulos) foram quebrados, e ramos de oliveira brava (gentios crentes) foram enxertados no lugar – mas Deus é poderoso para reenxertar os judeus que não permanecem na incredulidade, pois eles contrariamente à natureza podem ser enxertados de novo em sua própria oliveira (11:23-24). O ponto crucial: há uma só oliveira, representando o povo de Deus. Gentios não constituem uma árvore separada, mas participam “da raiz e da seiva” da oliveira de Israel, e judeus não creem são cortados dessa mesma árvore (11:17-20). Assim, “Israel” e “igreja” não são duas árvores; são uma só planta, um só povo em duas fases históricas. No final, Paulo prevê que “todo o Israel será salvo” (11:26) – expressão que pode ser entendida como a plenitude do povo de Deus, incluindo a soma de judeus eleitos e gentios eleitos. Mesmo se interpretarmos “todo Israel” como um futuro retorno em massa de judeus a Cristo, isso não os colocaria numa categoria distinta da Igreja, mas sim os incorporaria de volta à sua própria oliveira, a comunidade da salvação conjunta. Em qualquer caso, Romanos 11 refuta a ideia de um propósito separado para Israel sem os gentios: “há claros indícios em Romanos 11 de que o propósito de Deus com Israel nunca está separado de Seu propósito com os gentios crentes” – ambos estão entrelaçados no mesmo plano redentivo.

Outros textos relevantes:

Poderíamos citar também 1 Pedro 2.9-10, onde Pedro aplica à Igreja termos que eram exclusivos de Israel: “raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus”– títulos de Êxodo 19.5-6 agora transferidos aos que antes “não eram povo” mas agora são povo de Deus. Isso reforça que a Igreja é vista como o Israel espiritual. Hebreus 8 interpreta a nova aliança de Jeremias 31, feita com “a casa de Israel e de Judá”, como cumprida em Cristo e aplicada aos cristãos (Hb 8.6-13). Efésios 3.6 resume o “mistério” revelado no evangelho: “os gentios são coerdeiros, membros do mesmo corpo, e coparticipantes da promessa em Cristo Jesus”. Todas essas passagens convergem para a mesma conclusão: Deus tem um só povo composto dos crentes de todas as nações, que outrora estavam separados, mas agora são coerdeiros das mesmas promessas.

Diante desse sólido pano de fundo bíblico, interpretar os 144.000 como o conjunto do povo de Deus, judeus e gentios unidos, não é forçado, mas ao contrário, é coerente com a mensagem global do Novo Testamento. Quando Apocalipse retrata servos de Deus de “todas as tribos de Israel” e imediatamente depois mostra servos de Deus de “todas as tribos da terra” (nações), está reiterando pictoricamente que as promessas a Israel se estenderam a todas as nações em Cristo. A Igreja pode ser chamada de “Israel” não por usurpação, mas por adoção graciosa: nós, gentios, “fomos feitos próximos” e incluídos na cidadania de Israel (Ef 2.13,19). Desde os primórdios do plano redentor, todos os que pertencem a Jesus Cristo — tanto judeus quanto gentios — são reconhecidos como verdadeiros descendentes de Abraão e, portanto, herdeiros legítimos das promessas de Deus. Essa compreensão eclesiológica é crucial para não criarmos divisões indevidas no texto apocalíptico.

O Selo de Deus: Sinal de Propriedade e Proteção Divina Um elemento central nas visões dos 144.000 em Apocalipse 7 e 14 é o selo de Deus na testa dos servos. Em Ap 7.2-3, um anjo clama: “Não danifiqueis a terra, nem o mar, nem as árvores, até selarmos na testa os servos do nosso Deus.” E Ap 7.4 começa: “Ouvi o número dos selados…”. Já Ap 14.1 identifica o selo como o nome do Cordeiro e do Pai escrito nas frontes. Qual é o significado desse selo de Deus?

Na cultura bíblica, selos eram usados para marcar propriedade, autenticidade e segurança. Um rei selava com seu sinete um decreto para autenticar (1Rs 21.8); um documento selado indicava propriedade e garantia (Jr 32.10-12); um túmulo selado assegurava que nada fosse mexido (Mt 27.66). No caso dos crentes, Deus coloca o Seu selo para declarar: “estes são meus, propriedade minha, autenticados como verdadeiros servos e guardados sob minha autoridade”. A testa representa a identidade, a mente e a disposição – ter o nome de Deus na testa simboliza pertencer totalmente a Deus, em contraste com aqueles que terão o nome da besta em suas testas ou mãos (Ap 13.16-17).

Várias passagens do Novo Testamento associam explicitamente o selo de Deus com o Espírito Santo dado aos crentes:

Efésios 1.13-14:

“…tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa, o qual é o penhor (garantia) da nossa herança até o resgate da sua propriedade…”. Aqui, crer em Cristo resulta em receber o Espírito Santo como um selo. O Espírito em nós é a marca de que pertencemos a Deus e a garantia (uma entrada ou penhor) de que Ele completará nossa salvação. Em outras palavras, o próprio Deus nos marca com Seu Espírito para indicar: “estes são meus filhos, e Eu os levarei à herança prometida”.

Efésios 4.30:

“Não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção.” O selo aponta para o futuro – até o dia da redenção final estamos sob esse selo, indicando segurança. Nossa redenção plena (ressurreição e glória) está assegurada enquanto o selo do Espírito está sobre nós. E ele jamais falha, pois “o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são seus” (2Tm 2.19a). Essa citação de 2Timóteo 2.19 reflete justamente a ideia do selo divino como marca identificadora – Deus distingue os seus servos no mundo.

2 Timóteo 2.19:

Conforme citado, Paulo diz que há um selo com duas inscrições: uma lado divino (“O Senhor conhece os que são seus”) e outra lado humano (“Aparte-se da injustiça todo aquele que professa o nome do Senhor”). Isso é muito pertinente: o selo de Deus garante que Ele conhece, ama e guarda os Seus; mas também implica um chamado à santidade para aqueles que têm o nome do Senhor. Voltaremos a este ponto na aplicação pastoral.

No contexto de Apocalipse, o selo na testa ecoa um antecedente do Antigo Testamento: em Ezequiel 9.4-6, Deus ordena que um anjo marque com um sinal (uma tau – letra hebraica) na testa os homens que suspiravam contra as abominações em Jerusalém, antes que outros anjos executassem juízo matando os habitantes rebeldes. Os marcados na testa foram poupados da destruição. Apocalipse 7 parece inspirar-se diretamente nessa imagem – Deus selando seus servos para distingui-los e guardá-los quando a ira vier. De fato, mais à frente em Apocalipse, vemos que quando a quinta trombeta traz um ataque de “gafanhotos” demoníacos, eles recebem ordem para não tocar nos que têm o selo de Deus na testa(Ap 9.4). Assim, o selo funciona como proteção contra os juízos divinos e assolações satânicas que recaem sobre o mundo. Importa salientar: essa proteção não necessariamente significa imunidade física ao sofrimento ou martírio(sabemos que muitos cristãos morrem por sua fé, inclusive na narrativa de Apocalipse muitos dos selados acabam figurando entre os mártires vistos no céu). O que significa é que esses crentes estão preservados da condenação e do dano espiritual eterno que atinge os ímpios. Nenhum juízo de Deus (por exemplo, as pragas simbolizadas pelas trombetas e taças) poderá atingi-los em seu sentido mais profundo, isto é, tirá-los das mãos de Deus ou fazê-los apostatar. Eles permanecerão firmes até o fim, pois Deus os selou como propriedade Sua.

Adicionalmente, o selo na testa com o nome de Deus contrasta com o “sinal da besta” na testa ou mão dos adoradores do anticristo (Ap 13.16-17, 14:9-11). Isso mostra dois tipos de humanidade: os marcados por Deus e os marcados pelo mundo. Os crentes levam a marca de Deus (seu caráter, seu Espírito, seu senhorio) enquanto os ímpios levam a marca das ideologias e sistemas rebeldes contra Deus. Jesus também fala desse contraste quando diz que Ele é o bom pastor que “chama as suas ovelhas pelo nome” e elas o seguem, e que Ele conhece as suas ovelhas (Jo 10.3,14). O Senhor conhece os que são Seus (2Tm 2.19) – eis o selo inviolável. E ninguém pode arrebatar essas ovelhas da mão de Cristo (Jo 10.28-29). Logo, ser selado por Deus transmite a ideia de segurança absoluta em relação à nossa alma. Não significa que não passemos por tribulação (pelo contrário, Ap 7.14 diz que esses vêm da tribulação), mas significa que, passando por ela, “somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou” (Rm 8.37). Nem morte, nem vida, nem qualquer outra coisa poderá nos separar do amor de Deus em Cristo (Rm 8.38-39) – essa é a implicação do selo.

Em Apocalipse 14.1, vimos que o selo equivale ao “nome do Cordeiro e de seu Pai” nas frontes. Nome, na mentalidade bíblica, representa a pessoa e o caráter. Ter o nome do Cordeiro e do Pai escrito em nós indica que refletimos a identidade de Deus. Somos dEle e devemos portar Seu nome em santidade para não profaná-lo. Por isso, 2Tm 2.19 adiciona: “Aparte-se da injustiça todo aquele que profere o nome do Senhor.” Se carregamos o nome santo de Deus em nós (somos “cristãos” – pequenos Cristos, por assim dizer), então somos chamados a viver de modo coerente com esse selo. Dessa forma, o selo de Deus também implica consagração. No Antigo Testamento, a placa na testa do sumo sacerdote dizia “Santidade ao Senhor” (Êx 28.36-38), e ele levava simbolicamente as tribos de Israel diante de Deus. Agora, cada crente é selado na testa como propriedade santa do Senhor, um sacerdote espiritual dedicado a Deus.

Para resumir, o selo de Deus nos 144.000 significa que Deus conhece, reivindica e guarda seu povo. É um símbolo da salvação segura – os selados não enfrentarão a ira de Deus condenatória. Em termos presentes, podemos relacionar isso à nossa experiência de termos o Espírito Santo habitando em nós como garantia da vida eterna (2Co 1.22). “Tendo crido, fostes selados” – essa é a realidade atual de cada verdadeiro cristão. Assim, Apocalipse 7 e 14, ao retratar os crentes selados na tribulação, está confirmando de forma visual a promessa do evangelho: “Aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até o Dia de Cristo Jesus” (Fp 1.6). Deus marcou-nos e completará em glória o que iniciou em nós pela fé.

Aplicações Pastorais e Espirituais A visão dos 144.000 selados (isto é, a Igreja inteira sob o cuidado divino) e da grande multidão vitoriosa traz diversas aplicações práticas para a vida cristã. Não se trata apenas de um quebra-cabeça profético, mas de verdades profundamente encorajadoras e desafiadoras para os crentes de hoje. Destacaremos quatro aplicações: segurança eterna, chamado à santidade, unidade da Igreja e esperança escatológica.

1. Segurança eterna do crente — para os que permanecem em Cristo Saber que pertencemos ao povo selado por Deus nos traz profundo consolo quanto à nossa salvação. Se estamos em Cristo e marcados com o Seu Espírito, nossa vida está segura nas mãos do Senhor. Jesus afirmou que ninguém poderá arrebatar suas ovelhas de Sua mão nem da mão do Pai (Jo 10.28-29). Paulo declarou com convicção que nada poderá nos separar do amor de Deus (Rm 8.35-39). Em Apocalipse, esse princípio se manifesta de forma simbólica na proteção dos 144.000 selados: os juízos não podem tocar aqueles que pertencem ao Senhor e estão marcados com o selo do Deus vivo.

Entretanto, o Novo Testamento deixa claro que essa segurança não é automática ou incondicional, mas está vinculada à permanência em Cristo. A certeza da salvação é real para os que perseveram na fé até o fim. O próprio Jesus advertiu as igrejas do Apocalipse: “Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap 2.10); “Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa” (Ap 3.11). O apóstolo João escreveu: “Permanecei nele, para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança e não sejamos envergonhados diante dele na sua vinda” (1Jo 2.28). E o autor de Hebreus exorta: “Tornai-vos imitadores dos que pela fé e pela perseverança herdam as promessas” (Hb 6.12).

Portanto, toda a segurança existe, sim, para aqueles que estão e permanecem em Cristo. Como canta o apóstolo Pedro, “mediante a fé estais guardados na virtude de Deus para a salvação, já prestes para se revelar no último tempo” (1Pe 1.5). Essa guarda não dispensa a vigilância, mas a exige (Mt 24.42-44). Nossa confiança repousa na fidelidade de Deus, que nos selou com o Seu Espírito e prometeu completar a boa obra que começou (Fp 1.6). Por isso, os crentes podem descansar em Cristo, certos de que aquele que nos selou é poderoso para nos guardar até o Dia final (2Tm 1.12), desde que não abandonem a fé nem se deixem iludir pelo pecado (Hb 3.12-14).

Essa certeza equilibrada produz paz em meio às tempestades da vida, sem gerar acomodação. Tal qual os cristãos originais que receberam o livro do Apocalipse, somos chamados a enfrentar tribulações com confiança e fidelidade, sabendo que Deus conhece os que Lhe pertencem (2Tm 2.19). Jesus afirmou: “A vontade daquele que me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu, mas que eu os ressuscite no último dia” (Jo 6.39). Contudo, Ele também advertiu: “Aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mt 24.13). Nossa segurança é sólida e verdadeira — mas está sempre vinculada à permanência viva e obediente em Cristo, o autor e consumador da fé (Hb 12.2).

2. Chamado à santidade e fidelidade

A doutrina do selo não implica passividade ou licenciosidade; ao contrário, ela nos convoca à santificação. “O Senhor conhece os que são seus” – esse é o consolo; mas “aquele que profere o nome do Senhor, aparte-se da injustiça” (2Tm 2.19) – esse é o dever. Em Apocalipse 14, os 144.000 são caracterizados por pureza (virgindade espiritual) e veracidade (não há mentira em sua boca). Isso nos desafia a viver de modo puro neste mundo corrompido, mantendo-nos fiéis a Cristo. Ser selado por Deus significa que levamos Sua marca, portanto devemos honrar Seu nome em nós. Paulo argumenta em 1Coríntios 6.19-20 que, por termos o Espírito (selo) e pertencermos a Deus, precisamos glorificá-Lo em nosso corpo e fugir do pecado. Assim, a visão dos selados nos lembra de quem somos: propriedade santa do Senhor. Não podemos pertencer a Deus e ao mundo ao mesmo tempo. Fomos comprados por preço (1Co 6.20), então vivamos como servos dedicados ao Cordeiro, seguindo-O por onde quer que vá (Ap 14.4). Isso inclui perseverar na verdade (não negociar a Palavra, não abraçar falsidades), manter integridade de palavra e ações, e afastar-nos das “prostituições” espirituais deste século (toda idolatria moderna, materialismo, imoralidade, etc.). Em suma, nossa identidade deve moldar nossa conduta: somos o Israel de Deus, Seus filhos amados; portanto, sejamos santos porque Ele é santo (1Pe 1.14-16). A graça que nos selou também nos ensina a renunciar à impiedade e viver vida piedosa enquanto aguardamos a manifestação de Cristo (Tt 2.11-13). Cada vez que lembramos “Sou um dos 144.000 selados de Deus”, isso deve inspirar gratidão e comprometimento com uma vida digna dessa vocação.

3. Unidade e identidade da Igreja

Compreender que os 144.000 representam a Igreja inteira composta de judeus e gentios traz à tona a beleza da unidade do Corpo de Cristo. Há “um só rebanho e um só Pastor” (Jo 10.16). Isso significa que não há cristãos de segunda classe. Todos os salvos, independente de etnia, nacionalidade, cultura ou passado, compartilham a mesma posição em Cristo – somos todos selados pela mesma marca, lavados pelo mesmo sangue, participantes da mesma aliança. Para a igreja contemporânea, isso tem fortes implicações: devemos romper preconceitos e divisões dentro do Corpo. Se Deus nos vê como um povo único (144.000 igualmente selados), quem somos nós para fomentar divisões étnicas, sociais ou denominacionais? Efésios 4.3-6 nos exorta a diligentemente preservar “a unidade do Espírito no vínculo da paz”, lembrando que há um só corpo, um só Espírito, uma só esperança, um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos. Portanto, a interpretação eclesiológica de Apocalipse 7 e 14 reforça a necessidade de promover a unidade visível da Igreja. Isso não quer dizer uniformidade absoluta em todas as opiniões, mas sim unidade em amor e propósito. Pastores e líderes podem usar essa verdade para incentivar suas congregações a valorizarem todos os membros do Corpo, evitando divisões entre cristãos de origem judaica e gentia (um tema relevante inclusive nos dias do Novo Testamento, cf. At 15, Rm 14) ou quaisquer outras divisões. Além disso, a imagem da multidão de todas as nações (Ap 7.9) nos lembra que a Igreja é multicultural e inclusiva – deve abraçar pessoas “de toda tribo, língua e nação” sem discriminação. Em um mundo repleto de tensões étnicas e raciais, a Igreja é chamada a ser um exemplo de união onde a diversidade enriquece em vez de separar. O apóstolo João viu, em essência, uma só família diante do trono. Que essa visão motive a Igreja hoje a viver como família de Deus, em comunhão, mutualidade e respeito mútuo.

4. Esperança escatológica e perseverança

Apocalipse foi escrito para encorajar cristãos perseguidos a perseverar até o fim, olhando para a glória vindoura. A visão dos 144.000 com o Cordeiro em Sião e da grande multidão diante do trono é uma garantia vívida de vitória futura. Embora agora enfrentemos aflições – e Jesus avisou que no mundo teríamos tribulações (Jo 16.33) – a visão final é de triunfo e alegria indescritível na presença de Deus. Isso alimenta nossa esperança escatológica. Sabemos o fim da história: a Igreja, embora tantas vezes oprimida e pequena aos olhos do mundo, aparecerá como um exército completo, vitorioso e jubiloso na consumação dos séculos. Essa certeza nos dá ânimo para perseverar em meio às lutas atuais. Os crentes podem dizer como Paulo: “Os sofrimentos do tempo presente não são para comparar com a glória a ser revelada em nós” (Rm 8.18). Cada lágrima será enxugada; cada luta de agora resultará em recompensa e alegria eterna. Além disso, a ideia de que Deus já nos selou e já nos vê contados entre Seus vitoriosos nos dá a confiança para não ceder à pressão do mal. Sabendo que nossa vitória está assegurada em Cristo, podemos enfrentar inclusive a morte sem temor excessivo, pois “ser fiel até a morte” leva à coroa da vida (Ap 2.10). A esperança escatológica, portanto, nos faz firmes, inabaláveis e abundantes na obra do Senhor (1Co 15.58), porque sabemos que, no Senhor, nosso trabalho não é vão. Cada ato de fidelidade, por menor que seja, contribui para esse grande quadro do povo de Deus triunfante. Em suma, manter os olhos na “multidão de vestes brancas com palmas nas mãos” (Ap 7.9) nos ajuda a atravessar os vales escuros com cânticos de louvor, certos de que “já somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou” (Rm 8.37). A escatologia saudável produz esperança viva (1Pe 1.3) e nos habilita a dizer: “Maranata! Vem, Senhor!”, enquanto permanecemos fiéis em nosso presente.

Conclusão

Os 144.000 de Apocalipse 7 e 14 representam a totalidade da Igreja de Cristo – o povo de Deus completo, composto por judeus e gentios crentes, selado e guardado pelo Senhor. Não se trata de um número literal a ser contado com calculadora, mas de um símbolo da plenitude dos redimidos. A primeira visão (Ap 7) nos consola com a certeza de que Deus conhece cada um de Seus servos e os sela em meio às tribulações, garantindo que “quem tem o selo de Deus permanece firme”. A segunda visão (Ap 14) nos inspira com o retrato da Igreja vitoriosa ao lado do Cordeiro, cantando um novo cântico de salvação. Juntas, essas passagens reforçam verdades centrais do Novo Testamento: que em Cristo não há distinção entre israelita e gentio, mas todos somos um só povo (Gl 3.28); que Deus vela pelos Seus discípulos para que nenhum deles venha a se perder (Jo 17.12; 2Tm 2.19); e que, apesar das aflições, o final da história é a glória eterna para os santos, com Deus habitando entre eles (Ap 7.15-17).

Ao contrastarmos essa visão com a interpretação dispensacionalista literal, vimos que a simbologia bíblica e a teologia do NT favorecem entender os 144.000 como símbolo da Igreja. O Apocalipse emprega números de forma simbólica e retrata a Igreja como o Israel espiritual, herdeira das promessas. Essa compreensão não apenas resolve o “problema” interpretativo, mas edifica a fé: nós, como Igreja, somos os destinatários dessas promessas de proteção e vindicação.

Que implicações práticas ficam para nós? Em primeiro lugar, a visão dos 144 mil selados por Deus traz  segurança, conforto e ânimo para os cristãos diante das tribulações neste mundo.  Em segundo lugar, devemos viver como propriedade de Deus, em santidade e fidelidade, não nos conformando com o mundo. Terceiro, precisamos cultivar a unidade do Corpo de Cristo, derrubando divisões, pois aos olhos de Deus formamos um só exército de adoradores. Quarto, devemos manter acesa a esperança da glória futura, pois ela nos motiva a perseverar e a colocar as lutas presentes em perspectiva.

Em tempos de incerteza e tribulação, Apocalipse 7 e 14 trazem à Igreja uma mensagem profundamente revigorante: Deus conhece os que Lhe pertencem, já os selou com o Seu nome, e o número dos salvos será completo — não faltará nenhum. A Igreja, por fim, surgirá gloriosa e vitoriosa, como descreve poeticamente a Escritura: “Quem é esta que aparece como a alva do dia, formosa como a lua, brilhante como o sol, tremenda como um exército com bandeiras?” (Ct 6.10). Firmados nessa convicção, pastores, teólogos, líderes e todos os fiéis podem encontrar ânimo para cuidar do rebanho de Deus, promover o evangelho e enfrentar as provações com confiança serena. Somos os 144.000 – o povo eleito de Deus – selados e protegidos agora, e destinados à glória eterna em Cristo. Que essa verdade nos encoraje a dizer, com plena certeza: “Pertencemos ao Senhor, e nEle somos mais que vencedores!”

Referências Bibliográficas 1. Beale, G. K. The Book of Revelation: A Commentary on the Greek Text. Grand Rapids, MI: William B. Eerdmans, 1999.

2. Hendriksen, William. Mais que vencedores: [Uma interpretação do livro de Apocalipse]. 3ª ed. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2018.

3. Hoekema, Anthony A. A Bíblia é o Futuro. Cultura Cristã; 1ª edição (1 janeiro 2019)

4. Riddlebarger, Kim. A Case for Amillennialism: Understanding the End Times. Grand Rapids, MI: Baker Books, 2003.

5. Ladd, George Eldon. Apocalipse: introdução e comentário. (Série Cultura Bíblica.) São Paulo: Edições Vida Nova, 1980.

6. Lopes, Hernandes Dias. Apocalipse: o futuro chegou – as coisas que em breve devem acontecer. São Paulo: Hagnos, 2005.

O Reino de Deus já foi inaugurado+

Assista ao vídeo e leia o texto desta mensagem:

A igreja precisa de um reavivamento genuíno

A igreja precisa de um reavivamento genuíno para cumprir fielmente sua chamada para ser sal e luz deste mundo.

Wesley ensinava que pregar não é dominar certas técnicas, mas o ser dominado por certas convicções.

A parábola do grão de mostarda (Mt 13.31-32)

Vamos começar o exame Mateus 13.31-32:

“O reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo: Qual é realmente a menor de todas as sementes, mas quando ele é cultivado, é a maior das hortaliças e torna-se uma árvore, de modo que as aves do céu vêm e se aninham nos seus ramos”.

A pregação agoureira do fim e o que Jesus ensinou

Há alguns anos atrás, um pastor de outra denominação foi convidado para pregar em uma reunião especial sobre a missão da conferência no Brasil. Sabendo que o nosso lema para aquele ano era “oração e ação por um mundo melhor”, ele começou seu discurso dizendo: “Oração e ação: sim, mas mundo melhor: não!” E continuou dizendo que não devemos nutrir esperança a respeito de melhoras das condições de vida deste mundo antes da Segunda Vinda de Jesus. Para ele, a missão da Igreja é como a arca de Noé, em outras palavras, limitada apenas a pregar o Evangelho para a salvação das almas.

Esta teologia faz dos pregadores agoureiros do fim, sob o pressuposto de que quanto pior melhor, por significar que Jesus está voltando. Este ponto de vista ensina que o Reino de Deus será inaugurado no futuro, de forma radical e abrupta, por ocasião da Segunda Vinda de Jesus. Comodismo e escapismo são conseqüências inevitáveis.

Mas, tal perspectiva não encontra respaldo nos ensinos de Jesus e seus apóstolos. Jesus contou uma série de parábolas referentes ao Reino de Deus (Mateus 13). Em todas elas, observasse uma clara alusão ao contexto atual. Nenhuma delas se encaixa bem numa perspectiva futurista do Reino. Vejamos, por exemplo, o que Jesus diz a respeito da natureza do Reino de Deus na Parábola do Grão de Mostarda.

Vemos aqui, que Jesus está ensinando que a manifestação e o estabelecimento do Reino de Deus é um processo lento e gradual, com um início pequeno e modesto. Não sendo em nada parecido com uma abrupta erupção vulcânica, pois o Reino se assemelha a uma semente de mostarda em seu processo gradual de crescimento. Algo como aquele pequeno grupo de discípulos no início da Igreja! Não despreze o poder desse “pequeno grão de mostarda!”, porque ele está destinado a crescer e a influenciar como sal da terra e luz do mundo! A presença da Igreja na Terra visa promover luz, esperança, justiça e vida. “Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mateus 5,13-16).

O Reino de Deus já foi inaugurado neste mundo e está em processo de expansão. Jesus disse: “mas se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, então o reino de Deus é chegado a vós” (Mateus 12.28). Como cristãos, temos de convir que Jesus estava expulsando demônios pelo Espírito de Deus, que, de acordo com as palavras de Jesus, é um sinal de que o Reino de Deus chegou até nós. Observe que Jesus estava falando sobre o Reino de Deus em termos da presente era: aqui e agora! No versículo 29, Jesus continua este raciocínio com uma pergunta: “como pode alguém entrar na casa de um homem valente, e furtar os seus bens, se primeiro não amarrar o valente? E então roubará a sua casa”. O que Jesus está dizendo aqui não lança luz sobre o controverso texto de Apocalipse 20 que fala sobre a prisão de Satanás? Também no que diz respeito à interpretação do Apocalipse 20, temos Efésios 1.20-23 e 2.6, que diz: “… Esse poder ele exerceu em Cristo, ressuscitando-o dos mortos e fazendo-o assentar-se à sua direita, nas regiões celestiais, muito acima de todo governo e autoridade, poder e domínio, e de todo nome que se possa mencionar, não apenas nesta era, mas também na que há de vir. Deus colocou todas as coisas debaixo de seus pés e o designou como cabeça de todas as coisas para a igreja,que é o seu corpo, a plenitude daquele que enche todas as coisas, em toda e qualquer circunstância… Deus nos ressuscitou com Cristo e com ele nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus”.

Mateus 12.28-29: o forte amarrado

Voltemos agora para Mateus 12.28-29, note que Jesus estava expulsando demônios. Ele estava saqueando os bens da casa do homem valente. O que é possível porque Jesus, em primeiro lugar, havia tido o cuidado de amarrar o tal valente. Este é um nítido retrato de que o Reino de Deus foi inaugurado por ocasião da Primeira Vinda de Cristo. Jesus disse: “Chegou a hora de ser julgado este mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo” (João 12.31).

Satanás está amarrado no sentido de não poder mais continuar enganando as nações como fazia até o nascimento do Cristo (Ap 20). “A luz brilha nas trevas, e as trevas não a derrotaram” (Jo 1.5). Ser amarrado, não significa que Satanás não continua a exercer certo poder e influência neste mundo. Mas significa que ele foi ferido mortalmente pelo nascimento, vida, morte e ressurreição do legítimo Rei deste mundo, o Senhor Jesus, que se manifestou neste mundo para destruir as obras do diabo (1 Jo 3.8), de modo que as portas do inferno não tem poder para impedir o sucesso da missão da Igreja de resgatar vidas, fazendo discípulos de todas as nações, promovendo a justiça e o bem como sal da terra e luz do mundo.

Batalha decisiva e batalha final

Há diferença entre batalha decisiva e batalha final como se viu na história do desfecho da Segunda Guerra Mundial, cuja batalha decisiva tornou-se conhecida como o “Dia D”. Depois daquele dia, embora os exércitos inimigos continuassem a insistir na luta, nada mais poderiam fazer para evitar a derrota final, por terem sido feridos mortalmente.

Para o Apóstolo Paulo, a Batalha Decisiva de Cristo contra Satanás e todas as forças do mal foi travada na Cruz: “e, tendo despojado os poderes e as autoridades, fez deles um espetáculo público, triunfando sobre eles na cruz” (Co 2.15). Esta foi a batalha mais importante de todas, pois é ela que garante o sucesso da Batalha Final do Armagedom que acontecerá por ocasião da Segunda Vinda de Cristo, quando o Homem da Iniquidade será destruído com um sopro apenas da boca do Rei Jesus (2 Ts 2) e quando todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus é Senhor! A Primeira Vinda trouxe a presença do Reino e a Segunda Vinda trará a plenitude dele.

Satanás está preso no sentido de que ele não tem poder e nem liberdade de ação a ponto de bloquear o progresso da missão da igreja. Jesus disse: “Sobre esta pedra edificarei a minha igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18). Satanás continua fazendo grande oposição ao reino de Jesus, mas seu poder está agora restrito ao ponto de que as portas do inferno não prevalecerão contra a missão da Igreja. Além disso, Jesus disse que o Evangelho do reino, necessariamente, teria de ser pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações antes do fim (Mateus 24.14). E o Livro de Apocalipse revela que nos céus haverá uma multidão incontável de salvos provenientes de todos os povos, línguas e nações (Ap 6 e 7). Isso significa que a igreja será bem sucedida em sua Grande Missão.

E em outro texto, os discípulos compartilhavam com Jesus da alegria de terem sido capazes de subjugar os demônios. “E Jesus disse-lhes: Eu via Satanás, como raio, cair do céu. Eis que vos dou poder para pisar serpentes e escorpiões, e sobre todo o poder do inimigo, e nada vos fará dano algum (Lc 10.18,19).

Mas alguém pode alegar que não consegue enxergar que Satanás esteja de fato amarrado e nem que Jesus esteja reinando. O autor de Hebreus trata desta questão em Hebreus 2.7,8, onde, por um lado, ele reconhece que todas as coisas já estão debaixo dos pés de Jesus, mas, em segundo lugar, ele confessa que ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas. Esta aparente contradição tem a ver com o que foi dito acima sobre a tensão natural que existe entre a batalha decisiva e a batalha final, entre o já e o ainda não.

Cristo já triunfou na cruz (Colossenses 2.15), mas a batalha final ainda está por vir, quando a morte, o último inimigo, será colocada sob os pés do Senhor (1 Coríntios 15. 25-26). Até lá, temos de lutar o bom combate (2 Timóteo 4.7).

Paulo, em 1 Coríntios 15. 25-26 e 54-55, partilha do mesmo ponto de vista de Jesus sobre a manifestação paulatina do Reino de Deus durante o período que vai da Primeira até a Segunda Vinda de Cristo. Neste texto, não há como evitar a conclusão de que este período em que Jesus “deve reinar até que tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés” seja entendida em termos da presente época, antes da Segunda Vinda de Jesus, porque é apenas na Sua Segunda Vinda que a morte, o último inimigo, será destruída. Observe que a Segunda Vinda de Jesus marca o ápice e não o início do Reino de Jesus neste mundo.

Já transladados para o Reino de Cristo

Paulo diz que os crentes já foram transladados para o Reino de Cristo: “Porque ele nos resgatou do domínio das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” (Cl 1.13). E, não devemos esquecer também de que a declaração mais primitiva e fundamental da fé cristã é “Jesus é o Senhor”. É Senhor já no presente e não o será apenas no futuro. Isto tem muitas implicações, tanto sociais como também políticas. Assim, muitos cristãos morreram por causa desta “mera” confissão. Pois significa mais do que dizer que Jesus é o Senhor da minha vida, significando também que Ele é o Senhor de todo o mundo. É por isso que ele é chamado de o Rei dos reis!

O que buscamos quando fazemos a oração que Jesus nos ensinou: “Venha o teu reino. Sua vontade seja feita na terra como no céu”? Algo para o aqui e agora nesta época ou algo apenas para o futuro, para depois da Segunda Vinda de Cristo? O que significa buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e a Sua Justiça (Mt 6.33)? O que um cristão deve fazer com a fome e sede de justiça que devem caracterizar um filho de Deus (Mt 5.6)? As bem-aventuranças são para agora ou apenas para uma era futura?

O otimismo de Wesley quanto à graça

John Wesley era otimista quanto à suficiência do poder da graça de Jesus não só para nos perdoar os nossos pecados, mas também para nos purificar de toda injustiça e para transformar as pessoas em novas criaturas, capacitando-as a serem imitadoras de Deus como filhos amados.

Mas Wesley não parou por aí, ele também acreditava na competência desta graça de transformar o mundo. Wesley disse: “Dá-me cem homens que nada odeiem senão o pecado, que nada temam senão Deus e que nada busquem senão almas perdidas, e eu transformarei o mundo em chamas”. E o Dr. Howard Snyder em “O Wesley Radical”, declara que” Wesley viu tamanho poder na graça de Deus, que não se pode estabelecer limites ao que o Espírito de Deus pode realizar através da Igreja na era presente. Mas essa ênfase deve ser combinada com as advertência de julgamento e castigo eterno. A confiança precisa ser otimista e também realista. O trigo cresce, mas o joio também. A ciência se desenvolve, mas a iniqüidade também. As portas do inferno não prevalecem contra o avançar da Igreja, mas não quer dizer que estejam inoperantes.

Falando sobre o realismo do ponto de vista pós-milenista de Wesley, vamos olhar mais uma vez o texto da parábola do grão de mostarda. Quando a semente se torna uma árvore, as aves vêm e se aninham nos seus ramos. Note que a parábola do Semeador no mesmo capítulo fala sobre as aves vindas de comer a semente. Os pássaros não parecem representar algo bom, pelo menos neste contexto. As aves, nestas duas parábolas do reino, não pertencem à semente ou à árvore. As aves são motivadas por interesses mesquinhos. Eles querem destruir a semente quando ela é pequena e querem associar-se a ela quando ela transforma-se em uma árvore frondosa para poder tirar partido de sua sombra e frutos. A história da igreja mostra exatamente isso, pois ela foi terrivelmente perseguida no começo quando era apenas um pequeno grupo, mas, quando se tornou grande, os “pássaros” buscaram associar-se a ela. Quanto joio há no meio do trigo.

Jesus continua o seu ensinamento sobre a natureza de seu reino nesta época dizendo que o reino de Deus cresce como uma boa semente, mas o inimigo planta ervas daninhas. Isso aponta para a existência de um conflito entre as forças do bem e do mal, em que o inimigo está tentando obstruir a expansão do Reino de Deus. Esta guerra vai continuar a existir até a última batalha, quando o último inimigo será colocado sob os pés de Jesus (1Co 15.25).

Wesley diante das profecias de angústia e apostasia

Wesley não ignorou as profecias que falam sobre a grande angústia, a apostasia de muitos cristãos e que descrevem também aumento da maldade nos finais dos templos, mas viu essas profecias combinados no mesmo contexto em que Jesus também diz que a igreja será bem sucedida no cumprimento de sua missão, pois “este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim” (Mateus 24.14). Mas o realismo de Wesley não diminuiu sua motivação nem o seu otimismo que tanto o moveu a ação em favor do Reino de Deus. Ele nunca perdeu seu idealismo com base em sua confiança no poder de Deus para a santificação e transformação pessoal e social. Sua escatologia não permitiu que ele ficasse parado em uma posição de mera contemplação. “Por que vocês estão olhando para o céu?” Perguntou aos anjos aos discípulos em Atos 1.10. A escatologia de Wesley não era especulativa e não se prestava para satisfazer a curiosidade. Wesley não apenas olhava para a frente para contemplar o dia do Senhor, mas ele também trabalhou muito para acelerar a chegada deste grande dia, seguindo a recomendação do Apóstolo Pedro em sua segunda carta que nos exorta a aguardar e a apressar a Segunda Vinda de Cristo (2 Pedro 3). Wesley sabia que a segunda vinda de Jesus estava ligada ao cumprimento da missão da igreja. “O Senhor não retarda a sua promessa, como alguns a julgam demorada. Ele é paciente com você, não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento ” (2 Pe 3).

Wesley viu que o Novo Testamento combina o evangelismo e as dimensões profética do Evangelho em um mesmo pacote. Não houve separação entre salvação pessoal e engajamento social. Wesley concordava com Paulo em que a fé que salva é a fé que se manifesta através do amor (Gálatas 5.6).

Nós somos enviados em missão a este mundo como o Pai que enviou Jesus (João 20.21). “O Filho de Deus se manifestou para destruir as obras do diabo” (1 João 3.8). E nós sabemos “como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder: que andou fazendo o bem e curando todos os oprimidos do diabo, porque Deus estava com ele” (Atos 10.38). Jesus não estava apenas preocupado com as almas, mas ele também mostrou preocupação significativa com a pessoa como um todo. Seu ministério de compaixão não foi usado como uma isca para pescar almas, pois uma boa parte daqueles que foram curados por Jesus acabou por não segui-lo. Alguns deles nem sequer voltaram a ele para agradecer. Isso mostra que o ministério de compaixão tem valor em si mesmo, porque ele pertence à natureza real do Reino de Deus que é amor! E é da natureza deste amor fazer o bem! Jesus não pode negar a si mesmo. Tão pouco nós que somos seus seguidores.

Wesley era um homem de convicção. Para ele, a teologia e a prática eram realmente um! Como o Dr. McKenna disse em seu livro “Que tempo para ser um Wesleyano!: “Como conseqüência lógica da doutrina arminiana da expiação ilimitada, Wesley pregou os direitos naturais e sociais de todos os homens”. Assim, Wesley se atreveu a acreditar que o mundo poderia ser melhorado pela graça de Deus. Imagine quanta fé e coragem foram necessário para Wesley decidir trabalhar para acabar com um mal milenar tão terrível como era a escravidão. Utopia? A última carta que John Wesley escreveu foi para William Wilberforce, um discípulo de Wesley que era um membro do Parlamento inglês. A carta manifestava a sua oposição à escravidão e incentivava Wilberforce perseverar firme em sua luta contra a escavidão. O Parlamento finalmente proibiu a participação da Inglaterra no comércio de escravos em 1807. O status quo não tem a última palavra! As trevas não podem contra a luz de Cristo (Jo 1.5) Há esperança para o mundo, pois Jesus amou o mundo de tal maneira (Jo 3.16)!

Quem sabe o que poderia ter acontecido se a Igreja Metodista não tivesse entrado declínio espiritual algumas décadas após a morte de Wesley? Talvez, o contexto tivesse sido outro a ponto de desencorajar Karl Marx a dizer: “A religião é o ópio do povo”. Quem pode dizer quantas guerras, quanto o racismo e quantas injustiças sociais poderiam ter sido evitadas se a igreja sempre fosse fiel às exigências do Evangelho?

Materialismo, generosidade e reavivamento

Estamos vivendo em um mundo materialista. Satanás é o Senhor do materialismo. Paulo disse: “Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todo mal” (1 Timóteo 6.10). Somos constantemente bombardeados pela mídia que nos incita a nos conformarmos com um modo de vida onde os homens trabalham para ganhar, ganham para comprar, e compram para provar seu valor. Preocupações sobre a ascensão social, com o consumo, com o bem estar existencial têm restringido um profundo compromisso das pessoas com a vontade de Deus. A Bíblia diz: “Não ameis o mundo” (1 Jo 2.15). E “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente”(Romanos 12.2). “Não ajunteis para vós tesouros na terra… Ninguém pode servir a dois senhores” (Mateus 6.19,24). A teologia da prosperidade é apenas uma manifestação extrema desse grande problema da falta de visão do Reino de Deus entre os evangélicos. Parece que perdemos a mentalidade peregrina.

E a resposta para esse problema está em um verdadeiro reavivamento que encha os nossos corações com amor e nos mova a um estilo de vida simples a fim de dar mais e mais para os pobres e para a missão da igreja. Um avivamento que nos faça buscar o seu reino e a justiça de Deus em primeiro lugar. Como uma pequena semente, este reavivamento pode começar com uma pessoa ou com um pequeno grupo de discípulos dispostos a obedecer a todos os mandamentos do Senhor.

Para Wesley a generosidade é a prova final da vida cheia do Espírito. Pois a graça recebida deve se transformar espontaneamente em graça repartida, se não, corre o risco de ser cancelada pelo Rei (Mateus 18.25-34). Contra a corrupção social muito grande da Inglaterra, Wesley viveu o fruto do Espírito. Embora tenha se tornado um dos homens mais ricos da Inglaterra, viveu anualmente com apenas 28 Libras até sua morte, entregando o restante para os pobres.

A terrível pobreza que campeia este mundo coloca uma interrogação sobre o estilo de vida de muitos cristãos. Temos que seguir o exemplo de Jesus, dos apóstolos, de Wesley e Asbury, entre outros. O estilo de vida simples e a prática da caridade como bons despenseiros da multiforme graça de Deus é o que pode impactar o mundo. Note que o sinal da salvação de Zaqueu foi que ele, espontaneamente, decidiu partilhar o seu dinheiro (Lc 19). Em contrapartida, a ambição pelo dinheiro foi o sinal da condenação do Jovem Rico (Mc 10). O sinal mais contundente de Pentecostes foi que a multidão dos discípulos mostrava amor e cuidado uns para com os outro. “Eles tinham tudo em comum. Vendiam suas propriedades e bens e os repartiam por todos, de modo que não haviam necessitados entre eles ” (At 2). Seria o Evangelho, boa notícia para os pobres apenas em termos da promessa de vida eterna no céu? Não estavam os pobres da igreja primitiva experimentando também os primeiros frutos da justiça do Reino? Lembre-se que o ano do Jubileu era uma boa notícia para os pobres (Lv 25); Somente o Senhor Jesus, através do Seu Espírito derramado sobre a Igreja, foi capaz de cumprir o ano do Jubileu (At 2). Mas, seria isto impossível hoje em dia? “O que é impossível para o homem, é possível para Deus!” (Mc 10.27).

Portanto, precisamos de um reavivamento! Reavivamento é a redescoberta de valores e princípios originais. Temos de olhar para trás para ver se existem alguns valores que foram esquecidos.

Além de tudo o que foi dito aqui, eu gostaria de chamar a atenção para a importância de pequenos grupos no desenvolvimento do caráter cristão de santificação e de outros valores do reino de Deus, que devem ser cultivados na comunidade de convertidos que desejam seguir os passos de Cristo. O homem é um ser social. Um influencia o outro, principalmente pelo exemplo. O poder da cultura costumava ser maior do que o poder de nossas convicções pessoais. Se queremos mudar as pessoas e a sociedade, temos de desenvolver pequenos grupos, onde se possa provar a bondade da palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro. Mas, de um modo em geral, o Metodismo foi perdendo essa visão que era tão vital para Wesley. Nós negligenciamos nosso precioso legado. Hoje, para nossa vergonha, outras igrejas cristãs estão redescobrindo a importância dos pequenos grupos. Pequenos grupos nos ajudam a lembrar que o reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda! O poder do progresso e do impacto destes microcosmos é impressionante! Esta é a estratégia do Reino!

Um reavivamento produz crescimento. A informalidade e o dinamismo espiritual do movimento Wesleyano levou a igreja Metodista a crescer de 15.000 membros em 1780 para 1.360.000 membros em 1850, tornando-se a maior denominação em solo americano, seguidos pelos batistas, com 800.000, e pelos presbiterianos, 460.000, e anglicanos, com 200.000.

Precisamos voltar às nossas raízes, nós precisamos de um reavivamento ao estilo Wesleyano para experimentar o que eles experimentaram e produzir frutos semelhantes aos que produziram. Mas avivamentos não são mais que costumavam ser. Eles foram transformados em campanhas evangelísticas e em cultos carregados de puro emocionalismo, onde reina o egocentrismo, o individualismo e o estrelismo. Avivamentos fracos em conteúdo bíblico, capengas em termos de profundidade profética, escondendo o preço do discipulado, numa tentativa de agradar o cliente. Dizem o que as pessoas querem ouvir e não aquilo que elas precisam escutar. Pouco ou nada falam sobre a gravidade do pecado e a necessidade de arrependimento e de santificação. Avivamentos inócuos no sentido de conduzir o indivíduo a negar a si mesmo a fim de colocar-se inteiramente sob o senhorio de Jesus Cristo. Convidam as pessoas a mera decisão de “aceitar a Cristo”. E, para entornar o caldo, propõem isto como um meio de se obter uma vida boa e próspera, apelando para a sedução das riquezas, da fama e do poder. Ignoram a mensagem da cruz. Para estes a cruz é algo que pertence exclusivamente a Cristo e não tem nada a ver com o cristão. O Deus destes é o Deus da “graça barata”, o Deus que sempre dá, sem jamais requerer nada. Um Deus criado a imagem e semelhança daqueles que são incapazes de negarem-se a si mesmos. Estão enfatizando a fé em detrimento do amor. Estão querendo fazer de Deus uma espécie de gênio da lâmpada de Aladim, um meio para obtenção de suas ambições egoístas. Estão pregando um outro evangelho que mantém os homens escravizados ao deus deste século e conformados com os valores deste mundo.

Precisamos de um avivamento do tipo wesleyano, que nos leve a uma missão integral e que nos impulsione a viver e pregar os ensinamentos de nosso Senhor. Um reavivamento que nos impeça de nos preocuparmos apenas com a salvação das almas e de ignorarmos as necessidades físicas das pessoas. Precisamos de um avivamento que não só promova a reconciliação entre o homem e Deus, mas também entre o homem e o seu próximo. Um reavivamento que promova o arrependimento, não o alívio emocional e psicológico de uma consciência culpada, mas a aceitação da cruz como uma verdadeira morte para este mundo com o propósito de viver para Deus. Se Jesus é o Senhor, então as pessoas devem ser confrontadas com a sua autoridade sobre a totalidade da vida.

Quando eu leio sobre o que Deus fez nos tempos de Wesley, sou tomado por uma sensação de fracasso. Não por ignorar os frutos ministeriais até o presente, mas por perceber que o Senhor poder e quer realizar muito mais que isto. Mas “eu ainda tenho um sonho!” Porque nós temos esse maravilhoso legado, me atrevo a sonhar em tomar parte em um grande avivamento, o maior em toda a história da igreja, o derradeiro antes do Grande Dia do Senhor. Um avivamento à moda antiga que venha impactar este mundo com o poder do santo Evangelho de Jesus!

A experiência de Wesley nos ensina que avivamento é precedido de um sentimento de frustração, fracasso e tristeza, daquele tipo, segundo Deus, que nos leva ao arrependimento. Wesley teve tristeza por causa do seu estado espiritual, por causa também da situação de carnalidade da igreja anglicana, por causa do estado de degradação moral e de injustiça de seu país e do mundo. Aqui no Brasil temos vitórias para celebrar, o que pode nos atrapalhar na busca de um genuíno avivamento. Uma bênção pode ser tornar em maldição quando nos leva a acomodação. Avivamento não se fabrica, não é produto de marketing e nem de planejamento estratégico. “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar e orar, buscar a minha face e se afastar dos seus maus caminhos, dos céus o ouvirei, perdoarei o seu pecado e curarei a sua terra” (2 Cr 7.14)

A solução passa pela pregação de todo o conselho de Deus de maneira convicta, acompanhada da encarnação e vivência da mensagem que se prega. Tal pregação acompanhada de exemplo pode levar os homens a sentirem aquela tristeza segundo Deus que os leva ao genuíno arrependimento. Serve como uma voz profética em meio ao deserto que prepara o caminho do Senhor.

Que tal se Wesley estivesse vivo nos dias de hoje! Talvez alguém sugira a possibilidade de fazermos um clone dele. Mas não seria uma boa idéia fazer um clone de Wesley. Além das implicações éticas da clonagem, sabemos que o segredo da vida de Wesley não estava em seus genes e nem mesmo em sua excelente educação familiar e formação acadêmica. Precisamos lembrar que, com tudo isto, Wesley falhou em sua primeira missão para a América. O segredo de seu fecundo ministério foi a experiência espiritual que mudou a sua vida e o mundo ao seu redor. O Deus que se moveu notavelmente no passado ainda está no seu trono. “Senhor, ouvi falar da tua fama; temo diante dos teus atos, Senhor. Realiza de novo, em nossa época, as mesmas obras, faze-as conhecidas em nosso tempo…” (Habacuque 3.2). Ó Senhor, reaviva a tua obra em nossos dias! “Realiza de novo, Senhor!” Bispo José Ildo Swartele de Mello www.metodistalivre.org.br www.escatologiacrista.blogspot.com

A expressão “servos do nosso Deus” indica que os 144.000 sejam parte do povo de Israel?+

A tese dispensacionalista e o problema da expressão

Dispensacionalistas afirmam que os 144.000 mencionados em Apocalipse 7 são uma referência a Israel por estarem também sendo chamados de “servos do nosso Deus”, n o entanto, observamos que Paulo e Tiago, como Apóstolos da Igreja, se autodenominam “servos(s) de Deus”:

“Servo de Deus” e “servo do Senhor” no Novo Testamento

“Paulo, servo de Deus e apóstolo de Jesus Cristo para levar os eleitos de Deus à fé e ao conhecimento da verdade que conduz à piedade (Tt 1.1 cf. Rm 1.1 e Gl 1.10)

“Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo” (Tg 1.1)

E vemos também que a expressão sinônima “servo do Senhor” é utilizada no Novo Testamento para designar os líderes cristãos:

“Tíquico, o irmão amado e fiel servo do Senhor, lhes informará tudo, para que vocês também saibam qual é a minha situação e o que estou fazendo” (Ef 6,21)

“Ao servo do Senhor não convém brigar mas, sim, ser amável para com todos, apto para ensinar, paciente” (2Tm 2.24).

Jesus é chamado de Senhor o que implica que seus seguidores são seus servos. São abundantes os textos a este respeito:

“Quem é você para julgar o servo alheio? É para o seu senhor que ele está em pé ou cai. E ficará em pé, pois o Senhor é capaz de o sustentar” (Rm 14.4).

“Então perguntei: Quem és tu, Senhor? “Respondeu o Senhor: ‘Sou Jesus, a quem você está perseguindo. Agora, levante- se, fique em pé. Eu lhe apareci para constituí-lo servo e testemunha do que você viu a meu respeito e do que lhe mostrarei” (At 26.15-16).

“Quem me serve precisa seguir-me; e, onde estou, o meu servo também estará. Aquele que me serve, meu Pai o honrará” (Jo 12.26).

“ ‘Muito bem, meu bom servo! ’, respondeu o seu senhor. ‘Por ter sido confiável no pouco, governe sobre dez cidades.’” ( Lc 19.17).

“Será que ele agradecerá ao servo por ter feito o que lhe foi ordenado? Assim também vocês, quando tiverem feito tudo o que lhes for ordenado, devem dizer: ‘Somos servos inúteis; apenas cumprimos o nosso dever’” (Lc 17.9-10).

“Nenhum servo pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará outro, ou se dedicará a um e desprezará outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro” (Lc 16.13).

“Aquele servo que conhece a vontade de seu senhor e não prepara o que ele deseja, nem o realiza, receberá muitos açoites” (Lc 12.45).

“Feliz o servo a quem o seu senhor encontrar fazendo assim quando voltar” (Lc 12.43)

“Assentando- se, Jesus chamou os Doze e disse: “Se alguém quiser ser o primeiro, será o último, e servo de todos” (Mc 9.35).

“O discípulo não está acima do seu mestre, nem o servo acima do seu senhor. Basta ao discípulo ser como o seu mestre, e ao servo, como o seu senhor…” (Mt 10.23).

Judas se autodenomina “servo de Jesus Cristo” no mesmo versículo em que chama a Deus de Pai:

“Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago, aos que foram chamados, amados por Deus Pai e guardados por Jesus Cristo (Jd 1.1)

Pedro igualmente:

“Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo” (2Pe 1.1)

Paulo chama Epafras de servo de Cristo:

“Epafras, que é um de vocês e servo de Cristo Jesus, envia saudações” (Co 4.12)

A mesma expressão dentro do Apocalipse

Mesmo no Livro do Apocalipse os membros da Igreja ou os salvos em Cristo que desfrutaram a eternidade na Nova Jerusalém são chamados de servos:

“Já não haverá maldição nenhuma. O trono de Deus e do Cordeiro estará na cidade, e os seus servos o servirão. Eles verão a sua face, e o seu nome estará em suas testas. Não haverá mais noite. Eles não precisarão de luz de candeia, nem da luz do sol, pois o Senhor Deus os iluminará; e eles reinarão para todo o sempre (Ap 22.3-5)

“Então caí aos seus pés para adorá-lo, mas ele me disse: “Não faça isso! Sou servo como você e como os seus irmãos que se mantêm fiéis ao testemunho de Jesus…” (Ap 19.10).

“Mas ele me disse: “Não faça isso! Sou servo como você e seus irmãos, os profetas, e como os que guardam as palavras deste livro. Adore a Deus!” (Ap 22.9)

Repare que é claramente dito que o Senhor enviou o seu anjo para mostrar aos seus servos as coisas que em breve hão de acontecer, e sabemos que a revelação do Apocalipse foi dada as Sete Igrejas:

“O anjo me disse: “Estas palavras são dignas de confiança e verdadeiras. O Senhor, o Deus dos espíritos dos profetas, enviou o seu anjo para mostrar aos seus servos as coisas que em breve hão de acontecer” (Ap 22.3).

Os mártires cristãos, vencedores da Besta, cantaram o cântico de Moisés e o do Cordeiro. Pois a igreja congrega em si mesma ambos os povos, judeus e gentios (Ef 2), de modo que os cânticos de vitória das duas Páscoas estão  em sintonia sendo entoados pelo povo de Deus que é a Igreja em louvor ao único e verdadeiro Messias que é Rei das Nações:

“e cantavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro” (Ap 15.3).

O que se conclui do uso da expressão

Portanto, não há motivo para concluirmos que o uso da expressão “servos de Deus” seja um indicativo do povo de Israel, pois os da Igreja são assim também nomeados. A Igreja é a manifestação do remanescente de Israel. Notar que o primeiro gentio a se converter foi Cornélio. O que vale dizer que a Igreja era composta originariamente de crentes judeus, pelos remanescentes de Israel (Rm 2.28,29; 3.3,4; 9.6-8,27,29; 11.15), os gentios foram acrescentados nesta mesma Oliveira. Neste sentido, há muito mais continuidade do que descontinuidade (Ef 2.18-20; 3.6; Gl 3.6-29). Não houve mudança no plano de Deus (Ef 1.3-4), mas revelação progressiva (Gl 6.16; 3.13,14). O Verdadeiro Israel é aquele que possui o Messias. Cristo é a Videira verdadeira (Jo 15.1), a videira é símbolo notório de Israel. O verdadeiro herdeiro de Abraão é o que tem fé no Messias prometido (Gl 3.1s). E não é sem propósito que o número de apóstolos da Igreja é idêntico ao número de tribos de Israel. A Igreja é agora “o Israel de Deus” (Gl 6.16), composta por judeus (o remanescente de Israel, os judeus que aceitam o Cristo) e por gentios crentes (Ef 2).

O texto de Apocalipse foi escrito para as Sete Igrejas da Ásia e não para Israel. Além disto, trata-se de uma literatura apocalíptica, repleta de figuras de linguagem, que não podem e nem devem ser interpretadas de forma literal para não incorrermos em erros grosseiros como os dos Testemunhas de Jeová, entre tantos outros.

Se formos interpretar literalmente, teríamos de concluir que apenas 144.000 homens, virgens e de Israel estariam ali presentes.

A Igreja é o Israel de Deus

A Igreja é denominada de o Israel de Deus, o que determina isto não é a circuncisão, mas o novo nascimento!

“De nada vale ser circuncidado ou não. O que importa é ser uma nova criação. 16 Paz e misericórdia estejam sobre todos os que andam conforme essa regra, e também sobre o Israel de Deus” (Gl 6.16).

E Tiago, como Apóstolo de Cristo, inicia sua Epístola endereçada para a Igreja, referindo-se as 12 tribos de Israel como uma figura de linguagem para toda a Igreja de Cristo:

“Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos dispersas entre as nações: Saudações”.

“Significando que, mediante o evangelho, os gentios são co- herdeiros com Israel, membros do mesmo corpo, e co- participantes da promessa em Cristo Jesus” (Ef 3.6).

O verdadeiro Israel é a Igreja que é herdeira da promessa feita a Abraão:

“Não pensemos que a palavra de Deus falhou. Pois nem todos os descendentes de Israel são Israel. Nem por serem descendentes de Abraão passaram todos a ser filhos de Abraão. Ao contrário: “Por meio de Isaque a sua descendência será considerada”. Noutras palavras, não são os filhos naturais que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa é que são considerados descendência de Abraão.” (Rm 9.6-8).

Os da fé é que são verdadeiros filhos de Abraão:

“Estejam certos, portanto, de que os que são da fé, estes é que são filhos de Abraão” (Gl 4.7)

Além disto, à luz do Novo Testamento, a parede de separação entre judeus e gentios foi derrubada (Ef 2) e não poderia estar aqui em Apocalipse de novo reconstruída com uma visão celestial que separasse Israel da Igreja. Deus não possui dois povos, mas um só, e dele fazem parte judeus e gentios unidos e lavados pelo sangue de Jesus. O que está em vista em Apocalipse é a Igreja da qual Jesus é o Cabeça.

Apocalipse 7: a mesma igreja vista de dois ângulos

Em Apocalipse 7, temos a igreja sendo descrita de duas formas distintas, uma como um grupo definido, sem tirar nem por, e outro como uma multidão inumerável. Certamente os selados não são apenas os 144.000, mas também a Grande Multidão. Ambos são a mesma e santa Igreja do Senhor Jesus.

As Duas Testemunhas do Apocalipse+

A pergunta e as respostas correntes

Quem são ou o que representam as Duas Testemunhas de Apocalipse 11? Muitos dizem que são Enoque e Elias, visto que são os dois únicos personagens do Antigo Testamento que não experimentaram a morte. Mas você deve observar que não há nada no texto que sugira Enoque. Enoque não era profeta e o autor de Hebreus (11:5) diz que ele foi transladado para não ver a morte como um prêmio por ter andado fielmente com Deus, ou seja, a razão que disto nada tem a ver com ter de retornar a terra como testemunha para ser morto futuramente. E os prodigios realizados pelas Duas Testemunhas apontam muito mais para Moisés e Elias que foram instrumentos de Deus para transformar água do rio em sangue e fazer o céu parar de chover. Mas, a respeito de Elias, devemos lembrar que Jesus afirmou que ele já veio na pessoa de João Batista, que foi brutalmente assassinado por Herodes: “Em verdade vos digo que, entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João o Batista; mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele. E, desde os dias de João o Batista até agora, se faz violência ao reino dos céus, e pela força se apoderam dele. Porque todos os profetas e a lei profetizaram até João. E, se quereis dar crédito, é este o Elias que havia de vir” (Mt 11.11-14). Se Jesus afirmou que o Elias que havia de vir já veio e morreu na pessoa de João Batista, então, não temos razão para esperar que volte outra vez.

Portanto, destas duas duplas, restaria apenas Moisés. Mas não há nada no Antigo Testamento, ou nos ensinos de Jesus e Seus Apóstolos sobre uma Segunda Vinda de Moisés. Pelo contrário, observamos que na Parábola do Rico e do Lázaro, o pedido da alma do rico pecador que sofre os tormentos do inferno e que solicita que Lázaro deixe o paraíso celestial para testemunhar a verdade sobre céu e inferno para seus parentes que ainda não morreram, é respondida da seguinte maneira pelo Pai Abrão, que ali representa a figura do Pai Celestial: “Disse-lhe Abraão: Têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. E disse ele: Não, pai Abraão; mas, se algum dentre os mortos fosse ter com eles, arrepender-se-iam. Porém, Abraão lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite” (Lc 16.28-31). Reparar que através desta parábola, Jesus não apenas diz que os que estão no céu não descerão a terra para testemunhar, como também diz que Moisés e os Profetas já estão testemunhando através das Escrituras Sagradas e daqueles que pregam a Palavra de Deus, fazendo jus ao legado de Moisés e Elias (v. 31).

Por que Apocalipse não pode ser lido literalmente

Para que possamos ser capazes de entender o significado das Duas Testemunhas mencionadas no capítulo onze de Apocalipse, é indispensável que, primeiramente, levemos em consideração as peculiaridades de uma literatura apocalíptica como esta, o propósito do livro e o contexto dos destinatários a quem o livro foi direta e primariamente endereçado.

O Livro de Apocalipse está repleto de simbolismo e figuras de linguagem, de modo que a pergunta certa a se fazer diante do texto não é “O que é isto?”, mas, sim, “O que significa isto?” Conhecemos muito bem o poder de uma figura de linguagem. É comum que uma pessoa se esqueça de um sermão, mas a ilustração e a imagem permanecem! Jesus, visando ser pedagógico, de uma maneira nova, criativa, dinâmica, dramática e viva, nos apresenta um livro repleto de figuras, fazendo revelações a respeito de si mesmo, da realidade espiritual, do Reino de Deus e dos propósitos soberanos de Deus em relação à história humana. Tais revelações não são novidades para aqueles que conhecem o restante do Novo Testamento, pois são muito mais uma confirmação de tudo aquilo que Jesus ensinou em seu ministério terreno. Portanto, o Apocalipse deve ser entendido à luz dos demais livros da Bíblia. Textos mais obscuros devem ser interpretados à luz de textos mais claros.

Uma interpretação literal de Apocalipse bem fantasiosa, algo como uma estória de desenho animado com monstros, tipo dragão e uma besta de sete cabeças e dez chifres que surge do mar (Ap 13), e com heróis humanos com super-poderes como o fogo que sai da boca das Duas Testemunhas para matar instantaneamente os seus adversários. Definitivamente, não podemos fazer uma interpretação literal e infantil do Apocalipse.

Tampouco podemos interpretar os números que aparecem no Apocalipse de modo literal. Todos os que fazem isto incorrem em graves equívocos. Exemplo do Russell, fundador das Testemunhas de Jeová que ensinou que somente 144.000 pessoas iriam para o céu. Apocalipse 11 fala de Duas Testemunhas. É muito interessante observar o significado do número dois através de suas ocorrências na Bíblia.

O simbolismo do número dois nas Escrituras

Vejamos algumas das mais significativas:

Deus criou dois seres humanos, macho e fêmea os criou. No Éden, Adão e Eva representavam toda a humanidade.

O par perfeito: marido e mulher Duas árvores no Jardim do Éden Dois Querubins protegem a entrada do Jardim do Éden.

Um casal de cada espécie na Arca, promovendo a preservação de toda espécie de animais.

Duas eras: a presente e a que há de vir Dois é um número ligado ao Testemunho da Palavra de Deus, pois:

Duas são as Tábuas da Lei Dois são os Testamentos, duas as Alianças e dois foram os Pactos.

A Lei e os Profetas, estes dois são usados como referência às Escrituras Sagradas que testemunham de Cristo (Jo 1.45).

Antigo e Novo Testamentos compondo a Palavra de Deus Duas ou três testemunhas (2Co 13.1), Duas vezes a palavra “verdade” para confirmar a autenticidade da Palavra de Jesus: “Em verdade, em verdade vos digo…”!

Os dois gumes da Espada da Verdade que é a Palavra de Deus (Hb 4.12).

Dois fundamentos sobre os quais foi edificada a Igreja: Profetas e Apóstolos (Ef 2)

Dois grupos de 12 anciãos totalizando os 24 anciãos do Apocalipse, que representam a totalidade do povo de Deus Dois espias que deram testemunho corajoso e fiel: Josué e Caleb Para que um testemunho fosse válido, era necessário pelo menos duas testemunhas!

“Melhor e serem dois do que um” (Ec 4.9-12).

Duas eras: a presente e a que a de vir Dois é o número de Jesus, pois:

Jesus é a segunda pessoa da Trindade Jesus é o Segundo Adão ou Segundo Homem (1Co 15.45-47)

Jesus possui duas naturezas: a humana e a divina.

Duas vindas de Cristo Dois estágios da missão de Jesus: morte e ressurreição; sofrimento e glória.

Dois pombinhos para Deus como oferta pelo pecado: um é para ser oferecido como oferta pelo pecado e o outro como oferta queimada (Lv 5.7).

Dois Bodes Expiatórios representando o sacrifício de Cristo Jesus enviou seus discípulos de dois em dois como Suas Testemunhas (Lc 10.1). Jesus disse que seus discípulos receberiam o poder do Espírito para serem Suas testemunhas (mártires no original grego).

Dois templos construídos para Deus e que foram destruídos e servem de figura de linguagem para o Corpo de Cristo que é a Sua Igreja que hoje é o Templo de Deus. Veja que a menção do templo em Apocalipse 11 é uma alusão a Zacarias 2, cujo significado profético aponta para a proteção de Deus para a Sua Igreja que é o seu verdadeiro templo hoje em dia!

Deus habita onde dois ou mais estão reunidos em seu nome!

Duas condições para a salvação: arrependimento e fé É necessário nascer da água e do Espírito Do corpo de Jesus foi jorrado água e sangue na cruz.

As Duas Oliveiras do livro de Zacarias, que eram Josué e Zorobabel (Zc 4)

As Duas Oliveiras de Apocalipse 11, que são as Duas Testemunhas e também os Dois Castiçais, que sabemos serem referências simbólicas da Igreja, pois o Apocalipse mesmo diz que os castiçais representam a Igreja no capítulo 1.

Dois Castiçais do Apocalipse 11 – A Igreja de Cristo que recebeu a missão de iluminar o mundo Duas testemunhas no Egito diante de Faraó: Moisés e Aarão. Reparar que as Duas Testemunhas de Apocalipse 11 são descritas num contexto em que o Egito e as pragas são também mencionados.

Dois anjos como testemunhas de Deus em Sodoma e Gomorra. Notar que o capítulo 11 de Apocalipse também faz menção a Sodoma e ao juízo de Deus contra os impenitentes.

Duas são as mortes: a física e a espiritual Duas são as ressurreições: a espiritual (Novo Nascimento) e a corpórea por ocasião da Segunda Vinda de Cristo.

Duas são as Bestas que se levantam contra Cristo e Sua Igreja. As Bestas matam as Duas Testemunhas no capítulo onze e como as Duas Testemunhas representam a Igreja, vemos a Besta perseguindo e matando os cristãos no capítulo 13, um sinal de que Apocalipse 11 e 13 são textos paralelos que falam da morte de todas as testemunhas de Cristo, que são descritas em Apocalipse 7.14 como uma grande multidão de cristãos de todos os povos que procedem do cruel período da Grande Tribulação onde foram mortos pela Besta. Paulo diz a nós cristãos no Livro de Romanos, capítulo 8, que nós somos entregues a morte todo o dia e fomos reputados como ovelhas para o matadouro, mas, em todas estas coisas somos mais do que vencedores por Aquele que nos amou! As Duas Testemunhas também foram mortas, mas não foram derrotadas! Aleluia!

Assim como o número dois, o fogo que sai da boca das Duas Testemunhas do Apocalipse para matar seus adversários deve também ser encarado como uma figura de linguagem, a mesma aliás que Deus usou certa vez para falar para a Sua Testemunha que foi o profeta Jeremias:”Portanto assim diz o SENHOR Deus dos Exércitos: Porquanto disseste tal palavra, eis que converterei as minhas palavras na tua boca em fogo, e a este povo em lenha, eles serão consumidos (Jr 5.14). Tal palavra de Deus a Jeremias jamais se cumpriu literalmente. Assim também não é literal o fogo que sairá da boca das Duas Testemunhas. O Apóstolo Paulo diz que nós, como Igreja, somos o bom perfume de Cristo, exalando um perfume que para uns significará vida e para outros a condenação da morte. A Igreja, como testemunha de Cristo, recebeu o tremendo poder para ligar e para desligar coisas aqui na terra que são ligadas e desligadas também no céu.

As características das Duas Testemunhas no capítulo 11

Se tudo o que foi dito até aqui não foi suficiente para você perceber que as Duas Testemunhas do Apocalipse são reais representações dos cristãos que receberam o poder do Espírito para testemunharem de Cristo, peço então que observe a seguinte exposição bíblica que espero possa ajudar você a compreender melhor esta importante passagem das Escrituras (Ap 11.1-14).

Bem, algumas características registradas no versículo 6, como cerrar os céus para que não chova e o ato de transformar a água em sangue nos remetem a Elias e a Moisés. Sabemos que Moisés representa a Lei e que Elias representa a linhagem dos Profetas. Jesus costumava referir-se ao Antigo Testamento chamado-o de “A Lei e os Profetas” ( Mt 7.12; 22:40 e Lc 16.16), teríamos aí uma possível alusão ao testemunho das Escrituras Sagradas.

Além disto, Jesus também referiu-se as Escrituras Sagradas, também denominada “a Lei e os Profetas”, como suas Testemunhas: “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim” (Jo 5.39).

É sugestivo também o fato da aparição de Moisés e Elias no episódio da transfiguração de Jesus (Mc 9.4). Sendo assim temos muitos indícios dentro da própria Bíblia e principalmente nas Palavras do próprio Jesus para concluir que as Duas Testemunhas de Apocalipse 11 sejam uma referência às Escrituras Sagradas do Antigo Testamento que testificam de Jesus e que se cumprem em Cristo. Não cometeríamos nenhuma heresia em incluir as Escrituras do Novo Testamento entre as Escrituras Sagradas, pois elas, de maneira ainda mais clara, testificam de Jesus. O Apóstolo Paulo disse que a Igreja está edificada sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, dois grupos de testemunhas de Cristo, duas representações de lideranças espirituais do Novo e do Antigo Testamentos que são o alicerce da igreja (Ef 2.20; 3:5) e, que neste espírito, estariam em foco na visão apocalíptica das Duas Testemunhas bem como, um pouco mais adiante, na menção feita em Apocalipse 18.20.

Conclusão: as Duas Testemunhas são a Igreja

Tendo compreendido que as Duas Testemunhas do Livro de Apocalipse são uma representação das Escrituras Sagradas, ou seja, a Lei e os Profetas, simbolizados ali por Moisés e Elias, devemos lembrar também que Jesus se dirigiu a toda a coletividade de seus discípulos incumbindo-os de serem suas testemunhas: “E recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo e ser-me-eis testemunhas!” (At. 1.8). Os cristãos são os pregadores da Palavra e os porta-vozes das Escrituras. Não apenas as Escrituras, mas também os discípulos testificam de Jesus Cristo! A Igreja é o Corpo vivo de Cristo aqui na terra, devendo testemunhar dele como a expressão corpórea de Seu Espírito Ressurrecto! A igreja recebeu o legado de Moisés, dos profetas e dos apóstolos. O canto de vitória da Igreja contra a Besta é denominado de o Cântico de Moisés, servo de Deus e do Cordeiro! Pois uma coisa tem a ver com a outra. Há continuidade e pleno cumprimento! Ou seja, o Exôdo e a Páscoa do Antigo Testamento se alinham perfeitamente a Páscoa Cristã, encontrando seu pleno significado em Cristo e Sua Igreja, a vitória de Moisés contra Faraó é uma bela ilustração da vitória de Cristo contra morte e da Igreja contra a Besta, de modo que o cântico de vitória é o mesmo! Deus tem um só povo! De ambos os povos, fez um! (Ef 2.14)

A Igreja tem como missão encarnar as Escrituras Sagradas e dar continuidade ao testemunho de Jesus na plenitude do Espírito Santo. Os discípulos de Cristo receberam a promessa do Pai que os capacita a serem testemunhas de Jesus (At 1.8).

O fato de serem duas as testemunhas é algo que tem a ver com a tradição da necessidade de haver pelo menos duas pessoas para que um testemunho fosse aceito como válido (Dt 19.15; Nm 35.30; Jo 8.17; 2Co 13.1; 1Tm 5.19; Hb 10.28; Is 8.2). Por esta razão, foi que Cristo enviou seus discípulos para darem testemunho dele de dois em dois (Mc 6.7; Lc 10.1)! Também foram duas as testemunhas da ressurreição no Caminho de Emaús (Lc 24.13).

As Duas Testemunhas são descritas como “as duas oliveiras” e “os dois candeeiros” (v. 4). Clara alusão a visão de Zacarias 4, que fala do candelabro de ouro e das duas oliveiras cujo significado é: “Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos” (4.6). As duas oliveiras eram “os dois ungidos” Zorobabel e Josué, líderes do povo de Deus que lançariam os fundamentos da casa de Deus e concluiriam a obra de construção pelo poder do Espírito de Deus contra toda a oposição do inimigo a semelhança das Duas Testemunhas do Apocalipse que pelo Espírito concluiriam seu ministério. O que nos faz lembrar das palavras proféticas de Jesus a Pedro como representante da Igreja: “sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18).

Sabedores que somos que o Livro de Apocalipse foi escrito para as Sete Igrejas que padeciam enorme tribulação sob a tirania de imperadores déspotas, nada mais natural do que ver a igreja em foco da primeira a última página do Apocalipse. A igreja é claramente descrita como candeeiro no início do livro de Apocalipse: “E voltei-me para ver quem falava comigo. E, ao voltar- me, vi sete candeeiros de ouro” (1.12)… “Eis o mistério das sete estrelas, que viste na minha destra, e dos sete candeeiros de ouro: as estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas” (1.20). Jesus é descrito como a Videira Verdadeira e seus seguidores como os ramos desta árvore (Jo 15.). E, em Romanos 11, Paulo fala de duas oliveiras, a boa e a brava, dando a entender que os crentes gentios, como ramos, foram cortados da oliveira brava para serem enxertados na boa oliveira, compondo o povo de Deus, juntamente com os ramos naturais que representam o remanescente fiel do povo judeu (Rm 11.4-24). Temos aí, então, uma que a Oliveira é uma ilustração da Igreja de Cristo assim como também os são os candeeiros!

O ministério das Duas Testemunhas dura três anos e meio, o que coincide com tempo do ministério de Cristo aqui na Terra. Assim como Cristo, as Duas Testemunhas têm o seu tempo determinado para o cumprimento cabal de sua missão. Do modo como aconteceu com Cristo, as Duas Testemunhas serão perseguidas e mortas, mas também de modo semelhante, elas ressuscitarão e subirão aos céus (v.11; Rm 8.11; 1 Ts 4.16,17; 1Co 15)!

O texto de Ap 11.7 diz: “Quando tiverem, então, concluído o testemunho que devem dar”, ou seja, estas Duas Testemunhas cumprem cabalmente a sua missão, concluindo o seu testemunho. Isto nos faz lembrar de que “Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra” (Mt 5.18), e, no mesmo livro, lemos: “Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18). E Jesus também profetizou sobre o cumprimento bem sucedido do testemunho do Evangelho do Reino a todas as nações ao dizer: “E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim.” (Mt 24.14). O fim somente virá após o cumprimento da Missão da Igreja. Apocalipse revela que a Igreja será fiel em seu testemunho de Cristo ao mundo inteiro, pois fala de uma multidão inumerável de salvos procedentes de todas as etnias da Terra (7.9)!

Assim como as Duas testemunhas são milagrosamente protegidas até o cumprimento cabal de seu testemunho, assim também vemos, por exemplo, o Apóstolo Paulo, que, por diversas vezes, no decorrer de seu ministério, foi miraculosamente livre da morte, até que ele cumprisse o seu ministério aqui na Terra. Observe que Paulo só é entregue à morte após o cumprimento de sua carreira de testemunha de Cristo! De modo que ele pode dizer: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé.” (2 Tm 4.7).

Assim também é com a Igreja que, durante toda a sua história, sofreu muitas perseguições e não foram poucas as tentativas de destruir com as Escrituras e de se acabar com o Cristianismo, que tem sobrevivido a tudo e a todos e tem chegado aos nossos dias como a maior de todas as religiões da face da terra.

Perceba na descrição de Apocalipse 11, que as Duas Testemunhas estão em território hostil, mas mesmo assim elas conseguem sobreviver o tempo suficiente para cumprirem a sua missão. Pois elas possuem uma proteção especial. Elas não são um joguete nas mãos dos homens malignos. Somente após terem cumprido sua missão é que elas são entregues à morte. Isto nos remete não só ao testemunho da Igreja como um todo, como também ao testemunho individual de cada crente.

A semelhança das Duas Testemunhas, os santos da Igreja são descritos como sendo entregues à morte todo o dia, sendo reputados como ovelhas para o matadouro (Rm 8.36). Assim como é dito que a Besta surge do abismo para pelejar, vencer e matar as Duas Testemunhas (11.7), assim também vemos acontecer com os santos da Igreja: “Vi emergir do mar uma besta” (13.1)… “Foi lhe dado também que pelejasse contra os santos e os vencesse” (13.7). Impressionante a semelhança entre os capítulos 11 e 13 de Apocalipse. Isto se dá por tratarem-se de textos paralelos que retratam a mesma cena de ângulos diferentes e de modo criativo para fortalecer a visão. É sabido que o Livro de Apocalipse não está em ordem cronológica do começo ao fim, mas, sim, em blocos paralelos que retratam a história da Igreja do seu começo a consumação dos séculos. O triunfo da Besta é aparente e temporário. Dura pouco a sua festa! Breve Cristo vem para vencer! “então se cumprirá a palavra que está escrito: Tragada foi a morte na vitória” (1Co 15.54).

Apesar de humildes, “vestidas de pano de saco” (v. 3), por serem desprezadas e perseguidas neste mundo, vemos que as Duas Testemunhas são mais do que vencedoras em Cristo Jesus (Ap 11.11-12 e Rm 8.37). Elas estão identificadas com Cristo não apenas no seu sofrimento e morte, mas também em sua ressurreição e glória (Rm 8.17)! A igreja primitiva que sofreu tamanha oposição e perseguição, contemplando a morte dos apóstolos e de boa parte dos seus irmãos em Cristo, podia, portanto, entender muito bem este texto, como também se identificar com estas Duas Testemunhas, encontrando neste texto um encorajamento muito grande da parte de Deus, que Reina Sobre Todos e que tem o Mundo inteiro e a história de toda a humanidade em Suas Mãos. Não é à toa que os testemunhos históricos afirmam que o Imperador Nero ficava perplexo com o fato dos cristãos morrerem na arena com um sorriso nos lábios. A última palavra não pertence a Besta. A morte não é o fim!

Assim como Moisés venceu a Faraó e como Elias venceu a Acabe e Jezabel, assim também as Duas Testemunhas vencerão a Besta, pois as portas do inferno jamais prevalecerão contra a Igreja de Cristo (Mt 16.18)! “Pois, se Deus é por nós, quem será contra nós” (Rm 8.31)! As Duas Testemunha possuem o poder do Espírito (At 1.8). Eles tem o poder da oração (Tg 5.17)! As Duas Testemunhas, como a Igreja, possuem as chaves dos céus! O que ligam na terra é também ligado no céu (Mt 16.19)! Não sejamos infantis ao ponto de interpretar literalmente o texto que diz que “sai fogo da sua boca para devorar os inimigos”. Isto não é desenho animado ou jogo de vídeo-game. Isto é uma clara ilustração do poder de fogo da mensagem do Evangelho! A Palavra de Deus é como uma espada afiada de dois gumes! Como o Apóstolo Paulo bem descreveu o poder do testemunho da Igreja, dizendo: “porque para Deus somos um aroma de Cristo, nos que se salvam e nos que se perdem. Para uns, na verdade, cheiro de morte para morte; mas para outros cheiro de vida para vida” (2Co 2.14-15).

Quantas vezes lemos textos como este e ficamos esperançosos com a possibilidade da vinda literal de Moisés e Elias, ou de Enoque e Elias, enquanto deveríamos estar atentando para o fato de que nós, porta vozes das Escrituras Sagradas, devemos hoje cumprir a missão das testemunhas de Cristo? Moisés, Elias, Enoque e os apóstolos de Jesus já fizeram a sua parte e cumpriram a sua missão, já deram o seu testemunho e completaram as suas carreiras. Agora, cabe a cada um de nós, darmos seqüência a esta missão, assumindo o nosso papel de testemunhas de Jesus Cristo, de sal da terra e luz do mundo! Disse Jesus: “e ser-me-eis testemunhas” (At 1.8), então, “chamou a si os doze, e começou a enviá-los a dois e dois” (Mc 6.7). Esta é a hora e a vez da Igreja!

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Um grande abraço, Bispo José Ildo Swartele de Mello

As Sete Cartas do Apocalipse+

Tem muita gente que imagina que o Apocalipse é um livro repleto de mistérios enigmáticos que somente os especialistas seriam capazes de decifrar, mas isto não é verdade, pois o próprio termo Apocalipse significa revelação. Sendo assim, o que estava oculto, agora, está sendo revelado; Os sete selos que lacravam o livro  foram rompidos pelo Cordeiro de Deus, revelando, assim, como ele próprio vencerá e julgará o mal para estabelecer a plenitude de seu reino de justiça e paz (5.1-14).

Além disto, é preciso ter em mente que o Apocalipse são cartas endereçadas ao povo simples e sofredor das sete igrejas da Ásia Menor que viveram no primeiro século da era cristã. Portanto, foi escrito de tal maneira que essas pessoas humildes pudessem compreender sua mensagem.

O livro é uma revelação de como o glorioso Senhor Jesus Cristo, o soberano dos reis da terra (1.4), promoverá juízos contra os malfeitores trazendo pureza, justiça e paz ao mundo (6.12-17 e capítulos 18 a 22). O clima é de guerra contra o mal (18.14), onde inúmeros seguidores de Cristo estão sendo martirizados (6.9; 7.9-14 e 13.15; 20.4). Mas o que parece ser um sinal de fraqueza da Igreja se converterá em força, pois a morte não é o fim daqueles que seguem o caminho do Cordeiro de Deus que foi morto, mas ressuscitou e que vive e reina para sempre juntamente com todos os seus mártires (1.18; 18.14 e 20.4).

O livro traz conforto e ânimo aos que estão passando pela Grande Tribulação (7.13-17; 18.14). Eles não devem ter medo do sofrimento, pois tudo está sob o controle do Senhor Jesus (2.10). Ele triunfará sobre o mal e vingará o sangue dos inocentes (6.9-17; 18.14 e19.1-9), retribuindo a cada um segundo as suas obras (2.23; 22.12). O Rei das Nações (15.3) promoverá a cura das nações (22.2) e a maldição não terá mais lugar (22.3), pois felizes para sempre serão os que lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro (22.14; 7.14-17; 20.4).

Esta revelação é dada à sete igrejas da Ásia menor. Não haviam apenas sete igrejas naquela região, mas sete foram escolhidas para representar a Igreja de Cristo em sua totalidade, assim como João escolheu cuidadosamente sete milagres de Jesus para registrar em seu Evangelho com o intuito de representar a totalidade dos milagres como um demonstrativo da natureza divina de Cristo. O fato do Senhor comunicar em primeira mão à igreja o que ele está para prestes a executar demonstra o alto conceito que ele tem da Igreja.

A igreja pode ser desprezada e perseguida pelo mundo, mas é valorizada por Jesus. A igreja está no centro dos planos de Deus (Ef 1.22-23; 2.6-7; 2Co 5.18-20), ela é agente do Reino de Deus e serve como protótipo da nova criação, do novo céu e da nova terra que estão a caminho (1 Pe 2.9; Mt 5.13-15; Mt 6.10; At 1.8; 1 Pe 4.10; 2 Co 5.17; Rm 14.17).

Assim como Deus não fazia nada sem antes comunicar aos seus servos, os profetas ( Am 3.7), assim também, o Senhor comunica à Igreja o que está prestes a fazer, pois ela é o Corpo de Cristo nesta terra e foi incumbida de exercer um papel preponderante na execução dos planos de Deus (Mt 28.18-20; At 1.6-8; 1 Pe 2.9), além disto, o Senhor alerta a igreja para ela não ser pega de surpresa quanto as provações que há de enfrentar em sua luta contra o mal. O conteúdo desta revelação serve também de conforto e ânimo, motivando a Igreja a perseverar em seu testemunho diante das tribulações para que ela possa cumprir com fidelidade a sua importante missão no mundo.

A Igreja possui um papel ativo nos planos de Deus. Os eventos escatológicos estão intimamente ligados ao sucesso da missão da Igreja, pois o fim só virá depois da pregação do Evangelho a todas as nações (Mt 24.14). O Apocalipse revela que haverá no céu uma multidão incontável de mártires procedentes de todos os povos, tribos e nações (7.9), sinal de que a Igreja cumprirá com sucesso sua missão, possibilitando assim que os eventos de juízo contra o mal cheguem ao clímax na consumação dos séculos que trará o dia do Juízo Final. Tais juízos são consequências da ira de Deus que virá sobre a terra para vingar o sangue dos inocentes (6.10 e17; 14.7; 16.1-7 e 19.2) e para estabelecer um novo tempo em que a maldade não terá mais lugar (21.1-7).

Agora, todo privilégio traz consigo responsabilidades (Tg 3.1). O Senhor pede conta dos talentos entregues aos seus servos (Mt 25.19). “Para aquele que muito for dado, muito será requerido” (Lc 12.48). O Senhor está revelando à Igreja os seus juízos contra o mal que estão prestes a acontecer no mundo em favor da restauração da santidade, mas, “o julgamento começa pela casa de Deus; e, se começa primeiro conosco, qual será o fim daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus? E, se ao justo é difícil ser salvo, que será do ímpio e pecador?” (1Pe 4.17 e 18). Sendo assim, vemos aqui nestas cartas do Apocalipse, que o Senhor Jesus que está prestes a julgar o mundo, começa seu julgamento a partir de sua própria Igreja, pois ela deve servir como luz do mundo e sal da terra. A Igreja é uma comunidade escatologia, composta por novas criaturas, que receberam um novo coração (Ez 11.19) e que foram regenerados e capacitadas pelo Espírito (Tt 3.5-6), recebendo todas as condições necessárias para viverem uma nova vida de acordo com os valores do Reino de Deus (2Pe 1.3; Ef 1.3), servindo como um sinal e também como uma semente do futuro que Deus tem planejado para toda a humanidade (Ef 1.10). Vejamos o que Jesus escreve as sete igrejas.

Lendo as sete cartas de Cristo, percebemos o seguinte padrão geral: 1. Jesus se apresenta; 2. Jesus conhece as virtudes da Igreja; 3. Jesus conhece os pecados da Igreja; 4. Jesus punirá os infiéis; 5. Jesus exorta ao arrependimento 6. Jesus recompensará os fiéis e 7. A exortação final de Jesus. Então, Vamos examinar as cartas por cada um destes sete tópicos.

1. JESUS SE APRESENTA ASSIM ÀS SETE IGREJAS

À Éfeso como aquele que tem as sete estrelas em sua mão direita e anda entre os candelabros (2.1).

À Esmirna como o Primeiro e o Último, como aquele que morreu e tornou a viver (1.8).

À Pérgamo como aquele que tem a espada afiada de dois gumes (2.12), À Tiatira como o Filho de Deus, cujos olhos são como chama de fogo e os pés como o bronze reluzente (1.18); À Sardes como aquele que tem os sete espíritos de Deus e as sete estrelas (3.1); À Filadélfia como aquele que é santo e verdadeiro e que tem a chave de Davi (3.7); E à Laodicéia como o Amém, a testemunha fiel e verdadeira e como o soberano da criação de Deus (3.14).

Então, em suas apresentações, Jesus se revela como o Senhor da Igreja, que passeia no meio dela (1.20; 2.1; 3.1), marcando sua forte presença e presença no meio da Igreja com seus pés como de bronze reluzente e como aquele que tudo vê através de seus olhos que são como chama de fogo que examina as obras de cada um, queimando o pecado, destruindo a palha e purificando o metal precioso (1.18; 1Co 3.13); E, como aquele que morreu e ressuscitou, ele conforta e anima os atribulados, e com a chave de Davi, o santo e verdadeiro, tem poder para abrir e fechar portas que ninguém pode reverter. E, com sua espada afiada de dois gumes, ele está pronto para punir os malfeitores. Jesus não é apenas o Senhor da Igreja, mas é também o soberano da criação de Deus.

2. JESUS CONHECE AS VIRTUDES DA IGREJA

Portanto, Jesus conhece pessoalmente Igreja. Ele conhece as circunstâncias adversas (2.9, 13) e destaca as virtudes das igrejas, tais como: as boas obras (2.2, 19), o amor (2.19), o trabalho árduo (2.2, 19), a perseverança diante do sofrimento e pobreza (2.2, 3, 9, 19, 3.8, 10), a perseguição e martírio por fidelidade a Cristo (2.10, 13; 3.8) sua luta contra os hereges e seu apego a sã doutrina (2.3, 24, 3.10), sua santidade (3.4), sua fidelidade (2.13; 3.10) e obediência e a sua fé e serviço (2.19).

3. JESUS CONHECE OS PECADOS DA IGREJA

Mas Jesus também conhece muito bem os pecados da Igreja, tais como: aqueles que seguem os falsos apóstolos e profetas, aqueles que seguem as heresias dos nicolaítas, Jezabel e de Balaão, aqueles que vivem na prática de imoralidades e idolatrias, aqueles cujas obras não são perfeitas, aqueles que são mornos espiritualmente falando e aqueles que se acham espirituais, mas que de fato são miseráveis, pobres, cegos e que estão nus (3.17; 2Pe 1.8-9) , de modo a envergonhar o santo nome de Cristo.

4. JESUS ADVERTE MOSTRANDO AS CONSEQUÊNCIAS DE UMA VIDA PECAMINOSA Jesus não admite o pecado no mundo e muito menos na Igreja (2Tm 2.19).  Ele, num ato de misericórdia, buscando despertar a Igreja, adverte apontando para as duras consequências de uma vida pecaminosa. Os crentes devem se arrepender, “se não”: terão o seu candelabro removido (2.5), ou seja, a sua luz será apagada, e não terão direito a comer do fruto da árvore da vida que está destinado somente aos vencedores (2.7), e não terão direito a coroa da vida que esta destinada apenas aos que forem fiéis até a morte (2.10) e estarão sujeitos à segunda morte que é a condenação eterna, pois somente ao vencedor é dito que de modo algum sofrerá a segunda morte (2.11). Se não houver arrependimento e mudança de atitude, o próprio Senhor Jesus virá contra os impenitentes com a sua espada afiada de dois gumes (2.16), pois Jesus retribuirá a cada um segundo as sua próprias obras (2.23). Se os crentes não estiverem vigiando, serão surpreendidos quando, Jesus, o noivo vier de surpresa e ficarão de fora das bodas (3.3; Mt 25.1-13), terão seus nomes riscados do livro da vida, pois somente os fiéis é que jamais terão os seus nomes apagados deste livro (3.5; Ex 32.33). Se não houver arrependimento, se não houver fervor espiritual, o crente morno deve saber que corre o risco de ser vomitado da boca do próprio Deus (3.16).

5. JESUS CONVIDA AO ARREPENDIMENTO

Jesus conclama a Igreja ao arrependimento (2.4, 16, 21-24, 3.3, 19).Jesus passeia no meio dos candelabros (2.1), ele anda no meio da Igreja esquadrinhando mentes e corações. Ele enaltece as virtudes, mas também recrimina o pecado, advertindo quanto aos perigos que a Igreja está correndo se persistir no erro, tudo visando à cura e à restauração da santidade da Igreja. Pois o Pai repreende ao filho porque o ama e lhe quer bem (3.19). Jesus concede tempo e oportunidade para o arrependimento até mesmo daquela falsa profetiza Jezabel (2.21)! E para a mais carnal e pecaminosa de todas as sete igrejas, Jesus ainda estende este carinhoso convite, dizendo: “Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo” (3.20). Jesus está à porta batendo. Ele não está com um pé de cabra querendo entrar à força. Ele não nos empurra o Evangelho goela à baixo. Jesus não arromba a porta de nosso coração, pois deseja que sejamos receptivos ao seu convite amoroso. Só não aceita quem não quer. Ele não quer filhos contrariados dentro de sua casa. Se o filho quer ir embora, pode ir, mas se volta arrependido, mesmo estando em frangalho, ferido e quebrado, é recebido com beijos, abraços e muita festa! (Lc 15.11-24)

6. JESUS MOTIVA MOSTRANDO AS RECOMPENSAS

Jesus estimula sua Igreja mostrando os galardões ou recompensas que os fiéis receberão no final de sua jornada cristã. O vencedor comerá da árvore da vida que está no Paraíso de Deus (2.7), aquele que for fiel até a morte receberá a coroa da vida (2.10), o vencedor receberá ainda o maná escondido e uma pedra branca com um novo nome nela escrito (2.17), o que vencer e for obediente até o fim receberá autoridade sobre as nações e receberá a estrela da manhã (2.26-28), os vencedores que não contaminaram as suas vestes, andarão com Jesus, vestidos de branco, pois são dignos, e, por isto mesmo, jamais terão o seus nomes apagados do livro da vida, mas serão reconhecidos diante do Pai celeste (3.4-5), o vencedor servirá perpetuamente em posição privilegiada como coluna no santuário de Deus, e receberá em si a inscrição do nome de Deus, do Senhor Jesus Cristo e de sua santa cidade celestial (3.12), e, por fim, o vencedor receberá o direito de sentar-se juntamente com Cristo no seu trono assim como Jesus venceu e recebeu o direito de sentar-se no trono do Pai (3.21). A coroa da vitória é promessa garantida aos que combateram o bom combate, completaram a carreira, e guardaram a fé (2 Tm 4.7). Somos, assim, estimulados à desenvolver nossa salvação como temor e tremor e também à nos empenharmos para confirmar nossa eleição sabendo que é desta forma que estaremos ricamente providos para entrar no Reino Eterno de nosso Senhor e Salvador (2Pe 1.10.11).

7. ÚLTIMA EXORTAÇÃO DE JESUS

No final de cada uma das sete cartas, Jesus dirige uma última exortação, dizendo: “Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas” (2.7, 11, 17, 29; 3.6, 13 e 22). Como também alertou o autor de Hebreus: “Hoje, se vocês ouvirem a sua voz, não endureçam o coração… cuidado, irmãos, para que nenhum de vocês tenha coração perverso e incrédulo, que se afaste do Deus vivo” (Hb 3.7-12). O Espírito de Cristo está falando e batendo a porta. Ele nos ama e quer o nosso bem, desejando ter comunhão conosco. “Por isso é preciso que prestemos maior atenção ao que temos ouvido, para que jamais nos desviemos. Porque, se a mensagem transmitida por anjos provou a sua firmeza, e toda transgressão e desobediência recebeu a devida punição, como escaparemos, se negligenciarmos tão grande salvação?” (Hb 2.1-3a). Portanto, “Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas”!

Bispo José Ildo Swartele de Mello http://escatologiacrista.blogspot.com/

O significado dos números em Apocalipse+

A literatura apocaliptica, que encontramos principalmente nos Livros de Daniel e Apocalipse, se vale de diversas figuras de linguagem, entre elas, cores e números para representar conteúdos proféticos.  Isto não tem nada a ver com numerologia, pois trata-se apenas de simbologia. No decorrer da história de Israel, conforme os registros bíblicos, observa-se que certos números revestiram-se de significados especiais. Veremos alguns exemplos do uso dos números na Bíblia em situações históricas e em afirmações concretas que, de alguma maneira, contribuíram para que estes números pudessem se revestir de determinados significados, e de como foi que João fez uso deles para escrever a Revelação que recebeu do Senhor.

Um Representa princípio, essência, unidade, estabilidade, exclusividade, primazia, estabilidade, absoluto.

Um só Deus “Ouve, ó Israel, o Senhor nosso Deus é o único Deus” (Dt 6.4; Ef 4.6).

Um só Pai (Ef 4.6)

Um só Senhor (Ef 4.5)

Um Só Espírito (Ef 4.4)

Um mesmo Espírito (Ef 2.18-19)

Unidade do Espírito (Ef 4.3)

Uma só fé (Ef 4.5)

Um só batismo (Ef 4.5)

Uma só esperança (Ef 4.4)

O Povo de Deus (Hb 4.9; Jr 32.38)

Um só Corpo (Ef 4.4)

Um só Rebanho (Sl 77.20)

Uma Oliveira (Rm 11)

Unigênito do Pai (Jo 1.14; 3.16, 18)

Primogênito (Dt 15.19; Sl 89.27; Cl 1.15)

Primícias (Dt 18.4; Pv 3.9; 1Co 15.20)

Uma só carne (Gn 2.24)

DOIS Dois é o par perfeito Criação de dois seres humanos, homem e mulher, casal (Gn 1.27). Adão e Eva (Gn 4.1).

Duas árvores no Jardim do Éden:  a árvore do conhecimento do bem e do mal (Gn 3.11) e a árvore da vida (Gn 3.22).

Um Casal de cada espécie entrou na Arca de Noé (Gn 6.19)

Dois anjos visitaram Sodoma (Gn 19.1).

Duas Alianças ou Dois Testamentos (Lc 22.20 e Hb 8.8-9).

Duas tábuas da Lei (Ex 31.18).

A Lei e os Profetas, forma preferida de Cristo se referir as Escrituras que dele testificavam (Jo 1.45).

“Em verdade, em verdade!” (Jo 6.47).

Dois gumes da Espada que representa a Palavra de Deus (Hb 4.12).

Duas testemunhas eram necessárias para afirmar a veracidade (Dt 17.6, 19.15, Mt 18.16, 2Co 13.1, e 1 Tm 5.19).

Dois fundamentos da Igreja: profetas e apóstolos (Ef 2.20).

Dois grupos de 12 anciãos = 24 anciãos sentados em 24 tronos (Ap 4.4).

Duas testemunhas do Apocalipse (11.3). Para saber mais a respeito, leia: http://escatologiacrista.blogspot.com.br/2013/05/as-duas-testemunhas-do-apocalipse.html Dois castiçais (Ap 11.4).

Duas oliveiras (Ap 11.4).

Josué e Jorobabel ou as duas oliveiras (Ag 1.14; Zc 4).

Moisés e Elias representando o testemunho da Lei e dos Profetas (Lc 9.30).

Dois espias fiéis: Josué e Caleb (Nm 14.6).

Duas bestas do Apocalipse (Ap 13.11).

“Melhor e serem dois do que um (Ec. 4.9-12).

Dois é o número bastante ligado a Jesus.

Jesus é a segunda pessoa da Trindade (2Co 13.14).

Ele é o Segundo Adão ou segundo Homem (1 Cor. 15.47).

Jesus possui duas naturezas: a humana e a divina (Jo 1.1-3; Hb 4.15).

Dois estágios de missão: morte e ressurreição; sofrimento e glória Duas vindas de Cristo (At 1.11).

Duas rolas ou dois pombinhos como oferta pelo pecado (Lv 5.7).

Dois bodes para expiação de pecados nos rituais levíticos (Lv 16.5).

Jesus enviava seus discípulos de dois em dois como suas testemunhas! (Lc 10.1).

Os nomes dos discípulos são dados de dois em dois (Mt 10.2-4).

Duas mortes: física e espiritual Duas ressurreições Nascer da Água e do Espírito Graça e Paz!

Três Os hebreus utilizavam o três como superlativo: “Santo, Santo, Santo” (Is 6.3) para exaltar a Deus.  É o número que se refere a Deus e que significa plenitude (Ap 21.13) e santidade (Ap 4.8).

Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo (2Co 13.14)

Batismo deve ser feito em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt 28.19).

O tempo possui três partes – passado, presente e futuro.

O espaço é constituído de três dimensões: comprimento, largura e profundidade.

“Do lado do levante tinha três portas, do lado do norte, três portas, do lado do sul, três portas, do lado do poente, três portas” (Ap 21.13).

“Três hastes do candelabro de um lado dele, e três hastes do outro lado dele” (Ex 25.32).

“Três vezes no ano me celebrareis festa” (Ex 23.14).

“E gerou Noé três filhos: Sem, Cão e Jafé” (Gn 6.10).

“Pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim estará o Filho do homem três dias e três noites no seio da terra”. (Mt 12.40).

“Ao terceiro dia, ressuscitará” (Mc 10.34).

“Ah! tu que derrubas o templo, e em três dias o edificas” (Mc 15.29)

“Digo-te, Pedro, que não cantará hoje o galo antes que três vezes negues que me conheces” (Lc 22.34).

“O cordão de três dobras não se quebra tão depressa” (Ec 4.12)

“Três medidas de farinha, até que tudo levedou” (Lc 13.21).

“Quando subires para aparecer três vezes no ano diante do Senhor teu Deus” (Ex 34.24).

“Dentro ainda de três dias Faraó levantará a tua cabeça (Gn 40.13)

“Eis que três cestos brancos estavam sobre a minha cabeça (Gn 40.16).

“Esta é a interpretação: As três cestas são três dias” (Gn 40.18).

“Havia janelas dispostas de três em três, uma em frente da outra” (1 Rs 7.4).

“E os deixou presos três dias” (Gn 42.17).

“E três dos trinta capitães desceram à penha, a ter com Davi” (1 Cr 11.15).

Jesus morreu com a idade de 33 anos.

Quatro Número que aponta para a Terra:

Os 4 pontos cardeais da terra: norte, sul, leste e oeste (Ap 4.6; 7.1; 20.8); Os 4 elementos da Natureza: terra, fogo, água, ar; As quatro estações do ano: primavera, verão, outono e inverno; Formato quadrangular da Nova Jerusalém como sinal de plenitude, de equilíbrio e de perfeição (Ap 21.16):

4 Seres Viventes 4 Evangelhos Sete É uma composição de 3+4.

Indica plenitude, perfeição, totalidade, acabado (Ap 1.4); Sete Dias da Criação Sete dias da semana Sétimo dia reservado para o descanso Sete Igrejas do Apocalipse representando a Igreja como um todo.

Sete Cartas do Apocalipse: http://escatologiacrista.blogspot.com.br/2009/11/as-sete-cartas-do-apocalipse.html?q=sete+cartas Sete Espíritos de Deus significando a perfeição da multiforme e graça e sabedoria de Deus.

Sete Bem-aventuranças do Apocalipse Sete selos Sete trombetas Sete taças Sete milagres do Evangelho de João Sete “Eu Sou” que aparecem também no Evangelho de João em defesa da divindade de Cristo.

Dez “Dez dias de provação” (Ap 2.10; cf. Dn 1.12,14) tempo de curta duração.

Doze É uma composição de 3×4; número de perfeição e de totalidade (Ap 21.12-14). Representa a Igreja e a autoridade de Deus. Jesus teve 12 discípulos, e havia 12 tribos de Israel. Em Apocalipse 12.01, os 24 Anciãos e 144 mil são múltiplos de 12.

A Nova Jerusalém tem 12 fundações, 12 portas 12.000 estádios, uma árvore com 12 tipos de frutas 12 vezes por ano comido por 12 vezes ou 12.000 a 144.000. (Ver Apocalipse 21).

Vinte e quatro É uma composição de 2×12; representa a totalidade do povo de Deus, os 24 anciãos (Ap 4.4) incluindo tanto os representantes do povo do AT (12 tribos) e do povo do NT (12 apóstolos).

Quarenta e dois meses A primeira menção na Bíblia do número quarenta e dois aparece em Números 33. Ali encontramos um resumo de todo o percurso do povo Hebreu desde a sua redenção do Egito até chegar a Terra Prometida. Foram 42 partidas e 42 acampamentos no deserto desde Sucote até o Jordão. A partir daí, 42 passa a ser relacionado com o tempo de peregrinação no deserto. Os quarenta e dois meses de Apocalipse 11.2 é igual a três anos e meio (período do ministério de Jesus e também das Duas Testemunhas) e o mesmo que 1.260 dias em que o povo de Deus, representado ali por uma Mulher, é sustentado e protegido no Deserto (Ap 12.6), período este também descrito em termos de “um tempo, dois tempos, metade de um tempo”

(Ap 12.14; Dn 7.25).

Três anos e méio é a metade de sete anos; indicando um tempo limitado e controlado por Deus para o cumprimento cabal da missão conferida a Igreja. A Besta somente tem autorização para emergir do mar (Ap 13.1) e matar os santos (Ap 13.7) após o cumprimento da missão da Igreja (Ap 12.6-11), que recebeu poder para testemunhar de Cristo (At 1.8). Recebemos autoridade e tempo para completarmos a nossa carreira! (2Tm 4.7). “As portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja” (Mt 16.18).

Seiscentos e sessenta e seis 666 é o número da Besta. Este número é figurado e precisa ser calculado: “Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é número de homem. Ora, esse número é seiscentos e sessenta e seis” (Ap 13.18).

Em grego e em hebraico, cada letra tinha um valor numérico, assim como nos algarismos Romanos, onde V representa 5, X representa 10 e assim por diante. Então, era costume calcular o número de um nome através da do valor numérico de suas letras. Aplicando-se este raciocínio ao nome em hebraico do Imperador Romano Neron Kaiser ou Nrwn Qsr, o resultado é exatamente o número 666.

Seis não alcança a perfeição divina do sete Seis é apenas a metade de doze que simboliza o povo de Deus. O povo de Deus não admite receber a marca da Besta, pois possuem o selo do perfeito Espírito de Deus.

Seis é número de homem. Lembremos que foi no sexto dia que foram criados os seres viventes, entre eles, as bestas-feras (Gênesis 1.24) e o próprio homem (Gênesis 1.26). A Besta é um homem que acha que pode ocupar o lugar de Deus:  “o homem do pecado, o filho da perdição, o qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus” (2 Ts 2.3-4).

A tripla referência ao número 6, representa o cúmulo da imperfeição e da pretenção de ser como Deus = 666. Pois, como já vimos, o número três significa plenitude. Na Trindade, temos 777, ou seja, a perfeição do Pai, a perfeição do Filho e a perfeição do Espírito Santo. Satanás tenta imitar a Deus, manifestando-se com sua tríade do mal: dragão, besta e falso profeta (“Então, vi sair da boca do dragão, da boca da besta e da boca do falso profeta três espíritos imundos semelhantes a rãs” – Ap 16.13), mas fracassa em sua pretenção, alcançando apenas 666, sendo totalmente destruídos no final da história. Portanto, o número seis repetido três vezes indica a plenitude da imperfeição e do mal.

Lembremos também que, no sexto selo, na sexta trombeta e na sexta taça, temos a descrição dos juízos de Deus sobre os seguidores da besta.

Mil Sabemos também que o número mil representa plenitude como vemos em Salmos 84.10: “Melhor é um dia nos teus átrios do que mil noutro lugar”; Até mesmo em expressões corriqueiras se percebe este uso do mil, tais como: “mil vezes mais” e “eu já ti falei mil vezes”.

Reino de mil anos, onde mil indica a plenitude deste reino (Ap 20.2); 7 X 1.000 = 7.000 (Ap 11.13); 12 X 1.000 = 12.000 (Ap 7.5-8); 144 X 1.000 = 144.000 (Ap. 7.4)

“Há, todavia, uma coisa, amados, que não deveis esquecer: que, para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia” (2 Pe 3.8).

Para saber mais sobre o milênio: http://escatologiacrista.blogspot.com.br/p/o-milenio-apocaliptico.html Cento e quarenta e quatro mil Cento e quarenta e quatro mil é uma composição de 12x12X1.000 (Ap 21.7) trazendo a ideia de grande perfeição e totalidade. Doze é o número usado para representar o povo de Deus, tanto no Antigo como no Novo Testamento. São Doze Tribos no Antigo Testamento e Doze Apóstolos no Novo. Sabemos também que o número mil representa plenitude como vemos em Apocalipse 20 e no Salmo 84.10: “Melhor é um dia nos teus átrios do que mil noutro lugar”; E, até mesmo em expressões corriqueiras se percebe este uso do mil, tais como: “mil vezes mais” e “eu já ti falei mil vezes”. Sendo assim, é bastante lógico concluir que o que o número 144.000 está sendo utilizado para representar a totalidade do povo de Deus, a soma dos remidos do Antigo e do Novo Testamento, que também são representados pelos 24 anciãos e pelos sete candelabros.

A expressão “até que selemos as testas dos servos do nosso Deus” (Ap 7.4) indica que os 144.000 sejam uma clara referência a Igreja como um todo, pois sabemos que os salvos da Igreja é que são descritos como os selados (Ef 1.13; 4.30) e também é óbvio que os “servos do nosso Deus” no Novo Testamento só pode ser uma referência a Igreja de nosso Senhor Jesus Cristo. Além disto, Apocalipse 14.1 descreve os 144.000 como estando ao lado do Cordeiro, trazendo escritos na testa o nome dele, o que confirma tratar-se de um grupo cristão de seguidores de Jesus Cristo, pois também é dito que eles “seguem o Cordeiro por onde quer que ele vá” (14.4). Os 144.000 também são descritos como aqueles que “haviam sido comprados da terra”, e sabemos bem que os remidos da Igreja é que “foram comprados por alto preço” (1 Co 6.20; 7.23).

No livro de Apocalipse, a Igreja é que está em foco e não os judeus. O Apocalipse foi escrito para consolar e encorajar a Igreja; sendo assim, que conforto e ânimo seus membros teriam numa interpretação literal dos 144.000?  Por que Jesus concederia proteção especial para 144.000 judeus e não para a Sua Igreja (7.3)?

Uma interpretação literal colocaria de fora os patriarcas Abraão, Isaque e Jacó, pois os 144 mil são descritos como homens castos que jamais tiveram relações sexuais, o que excluiria também todas as mulheres (Ap 14.4).

Uma aula sobre o significado dos 144.000 em: http://escatologiacrista.blogspot.com.br/2013/11/serie-dia-teologico-escatologia-video-6.html?q=apocalipse Leia também: http://escatologiacrista.blogspot.com.br/2012/06/os-144000.html?q=apocalipse Bispo José Ildo Swartele de Mello

A mulher e o Dragão de Apocalipse 12+

Por Bispo Ildo Mello Introdução: Contextualizando Apocalipse 12 O livro de Apocalipse é uma obra profundamente simbólica e rica em imagens apocalípticas, escrita para cristãos que viviam sob intensa perseguição durante o primeiro século. Escrito pelo apóstolo João enquanto estava exilado na ilha de Patmos, o Apocalipse oferece uma mensagem de esperança e vitória para a Igreja primitiva, que enfrentava ameaças tanto de dentro quanto de fora. A mulher e o dragão, personagens centrais de Apocalipse 12, encapsulam essa luta entre o povo de Deus e as forças do mal, oferecendo uma visão cósmica da batalha espiritual que se desenrolava na história.

Perspectivas de Interpretação do Apocalipse Antes de explorarmos a interpretação específica de Apocalipse 12, é importante considerar as diferentes abordagens que teólogos e estudiosos adotam ao interpretar o livro de Apocalipse. Essas abordagens influenciam como os símbolos e eventos são compreendidos:

Perspectiva Idealista:

Esta visão interpreta o Apocalipse como uma alegoria atemporal da luta entre o bem e o mal, sem se referir a eventos históricos específicos. Para os idealistas, figuras como a mulher e o dragão simbolizam princípios espirituais e morais aplicáveis a todas as eras, refletindo a contínua batalha espiritual enfrentada pela Igreja.

Perspectiva Historicista:

Os historicistas veem o Apocalipse como um esboço profético da história da Igreja desde o tempo dos apóstolos até o fim dos tempos. Eles identificam eventos específicos da história da Igreja com as visões apocalípticas. Nessa perspectiva, a mulher poderia representar a Igreja em diferentes períodos históricos, enquanto o dragão simboliza as forças opressoras que se levantam contra ela ao longo dos séculos.

Perspectiva Futurista:

Os futuristas interpretam a maior parte do Apocalipse, incluindo o capítulo 12, como eventos que ocorrerão no fim dos tempos. Para eles, a mulher representa o Israel fiel ou a Igreja durante a grande tribulação, enquanto o dragão é visto como uma manifestação do poder satânico nos últimos dias, culminando na batalha final entre o bem e o mal.

Perspectiva Preterista Parcial:

A interpretação adotada neste artigo é a preterista parcial, que entende que muitas das profecias do Apocalipse foram cumpridas no primeiro século, durante a perseguição romana contra os cristãos e a destruição de Jerusalém, mas reconhece que algumas partes do Apocalipse ainda se referem a eventos futuros. Nessa visão, a mulher simboliza tanto Maria quanto o povo de Deus, e o dragão é identificado com Roma e suas forças opressoras, mas o cumprimento final de algumas profecias ainda aguarda o retorno de Cristo e o estabelecimento do seu reino.

Quem é a Mulher?

A mulher descrita em Apocalipse 12 representa tanto Maria quanto o povo de Deus, a comunidade composta pelo remanescente fiel de Israel, abrangendo tanto o Antigo quanto o Novo Testamento. Para entender plenamente esta figura, é útil explorar tanto a sua personificação em Maria, mãe de Jesus, quanto sua representação simbólica como Israel e a Igreja.

A Mulher e Maria Essa mulher pode ser interpretada como uma figura de Maria, cuja experiência foi marcada por dores de parto agravadas pela exaustiva viagem e pela dificuldade em encontrar um lugar adequado para dar à luz, restando-lhe conformar-se em fazê-lo em um local tão inóspito quanto um estábulo. Sabemos que o filho de Maria, Jesus Cristo, é o Messias destinado a reger toda a terra, e que, ao nascer, foi perseguido pelo sanguinário rei Herodes (Mateus 2.1-15), representante do Dragão. Este Dragão é uma figura que simboliza o poder maligno de Roma, conhecida como a cidade das sete colinas.

No entanto, é importante ressaltar que, na tradição cristã, a visão mais comum é que a mulher de Apocalipse 12 simboliza algo maior do que apenas Maria. Ela é frequentemente interpretada como um símbolo coletivo do povo de Deus, abrangendo tanto Israel quanto a Igreja. Lembrando do ensino de Paulo sobre Jesus ter derrubado a parede de separação entre judeus e gentios e de ambos ter constituído um único povo sobre o fundamento dos profetas e dos apóstolos (Efésios 2). Nesse sentido, Maria pode ser vista como uma personificação particular dentro deste símbolo mais amplo. Ela representa a culminação da história redentora de Israel, de onde o Messias veio, e ao mesmo tempo, faz parte do povo de Deus que, como um todo, sofre, luta e é vitorioso em Cristo.

Esta interpretação permite que vejamos Maria não apenas como a mãe de Jesus, mas também como uma figura que encapsula a fidelidade e a esperança do povo de Deus ao longo da história. Enquanto Maria desempenha um papel crucial no plano divino, a mulher de Apocalipse 12 também aponta para a contínua experiência do povo de Deus como o “remanescente fiel” que é perseguido, mas protegido e sustentado por Deus.

Referências Históricas:

Roma, no auge de seu poder, controlava vastas regiões do mundo antigo, incluindo dez províncias principais. O poder de Roma foi simbolicamente associado a Satanás, refletindo seu papel como opressor do povo de Deus.

O massacre dos inocentes ordenado por Herodes após o nascimento de Jesus (Mateus 2.16-18) é um exemplo histórico do esforço do Dragão para destruir o Messias desde o início de sua vida.

A Mulher como o povo de Deus Além de Maria, a mulher também representa a “raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus” (1 Pedro 2.9; cf. Êxodo 19.5-6), do qual descende o Cristo. A descrição de Apocalipse 12 remete a Israel, que escapou do dragão (Faraó) para o deserto nas asas de uma águia (Êxodo 19.4; cf. Salmos 74.12-15), e nos faz lembrar do sol, da lua e das estrelas do sonho de José (Gênesis 37.9). Sião é a “mãe” do povo de Deus, de onde procede o Messias (Isaías 66.7-9; 2 Esdras 13.32-38). Paulo explica que Jerusalém é a mãe de todos nós, cristãos (Gálatas 4.26). “Vocês, irmãos, são filhos da promessa, como Isaque” (Gálatas 4.28). Israel teve 12 tribos, e a igreja, 12 apóstolos. Sem uma comunidade messiânica remanescente e fiel, não poderia ter havido nem Maria, nem o Messias. Assim, cumpre-se a mais antiga promessa de Deus a respeito de um descendente da mulher que esmagaria a cabeça da serpente (Gênesis 3.15).

Referências Históricas:

O Êxodo do Egito e a subsequente jornada de Israel pelo deserto são eventos centrais na história do povo de Deus, frequentemente invocados na literatura bíblica como símbolos de libertação e proteção divina.

As 12 tribos de Israel e os 12 apóstolos da Igreja primitiva refletem a continuidade do povo de Deus ao longo da história, reforçando a unidade entre o Antigo e o Novo Testamento.

A Fuga da Mulher para o Deserto A mulher foge para o deserto (Apocalipse 12.6). Jesus advertiu seus discípulos sobre a abominação da desolação, mencionada pelo profeta Daniel, que promoveria a destruição de Jerusalém. Ele disse que deveriam fugir da cidade assim que vissem a aproximação do exército romano: “Quando virem Jerusalém rodeada de exércitos, saibam que a sua devastação está próxima. Então, os que estiverem na Judeia fujam para os montes” (Lucas 21.20-21). Foi assim que a Igreja fugiu de Jerusalém para Pella antes do cerco que levou à destruição total da cidade em 70 d.C.

A mulher permanece “no deserto” por 1.260 dias (3 anos e meio, ou 42 meses; cf. Daniel 7.25; 8:14; 9:27; 12:7, 11, 12), um símbolo de nossa peregrinação até a entrada na Terra Prometida. Números 33 menciona que foram 42 os acampamentos de Israel no deserto. É interessante observar que a guerra contra os judeus em Jerusalém durou exatamente 42 meses. Vespasiano foi comissionado por Nero em fevereiro de 67 d.C., e a cidade caiu em agosto de 70 d.C. Além disso, a perseguição de Nero aos cristãos também durou exatos 42 meses (de meados de novembro de 64 ao início de junho de 68, quando ele cometeu suicídio).

Referências Históricas:

Eusébio menciona que os cristãos de Jerusalém foram orientados por uma revelação divina para fugirem para Pella, na Pereia, antes do cerco de Jerusalém. Essa fuga é vista como uma proteção providencial de Deus para preservar a Igreja primitiva. ”História Eclesiástica” (Eusébio de Cesareia, Livro III, Capítulo V). Jesus já havia orientado os discípulos a fugirem de Jerusalém quando vissem os exércitos se aproximando da cidade (Lucas 21.20-21).

O cerco de Jerusalém e a destruição do templo em 70 d.C. marcaram um ponto de virada na história de Israel e do cristianismo, sendo um cumprimento das profecias de Jesus registradas em Mateus 24, Marcos 13 e Lucas 21. (Flávio Josefo. História dos Hebreus: Guerra dos Judeus. Tradução de Vicente Pedroso. São Paulo: Pensamento, 2004).

Quem é o Dragão?

O livro de Apocalipse foi escrito para os cristãos das sete igrejas da Ásia Menor, que enfrentavam uma intensa perseguição por parte do Império Romano. Quando consideramos o contexto desses cristãos, as descrições apocalípticas do Dragão e da Besta ganham um significado mais profundo e relevante. Essa perseguição estava sendo conduzida sob a autoridade do imperador, cujo nome, Nero César, corresponde numericamente a 666 em hebraico. João, ao instruir os cristãos daquela época a calcular o número 666, sugere que se tratava de um governante contemporâneo, familiar para eles.

No entanto, a Besta, que simboliza o ciclo de maldade e opressão, não se limita a Nero, mas se repete ao longo da história em diferentes governantes tirânicos. Por exemplo, o imperador Domiciano também exibiu características de crueldade e perseguição semelhantes às de Nero. Esse padrão de tirania não é exclusivo do passado, pois figuras semelhantes continuarão a surgir, culminando em um tirano final nos últimos tempos.

Referências Históricas:

Suetônio, em sua biografia sobre Nero, relata detalhadamente a crueldade e a perseguição que esse imperador infligiu aos cristãos, características que frequentemente são associadas à figura da Besta em Apocalipse 13. A identificação de Nero com o número 666 é baseada na gematria, onde as letras hebraicas de seu nome (נרון קסר – Neron Kaisar) somam exatamente 666, reforçando essa associação simbólica. (Suetônio.

A Vida dos Doze Césares. Tradução de Francisco Achcar. São Paulo: Editora Escala, 2009.)

Se considerarmos a contagem de imperadores a partir de Júlio César, Nero seria o sexto, correspondendo à figura de “aquele que é” mencionada em Apocalipse 17.10. Galba, seu sucessor imediato, seria o sétimo imperador. A morte de Nero e a breve ascensão de Galba são eventos históricos que se alinham com a descrição profética das “sete cabeças” do Dragão em Apocalipse. Essas “sete cabeças” simbolizam não apenas a sucessão de poder, mas também a continuidade do ciclo de tirania e opressão que marcou o governo de Nero e se estendeu a seus sucessores. Esse período turbulento da história romana serve como pano de fundo para a visão apocalíptica de João, que adverte sobre a repetição desse ciclo de maldade e perseguição a Igreja ao longo dos tempos.

A Queda do Dragão O relato do dragão sendo expulso do céu não é a “explicação” para a origem de Satanás, mas o resultado da vitória de Cristo na Terra (Apocalipse 12.10-11). “Ele respondeu: ‘Eu vi Satanás caindo do céu como um relâmpago. Eu lhes dei autoridade para pisarem sobre cobras e escorpiões, e sobre todo o poder do inimigo; nada lhes fará dano'” (Lucas 10.18-19). Em outra passagem, Jesus reafirma que a expulsão de Satanás estava ocorrendo no tempo de Cristo aqui na terra: “Chegou a hora de ser julgado este mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo. Mas eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim” (João 12.31-32).

Embora Satanás já tenha sido derrotado na batalha decisiva da cruz, tendo sido expulso de sua posição elevada, ele desce à terra enfurecido e desesperado para perseguir a Igreja, sabendo que pouco tempo lhe resta. Cristo subiu aos céus, mas a Mulher e o restante de seus descendentes são perseguidos pelo Dragão (Apocalipse 12.13-16). Os cristãos primitivos facilmente se enxergaram dentro deste quadro como a Mulher e seus filhos perseguidos.

Conclusão: Aplicação Teológica Prática A visão de Apocalipse 12 nos oferece uma rica tapeçaria simbólica que abrange tanto a história de Maria quanto a do povo de Deus, culminando na vitória de Cristo e na contínua batalha contra o mal. A mulher representa a Igreja em sua luta contínua contra as forças do mal, simbolizadas pelo Dragão. Isso nos lembra que, assim como a Igreja primitiva enfrentou perseguições, os cristãos de hoje também devem estar preparados para as provações e tribulações.

Aplicação Prática:

Resiliência na Fé:

Assim como a mulher foi protegida no deserto, a Igreja é chamada a confiar na provisão e proteção de Deus em tempos de perseguição e dificuldades.

Vitória em Cristo:

A derrota do Dragão e sua expulsão do céu são um lembrete de que, apesar das lutas que enfrentamos, a vitória final já foi conquistada por Cristo. Isso nos dá esperança e coragem para perseverar.

Comunidade de Fé:

A mulher simboliza a Igreja como uma comunidade de fé, unida em torno de Cristo. Isso nos encoraja a apoiar uns aos outros, vivendo como uma família espiritual que compartilha tanto as alegrias quanto as lutas da vida cristã.

Ao entender a mulher como a Igreja, somos convidados a ver a nossa própria participação nessa narrativa de luta e esperança. A mensagem de que, apesar das perseguições, a vitória é certa em Cristo, é um lembrete poderoso para os cristãos de todas as épocas.

Bibliografia Beale, G.K.

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Baker Exegetical Commentary on the New Testament. Grand Rapids, MI: Baker Academic, 2002.

A Besta do Apocalipse+

Por Bispo Ildo Mello É comum ver os cristãos dos nossos dias lendo o Apocalipse como uma revelação de coisas que ainda estariam para acontecer, esquecendo-se de que o livro foi escrito há quase dois mil anos e que foi originalmente endereçado aos cristãos das sete igrejas da Ásia Menor que estavam realmente sofrendo terrível perseguição por parte do Império Romano. Parte das revelações diziam respeito a fatos contemporâneos a eles, outras a eventos que aconteceriam ainda naquela geração e, por fim, também encontramos revelações de coisas que só se cumprirão por ocasião da Segunda Vinda de Cristo. Portanto, antes de ser uma mensagem de Deus para nós aqui e agora, foi mensagem de Deus para eles, lá. Compreender o contexto daquelas igrejas do primeiro século e procurar interpretar a mensagem do Apocalipse a partir da ótica dele facilitará em muito a nossa compreensão do significado de figuras de linguagem como, por exemplo, a da Besta.

As primeiras descrições da Besta

Vamos começar examinando a primeira descrição da Besta que encontramos no Apocalipse: “Vi emergir do mar uma besta que tinha dez chifres e sete cabeças” (Ap 13.1). Para os cristãos daquela época, não foi difícil concluir que tal descrição apontava para o imperador romano, pelas seguintes razões: 1) a península da Itália emerge do mar mediterrâneo. 2) Roma era conhecida como a cidade das sete colinas e 3) o Império Romano possuía 10 províncias: Acaia, Gália, África, Germânia, Ásia, Itália, Bretanha, Espanha, Egito e Síria.

Apocalipse 13.2 oferece mais detalhes: “A besta que vi era semelhante a leopardo, com pés como de urso e boca como de leão.” Isto nos leva a visão de Daniel capítulo 7 sobre “Quatro animais, grandes, diferentes uns dos outros, subiam do mar”(Dn 7.3). A visão de Daniel não deixa dúvidas a respeito do significado de cada um daqueles animais. “O primeiro era como leão” representando o Império Babilônico, o segundo animal era “semelhante ao urso”, figura do Império Medo Persa, o terceiro “semelhante a um leopardo e tinha nas costas quatro asas de ave; tinha também este animal quatro cabeças” (Dn 7.6), uma clara representação do Império Macedônico que foi dividido pelos 4 generais de Alexandre o Grande, e “o quarto animal, terrível, espantoso e sobremodo forte, o qual tinha grandes dentes de ferro; ele devorava, e fazia em pedaços, e pisava aos pés o que sobejava; era diferente de todos os animais que apareceram antes dele e tinha dez chifres” (Dn 7.7), que certamente se refere ao Império Romano, por ser aquele que sucede ao Império Macedônico e seus 10 chifres representam as suas dez províncias e também por ter se tornado maior e mais poderoso que todos os anteriores. Tudo isto condiz com a descrição da Besta de Apocalipse 13 que é uma composição de forças de todos os impérios anteriores, “semelhante a leopardo, com pés como de urso e boca como de leão”, sendo mais forte e terrível que todos e ainda possui igualmente “dez chifres”!

Se juntarmos a isto a descrição de Apocalipse 17.9-10, não restará dúvida a respeito da identidade da Besta, pois é dito que “as sete cabeças… são sete reis; dos quais caíram cinco, um existe e o outro ainda não chegou; e quando chegar, tem de durar pouco” (Ap 17.9-10). Os sete primeiros imperadores romanos, pela ordem, foram: 1) Julio Cesar, 2) Augusto, 3) Tibério, 4) Calígula, 5) Cláudio, 6) Nero e 7) Galba. Portanto, os cinco primeiros imperadores já haviam caído ou morrido, e este um que existia naquele momento era Nero, o sexto imperador Romano. O sétimo, que viria depois de Nero e que duraria pouco foi o imperador Galba, que reinou por apenas sete meses.

Nunca devemos nos esquecer que o livro de Apocalipse foi escrito para os cristãos das sete igrejas da Ásia Menor que estavam realmente sofrendo terrível perseguição por parte do Império Romano. Coloque-se no lugar deles e comece a interpretar as descrições apocalípticas do Dragão e da Besta. Essa perseguição estava sendo executada sob o poderio do Imperador, cujo nome, Nero César, equivalia a 666. João pede aos cristãos daquela mesma época que calculem para chegarem ao significado do 666, o que é mais uma prova de que se tratava de um monarca contemporâneo a eles.

Adoração, blasfêmia e perseguição

É dito também que as pessoas “Adoraram a besta” (Ap 13.4); “Foi-lhe dada uma boca que proferia arrogâncias e blasfêmias” (Ap 13.5). Sabemos que Nero ordenou que fosse construída em Roma uma imagem sua de quarenta metros de altura e que inscrições antigas foram encontradas em Éfeso exaltando Nero como “Salvador” e “Deus Todo-Poderoso”. Arrogante pretenção de ser idolatrado como se fora o próprio Deus. O culto ao imperador é blasfêmia e afronta ao único Deus verdadeiro.

Difícil encontrarmos na história um governador tão mau e pervertido como Nero, que mandou matar muitos membros de sua família. Ele chegou ao ponto de matar à ponta pés a sua própria esposa que estava grávida. Ele teve relações sexuais com sua própria mãe. Além disso, ele era homossexual e pedófilo. Casou-se oficialmente com um menino, que, posteriormente, mandou castrar. Ele era um maníaco sexual e um sádico estuprador, que gostava de se vestir como um animal selvagem para estuprar, ferir com os dentes os seus órgãos genitais e, por fim, matar muitos de seus prisioneiros, tanto do sexo feminino como do masculino.

Os quarenta e dois meses

A Besta recebeu “autoridade para agir quarenta e dois meses, e abriu a boca em blasfêmias contra Deus, para lhe difamar o nome e difamar o tabernáculo, a saber, os que habitam no céu. Foi-lhe dado, também, que pelejasse contra os santos e os vencesse”. (Ap 13.6–7). Nero botou fogo em Roma e pôs a culpa nos cristãos. A cruel perseguição de Nero aos cristãos durou realmente 42 meses, de meados de novembro do ano 64 ao início de junho do ano 68, quando ele, depois de matar tanta gente cristã, finalmente se matou quando tinha 31 anos de idade. Nero se deleitava em ver os cristãos sendo torturados e mortos nas arenas. Fala-se aqui da difamação de um tabernáculo celeste e não do templo terreno construído em Jerusalém. É esclarecido que o tabernáculo difamado são “os que habitam no céu”, são eles os membros do Corpo de Cristo, que foram assim descritos nos capítulos 6 e 7 de Apocalipse: “Quando ele abriu o quinto selo, vi, debaixo do altar, as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam. Clamaram em grande voz, dizendo: Até quando, ó Soberano Senhor, santo e verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? Então, a cada um deles foi dada uma vestidura branca, e lhes disseram que repousassem ainda por pouco tempo, até que também se completasse o número dos seus conservos e seus irmãos que iam ser mortos como igualmente eles foram.” (Ap 6.9–11). “São estes os que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro, razão por que se acham diante do trono de Deus e o servem de dia e de noite no seu santuário; e aquele que se assenta no trono estenderá sobre eles o seu tabernáculo.” (Ap 7.14–15).

A ferida mortal que foi curada

Temos também a seguinte descrição da Besta: “Então, vi uma de suas cabeças como golpeada de morte, mas essa ferida mortal foi curada; e toda a terra se maravilhou, seguindo a besta” (Ap 13.3). O Império Romano chegou à beira da morte quando Nero a incendiou em 64 D.C., Em um curto espaço de tempo, quatro imperadores foram mortos, houve três guerras civis, e inúmeras guerras estrangeiras irromperam ao redor do império. Josefo escreveu que Roma estava próxima da ruína e Tácito disse que aquele foi quase o fim do império. Somente com a subida de Vespasiano ao trono que Roma voltou a experimentar uma certa paz.

O número da Besta: 666

Veremos agora o significado do número da Besta. “Aqui está a sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é número de homem. Ora, esse número é seiscentos e sessenta e seis.” (Ap 13.18). João pede aos cristãos daquela mesma época que calculem e decifrem o número da Besta, o que é mais uma prova de que se tratava de um tirano contemporâneo a eles. O cálculo do número era possível para aqueles que estavam familiarizados com o alfabeto hebraico e seus equivalentes numéricos. Assim como as letras do alfabeto romano possuem valores numéricos, assim também acontece com as letras do alfabeto hebraico. Nero César em hebraico correspondia a Nrwn Qsr, cujo cálculo do número dava 666. João usou este código para não falar abertamente contra o imperador, tentando assim evitar ainda mais perseguição caso o livro caísse em mãos dos oficiais romanos.

Diante de tudo isto, fica fácil entender porque a Igreja Primitiva cria que Nero havia sido a Besta do Apocalipse. Nunca devemos nos esquecer que o livro de Apocalipse foi escrito para os cristãos das sete igrejas da Ásia Menor que estavam realmente sofrendo terrível perseguição por parte do Império Romano. Coloque-se no lugar deles e comece a interpretar as descrições apocalípticas da Besta e tire suas próprias conclusões!

E o “homem da iniquidade” de 2Ts 2?

Quanto ao “homem da iniquidade” de 2 Tessalonicenses 2.3, podemos afirmar com certeza que não se trata do anticristo porque os únicos quatro versículos bíblicos que falam do anticristo ou dos anticristos, os descrevem como falsos profetas cristãos daquela época, que eram gnósticos, adeptos do docetismo e que negavam que Jesus havia vindo em carne. (1Jo 2.18; 1Jo 2.22; 1Jo 4.3 e 2Jo 7). Portanto não devemos confundir a Besta ou o Homem da Iniquidade com o Anticristo.

O mais provável é que o “homem da iniquidade” seja realmente a “Besta” mencionada no livro de Apocalipse, que, como vimos, simbolizava o Imperador Nero. As razões para isto são as seguintes:

1. Em primeiro lugar, observa-se a existência de 3 referencias no capítulo 2 de 2 Tessalonicenses que indicam que tal indivíduo estava por perto na época em que Paulo escreveu a carta: 1) “o que o detém”, 2) “já opera” e 3) “aquele que agora o detém”.

2. Paulo ao escrever aos tessalonicenses, dizendo: “sabeis o que o detém”, demonstra que eles tinham conhecimento de quem se tratava este tal “homem da iniquidade”. Isto é um forte indício de que este iníquo estava relacionado aos acontecimentos contemporâneos a eles, pois eles sabem o que é que está detendo o seu surgimento. Sabemos que Paulo foi condenado a morte por volta do ano 68 dC, portanto, os seus últimos anos de vida foram vividos na época em que Nero era o imperador.

3. Além do mais, não se tem notícia de nenhum governante tão iníquo quanto Nero, que matou muitos membros de sua familia, até mesmo sua esposa grávida com vários chutes, incendiou Roma e culpou os cristãos. Perseguiu, torturou e matou milhares de cristãos e obrigava que as pessoas o adorassem como se fora Deus.

4. Por fim, temos notórios cristãos do passado, como João Crisóstomo e Agostinho, que afirmaram categoricamente que o homem da iniquidade havia sido Nero.

Por que isso importa para nós hoje

Agora, identificar a Besta e o Homem da Iniquidade com Nero que infringiu terrível perseguição aos cristãos por 42 meses não esgota o seu significado para a Igreja que, no decorrer da história, tem sido perseguida por outras Bestas. Os 42 meses de perseguição nos fazem lembrar dos 42 acampamentos de Israel no período em que peregrinou no deserto antes de entrar na Terra Prometida (Números 33). Isto é também símbolo de nossa própria peregrinação nesta terra até chegarmos a Nova Jerusalém. “Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.“ (Rm 8.36–39).

Para saber mais a respeito, recomendo a leitura do livro Escatologia Vitoriosa de Harold Eberle e Martin Trench, Editora JOCUM.

Exegese de Apocalipse 3.10+

(refutando a leitura pré-tribulacionista do “arrebatamento”)

1. Por que esta promessa é tão debatida?

“Porque guardaste a palavra da minha perseverança, eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para pôr à prova os que habitam sobre a terra” (Ap 3.10).

A questão é simples e decisiva:

Cristo está prometendo remover fisicamente a Igreja da tribulação ou preservá-la espiritualmente dentro dela?

A resposta emerge de uma análise atenta de três elementos chave: o contexto, a sintaxe e a teologia bíblica da tribulação.

2. Contexto literário imediato

1. Carta à Filadélfia – única das sete sem reprovação; o tema dominante não é fuga, mas perseverança em testemunho (Ap 3.8–9).

2. Cartas paralelas – Esmirna recebe promessa idêntica de coroa “caso seja fiel até a morte” (Ap 2.10–11); Pérgamo já perdeu um mártir (Ap 2.13).

Nenhuma carta sugere livramento físico – o padrão é fidelidade sob fogo.

3. Macro-tema do Apocalipse – João está “co-participante… na tribulação” (Ap 1.9); mártires clamam debaixo do altar (Ap 6.9-11) e uma grande multidão “sai ek da grande tribulação” (Ap 7.14). O livro inteiro pressiona para a perseverança, não para a evasão.

3. Análise lexical-sintática

3.1. A preposição ἐκ ( ek)

Ek indica saída de dentro ou manutenção para fora de perigo enquanto nele. Exemplos:

· “livrar ek tentação” (2 Pe 2.9) – Deus resgata através da provação.

· Mártires que vêm ek da tribulação (Ap 7.14) – claramente não foram poupados do período, mas atravessaram-no.

Se João quisesse significar “para fora, à distância”, teria a escolha natural de ἀπό ( apo)

(cf. At 12.11). Erickson observa que o uso de ek é deliberado: “Para emergir de onde não se esteve? Impossível.”

3.2. O verbo τηρέω ( tēréō) – “guardar, proteger”

· Usado em contextos de perigo, nunca de remoção (cf. Jo 17.12; 1 Jo 5.18).

· A única outra ocorrência da locução tēréō ek no NT é Jo 17.15: “Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes ( tērēsēs autous ek) do Maligno.” Jesus rejeita expressamente a retirada física. Os discípulos não precisam ser tirados do mundo para serem guardados do mal.

Conclusão gramatical: “Guardar ek ” significa proteger em meio à provação, preservando a fé – não evacuar o crente.

4. “A hora da provação” – o que é?

Observação Evidência Implicação Termo “hora” (hōra) no Apocalipse Queda de Babilônia em “uma hora” (Ap 18.10), ataque final das nações (Ap 17.12)

Momento escatológico concentrado, não sete anos literais Destinatários: “os que habitam sobre a terra”

Fórmula técnica para incrédulos idólatras (Ap 6.10; 8.13; 11.10)

O teste visa juízo sobre ímpios; para a Igreja é provação refinadora Eco de Dn 12.1.10 LXX (“hora” de tribulação que “prova” e “purifica” muitos)

João alude explicitamente (Ap 3.10; 7.14)

Purificação dos santos, endurecimento dos ímpios Portanto, a “hora” não é um parêntese do juízo de Deus do qual a Igreja escapa, mas fase máxima da tribulação inaugurada na cruz (Ap 1.5; 12.5). A promessa é de proteção espiritual enquanto esse juízo varre o mundo.

5. Metáforas de proteção

em vez de remoção 1. Selados na fronte (Ap 7.2-4) – marca da posse divina antes das trombetas.

2. Medidos no templo (Ap 11.1-2) – o “santuário” interior é intocável, mas o átrio externo sofre.

3. Deserto preparado (Ap 12.6,14) – nutrição no esconderijo de Deus, não escape da história.

Todas apontam para segurança do pacto em meio ao conflito, não afastamento geográfico.

6. Testemunho uníssono do Novo Testamento

Passagem Tema Observação Mt 10.22; Jo 16.33 Aflições esperadas “Perseverar até o fim” é a via da salvação Rm 8.35-39; 2 Co 4.16-5.10 Nada separa do amor de Cristo Sofrimento físico não é exceção, mas palco da vitória Tg 1.12; 1 Pe 4.12-13 Provação produz coroa A coroa vem depois da fornalha, não antes A exegese pré-tribulacionista isola Ap 3.10 como única promessa de fuga, contradizendo a maré contínua de chamadas à perseverança.

7. Refutação sistemática da leitura pré-tribulacionista

1. Gramatical – tēréō ek ≠ remoção ( ek + tēréō nunca tem esse sentido).

2. Contextual – nenhuma outra carta prevê escape; todas pressupõem martírio possível.

3. Teológica – Apocalipse inteiro retrata a Igreja sofrendo, mas vitoriosa; não há “parêntese” israel-cêntrico pós-rapto.

4. Tipológica – Israel foi guardado no Egito pela marca do sangue, não arrebatado do Nilo; Daniel foi protegido na cova, não teletransportado para fora.

5. Pastoral – promessa de fuga física ignora o consolo real: “Não temas os que matam o corpo” (Mt 10.28). Cristo garante fé invencível, não conforto terreno.

8. Síntese teológica

Promessa: “Porque guardaste… eu te guardarei.”

Modo: preservação espiritual ( tēréō ek) durante a crise escatológica.

Âmbito: a tribulação universal que depura a Igreja e julga o mundo.

Condição: perseverança fiel – o mesmo “padecer até a morte” (Ap 2.10).

Resultado: coroa, pilar no templo, novo nome – participação plena no triunfo de Cristo (Ap 3.11-12).

9. Conclusão prática

1. Pergunta-chave ao texto – “A quem Cristo promete conforto: à carne ou à fé?”

2. Resposta bíblica – Ele protege aquilo que tem valor eterno: nossa fidelidade.

3. Aplicação à Igreja de hoje – Prepare-se para enfrentar pressões culturais, perseguições e catástrofes sabendo que o Cordeiro já venceu (Ap 5.5).

4. Palavra final de encorajamento – “Aqui está a perseverança e a fidelidade dos santos” (Ap 13.10). Se o nosso Senhor suportou a cruz, não nos esconderá da fornalha, mas entrará nela conosco.

“Feliz o homem que persevera na provação; depois de aprovado receberá a coroa da vida” (Tg 1.12).

Cristo não promete evacuar sua Igreja, mas blindar-lhe a fé na hora derradeira. A preposição ek, o verbo tēréō e o testemunho de todo o Livro convergem para:

Proteção espiritual, não remoção física.

Portanto, Ap 3.10 enraíza-se no mesmo solo de Jo 17.15 e do restante das Escrituras: ser guardado em Cristo enquanto enfrentamos o fogo, certos de que “em todas estas coisas somos mais que vencedores” (Rm 8.37). Persevere, Igreja! A coroa está assegurada.

Que tal conversarmos um pouco sobre o Reino de Deus?!+

Que tal conversarmos um pouco sobre o Reino de Deus, afinal, este era o tema preferido de Jesus. Ele falou mais a respeito deste tema do que sobre qualquer outro, principalmente por conta da expectativa dos judeus, que entendiam que o Messias, o Rei prometido, viria para restaurar o reino político de Israel. Jesus precisou explicar a verdadeira natureza de seu Reino, ensinando que o seu reino não era do tipo humano e político: “meu reino não é deste mundo” (Jo 18.36). E dizendo: “não vem o reino de Deus com visível aparência. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está! Porque o reino de Deus está dentro de vós” (Lc 17.20).

O Rei que venceu a tentação do poder

Jesus venceu a tentação política relativa aos reinos deste mundo (Mt 4.8-9). Disse a Pedro: “Embainha a tua espada” (Mt 26.52), pois seu reino não vem pela via da força e nem por violência (Zc 4.6; Mt 26.52). Jesus optou pela via da cruz, atraindo todos a si pelo seu amor sacrificial ali revelado (Jo 12.32). Veio como um rei manso e humilde (Lc 19 e Zc 9.9), para estabelecer um reino contrário ao espirito deste mundo. Um reino onde maior é o que serve e onde os últimos é que são os primeiros! (Lc 22.26) E felizes são os humildes, os que choram, os mansos, os que tem fome e sede de justiça, os misericordiosos e os que sofrem perseguição por causa de Cristo e seu reino de “justiça e paz e alegria no Espírito Santo” (Mt 5 e Rm 14.17).

Jesus iniciou seu ministério anunciando a proximidade do Reino (Mc 1.15), pouco depois, declarou que o reino já havia chegado: “Se, porém, eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente, é chegado o reino de Deus sobre vós” (Lc 11.20). Jesus amarrou Satanás: “Ou como pode alguém entrar na casa do valente e roubar-lhe os bens sem primeiro amarrá-lo?” (Mt 12.29). E disse ainda: ”Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso.” (Jo 12.31). Ele afirmou ter visto a Satanás caindo, perdendo poder, em um contexto de euforia dos discípulos por terem sido capazes de expulsar demônios em nome de Cristo (Lc 10.18).

Da cruz ao trono: o Reino já inaugurado

Na cruz, Jesus triunfou sobre principados e potestades (Co 2.15). E, depois de ressuscitado, passou quarenta dias discorrendo sobre o Reino de Deus (At 1.4) e, por fim, antes de subir aos céus e assentar-se no trono de sua majestade, declarou: “Todo poder me foi dado no céu e na terra!” (Mt 28.18).

Jesus tornou-se Cabeça de toda autoridade! (Cl 2.10) Do céu, Jesus reina! “E eis armado no céu um trono, e, no trono, alguém sentado” (Ap 4.2). “Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés. O último inimigo a ser destruído é a morte.” (1 Co 15.25-26). Jesus foi exaltado acima de todos (Fp 2.9); “fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais, acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir, não só no presente século, mas também no vindouro. (Ef 1.20-21).

Jesus é denominado Senhor 664 vezes no Novo Testamento. Senhor é um título superior ao de Rei. Senhor é o Imperador supremo, que governa sobre os reis da Terra. Jesus é o Rei dos reis e Senhor dos senhores! (Ap 19.16). E nós, seus discípulos, também já reinamos juntamente com Cristo, pois “nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus” (Ef 2.6). Jesus disse aos seus discípulos: “Dar-te-ei as chaves do reino dos céus” (Mt 16.19). “Recebereis poder” (At 1.8). “Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões e sobre todo o poder do inimigo” (Lc 10.19). As portas do inferno não prevalecerão (Mt 16.18).

Como o Reino se manifesta hoje

Embora cause impacto no mundo material, o reino de Deus se manifesta de maneira espiritual: “Não vem o reino de Deus com visível aparência. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está! Porque o reino de Deus está dentro de vós” (Lc 17.20). Foi por esta razão que o autor de Hebreus afirmou: “Todas as coisas sujeitaste debaixo dos seus pés… Agora, porém, ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas” (Hb 2.8).

O Reino de Deus tem um começo humilde e discreto e vai crescendo e se desenvolvendo de maneira gradativa como um grão de mostarda (Mt 13.31-32). É um reino em que há ainda muito joio misturado no trigo (Mt 13.24-30). As portas do inferno não podem prevalecer contra o Reino (Mt 16.18), mas ainda tem força para impor resistência e perseguição. Mas, “se Deus é por nós, quem será contra nós?… em todas estas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou” (Rm 8.35 e 37). A Igreja será bem-sucedida em sua missão de fazer discípulos de todas as nações (Ap 7.9)! “Pois a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar”(Hb 2.14).

Portanto, o Reino de Deus não é facilmente identificado, mas, os que o descobrem, encontram grande alegria (Mt 13.44, 45–46). Deus convida as pessoas para o Reino (1 Ts 2.12 e Mt 22). Devemos partilhar as boas novas do Reino (At 28.31). É necessário fé e arrependimento para entrar no Reino de Deus (Mt 3.1–2). Só os nascidos de novo podem entrar no Reino (Jo 3.3). O Sermão do Monte descreve as qualidades dos cidadãos do Reino (Mt 5.1–19). A vida cristã deve refletir os valores do Reino (1 Ts 2.12).

A plenitude do Reino na Segunda Vinda

A plenitude do Reino se dará na Segunda-vinda, quando será destruído o último inimigo que é a morte (1 Co 15.25,26). Teremos o juízo final e os novos céus e terra que Jesus foi preparar e onde estaremos para sempre com Ele e veremos a Deus como ele realmente é. Precisaremos mesmo da eternidade para ir desvendando as facetas deste Deus tão glorioso e eterno! (Mt 25.31-46; 2Ts 1.5-10; Jo 14.2-3; Ap 21 e 1Jo 3.2).

Por Sua graça, pretendo estar lá junto a vocês, meus queridos irmãos e irmãs em Cristo!

Bispo Ildo Mello

Laodicéia, a sétima igreja do Apocalipse+

Meditando na carta de Jesus para a igreja de Laodiceia (Ap 3.14.21), a última das Sete Cartas do Apocalipse, observa-se que esta é a única igreja que apenas recebe reprimendas de Cristo. Jesus, cabeça da Igreja, conhece bem cada uma de suas igrejas. Ele exalta a virtude e recrimina o pecado. Mas, aqui, ele nada viu que fosse digno de apreço.

Uma cidade próspera e uma igreja adormecida

A igreja estava numa cidade muito próspera, que era conhecida por seus avanços no campo da medicina, a ponto de elaborar um famoso colírio e Laodiceia também era afamada pela fabricação de tecidos finos. Mas, em vez de influenciar a cidade, a igreja é que estava sendo influenciada por ela.

O apego as coisas materiais e sua confiança nas riquezas, na medicina e na glória efêmera deste mundo haviam cegado os membros da igreja, provocando a perda da santidade e do fervor espiritual. “Não vos conformeis com este século” (Rm 12.2) e “não ameis o mundo e nem aquilo que há no mundo” (1 Jo 2.15).

A distância entre a autoimagem e o olhar de Cristo

Havia uma diferença gritante na maneira como os crentes daquela igreja enxergavam a si mesmos e como Jesus os via. Enquanto eles se consideravam abençoados a ponto de nem sequer dependerem mais de Deus (3.17), Jesus os via como carnais, pobres, cegos e nus. Mas, por sua misericórdia, Jesus ainda não desistiu deles, e, graciosamente (Is 55.1), lhes oferece ouro imperecível para sua verdadeira riqueza, colírio para abrir seus olhos espirituais e vestimentas verdadeiramente gloriosas para cobrir a vergonha da nudez deles (3.18).

Como um pai disciplina o filho que ama, Jesus está disciplinando a igreja no intuito de corrigi-la (3.19). Jesus também é claro a respeito do risco que os crentes estão correndo se persistirem naquela mesma condição espiritual. Sem fervor não dá! É melhor ser frio logo duma vez, pois o morno engana a si mesmo e também engana os outros. O morno acaba fazendo escola, ou seja, acaba influenciando negativamente os demais. Jesus mesmo exortou que o nosso falar deveria ser: “sim, sim ou não, não” (Mt 5.37)! Nada de mais ou menos! Nada de ficar em cima do muro! E, em outra ocasião, Jesus afirmou: “Quem comigo não ajunta, espalha” (Mt 12.30). Ou é ou não é! Ou somos ou não somos seus seguidores (Jo 12.42)!

Fervor não é fanatismo

Jesus deseja que sua igreja seja fervorosa. Mas fervor não deve ser confundido com fanatismo ou emocionalismo irracional que promove histeria coletiva. O culto precisa ser racional (Rm 12.1), os crentes maduros não devem raciocinar como crianças (1 Co 14.20), devem julgar cuidadosamente as profecias (1 Co 14.29), não devem crer em qualquer um que se diz cheio do Espírito Santo, mas, antes, devem provar os espíritos para saber se de fato procedem de Deus (1 Jo 4.1) e nem podem agir como loucos falando em línguas todos ao mesmo tempo (1 Co 14.23) pois Deus não é Deus de desordem (1 Co 14.33), portanto, tudo deve ser feito com ordem e decência” (1 Co 14.40). E cuidado com fogo estranho (Lv 10.1)!

Crentes mornos provocavam náuseas em Deus e estão prestes a serem vomitados (3.16). No entanto, mesmo nesta dura frase, vemos um sinal de esperança, porque só pode ser vomitado aquilo que está dentro. Portanto, notamos que aqueles crentes ainda estavam em Cristo, mas, como lemos mais adiante, Cristo não estava necessariamente dentro deles, pois é descrito como estando do lado de fora da igreja batendo à porta, procurando entrar, o que também é um forte sinal de sua compaixão.

Sendo assim, podemos estar em Cristo, mas pode ser que Cristo não esteja em nós. Algo parecido com o que Jesus diz em João 15: “Eu sou a videira verdadeira… todo ramo que, estando em mim, não dá fruto, é cortado e lançado fora”. Os ramos infrutíferos podem até estar na árvore, mas estão enfermos, porque, por alguma razão, a seiva da árvore não está chegando a eles, por isto não estão produzindo os devidos frutos, razão porque estão prestes a serem descartados.

Assim também acontece com o sal quando se torna insípido (Mt 5.13).

Onde nasce a vitalidade espiritual

Nossa vitalidade e entusiasmo espiritual vem de nosso relacionamento com Cristo. Como os ramos precisam da seiva para terem vida, nós também precisamos da seiva da Videira Verdadeira que é Jesus. Ele é o nosso Pão Vivo! Verdadeiro alimento para as nossas almas! Jesus não pode ficar do lado de fora e nem na periferia de nossa existência. Jesus deve estar dentro de nossos corações, no centro de nossas vidas, governando nossos passos, para que sempre possamos dizer como Paulo: “Não mais eu, mas Cristo vive em mim” (Gl 2.20).

“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (3.22)!

Bispo Ildo Mello Blog: www.escatologiacrista.blogspot.com

O que acontece com a alma após a morte?+

Hoje vamos falar sobre um assunto que desperta muita curiosidade: o que acontece com a nossa alma depois que morremos, mas antes da ressurreição final? Algumas pessoas acreditam que ficamos "dormindo" ou inconscientes até o grande dia. Mas será que é isso mesmo que a Bíblia nos ensina?

Vamos juntos explorar passagens bíblicas que mostram que, na verdade, a nossa alma continua bem acordada e consciente após a morte. Vamos ver como Jesus, Paulo e até Estevão, o primeiro mártir cristão, nos dão uma visão clara de que, ao deixarmos nosso corpo, estamos imediatamente na presença do Senhor. Então, fique ligado e vamos descobrir juntos o que a Palavra de Deus realmente diz sobre a vida após a morte.

A doutrina do "sono da alma" sugere que, após a morte, a alma entra em um estado de inconsciência até a ressurreição. Este ensino é defendido por Adventistas e Testemunhas de Jeová. No entanto, várias passagens bíblicas mostram uma continuidade de consciência entre a morte e a ressurreição.

Por exemplo, a Parábola do Rico e Lázaro, encontrada em Lucas 16.19-31, mostra claramente que tanto Lázaro quanto o rico estão conscientes após a morte, um em consolo e o outro em tormento.

Em Lucas 23.43, Jesus promete ao ladrão na cruz que ele estará com Ele no paraíso no mesmo dia de sua morte, indicando uma existência consciente imediata após a morte: "E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso." Estevão, o primeiro mártir cristão, quando estava sendo apedrejado, viu o céu aberto e o Senhor de pé, pronto para recebê-lo! Atos 7.55-56 registra este momento: "Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, olhou firmemente para o céu e viu a glória de Deus, e Jesus em pé à direita de Deus. E disse: 'Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem em pé à direita de Deus'." Semelhante ao ladrão na cruz, Estevão se encontrou imediatamente com o Senhor no céu após sua morte.

No episódio da Transfiguração de Jesus, registrado em Mateus 17.1-3, Moisés e Elias aparecem e conversam com Jesus, indicando que estão conscientes e ativos.

Em Apocalipse 6.9-11, lemos: "Quando ele abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas daqueles que haviam sido mortos por causa da palavra de Deus e do testemunho que deram. Eles clamavam em alta voz: ‘Até quando, ó Soberano, santo e verdadeiro, esperarás para julgar os habitantes da terra e vingar o nosso sangue?’ Então cada um deles recebeu uma veste branca, e foi-lhes dito que esperassem um pouco mais, até que se completasse o número dos seus conservos e irmãos, que deveriam ser mortos como eles." Isso demonstra claramente que as almas dos mártires estão conscientes e ativas após a morte.

No capítulo 7, essas mesmas almas estão diante do trono de Deus, louvando e servindo a Deus de dia e de noite.

Convicto desta realidade, Paulo, em Filipenses 1.23, expressa o desejo de partir e estar com Cristo, dizendo que isso é incomparavelmente melhor do que viver aqui, indicando que ele esperava estar consciente e na presença de Cristo imediatamente após a morte.

Já em 2 Coríntios 5.6-8, Paulo declara: "Por isso estamos sempre de bom ânimo, sabendo que, enquanto estamos no corpo, vivemos ausentes do Senhor (porque andamos por fé, e não por vista). Mas temos confiança e desejamos antes deixar este corpo, para habitar com o Senhor." Portanto, as Escrituras fornecem evidências claras de que a alma permanece consciente após a morte e antes da ressurreição final. A doutrina do "sono da alma" não se alinha com o testemunho bíblico consistente sobre a vida após a morte. Nada pode nos separar do amor de Deus, nem mesmo a morte. Estamos seguros de que deixar o corpo é partir para habitar com o Senhor, algo incomparavelmente melhor do que tudo que há de bom nesta vida presente.

A Última Trombeta+

A Última Trombeta de 1 Coríntios 15.52 é também a Sétima Trombeta de Apocalipse 11.15-18. É importante notar que na expressão tripla e recorrente referente a Cristo que encontramos em Apocalipse 1.4, 8; 4:8, a saber: “aquele que era, que é e que há de vir”, aparece aqui faltando, propositalmente, a terceira parte. Isto porque, com o soar da Sétima Trombeta, se dará a Segunda Vinda de Cristo, não sendo mais apropriado dizer: “e que há de vir”, pois, nesta ocasião, já terá Ele regressado ao mundo com poder e glória para julgar os vivos e os mortos! Portanto, a Sétima Trombeta traz consigo o último “ai”, o Juízo Final (Ap 8.13; 9:12; 11:14). Lembrando que o Livro de Apocalipse não é uma narrativa retilínea de começo, meio e fim, mas de visões do mesmo quadro final, cada uma delas agregando detalhes mais específicos, de modo que temos pelo menos 3 visões do Juízo Final (Capítulos 11, 19 e 20).

1Co 15.51–54 51 Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, 52 num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. 53 Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade. 54 E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória.

Ap 11.15–18 O sétimo anjo tocou a trombeta, e houve no céu grandes vozes, dizendo:

O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos.

E os vinte e quatro anciãos que se encontram sentados no seu trono, diante de Deus, prostraram-se sobre o seu rosto e adoraram a Deus, dizendo: Graças te damos, Senhor Deus, Todo-Poderoso, que és e que eras, porque assumiste o teu grande poder e passaste a reinar. Na verdade, as nações se enfureceram; chegou, porém, a tua ira, e o tempo determinado para serem julgados os mortos, para se dar o galardão aos teus servos, os profetas, aos santos e aos que temem o teu nome, tanto aos pequenos como aos grandes, e para destruíres os que destroem a terra.

João 5.28–29

“Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. 29 E tos que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação.”

Apocalipse 10.7

“mas nos dias da voz do sétimo anjo, quando tocar a sua trombeta, se cumprirá o segredo de Deus, como anunciou aos profetas, seus servos.”

1Tessalonicenses 4.16

“Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro”.

Mateus 24.31

“E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus.” (Lembrando que isto acontece no mesmo dia do aparecimento do Senhor sobre as nuvens do céus com poder e glória).

Jesus reinará em um trono em Jerusalém?+

Há 61 referências a “trono” no Novo Testamento, 46 estão em Apocalipse. Somente 3 delas dizem respeito a tronos aqui na terra, e estes tronos terrestres pertencem a Satanás e a Besta (Ap 2:13; 13:2; 16:10).

O trono de Deus ou de Cristo é sempre celestial! (Ap 1:4; 3:21; 4:2,4-6, 9-10; 5:1, 6-7,11,13; 06:16; 7:9-11,15,17; 8:3; 12:5; 14:3; 16:17; 19:4-5; 20:4,11-12; 21:3,5; 22:1,3). A ampla maioria de referencias ao trono celestial e sua posição elevada demonstram sua primazia sobre qualquer outro trono. Deus é soberano!

Deus não habita e nem jamais habitará em edifícios ou tronos construídos por mãos humanas: “Todavia, o Altíssimo não habita em casas feitas por homens. Como diz o profeta: ‘O céu é o meu trono, e a terra, o estrado dos meus pés…'"(At 7.48-49 NVI).

Jesus declarou que seu Reino não era deste mundo (Jo 18.36). Jesus está assentado à direita do trono, um lugar de grande honra, e poder (Mc 14:62; Cl 3:1; Hb 8:1; 12:2). Jesus reina hoje e está colocando seus inimigos debaixo de seus pés (1 Co 15.25). E, na Sua Segunda-Vinda, sentar-se-á no "trono da sua glória" para julgar os vivos e os mortos (Mt 25:31). Depois do Juízo Final, teremos Novos Céus e Terra (Ap 21)!

Bispo Ildo Mello

Os salvos passarão a Eternidade em um Éden recuperado, ou a Nova Jerusalém é algo diferente?+

by Ildo Mello on Mixcloud Programa Vejam Só de 29 de Maio de 2015 debatendo sobre se os salvos passarão a Eternidade em um Éden recuperado, ou a Nova Jerusalém é algo diferente?

Como será a Nova Jerusalém? As Escrituras indicam que será um lugar maravilhoso onde os salvos passarão a Eternidade junto ao Criador. Porem, esse local pode nos lembrar de um outro lugar também maravilhoso criado para o homem, o Éden.

Curiosamente, as Escrituras parecem apontar que existem elementos que aparecem tanto no Jardim do Éden no Gênesis, quanto no livro de Apocalipse ao se descrever a aparência da Nova Jerusalém.

Seria esta árvore da vida a mesma que estava no centro do Éden? E, se for, como compreender a natureza do Estado Eterno? Os salvos passarão a Eternidade em um Éden recuperado, ou a Nova Jerusalém é algo diferente?

Convidados da noite: Bp. JOSÉ ILDO MELLO e o Pr. JOSÉ CARLOS DE LIMA.