DIÁRIO DE WESLEY · CAPÍTULO 7
Rigores do inverno; a Irlanda; o protesto contra a ilegalidade
Nevascas atravessadas a pé, com os cavalos à mão; a primeira missão à Irlanda — Dublin, Athlone, febre e chá de maçã; os barqueiros que largaram os porretes para ouvir um sermão; e a carta de Roughlee, o protesto de Wesley: “procedam contra nós pela lei, se puderem — mas não pela violência sem lei”.
“Há a mais alta decência num cemitério ou num campo, quando toda a congregação se porta como quem vê o Juiz de todos e o ouve falar do céu.”
(Diário, 28 de agosto de 1748)Antes de ler
Este capítulo mostra o Wesley itinerante em plena forma: nevascas atravessadas a pé, puxando os cavalos (“ao menos podemos caminhar vinte milhas por dia”), quedas de cavalo sem um arranhão, e até uma cura — dele e do animal — narrada com a sobriedade de sempre: “o que afirmo aqui é o fato nu; explique-o cada um como julgar melhor”. Note também as iniciativas sociais: o abandono do chá para poupar em favor dos pobres e o pequeno fundo de empréstimos que, com menos de cinquenta libras, socorreu mais de duzentas e cinquenta pessoas num ano — um antepassado do que hoje chamaríamos microcrédito.
Em 1747 começa a missão à Irlanda, que Wesley visitaria vinte e uma vezes na vida. O Diário registra as tensões com o clero católico romano da época — o padre que dispersou os ouvintes “como um rebanho de ovelhas” —, mas também um toque de graça: quando alguém gritou em Dublin “ele é jesuíta!”, foi um sacerdote católico quem respondeu: “Não é; quisera Deus que fosse.” E há o retrato do pregador determinado: doente, com febre e vivendo de chá de maçã, Wesley cumpre a palavra e cavalga sob chuva porque a congregação o espera.
O ponto alto é a carta de Roughlee. Espancado por uma turba contratada por um magistrado, Wesley não responde com violência nem com silêncio: escreve ao próprio magistrado um protesto exemplar — “suponha que fôssemos judeus ou turcos: não teríamos o benefício das leis do nosso país? Procedam contra nós pela lei, se puderem ou ousarem; mas não pela violência sem lei”. É uma lição permanente de cidadania cristã: mansidão pessoal e firmeza pública na defesa do direito (At 16.37; 22.25).
E fica a defesa definitiva da pregação ao ar livre: a indecência maior, dizia ele, está no templo onde a congregação dorme; a decência maior, no campo onde todos ouvem “como quem vê o Juiz de todos”. O lugar importa menos que o coração com que se ouve (Jo 4.21-24). Onde está hoje o nosso campo aberto?
— Bispo Ildo Mello
Wesley e a cura pela fé
1746. Segunda-feira, 17 de março. Despedi-me de Newcastle e parti com o senhor Downes e o senhor Shepherd. Mas, quando chegamos a Smeton, o senhor Downes estava tão mal que não pôde seguir adiante. Quando o senhor Shepherd e eu deixamos Smeton, o meu cavalo estava tão manco que temi ter de ficar também. Não conseguíamos perceber o que havia de errado; mas ele mal punha a pata no chão. Cavalgando assim sete milhas, fiquei exausto, e a minha cabeça doía mais do que havia meses. (O que afirmo aqui é o fato nu; explique-o cada um como julgar melhor.) Pensei então: “Não pode Deus curar homem ou animal, por qualquer meio, ou sem meio algum?” Imediatamente cessaram o meu cansaço e a minha dor de cabeça — e, no mesmo instante, a manqueira do cavalo. E ele não mancou mais, nem naquele dia nem no seguinte. Curioso acidente, também este!
Sexta-feira, 30 de maio. (Bristol.) Encontrei uma pobre criatura, bonita e esvoaçante, recém-chegada da Irlanda para ser cantora no teatro. Ela foi à tarde à capela, e dali à vigília, e esteve quase persuadida a tornar-se cristã. Suas convicções permaneceram fortes por alguns dias; mas então os velhos conhecidos a encontraram, e não a vimos mais.
Domingo, 6 de julho. (Londres.) Depois de conversar longamente com os líderes, homens e mulheres, concordamos que evitaria grande despesa — de saúde, de tempo e de dinheiro — se os mais pobres da nossa sociedade pudessem ser persuadidos a deixar o chá. Resolvemos nós mesmos começar e dar o exemplo. Eu esperava alguma dificuldade em romper um costume de vinte e seis anos. E, de fato, nos três primeiros dias a minha cabeça doeu, mais ou menos, o dia inteiro, e fiquei meio adormecido de manhã à noite. No terceiro dia, quarta-feira, à tarde, a minha memória falhou quase por completo. À noite busquei o remédio na oração. Na quinta de manhã a dor de cabeça se fora; a memória estava tão forte como sempre; e não achei inconveniente algum, mas sensível benefício em vários aspectos, daquele dia até hoje.
Quinta-feira, 17. Concluí a pequena coleta que fizera entre os amigos para um fundo de empréstimos: não chegou a trinta libras, que algumas pessoas depois completaram até cinquenta. E com essa soma insignificante, mais de duzentas e cinquenta pessoas foram socorridas num só ano.
Wesley enfrenta o rigor do inverno
1747. Terça-feira, 10 de fevereiro. (Londres.) Meu irmão voltou do norte, e preparei-me para ocupar o seu lugar lá. Domingo, 15: estive muito fraco e abatido; mas na segunda, 16, levantei-me pouco depois das três, vivo e forte, e achei que todas as minhas queixas haviam fugido como um sonho.
Na véspera, eu me admirava da brandura do tempo, coisa que raramente me acompanha nas viagens. Mas a admiração cessou: o vento virou norte em cheio e soprou tão forte e cortante que, ao chegarmos a Hatfield, nem os meus companheiros nem eu tínhamos muito uso das mãos ou dos pés. Depois de uma hora de descanso, avançamos de novo contra o vento e a neve, que nos batiam em cheio no rosto. Mas isso foi só uma rajada. No campo de Baldock a tempestade começou para valer. O granizo grosso batia com tanta violência no rosto que não podíamos ver, nem quase respirar. Contudo, antes das duas chegamos a Baldock, onde alguém nos encontrou e conduziu a salvo até Potten.
Por volta das seis preguei a uma congregação atenta. Terça, 17: partimos assim que clareou; mas era trabalho duro avançar, pois a geada nem sustentava nem quebrava; e, cobrindo a neve intacta todas as estradas, tínhamos muito que fazer para manter os cavalos de pé. Enquanto isso, o vento subia cada vez mais, pronto a derrubar homem e animal. Contudo, depois de breve parada em Bugden, avançamos e fomos apanhados, no meio de um campo aberto, por uma tempestade de chuva e granizo como ainda não tivéramos. Atravessava casacos e capas, botas e tudo — e ainda assim congelava ao cair, até sobre as sobrancelhas; de modo que mal nos restavam força ou movimento quando entramos na hospedaria em Stilton.
Perdemos então a esperança de alcançar Grantham, pois a neve caía cada vez mais espessa. Aproveitamos, contudo, uma aberta favorável para partir, e fizemos o melhor caminho até Stamford Heath. Mas aqui surgiu nova dificuldade: a neve acumulada em grandes montes. Às vezes cavalo e cavaleiro quase desapareciam nela. Ainda assim, em menos de uma hora fomos levados a salvo a Stamford. Querendo avançar o máximo, paramos pouco ali; e por volta do pôr do sol chegamos, frios e cansados, mas bem, a uma cidadezinha chamada Brig-casterton.
Quarta-feira, 18. O nosso criado subiu e disse: “Senhor, hoje não há como viajar. Caiu tanta neve durante a noite que as estradas estão inteiramente bloqueadas.” Respondi: “Ao menos podemos caminhar vinte milhas por dia, com os cavalos à mão.” E, em nome de Deus, partimos. O vento nordeste era cortante como uma espada e havia empurrado a neve em montes tão desiguais que a estrada principal estava intransitável. Contudo, seguimos, a pé ou a cavalo, até chegar ao White Lion, em Grantham. Alguns de Grimsby haviam combinado encontrar-nos ali; mas, não tendo notícia deles (estavam, por engano, em outra casa), depois de uma hora de descanso partimos direto para Epworth. Na estrada alcançamos um clérigo e o seu criado; mas a dor de dente me fechou completamente a boca. Chegamos a Newark por volta das cinco.
Pregando aos mineiros de chumbo
Terça-feira, 24 de março. Cavalguei a Blanchland, a cerca de vinte milhas de Newcastle. As montanhas ásperas ao redor ainda estavam brancas de neve. No meio delas há um pequeno vale sinuoso, pelo qual corre o Derwent. À beira dele fica a cidadezinha, que é pouco mais que um monte de ruínas. Parece ter havido ali uma grande igreja catedral, a julgar pelas vastas paredes que ainda restam. Fiquei no cemitério, sob um dos lados do edifício, sobre uma grande lápide, ao redor da qual, enquanto eu orava, toda a congregação se ajoelhou na grama. Tinham vindo das minas de chumbo de todas as partes, muitos de Allandale, a seis milhas. Uma fileira de criancinhas sentou-se sob a parede oposta, todas quietas e sossegadas. A congregação inteira bebia cada palavra com tal seriedade no olhar que não pude deixar de esperar que Deus fará este deserto cantar de alegria (Is 35.1).
Quarta-feira, 24 de junho. Cavalgamos (de Bristol) a Beercrocomb, esperando alcançar Tavistock no dia seguinte. Partimos, pois, às três. A chuva começou às quatro. Chegamos a Colestock, pingando, antes das sete. A chuva cessou enquanto estávamos na casa, mas recomeçou quando montamos, e nos acompanhou até Exeter. Enquanto ali parávamos para secar a roupa, aproveitei para escrever “Uma Palavra a um Eleitor”. Pouco depois das três partimos; mas era quase oito quando alcançamos Oakhampton.
Sexta-feira, 26. Chegamos a Tavistock antes do meio-dia; mas, sendo dia de feira, só preguei às cinco da tarde. A chuva começou quase junto com o primeiro cântico e expulsou muitos do campo. Depois da pregação (deixando ali o senhor Swindells), segui para o arsenal de Plymouth.
Como Wesley lidou com uma turba
A duas milhas de Plymouth, alguém nos alcançou e informou que, na noite anterior, todo o arsenal estivera em alvoroço, e um condestável, tentando manter a paz, fora espancado e muito ferido. Quando entrávamos no arsenal, alguém veio pedir que fôssemos pelo caminho de trás: “Pois”, disse ele, “há milhares de pessoas esperando à porta do senhor Hide.” Cavalgamos direto para o meio delas. Saudaram-nos com três vivas; depois do que apeei, tomei vários pela mão e comecei a conversar. De bom grado eu teria passado uma hora entre eles; e creio que, se o fizesse, o tumulto teria acabado ali. Mas, estando o dia já adiantado (passava das nove), persuadiram-me a entrar. A turba então recobrou o ânimo e lutou valentemente contra portas e janelas; mas, por volta das dez, cansaram-se e foram, cada um, para a sua casa.
Sábado, 27. Preguei às quatro e depois falei individualmente com parte da sociedade. Até agora achei entre eles uma só pessoa que conhecia o amor de Deus antes da vinda do meu irmão. Não admira que o diabo estivesse tão quieto: os seus bens estavam em paz (Lc 11.21).
Por volta das seis da tarde, fui ao lugar onde preguei no ano anterior. Pouco antes de terminarmos o hino, veio o tenente, homem famoso, com o seu séquito de soldados, tambores e turba. Quando os tambores cessaram, um barbeiro-cavalheiro começou a falar; mas a sua voz logo se afogou nos gritos da multidão, que ficava mais e mais feroz à medida que crescia. Depois de esperar um quarto de hora, vendo que a violência da ralé ainda aumentava, desci ao meio deles e tomei o capitão da turba pela mão. Ele disse no ato: “Senhor, eu o levarei são e salvo para casa. Ninguém tocará no senhor. Cavalheiros, afastem-se! Para trás! Derrubarei o primeiro que o tocar.” Caminhamos em grande paz, o meu condutor de quando em quando esticando o pescoço (era homem muito alto) e olhando ao redor, para ver se alguém se portava mal, até chegarmos à porta do senhor Hide. Ali nos separamos com muito amor. Fiquei na rua quase meia hora depois que ele se foi, conversando com o povo, que já havia esquecido a ira e se foi embora no melhor dos humores.
Domingo, 28. Preguei às cinco, no Common, a uma congregação fervorosa e de bom comportamento; e às oito, perto da sala, sobre “Busquem o Senhor enquanto se pode achá-lo” (Is 55.6). A congregação foi muito maior que antes, e igualmente séria e atenta. Às dez fui à igreja. O senhor Barlow pregou um sermão útil sobre “Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!” (Lc 18.13); e um trovejante à tarde, sobre “onde o seu verme não morre, e o fogo não se apaga” (Mc 9.44).
Segunda-feira, 29. Montei entre três e quatro e alcancei Perranwell, três milhas além de Truro, por volta das seis. Preguei a uma congregação muito grande às sete; e a palavra foi como a chuva sobre a erva tenra (Dt 32.2).
Terça-feira, 30. Chegamos a St. Ives antes das orações da manhã e caminhamos até a igreja sem um único grito. Como um ano mudou estranhamente a cena na Cornualha! Este é agora um posto pacífico — honroso, até. Quase por toda parte nos dão boas palavras. Que fizemos nós, para que o mundo esteja tão civilizado conosco?
Quarta-feira, 1º de julho. Falei individualmente com todos os que tinham voto na eleição que se aproximava. Achei-os como eu desejava: nem um só comeria ou beberia à custa do candidato em quem votava. Cinco guinéus foram dados a W. C., que os devolveu imediatamente. T. M. recusou-se terminantemente a aceitar qualquer coisa; e, ao saber que a mãe recebera dinheiro às escondidas, não descansou enquanto ela não lhe entregou os três guinéus, que ele mandou de volta no mesmo instante.
Quinta-feira, 2. Foi o dia da eleição para o Parlamento. Começou e terminou sem agitação alguma. Tive uma grande congregação à tarde, entre os quais dois ou três bramiam pela inquietação do seu coração — como muitos na reunião que se seguiu, particularmente os que haviam perdido o primeiro amor.
Quinta-feira, 13 de agosto. (Dublin.) Caminhamos à tarde para visitar dois enfermos perto do parque Phoenix. A parte dele que se junta à cidade é salpicada de árvores, não muito diferente do Hyde Park. Mas, a cerca de uma milha da cidade, há um bosque espesso de carvalhos velhos e altos; e no centro dele um gramado redondo e aberto (de onde partem vistas para os quatro lados), com uma bela coluna de pedra ao meio, tendo uma fênix no topo. Continuei pregando, manhã e tarde, a muito mais gente do que a casa podia conter, e tive mais e mais razão para esperar que não serão todos ouvintes infrutíferos.
Domingo, 27 de setembro. (Londres.) Preguei em Moorfields de manhã e à tarde, e assim continuei até novembro. Não conheço igreja em Londres (exceto a da rua West) com congregação tão séria.
Segunda-feira, 28. Conversei com uma mulher que, pouco tempo antes, estava tão esmagada pela aflição que saiu certa noite para pôr fim a tudo, lançando-se no New River. Passando pela Fundição (era noite de vigília), ouviu cânticos. Parou e entrou; escutou um pouco, e Deus falou ao seu coração. Não teve mais desejo de pôr fim à vida — mas de morrer para o pecado e viver para Deus.
Os barqueiros e os seus porretes
Segunda-feira, 2 de novembro. Preguei em Windsor ao meio-dia e à tarde cavalguei a Reading. O senhor J. R. acabara de mandar dizer ao irmão que havia contratado uma turba para derrubar naquela noite a sua casa de pregação. À tardinha, o senhor S. Richards alcançou uma grande companhia de barqueiros que caminhava para lá; abordou-os imediatamente e perguntou se queriam ir com ele ouvir um bom sermão, dizendo: “Arranjo lugar para vocês, ainda que fossem o dobro.” Disseram que iriam de todo o coração. “Mas, vizinhos”, disse ele, “não seria bom deixar esses porretes para trás? Algumas mulheres podem assustar-se.” Jogaram todos fora e caminharam tranquilamente com ele até a casa, onde ele os acomodou num banco.
Na conclusão do meu sermão, um deles, que costumava ser o seu capitão — uma cabeça mais alto que os companheiros —, levantou-se e, olhando ao redor da congregação, disse: “O cavalheiro não diz senão o que é bom. Eu o digo; e não há aqui homem que ouse dizer o contrário.”
Um acidente notável com Wesley
1748. Quinta-feira, 28 de janeiro. Parti para Deverel Longbridge. Por volta das dez, encontramos uma carroça carregada, num caminho fundo e encaixado. Havia uma vereda estreita entre a estrada e o barranco: passei para ela, e John Trembath me seguiu. Quando a carroça se aproximou, o meu cavalo começou a empinar e a tentar subir o barranco. Isso assustou o cavalo que vinha logo atrás, que se pôs a saltar e a jogar a cabeça de um lado para outro, até que o ferro do freio se prendeu na capa do meu casacão e me puxou para trás, derrubando-me do cavalo. Caí exatamente na vereda, entre a carroça e o barranco, como se alguém me houvesse tomado nos braços e me deitado ali. Os dois cavalos ficaram absolutamente imóveis, um logo atrás de mim, o outro à frente; de modo que, pela bênção de Deus, levantei-me ileso, montei de novo e segui viagem.
Sábado, 6 de fevereiro. Preguei às oito da manhã em Bath e à tarde em Coleford. Os mineiros deste lugar eram “trevas”, de fato; mas agora são “luz no Senhor” (Ef 5.8).
Terça-feira, 9. Reuni cerca de sessenta da sociedade em Bristol para deliberar sobre a ampliação da sala — e, na verdade, sobre a sua segurança, pois não era pequeno o perigo de que caísse sobre as nossas cabeças. Em dois ou três dias, subscreveram-se duzentas e trinta libras. Contratamos logo construtores experientes para orçar a despesa; e nomeei cinco ecônomos (além dos da sociedade) para superintender a obra.
Sexta-feira, 12. Depois de pregar em Oakhill por volta do meio-dia, cavalguei a Shepton e achei todos sob estranha consternação. Uma turba, diziam, fora contratada, preparada e suficientemente embriagada para fazer todo tipo de estrago. Comecei a pregar entre quatro e cinco; ninguém estorvou nem interrompeu. Tivemos uma oportunidade abençoada, e o coração de muitos foi grandemente consolado. Eu me perguntava onde estaria a turba. Logo fomos informados: enganaram-se de lugar, imaginando que eu apearia (como costumava) na casa de William Stone, e haviam convocado a tambor todas as suas forças para me receber à chegada; mas o senhor Swindells, sem saber de nada, levou-me à outra extremidade da cidade, e eles só perceberam o engano quando terminei de pregar — de modo que impedir a pregação, que era um dos seus planos, ficou inteiramente frustrado.
Acompanharam-nos, contudo, da casa de pregação até a de William Stone, atirando lama, pedras e torrões em abundância; mas não puderam ferir-nos. Apenas o senhor Swindells ficou com um pouco de lama no casaco, e eu com alguns respingos no chapéu.
Uma chuva de pedras
Depois que entramos na casa, começaram a atirar grandes pedras para arrombar a porta. Mas, percebendo que isso levaria tempo, abandonaram o plano por ora. Primeiro quebraram todas as telhas do alpendre sobre a porta, e então despejaram uma chuva de pedras pelas janelas. Um dos seus capitães, no seu grande zelo, havia-nos seguido para dentro da casa e ficou trancado conosco. Não gostou disso e bem quereria sair, mas não era possível; então se manteve o mais perto de mim que pôde, julgando-se seguro ao meu lado. Mas, ficando um pouco atrás — quando subi dois lances de escada e me encostei a um lado, onde estávamos um pouco abrigados —, uma grande pedra o atingiu na testa, e o sangue jorrou como um riacho. Ele gritou: “Ó senhor, vamos morrer esta noite? Que devo fazer? Que devo fazer?” Respondi: “Ore a Deus. Ele é poderoso para livrá-lo de todo perigo.” Ele seguiu o conselho e pôs-se a orar como talvez nunca houvesse orado desde que nasceu.
O senhor Swindells e eu fomos então à oração; depois da qual eu lhe disse: “Não devemos ficar aqui; devemos descer imediatamente.” Ele disse: “Senhor, não podemos nos mexer; o senhor vê como as pedras voam.” Atravessei a sala e desci a escada; e nem uma pedra entrou, até estarmos embaixo. A turba acabava de arrombar a porta quando chegamos à sala de baixo; e, exatamente enquanto irrompiam por uma porta, saímos pela outra. E nem um homem nos notou, embora estivéssemos a menos de cinco metros uns dos outros.
Uma proposta horrível
Encheram a casa de uma vez e propuseram atear-lhe fogo. Mas um deles, lembrando-se por acaso de que a sua própria casa era ao lado, a muito custo os persuadiu a não fazê-lo. Ouvindo um deles gritar “Eles fugiram pelos quintais”, achei bom o aviso: fomos pelos quintais até a outra extremidade da cidade, onde Abraham Jenkins esperava e se dispôs a guiar-nos a Oakhill.
Eu cavalgava pela estrada de Shepton, já em plena escuridão, quando ele gritou: “Desça! Desça do barranco!” Fiz como mandado; mas, sendo alto o barranco e quase vertical a encosta, desci de uma vez, rolando eu e o cavalo um por cima do outro. Mas ambos nos levantamos ilesos.
Sábado, 9 de abril. Preguei em Connaught, a poucas milhas de Athlone. Muitos ouviram; mas, temo, nada sentiram. O Shannon passa a uma milha da casa onde preguei. Penso que não há outro rio assim na Europa: tem ali dez ou doze milhas de largura, embora a menos de trinta milhas da nascente. Há nele muitas ilhas, outrora bem habitadas, agora quase todas desertas. Em quase todas há ruínas de uma igreja; numa, os restos de nada menos que sete. Temo que Deus ainda tenha uma controvérsia com esta terra, porque ela está contaminada de sangue.
Episódios na Irlanda
Domingo, 10 (dia de Páscoa). Nunca se viu congregação como a do sacramento em Athlone. Preguei às três. Abundância de católicos acorreu para ouvir; de modo que o padre, vendo que a sua ordem de nada valia, veio em pessoa às seis e os tocou dali, diante de si, como um rebanho de ovelhas.
Terça-feira, 12. Cavalguei a Clara, onde logo fui informado de que dali a uma hora começaria uma famosa rinha de galos, para a qual quase todo o condado vinha de todos os lados. Esperando ocupar parte deles em coisa melhor, comecei a pregar na rua o mais cedo possível. Cem ou duzentos pararam, escutaram um pouco, tiraram o chapéu e esqueceram a diversão.
A congregação de Tullamore, à tarde, foi maior do que nunca, e profunda atenção pousava em cada rosto. Perto do fim do sermão, começou uma violenta tempestade de granizo. Pedi ao povo que cobrisse a cabeça; a maior parte não quis; e ninguém se retirou até que concluí o discurso.
Sexta-feira, 15. Cavalguei a Edinderry. Muita gente logo se reuniu. Tendo sido perturbado à noite pelo senhor Swindells, que dormia comigo e teve uma espécie de ataque apoplético, eu não estava nada bem ao meio-dia, quando comecei a pregar numa grande alameda, num dos lados da cidade; o sol batia quente na minha cabeça, que doera o dia todo; mas esqueci isso antes de falar muito; e, terminado o discurso, deixei para trás todo o cansaço e toda a dor, e cavalguei em perfeita saúde para Dublin.
Sábado, 23. Li, por algumas horas, um livro extremamente maçante: as Antiguidades da Irlanda, de Sir James Ware. Pelo vasto número de ruínas que se veem em todas as partes, eu sempre havia suspeitado do que ele demonstra amplamente: que nos tempos antigos a ilha era dez vezes mais populosa do que agora; muitas que foram grandes cidades são hoje montes de ruínas; muitas encolheram em aldeias insignificantes. Visitei à tarde um enfermo com febre, que jazia num quarto muito abafado. Estando perto dele, senti-me mal. De volta a casa, senti o estômago desarranjado; mas imaginei que não valia atenção e que passaria antes da manhã.
Wesley vive de chá de maçã
Domingo, 24. Preguei em Skinner’s Alley às cinco, e no Oxmantown Green às oito. Estava fraco de corpo, mas fui grandemente reanimado pela seriedade e pelo fervor da congregação. Decidido a aproveitar a oportunidade, anunciei nova pregação ali à tarde — e preguei, a uma congregação muito mais numerosa e igualmente atenta. Ao voltar para casa, tive alívio em deitar-me, com uma angina acompanhada de febre. Contudo, quando a sociedade se reuniu, dei um jeito de me arrastar para o meio deles. Imediatamente a minha voz voltou: falei sem dor por quase uma hora seguida. E grande foi o nosso regozijo mútuo, sabendo que Deus ordenaria bem todas as coisas.
Segunda-feira, 25. Vendo a febre muito aumentada, julguei melhor ficar de cama e viver por algum tempo de maçãs e chá de maçã. Na terça-feira estava perfeitamente bem, e teria pregado, não fosse o doutor Rutty (que me visitara duas vezes) insistir em que eu descansasse algum tempo.
Li hoje o que se considera a mais correta história de São Patrício que existe; e, na mais madura consideração, inclinei-me muito a crer que São Patrício e São Jorge são da mesma família. A história inteira cheira fortemente a lenda.
Um pregador determinado
Quinta-feira, 28. Era o dia marcado para eu ir ao interior; mas todos ao meu redor começaram a clamar: “Certamente o senhor não vai hoje! Veja como a chuva despenca!” Respondi: “Devo cumprir a minha palavra, se possível.” Mas, antes das cinco, o homem de quem eu havia encomendado um cavalo mandou dizer que o seu cavalo não sairia num dia daqueles. Mandei alguém que o trouxe a melhor juízo. Por volta das seis montei. Às nove parei em Killcock.
Entre uma e duas chegamos a Kinnegad. Minhas forças estavam quase esgotadas; de modo que, quando montamos de novo, depois de uma hora de descanso, era quanto eu podia fazer para me manter na sela. Tínhamos quase onze milhas irlandesas (medidas) pela frente, que equivalem a catorze inglesas. Venci-as razoavelmente bem em três horas, e às seis alcancei Tyrrel’s Pass. Às sete recobrei as forças, a ponto de pregar e reunir a sociedade — que começava a estacionar quanto ao número, mas não quanto à graça de Deus.
Sexta-feira, 29. Cavalguei a Temple Maqueteer e dali rumo a Athlone. Chegamos pelo menos uma hora antes do esperado. Mesmo assim, muitos dos nossos irmãos vieram ao nosso encontro. Os primeiros que vi, a umas duas milhas da cidade, foram uma dúzia de meninos correndo com todas as forças, alguns de cabeça descoberta, outros descalços e de pernas nuas: tiveram assim o seu desejo de falar comigo primeiro, ficando os demais ainda para trás.
Protestantes zelosos
Terça-feira, 3 de maio. Cavalguei a Birr, a vinte milhas de Athlone, e, não se achando a chave do salão de sessões, declarei “a graça de nosso Senhor Jesus Cristo” na rua, a uma multidão apática, rude e insensível. Muitos riram a maior parte do tempo; alguns se foram no meio de uma frase. E, contudo, quando alguém gritou “Mentira! Mentira!” (um frade carmelita, sacristão do padre), os protestantes zelosos gritaram “Derrubem-no!” — e não foi dizer e fazer. Vi algum tumulto, mas não soube do que se tratava até que tudo havia passado.
À tarde cavalgamos a Balliboy. Não havendo casa que contivesse a congregação, preguei também aqui na rua. Temi que, em lugar novo, poucos viessem pela manhã; mas houve número considerável, e uma bênção como eu quase não achava desde que desembarquei na Irlanda.
Domingo, 15. (Dublin.) Achando as forças muito restauradas, preguei às cinco e às oito no Oxmantown Green. Esperava embarcar assim que terminasse; mas o adiamento do capitão (como é costume deles) deu-me oportunidade de declarar o evangelho da paz a uma congregação ainda maior à tarde. Um deles, depois de escutar algum tempo, exclamou, balançando a cabeça: “Ah, ele é jesuíta; isso é claro.” Ao que um sacerdote católico, que por acaso estava perto, respondeu em voz alta: “Não é, não; quisera Deus que fosse.”
Segunda-feira, 16. Observando à tarde uma grande congregação, com muitos estranhos, preguei mais asperamente do que jamais havia pregado em Dublin, sobre aquelas palavras tremendas: “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Mc 8.36)
Quarta-feira, 18. Embarcamos. O vento era fraco à tarde, mas altíssimo ao cair da noite. Por volta das oito deitei-me no tombadilho. Logo fiquei molhado da cabeça aos pés, mas não apanhei resfriado algum. Por volta das quatro da manhã desembarcamos em Holyhead, e à tarde chegamos a Carnarvon.
Sexta-feira, 12 de agosto. Cavalgando para Newcastle, terminei a décima Ilíada de Homero. Que gênio espantoso o deste homem! Escrever com tal força de pensamento e beleza de expressão, sem ter ninguém que fosse adiante dele! E que veia de piedade corre por toda a sua obra, apesar dos seus preconceitos pagãos! Contudo, não se pode deixar de notar, de permeio, impropriedades chocantes ao último grau.
Wesley protesta contra a ilegalidade
Quinta-feira, 25. Cavalguei com o senhor Grimshaw a Roughlee. À meia hora depois do meio-dia comecei a pregar. Estava com o discurso pela metade quando a turba veio despejando-se colina abaixo como uma torrente. Depois de trocar algumas palavras com o seu capitão, para evitar qualquer conflito fui com ele, como exigia. Quando chegamos a Barrowford, a duas milhas, o exército inteiro se perfilou em ordem de batalha diante da casa em que me meteram com dois ou três amigos. Detido por mais de uma hora, quando o capitão saiu, eu o segui e pedi que me conduzisse ao lugar de onde viemos. Disse que sim; mas a turba logo veio atrás, com o que ele se enfureceu a ponto de voltar para brigar com eles — e assim me deixou sozinho.
Um relato mais completo está na carta seguinte, que escrevi na manhã seguinte, de Widdop, 26 de agosto de 1748:
“Senhor: ontem, entre meio-dia e uma hora, enquanto eu falava a algumas pessoas quietas, sem ruído nem tumulto algum, uma ralé embriagada veio com porretes e cajados, de maneira tumultuosa e amotinada; o seu capitão, Richard B. de nome, disse que era vice-condestável e que vinha levar-me ao senhor. Fui com ele; mas mal havia andado dez metros quando um homem do seu grupo me golpeou o rosto com o punho, com toda a força; logo depois, outro atirou o seu cajado à minha cabeça. Detive-me então um pouco; mas outro dos seus campeões, praguejando e blasfemando da maneira mais chocante e brandindo o porrete sobre a cabeça, gritou: ‘Tragam-no!’
“Com tal escolta caminhei até Barrowford, onde me informaram que o senhor estava, indo adiante o tambor deles, para juntar toda a ralé de todos os cantos. Quando o seu delegado me levou à casa, permitiu que o senhor Grimshaw, ministro de Haworth, o senhor Colbeck, de Keighley, e mais um ficassem comigo, prometendo que ninguém os feriria. Logo depois o senhor e os seus amigos entraram e exigiram que eu prometesse não voltar mais a Roughlee. Disse-lhe que antes cortaria a minha mão do que fazer tal promessa; nem prometeria que nenhum dos meus amigos viria. Depois de abundante conversa desconexa (pois não pude manter nenhum dos senhores por muito tempo num só ponto), de cerca de uma hora até entre três e quatro (durante a qual um dos senhores disse francamente: ‘Não; não seremos como Gamaliel, procederemos como os judeus’), pareceram satisfazer-se um pouco com o meu dizer: ‘Não pregarei em Roughlee desta vez.’ O senhor então se encarregou de aquietar a turba, à qual foi e disse poucas palavras, e o barulho cessou imediatamente. Saí então com o senhor pela porta dos fundos.
Espancado pela turba
“Devia ter mencionado que várias vezes antes eu pedira que me deixassem ir, mas em vão; e que, quando tentei sair com Richard B., a turba veio imediatamente atrás, com juramentos, maldições e pedras; que um deles me derrubou ao chão; e que, quando me levantei, o bando inteiro me cercou como leões e me forçou de volta para dentro da casa.
“Enquanto o senhor e eu saíamos por uma porta, o senhor Grimshaw e o senhor Colbeck saíram pela outra. A turba imediatamente os cercou, sacudindo-os de um lado para outro com a maior violência; derrubou o senhor Grimshaw e cobriu os dois de lama e lodo de todo tipo — sem que nem um dos seus amigos se dispusesse a chamar de volta os seus cães de caça.
“As outras pessoas quietas e inofensivas, que me seguiam à distância para ver como terminaria, eles trataram ainda pior — não só com a conivência, mas por ordem expressa do seu delegado. Fizeram-nas correr pela própria vida, debaixo de chuvas de lama e pedras, sem consideração de idade ou sexo. Algumas pisotearam na lama e arrastaram pelos cabelos — em particular o senhor Mackford, que veio comigo de Newcastle. A muitos espancaram com os porretes, sem misericórdia. A um forçaram a saltar (ou o teriam atirado de cabeça) de uma rocha de dez ou doze pés de altura, para dentro do rio; e, quando ele se arrastou para fora, molhado e machucado, juraram que o atirariam de novo, e a muito custo foram dissuadidos. Todo esse tempo o senhor esteve sentado, bem satisfeito, junto ao lugar, sem tentar minimamente impedi-los.
“E todo esse tempo o senhor falava de justiça e de lei! Ah, senhor: suponha que fôssemos dissidentes (o que nego), suponha que fôssemos judeus ou turcos — não haveríamos de ter o benefício das leis do nosso país? Procedam contra nós pela lei, se podem ou ousam; mas não pela violência sem lei; não fazendo de uma ralé bêbada, blasfema e amotinada, ao mesmo tempo, juiz, júri e executor. Isto é pura rebelião contra Deus e contra o Rei, como possivelmente o senhor descobrirá à sua custa.”
Em defesa da pregação ao ar livre
Entre quatro e cinco partimos de Roughlee. Mas, observando vários grupos de homens sobre as colinas e suspeitando do seu intento, apressamo-nos e passamos a viela para onde se dirigiam antes que chegassem. Um dos nossos irmãos, que não cavalgava tão depressa, foi interceptado por eles. Derrubaram-no no ato; e como escapou dentre eles, ele mesmo não sabia.
Antes das sete chegamos a Widdop. A notícia do que se passara em Barrowford fez de todos amigos. A pessoa em cuja casa o senhor B. pregava mandou pedir que eu pregasse ali — o que fiz às oito, a uma congregação que ninguém esperaria com aviso tão curto. Convidou-nos também a pousar na sua casa, e todas as desconfianças se desvaneceram.
Domingo, 28. Fui convidado pelo senhor U., ministro de Goodshaw, a pregar na sua igreja. Comecei a ler as orações às sete; mas, percebendo que a igreja mal conteria metade da congregação, depois das orações saí e, de pé sobre o muro do cemitério, num lugar à sombra do sol, expliquei e apliquei aquelas palavras da segunda lição: “Por pouco você me persuade a me tornar cristão” (At 26.28).
Admiro-me dos que ainda falam tão alto da indecência da pregação ao ar livre. A maior indecência está na catedral de São Paulo, quando parte considerável da congregação dorme, ou conversa, ou olha ao redor, sem atender a uma palavra do pregador. Por outro lado, há a mais alta decência num cemitério ou num campo, quando a congregação inteira se porta e olha como quem vê o Juiz de todos e o ouve falar do céu.
Três pedradas notáveis
À uma hora fui ao cruzeiro de Bolton. Havia vasto número de pessoas, mas muitas delas completamente selvagens. Assim que comecei a falar, puseram-se a empurrar de um lado para outro, tentando derrubar-me dos degraus em que eu estava. Conseguiram-no uma ou duas vezes; mas tornei a subir e continuei o discurso. Começaram então a atirar pedras; ao mesmo tempo, alguns subiram ao cruzeiro, atrás de mim, para me empurrar dali; e não pude deixar de observar como Deus governa até as mínimas circunstâncias. Um homem berrava junto ao meu ouvido quando uma pedra o atingiu na face — e ele se calou. Um segundo abria caminho até mim, quando outra pedra o acertou na testa; ela ricocheteou, o sangue escorreu, e ele não avançou mais. O terceiro, já perto de mim, estendeu a mão e, no mesmo instante, uma pedra aguda lhe bateu nas juntas dos dedos. Sacudiu a mão e ficou bem quieto, até que concluí o discurso e me retirei.
Sábado, 22 de outubro. Passei uma hora observando as várias obras de Deus no Jardim Botânico de Chelsea. Seria um nobre aperfeiçoamento do projeto se alguém, capaz e diligente, fizesse uma investigação completa e exata do uso e das virtudes de todas essas plantas; sem isso, a que serve amontoá-las assim, senão para satisfazer uma curiosidade ociosa?
Segunda-feira, 21 de novembro. Parti para Leigh, no Essex. Havia chovido forte na primeira parte da noite, seguindo-se uma geada aguda, de modo que a maior parte da estrada estava como vidro; e o vento nordeste soprava bem no nosso rosto. Contudo, chegamos a Leigh às quatro da tarde. Houve ali outrora um porto fundo e aberto; mas as areias há muito o bloquearam e reduziram uma cidade florescente a uma pequena aldeia arruinada. Preguei à tarde à maior parte dos habitantes do lugar; a muitos, pela manhã; e então cavalguei de volta a Londres.
Tradução em português atual a partir do original em domínio público (edição condensada de Percy Livingstone Parker, 1903). Citações bíblicas conforme a NAA. Edição: Bispo Ildo Mello · Igreja Metodista Livre do Brasil.