DIÁRIO DE WESLEY · CAPÍTULO 9
O casamento de Wesley; os contrabandistas da Cornualha; doença e recuperação
O casamento aos quarenta e sete anos (“não entendo como um pregador metodista possa responder a Deus por pregar um sermão a menos por estar casado”); a primeira visita à Escócia; o ultimato aos contrabandistas de St. Ives; a doença grave de 1753 — e o epitáfio que Wesley escreveu para si mesmo.
“Aqui jaz o corpo de John Wesley, um tição tirado do fogo, que morreu de tuberculose no quinquagésimo primeiro ano da sua idade, não deixando, pagas as suas dívidas, dez libras — orando: Deus, tem misericórdia de mim, servo inútil!”
(Epitáfio escrito pelo próprio Wesley — Diário, 26 de novembro de 1753)Antes de ler
Em fevereiro de 1751, aos quarenta e sete anos, Wesley casou-se com a viúva Mary (Molly) Vazeille. O Diário é notavelmente discreto: registra a convicção (“agora cria plenamente que, nas minhas circunstâncias presentes, eu poderia ser mais útil casado”) e a resolução célebre: “não entendo como um pregador metodista possa responder a Deus por pregar um sermão ou viajar um dia a menos por estar casado”. A honestidade pede que se diga: o casamento foi infeliz e terminou em separação anos depois. O Diário quase não fala de Molly — e isso também nos ensina: os heróis da fé têm limites e feridas, e a graça de Deus opera apesar deles (2Co 4.7).
O capítulo traz a primeira visita à Escócia: a surpresa com a hospitalidade (“que relatos miseráveis correm na Inglaterra sobre as hospedarias da Escócia!”), a congregação imóvel “como estátuas” em Musselburgh e o espanto de pregar numa kirk presbiteriana a convite do ministro: “quem creria, vinte e cinco anos atrás?” E note a pergunta incômoda que Wesley se faz diante da civilidade geral: “Tornei-me servo de homens? Ou cessou o escândalo da cruz?” (Gl 5.11).
Dois retratos de integridade: em St. Ives, Wesley descobre que quase toda a sociedade comprava ou vendia mercadoria contrabandeada — e dá o ultimato: “ou removem essa abominação, ou não verão mais o meu rosto”. E, visitando os pobres de Londres em porões e sótãos, desmonta um preconceito de todos os séculos: “quão perversa e diabolicamente falsa é a objeção comum de que ‘são pobres apenas porque são preguiçosos'”. Fé que não abre mão nem da ética nem da misericórdia (Tg 2.14-17).
E há a doença de 1753, que Wesley julgou fatal. A sua preparação para morrer foi escrever o próprio epitáfio — “para prevenir vil panegírico”: nada de elogios, apenas “um tição tirado do fogo” (Zc 3.2) e a oração do servo inútil (Lc 17.10). Que os nossos memoriais digam menos de nós e mais da misericórdia que nos alcançou.
— Bispo Ildo Mello
1751. Quarta-feira, 10 de janeiro. Tendo recebido uma carta urgente do doutor Isham, então reitor do nosso colégio, para dar o meu voto na eleição de um membro do Parlamento que haveria no dia seguinte, parti cedo, sob geada severa e com o vento noroeste em pleno rosto. As estradas estavam tão escorregadias que os cavalos mal se seguravam de pé; um deles, de fato, não conseguiu: caiu de cabeça e feriu-se terrivelmente. Contudo, por volta das sete da tarde, Deus nos levou a salvo a Oxford. Uma congregação me esperava na casa do senhor Evans, à qual imediatamente me dirigi com aquelas palavras tremendas: “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Mc 8.36)
Quinta-feira, 31. Fui às escolas onde a Convocação estava reunida; mas não achei a decência e a ordem que esperava. O cavalheiro em quem vim votar não foi eleito; ainda assim, não me arrependi da vinda: devo muito mais do que isso àquele homem generoso e amigo, que agora descansa dos seus trabalhos.
Surpreendeu-me muito, por onde passei, a civilidade do povo — tanto dos cavalheiros quanto dos demais. Não houve apontar de dedos, nem apelidos, como outrora; não, nem sequer risos. Que significará isto? Tornei-me servo de homens? Ou cessou o escândalo da cruz?
Wesley decide casar-se
Sexta-feira, 1º de fevereiro. Partimos para Londres noutra manhã amarga, com um vento (agora virado a leste, e portanto de novo no nosso rosto) como quase não me lembro de outro. Mas às cinco da tarde estávamos abrigados na Fundição. Sendo a noite marcada para uma vigília, continuamos orando e louvando a Deus, como de costume, até por volta da meia-noite; e não senti inconveniente algum, além de uma pequena fraqueza, que algumas horas de sono removeram.
Sábado, 2. Tendo recebido resposta completa do senhor P—, fiquei claramente convencido de que devia casar-me. Por muitos anos permaneci solteiro, porque cria que poderia ser mais útil solteiro do que casado. E louvo a Deus, que me capacitou a assim viver. Agora cria, com igual plenitude, que, nas minhas circunstâncias presentes, eu poderia ser mais útil no estado de casado; no qual, sobre essa clara convicção e pelo conselho dos meus amigos, entrei poucos dias depois.
Quarta-feira, 6. Reuni os solteiros e mostrei-lhes por quantas razões é bom, para os que receberam de Deus esse dom, permanecer “solteiros por causa do Reino dos céus” (Mt 19.12) — salvo onde um caso particular seja exceção à regra geral.
Domingo, 10. Depois de pregar às cinco, eu me apressava para despedir-me da congregação de Snowsfields, planejando partir pela manhã para o norte, quando, no meio da ponte de Londres, ambos os meus pés escorregaram no gelo, e caí com grande força, batendo o osso do tornozelo na ponta de uma pedra. Contudo, segui, com alguma ajuda, até a capela, resolvido a não desapontar o povo. Depois da pregação, um cirurgião me enfaixou a perna, e dei um jeito de caminhar até Seven Dials. Foi com muita dificuldade que subi ao púlpito; mas Deus então consolou muitos dos nossos corações.
Voltei de carruagem à casa do senhor B— e dali, numa cadeira, à Fundição; mas não pude pregar, pois a torção piorava. Mudei-me para a rua Threadneedle, onde passei o resto da semana, parte em oração, leitura e conversa, parte escrevendo uma gramática hebraica e Lições para Crianças.
Domingo, 17. Fui carregado até a Fundição e preguei de joelhos (pois não podia ficar de pé) sobre parte do Salmo vinte e três; meu coração se dilatou, e a minha boca se abriu para declarar as maravilhas do amor de Deus.
Casamento e pregação
Segunda-feira, 18. Era o segundo dia que eu havia marcado para a viagem; mas fui desapontado de novo, não podendo ainda pôr o pé no chão. Preguei, contudo (de joelhos), na terça à tarde e na quarta pela manhã.
Domingo, 24. Preguei, manhã e tarde, em Spitalfields.
Segunda-feira, 4 de março. Já podendo razoavelmente cavalgar, embora não caminhar, parti para Bristol. Cheguei na quarta-feira, completamente cansado, mas, nos demais aspectos, melhor do que quando parti.
Terça-feira, 19. Concluído o assunto que me trouxe a Bristol, parti de novo para Londres, a pedido de muitos que desejavam que eu passasse ali alguns dias antes de empreender a viagem ao norte. Cheguei a Londres na quinta e, resolvidos todos os assuntos, parti de novo na quarta-feira, 27. Não entendo como um pregador metodista possa responder a Deus por pregar um sermão ou viajar um dia a menos por estar casado. Neste aspecto, certamente, “resta que os que têm esposa sejam como se não a tivessem” (1Co 7.29).
Wesley e o seu barbeiro
Quinta-feira, 11 de abril. (Bolton.) O barbeiro que me barbeou disse: “Senhor, louvo a Deus por sua causa. Quando o senhor esteve em Bolton da última vez, eu era um dos bêbados mais notórios de toda a cidade; mas vim escutar à janela, e Deus me feriu no coração. Orei então com fervor pedindo poder contra a bebida; e Deus me deu mais do que pedi: tirou-me o próprio desejo dela. Contudo, eu me sentia pior e pior, até que, em 5 de abril do ano passado, não pude mais resistir. Sabia que cairia no inferno naquele momento, se Deus não aparecesse para salvar-me — e ele apareceu. Soube que ele me amava, e senti doce paz. Ainda assim não ousava dizer que tinha fé, até que, ontem fez um ano, Deus me deu fé; e o seu amor enche desde então o meu coração.”
Segunda-feira, 22. A chuva parou enquanto eu pregava na praça do mercado de Morpeth. Dali cavalgamos a Alnwick, onde (estando molhado demais para pregar junto ao cruzeiro) alguns amigos conseguiram o salão municipal. Sendo muito amplo, acomodou bem o povo; só que o número o tornou extremamente quente.
Terça-feira, 23. Seguimos a cavalo até Berwick-upon-Tweed.
Quarta-feira, 24. O senhor Hopper e eu montamos entre três e quatro e, por volta das sete, chegamos a Old Camus. Se a região era boa ou má, não pudemos ver: névoa espessa por todo o caminho. As cidades escocesas não se parecem com nenhuma que já vi, na Inglaterra, no País de Gales ou na Irlanda: há em todas um tal ar de antiguidade, e uma esquisitice tão peculiar no modo de construir. Mas o que mais nos surpreendeu foi a acolhida que achamos em toda parte, tão diferente da fama corrente. Tivemos tudo bom, barato, em grande abundância e notavelmente bem-preparado. À tarde passamos por Preston Field e vimos o campo da batalha e a casa do coronel Gardiner. Os escoceses daqui afirmam que ele lutou a pé depois de derrubado do cavalo e recusou render-se. Seja como for, ele está agora onde “os perversos cessam de perturbar, e os cansados repousam” (Jó 3.17).
Impressões da Escócia
Chegamos a Musselburgh entre quatro e cinco. Eu não tinha intenção de pregar na Escócia, nem imaginava que houvesse quem o desejasse. Mas estava enganado. A curiosidade (se não outra coisa) reuniu abundância de gente à tarde. E, enquanto na kirk (informou-me a senhora G—) costumava haver risos, conversas e todas as marcas da mais grosseira desatenção, aqui foi bem diferente: permaneceram como estátuas, do início do sermão ao fim.
Quinta-feira, 25. Cavalgamos a Edimburgo — uma das cidades mais sujas que já vi, sem excetuar Colônia, na Alemanha.
Voltamos a Musselburgh para o almoço, seguidos à tarde por um pequeno grupo de cavalheiros de Edimburgo. Não sei por que alguém haveria de queixar-se da reserva dos escoceses para com estranhos. Todos com quem falei foram tão francos e abertos comigo quanto o povo de Newcastle ou de Bristol; nem pessoa alguma levantou disputa de qualquer tipo, ou me fez qualquer pergunta sobre as minhas opiniões.
Preguei de novo às seis sobre “Busquem o Senhor enquanto se pode achá-lo” (Is 55.6). Usei com eles grande franqueza de fala, e todos a receberam em amor; de modo que o preconceito que o diabo vinha plantando por vários anos foi arrancado pela raiz numa hora. Depois da pregação, um dos bailios da cidade, com um dos presbíteros da kirk, veio pedir-me que ficasse com eles algum tempo, nem que fossem dois ou três dias: preparariam lugar bem maior que a escola e assentos para a congregação. Não estivesse o meu tempo já fixado, de bom grado eu teria atendido.
A notável vitalidade de Wesley
1752. Domingo, 15 de março. (Londres.) Enquanto eu pregava na rua West, à tarde, houve uma das tempestades mais violentas de que me lembro. No meio do sermão, grande parte de uma casa em frente à capela foi derrubada pelo vento. Ouvimos um estrondo enorme, sem saber a causa; tanto mais falou Deus aos nossos corações, e grande foi o regozijo de muitos, confiados na sua proteção. Entre quatro e cinco montei, com minha esposa e minha enteada. As telhas estalavam, caindo das casas dos dois lados, mas não nos feriram. Alcançamos Hayes por volta das sete da tarde, e Oxford no dia seguinte.
Quinta-feira, 16 de abril. Caminhei até Burnham. Não pensava em pregar ali, duvidando que as minhas forças permitissem pregar sempre três vezes ao dia, como eu vinha fazendo desde que saí de Evesham. Mas, achando uma casa cheia de gente, não pude conter-me. E eis: quanto mais uso as minhas forças, mais tenho. Muitas vezes fico bem cansado na primeira pregação do dia; um pouco na segunda; mas, depois da terceira ou da quarta, raramente sinto fraqueza ou fadiga.
Quarta-feira, 2. Cavalguei a Grimsby. A multidão era tão grande à tarde que a sala parecia um forno. Na noite seguinte preguei na extremidade da cidade, para onde quase todo o povo, rico e pobre, me seguiu; e tive boa oportunidade de aplicar de perto aquela pergunta de peso: “Senhor, são poucos os que são salvos?” (Lc 13.23)
Sexta-feira, 24. Passamos por uma bela propriedade, cujo dono (não muito abaixo dos oitenta anos) diz que só deseja viver mais trinta: dez para caçar, dez para juntar dinheiro (tendo, no momento, apenas vinte mil libras por ano) e dez para se arrepender. Oh, que Deus não lhe diga: “Louco, esta noite a sua alma lhe será exigida!” (Lc 12.20)
Quando desembarquei no cais de Hull, estava coberto de gente perguntando: “Qual deles é ele? Qual é ele?” Mas só olharam e riram, e caminhamos sem ser molestados até a casa do senhor A—. Surpreendeu-me a condição miserável das fortificações — bem mais arruinadas e decadentes que as de Newcastle, mesmo antes da rebelião. Ainda bem que não há inimigo por perto.
Uma carruagem apinhada
Fui às orações das três na igreja velha — uma estrutura grandiosa e venerável. Entre cinco e seis a carruagem me apanhou e levou a Mighton Car, a cerca de meia milha da cidade. Uma multidão imensa, ricos e pobres, a cavalo e a pé, com várias carruagens, logo se reuniu; à qual clamei em alta voz e com espírito sereno: “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” Alguns milhares atenderam com seriedade; mas muitos se portavam como possuídos por Moloque. Torrões e pedras voavam por todos os lados, mas nem me tocaram nem me perturbaram.
Terminado o discurso, fui tomar a carruagem — mas o cocheiro havia partido de vez. Estávamos sem saída, quando uma senhora convidou a mim e à minha esposa para a sua carruagem. Ela trouxe sobre si alguns inconvenientes com isso: não só éramos nove na carruagem, três de cada lado e três no meio, como a turba nos acompanhou de perto, atirando pelas janelas (que não julgamos prudente fechar) o que lhes vinha à mão. Mas uma senhora corpulenta, sentada no meu colo, serviu-me de escudo, de modo que nada chegou perto de mim.
Wesley dorme num porão
Segunda-feira, 25 de maio. Cavalgamos a Durham e dali, por estradas muito ásperas e tempo igualmente áspero, a Barnard Castle. Eu estava extremamente fraco quando chegamos. Contudo, chegada a hora, saí à rua e teria pregado; mas a turba era tão numerosa e tão barulhenta que não era possível que muitos ouvissem. Falei assim mesmo, e os que estavam perto escutaram com enorme atenção. Para impedi-lo, alguns da ralé trouxeram a bomba de incêndio e lançaram boa quantidade de água sobre a congregação; mas nem uma gota caiu sobre mim. Depois de cerca de três quartos de hora, voltei para a casa.
Terça-feira, 9 de junho. Meu alojamento não era o que eu escolheria; mas o que a Providência escolhe é sempre bom. Minha cama ficava consideravelmente abaixo do chão, servindo o cômodo ao mesmo tempo de quarto e de porão. O abafamento incomodou mais, a princípio, do que o frescor; mas deixei entrar um pouco de ar fresco rompendo uma folha de papel (posta à guisa de vidro) na janela, e dormi profundamente até de manhã.
Segunda-feira, 15. Tive nesta viagem muitas pequenas provações de um tipo que eu não conhecia. Tomei emprestada uma égua nova e forte ao partir de Manchester; mas ela mancou antes de eu chegar a Grimsby. Consegui outra, mas fiquei a pé de novo entre Newcastle e Berwick. Na volta a Manchester, tomei a minha; mas ela se machucara no pasto. Pensei, mesmo assim, em montá-la por quatro ou cinco milhas hoje; mas havia sumido do terreno, e ninguém sabia dela. Consolei-me com ter outra em Manchester, comprada há pouco; mas, chegando lá, descobri que alguém a havia tomado emprestada também e partido com ela para Chester.
Sábado, 20. Cavalguei a Chester e preguei às seis no lugar de costume, um pouco fora dos portões, perto da igreja de São João. Um único homem, um pobre taberneiro, pareceu desgostoso, disse uma palavra inofensiva e fugiu a toda pressa. Todos os demais se portaram com a maior seriedade, enquanto eu declarava “a graça de nosso Senhor Jesus Cristo”.
A volta às muralhas de Chester
Segunda-feira, 22. Demos a volta às muralhas da cidade, que têm pouco mais de uma milha e três quartos de circunferência. Mas há muitos espaços vazios dentro das muralhas, muitos jardins e bastante pasto; creio que Newcastle-upon-Tyne, dentro das muralhas, contém pelo menos um terço mais de casas do que Chester. A maior conveniência daqui é o que chamam “the Rows”: galerias cobertas que correm pelas ruas principais de cada lado, de leste a oeste e de norte a sul, pelas quais se pode andar limpo e seco, com qualquer tempo, de uma extremidade à outra da cidade.
Preguei às seis da tarde na praça, a uma vasta multidão, ricos e pobres. A parte de longe maior, particularmente a alta sociedade, esteve séria e profundamente atenta, embora uns poucos da ralé, quase todos bêbados, muito se esforçassem por perturbar. Já se podia perceber grande aumento de fervor na generalidade dos ouvintes.
Terça-feira, 25 de agosto. Preguei na praça do mercado de Kinsale. Na manhã seguinte, às oito, caminhei até o forte. Na colina acima dele achamos uma cavidade grande e funda, capaz de conter duas ou três mil pessoas. Num dos lados, os soldados logo abriram com as espadas um lugar para eu ficar, abrigado do vento e do sol, enquanto a congregação se sentava na grama diante de mim. Muitos pecadores eminentes estavam presentes, particularmente do exército; e creio que Deus lhes deu um alto chamado ao arrependimento.
Sábado, 23 de setembro. Chegamos a Cork. Domingo, 24: à tarde propus à sociedade a construção de uma casa de pregação. No dia seguinte, dez pessoas subscreveram cem libras; outras cem foram subscritas em três ou quatro dias, e tomou-se um terreno. Vi então dupla providência em não termos navegado na semana anterior: se o tivéssemos feito, provavelmente esta casa nunca seria construída — e é muito provável que tivéssemos naufragado. Mais de trinta navios, fomos informados, se perderam nestas costas na última tempestade.
Continuando o vento contrário, na segunda-feira, 2 de outubro, cavalguei mais uma vez a Bandon. Embora eu chegasse inesperadamente, a casa era pequena demais para conter metade da congregação; preguei, pois, na rua, naquela tarde e às cinco da manhã de terça: a lua nos deu toda a luz de que precisávamos, até que o sol tomou o seu lugar. Voltei então a Cork. Na sexta, 6, estando o navio de partida, tomamos o bote e chegamos a Cove à tarde. Estando cheias todas as hospedarias, pousamos numa casa particular; mas achamos nisso um inconveniente: não tínhamos o que comer, pois as nossas provisões estavam a bordo e nada havia para comprar na cidade — nem carne, nem peixe, nem manteiga, nem queijo. Por fim conseguimos ovos e pão, e ficamos bem contentes.
Um mar fervente
Domingo, 8. Fomos chamados cedo pelo piloto: devíamos levantar e ir a bordo. Assim fizemos, e achamos grande número de passageiros; mas, virando o vento, a maior parte voltou a terra. Às onze preguei aos que ficaram. Por volta das seis soprou tempestade; mas estávamos ancorados em porto seguro, e ela nem nos feriu nem nos perturbou.
Segunda-feira, 9. Vendo que não havia probabilidade de navegar logo, subimos à casa do senhor P—, perto de Passage. Preguei ali na rua, por volta das quatro, à maior parte dos habitantes da cidade. Portaram-se muito quietos, mas bem poucos pareceram convencidos ou tocados.
Terça-feira, 10. Tivemos outra tempestade violenta; fez a casa do senhor P— balançar de um lado para outro, embora fosse casa nova e forte, protegida de todos os lados por colinas e por árvores. Soubemos depois que vários navios se perderam na costa. Um só entrou no porto, mas gravemente avariado, o cordame em pedaços e o mastro grande arrancado.
Quarta-feira, 11. Cavalguei mais uma vez a Cork e estive plenamente ocupado o dia todo. Na manhã seguinte voltamos a Cove e, por volta do meio-dia, saímos do porto. Sentimos imediatamente os efeitos da última tempestade: o mar ainda fervia como uma panela. A lua se pôs por volta das oito, mas as luzes do norte supriram abundantemente o seu lugar. Logo depois, Deus alisou a face do abismo e nos deu um vento pequeno e favorável.
Sexta-feira, 13. Li os Pensamentos de Pascal. Que poderia induzir uma criatura como Voltaire a dar uma boa palavra a um autor destes, senão o fato de ele haver escrito, uma vez, uma sátira? De modo que ser satírico poderia expiar até o ser cristão.
Sábado, 14. Por volta das sete entramos em Kingroad e concluímos felizmente a nossa pequena viagem. Descansei então uma semana em Bristol e Kingswood, pregando apenas de manhã e à tarde.
O perdão de Wesley
Domingo, 24. Foi um dia proveitoso para a minha alma. Achei mais de uma vez perturbação e peso; mas invoquei o nome do Senhor, e ele me deu plena e clara aprovação do seu caminho, e uma aquiescência calma e agradecida na sua vontade.
Não posso deixar de admirar a bondade de Deus. Outros são mais assaltados pelo lado fraco da alma; comigo é justamente o contrário: se alguma força tenho (e nenhuma tenho senão a que recebi), é em perdoar injúrias; e é exatamente por esse lado que sou assaltado com mais frequência do que por qualquer outro. Contudo, não me deixes aqui uma hora entregue a mim mesmo, ou trairei a mim e a ti!
No restante deste mês (novembro) e no seguinte, preparei os demais livros para a “Biblioteca Cristã” — obra com a qual perdi cerca de duzentas libras. Talvez a próxima geração conheça o seu valor.
1753. Sábado, 20 de janeiro. Aconselhei uma pessoa atormentada havia muitos anos por uma teimosa desordem paralítica a experimentar novo remédio. Ela foi, pois, eletrizada, e achou alívio imediato. Pelo mesmo meio conheci duas pessoas curadas de dor inveterada no estômago, e outra de uma dor no lado que tinha desde criança. Quem pode admirar-se, contudo, de que muitos senhores da medicina, e os seus bons amigos boticários, desacreditem um remédio tão chocantemente barato e simples — tanto quanto o mercúrio e a água de alcatrão?
Sábado, 3 de fevereiro. Visitei um preso na prisão de Marshalsea — um viveiro de toda espécie de maldade. Oh, vergonha para o homem que exista tal lugar, tal retrato do inferno, sobre a terra! E vergonha para os que levam o nome de Cristo que seja necessária qualquer prisão na cristandade!
Quinta-feira, 8. Fez-se uma proposta de transferir todos os negócios temporais, livros e tudo, inteiramente aos ecônomos, de modo que eu não tivesse sobre mim outro cuidado (em Londres, ao menos) senão o das almas confiadas ao meu encargo. Oh, quando será isso de uma vez! A partir de hoje?
À tarde visitei muitos dos doentes; mas quem poderia ver tais cenas sem se comover? Não se acham iguais num país pagão. Se algum dos indígenas da Geórgia adoecia (o que, aliás, raramente acontecia, até aprenderem dos cristãos a gula e a embriaguez), os que estavam perto lhe davam tudo de que precisasse. Oh, quem converterá os ingleses em pagãos honestos!
Na sexta e no sábado visitei quantos mais pude. Achei alguns nos seus porões subterrâneos, outros nos seus sótãos, meio mortos de frio e de fome, somados à fraqueza e à dor. Mas não achei um só desempregado que fosse capaz de arrastar-se pelo quarto. Tão perversa e diabolicamente falsa é aquela objeção comum: “são pobres apenas porque são preguiçosos”. Se você visse essas coisas com os próprios olhos, poderia gastar dinheiro em enfeites e supérfluos?
Quinta-feira, 15. Visitei o senhor S—, que se recuperava lentamente de doença grave. Expressou muito amor e disse não duvidar de que, como as minhas intenções eram boas, Deus me convenceria do meu grande pecado de escrever livros — visto que os homens não deveriam ler livro algum além da Bíblia. Julguei perfeitamente desnecessário entrar em disputa com um capitão do mar de setenta e cinco anos.
Sexta-feira, 16 de março. Voltei a Bristol; e na segunda, 19, parti com minha esposa para o norte.
Sábado, 31. Preguei em Boothbank, onde encontrei o senhor C—, ex-jardineiro do conde de W—. Não pode ser! Será possível que o conde tenha despedido um servo honesto, diligente e provado, que estava na família havia mais de cinquenta anos, sem outra falta senão a de ouvir os metodistas?
Domingo, 15 de abril. Preguei à tarde em Cockermouth a quase todos os habitantes da cidade. Pretendendo dali passar à Escócia, informei-me do caminho e soube que não poderia cruzar o braço de mar que separa os dois reinos, a menos que estivesse em Bonas, a umas trinta milhas de Cockermouth, pouco depois das cinco da manhã. Pensei primeiro em dormir uma ou duas horas e partir às onze ou à meia-noite. Mas, pensando melhor, preferimos viajar primeiro e descansar depois. Montamos, pois, por volta das sete e, com uma noite calma e enluarada, chegamos a Bonas antes de uma hora. Depois de duas ou três horas de sono, partimos de novo, sem fraqueza nem sonolência alguma.
O salário da pregação
O nosso hospedeiro, enquanto nos guiava pela travessia do Frith, perguntou com toda a inocência quanto ganhávamos por ano pregando assim. Isso me deu oportunidade de explicar-lhe aquele tipo de ganho de que ele parecia completamente estranho. Ficou atônito e não disse palavra, boa ou má, até despedir-se.
Logo depois que ele se foi, a minha égua atolou num lamaçal que havia no meio da estrada real. Mas bem podíamos relevar isso, pois a estrada, por quase cinquenta milhas dali em diante, era tal como nunca vi estrada natural na Inglaterra ou na Irlanda: melhor, apesar da chuva contínua, do que a estrada de pedágio entre Londres e a Cantuária.
Almoçamos em Dumfries, cidade limpa e bem-construída, com duas das igrejas mais elegantes (uma em cada extremidade da cidade) que já vi. Chegamos a Thorny Hill à tarde. Que relatos miseráveis correm na Inglaterra sobre as hospedarias da Escócia! Contudo, aqui, como onde quer que batemos em toda a viagem, tivemos não só tudo o que queríamos, mas tudo pronto, em boa ordem e tão limpo quanto eu poderia desejar.
Terça-feira, 17. Partimos por volta das quatro e cavalgamos por montanhas altas, mas extremamente aprazíveis, até Lead Hill — uma aldeia de mineiros, parecida com Placey, perto de Newcastle. Almoçamos numa aldeia chamada Lesmahaggy e, por volta das oito da noite, chegamos a Glasgow. Um cavalheiro que nos alcançara na estrada mandou alguém conosco até a casa do senhor Gillies.
Wesley em Glasgow
Quarta-feira, 18. Percorri a cidade, que julgo do tamanho de Newcastle-upon-Tyne. A Universidade (como a de Dublin) é um só colégio, de dois pequenos pátios — penso que nem maiores, nem mais belos que os do Lincoln College, em Oxford. O traje dos estudantes me surpreendeu: usam becas escarlates que chegam só aos joelhos; a maior parte dos que vi estava muito suja, alguns esfarrapados, e todos de tecido muito grosseiro. A igreja alta é belo edifício: por fora, igual à maioria das catedrais da Inglaterra; mas por dentro está miseravelmente desfigurada, sem forma, beleza ou simetria.
Às sete da tarde o senhor G. começou o culto na sua própria igreja (a do Colégio). Estava tão cheia antes de eu chegar que só entrei com boa dose de dificuldade.
Quinta-feira, 19. Às sete preguei a cerca de um quarto de milha da cidade; mas era uma manhã extremamente áspera e ventosa, e pouca gente veio, fosse à hora, fosse ao lugar da pregação — cuja consequência natural foi uma congregação pequena. Por volta das quatro da tarde, prepararam uma “tenda”, como a chamam: uma espécie de púlpito móvel, coberto de lona no alto, atrás e dos lados. Nele preguei, perto do lugar da manhã, a quase seis vezes mais gente que antes; e estou persuadido de que o que se falou chegou ao coração de alguns, “não somente em palavra, mas também em poder” (1Ts 1.5).
Sexta-feira, 20. Planejara pregar no mesmo lugar, mas a chuva o tornou impraticável. O senhor G. pediu-me que pregasse na sua igreja; comecei, pois, entre sete e oito. Certamente, para Deus nada é impossível! Quem teria crido, vinte e cinco anos atrás, que o ministro o desejaria — ou que eu consentiria em pregar numa kirk escocesa?
Costumes de aprendizes
Quarta-feira, 25. Chegamos a Alnwick no dia em que os que terminaram o aprendizado são feitos cidadãos livres da corporação. Dezesseis ou dezessete, fomos informados, receberiam a liberdade neste dia. Para isso (tal é a sabedoria sem paralelo da presente corporação, como dos seus antepassados), deviam atravessar um grande charco (preservado de propósito para a ocasião; de outro modo, há muito teria sido drenado), que toma alguns deles até o pescoço, e muitos até o peito.
Terça-feira, 8 de maio. Cavalguei [de Stockton] à baía de Robin Hood, perto de Whitby. A cidade tem situação notável: fica rente ao mar e está em grande parte construída sobre rochas escarpadas e a pique, algumas das quais se erguem perpendiculares da água. E, no entanto, a terra, ao norte, ao sul e a oeste, é fértil e bem-cultivada. Fiquei numa pequena elevação perto do cais, numa tarde quente e serena, e exortei uma multidão vinda de todas as partes a “buscar o Senhor enquanto se pode achá-lo”. Foram toda atenção; e a maior parte me encontrou de novo às quatro e meia da manhã. De bom grado eu passaria alguns dias ali; mas as minhas etapas estavam fixadas: assim, na quarta, 9, cavalguei a York.
Domingo, 8 de julho. (Londres.) Depois de pregar na capela, manhã e tarde, montei com o senhor P—. Planejávamos cavalgar só duas ou três horas, para encurtar a jornada seguinte. Mas um jovem que nos alcançou perto de Kingston nos fez mudar de propósito. Descansamos, pois, só meia hora em Cobham e, partindo entre nove e dez, cavalgamos devagar numa noite calma e enluarada, chegando a Godalming por volta da meia-noite. Montamos de novo às quatro e meia e alcançamos Portsmouth por volta de uma hora.
Depois de um pequeno descanso, demos uma volta pela cidade, que é regularmente fortificada — suponho que a única fortificação regular da Grã-Bretanha ou da Irlanda. Gosport, Portsmouth e o Common (agora todo transformado em ruas) devem conter metade da população de Bristol; e povo tão cortês eu nunca vi em cidade portuária alguma da Inglaterra.
Preguei às seis e meia numa parte aberta do Common, junto à igreja nova. A congregação era grande e bem-comportada: não vi um zombador, nem um leviano. Pela manhã, terça, 10, embarquei numa chalupa e em três horas desembarquei em Cowes, na ilha de Wight — que excede a ilha de Anglesey, em amenidade e fertilidade, tanto quanto esta excede as rochas de Scilly. Cavalgamos direto a Newport, principal cidade da ilha, e achamos uma pequena sociedade em ordem razoável. Vários deles haviam achado paz com Deus.
Às seis e meia preguei na praça do mercado a uma congregação numerosa; mas não eram tão sérios quanto os de Portsmouth. Muitas crianças faziam muito barulho, e muitos adultos conversavam em voz alta durante quase toda a pregação. Foi bem diferente às cinco da manhã: de novo uma grande congregação, e cada pessoa nela parecia saber que esta era a Palavra pela qual Deus a julgará no último dia.
À tarde caminhei ao castelo de Carisbrook — ou antes, aos seus pobres restos. Ergue-se sobre rocha sólida no alto de uma colina e domina uma bela vista. Há nele um poço cortado inteiramente na rocha, que dizem ter setenta e duas jardas de profundidade; e outro na cidadela, de quase cem. Tiravam a água com um jumento que, garantiram-nos, tinha sessenta anos. Mas todos os aposentos senhoriais jazem em ruínas. Resta apenas o bastante para mostrar o quarto onde o pobre rei Charles esteve confinado e a janela pela qual tentou fugir.
Os contrabandistas da Cornualha
Quarta-feira, 25. Os ecônomos da parte oeste da Cornualha reuniram-se em St. Ives. No dia seguinte comecei a examinar a sociedade; mas logo tive de parar: achei entre eles uma coisa maldita (Js 7) — quase todos, sem exceção, compravam ou vendiam mercadoria sem imposto. Adiei, pois, falar com os demais até os reunir todos. Fiz isso à tarde, e disse-lhes com clareza: ou removiam de vez essa abominação, ou não veriam mais o meu rosto. Sexta, 27: um a um, prometeram fazê-lo. Confio, pois, que esta praga foi detida.
Segunda-feira, 12 de novembro. Parti numa carruagem para Leigh, tendo adiado a viagem o quanto pude. Preguei às sete, mas passei extremamente frio o tempo todo, vindo o vento forte de uma porta atrás e de outra ao lado, de modo que os meus pés estavam como se eu os tivesse metido em água fria.
Terça-feira, 13. O quarto em que fiquei, embora com um bom fogo, era muito mais frio que o jardim; de modo que eu não conseguia me aquecer razoavelmente nem colado à chaminé. Quando voltávamos para casa, na quarta, 14, o vento era alto e cortante, e soprava bem no nosso rosto; a carruagem aberta não era defesa alguma, e os meus pés gelaram de todo. Ao chegar, eu tinha uma dor fixa no peito esquerdo, uma tosse violenta e uma febre lenta. Mas em um ou dois dias, seguindo as prescrições do doutor Fothergill, achei muita melhora; e no domingo, 18, preguei em Spitalfields e ministrei o sacramento a uma grande congregação.
Wesley escreve o próprio epitáfio
Segunda-feira, 19. Retirei-me para Shoreham e fui ganhando forças continuamente — até que, por volta das onze da noite de quarta, 21, fui obrigado pela cãibra a saltar da cama e ficar algum tempo andando pelo quarto, embora fizesse geada aguda. A tosse voltou então com violência maior, de dia e de noite.
Sábado, 24. Cavalguei para casa e passei razoavelmente bem até a noite; mas a tosse ficou pior do que nunca, e a febre voltou, com a dor no peito esquerdo. Eu provavelmente teria ficado em casa no domingo, 25, não fosse o anúncio nos jornais de que eu pregaria um sermão beneficente na capela, de manhã e à tarde. A tosse não me interrompeu na pregação da manhã, mas foi extremamente incômoda enquanto eu ministrava o sacramento. À tarde consultei os amigos: devia tentar pregar de novo ou não? Acharam que sim, pois fora anunciado. Preguei; mas bem poucos puderam ouvir. A febre cresceu muito enquanto eu pregava; arrisquei-me, contudo, a reunir a sociedade, e por quase uma hora a voz e as forças me foram restauradas, sem dor nem fraqueza.
Segunda-feira, 26. O doutor F— disse-me sem rodeios que eu não devia ficar na cidade nem mais um dia, acrescentando: “Se algo pode fazer-lhe bem, será o ar do campo, com descanso, leite de jumenta e cavalgadas diárias.” Assim (não podendo montar), por volta do meio-dia tomei uma carruagem para Lewisham.
À tarde (não sabendo como aprazaria a Deus dispor de mim), para prevenir vil panegírico, escrevi o seguinte:
“Aqui jaz o corpo de JOHN WESLEY, um tição tirado do fogo, que morreu de tuberculose no quinquagésimo primeiro ano da sua idade, não deixando, pagas as suas dívidas, dez libras — orando: Deus, sê misericordioso comigo, servo inútil!”
E deixou ordenado que esta inscrição, se alguma, fosse posta na sua lápide.
Wesley, médico de si mesmo
Quarta-feira, 28. Não achei mudança para melhor: os remédios que antes me haviam ajudado já não faziam efeito. Por volta do meio-dia (hora que alguns dos nossos irmãos de Londres haviam separado para se unirem em oração), veio-me à mente fazer uma experiência. Mandei, pois, moer enxofre em pedra, misturá-lo com clara de ovo e espalhá-lo sobre papel pardo, que apliquei ao lado do corpo. A dor cessou em cinco minutos, a febre em meia hora; e daquela hora em diante comecei a recobrar as forças. No dia seguinte pude cavalgar, o que continuei a fazer todos os dias até 1º de janeiro. E o tempo não me impediu uma só vez, estando sempre razoavelmente bom (fosse como fosse antes) entre meio-dia e uma hora.
Sexta-feira, 14 de dezembro. Terminados todos os livros que eu planejava inserir na “Biblioteca Cristã”, rompi a ordem do médico de não escrever e comecei a transcrever um diário para a imprensa; e à tarde fui às orações com a família, sem achar inconveniente algum.
Quinta-feira, 20. Senti um aumento gradual de forças, até tomar uma decocção de quina — que, vejo, tal é a peculiaridade da minha constituição, não me assenta de forma alguma. Ela me lançou imediatamente numa disenteria, que me derrubou de novo por alguns dias e me frustrou por completo o plano de sair no dia de Natal.
Tradução em português atual a partir do original em domínio público (edição condensada de Percy Livingstone Parker, 1903). Citações bíblicas conforme a NAA. Edição: Bispo Ildo Mello · Igreja Metodista Livre do Brasil.