SERMÃO 85

Sobre desenvolver a nossa própria salvação

Deus efetua o querer e o realizar — por isso mesmo, desenvolvam a própria salvação.

Fp 2.12–13, NAA ⏱ 16 min de leituraSalvação e graça

“Assim, meus amados, como vocês sempre obedeceram, não só na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvam a sua salvação com temor e tremor, porque Deus é quem efetua em vocês tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade.”

(Fp 2.12–13, NAA)

Antes de ler

Este sermão contém uma das exposições mais importantes de John Wesley sobre a relação entre a graça divina e a responsabilidade humana. Deus é sempre o primeiro a agir: desperta, convence, capacita e acompanha cada movimento em direção à salvação. Entretanto, essa atuação não elimina a resposta humana. Pelo contrário, torna essa resposta possível e necessária.

Wesley emprega aqui o conceito de “graça preveniente”, isto é, a graça que precede a conversão e alcança todo ser humano. Essa graça desperta os primeiros desejos de agradar a Deus, ilumina a consciência e torna possível responder ao chamado divino. Ninguém pode salvar a si mesmo, mas ninguém deve usar sua incapacidade natural como desculpa para permanecer no pecado, pois Deus concede graça suficiente para que a pessoa comece a responder.

A salvação é descrita como uma obra ao mesmo tempo instantânea e progressiva. Ela inclui justificação e santificação: libertação da culpa do pecado, restauração do favor de Deus, libertação do poder do pecado e renovação da imagem divina. Wesley também reafirma sua doutrina da perfeição cristã, entendida como purificação do coração e plenitude do amor a Deus e ao próximo.

— Bispo Ildo Mello

Texto:

1. Algumas grandes verdades, como a existência e os atributos de Deus e a diferença entre o bem e o mal moral, eram conhecidas, em alguma medida, pelo mundo pagão. Encontramos vestígios delas em todas as nações. Nesse sentido, pode-se dizer a todo filho dos seres humanos: “Ele já mostrou a você o que é bom: que pratique a justiça, ame a misericórdia e ande humildemente com o seu Deus” (Miqueias 6.8).

Com essa verdade, Deus iluminou, em alguma medida, “todo aquele que vem ao mundo” (João 1.9). Por meio dela, aqueles que não possuem a lei, isto é, não possuem uma lei escrita, tornam-se lei para si mesmos. Demonstram que a obra da lei — sua essência, embora não sua letra — está escrita no coração deles pela mesma mão que escreveu os mandamentos nas tábuas de pedra. A própria consciência testemunha se agem ou não de acordo com essa lei.

2. Existem, porém, dois grandes conjuntos de doutrinas, contendo muitas verdades de importância suprema, a respeito dos quais os pagãos mais esclarecidos da Antiguidade eram completamente ignorantes. O mesmo acontece com os pagãos mais inteligentes que hoje vivem sobre a face da terra.

Refiro-me às doutrinas relacionadas ao Filho eterno de Deus e ao Espírito de Deus: ao Filho, que se entregou como propiciação pelos pecados do mundo, e ao Espírito de Deus, que renova os seres humanos naquela imagem divina segundo a qual foram criados.

Apesar de todo o esforço realizado por homens inteligentes e instruídos — particularmente pelo grande Chevalier Ramsay — para encontrar alguma semelhança dessas verdades no imenso amontoado de escritos pagãos, a semelhança é tão extremamente vaga que somente pode ser percebida por uma imaginação muito viva.

Além disso, mesmo essa vaga semelhança aparece apenas nos discursos de pouquíssimas pessoas. Eram os homens mais desenvolvidos e profundos de suas respectivas gerações. Enquanto isso, as inúmeras multidões que os cercavam recebiam pouco ou nenhum benefício do conhecimento dos filósofos e permaneciam tão completamente ignorantes dessas verdades fundamentais quanto os animais que perecem.

3. É certo que essas verdades jamais foram conhecidas pelo povo comum, pela grande massa da humanidade, pela maioria das pessoas de qualquer nação, até que fossem trazidas à luz pelo evangelho.

Apesar de algumas centelhas de conhecimento brilharem aqui e ali, toda a terra estava coberta de trevas, até que o Sol da Justiça se levantou e dispersou as sombras da noite. Desde que essa aurora do alto apareceu, uma grande luz brilhou sobre aqueles que, até então, estavam assentados nas trevas e na sombra da morte.

Milhares de pessoas, em todas as épocas, conheceram esta verdade: “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16). Tendo recebido os oráculos de Deus, também souberam que Deus nos concedeu o Espírito Santo, que opera em nós tanto o querer quanto o realizar, segundo sua boa vontade.

4. Como são notáveis as palavras do apóstolo que precedem nosso texto!

“Tenham entre vocês o mesmo modo de pensar de Cristo Jesus, que, mesmo existindo na forma de Deus” — possuindo desde a eternidade a natureza incomunicável de Deus —, “não considerou o ser igual a Deus algo que deveria ser retido a qualquer custo” (Filipenses 2.5-6).

A palavra significa precisamente que Cristo não considerou sua igualdade com Deus um ato de usurpação, uma invasão da prerrogativa de outro, mas um direito indiscutivelmente seu. A expressão indica tanto a plenitude quanto a suprema grandeza da divindade. Em contraste com ela, aparecem as declarações de que Cristo esvaziou e humilhou a si mesmo.

Ele “esvaziou a si mesmo” daquela plenitude divina, ocultando-a dos olhos dos seres humanos e dos anjos. Assumiu — e, por esse próprio ato, esvaziou a si mesmo — “a forma de servo, tornando-se semelhante aos seres humanos”: um verdadeiro homem, semelhante aos demais.

“E, reconhecido em figura humana” — como uma pessoa comum, sem beleza ou distinção exterior especial —, “humilhou a si mesmo” ainda mais, “tornando-se obediente” a Deus, embora fosse igual a ele, “até a morte, e morte de cruz” (Filipenses 2.7-8). Essa foi a maior demonstração tanto de humilhação quanto de obediência.

Depois de apresentar o exemplo de Cristo, o apóstolo os exorta a assegurar a salvação que Cristo havia adquirido para eles: “Desenvolvam a sua salvação com temor e tremor, porque Deus é quem efetua em vocês tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade.”

Nessas palavras abrangentes, podemos observar:

I. A grande verdade que jamais deveria sair de nossa lembrança: “Deus é quem efetua em vocês tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade”;

II. A aplicação que devemos fazer dessa verdade: “Desenvolvam a sua salvação com temor e tremor”;

III. A ligação entre as duas declarações: Deus atua em vocês; portanto, desenvolvam a própria salvação.

1. Em primeiro lugar, devemos observar esta grande e importante verdade, que jamais deveria sair de nossa lembrança: “Deus é quem efetua em vocês tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade.”

O significado das palavras pode tornar-se mais claro por uma pequena mudança em sua ordem: “Deus, segundo sua boa vontade, efetua em vocês tanto o querer como o realizar.”

Essa disposição das palavras, ligando a expressão “segundo sua boa vontade” ao verbo “efetua”, elimina toda ideia de mérito humano e atribui a Deus toda a glória de sua própria obra.

Caso contrário, poderíamos encontrar algum espaço para nos orgulharmos, como se algum mérito próprio, alguma bondade existente em nós ou alguma boa ação que tivéssemos praticado inicialmente motivasse Deus a agir.

Essa expressão, porém, elimina todas essas ideias vaidosas e demonstra claramente que o motivo da atuação de Deus está inteiramente nele mesmo: em sua graça pura e em sua misericórdia imerecida.

2. Somente por essa boa vontade Deus é levado a operar nos seres humanos tanto o querer quanto o realizar. A expressão admite duas interpretações, e ambas são indiscutivelmente verdadeiras.

Primeiramente, “querer” pode incluir toda a religião interior, e “realizar”, toda a religião exterior. Caso seja compreendida assim, a passagem significa que Deus produz tanto a santidade interior quanto a exterior.

Em segundo lugar, “querer” pode significar todo bom desejo, e “realizar”, tudo aquilo que resulta desse desejo.

Nesse caso, a declaração significa que Deus inspira em nós todo bom desejo e conduz todo bom desejo a um bom resultado.

3. As palavras originais, to thélein e to energeîn, parecem favorecer a segunda interpretação.

To thélein, traduzida por “querer”, inclui claramente todo bom desejo, esteja relacionado às nossas disposições, palavras ou ações, à santidade interior ou exterior.

To energeîn, traduzida por “realizar”, indica manifestamente todo aquele poder vindo do alto, toda aquela energia que produz em nós cada disposição correta e, depois, nos capacita para toda boa palavra e boa obra.

4. Nada pode contribuir mais diretamente para esconder o orgulho dos seres humanos do que uma convicção profunda e permanente dessa verdade.

Caso estejamos plenamente conscientes de que nada possuímos que não tenhamos recebido, como poderemos nos gloriar como se não o tivéssemos recebido?

Caso saibamos e sintamos que o primeiro movimento em direção ao bem vem do alto, assim como o poder que o conduz à sua realização; caso seja Deus quem não apenas inspira todo bom desejo, mas também o acompanha e o segue — pois, sem isso, ele desapareceria —, segue-se claramente que “aquele que se gloria, glorie-se no Senhor” (1 Coríntios 1.31).

1. Passemos agora ao segundo ponto: se Deus atua em vocês, então desenvolvam a própria salvação.

A palavra original traduzida por “desenvolvam” significa realizar alguma coisa de maneira completa e cuidadosa.

“A própria salvação”: vocês mesmos precisam fazer isso, ou ficará para sempre sem ser feito.

“A própria salvação.” A salvação começa com aquilo que geralmente — e de maneira muito apropriada — é chamado de graça preveniente. Ela inclui o primeiro desejo de agradar a Deus, o primeiro amanhecer da luz a respeito de sua vontade e a primeira convicção leve e passageira de que pecamos contra ele.

Todas essas coisas indicam alguma inclinação em direção à vida, algum grau de salvação, o começo da libertação de um coração cego e insensível, inteiramente indiferente a Deus e às coisas de Deus.

A salvação prossegue por meio da graça convincente, geralmente chamada nas Escrituras de arrependimento. Ela produz uma medida maior de autoconhecimento e uma libertação mais profunda do coração de pedra.

Depois disso, experimentamos a salvação propriamente cristã, pela qual somos salvos pela graça, mediante a fé. Ela consiste em dois grandes aspectos: justificação e santificação.

Pela justificação, somos salvos da culpa do pecado e restaurados ao favor de Deus. Pela santificação, somos salvos do poder e da raiz do pecado e restaurados à imagem de Deus.

Tanto a experiência quanto as Escrituras demonstram que essa salvação é instantânea e progressiva. Ela começa no momento em que somos justificados, por meio do amor santo, humilde, manso e paciente por Deus e pelas pessoas.

A partir desse momento, cresce gradualmente, como o grão de mostarda que inicialmente é a menor das sementes, mas depois produz grandes ramos e se transforma numa grande árvore.

Até que, em outro instante, o coração seja purificado de todo pecado e preenchido pelo amor puro a Deus e ao próximo. Mesmo esse amor continua crescendo cada vez mais, até que cresçamos em todas as coisas naquele que é a Cabeça e alcancemos a medida da estatura da plenitude de Cristo.

2. Mas de que maneira devemos desenvolver essa salvação? O apóstolo responde: “Com temor e tremor.”

Existe outra passagem de Paulo em que aparece a mesma expressão, e ela pode nos ajudar a compreendê-la:

“Quanto a vocês, servos, obedeçam aos seus senhores aqui na terra” — segundo a presente ordem das coisas, embora saibam que, pouco tempo depois, o servo estará livre de seu senhor — “com temor e tremor” (Efésios 6.5).

Essa é uma expressão proverbial e não pode ser compreendida literalmente. Que senhor poderia suportar, muito menos exigir, que seu servo permanecesse tremendo e estremecendo diante dele?

As palavras seguintes excluem completamente essa interpretação: “na sinceridade do coração”, com os olhos voltados unicamente para a vontade e a providência de Deus; “não servindo apenas sob vigilância, visando somente agradar pessoas, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus” (Efésios 6.5-6). Devem fazer tudo como vontade de Deus e, por isso, com todas as suas forças.

É fácil perceber que essas fortes expressões do apóstolo indicam claramente duas coisas.

Primeiramente, que tudo deve ser feito com a maior seriedade de espírito e com todo o cuidado e cautela possíveis — talvez isso esteja mais diretamente relacionado à primeira expressão, metà phóbou, “com temor”.

Em segundo lugar, que tudo deve ser feito com a maior diligência, rapidez, pontualidade e exatidão — provavelmente em referência à segunda expressão, metà trómou, “com tremor”.

3. Como podemos facilmente aplicar isso à grande tarefa da vida, o desenvolvimento da própria salvação!

Com a mesma disposição e da mesma maneira que os servos cristãos servem aos seus senhores terrenos, os demais cristãos devem trabalhar para servir ao seu Senhor celestial.

Primeiramente, com a maior seriedade de espírito e com todo cuidado e cautela possíveis; e, em segundo lugar, com a maior diligência, rapidez, pontualidade e exatidão.

4. Quais são, porém, os passos que as Escrituras nos orientam a seguir no desenvolvimento da própria salvação?

O profeta Isaías apresenta uma resposta geral, referindo-se aos primeiros passos que devemos dar: “Parem de fazer o mal! Aprendam a fazer o bem!” (Isaías 1.16-17).

Caso desejem que Deus produza em vocês aquela fé da qual procedem a salvação presente e a eterna, empreguem a graça que já receberam e fujam de todo pecado como fugiriam da presença de uma serpente.

Evitem cuidadosamente toda palavra e toda obra má. Sim, afastem-se de toda aparência do mal.

E “aprendam a fazer o bem”. Sejam zelosos pelas boas obras: pelas obras de piedade, assim como pelas obras de misericórdia.

Pratiquem a oração familiar e clamem a Deus em secreto. Jejuem em secreto, e o Pai, que vê em secreto, os recompensará.

Examinem as Escrituras: ouçam sua leitura em público, leiam-nas em particular e meditem nelas.

Participem da Ceia do Senhor em todas as oportunidades. “Façam isto em memória de mim.” Ele se encontrará com vocês à sua própria mesa.

Convivam com os filhos de Deus e cuidem para que a conversa de vocês seja sempre agradável e temperada com sal.

Enquanto tiverem oportunidade, façam o bem a todas as pessoas, tanto à alma quanto ao corpo delas. Nisso, permaneçam firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor.

Resta apenas que neguem a si mesmos e tomem diariamente a própria cruz.

Neguem a si mesmos todo prazer que não os prepare para encontrar prazer em Deus. Aceitem voluntariamente todo meio que os aproxime de Deus, ainda que represente uma cruz e seja doloroso para a carne e o sangue.

Assim, depois de receberem a redenção pelo sangue de Cristo, avançarão para a perfeição, até que, andando na luz como ele está na luz, possam testemunhar que Deus é fiel e justo, não apenas para perdoar seus pecados, mas também para purificá-los de toda injustiça.

1. “Mas”, dizem alguns, “qual é a ligação entre a primeira e a segunda parte dessa declaração? Não existe, pelo contrário, uma oposição direta entre elas?

Se Deus efetua em nós tanto o querer quanto o realizar, por que precisamos trabalhar? A atuação divina não elimina a necessidade de trabalharmos?

Mais do que isso: não torna nossa atuação impossível, além de desnecessária? Caso admitamos que Deus realiza tudo, o que resta para nós fazermos?”

2. Esse é o raciocínio da carne e do sangue. À primeira vista, parece extremamente convincente. Entretanto, não é sólido, como ficará evidente quando examinarmos a questão mais profundamente.

Perceberemos, então, que não existe oposição entre estas duas afirmações: “Deus atua; portanto, nós atuamos.”

Pelo contrário, existe entre elas a mais estreita ligação, em dois sentidos.

Primeiramente, Deus atua; portanto, vocês podem atuar.

Em segundo lugar, Deus atua; portanto, vocês devem atuar.

3. Primeiramente, Deus atua em vocês; portanto, vocês podem atuar. Caso contrário, isso seria impossível.

Se Deus não atuasse, seria impossível desenvolverem a própria salvação.

“Para os seres humanos isto é impossível”, disse nosso Senhor a respeito da entrada de um rico no Reino dos Céus (Mateus 19.26).

Na verdade, isso é impossível para qualquer ser humano, para todo aquele que nasceu de mulher, a menos que Deus atue nele.

Todos os seres humanos são por natureza não apenas enfermos, mas mortos em suas transgressões e pecados. Por isso, não podem fazer coisa alguma boa enquanto Deus não os ressuscitar.

Era impossível Lázaro sair da sepultura antes que o Senhor lhe concedesse vida. É igualmente impossível sairmos de nossos pecados ou realizarmos o menor movimento nessa direção antes que aquele que possui todo o poder no céu e na terra chame nossa alma morta para a vida.

4. Isso, porém, não serve de desculpa para os que permanecem no pecado e culpam seu Criador, dizendo: “Somente Deus pode nos dar vida, pois não podemos dar vida à nossa própria alma.”

Ainda que admitamos que todas as pessoas estejam naturalmente mortas no pecado, isso não desculpa ninguém, porque não existe pessoa alguma em estado de natureza pura. Não existe ninguém — a menos que tenha apagado o Espírito — completamente destituído da graça de Deus.

Nenhuma pessoa viva está inteiramente desprovida daquilo que popularmente se chama consciência natural.

Essa consciência, porém, não é natural. É mais apropriado chamá-la de graça preveniente.

Cada pessoa possui uma medida maior ou menor dessa graça, que não espera o chamado humano.

Mais cedo ou mais tarde, todos experimentam bons desejos, embora a maioria os sufoque antes que possam criar raízes profundas ou produzir frutos consideráveis.

Todos possuem alguma medida daquela luz, algum raio fraco e brilhante que, mais cedo ou mais tarde e em maior ou menor grau, ilumina todo aquele que vem ao mundo.

E todos — exceto o pequeno número daqueles cuja consciência está cauterizada como por um ferro quente — sentem algum desconforto quando agem de maneira contrária à luz da própria consciência.

Portanto, ninguém peca porque não possui graça, mas porque não emprega a graça que possui.

5. Visto que Deus atua em vocês, agora são capazes de desenvolver a própria salvação.

Como Deus, segundo sua boa vontade e sem qualquer mérito de sua parte, efetua em vocês tanto o querer como o realizar, é possível que cumpram toda a justiça.

É possível amar a Deus porque ele nos amou primeiro e andar em amor, segundo o exemplo de nosso grande Mestre.

Sabemos que esta palavra de Cristo é absolutamente verdadeira: “Sem mim vocês não podem fazer nada” (João 15.5).

Por outro lado, sabemos também que todo crente pode dizer: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4.13).

6. Lembremo-nos, entretanto, de que Deus uniu essas duas coisas na experiência de todo crente. Por isso, devemos tomar cuidado para não imaginar que possam ser separadas.

Precisamos guardar-nos daquela falsa humildade que nos ensina a dizer, como desculpa para nossa desobediência voluntária: “Ah, não posso fazer nada!”, e para aí, sem mencionar uma única vez a graça de Deus.

Pense duas vezes. Considere cuidadosamente o que está dizendo.

Espero que você esteja sendo injusto consigo mesmo. Caso seja realmente verdade que não pode fazer absolutamente nada, então você não possui fé.

E, caso não possua fé, encontra-se numa condição miserável: não está em estado de salvação.

Certamente, não é assim. Você pode fazer alguma coisa por meio de Cristo, que o fortalece.

Desperte a centelha da graça que agora está em você, e Deus lhe concederá mais graça.

7. Em segundo lugar, Deus atua em vocês; portanto, vocês devem atuar.

Precisam ser cooperadores de Deus — essas são as próprias palavras do apóstolo —, pois, do contrário, ele deixará de atuar.

A regra geral segundo a qual suas dispensações graciosas invariavelmente procedem é esta: “Ao que tem, mais será dado; mas ao que não tem” — isto é, ao que não utiliza a graça que já recebeu — “até aquilo que certamente possui lhe será tirado.”

Até mesmo Agostinho, geralmente considerado defensor da doutrina contrária, fez esta observação correta:

Qui fecit nos sine nobis, non salvabit nos sine nobis.

“Aquele que nos criou sem nossa participação não nos salvará sem nossa participação.”

Deus não nos salvará a menos que nos salvemos desta geração perversa; a menos que lutemos o bom combate da fé e nos apoderemos da vida eterna; a menos que nos esforcemos intensamente para entrar pela porta estreita, neguemos a nós mesmos, tomemos diariamente a própria cruz e trabalhemos, por todos os meios possíveis, para confirmar nossa vocação e eleição.

8. Portanto, irmãos, trabalhem, não pela comida que perece, mas pela que permanece para a vida eterna.

Digam com nosso bendito Senhor, embora num sentido um pouco diferente: “Meu Pai trabalha até agora, e eu também trabalho” (João 5.17).

Considerando que Deus continua atuando em vocês, nunca se cansem de fazer o bem.

Prossigam, pela força da graça de Deus, que os precede, acompanha e segue, na obra da fé, na perseverança da esperança e no trabalho do amor.

Permaneçam firmes e inabaláveis, sempre abundantes na obra do Senhor.

E que “o Deus da paz, que tornou a trazer dentre os mortos o nosso Senhor Jesus, o grande Pastor das ovelhas”, os aperfeiçoe em todo o bem, para cumprirem a vontade dele, operando em vocês o que é agradável diante dele, por meio de Jesus Cristo, a quem seja a glória para todo o sempre!

Tradução em português atual a partir do original em domínio público (ed. Thomas Jackson, 1872), realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello. Citações bíblicas conforme a NAA. Igreja Metodista Livre do Brasil.

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