Ministério Infantil · Nossa identidade

Livres para Ser

Uma série de lições para ensinar às crianças a história e a identidade da Igreja Metodista Livre: quem somos, de onde viemos e por que temos “livre” no nome. Para usar na escola dominical, no culto infantil ou em casa.

Cada lição traz a história de uma pessoa que Deus usou, com plano de aula, brincadeiras no meio da história, perguntas para conversar, versículo para memorizar, atividade para fazer em família e uma ideia para envolver a igreja toda. As quatro lições formam a série completa: livres para crer, para ser iguais, para adorar e para servir.

Lição 1 · Livres para crer: a história de John Wesley+
Um coração aquecido por uma chama sobre os telhados de uma cidade inglesa à noite, lembrando a experiência de John Wesley em Aldersgate

Objetivo: Mostrar às crianças, pela história de John Wesley, que a salvação é um presente de Deus recebido pela fé em Jesus (e não algo que a gente compra sendo “bonzinho”), e que Deus tem planos para cada criança.
Passagem: Romanos 5.6-8; Salmo 130Faixa: a partir de 6 anosTempo: 50 a 60 minutos
“Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós quando ainda éramos pecadores.” (Rm 5.8)
Materiais: professor de pés descalços (sim, é sério!); um pano ou lenço vermelho; uma bacia com algo seguro e “nojentinho” para pisar (gelatina, macarrão cozido frio); miçangas nas cores preta, vermelha, branca, azul, verde e amarela, com cordão ou fio encerado; aparelho para tocar uma música (opcional); espaço para um pega-pega.
Plano da aula: Para começar (5 min) → A história, com as brincadeiras no meio (25 a 30 min) → Vamos conversar (10 min) → Guardar no coração e Oração (5 min) → Pulseira do evangelho (10 min). Os blocos marcados com ★ são os essenciais; as brincadeiras podem ser escolhidas conforme o tempo e o espaço.

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★ Para começar (o mistério dos pés descalços)

Entre na sala descalço, como se nada estivesse acontecendo. Quando as crianças perguntarem (e elas vão perguntar!), responda apenas: “Hoje vocês vão conhecer alguém que mudou a vida de muitas crianças andando descalço. No fim da história, vocês vão entender os meus pés.” Quem quiser pode tirar os sapatos também.

Outras opções de abertura (escolha uma ou combine): cantar juntos um louvor sobre a liberdade em Jesus ou um hino de Charles Wesley que a igreja conheça; ou ler juntos o Salmo 130, apresentando-o como “a oração de quem precisa de socorro”, que vai aparecer na história de hoje.

★ A história de John Wesley

Susana Wesley conversando com o pequeno John à mesa, com a Bíblia aberta, enquanto os irmãos espiam da porta e da escada

Há muito tempo, em 1703, nasceu na Inglaterra um menino chamado John Wesley. A família era enorme: ele tinha 18 irmãos! Todos viviam numa casa pequena, aprendendo a dividir tudo e a agradecer por cada refeição. A mãe deles, Susana, fazia uma coisa linda: toda semana separava uma hora para conversar sozinha com cada filho sobre Deus e ouvir as suas perguntas.

A casa em chamas e o menino John na janela; um homem sobre os ombros de outro o alcança, enquanto os pais oram ajoelhados

Uma noite, quando John era pequeno, ele acordou com um barulho estranho e um cheiro de fumaça. A casa estava pegando fogo! Todos correram para fora, mas John ficou preso no andar de cima. Ele conseguiu abrir a janela e gritou por socorro. Lá embaixo, o pai e a mãe se ajoelharam para orar. Então um homem levantou um rapaz sobre os ombros, e ele alcançou John pela janela, momentos antes de a casa desabar em chamas. Os pais o abraçaram apertado e agradeceram a Deus, dizendo que John era como “um toco de lenha tirado do fogo” (é uma frase da Bíblia, de Zacarias 3.2). Eles entenderam que Deus tinha salvado John por um motivo: tinha planos para a vida dele. E sabe de uma coisa? Deus tem planos para a sua vida também.

Hora de brincar · Teatro do resgate (8 min): encenem a história do incêndio! Uma criança sobe num banquinho (é o John na janela), duas balançam o pano vermelho na frente dele (são as chamas), e as outras fazem os pais orando e os vizinhos ajudando no resgate. Depois todos comemoram juntos!

Aos 11 anos, John ganhou uma bolsa para estudar num colégio longe de casa. Não foi fácil: os meninos maiores implicavam muito com os menores, como ele. Mas John tinha um talento que conquistava os colegas: era um contador de histórias incrível! Ele sabia, na própria pele, o que é ser caçoado. Guarde isso, porque vai ser importante daqui a pouco.

John e Charles Wesley com os amigos do Clube Santo, estudando a Bíblia e orando numa sala de Oxford

John cresceu e foi estudar na famosa universidade de Oxford, onde seu irmão Charles estudava. Ele era muito organizado: tinha horário para estudar, orar, ler a Bíblia e ajudar os pobres e os presos. Charles reuniu um grupo de amigos que queriam levar Deus a sério, e John entrou no grupo com o seu jeitão metódico, isto é, cheio de método, tudo planejadinho. Os outros estudantes zombavam deles e os apelidaram de “metodistas”. Era para ser um apelido de deboche, mas Deus transformou a zombaria em bênção: é daí que vem o nome da nossa família de igrejas até hoje!

O navio na tempestade, com o mastro quebrado; passageiros assustados e, num canto, os morávios cantando com calma

John e Charles atravessaram o oceano num navio para servir como missionários na América. No meio da viagem, veio uma tempestade tão forte que o mastro do navio quebrou, e os passageiros gritavam apavorados, John inclusive. Mas num canto do navio havia um grupo de cristãos, os morávios, que continuaram cantando louvores com calma, até as crianças deles! John nunca esqueceu aquilo e pensou: “Eles têm uma confiança em Deus que eu não tenho.” Na América, John enfrentou muitas dificuldades e ficou desanimado: os adultos não queriam ouvi-lo, e ele mesmo reconhecia que nem sempre sabia falar a verdade com amor, como a Bíblia ensina (Ef 4.15), e por isso algumas pessoas ficavam bravas com ele. Mas com as crianças era diferente: John sempre foi amigo delas e reunia os pequenos para ensinar a Bíblia. E agora eu posso contar por que estou descalço!

John Wesley, de terno completo e descalço, ensinando a Bíblia a meninos pobres, também descalços

Conta-se que, um dia, John soube que os meninos pobres tinham parado de vir às aulas, porque não tinham sapatos e os meninos ricos caçoavam dos seus pés descalços. Sabe o que John fez? No domingo seguinte, ele veio dar a aula de terno completo, todo elegante… e descalço! Sem falar nada, ensinou a lição inteira daquele jeito, e assim toda semana. Os meninos pobres voltaram de cabeça erguida, e os zombadores ficaram com vergonha da própria zombaria. A Bíblia diz: “Quão formosos são sobre os montes os pés do que anuncia boas-novas” (Is 52.7).

Hora de brincar · Caminhada corajosa (10 min): descalças, as crianças atravessam uma “estrada difícil” (a bacia com gelatina ou macarrão frio, toalhas no chão, almofadas). No fim, converse: o que John Wesley esteve disposto a fazer para que todas as crianças se sentissem bem-vindas? O que nós estamos dispostos a fazer?

De volta à Inglaterra, John estava triste, sentindo que tinha fracassado. Ele queria muito agradar a Deus, e se esforçava, se esforçava… mas tentava fazer tudo na força dele mesmo. Ele não tinha entendido ainda que só o poder de Deus muda o coração das pessoas: nosso esforço, nossas palavras e nossas boas ações, sozinhos, não conseguem. E John vivia procurando aquela alegria que tinha visto nos morávios do navio. Uma noite, ele foi a um pequeno culto numa rua chamada Aldersgate, onde alguém lia justamente a carta de Romanos. Vamos ler juntos o trecho que estava sendo estudado?

★ Leiam juntos · Romanos 5.6-8: “Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. Dificilmente alguém morreria por um justo, embora por uma pessoa boa alguém talvez tenha coragem para morrer. Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós quando ainda éramos pecadores.” Pergunte: quem fez tudo nesse versículo, nós ou Deus?

O pequeno culto em Aldersgate: alguém lê à luz de vela e John Wesley, sentado, sente o coração aquecido

Ali John entendeu, de coração: a salvação não se ganha sendo bonzinho, se recebe de presente, crendo em Jesus. Ele contou depois: “Senti o meu coração estranhamente aquecido. Senti que confiava em Cristo, somente em Cristo, para a salvação.” Lembra do menino salvo do fogo? Naquela noite, John foi salvo de um perigo ainda maior: foi salvo do pecado, pela fé em Jesus.

John Wesley pregando ao ar livre numa colina, com o cavalo ao lado e uma multidão de mineiros, famílias e crianças cantando

Daquele dia em diante, tudo mudou. John começou a pregar ao ar livre, nos campos e nas praças, como Jesus fazia. Na primeira vez, havia cerca de três mil pessoas, e não existia microfone: Deus fez a mensagem chegar a cada coração. John passou a vida viajando a cavalo pela Inglaterra, milhares de quilômetros por ano, para anunciar as boas novas a quem nunca entrava numa igreja: mineiros, presos, gente que achava que Deus não se importava com ela. As crianças amavam segui-lo pelas estradas, cantando os hinos que o irmão dele, Charles, escrevia. E onde as pessoas criam em Jesus, a vida mudava: vizinhos passavam a se ajudar, famílias eram restauradas, cidades inteiras ficavam diferentes.

Hora de brincar · Pega-pega do circuito (10 min): os pregadores como John viajavam de igreja em igreja, num “circuito”. As crianças formam duplas de braços dados, espalhadas pela sala. Um pegador persegue um fugitivo; quando o fugitivo se pendura no braço de uma dupla, a criança da outra ponta vira o novo fugitivo. Se o pegador alcançar o fugitivo, os dois trocam de papel.

Nem tudo foi fácil: houve gente que jogou pedras, gritou e tentou impedir as pregações, porque nem todos queriam entregar a vida inteira a Jesus, ajudar os pobres ou aceitar que todas as pessoas são iguais aos olhos de Deus. Mas Deus foi fiel e o guardou em cada perigo, às vezes de maneiras impressionantes. Ao terminar a aula, você pode convidar as crianças a contarem outros exemplos de pessoas que tiveram coragem de ficar do lado de Deus.

John lutou contra a escravidão, abriu lugares onde os pobres recebiam remédios de graça, viveu de um jeito simples para poder ajudar os outros e ainda ajudou o metodismo a chegar a outros países, inclusive à América. E foi dali que, muitos anos depois, o metodismo livre chegaria ao Brasil, até a nossa igreja! Ele pregou até o fim da vida e morreu em 1791, aos 87 anos, cercado de amigos. Suas últimas palavras foram: “O melhor de tudo é: Deus está conosco.” Termine orando com as crianças: agradeça pelo presente da salvação e peça que cada uma ande pela fé e tenha coragem de compartilhar as boas novas, como John Wesley.

O que aprendemos

  • A salvação é um presente de Deus: a gente não compra sendo “bonzinho”, a gente recebe crendo em Jesus (Rm 5.8).
  • Deus pode transformar zombaria em bênção: até o apelido “metodista” virou o nosso nome!
  • As boas novas são para todos: ricos e pobres, calçados e descalços.
  • Deus é fiel nas dificuldades e tem planos para cada criança, como teve para o menino salvo do fogo.
  • A nossa igreja nasceu dessa história: por isso amamos a Bíblia, os hinos e o cuidado com os pobres.

★ Vamos conversar

1. Por que o professor veio descalço hoje?Para lembrar John Wesley, que tirou os sapatos para que os meninos pobres não se sentissem envergonhados.
2. Antes da noite em Aldersgate, como John tentava agradar a Deus?Com muito esforço próprio: estudando, orando, ajudando… mas sem entender que a salvação é presente, recebido pela fé em Jesus.
3. O que mudou no coração de John naquela noite?Ele creu em Jesus, somente em Jesus, e sentiu o coração “estranhamente aquecido”: a certeza de que Deus o amava e o perdoava.
4. Você já foi caçoado por causa de algo? Como a história de John ajuda?Resposta pessoal. Lembre que Deus transformou o deboche (“metodistas”) em bênção, e que Jesus está com quem sofre zombaria.

Indo mais fundo (para os maiores)

5. Qual a diferença entre “fazer coisas boas para ser salvo” e “fazer coisas boas porque já fui salvo”?Na primeira, tento pagar pelo presente; na segunda, agradeço pelo presente. John fazia o bem antes e depois de Aldersgate, mas o motivo mudou completamente.
6. Por que John foi pregar ao ar livre, fora dos templos?Para alcançar quem nunca entraria numa igreja. O evangelho vai atrás das pessoas, como o pastor vai atrás da ovelha.
7. O que a nossa igreja tem hoje que começou com John e Charles Wesley?O nome “metodista”, o amor pela Bíblia e pelos hinos, o cuidado com os pobres, os pequenos grupos, a pregação para todos.

★ Mãos à obra: a pulseira do evangelho

Mãos de crianças montando a pulseira do evangelho com as miçangas preta, vermelha, branca, azul, verde e amarela

Cada criança monta a sua pulseira com as miçangas, aprendendo o que cada cor conta. Depois, treine com elas como usar a pulseira para explicar o evangelho a um amigo:

  • Preta: o pecado, que separa a gente de Deus (Sl 130.3).
  • Vermelha: o sangue de Jesus, que morreu por nós na cruz (Rm 5.8).
  • Branca: o perdão, que nos deixa limpos (1Jo 1.9).
  • Azul: o batismo, sinal da nossa fé em Jesus.
  • Verde: a vida nova, crescendo com Jesus todo dia.
  • Amarela: o céu, a casa que Jesus foi preparar para nós.

Cante junto (opcional): encerre cantando um hino de Charles Wesley que a sua igreja conheça, contando às crianças que o irmão de John escreveu milhares de hinos que cantamos até hoje.

★ Guardar no coração

Versículo para memorizar: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós quando ainda éramos pecadores.” (Rm 5.8). Dica de gestos: apontar para cima (“Deus”), fazer um coração com as mãos (“o seu próprio amor”), abrir os braços como uma cruz (“Cristo ter morrido por nós”) e apontar para si mesmo (“ainda éramos pecadores”).

Oração

Querido Deus, obrigado porque a salvação é um presente e não uma compra. Obrigado por Jesus, que morreu por mim quando eu ainda era pecador. Aquece o meu coração como aqueceste o de John Wesley, e usa a minha vida nos teus planos. Em nome de Jesus, amém.

Desafio da semana: use a sua pulseira do evangelho para contar a história das cores para uma pessoa: um amigo, um irmão, um avô. Depois conte para a turma como foi!
Em família: releia com a família a história de John Wesley (abram esta página em casa!) e conversem sobre as perguntas da aula. Depois, façam juntos a atividade abaixo.

Mãe e filha montando a Sacola da Bênção na cozinha: biscoitos, lata, água, sabonete, escova, meias e um bilhete com coração

A Sacola da Bênção: John Wesley amava cuidar dos pobres. Montem uma “Sacola da Bênção” para entregar a alguém em necessidade. Ideias do que colocar (adaptem à realidade de vocês, usando um saco plástico resistente):

  • Alimentos que não estragam: biscoitos, barrinhas de cereal, frutas secas, lata de sardinha ou atum (com abertura fácil), suco de caixinha, água.
  • Higiene: sabonete, pasta e escova de dentes, papel higiênico, lenços umedecidos, protetor labial.
  • Conforto: meias novas, boné ou agasalho simples, curativos.
  • Carinho: um bilhete escrito pela criança com um versículo (que tal o Rm 5.8 da lição?).

Entreguem juntos, orando pela pessoa e, se o Espírito abrir a porta, contando as boas novas. Conversem em casa: por que Jesus se importa com quem ninguém nota?

Para a igreja toda (opcional): ideias para envolver a congregação durante a série:

  • Clube Santo das crianças: como o de Oxford! Escolham um projeto de serviço: cozinhar uma refeição para um irmão doente ou idoso, fazer pequenas tarefas na casa de quem precisa, ou montar Sacolas da Bênção em mutirão, orando sobre cada uma.
  • Teatro ou vídeo: as crianças apresentam a história de John Wesley num culto, com um hino de Charles Wesley cantado pela igreja (a produção pode incluir os hinos que a congregação já conhece; Charles escreveu milhares!).
  • Gincana John Wesley: uma noite de perguntas e respostas sobre a história da lição, com as famílias participando em equipes.
Para levar no coração: a salvação é presente de Deus, recebido pela fé em Jesus. E Deus tem planos para você, como teve para o menino salvo do fogo.
Para quem ensina: a história é verdadeira, com um toque de tradição: o episódio dos pés descalços vem das biografias populares de Wesley, por isso o texto diz “conta-se”. Cuidado pastoral importante: se houver na turma crianças que de fato não têm sapatos ou passam necessidade, conduza o tema com delicadeza, o objetivo é honrá-las, jamais expô-las. Na pulseira do evangelho, ofereça às crianças a oportunidade de crer em Jesus, sem pressão: o Espírito Santo faz o convite ao coração. Para aprofundar a história, veja no site o devocional diário de John Wesley e as obras de Charles Wesley.
Lição 2 · Livres para ser iguais: a história de B.T. Roberts+
Crianças de muitas cores de mão dadas em roda ao redor de uma cruz iluminada

Objetivo: Mostrar, pela história de B.T. Roberts e do nascimento da Igreja Metodista Livre, que Deus dá o mesmo valor a todas as pessoas, e que na igreja de Jesus não existe lugar comprado nem gente de segunda classe.
Passagem: Gênesis 1.27; Gálatas 3.28; Efésios 2.11-19Faixa: a partir de 6 anosTempo: 50 a 60 minutos
“Assim sendo, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vocês são um em Cristo Jesus.” (Gl 3.28)
Materiais: cadeiras diferentes (algumas confortáveis na frente, outras simples ou nenhuma no fundo) com etiquetas de preço; dinheirinho de brinquedo; caixas de papelão ou folhas grandes de papel para montar um “muro”, e canetões; letras grandes de cartolina formando a palavra IGUAIS; duas pulseiras ou palitos luminosos por criança (opcional, para o fechamento no escuro).
Plano da aula: Para começar (10 a 15 min) → A história de B.T. Roberts (10 min) → O muro da separação (20 min) → Vamos conversar (10 min) → Guardar no coração e Oração (5 min) → Só Jesus (5 min). Os blocos com ★ são os essenciais.

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★ Para começar (pague pelo seu banco!)

Antes de as crianças chegarem, arrume a sala com assentos diferentes: cadeiras boas e enfeitadas na frente, com etiquetas de preço alto; cadeiras simples atrás, mais baratas; e um cantinho no fundo, de pé, “de graça”. Na entrada, cada criança recebe uma quantia aleatória de dinheirinho de brinquedo (algumas não recebem nada) e deve se sentar no lugar que consegue “pagar”. Depois converse: o que vocês acharam disso? Foi justo? Dava para saber quem tinha dinheiro e quem não tinha? Você viria a uma igreja assim se fosse pobre?

Explique: no século 19, era comum as igrejas venderem ou alugarem os bancos. Os ricos sentavam na frente; os pobres, atrás, quando podiam entrar. Hoje vamos conhecer o homem que não aceitou isso.

Outra opção de abertura: mostre um mapa-múndi e conte que a família metodista livre está hoje em mais de cem países, e que a nossa própria igreja abraça o Brasil, Angola, o Paraguai e a Argentina. Pergunte: como será a “cara” de um metodista livre? A resposta é: de todas as cores e de todos os povos!

Igreja do século 19 com bancos etiquetados com preço: famílias ricas na frente e uma família pobre em pé, no fundo

★ A história de B.T. Roberts

Benjamin Titus Roberts nasceu em 1823, no estado de Nova York, nos Estados Unidos. Aos 21 anos entregou a vida a Jesus e sentiu o chamado para ser pastor na igreja metodista, a família que tinha nascido com John Wesley (lembra da lição passada?). Mas, com o tempo, Roberts foi ficando incomodado com duas coisas que via. A primeira eram os bancos pagos: quem tinha dinheiro sentava perto do altar, quem era pobre ficava lá atrás, e todo mundo sabia quem era rico e quem não era. A segunda era ainda mais grave: naquele tempo existia escravidão no país, e a igreja dele não queria se posicionar contra. Roberts não conseguia aceitar que a igreja de Jesus fechasse os olhos para pessoas sendo tratadas como coisas.

B.T. Roberts escrevendo artigos à luz de lamparina, com a Bíblia aberta ao lado

Ele começou a falar e a escrever artigos, chamando a igreja de volta para o jeito de John Wesley: santidade de vida e cuidado com os pobres. Sabe o que aconteceu? Os líderes ficaram tão bravos que o expulsaram da igreja! Mas Deus estava escrevendo uma história maior. Em 1860, num pomar de macieiras numa cidadezinha chamada Pekin, Roberts e um grupo de amigos que pensavam como ele começaram uma nova família de igrejas. Ela seria “metodista”, seguindo os ensinos de Wesley, e seria “livre”: bancos livres para todos sentarem juntos, luta pela liberdade dos escravizados e liberdade para adorar a Deus com simplicidade.

Famílias reunidas em roda sob as macieiras de Pekin, em 1860, ouvindo B.T. Roberts: o nascimento da Igreja Metodista Livre

Foi ali, debaixo das macieiras, que nasceu a Igreja Metodista Livre. E ela cresceu! Missionários levaram as boas novas para muitos países, e hoje mais de noventa por cento dos metodistas livres vivem fora dos Estados Unidos, inclusive nós, aqui no Brasil, e nossos irmãos de Angola, do Paraguai, da Argentina e do Japão. Até hoje a nossa família de igrejas continua lutando contra a escravidão moderna, que infelizmente ainda existe, e cuidando de crianças pobres pelo mundo inteiro. Quando alguém pergunta por que temos “Livre” no nome, essa é a história!

Crianças de vários países de mãos dadas ao redor do globo: uma família de igrejas em mais de cem países

★ Hora de brincar e aprender: o muro da separação

Crianças derrubando um muro de caixas de papelão na sala e empilhando as caixas em forma de cruz

O muro da separação (20 min): montem juntos um “muro” de caixas de papelão ou de folhas grandes no meio da sala. Primeiro, divida as crianças pelos dois lados por escolhas divertidas (quem prefere pizza ou lanche? qual time?). Depois, divida por coisas que ninguém escolhe: mês de aniversário, altura, onde mora. Pergunte: e se as boas novas de Jesus fossem contadas só para um lado do muro? Seria justo? Em seguida, escrevam no muro coisas que separam as pessoas no mundo de hoje (cor da pele, rico e pobre, time, país…). Então leiam juntos: “Porque ele é a nossa paz. De dois povos ele fez um só e, na sua carne, derrubou a parede de separação que estava no meio, a inimizade” (Ef 2.14). E… derrubem o muro juntos! Se ele for de caixas, empilhem as caixas em forma de cruz: o que nos une em Jesus é maior do que tudo o que nos separa.

Eliza Suggs, em sua cadeira de rodas, falando de Jesus a famílias reunidas numa igreja simples

Conheça Eliza Suggs (opcional, 5 min): conte às crianças a história de Eliza, filha de pais que foram escravizados nos Estados Unidos. Ela nasceu com uma doença que deixava seus ossos tão frágeis que quebravam com qualquer movimento, e passou a vida numa cadeira de rodas. A família e as amigas a carregavam para a escola todos os dias, e Eliza estudou, escreveu um livro e se tornou palestrante, falando de Jesus por onde passava. Na igreja de Jesus, pessoas com deficiência não ficam de fora: têm lugar de honra e muito a ensinar.

O que aprendemos

  • Deus criou todas as pessoas à sua imagem: ninguém vale mais do que ninguém (Gn 1.27).
  • Em Jesus, os muros caem: não há rico nem pobre, não há um povo melhor que o outro (Gl 3.28; Ef 2.14).
  • A nossa igreja nasceu para que todos tivessem lugar: bancos livres e liberdade para os escravizados.
  • Somos parte de uma família que está em mais de cem países, de todas as cores e línguas.

★ Vamos conversar

1. O que você sentiu na brincadeira dos bancos pagos?Resposta pessoal. Ajude as crianças a perceberem como a separação por dinheiro machuca e envergonha.
2. Por que os cristãos creem que todas as pessoas são iguais em valor?Porque todas foram criadas à imagem de Deus (Gn 1.27) e Jesus morreu por todas.
3. Por que B.T. Roberts foi expulso da igreja dele?Porque insistiu que a igreja devia ter bancos livres, lutar contra a escravidão e voltar ao jeito de Wesley: santidade e cuidado com os pobres.
4. Como a nossa igreja pode ajudar quem é deixado de fora?Resposta em grupo: acolher bem os visitantes, cuidar dos pobres, incluir quem tem deficiência, não deixar ninguém sozinho.

Indo mais fundo (para os maiores)

5. Por que era tão grave a igreja ficar calada sobre a escravidão?Porque calar diante da injustiça é tomar o lado dela. A igreja de Jesus defende quem é tratado como coisa. No Brasil, a escravidão só acabou em 1888, e a nossa igreja continua contra toda forma de escravidão até hoje.
6. O que o “Livre” do nosso nome exige de nós hoje?Que a nossa igreja continue sendo um lugar onde ninguém compra privilégio, onde o pobre é honrado e onde lutamos pela liberdade e dignidade de todos.

Mãos à obra

Cartaz IGUAIS. Com letras grandes de cartolina formando a palavra IGUAIS, cada criança (ou dupla) escreve dentro de uma letra um versículo que ensina como tratar os outros (Gn 1.27; Gl 3.28; Ef 2.14; Ef 2.19; Jo 17.21). Exponham o cartaz na sala ou no mural da igreja.

No escuro, crianças seguram duas luzes cruzadas em forma de cruz: só se vê a cruz

★ Só Jesus (fechamento, 5 min). Entregue a cada criança duas pulseiras (ou palitos) luminosas. Apague as luzes e peça que cada uma cruze as suas duas luzes em forma de cruz. No escuro, não dá para ver cor de pele, roupa cara ou barata, menino ou menina. Só se vê a cruz. É assim que Deus nos vê: todos iguais, todos amados, todos na luz de Jesus.

★ Guardar no coração

Versículo para memorizar: “Assim sendo, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vocês são um em Cristo Jesus.” (Gl 3.28). Dica de gestos: apontar para crianças diferentes a cada dupla do versículo e, no final, todos juntam as mãos no centro da roda ao dizer “todos vocês são um em Cristo Jesus”.

Oração

Querido Deus, obrigado por me criar à tua imagem e por amar todas as pessoas do mesmo jeito. Perdoa quando eu deixo alguém de fora. Ajuda a nossa igreja a ser sempre livre: com lugar para todos, sem muros e sem preço. Em nome de Jesus, amém.

Desafio da semana: procure na escola ou na vizinhança alguém que costuma ficar de fora das brincadeiras e convide para brincar com você. Depois conte para a turma como foi!
Em família: releiam juntos a história de B.T. Roberts e leiam Efésios 2.11-19. Conversem: que “muros” ainda separam as pessoas hoje, na nossa cidade e na nossa escola? Escrevam num papel um muro que a família quer ajudar a derrubar, orem sobre ele e combinem uma atitude prática nesta semana.
Para a igreja toda (opcional): um Culto da Igualdade, celebrando a história do nascimento da nossa igreja; ou uma troca de cartinhas e desenhos entre as crianças e uma congregação irmã de outra cultura (que tal uma igreja do Concílio Angolano ou da Conferência Nikkei?); ou uma visita das famílias a um memorial ou museu ligado à história da abolição na sua região.
Para levar no coração: Deus dá o mesmo valor a todas as pessoas. Na igreja de Jesus não se compra lugar: em Cristo, somos todos um.
Para quem ensina: ao tratar da escravidão, lembre que no Brasil ela durou até 1888 e que pode haver na turma descendentes de pessoas escravizadas: conduza o tema com honra, nunca como curiosidade distante. Curiosidade histórica: Roberts também defendia, à frente do seu tempo, que mulheres pregassem e fossem ordenadas; ele escreveu o livro Ordenando Mulheres, que está traduzido em nosso site. Para aprofundar, veja a biografia de B.T. Roberts e as obras dele traduzidas.
Lição 3 · Livres para adorar: Phoebe Palmer e Emma Ray+
Crianças de braços erguidos adorando a Deus numa igreja simples, com notas musicais no ar

Objetivo: Ensinar que adorar a Deus é honrá-Lo com a vida inteira, em todo lugar e todos os dias, e que o Espírito Santo vai nos transformando para ficarmos parecidos com Jesus (é o que chamamos de santificação).
Passagem: Romanos 12.1; Deuteronômio 6.4-9; Atos 2.1-4Faixa: a partir de 6 anosTempo: 50 a 60 minutos
“Portanto, irmãos, pelas misericórdias de Deus, peço que ofereçam o seu corpo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Este é o culto racional de vocês.” (Rm 12.1)
Materiais: objetos usados no culto (Bíblia, vela, copinho da Santa Ceia, salva de ofertas, hinário, microfone, um instrumento); quadro ou cartolina e canetões; papeizinhos com nomes de lugares (escola, casa, mercado, quadra…); aparelho para tocar um louvor; papel e lápis para os salmos.
Plano da aula: Para começar (5 min) → As histórias de Phoebe e de Emma (15 min) → Hora da Bíblia (10 min) → Vamos conversar (10 min) → Salmos de louvor e brincadeiras (10 min) → Guardar no coração e Oração (5 min). Os blocos com ★ são os essenciais.

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★ Para começar (o que estas coisas têm em comum?)

Espalhe sobre a mesa os objetos do culto (Bíblia, vela, copinho da Ceia, hinário, microfone, instrumento…) e pergunte: onde usamos tudo isso? Para que serve? Deixe que descubram: são coisas que usamos para adorar. Então escreva no quadro e conversem: adorar é falar e viver de um jeito que diz a Deus que nós O amamos e que não existe ninguém como Ele. E o que adoração NÃO é? Não é assistir de longe como espectador, não é só entretenimento, e não é tentar impressionar os outros.

Objetos usados no culto sobre a mesa: Bíblia, vela, cálice e pão, salva de ofertas, hinário, microfone e violão

★ A história de Phoebe Palmer

Quando B.T. Roberts era pastor (lembra dele?), ele conheceu igrejas em que as pessoas se preocupavam mais em impressionar do que em adorar: órgãos caríssimos, roupas de gala, cultos cheios de pompa, e até bancos pagos, como aprendemos na lição passada. Adorar tinha virado um espetáculo para se mostrar. Os primeiros metodistas livres queriam ser livres também nisso: ninguém deveria pagar para adorar, ninguém precisaria de roupa chique ou instrumento caro para chegar perto de Deus, e o culto deveria ter espaço para o Espírito Santo guiar, e não só regras e aparências.

Uma pessoa que ajudou Roberts a entender a adoração verdadeira foi uma mulher chamada Phoebe Palmer, amiga dele e da esposa dele, Ellen. Certa noite, num culto de acampamento, B.T. ouviu Phoebe pregar, e sentiu que Deus colocava dois caminhos à sua frente: o caminho dos aplausos, em que ele seria popular e elogiado, e o caminho difícil, em que ele falaria toda a verdade sobre Jesus, custasse o que custasse. Naquela noite, Roberts se entregou por inteiro ao Senhor. Phoebe ensinava que adorar não é algo que se faz só no domingo: adora-se com os pensamentos, com as escolhas e com as ações, amando a Deus, os pobres, os vizinhos e até os inimigos.

Culto de acampamento à noite: Phoebe Palmer prega numa tenda iluminada e B.T. Roberts ouve emocionado na primeira fila

E aqui está uma das coisas mais bonitas que nós, metodistas livres, cremos: quando adoramos a Deus e O honramos com a vida, Ele trabalha em nós e vai nos transformando para ficarmos parecidos com Jesus. Isso tem um nome: santificação. É um processo que dura a vida inteira! Por isso a adoração não acontece só na igreja: acontece em todo lugar, todos os dias.

A história de Emma Ray

Emma Ray e o marido servindo sopa e pão a crianças pobres numa missão, no inverno de Seattle

Emma Ray nasceu escravizada, em 1859, nos Estados Unidos. Quando cresceu e conquistou a liberdade, ela e o marido, L.P., passaram quase trinta anos servindo os pobres e os moradores de rua da cidade de Seattle. Emma liderava um grupo de mulheres cristãs que lutava contra os estragos da bebida nas famílias, e visitava a cadeia nos domingos à tarde para fazer cultos com os presos, e os dois cuidaram de uma missão para crianças pobres: davam aula da Bíblia, um lugar quentinho no inverno, roupa e comida. Já mais velhos, Emma e L.P. entraram para a Igreja Metodista Livre. Sabe o que os atraiu? O ensino de que as boas novas de Jesus devem ser pregadas primeiro aos pobres. Emma escreveu um livro sobre a sua vida com um título lindo: “Duas Vezes Vendida, Duas Vezes Resgatada”. Ela viveu num tempo em que era muito difícil ser mulher e ser negra, mas nenhum obstáculo a impediu de seguir Jesus. Para Emma, adorar era entregar a vida inteira a Deus e às pessoas.

★ Hora da Bíblia

Leiam juntos (10 min), em grupos ou todos juntos: Deuteronômio 6.4-9 (como devemos amar o Senhor? onde devemos falar de Deus? Em casa, no caminho, o tempo todo!); Atos 2.1-4 (quem veio sobre a igreja no dia de Pentecostes? o Espírito Santo nos ajuda a adorar!); Romanos 12.1 (como podemos adorar a Deus com o nosso corpo?).

★ Vamos conversar

1. A nossa igreja faz todo mundo se sentir bem-vindo para adorar? O que podemos melhorar?Conversa em grupo. Pense nos visitantes, nas crianças menores, em quem chega com roupa simples.
2. Qual é o seu jeito favorito de adorar a Deus? Quando você se sente perto d’Ele?Resposta pessoal. Vale cantar, orar, ficar na natureza, desenhar, servir. Peça exemplos também aos líderes adultos.
3. Existe um jeito de adorar melhor que os outros?Não. Deus se agrada de todo culto sincero, simples ou cheio de música. O que Ele olha é o coração.
4. O que é adorar? E o que é santificação?Adorar é falar e viver mostrando a Deus que O amamos e que ninguém é como Ele. Santificação é Deus nos transformando, dia após dia, para ficarmos parecidos com Jesus.

Indo mais fundo (para os maiores)

5. Por que “oferecer o corpo como sacrifício vivo” (Rm 12.1) é chamado de culto?Porque o culto que Deus mais quer não é uma hora no domingo, é a vida inteira entregue: o que fazemos com as mãos, os pés, os olhos e as palavras.
6. O que as vidas de Phoebe e de Emma têm em comum?As duas entenderam que adorar é servir: amar a Deus de todo o coração e amar as pessoas, especialmente os pobres.

Mãos à obra

Adoração no dia a dia: uma criança rega as plantas, varre a cozinha e faz a lição cantando

Mímica da adoração no dia a dia (7 min). Prepare cartões com tarefas comuns (regar plantas, fazer lição, lavar louça, passear com o cachorro, ajudar um colega). Uma criança fica de costas; as outras fazem a mímica da tarefa e ela adivinha. No fim, conversem: como cada uma dessas coisas pode virar adoração? (Fazendo com amor, com capricho e com gratidão a Deus!)

Adoração em ação (15 min). Divida a turma em duplas ou grupos e entregue a cada um um papelzinho com um lugar (escola, casa, casa do amigo, mercado, quadra de futebol, praça). Cada grupo pensa em jeitos de adorar a Deus naquele lugar e apresenta para os outros, como uma cena de teatro ou como mímica para os colegas adivinharem.

★ Salmos de louvor (10 min). Cada criança (ou dupla) escreve o seu próprio salmo: cinco linhas contando coisas que Deus fez por ela e, depois de cada linha, todos respondem juntos: “O seu amor dura para sempre!” (como no Salmo 136). Depois, leiam os salmos em voz alta como um culto das crianças.

Adorar de jeitos diferentes (5 min). Cantem um louvor que a turma conheça bem, variando o jeito a cada estrofe: ajoelhados, com as mãos erguidas, batendo palmas, em silêncio no coração, e à vontade no final. Cada pessoa é única, e há muitos jeitos sinceros de louvar.

Crianças adorando de jeitos diferentes na igreja: ajoelhadas, de mãos erguidas, batendo palmas ou em silêncio

★ Guardar no coração

Versículo para memorizar: “Portanto, irmãos, pelas misericórdias de Deus, peço que ofereçam o seu corpo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Este é o culto racional de vocês.” (Rm 12.1). Dica de gestos: mãos no coração (“pelas misericórdias de Deus”), braços estendidos para a frente com as palmas abertas (“ofereçam o seu corpo”) e mãos erguidas ao céu (“este é o culto de vocês”).

Oração

Querido Deus, eu quero te adorar não só no domingo, mas todos os dias: em casa, na escola e onde eu estiver. Recebe a minha vida como uma oferta. Espírito Santo, me transforma um pouquinho por dia, até eu ficar parecido com Jesus. Amém.

Desafio da semana: escolha uma tarefa que você não gosta muito de fazer (arrumar a cama, lavar a louça, guardar os brinquedos) e faça-a “para o Senhor”, cantando um louvor. Depois conte para a turma se a tarefa ficou diferente!
Em família: façam um pequeno culto doméstico nesta semana: leiam Deuteronômio 6.4-9 (que manda falar de Deus em casa e no caminho!), cada um leia uma linha do salmo que a criança escreveu na aula, cantem juntos e orem uns pelos outros.
Para a igreja toda (opcional): um Domingo das Crianças, com as crianças servindo no culto (lendo a Escritura, cantando, recepcionando na porta); estações de adoração para as famílias (pintura, música, caminhada de oração, leitura); ou aprender um louvor em outra língua para apresentar num culto missionário, que tal um cântico em japonês, honrando a nossa Conferência Nikkei?
Para levar no coração: adorar é honrar a Deus com a vida inteira, em todo lugar. E, enquanto adoramos, o Espírito Santo nos faz parecidos com Jesus.
Para quem ensina: esta lição apresenta às crianças a palavra “santificação”, que é uma ênfase central do nosso ensino; use-a com naturalidade (“ficar parecido com Jesus, um processo de vida inteira”). As histórias de Phoebe Palmer e Emma Ray vêm das fontes históricas do movimento de santidade. Para aprofundar a identidade da nossa igreja, veja O Caminho Metodista Livre.
Lição 4 · Livres para servir: mãos e pés de Jesus+
Duas mãos abertas de criança segurando um coração de luz

Objetivo: Mostrar que Jesus nos chama a ser as suas mãos e os seus pés no mundo, e que a nossa família de igrejas nasceu com uma missão dupla: viver como a Bíblia ensina e levar as boas novas aos pobres.
Passagem: Filipenses 2.1-11; Miqueias 6.8; Salmo 100.2Faixa: a partir de 6 anosTempo: 50 a 60 minutos
“Ele já mostrou a você o que é bom; e o que o Senhor pede de você? Que pratique a justiça, ame a misericórdia e ande humildemente com o seu Deus.” (Mq 6.8)
Materiais: uma mesa com itens para o Jogo das Mãos (potinho de sobremesa e colher, pente, escova e pasta de dentes); uma colher bem comprida (pode ser feita emendando colheres descartáveis num cabo); quadro ou cartolina; uma pedrinha e uma bacia com água; cartolinas para os calendários do serviço.
Plano da aula: Para começar (10 min) → O segredo dos primeiros metodistas livres e as histórias (15 min) → Hora da Bíblia e conversa (10 min) → A pedra na água (5 min) → Calendário do serviço (10 min) → Guardar no coração e Oração (5 min). Os blocos com ★ são os essenciais.

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★ Para começar (o jogo das mãos)

O jogo das mãos: uma criança tenta dar sobremesa ao colega usando os braços por trás dele, e a turma ri

Chame dois voluntários. O primeiro fica de frente para uma mesa, com os braços parados ao lado do corpo. O segundo fica atrás dele, passando os braços por baixo dos braços do primeiro: ele será “as mãos” do colega, sem enxergar o que está na mesa! Peça tarefas: comer a sobremesa de colher, pentear o cabelo, escovar os dentes… (risadas garantidas). Depois pergunte: sabiam que nós somos chamados a ser as mãos e os pés de Jesus? O que será que isso significa? Nós amamos e servimos porque Ele nos amou primeiro.

Outras opções: a colher comprida (a criança tenta comer sozinha com uma colher maior que o braço e descobre que precisa de alguém para alimentá-la: todos nós precisamos uns dos outros!); ou o gelo e a bala (segurar um cubo de gelo na boca e depois comer uma bala: não dá para sentir o doce; quando pensamos só em nós, o coração fica “dormente” para as necessidades dos outros).

★ O segredo dos primeiros metodistas livres

Jesus, ajoelhado com uma toalha na cintura, lava os pés de um discípulo no cenáculo

Os primeiros metodistas livres escreveram um livro contando no que criam e como queriam viver: o Manual da Igreja. O primeiro deles, de 1866, dizia assim: as nossas igrejas devem ser “tão livres quanto a graça que pregam”, e a nossa missão é dupla: viver o padrão que a Bíblia ensina e pregar o evangelho aos pobres. Eles sabiam que ninguém segue Jesus de verdade sem amar e servir as pessoas, porque o próprio Jesus “não veio para ser servido, mas para servir” (Mc 10.45) e, sendo Deus, “se esvaziou, assumindo a forma de servo” (Fp 2.7). Ser mãos e pés de Jesus é isso: amar e servir como Ele. Hoje vamos conhecer metodistas livres de outros países que descobriram essa alegria.

Elisha, do Togo

Elisha, no Togo, servindo arroz com frango de uma panela grande a vinte crianças felizes no pátio da igreja

Não é preciso ser adulto para servir! Elisha é uma menina do Togo, um país da África. Na igreja dela, Elisha percebeu que muitas crianças pequenas choravam durante o culto porque estavam com fome. Ela não sossegou: perguntava ao pai, que era pastor, se não dava para fazer alguma coisa, até que ele respondeu: “Dá! Mas eu vou ajudar VOCÊ a fazer.” Ele a animou a escrever uma carta contando o seu sonho e a entregá-la às pessoas. E as pessoas começaram a ajudar! Desde então, todo domingo, Elisha e duas irmãs da igreja preparam comida para mais de vinte crianças: arroz com frango, peixe ou feijão. “Eu amo as crianças”, conta ela, “e quero que as crianças pobres também tenham a chance de comer comida boa.” O sonho de Elisha é que, quando essas crianças crescerem, elas cuidem de outras crianças também.

Jovens de uma igreja no México cercam Manny e oram por ele, com as mãos nos ombros dele

Manny, do México

Manny era um adolescente da cidade de Nogales, no México. Ele andava com más companhias, tinha largado a escola e vivia procurando um sentido para a vida. Perto da casa dele havia uma vendinha de esquina, e ali dois amigos, Leonardo e a dona da venda, Virna, sempre conversavam com ele sobre Jesus. Manny não queria saber de igreja. Até que um dia Virna o convidou para um encontro de jovens, com música e alegria, e naquela noite, aos 17 anos, Manny entregou o coração a Jesus. “Os outros jovens me cercaram e oraram por mim, e eu senti a presença de Deus como nunca”, conta ele. No domingo seguinte, ele acordou cedinho, animado para o seu primeiro culto na Igreja Metodista Livre “Manancial de Vida”, que naquele tempo era um barracão simples de madeira, lotado de gente. Manny entrou para o grupo de louvor, voltou a estudar, terminou a faculdade e já foi em viagem missionária servir em construções e ministério com crianças. O recado dele: “Tire tempo para ouvir as pessoas que estão procurando um sentido para a vida, e conte a elas o que Jesus fez por você!”

★ Da nossa igreja

Agora é a sua vez, professor: conte uma história da nossa própria igreja! Quem é alguém daqui (de hoje ou de antigamente) que viu uma necessidade e decidiu servir? Se possível, convide essa pessoa para dar um “oi” à turma.

★ Hora da Bíblia e conversa

1. O que é servir?É usar o que temos (tempo, mãos, talentos) para ajudar alguém por amor, sem esperar pagamento.
2. Leiam Filipenses 2.1-11. Como devemos tratar uns aos outros? O que Jesus fez?Com humildade, considerando os outros; Jesus, sendo Deus, “se esvaziou, assumindo a forma de servo” e serviu até a cruz.
3. Leiam Miqueias 6.8. Quais são as três coisas que o Senhor pede? Como praticá-las?Praticar a justiça, amar a misericórdia e andar humildemente com Deus. Deixe as crianças darem exemplos concretos de cada uma.
4. Quais são as necessidades da nossa comunidade? Como podemos ajudar?Façam uma lista no quadro: fome, solidão, idosos sozinhos, praça suja… e escolham uma para agir.
5. Quem cruza o nosso caminho todos os dias e pode ser servido por nós?Colegas, professores, irmãos, vizinhos, o porteiro, o motorista do ônibus…
6. E como podemos servir pessoas que moram longe?Orando por elas, apadrinhando uma criança de outro país, apoiando missionários e enviando ofertas e cartas.

A pedra na água

A mão de uma criança solta uma pedrinha numa bacia de água, formando círculos que se espalham

Hora de ver com os olhos (5 min): desenhe no quadro cinco círculos, um dentro do outro, e escreva de dentro para fora: Deus, família e amigos, igreja, comunidade, mundo. Depois solte uma pedrinha na bacia com água e observem juntos as ondas se espalhando. Quando servimos alguém, nem sempre vemos todos os resultados: como as ondinhas da pedra, o nosso serviço vai longe, porque Deus está fazendo uma obra grande, e nos deixa participar!

Crianças servindo na igreja: recolhendo papéis do pátio, arrumando cadeiras, decorando biscoitos e servindo suco a uma senhora

Mãos à obra

★ Calendário do serviço (10 min). Em duplas ou grupos, as crianças montam um calendário da semana (ou do mês) com uma ação de serviço para cada dia: segunda, arrumar a cama sem ninguém pedir; terça, ajudar um colega na lição; quarta, dar um recado carinhoso a alguém… Incentive ações dentro e fora de casa. Cada criança leva o seu calendário e vai marcando os dias cumpridos.

Sirva a sua igreja (opcional). Reserve um tempo para servir ali mesmo: recolher papéis do pátio, arrumar as cadeiras, servir o lanche dos pequenos, decorar biscoitos para os irmãos doentes ou idosos da igreja, fazer cartõezinhos para os visitantes.

Teia do servir (5 min). Escreva “SERVIR” no centro do quadro e deixe as crianças puxarem flechas com todos os exemplos que conseguirem lembrar.

★ Guardar no coração

Versículo para memorizar: “Ele já mostrou a você o que é bom; e o que o Senhor pede de você? Que pratique a justiça, ame a misericórdia e ande humildemente com o seu Deus.” (Mq 6.8). Dica de gestos: mãos equilibradas como uma balança (“pratique a justiça”), mão no coração (“ame a misericórdia”) e dois dedinhos caminhando na palma da outra mão (“ande humildemente com o seu Deus”).

Oração

Querido Jesus, obrigado porque Tu não vieste para ser servido, mas para servir. Eu quero ser as tuas mãos e os teus pés. Abre os meus olhos para ver quem precisa de ajuda, e me dá alegria em servir. “Sirvam ao Senhor com alegria” (Sl 100.2). Amém.

Desafio da semana: cumpra o seu calendário do serviço, marcando cada dia! No próximo encontro, conte qual foi o serviço mais difícil e qual foi o mais gostoso de fazer.

Missão secreta: uma criança deixa na ponta dos pés uma cesta de frutas e um bilhete na porta do vizinho

Em família · Missão secreta: combinem uma missão secreta de serviço: abençoar alguém sem que a pessoa descubra quem foi (deixar um bilhete animador, uma fruta na porta do vizinho, arrumar algo que estava quebrado). No jantar, contem como foi e leiam juntos Mateus 6.3-4: o Pai vê o que se faz em segredo.
Para a igreja toda (opcional): uma Feira do Serviço para as famílias conhecerem os ministérios da nossa igreja, como o Apadrinhe uma Criança e os Voluntários em Missão; um mutirão de visita com flores aos idosos e doentes da congregação; ou uma campanha de arrecadação para um abrigo ou uma casa de apoio da sua cidade.
Para levar no coração: Jesus nos chama a ser as suas mãos e os seus pés. Desde 1866 a nossa missão é dupla: viver como a Bíblia ensina e levar as boas novas aos pobres.
Para quem ensina: esta lição encerra a série; aproveite para relembrar com a turma as quatro liberdades: livres para crer (a salvação é presente), para ser iguais (Deus valoriza todos), para adorar (com a vida inteira) e para servir (mãos e pés de Jesus). A citação é do primeiro Manual da igreja (1866); o nosso Manual atual está em metodistalivre.org.br/manual-metodista-livre. As histórias de Elisha e de Manny vêm dos materiais missionários da denominação; se a sua igreja tem missionários ou projetos que as crianças conhecem, inclua-os na aula.

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