(Continuação da entrada anterior.) …ó Deus da nossa salvação, tu, a esperança de todos os confins da terra (Sl 65.5), e assim por diante.
Vendo a grande confiança do sr. Bray e a profunda humildade do sr. Piers, comecei a pensar que a promessa se cumpriria antes mesmo de deixarmos a sala. Meu companheiro de trabalho na obra de Deus parecia cheio de fé e do Espírito Santo, e disse a ele: “Se você conseguir apenas tocar na orla da veste dele, será curado.” Oramos por ele uma terceira vez, com o Espírito nos ajudando muito em nossas fraquezas, e depois perguntamos se cria. Ele respondeu: “Sim”, com o Espírito testemunhando junto ao nosso espírito que o coração dele era como o nosso. Bray disse: “Agora sei de fato que Cristo está em você.” Ficamos todos cheios de alegria; demos graças e oramos por uma bênção sobre o ministério dele; então o trouxemos para baixo em triunfo. A srta. Betsy saiu daí muito fortalecida, e com ousadia confessou que cria. Agora só sabia dizer: “Só espero nunca perder este consolo.”
O dia foi passado em oração e conversa. A sra. Piers foi, com toda a facilidade, convencida da sua incredulidade. Depois da ceia, discorri sobre a fé a partir da leitura do dia. Os pobres empregados receberam a palavra com alegria.
Enquanto o sr. Piers pregava sobre a morte, senti grande alegria por me perceber disposto, ou melhor, desejoso, de morrer. Depois das orações, unimo-nos em intercessão pelo sr. e a sra. Delamotte; depois pela pobre Hetty. Recebi muito consolo lendo Lutero.
Tomamos a carruagem para a igreja. No canto, observei que Hetty se juntava a nós com uma mistura de temor e alegria. Orei com fervor, esperando que ela encontrasse algo que a confirmasse no culto. Tanto os Salmos quanto as leituras estavam cheios de consolação.
Fomos depois à casa do sr. Piers e nos unimos em oração por uma pobre mulher tomada de desespero, uma tal sra. Searl, a quem Satanás mantinha atada havia muitos anos. Eu a vira passar de manhã e fiquei tocado com a percepção da sua miséria. Depois de invocarmos a promessa de Cristo de estar conosco até o fim do mundo, descemos até ela em nome de Jesus. Perguntei-lhe se pensava que Deus era amor, e não ira, como Satanás quereria persuadi-la. Depois preguei o Evangelho, que ela recebeu com toda a avidez imaginável. Quando havíamos continuado juntos algum tempo em oração, ela se levantou outra criatura, declarando forte e explicitamente a sua fé no sangue de Cristo e a plena persuasão de que era aceita no Amado. Hetty declarou então que não podia deixar de crer que Cristo morrera por ela, sim, por ela. Demos graças pelas duas, com muita exultação e triunfo.
Depois da oração em família, expliquei a leitura e, subindo ao meu quarto, perguntei à criada (Mary) como se sentia. Ela respondeu: “Ah, senhor, o que o senhor disse foi muito consolador, como Cristo foi feito pecado por mim, para que eu fosse feita justiça de Deus nele; isto é, ele foi posto no meu lugar, e eu no dele.” “Você crê, então, nisto, que Cristo morreu por você?” “Sim, creio nisto; e me senti como nunca me senti antes, quando o senhor falou a palavra.” “Mas você sente dentro de si que os seus pecados estão perdoados?” “Sim, sinto.” Estas e outras respostas semelhantes, que ela deu com grande simplicidade, convenceram-me de que a fé lhe viera pelo ouvir. Unimo-nos em dar glória a Deus, pois percebíamos e confessávamos que era obra dele. Também lhe aprouve abençoar-me com um profundo e, até então, desconhecido temor de atribuir qualquer coisa a mim mesmo.
Nesta manhã, a sra. Piers me contou que sempre duvidara de ter a verdadeira fé; mas agora declarava, em lágrimas, estar convencida de que os seus pecados estavam perdoados e de que de fato cria. Fomos todos à casa da sra. Searl, sob forte tentação, sem duvidar de que veríamos o poder de Cristo triunfando sobre o de Satanás. O inimigo não tirara vantagem alguma sobre ela, embora tivesse trabalhado a noite toda para atormentá-la e confundi-la. Cada vez que ela mencionava o nome de Jesus, ele era repelido, e a sua alma ficava em paz. Fomos muito edificados por sua profunda humildade, e pregamos o Evangelho a ela e ao marido, que o receberam prontamente. Depois da oração, ela se levantou, dizendo: “Como poderei ser suficientemente grata ao meu Salvador?” Despedimo-nos com um hino de triunfo.
Chamaram o sr. Piers para atender uma mulher que estava morrendo. Ela estava em desespero, “por ter feito tanto mal e tão pouco bem”. Ele lhe anunciou as boas novas da salvação: que, assim como todo o bem que fizera, ainda que fosse dez mil vezes maior, jamais poderia salvá-la, também todo o mal que fizera jamais poderia prejudicá-la, se ela conseguisse arrepender-se e crer; se conseguisse apoderar-se de Cristo por uma fé viva e esperar a salvação somente pela graça. Isto sim era consolo. Com alegria ela trocou os próprios méritos pelos de Cristo; o Espírito Santo operou a fé no seu coração, que ela expressou numa serena, alegre e triunfante expectativa da morte. Seus medos e agonias chegaram ao fim. Justificada pela fé, tinha paz com Deus; e só entrou mais adentro no seu descanso ao morrer poucas horas depois. Os que assistiam desfizeram-se em lágrimas. Ela passou serenamente para a Canaã celestial, e de lá levou um bom testemunho do seu fiel pastor, que, sob Cristo, salvara a sua alma da morte.
Estes foram os primeiros frutos do ministério dele; e vejo-o fortalecido por isso, e mais convicto de que o Evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. À noite, o sr. Delamotte retornou.
Depois da oração matinal na pequena capela, impedi Hannah de sair, para que primeiro orássemos por ela; mas logo descobrimos que havia motivo maior para dar graças. Ela me contou que estivera lendo uma coleta na noite anterior, que lhe dera imenso prazer: “Deus todo-poderoso, a quem verdadeiramente conhecer é a vida eterna, concede-nos conhecer perfeitamente teu Filho Jesus Cristo, como o caminho, a verdade e a vida.” “Pode crer, senhor”, disse ela, “senti-me logo tão tranquila que nem sei como lhe dizer.” Algumas perguntas nos deixaram plenamente satisfeitos de que ela era uma verdadeira crente. A pobre Hetty foi tentada a imaginar que não cria, porque não fora tocada exatamente da mesma maneira que os outros. Fizemos uma oração por ela e nos despedimos.
Na estrada, alcancei Frank e perguntei o que ele achava destas coisas. Ele respondeu: “Fiquei muito encantado com uma coisa que o senhor disse, como Cristo foi feito pecado por nós, para que fôssemos feitos justiça de Deus nele.” Ao examiná-lo mais de perto, encontrei-o claramente na fé. Conversamos e nos alegramos juntos, até chegarmos a Eltham. Ali ele me deixou, resolvido a publicar em toda parte as coisas que Jesus fizera por ele.
A carruagem estava cheia de moças. Fui obrigado a parar de ler, para interromper as maledicências delas. Em Londres, fui informado de que meu irmão partira com o sr. Ingham e Tolzschig para Herrnhut. A notícia me surpreendeu, mas não me perturbou.
Chamaram-me para batizar uma criança. Isto me deu ocasião de falar sobre a fé. Um dos presentes estava cheio de autojustiça. Os demais foram mais pacientes com a verdade, sendo apenas pecadores comuns.
Depois do jantar, Jack Delamotte veio me buscar. Tomamos a carruagem; e, pelo caminho, ele me contou que, quando estivéramos juntos pela última vez em Blendon, ao cantarmos
“Who for me, for me hast died,”
“Tu que por mim, por mim morreste,”
ele sentiu as palavras penetrarem em sua alma; poderia ter cantado para sempre, cheio de deleite e alegria. Desde então, sentira-se como que guiado em tudo; nada temia tanto quanto ofender a Deus; conseguia orar com vida; e, numa palavra, descobrira que de fato cria no Senhor Jesus.
Eu estava na carruagem com a srta. Delamotte. Enquanto ela parava, desci para repreender um homem que blasfemava. Ele me agradeceu de todo o coração. Pegamos Hetty em Blendon e seguimos para Bexley.
No dia seguinte (sábado, 17 de junho), vimos a sra. Searl e oramos com ela, para nosso mútuo encorajamento. O sr. Searl nos ouviu com alegria. A tarde passamos com os nossos amigos em Blendon. Aqui fui detido pelo retorno da minha dor e forçado a ir para a cama. Desejos de morrer surgiam continuamente em mim, que eu me esforçava por conter, sem ousar formular qualquer voto a respeito.
A dor diminuiu; e no dia seguinte me deixou.
Preocupou-me estar ali havia vários dias sem ter feito nada. Preguei o perdão ao empregado do sr. Piers, que parecia bem disposto a recebê-lo, por uma verdadeira simplicidade. Oramos juntos e fomos às orações públicas. Na segunda leitura estava a cura do paralítico. Voltei para casa com as srtas. Delamotte, a sra. Searl e o empregado, que declarou diante de todos nós que Deus lhe dera fé ao ouvir sobre a cura do paralítico. Demos graças de todo o coração.
O Senhor nos deu ainda mais motivo de ação de graças em Blendon, onde li o sermão de meu irmão sobre a fé. Quando terminou, o jardineiro declarou que a fé lhe viera ao ouvi-lo e que não tinha dúvida de que os seus pecados estavam perdoados. “Aliás, se eu tivesse de morrer agora mesmo”, acrescentou, “sei que seria aceito por meio de Cristo Jesus.”
Consolei Hetty, sob forte tentação, por ela não ser tocada em todos os pontos como os outros crentes, especialmente os pobres, que em geral têm um grau muito maior de confiança do que os ricos e instruídos. Tive hoje uma prova disso na casa do sr. Searl, onde, encontrando uma pobre mulher e convencendo-a da sua incredulidade, fiz uma oração por ela, pedindo que Deus, que escolheu os pobres deste mundo para serem ricos em fé, lhe concedesse agora o seu dom indescritível. No meio da oração, ela o recebeu; confessou-o abertamente e nele cresceu visivelmente.
À noite tivemos uma reunião na casa do sr. Piers e lemos o sermão de meu irmão. Deus selou a verdade dele, enviando o seu Espírito sobre o sr. Searl e uma criada, purificando os seus corações pela fé. Isto nos levou a triunfar no nome de Jesus, nosso Deus.
Acompanhei o sr. Piers até uma pobre velha, a quem ele nunca conseguira convencer a ir à igreja. Eu esperava que fôssemos chamados a pregar a lei; mas encontrei-a pronta para o Evangelho e contente em trocar os próprios méritos pelos de Cristo. A tarde passamos entre o nosso pequeno rebanho, e nos despedimos cheios de consolo, paz e alegria.
Cavalgando para Blendon pela manhã, encontrei William Delamotte, recém-chegado de Cambridge. Ele deixara a cidade bem disposto à obediência da fé; mas agora notei seu semblante alterado. Fora fortemente influenciado pela boa gente de Londres. Em Blendon encontrei o sr. Delamotte, não muito cordial, mas educado. Recebi cartas de minha mãe, queixando-se amargamente do abandono de meu irmão e exigindo que eu aceitasse a primeira promoção que aparecesse, sob pena de desobediência. Isto me perturbou um pouco. Não fiquei muito consolado por William Delamotte; mas comovi-me profundamente por ele e não pude conter as lágrimas. As irmãs dele se juntaram a nós. Comecei a pregar a fé e a graça gratuita. Sua objeção era que seria injusto da parte de Deus igualar pecadores a nós, que talvez tivéssemos trabalhado muitos anos. Propusemos cantar um hino. Ele viu o título, “Fé em Cristo”, e admitiu que não o suportava.
A caminho da igreja, proclamei-lhe de novo as boas novas da salvação. Ele estava extremamente abatido e, por sua própria confissão, miserável; contudo, não conseguia receber esta palavra: “Somos justificados gratuitamente somente pela fé.” A leitura me consolou a respeito dele: “Eis que envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; e, de repente, virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais, o Anjo da aliança, a quem vós desejais; eis que ele vem, diz o Senhor” (Ml 3.1). E a todos os que acham difícil perder o mérito das suas boas obras, a Escritura falava assim: “As vossas palavras foram duras contra mim, diz o Senhor. Vós dizeis: Que temos falado contra ti? Vós dizeis: É inútil servir a Deus; que nos aproveita termos guardado os seus preceitos e termos andado de luto diante do Senhor dos Exércitos?” (Ml 3.13-14).
Fiquei para pregar a fé à sra. Delamotte, a quem a Providência trouxe de volta para casa ontem, creio eu, exatamente para este fim. Eu estava tão fraco e cheio de dor que não tinha forças para falar; mas mal comecei o sermão, toda a minha fraqueza desapareceu. Deus me deu força e ousadia; e, depois de falar uma hora, senti-me perfeitamente bem. Fui abordar a sra. Delamotte em seu banco: tão arredia quanto eu esperava. Que a semente trabalhe; que Deus cuide do resultado!
Depois da oração da tarde, ela apenas me dirigiu a palavra; Betsy admirou-se de que ela tivesse conseguido fazer isso. Meu sermão, pelo que ouvi, causou grande perturbação a muitos além dela. À noite, a sra. Searl estava cheia de triunfo.
Fui visitar a sra. Delamotte, esperando o que de fato aconteceu. Ela atacou de imediato o meu sermão, pela falsa doutrina que continha. Respondi: “Aposto tudo o que tenho na verdade dele.” Ela prosseguiu: “É duro que as pessoas tenham os filhos seduzidos na sua ausência. Se todos precisam ter a sua fé, que será de todo o mundo? O senhor tem essa certeza, sr. Piers?” “Sim, senhora, em certa medida; graças a Deus por isso.” “Lamento ouvir isso.” Um dos presentes exclamou: “Pois eu me alegro em ouvir, e bendigo a Deus por ele, e desejaria que toda a humanidade a tivesse também.”
Ela propôs a leitura de um sermão do arcebispo Sharp. Piers leu. A todo momento fazíamos objeções à doutrina não bíblica dele. Muita discussão se seguiu. Ela acusou meu irmão de pregar uma fé instantânea. “Quanto a isso”, respondi, “não podemos deixar de falar as coisas que vimos e ouvimos. Eu a recebi dessa maneira, assim como mais de trinta outros na minha presença.” Ela se levantou de repente, disse que não podia ouvir aquilo e saiu correndo de casa. William protestou contra o comportamento dela. No início, eu sentira o velho homem se levantar dentro de mim; mas fui ficando cada vez mais calmo quanto mais falávamos. Glória a Deus por meio de Cristo! Ofereci-me para ir embora, mas não me deixaram. Betsy saiu e por fim conseguiu convencê-la a voltar. Nada mais se disse. Às seis, despedi-me. As pobres Hannah e Mary vieram até a porta e seguraram a minha mão. Hannah exclamou: “Não desanime, senhor; espero que todos permaneçamos firmes.” Não pude conter as lágrimas. Hetty entrou; exortei-a a perseverar. Montei no cavalo. William parecia muito mais bem disposto do que a mãe; prometeu vir me ver no dia seguinte. Uni-me ao sr. Piers no cântico
“Shall I, for fear of feeble man,
Thy Spirit’s course in me re-strain?”
“Deverei eu, por temor do homem frágil,
conter em mim o curso do teu Espírito?”
e em fervorosa oração pela sra. Delamotte.
Visitando a pobre velha Goody Dickenson, perguntei-lhe se agora tinha o perdão. “Sim”, disse ela, “recebi-o no meio do seu sermão.” “Você crê, então, que Cristo morreu por você em particular?” “Sim, com certeza; tenho de crer, se não quiser negar a Escritura.” Ela expressou forte confiança em Deus; mostrou-se cheia de amor por dois mendigos que apareceram; cria que seria salva se morresse naquele instante; disse que iria à igreja ainda que fosse em farrapos. Em suma, não me deixou razão para duvidar de que fora recebida na undécima hora, tendo agora quase oitenta anos.
Voltando à casa do sr. Piers, encontrei W. Delamotte. Eu estava cheio de esperança por ele. Ele me contou que escrevera duas folhas contra a verdade; mas, buscando mais textos, encontrara um que estragou tudo: “Não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou” (Tt 3.5). Isto o convenceu; e imediatamente queimou tudo o que escrevera. Perguntei-lhe em que ainda tropeçava. “Em nada”, disse ele, “a não ser em Deus dar a fé instantaneamente.” Respondi que só isso o impedia de recebê-la agora mesmo; que nenhuma preparação era absolutamente necessária para ela, além daquela que Deus se agrada de dar.
Fomos dirigidos a muitas passagens apropriadas, em particular Lc 7.47: “Por isso te digo: os seus muitos pecados lhe são perdoados”; e Jo 20.27-28: “Depois, disse a Tomé: Põe aqui o dedo e vê as minhas mãos; chega a tua mão e coloca-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente. Respondeu-lhe Tomé: Senhor meu e Deus meu!”
Fomos à oração, invocamos as promessas por ele com grande fervor e lágrimas; depois lemos 2Ts 1.11-12: “Por isso, também não deixamos de orar por vós, para que o nosso Deus vos torne dignos da sua vocação e cumpra com poder todo propósito de bondade e obra de fé, a fim de que o nome de nosso Senhor Jesus Cristo seja glorificado em vós, e vós, nele, segundo a graça do nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo.” Observei a ação de Deus operando fortemente sobre ele, e orei outra vez. Depois li as Escrituras que se ofereceram primeiro: Tt 3.5: “Não por obras de justiça praticadas por nós”, e assim por diante (o próprio texto que o detivera de manhã); Am 4.12: “Porque isto te farei, prepara-te para te encontrares com o teu Deus”; Sl 68.6: “Deus faz que o solitário viva em família e liberta os que estão presos em cadeias”; e, por fim, Sl 66.20: “Bendito seja Deus, que não rejeitou a minha oração, nem retirou de mim a sua misericórdia.”
Enquanto orávamos, cantávamos e líamos, alternadamente, um pobre homem, um tal sr. Heather, veio falar comigo. Ele ouvira e apreciara o sermão sobre a fé. Perguntei-lhe se tinha fé. “Não.” Se tinha o perdão dos pecados. “Não.” Se havia ou poderia haver algum bem nele antes de crer. “Não.” “Mas você acha que Cristo não pode lhe dar fé e perdão nesta hora?” “Ah, com certeza pode.” “E você crê na promessa dele, de que, quando dois dos seus discípulos concordarem na terra a respeito de qualquer coisa que pedirem, ele lha concederá?” “Creio.” “Então, aqui está o seu ministro, e eu concordo em pedir fé para você.” “Então creio que a receberei antes de sair desta sala.”
Fomos logo à oração; invocamos a promessa; e, levantando-nos, perguntei-lhe se cria. Sua resposta foi: “Sim, creio de todo o coração. Creio que Cristo morreu pelos meus pecados. Sei que estão todos perdoados. Só desejo amá-lo. Eu sofreria qualquer coisa por ele; poderia dar a vida por ele neste instante.” Voltei-me para o meu discípulo e disse: “Você crê agora que Deus pode dar fé instantaneamente?” Ele estava cheio demais para falar; mas depois me contou que invejava a ignorância despretensiosa e a simplicidade dos pobres, e que desejaria ser aquele carpinteiro iletrado.
No dia seguinte voltei para a cidade, alegrando-me por Deus ter acrescentado à sua igreja viva mais sete almas por meio do meu ministério. “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua misericórdia e da tua fidelidade” (Sl 115.1). Tinha esperança de ver coisas ainda maiores que estas, a partir de uma passagem para a qual ele me dirigiu neste dia: Lc 5.9: “Pois, à vista da pesca que fizeram, a admiração se apoderou dele e de todos os que com ele estavam.”
Fui à casa do sr. Sims, na expectativa de Cristo. Vários dos nossos amigos foram providencialmente levados até lá. Unimo-nos em cânticos e oração. Na última vez em que oramos, não conseguia parar, mas era ainda impelido a continuar. Levantei-me por fim e vi o sr. Chapman ainda de joelhos. Abri o livro e li em voz alta: “E eis que uma mulher que durante doze anos vinha sofrendo de uma hemorragia aproximou-se por trás dele e tocou na orla da sua veste; porque dizia consigo mesma: Se eu apenas tocar na sua veste, ficarei curada. E Jesus, voltando-se e vendo-a, disse: Tem bom ânimo, filha, a tua fé te salvou. E, desde aquele instante, a mulher ficou sã” (Mt 9.20-22). Meu coração ardia dentro de mim enquanto lia; e, ao mesmo tempo, ouvi-o exclamar, com grande esforço: “Eu creio.” Nós o levantamos, pois ele não tinha forças para se erguer sozinho, estando totalmente sem forças, exausto e em suor abundante. Um crente idoso entre nós confessou-se tomado de uma admirável simpatia. Tivemos a satisfação de ver o sr. Chapman crescer na fé; e demos graças de todo o coração ao Deus da salvação dele e da nossa.
A srta. Suky Claggett apareceu e, para meu não pequeno consolo, informou-me de que a sua irmã recebera a fé recentemente. Trouxe-me também um convite da mãe. A sra. Turner teria mandado buscar a srta. B. Claggett, mas eu não permiti, para não ter parte alguma no assunto. Sentei-me para escrever quando a srta. Betsy veio me buscar. Unimo-nos em ação de graças por ela e em intercessão pela mãe; e então tomamos a carruagem. A sra. Turner foi a quarta.
Busquei direção no oráculo das Escrituras e fui muito fortalecido pela resposta, de At 10.29: “Por isso, sendo convidado, vim sem objeção. Pergunto, pois: por que razão mandastes chamar-me?” O que o torna mais notável é que era o dia de São Pedro. Todos nós concebemos grandes esperanças a respeito da sra. Claggett. Achei-a muito cortês, bem disposta, esvaziada de si mesma. Cantamos e, a pedido dela, oramos juntos. Ela confessou livremente o quanto estivera preconceituosa contra a verdade; mas ficou plenamente satisfeita com a minha leitura do sermão. Orei depois, sem muita emoção; de novo, com mais; e na terceira vez, fortemente movido. Percebi que ela cria. Cri por ela. A Escritura deu o mais forte testemunho disso. A princípio ela disse que não devia presumir dizer que cria; mas ficou cada vez mais confirmada. Deixei-a, na confiança de que Deus logo tornaria clara a sua própria obra naquela alma, para além de toda dúvida ou contradição. Pouco depois, para me guardar da soberba, permitiu-se que o mensageiro de Satanás me esbofeteasse.
Graças a Deus, o primeiro sentimento que tive hoje foi um temor da soberba e um desejo de amor. Betsy Delamotte apareceu e me entregou a seguinte carta:
“Prezado senhor, Deus ouviu as suas orações. Ontem, por volta do meio-dia, ele pôs o seu selo aos desejos do seu servo aflito; e, glória a ele, tenho desfrutado dos frutos do seu Santo Espírito desde então. A única inquietação que sinto é a falta de gratidão e amor por tão indescritível dom. Mas estou confiante também nisto: que a mesma mão graciosa que me deu continuará a dar até o fim.
“Sou o seu sincero amigo em Cristo, W. Delamotte.
“Ah, meu amigo, estou verdadeiramente livre! Agonizei algum tempo entre as trevas e a luz; mas Deus foi maior do que o meu coração, rompeu a nuvem, derrubou a parede de separação e me abriu a porta da fé.”
Ao ler isto, senti verdadeira gratidão e fiquei totalmente desfeito diante da bondade de Deus para com o meu amigo.
Segui a sua orientação, à tarde, até a casa do sr. Sims. Passamos o tempo como de costume. A sra. Chapman apareceu; disse que não podia ficar; contudo, ficou para as orações. Fui muito auxiliado; levantei-me e perguntei-lhe se cria. “Não sei, mas acho que sim; pois nunca me senti assim na vida; tão estranhamente aquecida! Parece que tenho um fogo dentro de mim. Enquanto me ajoelhava, pensei: ‘Como poderia eu esperar receber a fé, havendo aqui tantas pessoas melhores do que eu?’ Então me veio à mente que eu deixara o meu dinheiro sobre a banca; mas Deus, pensei, poderia cuidar dele, ou dar-me algo melhor.” Concluímos o dia com oração na casa do sr. Bray.
Estive de novo na casa da sra. Claggett. A filha mais velha e a sra. Claggett se juntaram a nós. Contei a cura da moça coxa em Bath. Ela se alegrou em ouvir que uma pessoa pode ter fé, e tê-la por muito tempo obscurecida por cuidados mundanos, sem contudo perdê-la; disse que o caso da criada era o seu; declarou que agora cria e reconheceu que as trevas sob as quais jazera por tanto tempo eram justo castigo por não ter dado glória a Deus. Cantamos e nos alegramos juntos, e fomos à casa de Deus como amigos. Na leitura, ele relatava a sua passada bondade para com ela: “Ele estava ensinando numa das sinagogas no sábado. E veio ali uma mulher possessa de um espírito de enfermidade, havia já dezoito anos; andava encurvada, sem de modo algum poder endireitar-se. Vendo-a Jesus, chamou-a e disse-lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade. E impôs-lhe as mãos, e ela imediatamente se endireitou e dava glória a Deus” (Lc 13.10-13). A sra. Claggett ficou profundamente comovida; e depois me contou que o fato de não ter seguido o exemplo daquela mulher, glorificando a Deus, causara todas as aflições da sua vida; mas que agora estava resolvida, tanto quanto pudesse, a reparar a sua passada infidelidade.
Na casa do sr. Sims eu estava extremamente avesso à oração; teria de bom grado escapado sem orar; mas o sr. Bray me deteve, dizendo que a minha frieza não poderia impedir Deus, e me obrigou a orar. Mal havia começado, e já estava totalmente desfeito, e orei mais fervorosamente do que jamais antes. Um pobre homem, que entrara no início da oração, confessou então a sua fé diante de todos nós, cheio de alegria e triunfo. “Nunca se sentira assim antes; sabia que os seus pecados estavam perdoados; poderia morrer com alegria naquele instante.”
Tendo de pregar nesta manhã pela primeira vez, recebi força para a obra do ministério, em oração e cânticos. Todo o culto em Basingshaw foi maravilhosamente animador, especialmente o Evangelho sobre a pesca milagrosa. Preguei a salvação pela fé a uma plateia profundamente atenta; ministrei o cálice. Observando uma mulher cheia de reverência, perguntei-lhe se tinha o perdão dos pecados. Ela respondeu, com grande doçura e humildade: “Sim, agora sei que tenho o perdão.”
Preguei de novo em London-Wall, sem temor nem cansaço. Ao entrar na igreja, uma mulher segurou a minha mão e me abençoou de todo o coração, dizendo que recebera o perdão dos pecados enquanto eu pregava de manhã.
À noite reunimo-nos, um bom grupo de nós, na casa do sr. Sims. Havia ali uma tal sra. Harper, que naquele dia, do mesmo modo, recebera o Espírito, pelo ouvir da fé; mas temia confessá-lo. Cantamos o hino a Cristo. Às palavras
“Who for me, for me hath died,”
“Tu que por mim, por mim morreste,”
ela irrompeu em lágrimas e clamores: “Eu creio, eu creio!”, e caiu prostrada. Ela continuou, e cresceu na certeza da fé; cheia de paz, alegria e amor.
Cantamos e oramos de novo. Observei uma das criadas sair correndo e, seguindo-a, encontrei-a cheia de lágrimas, alegria e amor. Perguntei-lhe o que tinha. Ela respondeu, tão logo a alegria lhe permitiu, que “Cristo morrera por ela!” Parecia totalmente dominada pelo amor dele.
Conversei um pouco com o meu amigo e homônimo, Charles Rivington. Roguei-lhe que suspendesse o juízo até me ouvir pregar.
Recebi uma carta de meu irmão, de Tiverton, cheia de graves acusações. Na casa do sr. Sparks encontrei Jephtha Harris. Convenci-o a ponto de ele reconhecer que estivera preconceituoso contra a verdade e que não tinha fé. Levei-o à casa do sr. Bray; orei por ele e invoquei as promessas. Todos ficaram muito comovidos.
Corrigi um sermão do sr. Sparks sobre a justificação. Tomei a carruagem para Bexley. No caminho, fui capacitado a orar por meu irmão. Ouvi um bom relato a respeito da sra. Delamotte, de que estava quase arrancada da sua própria justiça.
O honesto Frank fez parte da nossa congregação nesta noite e deu um relato animador do pequeno rebanho em Blendon. Recebi um relato mais completo de Hetty, informando-me de que a mãe dela estava convencida da sua incredulidade e muito envergonhada do comportamento que tivera comigo.
William Delamotte veio e se alegrou comigo por tudo o que Deus fizera. Trouxemos uma mulher da igreja para casa e trabalhamos arduamente para convencê-la de que merecia o inferno. Outra confessou ter recebido o perdão dos pecados durante uma doença.
A sra. Delamotte me seguiu da igreja, mandou me chamar e disse esperar não estar me interrompendo. Sua terceira frase foi: “Então, sr. Wesley, ainda está zangado comigo?” “Não, senhora”, respondi, “nem nunca estive. Antes de me dar tempo para refletir, eu mesmo fui tão violento contra a verdade que sei fazer concessões aos outros.” Aqui chegamos a um pleno entendimento; apresentei as Escrituras que provam a nossa justificação somente pela fé, o testemunho do Espírito, e assim por diante. Por estas, e por um excelente sermão do bispo Beveridge sobre o tema, ela pareceu inteiramente convencida. A única coisa em que tropeçava era a instantaneidade da fé, ou, em outras palavras, a possibilidade de alguém perceber quando a vida de fé começa.
Ela me levou na sua carruagem até Blendon, onde os pobres empregados ficaram muito contentes em me ver mais uma vez. Enquanto orávamos por ela, mandou me chamar ao seu quarto de oração. Encontrei-a totalmente derretida num estado de espírito humilde, contrito e ansioso. Mostrou-me várias orações que atestavam a verdadeira fé, especialmente esta, do bispo Taylor: “Eu sei, ó bendito Jesus, que tomaste sobre ti a minha natureza, para que pudesses sofrer pelos meus pecados; que sofreste para me livrar deles e da ira do teu Pai. E fui livrado da sua ira, para que eu te sirva em santidade e justiça todos os meus dias. Senhor, tenho tanta certeza de que realizaste a grande obra da redenção por mim, e por toda a humanidade, quanto de que estou vivo. Esta é a minha esperança, a força do meu espírito, a minha alegria e a minha confiança. E não deixes jamais que o espírito da incredulidade entre em mim e me tire desta rocha. Aqui eu habitarei, porque nela me deleito. Aqui viverei, e aqui desejo morrer.”
Ela me perguntou o que mais poderia fazer, estando convencida da sua falta de fé e incapaz de dá-la a si mesma. Preguei a gratuidade da graça e me entreguei à oração por ela, esforçando-me, suspirando, buscando o testemunho do Espírito, a plenitude das promessas, em favor dela. Conjurei-a a esperar continuamente o cumprimento da promessa, e a não considerar a indignidade que confessava um obstáculo. Na manhã seguinte voltei para a cidade.
Preguei o sermão de meu irmão sobre a fé em [VERIFICAR NO ORIGINAL], e uma segunda vez na sacristia de St. Sepulchre. Voltando a pé para casa com a sra. Burton, eu disse: “Certamente deve haver algo que a senhora não está disposta a abrir mão, ou Deus já lhe teria dado consolo antes de agora.” Ela respondeu apenas com as suas lágrimas. Depois de orar por ela na casa do sr. Bray, deitei-me; levantei-me; impedi-a de ir para casa e a levei, com James e a sra. Turner, para longe da companhia, a fim de orar. Depois da oração, na qual fui muito auxiliado, encontrei-a tomada de grande aflição, trêmula e fria; ansiando, mas ao mesmo tempo temendo dizer que cria. Oramos de novo. Ela então disse, com muito esforço: “Senhor, eu creio; ajuda-me na minha incredulidade.” Repetiu isto várias vezes, e a cada repetição ganhava forças.
A pedido do sr. Sparks, fui com ele, o sr. Bray e o sr. Burnham a Newgate; e preguei aos dez condenados à morte, mas de coração pesado. Meus antigos preconceitos contra a possibilidade de um arrependimento no leito de morte ainda pesavam sobre mim; e eu mal podia esperar que houvesse misericórdia para aqueles cujo tempo era tão curto. Mas, no meio da minha lânguida pregação, um súbito espírito de fé veio sobre mim, e prometi a todos eles o perdão, em nome de Jesus Cristo, se então, como na última hora, se arrependessem e cressem no Evangelho. Aliás, cheguei a crer que eles aceitariam a misericórdia oferecida, e não pude deixar de lhes dizer que “não tinha dúvida de que Deus me daria cada uma daquelas almas”.
A caminho da casa do sr. Chapman, encontrei Margaret Beutiman e lhe pedi que me seguisse, pois vários de nós iríamos nos unir em oração ali. James Hutton, o sr. Holland, o sr. e a sra. Sims chegaram logo depois de nós. Cantamos e invocamos as promessas. No meio da oração, Margaret recebeu a reconciliação e professou a sua fé sem vacilar; o seu amor a Cristo e a disposição de morrer naquele instante. Demos graças por ela, e então me ofereci para ir. Insistiram que eu ficasse um pouco mais; assim fiz, e ouvi a sra. Storer, uma irmã do sr. Bray, queixar-se da dureza do seu coração. Ela reconheceu que estivera na maior inquietação desde a nossa última reunião na casa do irmão dela, incapaz de orar ou de encontrar qualquer descanso para a alma. Enquanto cantávamos o hino ao Pai, ela encontrou o descanso pelo qual suspirava; ficou como que traspassada, segundo disse, o coração a ponto de romper, e toda a sua natureza dominada. Fomos à oração e depois abrimos a Escritura: “Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos” (Mt 11.25). Ela então foi fortalecida a professar a sua fé, e cresceu em paz e alegria. Enquanto caminhávamos, disse que jamais conseguira conceber como estas coisas poderiam ser, nem que mudança era essa de que falávamos. A sua fé foi ainda mais confirmada pela oração pública; e ela continuou a noite toda cheia de consolo, e da paz que excede todo o entendimento.
Preguei com fervor aos prisioneiros, a partir da segunda leitura. Um ou dois deles ficaram profundamente comovidos. Na casa do sr. Bray encontrei uma carta de W. Delamotte, e li, com alegria e gratidão, o seguinte:
“Não consigo acompanhar: as misericórdias de Deus vêm em tal abundância sobre a nossa indigna família, que não sou capaz de declará-las. Contudo, por serem elas bênçãos dele por meio do seu ministério, preciso informá-lo delas, pois hão de fortalecer as suas mãos e ser auxílio da sua alegria.
“Grande, pois, foi a luta entre a natureza e a graça na alma de minha mãe; mas Deus, que conhece o próprio coração e as entranhas, sondou-a por completo. O espírito dela, como a carne de Naamã, voltou a ser o de uma criancinha. Ela está convertida, e Cristo falou paz à sua alma. Esta obra começou nela na manhã em que o senhor nos deixou, embora ela a tenha ocultado do senhor.
“Ao acordar, a seguinte passagem lhe foi fortemente sugerida: ‘Ou qual a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma, não acende a candeia, varre a casa e a procura cuidadosamente até encontrar?’ (Lc 15.8). Ela se levantou de imediato, tomou o livro do bispo Taylor e o abriu numa passagem que afirmava tão fortemente esta fé viva, que ficou plenamente convencida. Mas o inimigo lhe pregava humildade; que ela não podia merecer tão grande dom. Contudo, Deus continuou a persegui-la, e ela não pôde deixar de me comunicar por muito tempo o que se passava em sua alma. Oramos, lemos e conversamos por uma hora; o Senhor se serviu de um pobre instrumento para convencê-la da sua ignorância na Palavra. Ao longo daquele dia, a sua mente foi sendo cada vez mais iluminada, até que por fim ela exclamou: ‘Onde estive eu? Não sei nada; não vejo nada. A minha mente é toda trevas. Como me opus à Escritura!’ O tentador, assim enfurecido, mobilizou todas as suas forças para persuadi-la de que trabalhava por algo que não podia ser alcançado; mas Cristo não permitiu que ela caísse. Ela voou a ele em oração e cânticos; e, ainda que Satanás muito a abatesse, não conseguiu vencê-la, porque o que fora gerado nela era do Espírito Santo.
“Ela continuou agonizando a noite toda. Mas como poderei relatar o que se seguiu? O primeiro objeto dos seus pensamentos na manhã seguinte foi Cristo. Ela o viu se aproximando; e, ao vê-lo, amou, creu, adorou. As suas orações o traziam ainda mais perto; e tudo o que via concorria para apressar o abraço do seu Amado. Assim permaneceu no Espírito até as quatro; quando, lendo no seu quarto de oração, recebeu o beijo da reconciliação. A sua própria alma não conseguia conter as alegrias que a acompanhavam. Não pôde deixar de comunicar aos amigos e vizinhos que encontrara a moeda que perdera. Em vão Satanás tentou abalá-la; pois ela sentia em si
‘Faith’s assurance, hope’s increase,
All the confidence of love.’
‘A certeza da fé, o aumento da esperança,
toda a confiança do amor.'”
O sr. Sparks perguntou-me nesta manhã se eu pregaria por ele em St. Helen. Concordei em substituir o sr. Broughton, que agora está em Oxford, armando os nossos amigos contra a fé. A dor no meu lado era muito forte; mas olhei para Cristo e reconheci o seu poder de cura. Ao mesmo tempo, veio-me à mente: “Da fraqueza tiraram força” (Hb 11.34). Assim que entrei na carruagem, a dor me deixou, e preguei a fé em Cristo a uma vasta congregação, com grande ousadia, acrescentando muita coisa de improviso.
Depois do sermão, a sra. Hind, em cuja casa o sr. Broughton se hospeda, mandou me chamar; reconheceu a sua concordância com a doutrina e insistiu que eu fosse conversar com o sr. Broughton, que, segundo ela não podia deixar de crer, também haveria de concordar com ela.
Da casa dela fui à do sr. Sims, e descobri que Deus selara o meu ministério; o sr. Dandy e a srta. Branford declararam que a fé lhes viera ao me ouvir. Alegramo-nos e demos graças do fundo do coração.
Preguei em Newgate aos condenados, e visitei um deles em sua cela, doente de febre; um pobre negro que roubara o seu senhor. Falei-lhe daquele que desceu do céu para salvar pecadores perdidos, e a ele em particular; descrevi os sofrimentos do Filho de Deus, as suas tristezas, a agonia e a morte. Ele escutava com todos os sinais de ávido espanto; as lágrimas rolavam pelas suas faces enquanto exclamava: “O quê! Foi por mim? Deus sofreu tudo isso por uma criatura tão pobre como eu?” Deixei-o esperando a salvação de Deus.
À noite, o sr. Washington, do Queen’s College, veio disputar comigo. Testemunhei simplesmente a minha falta de fé três meses atrás e o fato de tê-la agora; perguntei-lhe se poderia dar a vida pela verdade de estar na fé; se admitia que Cristo está tão realmente presente na alma que crê quanto no mais alto céu; disse-lhe que ele ainda estava nos seus pecados e nada sabia, e roguei-lhe que orasse por direção.
Li as orações e preguei em Newgate, e ministrei a ceia aos nossos amigos, com cinco dos condenados. Fiquei muito comovido e auxiliado na oração por eles; e os exortei com grande consolo e confiança.
Recebi a ceia das mãos do capelão da prisão; falei com firmeza aos pobres condenados; e ao negro doente, na cela dos condenados, comovido por sua tristeza e seu ardente desejo de Cristo Jesus.
Preguei ali de novo, com o coração dilatado; e me alegrei com o meu pobre e feliz negro, que agora crê que o Filho de Deus o amou e se entregou por ele.
Metcalf e Savage vieram: este último recebera a fé na sexta-feira à noite, em oração, e agora está cheio de consolo, paz e alegria. Tomei a carruagem com Metcalf; preguei a doutrina dos três estados com ousadia; ministrei a ceia. Dali fui à casa da sra. Claggett; cantamos, alegramo-nos e demos graças em favor das duas criadas, agora acrescentadas à igreja pela verdadeira fé divina. Como o sr. Claggett entrou por engano, nós o agarramos e o levamos conosco a Blackfriars. Muito fraco e desfalecido, ainda assim fui fortalecido a pregar por mais de uma hora. Fui levado para a cama cheio de dor, esperando a minha febre; contudo, cria que ela não poderia voltar, a menos que fosse o melhor.
Levantei-me livre de dor. Em Newgate, preguei sobre a morte (que eles deverão sofrer depois de amanhã). O sr. Sparks auxiliou na ministração da ceia. Havia outro clérigo presente; Newington pediu-me que fosse na carruagem com ele. À uma hora eu estava com o negro em sua cela; James Hutton me auxiliava. Chegaram mais dois dos condenados. Tive grande auxílio e poder na oração. Um deles se levantou e disse que sentia o coração todo em fogo, como nunca se sentira antes; estava todo em suor; cria que Cristo morrera por ele. Senti-me tomado do amor de Cristo pelos pecadores. O negro estava totalmente feliz. O outro condenado estava num estado de espírito excelente; crendo, ou a ponto de crer. Falei com outro sobre a fé em Cristo; ele ficou muito comovido. O Senhor, creio, ajudará também a sua incredulidade.
Uni-me, na casa do sr. Bray, a Hutton, Holland e Burton, em fervorosa oração e ação de graças. Às seis, levei Bray e Fish de novo a Newgate, e conversei principalmente com Hudson e Newington. Newington declarou que sentira, algum tempo antes, em oração, uma alegria e um amor inexprimíveis; mas ficara muito angustiado por terem sido tão logo retirados. O Senhor deu-nos poder para orar. Eles ficaram profundamente comovidos. Temos grandes esperanças a respeito de ambos.
O capelão leu as orações e pregou. Ministrei a ceia ao negro e a mais oito; tendo-os primeiro instruído sobre a natureza dela, falei-lhes depois palavras de consolo.
Nas celas, um deles me contou que, sempre que se dispunha a orar, ou tinha um pensamento sério, algo vinha e o impedia; que isso o acompanhava quase continuamente; e que uma vez aparecera. Depois de orarmos por ele com fé, ele se levantou espantosamente consolado, cheio de alegria e amor; de modo que não pudemos duvidar de que recebera a reconciliação.
À noite fiquei trancado com Bray numa das celas. Lutamos em poderosa oração. Todos os condenados estavam presentes, e todos deliciosamente alegres. O soldado, em particular, sentia o seu consolo e a sua alegria crescerem a cada instante. Outro, desde que comungou, tem estado em perfeita paz. A alegria era visível em todos os rostos. Cantamos:
“Behold the Saviour of mankind,
Nail’d to the shameful tree!
How vast the love that him inclined
To bleed and die for thee,” etc.
“Contemplai o Salvador da humanidade,
pregado à árvore vergonhosa!
Quão vasto o amor que o inclinou
a sangrar e morrer por ti”, etc.
Foi uma das horas mais triunfantes que já conheci. E, contudo, na
levantei-me muito abatido e relutante em visitá-los pela última vez. Às seis, orei e cantei com todos eles reunidos. O capelão insistiu em ler as orações, e pregou de modo lamentável. O sr. Sparks e o sr. Broughton estavam presentes. Senti o coração cheio de terno amor por este último. Ele ministrou a ceia. Todos os dez comungaram. Depois ele orou; e eu, depois dele.
Às nove e meia, os ferros lhes foram retirados e as mãos, atadas. Fui numa carruagem com Sparks, Washington e um amigo de Newington (o próprio Newington não sendo permitido). Às dez e meia chegamos a Tyburn e esperamos até as onze; então trouxeram os condenados designados para morrer. Subi ao carro com Sparks e Broughton; o capelão tentou seguir-nos, mas os pobres prisioneiros suplicaram que ele não subisse, e a multidão o manteve afastado.
Orei primeiro, depois Sparks e Broughton. Havíamos orado antes para que o nosso Senhor mostrasse haver um poder superior ao medo da morte. Newington esquecera por completo a sua dor. Estavam todos alegres, cheios de consolo, paz e triunfo; plenamente persuadidos de que Cristo morrera por eles e esperava para recebê-los no paraíso. Greenaway estava impaciente para estar com Cristo.
O negro me avistara ao sair eu da carruagem, e me saudou com o olhar. Cada vez que os seus olhos encontravam os meus, ele sorria com o semblante mais sereno e contente que já vi. Read segurou a minha mão num transporte de alegria. Newington parecia perfeitamente em paz. Hudson declarou que nunca estivera melhor, nem mais tranquilo, em mente e corpo. Nenhum deles mostrou qualquer temor natural da morte: nenhum medo, choro ou lágrima. Todos expressaram o desejo de que os seguíssemos ao paraíso. Nunca vi triunfo tão sereno, tal incrível indiferença diante do morrer. Cantamos vários hinos, em especial
“Behold the Saviour of mankind,
Nail’d to the shameful tree,”
“Contemplai o Salvador da humanidade,
pregado à árvore vergonhosa,”
e o hino intitulado “Fé em Cristo”, que termina:
“A guilty, weak, and helpless worm,
Into thy hands I fall:
Be thou my life, my righteousness,
My Jesus, and my all.”
“Verme culpado, fraco e desamparado,
em tuas mãos eu me lanço:
sê tu a minha vida, a minha justiça,
o meu Jesus, o meu tudo.”
Nós lhe pedimos, em fervorosa fé, que recebesse os seus espíritos. Eu não conseguia fazer outra coisa senão alegrar-me; beijei Newington e Hudson; despedi-me de cada um em particular. O sr. Broughton pediu-lhes que não se assustassem quando o carro se afastasse. Eles responderam com alegria que não se assustariam; e manifestaram alguma preocupação sobre como conseguiríamos voltar à nossa carruagem. Deixamo-los indo ao encontro do seu Senhor, prontos para o Esposo. Quando o carro se afastou, nenhum se moveu, nem lutou pela vida, mas todos entregaram mansamente os seus espíritos. Exatamente ao meio-dia, partiram desta vida. Dirigi algumas palavras adequadas à multidão; e voltei, cheio de paz e de confiança na felicidade dos nossos amigos. Aquela hora ao pé da forca foi a hora mais abençoada da minha vida.
Na casa do sr. Bray renovamos o nosso triunfo. Encontrei ali meu cunhado e minha cunhada Lambert, e preguei-lhes o Evangelho do perdão, que receberam sem oposição.
Estive nas orações matinais em Islington. Tive uma séria conversa com o sr. Stonehouse, o vigário. Trouxe-o comigo para casa depois das orações da tarde.
O sr. Robson veio, e recebeu a estranha doutrina da fé com surpreendente prontidão. À noite, muitos se juntaram a nós em oração e louvor. O irmão Edmunds deu o seu testemunho; e também dois outros, que tinham recebido a bênção do perdão ao ouvir o meu sermão sobre “A voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor” (Is 40.3). Outro se levantou (até há pouco um notório pecador) e declarou o mesmo. Continuamos até as onze, orando e louvando a Deus.
O sr. Robson confessou que cria que existia tal fé, mas que lhe era impossível obtê-la; e que ela necessariamente traria consigo uma perseguição. Continuamos a invocar as promessas por ele; ele ficou muito comovido, e foi crescendo cada vez mais em esperança. Eu estava cheio de expectativa, tanto quanto o sr. Bray. Ao cantarmos o hino ao Pai, o nosso pobre amigo ficou totalmente dominado e como que compelido a crer; até que por fim se encheu de força e confiança.
Às cinco, o sr. Chapman veio da parte do sr. Broughton, e mostrou-se inteiramente distante. Insistiu que não há necessidade de sermos perseguidos hoje em dia. Disse-lhe que eu era de outro parecer; e que cria que toda doutrina de Deus deve ter estas duas marcas: 1ª, enfrentar toda a oposição dos homens e dos demônios; 2ª, triunfar sobre tudo. Manifestei a minha disposição de me separar dele, e de todos os meus amigos e parentes, por amor da verdade; declarei a minha liberdade e felicidade desde o Pentecostes; abri caminho para o inimigo que fugia; e nos separamos como amigos, ainda que a duras penas.
Preguei a fé na casa do sr. Stonehouse. Ele ainda tropeçava na questão da aptidão. Oramos com o maior fervor. As srtas. Claggett jantaram conosco. Orei de novo, com grande consolo e esperança por ele. Ele permaneceu insensível. Pedimos-lhe que abrisse a Bíblia. Ele o fez, nestas palavras apropriadas, de 1Ts 1.5: “Porque o nosso evangelho não chegou até vós somente em palavra, mas também em poder, e no Espírito Santo, e em plena convicção.” Fiquei com ele depois da oração da tarde, para mantê-lo longe do sr. Chapman. Concordei em assumir o cuidado da paróquia dele, sob a sua direção, como seu coadjutor. À noite, a sra. Turner me contou, na casa da sra. Claggett, que fora muito fortalecida para orar com fé pelo sr. Stonehouse.
William Delamotte veio e me levou a Bexley.
Em Blendon. A sra. Delamotte me chamou para alegrar-se comigo, na experiência da bondade divina. À noite, encontrei vários sinceros buscadores na casa do sr. Piers; junto com alguns que sabem em quem creram. Tivemos grande poder na oração e alegria na ação de graças. W. Delamotte muitas vezes gritava de alegria. Antes das nove, voltamos a Blendon. A sra. Delamotte confessou então que todo o seu desejo tinha sido ofender-me, ou me deixar zangado; que por muito tempo espreitara cada palavra que eu dizia; que perseguira a verdade, e a todos os que a professavam, e assim por diante.
Na carruagem para Londres, preguei a fé em Cristo. Uma senhora ficou extremamente ofendida; afirmou os próprios méritos em termos claros; perguntou se eu não era metodista; ameaçou me bater. Declarei que eu não merecia nada senão o inferno; que ela também merecia; e que precisava confessá-lo, antes de poder ter direito ao céu. Isto lhe foi de todo insuportável. Os outros ficaram menos ofendidos; começaram a ouvir; perguntaram onde eu pregava; uma criada devorava cada palavra.
O sr. Exell recebeu a fé, em resposta imediata às nossas orações. Na casa do sr. Stonehouse, encontrei Charles Rivington e a esposa; mas não chegamos a acordo algum, pois eu insistia numa manifestação particular de Cristo a cada alma, e ele a negava.
Às seis, recebi a ceia; preguei a fé às dez; e de novo à tarde em All-hallows, na Thames-street. Minha força aumentava com o meu trabalho. Na casa do sr. Sims, comecei a expor a Epístola aos Romanos.
Comecei a escrever um sermão sobre Gl 3.22: “Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa, mediante a fé em Jesus Cristo, fosse concedida aos que creem.”
Encontrei o sr. Lynn, que muitas vezes me convidara à sua casa. Fui; e encontrei-o de novo convencido da sua incredulidade, e mais inquieto do que nunca.
Li as orações em Islington (como faço quase todos os dias) e dormi na casa do sr. Stonehouse.
Encontrei-me com Lord Egmont e declarei a minha intenção de voltar à Geórgia, se a minha saúde permitisse; com o que ele ficou muito satisfeito.
Corrigi o Diário do sr. Whitefield para a publicação; o meu conselho de suprimi-lo foi rejeitado.
Preguei em Islington e ministrei o cálice. À tarde, li as orações numa igreja de Londres e preguei de novo. Estava desfalecido e cheio de dor quando comecei; mas o meu trabalho me curou completamente.
Fui a pé até a casa da sra. Hind. O sr. Broughton e Washington estavam ali. Eles negaram explicitamente que somos salvos pela justiça imputada de Cristo; e afirmaram que as obras justificam, que têm parte em nos tornar justos diante de Deus. Apelei às Homilias, que eles nunca tinham lido, em favor da justificação somente pela fé. Quando se foram, tive uma animada conversa com a sra. Hind e o filho dela, bem dispostos a receber a fé, se ainda não a têm.
Fomos aquecidos pela leitura do Diário de George Whitefield. Caminhei com Metcalf e outros, com grande alegria, desejando um lugar para cantar, quando um ferreiro nos deteve. Entramos na casa dele, cantamos um hino e seguimos o nosso caminho, alegres.
Preguei em Islington; ministrei a ceia a uma mulher enferma, que ali recebeu a certeza da sua reconciliação com Deus, por meio de Cristo Jesus.
Comunguei de novo com a mulher enferma. A sra. Claggett e as filhas formavam a maior parte da congregação. Fomos todos consolados. Raramente deixo de vê-las, e a Islington, uma vez por dia.
Fui arrastado pelo sr. Bray à sociedade religiosa de Jephtha Harris; ali, depois de muita disputa, refutei-os, mais do que os convenci, pela leitura da Homilia sobre a Justificação.
Preguei a fé a uma mulher que estava morrendo, e ministrei a ceia. Ela estava convencida de que Deus nos enviara; disse-me que eu fora o instrumento da salvação da sua alma. Perguntei: “A senhora não tinha, então, fé alguma antes de virmos?” Ela respondeu: “Não; como haveria de ter? É o dom de Deus; e ele nunca mo deu até agora.” “A senhora acha, então, que será salva?” “Sim”, respondeu ela, sorrindo; “não tenho dúvida disso.” “Então não precisa temer que o diabo lhe faça mal.” “Eu sei; ele está acorrentado; não tenho nada com ele, nem ele comigo.” Ela prometeu levar um bom testemunho a nosso respeito àqueles para junto de quem estava indo.
Li as orações em Islington; encontrei a sra. Brockmar, alguém que, estando em desespero, fora dirigida a Cristo e, em quinze dias, encontrara paz para a alma, crendo firmemente que o seu pecado fora imputado a Cristo, e a justiça dele, a ela. Ela me pediu que fosse ver a mulher enferma de novo. Preguei a fé a uma grande companhia que ali encontrei. A mulher deu um nobre testemunho. Perguntei-lhe diante de todos: “A senhora recebeu o perdão?” A resposta foi: “Sim, tenho certeza dele pelo próprio Cristo.” A eles ela disse que não deviam apenas pensar que criam, mas senti-lo, e ter plena confiança disso. Todos me agradeceram muito.
Orei e me alegrei com ela de novo, ainda mais seguro da sua salvação. A sra. Brockmar, os Claggett e outros faziam parte da companhia. Subimos ao terraço e cantamos, cheios de zelo, vida e consolo. Li as orações; e, com o sr. Brockmar e outros, voltamos a cantar na casa do sr. Stonehouse. Ele nos leu uma Homilia. Às sete, todos saímos; fomos empurrados pela chuva forte para um galpão, onde cantamos e pregamos aos que estavam por perto. Cheguei encharcado à casa do sr. Bray; uni-me ali aos nossos amigos, em cânticos, leitura e oração. Um jovem recebeu a fé naquela hora.
Na casa do sr. Stonehouse, li as orações com certa vivacidade. Ministrei a ceia à mulher; perguntei-lhe: “A senhora ainda crê que será salva?” “Sim; estou humildemente confiante disso, e não me importa quão cedo eu parta. Desejo partir e estar com Cristo” (Fp 1.23). Cantamos no terraço, como antes.
Às três, encontrei o meu amigo Stonehouse extremamente abatido e profundamente angustiado pelo receio de se casar. Orei com fervor para que nem ele nem eu fôssemos jamais deixados a seguir os desejos do próprio coração. Depois de ler as orações, sepultei um morto; e voltei à casa do sr. Bray, oprimido pelo fardo do meu pobre George.
Preguei em Islington de manhã, e em Clerkenwell à tarde, sobre “A Escritura encerrou tudo debaixo do pecado”, e assim por diante. Deus me deu grande ousadia; e a palavra, creio, não voltou vazia.
Thomasin, a criada do sr. Stonehouse, contou-me que encontrara grande paz, consolo e alegria em oração no último sábado, de modo que o seu próprio interior (como ela expressou) fora transformado. Visitei a sra. Hall, que estava morrendo. Ela fez sinais da sua confiante fé. Depois, a sra. Hankinson, que me disse ter ficado muito inquieta desde que eu afirmara que a pessoa precisa ter certeza do seu perdão. Preguei a fé como o único instrumento da justificação. Ela ficou totalmente derretida. Oramos; ela se levantou e disse que o seu coração fora posto em liberdade, o seu fardo removido, e o seu espírito estava jubiloso em Cristo, seu Salvador.
Na casa da sra. Musgrave, encontrei uma tal sra. Nichols, que prontamente reconheceu que não era livre, que não tinha fé; mas cria que Cristo poderia dá-la naquele mesmo instante. Oramos por ela com fé. Ela recebeu a resposta imediata; expressou a sua confiança, o seu deleite e o seu amor a Jesus; e, ao mesmo tempo, o seu total desafio a Satanás, ao pecado e à morte.
Estive com o sr. Stonehouse, possuído de uma estranha ideia: a de que o homem precisa estar inteiramente santificado antes de poder saber que está justificado.
Preguei em St. John a doutrina dos três estados, e auxiliei na ministração da ceia a uma congregação muito grande.
Vim de carruagem a Oxford; alegrei-me na casa do sr. Fox, com o sr. Kinchin, Hutchins e outros amigos cristãos.
Preguei aos pobres prisioneiros no Castelo. Muitos, com o sr. Watson, estavam presentes na sociedade. Todos de um só coração, buscando Cristo com fervor. Li as Homilias e persisti na oração. Uma mulher exclamou: “Onde estive eu por tanto tempo? Tenho estado nas trevas; nunca serei libertada delas” — e irrompeu em lágrimas. A sra. Cleminger também parecia estar nas dores do novo nascimento.
Deixei o sr. Watson, convencido da sua incredulidade, e cavalguei até Stanton-Harcourt. Falei com grande relutância, mas plena e claramente, à minha irmã; e depois ao sr. Gambold e a Kinchin, que me surpreenderam ao receber a minha dura palavra, de que eles não tinham fé. Fiquei envergonhado ao ver a grande gratidão e o espírito manso e amoroso do sr. Kinchin, ainda antes da justificação.
Fui visitar o decano; mas não conseguimos concordar plenamente em nossas noções de fé. Ele se admirou de não termos recorrido às Homilias mais cedo; tratou-me com grande franqueza e amizade.
Na sociedade, li o meu sermão, “A Escritura encerrou tudo debaixo do pecado”, e insisti com cada um na minha habitual pergunta: “Você merece ser condenado?” A sra. Platt, com a maior veemência, exclamou: “Sim; mereço, mereço!” Orei para que, se Deus visse ali alguma alma contrita, cumprisse a sua promessa de vir e fazer nela a sua morada. “Se enviaste o teu Espírito para convencer algum pecador do pecado, em nome de Jesus Cristo, reclamo a salvação para esse pecador!” De novo ela irrompeu em fortes clamores, mas de alegria, não de tristeza, estando totalmente dominada pelo amor de Cristo. Perguntei-lhe se cria em Jesus. Ela respondeu em plena certeza de fé. Cantamos e nos alegramos por ela (que continuava ajoelhada), unimo-nos em ação de graças; mas a voz dela se ouvia acima da nossa.
O sr. Kinchin perguntou: “A senhora tem o perdão dos pecados?” “Estou perfeitamente certa de que tenho.” “A senhora tem o penhor do Espírito no seu coração?” “Tenho; sei que tenho; sinto-o agora dentro de mim.” As respostas dela a estas e outras perguntas semelhantes expressavam a mais forte confiança, para grande encorajamento de todos os presentes.
Relatei isto na casa de Hutchins, diante do sr. Wells, que parece plenamente convencido da verdade.
Tomei a carruagem para Londres. Entre as cinco e as seis, cheguei à casa da sra. Claggett. Eles se uniram a mim de todo o coração em louvor e oração. O sr. Claggett esteve muito amistoso. James Hutton ceou conosco. Encontrei vários amigos na casa do sr. Bray. Depois da oração, ele me disse que Deus claramente proíbe o meu retorno à América, pelo êxito que tenho aqui.
Preguei a salvação pela fé na Abadia de Westminster; ministrei o cálice. À tarde, preguei em St. Botolph; e expus Rm 2 na casa do sr. Sims, a mais de duzentas pessoas.
Charles Kinchin, agora meu companheiro inseparável, acompanhou-me a Bexley e Blendon. Orei e fui consolado com a gente humilde.
O sr. Piers concordou em hospedar a minha irmã Kezzy. Li o meu sermão; orei e me alegrei com a sra. Delamotte e os demais em Blendon. Charles era todo gratidão e amor. Voltei para a cidade muito doente de uma dor de garganta.
Preguei a fé de manhã na capela de Sir George Wheler, e auxiliei na ceia. À tarde, em St. Botolph. À noite, na casa do sr. Sims, fui muito fortalecido para orar e expor a mais de trezentas almas atentas. Outra ovelha perdida foi agora trazida para casa.
Encontrando a mãe de Charles Metcalf, esforcei-me por convencê-la da sua incredulidade (o nosso primeiro ponto com todos). Ela cedeu por fim; e nos unimos em fervorosa oração por ela.
James Hutton veio e me levou à força a Newgate; onde pregamos Cristo a quatro condenados. À noite, meu irmão retornou de Herrnhut. Tivemos uma doce conversa, comparando as nossas experiências.
Na ceia matinal, meu irmão leu as orações; eu preguei “todos debaixo do pecado” em Gracechurch-street, de manhã; na capela de Queen’s-street, à tarde. À noite, preguei a fé, a partir de Rm 3, na sociedade do Savoy. Meu irmão nos entreteve à noite com as experiências dos morávios.
Na casa do sr. Bray, expus Ef 1. Surgindo uma disputa sobre a predestinação absoluta, registrei o meu protesto contra essa doutrina.
Consolei a sra. Claggett, muito ameaçada pelo marido; e depois a sra. Hankinson, que perdeu vários hóspedes, mas em nada se deixa aterrorizar pelos seus adversários. Li as orações na igreja de Islington e preguei com grande ousadia. Havia uma vasta plateia, mais bem disposta que de costume. Ninguém saiu, como haviam ameaçado, e frequentemente feito antes; especialmente os ouvintes bem vestidos, sempre que eu mencionava o inferno a ouvidos refinados, e insistia naquela rude pergunta: “Você merece ser condenado?”
Cantamos, alegramo-nos e demos graças na casa do sr. Stonehouse; e de novo na casa da sra. Hankinson. Conversei com uma das jovens dela, a quem a fé viera pelo ouvir.
A caminho de Oxford, conversei de perto com o meu companheiro de viagem, o sr. Combes. Ele expressou o seu desejo de fé; senti-me movido a cantar “Salvação pela fé”, depois “Fé em Cristo”. Disse-lhe que, se o Espírito o convencera da sua incredulidade, poderia convencê-lo também da justiça, ainda antes de chegarmos a Oxford. Parei e orei para que ele cresse. Imediatamente ele me disse que estava num estado tão abençoado como jamais experimentara. Detivemo-nos e fomos à oração. Ele testemunhou o grande deleite que sentia, dizendo que era o céu, se ao menos durasse. Enquanto conversávamos, o fogo dentro dele, disse, difundia-se por todas as partes; ele transbordava de alegria (embora sem saber que cria), e estava ávido por louvar a Deus. Chamou-me a juntar-me a ele. “Se eu estivesse agora no céu, não conseguiria pensar nos meus pecados; só pensaria em louvar a Deus.” Cantamos e clamamos todo o caminho até Oxford.
Encontrei os nossos amigos com o sr. Hutchins na casa de Fox. A sra. Platt estava cheia de vida e amor. Lemos as experiências dos morávios.
Visitei o meu antigo amigo, John Sarney, agora inteiramente afastado pelo escândalo da cruz. Cavalguei até o meu constante amigo, John Gambold. O sr. Combes comungou conosco; o seu ardor, disse-me, retornara ao professar a sua fé. Deixei a sra. Gambold na confiante esperança de logo recebê-la. Preguei com ousadia em Oxford; orei a Deus, com o sr. Wells.
Voltei para a cidade, tendo em certa medida confirmado os nossos amigos em Oxford. Meu irmão me informou sobre alguém que ontem era um pecador declarado, e hoje foi recebido na igreja de Cristo, ou na companhia dos fiéis. A sra. Claggett disse que, nesta manhã, em total desespero, ouvira um distinto sussurro: “Eu sou o Senhor, teu Deus, poderoso para salvar.”
Li as orações e ministrei a ceia na sala de inquéritos. À tarde, li as orações e preguei em St. Margaret, Westminster.
Jantei na casa do sr. Brockmar; e admoestamo-nos uns aos outros em salmos, hinos e cânticos espirituais. Fui, com as três srtas. Claggett, à nossa pobre mulher enferma. Meu irmão e James nos seguiram; depois a sra. Metcalf e três dos Delamotte. Encontramo-la cheia de triunfo e de veementes desejos de partir e estar com Cristo. Fizemos isto em memória dele.
Fui com Sparks a Newgate; vergonhosamente relutante; contudo, preguei sobre o arrependimento com fervoroso zelo.
Preguei em Bexley “todos debaixo do pecado”; terminei o meu sermão à tarde. O povo, muito revoltado. A sra. Delamotte me levou para casa. Exortei os meus amigos na cozinha. Um sermão foi lido na sala. Preguei a fé em Cristo. O sr. Delamotte não fez objeção, mas pareceu muito satisfeito.
Caminhei com Will até Bexley, onde o meu sermão causou grande alvoroço.
Voltei aos meus amigos em Londres. Falei com franqueza ao sr. Claggett, que tem sido muito violento com a esposa desde que os deixei.
Estive na casa de West com Bray e Sparks, e orei, invocando as promessas em muita dor física. Pedi com fé que ela me deixasse; e ela me deixou, enquanto eu caminhava para a casa de James.
Às sete, li as orações e preguei em St. Antholin.
Ouvi Hutchins em St. Lawrence; tive muito consolo e enternecimento em oração depois da ceia. Preguei “a única coisa necessária” em Islington, e acrescentei muita coisa de improviso; cantei na casa do sr. Stonehouse; a casa do sr. Sims estava excessivamente lotada à noite; falei com muita ousadia e ardor. Na casa do sr. Bray, encontrei os irmãos reunidos. O sr. Stonehouse estava ali, num espírito muito manso, de criança. Senti-me movido a orar por ele com fervor, e segundo Deus. Pedi em particular que alguém então recebesse a reconciliação. Enquanto se dispersavam, E. [VERIFICAR NO ORIGINAL] chegou; queixou-se da dor e do fardo do pecado, que o esmagava. Levei-o à parte, com Hutchins. Ele recebeu a fé em resposta imediata à nossa oração; professou-a; cheio de paz, alegria e amor. Manifestei um forte desejo de orar pelo sr. Stonehouse. Orei de novo, com veemência e lágrimas. Bray ficou muito comovido; e também James e todos os demais; contudo, nenhuma resposta. O sr. Stonehouse disse que a bênção lhe era retida para aumentar a nossa insistência.
Vendo tão poucos presentes em St. Antholin, pensei em pregar de improviso; com medo; mas arrisquei-me sobre a promessa: “Eis que estou convosco todos os dias” (Mt 28.20); e falei sobre a justificação, a partir de Rm 3, por três quartos de hora, sem hesitar. Glória a Deus, que guarda a sua promessa para sempre.
Fui, com meu irmão, à presença do bispo de Londres, para responder às queixas que ele ouvira contra nós, de que pregávamos uma certeza absoluta da salvação. Algumas de suas palavras foram: “Se por ‘certeza’ vocês entendem uma persuasão interior, pela qual o homem é consciente em si mesmo, depois de examinar a sua vida pela lei de Deus e de pesar a sua própria sinceridade, de que está num estado de salvação e é aceito por Deus, não vejo como algum bom cristão possa ficar sem tal certeza.” “Isto”, respondemos, “é o que defendemos; mas fomos acusados de antinomianos, por pregarmos a justificação somente pela fé.” “Pode alguém pregar de outro modo, se concorda com a nossa Igreja e com as Escrituras?” “De fato, ao pregá-la com força e não inculcar as boas obras, muitos se tornaram antinomianos na teoria, ainda que não na prática; especialmente no tempo do rei Carlos.” “Mas há uma pesada acusação contra nós, os bispos, por vocês invocarem a autoridade do arcebispo para rebatizar um adulto.” Meu irmão respondeu que ele declarara expressamente o contrário; “contudo”, acrescentou, “se uma pessoa insatisfeita com o batismo leigo desejasse o episcopal, eu consideraria meu dever ministrá-lo, depois de ter avisado o bispo, conforme o cânon.” “Bem, eu mesmo sou contra isso, quando alguém já recebeu o batismo dos dissidentes.”
Em seguida, meu irmão perguntou se a sua leitura numa sociedade religiosa a tornava um conventículo. Sua Excelência, com cautela, remeteu-nos às leis; mas, ao insistirmos na pergunta, “As sociedades religiosas são conventículos?”, ele respondeu: “Não; penso que não; contudo, vocês podem ler os atos e as leis tão bem quanto eu; nada determino.” Esperávamos que Sua Excelência não recebesse dali em diante uma acusação contra um presbítero, senão pela boca de duas ou três testemunhas. Ele disse: “Não; de modo algum. E vocês podem ter livre acesso a mim a qualquer momento.” Agradecemos-lhe e nos despedimos.
Preguei “a única coisa necessária” em St. Clement, a uma plateia muito grande (muitos dos quais permaneceram para a comunhão), e de novo na capela de Sir G. Wheler.
Disse ao sr. Claggett, num de seus acessos de perseguição, que ficaria contente em vê-lo num leito de enfermidade; que eu tivera a satisfação de tê-lo por amigo quando ele era mais amigo de si mesmo e de Deus. Ele saiu para buscar o bispo Taylor a fim de me refutar; mas abriu numa passagem que afirmava fortemente esta fé viva e justificadora. Reconheceu-se plenamente convencido; admirou a mão da Providência; confessou que detestara a minha presença e me odiara de todo o coração; mas que agora me amava por inteiro, e a toda a humanidade; que poderia me abraçar ao peito; que nunca conhecera tal consolo na vida como naquele instante; e que nem todo o mundo o arrancaria dele. Ai! Que esta nuvem matinal jamais se dissipe!
Na casa da sra. Hind, fui acusado pelo sr. Capell de invocar de modo particular as promessas. Confessei-o e o justifiquei. James veio me apoiar. Ambos fomos zelosos, não iracundos.
Estive na casa do sr. Sparks, que está plenamente persuadido de que os seus pecados estão perdoados.
Preguei com vigor em St. George; depois nas Casas de Caridade dos Ironmongers; e à noite expus Rm 5 a uma grande plateia em Minories.
Fiquei muito comovido ao orar pelo sr. Stonehouse.
Cantei com ele; invejei a sua delicada ternura de consciência. Caminhei com Metcalf e Betty Claggett para visitar uma mulher que morria na fé; dali fomos à casa da srta. Reeves, que agora tem certeza da sua aceitação diante de Deus.
Preguei em St. Antholin, reconciliando aqueles que nunca divergiram, São Paulo e São Tiago.
Preguei a doutrina dos três estados em St. Alban, na Wood-street; depois expus na casa do sr. Sims.
Em Newgate, fui totalmente enternecido sob a palavra que preguei.
Em Bexley. O sr. Piers, por temor às ameaças do mundo, abandonara a reunião de quarta-feira à noite. Minha irmã não abria mão da sua pretensão à fé; disse-me, meio zangada: “Bem, o senhor saberá no outro mundo se eu tenho fé ou não.” Perguntei-lhe: “Então, a senhora me dispensa, à vista de Deus, de lhe falar de novo? Se dispensar, prometo nunca mais abrir a boca até que nos encontremos na eternidade.” Ela irrompeu em lágrimas, lançou-se ao meu pescoço e me moveu a fervorosa oração por ela.
Charles Graves veio, e alegrou o meu coração com a notícia de ter recebido a reconciliação.
O sr. Piers me negou o seu púlpito, por temor do homem; alegando cuidado com o seu rebanho. Disse-lhe francamente que, se assim rejeitava o meu testemunho, eu não viria mais vê-lo. Voltei a pé para a cidade, na força do Senhor; e expus na casa do sr. Sims. Todos se desfizeram em lágrimas.
Charles trouxe o sr. W. Seward: uma alma zelosa, que conhecia apenas o batismo de João.
Tive outra conversa com Sua Excelência de Londres. “Usei a permissão de Vossa Excelência para vir à sua presença. Uma mulher me pede que a batize; não está satisfeita com o batismo que recebeu de um dissidente; diz que ter certeza e não ter certeza não é a mesma coisa.” Ele imediatamente se inflamou e me interrompeu: “Desaprovo completamente isso; é irregular.” “Meu Senhor, eu não esperava a sua aprovação. Vim apenas, em obediência, dar-lhe notícia da minha intenção.” “É irregular. Nunca recebo tal informação, senão do ministro.” “Meu Senhor, a Rubrica não exige sequer que o ministro lhe dê notícia, mas qualquer pessoa prudente. Tenho a permissão do ministro.” “Quem lhe deu autoridade para batizar?” “Vossa Excelência; e a exercerei em qualquer parte do mundo conhecido.” “O senhor é um coadjutor licenciado?” “Tenho a permissão do ministro competente.” “Mas o senhor não sabe que ninguém pode exercer função paroquial em Londres sem a minha permissão? É apenas sub silentio.” “Mas Vossa Excelência sabe que muitos tomam essa permissão por autorização; e o próprio senhor a admite.” “Uma coisa é tolerar, outra é aprovar. Tenho poder de proibi-lo.” “Vossa Excelência exerce esse poder? Proíbe-me agora?” “Ah, por que insiste em levar as coisas ao extremo? Não o proíbo.” “Então, meu Senhor, segundo a sua própria concessão, o senhor me permite ou me autoriza.” “Tenho o poder de punir, e de deixar de punir.” “Isto parece dar a entender que fiz algo digno de punição. Eu ficaria contente em saber o quê, para poder responder. Vossa Excelência me imputa algum crime?” “Não, não; não lhe imputo crime algum.” “O senhor me dispensa, então, de lhe dar notícia de quaisquer batismos no futuro?” “Não dispenso, nem deixo de dispensar.”
Ele condenou a obra de Lawrence sobre o batismo leigo; censurou o sermão de meu irmão, como inclinado ao antinomianismo. Acusei o arcebispo Tillotson de negar a fé. Ele o admitiu, e reconheceu que eles caíram num extremo para evitar outro. Concluiu a conversa com: “Bem, senhor, o senhor conhecia o meu parecer antes, e o conhece agora. Passe bem.”
Li as orações em Islington e batizei um adulto; o sr. Stonehouse, o sr. Sims e o sr. Burton foram as testemunhas.
Jantei na casa do velho sr. Hutton. Mal conseguiram ser corteses. Certamente, por amor de Cristo, perdemos esta família amiga.
Depois das orações matinais, batizei a sra. Bell com batismo condicional. Cantei e orei, com auxílio, na casa do sr. Stonehouse. Depois, a sra. Wren confessou que estivera em cativeiro por dez anos, mas que recebera a reconciliação na terça-feira à noite, enquanto orávamos; que agora estava perfeitamente livre; cheia de paz e alegria no crer. Outra professou a fé que recebera havia pouco. Jantei na casa do meu amigo Stonehouse, que muito bondosamente se oferece para hospedar meu irmão e a mim.
A sra. Hankinson levou-me a uma pobre mulher, quebrantada, ferida e atada pelo pecado. Depois da oração, ela se levantou, solta do seu vínculo, e glorificou a Deus.
Tive um alegre encontro com o meu querido Charles Delamotte, recém-chegado da Geórgia. Descobri, na conversa, que ele recebera o perdão cinco meses atrás; e que continuava em paz e liberdade.
A pedido do dr. Crow, preguei na sua igreja em Bishopsgate; e jantei na casa do sr. Brockmar, onde o sr. Seward testemunhou a fé.
Visitei uma pobre mulher de oitenta e quatro anos, que me disse estar reservada para alguma obra de Deus; logo foi arrancada das próprias obras; e, no meio da oração, posta em liberdade. Ela se levantou, segurou-me, declarou a sua libertação; que agora estava em paz, pronta para entrar na eternidade naquele mesmo instante. Orou por mim e me abençoou com grande fervor.
Tive uma ceia muito consoladora na casa do sr. Bray; o sr. Sparks, as três srtas. Claggett e outros participaram. Passei a noite em Blendon, em oração e ação de graças.
Comunguei de novo na casa do sr. Bray. Triunfei com alguns que são perseguidos por causa da justiça.
Parti de carruagem para Oxford.
Encontrei ali Charles Kinchin. Recebi a bendita ceia na casa da sra. Townsend, com muito consolo.
Senti um ardente desejo de morrer, prevendo os infinitos perigos e aflições da vida. Na casa do sr. Wells, preguei a fé do Evangelho a ele e ao sr. Hoare. Charles me levou ao Castelo. Li as orações, e depois fui constrangido a falar livre e plenamente. Fiquei eu mesmo muito animado com isso. Cavalguei com o sr. Wells e Kinchin até Coggs, onde passamos a noite em oração e nas Escrituras.
Preguei a doutrina dos três estados em Coggs; depois cavalguei até a casa de meu irmão Gambold.
Jantei no salão de Christ Church, como quem não pertence a eles.
Depois das orações matinais, visitei o sr. Whitefield, que insistiu que eu aceitasse um benefício eclesiástico ligado ao College. Li as orações e preguei no Castelo.
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