(Continuação da entrada anterior, sobre a vinda do Senhor para nos confessar diante de seu Pai e dos seus santos anjos.)
Agora entendíamos o que é receber a palavra em meio a muita aflição e, mesmo assim, com alegria no Espírito Santo.
Recebi vários membros novos na Sociedade. Entre eles, o rapaz que tinha quebrado o braço e, depois de posto à prova, Munchin, o antigo cabeça da turba. Ele tem estado sempre debaixo da palavra desde que resgatou meu irmão. Perguntei-lhe o que achava dele. “O que acho dele!”, respondeu. “Que é um homem de Deus. E Deus estava do lado dele, quando tantos de nós não conseguimos matar um único homem.”
Atravessamos a cidade sem sermos molestados, até Birmingham, onde preguei, e uma pessoa recebeu a fé. Segui a cavalo para Evesham e encontrei John Nelson pregando. Confirmei a sua palavra e orei no Espírito.
Preguei às cinco. Depois li as orações e preguei duas vezes em Quinton, e uma quarta vez em Evesham, com muita vida e liberdade.
Visitei as almas fervorosas e amorosas de Gutherton: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo 1.29). Preguei de novo em Cirencester e dormi na casa de uma viúva de boa disposição.
Cheguei mais uma vez a Bristol, onde, nestes seis meses, passei apenas um único dia.
Alegrei-me entre nossos mineiros de carvão, que recebem a palavra como no princípio, “com poder, no Espírito Santo e em plena convicção” (1Ts 1.5).
Preguei no Horse-fair sobre “O Espírito e a noiva dizem: Vem!” (Ap 22.17), e dei à Sociedade um relato da perseguição recente. Deus enviou uma chuva bondosa sobre a sua herança e refrescou nossas almas cansadas.
Parti às cinco para o País de Gales, encomendado à graça de Deus. Preguei no caminho, na casa do lavrador Whitchurch. Quando chegamos à Travessia, os barqueiros se recusaram a atravessar em meio a tamanha tempestade. Esperamos até as quatro. Então nos entregamos Àquele a quem os ventos e os mares obedecem, e embarcamos com o Sr. Ashton e o fiel Felix Farley. Os demais passageiros ficaram na margem segura.
As ondas do mar estavam altas e bramiam terrivelmente. Quando, com muito esforço, chegávamos perto da margem oposta, a tempestade colheu a embarcação. As velas viraram contra o vento, e íamos direto contra o Black-rock, onde trinta e duas pessoas perderam a vida poucas semanas atrás. Mas a resposta à oração, depois de muita fadiga, trouxe-nos ao porto. Ah, se os homens louvassem o Senhor pela sua bondade e proclamassem as maravilhas que ele faz pelos filhos dos homens!
Já estava escuro quando desembarcamos. Ainda assim, tínhamos um bom Guia (para ele a treva não é treva), que nos conduziu, através da chuva pesada, até a rocha e a fonte. Falei uma palavra oportuna às pobres criadas jovens, que moram como que nos confins do inferno, no meio de demônios humanos.
Montei a cavalo algumas horas antes do amanhecer e, às dez, cheguei a Cardiff. Os cavalheiros tinham ameaçado grandes coisas, caso eu voltasse aqui. Chamei-os, ali no meio deles: “Não vos comove isto, a todos vós que passais pelo caminho?” (Lm 1.12). O amor de Cristo me constrangeu a falar, e a eles, a ouvir. A palavra foi irresistível. Depois dela, um dos nossos opositores mais violentos tomou-me pela mão e insistiu para que eu o fosse visitar. Os demais foram igualmente corteses durante todo o tempo em que fiquei. Só um bêbado causou alguma perturbação, mas, já sóbrio, mandou pedir meu perdão.
A voz de louvor e gratidão estava na Sociedade. Muitos cresceram na graça e no conhecimento de nosso Senhor Jesus.
Passei uma hora com a esposa e a filha do Chefe do Judiciário local, que aguardam, como crianças, o reino de Deus.
Anunciei, no pátio do Castelo: “O Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido” (Lc 19.10). Ao meio-dia, minha comissão ainda era: “Consolai, consolai o meu povo” (Is 40.1). Constato a verdade da observação do Sr. Hodges: “O evangelho abre caminho para a lei.”
Li as orações e preguei em Wenvo. Depois, em nossa antiga capela do Castelo, e me alegrei com meus queridos amigos na esperança firme e segura da glória de Deus.
Orei com a Sociedade às cinco. Preguei às sete, voltei a cavalo para Cardiff e me uni a eles em fervorosa intercessão. Preguei a fé no sangue de Cristo aos pobres prisioneiros em prantos, fiz uma coleta para eles e distribuí livros. Roguei-lhes, na sala, que se reconciliassem com Deus, e o poder do Senhor derrubou tudo diante de si.
Despedi-me carinhosamente dos irmãos e cheguei à Travessia por volta das dez. Mas os barqueiros, apesar de nossas súplicas, não se deixaram convencer a atravessar naquele tempo.
Tomei o barco às nove, sem nada duvidar. As correntezas ergueram a voz, mas a fé viu Jesus andando sobre as águas e ouviu a sua voz: “Sou eu. Não temais!” (Jo 6.20). Em oito minutos fomos levados em segurança à terra, por Aquele que cavalga no turbilhão.
Às duas horas preguei aos mineiros a partir de: “Não te disse eu que, se creres, verás a glória de Deus?” (Jo 11.40). O espírito deles me sustentou, como sobre asas de águias. Todos nos alegramos em nossa poderosa salvação.
Na palavra, na Ceia e no ágape, o Senhor mostrou que a eficácia do seu ministério não depende da vida ou da santidade do ministro.
Preguei em Bath, a caminho de Cirencester. Ali o Senhor deu testemunho da sua palavra: “Desfaço as tuas transgressões como a névoa e os teus pecados, como a nuvem” (Is 44.22). Preguei em Gutherton, Evesham, Quinton e Oxford, e, na quinta-feira, 24 de novembro, no Foundery.
Ministrei a Ceia a cerca de mil pessoas da Sociedade, e derramamos nossas almas em oração.
Fui grandemente ajudado a anunciar: “O Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido” (Lc 19.10).
Visitei o Sr. Witham, desenganado pelos médicos, tremendo diante da chegada do Rei dos terrores e agarrando-se a toda palavra que pudesse lisonjear suas esperanças de viver.
Orei com ele de novo e o encontrei um pouco mais resignado.
Estive ocupado, nos últimos dias, consolando um amigo aflito, cujo filho estava morrendo de varíola.
Orei com grande fé pelo Sr. Witham, cuja hora de partir se aproxima cada vez mais.
Às sete e meia da noite ele exclamou: “Agora estou livre! Encontrei o que buscava. Sei o que significa o sangue da aspersão.” Chamou a família e os amigos para se alegrarem com ele. Algumas de suas últimas palavras foram: “Por que tardam as rodas do seu carro? Eu sei que o meu Redentor vive (Jó 19.25). À meia-noite em ponto o meu espírito voltará a ele.” Enquanto o relógio batia as doze badaladas, ele morreu como um cordeiro, com estas palavras: “Vem, Senhor Jesus!” (Ap 22.20).
Visitei o filho do amigo Keen, justamente quando a esposa dele acabara de contar seu sonho, de que eu chegaria naquela manhã. Ambos parecem verdadeiramente sinceros de coração. Nosso encontro não foi em vão. À tarde cavalguei até Bexley.
Dia de Natal. Ouvi que um dos nossos mais ferozes perseguidores, que tinha cortado a própria garganta e ficara horas como morto, foi milagrosamente reanimado, como um monumento da misericórdia divina. Muitos de seus companheiros foram lançados apressadamente na eternidade, lutando contra Deus. Ele agora busca Aquele a quem outrora perseguiu. Ficou confuso ao me ver, e ainda mais diante das minhas palavras de conforto e de uma pequena esmola. Só conseguiu me agradecer com lágrimas.
Li as orações e preguei “Glória a Deus nas maiores alturas” (Lc 2.14) a um povo que agora tem ouvidos para ouvir.
Passei quatro dias entre Wilmington, Welling e Bexley, pregando o evangelho.
Visitei um amigo, perto da morte e ainda despreparado para ela. Com fidelidade, não com formalidade, disse-lhe a sua condição.
Visitei, a seu próprio pedido, um opositor da verdade, agora abrandado pela aproximação da morte, e mostrei-lhe a sua necessidade de um Salvador. Ele agora demonstra um desejo incrível pela redenção no sangue de Jesus.
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## Parte VIII. De 1º de janeiro a 30 de dezembro de 1744
Cavalguei até Bexley e expus o caráter da sabedoria (Pv 3). Deus, ao que parece, está voltando o coração deste povo. Vejo uma mudança surpreendente ao caminhar pelas ruas: nada senão saudações gentis, no lugar da recepção habitual, com pedradas e maldições.
Triunfei junto a um velho discípulo de oitenta anos, que morria na fé.
Terminei o relato de T. sobre o iníquo Sínodo de Dort, iníquo até no juízo de um predestinacionista. Deus me livre das ternas misericórdias deles!
Na capela expliquei e apliquei a parábola da figueira estéril. O Espírito que convence estava presente. Um grupo de atores berrava com força pelo seu senhor, mas não conseguiu deter o curso da palavra.
Meu texto foi: “Alegra-te muito, ó filha de Sião; eis que o teu Rei vem a ti” (Zc 9.9). A sua chegada tão próxima alegrou nossos corações, e na Ceia a nossa alegria aumentou.
Preguei o evangelho em Snowsfields, em meio a muita oposição, e persisti em oração e ação de graças, até que nossos inimigos deixaram o campo.
Expus a parábola do semeador, e Deus aplicava a sua própria palavra. Exortei as bandas a se unirem na grande obra que Deus está realizando em nossos dias.
Auxiliei meu irmão e o Sr. Gordon a ministrar a Ceia a quase toda a nossa Sociedade, de mais de duas mil pessoas.
Parti com nosso irmão Webb para Newcastle, encomendado à graça de Deus por todos os irmãos. Na quarta-feira à tarde, encontramos nosso irmão Jones em Birmingham.
Uma grande porta se abriu neste condado, mas há muitos adversários. Em Dudley, nosso pregador foi cruelmente maltratado por uma turba de papistas e dissidentes, estes últimos incitados pelo Sr. Whitting, ministro deles. Provavelmente teria sido assassinado, não fosse um honesto quacre, que o ajudou a escapar, disfarçado com o chapéu largo e o casaco daquele. Staffordshire, no momento, parece o palco da guerra.
Parti com o irmão Webb para Wednesbury, o campo de batalha. Encontrei toda sorte de saudações pelo caminho. Clamei, na rua: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo 1.29). Vários de nossos perseguidores estavam à distância, mas nenhum tentou causar a menor perturbação.
Passei por entre as bênçãos e as maldições do povo (mas as bênçãos foram mais numerosas), para visitar a viúva do Sr. Egginton. Nunca observei amargura como a desses opositores. Ainda assim, não tinham poder algum para nos tocar.
Preguei e orei com a Sociedade, e reprimi o espírito ardente e vingativo de resistência, que se levantava em alguns, para desonrar, se não para destruir, a obra de Deus.
Preguei, sem ser molestado, à vista de Dudley. Muitos Simeis clamaram atrás de mim, e foi só isso. Visitei o amável capitão Dudley, que se pôs na brecha em Tipton-green e conteve a perseguição, enquanto ela grassava por toda parte. Voltei em paz, atravessando o território inimigo.
Na próxima terça-feira, segundo divulgaram, virão com toda a ralé do condado para derrubar as casas e destruir todos os bens de nossos pobres irmãos. Dir-se-ia que não há rei em Israel. Não há, com certeza, magistrado algum que os envergonhe em coisa alguma. O Sr. Constable ofereceu-se para jurar que a vida deles corria perigo, mas o juiz recusou, dizendo que nada podia fazer. Outros de nossos irmãos, ao se queixarem, receberam o mesmo tratamento, sendo escorraçados com insultos. Os magistrados não rasgam as roupas dos nossos, nem os espancam com as próprias mãos. Apenas ficam por perto e veem outros fazerem isso. Um deles disse ao Sr. Jones que foi a melhor coisa que a turba já fez, tratar assim os metodistas, e que ele mesmo daria cinco libras para expulsá-los do condado. Outro, quando nosso irmão Ward implorou sua proteção, entregou-o pessoalmente à mercê da turba (que já o havia deixado meio morto), rodou o chapéu no ar e gritou: “Viva, rapazes! Muito bem! Defendam a Igreja!”
Não é de admirar que a turba, assim encorajada, diga e acredite que não há lei para os metodistas. Por isso os tratam como fora da lei, invadindo suas casas, levando seus bens à vontade, extorquindo dinheiro dos que o têm e espancando cruelmente os que não têm.
Os pobres de Darlaston são os que mais sofrem. Os desordeiros recentemente os convocaram, por proclamação do pregoeiro, para comparecerem a certa taverna e assinarem o compromisso de que nunca mais ouviriam os pregadores metodistas, ou então teriam suas casas derrubadas. A uns cem eles obrigaram na base da força. Apesar disso, tanto então como em outras ocasiões, invadiram suas casas, roubando e destruindo. E ainda hoje, se ouvem algum deles cantando ou lendo as Escrituras, arrombam suas portas de dia e de noite, saqueiam e espancam com total impunidade. Vigiam as casas, para que ninguém vá a Wednesbury; e quase não há homem ou mulher que não tenha sido derrubado ao tentar isso.
Seus inimigos são a gente mais vil, que não quer trabalhar, mas prefere viver, mais a seu gosto, do trabalho alheio. Admira-me que os cavalheiros que os instigam sejam tão míopes a ponto de não perceber que o pouco que os nossos pobres mineiros têm logo será devorado, e então esses filhos da rapina se voltarão contra seus tolos senhores, que despertaram um demônio que não conseguem deitar de novo.
Falei a partir de Isaías 54.17: “Toda arma forjada contra ti não prosperará.” Esta promessa se cumprirá em nossos dias. Conversei com os irmãos que possuem bens deste mundo e os encontrei inteiramente resignados à vontade de Deus. Todos os pensamentos de resistência acabaram, bendito seja o Senhor, e o principal deles me disse: “Nu vim ao mundo, e nu dele só posso sair” (cf. Jó 1.21). Estão resolvidos, pela graça de Deus, a seguir meu conselho e a sofrer todas as coisas. Só eu gostaria que voltassem aos juízes e informassem do perigo que corriam. O Sr. Constable disse que acabara de estar com um deles, que o respondeu com amargas censuras; que os demais são do mesmo parecer, e não podem alegar ignorância da revolta planejada, pois os desordeiros tiveram a ousadia de afixar cartazes nas cidades, especialmente em Walsal, convocando todo o interior a se levantar com eles e destruir os metodistas.
Ao meio-dia voltei a Birmingham, tendo permanecido dois dias na cova dos leões, ileso.
Preguei no Bull-ring, junto à igreja, onde repicaram os sinos e atiraram terra e pedras o tempo todo. Ninguém me atingiu, até eu terminar o discurso. Então recebi vários golpes da turba que me seguiu, até nos abrigarmos na casa de uma irmã. Recebi muita força e consolo com a Ceia.
Preguei de novo em Wednesbury, a uma grande congregação, muitos dos quais vêm ouvir a palavra com risco de vida. Encorajei-os a partir de Isaías 51: “Desperta, desperta, veste-te de força, ó braço do Senhor” (Is 51.9). Aqui, e na Sociedade, comprovamos que o nosso Capitão não nos envia à guerra à nossa própria custa.
Encomendamos uns aos outros à proteção divina, e às cinco parti para Nottingham. O caminho passava por Walsal, o quartel-general do inimigo. Eu preferiria ter feito um desvio de mais de um quilômetro. Ao entrar no lugar, ouvimos alguém gritando com todas as forças, e seguiu-se um grande alarido, como se a cidade tivesse dado o alarme. Não posso dizer que o som fosse muito musical aos meus ouvidos, mas ergui os olhos e segui em frente. O barulho era feito por um cavalheiro caçador, amargo inimigo dos nossos. Cruzamos com ele e seus cães, justamente ao amanhecer, e passamos por bons esportistas. O irmão Webb fez questão de cavalgar pela praça do mercado, para ver a bandeira e o cartaz que nossos inimigos tinham afixado, e para mostrar sua coragem. Se tivesse voltado com a cabeça quebrada, eu não teria sentido muita pena dele. Às seis, o Senhor nos trouxe em segurança a Nottingham.
Encontrei-me com a Sociedade, sobre a qual ele lançou o fardo dos nossos irmãos perseguidos.
Aqui também a tempestade começou. Nossos irmãos são violentamente expulsos do lugar de reunião, apedrejados nas ruas e enganados com vãs promessas de justiça pelos próprios homens que secretamente encorajam os desordeiros. Um honesto quacre mal conseguiu impedir que alguns dos irmãos resistissem ao mal. Daqui em diante, porém, espero que eles ofereçam humildemente a outra face.
Acordei em grande peso de espírito, que durou o dia todo, por causa dos nossos pobres irmãos que sofrem. Ainda assim, com firme confiança de que o Senhor aparecerá em favor deles. Uni-me à Sociedade, às cinco, em fervorosa intercessão por eles; e, ao pregar, tanto ministrei quanto recebi consolo.
Enviei meus humildes agradecimentos ao prefeito por sua oferta de ajuda. Ele se compadece dos nossos irmãos e os defenderia; mas quem ousa fazer justiça a um cristão? Contentamo-nos em esperar por ela, até o grande dia da retribuição.
Na igreja, os salmos começaram: “Pleiteia, Senhor, contra os que pleiteiam comigo; peleja contra os que pelejam contra mim. Toma o escudo e o pavês e levanta-te em meu socorro. Empunha a lança e o dardo contra os que me perseguem; dize à minha alma: Eu sou a tua salvação” (Sl 35.1-3). Continuamos nesta oração com a Sociedade e tivemos grande comunhão com os que sofrem.
A pedido dos irmãos, comecei a pregar na praça do mercado. O pessoal do feriado irrompeu no meio dos ouvintes. Avisei que pregaria junto à Cruz, bem em frente à casa do prefeito. No caminho, a turba nos atacou com terra e pedras, fazendo de nós como que a escória e o refugo de todas as coisas (cf. 1Co 4.13). Minha alma foi arrebatada e mantida em calma recolhida. Bati à porta do prefeito. Ele mesmo me abriu, deu-nos boas palavras, ameaçou a ralé e conduziu-me até a porta da frente, onde as pessoas esperavam. Subi até a Cruz e chamei-os ao arrependimento. Não quiseram receber meu testemunho. Ficaram furiosos, mas não lhes foi permitido me ferir. O prefeito, ao mesmo tempo, passou por nós rindo. Era exatamente a proteção que eu esperava!
Depois de lutar com feras selvagens por quase meia hora, desci para o meio deles, que recuaram e me abriram caminho até a casa do prefeito. A esposa dele conduziu-nos por sua casa com muita cortesia e compaixão. A turba nos perseguiu com pedras como antes. J. Webb e eu éramos estranhos à cidade, mas seguimos em frente e entramos numa casa que fora preparada para nós. A mulher recebeu-nos, fechou a porta e falou com autoridade à turba, de modo que eles começaram a se dispersar. Ali os irmãos nos encontraram e nos conduziram à casa do nosso amigo quacre. Recolhemo-nos à oração pelos nossos companheiros de sofrimento em Staffordshire, que não saíram dos nossos pensamentos o dia inteiro.
Expus as bem-aventuranças e me detive na última. Nunca fui mais ajudado. Alegrei-me com nossos irmãos no meio do fogo.
Não posso deixar de observar, pelo que aconteceu ontem, que devemos esperar em Deus, buscando direção sobre quando e onde pregar, muito mais do que fazemos. Do contrário, uma falsa coragem, que é medo da vergonha, pode nos lançar em perigos desnecessários. Além disso, podemos aprender a não nos apoiar naquela cana quebrada, a proteção humana. Buscar reparação pela via legal, a menos que estejamos bem seguros de obtê-la, é apenas expor nossa própria fraqueza e irritar nossos opositores. Que justiça se pode esperar dos principais deste lugar, se, como me informam, são em sua maioria presbiterianos arianos?
Exortei os irmãos a perseverarem na fé e, através de muita perseguição, a entrarem no reino. Quatro estavam faltando; os demais, fortalecidos por seus sofrimentos.
Passei pela casa do irmão Sant e o encontrei recém-trazido como morto. A turba o havia derrubado e provavelmente o teria assassinado, não fosse uma criança que, deixada do lado de fora, alarmou a família com seu choro.
Levou algum tempo até ele voltar a si, pois fora atingido nas têmporas por uma grande acha de lenha. Demos graças a Deus por seu livramento e continuamos em oração e conversa até a meia-noite.
Nosso mensageiro voltou de Lichfield com o relato que eu esperava. Encontrara nosso irmão Ward, refugiado lá. O inimigo tinha ido até o limite da sua corrente. Toda a ralé do condado se juntou ontem e devastou tudo à sua frente. Recebi um bilhete de dois dos que sofreram, cuja perda soma cerca de duzentas libras. Meu coração se alegrou pela grande graça que lhes foi concedida, pois nem um só resistiu ao mal; ao contrário, com alegria aceitaram o roubo dos seus bens (cf. Hb 10.34). Demos glória a Deus, por Satanás não ter recebido permissão de tocar-lhes a vida. Perderam tudo o mais e se alegram com alegria indizível.
Por volta das cinco da tarde, chegamos a Sheffield. Fiquei admirado com o que teria acontecido a eles, pois não recebemos uma única pedra ao atravessar toda a cidade. A paz reinava em todas as suas fronteiras, e assim vinha sendo já havia algum tempo. Os irmãos não afrouxam durante esse descanso, mas andam no temor de Deus. Preguei sobre: “Mas vós chegastes ao monte Sião” (Hb 12.22). O poder do Senhor esteve notavelmente presente, mas o poder do adversário, totalmente contido.
Às nove passei por Thorpe. Perguntei ao meu companheiro: “Onde estão aquelas belas criaturas selvagens que queriam quebrar a cabeça minha e do meu cavalo, da última vez que passei por aqui?” Ele me contou que tinham perdido o ânimo junto com sua líder, uma mulher, a mais amarga de todas, que morreu recentemente em horrível desespero. Isso apavorou nossos inimigos. A filha dela agora é crente, assim como vários outros no lugar. Chegaram até a formar uma Sociedade entre eles.
Preguei em Barley-hall e encontrei o grande poder e a bênção de Deus com a igreja naquela casa. Um dos filhos do meu anfitrião me acompanhou até Birstal.
Preguei às cinco a partir de: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10.10). Fomos grandemente consolados por nossa fé mútua. O pequeno rebanho cresce tanto em graça quanto em número. O Senhor peleja por Israel, neste dia, contra os obreiros enganadores. Alegrei-me ao saber de um dos nossos irmãos ingleses, recentemente trazido de volta por uma criança, que disse ao pai que algo vinha perturbá-lo, de modo que ele não conseguia dormir à noite, desde que deixaram de fazer a oração em família.
Preguei em Adwalton sobre a vinda final do nosso Senhor. Foi um tempo glorioso de alegria e amor. À tarde preguei em Armley. Arthur Bates, de Wakefield, que me mostrou o caminho, informou-me que seu ministro, o Sr. Arnett, o repelira da Ceia, dizendo ter ordens do arcebispo para tratar assim todos os que são chamados metodistas. Sabemos que virá o tempo em que nos expulsarão das suas sinagogas; mas suspeito muito que o Sr. Arnett caluniou o bom arcebispo. Em Leeds, também, alguns começam a abusar da sua autoridade e a excluir os verdadeiros (aliás, os mais verdadeiros) membros da Igreja da comunhão dela.
Preguei em Leeds, a muitos ouvintes atentos: “Não temais, ó pequenino rebanho; porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino” (Lc 12.32). Fui à igreja do Sr. M. e o ouvi esvaziar de sentido a promessa do Pai. Mas ele parou na aplicação aos metodistas, talvez por consideração a mim, de quem ainda pode nutrir alguma esperança.
Dirigi-me a uma congregação maior, e igualmente tranquila: “Não vos comove isto, a todos vós que passais pelo caminho?” (Lm 1.12). Foi um tempo abençoado. Muitos olharam para Aquele a quem traspassaram.
Encontrei a colina de John Nelson toda coberta de ouvintes. No meio do meu discurso, um cavalheiro veio cavalgando, quase por cima das pessoas. Falando de temperança e do juízo vindouro, voltei-me e apliquei a ele: “Tu és o homem” (2Sm 12.7). Seu semblante caiu, e ele fugiu diante da espada do Espírito. O poder de Deus irrompeu, e ouviu-se um clamor por toda a congregação. Continuei meu discurso, ou melhor, minha oração, até a noite.
À noite preguei em Sikehouse, ao coração de muitos.
Cavalguei até Epworth e almocei na casa do Sr. Maw, cujas contendas já cessaram por completo; ele agora espera receber o reino como uma criancinha. O Senhor deu a sua bênção à minha palavra junto à Cruz. Na Sociedade, o Espírito desceu como nos dias antigos. Minha voz se perdeu em meio aos prantos e às alegrias por todos os lados. Todos os presentes, creio, foram consolados ou tocados no íntimo.
Expliquei a nova aliança na praça do mercado, e muitos pareciam desejosos de entrar nela.
Cavalguei até Selby. No dia seguinte, em Darlington, meu cavalo caiu comigo de um alto aterro e me lançou, ileso, na lama profunda.
Cheguei a Newcastle por volta das duas e preguei à noite a partir de 1 Tessalonicenses 1.5: “Porque o nosso evangelho não chegou até vós tão somente em palavra, mas também em poder, no Espírito Santo e em plena convicção.” O povo me recebeu com aquela alegria e amor que o mundo não conhece.
Mandei embora J. Healey, para que não fosse feito em pedaços pela turba, alguns dos quais ele agredira. Assim aconteceu em Nottingham, onde eles atraíram a perseguição sobre si mesmos, um pouco antes do necessário, ao golpear um açougueiro. O homem que o golpeou foi o primeiro a cair na fé. Não que toda a mansidão e prudência deles pudesse tê-la evitado por muito tempo.
Tomei o café da manhã na casa do Sr. Watson, que agora professa a fé que perseguia nas próprias filhas. Ouvi falar de uma providência notável. Um pobre bêbado, que nos havia deixado tempos atrás, foi movido, nesta manhã, a se levantar e vir à pregação. Com isso escapou de ser esmagado pela queda de sua casa. Assim que saiu, ela desabou (a maior parte dela). Um pouco antes de cair, a esposa dele levou consigo outra pessoa até a janela, para cantar um hino, e assim escapou. Uma irmã foi soterrada pelos escombros. Ainda assim, as vigas caíram de ponta, e formou-se uma cavidade em arco sobre a cabeça dela. Ficou ali algumas horas antes que pudessem desenterrá-la, regozijando-se em Deus, seu Salvador.
Disse a uma enorme multidão, na praça: “Sereis odiados de todos por causa do meu nome” (Mt 10.22). Fiquei à porta do Orfanato e acolhi muitos dos desordeiros, aos quais então preguei sem oposição; e exortei os irmãos a se prepararem para a provação de fogo.
Ouvi, sem nenhuma surpresa, a notícia da invasão francesa, o que só nos avivou nas orações, especialmente por Sua Majestade, o rei Jorge.
À noite expus o que o Espírito diz à igreja de Éfeso, e recebi poder extraordinário para adverti-los da espada que vem, e para lutar com Deus em oração pelo rei.
Preguei em Tanfield sobre Lucas 21.34: “Acautelai-vos por vós mesmos; não aconteça que o vosso coração fique sobrecarregado com glutonaria, e embriaguez, e as preocupações da vida, e aquele dia venha sobre vós, de repente.” Minha boca e meu coração se abriram a este povo, que agora parece ter passado à frente daqueles de Newcastle.
Voltei à praça, com maior desembaraço do que nunca: “Lavai-vos, purificai-vos” (Is 1.16). Insisti com eles, ardentemente, para que se arrependessem, temessem a Deus e honrassem o rei; e tive o mais claro testemunho da minha consciência de que agora eu havia livrado a minha própria alma.
Encontrei uma grande turba em volta da nossa casa e gastei uma hora amansando-os. A uns cem ou mais deixei entrar na sala e, quando os reuni, por duas horas exortei-os ao arrependimento, no poder do amor. As rochas se derreteram por todos os lados, e os próprios cabeças dos rebeldes declararam que não causariam mais nenhuma perturbação.
Adverti também os de Horsley, a partir de Lucas 21.34, a se prepararem para tempos de sofrimento.
Cavalguei em meio a vento forte até Biddicks e preguei, a muitos pecadores ainda adormecidos: “Lavai-vos, purificai-vos; tirai a maldade dos vossos atos” (Is 1.16). Todos pareciam comovidos, especialmente nosso anfitrião, um pobre ex-bêbado, e a esposa dele, uma fariseia virtuosa. Ambos agora estão dispostos a ser achados em Cristo, não tendo justiça própria.
Foi tudo o que consegui, na volta, manter-me no cavalo, de tão violenta que era a tempestade. Na sala preguei: “A palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes” (Hb 4.12).
Cavalguei, com muita dificuldade, até Plessy, e preguei o evangelho a um povo pobre, já preparado para o Senhor.
Preguei em Spen a um auditório em prantos.
Visitei um irmão em seu leito de morte, que logo depois partiu no Senhor.
Preguei em Wickham sobre: “Aquele que perseverar até o fim, esse será salvo” (Mt 10.22). Tivemos doce comunhão com nosso Senhor em sua palavra.
O povo de Newcastle estava em polvorosa, na expectativa de uma vitória. Prepararam as velas e deram graças, isto é, embriagaram-se de antemão, e então desceram para provocar tumulto entre nós. Golpearam alguns dos irmãos e ameaçaram derrubar o púlpito.
Percebemos que os poderes das trevas estavam soltos e oramos, com fé, contra eles. Deus ouviu e dispersou os exércitos dos estranhos aqui. Depois, chegou a notícia de que, naquela mesma hora, estavam derrubando a casa em St. Ives.
Atravessei o rio e preguei nas Vidrarias sobre a única coisa necessária. Na volta, um homem, à frente de uma turba, insultou-nos e amaldiçoou-nos com tanta amargura que concluí que devia ser católico romano. Descobri, ao indagar, que era filho de um fidalgo vizinho, papista fervoroso.
Passei uma hora com o Sr. Watson, um dos sargentos da cidade e, até pouco tempo, o maior blasfemador de Newcastle. Agora que Deus lhe tocou o coração, tanto seus colegas quanto seus superiores, os vereadores, se voltaram contra ele como um só homem. O prefeito, conta-me ele, perguntou-lhe publicamente: “Como é, Sr. Watson, o senhor vai ouvir esses homens?” Ele respondeu: “Sim, em toda oportunidade adequada; e gostaria que o senhor também os ouvisse.” Um dos vereadores expressou sua impaciência amaldiçoando “aquele sujeito, Watson! Não conseguimos fazê-lo nem beber nem blasfemar”.
Escrevi ao meu irmão: “Minha objeção ao teu manifesto em nome dos metodistas é que ele nos constituiria em seita; ao menos pareceria admitir que somos um corpo distinto da Igreja nacional, ao passo que somos apenas uma parte sã dessa Igreja. Previne-te contra isso; e, em nome do Senhor, apresenta-o amanhã.” [N. do T.: veja o Diário do Rev. John Wesley, na data de 5 de março de 1744.]
A Sociedade, ao nos despedirmos, estava toda em lágrimas. Passei aquela noite em Darlington.
Cheguei com John Downs a Epworth. No descampado, Thomas Westal nos alcançou, tendo sido expulso de Nottingham pela turba e pelo prefeito. Visitei a Sra. Maw e a encontrei numa doce disposição de espera. Sua enfermidade tem sido uma grande bênção.
Preguei junto à Cruz sobre: “Entra na rocha e esconde-te” (Is 2.10), a um povo disposto a acatar a advertência.
Ouvi de John Healey o relato do tratamento que receberam em Nottingham. O prefeito mandou chamar Thomas Westal. John foi com ele. Thomas pediu tempo para ler o juramento que lhe ofereciam, ao que o prefeito ameaçou mandá-lo à prisão. Enquanto lavrava a ordem de prisão, John Healey perguntou: “A lei não concede a um homem três horas para refletir sobre isso?” Isso conteve a pressa deles, e permitiram que ele ouvisse primeiro o que juraria. Ele disse que era tudo muito bom, e o mesmo que tantas vezes ouvira os Srs. Wesley afirmarem: que o rei Jorge era nosso legítimo rei, e nenhum outro; e que faria esse juramento de todo o coração.
Antes, tinham perguntado a John Healey se faria os juramentos. Ele respondeu: “Farei agora; mas não faria antes de ouvir os Srs. Wesley, pois eu era jacobita até que eles me convenceram da verdade, e do direito de Sua Majestade.” “Vejam só o velho jesuíta”, exclamou um dos veneráveis vereadores. “Ele tem todos os seus truques, garanto!” Outro, ao ver Thomas Westal levar a mão aos olhos, gritou: “Vejam, vejam! Ele está confessando os pecados!” Trataram-nos como a Fiel e Cristão na Feira das Vaidades, só que ainda não os queimaram, nem sequer os puseram na jaula. Exigiram seus cavalos para o serviço do rei, e não acreditaram quando disseram que não tinham nenhum, até mandarem revistar.
Não encontrando motivo para punir, foram obrigados a soltá-los; mas logo depois o prefeito mandou chamar Thomas Westal e ordenou-lhe que deixasse a cidade. Ele respondeu que obedeceria às suas ordens, e por isso veio a Epworth. Aqui ele me contou que descobrira quem era o Pretendente, pois o Sr. Gurney lhe dissera, muitos anos atrás, que houvera um rei Jaime, que fora deposto, e um rei Guilherme posto em seu lugar, e que então o Parlamento fez uma lei de que nenhum papista jamais seria rei, lei pela qual o filho do rei Jaime, que ele agora descobrira ser o Pretendente, era com justiça mantido fora do trono.
Adverti o povo junto à Cruz, e depois nossas crianças, a irem ao encontro de Deus no caminho dos seus juízos. No dia seguinte cavalguei até Birstal.
Passei o dia visitando os irmãos de casa em casa.
Ao partir para as Sociedades de J. B., alguém me disse que havia um oficial de justiça com um mandado em que meu nome era mencionado. Mandei chamá-lo, e ele me mostrou o documento. Era “para convocar testemunhas de certas palavras de traição supostamente ditas por um tal Westley”. O pobre homem tremia; disse que não tinha nada contra mim, e ficou muito satisfeito de se ver livre das minhas mãos. Depois esteve entre meus ouvintes e chorou, como quase todos. Eu já ia montar a cavalo, mas senti tal barreira ou peso a me deter que não consegui prosseguir. Ao mesmo tempo, os irmãos rogaram-me que ficasse, para que os inimigos não dissessem que eu não ousara enfrentar o julgamento. Eu não sabia como decidir, a não ser por sorteio. Oramos, e a sorte indicou que eu ficasse.
Pesava-me muito no espírito que eu seria chamado a dar meu testemunho e a defender a lealdade do povo de Deus. Pela ordem da Providência, vários juízes estão agora em Wakefield. Uma mulher insiste que me ouviu falar traição; mas há uma Providência soberana. Achei difícil não premeditar, nem pensar no dia de amanhã.
Reuni-me com os irmãos em Leeds, e muitos outros, numa antiga sala no andar de cima. Depois de cantarmos, mudei de lugar, para atraí-los à extremidade oposta da sala. Alguém pediu que eu chegasse mais perto da porta, para que os de fora pudessem ouvir. Mudei de lugar de novo, e arrastei o peso das pessoas atrás de mim. Nesse instante, o piso cedeu. Perdi os sentidos, mas os recuperei num momento, cheio de poder do alto. Fui o primeiro a levantar a cabeça e vi as pessoas debaixo de mim, amontoadas umas sobre as outras. Gritei: “Não temam! O Senhor está conosco; nossas vidas estão todas salvas!” E então cantei: “Louvai a Deus, de quem provêm todas as bênçãos.”
Ergui os caídos o mais depressa que pude, e percebia pelos semblantes quais eram os nossos. Vários deles se machucaram, mas nenhum morreu.
Descobrimos, quando a poeira e o tumulto assentaram um pouco, que as vigas tinham se partido rentes à trave mestra. Uma mulher jazia gravemente enferma na sala de baixo, no lado oposto, e havia uma criança no berço, bem debaixo dos escombros. Mas a mulher doente, tendo chamado a ama um minuto antes, esta levou a criança consigo para o lado que ficou de pé, e os três foram preservados.
Outra pessoa da Sociedade foi movida, sem saber por quê, a sair com o filho, um pouco antes de a sala desabar. Mais de cem caíram comigo entre os feridos, embora eu não tenha propriamente caído, mas deslizado suavemente para baixo, e caído em pé. Minha mão ficou machucada, e parte da pele da cabeça, esfolada. Uma irmã quebrou o braço, que foi logo colocado no lugar, e ela se regozijava com alegria indizível. Outra, forte na fé, ficou tão esmagada que esperava a morte imediata. Perguntei-lhe, quando já estava na cama, se não tinha medo de morrer. Respondeu que estava sem medo, mesmo quando pensava que a alma partia, e que só dissera, em calma fé: “Jesus, recebe o meu espírito!” O corpo dela continua cheio de dor, e a alma, cheia de amor.
Um rapaz de dezoito anos foi apanhado gritando: “Serei bom, serei bom.” Colocaram no lugar a perna dele, que estava quebrada em dois pontos. Ele viera, como de costume, para causar tumulto, e tinha golpeado várias mulheres que entravam, até que uma o levou escada acima, para que a Providência lhe ensinasse coisa melhor.
Depois do alvoroço, abri o livro sobre estas palavras notáveis: “Por isso, esta maldade vos será como parede fendida, prestes a cair, que forma barriga num muro alto, cuja queda vem subitamente, num momento” (Is 30.13).
A notícia logo se espalhou pela cidade e atraiu muitos ao local, que expressaram sua compaixão desejando que todos nós tivéssemos quebrado o pescoço. Preguei fora da cidade, em fadiga e sofrimento. O Senhor foi a nossa forte consolação. Nunca vi com tanta clareza que nem um cabelo da nossa cabeça pode cair por terra sem o nosso Pai celestial.
Batizei um quacre, que recebeu o perdão naquela mesma hora.
Cavalguei até Wakefield e, às onze, apresentei-me ao juiz Burton em sua hospedaria, com outros dois juízes, Sir Rowland Wynn e o reverendo Sr. Zouch. Disse-lhe que vira um mandado seu, para convocar testemunhas de certas palavras de traição “supostamente ditas por um tal Westley”; que eu adiara minha viagem a Londres para me apresentar a ele e responder a qualquer acusação que me fosse imputada.
Ele respondeu que não tinha nada a alegar contra mim, e que eu podia me retirar. Repliquei que isso não bastava, sem que se limpasse o meu nome e o de muitas pessoas inocentes, a quem seus inimigos julgavam por bem chamar de metodistas. “Defendê-los!”, disse meu colega clérigo. “Vai achar isso uma tarefa muito difícil.” Respondi: “Por mais difícil que julgue, comprometo-me a provar que todos eles, sem exceção, são verdadeiros membros da Igreja da Inglaterra e súditos leais de Sua Majestade, o rei Jorge.” Pedi então que me tomassem os juramentos, e acrescentei: “Se não fosse pedir demais, eu desejaria, senhores, que mandassem chamar todo metodista da Inglaterra e lhes dessem a mesma oportunidade que me dão, de declarar sua lealdade sob juramento.”
O juiz Burton disse que fora informado de que orávamos constantemente pelo Pretendente em todas as nossas Sociedades, ou reuniões noturnas, como as chamava o Sr. Zouch. Respondi: “É exatamente o contrário. Oramos constantemente por Sua Majestade, o rei Jorge, pelo nome. Estes são os hinos que cantamos em nossas Sociedades, um sermão que preguei diante da Universidade, outro que meu irmão pregou ali, os Apelos dele e mais alguns tratados, contendo nossos princípios e nossa prática.” Aqui lhes entreguei nossos livros e ousei dizer: “Sou tão verdadeiro membro da Igreja da Inglaterra, e tão leal súdito, quanto qualquer homem do reino.” “Isso é impossível”, exclamaram todos. Mas, como não era meu papel discutir, e como eu não podia responder antes que as testemunhas comparecessem, retirei-me sem mais réplica.
Enquanto eu esperava numa casa vizinha, um dos irmãos trouxe-me o oficial de justiça de Birstal, cujo coração Deus tocara. Ele me contou que convocara a principal testemunha, Mary Castle, com base em cuja informação o mandado fora concedido, e que já ia partindo a cavalo quando chegou a Birstal a notícia de que eu não seguira adiante para Londres, como esperavam, mas fora a Wakefield. Ao ouvir isso, ela voltou e declarou a ele que não ouvira, ela mesma, as palavras de traição; outra mulher é que lhe contara. Outras três testemunhas, que deviam jurar contra minhas palavras, também se retrataram, e nada sabiam do assunto. A quinta, o bom Sr. Woods, o taverneiro, viria à tarde, ao que parece.
Agora vejo com clareza a consequência de eu não ter comparecido aqui para encarar meus inimigos. Se tivesse seguido viagem, teria havido testemunhas de sobra, e juramentos de sobra, para instigar uma perseguição contra os metodistas. Anotei os nomes das testemunhas: Mary Castle, W. Walker, Lionel Knowls, Arthur Furth, Joseph Woods; e tomei uma cópia do mandado, como segue:
“West Riding de Yorkshire. Ao oficial de justiça de Birstal, no dito Riding, ou a seu suplente.
“Ficam, em nome de Sua Majestade, requeridos e ordenados a convocar Mary Castle, da referida Birstal, e todas as demais pessoas que, segundo forem informados, possam dar qualquer informação contra um tal Westley, ou qualquer outro dos oradores metodistas, por proferir quaisquer palavras ou exortações de traição, como orar pelos banidos, ou pelo Pretendente, etc., para comparecerem diante de mim, e de outros juízes de paz de Sua Majestade no dito Riding, no White Hart, em Wakefield, no dia 15 de março corrente, às dez horas da manhã, a fim de serem examinados e declararem a verdade do que sabem, cada um deles, a respeito do assunto; e que igualmente façam a devolução deste documento perante nós no mesmo dia. Não falhem. Dado sob minha mão, aos 10 de março de 1744.
“E. Burton.”
Entre duas e três horas chegou o honesto Sr. Woods, que recuou ao me ver, como se tivesse pisado numa serpente. Um dos nossos irmãos segurou-o e me contou que ele tremia em cada junta do corpo. O escrivão do juiz havia mandado que o oficial o levasse até ele assim que chegasse; mas, apesar de todas as instruções do escrivão, Woods confessou francamente que, agora que viera, não tinha nada a dizer, e nem teria vindo, se não o tivessem forçado.
Esperei à porta, onde os juízes examinavam os desafetos, até as sete. Cumprimentei publicamente o Sr. Oberhausen, o mestre morávio, mas não o Sr. Kendrick. Quando terminaram todos os seus afazeres, e depois de eu ter sido insultado à porta deles das onze da manhã às sete da noite, fui chamado, e perguntaram: “O que deseja o Sr. Wesley?” Wesley: “Não desejo nada, senão saber do que sou acusado.” O juiz Burton disse: “Que esperança de verdade há nele? É outro deles.” Depois, dirigindo-se a mim: “Aqui estão dois dos vossos irmãos; um tão tolo que é uma vergonha que se apresente como mestre; e o outro nos contou mil mentiras e evasivas sob juramento. Não tem juízo bastante, ou seria um jesuíta completo.” Olhei ao redor e disse: “Não vejo aqui nenhum dos meus irmãos, exceto este cavalheiro”, apontando para o reverendo juiz, que fez cara de quem não me agradecia por reivindicá-lo. Burton: “Ora, o senhor não conhece este homem?” (mostrando-me Kendrick). Wesley: “Sim, senhor, muito bem; pois há dois anos o expulsei da nossa Sociedade em Londres, por se apresentar como pregador.” A isso o pobre Kendrick assentiu, o que pôs fim a novas críticas aos metodistas.
O juiz Burton disse então que eu podia me retirar, pois nada tinham contra mim. Wesley: “Senhor, isso não basta. Não posso me retirar enquanto meu nome não estiver plenamente limpo. Não é assunto trivial. Até minha vida está em jogo na acusação.” Burton: “Não fui eu que o intimei a comparecer.” Wesley: “Eu era a pessoa a que se referia o ‘tal Westley’, e minhas supostas palavras foram o motivo da sua ordem, que li, assinada com o seu nome.” Burton: “Não vou negar minha ordem. Mandei, sim, convocar as testemunhas.” Wesley: “Sim; e anotei os nomes delas do papel do oficial. A principal testemunha, Mary Castle, já ia partindo, mas, ao saber que eu estava aqui, voltou e declarou ao oficial que apenas ouvira outra pessoa dizer que eu falara traição. Outras três testemunhas se retrataram pela mesma razão; e o Sr. Woods, que está aqui, diz que não tem nada a alegar, e nem teria vindo, se o ministro não o tivesse forçado. Se eu não estivesse aqui, ele teria muito a dizer; e os senhores teriam testemunhas e juramentos de sobra. Mas suponho que a minha vinda impediu a deles.” Um dos juízes acrescentou: “Também suponho que sim.”
Todos pareciam plenamente satisfeitos, e queriam que eu também estivesse; mas insisti que ouvissem o Sr. Woods. Burton: “O senhor deseja que ele seja chamado como testemunha a seu favor?” Wesley: “Desejo que seja ouvido como testemunha contra mim, se tem algo a me imputar.” Então o Sr. Zouch perguntou a Woods o que tinha a dizer, quais foram as palavras que proferi. Woods estava tão relutante em falar quanto eles em ouvi-lo, mas por fim foi obrigado a dizer: “Não tenho nada contra o cavalheiro. Só o ouvi orar para que o Senhor chamasse de volta os seus banidos.” Zouch: “Mas não houve palavras, antes ou depois, que apontassem para estes tempos conturbados?” Woods: “Não, nenhuma.” Wesley: “Foi em 12 de fevereiro, antes da primeira notícia da invasão. Mas, se a insensatez e a malícia podem ser intérpretes, quaisquer palavras que qualquer um dos senhores diga podem ser interpretadas como traição.” Zouch: “É bem verdade.” Wesley: “Agora, senhores, permitam-me explicar minhas próprias palavras. Eu não tinha intenção de orar pelo Pretendente, mas por aqueles que se confessam estrangeiros e peregrinos sobre a terra, que buscam uma pátria, sabendo que este não é o seu lugar. As Escrituras, como o senhor bem sabe” (dirigindo-me ao clérigo), “falam de nós como exilados cativos, que estão ausentes do Senhor enquanto no corpo. Não estamos em casa enquanto não chegamos ao céu.” Zouch: “Já esperava que o senhor explicasse assim as palavras; e é uma interpretação justa.” Perguntei se estavam todos satisfeitos. Disseram que sim, e me inocentaram tão plenamente quanto eu desejava.
Pedi-lhes então, mais uma vez, que me tomassem os juramentos. O Sr. Zouch examinou meu sermão, perguntou quem me ordenara (o arcebispo e o bispo de Londres, na mesma semana), e disse, com os demais, que era totalmente desnecessário, visto que eu era clérigo, membro do Christ Church, tinha pregado diante da Universidade e já prestara os juramentos antes. Ainda assim, insisti de novo, até que reconhecessem em termos explícitos que “minha lealdade era inquestionável”. Presenteei então Sir Rowland e o Sr. Zouch com o Apelo, e me despedi.
Sete e meia da noite partimos para Birstal, e que viagem alegre tivemos! Nossos irmãos vieram ao nosso encontro na estrada, e nos reunimos na colina, e cantamos louvores com vigor, cheios de bom ânimo. Os inimigos deles se levantavam em Birstal, cheios do demônio de Wednesbury, na suposição de que eu não obteria justiça em Wakefield, no que se confirmaram ainda mais com a minha demora. Já tinham começado a derrubar a casa de John Nelson quando nosso canto os abateu e os pôs em fuga. Agora vejo: se eu não tivesse ido enfrentar meus inimigos, ou se tivesse sido maltratado em Wakefield, isso poderia ter provocado aqui uma perseguição geral, que o Senhor agora esmagou no nascedouro. Nenhuma arma forjada contra nós prosperará, e toda língua que se levantar contra nós em juízo, nós a condenaremos (cf. Is 54.17).
Parti para Derby. Preguei a uma Sociedade de David Taylor, cujas advertências desmedidas contra nós tornaram aquela gente dez vezes mais ansiosa por nos ouvir. Prova clara de que seus pobres pecadores ainda estão debaixo da lei.
Preguei em Woodhouse ao meio-dia, e à noite um pouco além de Stockport. Notei alguns saírem quando recomendei a oração; mas não me admirei, ao saber que eram “quietistas” [N. do T.: os “still brethren”, morávios que pregavam a quietude passiva].
Fui muito ajudado a explicar as palavras do nosso Senhor sobre si mesmo, a uma grande multidão: “O Espírito do Senhor Deus está sobre mim” (Is 61.1; Lc 4.18). Preguei na casa do pai de John Bonnet. Só vi uma mulher notavelmente indiferente, que era esposa de um “quietista”.
À noite convidei uma companhia bem maior a se aproximar com coração sincero, em plena certeza de fé. Gastei mais duas horas advertindo a Sociedade contra as artimanhas do demônio da quietude.
Clamei, no coração do Peak: “Ó vós todos os que tendes sede, vinde às águas” (Is 55.1). À noite preguei em Sheffield e li à Sociedade o relato dos sofrimentos dos nossos irmãos, o que pareceu avivá-los muito.
Em Barley-hall expus Lucas 21, e fomos todos abatidos pelo poder do amor. Recebi novas forças para prosseguir viagem. Ao passar por Rotherham, onde eu nunca estivera, a turba se levantou contra nós; mas não conseguiu acompanhar o passo dos nossos cavalos.
À noite chegamos a Nottingham; e bom foi para nós que fosse noite. A turba chegou a um grande grau de violência, graças ao encorajamento do prefeito. Não sabíamos o caminho para a casa do irmão Sant, e não podíamos perguntar; mas nossos cavalos nos levaram direto à porta dele. A casa foi imediatamente cercada, como de costume. Fiquei aflito por estas poucas ovelhas no deserto. O lobo fez estrago nelas: sendo os magistrados os perseguidores, não só lhes negam justiça, mas cruelmente as maltratam como se fossem desordeiras. Apresentaram uma petição ao juiz Abney, quando este passou pela cidade. Ele lhes falou com bondade e mandou que, se fossem novamente molestados, processassem a Corporação. Repreendeu o prefeito e o obrigou a enviar seus oficiais pela cidade, proibindo que alguém prejudicasse os metodistas. Disse-lhe: “Se quer começar, por que não fecha as assembleias contrárias à lei? Em vez disso, se há uma sociedade religiosa, o senhor tem de atacá-la, para destruí-la.”
Assim que o juiz saiu da cidade, voltaram a perseguir os metodistas mais do que nunca; e, quando estes se queixaram ao prefeito, ele os insultou: “Por que não vão ao meu senhor juiz?” Ele ameaça, quando saírem os mandados de recrutamento forçado, prender Daniel Sant, um fundidor trabalhador, com quatro filhos, cujo crime é permitir que os pobres orem em sua casa.
Exortei as poucas ovelhas remanescentes a se manterem unidas; e cavalguei até Northampton, e no dia seguinte até o Foundery. A Sociedade me ajudou a dar sinceras graças a Deus, pela multidão das suas misericórdias.
Meu irmão partiu para a Cornualha, onde a perseguição grassa. Cavalguei até a casa da Sra. Sparrow, de Lewisham, mártir da civilidade mundana.
No Foundery, chamei: “Lavai-vos, purificai-vos” (Is 1.16). A palavra teve grande efeito. Reuni-me com os Líderes na solene presença de Deus.
Minha boca se abriu para anunciar juízos contra esta nação, caso não se arrependa.
No momento da intercessão, fomos capazes de lutar pela nação com fortes clamores e lágrimas. Na capela, o Espírito de súplica caiu sobre nós ainda mais abundantemente.
Expus parte de Isaías 1, e me foi dado poder para adverti-los dos juízos vindouros de Deus. Nossos corações se encheram de alegria à noite.
Ao falar sobre “toda a criação geme” (Rm 8.22), sentimos a verdade e nos unimos aos gemidos universais.
O Foundery encheu-se, às quatro, com os que vieram guardar o jejum nacional. Preguei na capela em grande fraqueza, de alma e de corpo. No meio do meu discurso, o piso começou a ceder, com nosso povo em cima dele; mas nenhum deles gritou nem causou a menor perturbação enquanto saíam.
Fomos alarmados com a notícia de uma segunda invasão. Os franceses, ouvimos, estão agora no Canal. Ainda assim, esse povo iludido não crê que haja perigo algum, até ser tragado por ele. Mas quem aceita a advertência salvará a sua alma (cf. Ez 33.5).
Enviei T. Butts a Wednesbury, com sessenta libras, que arrecadei para os que sofreram.
Impedi que um irmão fraco de Wednesbury fizesse uma queixa juramentada contra os juízes; e escrevi aos irmãos que sofressem todas as coisas. À noite anunciei: “Aquele que perseverar até o fim, esse será salvo” (Mt 10.22).
Preguei sobre: “Quem, ó Deus, é semelhante a ti, que perdoas a iniquidade?” (Mq 7.18). Todos os nossos corações foram dilatados e consolados. Foi um tempo muito digno de ser lembrado.
Toda a congregação estava em lágrimas, sob a palavra. O velho Sr. Erskine, em particular, ficou completamente abatido. A mesma, ou maior, eloquência tive à tarde.
Alcancei, na rua, uma pessoa bem-vestida, e senti um desejo incomum de olhar para trás, para ela. Ainda assim, segui em frente, até que ela me chamou pelo nome. Voltei-me e reconheci uma velha amiga íntima, entregue a mim para que eu lhe fizesse uma primeira e última oferta do evangelho.
Ao passar pelas Cavalariças, um monte de pedras foi despejado a menos de um palmo de mim; se tivessem caído sobre mim, teriam esmagado meus miolos.
O Sr. W. me contou que estivera com o arcebispo em busca de ordenação; e, ao eu censurar sua precipitação, saiu disparado da casa, como que possuído por Legião.
Alcancei meu velho amigo Appee, num colete vermelho esfarrapado. Ele não quis responder ao próprio nome; mas seguiu-me e falou comigo. Foi soldado por algum tempo, tendo percorrido as últimas etapas do pecado e da miséria.
Parti para Bristol e cheguei lá no dia seguinte.
Deixei Londres com o coração pesado, completamente abatido pelo fardo do pobre W. Ele corresponde à descrição que um de seus íntimos me fez dele: “Nunca o considerei mais do que um mero orador. Não lhe vejo graça alguma. Sua conversa é totalmente contrária ao evangelho: toda superficial e vã. Ele é arrogante, vingativo, impulsivo e incontrolável.”
Em Kingswood expus a parábola do bom samaritano; e vi as lágrimas deles com alegria.
Ministrei a Ceia ao nosso irmão Jones, um crente à beira da morte, e por isso acima de todo medo, dúvida ou desejo. Sarah Perrin foi uma das comungantes, e encontrou o Senhor naquilo que fora ensinada a chamar de “ordenança carnal”.
Preguei em Bath e os vi caírem sob a palavra, quebrantados ou derretidos. A senhorita B., em particular, era como a mulher em lágrimas aos pés de Jesus.
Voltei a Bristol e terminei meu discurso sobre Simão e a mulher que era pecadora. Ouviu-se um clamor geral por toda a congregação. Não sabíamos como nos separar, tão estreitamente unidos estávamos no amor que jamais falha.
Almocei na casa de Felix Farley com o Sr. Meriton, que anseia por escapar para junto de nós, das mãos de Calvino.
Montei a cavalo às três e cheguei a Londres à uma hora do dia seguinte.
Meu irmão me deu um relato melancólico do Sr. W. Frustrado quanto à ordenação, ele enfurece-se e nos difama, chamando-nos de papistas, tiranos, inimigos da Igreja, etc.; declara que nos desmascarou, e corre por toda parte espalhando tições e jurando vingança.
A raiz de amargura brotou, e por ela muitos se contaminam (cf. Hb 12.15). As ofensas se multiplicam, sobretudo entre as jovens, que estão prontas a me despedaçar por “minha crueldade com o pobre e querido Sr. W., e por impedi-lo de conseguir a ordenação”.
Exortei a Sociedade à paz e à caridade, enquanto me durou a força.
Não consegui dormir a noite passada, pensando no rapaz, Absalão.
Oramos com fervor pelo nosso querido irmão Nelson, recrutado à força como soldado e prisioneiro em York.
Insisti no exemplo da mulher cananeia; e muitos clamaram atrás Daquele que viera às suas terras.
Falei com toda a bondade a T. W., mas não consegui, de modo algum, humilhá-lo.
Fui despertado nesta manhã pelas horríveis blasfêmias de um que correra bem, e fora claramente justificado, mas que, pelo espírito de ofensa, deixou a Sociedade; depois caiu de uma perversidade a outra, como a embriaguez e o adultério; e agora chegara ao ponto de desafiar o Deus vivo. Aquele que pensa estar em pé veja que não caia (1Co 10.12). Em vão Deus perdoou toda a dívida, se o servo mau e perverso não tiver misericórdia do seu companheiro de servidão.
Mais uma vez roguei ao pobre T. W. que voltasse e se libertasse do laço do diabo. O Senhor tocou seu coração orgulhoso; ele desatou a chorar e confessou as artimanhas do diabo para separá-lo dos seus melhores e únicos amigos; e prometeu obediência daqui em diante. Chorei por ele e senti que, de todo o coração, podia tanto perdoar quanto esquecer.
Tomei minha cruz, para agradar meu irmão, e comecei a examinar as classes, depois de fervorosa oração por mansidão e discernimento. Neste dia excluí apenas um, uma megera incorrigível, inconvencível e amarga.
Há muito tempo não tínhamos tamanha bênção na palavra como enquanto eu explicava: “Eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração” (Os 2.14).
O Sr. Larwood revelou-me a verdadeira intenção do Sr. W.: “montar em causa própria”. Mais de quinhentos da Sociedade, disse ele a Larwood, o seguiriam.
Visitei o pobre Appee, na Torre, pronto para o degredo.
Perto do fim do meu discurso na capela, o Sr. Erskine foi chamado para receber um soldado trazido por William Shent, para resgatar John Nelson. Ele o levou imediatamente a Lord Stair e obteve a dispensa de John Nelson. Também recuperamos nosso irmão Downes da boca do leão. Nossas orações voltam para nós, abundantes.
Despedi-me pela última vez do meu velho amigo Appee, que embarca hoje para a América. Dei-lhe livros e conselhos, que talvez não sejam de todo perdidos com ele.
Preguei sobre Jacó a lutar; e foi um tempo glorioso. Muitos choraram com o anjo, e fizeram súplica, e foram animados a esperar continuamente no Senhor.
Entristeceu-me ouvir cada vez mais da ingratidão de W. Um espírito de mentira parece ter tomado plena posse dele. Não há nada tão grosseiro ou improvável que ele não diga.
Escrevi a um amigo: “Não te canses de fazer o bem, nem sejas vencido do mal. Vês a tua vocação: sofrer todas as coisas. Ora por mim, para que eu também persevere até o fim; pois mil vezes clamo: ‘O fardo deste povo é mais do que sou capaz de suportar.’ Ah, meu bom amigo, tu não os conheces. Tal profundidade de ingratidão eu não imaginava haver nos próprios demônios do inferno.”
À noite fui informado de que uma amiga concebera o mais profundo preconceito contra mim, supondo que eu me referira a ela num discurso recente. Senhor, que é o homem? Que é a amizade?
Por me perder no caminho, encontrei, na casa de um irmão vacilante, cinco ovelhas desgarradas, que recebi de volta ao aprisco.
Nossos irmãos Hodges, Taylor e Meriton nos auxiliaram na Ceia. Recebi-a com toda a Sociedade, para nosso mútuo consolo. Em nosso ágape, éramos seis ministros ordenados.
Abrimos nossa Conferência com solene oração e a bênção divina. Preguei com muita ajuda e batizei Samuel Holloway, que naquele momento sentiu tirar-se de si o grande fardo. Continuamos em Conferência o resto da semana, estabelecendo nossas doutrinas, nossa prática e nossa disciplina, com grande amor e unanimidade.
À noite fui arrebatado em oração, com fortes clamores e lágrimas. Recebi de braços abertos o meu pobre pródigo, W.
Preguei sobre o nosso Senhor multiplicando os pães; e ele tampouco nos despediu vazios. Exortei um grande auditório no Foundery a tomar sobre si toda a armadura de Deus; e continuei meu discurso por duas horas, o Senhor nos consolando por todos os lados.
Montei a cavalo às duas, com meu amigo e companheiro, Meriton; e reconheci, no dia seguinte, em Bristol: “Até aqui nos ajudou o Senhor” (1Sm 7.12).
Fui fortalecido a pregar sobre: “Não se turbe o vosso coração” (Jo 14.1), e o Senhor fez de mim um filho de consolação. Um clamor de aflição primeiro, e depois de alegria, percorreu a congregação. A senhorita Bair, com muitos outros, recebeu a palavra no coração, e a tristeza e o suspiro fugiram diante dela.
Para que eu não atribuísse nada à minha própria pregação, antes de abrir a boca nesta manhã, meu coração foi constrangido e cheio de temor piedoso. Expus então: “Se alguém pecar, temos um Advogado junto ao Pai” (1Jo 2.1), e muitos experimentaram o benefício da sua intercessão.
Passei duas horas em conversa cristã e oração com o Dr. M., e com a igreja que se reúne em sua casa.
Insisti no dito tão oportuno do nosso Senhor: “Aquele que perseverar até o fim, esse será salvo” (Mt 10.22); e parti com o Sr. Meriton para a Cornualha.
Em Middlesea chamei a Cristo os cansados e sobrecarregados. Ele deu testemunho à palavra da sua graça e curvou o coração de todos os presentes. Foi um doce pranto, de fato!
Parti com nosso guia, John Slocum, um pobre rapaz funileiro, a quem Deus levantou para ajudar estas almas sinceras, e não só para trabalhar, mas também para sofrer, por elas. Quando saíram os mandados de recrutamento forçado, o mundo não perdeu a oportunidade de oprimir os cristãos. Ele foi preso e, pelo próprio tio, arrastado à cadeia. Mantiveram-no uma semana, e então o levaram perante os comissários, que não puderam achar motivo para puni-lo ou detê-lo; sendo ele da estatura de Zaqueu, e em nada intimidado pelos adversários. Foram por fim obrigados, apesar de todas as ameaças, a soltá-lo.
Visitei Hannah Bidgood, em Sticklepath, e alguns outros, em sua maioria quacres. Meu coração se abriu para eles em oração e amor; e senti: “Aquele que faz a vontade de meu Pai, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe” (cf. Mt 12.50).
Encontrei um clérigo idoso, que o Sr. Thompson enviara ao nosso encontro, e descobri, ao conversar, que ele fora conhecido e contemporâneo do meu pai. Ao ouvir o Sr. Thompson pregar a salvação pela fé, recebera o reino como uma criancinha; e desde então tem reconhecido a verdade e os seus seguidores. Conduziu-nos à sua casa, perto de Trewint.
Ele nos levou a St. Gennys, onde nosso amoroso anfitrião e irmão Thompson nos recebeu de braços abertos. Fiz prova do meu ministério na igreja dele, a partir de: “Consolai, consolai o meu povo” (Is 40.1); e de novo, a partir do cego Bartimeu. A palavra se firmou em alguns corações, não posso duvidar, embora eu nada seja.
Ele leu as orações na igreja do Sr. Bennet; eu preguei sobre: “Não temais, ó pequenino rebanho; porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino” (Lc 12.32).
Cheguei, às nove da noite, com o Sr. Bennet e Meriton, atravessando as minas e os poços, à casa do nosso anfitrião perto de Gwennap.
Aqui o pequeno se tornou mil (cf. Is 60.22). Que obra assombrosa Deus realizou em um ano! Todo o interior está alvoroçado e saiu ao encalço do som do evangelho. Em vão ecoam nos púlpitos os brados de “papismo, loucura, fanatismo”. Nossos pregadores são diariamente requisitados para lugares novos, e capacitados a pregar cinco ou seis vezes por dia. A perseguição é contida até que a semente crie raiz. Sociedades surgem por toda parte; e de todos os lados o clamor ainda é: “Vinde e ajudai-nos.”
Preguei perto de Gwennap a cerca de mil seguidores de Cristo, sobre: “Não temais, ó pequenino rebanho.” Grande amor e alegria se estampavam em seus rostos, tais como o mundo não conhece.
Quando fui reunir-me com a Sociedade, encontrei quase toda a congregação esperando em silêncio do lado de fora da porta, ansiosa por ser admitida com os demais. Fiquei junto à janela, de modo a ser ouvido por todos. Senti de que espírito eram; e tive doce comunhão com eles, e forte consolação.
Encontrei a mesma congregação às cinco, e apontei-lhes o Filho do Homem levantado como a serpente no deserto. Falei a cada um da Sociedade, conforme o seu estado exigia.
Tomei o café da manhã com uma que fora feroz perseguidora quando estive por aqui pela última vez; mas que agora é testemunha da verdade que tão amargamente combatia.
Preguei em Crowen, a entre mil e duas mil pessoas dos mineiros de estanho, que pareciam ter brotado da terra. Vários cobriram o rosto e lamentaram interiormente, tocados demais para clamar em voz alta. Concluí com uma forte exortação a permanecerem na nau, a combalida e naufragante Igreja da Inglaterra; e meu irmão Meriton, cujo pensamento eu exprimira, secundou e confirmou minhas palavras. O pobre povo estava pronto a nos devorar de amor, e nos despediu com muitas e cordiais bênçãos.
Então voltamos o rosto contra o mundo e cavalgamos até St. Ives. Aqui a turba e os ministros, juntos, derrubaram a casa de pregação; e não faz duas semanas que saíram em ronda, na calada da noite, e quebraram as janelas de todos os que eram apenas suspeitos de cristianismo.
Entramos na casa de John Nance sem sermos molestados. Quatro das nossas irmãs ali, ao me verem, caíram por terra, incapazes de dizer uma palavra, de alegria e amor; mas me acolheram com suas lágrimas. Foi uma reunião solene e silenciosa. Depois de algum tempo, recuperamos a voz para a oração e a ação de graças. Consegui uma hora a sós no jardim, e me foi permitido sentir a minha própria grande fraqueza. Por fora, lutas; por dentro, temores (cf. 2Co 7.5); mas meus temores foram todos dispersos ao ver meus queridos irmãos e filhos. Alegrei-me sobre eles com cânticos; mas a alegria e o amor deles superaram os meus. Todos nos regozijamos na esperança de encontrar o Senhor nos ares. O Espírito de glória repousou sobre os que sofrem por amor de Cristo. Meu irmão Meriton acrescentou algumas palavras às minhas, e os corações deles se apegaram a ele. Tal banquete eu não tinha há muitos meses. Até os servos assalariados do nosso Pai tinham, neste tempo, pão com fartura e de sobra (cf. Lc 15.17).
Deitamo-nos em paz e descansamos, pois só o Senhor nos fez habitar em segurança (cf. Sl 4.8).
Enquanto eu aplicava as palavras tão consoladoras do nosso Senhor, em João 14.1, todos nos dissolvíamos em lágrimas de alegria, desejo e amor; e parecíamos alçar voo à casa do nosso Pai celestial.
Atravessei a cidade rumo à igreja com o Sr. Meriton. Nosso caloroso amigo, o coadjutor, saudou-nos com cortesia, e ninguém abriu a boca contra nós. A estatura e a faixa clerical do Sr. Meriton os mantinham a distância; ou melhor, o temor de Deus estava sobre eles, refreando-os, embora não o soubessem.
Reunimo-nos à uma hora, em obediência à nossa Igreja, e erguemos a voz pelo remanescente que restou. Provamos a bem-aventurança do pranto; e não duvidamos de que, como quer que Deus trate esta nação pecadora, nossas orações por Jerusalém um dia serão respondidas.
Enquanto caminhávamos perto do cais, nossa velha conhecida, a turba, soltou um brado contra nós, e deu claros sinais da sua disposição caimita, se lhe permitissem. Só uma pedra foi atirada contra nós. Passamos pelo meio deles e partimos para St. Just.
Preguei na planície, e o irmão Meriton depois de mim. Nosso Senhor avança triunfante por este lugar. Mais de duzentos estão inscritos em classes, a maioria dos quais provou a graça perdoadora de Deus.
Às nove clamei na rua: “Ó vós todos os que tendes sede, vinde às águas!” (Is 55.1). A palavra correu velozmente. Quando Deus a envia, quem lhe pode deter o curso? Tive a oportunidade de comungar com um irmão doente; de lá todos fomos à igreja. Estava lotada desses metodistas cismáticos que, ao que parece, nem todos a abandonaram por nossa causa. O coadjutor é visto pelos seus colegas como meio metodista, só porque não nos insulta como eles.
Preguei em Morva, do lado de fora, já que não me permitiam pregar dentro das paredes da igreja. Disse a um homem que me contradizia que eu conversaria com ele mais tarde. Uma bênção visível confirmou a palavra. Depois tomei meu rude amigo pela mão, levei-o à casa e roguei-lhe que aceitasse um livro. Foi conquistado; desculpou-se pela grosseria e me deixou imensamente satisfeito.
Preguei em Zennor, onde muito poucos resistem à verdade, apesar dos esforços do ministro para perverter os caminhos do Senhor. Ninguém é dele, senão os que estão evidentemente do lado de Satanás, isto é, seus companheiros de bebedeira, a quem ele arregimenta contra os metodistas e adverte, na taverna, a não abandonarem a Igreja. Voltei depressa a Morva e me alegrei sobre muitos que estavam perdidos e foram achados. Cento e cinquenta estão unidos em Sociedade, e perseveram firmemente na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações (cf. At 2.42).
Tomei o café da manhã na casa do Sr. L., um pobre escravo de Satanás, até que, ao som do evangelho, suas cadeias caíram e o deixaram esperando o selo do seu perdão. Apontei muitos pecadores ao Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Todos estavam em lágrimas, à lembrança dos seus sofrimentos.
Preguei perto de Penzance, ao pequeno rebanho cercado por lobos vorazes. O ministro deles se enfurece sem medida contra esta nova seita, espalhada pelas suas quatro paróquias. Seus reverendos colegas seguem-lhe o exemplo. As mais grosseiras mentiras que lhes trazem, eles engolem sem exame e revendem no domingo seguinte. Um da Sociedade (James Dale) foi recentemente ao venerável e reverendo Dr. Borlase buscar justiça contra um desordeiro, que arrombara sua casa e roubara seus bens. A resposta do doutor foi: “Sujeito presunçoso, também tu te tornaste religioso? Que queimem tua casa, se quiserem; não terás justiça alguma.” Com estas palavras, expulsou-o do tribunal.
Preguei em St. Just à maior companhia que jamais se vira ali; e adverti fortemente a Sociedade contra o orgulho espiritual.
Insisti naquela advertência tão oportuna: “Aquele que pensa estar em pé veja que não caia” (1Co 10.12). Duas horas depois expus o tanque de Betesda, e me detive na admoestação do nosso Senhor a todo pecador justificado: “Não peques mais, para que não te suceda coisa pior” (Jo 5.14).
Encontrei os irmãos de Morva começando a construir uma casa para a Sociedade. Ajoelhamo-nos no local e oramos por uma bênção.
Antes de pregar em St. Ives, eu estava tão abatido que de bom grado teria me enterrado ou me lançado ao mar, para escapar do meu próprio fardo. Mas Deus me ergueu pela palavra que preguei, e a todos nos encheu de uma esperança plena de imortalidade. Olhamos, através do véu das coisas temporais, para as coisas eternas, e para o monte de Deus, onde esperamos em breve estar diante do Cordeiro. Cada alma, creio, provou então, em alguma medida, os poderes do mundo vindouro, e ansiou pela vinda de Jesus Cristo.
Uma das nossas irmãs queixou-se ao prefeito de alguns que tinham atirado em sua casa pedras de muitos quilos, uma das quais caiu no travesseiro, a poucos centímetros da criança que ela amamentava. O magistrado a amaldiçoou e disse: “Aqui não terás justiça alguma. Vês que não há nenhuma para ti em Londres, ou já a terias obtido.” Com estas palavras, expulsou-a de sua casa.
Preguei em Gulval e admiti alguns membros novos, em especial um que fora o maior perseguidor de todo este condado.
O último assalto noturno aos nossos irmãos, segundo agora me informam, foi feito pelos habitantes da cidade e por uma tripulação que aqui se prepara para o corso; os quais julgaram prudente fazer a primeira prova de sua coragem sobre os próprios conterrâneos desarmados. Fizeram seu avanço em ordem, ao rufar de tambores, para tomar de assalto as casas do pobre povo. Mas só lhes foi permitido apedrejá-las e pôr em perigo a vida de algumas mulheres e crianças. Ai dos primeiros franceses ou espanhóis que caírem nas mãos de homens tão embriagados de vitória! Só lhes falta o capitão que se lançou contra mim para comandá-los, e então varreriam o mundo à sua frente!
Expus Isaías 35 em St. Just; e muitas mãos que pendiam foram erguidas. Da igreja apressei-me a Morva, e preguei a uma vasta congregação sobre: “Bem-aventurados são antes aqueles que ouvem a palavra de Deus e a guardam!” (Lc 11.28). Em Zennor expliquei a parábola do semeador, e meu irmão Meriton acrescentou algumas palavras, muito a propósito. Concluí exortando-os a irem ao encontro de Deus no caminho dos seus juízos.
Tivemos nosso primeiro ágape em St. Ives. A nuvem permaneceu sobre a assembleia o tempo todo. Vários ficaram tão dominados de amor e alegria que o vaso estava prestes a romper-se. Procurei moderar a alegria deles, falando dos sofrimentos que hão de vir; e os que estavam então com o Senhor como no monte Tabor pareciam todos prontos a segui-lo ao monte Calvário.
Clamei a uma multidão mista de pecadores despertos e adormecidos, perto de Penzance: “Não vos comove isto, a todos vós que passais pelo caminho?” (Lm 1.12). Orei com o rebanho, que não para de crescer, cujo maior perseguidor é o próprio ministro. Ele e o clero destas regiões estão muito irritados com a facilidade com que nosso povo maneja as Escrituras. Um deles disse francamente a Jonathan Reeves que gostaria que a Bíblia estivesse só em latim, para que ninguém do povo simples pudesse… (a frase continua no capítulo seguinte)
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