SERMÃO 114
A unidade do ser divino
“Há um só Deus” — a unidade do Ser divino e o que essa verdade muda na fé e na adoração.
“Há um só Deus.”
(Mc 12.32, NAA)Antes de ler
Neste sermão, John Wesley começa com a unidade de Deus e apresenta alguns de seus atributos: eternidade, onipresença, perfeição, onipotência, onisciência, sabedoria, santidade, justiça, verdade e misericórdia.
O tema central, porém, não é apenas a doutrina de Deus. Wesley afirma que, assim como existe um só Deus, existe uma só verdadeira religião e uma só felicidade para toda a humanidade. A felicidade humana consiste em conhecer, amar e desfrutar de Deus. Toda busca de felicidade separada dele transforma alguma criatura, relacionamento, prazer, opinião ou prática religiosa em ídolo.
Wesley critica aquilo que chama de “religião racional”: um sistema ético fundamentado apenas na humanidade, na benevolência ou na moralidade, sem dependência de Deus, de Cristo ou da revelação. Embora reconheça o valor da justiça e da misericórdia, insiste que o amor ao próximo somente alcança sua verdadeira plenitude quando procede do amor a Deus.
Algumas afirmações sobre o relacionamento conjugal refletem a exegese e as estruturas familiares do século XVIII. O princípio permanente é que nem mesmo os relacionamentos mais legítimos devem ocupar o lugar que pertence exclusivamente a Deus.
— Bispo Ildo Mello
1. Assim como existe um só Deus, existe também uma só religião e uma só felicidade para todos os seres humanos. Deus nunca desejou que existissem outras, e não seria possível que existissem. É verdade que, em outro sentido, como observa o apóstolo, “há muitos deuses e muitos senhores”. Todas as nações pagãs possuíam deuses, e muitas delas possuíam multidões inteiras. Geralmente, quanto mais refinada era uma sociedade, maior era o número de deuses que acumulava para si. Para nós, porém, para todos aqueles que foram favorecidos pela revelação cristã, “há um só Deus”, que declara a respeito de si mesmo: “Existe algum Deus além de mim? Não existe; eu não conheço nenhum.”
2. Quem, porém, consegue conhecer completamente esse Deus? Nenhuma das criaturas que ele fez. Agradou-lhe revelar em sua Palavra somente alguns de seus atributos. Por ela, aprendemos que Deus é um ser eterno. Suas origens são desde a eternidade e continuarão para sempre. Assim como sempre existiu, continuará existindo. Assim como sua existência não possui princípio, não possuirá fim.
3. Reconhece-se universalmente que essa verdade está contida em seu próprio nome, Jeová, que o apóstolo João traduz: “Aquele que era, que é e que há de vir.” Talvez fosse igualmente apropriado dizer: “Aquele que existe de eternidade a eternidade.”
4. Intimamente relacionada à eternidade de Deus encontra-se sua onipresença. Assim como existe através da duração infinita, não pode deixar de existir através do espaço infinito, de acordo com sua própria pergunta, equivalente à mais forte afirmação: “Não encho eu os céus e a terra? — diz o Senhor” (Jeremias 23.24). “Céus e terra”, na expressão hebraica, representam todo o universo, que, segundo a própria declaração de Deus, está cheio de sua presença.
5. Este ser único, eterno e onipresente também é absolutamente perfeito. Possui, de eternidade a eternidade, todas as perfeições e infinitamente mais do que jamais entrou ou poderá entrar no coração humano para conceber; sim, infinitamente mais do que os próprios anjos no céu conseguem imaginar. Essas perfeições são geralmente chamadas atributos de Deus.
6. Deus é onipotente, assim como é onipresente. Não podem existir limites para seu poder, assim como não existem limites para sua presença. Possui braço poderoso; sua mão é forte e sua mão direita está elevada. Realiza tudo aquilo que deseja nos céus, na terra, no mar e em todas as profundezas. Sabemos que muitas coisas são impossíveis às pessoas, mas não a Deus. Para ele, todas as coisas são possíveis. Sempre que deseja realizar alguma coisa, seu ato acompanha imediatamente sua vontade.
7. A onisciência de Deus é consequência clara e necessária de sua onipresença. Caso esteja presente em todas as partes do universo, necessariamente conhece tudo aquilo que existe ou é realizado ali, segundo as palavras de Tiago: “Conhecidas por Deus são todas as suas obras” e as obras de todas as criaturas “desde o princípio do mundo”, ou, segundo o sentido literal da expressão, “desde a eternidade”. Seus olhos não estão somente sobre toda a Terra, contemplando os maus e os bons, mas sobre toda a criação e até sobre os caminhos da realidade não criada.
8. Existe diferença entre seu conhecimento e sua sabedoria? Caso exista, não seria o conhecimento o termo mais geral, pelo menos segundo nossas concepções limitadas, e a sabedoria um ramo específico dele? A sabedoria seria o conhecimento da finalidade de tudo aquilo que existe e dos meios pelos quais cada coisa poderá ser conduzida a essa finalidade.
9. A santidade é outro atributo do Deus todo-poderoso e plenamente sábio. Está infinitamente distante de qualquer contato com o mal. “Deus é luz, e não há nele treva nenhuma” (1 João 1.5). É Deus de justiça e verdade sem qualquer mancha, mas, acima de tudo, é misericordioso. Aprendemos isso facilmente naquela bela passagem dos capítulos 33 e 34 de Êxodo. Moisés disse: “Peço que me mostres a tua glória.” Então o Senhor desceu na nuvem e proclamou seu nome: “Senhor, Senhor, Deus compassivo e bondoso, tardio em irar-se e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado.”
10. Este Deus é Espírito, não possuindo corpo, partes ou paixões como os seres humanos. Tanto os antigos judeus quanto os antigos cristãos sustentavam que somente ele é Espírito puro, completamente separado de toda matéria. Supunham, porém, que todos os demais espíritos, até os mais elevados anjos, querubins e serafins, habitavam corpos materiais, embora formados de substância extraordinariamente leve e delicada.
11. No momento da eternidade que sua sabedoria infinita considerou mais apropriado, por razões ocultas no abismo de seu entendimento e que nenhuma mente finita consegue descobrir, Deus chamou à existência tudo aquilo que existe. Criou os céus e a terra e tudo aquilo que contêm. “Todas as coisas foram feitas por meio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (João 1.3). Criou especialmente o ser humano segundo sua própria imagem, para ser “uma representação de sua eternidade”. Depois de formar o ser humano do pó da terra, soprou nele um espírito imortal. Por isso, é chamado especialmente de “Pai dos nossos espíritos” e “Pai dos espíritos de toda a humanidade”.
12. Ele fez todas as coisas, como observa o sábio, para si mesmo; para sua glória foram criadas. Não porque necessitasse de alguma coisa, visto que ele mesmo concede a todos vida, respiração e todas as coisas. Fez todas as coisas para serem felizes. Fez o ser humano para ser feliz nele. Deus é o verdadeiro centro dos espíritos, para quem todo espírito criado foi formado. É verdadeira a conhecida declaração dos antigos pais da Igreja: Fecisti nos ad te, et inquietum est cor nostrum, donec requiescat in te — “Tu nos fizeste para ti, e nosso coração não encontra descanso até descansar em ti.”
13. Essa observação oferece resposta clara à pergunta do Catecismo da Assembleia: “Para qual finalidade Deus criou o ser humano?” A resposta é: “Para glorificá-lo e desfrutá-lo eternamente.” Isso é indiscutivelmente verdadeiro, mas seria inteiramente claro, especialmente para pessoas de compreensão simples? A maioria entende a expressão “glorificar a Deus”? Não mais do que compreende a língua grega. A expressão também se encontra completamente acima da capacidade das crianças, diante das quais dificilmente conseguimos falar de maneira suficientemente simples.
14. Não seria este o princípio que deve ser ensinado a toda criatura humana, “Você foi criada para ser feliz em Deus”, assim que a razão começar a despertar? Assim que a criança começar a falar ou andar sozinha, os pais não deveriam dizer alguma coisa semelhante a isto: “Veja aquilo que brilha sobre sua cabeça. Chamamos isso de Sol. Veja como é brilhante! Sinta como aquece você! Faz a grama nascer e todas as coisas crescerem. Deus, porém, fez o Sol. O Sol não poderia brilhar, aquecer nem produzir bem algum sem Deus.”
15. Dessa maneira simples e familiar, pais sábios poderiam falar muitas vezes por dia alguma coisa a respeito de Deus, insistindo especialmente: “Ele criou você e criou você para ser feliz nele. Nenhuma outra coisa poderá torná-lo verdadeiramente feliz.” Nunca é cedo demais para ensinar isso. Caso alguém diga: “As crianças não conseguirão compreender quando são tão pequenas”, respondo: também não compreenderão aos cinquenta anos, a menos que Deus abra seu entendimento. E Deus não consegue fazer isso em qualquer idade?
16. Realmente, esse princípio deve ser ensinado a toda criatura humana, jovem ou idosa, com maior seriedade e diligência, porque pouquíssimas pessoas, até mesmo entre as chamadas cristãs, parecem conhecer alguma coisa a respeito dele. Muitas realmente pensam em ser felizes com Deus no céu. A ideia de serem felizes em Deus na Terra, porém, nunca lhes passou pela mente. Isso acontece especialmente porque, desde o momento em que entram no mundo, são cercadas de ídolos.
17. Esses ídolos são todas as “coisas que se veem”, enquanto Deus não é visto, e todas prometem felicidade independente dele. Na realidade:
Retos no coração e na vontade Fomos criados por nosso Deus; Mas do bem para o mal nos desviamos E pelas criaturas vagueamos. Multiplicamos nossos pensamentos, Antes fixos somente em Deus; Em dez mil objetos procuramos A felicidade que perdemos naquele que é um.
18. Esses ídolos e rivais de Deus são incontáveis, mas poderão ser quase inteiramente reduzidos a três categorias. Primeiramente, os objetos dos sentidos, que satisfazem um ou mais dos sentidos exteriores. Eles despertam a primeira espécie de amor ao mundo, chamada por João de “desejo da carne”. Em segundo lugar, existem os objetos da imaginação, coisas que satisfazem nossa fantasia por sua grandeza, beleza ou novidade. Todos prometem felicidade e, desse modo, impedem-nos de procurá-la em Deus. O apóstolo chama isso de “desejo dos olhos”, por meio do qual a imaginação é principalmente satisfeita. Em terceiro lugar, existe aquilo que João chama de “soberba da vida”. Parece referir-se à honra, à riqueza e a tudo aquilo que diretamente produz orgulho.
19. Suponhamos, porém, que estivéssemos protegidos contra todas essas coisas. Não existem outros ídolos diante dos quais precisamos permanecer atentos, ídolos ainda mais perigosos porque não suspeitamos de perigo algum? Existiria perigo nos amigos e parentes, no afeto recíproco entre marido e esposa ou pais e filhos? Não devemos dedicar-lhes afeição profundamente terna? Não devemos amá-los apenas menos do que amamos a Deus? Sim. Não existe também afeição apropriada por aqueles que Deus tornou úteis à nossa alma? Não somos orientados a estimá-los profundamente em amor por causa do trabalho que realizam? Tudo isso é indiscutivelmente verdadeiro e exatamente isso produz a dificuldade.
20. Quem possui capacidade suficiente para agir corretamente, sem ultrapassar o limite; para amá-los suficientemente, mas não excessivamente? Conseguimos amar esposa, filho ou amigo adequadamente sem amar a criatura mais do que o Criador? Quem consegue seguir a advertência de Paulo aos cristãos de Tessalônica?
21. Desejo que aquela importante passagem — tão estranhamente disfarçada na tradução inglesa utilizada por Wesley — seja cuidadosamente considerada: “Que cada um de vocês saiba possuir seu próprio vaso”, que Wesley interpreta como a esposa, “em santificação e honra”, de modo que não desonre a Deus nem a si mesmo e não impeça, mas promova a santidade. Paulo prossegue: mē en páthei epithymías, traduzido na antiga versão inglesa por uma expressão que não apresentava sentido claro para o leitor comum. Páthos significa afeição intensa ou impetuosa, e epithymía, desejo. Wesley entende que as duas palavras significam afetos violentos e impetuosos, “como os gentios que não conhecem Deus” e, por isso, naturalmente procuram felicidade numa criatura.
22. Caso, pela graça de Deus, tenhamos evitado ou abandonado todos esses ídolos, ainda existe um mais perigoso do que os demais: a religião. É fácil compreender que me refiro à falsa religião, isto é, qualquer religião que não envolva a entrega do coração a Deus. Primeiramente, existe a religião das opiniões, aquilo que se chama ortodoxia. Milhares daqueles que professam defender a salvação pela fé caem nessa armadilha; na verdade, todos aqueles que, por “fé”, entendem somente um sistema de opiniões arminianas ou calvinistas.
23. Em segundo lugar, existe a religião das formas, do culto simplesmente exterior, por mais regularmente que seja realizado, ainda que participemos diariamente do culto da Igreja e da Ceia do Senhor em todos os domingos. Em terceiro lugar, existe a religião das obras, que procura conquistar o favor de Deus mediante o bem praticado em favor das pessoas. Finalmente, existe uma religião de ateísmo, isto é, toda religião que não coloca Deus como fundamento. Em resumo, toda religião na qual “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo” não seja o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o primeiro e o último ponto.
24. A verdadeira religião consiste em disposições corretas diante de Deus e das pessoas. Em duas palavras, é gratidão e benevolência: gratidão para com nosso Criador e supremo Benfeitor e benevolência para com as demais criaturas. Em outras palavras, é amar a Deus de todo o coração e amar o próximo como a nós mesmos.
25. Como consequência de sabermos que Deus nos ama, nós o amamos e amamos o próximo como a nós mesmos. A gratidão para com o Criador não pode deixar de produzir benevolência para com as criaturas. O amor de Cristo nos constrange não somente a ser inofensivos e deixar de prejudicar o próximo, mas a ser úteis, zelosos de boas obras e, enquanto possuímos oportunidade, praticar o bem em favor de todas as pessoas. Constrange-nos a ser exemplos de moralidade verdadeira e genuína, de justiça, misericórdia e verdade.
26. Isso é religião e também felicidade, a felicidade para a qual fomos criados. Ela começa quando passamos a conhecer Deus por meio do ensino de seu próprio Espírito. Assim que o Pai dos espíritos revela seu Filho no coração e o Filho revela o Pai, o amor de Deus é derramado em nosso coração. Então, e somente então, somos felizes.
27. Somos felizes, primeiramente, por possuirmos consciência de seu favor, que é realmente melhor do que a própria vida; depois, pela comunhão constante com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo; depois, por todas as disposições celestiais produzidas em nós por seu Espírito; novamente, pelo testemunho de seu Espírito de que nossas obras lhe agradam; e, finalmente, pelo testemunho de nosso próprio espírito de que “com simplicidade e sinceridade de Deus temos vivido no mundo”. Permanecendo firmes nessa liberdade do pecado e da tristeza, com a qual Cristo os libertou, os verdadeiros cristãos se alegram sempre, oram sem cessar e em tudo dão graças. Sua felicidade continua aumentando à medida que crescem até a medida da estatura da plenitude de Cristo.
28. Como, porém, essa religião é pouco experimentada ou até mesmo considerada no mundo cristão! Pelo contrário, possuímos motivo para repetir a lamentação de um santo próximo da morte, o senhor Halyburton, de Saint Andrews, na Escócia: “Senhores, receio que uma espécie de religião racional esteja prevalecendo cada vez mais entre nós; uma religião que não possui coisa alguma de Cristo e, mais ainda, não possui coisa alguma de Deus!”
29. Como essa religião prevalece amplamente, não somente entre os incrédulos declarados, mas também entre aqueles que se chamam cristãos e professam acreditar que a Bíblia seja a Palavra de Deus! Assim, nosso próprio compatriota, o senhor Wollaston, em sua elaborada obra A religião da natureza delineada, apresenta-nos um sistema completo de religião que não possui coisa alguma de Deus e não depende, em medida alguma, da revelação judaica ou cristã. Assim também o senhor Burlamaqui, de Genebra, em seu curioso Tratado sobre a lei da natureza, não utiliza a Bíblia mais do que utilizaria caso nunca a tivesse conhecido.
30. Do mesmo modo, o falecido professor Hutcheson, de Glasgow — escritor ainda mais surpreendente do que os outros —, está tão distante de fundamentar a virtude no temor ou no amor de Deus que exclui Deus completamente da questão. Não hesita em declarar expressamente que considerar Deus é incompatível com a virtude, de modo que, caso alguém pratique ação benevolente esperando que Deus a recompense, a virtude da ação é perdida. Já não seria ação virtuosa, mas egoísta.
31. Talvez não sejam muitas as pessoas que conduzem a questão tão longe. Como é grande, porém, o número daqueles que, reconhecendo que a religião possui dois aspectos — nosso dever para com Deus e nosso dever para com o próximo —, esquecem-se completamente do primeiro e apresentam o segundo como se fosse o todo, o dever completo da humanidade! Assim, quase todos os homens de letras da Inglaterra, França e Alemanha e de todos os países considerados civilizados da Europa exaltavam a humanidade até os céus como se fosse a própria essência da religião.
32. O grande triunvirato formado por Rousseau, Voltaire e David Hume dedicou todos os seus trabalhos a essa finalidade, não poupando esforços para estabelecer uma religião fundamentada em si mesma, independente de qualquer revelação e que nem sequer pressupusesse a existência de Deus. Deixando-o, caso realmente exista, entregue a si mesmo, descobriram tanto uma religião quanto uma felicidade sem qualquer relação com Deus ou dependência dele.
33. Não é surpreendente que essa religião tenha se tornado elegante e se espalhado amplamente pelo mundo. Chamem-na de humanidade, virtude, moralidade ou aquilo que desejarem: segundo Wesley, não é coisa diferente do ateísmo. Por meio dela, as pessoas separam voluntária e intencionalmente aquilo que Deus uniu: os deveres da primeira e da segunda tábua da Lei. Separam o amor ao próximo do amor a Deus. É uma maneira convincente de expulsar Deus do mundo que ele mesmo criou.
34. Conseguem realizar todas as coisas sem Deus. Por isso, ou o abandonam inteiramente, deixando de considerá-lo, ou imaginam que, depois de conceder às coisas seu princípio e colocar o universo em movimento, já não se interessa por esses assuntos insignificantes, permitindo que todas as coisas sigam seu próprio caminho.
35. Pelo contrário, possuímos a mais completa evidência de que o Espírito eterno, onipresente, todo-poderoso e plenamente sábio, assim como criou todas as coisas, supervisiona continuamente tudo aquilo que criou. Governa todas as coisas, não somente até os limites da criação, mas através de toda a extensão do espaço; e não apenas durante o breve período medido pela Terra e pelo Sol, mas de eternidade a eternidade.
36. Sabemos que toda a natureza, toda a religião e toda a felicidade dependem dele. Wesley declara severamente que aqueles que ensinam as pessoas a procurar felicidade sem Deus são monstros e pragas da sociedade.
37. Depois de todas as tentativas inúteis das pessoas instruídas ou sem instrução, será descoberto que, assim como existe um só Deus, existe também uma só felicidade e uma só religião. Tanto a felicidade quanto a religião estão centralizadas em Deus.
38. Tanto pelas Escrituras quanto pela experiência, sabemos que uma pessoa sem santidade e, por isso, infeliz, procurando descanso sem encontrá-lo, mais cedo ou mais tarde é convencida de que o pecado constitui o fundamento de sua miséria e clama das profundezas àquele que pode salvá-la: “Ó Deus, tenha misericórdia de mim, pecador!” Dentro de pouco tempo, encontra redenção no sangue de Jesus, isto é, o perdão dos pecados. Então, o Pai revela seu Filho no coração, e ela chama Jesus de Senhor pelo Espírito Santo. O amor de Deus é derramado em seu coração pelo Espírito Santo que lhe foi concedido.
39. Desse princípio nasce benevolência real e desinteressada para com toda a humanidade. Esse amor torna a pessoa humilde, mansa, gentil com todos, aberta à razão, disposta a ser convencida daquilo que é correto e persuadida a praticar o bem; torna-a invencivelmente paciente, aceitando com gratidão cada passo da adorável providência divina.
40. Essa é a religião: toda a mente que também existia em Cristo Jesus. Alguém possuiria atrevimento ou falta de entendimento suficiente para negar que isso seja felicidade, sim, que:
Produz felicidade maior aqui embaixo Do que os vencedores conhecem em seus triunfos?
41. Não poderá existir dúvida de que, desse amor a Deus e às pessoas, seguirá uma conduta correspondente. Sua comunicação, isto é, sua conversa, será sempre cheia de graça, temperada com sal e apropriada para transmitir graça aos que ouvem. Abrirá sempre a boca com sabedoria, e a lei da bondade estará em sua língua. Suas palavras afetuosas cairão como o orvalho e como a chuva sobre a erva delicada. As pessoas perceberão que não é somente ela que fala, mas o Espírito do Pai que fala por meio dela.
42. Suas ações procederão da mesma fonte de onde nascem suas palavras: da abundância de um coração cheio de amor. Como todas elas procuram a glória de Deus e se dirigem para esse único ponto, em qualquer coisa que fizer poderá realmente dizer:
Tu és a finalidade de cada ação; Em todas as coisas vejo a ti. Recebe agora meu trabalho consagrado; Realizo-o como para ti!
43. Aquele a quem pertence esse caráter, e somente ele, é cristão. Para ele, o único Espírito eterno, onipresente e plenamente perfeito é o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último; não apenas seu Criador, mas seu Sustentador, Preservador e Governante; sim, seu Pai, Salvador, Santificador e Consolador. Esse Deus é seu Deus e seu tudo, no tempo e na eternidade. A benevolência que nasce dessa raiz é religião pura e sem mácula.
44. Caso seja construída sobre qualquer outro fundamento, assim como não possui valor diante de Deus, também não produz felicidade real, firme e permanente para o ser humano. Deixa-o ainda pobre, seco, necessitado e insatisfeito.
45. Portanto, todos os que desejam agradar a Deus devem aceitar ser ensinados por ele e cuidar para caminhar no caminho que o próprio Deus estabeleceu. Tenham cuidado para não tomar metade da religião como se fosse o todo. Recebam suas duas partes juntas. Comecem onde Deus começa: “Não tenha outros deuses diante de mim.” Este não é o primeiro mandamento, assim como o maior, segundo o julgamento de nosso próprio Senhor? Primeiramente, portanto, cuidem para amar a Deus; depois, amem o próximo, todo filho dos seres humanos.
46. Que dessa fonte procedam todas as disposições, afeições e paixões. Assim, existirá em vocês a mesma mente que houve também em Cristo Jesus. Que todos os pensamentos, palavras e ações nasçam desse amor! Assim, herdarão o Reino preparado para vocês desde a fundação do mundo.
Pregado em Dublin, 9 de abril de 1789.
Tradução em português atual a partir do original em domínio público (ed. Thomas Jackson, 1872), realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello. Citações bíblicas conforme a NAA. Igreja Metodista Livre do Brasil.